quinta-feira, julho 22, 2010

Tempos de nostalgia


Nostalgia é um termo que normalmente remete a lembranças positivas. E lembranças positivas geralmente provocam sensação de bem-estar. Nostalgia faz bem, portanto.

Alguns nostálgicos adoram relembrar os tempos em que a música caipira era sinônimo de qualidade e pureza cultural, e não um pastiche colonizado do pior que a música country norte-americana produziu.

Outros adoram ressaltar as duvidosas qualidades musicais de ícones hippies do rock, como The Doors, Grateful Dead, Jefferson Airplane, Flying Burrito Brothers e outras coisas uns semelhantes da virada dos anos 60-70, em detrimento da música de qualidade de Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd, The Kinks, Black Sabbath, Deep Purple, Yes e muitos outros.

Claro, há ainda aqueles que não cansam de choramingar como era bom ver jogos do Santos de Pelé no Pacaembu, do Palmeiras de Ademir da Guia e da Academia no Parque Antártica, do São Paulo de Gérson no Morumbi, do Corinthians de Rivellino, do Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes…

E por incrível que pareça, ainda tem gente que gosta de lembrar como era bom o tempo em que existia o milagre econômico dos anos 70, de como era boa a vida no Brasil comandado com “autoridade” pelos militares, mesmo que fosse numa abjeta ditadura.

Nostalgia é um saco grande e generoso que aceita uma enormidade de conceitos e lembranças. E por mais esquisito que pareça, ainda há aqueles nostálgicos que gostam do tempo em que frequentavam centros acadêmicos infestados de estudantes pouco chegados aos livros e aos estudos, mas muito mais interessados em bordões de protesto ouvidos pela metade ou lidos em alguma orelha de livro ruim.

Esse pessoal leu pouco - na verdade, creio que não leu nada -, mas adora falar em ditadura do proletariado, em apropriação dos meios de produção, em abolição da propriedade privada, em controle da mídia, da imprensa e em restrição das liberdades política, de opinião e expressão, tudo em favor do combate “às elites, à burguesia e em favor do povo”.

É o mesmo pessoal que gosta de eventualmente discursar e reverberar ideias enterradas e sepultadas com a queda do Muro de Berlim. Por mais estranho que pareça, essas ideias ainda causam bem-estar, em alguns, por mais deslocadas que estejam. Que assim seja.

O que não se admite em pleno século XXI é que a nostalgia guie e influencie comportamentos, procedimentos e debates sobre assuntos relevantes na política e na economia - e até mesmo na vida cotidiana.

O PT é um exemplo de adaptação rápida e modernização de discurso após as mudanças de ventos dos últimos 20 anos. Mudou para melhor, tanto em termos práticos e pragmáticos como em conteúdo.

Libertou-se das algemas e das correntes ideológicas do passado e usou o que melhor existe na ideologia socialista e o que de melhor a esquerda produziu em termos de ideias e práticas administrativas para finalmente chegar ao poder no Brasil em 2002 - e fazer um governo incomparavelmente melhor e mais responsável do que qualquer outro anterior.

Portanto, a nostalgia política que resgata lembranças esfumaçadas de alguns conceitos, para a sorte da população brasileira, está restrita a guetos como PSOL, PCO e PSTU, enquanto que a moderna esquerda hoje é representada pelo PT, mesmo com tropeços políticos nos últimos anos.

Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, e Mário Reali, de Diadema, são representantes dessa modernidade, assim como Elói Pietá, ex-prefeito de Guarulhos, Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco, Aloizio Mercadante, candidato a governador de São Paulo pelo PT, José Eduardo Martins Cardozo, que é deputado federal, e muitos outros.

É uma nova geração de políticos comprometidos com ideais e conteúdos que fazem parte do que há de mais avançado no pensamento político-administrativo atual. É evidente que esse grupo de líderes políticos não tem a menor saudade do Muro de Berlim, ao contrário do que se observa no Itamaraty e em algumas assessorias no Palácio do Planalto.

Para mim, nostalgia é um sentimento que normalmente fica confinado nas primeiras páginas e só. De vez em quando é interessante rever as reprises da final da Copa de 1970, dos jogos do Brasil em 1982 e até mesmo da Copa de 1994.

No começo é nostalgia, mas depois a coisa se enquadra em seu devido lugar, vira mera curiosidade. Em vez de Pelé, Maradona e Zico, hoje temos Kaká, Robinho, Messi, Ozil, Villa, Rooney, Sneijder e Robben. É o que temos e não está ruim.

Quanto ao futebol de várzea, aplico a ele o mesmo conceito que está disseminado em relação ao futsal: é muito melhor praticar do que assistir. Em um campo de várzea, prefiro ficar no boteco tomando cerveja e jogando dominó. É bem mais divertido.

segunda-feira, julho 19, 2010

Contas públicas, contas de ninguém


Quem esperava um feriado morno em termos de notícias errou estrondosamente. Além da avalanche de narrações e supostas novidades sobre o caso que envolve o goleiro Bruno, do Flamengo – acusado de mandar matar a ex-amante –, eis que o Congresso Nacional divulga um estudo preocupante, que revela até que ponto chega a irresponsabilidade de parlamentares “bem intencionados” com as contas públicas.

O estudo revela que o rombo na Previdência Social pode aumentar mais com a aprovação da emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) que indexa os reajustes dos benefícios previdenciários ao aumento do salário mínimo.

Se a emenda estivesse valendo de 1998 a 2008, o déficit saltaria de R$ 48,5 bilhões – valor próximo ao estimado para este ano – para R$ 117,9 bilhões, aponta estudo do próprio Congresso Nacional.

De acordo com o texto, em 2008 as despesas com os benefícios (urbanos e rurais, sem considerar os assistenciais com idosos e deficientes), que foram de R$ 199,5 bilhões, chegariam à cifra de R$ 269 bilhões.

Os dados são do estudo “Salário mínimo e reajustes dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social- RGPS”, da consultora legislativa Sandra Cristina Filgueiras de Almeida.

Essa emenda é só mais um exemplo do desatino que domina o Congresso Nacional em ano de eleição, a julgar pela grande quantidade de projetos estapafúrdios que elevam absurdamente os gastos do governo central do Brasil, entre eles muitos que determinam reajustes salariais fora da realidade para servidores públicos.

Irresponsabilidade é pouco para qualificar esses “atos legislativos”.

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É cada vez mais deprimente os espetáculos em torno de casos policiais que provocam grande comoção pública, como foi o caso Isabela Nardoni e agora o caso que envolve o goleiro Bruno, do Flamengo.

Nada contra a cobertura da mídia, por mais que ela seja exagerada, mesmo que seja possível separar jornalismo, sensacionalismo e espetáculo. Faz parte da vida desde que o mundo é mundo. Quem não quiser ver/ler/ouvir, que mude de canal, desligue o aparelho ou deixe de comprar jornal.

Mas o que realmente incomoda é a malta de inúteis e vagabundos que adora comparecer à frente de delegacias e fóruns para xingar e atirar objetos em viaturas policiais como “protesto” contra os “monstros assassinos”.

E o pior é que pouca providência é tomada pelas autoridades para isolar os locais que abrigam, mesmo que temporariamente, os acusados. Policiais e presos são obrigados a atravessar um mar de gente sem nada para fazer para chegar a algum lugar.

Mas seria esperar muito de uma polícia que não usa a força para desbloquear ruas e vias tomadas por manifestantes. Pancada, só em gente que não merece, como sempre.

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Se alguém tinha dúvidas a respeito do fim cada vez mais próximo daquele que foi o principal jornal do ABCD, é só ler o detalhadíssimo estudo feito pelo jornalista Daniel Lima acerca da “política editorial” do veículo nos últimos seis meses. É nojento saber que tal publicação ainda circula nas bancas das sete cidades. Quem quiser ler o texto de Lima pode clicar aqui .

domingo, julho 18, 2010

A glorificação do fracasso


Glorificar o fracasso está em moda faz tempo por essas terras. É a eterna mania de valorizar cada vez mais os perdedores e ficar choramingando um passado remoto - e cada vez mais remoto.

O discursinho é cansativo e carregado de ressentimento, e ficva cada vez mais chato e rancoroso em tempos de Copa do Mundo.

Atinge gente importante, jonalistas respeitados, cronistas esportivos medíocres e gente comum cada vez mais incapaz de ler, interpretar e concluir por seus próprios cérebros.

A praga se reproduz rapidamente, com o louvor insuportável ao chamado futebol bonito - Copa do Mundo ruim é fértil em produzir esse fenômeno. E tome glorificação de fracassados, como as seleções da Hungria de 1954, da Holanda de 1974 e do Brasil de 1982.

Esse tipo de louvor seja necessário para preencher buracos em programações vazias de TV ou dar algum assunto para conversas chatas de bar. Até resistem ao tempo, mas não à realidade.

Desde sempre foi assim, futebol bonito é o que ganha. Jogo bonito, mas derrotado, serve apenas de rodapé nos livros de história. É mero apêndice histórico.

Jogo bonito é reflexo de um saudosismo doentio que refuta a modernidade e a evolução. É a reverência a um tempo romântico onde o futebol era jogado em câmera lenta, em preto e branco e com bola de couro que pesava três quilos.

Glorificar esse tempo romântico e criticar por criticar - ou melhor, apenas reproduzir esse discurso tosco - é fazer apologia do fracasso e ignorar as mudanças que ocorreram nos últimos 30 ou 40 anos.

É o mesmo fenômeno que ainda é verificado em gente que tem saudade do Muro de Berlim e do comunismo. É a apologia do fracasso.

sexta-feira, julho 16, 2010

A força da comunicação, intacta e influente


O mundo das pesquisas é fascinante para quem gosta de investigar e tentar enxergar aquilo que poucos conseguem ou se esforçam. Entretanto, na maioria dos casos as pesquisas servem tão e somente como braços para análises mais amplas, nunca podem ser tomadas pelo todo, sob risco de, mesmo corretas, induzirem a equívocos perigosos.

Entretanto, vejo com alegria e competência a análise de levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Meta, sob encomenda da Secom da Presidência da República, a respeito dos hábitos de comunicação do país.

A televisão é o mais abrangente meio de comunicação do País, visto por 96,6% da população brasileira. Supera, até com certa folga, o rádio, que vem a seguir com 80,3% de estimada presença nacional.

Os jornais atingem 46,1% dos brasileiros (mas apenas 24,7% deles são leitores diários) e as revistas, 34,9% – jogando por terra a falácia dos futuristas e dos detratores de que a imprensa acabou e que a mídia impressa não tem mais relevância.

A internet já é utilizada por 46,1% da população, com média de 16,4 horas semanais de utilização (o lazer é a principal finalidade de acesso para 46,3% dos internautas, enquanto 24,8% a utilizam principalmente para buscar informações, sendo que cerca de 47,7% deles costumam ler jornais, blogs ou notícias pela internet).

A pesquisa foi realizada no final de 2009 e início de 2010 junto a 12 mil pessoas, em 924 pontos amostrais. Mais informações por meio deste atalho – http://migre.me/T7vY.

E esta é para quem adora xingar jornalistas em fóruns desqualificados na internet. Estudo do grupo alemão GfK, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo e que há 23 anos atua no Brasil, mostrou que os brasileiros confiam mais nos jornalistas e publicitários em comparação com populações de outros países.

No Brasil, com 76% do índice de confiança dos cidadãos, os jornalistas conquistaram a 6ª posição; na avaliação mundial, os profissionais estão na 11ª colocação, com 41%.

