quinta-feira, julho 23, 2020

Há 35 anos, Dee Snider se tornava o patrono da liberdade de expressão no rock

Marcelo Moreira

A situação era hilária, em todos s sentidos, por mais que ninguém achasse graça - nem músicos, nem executivos de gravadoras, nem parlamentares.

O heavy metal e o hard rock tinham se tornado o alvo dos conservadores norte-americanos em pleno governo Ronald Reagan, que achavam o rock "decadente" e "má influência" para os jovens, e isso em 1985 - reeditando os discursos estúpidos e medievais dos primórdios do rock, 30 anos antes.

A "defesa da juventude" uniu deputados e senadores democratas e republicanos - e suas esposas imbecis - contra o rock e o nascente rap/hip hop.

Há 35 anos, a humanidade vivia provavelmente a sua época de maior vexame cultural e artístico ao colocar o rock no banco dos réus e propiciar uma investigação parlamentar sobre o conteúdo das obras - como se os políticos nada tivesse mais importante para fazer.

E coube a um cantor de hard rock falastrão, mas muito bem preparado intelectualmente, fazer a defesa mais importante do rock, das artes e da liberdade de expressão, ao lado do extraordinário Frank Zappa.

Aliás, Dee Snider, então vocalista do Twisted Sister, ofuscou o venerável Zappa ao destruir e desconstruir o discurso conservador dos conservadores idiotas loucos para castrar a criatividade e tutelar a juventude.

Twisted Sister: Dee Snider está no centro (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Instigados por suas imbecis esposas, deputados federais e senadores criaram uma comissão de investigação para investigar o conteúdo das letras de música pop, reeditando os tempos do macarthismo - movimento político liderado pelo senador republicano Joseph McCarthy que visava identificar, banir e processar "comunistas" na indústria cinematográfica e na literatura dos anos 50.

Babando de ódio e sedentos de sangue, os parlamentares foram trucidados pelos argumentos pelo sarcasmo de Snider e Zappa, além de um banho de tolerância e de fundamentos democráticos por parte do cantor folk John Denver.

 Vestido como estivesse na iminência de subir ao palco, Dee Snider deu um depoimento contundente e certeiro sobre como funcionava a indústria fonográfica e o processo de composição musical. Deu uma aula de liberdade de expressão e de comportamento político tolerante, além de demonstrar o ridículo de todo aquele circo.

Com base em post nas redes sociais de Sergio Collin Júnior, reproduzimos alguns trechos traduzidos da fala de Dee Snider em seu depoimento no Congresso norte-americano em 1985:

"Não sei se é manhã ou tarde. Eu vou dizer duas coisas. Bom dia e boa tarde. Mu nome é Dee Snider. S-n-i-d-e-r. Eu gostaria de falar ao comite um pouco sobre mim mesmo. Tenho 30 anos, sou casado, tenho um filho de 3 anos de idade. Eu nasci e cresci como um cristão e eu ainda creio nos mesmos princípios básicos. Acredite ou não, eu não fumo, não bebo, e eu não uso drogas.

Eu toco e componho as canções para uma banda de rock and roll chamado Twisted Sister que é classificada como heavy metal, e eu me orgulho de escrever canções que sejam consistentes, seguindo assim minhas mencionadas crenças.

Desde que eu pareço ser a única pessoa a ser abordado a esta comissão de hoje, da qual eu tenho sido alvo direto de acusações, presumivelmente responsável, gostaria de aproveitar esta ocasião para falar sobre uma nota mais pessoal e mostrar o quão injusto todo o conceito de lírica interpretação e julgamento pode ser, e quantas vezes isso pode chegar a pouco mais de assassinato de caráter.

Sinto que acusações deste tipo são irresponsáveis, prejudiciais à nossa reputação, e caluniosas.
A beleza da literatura, poesia e música é que eles deixam espaço para o público a colocar a sua própria imaginação, experiências e sonhos em palavras."

Uma esposa de senador (senhora Al Gore) disse que a música 'Under to Blade' (Sob a Lâmina) faz apologia ao sadomasoquismo. A música mexe com a imaginação das pessoas e as faz pensar o que quiserem. Essa música fala sobre uma cirurgia na garganta de um integrante da banda, o meu guitarrista Eddie Ojeda e o medo que ele tinha dela. A Sra. Gore procurou sadomasoquismo na música e o encontrou. Quem procurar referências cirúrgicas também irá encontrá-las."

Seguiram-se discussões inócuas e inúteis depois da aula de Snider, com parlamentares espumando de raiva por terem sido ridicularizados.

A única consequência digna de nota foi a invenção de um "selo" a ser colocado nos LPs avisando sobre o "conteúdo" explícito nas letras de rap e rock. Um tiro no pé, pois isso só aumentou a curiosidade sobre tais obras e explodiu as vendas de tais produtos. Clique aqui e saiba mais sobre a questão.



O selo tinha a chancela do PMRC (Parents Music Resource Center), o comitê extraparlamentar criado pelas esposas dos senadores e deputados para tentar censurar músicas e outras manifestações culturais.

Os depoimentos dos artistas e o discurso de Dee Snider se tornaram um marco na defesa da liberdade de expressão por parte dos artistas e estimulou o surgimento de um ramo jurídico em várias partes do mundo que especializou em atentados conservadores contra as artes. 

De alguma forma, essas iniciativas ajudaram nas defesas de Ozzy Osbourne e Judas Priest ainda nos anos 80, quando foram acusados absurdamente, nos tribunais, de terem contribuído para o suicídio de jovens por conta de letras de algumas músicas. Depois de alguns anos de sofrimento, os artistas foram absolvidos.

Notas roqueiras: The Baggios, Yannick Hara, Erasmo Carlos...




- No dia 25 de julho o power-trio sergipano de blues rock The Baggios faz um show-live às 20h, no canal da banda no youtube. Será o primeiro durante esta quarentena neste formato com banda junta, e será bem profissional - quatro câmeras, num espaço bem bacana, com iluminação. Será uma apresentação de 1h30 e beneficente (www.vakinha.com.br/vaquinha/the-baggios-live-beneficente), que visa arrecadar fundos para a equipe técnica deles, sem trabalhar com a falta de shows.

- O cantor paulista Yannick Hara lançou recentemente o single Pandemia. A faixa se inspira no filme Blade Runner para retratar o contexto social contemporâneo em meio ao covid-19. Desta forma, a música aborda o conceito cyberpunk – que dá-se pela alta tecnologia somada à baixa qualidade de vida no cotidiano. A música foi produzida pelo beatmaker Paulo Júnior, sendo que as sessões de gravação ocorreram no estúdio Live Station, em São Paulo. A mixagem e a masterização da faixa ficou a cargo de Blakbone. De acordo com Yannick, Pandemia tem o arranjo inspirado no post punk dos anos 80.

Erasmo Carlos estará neste sábado (25/7), às 21h30, em live do Festival #CulturaEmCasa. A apresentação será pela plataforma #CulturaEmCasa, criada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerida pela Organização Social Amigos da Arte. O acesso é por meio do site http://www.culturaemcasa.com.br. Os conteúdos da plataforma podem ser assistidos gratuitamente por televisão, computador, tablets e celulares.

quarta-feira, julho 22, 2020

Bon Jovi lança o single ‘American Reckoning’; música estará em novo álbum

Do site Roque Reverso


Jon Bon Jovi (FOTO: DIVULGAÇÃO

O Bon Jovi trouxe aos fãs na quinta-feira, 9 de julho, por meio de um lyric video, o single “American Reckoning”. É mais uma amostra do álbum que o veterano grupo norte-americano lançará ainda em 2020.

A música traz uma letra que cita o momento atual dos Estados Unidos com os protestos contra o racismo que cresceram após o assassinato de George Floyd, um negro, por um policial branco, de nome Derek Chauvin.

“Fiquei emocionado em escrever ‘American Reckoning’ como testemunha da história”, disse o líder e vocalista do grupo, Jon Bon Jovi. “Acredito que o maior presente de um artista é a capacidade de usar sua voz para falar sobre questões que nos comovem”, complementou.

A música está disponível em todas as plataformas digitais e o valor arrecadado com o download será destinado, até o dia 31 de dezembro, à Equal Justice Initiative, organização sem fins lucrativos, com sede em Montgomery, Alabama, que fornece representação legal a prisioneiros que podem ter sido injustamente condenados por crimes, prisioneiros pobres sem representação efetiva e outros que podem ter sido negados.

Denominado “Bon Jovi 2020”, o disco novo do Bon Jovi seria lançado oficialmente no dia 15 de maio. Entretanto, a pandemia do novo coronavírus atrasou o lançamento, que deve ser feito ainda em 2020.

A produção do álbum é da dupla John Shanks e Jon Bon Jovi, que vem sendo a responsável pelos discos mais recentes da banda.

O novo trabalho é 15º disco de estúdio do Bon Jovi e ainda o segundo sem qualquer contribuição do guitarrista Richie Sambora, que saiu do grupo em 2013.

“Bon Jovi 2020” sucederá o álbum “This House Is Not For Sale”, que foi lançado em 2016, gerou vários clipes e contou com boa repercussão dos fãs.

O disco novo terá 10 músicas e já está disponível para venda nos formatos digital, vinil e CD.

Uma amostra do disco foi a música “Limitless”, que ganhou clipe no fim de fevereiro.

Notas roqueiras: By Fire & Sowrd, Marenna-Meister, Chaosfear...

