Crônicas bolivarianas
Esgarçamento social. Esse foi o termo que um microempresário brasileiro usou para descrever o que acontece hoje na Venezuela. “Uma sucessão de crises está destruindo o país. Primeiro foi a política, depois a econômica, em seguida a social e agora a moral. Ninguém mais respeita ninguém. Os debates sobre qualquer assunto foram reduzidos a embates entre torcidas organizadas em confronto.”
Especialista na área de automação empresarial e bancária, o jovem empresário que retornou de Maracaibo, uma das grandes cidade de lá na semana passada, sabe do que está falando.
Morou duas vezes em Caracas. Nos anos 90 jogou basquete por uma universidade local durante um ano. Quase dez anos depois, passou mais oito meses no país estudando economia latino-americana na mesma universidade, em nível de mestrado.
Esquerdista convicto, mas com faro enorme para bons negócios, saudou a chega a ao poder de Hugo Chávez, e conseguiu bons contratos em empresas locais. Sua pequena empresa de automação conseguiu implantar cinco grandes sistemas em Caracas Maracaibo e dois em La Paz, na Bolívia.
Sua viagem mais recente, no entanto, deve ser a última durante muito tempo. Ao final de seu último contrato de suporte técnico em vigor, foi pessoaolmente ao cliente dizer que não renovaria o compromisso e que estava deixando a Venezuela por tempo indeterminado, talvez para sempre.
“Falta o básico nos supermercados. Tudo é muito caro. Não mais opção, o mercado paralelo cresce, paga-se propina para tudo. Caracas virou uma cidade completamente vigiada, há policiais por todos os lados, há gangues chavistas que ameaçam e achacam de forma explícita”, diz desolado. “Não há mais solidariedade, só confronto. Ninguém mais conversa. O clima é tenso até mesmo em botecos de esquina.”
A recente crise política é só o reflexo de falta de rumo do país, em sua opinião. Falta inteligência, falta discernimento, falta método, falta informação.
“Hugo Chávez acha que é possível governar por decreto, que não é necessário dialogar e debater e que todo mundo lhe deve favores. Com isso destruiu a economia do país e está destruindo a sociedade. Não foi para isso que o apoiamos e o elegemos, para viver numa sociedade fechada e censurada, com perseguições políticas e econômicas. Encerrei meus negócios por lá”, concluiu o microempresário.
Um jornalista amigo conseguiu entrevistar um técnico de vôlei paulista que até dezembro trabalhava nas categorias de base de um importante clube de Caracas. Com poucas variações, o relato dele é muito parecido com o do microempresário.
“Há quase dois anos a economia está em queda livre, o dinheiro não vale nada, o mercado negro floresceu e dominou tudo. Os problemas políticos só agravaram a violência urbana. Para sair à rua hoje temos de nos preocupar não só com os assaltos, coisa comum há tempos, mas com as ‘blitz’ de gangues chavistas que odeiam estrangeiros e perseguem comerciantes e ‘ricos’. Não dá mais”, disse o treinador.
A diplomacia brasileira foi bastante rápida ao se envolver na questão política de Honduras, mas estranhamente mantém o silêncio sobre a crise venezuelana. É bom começar a se movimentar, pois os brasileiros que lá residem com certeza vão precisar de ajuda.
Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Crônicas marcianas e bolivarianas
A situação na Venezuela há muito tempo deixou de ser uma questão ideológica. Virou caso de (in)sanidade mental. Ministros se demitem, há desabastecimento generalizado, a economia esfarela e a população se enfrenta nas ruas. Mas o presidente Hugo Chávez está mais preocupado em cassar concessões de TV e tentar desesperadamente gritar que ainda manda no país.
Como é possível um país se deteriorar de forma tão explícita e rápida e mesmo assim ninguém na comunidade se manifestar a respeito?
Mais do que uma ditadura ideológica, o regime bolivariano se transformou em um monstrengo esquizofrênio desordenado, sem liderança e totalmente corrupto.
As consequências para os vizinhos logo serão sentidas, com a ampliação dos tentáculos do crime organizado e a fuga de refugiados.
@@@@@@@@
E a perseguição aos meios de comunicação e à liberdade de imprensa continua no Brasil. A única alteração no estapafúrdio Programa de Direitos Humanos do governo federal foi semântica, apenas para agradar aos militares.
Permanecem no texto, de forma inconstitucional, os atentados ao direito de propriedade - com sinal verde para as invasões de terra - e as tentativas de controle e censura da mídia e da imprensa. E quase ninguém fala nada, achando tudo muito normal.
@@@@@@@@@
Enquanto se fala em um tal “Plano Lula” de ajuda financeira ao Haiti, gente continua morrendo em enchentes e deslizamentos de terra no Brasil - sem falar nos que morrem de fome e de doenças tropicais de países subdesenvolvidos, há muito erradicadas, mas que voltaram à cena justamente por desleixo e incompetência. Tem gente em Brasília que vive em Marte.
A situação na Venezuela há muito tempo deixou de ser uma questão ideológica. Virou caso de (in)sanidade mental. Ministros se demitem, há desabastecimento generalizado, a economia esfarela e a população se enfrenta nas ruas. Mas o presidente Hugo Chávez está mais preocupado em cassar concessões de TV e tentar desesperadamente gritar que ainda manda no país.
Como é possível um país se deteriorar de forma tão explícita e rápida e mesmo assim ninguém na comunidade se manifestar a respeito?
Mais do que uma ditadura ideológica, o regime bolivariano se transformou em um monstrengo esquizofrênio desordenado, sem liderança e totalmente corrupto.
As consequências para os vizinhos logo serão sentidas, com a ampliação dos tentáculos do crime organizado e a fuga de refugiados.
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E a perseguição aos meios de comunicação e à liberdade de imprensa continua no Brasil. A única alteração no estapafúrdio Programa de Direitos Humanos do governo federal foi semântica, apenas para agradar aos militares.
Permanecem no texto, de forma inconstitucional, os atentados ao direito de propriedade - com sinal verde para as invasões de terra - e as tentativas de controle e censura da mídia e da imprensa. E quase ninguém fala nada, achando tudo muito normal.
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Enquanto se fala em um tal “Plano Lula” de ajuda financeira ao Haiti, gente continua morrendo em enchentes e deslizamentos de terra no Brasil - sem falar nos que morrem de fome e de doenças tropicais de países subdesenvolvidos, há muito erradicadas, mas que voltaram à cena justamente por desleixo e incompetência. Tem gente em Brasília que vive em Marte.
Fracassados e perdedores
Fracasso é a palavra que define alguns dos “grandes craques” do futebol brasileiro que enganam torcedores neste começo de 2010. O fracasso é tamanho e tão retumbante que já faltam argumentos para “justificar” a volta deles ao país, tudo devidamente calibrado por um ufanismo abjeto.
O mais recente símbolo da falência e do fracasso do futebol brasileiro é Robinho, o maior salário do futebol inglês mas que diz não conseguir viver “sem ser feliz”. Praticamente acertou o seu retornoao Santos, para enganar trouxas na baixada Santista.
Na verdade Robinho não conseguiu ser profissional. Nunca quisser profissional. Achou que bastavam algumas pedaladas para que um bando de espanhóis e ingleses imbecis engolissem seus malabarismos inúteis. Durou pouco o engodo.
Robinho é mais um parasita do futebol, assim como tantosoutros. É uma foca amestrada que repete os mesmos truques de sempre, tal qual Denílson, ex-São Paulo, que enganou os espanhóis do Bétis, os franceses do Bordeaux e o Flamengo. Até campeãso do mundo foi em 2002, na reserva. Mas nunca passou de um enganador.
Robinho fracassou na Europa porque não gosta de trabalhar. Tem um talento fantástico, mas é pouco afeito ao trabalho. Acha que sabe tudo.
No Santos até poderia ser que esse comportamento funcionasse, já que o clube sempre pensou pequeno - só foi grande enquanto Pelé jogou, antes e depois nunca passou de uma Ponte Preta com mais torcida.
Em um ambiente amador destes, é claro que robinho seria rei e faria o que quisesse - como sempre fez entre 2002 e 2005, quando era odono do clube e do time ao lado do igualmente talentoso e igualmente irresponsável Diego.
Robinho é mais uma promessa que não se cumpre. Repete a decepção e falta de profissionalismo já demonstrada por gente como Adriano, hoje no Flamengo, e Fred, hoje no Fluminense, dois seres que não merecem respeito porque achou que deveriam ser reverenciados na Europa antes mesmo de mostrar serviço.
O rompimento de Adriano com a Internazionale, da Itália, é um dos episódios mais vergonhosos e nojentos da história do futebol.
Moleque mimado e doente, quebrou sem cerimônias seu milionário contrato, como se estivesse lidando com a diretoria de um clube de bairro. Perdeu credibilidade e é mais um símbolo do fracasso que são os “pseudo-craques” brasileiros tipo exportação, mais preocupados em badalar do que em jogar.
Fred não quis ser profissionale se irritou com as cobranças no Oympique de Lyon. Preferiu assumir seu fracasso e pessoal e se divertir em um Fluminense falido que se contenta em fugir de rebaixamentos e ser humilhado por equatorianos em competições continentais.
E quebra de contrato parece ser a tônica dessa estirpe de perdedores e fracassados. Vágner Love ficou cinco anos escondido na Rússia até ser repatriado pelo Palmeiras, time que o revelou.
Não só não jogou nada como mostrou total falta de comprometimento e profissionalismo, ao praticamente exigir a sua saída do Palmeiras para jogar no seu Flamengo de coração - seu desejo explícito antes mesmo de assinar novamente com os paulistas.
A sua falta de profissionalismo acabou sendo ofuscada pela agressão que sofreu em uma agência bancária, coisa de bandidos geralmente vinculados a torcidas-gangues organizadas.
Esse fato acabou servindo de desculpa para sua fuga para o Rio de Janeiro. Mas que ninguém se engane: Vágner Love chegou ao Palmeiras querendo sair, só pensando em seleção brasileira e Copa do Mundo. Ainda bem que perdeu as duas coisas. Tomara que esse seja o mesmo destino deRobinho, Fred e Adriano.
Roberto Carlos e Ronaldo no Corinthians? Aparentemente são dois bons exemplos de comprometimento, mesmo em fim de carreira. Costumam cumprir seus contratos e entregam o que prometem.
Mas que ninguém se iluda: as lembranças da Copa de 2006 na Alemanha ainda estão vivas e o marketing está dominando e suplantando cada vez mais o futebol no Corinthians. Se houver decepção grande, seja ela qual for, não espere muita solidariedade dos dois jogadores.
Fracasso é a palavra que define alguns dos “grandes craques” do futebol brasileiro que enganam torcedores neste começo de 2010. O fracasso é tamanho e tão retumbante que já faltam argumentos para “justificar” a volta deles ao país, tudo devidamente calibrado por um ufanismo abjeto.
O mais recente símbolo da falência e do fracasso do futebol brasileiro é Robinho, o maior salário do futebol inglês mas que diz não conseguir viver “sem ser feliz”. Praticamente acertou o seu retornoao Santos, para enganar trouxas na baixada Santista.
Na verdade Robinho não conseguiu ser profissional. Nunca quisser profissional. Achou que bastavam algumas pedaladas para que um bando de espanhóis e ingleses imbecis engolissem seus malabarismos inúteis. Durou pouco o engodo.
Robinho é mais um parasita do futebol, assim como tantosoutros. É uma foca amestrada que repete os mesmos truques de sempre, tal qual Denílson, ex-São Paulo, que enganou os espanhóis do Bétis, os franceses do Bordeaux e o Flamengo. Até campeãso do mundo foi em 2002, na reserva. Mas nunca passou de um enganador.
