quarta-feira, setembro 15, 2010

A pirataria avança e permanece impune


A pirataria de DVDs e CDs e de qualquer outra coisa está avançado rapidamente no ABCD e na Capital. Qualquer travessinha das áreas centrais tem o seu camelô, com sua banquinha, com cópias de filmes que mal estrearam no cinema.

Quer assistir a “Salt”, em cartaz com Angelina Jolie e Liev Schreiber? Os caras têm. “Origens”, com Leonardo di Caprio? Tá não, dotô. Três cópias por R$ 10. Ou então duas por R$ 5. Programas de computador? Aparelhos de MP3, Mp4, MP5, MP7, MP12? Facinho, a precinhos baixos. Falsificados? E qual é a diferença?, responde o criminoso cara-de-pau?

No centro de Santo André, por exemplo, os camelôs e pirateiros montam suas banquinhas nas portas de padarias e comércios lotados. E fazem a festa.

Em São Bernardo, a pirataria estava restrita ao entorno da Praça Lauro Gomes, no centro. Agora se espalham para a avenida Kennedy, para a avenida Francisco Prestes Maia, para as travessas da avendia Jurubatuba.

Em Diadema, o crime rola solto à luz do dia no entorno do novo shopping center e nas travessas que dão acesso ao trólebus. Ninguém é incomodado. Policiais civis e militares veem o que acontece, mas estranhamente parecem impedidos de agir.

O crime organizado metido com a pirataria tomou conta dos centros das cidades do Grande ABCD. Em Guarulhos, as porcarias são vendidas dentro de ônibus. Em Osasco, o trem é um lugar privilegiado. Compra-se de tudo.

Imagine-se então como deve ser o esquema no centro de São Paulo, na Penha, no Largo 13, em Santo Amaro…

É fato que a repressão a esse tipo de crime é mais do que necessária. Mais empenho no combate esse tipo de comércio, com prisão de quem vende e distribui esse tipo de material, tem de ser um comportamento assíduo e frequente das forças policiais.

O consumidor também não pode ficar isento. Tem de sofrer alguma sanção. Compra conscientemente as porcarias piratas, com o torpe argumento de que “é mais barato porque os produtos originais são abusivamente caros, pois quem vende rouba o trabalhador”.

É um argumento oportunista e nojento. Trabalhador decente paga seus impostos, recebe seu dinheiro e rechaça produtos de quinta categoria oriundos do crime organizado. Quem compra esse lixo apoia os bandidos. Merece ser execrado e ser punido. Quem se habilita?

segunda-feira, setembro 13, 2010

Fuja das compras pela internet


Não compre pela internet. É o que tenho recomendado a amigos e leitores nos últimos tempos. O serviço no Brasil não é confiável.

A quantidade de reclamações sobre o descumprimento do negócio por conta de empresas virtuais nacionais é enorme no Procon e no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DNPC), do Ministério da Justiça. E quem mais descumpre os negócios são as empresas gigantes.

Não se trata apenas de comprar e não receber. E comprar, não receber, ser cobrado e por um valor acima do verdadeiro. Fraude? Má-fé? Não interessa, o fato é que o esquema não funciona.

Não bastasse comprar, não receber e ser cobrado acima do valor combinado tem a fase mais complicada: lidar com o serviço de atendimento das empresas para tentar resolver o problema. São horas ao telefone para tentar reaver o dinheiro ou ao menos receber a promessa de quando receberá o produto comprado. Segundo o Procon-SP, em pelo menos 20% das ocasiões o cliente não consegue resolver.

Casos esdrúxulos como a de uma consumidora que teve um não como resposta à solicitação de reenvio do produto que não chegou. A empresa não só disse que não iria reenviar como duvidou da honestidade da consumidora paulistana. Ela, por sua vez, cancelou as compras no cartão de crédito e acabou tendo o nome enviado ao SPC pela loja virtual. Era o que a consumidora queria: por meio de advogado, entrou com duas ações por danos morais, tanto no Juizado Especial Cível, para causas mais simples e rápidas, como na Justiça comum. A indenização determinada pelo juizado foi de R$ 2 mil, depois que não houve acordo na conciliação. A consumidora considerou o valor muito baixo e exigiu mais na Justiça comum e conseguiu R$ 5 mil. A empresa recorreu, mas a sentença foi mantida. Só depois de tudo isso é que a consumidora foi procurada para negociar – proposta prontamente recusada.

Não é fácil abrir mão das facilidades que a internet supostamente oferece no comércio virtual, e é mais difícil ainda reunir paciência e coragem para acionar as empresas no Procon-SP e na Justiça. Mas só fazendo isso pra exercer a cidadania e garantir os seus direitos.

A generalização aqui é cabível, porque os problemas logísticos e o atendimento péssimo ao consumidor atingem todas as lojas virtuais brasileiras, grandes ou pequenas. Já fui assíduo comprador de CDs e livros pela internet no exterior e tive problema apenas duas vezes com mercadorias que não chegaram. Os sites não questionaram a minha honestidade. Primeiro me pediram para verificar nos Correios o que poderia ter acontecido, com o devido código em mãos; não havendo qualquer registro das mercadorias, prontamente me enviaram os produtos, sem a cobrança de frete.

Quanta diferença…

sábado, setembro 11, 2010

Saudades da CUT


Comecei a aprender alguma coisa sobre política no antigo ginásio, hoje ensino médio, lendo jornais.

As figuras predominantes na época, começo dos anos 80, eram Lula e Jair Meneguelli, então presidente da CUT, no lado do bem, e os nefastos Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia e toda uma corja que se amontoava no PMDB e no PDS (depois PFL, depois DEM), do lado do mal.

Ninguém falava de outros nomes. Gilson Menezes era um petista restrito ao ABCD como prefeito de Diadema. Djalma Bom era um petista que foi muito bem votado como deputado federal, mas também pouco ultrapassava os limites das sete cidades.

Meneguelli era o cara. Em seguida veio Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, que unificou e criou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, foi presidente da CUT e virou deputado federal. Só perdia em importância política para Lula.

Luiz Martinho trilhou o mesmo caminho de Vicentinho, ganhou projeção nacional como presidente do sindicato, subiu ainda mais como presidente da CUT, virou ministro e prefeito de São Bernardo.
Ou seja, a CUT tinha importância mais do que fundamental na política brasileira: era crucial para a existência de uma oposição séria e programática, com conteúdo. Aprendi bastante sobre política com a CUT e seus líderes.

Cadê a CUT agora? Só leio alguma coisa nos noticiários dos jornais às vésperas do 1º de Maio. A CUT sumiu dos jornais, da TV da vida cotidiana.

A Força Sindical, por seu lado, virou um feudo de um grupelho ligado ao PDT e ao deputado federal Paulinho da Silva. Submergiu da mesma forma que a CUT.

A perda de relevância – tomara que momentânea – da CUT não tem a ver diretamente com a administração do presidente Arthur Henriques.

É fruto de um processo que começou ainda nos anos 90 e, ironia do destino, acabou sendo parcialmente vítima do sucesso da política econômica que chegou ao auge no governo Lula.

Aparentemente, as pessoas precisam menos dos sindicatos e os colocaram em quarto plano em suas vidas pessoais. Ainda há demandas trabalhistas gigantescas no Brasil, mas a vida do trabalhador nos últimos oito anos, especialmente, melhorou bastante. O foco mudou.

Portanto, ou a CUT justifica seu passado e retoma a sua relevância na vida trabalhista e política do Brasil, ou terá o destino da Força Sindical e de outras pseudo-centrais, meros cartórios que servem apenas para tomar dinheiro do governo.

Da mesma forma, os sindicatos precisam se reinventar, até mesmo se tornar ONGs, com mais abrangência e mais funções sociais.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD caminha há anos nesta direção, mas precisa ser mais rápido e mais ágil. A instituição, infelizmente, também está ausente dos noticiários. Isso é ruim para a sociedade brasileira.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Cenas hilárias da eleição


A cada eleição o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio piora, e muito. A Quantidade de seres execráveis que ofendem a inteligência do eleitor é imensa, gente sem o menor pudor para expor de maneira vexatória, seja por conta das frases idiotas, pelos erros crassos de português ou simplesmente pelos nomes ridículos que adotam.

A moda agora é fazer jingles com paródias de músicas famosas. São os casos de seres inomináveis como Lindolfo Pires (DEM), um candidato a deputado estadual na Paraíba, que assassinou “Beat It”, de Michael Jackson. Escute a pérola:

http://www.youtube.com/watch?v=vpIzP09JwDE

Já o candidato a deputado estadual Claudir Maciel (PSB), cometeu o seguinte crime contra “I Want to Break Free”, do Queen, em Santa Catarina:

http://soundcloud.com/user9340729/eu-vou-votar-no-claudir-23123

Nem mesmo candidatos sérios escapam do vexame, como Cândido Vacarezza (PT), candidato à reeleição em São Paulo para deputado federal. Sua “versão” para a péssima “Rebolation” é de chorar:

http://soundcloud.com/user9340729/vaccarezza-reboletion

Mas hilário mesmo é ver gente completamente sem noção desfilar um monte de bobagens ideológicas, nas quais partidecos como PSTU e PCO são especialistas.

Uma coitada, candidata do PCO a deputada estuadal, não teve vergonha de bradar a “presença da Polícia Militar” no campus da USP, quando a corporação teve de intervir algumas vezes para tentar acabar com a baderna de grevistas e estudantes vagabundos.

Essa é a sua “plataforma”: lutar para “livrar” a USP da polícia e tornar o campus um lugar livre para a atuação de ladrões e criminosos em geral, além de permitir aos baderneiros e estudantes nem um pouco interessados em estudar fazer qualquer tipo arruaça, vandalismo e depredações.

A democracia é maravilhosa, mas às vezes é engraçada, e muitas outras bastante cansativa.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Descobriram que Itaquera existe


Onde fica Itaquera mesmo? É um bairro? É uma cidade? Quem lê os jornais paulistanos em busca de informações sobre os 100 anos do Corinthians tem a nítida impresão que a imprensa só descobriu agora o fundão da zona leste da Capital.

Repórteres escrevem sobre o local como se estivessem em outro mundo, em um lugar inóspito e habitado por tribos indígenas que nunca tiveram contato com os “ocidentais”.

É impossível não notar, além do despreparo de alguns profissionais, o preconceito implícito em muitos textos, especialmente na descrição da pobreza e da falta de infraestrutura básica no entorno do chamado centrinho de Itaquera.

O que diriam eses jornalistas, então, se soubessem da existência de locais ainda mais problemáticos em Mauá, por exemplo, ou em favelas paupérrimas na periferia de São Bernardo?

Essa espetacularização da pobreza e a falta de senso crítico ao se publicar qualquer declaração estapafúrdia sobre os supostos “beneficios” que o “suposto” estádio traria mostram claramente uma falta de compromisso como a informação.

