Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quinta-feira, março 05, 2009
Não pretendia entrar no assunto, até porque acho de uma irrelevância absurda, mesmo que a repercussão tenha ido além do normal. A Folha de S. Paulo publicou há duas semanas um editorial em que usou o termo "ditabranda" para comparar a "intensidade" da violência contra opositores e instituições.
Para o autor do editorial (opinião) da Folha, a ditadora militar brasileira foi mais branda, menos feroz, do que outras na América Latina e África, já que matou muito menos. O termo "ditabranda" causou furor nos meios intelectuais brasileiros, com fortes doses de razão, principalmente entre aqueles que lutaram contra a ditadura e foram torturados e entre aqueles que tiveram parentes assassinados pelos militares.
O jornal se defendeu e afirma categoricamente que jamais defendeu a ditadura, ou a volta dela, ou a violência praticada pela mesma - o que é verdade, porque o editorial em nenhum momento faz defesa alguma do regime de exceção.
Na verdade, o que aconteceu foi um erro grosseiro de quem escreveu o editorial. Tentou relativizar algo que não pode ser relativizado ou amenizado. O regime militar derrubou um governo eleito democraticamente, desrespeitou a Constituição vigente - emporcalhando a história do Brasil - e cometeu atrocidades.
Entretanto, o erro grosseiro não justifica a gritaria em torno do assunto, que está morto e encerrado há 30 anos, com a Lei da Anistia. Ficar elaborando ranking de quem matou mais ou menos ou criar uma disputa de arquibancada direita x esquerda são artifícios de indigentes intelectuais para ideologizar da pior forma possível o debate.
O temo "ditabranda" é ofensivo em sua essência, na origem do conceito. É uma tentativa canhestra de relativizar a truculência, a violência, a afronta aos direitos humanos e os crimes perpetrados pelo regime militar brasileiro.
O Estado comandado pelos militares incentivou, patrocinou e ordenou tortura e assassinatos, derrubou governo legal e dmeocraticamente eleito e surrupiou direitos básicos dos cidadãos brasileiros.
Portanto, a comparação sobre o nível de ferocidade entgre ditaduras é totalmente incabível, já que na imensa maioria das vezes elas se igualam na essência: regimes políticos que praticao o crime de Estado, assassinando, torturando e confiscando, entre outras coisas.
Embora o texto do editorial não tenha tido a intenção de defender a ditadura militar brasileira, deixou margem para esse tipo de interpretação oportunista. O erro foi grosseiro, mas foi hiperdimensionado.
E os oportunistas já apareceram como o tal do Movimento dos Sem-Mídia, um grupo de desocupador e enviezados intelectualmente que pretendeu fazer uma manifestação na frente da sede da Folha de S. Paulo no dia 7 de março. É gente que leu o editorial pela metade ou nem leu, mas que adora fazer barulho contra os chamados "donos do poder".
Os pecados da imprensa são muito mais complexos e fundamentais do que um erro grosseiro no texto de um editorial. Esse tipo de gente são os mesmos que adoram culpar a imprensa pela suposta espetacularização de casos policiais - e até mesmo pelo desfecho dos mesmos.
São os mesmos que se excitam ao ficar regurgitando que os grandes veículos de comunicação do Brasil apoiaram o golpe militar de 1964 - o que é verdade. Mas são desonestos intelectuais ao omitirem deliberadamente que os mesmos veículos foram vítimas de censura na ditadura, que seus jornalistas foram igualmente vítimas, investigados, perseguidos, presos e torturados.
Esse é um debate estéril, pois a ideologização, o oportunismo e a má-fé de boa parte dos integrantes dos dois lados desvia o foco da discussão e joga a razão na lata do lixo.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Só contextualizando: a Folha de S. Paulo publicou recentemente um editorial sobre as sucessivas e bem-sucedidas tentativas de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, de usar a democracia para destruí-la, ao propor plebiscitos para se perpetuar no poder, por meio de reeleições sucessivas e aprovasr medidas autoritárias que minam cada vez mais a autonomia e a liberdade no país.