Robinho fracassou na Europa porque não gosta de trabalhar. Tem um talento fantástico, mas é pouco afeito ao trabalho. Acha que sabe tudo.
No Santos até poderia ser que esse comportamento funcionasse, já que o clube sempre pensou pequeno - só foi grande enquanto Pelé jogou, antes e depois nunca passou de uma Ponte Preta com mais torcida.
Em um ambiente amador destes, é claro que robinho seria rei e faria o que quisesse - como sempre fez entre 2002 e 2005, quando era odono do clube e do time ao lado do igualmente talentoso e igualmente irresponsável Diego.
Robinho é mais uma promessa que não se cumpre. Repete a decepção e falta de profissionalismo já demonstrada por gente como Adriano, hoje no Flamengo, e Fred, hoje no Fluminense, dois seres que não merecem respeito porque achou que deveriam ser reverenciados na Europa antes mesmo de mostrar serviço.
O rompimento de Adriano com a Internazionale, da Itália, é um dos episódios mais vergonhosos e nojentos da história do futebol.
Moleque mimado e doente, quebrou sem cerimônias seu milionário contrato, como se estivesse lidando com a diretoria de um clube de bairro. Perdeu credibilidade e é mais um símbolo do fracasso que são os “pseudo-craques” brasileiros tipo exportação, mais preocupados em badalar do que em jogar.
Fred não quis ser profissionale se irritou com as cobranças no Oympique de Lyon. Preferiu assumir seu fracasso e pessoal e se divertir em um Fluminense falido que se contenta em fugir de rebaixamentos e ser humilhado por equatorianos em competições continentais.
E quebra de contrato parece ser a tônica dessa estirpe de perdedores e fracassados. Vágner Love ficou cinco anos escondido na Rússia até ser repatriado pelo Palmeiras, time que o revelou.
Não só não jogou nada como mostrou total falta de comprometimento e profissionalismo, ao praticamente exigir a sua saída do Palmeiras para jogar no seu Flamengo de coração - seu desejo explícito antes mesmo de assinar novamente com os paulistas.
A sua falta de profissionalismo acabou sendo ofuscada pela agressão que sofreu em uma agência bancária, coisa de bandidos geralmente vinculados a torcidas-gangues organizadas.
Esse fato acabou servindo de desculpa para sua fuga para o Rio de Janeiro. Mas que ninguém se engane: Vágner Love chegou ao Palmeiras querendo sair, só pensando em seleção brasileira e Copa do Mundo. Ainda bem que perdeu as duas coisas. Tomara que esse seja o mesmo destino deRobinho, Fred e Adriano.
Roberto Carlos e Ronaldo no Corinthians? Aparentemente são dois bons exemplos de comprometimento, mesmo em fim de carreira. Costumam cumprir seus contratos e entregam o que prometem.
Mas que ninguém se iluda: as lembranças da Copa de 2006 na Alemanha ainda estão vivas e o marketing está dominando e suplantando cada vez mais o futebol no Corinthians. Se houver decepção grande, seja ela qual for, não espere muita solidariedade dos dois jogadores.
sábado, janeiro 09, 2010
Rara unanimidade
A série de cretinices cometidas pela tal Secretaria de Direitos Humanos do governo federal conseguiu uma rara unanimidade: desagradou a militares, igreja católica, aliados, imprensa e oposição.
Além de todas as bobagens que foram divulgadas sobre o estapafúrdio decreto que o presidente Lula assinou sem ler - quem entre outras coisa, propõe revisão e revogação (na prática) a leio da Anistia -, o texto avança contra a liberdade de imprensa, expressão e opinião.
Tudo aquilo que setores sectários incrustrados no governo federal não conseguiram, como controlar imprensa e conteúdo para cinema TV por meio de conselhos federais e agências reguladoras de cunho marcadamente ideológico, a tal secretaria inútil quase conseguiu.
No corpo do texto, bem escondido, sugere que a imprensa seja “monitorada” e até mesmo “fiscalizada” para que “respeite” os direitos humanos, seja lá o que quiseram dizer os malcos que redigiram o texto.
É a imprensa que desrespeita os direitos humanos? De que forma? E o que dizer de parlamentares envolvidos em diversos mensalões e casos de corrupção? Não ferem os direitos humanos?
E os Poderes Executivos, que ignoram a segurança ública, como os do Rio de Janeiro, ou direito de viver sem enchentes, como os de São Paulo?
E os direitos humanos permanentemente desrespeitados pelo governo federal com a falta de investimento na conservação de estradas e na prevenção de apagões, por exemplo? Não ferem os direitos humanos?
Os cretinos e imbecis sectários e ideológicos que envergonham o governo Lula, como os integrantes da tal Secretaria de Direitos Humanos, têm de abandonar a ideia de “cubanizar” a mídia, a imprensa e o entretenimento e se preocupar com coisas mais importantes.
Chega de tentativas nojentas de interferir na vida privada dos cidadãos e de tentar restringir susa liberdades. Chega de revirar o passado com objetivos meramente ideológicos, oportunitas e revanchistas.
A série de cretinices cometidas pela tal Secretaria de Direitos Humanos do governo federal conseguiu uma rara unanimidade: desagradou a militares, igreja católica, aliados, imprensa e oposição.
Além de todas as bobagens que foram divulgadas sobre o estapafúrdio decreto que o presidente Lula assinou sem ler - quem entre outras coisa, propõe revisão e revogação (na prática) a leio da Anistia -, o texto avança contra a liberdade de imprensa, expressão e opinião.
Tudo aquilo que setores sectários incrustrados no governo federal não conseguiram, como controlar imprensa e conteúdo para cinema TV por meio de conselhos federais e agências reguladoras de cunho marcadamente ideológico, a tal secretaria inútil quase conseguiu.
No corpo do texto, bem escondido, sugere que a imprensa seja “monitorada” e até mesmo “fiscalizada” para que “respeite” os direitos humanos, seja lá o que quiseram dizer os malcos que redigiram o texto.
É a imprensa que desrespeita os direitos humanos? De que forma? E o que dizer de parlamentares envolvidos em diversos mensalões e casos de corrupção? Não ferem os direitos humanos?
E os Poderes Executivos, que ignoram a segurança ública, como os do Rio de Janeiro, ou direito de viver sem enchentes, como os de São Paulo?
E os direitos humanos permanentemente desrespeitados pelo governo federal com a falta de investimento na conservação de estradas e na prevenção de apagões, por exemplo? Não ferem os direitos humanos?
Os cretinos e imbecis sectários e ideológicos que envergonham o governo Lula, como os integrantes da tal Secretaria de Direitos Humanos, têm de abandonar a ideia de “cubanizar” a mídia, a imprensa e o entretenimento e se preocupar com coisas mais importantes.
Chega de tentativas nojentas de interferir na vida privada dos cidadãos e de tentar restringir susa liberdades. Chega de revirar o passado com objetivos meramente ideológicos, oportunitas e revanchistas.
Invisíveis, mas nem tanto
A cena é mais uma entre tantas tragédias que ocorrem em dias de tempestades na Grande São Paulo. Trânsito parado na avenida Juntas Provisórias, na parte que divide o Ipiranga da Vila Carioca (zona sul da Capital), um Vectra tenta ultrapassar, em velocidade moderada, um ônibus que insiste em tomar duas faixas.
Mal humorado, o motorista do ônibus faz questão de atrapalhar todo mundo. Quando o Vectra consegue brecha pela direita e tenta ultrapassar o veículo maior, para dobrar uma rua à direita e fugir do congestionamento, o condutor do ônibus, de propósito, joga o veículo sobre o automóvel, para impedir manobra.
O Vectra tenta desviar, perde o controle e colide em cheio com a carrocinha de um catador de papel, perto de uma esquina. A carrocinha se desmancha, o carroceiro é jogado na calçada, e o automóvel se espatifa contra um muro.
O motorista do ônibus e o cobrador nem tiveram tempo de ver o que aconteceu: foram rapidamente retirados do veículos e brutalmente espancados, sendo salvos graças à intervenção de seguranças de uma fábrica.
O motorista do Vectra quebrou o braço apenas, mas o carroceiro teve fraturas múltiplas. Estava inconsciente, e foi poupado de ter de ouvir que “se esse vagabundo não existisse, não teria havido acidente e não atrapalharia o trânsito”.
Essa é apenas uma das facetas dos “combatentes da miséria”: seria melhor que esses seres que incomodam não existissem. Transparentes e ignorados, os carroceiros só são lembrados quando atrapalham o trânsito em grandes avenidas. Ou quando morrem atropelados quando estão “atrapalhando o fluxo de veículos”.
É impressionante a incapacidade de uma das maiores prefeituras do mundo e de uma sociedade como a paulistana para lidar com a miséria em termos civilizados.
A invisibilidade da miséria é uma forma de lidar com o “problema” sem ter de passar por “constrangimentos”. Esse é o estilo tucano de administrar cidades grandes.
Não acho que ser carroceiro é uma alternativa de renda para quem quer que seja. E abomino as ONGs que apoiam e tentam “incentivar” e “humanizar” a atividade dos carroceiros – é mais uma forma de perpetuar a miséria, em vez de realmente se discutir uma alternativa viável e digna de vida para essas pessoas.
Seja como for, está na hora de parar de achar que os carroceiros são invisíveis ou apenas “incômodos no trânsito”.
A cena é mais uma entre tantas tragédias que ocorrem em dias de tempestades na Grande São Paulo. Trânsito parado na avenida Juntas Provisórias, na parte que divide o Ipiranga da Vila Carioca (zona sul da Capital), um Vectra tenta ultrapassar, em velocidade moderada, um ônibus que insiste em tomar duas faixas.
Mal humorado, o motorista do ônibus faz questão de atrapalhar todo mundo. Quando o Vectra consegue brecha pela direita e tenta ultrapassar o veículo maior, para dobrar uma rua à direita e fugir do congestionamento, o condutor do ônibus, de propósito, joga o veículo sobre o automóvel, para impedir manobra.
O Vectra tenta desviar, perde o controle e colide em cheio com a carrocinha de um catador de papel, perto de uma esquina. A carrocinha se desmancha, o carroceiro é jogado na calçada, e o automóvel se espatifa contra um muro.
O motorista do ônibus e o cobrador nem tiveram tempo de ver o que aconteceu: foram rapidamente retirados do veículos e brutalmente espancados, sendo salvos graças à intervenção de seguranças de uma fábrica.
O motorista do Vectra quebrou o braço apenas, mas o carroceiro teve fraturas múltiplas. Estava inconsciente, e foi poupado de ter de ouvir que “se esse vagabundo não existisse, não teria havido acidente e não atrapalharia o trânsito”.
Essa é apenas uma das facetas dos “combatentes da miséria”: seria melhor que esses seres que incomodam não existissem. Transparentes e ignorados, os carroceiros só são lembrados quando atrapalham o trânsito em grandes avenidas. Ou quando morrem atropelados quando estão “atrapalhando o fluxo de veículos”.
É impressionante a incapacidade de uma das maiores prefeituras do mundo e de uma sociedade como a paulistana para lidar com a miséria em termos civilizados.
A invisibilidade da miséria é uma forma de lidar com o “problema” sem ter de passar por “constrangimentos”. Esse é o estilo tucano de administrar cidades grandes.
Não acho que ser carroceiro é uma alternativa de renda para quem quer que seja. E abomino as ONGs que apoiam e tentam “incentivar” e “humanizar” a atividade dos carroceiros – é mais uma forma de perpetuar a miséria, em vez de realmente se discutir uma alternativa viável e digna de vida para essas pessoas.