Nenhuma publicação da Grande São Paulo se preocupou em analisar o que pode significar a obra-factoide para a região - não vai acontecer nada, não vai trazer crescimento, não vai gerar empregos, pois nenhum estádio do mundo teve esse poder.

Itaquera? Muito prazer…

terça-feira, setembro 07, 2010

À mercê da delinquência estatal


A internet é terra de ninguém desde sempre, onde são cometidos crimes variados e fraudes diversas. O roubo de dados sigilosos é coisa comum, especialmente em relação a dados bancários e senhas para qualquer coisa. O mundo ainda engatinha na tentativa de coibir e punir esses crimes – no Brasil, então, a coisa é bem pior.

Quando o crime é cometido pelo Estado, então a situação é de total descontrole administrativo e de terror institucionalizado.

A cada semana surgem novas denúncias de utilização de dados privados sigilosos para fins políticos, eleitorais e criminais. É o fim do direito constitucional à privacidade garantido pela Constituição.

Qualquer funcionário de quinto escalão consegue ter acesso a informação financeira e patrimonial de qualquer cidadão brasileiro. É uma arma poderosa demais nas mãos de funcionários públicos graduados.

Imagine então nas mãos de gente desqualificada e pronta para delinquir, dentro de um Estado aparelhado em plena campanha eleitoral.

O crime cometido por funcionários da Receita Federal – e, ao que parece, do ABCD – é hediondo. Vasculhar a vida financeira e patrimonial de adversários políticos é um atentado à democracia e ao Estado de direito.

Significa que qualquer um de nós pode ser vítima de quadrilhas instaladas na administração pública que podem usar informações de forma política ou até mesmo para chantagear, extorquir e roubar.

O governo federal demora para dar explicações. Trata a questão como se fosse uma coisa menor, uma simples “infração administrativa”.

Lamentavelmente a face mais asquerosa e preocupante do aparelhamento do funcionalismo federal se manifesta no fim do governo Lula. Quem vai nos salvar?
Mais uma lei que precisa ‘pegar’


O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.

Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.

Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.

O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.

Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.

Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.

O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.

Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.

A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.

“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.

A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.

A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).

Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.

Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.

Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.

Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.

Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.

domingo, setembro 05, 2010

Onde a civilidade venceu o oportunismo


Um empresário de São Bernardo, leitor assíduo do ABCD Maior, me alertou outro dia ( ou será que, na verdade, ele me cobrou?) sobre uma questão: a campanha da Associação Viva São Bernardo para impedir a construção do cadeião da cidade no bairro Baeta Neves, perto do centro, não pode ser enquadrada nos casos que citei outro dia a respeito de Higienópolis, Pompeia, Perdizes e Moema?

Não, eu respondi. É unânime entre especialistas em urbanismo e segurança pública a tese de que presídios e centros de detenção precisam estar em regiões isoladas ou com pouca densidade demográfica, como nos Estados Unidos e na Europa. Não foi por outro motivo que a Penitenciária do Carandiru foi desativada.

O cadeião seria construído no terreno atrás do 1º Distrito Policial para substituir a carceragem destruída e inviável daquela delegacia. Manter estruturas penitenciárias em locais densamente povoados dificulta a manutenção e eventuais combates a rebeliões e fugas – como acontece hoje em Santo André, no cadeião que fica ao lado do 4º DP, na Vila Palmares.

Além do mais, tanto em São Bernardo como em Santo André os cadeiões chegariam bem depois dos moradores, e em áreas densamente povoadas.

Sob qualquer ponto de vista a construção do cadeião de São Bernardo na avenida Armando Ítalo Setti seria um despropósito.

O Baeta Neves e o centro são áreas densamente povoada e com movimento digno de uma metrópole. Construí-lo ali seria o maior erro, pois se trataria apenas de mera conveniência, já que o terreno da delegacia é do governo do Estado.

A mobilização iniciada pela Associação Viva São Bernardo conseguiu a rara proeza de unir políticos locais que eram adversários ferrenhos. Juntos, vereadores, deputados estaduais e federais fizeram um barulho danado e chamaram a atenção do governo do Estado.

A princípio alheio à movimentação, o então prefeito Maurício Soares (na época no PSB), então com boas relações com o Palácio dos Bandeirantes, evitou se envolver no assunto para não melindrar aliados, até que sua aguçada sensibilidade política percebeu o tamanho da encrenca.

Soares decidiu encampar o pleito depois de certa pressão de aliados municipais e usou seu ótimo relacionamento com o governador Mário Covas para ajudar a administração estadual a desistir da ideia e alterar o local do cadeião.

Mesma sorte não tiveram os moradores da Vila Palmares, de Santo André. Não houve movimentação popular forte o suficiente para chamar a atenção de políticos andreenses do prefeito de então para barrar o cadeião na área do 4º DP. Isso só aumenta o mérito da Associação Viva São Bernardo.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Civilidade x oportunismo


Três “manifestações” de associações de moradores da Capital neste final de semana chama a atenção para a total falta de espírito público e cívico de “entidades” que se dizem representantes de parcelas importantes da população.

Primeiro foram habitantes do rico bairro de Higienópolis que se armam contra a construção de uma eventual construção de estação de metrô, dentro da expansão da chamada linha 4, que ligará a Estação da Luz à Vila Sônia, próximo ao Morumbi.

Repórteres da Folha de S. Paulo ouviram de alguns comerciantes e moradores que “quem mora em Higienópolis não anda e não precisa de metrô”.

Que beleza, não é mesmo? E quem trabalha para esse tipo de ser execrável, será que não precisa de transporte público? Empregadas domésticas e comerciários que ali trabalham têm carro? Será que os patrões de Higienópolis pagam tão bem assim?

Após a publicação da reportagem da Folha, um jornalista do Estadão, que mora no bairro, narrou o que ouviu em uma cafeteria chique da praça Buenos Aires no último final de semana: “Não queremos esse tipo de gente (pessoas que andam de metrô) andando por aqui”.

A autora da frase era uma perua maquiada e usando casaco de pele, tentando domar seus três cachorros da raça Yorkshire Terrier.

Nos vizinhos Pompeia e Perdizes o alvo é a futura Arena Palestra, o estádio moderno que se supõe que será construído no local onde hoje está o Estádio Palestra Itália, o Parque Antártica.
O movimento de algumas associações é para que o Ministério Público investigue e barre a obra para 45 mil pessoas, alegando que irá inviabilizar a vida e o trânsito na zona oeste.

Já em Moema, os opositores ao aeroporto de Congonhas acordaram da hibernação e prometem mais barulho para fechar o “aeródromo”.

Sobre o nojento e asqueroso caso de Higienópolis, nada a acrescentar a esse episódio lamentável. Nos outros dois, só um detalhe: o aeroporto foi construído em 1936, quando Congonhas era um bairro afastado e desabitado.

O estádio Parque Antártica existe desde 1920, quando havia apenas algumas vilas no local. Portanto, chegaram primeiro. Os bairros, as casas chiques, os edifícios e os shoppings chegaram muito tempo depois.

Quem se estabeleceu por lá já sabia disso, pois é meio difícil deixar de perceber o estádio e o aeroporto. Portanto, ninguém pode reclamar de nada.

Um diretor do Palmeiras, clube dono do Parque Antártica, resumiu bem a questão: “O entorno do estádio ganhou recentemente dois shoppings centers enormes, várias torres residenciais e um complexo comercial e de escritórios gigante na avenida Francisco Matarazzo, e não me lembro de nenhum morador ter reclamado.”

São três exemplos dos mais nefastos de como os interesses privados podem entrar em conflito com as regras mais básicas da civilização.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Uma biografia que poderia passar sem essa


O candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, é um homem honrado e de passado de invejar qualquer ser humano.

Foi um dos pilares do PT durante os anos 80. Ao lado de gente como Eduardo Suplicy, Cristóvão Buarque e muitos outros, representava a reserva moral do partido e, por que não, da política brasileira.

Mesmo defendendo hoje posições antiquadas e emboloradas, é impossível dissociar sua imagem à do grande orador e intelectual que é e que sempre representou o que de melhor o PT agregou desde a sua fundação.

Por tudo isso, não fico feliz de vê-lo hoje, aos 80 anos, no papel de animador de debates, já que não tem a menor chance de qualquer coisa na disputa.

Independentemente de concordar ou não com suas posições políticas, não é confortável vê-lo satirizando os protagonistas, fazendo blagues e até mesmo contando piadas.

Esse é o papel para gente que não se leva a sério, do nível de Levy Fidelix, de figuras folclóricas, como qualquer candidato do PCO ou do PSTU. Mesmo se fosse Heloísa Helena que estivesse no lugar de Sampaio, com certeza estaria deslocada e fora de sintonia. A biografia de Sampaio não precisa disso.

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Leio estarrecido no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo desta sexta-feira que uma moradora de São Paulo, Aline Sasahara, ficou feliz da vida ao receber uma recenseadora do IBGE. Estava contente em participar do censo 2010.

Seu humor, no entanto, quando teve de responder à pergunta “quem era a pessoa responsável por aquele domicílio.” Segundo o IBGE, “é a pessoa reconhecida como tal pelos moradores”. Como Aline ainda não tem filhos, mora somente com o marido em casa.

Como dividem as despesas, a resposta foi óbvia: eu e meu marido somos os responsáveis. Só que o sistema operacional no qual o censo 2010 está baseado, ou seja, o programa de computador, não aceita tal resposta. O formulário só aceita uma pessoa como responsável. Qualquer resposta diferente disso impede o sistema de continuar a pesquisa.

Ter de suportar conceitos completamente fora da realidade em pleno século XXI é demais para qualquer ser pensante. Dizer que se trata de um detalhe irrelevante é jogar no lixo parte considerável dos resultados da pesquisa.

Aparentemente é um equívoco da pesquisa. Entretanto, é revelador de como pensam parte dos intelectuais que elaboraram os formulários e o próprio conceito do censo.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Salvando a TV Cultura


Merece elogios a iniciativa de dois sindicatos de São Paulo, o dos Jornalistas e dos Radialistas e Profissionais de TV, de lançar a campanha “Salve a TV Cultura”. A nova administração da Fundação Padre Anchieta, que tem como presidente o economista João Sayad, promete dizimar a emissora.

Ele garante que não haverá demissões, mas, assim como todos os integrantes das administrações tucanas e demos, o economista não tem credibilidade.

A TV Cultura é vítima de sucateamento desde o primeiro governo Mário Covas, lá nos anos 90. A corte de verbas e de funcionários foi contínuo, destroçando a programação e qualidade de seu departamento de jornalismo.

Além da questão corporativa, já que os dois sindicatos prometem lutar e protestar contra eventuais – ou prováveis demissões –, as entidades querem que as características de TV pública da emissora sejam respeitadas.