- A banda americana By Fire & Sword está lançando uma versão acústica para a música “Testify”, um dos grandes destaques do EP “Freedom Will Flood All Things With Light”, lançado no ano passado pelos selos Hoove Child Records e Underground Power Records. The Rev. Tim Tom Jones (vocal), Brother Michael e Brother Jeffrey (guitarras), Brother Zachery (baixo) e Brother Michael Francis (bateria) ainda colhem os bons resultados do EP e trabalham em seu CD de estreia, com previsão de lançamento para o começo de 2021. O guitarrista Brother Jeffrey e o vocalista Rev. Tim Tom Jones gravaram a nova versão de “Testify” em plena quarentena, direto da cidade de Boise, capital do estado de Idaho. Ouça a versão acústica de “Testify”: https://byfireandsword.bandcamp.com/track/testify-acoustic
- Marenna-Meister é o novo projeto do cantor Rod Marenna (Marenna) e do guitarrista Alex Meister (ex-Pleasure Maker/Alex Meister Solo). A banda apresenta seu álbum de estréia, "Out Of Reach", que será lançado em 28 de setembro pelo selo dinamarquês Lions Pride Music e traz 10 faixas extremamente poderosas com a energia Hard Rock e Hair Metal dos anos 80. A capa do álbum e a tracklist será divulgado em breve.
- "Be The Light In Dark Days", o novo trabalho dos paulistanos do Chaosfear, foi oficialmente lançado dia 11 de junho, por enquanto de forma independente, em todas as plataformas digitais tradicionais e já vem acumulando críticas extremamente positivas na mídia especializada. "From No Past" é o novo videoclipe e segundo single extraído desse álbum. Gravado, dirigido e produzido por Jean Santiago (www.santart.com.br), mesmo designer/criador da capa de "Be The Light In Dark Days". Confira o videoclipe de "From No Past" em https://youtu.be/22lqX5iQKM4

'Closer', do Joy Division, faz 40 anos e ganha reedição remasterizada

Marcelo Moreira

Eram garotos como todos os outros que amavam o punk, mas que queriam ir além, ainda que seu genial e genioso vocalista fosse, de certa forma, um entrave. E, até certo ponto, conseguiram ir além, por mais que tivessem de mudar os planos e seguir por outros caminhos.

Faz mais de 40 anos que uns garotos que pareciam enfezados, mas que apenas era um pouco desnorteados, começaram a recolocar a cidade inglesa de Manchester no panorama do rock.

Meio que sem saber o tamanho do estrago que estavam fazendo, perceberam que o punk era um ataque, mas não o fim - exceto para o vocalista, que enxergava o fim em quase tudo.

Como grande legado, eles formaram o Joy Division e deixaram um disco importantíssimo, que influenciou ao menos duas gerações posteriores de bandas inglesas, além de ser o pontapé inicial para o surgimento de outra banda tão importante quanto, o New Order.

"Closer", o segundo e emblemático álbum do Joy Division - foi lançado postumamente, pois a banda tinha acabado e se transformado com a morte do vocalista Ian Curtis -, está fazendo 40 anos e ganhou uma reedição caprichada, com nova mixagem e remasterização, reacendendo a centelha que instigou tanta gente a ouvir músicas clássicas como "Isolation" e "Heart and Soul".

O álbum reforçava a veia anticomercial e totalmente gótica/melancólica. Colocava na mesa as cartas que dispunham, encantando o mundo com um som sombrio, soturno, melancólico e asfixiante, desesperador em certos momentos a angústia em arte e em meio de comunicação.

É uma dolorida sequência do magistral "Unknown Pleasure", de 1979, outra pérola de música de inspiração punk e gótica, explicitando o desespero e o sentimento de solidão - e que inclui o maior hit da banda, "Love Will Tears Us Apart".


Começo despretensioso

Em 1977, o Warsawa começava a se firmar depois do encontro do aspirante a cantor Ian Curtis com o baixista Bernard Sumner e com o baixista Peter Hook - logo em seguida chegaria o baterista Steve Morris.

No final do ano seguinte, já como Joy Disivion, a banda quase estouraria mundialmente, se não fosse pelo errático, excêntrico e doente Ian Curtis.

Essa história do quase estouro do Joy Division, uma das bandas cult mais cultuadas dentro do rock underground, é descrita com paixão, ressentimento e resignação por Deborah Curtis, a ex-mulher do vocalista, em uma obra interessante publicada pela editora Ideal em português, "Tocando a Distância - Ian Custis e Joy Division".

A edição brasileira da obra escrita em 1995 teve uma tradução excelente do jornalista José Julio do Espírito Santo e uma edição caprichada em português com todas as letras escritas por Ian Curtis (com suas respectivas traduções), além de composições inéditas e trechos de letras inacabadas. O livro foi editado em 2014 e foi reeditado em 2016.

Por um lado, a obra da Deborah Curtis é um pouco decepcionante porque não entrega o que promete no título - o Joy Division acaba sendo coadjuvante de uma história de amor adolescente mal resolvida, pois o que norteia a narrativa é a investigação da personalidade errática, difícil e fora do comum de Ian Curtis.

Deborah procura explicações para as dificuldades conjugais e de comunicação do vocalista em detalhes da vida em comum e na obsessão dele em se tornar um rockstar.

Corajosa e persistente, a autora resiste em atribuir à epilepsia, diagnosticada por volta 1977, como causa do comportamento instável do marido.

Joy Division: da esq. para a dir., Stephen Morris, Peter Hook, Ian Curtis e Bernard Sumner (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Vida instável

Juntos desde os 16 anos de idade, Deborah enumera diversos fatos que muito mais tarde identificaria como bipolaridade. De famílias de classe média baixa, o casal resolveu casar em 1975, aos 19 anos - ela seis meses mais nova.

Sempre em empregos mal remunerados, embora nunca desempregados, os dois tiveram ajuda preciosa dos pais, especialmente quando Natalie, a filha do casal, nasceu em 1979.

O problema é que a grana era pouca, a banda, já chamada de Joy Division, solicitava muito, mas pagava quase nada. Para temperar as coisas complicadas, viera os frequentes ataques epilépticos, muitos antes de shows - ou ao final deles.

Se entrega menos do que promete em relação ao Joy Division, a obra é um relato seco, corajoso e franco sobre a vida de Ian Curtis e sua escalada para virar uma estrela, interrompida pela total instabilidade emocional, pela depressão profunda e pela doença, com direito a um relacionamento extraconjugal com uma garota belga que aprofundou os problemas psicológicos do cantor.

Deborah não é condescendente e não busca culpados para o suicídio de Curtis em maio de 1980, dois dias antes da primeira turnê norte-americana. Ela é bem seca e sucinta ao narrar aquele final de semana em que o já ex-marido pediu para passar a noite vendo televisão no então ex-lar do casal.

Na manhã seguinte, um domingo, Deborah, que dormira na casa dos pais após uma noite de trabalho como garçonete em um clube noturno, encontrou Curtis enforcado na cozinha com um varal de roupas.



Morre o cantor, nasce mais um mito

Ian Curtis morreu aos 23 anos de idade e entrou, com sua morte, para o panteão dos ídolos cult que se foram cedo, mas não está no primeiro time dos gloriosos mortos do rock que viraram lendas, como Jim Morrison ou Kurt Cobain.

Letrista de qualidade acima da média com momentos muito inspirados, como a bela "Love Will Tears Us Apart", ajudou a apontar um caminho que avançava em relação ao punk que expirava no ano de 1980 - para muitos críticos, "Closer" já anunciava o que veio a ser chamado de pós-punk.

Deborah Curtis foi igualmente seca ao analisar a obra do Joy Division e sobre a importância da obra do ex-marido, mas reconheceu a importância e sua qualidade, tomando emprestadas várias expressões e análises de jornalistas amigos.



terça-feira, julho 21, 2020

O avanço do conservadorismo: rock virou coisa de 'tiozão'? Programa Combate Rock tenta responder




No programa desta semana, trazemos uma discussão sobre a falta de espaço para novas linguagens no rock e a predominância do conservador “rock de tiozão”.

Com o desaparecimento do rock das listas atuais de “maiores sucesso”, dominadas por rap e rhythm and blues moderno nos Estados Unidos e pelo sertanejo no Brasil, muita gente associou esse “futuro” para o gênero ao discutir a data, 13 de julho, o Dia Internacional do Rock, só comemorado aqui no Brasil.

Pois bem, o futuro chegou e o rock se tornou um gênero musical de nicho no Brasil, assim como o blues e o próprio jazz.

Com a perda de e o avanço da idade de parcela expressiva de seu público, o classic rock ganhou uma relevância que nunca teve, especialmente no Brasil. Logo será uma música apreciada por gente mais velha que prefere ouvir obras de gente morta há muito, muito tempo…

Com a falta de renovação de seu público, que sumiu, fica a pergunta: será que essa é a razão pelo avanço do conservadorismo político e nos costumes entre os apreciadores que ainda insistem em ouvir rock, mesmo entre o mais novos?

Para nos acompanhar nessa discussão, trazemos novas músicas dos dinossauros David Gilmour, Rolling Stones e Deep Purple e os novíssimos Edgar, Applegate e Honeymoon Disease.


Notas roqueiras: Cuscobayo, Meggera, Metal Against Coronavirus




- A arte vai salvar o mundo. Essa é a bandeira de " Desafogo", novo single da Cuscobayo, lançado no último dia 17 nas plataformas streaming e que ganha hoje (21) um videoclipe, dirigido pelo baixista da banda, Pedro Ourique. Seguindo o espírito da faixa, a banda selecionou um apanhado de fotos dos bastidores da pré-produção do álbum "Não É Bem Assim", durante a primavera de 2019, no litoral gaúcho. Assista aqui. Entre influências do reggae e do folk, a banda canta a arte como processo de cura. E as fotos do vídeo transmitem a alegria que é o início de produção de um álbum, além de trazer na memória um momento entre não só colegas de banda, mas também, amigos. Lembranças que até parecem de outro mundo, em tempos de distanciamento social. "Em 'Desafogo', por cima de uma levada suave e onírica, basicamente folk, mas por vezes flertando com o reggae, cantamos sobre nossa vivência como pessoas que fazem arte e tentam viver dela, especialmente o processo da criação e a relação com o mundo material", comenta Rafael Froner, voz e violão do grupo, que também é formado por Alejandro Montes (trompete), Marcos Sandoval (voz, cajón), Pedro Ourique (baixo), Rafael Castilhos (percussão) e Rafael Froner (voz, violão).

