segunda-feira, julho 20, 2020

Notas roqueiras: Plebe Rude, Nasty N' Loaded, Stab, Damage Corporation...

Plebe Rude (FOTO: DIVULGAÇÃO)
A banda de punk rock de Brasília Plebe Rude liberou em seu canal do YouTube a raridade, que foi redescoberta em uma fita analógica e digitalizada. As imagens foram gravadas em 1983 em São Paulo, e intercalam encenações pelos ainda adolescentes plebeus em um estúdio, com cenas de um show ao vivo no Village. A gravação é crua e as imagens não deixam dúvidas do impacto que os 37 anos de gaveta causaram no inédito e instigante arquivo, que é um prato cheio para os fãs. A música, originalmente lançada no disco "Nunca Fomos Tão Brasileiros", foi censurada pela Polícia Federal em 1987, no entanto após ser liberada virou sucesso nacional e foi executada várias vezes no programa do Chacrinha. Da formação original que aparece no clipe, fazem parte da banda atualmente André X (baixo) e Philippe Seabra (guitarra/vocal). Clemente (guitarra/vocal) e Marcelo Capucci (bateria) completam o grupo. Veja em https://www.youtube.com/watch?v=fOGRxUGIthQ

- A banda gaúcha Nasty N' Loaded está divulgando o seu primeiro álbum, autointitulado, que faz uma mistura de hard rock, heavy metal e pitadas de punk e blues. Tudo é muito simples, desde as canções até a produção, que deixou os vocais de Miro Cheyenne um pouco mais altos do que os demais instrumentos. Como ainda é uma banda nova, tem potencial para crescer e aprimorar as composições.

- Quem também divulga o seu último trabalho é a banda Stab, de Piracicaba (SP). Mesclando thrash metal moderno e tradicional, conseguiu bons resultados no EP "Sepulchral Lullaby", mesmo com uma produção bem simples - a música "The End", por exemplo, foi gravada ao vivo no Casarão Music Studio, de sua cidade natal. É uma banda em busca de amadurecimento e originalidade, mas já apresenta boas ideias, principalmente nas músicas "The Windows" e "Gods Sheep".

- Mais uma banda paulista está com EP na praça. É o trio Damage Corporation, que divulga "Danger Unit", também dedicada ao thrash metal mais tradicional, de influência californiana. O som é bem feito e poderoso, embora as músicas sejam bem simples. As guitarras assumem a proeminência e mostram qualidade nas músicas "Black Day" e "Get Thrashed".

Rolling Stones liberam clipe de faixa inédita que integrará relançamento de álbum de 1973

Do site Roque Reverso



Os Rolling Stones liberaram nesta quinta-feira, 9 de julho, o clipe da música “Criss Cross”. É uma das três faixas inéditas que vão integrar o relançamento do álbum “Goats Head Soup”, de 1973.

O clipe tem direção de Diana Kunst e conta com a bela Guindilla Ontanaya como estrela principal, em poses, gestos e ações provocantes e sempre bem-vindas no momento atual conservador do planeta.

Além de Guindilla Ontanaya, o clipe traz um cenário completamente oposto ao do vídeo da música “Living In A Ghost Town”, lançado em abril num momento crítico da pandemia na Europa e em pleno isolamento social.

Se em “Living In A Ghost Town”, o Stones retrataram ruas vazias de várias cidades do planeta, em “Criss Cross” mostram a vida normal da cidade grande e as peripécias de uma garota ousada e cheia de vida.

A lendária banda britânica aproveitou o dia para confirmar o relançamento de “Goats Head Soup” em setembro, mais precisamente no dia 4.

Intitulado “Goats Head Soup 2020”, o álbum chegará ao público em vários formatos e opções e com a gravação original em uma mixagem nova e em estéreo.

“Goats Head Soup 2020” virá em CD simples e duplo, edições em vinil e box set com 4 CDs, trazendo raridades e mixagens alternativas, além de um livreto de 120 páginas e quatro pôsteres da época do lançamento original.

Além da música “Criss Cross”, as outras faixas inéditas são “All the Rage”, citada pelo grupo como “pós-‘Brown Sugar'”, e “Scarlet”, que traz participação de ninguém menos que Jimmy Page, eterno guitarrista do Led Zeppelin.

O original álbum “Goats Head Soup” sucedeu “Exile on Main St.” e teve como principal faixa de sucesso o hit “Angie”.

Se quando os Stones lançaram a inédita “Living In A Ghost Town” os fãs ficaram ansiosos por um material novo, agora, com esta notícia de um relançamento de 1973, houve uma diminuição da expectativa.

“Living In A Ghost Town” havia sido a primeira música inédita da lendária banda de rock britânica desde que “Doom and Gloom” e “One More Shot” saíram na coletânea de 2012 “GRRR!”, que comemorou o 50º aniversário do grupo.

O último álbum de inéditas está ainda mais distante: “A Bigger Bang”, de 2005. Os músicos chegaram a lançar depois, por exemplo, o disco “Blue & Lonesome”, em 2016, mas este veio com músicas covers do blues.

Metallica libera vídeos de faixas gravadas com orquestra

Do site Roque Reverso



O Metallica liberou nesta quarta-feira, 15 de julho, dois vídeos ao vivo de músicas que foram gravadas em 2019 com a Orquestra Sinfônica de São Francisco novamente num show. As faixas são “Nothing Else Matters” e “All Within My Hands” e estarão no álbum e DVD que a banda norte-americana de thrash metal lançará em agosto de 2020.

“S&M2”, cuja capa acompanha este texto, é o nome do novo trabalho, que será lançado em diversos formatos, como CD duplo, DVD, Blu-ray e vinil quádruplo , no dia 28 de agosto.

A reunião do Metallica com a Orquestra Sinfônica de São Francisco foi realizada em setembro do ano passado.

Ela serviu para comemorar o aniversário de 20 anos de famoso “S&M”, trabalho especial da banda lançado em 1999 em álbum ao vivo e DVD que mostrou o grupo tocando justamente com a orquestra da cidade norte-americana.

Depois da reunião de 2019, o show foi exibido em sessões de cinema do planeta em outubro do ano passado.

As apresentações que estarão em “S&M2” foram reeditadas pela banda com áudio remixado e remasterizado em relação a versão que foi exibida nos cinemas.

Serão 22 faixas, incluindo a introdução com “The Ecstasy of Gold”, do saudoso Ennio Morricone, que é marca consagrada das aberturas de shows do Metallica.

Além de faixas clássicas do Metallica, algumas novidades são as inclusões de músicas do álbum mais recente da banda, o bom “Hardwired… to Self-Destruct”, de 2016.

“Confusion”, “Moth Into Flame” e “Halo on Fire” são essas faixas, que ganharam também a companhia de faixas menos populares de outros discos anteriores, como a própria ““All Within My Hands” e “The Outlaw Torn”, que não viraram hits, mas sempre foram admiradas pelos fãs do Metallica.

Shows no Brasil

As dúvidas sobre os shows que o Metallica fará no Brasil em 2020 permanecem, em razão da manutenção do alto número de casos e mortes por covid-19 no Brasil. Nos bastidores, o respeitado jornalista José Norberto Flesch, que costuma adiantar informações sobre shows, disse que as apresentações tendem a ser novamente adiadas, desta vez para um prazo maior e, possivelmente, mais para o fim de 2021.

O Metallica definiu e anunciou no dia 25 de março as novas datas para as apresentações no Brasil e no restante da América do Sul. A abertura das apresentações continua com a banda sensação do rock Greta Van Fleet e a brasileira Ego Kill Talent.

As capitais no Brasil escolhidas para a “WorldWired Tour” são as mesmas que receberiam os shows em abril: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. Agora, as apresentações serão nos dias 14, 16, 18 e 20 de dezembro, respectivamente, quase perto do Natal, pelo menos até segunda ordem.

Notas roqueiras: Gods & Punks, Quarto Astral, Violet Soda...

- Apenas três meses depois do acústico "Different Dimensions", o quarteto carioca de stoner progressivo Gods & Punks lança, exclusivamente na plataforma Bandcamp, o EP "Witness the Gatherings". Ouça aqui: https://godsandpunks.bandcamp.com/album/witness-the-gatherings-lo-fi-jams-demos-ep. "Witness the Gatherings" contém 10 faixas. É uma coleção de B-sides e jams da época do segundo álbum, Enter the Ceremony of Damnation (2018), lançado no streaming pela Abraxas Records e no formato físico digipack, independente. O EP está disponível por apenas $1. Os demais lançamentos, como o citado Different Dimensions, também estão disponível na plataforma, além do streaming, como Spotify, Apple Music e Deezer, por meio da Abraxas.
- A Abraxas e Câmbio Sonoro Records disponibilizam nas plataformas digitais o novo disco do power trio de rock psicodélico Quarto Astral, intitulado "Sideral". É o quarto lançado pela experiente banda de Candeias (Pernambuco). Ouça aqui: https://album.link/dWQkBRDgV4Vg9. Uma das músicas, a alucinante Jornada, ganhou videoclipe, já no ar: https://youtu.be/nVeM7ZIqFxI. O clipe foi editado e dirigido por Thiago Brandão a partir de um roteiro criado junto ao produtor do vídeo, Tiago Guillen, por meio de imagens que dão a sensação de uma viagem por todo o planeta Terra, retratando sua origem, suas belezas, o ser humano e seus conflitos."Sideral" possui quatro faixas, em 36 minutos de rock and rol com nunces de progressivo, fusion, jazz e psicodelismo, tudo conceitual. Foi gravado nos dias 22 e 23 de abril de 2018, durante a Turnê Interdimensional, que passou pelo Rio de Janeiro. A produção é da Abraxas Records (RJ) e da Câmbio Sonoro Records (PE), no icônico Estúdio Biscoito Fino (RJ).
- Após tocar em algumas lives e criar uma série de ações nas suas redes, a banda Violet Soda prepara um programa semanal na internet. Violet Vibes estreia nesta quarta-feira (15), às 21h, com a participação de Rafael Brasil, guitarrista do Far From Alaska. Inspirado em programas de TV da virada do milênio — tanto na estética analógica e colorida quanto no seu formato — o Violet Vibes será transmitido semanalmente no canal do Violet Soda no YouTube com a presença constante de convidados especiais. "Será um lance meio TV Cruj com MTV da nossa época pré-adolescente. Estamos preparando vários quadros para deixar o programa dinâmico. E o mais legal é que vai ser praticamente tudo ao vivo", explicou o guitarrista Murilo Benites. Acesse em https://www.youtube.com/channel/UCux0clEw3TF1gyY7aRDnLMw.