Ao contrário da TV Brasil – criada de forma casuística pelo governo federal e cuja programação é secreta, porque ninguém a assiste (falta muita qualidade, em minha opinião – a Cultura apresentou quase sempre níveis notáveis de qualidade jornalística e de programas educativos e culturais.

Depois da TV Globo, é a emissora com maior número de prêmios internacionais, e sempre se destacou, em nível gerencial, por blindar sua programação (na medida do possível), das interferências políticas.

Isso era fato até o final do século passado, quando os tucanos acentuaram a política de sucateamento da emissora e as constantes mudanças nas diretorias e nos principais cargos do departamento de jornalismo.

Tenho profundas discordâncias com as diretorias dos dois sindicatos em relação ao conceito de TV pública – o modelo histórico da TV Cultura é bem mais adequado do que o chapa-branca da TV Brasil. Mas creio que a iniciativa é bastante louvável.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Os limites do discurso radical



O discurso radical tem limites? Essa é uma discussão interessante e pertinente levantada por uma reportagem obrigatória para quem se interessa por política e cultura publicada recentemente no jornal O Estado de S. Paulo, no caderno C2+Música.

O repórter Júlio Maria traça um perfil cuidadoso da decadência do rap na periferia paulistana, e sua substituição pelo intragável funk de inspiração carioca – nada a ver com o maravilhoso ritmo negro surgido nos Estados Unidos e que dominou as grandes cidades daquele país entre 1950 e 1980.

Sem desvios nem elucubrações, o autor vai direto à questão, com base em depoimentos dos próprios rappers: o gênero deixou de ser atrativo aos jovens, as letras de protesto e violência perderam a contundência, e a crítica social tornou-se um discurso vazio e sem penetração nos bairros.

A molecada do Capão Redondo e do Jardim Ângela, na zona sul da Capital, nem pensa duas vezes antes de revelar a sua preferência pela versão local ainda mais paupérrima do funk carioca: “MV Bill e Mano Brown já eram por aqui. A gente tá a fim mesmo de ir atrás da mulherada. Rap espanta as meninas”, diz um garoto de 15 anos chamado Guto, morador do Capão.

A derrocada do rap na periferia mais barra pesada da Grande São Paulo é uma tendência em toda região, menos em Diadema, onde o gênero, aliado ao hip-hop, está totalmente enraizado na cultura da cidade e da comunidade.

Essa situação coincide com o aprofundamento da guetificação do rap, basicamente em razão dos episódios violentos e de depredação verificados em grandes eventos realizados em 2007 e 2008 na Capital.

Os chamados radicais do movimento entraram em conflito com a polícia em um show dos Racionais MCs na Praça da Sé, na Virada Cultural de 2007, o que espantou investidores e organizadores de eventos do rap.

No ano seguinte, um encontro envolvendo rap e grafite terminou com pichação e depredação das instalações, o que provocou o cancelamento de diversos eventos e levou a Prefeitura de São Paulo a praticamente excluir o rap de sua programação cultural.

O texto do Estadão mostra os moderados do gênero admitindo que a situação é ruim e que uma mudança é necessária, tanto em termos de discurso como em atitude. Por outro lado, os “tradicionalistas” resistem e pregam não só a manutenção do radicalismo como o acirramento do discurso.

Enquanto isso a praga do funk prolifera. Como gênero musical e lírico, não atribuo muito valor ao rap, mas o considero uma manifestação cultural urbana muito importante, de inestimável valor sociológico e educacional. É a voz mais poderosa das periferias. Sua crise e seu encolhimento, mesmo que momentâneo, é ruim em todos os sentidos.

Que a consciência da realidade demonstrada pelos moderados do rap ilumine também certos setores da sociedade ainda contaminados com ideias emboloradas, que remetem à época do Muro de Berlim.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Mais uma lei que precisa "pegar"


O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.

Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.

Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.

O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.

Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.

Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.

O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.

Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.

A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.

“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.

A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.

A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).

Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.

Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.

Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.

Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.

Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.

domingo, agosto 22, 2010

Fuja das compras pela internet



Não compre pela internet. É o que tenho recomendado a amigos e leitores nos últimos tempos. É chato começar o meu primeiro texto para o Laboratório de Temas sugerindo a fuga do comércio virtual, mas o serviço no Brasil não é confiável.

A quantidade de reclamações sobre o descumprimento do negócio por conta de empresas virtuais nacionais é enorme no Procon e no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DNPC), do Ministério da Justiça. E quem mais descumpre os negócios são as empresas gigantes.

Não se trata apenas de comprar e não receber. E comprar, não receber, ser cobrado e por um valor acima do verdadeiro. Fraude? Má-fé? Não interessa, o fato é que o esquema não funciona.

Não bastasse comprar, não receber e ser cobrado acima do valor combinado tem a fase mais complicada: lidar com o serviço de atendimento das empresas para tentar resolver o problema. São horas ao telefone para tentar reaver o dinheiro ou ao menos receber a promessa de quando receberá o produto comprado. Segundo o Procon-SP, em pelo menos 20% das ocasiões o cliente não consegue resolver.

Casos esdrúxulos como a de uma consumidora que teve um não como resposta à solicitação de reenvio do produto que não chegou. A empresa não só disse que não iria reenviar como duvidou da honestidade da consumidora paulistana. Ela, por sua vez, cancelou as compras no cartão de crédito e acabou tendo o nome enviado ao SPC pela loja virtual. Era o que a consumidora queria: por meio de advogado, entrou com duas ações por danos morais, tanto no Juizado Especial Cível, para causas mais simples e rápidas, como na Justiça comum. A indenização determinada pelo juizado foi de R$ 2 mil, depois que não houve acordo na conciliação. A consumidora considerou o valor muito baixo e exigiu mais na Justiça comum e conseguiu R$ 5 mil. A empresa recorreu, mas a sentença foi mantida. Só depois de tudo isso é que a consumidora foi procurada para negociar – proposta prontamente recusada.

Não é fácil abrir mão das facilidades que a internet supostamente oferece no comércio virtual, e é mais difícil ainda reunir paciência e coragem para acionar as empresas no Procon-SP e na Justiça. Mas só fazendo isso pra exercer a cidadania e garantir os seus direitos.

A generalização aqui é cabível, porque os problemas logísticos e o atendimento péssimo ao consumidor atingem todas as lojas virtuais brasileiras, grandes ou pequenas. Já fui assíduo comprador de CDs e livros pela internet no exterior e tive problema apenas duas vezes com mercadorias que não chegaram. Os sites não questionaram a minha honestidade. Primeiro me pediram para verificar nos Correios o que poderia ter acontecido, com o devido código em mãos; não havendo qualquer registro das mercadorias, prontamente me enviaram os produtos, sem a cobrança de frete.

Quanta diferença...

sexta-feira, agosto 20, 2010

Por que filmes ruins têm finais previsíveis?


Uma empresa de engenharia que jamais construiu uma casinha de bonecas foi escolhida pelo governo do Ceará para reformar o Castelão, o estádio de Fortaleza para a copa de 2014. A empresa Marquise apresentou laudos fajutos de um escritório falido para se “habilitar” a reconstruir um estádio.

A Marquise pertence a pessoas muito chegadas a funcionários de altíssimo escalão do governo Cid Gomes. A escolha desta empresa já havia sido antecipada há mais de um mês por pelo menos três veículos de comunicação.

Por que será que não me espanta esse caso de “tráfico de influência”, para não dizer de corrupção? Essa será a tônica nos negócios da Copa.

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Por que será que era previsível a “descoberta” de tráfico de influência e incompetência monumentais nos Correios?

Por que será que a queda drástica na qualidade dos serviços dessa que já foi uma das maiores empresas públicas do Brasil está sendo atribuída ao loteamento político de suas diretorias para apaniguados do PMDB e PTB, partidos conhecidos como fisiológicos e tolerantes com a corrupção?

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Trem-bala inútil e totalmente desncessário, que deverá custar R$ 33 bilhões, dinheiro suficiente para restaurar e ampliar toda a malha ferroviária do Brasil, ou então ampliar ou implantar metrôs em várias regiões metropolitanas do Brasil.

Alguém tem dúvidas a respeito da ocorrência de negociatas e corrupção pura e simples nesta “obra”? A quem interessa a “rapidez” na decisão de realizar essa obra estapafúrdia?

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Em que pé está o tão alardeado projeto de reestruturação viária de São Bernardo, coordenado por Eurico Leite, que foi secretário do governo William Dib (então no PPS)?

quarta-feira, agosto 18, 2010

Comentários esparsos


Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, foi muito mal no debate da TV Bandeirantes, mas melhorou demais nas entrevistas individuais que deu em seguida, especialmente no Jornal Nacional. Mostrou-se firme, determinada e enfrentou a má postura dos apresentadores.

José Serra, do PSDB, também foi bem no Jornal Nacional, mas ainda não cativa o eleitorado indeciso. É muito professoral e pedante. Não está sendo páreo para Dilma nas entrevistas neste momento.

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Aloízio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, precisará de muito mais conteúdo do que as batidas críticas ao preço dos pedágios. Não que ele não tenha conteúdo, o problema é que ele está muito atrás de Geraldo Alckmin, do PSDB, nas pesquisas de intenção de voto. Terá de se reinventar para almejar alguma coisa nestas eleições.

Ele é de longe o melhor candidato do pleito. Entretanto, ele luta contra dois problemas complicados: o desconhecimento de sua candidatura por parte do eleitorado e certa rejeição entre os eleitores mais escolarizados e informados por conta de episódios no Congresso em que acabou voltando atrás mesmo tendo suas posições pisoteadas pelo Palácio do Planalto e pelo partido.

Suas chances devem melhorar um pouco com o começo da propaganda política na televisão, mas talvez não seja suficiente para eliminar a enorme distância que o separa de Alckmin. Perde o povo de São Paulo, infelizmente.

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O desempenho de Mercadante no debate da TV Bandeirantes, aliás, foi bom, mas o candidato precisa ser mais contundente, especialmente em um evento onde Geraldo Alckmin foi o alvo e ficou isolado tentando se defender das patadas (totalmente merecidas).

O petista insistiu bastante nas mesmas teclas e ficou repetitivo. O apoio que recebeu em alguns momentos de Celso Russomano e Paulo Skaf agravou essa questão, ajudando a tornar o debate quase insuportável. Deu dó de Alckmin…

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Quem será o próximo técnico da seleção brasileira? Mano Menezes não resiste até o começo de 2011. Corre o risco de ficar marcado como o técnico que comandou a pior seleção de todos os tempos.

O jogo contra os Estados Unidos não deve ser levado em consideração pela fragilidade extrema do adversário, escolhido a dedo pela CBF e pela emrpesa que organiza os amistosos da seleção.

Uma equipe nacional que joga em casa tendo a torcida majoritariamente contra não pode ser levada a sério. Lembra a Portuguesa e o São Caetano quando jogam em casa contra times grandes de São Paulo e outros como Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Bahia, Sport e mais alguns…

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Alguns leitores me provocam por conta das minhas críticas aos excessivos elogios ao mediano tiome do Santos, com seus moleques impertinentes e folgados, que ainda precisam jogar muito, mas muito para merecerem rótulos como “bom jogador”.