O ranking nacional também foi melhor para os publicitários, que garantiram o 7º lugar, com 71%; internacionalmente, a categoria ficou na 15ª colocação, com 30%.

No cômputo geral, os bombeiros são apontados como os profissionais mais confiáveis, com 98% das menções entre os brasileiros e 94% entre as populações do resto do mundo.

No Brasil, eles são seguidos por carteiros (92%), professores do Ensino Fundamental e Médio (87%), médicos (87%), Exército (84%), organizações de proteção ao meio ambiente (80%) e pesquisadores de mercado (80%). A categoria com pior avaliação é a dos políticos, com 11% do índice de confiança no Brasil e 14% internacionalmente.

O estudo foi realizado no Brasil, em 15 países da Europa, nos EUA, na Colômbia e na Índia. Foram ouvidas 18.800 pessoas (1.000 no Brasil), com idades acima de 18 anos, entre os dias 1º e 29 de março de 2010.

terça-feira, julho 13, 2010

Coadjuvante não pode ganhar Copa (e nem os fracassados)


Copa do Mundo é coisa séria. Não é coisa para amadores. Times sem tradição são apenas coadjuvantes, quando muito cometem alguma zebra para que possamos dar algumas risadas, mas não podem ganhar o título. É contra as leis da natureza.

Por isso fiquei muito feliz com a eliminação de Gana. Time sem história, time sem qualidade, apenas correria e pontapés, como é típico do futebol africano. Saiu tarde da Copa do Mundo.

E também foi o destino do Paraguai, com certeza uma das três maiores porcarias do torneio. Cinco jogos, uma vitória, uma derrota e três empates. Não merece jamais disputar uma Copa do Mundo. Fora com os timinhos sem tradição. Copa do Mundo é coisa para time grande.

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O dunguismo morreu da pior forma possível, com uma derrota para lá de esquisita e com falha do melhor goleiro do mundo.

Ao contrário de 2006, quando jornalistas chegaram à beira do choro após a derrota contra a França, e exageraram na dimensão da tragédia, desta vez a eliminação nos campos da África foi recebida com mais serenidade.

Não existiu clima de tragédia – ainda bem –, mas a consternação ficou visível nos rostos dos torcedores. A seleção de Dunga era a melhor da Copa, mas sua superioridade não era tão grande.

Seus principais atores resolveram sumir e se esconder no torneio, enquanto que quem não falhava e não poderia falhar errou feio, como aquele que supostamente seria o melhor goleiro do mundo.

Não faltou garra, não faltou vontade. O que não existiu foi inteligência, futebol e comprometimento em jogar bem. Robinho, Kaká e Luís Fabiano não jogaram nada, transbordaram arrogância, empáfia e soberba. Só pensaram em si mesmos. Não passam de fracassados.

Dunga teve seus erros, muitos méritos, mas acabou traído pelos seus “craques”, que preferiram se esconder. A tal da união simplesmente era uma falácia. Egoístas e falastrões, jogaram para a plateia e deram vexame.

Perder faz parte, mas ter dignidade também. Os fracassados Robinho, Kaká e Luís Fabiano e o descerebrado e desequilibrado Felipe Melo não tiveram.

segunda-feira, julho 12, 2010

Insanidade tributária


De tempos em tempos emergem na imprensa alternativa expoentes da extrema esquerda resgatando conceitos há muito em desuso, esquecidas das páginas dos principais veículos.

Nada contra o ressurgimento desses personagens, até porque quanto mais debate, melhor. O que me espanta e me preocupa é a disseminação de conceitos equivocados e erros cometidos em excesso ao longo da história, mas que, para alguns desavisados, acabam se tornando “verdade histórica”. São conceitos, em sua maioria, fora de moda e enterrados pela história.

Na atual edição impressa do ABCD Maior temos na página 2 um artigo assinado pelo jornalista Altamiro Borges, que é filiado ao PCdoB e editor de vários veículos de esquerda.

Não o conheço pessoalmente, mas sei que é um profissional capaz e inteligente, mas é evidente que a ideologia e a militância contaminam seus textos - o que não os invalida.

Ele defende em seu artigo que a carga tributária brasileira não é excessiva e defende com veemência a implantação imediata do Imposto sobre Grandes Fortunas, em especial nos termos observados no projeto da deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS).

O texto é equivocado do começo ao fim, e custo a crer que Borges seja desinformado ao ponto de querer fazer o leitor crer que o brasileiro paga pouco imposto e que o esquema atual em vigor é injusto porque não taxa como deveria taxar parte da sociedade. Sim, por incrível que pareça, o jornalista do PCdoB escreveu isso.

Não há tese, texto, estudo ou numeralha com alguma credibilidade que sustente o que prega Altamiro Borges. E a realidade é a primeira a derrubá-lo.

É só fazer uma rápida consulta a qualquer dono de boteco que circunde a casa do jornalista, ou o seu trabalho, para saber o peso da carga tributária brasileira. Se ele preferir, olhe o próprio contracheque, se for assalariado, e observe a quantidade de descontos nos seus vencimentos.

Ignorar a carga tributária monstruosa que recai na cabeça da sociedade não só é insano, como irresponsável. E não adianta usar os adjetivos antiquados de sempre contra os supostos inimigos de sempre - a mídia, a poderosíssima entidade capaz de transformar a realidade no que quiser e de eleger quem quiser…

Carga tributária chegando a 40% e descontrole eterno das contas públicas, em todos os níveis - mais a criação de inúmeros gastos novos por parlamentares igualmente irresponsáveis - são uma receita infalível para o retorno da inflação alta e para jogar uma âncora no crescimento do país.

Ironias à parte, defender carga tributária na estratosfera é demonstrar praticamente nenhum conhecimento de economia e contas públicas. É fechar aos olhos para a arrecadação voraz de um Estado que não sabe, não se esforça e se recusa a controlar gastos - e que gasta pessimamente o que arrecada, seja comando pela esquerda ou pela direita.

E nem entro no mérito no imposto para as fortunas, sobre a sua conveniência atualmente. A questão não é essa. Mais imposto numa carga tributária indecente como a brasileira, é ruim para ricos e péssimo para pobres.

Em vez de discutir uma reforma tributária adequada ao século XXI e que não esfole pobres, ricos, classe média, trabalhadores e empresários, parte do pensamento político brasileiro atual defende o indefensável. Continuamos perdendo cada vez mais tempo com isso.

sábado, julho 10, 2010

Crônica da vida inviável

A paisagem do centro de São Bernardo está mudando rapidamente, e vai mudar ainda mais nos próximos dois anos. São mais de 20 edifícios ou condomínios inaugurados ou em vias de ser entregues na ponta que começa no Paço Municipal.

O mais ambicioso projeto é o Domo, atrás do Shopping Metrópole, que pretende ser um dos maiores complexo residenciais e comerciais da Grande São Paulo.

Na avenida Armando Italo Setti e em suas travessas brotam a cada semestre novos empreendimentos e novas torres. O mesmo ocorre às margens da agora renovada avenida Pery Ronchetti.

O “progresso” da construção civil é alardeado pela prefeitura e por diversos agentes econômicos. Agora o ABCD – destaque para São Bernardo – é o novo paraíso socioeconômico da região metropolitana. Pena que o tal do progresso ainda está bem longe da infraestrutura.

A malha viária do ABCD há muito tempo não suporta mais o volume de tráfego que insiste em entupir a região. O enorme corredor Brigadeiro Faria Lima-Pereira Barreto-Ramiro Colleoni-Dom Pedro II-Goiás é um imenso congestionamento nas manhãs e finais de tarde.

O outro ramal deste corredor – Brigadeiro Faria Lima-Lucas Nogueira Garcez-Piraporinha-Fabio Eduardo Ramos Esquível-Corredor ABD-Prestes Maia-avenida dos Estados – é uma fila eterna de veículos ao longo de todo o dia, fazendo com que uma ida do centro de São Bernardo a Piraporinha (meros cinco quilômetros) seja percorrido em inacreditáveis 45 minutos.

Os principais corredores de trânsito enfartaram e não mais conseguem dar vazão. O ABCD para todos os dias, como a capital, com o agravante de que não alternativas. Não dá para fugir dos congestionamentos.

A avenida Lauro Gomes continua sendo uma avenida fantasma, com sua enormidade de semáforos demorados.

Deveria ser uma alternativa à estreita, inadequada e entupida Senador Vergueiro, em São Bernardo, mas continua solenemente ignorada, até mesmo pela prefeitura. A outra pista, do lado de Santo André, também permanece ignorada.

A rua Caminho do Pilar, que poderia ser uma alternativa para fugir da avenida Pereira Barreto, além de ser uma via desconhecida para a maioria dos motoristas, também é inadequada, por ser uma via de tráfego local, incapaz de suportar trânsito pesado.

O mesmo pode se dizer da rua das Figueiras, da avenida Santos Dumont e das avenidas estreitas que dão acesso à Vila Pires e bairros da região, em Santo André. Todas estão entupidas durante quase todo o dia. Não há alternativas.

Enquanto a vida cotidiana fica inviabilizada no ABCD, somos obrigados a ouvir, de tempos em tempos, propaganda dos projetos mirabolantes e mentirosos de alteração na infraestrutura viária da região.

Onde está o tão alardeado plano famoso de reestruturação viária de São Bernardo, financiado com dinheiro japonês e que seria a grande marca do governo William Dib (PSDB)?

Onde estão as obras? Cadê o projeto? Cadê o dinheiro? É por essas e muitas outras mentiras e promessas não cumpridas que a vida no ABCD está inviável.

sexta-feira, julho 09, 2010

Saudade da Copa de verdade e o lixo moralista

Copa do Mundo boa é aquela que tem jogos bons, só clássicos, só times de tradição. Desde 1982 a competição foi avacalhada com o aumento do número de seleções, com a participação progressiva de lixos como as seleções africanas, asiáticas e centro-americanas.

Nada mais desolador e nojento do que assistir a uma partida de Honduras, uma equipe que dificilmente jogaria a quarta divisão paulista. E o que dizer de Coreia do Norte e Nova Zelândia, times amadores que cairiam na primeira fase da Copa Kaiser de futebol de várzea.

Em relação aos times africanos, o maior exemplo é Costa do Marfim, time ridículo com um astro e 22 monstros correndo atrás da bola e desferindo pontapés nos adversários, sem técnica nem tática.

Copa boa é Copa sem essas tranqueiras, só com europeus e sul-americanos, com três vagas para o resto do mundo para servirem de sparrings e sacos de pancadas. Só assim o futebol de seleções seria verdadeiramente resgatado.

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A Justiça se fez nesta Copa horrenda, de times péssimos e futebol inexistente. A violenta Costa do Marfim foi despachada e os Estados Unidos, uma nação que despreza o futebol, também.

Torci muito contra os norte-americanos, povo que acha que beisebol é esporte de gente e as agressões do tal futebol americano são “jogadas”.

O avanço desse timeco seria a mesma coisa que o time de rúgbi brasileiro, esporte que inexistente o Brasil (ainda bem), chegasse às semifinais do Campeonato Mundial).

Se esse povinho despreza o esporte mais popular do mundo não merece o meu respeito.

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Leio na Folha de S. Paulo, na carta de um leitor, que a seleção brasileira foi eliminada por culpa será da imprensa e da mídia. Para meu espanto, essa imbecilidade homérica foi escrita por um tonto que se diz um professor universitário de 61 anos.

Faz tempo que um monte de acéfalos diz por aí que o Brasil precisa de jornais e jornalistas melhores. Eu devolvo, afirmando sem dúvidas de que precisamos de leitores melhores.