Mercado se mobiliza para aprimorar e salvar lei de auxílio a artistas e profissionais da cultura

Marcelo Moreira

Um importante movimento tomou conta do mundo da música neste mês de julho assim que a chamada Lei Aldyr Blanc foi assinada e publicada pelo governo federal. 

A medida provisória que destina R$ 3 bilhões em auxílio a músicos e artistas, bem como a profissionais de todos os segmentos da cultura e das artes, foi comemorada, mas durou pouco a alegria por conta de várias inconsistências no texto, com brechas que permitem questionamentos na Justiça e não deixam claros os critérios de quem tem direito ao benefício.

Outra preocupação dos especialistas no assunto é sobre a responsabilidade de quem irá distribuir esses recursos. Estados e municípios terão condições de fazer isso sem que haja as costumeiras denúncias de favorecimento político, e justamente em ano de eleição municipal?

O setor conseguiu uma audiência no dia de 10 julho com Daniel Diniz Nepomuceno, secretário-executivo do Ministério do Turismo, a quem está subordinada a Secretaria Especial de Cultura, para apresentar sugestões de melhoramentos à Lei Aldyr Blanc e pedir esclarecimentos sobre os critérios que serão adotados na liberação do dinheiro. As entidades representadas receberam a promessa de que as sugestões seriam analisadas.

"A pandemia escancarou o tamanho da informalidade no campo artístico brasileiro. Estados e municípios agora têm que correr para realizar a distribuição dos recursos da Lei de Emergência Cultura de forma correta e em tempo hábil", diz Daniel Neves, presidente do Conselho da Frente Parlamentar em Defesa da Música (Fremúsica).

Para ele, "é extremamente necessário que a sociedade civil se organize para fiscalizar o acesso dos recursos da Lei de Emergência Cultural para quem é devido".

Um problema urgente é definir quem terá direito ao dinheiro. Há questionamentos a respeito da eventual falta de cadastros de músicos e profissionais da cultura ligados à música, fato alegado por muita gente. Mas existem listas de entidades de classes, como a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), de sindicatos de categorias como iluminadores, cenógrafos e outras.

Há a necessidade de conciliar essas informações divergentes e saber se esses cadastros contemplam as categorias. Como fazer uma triagem e um cadastramento que tenha o mínimo de riscos de fraude?

Existem artistas e entidades que representam algumas categorias que defendem que os eventuais beneficiários façam uma autodeclaração informando sua condição favorável a receber o dinheiro, o que causa espanto e acende a luz vermelha em relação a interesses que fogem do escopo da questão.

O principal documento é um estudo encabeçado pelo cientista político Manoel J. de Souza Neto, ex-conselheiro nacional da cultura e uma das maiores autoridades acadêmicas do país no estudo dos mercados da música e da cultura.

Ele apontou que o texto enseja questionamentos legais que podem travar a chegada dos recursos a quem mais precisa - envio que já está muito atrasado, se observarmos que o auxílio emergencial do governo para vários tipos de categorias profissionais, de R$ 600, já está chegando ao fim. 

Souza Neto aponta outro problema que pode atrapalhar os planos da distribuição do dinheiro para os artistas e profissionais do setor necessitados: a falta de criação pelos municípios, por força de lei, de fundos e mecanismos de fomento à cultura, como está no texto da Lei Aldyr Blanc.

"Essa é uma questão que pode embolar a coisa. Pouco mais de 10% dos municípios, no geral, se adequaram à exigência de criar, por meio de lei, fundos de fomento. Isso pode impedir ou mesmo forçar a devolução da verba recebida, quando não gerar questionamentos pelos tribunais de contas estaduais e municipais", observa Souza Neto.

Antes de voltarmos aos espetáculos, os profissionais do setor de artes precisará se reerguer (FOTO: DIVULGAÇÃO/SESC D. PEDRO)

Para ele, não haverá tempo hábil para que os trâmites necessários para que municípios se adequem às exigências legais em até 60 dias. Como estamos em um contexto de crise social, agilidade é fundamental para que o dinheiro tenha alguma serventia para os beneficiados. 

Uma dificuldade adicional será o procedimento para chegar e detectar quem conseguiu o benefício de R$ 600 e que, eventualmente, venha a se inscrever no cadastro da cultura. "É crucial que as eventuais sobreposições sejam identificadas para que tenhamos a maior abrangência possível."

O documento enviado ao governo federal é uma peça bem fundamentada que mostra as contradições do texto da lei e a consequências graves para a efetividade de sua proposta.

"As contradições da lei ocorrem especialmente da ausência de critérios claros de seleção de quem seriam os beneficiários, excluindo a ampla maioria dos fazedores da cultura. Mas também, devido aos prazos, a origem dos fundos, das regras para seu repasse e quem serão os atendidos, posto que a lei fala em atendimento emergencial, portanto visando às vítimas da pandemia, mas mantem aberta a possibilidade de critérios de distribuição por editais, com normas do mundo da arte, o que implica em dizer, que podem ser feitas seleções, excluindo necessitados em nome da qualidade artística", diz um trecho do documento do setor musical.

"Uma aberração que pode gerar injustiças e assimetrias, típicas do que já vem sendo explicado em estudos sobre o assunto ao tratar por exemplo dos efeitos excludentes das leis de incentivo à cultura (artigos citados nas referências bibliográficas)", continua. "A tendência na atual situação é que os recursos não cheguem em quem mais precisa e mesmo que sejam distribuídos, estão de tal forma dentro de uma insegurança jurídica, de que mesmo após distribuídos, não sejam aplicados, ou pior, tenham que ser devolvidos."

Sobre a situação dos municípios, os apontamentos são preocupantes. "A parca atuação dos municípios no SNC – Sistema Nacional de Cultura, através da falta de assinaturas do pacto federativo, se dá devido aos movimentos tensos entre grupos de interesses, artistas instituídos historicamente beneficiados pelos gestores, com movimentos sociais, partidos, agentes culturais, intelectuais e até mesmo internamente dentro de gestões em diferentes pastas de secretarias municipais e estaduais, devido a disputa pelos recursos públicos. Na medida que a instalação desses planos demandaria esforço, trabalho, comprometimento de recursos e atendimento de políticas públicas efetivas, diversos agentes optaram por dificultar o avanço desse processo de construção nacional de institucionalização das políticas culturais estruturantes. Infelizmente a maioria dos municípios não está preparada neste sentido."

A preocupação do setor também recai sobre questões orçamentárias do próprio governo federal, que pode não dispor dos até R$ 3 bilhões prometidos. "Esse montante parece improvável, posto que o FNC (Fundo Nacional de Cultura) vem passando por fortes cortes e contingenciamentos, flutuando com valores muito menores do que anunciado. Esses contingenciamentos que vem se agravando na última década, tiveram forte redução após a aprovação da Emenda Constitucional 95, que criou o teto de gastos e cortes de investimentos no governo de Michel Temer."

O texto destaca a questão de estarmos em ano eleitoral e suas implicações. "É claro que estamos também em ano eleitoral, ao qual não pode a administração pública empenhar recursos, pois o art. 73, § 10, da Lei Eleitoral foi inserido pela Lei nº 11.300/2006, reforçar a proibição ao impedir a distribuição de bens ou serviços e veda qualquer distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da administração pública. A exceção dada pelo Estado de calamidade não fica evidente neste caso, ainda que seja, posto que as verbas da lei Aldir Blanc não foram liberadas a título emergencial para assistência social pelos órgãos competentes, mas sim, pelos organismos de cultura, podendo ser usadas para atividades de fomento à cultura, inclusive pelos métodos de exclusão chamados editais, que não atendem aos necessitados."

O Combate Rock procurou o Ministério do Turismo para saber a repercussão do documento, mas até o momento não recebeu resposta. Extraoficialmente, recebemos a informação de que o documento está "em análise".

Listamos abaixo algumas das sugestões de aprimoramento imediato da Lei Aldyr Blanc feit
as pelo setor musical:

- Que sejam apresentadas como critério de seleção o cadastros e comprovantes de atividade artística e cultural interrompida e atingida pela pandemia para recebimento do auxílio em oposição aos modelos de editais que são excludentes. Os critérios devem ser de inclusão social e não de exclusão na aplicação dos recursos. ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL CONSELHO FEDERAL SCS – Quadra 04 – Ed. Israel Pinheiro – 3º Andar – TEL: (61) 3226 – 0499. Brasília – DF 13 

- Que sejam abolidos os fundos de atividades de fomento, sendo aplicados os recursos para subsistência básica do todos os artistas, bem como manutenção de espaços culturais em todo território nacional atingidos pela pandemia. A vida é prioritária neste momento. 