A banda mineira Meggera quebrou o silêncio e postou um vídeo oficial de “(Des) Respeitável Público”, gravado ao vivo no Festival BH Tattoo 2019, um dos maiores eventos do segmento, onde a banda foi premiada pela melhor performance ao vivo. Com o processo de gravação e produção do novo álbum, "Meia hora de açougue", parado em consequência da pandemia, o grupo decidiu presentear os fãs com esse vídeo, que agora tem caráter nostálgico, segundo as palavras do baterista Naybert Silva. Veja em  https://www.youtube.com/watch?v=ItvdzKgxE_8

Metal Against Coronavirus é um projeto criativo que busca a participação de toda a comunidade internacional conectadas ao Heavy Metal. Foram convidadas bandas, ilustradores, designers, fotógrafos, produtores, engenheiros e técnicos de som, estúdios de gravação, produtores e diretores de vídeo, gerentes de marketing, reservas. agências, produtores de eventos, empresas de merchandising, oficinas de serigrafia, jornalistas de música e outras profissões ligadas à cena do heavy metal que contribuem com sua experiência, paixão e solidariedade para o desenvolvimento deste projeto. Foi criado para arrecadar fundos para a luta contra o coronavírus. Com o objetivo de que todas as nacionalidades se sintam confortáveis no projeto, o projeto decidiu alocar o dinheiro gerado ao fundo de resposta de solidariedade covid-19 da Fundação das Nações Unidas para a Organização Mundial da Saúde. Ainda não há uma data de lançamento da primeira música do projeto. Como ponto de partida, o projeto está trabalhando em uma música colaborativa exclusiva e inédita chamada "Muerte en el Cielo / Celestial Burial" entre músicos da banda catalã Pánico Al Miedo e músicos da banda colombiana Sol De Sangre. Para a música mencionada, eles confirmaram colaborações internacionais de Jeff Becerra do Possessed e Karl Willetts do Bolt Thrower e Memoriam nos vocais. Solos de guitarra serão criados por James Murphy, ex-membro e músico do Death/Obituary/Testament/Konkhra e Carlos Leonardo no baixo (Human Carnage/Smrt/Mollitiam). O primeiro e único Ross The Boss, um dos guitarristas de heavy Metal mais influentes de todos os tempos e ex-integrante original de Manowar também se uniu à causa, e ele contribuirá com um solo de guitarra para outra música incluída no projeto. Além disso, o atual baterista do Megadeth Dirk Verbeuren e ex-membro do Soilwork gravará faixas de bateria para outra música. O extraordinário engenheiro sueco Tony Lindgren, dos estúdios da Fascination Street, também confirmou sua participação no projeto.

The Killers lança clipe para música ‘My Own Soul’s Warning’

Do site Roque Reverso


The Killers (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A banda The Killers lançou o clipe da música “My Own Soul’s Warning”. Ela havia sido liberada como single em junho e se tornado mais uma das amostras do novo álbum que o grupo norte-americano lançará ainda em 2020.

Além do novo clipe, a banda definiu uma nova data de lançamento do disco: será no dia 21 de agosto.

O álbum “Imploding the Mirage” deveria ter chegado ao público no dia 29 de maio, mas teve lançamento adiado por causa da pandemia de covid-19 que afetou o planeta.

Antes da “My Own Soul’s Warning”, o The Killers já havia disponibilizado para audição as músicas “Fire In Bone” e boa “Caution”, esta com o lançamento de um clipe.

“Imploding the Mirage” será o sexto álbum de estúdio do grupo.

O disco sucederá “Wonderful Wonderful”, que foi lançado em 2017.

A produção é de Shawn Everett e de Jonathan Rado.

Notas roqueiras: Armored Dawn, Oswaldo Vecchione, Made in Brazil, Warfield




- Seguindo uma estratégia pouco comum na divulgação de novidades, a banda paulistana Armored Dawn vai soltando a conta-gotas as mudanças na formação. Depois de surpreender e confirmar Fernando Quesada como baixista (é amigo e antigo colaborador do grupo), agora é a vez de Heros Trench anunciar que foi "promovido" a guitarrista. Trench tinha assumido o baixo há mais de um ano, substituindo Fernando Giovanetti, e colaborava também com produtor musical. Além disso, mantém o posto de guitarrista do Korzus e de produtor de diversas bandas brasileiras no estúdio Mr. Som. Armored Dawn agora é uma banda com sete integrantes, sendo três guitarristas - uma verdadeira confraria, onde certamente sempre cabe mais um...

- Oswaldo Vecchione, vocalista e baixista do Made in Brazil, já está em casa. Há dez sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) no interior de São Paulo e passou ao menos uma semana internado na capital. Devidamente tratado e medicado, recebeu alta e passará por tratamentos de fisioterapia, entre outros. Ele tem 73 anos e mantém a banda na ativa, ao lado do irmão Celso, desde 1967.

- A banda Warfield confirmou a nova formação do quinteto que contém dois guitarristas, Patrick Pedroso e Ivan Caregnato, o baixista Thomaz Bordignon, na bateria Fontaine Di Bastiani e nos vocais, Gustavo Rafaeli.

Notas roqueiras: Cannibal Corpse, Soul da Paz, Richard Martin...

- Mesmo com intensas e pesadas críticas por conta de livros mal acabados e erros diversos, a editora Estética Torta mantém o ritmo de lançamentos e coloca no mercado "Bíblia da Carnificina - A Biografia do Carnnibal Corpse", de autoria do jornalista inglês Joel McIver, um dos principais escritores da área musical. A banda é um dos principais expoentes do metal extremo. Com suas mais de três décadas de atuação, até o momento, os membros da banda apostaram sempre em composições sobre morte e miséria, além de variados graus de destruição. Neste livro de memórias oficial, recheado de fotografias raras do acervo pessoal dos músicos, Cannibal Corpse explora seu próprio coração negro, revelando a escuridão profunda que existe em todos nós, de acordo com palavras do próprio autor. 
 
- Formada por músicos de diferentes credos, sendo vários deles sacerdotes atuantes em suas comunidades religiosas, a banda Soul da Paz tem seus integrantes sempre se apresentando trajados com as roupas religiosas tradicionais de suas respectivas crenças formando a primeira banda musical inter-religiosa. O disco "Soul da Paz" foi produzido por Kiko Zambianchi, que também toca em algumas faixas, e tem participação de Bruno Gouveia, do Biquini Cavadão, em The Band of Peace and Soul. Ouça: http://ryb.shor.tn/souldapaz 
 
- Richard Martin nasceu em São Paulo, e ainda jovem, escolheu apostar em sua carreira musical fora do país, mais precisamente na cidade de Nashville, no Tennessee, Estados Unidos. Em junho, o seu primeiro single "Rebound" estreou em todas as plataformas digitais. A música fala justamente sobre a vida no local, onde mora e se inspira. Neste mês de julho o EP estará completo, composto por seis faixas, todas gravadas em inglês, de autoria própria. O estilo country, que marca a sua identidade e a de Nashville, será o destaque em suas melodias, adaptadas para o pop. "Tentei retratar um pouco do meu amor pela música country, e a mudança de percepção que tive da cidade, desde a minha vinda pra cá, aos 23 anos." - conta Richard, hoje com 28 anos. O artista já coleciona mais de 28 mil seguidores brasileiros e americanos em suas redes sociais, que acompanham sua trajetória desde o início da carreira. Confira o seu trabalho no site: http://rmartinmusic.com/

Tuatha de Danann resgata um pouco da Irlanda no sul de Minas Gerais

Marcelo Moreira


Tuatha de Danann (FOTO: DIVULGAÇÃO)

De volta à Irlanda e no mergulho nas culturas celta e gaélica. Os mineiros do Tuatha de Danann
tinham dado um pequeno desvio de rota no começo deste ano ao compor e lançar um single homenageando a história de Minas Gerais no single "Conjura", e agora mostram a competência de sempre trazendo mais referências à terra dos duendes na música mais recente, "The Molly Maguires".

A música antecipa o novo álbum, "In Nomine Éireann"(título que mistura latim e gaélico, já que Éireann significa Irlanda no antigo idioma irlandês). 

A canção, juntamente com o lyric vídeo, pode ser ouvida nos canais oficiais da banda e está disponível para download também em formato karaokê no site: http://molly.tuathadedanann.art.br/.

A música "The Molly Maguires" faz parte do cancioneiro tradicional irlandês. Os arranjos e adaptações foram criados pelo vocalista e guitarrista Bruno Maia. "Esta canção é um clássico do cancioneiro rebelde tradicional irlandês e nós a deixamos com uma cara bem punk. Para dinamizar um pouquinho inserimos uma reel no meio para deixa-lá ainda mais interessante".

 A "reel", ou seja, um ritmo da música tradicional irlandesa, referida pelo músico é "The Fermoy Lasses Reel", inserida como música incidental aos 1:45 minutos do single.