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Outra pérola da Folha é a coluna do ombudsman, agora no comando de uma mulher, Suzana Singer, reverberando reclamações de assinantes e leitores a respeito da publicação, no caderno Ilustrada, de uma reportagem sobre a história dos quadrinhos eróticos no Brasil, e de algumas ilustrações consideradas inapropriadas.

É inacreditável que um dos maiores jornais do país dê espaço para esse tipo de texto estapafúrdio, e ainda mais de autoria de um profissional do próprio veículo, para atirar contra a liberdade de expressão, opinião e imprensa.

Quem se sentiu incomodado que compre outro jornal, que reclame no Procon, que vá à Justiça ou que reclame com papa, ou com qualquer outro mafioso do mesmo naipe.

O que não dá é ficar lendo esse tipo de lixo moralista e retrógrado que anda empesteando as página daquele que se diz o “jornal do futuro” e “um dos maiores do Brasil”.

Jornal que precisa de ombudsman demonstra claramente que não confia nos seus profissionais. Jornal que precisa de ombudsman não passa de uma firula, de uma peça de marketing.

Jornal que precisa de ombudsman descamba muito rápido para a demagogia. E rapidamente sua redação perde confiança na sua direção, tanto empresarial como jornalística.

Não gostou do programa? Mude de canal. Não gostou da reportagem? Não leia ou compre outro jornal. Se for escrever para reclamar, o faça com inteligência.

Não despeje lixo moralista nas caixas postais eletrônicas dos jornalistas e jamais use a muleta de que “meus filhos leem o jornal e me sinto aviltado com isso”. Inteligência e comunicação são vias de mão dupla.

sábado, junho 26, 2010

Humor não é jornalismo, mas não pode sofrer agressão


Humor não é jornalismo. Portanto, integrantes de programas ruins como “CQC” e “Pânico na TV” podem ser qualquer coisa, menos jornalistas, independente do tipo de ação que pratiquem.

O “CQC” tenta ser um pouco mais sério, mas o que faz está longe de ser jornalismo, é humor de gosto duvidoso, é um programa inteiro dedicado a sacanear os outros, a fazer rir diante do constrangimento alheio - embora muito políticos mereçam ser ridicularizados, como ocorre frequentemente no prgrama.

O baixo nível predomina neste programa da TV Bandeirantes. Apenas um quadro merece respeito, por ser realmente de prestação de serviços, que é o “Proteste Já”, que tenta resolver e obter compromisso de autoridades a repseito de problemas prosaicos e cotidianos, com falta de ônibus, mau estado de escolas, etc.

O programa que fizeram em Barueri, retratando o sumiço de uma TV nova doada pelo programa a uma escola da prefeitura, teve repercussão nacional.

Por isso tudo é que a prefeditura de São Bernardo precisa ter muito cuidado para não ser alvo de chatota - com razão - ao ser abordada pela equipe do “CQC” que faz o quadro “Proteste Já”.

Uma dessas equipes acusa a Guarda Civil da cidade de agressão e abordagem desrespeitosa. Leiam em http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/755450-danilo-gentili-diz-que-foi-agredido-por-guardas-em-gravacao-do-cqc.shtml.

Se realmente houve a agressão aos humoristas travestidos de jornalistas quando faziam gravações a respeito de uma escola localizada em área de risco, é caso de demissão sumária dos guardas envolvidos, além de uma investigação interna.

É caso também para uma cobrança forte ao comando da Guarda Civil de São Bernardo e ao secretário municipal responsável pela corporação.

O prefeito Luiz Marinho é sério e não pode passar pelo mesmo constrangimento que Rubens Furlan, de Barueri, que foi ridicularizado nacionalmente ao proferir impropérios e passar por bobo ao desancar para a câmera todos os integrantes do programa.

Que essa questão seja tratada de forma madura e profissional, por mais que os humoristas não sejam jornalistas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Exército dunguista é paranoico e não tem bom senso


Primeiro foi Dunga se comportando de forma vexatória na coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim, xingando jornalistas. Agora é Kaká que se acha perseguido pelo jornalista Juca Kfouri “porque sigo Jesus Cristo”.

A imprensa em geral já despreza os rompantes de má educação de Dunga e considera seus “soldados” apenas como um bando de jogadores mimados. E Kaká, em entrevista nesta terça-feira, comprovou isso, ao choramingar respondendo a uma pergunta de André Kfouri, da ESPN e filho de Juca.

O camisa 10 demonstra cada vez mais que é desqualificado. É incapaz de entender a função de um jornalista. Se fosse um moleque de 18 anos, era compreensível, mas Kaká é profissional há dez anos e um dos mais importantes da atualidade no mundo.

Se não é capaz de compreender o que significa o trabalho jornalístico, então não há salvação: não passa de um analfabeto funcional.

Na falta de conteúdo e de inteligência, Kaká se apega à única muleta que sobra, a paranoia de que é perseguido porque é evangélico, porque “segue Jesus Cristo”. Atribui a sua incapacidade de ouvir críticas ao fato de ser religioso. Patético.

Juca Kfouri apenas mencionou em sua coluna o que ouviu de suas fontes dentro da seleção ou no entorno: que Kaká ainda sente dores e que corre risco de encerrar a carreira prematuramente por conta de problemas no púbis e no quadril, como o tenista Gustavo Kuerten.

A falta de conteúdo de Kaká é assustadora, assim como seu fanatismo religioso. Esse tipo de gente, e especialmente os evangélicos, acreditam que são especiais e superiores apenas e tão somente por serem religiosos, por “seguirem Jesus”.

É claro que não são - aliás, para mim são exatamente o contrário, não são melhores do que ninguém, são bem piores, mas essa é outra discussão.

Aprovei a decisão de Dunga de trancar a seleção e de cortar privilégios de certas emissoras de TV e de certos jornalistas. Entretanto, é lamentável a falta de conteúdo, inteligência e discernimento revelada pelo exército dunguista.

quinta-feira, junho 24, 2010

Fim dos direitos autorais e estímulo à pirataria


O governo brasileiro pode dar um passo importante para legalizar a pirataria de obras de arte, ou pelo menos abrandar a intensidade do crime. É o que disse o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a um repórter da Folha.com, antiga Folha Online,o braço da internet do jornal Folha de S. Paulo.

Ao falar sobre as bases de uma nova lei de direito autoral, Ferreira acena com a possibilidade de descriminalizar o ato de copiar um CD ou DVD. “Queremos um sistema mais aberto. Porque mesmo que não houvesse o mundo digital, a internet, a nossa lei seria muito ruim. Ela não é capaz de garantir o direito do criador porque o sistema de arrecadação de direitos é obscuro, sem nenhuma transparência.”

“Além disso, a lei tem aspectos caricaturais”, continua o ministro. “ A cópia individual, por exemplo, não é permitida. Quem compra um cd não pode, pela lei, copiá-lo para o próprio ipod. Uma editora que não queria reeditar um livro, algo normal, torna o livro indisponível porque nem alunos nem professores podem fazer cópia. Isso contraria a tendência do mundo inteiro."

A íntegra da entrevista está no seguinte link: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/750740-copiar-cd-deixa-de-ser-crime-de-acordo-com-nova-lei-de-direito-autoral.shtml.

Discordo das ideias do ministro contidas na entrevista. Se do jeito que está a pirataria já engoliu o mercado, praticamente dizimando o setor musical e colocando em extinção as videolocadoras, com o fim da criminalização da cópia os produtos piratas tomarão conta do que resta e os artistas-autores vão sumir.

terça-feira, junho 22, 2010

Higienização social em Santa Cecília



A repercussão foi mínima, apesar de o assunto ser estapafúrdio. Estampado no caderno Cotidiano, da Folha de S. Paulo, na semana passada, eis que comerciantes do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, querem que entidades assistenciais parem de alimentar moradores de rua no bairro.

Como já é tradicional, várias entidades, sobretudo no inverno, realizam uma nobre atividade de servir sopa gratuitamente no centro da cidade, naquela região, que fica entre Santa Cecília e Barra Funda, na zona oeste. Geralmente a fila da sopa fica sob o Minhocão ou próximo à igreja de Santa Cecília.

A alegação dos comerciantes: cada dia chegam mais mendigos, expulsos das áreas da Luz e de Campos Elíseos, a chamada Cracolândia, devido à “ação firme da polícia e da prefeitura para revitalizar a área”.

Sem o menor pudor, os tais comerciantes e representantes do Conseg (Conselho de Segurança) do bairro pedem o fim das ações humanitárias e a presença mais constante de viaturas da Polícia Militar.

As pobres vítimas empresariais afirmam que os moradores de ruas espantam os clientes, sujam as calçadas das lojas e praticam pequenos furtos. Estão exigindo o que já acontece de fato na Luz e em Campos Elíseos, a higienização das áreas, sem a menor preocupação com os moradores de rua e com as vítimas do crack.

E lamentavelmente ocorre o que o padre Júlio Lancelotti, que considero um homem inteligente, íntegro e prestativo, mas bastante equivocado, apregoava: a gestão tucano-demo de José Serra e Gilberto Kassab pratica a higienização do centro da cidade, expulsando moradores de rua da área da Cracolândia, que supostamente estaria sendo revitalizada, e negando-lhes qualquer assistência.

Os planos de revitalização daquela área, independente da qualidade – se são bons ou não – precisam ser implantados, mas a custo social zero.

O equívoco de Lancelotti foi se opor de forma radical a qualquer tipo de obra ou programa de reforma urbana. Prefere que os mendigos permaneçam eternamente nas ruas, como se isso fosse um “direito”. Será que perguntaram aos mendigos se eles querem ter o direito de ficar na miséria absoluta e total?

O fato que é a atitude dos comerciantes de Santa Cecília revela a falência da administração Kassab como um todo, já que nunca foi capaz de oferecer um mínimo de assistência social a moradores de rua.

E também revela como São Paulo há muito tempo deixou de ser uma cidade acolhedora e gentil, como ainda se propagandeia no Brasil e no exterior.

segunda-feira, junho 21, 2010

Dunga finalmente enfureceu o Olimpo


E finalmente o técnico Dunga tirou a TV Globo do sério. Desde a sua estreia no comando da seleção brasileira ele entra atritos periódicos com a imprensa e com a emissora carioca, que paga muito caro pelos direitos de transmissão internacional dos jogos e competições internacionais – o que não garante exclusividade na cobertura jornalística, o que seria absurdo.

O técnico, aparentemente, elegeu a imprensa como inimiga como estratégia pensada e premeditada. Criou inimigos para justificar uma suposta “união” de seus convocados e uma exigência de maior comprometimento com sua “família”.

A postura intransigente e azeda com a imprensa teve, no início, um único ponto positivo: o fim dos privilégios que a CBF concedia à TV Globo na cobertura da seleção, seja com entrevistas exclusiva, seja com acesso total às concentrações.

A medida enfureceu o comando esportivo da emissora, que desde sempre teve dificuldades para separar entretenimento, jornalismo sério e exclusividade ilimitada.

Entretanto, em nome das boas relações comerciais entre a emissora e a CBF, executivos e jornalistas da TV Globo engoliram as provocações, malcriações e restrições impostas por Dunga – outros veículos do grupo, como o portal GloboEsporte e o jornal O Globo, foram liberados para bater à vontade no técnico.

A postura intransigente e belicosa acabou se estendendo a todo e qualquer jornalista. O mal-estar foi crescendo desde 2006 e chegou aos limites do insuportável em 2009, na Copa das Confederações, na mesma África do Sul.