- Que sejam revistos os critérios de pagamento de auxílio emergencial, podendo abranger 100% dos artistas e técnicos envolvidos na cadeia produtiva da economia da cultura, afim, de que todos que estejam precisando de auxílio possam ter proteção social. 

- A necessidade de comprometimento social dos recursos, portanto, para fins de enfrentamento da calamidade pública exclusivamente. 

- O fomento aos espaços culturais ocorra com valores divididos entre pequenos espaços culturais, médios e grandes, baseado em custas, oportunizando no entanto valores de subsidio básico mínimo a todos, nem que sejam valores menores, para amenizar as contas, mas para que existam recursos suficientes para apoiar o máximo de espaços culturais nesse tempo de crise. 

- Da liberação do SNC, para cadastro de auto declaração dos municípios que assumam em caráter emergencial de que irão aprovar em dois anos toda legislação de plano, sistema, fundo e conselho, para que possam acessar os recursos do Fundo Nacional de Cultura agora, mas em contrapartida, tenham que devolver esses recursos, se em dois anos não aprovarem as respectivas leis que são requisitos básicos para que acessem o SNC e o FNC. 

- Que sejam aceitos para efeito de cadastro de reconhecimento de trabalhadores com direito ao acesso dos recursos, a apresentação de carteira profissional das profissões regulamentadas, como exemplo cênicas e música: LEI Nº 6.533, DE 24 DE MAIO DE 1978. Dispõe sobre a regulamentação das profissões de Artistas e de técnico em Espetáculos de Diversões. LEI No 3.857, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1960. Cria a Ordem dos Músicos do Brasil. 

- Tornar permanente a Lei Aldir Blanc, para que em casos semelhantes de calamidade pública que exija o fechamento de espaços culturais, devido a pandemias, e outros motivos de força maior, em que sejam proibidas aglomerações e exigido pelo Estado distanciamento social, de que os recursos do Fundo por via do SNC possam ser requisitados pelos Estados e municípios afetados à qualquer tempo.

domingo, julho 19, 2020

Notas roqueiras: Oitão, Anjos das Sombras, We Are One...

Oitão (FOTO: DIVULGAÇÃO)
- Em estilo história em quadrinho animada com muita dinâmica, em preto e branco e com cenas impactantes, o Oitão ilustra problemas sociais e o escárnio político do Brasil no videoclipe da música ‘Proteste’ . A produção do audiovisual é do artista Giancarlo Burani, com colaboração da Pink Fink, e pode ser conferido aqui: https://youtu.be/T9l_BvrPhjg.Assim como na letra, o clipe de Proteste retrata algumas das percepções do vocalista Henrique Fogaça sobre um Brasil desigual e corrupto. “A música é o quadro político do país, uma política falha, que sacaneia o povo e muita roubalheira. Um problema de décadas, que persiste de governo para governo”. Crianças famintas, saúde pública em frangalhos, trabalhadores exaustos e mal pagos, a corrupção, preconceito, presídios lotados e em más condições e outras cenas contracenam com imagens que sugerem resistência e luta contra este sistema esgotado, que só divide e maltrata ao Brasil. “Falamos o que estamos vendo”, desfere Fogaça.
- A banda Anjos da Sombra liberou em todas as plataformas digitais seu disco de estreia e autointitulado. Após esse lançamento, o grupo disponibiliza aos fãs e em seu canal de YouTube vídeo ao vivo em performance da faixa de abertura do registro. "Penumbra" e "Peregrinos" já podem ser conferidas na íntegra no canal do grupo. O vídeo foi filmado em uma apresentação ao vivo que o grupo realizou na cidade de Duque de Caxias (RJ). Confira o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=nJ8nt_FEMf0
- O We Are One no Rio de Janeiro tem nova data. As produtoras Onstage Agência e Estreia Produções anunciam que o festival, que contará com três bandas internacionais de peso do punk rock, Millencolin, Satanic Surfers e MakeWar, mais a local Phone Trio, agora acontecerá no dia 19 de setembro de 2021. Os ingressos adquiridos para o evento que seria este ano continuam válidos. O Millencolin, a grande atração da noite, está em frenética atividade desde 1992. É nome recorrente do punk californiano, ou do hardcore melódico, como o gênero praticado pelos suecos ficou conhecido no Brasil, com uma sólida carreira amparada por constantes turnês mundiais e discos elogiadíssimos por crítica e público.

Notas roqueiras: Carlos Coelho, Biquíni Cavadão, Raide, Mitsein...

Biquíni Cavadão (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Carlos Coelho, indicado ao Grammy como produtor musical e compositor, e também guitarrista do Biquíni Cavadão, vai lançar o single ‘We´ll roll on’, com o próprio Coelho nos vocais, guitarra, baixo e produção musical. A bateria ficou a cargo de Diogo Macedo e o backing vocal com Tay Cristelo. A canção vem acompanhada de videoclipe, dirigido e criado por Coelho, com direção de arte e motion design por Fabio Holtz e ilustrações de Otávio Bittencourt. A música foi composta em 2011, parceria com o neozelandês Simon Spire. No Brasil, ela foi gravada em 2014, em português, com o nome ‘Deixar tudo pra trás’, no DVD ‘Me leve sem destino’, do Biquíni. Veja o clipe em 
https://youtu.be/QGJ6Em2ON0A

- A banda Raide, de São Paulo, lançou o primeiro registro de estúdio, "Estou Aqui (2019)", e agora divulga o primeiro clipe, da faixa-título. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=qbxYvp_PVao&feature=youtu.be

- Divulgando o seu álbum de estreia, “I'll Find My Way”, o Mitsein acaba de disponibilizar em seu canal oficial no YouTube, um lyric video para a faixa “Revenge”. A música, que já havia recebido um vídeo gravado ao vivo recentemente, pode ser ouvida no link https://youtu.be/O1l3vKD_YVo.

Bidu Sous escancara a paixão pelo blues no Vale do Paraíba

Bidu Sous (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Eugênio Martins Júnior - do blog Mannish Blog


Nos últimos anos tenho reparado que alguns dos jovens artistas que apareceram no mundo do jazz e do blues são oriundos de suas igrejas. Católicas e evangélicas. É a música achando seus caminhos.

Posso citar alguns aqui, o pianista de jazz Amaro Freitas, lá da capitania de Pernambuco; os rapazes das Just Groove, que acompanham por todos os cantos o guitarrista Igor Prado; os jazzistas aqui da minha terra, André William (piano) e o Elizeu Custódio (baixo).

Do vale do rio Paraíba, região prolífica para o blues nacional, veio a Bidu Sous que, desde menina se apresenta no coral de sua igreja, em Jambeiro, a meia hora de São José dos Campos.

Do vale do Paraíba, vem toda uma geração de blueseiros, Lancaster, Flávio Naves, Marcelo Naves, Fred Barley, Danilo e Nicolas Simi (os Simi Brothers) e tantos outros.

Nesse momento Bidu está trabalhando em seu CD solo, produzido por Lancaster, um dos guitarristas mais importantes da cena, criador de bandas que estão por aí fazendo barulho até hoje, Serial Funkers e Blues Beatles. Você já deve ter ouvido falar.

E pelo que eu ouvi do disco Don't Me Walk Up Early até agora, a moça está no caminho do blues. Usa a voz a serviço da emoção e a determinação para fazer o que gosta. A banda conta com caras da pesada, Adriano Grineberg (piano), Thiago Cerveira (gaita), Maurício Gaspar (bateria) e Raoni Brascher e Lucas Espildora. os dois últimos parte de sua banda.

É assim mesmo. Quando você cisma com esse negócio de blues não há outra saída. Como dizia os irmãos Allman: “Ain’t but one way out baby, lord I just can’t out the door”.

Bidu Sous representa uma cena musical que vem se renovando sempre. E, mais do que acumulando influências, misturando, renovando e criando afluentes onde os ritmos se encontram, no Mississippi e no Paraíba.

Eugênio Martins Júnior – Como foi a tua infância musical?

Bidu Sous -
Meu pai é violeiro, então eu cresci ouvindo música raíz, moda de viola. Ele sempre fazia umas rodas em casa com os amigos e sempre estava por perto. Sempre gostei de cantar. Lembro que na minha infância, uns 5 anos, nas nossas viagens de ônibus, eu ia cantando na viagem inteirinha, imaginava que a janela era um palco e ficava acenando pras pessoas na rua (risos)!

Minha mãe ficava pedindo desculpas para os outros passageiros porque eu não parava nunca. Eles diziam: “deixa, ela tá cantando bonitinho". (risos)

Quando comecei a catequese aos oito anos de idade já entrei pro coral da igreja. Só parei de cantar na igreja com 19 anos. Saí do coral e fui cantar na noite. (rs). Mas a música sertaneja e o coral da igreja foram minha grande escola.

EM – Na adolescência você cantava temas de sertanejo raiz na igreja? Conta essa história.

BS –
Eu e minhas irmãs montamos um coral gospel! Dividíamos as vozes, ficava muito bonito. E começamos a fazer paródia com os cânticos. Pegavamos uma música sertaneja famosa e colocávamos a letra das músicas da igreja. Começamos a chamar a atenção de muita gente, principalmente dos jovens e a missa começou a encher, eles gostavam de ouvir a gente. Mas aí uma das ajudantes do padre fez uma reclamação, disse que não era certo fazer aquilo com as músicas. Acabamos com o coral. Mas nossa técnica estava dando certo, levar os jovens pra igreja. (rs)

EM – E quando o blues entrou na tua vida e quando você decidiu se profissionalizar?