Na gravação de "The Molly Maguires", o Tuatha de Danann contou com participações internacionais do músico Keith Fay, vocalista da banda irlandesa de celtic metal Cruachan, e do violinista Kane O'Rourke, especializado em música tradicional irlandesa e com CDs lançados mundialmente. A produção ficou ao cargo de Bruno Maia e a mixagem e masterização são assinadas por Cello Oliveira.

Outro participante especial em "The Molly Maguires" é o ilustrador, músico e professor universitário Edgar Franco, que já havia ilustrado o lyric vídeo de "Your Wall Shall Fall" do disco "Tribes of the Witching Souls".

O design do encarte digital é do publicitário Rodrigo "Monstrão" Barbieri. A edição e finalização do novo lyric vídeo do Tuatha de Danann, foi realizada por Raoni Silva Joseph.



Enclave irlandês em Varginha

O Tuatha de Danann, banda da mineira Varginha, surpreendeu o rock brasileiro quando surgiu, em meados dos anos 90, como um Jethro Tull mais pesado e ao mesmo tempo bucólico, relatando histórias com base na cultura celta e em histórias tradicionais da Irlanda, na maioria das músicas – a tradição e a influência do povo celta se estendem, além da Irlanda, pela Escócia, País de Gales, Espanha, França, Canadá, Noruega, Dinamarca, Islândia e alguns outros países.

Os mineiros eram os representantes brasileiros de uma tendência do heavy metal em investir pesado em um nicho e explorá-lo em vários discos, mesmo correndo o risco de ser rotulado e ficar preso ao tal rótulo.
 Até hoje, quando se ouve falar em Tuatha de Danann por aqui, logo aparecem na mente os duentes e as flautas típicas da música celta. Mesmo reverenciados em uma das edições do Wacken Open Air, na Alemanha, o mais importante festival de heavy metal da atualidade, o carimbo sempre esteve lá.

E virou moda no sul de Minas Gerais o folk metal, com a proliferação de bandas e artistas do estilo. O Tuatha, que voltou às atividades em 2013, gerou dois filhotes que mergulharam ainda mais nas raízes músico-culturais folclóricas celtas, como os ótimos Kernunna e Tray of Gift, que lançaram álbuns entre 2012 e 2013.

Novo álbum e produtos diferentes

O novo álbum do Tuatha de Danann, "In Nomine Éireann", está previsto para o segundo semestre deste ano. Para viabilizar o lançamento, a banda criou a campanha de crowdfunding "Eu Apoio" com diversas retribuições aos apoiadores.

"O disco é um projeto especial e diferenciado em nossa carreira, pois prestamos um tributo direto a essa música e cultura que tanto nos inspira e motiva", explica o vocalista Bruno Maia.

Além do tecladista Edgard Brito e de Bruno Maia, a atual formação do Tuatha de Danann conta com o baixista Giovani Gomes. O baterista varginhense, Rafael Ávila, atua como convidado em gravações shows. Para continuar apoiando a banda, acesse o link: euapoio.tuathadedanann.art.br.

Para o lançamento de "The Molly Maguires", o Tuatha de Danann criou novas interações com os fãs pelo "Download Solidário" e pela sessão "Toque Junto". Por meio dessas ações, o fã poderá baixar a música, os karaokês e encarte com letras e cifras. A proposta é incentivar os ouvintes a tocarem a música com a banda e apoiarem o trabalho do grupo com o valor simbólico de R$ 5,00.

"É uma maneira consciente de valorizar seu artista preferido e ter a música legalmente. Nesses tempos de pandemia, o setor artístico foi um dos principais afetados, pois os shows foram cancelados. E sem shows, devemos buscar alternativas para continuarmos trabalhando. O apoio dos fãs e amigos é fundamental neste momento", disse Edgard Brito, tecladista da banda.


segunda-feira, julho 20, 2020

Notas roqueiras: Plebe Rude, Nasty N' Loaded, Stab, Damage Corporation...

Plebe Rude (FOTO: DIVULGAÇÃO)
A banda de punk rock de Brasília Plebe Rude liberou em seu canal do YouTube a raridade, que foi redescoberta em uma fita analógica e digitalizada. As imagens foram gravadas em 1983 em São Paulo, e intercalam encenações pelos ainda adolescentes plebeus em um estúdio, com cenas de um show ao vivo no Village. A gravação é crua e as imagens não deixam dúvidas do impacto que os 37 anos de gaveta causaram no inédito e instigante arquivo, que é um prato cheio para os fãs. A música, originalmente lançada no disco "Nunca Fomos Tão Brasileiros", foi censurada pela Polícia Federal em 1987, no entanto após ser liberada virou sucesso nacional e foi executada várias vezes no programa do Chacrinha. Da formação original que aparece no clipe, fazem parte da banda atualmente André X (baixo) e Philippe Seabra (guitarra/vocal). Clemente (guitarra/vocal) e Marcelo Capucci (bateria) completam o grupo. Veja em https://www.youtube.com/watch?v=fOGRxUGIthQ

- A banda gaúcha Nasty N' Loaded está divulgando o seu primeiro álbum, autointitulado, que faz uma mistura de hard rock, heavy metal e pitadas de punk e blues. Tudo é muito simples, desde as canções até a produção, que deixou os vocais de Miro Cheyenne um pouco mais altos do que os demais instrumentos. Como ainda é uma banda nova, tem potencial para crescer e aprimorar as composições.

- Quem também divulga o seu último trabalho é a banda Stab, de Piracicaba (SP). Mesclando thrash metal moderno e tradicional, conseguiu bons resultados no EP "Sepulchral Lullaby", mesmo com uma produção bem simples - a música "The End", por exemplo, foi gravada ao vivo no Casarão Music Studio, de sua cidade natal. É uma banda em busca de amadurecimento e originalidade, mas já apresenta boas ideias, principalmente nas músicas "The Windows" e "Gods Sheep".

- Mais uma banda paulista está com EP na praça. É o trio Damage Corporation, que divulga "Danger Unit", também dedicada ao thrash metal mais tradicional, de influência californiana. O som é bem feito e poderoso, embora as músicas sejam bem simples. As guitarras assumem a proeminência e mostram qualidade nas músicas "Black Day" e "Get Thrashed".

Rolling Stones liberam clipe de faixa inédita que integrará relançamento de álbum de 1973

Do site Roque Reverso



Os Rolling Stones liberaram nesta quinta-feira, 9 de julho, o clipe da música “Criss Cross”. É uma das três faixas inéditas que vão integrar o relançamento do álbum “Goats Head Soup”, de 1973.

O clipe tem direção de Diana Kunst e conta com a bela Guindilla Ontanaya como estrela principal, em poses, gestos e ações provocantes e sempre bem-vindas no momento atual conservador do planeta.

Além de Guindilla Ontanaya, o clipe traz um cenário completamente oposto ao do vídeo da música “Living In A Ghost Town”, lançado em abril num momento crítico da pandemia na Europa e em pleno isolamento social.

Se em “Living In A Ghost Town”, o Stones retrataram ruas vazias de várias cidades do planeta, em “Criss Cross” mostram a vida normal da cidade grande e as peripécias de uma garota ousada e cheia de vida.

A lendária banda britânica aproveitou o dia para confirmar o relançamento de “Goats Head Soup” em setembro, mais precisamente no dia 4.

Intitulado “Goats Head Soup 2020”, o álbum chegará ao público em vários formatos e opções e com a gravação original em uma mixagem nova e em estéreo.

“Goats Head Soup 2020” virá em CD simples e duplo, edições em vinil e box set com 4 CDs, trazendo raridades e mixagens alternativas, além de um livreto de 120 páginas e quatro pôsteres da época do lançamento original.

Além da música “Criss Cross”, as outras faixas inéditas são “All the Rage”, citada pelo grupo como “pós-‘Brown Sugar'”, e “Scarlet”, que traz participação de ninguém menos que Jimmy Page, eterno guitarrista do Led Zeppelin.

O original álbum “Goats Head Soup” sucedeu “Exile on Main St.” e teve como principal faixa de sucesso o hit “Angie”.

Se quando os Stones lançaram a inédita “Living In A Ghost Town” os fãs ficaram ansiosos por um material novo, agora, com esta notícia de um relançamento de 1973, houve uma diminuição da expectativa.

“Living In A Ghost Town” havia sido a primeira música inédita da lendária banda de rock britânica desde que “Doom and Gloom” e “One More Shot” saíram na coletânea de 2012 “GRRR!”, que comemorou o 50º aniversário do grupo.

O último álbum de inéditas está ainda mais distante: “A Bigger Bang”, de 2005. Os músicos chegaram a lançar depois, por exemplo, o disco “Blue & Lonesome”, em 2016, mas este veio com músicas covers do blues.

Metallica libera vídeos de faixas gravadas com orquestra

Do site Roque Reverso



O Metallica liberou nesta quarta-feira, 15 de julho, dois vídeos ao vivo de músicas que foram gravadas em 2019 com a Orquestra Sinfônica de São Francisco novamente num show. As faixas são “Nothing Else Matters” e “All Within My Hands” e estarão no álbum e DVD que a banda norte-americana de thrash metal lançará em agosto de 2020.

“S&M2”, cuja capa acompanha este texto, é o nome do novo trabalho, que será lançado em diversos formatos, como CD duplo, DVD, Blu-ray e vinil quádruplo , no dia 28 de agosto.

A reunião do Metallica com a Orquestra Sinfônica de São Francisco foi realizada em setembro do ano passado.

Ela serviu para comemorar o aniversário de 20 anos de famoso “S&M”, trabalho especial da banda lançado em 1999 em álbum ao vivo e DVD que mostrou o grupo tocando justamente com a orquestra da cidade norte-americana.

Depois da reunião de 2019, o show foi exibido em sessões de cinema do planeta em outubro do ano passado.

