quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Cemitério na porta de sua casa


Os moradores de São Bernardo podem ficar mais felizes em 2010. Ganharam de presente a volta das enchentes que destroem casas, ruas e comércios e a ampliação do “cemitério” de automóveis apreendidos e abandonados nas delegacias de polícia.

Mesmo os moradores de áreas mais altas da cidade, como o bairro Baeta Neves, viram verdadeiras cachoeiras em algumas ruas por conta das fortes chuvas e simplesmente não conseguiram chegar em casa em pelo menos três nas últimas duas semanas por conta da cidade ilhada pelos alagamentos.

Enquanto isso, nas imediações do 1º Distrito Policial, na avenida Armando Italo Setti, já não há mais espaço para alocar automóveis apreendidos e batidos ao longo de 400 metros, nos dois lados.

Sem a menor preocupação, guinchos despejam o restou de carros nas travessas próximas. São veículos despedaçados que viram abrigos para mendigos e animais.

As denúncias sobre essa prática nefasta levada a cabo pelos delegados da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) local são antigas. Há pelo menos 20 anos jornais da região e da Capital denunciam esse descumprimento da lei em São Bernardo e em Santo André. E ninguém toma providência.

Não é à toa que a segurança pública do governo estadual tucano é uma calamidade. E faz sentido que centenas de delegados estejam sendo investigados pela Corregedoria da Polícia Civil, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo.

Com o descumprimento flagrante da lei ao abandonar veículos apreendidos nas ruas, não é de se surpreender o volume abissal de funcionários públicos que estão sendo investigados e que certamente serão punidos. Se são esses cidadãos que violam a lei que zelam pela nossa segurança, o que esperar?

Não bastasse a ampliação do “cemitério” para as ruas paralelas e travessas, há outra novidade no 1º DP: caminhões apreendidos e largados no que deveria ser o estacionamento da Ciretran para vistorias.

Recente reportagem deste ABCD Maior, em outubro passado, já alertava para o problema e denunciava o descaso das autoridades estaduais.

No texto, a delegada assistente do 1º Distrito Policial, Tereza Alves de Mesquita, dizia que os carros e motos só estão no local porque não existe área apropriada para deixá-los. “Já chegamos a colocar esses veículos em um pátio do município, mas eles não estão recebendo mais e nós nem sabemos o motivo.”

O jornal Diário do Grande ABC, há duas semanas, informava que eram 80 os carros em situação lastimável ao longo da avenida Armando Italo Setti. Hoje são quase 100.
Há problemas também nas imediações do 2º DP, em Rudge Ramos, onde o problema é crônico desde 1990.

Na maioria das vezes, a desculpa é a mesma de sempre: o pátio fica lotado, o volume de apreensões cresce a cada dia e a lei não permite que se dê fim logo aos carros apreendidos e abandonados .

O delegado seccional da cidade, Rafael Rabinovich, afirmou à imprensa da região que o problema está relacionado ao contrato com a empresa Octágono Serviço Ltda, responsável pela administração do pátio de retenção de veículos, no bairro dos Casa, desde março de 2007.

Maravilha, mas e daí? Então quer dizer enquanto o contrato estiver sendo “analisado” e “avaliado”, as ruas da cidade de São Bernardo continuarão sendo um depositário de veículos avariados?

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