A crise foi contornada temporariamente, com Dunga maneirando e até aceitando sem rosnar algumas perguntas. Mas tudo azedou de novo no Qatar, após o jogo contra a Inglaterra, no final do ano passado.

Dunga odeia os jornalistas. Se criou uma guerrinha de forma premeditadamente, parece que agora ele acredita piamente na lenda que inventou.

As provocações ironias e xingamentos que ele proferiu na entrevista coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim constrangeram todos, de técnicos de TV a companheiros de comissão técnica.

Distribuiu patadas e respostas atravessadas aos montes e balbuciava palavrões o tempo todo fora do microfone, como uma “terapia” para conseguir ouvir as perguntas nem tão ofensivas assim.

Só que o microfone da mesa captou os palavrões. A indignação foi geral. Foi tão grande que a TV Globo fez questão de levar ao ar um editorial dentro do “Fantástico” na noite de domingo com críticas duras a Dunga, condenando seu comportamento e exigindo respeito.

Jamais a emissora fez tal coisa, fosse quem fosse o técnico ou celebridade esportiva ou do mundo do entretenimento.

Dunga aparentemente é inteligente, mas parece incapaz de entender a função de um jornalista – justo ele, que foi comentarista da TV Bandeirantes em 2006, na Copa da Alemanha.

Jornalista até pode torcer, mas relata fatos e os comenta, antes de mais nada. E o técnico conhece a maioria dos jornalistas brasileiros há quase 20 anos, desde a Copa de 1994.

Vai conseguir deixar a seleção brasileira pela porta dos fundos, mesmo que seja campeão do mundo. Nada mais justo.

domingo, junho 20, 2010

Um poeta brasileiro negro na mira do Nobel da Paz


Uma grata surpresa na última segunda-feira, dia 14 de junho, nas páginas da Folha de S. Paulo: uma interessante entrevista com o poeta, dramaturgo e artista plástico brasileiro Abdias Nascimento.

Aos 96 anos de idade, este paulista de Franca é um dos mais respeitados militantes do movimento negro do Brasil e foi indicado para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz de 2010.

Pouco conhecido do grande público, é considerado um dos pioneiros da luta contra o preconceito racial no Brasil e é responsável pela criação, entre outras coisas, do Teatro Experimental do Negro, em 1944, com fortes críticas ao racismo então predominante na sociedade. Não bastasse isso, ainda foi senador por duas vezes pelo PDT.

Vale a leitura, pela importância e pela mensagem de alguém que dedicou a vida a uma causa. Discordo veementemente do radicalismo dele, além de sua defesa intransigente da política de cotas para negros, mas a sua classe, a sua inteligência e a sua lucidez são um exemplo para qualquer pessoa que se importa com o Brasil e com a redução das desigualdades por aqui.

E também é um exemplo para os pseudointelectuais nacinais que vivem pendurados nas sinecuras do Estado e nada produzem.

sábado, junho 19, 2010

Será o fim de mais uma aventura?


No final do ano passado comentei por aqui sobre a legião de aventureiros que acham a comunicação uma área frutífera e com dinheiro sobrando para que possam brincar de “editores” ou “publishers” e usufruir os “status” que a atividade supostamente dá.

Só que o setor é hostil demais a aventureiros. E mais ainda no ABCD. E o mercado, infelizmente, confirma essa tese. Mais uma boa ideia, mas pessimamente executada, foi para o lixo.

Os parceiros locais da Rede Bom Dia de jornais decidiram abandonar o negócio, cansados da falta de faturamento e de gastos altos para manter o Bom Dia ABC.

A crise do jornal tenta ser contornada com a rede tentando assumir as operações da franquia na região temporariamente, mas sem garantir a sua continuidade. Todos os funcionários foram demitidos e os antigos donos, que têm também uma importante gráfica em São Bernardo, se retiraram do negócio.

Gente ligada ao empresário J. Hawilla, dono da Traffic e da Rede Bom Dia, recrutou alguns dos demitidos, no esquema free-lance, para manter um jornal em circulação ao menos por uma semana, quando se espera que uma decisão definitiva seja tomada.

O destino do Bom Dia ABC é o mesmo do Hoje São Bernardo, que vaga como um fantasma nas bancas de jornal da cidade (será que ainda existe?), pois também foi criado por gente que não é do ramo. Destino previsível, mas lamentável.

É sempre ruim quando uma publicação afunda, ainda mais numa região carente de informação qualificada e ainda dominada, ao menos em parte, por um jornal em franca decadência financeira e editorial, mas ainda com uma marca forte, como o Diário do Grande ABC, que caminha firme e forte para a irrelevância, para se tornar um outro fantasma.

Concorrência é sempre bom, e o leitor ganha com mais opções. Pena que a procura única e exclusiva por lucro fácil e rápido enterre muito rápido as boas ideias.

Torci bastante pelo sucesso do Bom Dia ABC, pois foi um impulso interessante e necessário para investimentos em comunicação. Entretanto, temia pela continuidade justamente pela pouca segurança que o projeto passava.

Havia consistência editorial - de longe era o melhor jornal diário da região - mas o projeto era frágil em termos de conceito empresarial, ainda mais em uma área onde o mercado publicitário é arisco e concentrado. Em resumo, faltava base para manter a ideia a longo prazo.

Com os problemas enfrentados nesta semana, quando esteve à beira da extinção - problema que ainda não foi afastado, pelo contrário - o Bom Dia ABC corre o risco de virar mais um ectoplasma nas bancas.

E o que dizer da revista LivreMercado, fundada e administrada pelo jornalista Daniel Lima, adquirida por Walter Santos, especialista em recuperação judicial com sua empresa Best Works? Em suas mãos, houve mudança gráfica e de projeto editorial, o que piorou o produto, que também perdeu relevância.

Agora pertence ao grupo que edita o Hoje São Bernardo, o que nos faz supor que possa ter o mesmo destino do jornal do grupo que um dia foi diário: a irrelevância.

A imprensa brasileira sempre foi palco para a exibição de aventureiros ou de gente interessada em fazer do veículo de comunicação apenas um “facilitador” para outros negócios. Geralmente os aventureiros não duram muito e acabam saindo do negócio.

O empresário baiano Nelson Tanure é um exemplo. Fez fortuna atuando em diversas áreas, especialmente na área de transporte marítimo e de estaleiros.

Com um estilo agressivo e contrário às leis trabalhistas – diz a quem quiser ouvir que não acredita na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) – adquiriu empresas quebradas, isolou a parte podre e sugou ao máximo a parte saudável.

Tanure montou um pequeno império de comunicação, com jornais, revistas e editoras, império este que está se esfarelando – o octogenário Gazeta Mercantil, que foi o mais importante jornal de economia da América do Sul, morreu em suas mãos em maio de 2009; o Jornal do Brasil é apenas um fiapo de sombra do que já foi.

Comunicação, definitivamente, é um setor hostil aos aventureiros.
Crise de criatividade


A choradeira dos jornalistas esportivos em relação aos treinos da seleção brasileira é resultado de anos de aviltamento da profissão e do baixo nível de quem trabalha nesse ramo nobre.

Falta formação, falta informação e falta inteligência. A seleção está fechada e os jornalistas gritam porque não têm acesso aos jogadores, à comissão técnica e a toda uma sorte de fofocas e mentiras que sempre foram publicadas neste meio.

A cobertura da Copa do Mundo de 2006 foi o maior exemplo do baixo nível que predomina em nossa imprensa esportiva. Havia acesso às informações, mas versões e fofocas predominavam em relação à verdade.

A grande maioria dos jornalistas fez questão de não deixar que os fatos se interpusessem às versões estapafúrdias. O resultado é a vingança de Dunga, que trancou a seleção e deixou a imprensa descoberta.

Dunga não tem ideia de como fez bem à imprensa com seu comportamento belicoso e autoritário. Expôs a fragilidade dessa cobertura e a falta de criatividade dos jornalistas.

E por falar em falta de criatividade e competência, fazia tempo que não leia crítica à imprensa tão contundente quanto à feita por Daniel Lima em seu Capital Social na internet. Leia aqui: http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/jornalismo-condicionado-produz-pauta-de-acordo-com-publicidade/

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Sempre na época de Copa do Mundo aparecem os chatos de sempre que bradam contra a “alienação” do futebol, do “patriotismo” de ocasião e do fato de que a seleção brasileira não representa mais “o povo”, entre outras sandices.

É gente que que fica tentando esgrimir argumentos ruins para torcer contra o Brasil e por outras seleções. A pauta é mais do que batida, mas tem sempre algum esperto que acha que vai “abafar” e pubica tal reportagem estapafúrdia.

Tudo bem, respeito o direito de torcer contra, pela Argentina, pelo Iêmen, pela Nova Zelândia. Faz parte do futebol e da democracia. Mas dou muita risada com os argumentos insanos de quem decide torcer contra.

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Frases que merecem ser registradas e guardadas:

“Não gosto nada da ideia de nos tornarmos uma nação de blogueiros. Isso seria um retrocesso. Sou a favor de que façamos tudo o que pudermos para ajudar os jornais a encontrar maneiras de se viabilizarem economicamente cobrando por conteúdo.”
Steve Jobs, executivo-chefe da Apple, na conferência D8, organizada pelo Wall Street Journal

“O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.”Juca Ferreira, Ministro da Cultura

“Vejo o Congresso Nacional como um bando de frouxos.”Zezé Di Camargo, cantor e compositor, em entrevista ao Jornal da Tarde

“O empresário tem de saber que pode contratar alguém sem o risco de ser roubado pelo empregado, e o empregado precisa saber que pode ser contratado com a segurança de que receberá seu salário e não será escravizado. Sem essas instituições, não há mercado. As instituições políticas, em certa medida, confundem-se com as econômicas porque também precisam garantir uma ordem legal homogênea, em que a lei seja aplicada a todos. O importante não são leis duras, mas leis que valham para todos. Há países com punições duríssimas contra roubo, como cortar a mão fora, mas a lei não vale para a elite dirigente, que pode esbaldar-se roubando quanto quiser sem perder mão nenhuma.”
Daron Acemoglu, economista turco do MIT, na revista Veja

quinta-feira, junho 17, 2010

Ainda dá para resgatar o Mercosul


O Mercosul ainda serve para alguma coisa? A julgar pelo que diz o candidato a presidente José Serra (PDSB), parece que não. Talvez por falta de conteúdo de sua candidatura, um mero comentário feito a um jornalista se transformou em “plataforma de política externa de um eventual governo tucano”.

Criticar o governo boliviano é do jogo, afinal, não são poucos os que qualificam a administração de Evo Morales como ruim e até desastrosa - ou seja, está na média, a julgar pelos últimos 50 anos na Bolívia.

Só que qualificar o governo Morales de conivente e até cúmplice de crimes de tráfico de drogas e armas para o Brasil é demais. Até mesmo acusar o vizinho de leniente é forte, quanto mais de cumplicidade. Desnecessário dizer que o candidato tucano não tem provas, o que o torna leviano e nenhum pouco confiável.

Entretanto, a discussão serviu para jogar luz ao pantanoso terreno das relações comerciais e diplomáticas entre os países da América do Sul. O Mercosul ainda serve para alguma coisa?

Não só não serve como desconfio que ele nunca existiu. Vai completar 20 anos em 2011 mais como uma peça de marketing do que realmente um bloco econômico integrado. A chegada de Venezuela, Bolívia e Chile só piorou o quadro.