Seja como for, está na hora de parar de achar que os carroceiros são invisíveis ou apenas “incômodos no trânsito”.
O direito de protestar - e de apanhar
Virou moda na atualidade, não só no Brasil, mas em várias partes do mundo, protestar com violência contra qualquer coisa, relevante ou não. Até mesmo que protesta exigindo paz se manifesta violentamente - e apanha devidamente e merecidamente.
Dia desses um bando de baderneiros decidiu protestar contra o aumento de ônibus previsto na cidade de São Paulo.
Não só não querem o aumento como querem mais: catracas liberadas para estudantes - não sabe se a estultície seria apenas para estudantes carentes ou para todo qualquer aluno de qualquer coisa.
Até então, naquele comecinho de tarde no centro de São Paulo, a manifestação era pacífica. A passagem subiu de R$ 2,30 para R$ 2,70, como estava previsto e como ocorre com frequência em quase todos os lugares do mundo.
Mas, como sempre em manfestações deste tipo, há sempre meia dúzia de vagabundos e marginais que querem confusão, querem agredir, depredar e vandalizar.
Uma parte dos manisfestantes decidiu pular as catracas do terminal do Parque Dom Pedro e embarcar sem pagar e quebrar alguns ônibus. Foram devidamente rechaçados e repelidos peloa polícia, que mais uma vez bateu pouco nos vândalos.
Será que é impossível para quem organiza a baderna ao menos isolar os dejetos humanos que querem apenas confusão e comprometer a causa - seja ela justa ou não? Será que é tão difícil se manifestar de forma pacífica?
Esse tipo de coisa só vai acabar quando manifestantes morrerem ou forem presos e processados criminalmente.
Coincidentemente, chega às locadoras o filme "Batalha de Seattle (Battle in Seattle)", de 2007, de Stuart Townsend.
Apesar da dramatização de alguns personagens atrapalhar um pouco o foco, o filme é relativamente fiel ao relatar o caos e confusão que cercou a 3ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio ocorrida em 1999 em Seattle, nos Estados Unidos.
O argumento central é acompanhar os preparativos para os protestos anti-globalização, anti-capitalismo e anti-qualquer coisa preparados por um grupo de ambientalistas e ecologistas radicais, que não conseguiram ter a dimensão do evento, mesmo com a chega sistemática à cidade de toda sorte de vagabundos, vândalos e criminosos que se aproveitaram da situação de caos não prevista pelas autoridades.
O resultado é o já tradicional confronto entre policiais e manifestantes - estes que sempre apanham muito, mas nunca o suficiente.
De forma torta, o filme mostra como objetivos nobres e até elogiáveis vão para lata de lixo por conta de organização ruim, ideologização exacerbada, radicalismo burro e total falta de inteligência, além do oportunismo de grupelhos radicais de qualquer espécie e sua predileção pelo tumulto.
A obra, em muitos aspectos, coincide com um interessante relato que encontrei na internet sobre os dez anos dos protestos de Seattle, "Dez Anos da Batalha de Seattle: Lições Sobre os Perdedores no Comércio internacional", de Gustavo Resende Mendonça, publicado no site Mundorama. Alguns trechos:
Dezenas de milhares de manifestantes anti-globalização se reuniram na cidade norte-americana para protestar contra o capitalismo irresponsável e selvagem promovido pela OMC.
As estimativas mais conservadoras indicam que mais quarenta mil protestantes tomaram as ruas de Seattle, escala sem precedente em um protesto voltado contra uma negociação comercial técnica.
À medida que as manifestações avançaram, pequenos grupos anarquistas recorreram à violência (FRIEDEN, 2008: 484). No terceiro dia dos protestos, lojas foram saqueadas e o distrito policial de Seattle foi sitiado por cerca de mil agressores (BERNSTEIN, 2009: 301).
A guarda nacional norte-americana foi acionada, enquanto os policiais de Seattle usavam balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. A situação foi controlada apenas no dia primeiro de dezembro, quando a Conferência finalmente foi iniciada.
As negociações, no entanto, foram um fracasso e a Conferência foi rapidamente encerrada. A nova rodada de negociações multilaterais seria lançada apenas na convenientemente remota Doha (Catar) em 2001.
Os eventos ocorridos no Conferência Ministerial no final de novembro de 1999 rapidamente ganhariam a alcunha de “a batalha de Seattle” (BERNSTEIN, 2009: 301).
A maior parte dos manifestantes era composta por ambientalistas radicais, sindicalistas protecionistas, advogados dos direitos humanos e ultra-conservadores isolacionistas norte-americanos (GILPIN, 2001: 229).
Os manifestantes acusavam a OMC de violar a soberania norte-americana, de ser pouco democrática e representar os interesses das corporações globais, de promover o desrespeito aos direitos trabalhistas básicos e de incentivar práticas comerciais ambientalmente irresponsáveis. S
egundo um dos líderes dos protestos, a OMC enxerga as leis nacionais de proteção do meio ambiente, dos direitos trabalhistas, da democracia, da soberania e dos pequenos negócios como “impedimentos para o livre-comércio” e “obriga os países a aceitar suas regras para não enfrentar pesadas sanções” (FRIEDEN, 2008: 485).
Por outro lado, o presidente da AFL-CIO, poderosa federação de sindicatos norte-americanos, declarou que “a economia global achatou o padrão de vida dos trabalhadores e enriqueceu ainda mais os ricos” e acrescentou que “(…) enquanto a OMC não tratar dessas questões (relativas aos padrões trabalhistas) não podemos permitir que nosso país participe de novas negociações comerciais”(FRIEDEN, 2008: ).
Virou moda na atualidade, não só no Brasil, mas em várias partes do mundo, protestar com violência contra qualquer coisa, relevante ou não. Até mesmo que protesta exigindo paz se manifesta violentamente - e apanha devidamente e merecidamente.
Dia desses um bando de baderneiros decidiu protestar contra o aumento de ônibus previsto na cidade de São Paulo.
Não só não querem o aumento como querem mais: catracas liberadas para estudantes - não sabe se a estultície seria apenas para estudantes carentes ou para todo qualquer aluno de qualquer coisa.
Até então, naquele comecinho de tarde no centro de São Paulo, a manifestação era pacífica. A passagem subiu de R$ 2,30 para R$ 2,70, como estava previsto e como ocorre com frequência em quase todos os lugares do mundo.
Mas, como sempre em manfestações deste tipo, há sempre meia dúzia de vagabundos e marginais que querem confusão, querem agredir, depredar e vandalizar.
Uma parte dos manisfestantes decidiu pular as catracas do terminal do Parque Dom Pedro e embarcar sem pagar e quebrar alguns ônibus. Foram devidamente rechaçados e repelidos peloa polícia, que mais uma vez bateu pouco nos vândalos.
Será que é impossível para quem organiza a baderna ao menos isolar os dejetos humanos que querem apenas confusão e comprometer a causa - seja ela justa ou não? Será que é tão difícil se manifestar de forma pacífica?
Esse tipo de coisa só vai acabar quando manifestantes morrerem ou forem presos e processados criminalmente.
Coincidentemente, chega às locadoras o filme "Batalha de Seattle (Battle in Seattle)", de 2007, de Stuart Townsend.
Apesar da dramatização de alguns personagens atrapalhar um pouco o foco, o filme é relativamente fiel ao relatar o caos e confusão que cercou a 3ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio ocorrida em 1999 em Seattle, nos Estados Unidos.
O argumento central é acompanhar os preparativos para os protestos anti-globalização, anti-capitalismo e anti-qualquer coisa preparados por um grupo de ambientalistas e ecologistas radicais, que não conseguiram ter a dimensão do evento, mesmo com a chega sistemática à cidade de toda sorte de vagabundos, vândalos e criminosos que se aproveitaram da situação de caos não prevista pelas autoridades.
O resultado é o já tradicional confronto entre policiais e manifestantes - estes que sempre apanham muito, mas nunca o suficiente.
De forma torta, o filme mostra como objetivos nobres e até elogiáveis vão para lata de lixo por conta de organização ruim, ideologização exacerbada, radicalismo burro e total falta de inteligência, além do oportunismo de grupelhos radicais de qualquer espécie e sua predileção pelo tumulto.
A obra, em muitos aspectos, coincide com um interessante relato que encontrei na internet sobre os dez anos dos protestos de Seattle, "Dez Anos da Batalha de Seattle: Lições Sobre os Perdedores no Comércio internacional", de Gustavo Resende Mendonça, publicado no site Mundorama. Alguns trechos:
Dezenas de milhares de manifestantes anti-globalização se reuniram na cidade norte-americana para protestar contra o capitalismo irresponsável e selvagem promovido pela OMC.
As estimativas mais conservadoras indicam que mais quarenta mil protestantes tomaram as ruas de Seattle, escala sem precedente em um protesto voltado contra uma negociação comercial técnica.
À medida que as manifestações avançaram, pequenos grupos anarquistas recorreram à violência (FRIEDEN, 2008: 484). No terceiro dia dos protestos, lojas foram saqueadas e o distrito policial de Seattle foi sitiado por cerca de mil agressores (BERNSTEIN, 2009: 301).
A guarda nacional norte-americana foi acionada, enquanto os policiais de Seattle usavam balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. A situação foi controlada apenas no dia primeiro de dezembro, quando a Conferência finalmente foi iniciada.
As negociações, no entanto, foram um fracasso e a Conferência foi rapidamente encerrada. A nova rodada de negociações multilaterais seria lançada apenas na convenientemente remota Doha (Catar) em 2001.
Os eventos ocorridos no Conferência Ministerial no final de novembro de 1999 rapidamente ganhariam a alcunha de “a batalha de Seattle” (BERNSTEIN, 2009: 301).
A maior parte dos manifestantes era composta por ambientalistas radicais, sindicalistas protecionistas, advogados dos direitos humanos e ultra-conservadores isolacionistas norte-americanos (GILPIN, 2001: 229).
Os manifestantes acusavam a OMC de violar a soberania norte-americana, de ser pouco democrática e representar os interesses das corporações globais, de promover o desrespeito aos direitos trabalhistas básicos e de incentivar práticas comerciais ambientalmente irresponsáveis. S
egundo um dos líderes dos protestos, a OMC enxerga as leis nacionais de proteção do meio ambiente, dos direitos trabalhistas, da democracia, da soberania e dos pequenos negócios como “impedimentos para o livre-comércio” e “obriga os países a aceitar suas regras para não enfrentar pesadas sanções” (FRIEDEN, 2008: 485).
Por outro lado, o presidente da AFL-CIO, poderosa federação de sindicatos norte-americanos, declarou que “a economia global achatou o padrão de vida dos trabalhadores e enriqueceu ainda mais os ricos” e acrescentou que “(…) enquanto a OMC não tratar dessas questões (relativas aos padrões trabalhistas) não podemos permitir que nosso país participe de novas negociações comerciais”(FRIEDEN, 2008: ).
terça-feira, janeiro 05, 2010
Confusão deliberada e perigosa
Rádio comunitária não é rádio pirata. Parece óbvio, mas tem gente que não sabe, ou finge não saber desta diferenciação.
E o pior, entre os que ignoram essa diferenciação, estão advogados a soldo de gente da pior espécie, que podem ser empresários de radiofusão, vereadores incomodados com o surgimento de novas lideranças de bairro e até mesmo gente invejosa.
Infelizmente a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recebe inúmeras denúncias sobre emissoras clandestinas e parece fazer questão de ignorar a legalidade de algumas rádios comunitárias. Primeiro multa, autua e cala, para depois analisar a questão.