As duas partidas das finais da Copa do Brasil só reforçaram o que acho da atual equipe litorânea: é aquele cachorro que é valente e late grosso quando está em seu quintal, protegido pelas paredes e por grades; fora de casa não passa de um pequinês mansinho que aceita a pressão do adversário. Foi assim em Salvador e foi assim na segunda partida decisiva do Paulistão, no Pacaembu.

Mas o chato mesmo é o comportamento de torcedor de time pequeno que os santistas adotam, quando afirmam de cinco em cinco minutos que o time é bom, é o melhor e outras bobagens.

Isso acontece provavelmente porque sabem que o Santos na verdade nunca passou de uma Ponte Preta que teve Pelé e seus 12 anos de glória. Ou será que o time da praia não passa de um Bragantinão?
A política do bocejo


O primeiro debate entre os presidenciáveis na TV foi vítima de uma grande infelicidade - ou seria falta de atenção/inteligência? Ocorreu simultaneamente ao jogo entre São Paulo e Internacional pela Copa Libertadores, em jogo que valia vaga para a final.

Para azar dos organizadores e dos presidenciáveis, o jogo foi excelente em todos os quesitos, como deve ser uma semifinal de torneio continental.

Nâo bastasse isso, o debate provocou sono. Nenhum dos quatro candidatos presentes se mostrou digno de dirigir o país. Sobrou retórica vazia, faltaram argumentos e propostas sérias. Uma palestra de física quântica para crianças com certeza seria muito mais interessante.

José Serra (PSDB) se mostrou perdido e sem foco, buscando o ataque sem sucesso. Dilma Rousseff (PT) ficou na defesa o tempo todo. Não comprometeu, mas se mostrou muito fraca na TV e extremamente dependente de um roteiro pré-estabelecido. Em algumas passagens demonstrou ter problemas para encontrar conteúdo em suas respostas.

Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) eram apenas figurantes, sendo que este não foi levado a sério por ninguém - provavelmente nem por ele mesmo.

Era visível que os dois principais candidatos estavam mais contidos e que houve nervosismo no começo do debate. A tendência é que haja uma melhora nos próximos debates, ainda que tenhamos de aguentar algumas piadinhas e a total irrelevância de Sampaio.

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Plínio de Arruda Sampaio é uma excrescência em pssoa, uma piada em si mesmo. Não teve a menor vergonha ao pregar o crime durante o debate - a invasão de terras e a supressão de propriedade privada. Ainda prega a luta de classes, nada mais absurdo e fora de moda.

A plataforma política retrógrada de seu partideco é o que há de mais estapafúrdio no espectro político brasileiro. Está pelo menos 130 anos atrasada.

Mas o pior mesmo é defender o crime, ao dizer que vai incentivar as invasões de terra. Não bastasse, ainda prega o calote na dívida pública e na dívida interna. Prega a irresponsabilidade. Como ele e seu partido são irrelevantes em todos os sentidos, apenas faz rir.

Já Marina Silva pelo menos tem vergonha e bom senso e foge dessa tralha ideológica execrável e embolorada. Como candidata, ela representa o retrocesso em todas as áreas, entre outras coisas porque é ambientalista e evangélica, mas ao menos demonstra tino político ao defender a democracia e o diálogo.

sábado, agosto 14, 2010

Caos aéreo de volta, torcidas em festa e insanidades variadas


uita gente desandou a tratar a questão dos problemas dos aeroportos do país como se fosse mera briga política entre o presidente Lula e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que criticou (com razão) a lentidão nas obras para a Copa de 2014.

Mas eis que nesta segunda-feira os passageiros da Gol enfrentaram uma onda de atrasos e cancelamentos de voos pelos País. Os problemas, diz a empresa, foram provocados por uma pane no sistema que define a escala de trabalho das tripulações, além de sobrecarga na malha área gerada pelo fim das férias.

Mas, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), a decisão de cancelar voos partiu da companhia, para evitar que funcionários voassem mais do que a legislação permite.

Dos 711 voos programados pela Gol entre meia-noite e às 20 horas de ontem, 373 (52,5%) registravam atrasos iguais ou superiores a 30 minutos e 90 (12,7%) haviam sido cancelados, conforme balanço da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Ignorar as deficiências do sistema aeroportuário e seu criminoso atraso nas obras é desonestidade intelectual. Defender a Copa de 2014 no Brasil é irresponsabilidade.

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Fórmula 1 é esporte? Já foi, hoje não é mais. O episódio Felipe Massa-Fernando Alonso no Grande Prêmio da Alemanha só explicitou pela segunda vez o que é corriqueiro na categoria: as vitórias são definidas e decidas nos escritórios e boxes.

Nos três episódios recentes de manipulação de resultados, três pilotos estavam envolvidos, e sempre fazendo o pior papel, o do covarde e subserviente.

Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet e Felipe Massa são gente da pior espécie, capachos e moleques de recado, sempre dispostos a lamber as botas dos chefes de equipe. Merecem a lata de lixo da história.

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Como já era esperado, a polêmica levantada pelo bonequinho de ventríloquo que é o vice da chapa de José Serra morreu de inanição.

As estapafúrdias acusações e alegações agora abraçadas pelos tucanos de que o PT é aliado dos criminosos colombianos das Farc não se sustentou nem por uma semana, mesmo com revistas semanais “pilhando” o assunto.

Deste episódio insano e ridículo, restaram duas lições. A primeira é que o PT e a cúpula da campanha de Dilma Rousseff estão demorando a reagir a esse lixo político despejado pelos desqualificados da camarilha PSDB-DEM – eu esperava muito mais dos petistas na resposta a essa insanidade.

A segunda coisa é que ficou claro que, por mais baixaria que a campanha venha a envolver, todo cuidado é pouco nas hostes petistas. A distância das Farc tem de ser de anos-luz, assim como de qualquer tipo de encrenca.

Quanto mais longe de Morales e Chávez da vida, melhor. Não agregam votos, mas são capazes de afugentá-los.

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E por falar em insanidades, o novo “Estatuto do Torcedor” nasce morto e enterrado, como as torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians trataram de mostrar no último final de semana.

Proibir xingamentos a juízes e adversários e só uma das bobagens contidas no texto, sem falar na proibição dos “cânticos ofensivos”.

A lei já existe, sempre existiu, é só cumpri-la. Que os vândalos e bandidos seja presos, encarcerados e processados, e que a polícia não tenha dó de espancá-los quando for preciso, nos casos de batalhas campais dentro e fora dos estádios. O resto é firula.

O novo texto é mais uma desmoralização do governo e do poder estatal.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Por que perder é uma tragédia?


O Brasil é um país pitoresco em diversos aspectos. Seu povo, por exemplo, não aceita derrotas esportivas. Perder em Copa do Mundo vira sempre uma tragédia – para nós, é simplesmente inaceitável que não ganhemos TODAS as Copas, com um futebol no mínimo tão bom quando o de Pelé.

Não interessa que o futebol, o mais popular de todos os esportes, seja também o mais equilibrado e o mais diversificado, aquele onde o erro muitas vezes é acerto e que partidas sejam decididas por decisões de árbitros (leia-se erros).

E daí que o Brasil seja o maior vencedor de todos neste difícil e competitivo esporte?
Desde quando perder no futebol é tragédia? Desde quando perder é motivo para execração pública? Desde quando perder Copa Libertadores é motivo para bater em jogadores e técnicos, quebrar sedes de clubes?

O brasileiro decidiu copiar o que de pior a cultura norte-americana produziu, a competição acima de tudo, a divisão nojenta do mundo entre perdedores e ganhadores.

Pena que esse “rigor” não seja aplicado na vida cotidiana, na escolha dos políticos e na fiscalização das administrações públicas.

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O time de futebol mais subversivo do mundo voltou ao mundos dos vivos. Após anos amargando as divisões inferiores, o St. Pauli, de Hamburgo, está de volta à primeira divisão do Campeonato Alemão.

O time é pequeno e curioso. Não passa de uma mistura de Portuguesa e Juventus, mas tem uma história divertida, assim como sua torcida. O presidente é um artista transformista, que hora se diz homossexual, depois muda e diz que é bissexual para depois negar tudo.

Localizado na região de St. Pauli, na zona portuária de Hamburgo, sempre teve a simpatia dos intelectuais do norte alemão por sua aura de clube liberal e pela postura libertária de suas várias diretorias. É o queridinho da esquerda alemã desde os anos 60 e foi adotado por políticos liberais e artistas modernosos.

Um dos slogans da torcida é “liberdade, tolerância e democracia” acima de tudo. Seus torcedores e diretores conseguiram banir os execráveis neonazistas de suas arquibancadas (o Millerntor Stadium) e o time entra em campo ao som ensurdecedor de “Hells Bells”, hino da banda australiana AC/DC e clássico máximo do rock. Deve ser divertido assistir a uma partida do time.

terça-feira, agosto 10, 2010

Sem segurança e com censura


Se havia alguma dúvida sobre a falência do governo tucano em São Paulo, os ataques à Rota, um dos batalhões de elite da Polícia Militar e o mais temido, trataram de dissolver qualquer que existisse.

São 24 anos de farsa administrativa e omissão criminosa por parte do consórcio PMDB-PSDB. A educação é uma piada e o Estado está ausente tanto em infraestrutura como na segurança pública.

O crime organizado sente-se à vontade para bravatear e ameaçar o aparato de segurança estatal, acuado dentro de seus quartéis e vítima do populismo e demagogia dos seres execráveis que ocupam a administração pública nas esferas estadual e municipal.

Só que o pianista incompetente que ocupa o Palácio dos Bandeirantes acha que está tudo bem. Será que essa é a opinião do coronel Paulo Telhada, o comandante da Rota?

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E o que dizer então das várias associações empresariais e entidades sindicais que recomendam aos seus motoristas de caminhão que evitem o trecho sul do Rodoanel Mário Covas? O motivo? Falta de segurança.

Quadrilhas especializadas em roubos de carga, muitas vezes com a devida cobertura de policiais corruptos, agem de ser incomodadas naquele trecho de 80 quilômetros sem iluminação e praticamente deserto, no meio da mata que compõe o começo da Serra do Mar, em alguns trechos.

Não bastasse isso, em quase todo o trecho o sinal de telefone celular falha, seja qual for a operadora. Não é uma beleza esse governo tucano pífio?

Gasta-se zilhões em uma obra que deverá ficar ociosa por conta da falta de segurança e infraestrutura mínima que dê segurança aos motoristas.

E as operadoras de telefonia celular, com seu serviço imundo realizado no Estado de São Paulo? Alguém vê alguma autoridade cobrando solução para as zonas de sombra no rodoanel?