O fato é que cada país implanta a política aduaneira e de impostos que bem entende. A Argentina decidiu neste mês proibir a importação de comida e simplesmente nem consultou ou comunicou os parceiros. Vinte anos perdidos são muita coisa.

O Mercosul é uma boa ideia que nunca saiu do papel e parece que dificilmente vai sair. Uma pena, pois todos os países só teriam a ganhar.

Para quem duvida desse cenário desolador é só ler o livro “Mercosul e a Integração Regional”, do embaixador Rubens Barbosa, que foi o negociador-chefe do Brasil durante as reuniões que culminaram com a assinatura do acordo em 1991.

Em nenhum momento Barbosa usa a palavra fracasso para descrever o bloco, mas o tom de lamento e de queixa não deixa dúvidas sobre sua opinião sobre a questão.

Partindo do princípio de que de que o Mercosul é quase uma ficção, então o próximo presidente brasileiro terá de decidir, já que é o sócio-majoritário: ou acaba de vez com o que muitos acham que é uma farsa, ou força a integração dos países meio que na marra, dando uma razão para o bloco existir.

A ideia do Mercosul e merece mais uma chance, mas sem paternalismos e politicagens de apadrinhamento que sempre marcaram a diplomacia brasileira em relação aos vizinhos sempre hostis comercialmente.

quarta-feira, junho 16, 2010

Sua vida está valendo menos neste momento


No final da década de 70, quando começou a explodir a criminalidade nas grandes metrópoles, todos se horrorizavam com os trombadinhas na Praça da Sé e com os roubos de tênis nos bairros.

Era a época da chegada dos primeiros All-Star e Far White, vindos do Paraguai. O máximo que se ouvia em violência na época era alguém que sofria golpes de estilete quando tentava resistir.

Os roubos foram ficando mais violentos desde então e os latrocínios (roubo seguindo de morte) foram ficando bastante corriqueiros. Mas o que vemos hoje em São Paulo, no Rio de Janeiro e Salvador,por exemplo, é a banalização do crime e da morte.

Mata-se porque um estudante não tinha um único centavo quando foi abordado. Mata-se porque a professora deixou o carro morrer quando pretendia entregar o carro.

Mata-se um trabalhador porque este tentou falar algo contra o roubo de sua moto, seu meio de locomoção e ganha-pão. E o pior, não se vê indignação por conta disso. As pessoas comentam nos ônibus e bares tais fatos como se fossem a coisa mais normal do mundo.

Isso para ficar na classe média. Na periferia e nas favelas, mata-se apenas por diversão. Neste final de semana, um office-boy foi assassinado numa favela de Santo André porque supostamente teria mexido com a irmã de alguém ligado ao tráfico da região.

No mesmo lugar, uma semana antes, outro garoto, estudante e filho de uma dona de um boteco, foi espancado e esfaqueado à luz do dia porque alguém disse que ouviu falar que ele tinha xingado a namorada de alguém.

Ainda agonizando, não recebeu ajuda porque o esfaqueador avisou que quem ajudasse morreria ali mesmo. O corpo ficou no local por mais de dez horas, segundo relatos de moradores da região.

Enquanto isso, o crack avança em toda a Grande São Paulo. Sociedade doente? Decadente? Sevalgeria total? Escolha o seu adjetivo. Qualquer um será insuficiente para descrever o que vivemos atualmente.

segunda-feira, junho 14, 2010

Copiar CD deixa de ser crime de acordo com nova lei de direito autoral


DA FOLHA.COM


O Ministério da Cultura (MinC) trouxe a público, na manhã de hoje, suas idéias para o que pode vir a ser a nova lei do direito autoral brasileiro.

Numa entrevista coletiva concedida em Brasília, o ministro Juca Ferreira explicou as bases do texto que deve ser liberado hoje para consulta pública.

Antes, ele conversou com a Folha, por telefone.

A iniciativa do governo brasileiro inclui-se num movimento mundial de revisão de leis que, simplesmente, não cabem no mundo que, na virada do século 21, tinha se tornado digital.

O texto em vigor hoje no Brasil foi aprovado em 1998, como atualização de uma lei criada em 1973. O texto atual trata como ilegais atitudes corriqueiras, como a cópia de um CD para um pen drive.

Saiba, a seguir, quais são os planos do governo brasileiro.

Folha - O MinC coloca o texto em consulta às vésperas das eleições. Pelas minhas contas, se serão 45 dias de consulta, a nova lei acabará sendo apresentada em pleno processo eleitoral...

Juca Ferreira - No seu cálculo, só consta uma parcela do processo. Depois desses 45 dias, uma equipe do ministério do vai se debruçar sobre todas as contribuições recebidas para preparar um novo texto que assimile as propostas. Ou seja, o novo texto lei só ficará pronto depois do processo eleitoral.

No ano que vem?

Não, no final deste ano.

O governo francês, no ano passado, apresentou uma lei que tendia a enquadrar os usuários da internet. Que caminho seguirá o Brasil? A legislação tende a ser mais aberta ou mais restritiva?

Queremos um sistema mais aberto.

Em primeiro lugar, porque mesmo que não houvesse o mundo digital, a internet, a nossa lei seria muito ruim. Ela não é capaz de garantir o direito do criador porque o sistema de arrecadação de direitos é obscuro, sem nenhuma transparência.

Além disso, a lei tem aspectos caricaturais. A cópia individual, por exemplo, não é permitida. Quem compra um cd não pode, pela lei, copiá-lo para o próprio ipod.

Uma editora que não queria reeditar um livro, algo normal, torna o livro indisponível porque nem alunos nem professores podem fazer cópia. Isso contraria a tendência do mundo inteiro.

Há quem defenda que a lei brasileira é boa.

A lei brasileira é um modelo de como não deve ser. O mundo inteiro está se adaptando à realidade digital.

Mas nem sempre liberalizando...

Sim, mas todas as tentativas de se enquadrar o mundo digital em padrões analógicos se mostraram um fracasso. Nos Estados Unidos, chegaram a processar crianças de nove anos que estavam fazendo cópias para os amigos.

O governo brasileiro quer criar um sistema que estimule o pagamento do autor na internet. O que a gente quer é legalizar.

A modernização legal, além de ampliar e assegurar o direito do autor, quer harmonizar e garantir o direito do investidor.

Tudo isso sem esquecer que o acesso é um direito da população.

Mas qual o limite entre o direito ao acesso e o direito do autor?

O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.

Hoje, um professor de um curso de cinema, não pode, legalmente, apresentar sequer cenas de um filme na sala de aula.

Em cursos de medicina ou administração são muitos os livros esgotados que não podem ser reproduzidos. A nova lei quer criar uma brecha para esse tipo de cópia, mas prevendo o pagamento do direito autoral para a cópia reprográfica.

O novo texto prevê a criminalização do jabá --execução paga de música nas rádios e emissoras de TV. Qual a ligação do jabá com o direito autoral?

O jabá criou um sistema perverso que cerceia a diversidade cultural e restringe a economia da cultura.

Quem paga para executar sua música no rádio cria a ditadura do gosto.

A partir da nova lei, quem fizer isso será processado. Se você legitima um sistema que define o que vai ser apresentado nas rádios e TVs, você está cerceando a liberdade, excluindo boa parte dos autores.

O jabá se caracteriza como concorrência desleal.

O Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos) e alguns artistas já estão se posicionando contra a reforma na lei. O MinC está preparado para o embate?

Estamos estudando essa reforma há oito anos. Envolvemos mais de 10 mil pessoas em reuniões setoriais e fizemos estudos comparativos com outros países.

O sistema brasileiro de arrecadação quer manter o status-quo. Mas esse sistema vive de processos jurídicos.

Temos, numa ponta, milhares de processos contra bares, hotéis, cinemas e, na outra ponta, os artistas desconfiados de que não estão recebendo pagamento.

Se eu fosse um sistema de arrecadação que desperta tanta desconfiança da parte dos artistas, eu adoraria que houvesse um sistema de transparência para que as pessoas parassem de questionar o meu trabalho.

Como eles estão acomodados a um sistema autoritário, unilateral, tenho certeza de que haverá reação negativa.

Mas isso é demanda histórica dos autores e intelectuais. O Brasil não se livrará da herança da ditadura enquanto não se livrar desse entulho.
A USP em frangalhos é a imagem da educação brasileira


Mais do que uma terra de ninguém, a USP se tornou um triste exemplo do que se tornou a educação brasileira em todos os níveis. Inexistem respeito e sobretudo inteligência.

A nova greve de funcionários da entidade, com direito a novas invasões das instalações da reitoria, e com o irrestrito apoio dos alunos, expõe a lama que toma conta da principal instituição de ensino superior do Brasil.

Destruição de equipamentos, paredes quebradas a marretadas e a total falta de juízo, sem que a violência e a depredação sejam contidas.

Educação? Ensino? Meros detalhes em um lugar onde predominam as “ideias” de pessoas mais preocupadas em destruir a reitoria do que respeitar a lei e a democracia.

sexta-feira, junho 11, 2010

Mais intervenções na vida privada


Li incrédulo nesta semana nos jornais que o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) insiste na discussão e na manutenção, para votação, do tal Projeto de Lei 29, que, entre outras sandices, versa sobre a obrigatoriedade de conteúdo mínimo nacional na programação de canais de TV por assinatura.

A estupidez que tramita no Congresso acabou provocando uma indignada campanha da operadora de TV a cabo Sky, que manda e-mails para seus clientes e publica anúncios informando sobre o conteúdo estapafúrdio do projeto.

À parte o terrorismo que a operadora vem fazendo ao afirmar que a aprovação elevará custos e, por sua vez, obrigará as empresas a reajustar as mensalidades, a campanha é totalmente lícita e deve ser apoiada.

Estabelecer por lei o que uma emissora de TV por assinatura deve veicular é inaceitável sob todos os pontos de vista.

Quem paga tem o direito de escolher sem que haja qualquer intervenção estatal ou governamental no meu direito de cidadão de assistir ao que eu quiser, ainda mais pagando caro por isso.

O deputado nada tem melhor para fazer do que ficar regulando a vida dos outros. E lamentavelmente ele é do PT, partido que historicamente lutou pela liberdade – política, de escolha, de expressão, de opinião, de imprensa, apesar dos resquícios embolorados e totalitários que ainda persistem em seus quadros.

E não cola a balela de que a operação de canais de TV, abertos ou por assinatura, são concessão do Estado. É um argumento tosco e absurdo e para tentar justificar as inaceitáveis investidas governamentais no direito do escolha dos cidadãos.

Não bastassem as diversas tentativas de “cotas” absurdas impostas à sociedade em diversos segmentos, agora vemos mais uma tentativa de estabelecer “cota” de três horas e meia semanais de conteúdo nacional nos canais em operação.

Toda e qualquer intervenção estatal na vida privada e no direito de escolha dos cidadãos precisa ser combatida. Nenhum governo tem o direito de dizer o que devo ou não assistir.

quinta-feira, junho 10, 2010

Mais do mesmo. Ainda bem



Taxa de juros básica da economia mais alta. Mais do que esperada, necessária. Mas até que ponto? O percentual foi elevado para 10,25% ao ano, o maior desde abril do ano passado. O crédito fica mais caro, as dívidas ficam mais caras, o volume de financiamentos vai cair. Quem ganha com isso?

Todo mundo no longo prazo, apesar de ser uma medida paliativa. O fato é que as críticas ao Banco Central são as mesmas de sempre, dos mesmos personagens de sempre.