As emissoras comunitárias são legais e têm registro no governo federal, no Ministério das Comunicações. Elas têm deveres e direitos, e uma legislação específica. Prestam um serviço inestimável de comunicação e interatividade. Difundem cultura. Estimulam a busca por direitos.
Entretanto, uma rádio comunitária incomoda muito mais que uma rádio pirata. Não é clandestina, o que lhe permite acesso a um equipamento um pouco melhor e alcance maior.
Por ter de obedecer a uma legislação mais restrita, não pode andar fora da linha. Mas também oferece liberdades e oportunidades nunca antes vivenciadas por populações isoladas, pobres e com quase nenhum acesso à informação e à cultura.
E é nesse contexto que a rádio comunitária incomoda. Atrapalha os negócios de quem eventualmente ganhava a vida com rádio sem concorrência. Atrapalha a vida do vereador cara-de-pau que só pede votos em época de eleição.
Atrapalha até mesmo a vida do crime organizado, pois começa a levar informação – e indignação e inconformismo – a uma população desamparada e subjugada por traficantes e bandidos comuns.
Incomoda também o poder público, já que começa a estimular o espírito reivindicatório de quem nunca teve nada, de quem sempre se contentou com pouco e com migalhas.
Por essas e outras é que é conveniente para certa parcela da sociedade que as comunitárias sejam tratadas como piratas, mesmo que fiquem caladas por pouco tempo.
Informação é poder e uma emissora de rádios nas mãos de uma comunidade pode se tornar um “perigo” para quem sempre ganhou com a miséria alheia.
Rádio comunitária não é rádio pirata. Parece óbvio, mas tem gente que não sabe, ou finge não saber desta diferenciação.
E o pior, entre os que ignoram essa diferenciação, estão advogados a soldo de gente da pior espécie, que podem ser empresários de radiofusão, vereadores incomodados com o surgimento de novas lideranças de bairro e até mesmo gente invejosa.
Infelizmente a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recebe inúmeras denúncias sobre emissoras clandestinas e parece fazer questão de ignorar a legalidade de algumas rádios comunitárias. Primeiro multa, autua e cala, para depois analisar a questão.
As emissoras comunitárias são legais e têm registro no governo federal, no Ministério das Comunicações. Elas têm deveres e direitos, e uma legislação específica. Prestam um serviço inestimável de comunicação e interatividade. Difundem cultura. Estimulam a busca por direitos.
Entretanto, uma rádio comunitária incomoda muito mais que uma rádio pirata. Não é clandestina, o que lhe permite acesso a um equipamento um pouco melhor e alcance maior.
Por ter de obedecer a uma legislação mais restrita, não pode andar fora da linha. Mas também oferece liberdades e oportunidades nunca antes vivenciadas por populações isoladas, pobres e com quase nenhum acesso à informação e à cultura.
E é nesse contexto que a rádio comunitária incomoda. Atrapalha os negócios de quem eventualmente ganhava a vida com rádio sem concorrência. Atrapalha a vida do vereador cara-de-pau que só pede votos em época de eleição.
Atrapalha até mesmo a vida do crime organizado, pois começa a levar informação – e indignação e inconformismo – a uma população desamparada e subjugada por traficantes e bandidos comuns.
Incomoda também o poder público, já que começa a estimular o espírito reivindicatório de quem nunca teve nada, de quem sempre se contentou com pouco e com migalhas.
Por essas e outras é que é conveniente para certa parcela da sociedade que as comunitárias sejam tratadas como piratas, mesmo que fiquem caladas por pouco tempo.
Informação é poder e uma emissora de rádios nas mãos de uma comunidade pode se tornar um “perigo” para quem sempre ganhou com a miséria alheia.
Criminosos no seu rádio
Para quem gosta de rock, a única opção decente na Grande São Paulo é a Kiss FM (102,1 Mhz). Especializada ao extremo, abriu o leque antes restrito ao classic rock (músicas de artistas que gravaram entre 1960 e 1995) e passou a tocar canções mais recentes.
Quem gosta de ouvir a emissora em São Bernardo e, inadvertidamente, esbarra no botão de mudança de estação, é surpreendido por uma série de zumbidos e gritos.
Se por curiosidade o ouvinte tentar sintonizar antes dos 102,1 Mhz, vai se deparar com uma espécie de culto evangélico de uma tal de Igreja do Nosso Senhor das Almas, aparentemente radicada no Jardim Detroit.
É uma rádio pirata, chamada Deus é Tudo – ou algo assim, já que não tive paciência de me estender, seja pelo conteúdo, que desagradou profundamente, seja pela sintonia, que era bem ruim.
Se o ouvinte esbarrasse o botão para frente dos 102,1 Mhz, imediatamente cairia na Bandeira Branca FM, ou algo parecido. Um contador de causos do bairro, que supus ser o Montanhão ou Sabesp, em São Bernardo, contava piadas e narrava acontecimentos da vizinhança, com um pagode de fundo musical. A sintonia era igualmente ruim.
Um pouco mais à frente, antes dos 102,5 Mhz, um rap estridente, no que eu supus ser a Total Hip Hop FM. Não deu para saber de qual bairro era. A sintonia era melhorzinha, só tocava música, e da pior qualidade.
Na casa de um amigo em Santo André, em um churrasco de tarde de sábado, fiz a mesma experiência. E sintonizei a Tangará FM, especializada em música evangélica e, ao que tudo indicava, estava irradiando da Vila Luzita. Todas rádios piratas.
A tecnologia atual permite que se faça uma emissora de rádio pela internet apenas com um notebook. Mas as emissoras clandestinas têm mais apelo, até porque é nas regiões mais pobres que está o público-alvo desse tipo de empreendimento. Infelizmente, na periferia e nas favelas, o acesso à internet é um sonho ainda.
O fato é que a evolução e o barateamento de equipamentos proporcionados pela tecnologia facilitam a clandestinidade das “emissoras”. Com pouco dinheiro, é possível comprar aparelhos e fazer transmissões do quarto de casa.
A questão é que rádio pirata é crime. Os dials de AM e FM estão superlotados e as emissoras piratas buscam espaços e acabam interferindo na comunicação das polícias, do Corpo de Bombeiros e no tráfego aéreo. Rádio pirata é crime e temd e ser combatida.
Para quem gosta de rock, a única opção decente na Grande São Paulo é a Kiss FM (102,1 Mhz). Especializada ao extremo, abriu o leque antes restrito ao classic rock (músicas de artistas que gravaram entre 1960 e 1995) e passou a tocar canções mais recentes.
Quem gosta de ouvir a emissora em São Bernardo e, inadvertidamente, esbarra no botão de mudança de estação, é surpreendido por uma série de zumbidos e gritos.
Se por curiosidade o ouvinte tentar sintonizar antes dos 102,1 Mhz, vai se deparar com uma espécie de culto evangélico de uma tal de Igreja do Nosso Senhor das Almas, aparentemente radicada no Jardim Detroit.
É uma rádio pirata, chamada Deus é Tudo – ou algo assim, já que não tive paciência de me estender, seja pelo conteúdo, que desagradou profundamente, seja pela sintonia, que era bem ruim.
Se o ouvinte esbarrasse o botão para frente dos 102,1 Mhz, imediatamente cairia na Bandeira Branca FM, ou algo parecido. Um contador de causos do bairro, que supus ser o Montanhão ou Sabesp, em São Bernardo, contava piadas e narrava acontecimentos da vizinhança, com um pagode de fundo musical. A sintonia era igualmente ruim.
Um pouco mais à frente, antes dos 102,5 Mhz, um rap estridente, no que eu supus ser a Total Hip Hop FM. Não deu para saber de qual bairro era. A sintonia era melhorzinha, só tocava música, e da pior qualidade.
Na casa de um amigo em Santo André, em um churrasco de tarde de sábado, fiz a mesma experiência. E sintonizei a Tangará FM, especializada em música evangélica e, ao que tudo indicava, estava irradiando da Vila Luzita. Todas rádios piratas.
A tecnologia atual permite que se faça uma emissora de rádio pela internet apenas com um notebook. Mas as emissoras clandestinas têm mais apelo, até porque é nas regiões mais pobres que está o público-alvo desse tipo de empreendimento. Infelizmente, na periferia e nas favelas, o acesso à internet é um sonho ainda.
O fato é que a evolução e o barateamento de equipamentos proporcionados pela tecnologia facilitam a clandestinidade das “emissoras”. Com pouco dinheiro, é possível comprar aparelhos e fazer transmissões do quarto de casa.
A questão é que rádio pirata é crime. Os dials de AM e FM estão superlotados e as emissoras piratas buscam espaços e acabam interferindo na comunicação das polícias, do Corpo de Bombeiros e no tráfego aéreo. Rádio pirata é crime e temd e ser combatida.
Chega de revisionismo
Das duas uma: ou o presidente Lula não lê o que assina - ou nenhum assessor lê e o informa - ou então foi enganado deliberadamente por assessores graduados, o que é crime.
A crise do decreto da revisão das regras da anistia 30 anos depois é de uma estupidez colossal, totalmente desnecessária e de m oportunismo atroz.
É mais do que sabido que a qalidade do ministério de Lula é muito ruim, desde o primeiro mandato. Idem nos escalões inferiores.
É o caso de Tarso Genro, ministro da Justiça e maior causador de encrencas e constrangimentos do govero. É o caso de Paulo Vannuchi, secretário dos Direitos Humanos. É o caso de Marco Aurélio Garcia, assessor especial para nada, e de todo o Itamaraty.
Se quisermos listar os que saíram, a ruindade fica patente: Marina Silva, Benedita da Silva, Antonio Palocci…
Nelson Jobim, politiqueiro e ministro da Defesa, jamais poderia ser ministro em um governo petista. Entretanto, só fez uma coisa certa na sua atual gestão: entregar o cargo por causa da crise da lei da anistia.
Usar letras miúdas para enganar o presidente e a nação para rever anistia e penas para apenas um lado é muito mais do que oportunismo, é má-fé e mau-caratismo.
Da mesma forma que fazer qualquer comparação com os casos de Chile e África do Sul é desonestidade intelectual.
Das duas uma: ou o presidente Lula não lê o que assina - ou nenhum assessor lê e o informa - ou então foi enganado deliberadamente por assessores graduados, o que é crime.
A crise do decreto da revisão das regras da anistia 30 anos depois é de uma estupidez colossal, totalmente desnecessária e de m oportunismo atroz.
É mais do que sabido que a qalidade do ministério de Lula é muito ruim, desde o primeiro mandato. Idem nos escalões inferiores.
É o caso de Tarso Genro, ministro da Justiça e maior causador de encrencas e constrangimentos do govero. É o caso de Paulo Vannuchi, secretário dos Direitos Humanos. É o caso de Marco Aurélio Garcia, assessor especial para nada, e de todo o Itamaraty.
Se quisermos listar os que saíram, a ruindade fica patente: Marina Silva, Benedita da Silva, Antonio Palocci…
Nelson Jobim, politiqueiro e ministro da Defesa, jamais poderia ser ministro em um governo petista. Entretanto, só fez uma coisa certa na sua atual gestão: entregar o cargo por causa da crise da lei da anistia.
Usar letras miúdas para enganar o presidente e a nação para rever anistia e penas para apenas um lado é muito mais do que oportunismo, é má-fé e mau-caratismo.
Da mesma forma que fazer qualquer comparação com os casos de Chile e África do Sul é desonestidade intelectual.