BS –
O blues entrou na minha vida quando eu tinha uns 17 anos. Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas, nunca gostei do som que as pessoas da minha idade estavam ouvindo. Me lembro de ficar na marcenaria do meu avô com meus tios, ouvindo música e trocando idéia enquanto eles trabalhavam. E eles ouviam várias coisas, entre Janis Joplin, Roling Stones, Eric Clapton... e eu comecei gostar. Mas eu queria saber o que eles ouviram pra chegar naquele som, queria saber o que a Janis ouvia, o que os Stones ouviam. Foi assim que cheguei ao blues. Descobri Muddy Waters, Big Mama, entre outras coisas... e me apaixonei. Mas não sabia o que era “blues", não diferenciava o estilo musical. Pra mim era um som, uma cadência que mexia mais comigo.

EM – O Vale do Paraíba tem uma cena blues bem forte. Como isso te influenciou? Ou isso não aconteceu?
BS –
É verdade. Essa cena e os músicos da região, renomados no Brasil inteiro, me influenciam, com certeza. Mas isso não aconteceu no início. Me lembro de ter visto um show da Irmandade do Blues (uma banda de Santo André) em São Francisco Xavier e fiquei maravilhada. Fui conversar com o guitarrista, que era o Edu Gomes, acho que ele nem lembra disso, mas fui pedir um conselho. Falei que queria cantar blues e queria saber o que eu poderia colocar no repertório. Ele me falou de Etta James, Koko Taylor, Nina Simone, Billie Holiday. Nunca cantei Nina Simone e Billie Holiday, mas ouvi bastante (rs). E mais tarde conheci o Lancaster Ferreira, um grande guitarrista de blues e produtor, que se tornou um grande amigo. Mas o gosto pelo blues já estava aqui. 

Bidu Sous e Lancaster (FOTO: DIVULGAÇÃO)

EM – Você está preparando o primeiro disco. O que podemos esperar dele? Teve algum fio condutor? Pelo menos nas três músicas que ouvi percebi que está bem puxado para o blues.

BS –
Podem esperar um disco de blues (rs). Quando conversei com o Lan (Lancaster, produtor do disco) que queria gravar um disco, ele me perguntou:

- Você quer fazer um disco de sucesso ou fazer um disco de blues?

- Quero fazer um disco de blues.

- Ah bom! Se me dissesse que queria fazer um disco de sucesso eu não ia topar essa empreitada, porque o sucesso é imprevisível. Mas quando a gente faz o que a gente gosta, com alma, isso já nos trás o sentimento de realização, porque acreditamos naquilo de verdade. E ainda corremos o risco de fazer sucesso. Será o primeiro disco de blues tradicional lançado por uma mulher no Brasil.

EM – Você foi pega no meio dessa produção pela pandemia de Covid-19. Como afetou esse trabalho?

BS –
Isso atrasou bastante o processo, porque estamos tomando todos os cuidados necessários, evitando proximidade etc. Então não podíamos gravar no estúdio, eu não podia ir na casa do Lan nem na casa de ninguém. Pra você ter uma ideia, o Lucas Espildora gravou os arranjos de slide em duas músicas com um celular da casa dele. Não tínhamos como esperar isso passar pra depois gravar. Depois você escuta e me diz o que achou. O menino é talentoso.

EM – Gostaria que falasse mais sobre a parceria com o Lancaster e sobre a banda que te acompanha.

BS –
Agradeço a Deus por colocar pessoas como o Lan no meu caminho. Além de ser um grande músico, é uma grande pessoa. Um cara generoso e verdadeiro. Quando conheci o trabalho dele já fiquei fã de cara. Acompanhava nas redes sociais, ouvi muito o disco “Say Goodbye to Trouble". No segundo show que assisti dele, ele já me convidou pra dar uma canja e a partir daí nos tornamos amigos. No disco, todas as músicas são autorais, compostas pelo Lan com co-autoria minha. Ele fez as letras e eu ajudei nas melodias. Mas as letras foram feitas baseadas no que ele conhece de mim. Hungry Woman, por exemplo, eu super me identifico. É que eu me alimento bem (rs). Mas esse processo de composição foi muito rápido. Quando começamos a compôr, em menos de duas semanas tinhamos todas as músicas. Foi uma conexão muito especial. Pra gravação no disco foi o Lan quem escolheu os músicos e eu fiquei muito feliz porque além de meus amigos, são pessoas que admiro muito. E por acaso, o baixista Raoni Brascher e o guitarrista Lucas Espildora, que gravou slide, fazem parte da banda que me acompanha hoje.

EM – Os festivais de blues e jazz no Brasil sobrevivem graças à Lei Rouanet e Sescs. E atualmente a cultura brasileira vem sofrendo um ataque sistemático do atual governo e essas duas frentes estão sendo muito afetadas com cortes e até uma certa marginalização. Qual a sua opinião sobre essa situação? 

BS –
Acho que isso é falta de informação de quem faz esse tipo de ataque. As pessoas tem preguiça de ler, de buscar a veracidade das coisas e se apegam em notas curtas e resumidas sobre muitos assuntos. A fake news que agrada é melhor que a verdade que derruba os argumentos. Ninguém vive sem arte.

EM – São tão poucas as mulheres blueseiras no Brasil. Você não escolheu um caminho fácil. Como encara isso?

BS –
Já ouvi de muitas pessoas que deveria circular pelos vários estilos de música; pra não ficar presa a um rótulo; que o universo do blues é machista; que não ia durar se for só por nessa vertente; entre outras coisas. Mas é que eu só canto o que eu gosto. É assim que eu encaro. Não fico pensando em fazer um som “comercial", pra abranger um público maior. Preciso gostar, sabe? Pode ser que isso mude um dia... mas me dou esse privilégio, de fazer o que gosto e eu gosto de blues. (rs).

sábado, julho 18, 2020

Notas roqueiras: Dead Daisies, Maglore, Anguere...

Dead Daisies (FOTO:DIVULGAÇÃO)

- A banda Dead Daisies, que reúne músicos australianos, ingleses e americanos, lançou o EP "The Lockdown Sessions"ava, onde os integrantes gravaram suas partes separadamente, como as lives que ocorrem atualmente. O carro-chefe é uma versão voz e violão de "30 Days In The Hole". O lançamento será pela Steamhammer / SPV e terá outras três músicas, todas acústicas: uma versão para "Fortunate Son", do Creedence Clearwater Revival (cantada pelo baterista Deen Castronovo), "Righteous Days", o primeiro single com Glenn Hughes nos vocais, e "Unspoken". A pandemia de coronavírus adiou a turnê deste ano da banda para 2021, assim como o lançamento do álbum "Holy Ground".

- "Calma" (Lucas Gonçalves/ Teago Oliveira/ Lelo Brandão), uma canção do álbum "Todas as Bandeiras" (Deck/ 2017), do Maglore, acaba de ganhar uma versão acústica e um clipe com os integrantes tocando cada um na sua casa. "Originalmente, a música aborda a calma como contrapeso da impulsividade, do desespero causado pela ansiedade, mas isso também se aplica aos conturbados dias atuais. A calma que eu enxergo nessa música não é a de se manter passivo, mas de estarmos cientes de que a paciência nos traz muito mais benesses - a longo prazo - do que agir com desespero" - comentou Teago Oliveira (violão e vocal). Lelo Brandão (violão), Lucas Gonçalves (baixo e vocal) e Felipe Dieder (bateria) registraram suas participações à distância. "Gravamos pelo celular, recolhemos o registro de áudio/vídeo das câmeras de cada um e o Lucas Gonçalves mixou e masterizou. A edição de vídeo ficou a cargo de Duane Carvalho" - conta Teago. A banda também chamou o trio de metais que os acompanha nos shows; Felipe Nader (Saxofone), Gustavo Souza (Trompete) e Douglas Antunes (Trombone). Veja o clipe em https://www.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=vYAQ9KQweCc&app=desktop

- A banda Anguere lança seu mais novo material, o vídeo de “Zé Pequeno”, faixa que se encontra no EP "Castigo", que foi lançado em fevereiro de 2020. A peça conta com cenas do filme brasileiro “Cidade de Deus", que conta a história de um dos maiores traficantes de uma comunidade. As filmagens individuais de cada integrante foram feitas em casa devido a pandemia de Covid-19 que estamos vivendo. O vídeo foi produzido pela Blood Pyramid. Veja o vídeo em
https://www.youtube.com/watch?v=DBTWx8ygLPs

Notas roqueiras: Navighator, Cuscobayo, SwitchBlack...


Navighator (FOTO: DIVULGAÇÃO)

- O objetivo da Navighator em seu álbum de estreia, homônimo, é oferecer uma experiência imersiva completa, apresentando faixas com ricas ambientações e composições elaboradas com diversas texturas contando com arranjos orquestrais, piano, sintetizador, guitarras, baixo, bateria e percussão agregados a vocais melódicos. Com composições abordando assuntos inerentes aos sentimentos humanos em nuances diversas, o projeto adota a temática náutica, reverenciando o poder e mistérios do oceano, o que é evidente em algumas canções. "Tratamos de temas incômodos mascarados por uma cortina de metáforas. Boa parte das letras foi escrita com base em histórias reais e/ou vivências pessoais", explicou Marcos Medina.Confira o videoclipe para o single "Ghost Town" em https://youtu.be/Pmb8XGQviaM

- Depois do single de estreia, O Brasil Vai Acabar, a Cuscobayo lança "Desafogo". A nova faixa, que também estará no disco Não É Bem Assim (Natura Musical), traz uma sonoridade que mergulha entre o folk e o reggae, enquanto a letra fala sobre a arte como processo de cura. Um tema bastante relevante em tempos que muitas pessoas têm se entretido com produções artísticas para ajudar a trazer um respiro, enquanto o mundo atravessa a pandemia da Covid-19. Ouça aqui.