A diferença agora é que não houve o fogo amigo do Palácio do Planalto, já que o presidente Lula declarou em alto e bom som que fará de tudo para frear a inflação, que já está ultrapassa 3% em 2010.

E eis que chegamos ao grande nó da economia brasileira. Inflação alta é sinônimo de perdas globais e gerais. Todo mundo perde, uns mais, outros menos.

A estabilidade conseguida a duras penas nos anos 90 e consolidada pelo governo Lula é um bem maior que precisa ser preservado a todo custo. Por isso, palmas para o Banco Central e para o Copom.

Os alvos dos ataques à alta taxa de juros, na maioria das vezes, são equivocados. A decisão é estritamente técnica. Quando a inflação sobe, os juros sobem. Simples assim. O consumo tem de ser freado para que nçao haja alta de preços por demanda superaquecida.

O crescimento do país, em alta, que causou euforia em todo mundo, será afetado? Certamente que sim. E tem de ser assim mesmo, já que o país não aguenta um crescimento ao ritmo chinês.

O difícil é ver e ouvir uma série de críticas equivocadas e estapafúrdias à decisão do Banco Central sendo que nenhum desses críticos nem sequer menciona os grandes vilões dos juros altos: o eterno desequilíbrio das contas públicas, a falta de uma política fiscal decente e a falta de controle sobre a dívida interna.

Ou seja, os juros altos e a eterna briga contra a inflação têm origem no coração da administração pública brasileira, que é incapaz de conter gastos e de espantar a politicagem abjeta das decisões administrativas do país.

Esse cenário infernal fica ainda pior quando se tem políticos irresponsáveis querendo criar despesas e mais despesas com a chancela do Congresso sem que haja dinheiro para isso. E a politicagem domina esse ambiente e contamina o Poder Executivo, que também age politicamente.

Convenientemente, entidades empresariais e sindicais ignoram o bom senso e voltam suas contra quem defende as moeda e zela pelo bom andamento da política econômica.

Evitam atacar os verdadeiros responsáveis pelos juros altos e pela constante ameaça de alta da inflação. Fazem isso ou por oportunismo, conveniência política ou por pura ignorância. E tudo continua como sempre foi.

E ainda tem gente que defende a criação de mais impostos para financiar a gastança de governos, ampliando a carga tributária horrenda e insuportável e aumentando o buraco das finanças públicas. Santo Banco Central…
Notícia excelente. Mas até quando?


Crescimento em ritmo chinês, mas com corpinho de país africano. A analogia é bastante exagerada, mas, de certa forma, traduz os problemas que a economia brasileira vai enfrentar no segundo semestre.

A notícia de que o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2010 é 9% maior que o mesmo período do ano passado e 2,7% maior que o do trimestre anterior, o último de 2009, mostra vigor e robustez de um país que soube navegar na crise financeira de 2008 com responsabilidade.

Nas palavras do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o Brasil fez tudo certo e sofreu menos. Já o ufanista Guido Mantega, ministro da Fazenda, disse que o país se livrou por completo da crise dos “países ricos”. Outro exagero, mas totalmente compreensível.

Se as previsões de especialistas se mantiverem, o PIB deverá crescer em 2010 entre 6% e 7%, possivelmente o segundo maior índice do mundo, atrás apenas da China. Crescer aceleradamente significa mais emprego, mais renda em todos os segmentos e mais investimento em todos os níveis.

A questão que fica agora é o que acontecerá no futuro próximo. Meirelles tem a resposta: problemas graves na condução da política econômica se o mesmo ritmo continuar.

Em outras palavras, o Brasil não aguenta essa velocidade de crescimento no segundo semestre. Analistas econômicos utilizar o termo “enfartar” ou “surtar” para uma economia que bate no teto.

Na vida cotidiana, isso se traduz em inflação alta por falta de produtos e consumo alto. A queda na produção que vem em seguida pode ser fatal para diversos setores produtivos.

O que vai acontecer é que, naturalmente, até pelos entraves e gargalos que a economia brasileira ainda revela, é uma diminuição gradual do ritmo de crescimento.

Aliado a isso, o Banco Central, de conduta irrepreensível durante o governo Lula, desde 2003, vai agir para puxar o freio e evitar que a inflação fuja do controle.
O aumento na taxa básica de juros, a Selic, deve continuar, assim como as isenções de impostos para bens de consumo não devem retornar tão cedo, justamente para frear o consumo e incentivar a poupança e aplicações financeiras.

As notícias são excelentes e devem ser comemoradas. E os condutores da economia têm de ser parabenizados, mas o jogo ainda não está ganho. Comemoração sim, mas com muita cautela e atenção para os próximos passos.
Lições de como fazer novos amigos


É impressionante como crescem as situações em que pessoas ou grupo de pessoas fazem questão de calcinar qualquer bom sendo, qualquer chance de entendimento e qualquer indício de civilidade.

Existem povos e governos que são especializados em sabotar qualquer coisa, como os talibãs afegães, os xiitas iranianos, os norte-coreanos e diversas etnias africanas belicistas. Entretanto, não existem campeões maiores do que os israelenses.

A certeza de impunidade é tanta, por conta das “costas largas” dos Estados Unidos, que repetidamente atacam e matam inocentes sem a menor cerimônia. Justificativas? Para quê?

Pelo menos eles não perdem tempo e nem desperdiçam o dos outros com explicações estapafúrdias.

No caso do ataque desta semana a um comboio de navios liderados por uma ONG turca em direção a Gaza, o lacônico comunicado do governo israelense apenas informa que se tratava de uma operação terrorista. E ponto.

Esse governo asqueroso não se importa com mídia, bom senso, decência e civilidade. Não duvido que façam ataques abjetos como o desta segunda-feira de propósito. E tudo ficará como está, apesar da avalanche de protestos internacionais.

Sempre defendi a existência de Israel sobretudo por uma questão de realismo político: o país está lá, é uma potência militar regional e conta com o amparo de um aliado poderoso.

Portanto, qualquer ilação ou discurso remontando as origens do conflito árabe-israelense para ressaltar as injustiças cometidas contra os palestinos são coisas vazias e sem lastro na realidade.

Israel existe e vai existir, assim como os palestinos existem e não vai deixar os vizinhos em paz até serem tratados como gente.

Qualquer resquício de boa vontade que eu tinha por Israel some com mais um ataque covarde e asqueroso a integrantes organizações humanitárias.

Não merece a mínima condescendência. Nenhuma ação cometida contra o povo israelense será mais indigna do que o ataque ao comboio turco. Começo a acreditar que Israel não faz falta a esse planeta.

Sucesso atrai vaidosos e incompetentes


Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito da política predatória que reina no E.C. Santo André, a pífia campanha na série B do Brasileiro até agora acaba com elas. Quando incompetentes cismaram de gerir o futebol profissional, o time despencou da série A, ainda que tenha feito uma série B diga em 2008.

Depois de inúmeras bobagens, finalmente alguns mais lúcidos decidiram tomar conta do time e o colocou nos eixos,com pés no chão e sem invenções, com orçamento baixo. O resultado foi o vice-campeonato paulista de 2010, com um time bom, bem montado por um técnico iniciante, mas competente até aqui.

Só que a vaidade fala mais alto e a exposição que o time teve no Paulistão atraiu de novo os incompetentes.

O resultado é mais um desmanche e mais um campeonato onde o time terá de lutar contra o rebaixamento, ao mesmo tempo em que a tal parceria com empresários está em vias de deixar uma dívida inpagável. Parabéns novamente, Ramalhão.

quarta-feira, junho 02, 2010

Black Country Communion, novo supergrupo de rock no mercado



do site Whiplash

O novo supergrupo que apresenta o antigo baixista/vocalista do DEEP PURPLE Glenn Hughes, ao lado do baterista da reunião do LED ZEPPELIN Jason Bonham, do antigo tecladista do Dream Theater Derek Sherinian, e do guitarrista Joe Bonamassa, entrou em acordo com um novo nome: BLACK COUNTRY COMMUNION.

Site oficial: http://www.bccommunion.com/
Twitter: http://twitter.com/bccommunion

O BLACK COUNTRY COMMUNION (anteriormente BLACK COUNTRY) é uma devastadora colisão de frente entre influências de rock americanas e britâncias – um verdadeiro supergrupo que traz uma experiência de rock titânica maior do que as somas de suas partes supremamente talentosas.

A semente para o BLACK COUNTRY COMMUNION foi plantada quando Hughes e o mestre guitarrista de blues e rock Joe Bonamassa uniram forças no palco em Los Angeles em novembro de 2009 para uma performance explosiva no evento Guitar Center's King of the Blues.

Fruto da criação do produtor Kevin Shirley (BLACK CROWES, Aerosmith, LED ZEPPELIN), a banda acrescentou à sua linhagem o enérgico baterista Jason Bonham (LED ZEPPELIN, FOREIGNER) e o tecladista Derek Sherinian (DREAM THEATER, BILLY IDOL, ALICE COOPER).

Recebendo o nome da área industrial na Grã Bretanha onde Hughes e Bonham nasceram e foram criados, o BLACK COUNTRY COMMUNION começou a ensaiar e gravar faixas escritas por Bonamassa e Hughes no Shangri-La Studios no início de 2010. Seu novo álbum, que ainda não tem nome, vai ser lançado em setembro de 2010.

BLACK COUNTRY COMMUNION, fez uma estréia surpresa durante um bis em um show do Bonamassa em 17 de março no Riverside Municipal Auditorium em Riverside, California. A banda tocou duas músicas - "One Last Soul" e um cover do clássico do Deep Purple "Mistreated".




BLACK COUNTRY COMMUNION - "ONE LAST SOUL"

segunda-feira, maio 31, 2010

Novo CD do Korzus, uma grande porrada






Este é o novo disco do Korzus, chamado "Discipline of Hate". O lançamento é hoje, via Laser Company. O disco foi produzido e mixado pelo vocalista Marcello Pompeu e pelo guitarrista Heros Trench no estúdio Mr. Som, em São Paulo. A edição nacional do álbum trará 14 faixas, incluindo "Truth", primeiro 'single' e videoclipe do novo trabalho, que pode ser conferido abaixo.

Tracklist:
01. Intro (Path to Discipline)
02. Discipline of Hate
03. Truth
04. 2012
05. Raise Your Soul
06. My Enemy
07. Revolution
08. Never Die
09. Slavery
10. Last Memories
11. Under His Command
12. Reap What You Sow
13. Hell
14. Hipocrisia (bônus nacional)


Uma coisa nem sempre leva à outra coisa


O jornal mensal Unidade, órgão do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, traz em seu último número, o 327, de maio de 2010, um estudo interessante realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia e pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).

Sob o título “Mídia Impressa no Brasil e a Promoção da Igualdade Racial”, teve por objetivo analisar a conduta dos três principais jornais nacionais e das três principais revistas semanais na questão das cotas para negros e outras categorias em diversos segmentos da sociedade.

A conclusão é de que os meios de comunicação mais importantes são contra a política de cotas raciais.

Apesar de reconhecer que os textos de reportagens são mais equilibrados e trazem informações dos dois lados e dão bom espaço para os defensores das cotas, o editoriais e outros textos opinativos vão na direção contrária.

A pesquisa é importante e traz dados bacanas a respeito de como o tema foi tratado na grande imprensa. Suas conclusões, no entanto, são preocupantes e podem induzir a erros.

A cobertura geral sobre o assunto é parcial? Sim, afirma o estudo, principalmente nos textos opinativos. Já nas reportagens há mais equilíbrio e pluralidade, com a tendência recaindo para o tom crítico às políticas já implantadas.