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A censura ao jornal Estado de S. Paulo completa um ano. O jornal e portal e o Estadão.com.br foram proibidos de publicar notícias sobre as apurações da Operação Boi Barrica, conduzida pela Polícia Federal.

O pedido de censura foi feito a pedido de Fernando Sarney, filho de José Sarney, senador do PMDB-AP envolvido em denúncias de nepotismo, atos secretos e desvio de verbas.

Fernando Sarney desistiu da ação, mas o Grupo Estado não acatou a desistência e prefere que a Justiça julgue o mérito da questão. Há seis meses a empresa aguarda a Justiça se pronunciar.

Esse caso é polêmico, pois fere a liberdade de imprensa e o direito à informação. Mas parece que ninguém se importa na sociedade brasileira. Nunca a liberdade de opinião e de expressão esteve tão em baixa.

Por isso não é de se espantar que seres deploráveis que sentem saudades do Muro de Berlim tentem, de vez em quando, tentar tolher ainda mais essas liberdades com propostas abjetas, seja no Congresso, seja nos programas de governo de candidatos a presidente ou até mesmo dentro do governo federal.

Não só falta educação à sociedade brasileira. Falta discernimento, bom senso e atitude. Mas como cobrar isso de um eleitorado que continua votando em mensaleiros, em construtores de castelos e criminosos dos mais variados quilates?
Retratos do fracasso de um povo


A omissão criminosa do Estado em relação à educação é deliberada? Para o presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral), Nametala Jorge, se não for isso, é quase.

Em diversas entrevistas a emissoras de rádio cariocas e a revistas semanais (Veja e Época), o juiz não mede palavras ao criticar o baixo nível do eleitorado brasileiro, que, aliado à ausência do Estado em locais pobres, condenam o país a viver como uma eterna república de bananas (grifo meu, já que a expressão dele é mais amena).

O brasileiro não sabe votar? Sabe, mas deliberadamente vota errado, vota no pior, vota nos sacanas e nos safados.

Se nas favelas cariocas o voto é dado aos indicados por criminosos por medo, em outros lugares o voto concedido a mensaleiros, corruptos, bandidos e enrolados na Justiça é consciente - mas não menos desprovido de inteligência e connhecimento.

Esse voto sem qualidade é dado por único exclusivo interesse pessoal, pela vã promessa de uma vantagenzinha, um empreguinho ou um bico qualquer. Isso não é falta de educação?

O presidente do TRE_RJ acha que é. E eu também acho. Só isso justifica que alguém vote ou pense em votar em seres nocivos como José Serra e Geraldo Alckmin.

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Outra prova de que o povo brasileiro tem baixo nível educacional é uma pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a qualidade do trabalho do técnico Dunga nos seus quatro anos à frente da seleção brasileira.

Em 1º de julho de 2010, duas semanas antes da estreia brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, a aprovação de Dunga era de 69%. Em 22 de julho, 50 dias depois e duas semanas após a eliminação contra a Holanda, o índice de aprovação caiu para 29%.

Antes da Copa, apenas 3% achavam que o trabalho tinha sido ruim ou péssimo, número que saltou para 36% após a Copa. Como pode isso? Apenas uma derrota foi suficiente para que se criasse tal fosso?

O brasileiro é um povo que não pode ser levado a sério. Ou o Estado investe pesadamente em educação, ou jamais o Brasil deixará o terceiro mundo.

sábado, julho 31, 2010

Exército de incapazes e a estatização da Copa


Os resultados recém-divulgados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) comprovam ano a ano que o Brasil é um país sem futuro, por mais que o bom momento da economia do presente nos dê algum conforto. Cerca de 90% das piores escolas são estaduais ou municipais. Das 20 melhores, apenas duas são públicas.

A escola pública simplesmente não existe. É incapaz de dar o mínimo de base educacional para crianças e adolescentes. A desqualificação dos professores não é a origem, mas apenas um sintoma de uma política criminosa e indecente de sucateamento das escolas.

Observando por outro lado, essa mesma política está sendo muito eficiente na criação de uma futura mão-de-obra incapaz, incompetente e ineficiente. E tem gente que ainda tenta comparar o Brasil com a China…

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O intervencionismo estatal ganha força nestes tempos de Brasil do crescimento chinês, mesmo que isso tenha sido apenas um suspiro trimestral.

Primeiro li aqui neste ABCD Maior sugestão do professor Luiz Roberto Alves clamando a estatização da Copa do Mundo de 2014 - como se o governo federal não tivesse mais nada para se preocupar, como se o Brasil fosse bem resolvido como a Alemanha ou a Suécia.

Logo em seguida vejo nesta segunda-feira que o presidente Lula vociferou contra os governos estadual e municipal de São Paulo por conta dos entraves que ainda existem na escolha do estádio que abrigará os jogos do evento.

Sem o menor pudor, Lula afirma que o governo federal poderá intervir em São Paulo para que a cidade tenha jogos da Copa. Ou seja, joga no lixo o federalismo e a própria Constituição.

Enquanto isso os aeroportos continuam sobrecarregados e sem a menor perspectiva de que os gargalos sejam resolvidos. Não há plano de ação, não há projeto.

Enquanto todo mundo pula de alegria com o lançamento de um mero edital de uma obra faraônica, o tal do trem-bala, as estradas de todo o país esfarelam e desaparecem. E ainda querem fazer Copa do Mundo em um país sem estradas.

Os governos estadual e municipal de São Paulo, por seu turno, resolveram entrar em uma disputa política perdida ao tentar peitar a Fifa e a CBF bancando o estádio do Morumbi.
Que a incompetência é a marca registrada de tucanos e demos é sabido desde sempre, mas burrice não era uma característica desse “agrupamento político.”

O Morumbi está fora e isso já está decidido. A questão é que falta competência para elaborar um projeto minimamente consistente. Se a maior cidade do País tem dificuldades para se tornar sede de jogos da Copa, imagine o resto.

Não bastasse isso, os tucanos e demos passam pelo vexame de serem cobrados publicamente pelo presidente da República e de serem “ameaçados” por uma intervenção federal no comitê paulista.

A Copa de 2014 está cada vez mais perto da Inglaterra.

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E continuam as tentativas cada vez mais escusas e patéticas de certos grupos políticos de tentar, de alguma forma, controlar a imprensa, seja qual for o eufemismo sorrateiramente incluído em qualquer documento.

Em pleno século XXI, a veia autoritária e totalitária de alguns ressurge do limbo para assombrar as sociedades democráticas. Ainda bem que isso não é sério e é passageiro.

quarta-feira, julho 28, 2010

O fracasso de um povo explícito nas paredes


Vários veículos divulgaram na semana passada, com maior ou menor grau, com mais ou menos espaço, a existência de um documentário chamado “Pixo”, dos diretores João Wainer e João T. Oliveira, que são irmãos.

Wainer é neto de Danuza Leão e do jornalista Samuel Wainer. Ex-fotógrafo da Folha de S. Paulo, é um profissonal da imagem com grande sensibilidade e apuro estético, sem falar no olhar jornalístico.

Seu documentário retrata aquele que considero o maior fracassado do povo e da sociedade brasileira: a educação que praticamente não existe nste país.

O roteiro até é simplório e basicamente mostra em pílulas um pouco da trajetória de William, um garoto de periferia de 18 anos, casado e com um filho, que, apesar de dizer fez até a 8ª série, na verdade é analfabeto.

Ele realmente chegou até a 8ª série do ensimo médio, mas é incapaz de ler a frase “um novo nome” pichada em uma parede de Osasco, onde mora.

A imagem é chocante. William tenta, mas não consegue ler. “Uma… renova…” Ele para e desiste.

A reprodução literal do diálogo, digamos assim, foi publicada pelo jornalista Fernando Barros e Silva em sua coluna na Folha de S. Paulo. ”

“Letra de fôrma, né, mano. Mas eu não entendo, truta. Passei oito anos na escola, tipo oitava série, e tipo nessas aí eu não entendo. Eu só consigo ler ‘pixo’. Agora essa letra aí eu não entendo. Sou meio analfabeto, mas pichação dá para entender.”

Mais do que qualquer governo, nós todos fracassamos. A sociedade atual legou o fracasso e o analfabetismo para as próximas gerações. Na verdade, desde os anos 70 o Brasil condena sua juventude à ignorância.

Mas nunca essa situação ficou tão explícita como no documentário “Pixo”. A fita é um exemplo eloquente, acabado e cru da ytragédia educacional brasileira e do atraso monstruoso que afeta o Brasil. É um retrato fiel da falta de perspectiva, qualquer uma, da nossa noção.

Fracassamos rendondamente na vida e na construção de um futuro. Com toda a Justiça seremos condenados à apodrecer na lata de lixo da história. Parabéns para todos nós.

segunda-feira, julho 26, 2010

Copa de 2014 na Inglaterra? Tomara


A Copa de 2014 começará no dia 10 de junho, com a anfitriã, a Inglaterra, enfrentando a Austrália no está de Wembley cada vez mais moderno e tecnológico. O Brasil, depois de penar nas eliminatórias, jogará no moderníssimo Warthouse Stadium, a moderníssima arena que substituiu Anfield Road, casa do Liverpool.

O cenário poderá ter algumas mudanças de personagens, mas não será muito diferente, já que o plano B da Fifa para a próxima Copa do Mundo já está pronto e com certeza será implementado.

As informações a respeito dos “progressos” da organização da Copa de 2014 no Brasil, não deixam dúvidas, segundo preocupante reportagem de Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo, publicada na última terça-feira.

Segundo os dirigentes da Fifa, “falta tudo” em relação a obras e garantias. O governo brasileiro nada fez e os governos estaduais muito menos, assim como o comitê organizador brasileiro – se é que ele existe.

O texto informa que o Tribunal de Contas da União (TCU) vê riscos enormes de descumprimento de prazos e que as obras brasileiras estão “impressionantemente atrasadas”.

Não bastasse isso, nos bastidores, dirigentes da Fifa dizem que “o evento no Brasil está se mostrando muitas vezes mais problemático e preocupante do que o africano, que teve problemas”.

Chade é correspondente do Estadão na Suíça e cobriu a Copa na África do Sul. Entra na sede da Fifa, em Zurique, sem ser anunciado e é cumprimentado por todos. Sabe muito bem o que escreve.

Já era uma tragédia anunciada a tal da Copa 2014, que agora virou bordão e moda na TV Globo, como se fosse a coisa mais importante de todos os tempos. A leniência, a desfaçatez, a incompetência e a corrupção estão dando a tônica de como será nos próximos meses discussão sobre essa questão.

De forma irresponsável, o país embarcou no insano projeto privado de meia dúzia de dirigentes brasileiros da pior espécie. Serão despesas bilionárias deixadas de forma deliberada pelo tal comitê. E ainda assim perderá a Copa.