- A banda carioca SwitchBack traz à tona o vídeo de "Lutando Pela Vida (Ao Vivo - Pandemia Session)". Com letra composta pelo vocalista Vinny Blanc, a faixa recebeu um vídeo despojado, porém de acordo com a atual realidade de todos, sendo gravado em separado na casa dos músicos.
Segundo Vinny, a decisão de lançar algo no formato veio para mostrar àqueles que os acompanham que a banda está viva e ativa, como também um "esquenta" para o lançamento do clipe oficial da faixa "Lona", a ser lançado no próximo mês. Confira "Lutando Pela Vida (Ao Vivo - Pandemia Session)" clicando no link https://www.youtube.com/watch?v=CDkdXJ4VEfM

'Blow By Blow', a maravilhosa guinada na carreira de Jeff Beck, completa 45 anos

Marcelo Moreira



Educado, respeitoso, gentil e imprevisível. Rod Stewart se diverte com a descrição do amigo Jeff Beck, parceiro musical há quase 55 anos, desde os enfumaçados pubs da periferia de Londres. São tão amigos que as brigas sempre terminam em cerveja.

Imprevisível é a palavra que pode qualificá-lo com exatidão, além de "gênio" e "inovador" - o maior guitarrista de todos os tempos, já que Jimi Hendrix, para muitos, não era desse planeta.

Talvez a maior prova de imprevisibilidade de Beck seja o álbum "Blow By Blow", lançado há 45 anos e tido pela maioria dos fãs como o seu melhor disco.

Como pode ser o melhor disco de um dos maiores nomes do rock ser um álbum de... jazz? Pois é, o mestre das seis cordas trocou um passado roqueiro e bem lucrativo pelo arriscado mundo do jazz rock e por caminho antes só trilhados por músicos de altíssimo calibre, como John McLaughlin e Allan Holdsworth - na realidade, os dois nunca foram de fato instrumentistas de rock.

Beck não pensou duas vezes em mudar tudo em meados de 1974. Quando queria mudar mas não reunia coragem para comunicar isso aos então parceiros, ele simplesmente sumia, aproveitando a fama de retraído, recluso e reservado.

Era então a sua fase mais pesada, investindo no hard rock vigoroso no trio Beck, Bogert and Appice. Carmine Appice (bateria) e Tim Bogert (baixo e vocais) formaram a cozinha do Cactus e do Vanilla Fudge.

Ambos foram surpreendidos um ano meio antes quando Beck acabou com sua banda de rock/funk rock para propor a formação de um trio de rock pesado. Seus então ex-companheiros souberam de seus planos pela imprensa.

Seguindo a tradição, ambos também souberam de que o guitarrista inglês tinha aderido ao jazz e iniciado sua carreira solo pelas revistas britânicas. Não gostaram nem um pouco, pois estavam estúdio gravando o segundo álbum do trio.

Beck sumiu no final do primeiro semestre de 1974 e só reapareceu no ano seguinte, com "Blow By Blow" debaixo do braço e mostrando uma técnica ainda mais invejável ao lado de um time de instrumentistas maravilhosos.

Com a segunda encarnação do Jeff Beck Group ela já tinha dado os primeiros passos com a gravação da fenomenal "Definitely Maybe", de sua autoria, lançada em 1972, um tema instrumental e sua autoria que transborda sentimento, melancolia e paixão.

O rock pesado logo cansou  sua guitarra e ele começou a observar o que tinha em volta e mergulhou no jazz do baterista Billy Cobham, do guitarrista John McLaughlin e sua Mahavishnu Orchestra e também na alegria contagiante dos discos de Stevie Wonder e Carlos Santana.
in
"Blow By Blow" foi uma espécie de libertação para Beck. Angustiado com o que considerou  limitação dentro da estrutura rock de canções, viu seu mundo se expandir na exploração de novas sonoridades e embarcar na composição de novas estruturas musicais.

Para a empreitada considerada por ele como monumental, foi necessário o recrutamento de George Martin, o produtor dos Beatles. Da segunda encarnação do Jeff Beck Group ele resgatou o amigo e fenomenal tecladista Max Middleton. Como participação especial, Stevie Wonder tocou clavinete. Completaram o time o baixista Phil Chen e o baterista Richard Bailey.

Das nove músicas, duas era de Wonder, a estupenda "'Cause We've Ended As Lovers", que virou um clássico da música mundial na guitarra de Beck, e "Thelonius", outra peça maravilhosa.

O brilho continua no resgate de uma preciosidade dos Beatles, "She's A Woman", tranformada em uma outra canção, mais poderosa e eloquente, assim como Joe Cocker fez com "With a Little GHelp From My Friends", também de John Lennon e Paul McCartney.

Do mesmo nível é a releitura de "Diamond and Dust", clássico do rhythm and blues composto por Bernie Holland, que exala pureza e suavidade na guitarra de Beck e nos arranjos de cordas magníficos de Martin.

O antigo lado A do LP conta com quatro composições de Beck, sendo que duas viraram clássicos instantâneos - a vigorosa e energética "You Know What I Mean" e a extraordinária e surpreendentemente pesada "Scatterbrain".

Com a inauguração de uma nova fase com um álbum desse calibre, Jeff Beck passaria os próximos seis anos neste ambiente de excelência musical, que incluiu uma sequência igualmente arrasadora, em disco com "Wired", de 1976, e uma prolífica parceria com o tecladista Jan Hammer, que mais tarde se notabilizaria como compositor de trilhas sonoras para cinema e seriados de TV.

O ponto final viria com outra obra-prima, "There and Beck", de19809, recheados de hits que até hoje são executados por ele em seus shows. Curiosamente, o guitarrista relega as músicas de "Blow By Blow" para o findo da gaveta, executando-as muito raramente após a década de 80.

"Blow By Blow" é o ponto de uma carreira repleta de pontos altos. Pouquíssimos guitarristas de rock que se aventuraram na praia do jazz rock foram bem-sucedidos, pois a base de comparação é muito alta. É um álbum necessário para estar entre os dez mais para levar a uma ilha deserta.




sexta-feira, julho 17, 2020

Napalm Death anuncia capa, lista de faixas e data de lançamento de novo álbum

Do site Roque Reverso



O Napalm Death anunciou nesta quarta-feira, 8 de julho, detalhes de seu novo álbum, que chegará aos fãs neste segundo semestre de 2020. A banda britânica de grindcore liberou a capa, a lista de faixas e confirmou a data de lançamento do disco.

“Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” é o nome do álbum, cuja capa acompanha este texto. A arte, de Frode Sylthe, traz uma pomba branca, símbolo clássico da paz, toda ensanguentada e com o pescoço apertado por uma mão com luvas cirúrgicas.

O disco terá 12 faixas e será lançado oficialmente no dia 18 de setembro via Century Media Records.

“Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” sucederá o álbum “Apex Predator – Easy Meat”,
que foi lançado em 2015. Será o 16º disco do Napalm Death.

Segundo o vocalista do Napalm Death, Barney Greenway, o disco capta um cenário bastante atual do planeta. “A frase que grudei na minha mente quando comecei a pensar sobre a direção lírica desse álbum foi ‘o outro'”, escreveu ele no comunicado da banda sobre o novo trabalho.

E acrescentou: “Você podia reconhecer na época que havia um medo e uma paranoia crescendo rapidamente em todo mundo, desde migrantes até pessoas com a sexualidade fluida e isso estava começando a se manifestar em reações muito antagônicas que você poderia sentir que estavam à beira da violência. Nem todo mundo recorre a tais reações, é claro, mas até a mais básica falta de compreensão pode se tornar tóxica com o tempo. Eu não estou dizendo que isso é um fenômeno inteiramente novo, mas tem sido alimentado na história recente por algumas pessoas com uma mentalidade particularmente ofensiva em círculos mais políticos e, como sempre, eu acreditei que seria o antídoto natural promover a humanidade básica e a solidariedade com todos.”

Especificamente sobre a capa, Greenway afirmou que a pomba foi atacada com muita violência por uma “mão esterilizante” e parece particularmente quebrada e ensanguentada. “No entanto, através da violência, você pode ver um símbolo de igualdade no sangue no peito da pomba, o que talvez demonstre – pelo menos visualmente – que a igualdade encontra um modo no final. Um positivo em meio a muitos pontos negativos, então, como o próprio título do álbum sendo um pouco paradoxo – a celebração da humanidade, mesmo nas mandíbulas mutiladoras da negatividade”, salientou.

O álbum novo tem produção de Russ Russell e entrará em período de pré-venda no dia 24 de julho, quando será lançado o primeiro single do disco.

'Open Source', novo álbum de Kiko Loureiro, reconforta a alma

Marcelo Moreira

Uma trilha sonora para suportar a pandemia de convid-19. Para uns pode soar como uma frase reducionista. Para outros, como um elogio diante de um dos mais pavorosos momentos enfrentados pelo mundo.

É claro que o álbum instrumental "Open Source" é bem mais do que isso, mas não deixa de ser reconfortante para o autor, o guitarrista brasileiro Kiko Loureiro.

"Ando escutando e lendo comentários de que minha música está ajudando muita gente a encarar distanciamento social e que seus dias têm ficando menos penosos. É bom ouvir que meu trabalho melhora o dia a dia das pessoas", diz o músico.

Dividido entre Los Angeles, na Califórnia, e a Finlândia, terra de sua mulher, Loureiro está divulgando o seu mais recente trabalho solo depois de muitos anos, e o primeiro desde que se tornou guitarrista do Megadeth, gigante do metal mundial.

Na conversa com o Combate Rock, mostrou-se empolgado com a nova fase e orgulhoso pelos resultados obtidos dentro do estúdio. "É um um álbum mais melódico, ainda que soe pesado em alguns momentos. Talvez eu tenha freado um pouco o virtuosismo, mas a diversidade musical está lá, é uma característica minha. Gosto dessa coisa world music, de incorporar elementos distintos."