Um problema sério é que uma das conclusões dá a entender que os meios de comunicação são contrários às políticas de igualdade racial, embora isso não esteja explicitamente escrito.

A própria diretora do Ceert, Maria Aparecida Bento, trata de colocar a questão nos eixos: a grande imprensa é contra a política de cotas, não contra a igualdade racial. Uma coisa não leva necessariamente à outra. No caso, nem de longe.

Ser contra a política de cotas não quer dizer ser inimigo dos negros e das políticas de igualdade racial. O problema é que essa interpretação errônea serve de argumento falacioso a oportunistas sedentos por detratar a grande imprensa.

O estudo também traz uma conclusão implícita e carregada de juízo de valor: se os jornais são contra as políticas de cotas, são automaticamente contra a promoção da igualdade racial e, portanto, são inimigos da sociedade.

Até onde se pode perceber no Brasil, ainda não é crime os jornais terem opiniões próprias. A nossa democracia permite e tolera a divergência e as discordâncias. Desviar o foco e escamotear a verdade não ajudam a encontrar soluções para a inserção cada vez maior dos pobres à sociedade e à educação.

Concluir que a grande imprensa é contra a igualdade racial por se opor à política de cotas não só é mentira como crime – até porque essa tese é impossível de ser provada.

A mídia brasileira tem inúmeros pecados, e os mais graves geralmente são ignorados por seus críticos e detratores. Neste caso, erram o alvo quando atribuem uma culpa que não lhe cabe. Ser contra a política de cotas é legítimo e não torna ninguém racista.

O assunto é espinhoso e interminável, mas quanto mais for debatido, mais a sociedade ganha. Mais informações podem ser obtidas no endereço eletrônico observatório de mídia.

quinta-feira, maio 27, 2010

Sem Rod Stewart, The Faces anuncia retorno com vocalista do Simply Red e ex-Sex Pistols


DO UOL

Sucesso na década de 1970, a banda The Faces anunciou em seu site oficial o retorno aos palcos sem Rod Stewart, mas com três integrantes da formação original. O guitarrista do Rolling Stones Ronnie Wood, o baterista Kenney Jones e o tecladista Ian McLagan agora terão a companhia do vocalista do Simply Red, Mick Hucknall, e do ex-baixista do Sex Pistols, Glen Matlock.

"É empolgante seguir este caminho novamente e eu espero que os fãs do Faces estejam tão felizes quanto nós estamos", escreveu Wood no site. "O momento é perfeito, estamos empolgados e não vemos a hora de voltar aos palcos", disse Jones.

A banda vai ser uma das atrações do festival inglês Vintage at Goodwood, marcado para o dia 13 de agosto. No ano passado, o trio se reuniu com Hucknall nos vocais e o ex-Stones Bill Wyman no baixo para um show no tradicional Royal Albert Hall, em Londres.

No final do ano passado, McLagan já havia adiantado o retorno do Faces. "Esperamos muito tempo para que Rod [Stewart] aceitasse, mas ele disse não no final. Portanto vamos fazer a turnê de qualquer maneira", disse .
TV Globo aprofunda a prática de alterar a realidade


A TV Globo está levando a extremos a prática stalinista de alterar a realidade. O ditador soviético, que patrocinou a morte de milhões de conterrâneos, costumava ordenar a apaniguados que apagassem das fotos oficiais do regime adversários eventuais ou eternos do regime.

A prática não é nova. A emissora ignora o jornalismo decente e simplesmente muda o nome de clubes e times nas transmissões que faz de jogos de futebol, vôlei, basquete e até fórmula 1.

No vôlei feminino o Rexona vira Rio de Janeiro, Bradesco-Finasa vira Osasco. No basquete feminino, a emissora ignora os patrocinadores e “nomeia” clubes com os nomes das cidades, como Ourinhos e São Caetano.

Na fórmula é mais ridículo ainda: Red Bull Racing é chamada assim no mundo todo, mas na Globo vira RBR. A Toro Rosso vira STR. E por aí vai.

Nas entrevistas coletivas de jogadores de qualquer modalidade transmitida, apenas o carão do entrevistado aparece na tela, tudo para evitar que os patrocinadores das equipes e mesmo pessoais dos jorgadores/atletas apareçam.

Não é à toa que, por causa dessa prática nojenta, cada vez menos empresas decidem patrocinar modalidades menos apreciadas. Já é uma luta conseguir dinheiro para bancar o esporte no Brasil, e ainda a maior emissora e seus canais ignoram os patrocínios.

Qual é a alegação? A emissora deciciu combater o que chama de mídia espontânea, contrariando todas as normas de bom jornalismo e de decência. Se alguém quer que o clube seja chamado pelo nome da empresa ou produto, que pague por isso.

Esse absurdo agora foi transferido para reportagens de entretenimento e programas diversos da Globo, como revelou o colunista Ricardo Feltrin, do UOL - leia aqui.

Segundo o jornalista, a prática já vem ocorrendo em reportagens desde o ano passado, mas agora também já atinge programas humorísticos como “Casseta & Planeta” e de fofoca e entretenimento sobre o mundo global , o Vídeo Show.

Não vai demorar muito para que as reportagens do jornalismo global passarão a ser literalmente virtuais, como aquelas imagens falsas de propaganda durante os jogos de futebol. Pior, corremos o risco de ver nos telejornais efeitos especiais dignos do filme “Senhor dos Anéis.”

terça-feira, maio 25, 2010

Prefiro acreditar no rock e em papai noel


O Cinemin é um dos melhores bares de São Bernardo na atualidade e é um reduto de gente inteligente. É frequentado por artistas, jornalistas, estudantes e profissionais liberais que gostam de boa comida, bebida de qualidade e muita música da melhor que existe.

Uma semana atrás, em uma mesa barulhenta recheada de intelectuais de boteco (no bom sentido), um deles narrava um episódio no qual perdera a namorada mais bonita que tivera em sua vida.

O professor cinquentão narra que no começo dos anos 80, ainda na faculdade de letras, conseguiu conquestar a mais bela garota da escola.

A ponto de se apaixonar, investiu no namoro sério, que já durava três meses, até que ela insistiu ipara fosse visitar a família, toda instalada em uma pequena cidade do interior, na região de São José do Rio Preto.

Após cinco horas de viagem de carro sob um calor senegalesco, chegou ao vilarejo que alguns chamavam de cidade e verificou que a família da moça era o que havia de mais conservador e retrógrado. Algo lhe dizia que o final de semana não iria acabar bem.

E ele nem chegou ao final do final de semana. Se no sábado foi tratado com cortesia, apesar da desconfiança dos pais e dos tios da menina, a situação ficou ruim à noite.

Empolgou-se com a pinga de alambique servida por um dos cunhados e pouco se lembra de como foi parar na cama para dormir, já de madrugada.

Às 6h30 de domingo, foi acordado de forma brusca pelo sogro. A família toda, sem exceção, deveria estar às 7h na igreja matriz para a missa, como em todos os domingos. Ainda meio zonzo, achou que fosse brincadeira.

Diante da insistência do sogro, e completamente abobado, irritou-se e mandou sem pensar: “Diga-me sinceramente um único motivo para ir a uma missa, seja a hora que for? O que é que vou fazer numa missa?”

A manhã nem bem terminou e ele já estava na rodoviária, prestes a embarcar para São Paulo, devidamente convidado a se retirar da cidade pelo já ex-sogro e por um séquito de amigos comedores de hóstia do ex-sogro. O ateísmo latente do professor acabou com o namoro com a mais bela mulher que conquistara.

A história surgiu coincidentemente no mesmo final de semana em que a Folha de S. Paulo trouxe uma interessante entrevista com o filósofo americano Daniel Dennett, ateu convicto e que lamenta o “obscurantismo de parte da população norte-americana, que sataniza os ateus da mesma forma que os homossexuais eram discriminados e hostilizados nos anos 50 e 60″.

Dennett vai mais além. Afirma que tentar conciliar biologia evolutiva com religião e crença em Deus é um ato de desespero intelectual. “As pessoas têm de aprender a conviver com os sem-Deus”.

Nada mais atual e inteligente. Religião, qualquer uma, é estelionato intelectual e não serve para absolutamente nada. Acreditar em Deus e em papai noel é a mesmíssima coisa. Só que defender tais ideias em um país com forte apelo religioso como é o Brasil é crime.

O brasileiro está ficando menos racista e está tolerando cada vez mais as diferenças, sobretudo as sexuais. Mas ainda é incapaz de entender e respeitar a tribo dos sem-Deus. Triste isso. É mais um sintoma de terceiromundismo, subdesenvolvimento e inferioridade intelectual em relação ao primeiro mundo.

Ir à missa e rezar é pura perda tempo. Prefiro perdê-lo ouvindo heavy metal e lendo “Deus, um Delírio”, livro do filósofo inglês Richard Dawkins, o principal intelectual da atualidade a espancar as religiões e a ideia da existência de um ser supremo.

segunda-feira, maio 24, 2010

O melhor tributo a Ronnie James Dio


Jorn Lande é um cantor norueguês de heavy metal que nada deve aos deuses do gênero e do classic rock. Elogiado pela versatilidade e pela qualidade técnica, mantém uma ativa carreira solo e já cantou em bandas importantes, como Company of Snakes e Masterplan (para a qual voltou recentemente).

Não perdeu tempo quando soube da morte de Ronnie James Dio, um dos seus ídolos e inspiração para que se tornasse cantor. Dio morreu aos 67 anos de câncer no estômago na semana retrasada.

Em menos de dez dias finalizou a melhor homenagem até agora feita ao vocalista morto. "Song for Ronnie James" deverá ser a faixa de abertura do próximo trabalho solo do cantor, "Dio", totalmente dedicado à obra de seu ídolo.

Lande já trabalhava no projeto antes da morte de Dio. Por mais que se fale em oportunismo, e não é o caso, não há como não atentar para a "coincidência" do lançamento da música e do CD, que chega às lojas em julho.

Não importa. Jorn Lane é um dos cinco melhores cantores de rock da nova geração e seu trabalho em "Song for Ronnie James" é estupendo.



JORN LANDE - "SONG FOR RONNIE JAMES"

sábado, maio 22, 2010

A diplomacia brasileira em seu devido lugar


O Conselho de Segurança da ONU tratou de enterrar devidamente a diplomacia terceiromundista e incompetente do Brasil. Até mesmo com o apoio de China e Rússia, discute-se o tamanho de novas sanções ao Irã, ignorando o tal acordo mediado por Lula e pelo primeiro-ministro turco, outro ingênuo que foi ludibriado pelos picaretas do país dos aiatolás.

Humilhação é pouco para descrever o que ocorreu com a diplomacia brasileira, que foi colocada em seu devido lugar: a irrelevância e a insignificância total. Parabéns, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim.
Pela extinção da Virada Cultural


A Virada Cultural de São Paulo é uma ideia maravilhosa que perde o encanto a cada edição. A sexta, que ocorreu neste final de semana, teve muitas atrações interessantes e foi mais diversificada. Mas cresceu demais, especialmente no centro da cidade, que não está preparado para o tamanho atual do evento.

Além disso, está claro que a população da Grande São Paulo – reflexo também da população brasileira – não merece um evento maravilhoso como esse. A falta de educação e civilidade ficaram evidentes. Foram inúmeras as brigas, arruaças e atos de vandalismo.

O policiamento ficou aquém do necessário na região central, mas assim mesmo, qualquer que fosse o contingente, não daria conta de conter uma verdadeira horda de gente sem educação e completamente bêbada – nada contra os bêbados, mas contra os que não sabem beber e arrumam confusão.