As apresentações que estarão em “S&M2” foram reeditadas pela banda com áudio remixado e remasterizado em relação a versão que foi exibida nos cinemas.

Serão 22 faixas, incluindo a introdução com “The Ecstasy of Gold”, do saudoso Ennio Morricone, que é marca consagrada das aberturas de shows do Metallica.

Além de faixas clássicas do Metallica, algumas novidades são as inclusões de músicas do álbum mais recente da banda, o bom “Hardwired… to Self-Destruct”, de 2016.

“Confusion”, “Moth Into Flame” e “Halo on Fire” são essas faixas, que ganharam também a companhia de faixas menos populares de outros discos anteriores, como a própria ““All Within My Hands” e “The Outlaw Torn”, que não viraram hits, mas sempre foram admiradas pelos fãs do Metallica.

Shows no Brasil

As dúvidas sobre os shows que o Metallica fará no Brasil em 2020 permanecem, em razão da manutenção do alto número de casos e mortes por covid-19 no Brasil. Nos bastidores, o respeitado jornalista José Norberto Flesch, que costuma adiantar informações sobre shows, disse que as apresentações tendem a ser novamente adiadas, desta vez para um prazo maior e, possivelmente, mais para o fim de 2021.

O Metallica definiu e anunciou no dia 25 de março as novas datas para as apresentações no Brasil e no restante da América do Sul. A abertura das apresentações continua com a banda sensação do rock Greta Van Fleet e a brasileira Ego Kill Talent.

As capitais no Brasil escolhidas para a “WorldWired Tour” são as mesmas que receberiam os shows em abril: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. Agora, as apresentações serão nos dias 14, 16, 18 e 20 de dezembro, respectivamente, quase perto do Natal, pelo menos até segunda ordem.

Notas roqueiras: Gods & Punks, Quarto Astral, Violet Soda...

- Apenas três meses depois do acústico "Different Dimensions", o quarteto carioca de stoner progressivo Gods & Punks lança, exclusivamente na plataforma Bandcamp, o EP "Witness the Gatherings". Ouça aqui: https://godsandpunks.bandcamp.com/album/witness-the-gatherings-lo-fi-jams-demos-ep. "Witness the Gatherings" contém 10 faixas. É uma coleção de B-sides e jams da época do segundo álbum, Enter the Ceremony of Damnation (2018), lançado no streaming pela Abraxas Records e no formato físico digipack, independente. O EP está disponível por apenas $1. Os demais lançamentos, como o citado Different Dimensions, também estão disponível na plataforma, além do streaming, como Spotify, Apple Music e Deezer, por meio da Abraxas.
- A Abraxas e Câmbio Sonoro Records disponibilizam nas plataformas digitais o novo disco do power trio de rock psicodélico Quarto Astral, intitulado "Sideral". É o quarto lançado pela experiente banda de Candeias (Pernambuco). Ouça aqui: https://album.link/dWQkBRDgV4Vg9. Uma das músicas, a alucinante Jornada, ganhou videoclipe, já no ar: https://youtu.be/nVeM7ZIqFxI. O clipe foi editado e dirigido por Thiago Brandão a partir de um roteiro criado junto ao produtor do vídeo, Tiago Guillen, por meio de imagens que dão a sensação de uma viagem por todo o planeta Terra, retratando sua origem, suas belezas, o ser humano e seus conflitos."Sideral" possui quatro faixas, em 36 minutos de rock and rol com nunces de progressivo, fusion, jazz e psicodelismo, tudo conceitual. Foi gravado nos dias 22 e 23 de abril de 2018, durante a Turnê Interdimensional, que passou pelo Rio de Janeiro. A produção é da Abraxas Records (RJ) e da Câmbio Sonoro Records (PE), no icônico Estúdio Biscoito Fino (RJ).
- Após tocar em algumas lives e criar uma série de ações nas suas redes, a banda Violet Soda prepara um programa semanal na internet. Violet Vibes estreia nesta quarta-feira (15), às 21h, com a participação de Rafael Brasil, guitarrista do Far From Alaska. Inspirado em programas de TV da virada do milênio — tanto na estética analógica e colorida quanto no seu formato — o Violet Vibes será transmitido semanalmente no canal do Violet Soda no YouTube com a presença constante de convidados especiais. "Será um lance meio TV Cruj com MTV da nossa época pré-adolescente. Estamos preparando vários quadros para deixar o programa dinâmico. E o mais legal é que vai ser praticamente tudo ao vivo", explicou o guitarrista Murilo Benites. Acesse em https://www.youtube.com/channel/UCux0clEw3TF1gyY7aRDnLMw.

Mercado se mobiliza para aprimorar e salvar lei de auxílio a artistas e profissionais da cultura

Marcelo Moreira

Um importante movimento tomou conta do mundo da música neste mês de julho assim que a chamada Lei Aldyr Blanc foi assinada e publicada pelo governo federal. 

A medida provisória que destina R$ 3 bilhões em auxílio a músicos e artistas, bem como a profissionais de todos os segmentos da cultura e das artes, foi comemorada, mas durou pouco a alegria por conta de várias inconsistências no texto, com brechas que permitem questionamentos na Justiça e não deixam claros os critérios de quem tem direito ao benefício.

Outra preocupação dos especialistas no assunto é sobre a responsabilidade de quem irá distribuir esses recursos. Estados e municípios terão condições de fazer isso sem que haja as costumeiras denúncias de favorecimento político, e justamente em ano de eleição municipal?

O setor conseguiu uma audiência no dia de 10 julho com Daniel Diniz Nepomuceno, secretário-executivo do Ministério do Turismo, a quem está subordinada a Secretaria Especial de Cultura, para apresentar sugestões de melhoramentos à Lei Aldyr Blanc e pedir esclarecimentos sobre os critérios que serão adotados na liberação do dinheiro. As entidades representadas receberam a promessa de que as sugestões seriam analisadas.

"A pandemia escancarou o tamanho da informalidade no campo artístico brasileiro. Estados e municípios agora têm que correr para realizar a distribuição dos recursos da Lei de Emergência Cultura de forma correta e em tempo hábil", diz Daniel Neves, presidente do Conselho da Frente Parlamentar em Defesa da Música (Fremúsica).

Para ele, "é extremamente necessário que a sociedade civil se organize para fiscalizar o acesso dos recursos da Lei de Emergência Cultural para quem é devido".

Um problema urgente é definir quem terá direito ao dinheiro. Há questionamentos a respeito da eventual falta de cadastros de músicos e profissionais da cultura ligados à música, fato alegado por muita gente. Mas existem listas de entidades de classes, como a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), de sindicatos de categorias como iluminadores, cenógrafos e outras.

Há a necessidade de conciliar essas informações divergentes e saber se esses cadastros contemplam as categorias. Como fazer uma triagem e um cadastramento que tenha o mínimo de riscos de fraude?

Existem artistas e entidades que representam algumas categorias que defendem que os eventuais beneficiários façam uma autodeclaração informando sua condição favorável a receber o dinheiro, o que causa espanto e acende a luz vermelha em relação a interesses que fogem do escopo da questão.

O principal documento é um estudo encabeçado pelo cientista político Manoel J. de Souza Neto, ex-conselheiro nacional da cultura e uma das maiores autoridades acadêmicas do país no estudo dos mercados da música e da cultura.

Ele apontou que o texto enseja questionamentos legais que podem travar a chegada dos recursos a quem mais precisa - envio que já está muito atrasado, se observarmos que o auxílio emergencial do governo para vários tipos de categorias profissionais, de R$ 600, já está chegando ao fim. 

Souza Neto aponta outro problema que pode atrapalhar os planos da distribuição do dinheiro para os artistas e profissionais do setor necessitados: a falta de criação pelos municípios, por força de lei, de fundos e mecanismos de fomento à cultura, como está no texto da Lei Aldyr Blanc.

"Essa é uma questão que pode embolar a coisa. Pouco mais de 10% dos municípios, no geral, se adequaram à exigência de criar, por meio de lei, fundos de fomento. Isso pode impedir ou mesmo forçar a devolução da verba recebida, quando não gerar questionamentos pelos tribunais de contas estaduais e municipais", observa Souza Neto.

Antes de voltarmos aos espetáculos, os profissionais do setor de artes precisará se reerguer (FOTO: DIVULGAÇÃO/SESC D. PEDRO)

Para ele, não haverá tempo hábil para que os trâmites necessários para que municípios se adequem às exigências legais em até 60 dias. Como estamos em um contexto de crise social, agilidade é fundamental para que o dinheiro tenha alguma serventia para os beneficiados. 

Uma dificuldade adicional será o procedimento para chegar e detectar quem conseguiu o benefício de R$ 600 e que, eventualmente, venha a se inscrever no cadastro da cultura. "É crucial que as eventuais sobreposições sejam identificadas para que tenhamos a maior abrangência possível."

O documento enviado ao governo federal é uma peça bem fundamentada que mostra as contradições do texto da lei e a consequências graves para a efetividade de sua proposta.

"As contradições da lei ocorrem especialmente da ausência de critérios claros de seleção de quem seriam os beneficiários, excluindo a ampla maioria dos fazedores da cultura. Mas também, devido aos prazos, a origem dos fundos, das regras para seu repasse e quem serão os atendidos, posto que a lei fala em atendimento emergencial, portanto visando às vítimas da pandemia, mas mantem aberta a possibilidade de critérios de distribuição por editais, com normas do mundo da arte, o que implica em dizer, que podem ser feitas seleções, excluindo necessitados em nome da qualidade artística", diz um trecho do documento do setor musical.