Essa característica está lá, com certeza, mas "Open Source" é um trabalho mais coeso do que os anteriores. Tem uma pegada jazzística evidente, com uma valorização enorme da melodia. Em alguns momentos, há menos notas e mais feeling, com destaque para músicas como "Overflow" e "Imminent Threat".



A veia mais pesada, com uma guitarra base mais densa e forte, com afinação baixa, aparece em "Vital Signs" e "In Motion", evidenciando o que ele mesmo chama de "influência de Los Angeles".

"Reconheço que possa haver alguma coisa de Megadeth em algum momento, mas é certo também que tenho escutado muita música diferente, instrumental, em meus períodos na Califórnia, além de estar experimentando outros tipos de guitarra, como modelos de oito cordas produzidos pela marca Ibañez", explica o guitarrista.

Recuperando as influências e de world music, o disco traz "Sertão", uma delicada composição com presença de violões e uma guitarra mais solta, digamos assim.

"Imminent Threat"é uma das principais faixas do disco e traz como convidado especial Marty Friedman, ex-guitarrista do próprio Megadeth e morando há mais de 20 anos no Japão.

Loureiro derrama elogios ao colega: "Seu trabalho com a banda foi muito importante, mas também prestei muita atenção aos seus trabalhos solos. Muitas vezes tentaram nos colocar como concorrentes e rivais, o que foge do meu pensamento como músico. Sua participação acrescentou, e muito, dentro do conjunto do novo CD."

Já em "Liquid Times" o convidado é o guitarrista Mateus Asato, um ás do instrumento que vive há alguns anos nos Estados Unidos. Sua presença relembra os tempos de Kiko como um dos mestres do virtuosismo do rock mundial. Participam do trabalho ainda a cozinha do Angra, os ex-companheiros Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria), além de Maria Ilmoniemi, mulher de Kiko, nos teclados.

"Open Source" tem um conceito que norteia o disco, "código aberto", em tradução livre, expressão que é usada para definir softwares onde a fonte original é disponibilizada de forma gratuita, podendo ser redistribuído e modificado.

Loureiro resgata o tema da universalidade e da função da música como entretenimento, mas fundamentalmente como arte, algo que é indissociável do ser humano.

"As composições fluíram de forma orgânica e acho que imprimi muita coisa de minha filosofia de vida e muito de minha alma musical. Como comentamos no começo da conversa, tem um jeitão de jazz, com mais feeling, embora seja um disco de rock bem definido. É uma obra simples, mas revigorante diante dos tempos complicados em que estamos", conclui o guitarrista brasileiro.

Parte de "Open Source" foi realizado por meio de financiamento coletivo (crowdfunding), que envolveu venda de tablaturas por US$ 50 (cerca de R$ 250), além de outras ofertas, que incluem a liberação gratuita de material em pistas de gravação separadas para que outros músicos façam suas versões em cima do instrumental.

Bem diferente das obras instrumentais que temos escutado ultimamente, "Open Source" reforça o que percebemos desde que Loureiro se tornou músico do Megadeth: fazia tempo que ele já estava em outro patamar no rock mundial e que precisava apenas reafirmar isso em um trabalho solo, o que fez de forma admirável em seu mais recente trabalho.

Escute o álbum na íntegra:

Notas roqueiras: Vitreaux, Facing Dear, Treze Black

- Entre julho e agosto de 2018, a Vitreaux entrou em estúdio e fez a gravação final do disco "Na Espera da Fila", que foi lançado em julho deste ano. As sessões aconteceram no Toca do Tatu, em São Paulo, com a produção musical de Caio Alarcon. A banda com guitarra, contrabaixo e bateria gravou tudo ao vivo. Não há elementos eletrônicos no som, que depois foi acrescido apenas das sessões de arranjos de cordas e metais. A mixagem e a masterização são de Pedro Serapicos. Diferente da referência sessentista dos dois primeiros trabalhos, o EP “Dois x Dois” (2014) e o álbum “Pra Gente Poder Passear” (2016), a Vitreaux chega em 2020 com outra sonoridade. Na Espera da Fila ressoa no rock argentino do Almendra, mas também se inspira nos sopros do grupo canadense The Band. Ambas foram bandas formadas em 1967.
- O Facing Fear anuncia o desligamento de Nathalia Souza, baixista fundadora da banda idealizada pelo guitarrista Raphael Dantas e baterista Vall Maranhão e que se completa com o vocalista Terry Painkiller e guitarrista John Killesh. A nota que foi publicada no Facebook do grupo diz assim: "Devido ao envolvimento de projetos futuros que necessitaria de sua grande disponibilidade, viemos informar o desligamento da nossa querida baixista Nathalia Souza do Facing Fear. Gostaríamos de agradecer por tudo que Nathalia fez na banda durante esses 4 anos. Foram muitas histórias, viagens e perrengues que passamos juntos, sempre unidos. Gostaríamos de esclarecer que não há absolutamente nenhum tipo de problema entre nós, o desligamento do trabalho foi extremamente amigável e a amizade segue mais intacta do que nunca. A nossa amiga Nathalia Souza será sempre de suma importância na história do Facing Fear! Muito obrigado Nathalia!!"
- A banda gaúcha Treze Black, de Caçapava do Sul, acaba de disponibilizar um vídeo para a música “Homicídio Solar”, gravada em formato “live session” durante a quarentena. O vídeo, gravado antes da obrigatoriedade do uso de máscaras, foi registrado no Caverão Labs, de propriedade do próprio guitarrista Gabriel Leão, o que também deu mais liberdade para Diandro Soares (vocal) Gabriel Leão (guitarra) Rodrigo Fursten (baixo) e Felipe Krauser (bateria). Assista ao vídeo de “Homicídio Solar”: https://www.youtube.com/watch?v=9rxHcClTNoE

Notas roqueiras: Orquestra Ouro Preto, Justabeli, Núcleo Brutal...

- A Orquestra Ouro Preto mantém os lançamentos previstos em comemoração aos 20 anos do grupo e leva para as plataformas digitais, no próximo dia 10 de julho, seu mais novo disco: "Orquestra Ouro Preto The Beatles - Vol. 2". Sob a regência do maestro Rodrigo Toffolo e arranjos de Mateus Freire, o disco propõe um diálogo entre os universos da música erudita e popular, e pretende repetir o sucesso do concerto "The Beatles", lançado em 2010, que circulou por várias cidades brasileiras e incluiu participação numa edição da Internacional Beatle Week, na Inglaterra. O segundo tributo à música do Quarteto de Liverpool traz no repertório arranjos inéditos de canções de sucesso no mundo todo como "Can't Buy Me Love", "I Want to Hold Your Hand", "Twist and Shout", "Here Comes the Sun", "The Long and Winding Road", While My Guitar Gently Weeps", dentre outras.
- A música “A Face da Morte” é uma das únicas de toda a carreira do Justabeli que foi composta, gravada e interpretada em língua portuguesa. Lançada no disco "Cause The War Never Ends...", o registro é também uma das mais rápidas e viscerais composições do grupo paulista de death/black Metal. Escute em https://www.youtube.com/watch?v=lmof4o9nct0
- O Núcleo Brutal lançou o EP "O Tempo Não Vai te Ajudar", que pode ser conferido em todas as plataformas digitais. O lançamento oficial do EP foi feito dia 15 de junho. Usuários de Spotify (link abaixo), Deezer, Apple Music, Tidal, Amazon Music e várias outras, pode conferir na íntegra as quatro músicas. Escute em https://open.spotify.com/album/1ru3BTWXkh6RN0Wx5R7GlQ?si=2ra0Yc9UQzuC8GCtW6SKxg

Notas roqueiras: Chaos Synopsys, Mitsein, Mad Chicken...

- Em meio aos últimos acontecimentos, a banda Chaos Synopsys usou a ociosidade da quarentena para criar e gravar a música “Coronavírus”. O novo som será um single, composto por Friggi Mad Beats e Jairo Vaz, que favorecidos pelo entrosamento concluíram em menos de 20 minutos. Para evitar qualquer risco externo de contágio, gravaram a música isoladamente de forma remota. A nova música foi gravada e mixada no Oversonic Studio (São José dos Campos-SP) e masterizado novamente no Absolut Master (São Paulo-SP). A produção foi assinada por Friggi Mad Beats. No momento, os guitarristas Luiz Ferrari e Diego Santos estão em quadro de observação, pois existe a suspeita de Coronavirus (covid-19). Então a missão e responsabilidade ficou com o baterista Friggi, que gravou obviamente a bateria, além das bases de guitarra e baixo. O solo foi direcionado para participação especial de Sebastian Phillips, mais conhecido com a banda americana Exhumed. Confira: https://youtu.be/X8B__e9APKY
- A banda Mitsein trocou de baixista. Sai André Oliveira, que vai se dedicar a estudos acadêmicos, e entra Alberto Barbosa. Alberto iniciou sua jornada no baixo em 1988, tendo passado por várias bandas e feito inúmeros shows em sua vasta carreira.
- A banda de stoner grunge Mad Chicken, de Arcos (Minas Gerais), lança pela Abraxas Records o segundo disco, Homemade Demo Tape, Vol. II. São 11 faixas, entre inéditas, versões alternativas de músicas de registros passados e um cover. Ouça nas principais plataformas de streaming: https://album.link/4bmvFHpBsPfmn. Homemade Demo Tape – Vol. II apresenta as novas 'Medíocre' e 'Awake', que deixam explícito a verve noventista da Mad Chicken, com muitos riffs, melodias e sujeira nos timbres, tudo em doses exatas. A banda, formada por Filipe Xavier (vocal), André Salviano (baixo), Daniel Santos (guitarra), Michel Custódio (guitarra) e Pedro Paim (bateria), também regravou oito faixas dos dois primeiros trabalhos, ‘Limestoner (2017)’ e ‘Homemade Demo Tape (2016)’. O cover de 'Silver Water', da River Act (Iguatama-MG), completa o disco. O álbum foi produzido pela Mad Chicken e gravado em home estúdio durante a pandemia, entre março e junho de 2020. A arte da capa foi produzida por Gustavo Henrique Gonçalves (Gatilho Mental).

quinta-feira, julho 16, 2020

Programa Combate Rock destaca Ennio Morricone, Rolling Stones e o Dia do Rock


O programa desta semana começa prestando tributo a um dos grande nomes da música do século passado: Ennio Morricone (foto), autor de trilhas sonoras incríveis, com uma enorme lista de grandes composições e que morreu na semana passada. Ainda falando sobre quem partiu para o além, lembramos de Cazuza, cuja morte aconteceu há 30 anos.
Também destacamos o lançamento de mais um pacote de álbuns remasterizados dos Rolling Stones e terminamos falando sobre o Dia “Mundial” do Rock, comemorado somente no Brasil e o Live Aid 1985, concerto beneficente que motivou a criação da data.
Clique no player e divirta-se!