Infelizmente, a recente festa do 1º de Maio em São Bernardo foi uma péssima mostra do que viria a ocorrer na Virada Cultural de São Paulo. Enquanto não houver educação, o povo não merece eventos gratuitos de qualidade.

E não se trata de educação formal. É coisa de civilidade mesmo, coisa que se aprende em casa, no convívio com amigos e na escola. Defendo a extinção da Virada Cultural.
Direitos humanos: Lula conserta o ‘frankenstein’


O presidente Lula consertou o defeituoso e enviezado Programa Nacional de Direitos Humanos. Limpou os excessos que davam margem para intervenções e censura aos meios de comunicação e que permitiam o revisionismo da Lei da Anistia de 1979, entre outras coisas.

Também tirou do ar os artigos que ampliavam as situações em que o aborto legal era permitido e acabou com o absurdo de dificultar a reintegração de posse de propriedades rurais invadidas.

O 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos reunia, em sua versão inicial, uma quantidade tão grande de absurdos e bobagens que custava crer que realmente tivesse sido elaborado por um governo sério.

Lula restabeleceu as coisas e colocou tudo nos seus devidos lugares. Não se pode legislar por decreto sobre assuntos como a Lei da Anistia, eliminar o direito de propriedade, oficializar a intervenção e a censura aos meios de comunicação e a descriminalização do aborto. Isso é passar por cima do Congresso e ignorar a socieade.

O mais grave foi a tentativa de malandragem de fazer todas essas bobagens passar dentro de um projeto imenso e esquizofrênico na calada da noite com o objetivo de ludibriar o presidente da República.

Paulo Vannuchi, secretário nacional de Direitos Humanos, é uma pessoa séria e respeitada, mas cometeu erros imperdoáveis ao tentar atender a reivindicações estapafúrdias e inaceitáveis e fazê-las passar de forma pouco elogiosa. Não pode continuar no seu cargo.

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Também não pode permanecer no governo o secertário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Seu relacionamento no mínimo intenso com um acusado de contrabando é um dos maiores absurdos já observados em qualquer governo no mundo.

Pior, o chinês Li Kwok Kwen, o acusado de contrabando em proporções literalmente chinesas, se fazia passar por autoridade do governo brasileiro na China. Como é possível que Tuma Júnior tenha ocupado tal cargo?

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A única voz na imprensa brasileira que se insurge contra a idnependência do Banco Central é a do veterano jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo. Ele considera que é um atentado à democracia que um “funcionário subalterno, como o presidente do BC, não possa ser questionado pelo presidente da República, seu chefe e patrão”.

O raciocínio é torto e omite, talvez de forma proposital, a verdadeira função de um Banco Central na economia e na política econômica de um país.

A solução adotada no Brasil não é a ideal, já que o presidente do BC é nomeado pelo governante de plantão, criando um evidente conflito de interesses.

A chamada autoridade monetária é um órgão eminentemente técnico, que não pode ficar à mercê dos ventos políticos do ocupante do Palácio do Planalto, por mais que este defenda e mantenha a independência de atuação do BC.

Apesar desa deformação de estreutura governamental, fez bem Lula em dar apoio e autonomia a Henrique Meirelles no Banco Central.

Enquanto não atingimos o mesmo esquema que vigora na maioria dos países europeus, onde o Banco Central é independente e seu presidente é escolhido deforma técnica, não pelo governo, a postura de Lula tem de ser elogiada e mantida.

O Banco Central não pode ficar à mercê da politicalha ideológica e partidária, coisas nefastas que podem destruir a economia de uma nação. E torçamos para que José Serra não seja eleito, já que é um “inimigo” da independência do BC.
Ninguém ganha quando há censura



Instigado por um alerta do assíduo leitor Antonio Sena, de São Bernardo, vale o questionamento: como se posicionar diante da decisão judicial em favor do prefeito Luiz Marinho que impede o Diário do Grande ABC de citar o nome do prefeito em reportagens sobre o descarte de móveis nas repartições públicas de São Bernardo?

Escrevi no final de semana mais uma crítica a respeito do silêncio da sociedade, em especial do PT e de lideranças de esquerda, sobre a censura prévia imposta pela Justiça Federal ao Estadão por conta de reportagens sobre irregularidades cometidas por um filho do senados José Sarney.

A censura prévia determinada pela Justiça já dura 284 dias e é um dos episódios mais indecentes da história recente do Brasil, e que está sendo veementemente condenada mundo afora.

No texto anterior, não sabia ainda da determinação judicial que beneficiava o prefeito Marinho. Não gostei do desfecho do episódio, ainda que seja provisório e caiba recurso.

Abomino toda e qualquer restrição à liberdade de imprensa, opinião e expressão. Qualquer tipo de censura é odiosa. Censura prévia é a mais odiosa de todas.

A diferença entre os dois casos é que o DGABC ainda conseguiu publicar a primeira matéria. O Estadão nem esse direito teve, já que o desembargador que tomou a decisão, além de ser incompetente e leniente, é amicíssimo da família Sarney.

De qualquer forma, a iniciativa do prefeito e a decisão que lhe foi favorável pegou muito mal. Marinho sempre teve uma relação boa com a imprensa e com os jornalistas.

Aprendeu bastante como presidente nacional da CUT e melhorou muito a sua postura como ministro da Previdência e do Trabalho. São quase 30 anos de militância política e sindical, e igual experiência com jornalistas. Sabe como a imprensa funciona.

A tentativa de censura ao DGABC não apenas atenta contra a liberdade imprensa e de expressão, mas contra uma biografia pública marcada pela defesa da democracia, defesa intransigente dos direitos humanos, de liberdade de expressão e de opinião.

Pior ainda: dá oxigênio ao cada vez mais irrelevante e moribundo DGABC, um jornal que perde prestígio e credibilidade a cada dia.

É notória a campanha abjeta que o jornal faz contra a Prefeitura de São Bernardo e Marinho. Só que a incompetência para fazer isso é tão grande que o jornal frequentemente é desmoralizado nas ruas, nas bancas de jornais e nas redações de veículos diversos por aí.

Quando Marinho consegue decisão judicial que censura a continuidade das reportagens sobre assunto, dá importância a um assunto que não merece esse destaque - o texto original é muito ruim, cheio de falhas e “buracos”, mal escrito e malfeito.

A questão devolve, ainda que momentaneamente, uma importância indevida que o tal jornal não tem mais e não terá mais.

E encobre o competente trabalho que a assessoria de imprensa de São Bernardo no desmonte dos ataques mais estapafúrdios do DGABC contra a administração Marinho - não que isso seja difícil, já que falta competência mínima ao jornal.

Com o fim da execrável Lei de Imprensa, a Justiça se tornou o local adequado para resolver questões de dano moral, calúnia, injúria e difamação. Quem se sente lesado tem todo o direito de ir à Justiça e processar quem quer que seja.

No entanto, recorrer à Justiça para se prevenir contra o dano/dolo eventual, antes mesmo que seja praticado, apenas e tão somente por haver uma presunção de que ocorrerá, é inaceitável sob todos os aspectos.

Assim como o Estadão, o DGABC tem de recorrer da decisão e denunciar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) o magistrado inepto que tomou a decisão de censurar as reportagens.

Cabe a Luiz Marinho, de posse de todos os textos que venham a ser publicados sobre o assunto, derrubar todos os pontos da frágil reportagem e processar o DGABC por danos morais. É assim que se faz em uma democracia moderna e em sociedades civilizadas e livres, como se supõe que seja, ainda que em partes, no Brasil.

O novo torcedor


O novo torcedor de futebol é mais exigente e gasta mais. Só que quer conforto e ser muito bem tratado. Enfim, o novo torcedor entendeu que é um consumidor, e que está disposto a pagar mais, se for o caso, para ter acesso a um espetáculo decente.

A diretoria do Corinthians deverá anunciar em breve, se é que já não o fez, que vai dobrar o preço dos ingressos das partidas do time nas fases seguintes da Copa Libertadores.

O chamado torcedor comum corintiano já tem hoje poucas chances de assistir a um jogo da equipe no estádio do Pacaembu por conta da política de arrecadação ao extremo de dinheiro.

Parte dos ingressos é destinada às nefastas torcidas organizadas, que sustentam politicamente a diretoria. O restante, a imensa maioria dos bilhetes restantes, está disponível aos torcedores que adquiriram o pacote sócio-torcedor, com privilégios na hora de compra de produtos e entradas.

A política adotada agora pelo Corinthians é a mais exacerbada de uma tendência que é sucesso no Rio Grande do Sul, onde Internacional e Grêmio lotam suas arenas com sócio-torcedores que compram carnês para campeonatos inteiros.

Palmeiras, Santos e São Paulo já seguem essa tendência com mais antecedência e planejamento que a diretoria do Corinthians. No Parque Antártica, estádio palmeirense, uma operadora de cartão de crédito fez a sua experiência pioneira em São Paulo.

“Loteou” uma parte das arquibancadas do estádio e instalou 5 mil lugares numerados, onde o torcedor paga mais caro, mas pode comprar o ingresso pela internet e entrar no estádio apenas passando o cartão de crédito na catraca eletrônica.

Seu bilhete é numerado, ou seja, tem cadeira garantida. É recepcionado por monitores bem treinados e bilíngues e, se quiser, tem acesso a uma lanchonete high tech perto de seu assento, com várias TVs de LCD que transmitem a partida.

A iniciativa foi um sucesso. Deu tão certo que a mesma operadora de cartões de crédito levou a ideia para a Vila Belmiro, estádio do Santos, e para o Morumbi, que é do São Paulo.

Os dirigentes do São Paulo, por sua vez, implantaram um esquema bem interessante de venda de camarotes fechados para empresas ou grupos.

Para isso, teve de reduzir a capacidade do estádio no anel intermediário, mas consegue arrecadação extra que jamais teria se tivesse de vender ingressos das antigas “cadeiras numeradas”.

Muitas vozes do atraso já se levantam e ficam batendo na mesma tecla, a da elitização do futebol, o esporte nacional do Brasil. Com um viés equivocado e ideologizado, esbravejam contra o que chamam de “exclusão” social nos estádios do país.

Pura bobagem. São os mesmos coitados que se calam diante da “elitização” dos teatros brasileiros, com seus ingressos que não custam menos de R$ 60. E que também se calam com ingressos que custam até R$ 25 nos cinemas, hoje enclausurados em shopping centers.

Esse pessoal se esquece que os frequentadores de teatro e cinema atuais não reclamam do preço que pagam, pois sabem que terão conforto, segurança e boas condições de assistir ao espetáculo.

Essas mesmas vozes do atraso também se calam diante do descalabro que se tornou a emissão de carteiras de estudante falsas em todo o país, causando prejuízos a agentes culturais e esportivos.

A tendência do futebol brasileiro de primeiro nível é a já observada na Inglaterra, Espanha e Alemanha e em alguns estádios da Holanda. O espetáculo cresceu, ficou maior, e mais caro. Os clubes precisam arrecadar mais e não podem desprezar a bilheteria.

A Inglaterra mudou a sua cultura futebolística, com a modernização das renas, da profissionalização dos clubes e com o aumento dos ingressos, o que acabou por afastar bandidos, hooligans e desordeiros de toda a ordem.

Não há registros nos últimos 15 anos de insatisfação dos torcedores ingleses com o enriquecimento de seus clubes e da melhora geral no espetáculo. Que seja bem-vindo o novo torcedor.