No meio do texto, o infeliz editorialista errou feito, ao tentar relativizar a ditadura militar brasileira - que matou pouco - em comparação com as ditaduras militares argentina, chilena, uruguaia e tantas outras. Usou o termo "ditabranda", provocando a ira e a fúria de diversos setores da sociedade, notadamente de gente que foi vítima ou teve parentes vitimados pelo odioso regime militar brasileiro. O texto abaixo é mais uma reação ao equívoco que foi o editorial, mas é bastante expressivo porque veio de dentro da própria Folha.
Ditadura, por favor, por Fernando de Barros e Silva
Fernando de Barros e Silva (*)
Fonte:Folha de S. Paulo
Certamente não é a primeira vez que um colunista da casa diverge de uma posição expressa pelo jornal em editorial.
Mas é a primeira vez que este colunista se sente compelido a tornar pública sua discordância, inclusive em nome do que aprendeu durante 20 anos nesta Folha.
O mundo mudou um bocado, mas "ditabranda" é demais.
O argumento de que, comparada a outras instaladas na América Latina, a ditadura brasileira apresentou "níveis baixos de violência política e institucional" parece servir, hoje, para atenuar a percepção dos danos daquele regime de exceção, e não para compreendê-lo melhor.
O que pretende ser um avanço analítico parece, mais do que um erro, um sintoma de regressão.
Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?
Por essa lógica, chega-se à conclusão absurda de que o holocausto nazista não passou de um "genolight" perto do extermínio de 20 milhões promovido por Stálin.
Ora, se é verdade que o aparelho repressivo brasileiro produziu menos vítimas do que o chileno ou o argentino, isso se deu porque a esquerda armada daqui era menos organizada e foi mais facilmente dizimada, não porque nossos militares tenham sido "brandos".
Quando a tortura se transforma em política de Estado, como de fato ocorreu após o AI-5, o que se tem é a "ditadura escancarada", para falar como Elio Gaspari. Seria um equívoco de mau gosto associar qualquer tipo de "brandura" até mesmo ao que Gaspari chamou de "ditadura envergonhada", quando o regime, entre 64 e 68, ainda convivia com clarões de liberdade, circunscritos à cultura.
Brandos ou duros, o fato é que os regimes autoritários só mobilizam a indignação de grande parte da esquerda quando não vêm acompanhados da retórica igualitarista.
Muitos intelectuais se assanham agora com a tirania por etapas que Chávez vai impondo à Venezuela sob a gosma ideológica da revolução bolivariana. Isso para não lembrar o fascínio que o regime moribundo mas terrível de Fidel Castro ainda exerce sobre figurões e figurinhas da esquerda nativa.
É bem sintomático, aliás, que, ao protestar contra a "ditabranda" em carta à Folha, o professor Fábio Konder Comparato, guardião do "devido respeito à pessoa humana", tenha condenado os autores do neologismo a ficar "de joelhos em praça pública" para "pedir perdão ao povo brasileiro".
Que coisa. Era assim, obrigando suas vítimas a ajoelhar em praça pública, submetendo-as à autêntica "tortura chinesa", que a polícia política maoísta punia desvios ideológicos durante a Revolução Cultural. Quem sabe, como a "ditabranda", seja só um palpite infeliz.
(*) Editor de Brasil da Folha de S. Paulo. Escreveu no espaço do colunista Marcos Nobre, que está em férias. - Artigo publicado na edição de 24/02/09
Em São Paulo o mercado jornalístico possui uma espécie de veículo oficial, o Jornalistas&Cia, produzido por um amigo, jornalista e empresário Eduardo Ribeiro, da Megabrasil. É um boletim semanal que mostra o que acontece nas redações e assessorias de imprensa de todo país, quem saiu em tal lugarm quem chegou, quem lançou livro, etc.