"Uma aberração que pode gerar injustiças e assimetrias, típicas do que já vem sendo explicado em estudos sobre o assunto ao tratar por exemplo dos efeitos excludentes das leis de incentivo à cultura (artigos citados nas referências bibliográficas)", continua. "A tendência na atual situação é que os recursos não cheguem em quem mais precisa e mesmo que sejam distribuídos, estão de tal forma dentro de uma insegurança jurídica, de que mesmo após distribuídos, não sejam aplicados, ou pior, tenham que ser devolvidos."

Sobre a situação dos municípios, os apontamentos são preocupantes. "A parca atuação dos municípios no SNC – Sistema Nacional de Cultura, através da falta de assinaturas do pacto federativo, se dá devido aos movimentos tensos entre grupos de interesses, artistas instituídos historicamente beneficiados pelos gestores, com movimentos sociais, partidos, agentes culturais, intelectuais e até mesmo internamente dentro de gestões em diferentes pastas de secretarias municipais e estaduais, devido a disputa pelos recursos públicos. Na medida que a instalação desses planos demandaria esforço, trabalho, comprometimento de recursos e atendimento de políticas públicas efetivas, diversos agentes optaram por dificultar o avanço desse processo de construção nacional de institucionalização das políticas culturais estruturantes. Infelizmente a maioria dos municípios não está preparada neste sentido."

A preocupação do setor também recai sobre questões orçamentárias do próprio governo federal, que pode não dispor dos até R$ 3 bilhões prometidos. "Esse montante parece improvável, posto que o FNC (Fundo Nacional de Cultura) vem passando por fortes cortes e contingenciamentos, flutuando com valores muito menores do que anunciado. Esses contingenciamentos que vem se agravando na última década, tiveram forte redução após a aprovação da Emenda Constitucional 95, que criou o teto de gastos e cortes de investimentos no governo de Michel Temer."

O texto destaca a questão de estarmos em ano eleitoral e suas implicações. "É claro que estamos também em ano eleitoral, ao qual não pode a administração pública empenhar recursos, pois o art. 73, § 10, da Lei Eleitoral foi inserido pela Lei nº 11.300/2006, reforçar a proibição ao impedir a distribuição de bens ou serviços e veda qualquer distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da administração pública. A exceção dada pelo Estado de calamidade não fica evidente neste caso, ainda que seja, posto que as verbas da lei Aldir Blanc não foram liberadas a título emergencial para assistência social pelos órgãos competentes, mas sim, pelos organismos de cultura, podendo ser usadas para atividades de fomento à cultura, inclusive pelos métodos de exclusão chamados editais, que não atendem aos necessitados."

O Combate Rock procurou o Ministério do Turismo para saber a repercussão do documento, mas até o momento não recebeu resposta. Extraoficialmente, recebemos a informação de que o documento está "em análise".

Listamos abaixo algumas das sugestões de aprimoramento imediato da Lei Aldyr Blanc feit
as pelo setor musical:

- Que sejam apresentadas como critério de seleção o cadastros e comprovantes de atividade artística e cultural interrompida e atingida pela pandemia para recebimento do auxílio em oposição aos modelos de editais que são excludentes. Os critérios devem ser de inclusão social e não de exclusão na aplicação dos recursos. ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL CONSELHO FEDERAL SCS – Quadra 04 – Ed. Israel Pinheiro – 3º Andar – TEL: (61) 3226 – 0499. Brasília – DF 13 

- Que sejam abolidos os fundos de atividades de fomento, sendo aplicados os recursos para subsistência básica do todos os artistas, bem como manutenção de espaços culturais em todo território nacional atingidos pela pandemia. A vida é prioritária neste momento. 

- Que sejam revistos os critérios de pagamento de auxílio emergencial, podendo abranger 100% dos artistas e técnicos envolvidos na cadeia produtiva da economia da cultura, afim, de que todos que estejam precisando de auxílio possam ter proteção social. 

- A necessidade de comprometimento social dos recursos, portanto, para fins de enfrentamento da calamidade pública exclusivamente. 

- O fomento aos espaços culturais ocorra com valores divididos entre pequenos espaços culturais, médios e grandes, baseado em custas, oportunizando no entanto valores de subsidio básico mínimo a todos, nem que sejam valores menores, para amenizar as contas, mas para que existam recursos suficientes para apoiar o máximo de espaços culturais nesse tempo de crise. 

- Da liberação do SNC, para cadastro de auto declaração dos municípios que assumam em caráter emergencial de que irão aprovar em dois anos toda legislação de plano, sistema, fundo e conselho, para que possam acessar os recursos do Fundo Nacional de Cultura agora, mas em contrapartida, tenham que devolver esses recursos, se em dois anos não aprovarem as respectivas leis que são requisitos básicos para que acessem o SNC e o FNC. 

- Que sejam aceitos para efeito de cadastro de reconhecimento de trabalhadores com direito ao acesso dos recursos, a apresentação de carteira profissional das profissões regulamentadas, como exemplo cênicas e música: LEI Nº 6.533, DE 24 DE MAIO DE 1978. Dispõe sobre a regulamentação das profissões de Artistas e de técnico em Espetáculos de Diversões. LEI No 3.857, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1960. Cria a Ordem dos Músicos do Brasil. 

- Tornar permanente a Lei Aldir Blanc, para que em casos semelhantes de calamidade pública que exija o fechamento de espaços culturais, devido a pandemias, e outros motivos de força maior, em que sejam proibidas aglomerações e exigido pelo Estado distanciamento social, de que os recursos do Fundo por via do SNC possam ser requisitados pelos Estados e municípios afetados à qualquer tempo.

domingo, julho 19, 2020

Notas roqueiras: Oitão, Anjos das Sombras, We Are One...

Oitão (FOTO: DIVULGAÇÃO)
- Em estilo história em quadrinho animada com muita dinâmica, em preto e branco e com cenas impactantes, o Oitão ilustra problemas sociais e o escárnio político do Brasil no videoclipe da música ‘Proteste’ . A produção do audiovisual é do artista Giancarlo Burani, com colaboração da Pink Fink, e pode ser conferido aqui: https://youtu.be/T9l_BvrPhjg.Assim como na letra, o clipe de Proteste retrata algumas das percepções do vocalista Henrique Fogaça sobre um Brasil desigual e corrupto. “A música é o quadro político do país, uma política falha, que sacaneia o povo e muita roubalheira. Um problema de décadas, que persiste de governo para governo”. Crianças famintas, saúde pública em frangalhos, trabalhadores exaustos e mal pagos, a corrupção, preconceito, presídios lotados e em más condições e outras cenas contracenam com imagens que sugerem resistência e luta contra este sistema esgotado, que só divide e maltrata ao Brasil. “Falamos o que estamos vendo”, desfere Fogaça.
- A banda Anjos da Sombra liberou em todas as plataformas digitais seu disco de estreia e autointitulado. Após esse lançamento, o grupo disponibiliza aos fãs e em seu canal de YouTube vídeo ao vivo em performance da faixa de abertura do registro. "Penumbra" e "Peregrinos" já podem ser conferidas na íntegra no canal do grupo. O vídeo foi filmado em uma apresentação ao vivo que o grupo realizou na cidade de Duque de Caxias (RJ). Confira o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=nJ8nt_FEMf0
- O We Are One no Rio de Janeiro tem nova data. As produtoras Onstage Agência e Estreia Produções anunciam que o festival, que contará com três bandas internacionais de peso do punk rock, Millencolin, Satanic Surfers e MakeWar, mais a local Phone Trio, agora acontecerá no dia 19 de setembro de 2021. Os ingressos adquiridos para o evento que seria este ano continuam válidos. O Millencolin, a grande atração da noite, está em frenética atividade desde 1992. É nome recorrente do punk californiano, ou do hardcore melódico, como o gênero praticado pelos suecos ficou conhecido no Brasil, com uma sólida carreira amparada por constantes turnês mundiais e discos elogiadíssimos por crítica e público.

Notas roqueiras: Carlos Coelho, Biquíni Cavadão, Raide, Mitsein...

Biquíni Cavadão (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Carlos Coelho, indicado ao Grammy como produtor musical e compositor, e também guitarrista do Biquíni Cavadão, vai lançar o single ‘We´ll roll on’, com o próprio Coelho nos vocais, guitarra, baixo e produção musical. A bateria ficou a cargo de Diogo Macedo e o backing vocal com Tay Cristelo. A canção vem acompanhada de videoclipe, dirigido e criado por Coelho, com direção de arte e motion design por Fabio Holtz e ilustrações de Otávio Bittencourt. A música foi composta em 2011, parceria com o neozelandês Simon Spire. No Brasil, ela foi gravada em 2014, em português, com o nome ‘Deixar tudo pra trás’, no DVD ‘Me leve sem destino’, do Biquíni. Veja o clipe em 
https://youtu.be/QGJ6Em2ON0A

- A banda Raide, de São Paulo, lançou o primeiro registro de estúdio, "Estou Aqui (2019)", e agora divulga o primeiro clipe, da faixa-título. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=qbxYvp_PVao&feature=youtu.be

- Divulgando o seu álbum de estreia, “I'll Find My Way”, o Mitsein acaba de disponibilizar em seu canal oficial no YouTube, um lyric video para a faixa “Revenge”. A música, que já havia recebido um vídeo gravado ao vivo recentemente, pode ser ouvida no link https://youtu.be/O1l3vKD_YVo.

Bidu Sous escancara a paixão pelo blues no Vale do Paraíba

Bidu Sous (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Eugênio Martins Júnior - do blog Mannish Blog


Nos últimos anos tenho reparado que alguns dos jovens artistas que apareceram no mundo do jazz e do blues são oriundos de suas igrejas. Católicas e evangélicas. É a música achando seus caminhos.