Notas roqueiras: Edú Marron, Daniel Siebert, Conflito...

Edú Marron é um guitarrista paulistano engajado em diversas atividades sociais e de valorização dos direitos humanos, para não dizer que é um respeitado skatista. Com ao menos dois CDs de excelente qualidade, o músico está lançando o single "Dark Side of Humanity" repleto de referências que fazem parte de sua carreira. A guitarra grooveada e insana conduz as melodias de funk setentista em cima de uma cama forte e criativa de teclados. é forte o cheiro de blaxploitation, bem, característico dos anos 70 do século passado. Blaxploitation ou Blacksploitation foi um movimento cinematográfico norte-americano que surgiu no início da década de 1970. Os filmes blaxploitation eram protagonizados e realizados por atores e diretores negros e tinham como público-alvo, principalmente, os negros norte-americanos. O trabalho de Edú Marron é fortemente marcado pelo som de Jimi Hendrix, Eric Gales e Gary Clark Jr, todos guitarristas negros e fantásticos. Escute a sua nova música em https://www.youtube.com/watch?v=NsYbwx_L6CI

- Quem também está com trabalho novo é o vocalista e líder da banda Catarinense Machado de Einstein, Daniel Siebert, que acaba de disponibilizar mais uma faixa inédita. "Since 1977" é o terceiro single do EP "Sanity", que já está nas plataformas digitais. Veterano da cena de Santa Catarina, o músico toca guitarra e canta, procurando timbres modernos e diferentes dentro do rock nacional. Entre suas influências estão Ramones, Perl Jam, Sepultura, Raimundos e outros. Escute o novo single clicando aqui.

- Após o lançamento de "Crime e Castigo", em maio, a banda Conflito vem com outra novidade. O novo single, "Portas Fechadas", mostra que fluxo de materiais produzidos pela banda continua firme e sugere uma imersão ainda maior em temas e melodias mais densas. Inspirados por uma série de fenômenos cotidianos, os músicos voltam a jogar luz em aspectos sombrios das relações humanas e o impacto negativo que declarações, tomadas de decisão e a criação de expectativas podem gerar em cada um. Ainda que o cenário esteja bem posicionado ao decorrer da faixa, a banda faz questão de deixar suas abordagens líricas "em aberto", permitindo que a pessoa consiga se inserir e se identificar com a história.

Notas roqueiras: Inanimalia, Azzarok, Jukebox From Hell, Gravekeepers...

- O Inanimalia apresenta a capa do novo registro de estúdio, o aguardado “Intrínseco”, que está totalmente finalizado. A ideia inicial da banda é apresentar cada uma das músicas em fases distintas. As músicas serão trabalhadas em vídeos oficiais e lançamentos nas plataformas digitais. A primeira faixa, "Butterfly", já pode ser conferida em clipe oficial e no streaming. Assista ao clipe de "Butterfly": https://www.youtube.com/watch?v=Tmwb1p-VfbE Tracklist: 01 – I’m The Lion 02 – Eye of Isis 03 – Butterfly 04 – Umbral 05 – Homo Divinus

- Após o lançamento físico e digital do disco "Life Countdown", a banda Azzarok inicia oficialmente a distribuição das faixas do registro para seus fãs e seguidores no YouTube. O início deste processo se dá com a liberação da faixa de abertura, "Genesis", compilada com Voices From Beyond. Usuários do YouTube, já podem escutar ambas as faixas na íntegra e unificadas. Confira: https://youtu.be/NpMgxcwLH7c

- Com o processo de gravação de seu novo álbum de estúdio, intitulado “A Saga do Terceiro Irmão”, quase encerrada, o Jukebox From Hell não para e disponibilizou em seu canal oficial no YouTube para audição na íntegra, a faixa “Bonança”, presente no álbum “Eu, Deus e o Rock and Roll”. Você pode ouvir a música no seguinte link: https://youtu.be/vM2uMud2YLo

- Na próxima sexta-feira, dia 17 de julho, a partir das 21h, as bandas Azzarok, Jukebox From Hell e Gravekeepers irão participar da 2ª edição do Stay Home Festival, organizado pelo portal Metal com Batata. O festival será transmitido pelo canal oficial do Metal com Batata no Youtube (www.youtube.com/c/METALCOMBATATA), com transmissão simultânea da Radio Baixada Santista.

Rebeldia e inquietação estão no passado: o conservadorismo avança no rock

Marcelo Moreira

Reprodução da capa da edição brasileira do livro "Liberdade de Expressão: Dez Princípios para Um Mundo Interligado", de Timothy Garton Ash

O filme "Whiplash", pelo qual o ator J. K. Simmons ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, é bem didático a respeito do mundo insano da música de alta performance e, inversamente, o pouco público que acorre aos eventos de jazz, notadamente gente mais velha, supostamente intelectualizada, mas conservadora até a medula.

O maestro e professor perverso e sádico da escola superior de jazz, o papel de Simmons, parece saído diretamente de um livro do historiador marxista Eric Hobsbawn (1917-2012), que escreveu o magnífico "A História Social do Jazz".

Em "Tempos Fraturados", uma de suas últimas obras, Hobsbawn faz uma série de análises sobre a cultura no século XX, debruçando-se mais sobre arquitetura, cinema e literatura, mas faz cáusticas observações sobre a situação do jazz e da música erudita: manifestações empacadas no passado, com público pequeno e diminuindo a cada ano e celebrando dia após dia a obra de gente em sua maioria morta ou aposentada, sem sopro de inovação e criatividade.

O maestro de "Whiplash", levando a sua orquestra jovem novaiorquina com mão de ferro, tira o sangue, literalmente, de seus alunos-músicos com a busca da perfeição em peças como "Caravan", composta por Duke Ellington, Juan Tizol e Irving Mills.

Com o desaparecimento do rock das listas atuais de "maiores sucesso", dominadas por rap e rhythm and blues moderno nos Estados Unidos e pelo sertanejo no Brasil, muita gente associou esse "futuro para o gênero ao discutir a data, 13 de julho, o Dia Internacional do Rock, só comemorado aqui no Brasil.

Pois bem, o futuro chegou e o rock se tornou um gênero musical de nicho no Brasil, assim como o blues e o próprio jazz.

Com a perda de  e o avanço da idade de parcela expressiva de seu público, o classic rock ganhou uma relevância que nunca teve, especialmente no Brasil. Logo será uma música apreciada por gente mais velha que prefere ouvir obras de gente morta há muito, muito tempo...

Com a falta de renovação de seu público, que sumiu, fica a pergunta: será que essa é a razão pelo avanço do conservadorismo político e nos costumes entre os apreciadores que ainda insistem em ouvir rock, mesmo entre o mais novos?

É uma tese instigante, embora não haja uma pesquisa séria e abrangente sobre o assunto. O número alto de bandas que surgem desde sempre, em um movimento inversamente proporcional ao surgimento de um público novo e mais jovem, escancara a contradição, em nossas terras, da falta de apelo do gênero musical atualmente.

Em algum lugar do passado

No pop rock, as referências continuam sendo artistas que estão beirando os 40 anos de carreira, como Ira!, Paralamas do Sucesso, Titãs e os finados Legião Urbana e Cazuza, entre outros.

A última banda do gênero que fez sucesso estrondoso foi Los Hermanos, e isso ocorreu há mais de 20 anos. O rock nacional até consegue revelar alguns nomes novos, mas sobrevivem um pouco mais aqueles que buscam uma sonoridade um pouco mais próxima da época de ouro, os anos 80. Quem tenta fazer algo diferente, mais indie, enfrenta a indiferença e desprezo.

O Terno, Autoramas, Boogarins, The Baggios, Far From Alaska e mais algumas outraam ss fazem algo mais avançado e diferente, tentam furar a bolha, inclusive a ideológica, mas sofrem resistências e encontram algum mercado receptivo no exterior.

No rock mais pesado, as dificuldades são ainda maiores, e isso levando-se em conta que os artistas tentam se distanciar ao máximo das querelas ideológicas. Também, aqui, o número de novos artistas é inversamente proporcional à quantidade de público, cada vez menor e menos propensa a valorizar o novo e o audacioso.

Em tempos de pandemia, o que percebemos é que fica escancarada a opção pelo clássico e pelo passado. Em época de recolhimento forçado para a maioria, foi a hora de desempoeirar o vinil de Jimi Hendrix ou aquele velho álbum de Neil Young ou de Raul Seixas. Banda nova? Nem vou acionar o meu Spotify ou Deezer. Live nas redes sociais? Dez minutinhos bastam...