É imperativo que o Brasil passe pelo supremo vexame de perder a Copa por incompetência e corrupção. Seria uma pequena esperança de que talvez algo mudasse em nosso país.

sábado, julho 24, 2010

Rock’n Roll All Day


O Dia Internacional de Rock, hojem 13 de julho, começou bem. Chuvam, trânsito caótico, centros de São Bernardo e Santo André intransitábeis pela manhã, eis que a rádio Kiss FM(102,1 MHZ), a única dedicada ao gênero na Grande São Paulo, mandou uma sequência matadora para aliviar a irritação:

- “Never Before” - Deep Purple

- “Sympton of the Universe”, - Black Sabbath

- “Salisbury, Uriah Heep

- “The Rover”, Led Zeppelin

- “Won’t Get Fooled Again”, The Who

- “Soul Survidor”, Roling Stones

- “Maybe I’m Amazed”, The Faces

O humor ficou bem melhor. Em minha lembrança pessoal, minha singela homenagem à data com alguns vídeos interessantes do YouTube do que de melhor se fez até agora em 2010 no rock:

Dream Theater - “Wither” - http://www.youtube.com/watch?v=-boKk8uhmcY

Gov’t Mule - “Broke Down on the Brazos” - http://www.youtube.com/watch?v=ofwJw64ohWA

Joe Bonamassa - “Mountai Time” - http://www.youtube.com/watch?v=YemxMvCGFb8&feature=related

Jeff Beck e Joss Stone - “People Get Ready” - http://www.youtube.com/watch?v=P7ECdYboOVA

Grand Funk Railroad - “Closer to Home” - http://www.youtube.com/watch?v=fyF5J7au1jE

Uriah Heep - “The Wizard” - http://www.youtube.com/watch?v=u0iuaxvkXv4&feature=related

Jorn Lande - “Song from Ronnie James” - http://www.youtube.com/watch?v=dEtyaC6ltQg

Ronnie James Dio - “All the Fools Sailes Away” - http://www.youtube.com/watch?v=K8AkUtGgLVA

The Who - “Old Red Wine” - http://www.youtube.com/watch?v=5lf_VxfZZ_Y&feature=related

quinta-feira, julho 22, 2010

Tempos de nostalgia


Nostalgia é um termo que normalmente remete a lembranças positivas. E lembranças positivas geralmente provocam sensação de bem-estar. Nostalgia faz bem, portanto.

Alguns nostálgicos adoram relembrar os tempos em que a música caipira era sinônimo de qualidade e pureza cultural, e não um pastiche colonizado do pior que a música country norte-americana produziu.

Outros adoram ressaltar as duvidosas qualidades musicais de ícones hippies do rock, como The Doors, Grateful Dead, Jefferson Airplane, Flying Burrito Brothers e outras coisas uns semelhantes da virada dos anos 60-70, em detrimento da música de qualidade de Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd, The Kinks, Black Sabbath, Deep Purple, Yes e muitos outros.

Claro, há ainda aqueles que não cansam de choramingar como era bom ver jogos do Santos de Pelé no Pacaembu, do Palmeiras de Ademir da Guia e da Academia no Parque Antártica, do São Paulo de Gérson no Morumbi, do Corinthians de Rivellino, do Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes…

E por incrível que pareça, ainda tem gente que gosta de lembrar como era bom o tempo em que existia o milagre econômico dos anos 70, de como era boa a vida no Brasil comandado com “autoridade” pelos militares, mesmo que fosse numa abjeta ditadura.

Nostalgia é um saco grande e generoso que aceita uma enormidade de conceitos e lembranças. E por mais esquisito que pareça, ainda há aqueles nostálgicos que gostam do tempo em que frequentavam centros acadêmicos infestados de estudantes pouco chegados aos livros e aos estudos, mas muito mais interessados em bordões de protesto ouvidos pela metade ou lidos em alguma orelha de livro ruim.

Esse pessoal leu pouco - na verdade, creio que não leu nada -, mas adora falar em ditadura do proletariado, em apropriação dos meios de produção, em abolição da propriedade privada, em controle da mídia, da imprensa e em restrição das liberdades política, de opinião e expressão, tudo em favor do combate “às elites, à burguesia e em favor do povo”.

É o mesmo pessoal que gosta de eventualmente discursar e reverberar ideias enterradas e sepultadas com a queda do Muro de Berlim. Por mais estranho que pareça, essas ideias ainda causam bem-estar, em alguns, por mais deslocadas que estejam. Que assim seja.

O que não se admite em pleno século XXI é que a nostalgia guie e influencie comportamentos, procedimentos e debates sobre assuntos relevantes na política e na economia - e até mesmo na vida cotidiana.

O PT é um exemplo de adaptação rápida e modernização de discurso após as mudanças de ventos dos últimos 20 anos. Mudou para melhor, tanto em termos práticos e pragmáticos como em conteúdo.

Libertou-se das algemas e das correntes ideológicas do passado e usou o que melhor existe na ideologia socialista e o que de melhor a esquerda produziu em termos de ideias e práticas administrativas para finalmente chegar ao poder no Brasil em 2002 - e fazer um governo incomparavelmente melhor e mais responsável do que qualquer outro anterior.

Portanto, a nostalgia política que resgata lembranças esfumaçadas de alguns conceitos, para a sorte da população brasileira, está restrita a guetos como PSOL, PCO e PSTU, enquanto que a moderna esquerda hoje é representada pelo PT, mesmo com tropeços políticos nos últimos anos.

Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, e Mário Reali, de Diadema, são representantes dessa modernidade, assim como Elói Pietá, ex-prefeito de Guarulhos, Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco, Aloizio Mercadante, candidato a governador de São Paulo pelo PT, José Eduardo Martins Cardozo, que é deputado federal, e muitos outros.

É uma nova geração de políticos comprometidos com ideais e conteúdos que fazem parte do que há de mais avançado no pensamento político-administrativo atual. É evidente que esse grupo de líderes políticos não tem a menor saudade do Muro de Berlim, ao contrário do que se observa no Itamaraty e em algumas assessorias no Palácio do Planalto.

Para mim, nostalgia é um sentimento que normalmente fica confinado nas primeiras páginas e só. De vez em quando é interessante rever as reprises da final da Copa de 1970, dos jogos do Brasil em 1982 e até mesmo da Copa de 1994.

No começo é nostalgia, mas depois a coisa se enquadra em seu devido lugar, vira mera curiosidade. Em vez de Pelé, Maradona e Zico, hoje temos Kaká, Robinho, Messi, Ozil, Villa, Rooney, Sneijder e Robben. É o que temos e não está ruim.

Quanto ao futebol de várzea, aplico a ele o mesmo conceito que está disseminado em relação ao futsal: é muito melhor praticar do que assistir. Em um campo de várzea, prefiro ficar no boteco tomando cerveja e jogando dominó. É bem mais divertido.

segunda-feira, julho 19, 2010

Contas públicas, contas de ninguém


Quem esperava um feriado morno em termos de notícias errou estrondosamente. Além da avalanche de narrações e supostas novidades sobre o caso que envolve o goleiro Bruno, do Flamengo – acusado de mandar matar a ex-amante –, eis que o Congresso Nacional divulga um estudo preocupante, que revela até que ponto chega a irresponsabilidade de parlamentares “bem intencionados” com as contas públicas.

O estudo revela que o rombo na Previdência Social pode aumentar mais com a aprovação da emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) que indexa os reajustes dos benefícios previdenciários ao aumento do salário mínimo.

Se a emenda estivesse valendo de 1998 a 2008, o déficit saltaria de R$ 48,5 bilhões – valor próximo ao estimado para este ano – para R$ 117,9 bilhões, aponta estudo do próprio Congresso Nacional.

De acordo com o texto, em 2008 as despesas com os benefícios (urbanos e rurais, sem considerar os assistenciais com idosos e deficientes), que foram de R$ 199,5 bilhões, chegariam à cifra de R$ 269 bilhões.

Os dados são do estudo “Salário mínimo e reajustes dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social- RGPS”, da consultora legislativa Sandra Cristina Filgueiras de Almeida.

Essa emenda é só mais um exemplo do desatino que domina o Congresso Nacional em ano de eleição, a julgar pela grande quantidade de projetos estapafúrdios que elevam absurdamente os gastos do governo central do Brasil, entre eles muitos que determinam reajustes salariais fora da realidade para servidores públicos.

Irresponsabilidade é pouco para qualificar esses “atos legislativos”.

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É cada vez mais deprimente os espetáculos em torno de casos policiais que provocam grande comoção pública, como foi o caso Isabela Nardoni e agora o caso que envolve o goleiro Bruno, do Flamengo.

Nada contra a cobertura da mídia, por mais que ela seja exagerada, mesmo que seja possível separar jornalismo, sensacionalismo e espetáculo. Faz parte da vida desde que o mundo é mundo. Quem não quiser ver/ler/ouvir, que mude de canal, desligue o aparelho ou deixe de comprar jornal.

Mas o que realmente incomoda é a malta de inúteis e vagabundos que adora comparecer à frente de delegacias e fóruns para xingar e atirar objetos em viaturas policiais como “protesto” contra os “monstros assassinos”.

E o pior é que pouca providência é tomada pelas autoridades para isolar os locais que abrigam, mesmo que temporariamente, os acusados. Policiais e presos são obrigados a atravessar um mar de gente sem nada para fazer para chegar a algum lugar.

Mas seria esperar muito de uma polícia que não usa a força para desbloquear ruas e vias tomadas por manifestantes. Pancada, só em gente que não merece, como sempre.

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Se alguém tinha dúvidas a respeito do fim cada vez mais próximo daquele que foi o principal jornal do ABCD, é só ler o detalhadíssimo estudo feito pelo jornalista Daniel Lima acerca da “política editorial” do veículo nos últimos seis meses. É nojento saber que tal publicação ainda circula nas bancas das sete cidades. Quem quiser ler o texto de Lima pode clicar aqui .

domingo, julho 18, 2010

A glorificação do fracasso


Glorificar o fracasso está em moda faz tempo por essas terras. É a eterna mania de valorizar cada vez mais os perdedores e ficar choramingando um passado remoto - e cada vez mais remoto.

O discursinho é cansativo e carregado de ressentimento, e ficva cada vez mais chato e rancoroso em tempos de Copa do Mundo.

Atinge gente importante, jonalistas respeitados, cronistas esportivos medíocres e gente comum cada vez mais incapaz de ler, interpretar e concluir por seus próprios cérebros.

A praga se reproduz rapidamente, com o louvor insuportável ao chamado futebol bonito - Copa do Mundo ruim é fértil em produzir esse fenômeno. E tome glorificação de fracassados, como as seleções da Hungria de 1954, da Holanda de 1974 e do Brasil de 1982.

Esse tipo de louvor seja necessário para preencher buracos em programações vazias de TV ou dar algum assunto para conversas chatas de bar. Até resistem ao tempo, mas não à realidade.