Posso citar alguns aqui, o pianista de jazz Amaro Freitas, lá da capitania de Pernambuco; os rapazes das Just Groove, que acompanham por todos os cantos o guitarrista Igor Prado; os jazzistas aqui da minha terra, André William (piano) e o Elizeu Custódio (baixo).

Do vale do rio Paraíba, região prolífica para o blues nacional, veio a Bidu Sous que, desde menina se apresenta no coral de sua igreja, em Jambeiro, a meia hora de São José dos Campos.

Do vale do Paraíba, vem toda uma geração de blueseiros, Lancaster, Flávio Naves, Marcelo Naves, Fred Barley, Danilo e Nicolas Simi (os Simi Brothers) e tantos outros.

Nesse momento Bidu está trabalhando em seu CD solo, produzido por Lancaster, um dos guitarristas mais importantes da cena, criador de bandas que estão por aí fazendo barulho até hoje, Serial Funkers e Blues Beatles. Você já deve ter ouvido falar.

E pelo que eu ouvi do disco Don't Me Walk Up Early até agora, a moça está no caminho do blues. Usa a voz a serviço da emoção e a determinação para fazer o que gosta. A banda conta com caras da pesada, Adriano Grineberg (piano), Thiago Cerveira (gaita), Maurício Gaspar (bateria) e Raoni Brascher e Lucas Espildora. os dois últimos parte de sua banda.

É assim mesmo. Quando você cisma com esse negócio de blues não há outra saída. Como dizia os irmãos Allman: “Ain’t but one way out baby, lord I just can’t out the door”.

Bidu Sous representa uma cena musical que vem se renovando sempre. E, mais do que acumulando influências, misturando, renovando e criando afluentes onde os ritmos se encontram, no Mississippi e no Paraíba.

Eugênio Martins Júnior – Como foi a tua infância musical?

Bidu Sous -
Meu pai é violeiro, então eu cresci ouvindo música raíz, moda de viola. Ele sempre fazia umas rodas em casa com os amigos e sempre estava por perto. Sempre gostei de cantar. Lembro que na minha infância, uns 5 anos, nas nossas viagens de ônibus, eu ia cantando na viagem inteirinha, imaginava que a janela era um palco e ficava acenando pras pessoas na rua (risos)!

Minha mãe ficava pedindo desculpas para os outros passageiros porque eu não parava nunca. Eles diziam: “deixa, ela tá cantando bonitinho". (risos)

Quando comecei a catequese aos oito anos de idade já entrei pro coral da igreja. Só parei de cantar na igreja com 19 anos. Saí do coral e fui cantar na noite. (rs). Mas a música sertaneja e o coral da igreja foram minha grande escola.

EM – Na adolescência você cantava temas de sertanejo raiz na igreja? Conta essa história.

BS –
Eu e minhas irmãs montamos um coral gospel! Dividíamos as vozes, ficava muito bonito. E começamos a fazer paródia com os cânticos. Pegavamos uma música sertaneja famosa e colocávamos a letra das músicas da igreja. Começamos a chamar a atenção de muita gente, principalmente dos jovens e a missa começou a encher, eles gostavam de ouvir a gente. Mas aí uma das ajudantes do padre fez uma reclamação, disse que não era certo fazer aquilo com as músicas. Acabamos com o coral. Mas nossa técnica estava dando certo, levar os jovens pra igreja. (rs)

EM – E quando o blues entrou na tua vida e quando você decidiu se profissionalizar?

BS –
O blues entrou na minha vida quando eu tinha uns 17 anos. Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas, nunca gostei do som que as pessoas da minha idade estavam ouvindo. Me lembro de ficar na marcenaria do meu avô com meus tios, ouvindo música e trocando idéia enquanto eles trabalhavam. E eles ouviam várias coisas, entre Janis Joplin, Roling Stones, Eric Clapton... e eu comecei gostar. Mas eu queria saber o que eles ouviram pra chegar naquele som, queria saber o que a Janis ouvia, o que os Stones ouviam. Foi assim que cheguei ao blues. Descobri Muddy Waters, Big Mama, entre outras coisas... e me apaixonei. Mas não sabia o que era “blues", não diferenciava o estilo musical. Pra mim era um som, uma cadência que mexia mais comigo.

EM – O Vale do Paraíba tem uma cena blues bem forte. Como isso te influenciou? Ou isso não aconteceu?
BS –
É verdade. Essa cena e os músicos da região, renomados no Brasil inteiro, me influenciam, com certeza. Mas isso não aconteceu no início. Me lembro de ter visto um show da Irmandade do Blues (uma banda de Santo André) em São Francisco Xavier e fiquei maravilhada. Fui conversar com o guitarrista, que era o Edu Gomes, acho que ele nem lembra disso, mas fui pedir um conselho. Falei que queria cantar blues e queria saber o que eu poderia colocar no repertório. Ele me falou de Etta James, Koko Taylor, Nina Simone, Billie Holiday. Nunca cantei Nina Simone e Billie Holiday, mas ouvi bastante (rs). E mais tarde conheci o Lancaster Ferreira, um grande guitarrista de blues e produtor, que se tornou um grande amigo. Mas o gosto pelo blues já estava aqui. 

Bidu Sous e Lancaster (FOTO: DIVULGAÇÃO)

EM – Você está preparando o primeiro disco. O que podemos esperar dele? Teve algum fio condutor? Pelo menos nas três músicas que ouvi percebi que está bem puxado para o blues.

BS –
Podem esperar um disco de blues (rs). Quando conversei com o Lan (Lancaster, produtor do disco) que queria gravar um disco, ele me perguntou:

- Você quer fazer um disco de sucesso ou fazer um disco de blues?

- Quero fazer um disco de blues.

- Ah bom! Se me dissesse que queria fazer um disco de sucesso eu não ia topar essa empreitada, porque o sucesso é imprevisível. Mas quando a gente faz o que a gente gosta, com alma, isso já nos trás o sentimento de realização, porque acreditamos naquilo de verdade. E ainda corremos o risco de fazer sucesso. Será o primeiro disco de blues tradicional lançado por uma mulher no Brasil.

EM – Você foi pega no meio dessa produção pela pandemia de Covid-19. Como afetou esse trabalho?

BS –
Isso atrasou bastante o processo, porque estamos tomando todos os cuidados necessários, evitando proximidade etc. Então não podíamos gravar no estúdio, eu não podia ir na casa do Lan nem na casa de ninguém. Pra você ter uma ideia, o Lucas Espildora gravou os arranjos de slide em duas músicas com um celular da casa dele. Não tínhamos como esperar isso passar pra depois gravar. Depois você escuta e me diz o que achou. O menino é talentoso.

EM – Gostaria que falasse mais sobre a parceria com o Lancaster e sobre a banda que te acompanha.

BS –
Agradeço a Deus por colocar pessoas como o Lan no meu caminho. Além de ser um grande músico, é uma grande pessoa. Um cara generoso e verdadeiro. Quando conheci o trabalho dele já fiquei fã de cara. Acompanhava nas redes sociais, ouvi muito o disco “Say Goodbye to Trouble". No segundo show que assisti dele, ele já me convidou pra dar uma canja e a partir daí nos tornamos amigos. No disco, todas as músicas são autorais, compostas pelo Lan com co-autoria minha. Ele fez as letras e eu ajudei nas melodias. Mas as letras foram feitas baseadas no que ele conhece de mim. Hungry Woman, por exemplo, eu super me identifico. É que eu me alimento bem (rs). Mas esse processo de composição foi muito rápido. Quando começamos a compôr, em menos de duas semanas tinhamos todas as músicas. Foi uma conexão muito especial. Pra gravação no disco foi o Lan quem escolheu os músicos e eu fiquei muito feliz porque além de meus amigos, são pessoas que admiro muito. E por acaso, o baixista Raoni Brascher e o guitarrista Lucas Espildora, que gravou slide, fazem parte da banda que me acompanha hoje.

EM – Os festivais de blues e jazz no Brasil sobrevivem graças à Lei Rouanet e Sescs. E atualmente a cultura brasileira vem sofrendo um ataque sistemático do atual governo e essas duas frentes estão sendo muito afetadas com cortes e até uma certa marginalização. Qual a sua opinião sobre essa situação? 

BS –
Acho que isso é falta de informação de quem faz esse tipo de ataque. As pessoas tem preguiça de ler, de buscar a veracidade das coisas e se apegam em notas curtas e resumidas sobre muitos assuntos. A fake news que agrada é melhor que a verdade que derruba os argumentos. Ninguém vive sem arte.

EM – São tão poucas as mulheres blueseiras no Brasil. Você não escolheu um caminho fácil. Como encara isso?

BS –
Já ouvi de muitas pessoas que deveria circular pelos vários estilos de música; pra não ficar presa a um rótulo; que o universo do blues é machista; que não ia durar se for só por nessa vertente; entre outras coisas. Mas é que eu só canto o que eu gosto. É assim que eu encaro. Não fico pensando em fazer um som “comercial", pra abranger um público maior. Preciso gostar, sabe? Pode ser que isso mude um dia... mas me dou esse privilégio, de fazer o que gosto e eu gosto de blues. (rs).

sábado, julho 18, 2020

Notas roqueiras: Dead Daisies, Maglore, Anguere...