Respeitar contratos é coisa rara no Brasil
O futebol frequentemente é uma metáfora da sociedade, da vida real. Dois casos recentes ilustram bem o que é a (má) índole do povo brasileiro.
Oscar, jovem revelação do São Paulo, com contrato de cinco anos, simplesmente decidiu que não quer mais jogar no clube, estimulado por empresários que não merecem nenhum respeito; Vágner Love, trazido pelo Palmeiras a peso de ouro da Rússia, força de todas as maneiras a barra para jogar no Flamengo, de seu Rio de Janeiro natal (sabe como é, o Carnaval está chegando, a praia é logo ali…).
E quem não se lembra de Adriano, que simplesmente se recusou a voltar à Itália para cunprir seu longo contrato coma Internazionale, alegando que queria ficar empinando pipa com seus “amigos” em uma favela.
Respeitar contratos sempre foi uma característica de sociedades civilizadas. No Brasil, é o oposto. Contratos foram feitos jusntamente para serem desrespeitados neste país. Em todos os ramos, em todas as áreas. O que vale é realmente levar vantagem em tudo sempre. Não pode mesmo dar certo.
Quando a revista Veja acerta , é porque existe algo de muito, muito errado acontecendo no mundo.
Os brilhantes intelectuais que produziram a enorme quantidade de bobagens na tal da Confecon (Conferência Nacional de Comunicação) deram um arsenal de munição para a asquerosa revista semanal continuar sua campanha difamatória contra os setores progressistas da sociedade.
Mas o duro mesmo é constatar que desta vez eles acertaram ao criticar duramente a tal da confererência, dominada pelo que de pior o PT e a esquerda como um todo produziu.
Portanto, repito o mantra: nenhum tipo de controle sobre a imprensa é aceitável, liberdade total de imprensa, opinião e expressão.
Por falar com coisas ridículas, nada mais pavoroso e horroroso do que a primeira página de um certo veículo impresso regional de comunicação, péssimo por sinal.
Outra decente, o tal pasquim, que já foi o principal do ABCD, cometeu o desatino de colocar como manchete um enorme Feliz Natal e uma foto estapafúrdia de seus funcionários em frente à sede da empresa.
Que a incompetência domina aquela lugar é sabido há tempos. Entretanto, evidenciar na capa do jornal a total incapacidade em produzir notícias no feriado é algo inédito na imprensa mundial.
Se a intenção é enterrar o jornal o mais rápido possível, então acho que encontraram uma infalível. Nem o mais modesto jornal de bairro de uma cidade isolada do mundo faria tamanha bobagem e nem teria tanta desfaçatez em desrespeitar o leitor. Pois o tal jornal fez exatamente isso.
Decadência é pouco para resumir a situação.
O futebol frequentemente é uma metáfora da sociedade, da vida real. Dois casos recentes ilustram bem o que é a (má) índole do povo brasileiro.
Oscar, jovem revelação do São Paulo, com contrato de cinco anos, simplesmente decidiu que não quer mais jogar no clube, estimulado por empresários que não merecem nenhum respeito; Vágner Love, trazido pelo Palmeiras a peso de ouro da Rússia, força de todas as maneiras a barra para jogar no Flamengo, de seu Rio de Janeiro natal (sabe como é, o Carnaval está chegando, a praia é logo ali…).
E quem não se lembra de Adriano, que simplesmente se recusou a voltar à Itália para cunprir seu longo contrato coma Internazionale, alegando que queria ficar empinando pipa com seus “amigos” em uma favela.
Respeitar contratos sempre foi uma característica de sociedades civilizadas. No Brasil, é o oposto. Contratos foram feitos jusntamente para serem desrespeitados neste país. Em todos os ramos, em todas as áreas. O que vale é realmente levar vantagem em tudo sempre. Não pode mesmo dar certo.
Quando a revista Veja acerta , é porque existe algo de muito, muito errado acontecendo no mundo.
Os brilhantes intelectuais que produziram a enorme quantidade de bobagens na tal da Confecon (Conferência Nacional de Comunicação) deram um arsenal de munição para a asquerosa revista semanal continuar sua campanha difamatória contra os setores progressistas da sociedade.
Mas o duro mesmo é constatar que desta vez eles acertaram ao criticar duramente a tal da confererência, dominada pelo que de pior o PT e a esquerda como um todo produziu.
Portanto, repito o mantra: nenhum tipo de controle sobre a imprensa é aceitável, liberdade total de imprensa, opinião e expressão.
Por falar com coisas ridículas, nada mais pavoroso e horroroso do que a primeira página de um certo veículo impresso regional de comunicação, péssimo por sinal.
Outra decente, o tal pasquim, que já foi o principal do ABCD, cometeu o desatino de colocar como manchete um enorme Feliz Natal e uma foto estapafúrdia de seus funcionários em frente à sede da empresa.
Que a incompetência domina aquela lugar é sabido há tempos. Entretanto, evidenciar na capa do jornal a total incapacidade em produzir notícias no feriado é algo inédito na imprensa mundial.
Se a intenção é enterrar o jornal o mais rápido possível, então acho que encontraram uma infalível. Nem o mais modesto jornal de bairro de uma cidade isolada do mundo faria tamanha bobagem e nem teria tanta desfaçatez em desrespeitar o leitor. Pois o tal jornal fez exatamente isso.
Decadência é pouco para resumir a situação.
Respeitar contratos é coisa rara no Brasil
O futebol frequentemente é uma metáfora da sociedade, da vida real. Dois casos recentes ilustram bem o que é a (má) índole do povo brasileiro.
Oscar, jovem revelação do São Paulo, com contrato de cinco anos, simplesmente decidiu que não quer mais jogar no clube, estimulado por empresários que não merecem nenhum respeito; Vágner Love, trazido pelo Palmeiras a peso de ouro da Rússia, força de todas as maneiras a barra para jogar no Flamengo, de seu Rio de Janeiro natal (sabe como é, o Carnaval está chegando, a praia é logo ali…).
E quem não se lembra de Adriano, que simplesmente se recusou a voltar à Itália para cunprir seu longo contrato coma Internazionale, alegando que queria ficar empinando pipa com seus “amigos” em uma favela.
Respeitar contratos sempre foi uma característica de sociedades civilizadas. No Brasil, é o oposto. Contratos foram feitos jusntamente para serem desrespeitados neste país. Em todos os ramos, em todas as áreas. O que vale é realmente levar vantagem em tudo sempre. Não pode mesmo dar certo.
Quando a revista Veja acerta , é porque existe algo de muito, muito errado acontecendo no mundo.
Os brilhantes intelectuais que produziram a enorme quantidade de bobagens na tal da Confecon (Conferência Nacional de Comunicação) deram um arsenal de munição para a asquerosa revista semanal continuar sua campanha difamatória contra os setores progressistas da sociedade.
Mas o duro mesmo é constatar que desta vez eles acertaram ao criticar duramente a tal da confererência, dominada pelo que de pior o PT e a esquerda como um todo produziu.
Portanto, repito o mantra: nenhum tipo de controle sobre a imprensa é aceitável, liberdade total de imprensa, opinião e expressão.
Por falar com coisas ridículas, nada mais pavoroso e horroroso do que a primeira página de um certo veículo impresso regional de comunicação, péssimo por sinal.
Outra decente, o tal pasquim, que já foi o principal do ABCD, cometeu o desatino de colocar como manchete um enorme Feliz Natal e uma foto estapafúrdia de seus funcionários em frente à sede da empresa.
Que a incompetência domina aquela lugar é sabido há tempos. Entretanto, evidenciar na capa do jornal a total incapacidade em produzir notícias no feriado é algo inédito na imprensa mundial.
Se a intenção é enterrar o jornal o mais rápido possível, então acho que encontraram uma infalível. Nem o mais modesto jornal de bairro de uma cidade isolada do mundo faria tamanha bobagem e nem teria tanta desfaçatez em desrespeitar o leitor. Pois o tal jornal fez exatamente isso.
Decadência é pouco para resumir a situação.
O futebol frequentemente é uma metáfora da sociedade, da vida real. Dois casos recentes ilustram bem o que é a (má) índole do povo brasileiro.
Oscar, jovem revelação do São Paulo, com contrato de cinco anos, simplesmente decidiu que não quer mais jogar no clube, estimulado por empresários que não merecem nenhum respeito; Vágner Love, trazido pelo Palmeiras a peso de ouro da Rússia, força de todas as maneiras a barra para jogar no Flamengo, de seu Rio de Janeiro natal (sabe como é, o Carnaval está chegando, a praia é logo ali…).
E quem não se lembra de Adriano, que simplesmente se recusou a voltar à Itália para cunprir seu longo contrato coma Internazionale, alegando que queria ficar empinando pipa com seus “amigos” em uma favela.
Respeitar contratos sempre foi uma característica de sociedades civilizadas. No Brasil, é o oposto. Contratos foram feitos jusntamente para serem desrespeitados neste país. Em todos os ramos, em todas as áreas. O que vale é realmente levar vantagem em tudo sempre. Não pode mesmo dar certo.
Quando a revista Veja acerta , é porque existe algo de muito, muito errado acontecendo no mundo.
Os brilhantes intelectuais que produziram a enorme quantidade de bobagens na tal da Confecon (Conferência Nacional de Comunicação) deram um arsenal de munição para a asquerosa revista semanal continuar sua campanha difamatória contra os setores progressistas da sociedade.
Mas o duro mesmo é constatar que desta vez eles acertaram ao criticar duramente a tal da confererência, dominada pelo que de pior o PT e a esquerda como um todo produziu.
Portanto, repito o mantra: nenhum tipo de controle sobre a imprensa é aceitável, liberdade total de imprensa, opinião e expressão.
Por falar com coisas ridículas, nada mais pavoroso e horroroso do que a primeira página de um certo veículo impresso regional de comunicação, péssimo por sinal.
Outra decente, o tal pasquim, que já foi o principal do ABCD, cometeu o desatino de colocar como manchete um enorme Feliz Natal e uma foto estapafúrdia de seus funcionários em frente à sede da empresa.
Que a incompetência domina aquela lugar é sabido há tempos. Entretanto, evidenciar na capa do jornal a total incapacidade em produzir notícias no feriado é algo inédito na imprensa mundial.
Se a intenção é enterrar o jornal o mais rápido possível, então acho que encontraram uma infalível. Nem o mais modesto jornal de bairro de uma cidade isolada do mundo faria tamanha bobagem e nem teria tanta desfaçatez em desrespeitar o leitor. Pois o tal jornal fez exatamente isso.
Decadência é pouco para resumir a situação.
Oportunidade desperdiçada
A 1ª Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) terminou da forma como eu previa: uma sucessão de ideias equivocadas. Temo que tnha sido desperdício de tempo. Parte do grupo que se reuniu para discutir “propostas” não passava de um coletivo de celerados que pouco ou nada entende de comunicação.
Minha opinião sobre a questão diverge totalmente da posição de Celso Horta, que dirige o conglomerado ABCD Maior e que é um entusiasta da Confecom. Seu artigo recente neste portal expõe com clareza seus pontos de vista. Entretanto, os considero otimistas demais e, de certa forma, enviezados.
Predominaram as propostas sem nexo e ideologizadas, claramente incentivadas por setores obscuros da política brasileira e do governo dominados por néscios querendo agradar ao chefe e ao partido.
Entre outras pérolas, a sociedade civil (grifo meu) aprovou regras “contestadas pelo setor empresarial, entre elas destacam-se a criação de um código de ética para o jornalismo brasileiro, controle social da radiodifusão, marco regulatório para relações trabalhistas de profissionais de mídia autônomos e inclusão da ‘cláusula de consciência’ na nova lei de imprensa”, segundo relata o site Comunique-se.