Desde sempre foi assim, futebol bonito é o que ganha. Jogo bonito, mas derrotado, serve apenas de rodapé nos livros de história. É mero apêndice histórico.

Jogo bonito é reflexo de um saudosismo doentio que refuta a modernidade e a evolução. É a reverência a um tempo romântico onde o futebol era jogado em câmera lenta, em preto e branco e com bola de couro que pesava três quilos.

Glorificar esse tempo romântico e criticar por criticar - ou melhor, apenas reproduzir esse discurso tosco - é fazer apologia do fracasso e ignorar as mudanças que ocorreram nos últimos 30 ou 40 anos.

É o mesmo fenômeno que ainda é verificado em gente que tem saudade do Muro de Berlim e do comunismo. É a apologia do fracasso.

sexta-feira, julho 16, 2010

A força da comunicação, intacta e influente


O mundo das pesquisas é fascinante para quem gosta de investigar e tentar enxergar aquilo que poucos conseguem ou se esforçam. Entretanto, na maioria dos casos as pesquisas servem tão e somente como braços para análises mais amplas, nunca podem ser tomadas pelo todo, sob risco de, mesmo corretas, induzirem a equívocos perigosos.

Entretanto, vejo com alegria e competência a análise de levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Meta, sob encomenda da Secom da Presidência da República, a respeito dos hábitos de comunicação do país.

A televisão é o mais abrangente meio de comunicação do País, visto por 96,6% da população brasileira. Supera, até com certa folga, o rádio, que vem a seguir com 80,3% de estimada presença nacional.

Os jornais atingem 46,1% dos brasileiros (mas apenas 24,7% deles são leitores diários) e as revistas, 34,9% – jogando por terra a falácia dos futuristas e dos detratores de que a imprensa acabou e que a mídia impressa não tem mais relevância.

A internet já é utilizada por 46,1% da população, com média de 16,4 horas semanais de utilização (o lazer é a principal finalidade de acesso para 46,3% dos internautas, enquanto 24,8% a utilizam principalmente para buscar informações, sendo que cerca de 47,7% deles costumam ler jornais, blogs ou notícias pela internet).

A pesquisa foi realizada no final de 2009 e início de 2010 junto a 12 mil pessoas, em 924 pontos amostrais. Mais informações por meio deste atalho – http://migre.me/T7vY.

E esta é para quem adora xingar jornalistas em fóruns desqualificados na internet. Estudo do grupo alemão GfK, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo e que há 23 anos atua no Brasil, mostrou que os brasileiros confiam mais nos jornalistas e publicitários em comparação com populações de outros países.

No Brasil, com 76% do índice de confiança dos cidadãos, os jornalistas conquistaram a 6ª posição; na avaliação mundial, os profissionais estão na 11ª colocação, com 41%.

O ranking nacional também foi melhor para os publicitários, que garantiram o 7º lugar, com 71%; internacionalmente, a categoria ficou na 15ª colocação, com 30%.

No cômputo geral, os bombeiros são apontados como os profissionais mais confiáveis, com 98% das menções entre os brasileiros e 94% entre as populações do resto do mundo.

No Brasil, eles são seguidos por carteiros (92%), professores do Ensino Fundamental e Médio (87%), médicos (87%), Exército (84%), organizações de proteção ao meio ambiente (80%) e pesquisadores de mercado (80%). A categoria com pior avaliação é a dos políticos, com 11% do índice de confiança no Brasil e 14% internacionalmente.

O estudo foi realizado no Brasil, em 15 países da Europa, nos EUA, na Colômbia e na Índia. Foram ouvidas 18.800 pessoas (1.000 no Brasil), com idades acima de 18 anos, entre os dias 1º e 29 de março de 2010.

terça-feira, julho 13, 2010

Coadjuvante não pode ganhar Copa (e nem os fracassados)


Copa do Mundo é coisa séria. Não é coisa para amadores. Times sem tradição são apenas coadjuvantes, quando muito cometem alguma zebra para que possamos dar algumas risadas, mas não podem ganhar o título. É contra as leis da natureza.

Por isso fiquei muito feliz com a eliminação de Gana. Time sem história, time sem qualidade, apenas correria e pontapés, como é típico do futebol africano. Saiu tarde da Copa do Mundo.

E também foi o destino do Paraguai, com certeza uma das três maiores porcarias do torneio. Cinco jogos, uma vitória, uma derrota e três empates. Não merece jamais disputar uma Copa do Mundo. Fora com os timinhos sem tradição. Copa do Mundo é coisa para time grande.

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O dunguismo morreu da pior forma possível, com uma derrota para lá de esquisita e com falha do melhor goleiro do mundo.

Ao contrário de 2006, quando jornalistas chegaram à beira do choro após a derrota contra a França, e exageraram na dimensão da tragédia, desta vez a eliminação nos campos da África foi recebida com mais serenidade.

Não existiu clima de tragédia – ainda bem –, mas a consternação ficou visível nos rostos dos torcedores. A seleção de Dunga era a melhor da Copa, mas sua superioridade não era tão grande.

Seus principais atores resolveram sumir e se esconder no torneio, enquanto que quem não falhava e não poderia falhar errou feio, como aquele que supostamente seria o melhor goleiro do mundo.

Não faltou garra, não faltou vontade. O que não existiu foi inteligência, futebol e comprometimento em jogar bem. Robinho, Kaká e Luís Fabiano não jogaram nada, transbordaram arrogância, empáfia e soberba. Só pensaram em si mesmos. Não passam de fracassados.

Dunga teve seus erros, muitos méritos, mas acabou traído pelos seus “craques”, que preferiram se esconder. A tal da união simplesmente era uma falácia. Egoístas e falastrões, jogaram para a plateia e deram vexame.

Perder faz parte, mas ter dignidade também. Os fracassados Robinho, Kaká e Luís Fabiano e o descerebrado e desequilibrado Felipe Melo não tiveram.

segunda-feira, julho 12, 2010

Insanidade tributária


De tempos em tempos emergem na imprensa alternativa expoentes da extrema esquerda resgatando conceitos há muito em desuso, esquecidas das páginas dos principais veículos.

Nada contra o ressurgimento desses personagens, até porque quanto mais debate, melhor. O que me espanta e me preocupa é a disseminação de conceitos equivocados e erros cometidos em excesso ao longo da história, mas que, para alguns desavisados, acabam se tornando “verdade histórica”. São conceitos, em sua maioria, fora de moda e enterrados pela história.

Na atual edição impressa do ABCD Maior temos na página 2 um artigo assinado pelo jornalista Altamiro Borges, que é filiado ao PCdoB e editor de vários veículos de esquerda.

Não o conheço pessoalmente, mas sei que é um profissional capaz e inteligente, mas é evidente que a ideologia e a militância contaminam seus textos - o que não os invalida.

Ele defende em seu artigo que a carga tributária brasileira não é excessiva e defende com veemência a implantação imediata do Imposto sobre Grandes Fortunas, em especial nos termos observados no projeto da deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS).

O texto é equivocado do começo ao fim, e custo a crer que Borges seja desinformado ao ponto de querer fazer o leitor crer que o brasileiro paga pouco imposto e que o esquema atual em vigor é injusto porque não taxa como deveria taxar parte da sociedade. Sim, por incrível que pareça, o jornalista do PCdoB escreveu isso.

Não há tese, texto, estudo ou numeralha com alguma credibilidade que sustente o que prega Altamiro Borges. E a realidade é a primeira a derrubá-lo.

É só fazer uma rápida consulta a qualquer dono de boteco que circunde a casa do jornalista, ou o seu trabalho, para saber o peso da carga tributária brasileira. Se ele preferir, olhe o próprio contracheque, se for assalariado, e observe a quantidade de descontos nos seus vencimentos.

Ignorar a carga tributária monstruosa que recai na cabeça da sociedade não só é insano, como irresponsável. E não adianta usar os adjetivos antiquados de sempre contra os supostos inimigos de sempre - a mídia, a poderosíssima entidade capaz de transformar a realidade no que quiser e de eleger quem quiser…

Carga tributária chegando a 40% e descontrole eterno das contas públicas, em todos os níveis - mais a criação de inúmeros gastos novos por parlamentares igualmente irresponsáveis - são uma receita infalível para o retorno da inflação alta e para jogar uma âncora no crescimento do país.

Ironias à parte, defender carga tributária na estratosfera é demonstrar praticamente nenhum conhecimento de economia e contas públicas. É fechar aos olhos para a arrecadação voraz de um Estado que não sabe, não se esforça e se recusa a controlar gastos - e que gasta pessimamente o que arrecada, seja comando pela esquerda ou pela direita.

E nem entro no mérito no imposto para as fortunas, sobre a sua conveniência atualmente. A questão não é essa. Mais imposto numa carga tributária indecente como a brasileira, é ruim para ricos e péssimo para pobres.

Em vez de discutir uma reforma tributária adequada ao século XXI e que não esfole pobres, ricos, classe média, trabalhadores e empresários, parte do pensamento político brasileiro atual defende o indefensável. Continuamos perdendo cada vez mais tempo com isso.

sábado, julho 10, 2010

Crônica da vida inviável

A paisagem do centro de São Bernardo está mudando rapidamente, e vai mudar ainda mais nos próximos dois anos. São mais de 20 edifícios ou condomínios inaugurados ou em vias de ser entregues na ponta que começa no Paço Municipal.

O mais ambicioso projeto é o Domo, atrás do Shopping Metrópole, que pretende ser um dos maiores complexo residenciais e comerciais da Grande São Paulo.

Na avenida Armando Italo Setti e em suas travessas brotam a cada semestre novos empreendimentos e novas torres. O mesmo ocorre às margens da agora renovada avenida Pery Ronchetti.

O “progresso” da construção civil é alardeado pela prefeitura e por diversos agentes econômicos. Agora o ABCD – destaque para São Bernardo – é o novo paraíso socioeconômico da região metropolitana. Pena que o tal do progresso ainda está bem longe da infraestrutura.

A malha viária do ABCD há muito tempo não suporta mais o volume de tráfego que insiste em entupir a região. O enorme corredor Brigadeiro Faria Lima-Pereira Barreto-Ramiro Colleoni-Dom Pedro II-Goiás é um imenso congestionamento nas manhãs e finais de tarde.

O outro ramal deste corredor – Brigadeiro Faria Lima-Lucas Nogueira Garcez-Piraporinha-Fabio Eduardo Ramos Esquível-Corredor ABD-Prestes Maia-avenida dos Estados – é uma fila eterna de veículos ao longo de todo o dia, fazendo com que uma ida do centro de São Bernardo a Piraporinha (meros cinco quilômetros) seja percorrido em inacreditáveis 45 minutos.

Os principais corredores de trânsito enfartaram e não mais conseguem dar vazão. O ABCD para todos os dias, como a capital, com o agravante de que não alternativas. Não dá para fugir dos congestionamentos.