Dead Daisies (FOTO:DIVULGAÇÃO)

- A banda Dead Daisies, que reúne músicos australianos, ingleses e americanos, lançou o EP "The Lockdown Sessions"ava, onde os integrantes gravaram suas partes separadamente, como as lives que ocorrem atualmente. O carro-chefe é uma versão voz e violão de "30 Days In The Hole". O lançamento será pela Steamhammer / SPV e terá outras três músicas, todas acústicas: uma versão para "Fortunate Son", do Creedence Clearwater Revival (cantada pelo baterista Deen Castronovo), "Righteous Days", o primeiro single com Glenn Hughes nos vocais, e "Unspoken". A pandemia de coronavírus adiou a turnê deste ano da banda para 2021, assim como o lançamento do álbum "Holy Ground".

- "Calma" (Lucas Gonçalves/ Teago Oliveira/ Lelo Brandão), uma canção do álbum "Todas as Bandeiras" (Deck/ 2017), do Maglore, acaba de ganhar uma versão acústica e um clipe com os integrantes tocando cada um na sua casa. "Originalmente, a música aborda a calma como contrapeso da impulsividade, do desespero causado pela ansiedade, mas isso também se aplica aos conturbados dias atuais. A calma que eu enxergo nessa música não é a de se manter passivo, mas de estarmos cientes de que a paciência nos traz muito mais benesses - a longo prazo - do que agir com desespero" - comentou Teago Oliveira (violão e vocal). Lelo Brandão (violão), Lucas Gonçalves (baixo e vocal) e Felipe Dieder (bateria) registraram suas participações à distância. "Gravamos pelo celular, recolhemos o registro de áudio/vídeo das câmeras de cada um e o Lucas Gonçalves mixou e masterizou. A edição de vídeo ficou a cargo de Duane Carvalho" - conta Teago. A banda também chamou o trio de metais que os acompanha nos shows; Felipe Nader (Saxofone), Gustavo Souza (Trompete) e Douglas Antunes (Trombone). Veja o clipe em https://www.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=vYAQ9KQweCc&app=desktop

- A banda Anguere lança seu mais novo material, o vídeo de “Zé Pequeno”, faixa que se encontra no EP "Castigo", que foi lançado em fevereiro de 2020. A peça conta com cenas do filme brasileiro “Cidade de Deus", que conta a história de um dos maiores traficantes de uma comunidade. As filmagens individuais de cada integrante foram feitas em casa devido a pandemia de Covid-19 que estamos vivendo. O vídeo foi produzido pela Blood Pyramid. Veja o vídeo em
https://www.youtube.com/watch?v=DBTWx8ygLPs

Notas roqueiras: Navighator, Cuscobayo, SwitchBlack...


Navighator (FOTO: DIVULGAÇÃO)

- O objetivo da Navighator em seu álbum de estreia, homônimo, é oferecer uma experiência imersiva completa, apresentando faixas com ricas ambientações e composições elaboradas com diversas texturas contando com arranjos orquestrais, piano, sintetizador, guitarras, baixo, bateria e percussão agregados a vocais melódicos. Com composições abordando assuntos inerentes aos sentimentos humanos em nuances diversas, o projeto adota a temática náutica, reverenciando o poder e mistérios do oceano, o que é evidente em algumas canções. "Tratamos de temas incômodos mascarados por uma cortina de metáforas. Boa parte das letras foi escrita com base em histórias reais e/ou vivências pessoais", explicou Marcos Medina.Confira o videoclipe para o single "Ghost Town" em https://youtu.be/Pmb8XGQviaM

- Depois do single de estreia, O Brasil Vai Acabar, a Cuscobayo lança "Desafogo". A nova faixa, que também estará no disco Não É Bem Assim (Natura Musical), traz uma sonoridade que mergulha entre o folk e o reggae, enquanto a letra fala sobre a arte como processo de cura. Um tema bastante relevante em tempos que muitas pessoas têm se entretido com produções artísticas para ajudar a trazer um respiro, enquanto o mundo atravessa a pandemia da Covid-19. Ouça aqui.

- A banda carioca SwitchBack traz à tona o vídeo de "Lutando Pela Vida (Ao Vivo - Pandemia Session)". Com letra composta pelo vocalista Vinny Blanc, a faixa recebeu um vídeo despojado, porém de acordo com a atual realidade de todos, sendo gravado em separado na casa dos músicos.
Segundo Vinny, a decisão de lançar algo no formato veio para mostrar àqueles que os acompanham que a banda está viva e ativa, como também um "esquenta" para o lançamento do clipe oficial da faixa "Lona", a ser lançado no próximo mês. Confira "Lutando Pela Vida (Ao Vivo - Pandemia Session)" clicando no link https://www.youtube.com/watch?v=CDkdXJ4VEfM

'Blow By Blow', a maravilhosa guinada na carreira de Jeff Beck, completa 45 anos

Marcelo Moreira



Educado, respeitoso, gentil e imprevisível. Rod Stewart se diverte com a descrição do amigo Jeff Beck, parceiro musical há quase 55 anos, desde os enfumaçados pubs da periferia de Londres. São tão amigos que as brigas sempre terminam em cerveja.

Imprevisível é a palavra que pode qualificá-lo com exatidão, além de "gênio" e "inovador" - o maior guitarrista de todos os tempos, já que Jimi Hendrix, para muitos, não era desse planeta.

Talvez a maior prova de imprevisibilidade de Beck seja o álbum "Blow By Blow", lançado há 45 anos e tido pela maioria dos fãs como o seu melhor disco.

Como pode ser o melhor disco de um dos maiores nomes do rock ser um álbum de... jazz? Pois é, o mestre das seis cordas trocou um passado roqueiro e bem lucrativo pelo arriscado mundo do jazz rock e por caminho antes só trilhados por músicos de altíssimo calibre, como John McLaughlin e Allan Holdsworth - na realidade, os dois nunca foram de fato instrumentistas de rock.

Beck não pensou duas vezes em mudar tudo em meados de 1974. Quando queria mudar mas não reunia coragem para comunicar isso aos então parceiros, ele simplesmente sumia, aproveitando a fama de retraído, recluso e reservado.

Era então a sua fase mais pesada, investindo no hard rock vigoroso no trio Beck, Bogert and Appice. Carmine Appice (bateria) e Tim Bogert (baixo e vocais) formaram a cozinha do Cactus e do Vanilla Fudge.

Ambos foram surpreendidos um ano meio antes quando Beck acabou com sua banda de rock/funk rock para propor a formação de um trio de rock pesado. Seus então ex-companheiros souberam de seus planos pela imprensa.

Seguindo a tradição, ambos também souberam de que o guitarrista inglês tinha aderido ao jazz e iniciado sua carreira solo pelas revistas britânicas. Não gostaram nem um pouco, pois estavam estúdio gravando o segundo álbum do trio.

Beck sumiu no final do primeiro semestre de 1974 e só reapareceu no ano seguinte, com "Blow By Blow" debaixo do braço e mostrando uma técnica ainda mais invejável ao lado de um time de instrumentistas maravilhosos.

Com a segunda encarnação do Jeff Beck Group ela já tinha dado os primeiros passos com a gravação da fenomenal "Definitely Maybe", de sua autoria, lançada em 1972, um tema instrumental e sua autoria que transborda sentimento, melancolia e paixão.

O rock pesado logo cansou  sua guitarra e ele começou a observar o que tinha em volta e mergulhou no jazz do baterista Billy Cobham, do guitarrista John McLaughlin e sua Mahavishnu Orchestra e também na alegria contagiante dos discos de Stevie Wonder e Carlos Santana.
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"Blow By Blow" foi uma espécie de libertação para Beck. Angustiado com o que considerou  limitação dentro da estrutura rock de canções, viu seu mundo se expandir na exploração de novas sonoridades e embarcar na composição de novas estruturas musicais.

Para a empreitada considerada por ele como monumental, foi necessário o recrutamento de George Martin, o produtor dos Beatles. Da segunda encarnação do Jeff Beck Group ele resgatou o amigo e fenomenal tecladista Max Middleton. Como participação especial, Stevie Wonder tocou clavinete. Completaram o time o baixista Phil Chen e o baterista Richard Bailey.

Das nove músicas, duas era de Wonder, a estupenda "'Cause We've Ended As Lovers", que virou um clássico da música mundial na guitarra de Beck, e "Thelonius", outra peça maravilhosa.

O brilho continua no resgate de uma preciosidade dos Beatles, "She's A Woman", tranformada em uma outra canção, mais poderosa e eloquente, assim como Joe Cocker fez com "With a Little GHelp From My Friends", também de John Lennon e Paul McCartney.

Do mesmo nível é a releitura de "Diamond and Dust", clássico do rhythm and blues composto por Bernie Holland, que exala pureza e suavidade na guitarra de Beck e nos arranjos de cordas magníficos de Martin.

O antigo lado A do LP conta com quatro composições de Beck, sendo que duas viraram clássicos instantâneos - a vigorosa e energética "You Know What I Mean" e a extraordinária e surpreendentemente pesada "Scatterbrain".

Com a inauguração de uma nova fase com um álbum desse calibre, Jeff Beck passaria os próximos seis anos neste ambiente de excelência musical, que incluiu uma sequência igualmente arrasadora, em disco com "Wired", de 1976, e uma prolífica parceria com o tecladista Jan Hammer, que mais tarde se notabilizaria como compositor de trilhas sonoras para cinema e seriados de TV.

O ponto final viria com outra obra-prima, "There and Beck", de19809, recheados de hits que até hoje são executados por ele em seus shows. Curiosamente, o guitarrista relega as músicas de "Blow By Blow" para o findo da gaveta, executando-as muito raramente após a década de 80.

"Blow By Blow" é o ponto de uma carreira repleta de pontos altos. Pouquíssimos guitarristas de rock que se aventuraram na praia do jazz rock foram bem-sucedidos, pois a base de comparação é muito alta. É um álbum necessário para estar entre os dez mais para levar a uma ilha deserta.