Além disso, de acordo com texto do site, os civis derrubaram a proposta em que o setor empresarial exigia a multiprogramação na TV digital aberta. A sociedade civil defendeu que a aprovação dessa sugestão aumentaria o monopólio e rejeitou a proposta.
Ou seja, predominaram as teses intervencionistas, defensoras da censura, de regulamentação geral, do amordaçamento, do açodamento, da omissão, do aparelhamento geral e irrestrito, da falcatrua, da corrupção.
Um retrocesso típico de mentes atrasadas, estacionadas no século XX pré-queda do Muro de Berlim. A conferência já nasceu contaminada pela ideologização e pela veia autoritária.
Não dá para admitir nada que não seja liberdade total e irrestrita de imprensa, opinião e expressão.
A 1ª Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) terminou da forma como eu previa: uma sucessão de ideias equivocadas. Temo que tnha sido desperdício de tempo. Parte do grupo que se reuniu para discutir “propostas” não passava de um coletivo de celerados que pouco ou nada entende de comunicação.
Minha opinião sobre a questão diverge totalmente da posição de Celso Horta, que dirige o conglomerado ABCD Maior e que é um entusiasta da Confecom. Seu artigo recente neste portal expõe com clareza seus pontos de vista. Entretanto, os considero otimistas demais e, de certa forma, enviezados.
Predominaram as propostas sem nexo e ideologizadas, claramente incentivadas por setores obscuros da política brasileira e do governo dominados por néscios querendo agradar ao chefe e ao partido.
Entre outras pérolas, a sociedade civil (grifo meu) aprovou regras “contestadas pelo setor empresarial, entre elas destacam-se a criação de um código de ética para o jornalismo brasileiro, controle social da radiodifusão, marco regulatório para relações trabalhistas de profissionais de mídia autônomos e inclusão da ‘cláusula de consciência’ na nova lei de imprensa”, segundo relata o site Comunique-se.
Além disso, de acordo com texto do site, os civis derrubaram a proposta em que o setor empresarial exigia a multiprogramação na TV digital aberta. A sociedade civil defendeu que a aprovação dessa sugestão aumentaria o monopólio e rejeitou a proposta.
Ou seja, predominaram as teses intervencionistas, defensoras da censura, de regulamentação geral, do amordaçamento, do açodamento, da omissão, do aparelhamento geral e irrestrito, da falcatrua, da corrupção.
Um retrocesso típico de mentes atrasadas, estacionadas no século XX pré-queda do Muro de Berlim. A conferência já nasceu contaminada pela ideologização e pela veia autoritária.
Não dá para admitir nada que não seja liberdade total e irrestrita de imprensa, opinião e expressão.
Vandalismo como meio de expressão
“Não sei o que quero, mas sei como conseguir: destruindo.” O lema punk do final dos anos 70 surgiu de uma letra de música de um conjunto obscuro da região metropolitana de Londres. Logo foi pichado em várias cidades do mundo e acabou se tornando o bordão preferido de pelo menos três gangues de moleques briguentos, aspirantes a bandidos, na Grande São Paulo.
O lema está cada vez mais presente na atual sociedade ocidental. É seguido à risca por torcedores de futebol, professores, em greve, ecomanifestantes, estudantes indignados com a corrupção e por mais uma malta enorme de desocupados mundo afora.
Não vem ao caso as reivindicações, sejam elas quais forem. Tornam-se insignificantes quando o protesto é violento, quando o vandalismo e a depredação se tornam “meios de expressão”.
Qualquer causa - pode ser a mais justa de todas -, perde qualquer relevância e importância quando seus defensores partem para o quebra-quebra.
O que se viu em Curitiba na semana retrasada e nas imagens nojentas vindas de Copenhague nesta seman, na conferência sobre o clima, só reforçam essas teses.
Torcedor tem que apanhar, e muito. É regra básica de quem frequenta estádios, seja onde for, seja de qual torcida: jamais enfrente a polícia, a possibilidade de sucesso é nula.
A polícia curitibana bateu pouco nos torcedores do rebaixado Coritiba. Esse tipo de comportamento só vai acabar quando houver mortes, de preferência entre os torcedores-vândalos.
O mesmo vale para os desocupados de Copenhague. Enquanto os protestos era pacíficos, foram válidos e relevantes. Quando os manifestantes decidiram partir para cima da polícia, se tornaram o que há de mais abjeto em uma sociedade. Pena que apanharam pouco.
“Não sei o que quero, mas sei como conseguir: destruindo.” O lema punk do final dos anos 70 surgiu de uma letra de música de um conjunto obscuro da região metropolitana de Londres. Logo foi pichado em várias cidades do mundo e acabou se tornando o bordão preferido de pelo menos três gangues de moleques briguentos, aspirantes a bandidos, na Grande São Paulo.
O lema está cada vez mais presente na atual sociedade ocidental. É seguido à risca por torcedores de futebol, professores, em greve, ecomanifestantes, estudantes indignados com a corrupção e por mais uma malta enorme de desocupados mundo afora.
Não vem ao caso as reivindicações, sejam elas quais forem. Tornam-se insignificantes quando o protesto é violento, quando o vandalismo e a depredação se tornam “meios de expressão”.
Qualquer causa - pode ser a mais justa de todas -, perde qualquer relevância e importância quando seus defensores partem para o quebra-quebra.
O que se viu em Curitiba na semana retrasada e nas imagens nojentas vindas de Copenhague nesta seman, na conferência sobre o clima, só reforçam essas teses.
Torcedor tem que apanhar, e muito. É regra básica de quem frequenta estádios, seja onde for, seja de qual torcida: jamais enfrente a polícia, a possibilidade de sucesso é nula.
A polícia curitibana bateu pouco nos torcedores do rebaixado Coritiba. Esse tipo de comportamento só vai acabar quando houver mortes, de preferência entre os torcedores-vândalos.
O mesmo vale para os desocupados de Copenhague. Enquanto os protestos era pacíficos, foram válidos e relevantes. Quando os manifestantes decidiram partir para cima da polícia, se tornaram o que há de mais abjeto em uma sociedade. Pena que apanharam pouco.
Obsessão por regulamentação
Conversei longamente hoje pela manhã com dois amigos que estão participando da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que acontece até amanhã (17/12) em Brasília. Eles não se conhecem e têm opiniões totalmente divergentes sobre o tema. Um é jornalista, outro é sociólogo com pretensão de ser jornalista - não é e dificilmente será.
Não gostei do que ouvi. Descontadas as zilhões de bobagens de gente que nada entende de comunicação e que está passeando em Brasília - bobagens que fazem a festa de gente desqualificada, como certos colunistas de revistas semanais -, o que sobra são tentativas toscas de colocar limites à atuação da mídia.
Só se fala em regulamentação e regras. Qualidade da informação e liberdade de imprensa, por exemplo, parecem coisas de outro mundo. Praticamente ninguém aborda o tema. E o mais perigoso: muita gente na conferência não só não condena a censura ao jornal O Estado de S. Paulo como a apoia.
E depois vem o presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schroder, reclamar que a grande imprensa ignora o evento.
Mas é óbvio que tem de ignorar: a conferência já nasceu contaminada pela ideologização e pela veia autoritária da censura e da “regulamentação”, eufemismo para restrições à atividade jornalística.
Sou jornalista sindicalizado e associado da Fenaj, tendo votado na atual diretoria e também na diretoria atual do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
O fato de apoiá-los e de ter amizade com a maioria dos diretores de ambas as entidades não me impede de criticá-los com veemência diante de alguns descalabros defendidos pelas entidades.
Não dá para admitir nada que não seja liberdade total e irrestrita de imprensa, opinião e expressão.
Conversei longamente hoje pela manhã com dois amigos que estão participando da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que acontece até amanhã (17/12) em Brasília. Eles não se conhecem e têm opiniões totalmente divergentes sobre o tema. Um é jornalista, outro é sociólogo com pretensão de ser jornalista - não é e dificilmente será.
Não gostei do que ouvi. Descontadas as zilhões de bobagens de gente que nada entende de comunicação e que está passeando em Brasília - bobagens que fazem a festa de gente desqualificada, como certos colunistas de revistas semanais -, o que sobra são tentativas toscas de colocar limites à atuação da mídia.
Só se fala em regulamentação e regras. Qualidade da informação e liberdade de imprensa, por exemplo, parecem coisas de outro mundo. Praticamente ninguém aborda o tema. E o mais perigoso: muita gente na conferência não só não condena a censura ao jornal O Estado de S. Paulo como a apoia.
E depois vem o presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schroder, reclamar que a grande imprensa ignora o evento.
Mas é óbvio que tem de ignorar: a conferência já nasceu contaminada pela ideologização e pela veia autoritária da censura e da “regulamentação”, eufemismo para restrições à atividade jornalística.
Sou jornalista sindicalizado e associado da Fenaj, tendo votado na atual diretoria e também na diretoria atual do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
O fato de apoiá-los e de ter amizade com a maioria dos diretores de ambas as entidades não me impede de criticá-los com veemência diante de alguns descalabros defendidos pelas entidades.
Não dá para admitir nada que não seja liberdade total e irrestrita de imprensa, opinião e expressão.
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Glenn Hughes arrasa em show acústico na TV
Glenn Hughes é um cantor e baixista britânico, que já integrou as bandas Deep Pruple e Black Sabbath, além de uma extensa e maravilhosa carreira solo. Ele está em turnê pelo BRasil e no dia 15 de dezembro fez uma aparição no programa Todo Seu, de Ronie Von, na TV Gazeta de São Paulo. O programa é péssimo, mas Hughes destruiu, em duas inspiradas canções. Aula magna de rock'n roll.
Glenn Hughes é um cantor e baixista britânico, que já integrou as bandas Deep Pruple e Black Sabbath, além de uma extensa e maravilhosa carreira solo. Ele está em turnê pelo BRasil e no dia 15 de dezembro fez uma aparição no programa Todo Seu, de Ronie Von, na TV Gazeta de São Paulo. O programa é péssimo, mas Hughes destruiu, em duas inspiradas canções. Aula magna de rock'n roll.
You Keep ON Movin'
Mistreated
terça-feira, dezembro 15, 2009
Não pode mesmo dar certo
O país dos mensalões diversos e do loteamento político dos cargos públicos jamais dará certo. Já ultrapassamos a fase do jeitinho brasileiro.
Estamos na fase da comissão para tudo, da negociata às claras, do desrespeito deliberado das regras e leis, desde o político corrupto que rouba ao vivo, na televisão, até o manifestante de qualquer coisa que insiste em bloquear estradas e ruas, passando pelo vandalismo puro e simples de torcedores-bandidos de futebol.
Por que um país com esse tipo de gente daria certo? Está no DNA do brasileiro tolerar o jeitinho, a esperteza, a corrupção? Herança cultural? Caráter deficiente por conta da impunidade? Tudo isso e muito mais?
O colunista Tostão, da Folha de S. Paulo, ex-craque do Cruzeiro e da Seleção Brasileira e campeão do mundo em 1970, é um arguto observador da sociedade brasileira e fechou com brilho seu artigo do último domingo:
O Brasil é o país da troca de favores, do é “dando que se recebe”, das patotas, do corporativismo e do nepotismo. Cada vez mais as pessoas não se preocupam em ter amigos, ser amadas e ter bons relacionamentos. Querem é ser admiradas, bajuladas e ter ótimas relações profissionais. Só pensam na carreira e no sucesso.
A troca maquiavélica de favores é o caminho para a corrupção, outra praga nacional. O corrupto se relaciona muito bem com outro corrupto. Adora trocar panetones.