A avenida Lauro Gomes continua sendo uma avenida fantasma, com sua enormidade de semáforos demorados.

Deveria ser uma alternativa à estreita, inadequada e entupida Senador Vergueiro, em São Bernardo, mas continua solenemente ignorada, até mesmo pela prefeitura. A outra pista, do lado de Santo André, também permanece ignorada.

A rua Caminho do Pilar, que poderia ser uma alternativa para fugir da avenida Pereira Barreto, além de ser uma via desconhecida para a maioria dos motoristas, também é inadequada, por ser uma via de tráfego local, incapaz de suportar trânsito pesado.

O mesmo pode se dizer da rua das Figueiras, da avenida Santos Dumont e das avenidas estreitas que dão acesso à Vila Pires e bairros da região, em Santo André. Todas estão entupidas durante quase todo o dia. Não há alternativas.

Enquanto a vida cotidiana fica inviabilizada no ABCD, somos obrigados a ouvir, de tempos em tempos, propaganda dos projetos mirabolantes e mentirosos de alteração na infraestrutura viária da região.

Onde está o tão alardeado plano famoso de reestruturação viária de São Bernardo, financiado com dinheiro japonês e que seria a grande marca do governo William Dib (PSDB)?

Onde estão as obras? Cadê o projeto? Cadê o dinheiro? É por essas e muitas outras mentiras e promessas não cumpridas que a vida no ABCD está inviável.

sexta-feira, julho 09, 2010

Saudade da Copa de verdade e o lixo moralista

Copa do Mundo boa é aquela que tem jogos bons, só clássicos, só times de tradição. Desde 1982 a competição foi avacalhada com o aumento do número de seleções, com a participação progressiva de lixos como as seleções africanas, asiáticas e centro-americanas.

Nada mais desolador e nojento do que assistir a uma partida de Honduras, uma equipe que dificilmente jogaria a quarta divisão paulista. E o que dizer de Coreia do Norte e Nova Zelândia, times amadores que cairiam na primeira fase da Copa Kaiser de futebol de várzea.

Em relação aos times africanos, o maior exemplo é Costa do Marfim, time ridículo com um astro e 22 monstros correndo atrás da bola e desferindo pontapés nos adversários, sem técnica nem tática.

Copa boa é Copa sem essas tranqueiras, só com europeus e sul-americanos, com três vagas para o resto do mundo para servirem de sparrings e sacos de pancadas. Só assim o futebol de seleções seria verdadeiramente resgatado.

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A Justiça se fez nesta Copa horrenda, de times péssimos e futebol inexistente. A violenta Costa do Marfim foi despachada e os Estados Unidos, uma nação que despreza o futebol, também.

Torci muito contra os norte-americanos, povo que acha que beisebol é esporte de gente e as agressões do tal futebol americano são “jogadas”.

O avanço desse timeco seria a mesma coisa que o time de rúgbi brasileiro, esporte que inexistente o Brasil (ainda bem), chegasse às semifinais do Campeonato Mundial).

Se esse povinho despreza o esporte mais popular do mundo não merece o meu respeito.

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Leio na Folha de S. Paulo, na carta de um leitor, que a seleção brasileira foi eliminada por culpa será da imprensa e da mídia. Para meu espanto, essa imbecilidade homérica foi escrita por um tonto que se diz um professor universitário de 61 anos.

Faz tempo que um monte de acéfalos diz por aí que o Brasil precisa de jornais e jornalistas melhores. Eu devolvo, afirmando sem dúvidas de que precisamos de leitores melhores.

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Outra pérola da Folha é a coluna do ombudsman, agora no comando de uma mulher, Suzana Singer, reverberando reclamações de assinantes e leitores a respeito da publicação, no caderno Ilustrada, de uma reportagem sobre a história dos quadrinhos eróticos no Brasil, e de algumas ilustrações consideradas inapropriadas.

É inacreditável que um dos maiores jornais do país dê espaço para esse tipo de texto estapafúrdio, e ainda mais de autoria de um profissional do próprio veículo, para atirar contra a liberdade de expressão, opinião e imprensa.

Quem se sentiu incomodado que compre outro jornal, que reclame no Procon, que vá à Justiça ou que reclame com papa, ou com qualquer outro mafioso do mesmo naipe.

O que não dá é ficar lendo esse tipo de lixo moralista e retrógrado que anda empesteando as página daquele que se diz o “jornal do futuro” e “um dos maiores do Brasil”.

Jornal que precisa de ombudsman demonstra claramente que não confia nos seus profissionais. Jornal que precisa de ombudsman não passa de uma firula, de uma peça de marketing.

Jornal que precisa de ombudsman descamba muito rápido para a demagogia. E rapidamente sua redação perde confiança na sua direção, tanto empresarial como jornalística.

Não gostou do programa? Mude de canal. Não gostou da reportagem? Não leia ou compre outro jornal. Se for escrever para reclamar, o faça com inteligência.

Não despeje lixo moralista nas caixas postais eletrônicas dos jornalistas e jamais use a muleta de que “meus filhos leem o jornal e me sinto aviltado com isso”. Inteligência e comunicação são vias de mão dupla.

sábado, junho 26, 2010

Humor não é jornalismo, mas não pode sofrer agressão


Humor não é jornalismo. Portanto, integrantes de programas ruins como “CQC” e “Pânico na TV” podem ser qualquer coisa, menos jornalistas, independente do tipo de ação que pratiquem.

O “CQC” tenta ser um pouco mais sério, mas o que faz está longe de ser jornalismo, é humor de gosto duvidoso, é um programa inteiro dedicado a sacanear os outros, a fazer rir diante do constrangimento alheio - embora muito políticos mereçam ser ridicularizados, como ocorre frequentemente no prgrama.

O baixo nível predomina neste programa da TV Bandeirantes. Apenas um quadro merece respeito, por ser realmente de prestação de serviços, que é o “Proteste Já”, que tenta resolver e obter compromisso de autoridades a repseito de problemas prosaicos e cotidianos, com falta de ônibus, mau estado de escolas, etc.

O programa que fizeram em Barueri, retratando o sumiço de uma TV nova doada pelo programa a uma escola da prefeitura, teve repercussão nacional.

Por isso tudo é que a prefeditura de São Bernardo precisa ter muito cuidado para não ser alvo de chatota - com razão - ao ser abordada pela equipe do “CQC” que faz o quadro “Proteste Já”.

Uma dessas equipes acusa a Guarda Civil da cidade de agressão e abordagem desrespeitosa. Leiam em http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/755450-danilo-gentili-diz-que-foi-agredido-por-guardas-em-gravacao-do-cqc.shtml.

Se realmente houve a agressão aos humoristas travestidos de jornalistas quando faziam gravações a respeito de uma escola localizada em área de risco, é caso de demissão sumária dos guardas envolvidos, além de uma investigação interna.

É caso também para uma cobrança forte ao comando da Guarda Civil de São Bernardo e ao secretário municipal responsável pela corporação.

O prefeito Luiz Marinho é sério e não pode passar pelo mesmo constrangimento que Rubens Furlan, de Barueri, que foi ridicularizado nacionalmente ao proferir impropérios e passar por bobo ao desancar para a câmera todos os integrantes do programa.

Que essa questão seja tratada de forma madura e profissional, por mais que os humoristas não sejam jornalistas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Exército dunguista é paranoico e não tem bom senso


Primeiro foi Dunga se comportando de forma vexatória na coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim, xingando jornalistas. Agora é Kaká que se acha perseguido pelo jornalista Juca Kfouri “porque sigo Jesus Cristo”.

A imprensa em geral já despreza os rompantes de má educação de Dunga e considera seus “soldados” apenas como um bando de jogadores mimados. E Kaká, em entrevista nesta terça-feira, comprovou isso, ao choramingar respondendo a uma pergunta de André Kfouri, da ESPN e filho de Juca.

O camisa 10 demonstra cada vez mais que é desqualificado. É incapaz de entender a função de um jornalista. Se fosse um moleque de 18 anos, era compreensível, mas Kaká é profissional há dez anos e um dos mais importantes da atualidade no mundo.

Se não é capaz de compreender o que significa o trabalho jornalístico, então não há salvação: não passa de um analfabeto funcional.

Na falta de conteúdo e de inteligência, Kaká se apega à única muleta que sobra, a paranoia de que é perseguido porque é evangélico, porque “segue Jesus Cristo”. Atribui a sua incapacidade de ouvir críticas ao fato de ser religioso. Patético.

Juca Kfouri apenas mencionou em sua coluna o que ouviu de suas fontes dentro da seleção ou no entorno: que Kaká ainda sente dores e que corre risco de encerrar a carreira prematuramente por conta de problemas no púbis e no quadril, como o tenista Gustavo Kuerten.

A falta de conteúdo de Kaká é assustadora, assim como seu fanatismo religioso. Esse tipo de gente, e especialmente os evangélicos, acreditam que são especiais e superiores apenas e tão somente por serem religiosos, por “seguirem Jesus”.

É claro que não são - aliás, para mim são exatamente o contrário, não são melhores do que ninguém, são bem piores, mas essa é outra discussão.

Aprovei a decisão de Dunga de trancar a seleção e de cortar privilégios de certas emissoras de TV e de certos jornalistas. Entretanto, é lamentável a falta de conteúdo, inteligência e discernimento revelada pelo exército dunguista.

quinta-feira, junho 24, 2010

Fim dos direitos autorais e estímulo à pirataria


O governo brasileiro pode dar um passo importante para legalizar a pirataria de obras de arte, ou pelo menos abrandar a intensidade do crime. É o que disse o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a um repórter da Folha.com, antiga Folha Online,o braço da internet do jornal Folha de S. Paulo.

Ao falar sobre as bases de uma nova lei de direito autoral, Ferreira acena com a possibilidade de descriminalizar o ato de copiar um CD ou DVD. “Queremos um sistema mais aberto. Porque mesmo que não houvesse o mundo digital, a internet, a nossa lei seria muito ruim. Ela não é capaz de garantir o direito do criador porque o sistema de arrecadação de direitos é obscuro, sem nenhuma transparência.”

“Além disso, a lei tem aspectos caricaturais”, continua o ministro. “ A cópia individual, por exemplo, não é permitida. Quem compra um cd não pode, pela lei, copiá-lo para o próprio ipod. Uma editora que não queria reeditar um livro, algo normal, torna o livro indisponível porque nem alunos nem professores podem fazer cópia. Isso contraria a tendência do mundo inteiro."

A íntegra da entrevista está no seguinte link: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/750740-copiar-cd-deixa-de-ser-crime-de-acordo-com-nova-lei-de-direito-autoral.shtml.

Discordo das ideias do ministro contidas na entrevista. Se do jeito que está a pirataria já engoliu o mercado, praticamente dizimando o setor musical e colocando em extinção as videolocadoras, com o fim da criminalização da cópia os produtos piratas tomarão conta do que resta e os artistas-autores vão sumir.