E então vemos as manifestações de conservadorismo político-comportamental avançando em um meio que progressivamente perde a conexão com a parcela mais vanguardista.

Se a pandemia evidenciou a incompetência deliberada e criminosa do governo Jair Bolsonaro, por outro lado exacerba o mau humor mal direcionado de uma parcela que ainda parece disposta a tolerar as barbaridades. Mais ainda, se recusa a enxergar as mazelas que nos afligem hoje.

Alvo errado

A pandemia acirra conflitos e raiva contra o chefe, contra o fiscal que apenas faz o seu trabalho, contra o motorista de ônibus que dirige mais devagar (e com segurança), contra o caixa do banco ou do supermercado, contra a enfermeira exausta que não consegue vaga no posto de saúde ou no hospital público...

É o avanço da mediocrização dentro do rock, que começa a perceber, em seu mundinho cada vez mais estreito, o avanço de gente burra e desinformada que acha que artista, em geral, é tudo maconheiro e comunista (apesar de bradar que adora Led Zeppelin e Iron Maiden...).

Pior do que o avanço desse "terraplanismo" dentro do rock é o silêncio incômodo e asqueroso da maioria. Esta até percebe as barbaridades que são cometidas e as bobagens que são vomitadas, mas a preguiça e o desânimo drenam a energia necessária para combater a mediocridade.

Diante disso, o espírito conservador de classe média burguesa preguiçosa ressurge, com a clássica falta de vontade para o novo e o diferente e a esperada má vontade para qualquer tipo de progressismo, que escorre perigosamente para a deformação de caráter quando afeta as pautas de defesa dos direitos humanos, da democracia e das liberdades civis e de expressão.

É desalentador dizer isso, mas parte expressiva do roqueiro classe média desalentado é o cara que viu muitos de seus sonhos em outras áreas desabarem ou não se concretizarem, aqueles que se sentiram lesados e enganados - mas pelos motivos errados - com uma série de governos que prometeram muita coisa, mas que ficaram pelo caminho.

Essa gente classe média preguiçosa e fossilizada só pensa em si, por isso vota paroquialmente, no vizinho ou no parente do amigo, seja qual for o partido. É aquela gente que não se lembra em quem votou para deputado ou vereador e que se contenta, atualmente, em eleger idiotas que prometem matar bandidos aos montes e de prender indiscriminadamente corruptos - desde que sejam de outros governos...

É lamentável que roqueiros, mesmo que de classe média pouco afeitos à leitura e aos estudos e que tendam a votar em gente que ideologicamente vai se voltar contra ele próprio, ignorem os avanços sociais e econômicos que começaram lá no governo Fernando Henrique Cardoso.

Durante 16 anos,  entre 1994 e 2010 - nos governos FHC e Luiz Inácio Lula da Silva -, a democracia não só foi preservada como reforçada, com crescimento econômico consistente e crescente, ainda que com crises e solavancos no período.

A pobreza diminuiu, o mercado consumidor cresceu e a geração de empregos teve saldos positivos - a taxa de desemprego baixou para inacreditáveis 4,8% por volta de 2005 e 2006.

Bastaram a desaceleração ocorrida a partir de 2012 e desarranjos políticos a partir de 2014 para que parte dos eleitores se desencantassem, dentro de sua visão estreita, vil e individualista que caracteriza o brasileiro, para jogasse todos os avanços civilizatórios no lixo e apoiasse um golpe institucional vergonhoso contra a presidente Dilma Rousseff e sonhasse com uma estabilização diante do lamentável governo de Michel Temetr. A parcela cada vez maior der conservadores no rock apoiou esse mergulho no abismo. O resultado é o flerte com o fascismo bolsonarista.

Nicho conservador

Ao contrário do que ocorreu nos Estados e em parte da Europa, o rock demorou a penetrar na nossa sociedade, sendo visto como um estrangeirismo passageiro em um país com forte identidade cultural e manifestações próprias.

Como o jazz puro e o blues, foi abraçado por uma elite intelectual-cultural, que teve sucesso, em parte,  em estabelecer o rock como um gênero plural, diversificado, expansionista e internacionalista, ainda que fosse impossível negar um caráter anárquico, rebelde e até violento, em certos casos.

Só que, essencialmente, era um gênero de classe média. Quando a juventude brasileira aproveitou o ocaso da ditadura militar, nos anos 80, para se manifestar, a rebeldia tinha nome e cara e som: o rock inofensivo da molecada da zona sul ensolarada carioca e da vida cara e boêmia dos Jardins e Pinheiros, em São Paulo. A rebeldia só ia até a página 10, com a revolução ficando confinada aos punks das zonas norte e sul de São Paulo.

O rock encontrou campo fértil na juventude desacostumada com a liberdade da democracia e em estudantes que precisam de veículos para dar vazão aos pensamentos progressistas represados, como justiça social, redução da pobreza e da desigualdade econômica, universalização da saúde e da educação e expansão vigorosa das artes e da cultura livres de censura. O rock veio a calhar.

Trinta anos depois, esse mesmo rock deixou de dialogar com os jovens, principalmente os da periferia pobre das grandes cidades. O rap e o funk agradeceram e tomaram conta, com linguagem, sons e culturas próprias, sem regras e preconceitos. E o rock continuou confinado à classe média, que cada vez mais o abandonava, caindo de cabeça no deplorável sertanejo e suas variantes, uma pior do que outra.

iEssa mesma classe média, cansada da volatilidade econômica, com picos de euforia e muitos de depressão, decidiu procurar culpados em todas as direções, errando todos os alvos. Um destes foi a democracia, que começou a ser relativizada à medida que as coisas desandaram.

Quem diria? Parte expressiva dos roqueiros aderiu a esse pensamento raso e superficial e acreditou que um golpe parlamentar espúrio resolveria todos os problemas e transportaria imediatamente o país para o olimpo do dinheiro farto e fácil. Todos os problemas acabariam.

Na verdade, só aumentaram e pioraram, desembocando na eleição de um político amador com tendências autoritárias, que estabeleceu um governo miliciano onde faltam competência e sobram desprezo à democracia e destruição de valores civilizados.

Os roqueiros conservadores não conseguem explicar o porquê de sentirem ludibriados durante os anos de redemocratização e reconsolidação da democracia, uma época em que havia esperança de que um país um pouco melhor e mais justo pudesse ser construído.

Em tempos bolsonaros e de pandemia, não dá mais para disfarçar que o roqueiro classe média conservador é egoísta, individualista, moralista, preconceituoso, com tendências autoritárias e que menospreza a liberdade de expressão - a mesma que permite que ele brade contra quem quiser e que possa ouvir o tipo de som que quiser, mesmo que seja de artistas racistas e que esbarram no fascismo, como Pantera e Ted Nugent.

No fundo, todo o ambiente esfuziante e progressista da música brasileira depois de 1985 incomodava esse apreciador de música anódina e incolor, que adorava letrinhas falando de praia e abominava a crítica contundente de Cazuza em "Brasil" e "Ideologia".

Era o/a fã que se satisfazia com as piadas sem graça dos Mamonas Assassinas e com as expressões chulas e politicamente incorretas (até certo ponto) dos Raimundos - mas torcia o nariz para "Alagados", dos Paralamas do Sucesso, o "Até quando Esperar", da Plebe Rude, isso quando conseguia ter cérebro para entender a letra.

Para essa gente, rock era somente rock, não tinha que falar de política. Tinha de se manter inofensivo o tempo todo. Tinha de ter parado, esteticamente, lá nos anos 70, de preferência sem muito barulho - no máximo, um Led Zeppelin. Para que tanta potência no heavy metal? Para que tanta nojeira e rebeldia no punk?

Intolerância e preguiça

Os mais apressados vão dizer que o ambiente roqueiro atual é apenas um reflexo da decadência do gênero, em particular, e do que ocorre no resto da sociedade.

Esse pensamento é simplista demais e reducionista demais. Ignora questões bem complicadas, como a própria condição de conservador em um gênero musical libertário, avesso a regras, rebelde e quase sempre associado a movimentos revolucionários.

Especificamente no atual momento da política brasileira, essa contradição é fatal, já que o roqueiro conservador, de cunho evangélico e autoritário, louva um mito que tem, no seu "plano" de governo, medidas que atingem diretamente a vida cotidiana de quem aprecia rock.

É um presidente em guerra permanente contra a cultura, o conhecimento, as artes e a educação. Que despreza os artistas ("são todos comunistas") e que constantemente atenta contra a liberdade de expressão e de comportamento. Isso quer dizer que, no limite, é um governo que pode vir a ser autoritário e proibir músicas e shows de muitas bandas de rock, por exemplo.

É muita pretensão querer determinar que conservadores não podem gostar ou curtir rock. Coisas incompatíveis? Nem tanto. Não são excludentes.

No entanto, muita gente capaz e com coisas importantes a dizer consideram que o tipo de ultraconservadorismo que empesteia nossas vidas nestes tempos insanos e perigosos faz mal para a democracia e para a civilização - e muito mal para o ambiente do rock.

O ultraconservadorismo preconizado por parte relevante de nossa sociedade e encampado por apoiadores da excrescência que está encastelada na presidência, é intolerante por definição, sendo incompatível com a vida inteligente, com a democracia e com o nosso tempo. É incompatível com o rock.

Esse debate foi enriquecido nesta semana por um texto interessante publicado pelo portal UOL, antiga casa do Combate Rock. Clique aqui e leia mais sobre como o conservadorismo avançou no mundo do rock.