O corrupto costuma ser tão social, tão gentil, que até parece ser sério. Para diminuir bastante a corrupção, não bastam duras leis. É necessário também diminuir a promiscuidade social.
O país dos mensalões diversos e do loteamento político dos cargos públicos jamais dará certo. Já ultrapassamos a fase do jeitinho brasileiro.
Estamos na fase da comissão para tudo, da negociata às claras, do desrespeito deliberado das regras e leis, desde o político corrupto que rouba ao vivo, na televisão, até o manifestante de qualquer coisa que insiste em bloquear estradas e ruas, passando pelo vandalismo puro e simples de torcedores-bandidos de futebol.
Por que um país com esse tipo de gente daria certo? Está no DNA do brasileiro tolerar o jeitinho, a esperteza, a corrupção? Herança cultural? Caráter deficiente por conta da impunidade? Tudo isso e muito mais?
O colunista Tostão, da Folha de S. Paulo, ex-craque do Cruzeiro e da Seleção Brasileira e campeão do mundo em 1970, é um arguto observador da sociedade brasileira e fechou com brilho seu artigo do último domingo:
O Brasil é o país da troca de favores, do é “dando que se recebe”, das patotas, do corporativismo e do nepotismo. Cada vez mais as pessoas não se preocupam em ter amigos, ser amadas e ter bons relacionamentos. Querem é ser admiradas, bajuladas e ter ótimas relações profissionais. Só pensam na carreira e no sucesso.
A troca maquiavélica de favores é o caminho para a corrupção, outra praga nacional. O corrupto se relaciona muito bem com outro corrupto. Adora trocar panetones.
O corrupto costuma ser tão social, tão gentil, que até parece ser sério. Para diminuir bastante a corrupção, não bastam duras leis. É necessário também diminuir a promiscuidade social.
Paranapiacaba não empolga mais
O final de semana tinha tempo bom, e um grupo animado de músicos da Capital rumou para Paranapiacaba para uma apresentação durante uma convenção de bruxas, evento bastante comum na região há alguns anos.
A banda Rollando Stones chegou cedo no sábado à tarde a um clube local, montou seu equipamento e fez um show animado, todo baseado em músicas do grupo de rock britânico Rolling Stones.
Após mais de duas horas, o evento termina e parte da banda e de seus auxiliares, todos com família, dormem na vila e tentam aproveitar aquele programa inusitado para aqueles músicos semiprofissionais – entre eles há jornalistas, designers, engenheiros e administradores de empresa.
O que deveria ser interessante acabou sendo uma experiência relativamente frustrante. Os músicos conseguiram acomodação, acertada com antecedência, mas houve problemas nas chamadas “pousadas”.
A infraestrutura ainda é precária, os banheiros são coletivos, o que acaba por inibir e até afastar turistas.
Em algumas “pousadas”, na verdade imóveis de moradores locais não completamente adaptados para receber turistas, houve pouca liberdade para quem queria dar uma esticadinha na noite.
Na verdade, moradores das casas que serviam de hospedagem não pensaram duas vezes em reclamar do “barulho” provocado pelos hóspedes – simples conversas na cozinha entre duas pessoas que tentavam saborear latinhas de cerveja conseguidas a duras penas no comércio local.
Não sei se os músicos do Rollando Stones voltarão a Paranapiacaba caso tenham novo convite para show. Se voltarem, provavelmente preferirão na enfrentar a perigosa estrada que liga a vila à SP-31 (Índio Tibiriçá).
Assim como essa pequena história, há vários relatos de pessoas que tentaram ser turistas de mais de um dia na vila de Santo André e não gostaram da experiência.
Se realmente existe interesse em transformar Paranapiacaba em destino turístico de verdade – e não somente na época do Festival de Inverno –, então já passou da hora de melhorar a infraestrutura da vila em todos os sentidos.
A administração Celso Daniel-João Avamileno, ambos do PT, teve um projeto excelente pilotado pelo competente João Ricardo Cano. Infelizmente, parece que a gestão Aidan Ravin (PTB) não tem interesse em ganhar dinheiro com um dos locais mais lindos da Grande São Paulo.
O final de semana tinha tempo bom, e um grupo animado de músicos da Capital rumou para Paranapiacaba para uma apresentação durante uma convenção de bruxas, evento bastante comum na região há alguns anos.
A banda Rollando Stones chegou cedo no sábado à tarde a um clube local, montou seu equipamento e fez um show animado, todo baseado em músicas do grupo de rock britânico Rolling Stones.
Após mais de duas horas, o evento termina e parte da banda e de seus auxiliares, todos com família, dormem na vila e tentam aproveitar aquele programa inusitado para aqueles músicos semiprofissionais – entre eles há jornalistas, designers, engenheiros e administradores de empresa.
O que deveria ser interessante acabou sendo uma experiência relativamente frustrante. Os músicos conseguiram acomodação, acertada com antecedência, mas houve problemas nas chamadas “pousadas”.
A infraestrutura ainda é precária, os banheiros são coletivos, o que acaba por inibir e até afastar turistas.
Em algumas “pousadas”, na verdade imóveis de moradores locais não completamente adaptados para receber turistas, houve pouca liberdade para quem queria dar uma esticadinha na noite.
Na verdade, moradores das casas que serviam de hospedagem não pensaram duas vezes em reclamar do “barulho” provocado pelos hóspedes – simples conversas na cozinha entre duas pessoas que tentavam saborear latinhas de cerveja conseguidas a duras penas no comércio local.
Não sei se os músicos do Rollando Stones voltarão a Paranapiacaba caso tenham novo convite para show. Se voltarem, provavelmente preferirão na enfrentar a perigosa estrada que liga a vila à SP-31 (Índio Tibiriçá).
Assim como essa pequena história, há vários relatos de pessoas que tentaram ser turistas de mais de um dia na vila de Santo André e não gostaram da experiência.
Se realmente existe interesse em transformar Paranapiacaba em destino turístico de verdade – e não somente na época do Festival de Inverno –, então já passou da hora de melhorar a infraestrutura da vila em todos os sentidos.
A administração Celso Daniel-João Avamileno, ambos do PT, teve um projeto excelente pilotado pelo competente João Ricardo Cano. Infelizmente, parece que a gestão Aidan Ravin (PTB) não tem interesse em ganhar dinheiro com um dos locais mais lindos da Grande São Paulo.
NOVO COMUNICADO DA ASFUNPRECRE
Meus amigos, nada de muito excitante acontece em nosso mudo jurídico em guerra com Tanure. A vida empresarial dele está uma bagunça, e isso, infelizmente, afeta o andamento de nossos processos.
Aqueles acordos iniciais de setembro, onde os advogados da Editora JB haviam concordado e pagar dez processos por mês, para tentar resolver o máximo de pendências possíveis, estão parados – na verdade empacados.
Foram pagos três processos apena da primeira leva. Os sete restantes e os dez da segunda leva foram interrompidos porque a maioria na verdade é composta por dois processos – salários atrasados e verbas rescisórias, sendo que parte do nosso grupo tem um terceiro processo.
Os então novos advogados de Tanure contratados especialmente para esses acordos se surpreenderam com a existência de mais processos e pediram um tempo para estudá-los e propor “nova forma de pagamento”.
Ao mesmo tempo, na surdina, tentaram um recurso no TRT-SP para fazer um recálculo dos valores de todas as ações, já que “não sabiam da existência dos processos além dos salários atrasados”.
Na verdade, foi mais uma manobra protelatória e não deu certo, o recursos não foi acatado. Tentaram mais duas vezes, com diferentes instrumentos jurídicos, e perderam de novo.
Desde então, esses advogados sumiram – isso foi no final de outubro. Soubemos depois que acabaram destituídos que Tanure teria contratado novos advogados em São Paulo, mas isso não foi confirmado e ninguém entrou em contato com o dr. Wladimir Durães. Nem mesmo o chefe do jurídico da holding de Tanure, que também sumiu.
Portanto, infelizmente não depende mais de nós a continuidade do pagamento dos (supostos) acordos de setembro. Teremos de continua nossa batalha nos tribunais superiores para que as ações de Tanure da Intelig paguem a dívida conosco.
Questão TIM-Intelig
A TIM informou hoje, 15 de dezembro, o mercado que está dando sequência à incorporação (compra) da Intelig. Segundo o comunicado, o processo todo deve terminar em março.
Nos nossos embates no TST, uma desembargadora acatou um recurso de Tanure e autorizou o negócio TIM-Intelig, mas mantendo as ações da Intelig do dono do JB arrestadas como garantia do pagamento da dívida conosco.
A decisão é no mínimo esquisita, porque ela é contraditória: permite o negócio, mas mantém as ações presas. Não faz sentido.
Essa decisão contraditória gerou uma série de agravos regimentais de ambas as partes na tentativa de entender o que está acontecendo – e é claro que, quanto mais confusão, melhor para o Tanure.
Durante o anúncio do dia 15, executivos da TIM afirmaram que as dívidas relacionadas com a Intelig (trabalhistas do Tanure) somam R$ 65 milhões, sendo que não informaram a origem dessa informação.
A verdade: só com a associação a dívida é de R$ 173 milhões no mínimo, de acordo com os cálculos já apresentados na Justiça do Trabalho de São Paulo – fora as ações de outros advogados.
O valor de R$ 65 milhões foi citado em um dos recursos apresentados pelo Tanure no TST e aparentemente a desembargadora que deu a decisão contraditória o usaria como garantia de valor para nossas ações, desde que “novos cálculos fossem refeitos”. Entretanto, essa decisão ainda não foi tomada, se é que será tomada.
Situação de momento: a continuidade do negócio TIM-Intelig, apesar da decisão contraditória da desembargadora, é benéfica para nós, porque assim que o Tanure puser as mãos nas ações da TIM destinadas a ele, haverá finalmente possibilidade de liquidez menos demorada.
Portanto, nada que nos preocupe neste caso. As ações do Tanure continuariam bloqueadas à espera de uma solução.
O dr. Wladimir já protocolou em Brasília um agravo regimental de 54 páginas, bem fundamentado, onde questiona as decisões da desembargadora e demole os vários recursos que Tanure está interpondo para atravancar o processo. Não há previsão de quando esse agravo será analisado, até porque estamos às vésperas do recesso judicial.
Diretoria da Associação dos Funcionários e Ex-funcionários da Gazeta Mercantil
Meus amigos, nada de muito excitante acontece em nosso mudo jurídico em guerra com Tanure. A vida empresarial dele está uma bagunça, e isso, infelizmente, afeta o andamento de nossos processos.
Aqueles acordos iniciais de setembro, onde os advogados da Editora JB haviam concordado e pagar dez processos por mês, para tentar resolver o máximo de pendências possíveis, estão parados – na verdade empacados.
Foram pagos três processos apena da primeira leva. Os sete restantes e os dez da segunda leva foram interrompidos porque a maioria na verdade é composta por dois processos – salários atrasados e verbas rescisórias, sendo que parte do nosso grupo tem um terceiro processo.
Os então novos advogados de Tanure contratados especialmente para esses acordos se surpreenderam com a existência de mais processos e pediram um tempo para estudá-los e propor “nova forma de pagamento”.
Ao mesmo tempo, na surdina, tentaram um recurso no TRT-SP para fazer um recálculo dos valores de todas as ações, já que “não sabiam da existência dos processos além dos salários atrasados”.
Na verdade, foi mais uma manobra protelatória e não deu certo, o recursos não foi acatado. Tentaram mais duas vezes, com diferentes instrumentos jurídicos, e perderam de novo.
Desde então, esses advogados sumiram – isso foi no final de outubro. Soubemos depois que acabaram destituídos que Tanure teria contratado novos advogados em São Paulo, mas isso não foi confirmado e ninguém entrou em contato com o dr. Wladimir Durães. Nem mesmo o chefe do jurídico da holding de Tanure, que também sumiu.
Portanto, infelizmente não depende mais de nós a continuidade do pagamento dos (supostos) acordos de setembro. Teremos de continua nossa batalha nos tribunais superiores para que as ações de Tanure da Intelig paguem a dívida conosco.
Questão TIM-Intelig
A TIM informou hoje, 15 de dezembro, o mercado que está dando sequência à incorporação (compra) da Intelig. Segundo o comunicado, o processo todo deve terminar em março.
Nos nossos embates no TST, uma desembargadora acatou um recurso de Tanure e autorizou o negócio TIM-Intelig, mas mantendo as ações da Intelig do dono do JB arrestadas como garantia do pagamento da dívida conosco.
A decisão é no mínimo esquisita, porque ela é contraditória: permite o negócio, mas mantém as ações presas. Não faz sentido.
Essa decisão contraditória gerou uma série de agravos regimentais de ambas as partes na tentativa de entender o que está acontecendo – e é claro que, quanto mais confusão, melhor para o Tanure.
Durante o anúncio do dia 15, executivos da TIM afirmaram que as dívidas relacionadas com a Intelig (trabalhistas do Tanure) somam R$ 65 milhões, sendo que não informaram a origem dessa informação.
A verdade: só com a associação a dívida é de R$ 173 milhões no mínimo, de acordo com os cálculos já apresentados na Justiça do Trabalho de São Paulo – fora as ações de outros advogados.
O valor de R$ 65 milhões foi citado em um dos recursos apresentados pelo Tanure no TST e aparentemente a desembargadora que deu a decisão contraditória o usaria como garantia de valor para nossas ações, desde que “novos cálculos fossem refeitos”. Entretanto, essa decisão ainda não foi tomada, se é que será tomada.
Situação de momento: a continuidade do negócio TIM-Intelig, apesar da decisão contraditória da desembargadora, é benéfica para nós, porque assim que o Tanure puser as mãos nas ações da TIM destinadas a ele, haverá finalmente possibilidade de liquidez menos demorada.
Portanto, nada que nos preocupe neste caso. As ações do Tanure continuariam bloqueadas à espera de uma solução.
O dr. Wladimir já protocolou em Brasília um agravo regimental de 54 páginas, bem fundamentado, onde questiona as decisões da desembargadora e demole os vários recursos que Tanure está interpondo para atravancar o processo. Não há previsão de quando esse agravo será analisado, até porque estamos às vésperas do recesso judicial.
Diretoria da Associação dos Funcionários e Ex-funcionários da Gazeta Mercantil
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Os verdadeiros Ches
Os verdadeiros Ches Guevaras do século XX não eram argentinos, nem cubanos, nem latino-americanos. Um era irlandês muito inteligente, mas não muito culto. Outro era croata (na época, iugoslavo), extremamente inteligente e erudito.
Michael Collins (1890-1922) foi mais carismático líder da revolução irlandesa de 1916. Era o braço direito de Eamon de Valera, o advogado que sonhava em unificar a Irlanda ocupada pelos ingleses desde o século XIV e se tornar o presidente.
Sem qualquer aparato ideológico ou de marketing, a não ser o nacionalismo extremo, Collins foi mais radical que os russos bolcheviques que assumiram o poder em 1917 em Moscou e conseguiu o que ninguém acreditava: apressar a independência irlandesa com muito pragmatismo e tenacidade política, mesmo tendo de enfrentar velhos companheiros.
Traído por negociar uma autonomia parcial, mas progressiva, com os ingleses, acabou virando chefe provisório do primeiro governo irlandês de transição.
Déspota e autoritário, transformou a Irlanda em uma ditadura militar por um breve período. Foi assassinado por ex-companheiros em 1922, fato que precipitou a independência na prática do país e a união nacional dos condados do sul.
Collins não teve marketing e teve o azar de nascer na Irlanda do início do século XX, quando era a “África da Europa”. Sua vida virou filme em 1996 pelas mãos do diretor Neil Jordan e foi interpretado por Liam Neeson, que é norte-irlandês.
Já o croata era Josip Broz (1892-1980), conhecido como Tito, talvez o mais brilhante líder guerrilheiro da história. Com muita inteligência e disciplina, liderou a guerrilha comunista na Iugoslávia invadida e ocupada pelos alemães nazistas entre 1941 e 1945.
O desempenho de seus partizans foi tão predatório e nocivo - e praticamente sem ajuda dos aliados - que forçou uma retirada antecipada dos alemães da Sérvia e da Bósnia. Acossados na Croácia, praticamente se renderam no começo de 1945.
No caso de Tito, brilhante militar e importante estadista, o marketing funcionou ao contrário. Comunista convicto, mas independente demais para o gosto dos soviéticos, caiu em desgraça com a intelligentsia esquerdista e praticamente foi “desterrado” e “exilado” nos livros de história.
Efetivamente, foram os verdadeiros Ches.
Os verdadeiros Ches Guevaras do século XX não eram argentinos, nem cubanos, nem latino-americanos. Um era irlandês muito inteligente, mas não muito culto. Outro era croata (na época, iugoslavo), extremamente inteligente e erudito.
Michael Collins (1890-1922) foi mais carismático líder da revolução irlandesa de 1916. Era o braço direito de Eamon de Valera, o advogado que sonhava em unificar a Irlanda ocupada pelos ingleses desde o século XIV e se tornar o presidente.
Sem qualquer aparato ideológico ou de marketing, a não ser o nacionalismo extremo, Collins foi mais radical que os russos bolcheviques que assumiram o poder em 1917 em Moscou e conseguiu o que ninguém acreditava: apressar a independência irlandesa com muito pragmatismo e tenacidade política, mesmo tendo de enfrentar velhos companheiros.
Traído por negociar uma autonomia parcial, mas progressiva, com os ingleses, acabou virando chefe provisório do primeiro governo irlandês de transição.
Déspota e autoritário, transformou a Irlanda em uma ditadura militar por um breve período. Foi assassinado por ex-companheiros em 1922, fato que precipitou a independência na prática do país e a união nacional dos condados do sul.
Collins não teve marketing e teve o azar de nascer na Irlanda do início do século XX, quando era a “África da Europa”. Sua vida virou filme em 1996 pelas mãos do diretor Neil Jordan e foi interpretado por Liam Neeson, que é norte-irlandês.
Já o croata era Josip Broz (1892-1980), conhecido como Tito, talvez o mais brilhante líder guerrilheiro da história. Com muita inteligência e disciplina, liderou a guerrilha comunista na Iugoslávia invadida e ocupada pelos alemães nazistas entre 1941 e 1945.
O desempenho de seus partizans foi tão predatório e nocivo - e praticamente sem ajuda dos aliados - que forçou uma retirada antecipada dos alemães da Sérvia e da Bósnia. Acossados na Croácia, praticamente se renderam no começo de 1945.
No caso de Tito, brilhante militar e importante estadista, o marketing funcionou ao contrário. Comunista convicto, mas independente demais para o gosto dos soviéticos, caiu em desgraça com a intelligentsia esquerdista e praticamente foi “desterrado” e “exilado” nos livros de história.
Efetivamente, foram os verdadeiros Ches.
Che e a imensa força do marketing
Marketing é uma das três áreas mais fascinantes das ciências humanas. Assim como a política, é uma ferramenta presente 24 horas por dia na vida das pessoas, qualquer pessoa - e frequentemente são pouquíssimos os que se dão conta disso.
Armei-me de fôlego e paciência para conseguir assistir as duas partes do filme “Che”, do ótimo cineasta Steven Soderberg e estrelado pelo igualmente ótimo Benicio Del Toro, ganhador do prêmio de melhor ator do Festival de Cannes pelo papel.
Esperava uma fita muito ruim, coalhada de clichês e ovações gratuitas ao personagem histórico. Surpreendi-me ao ver uma obra relativamente equilibrada e distanciada - até onde isso é possível em se tratando de Che Guevara, astro e rosto principal da Revolução Cubana de 1959.
Deliberadamente o roteiro e a direção evitam a polêmica e os temas mais pesados, de certa forma atenuam os fracassos políticos e militares - compreensível, afinal esse não era o foco do filme, que merece ser visto pela qualidade da direção e pelo esmero da produção.
Assim como o que de melhor foi produzido em termos de biografias, o filme ajuda a reforçar o mito em torno de Che, tornando-o muito mais do que realmente foi. E esse é grande segredo do marketing, muito mais importante do que a propaganda.
O marketing transformou um coadjuvante da revolução em rosto e imagem da mesma, no retrato magistral do fotógrafo Alberto Korda estampado em camisetas e tatuagens.
O coração e a alma estavam em Fidel Castro, Raul Castro e o núcleo central do comando da revolução. Mas a imagem é a do médico argentino agregado ao comando da revolução, que teve pífio como ministro e gestor em Cuba e que acabou fracassando nas campanhas revolucionárias do Congo e da Bolívia - isso para não mencionar outros atos desabonadores.
Che Guevara é a prova definitiva de que o marketing funciona. Independente de suas convicções políticas e ideológicas, o fato é que a trajetória do coadjuvante se tornou maior do que a própria revolução cubana e deu esperança de mudanças a pelo menos duas gerações. Negar a sua importância história é brigar com s fatos e com a história.
Marketing é uma das três áreas mais fascinantes das ciências humanas. Assim como a política, é uma ferramenta presente 24 horas por dia na vida das pessoas, qualquer pessoa - e frequentemente são pouquíssimos os que se dão conta disso.
Armei-me de fôlego e paciência para conseguir assistir as duas partes do filme “Che”, do ótimo cineasta Steven Soderberg e estrelado pelo igualmente ótimo Benicio Del Toro, ganhador do prêmio de melhor ator do Festival de Cannes pelo papel.
Esperava uma fita muito ruim, coalhada de clichês e ovações gratuitas ao personagem histórico. Surpreendi-me ao ver uma obra relativamente equilibrada e distanciada - até onde isso é possível em se tratando de Che Guevara, astro e rosto principal da Revolução Cubana de 1959.
Deliberadamente o roteiro e a direção evitam a polêmica e os temas mais pesados, de certa forma atenuam os fracassos políticos e militares - compreensível, afinal esse não era o foco do filme, que merece ser visto pela qualidade da direção e pelo esmero da produção.
Assim como o que de melhor foi produzido em termos de biografias, o filme ajuda a reforçar o mito em torno de Che, tornando-o muito mais do que realmente foi. E esse é grande segredo do marketing, muito mais importante do que a propaganda.
O marketing transformou um coadjuvante da revolução em rosto e imagem da mesma, no retrato magistral do fotógrafo Alberto Korda estampado em camisetas e tatuagens.
O coração e a alma estavam em Fidel Castro, Raul Castro e o núcleo central do comando da revolução. Mas a imagem é a do médico argentino agregado ao comando da revolução, que teve pífio como ministro e gestor em Cuba e que acabou fracassando nas campanhas revolucionárias do Congo e da Bolívia - isso para não mencionar outros atos desabonadores.
Che Guevara é a prova definitiva de que o marketing funciona. Independente de suas convicções políticas e ideológicas, o fato é que a trajetória do coadjuvante se tornou maior do que a própria revolução cubana e deu esperança de mudanças a pelo menos duas gerações. Negar a sua importância história é brigar com s fatos e com a história.