Na edição de 26 de fevereiro de 2009, há uma notícia sobre a morte de um jornaista, Claudio Faviere, de 60 anos, com passaagens por vários jornais,entre eles a folha de S. Paulo. Nunca ouvi falar dele. Entretanto, sua morte for registrada e traz um depoimento de um contemporâneo, nei Duclós, também jornalista, que descobriu o texto abaixo do amigo e o tornou público novamente.
O texto é interessante, mostra a desolação de Faviere com o jornalismo atual e a decisão de abandonar as redações para abrir uma pousada em Cunha, na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Suas posições são compartilhadas por Duclós. Discordo toalmente da opinião de ambos sobre a avaliação do jornalismo atual.
Respeito, mas abomino essa visão apocalíptica descrita no texto e, principalmente, esse comportamento absurdo de abandonar tudo em vez de lutar para melhorar. Entretanto, o texto de Faviere é um retrato amargo da profissão, mas profundamente sincero. Considero-o um marco recente da análise do trabalho jornalístico.
NO DIA EM QUE EU VIM-ME EMBORA
Não tinha nada demais. Tinha
o vento a favor. Havia comprado
o sítio em Cunha sem que tivesse
planejado comprar sítio, construído
a casa sem que estivesse
nos planos mudar de cidade.
Tudo aconteceu sem planejamentos
e intenções. Coisas do
destino ou sabe-se lá do quê. Era
1993.
Dois anos depois, ao sair
do último emprego, sentia um
grande desencanto com o jornalismo,
do jeito que passara a ser
praticado. Morte da reportagem,
imprensa oficialesca, sem investigação
e denúncia, império do
release, matérias feitas em série
como em uma fábrica de salsichas,
visões áridas, estatísticas,
sem contemplação do ser
humano.
No período entre a compra do
sítio e a saída do emprego mesclava
o trabalho em São Paulo
com a construção da casa, nas
rápidas viagens de fim de semana
a Cunha. Nas conversas de bares
na pequena cidade ou nos humildes
armazéns da zona rural, nas
visitas às casas e nos passeios aos
pequenos vilarejos da roça, o contato
com novas realidades, novos
cenários, novas pessoas. E a descoberta
de novas histórias, de uma
nova cultura, de um novo e prazeroso
relacionamento com os moradores.
Tudo em contraste relevante
com a metrópole, onde nasci,
vivi, trabalhei. O fascínio por
tudo isto era grande. Destes contatos
e histórias surgiu a vontade
de uma nova experiência: escrever
um romance ambientado naquela
realidade, a primeira entrada no
mundo da ficção.
Fazia quase 30
anos que praticava o exercício de
escrever, mas sempre em cima de
fatos e acontecimentos.
Somando tudo: desencanto com
o jornalismo, a saída do último
emprego, um dinheirinho no bolso,
a casa semipronta (mas já em
condições de morar), as primeiras
linhas do romance se delineando
nos breves intervalos do cotidiano
de São Paulo. Pronto. Lá vou eu.
Bye-bye tudo.
E vim-me embora com o projeto
de passar um ano com dedicação
exclusiva ao romance. O dinheirinho
dos direitos trabalhistas não
era muito, mas o suficiente para
não ter outra preocupação do que
viver plenamente a experiência da
liberdade proporcionada pela literatura.
E aqui no sítio tudo era a
favor: as cachoeiras rodeando a
casa, a mata, o silêncio, o sagrado
isolamento, as montanhas, o céu
que chega a dar um porre de azul.
Só uma coisa não foi a favor: a realidade.
O dinheiro acabou, parei
o romance quase concluído, fui
atrás da sobrevivência, retomei o
romance, parei novamente, fui
atrás da sobrevivência.
Em 2000, recebi uma pequena
herança e construí uma pousada
com o claro objetivo de ela não ser
um fim, mas o meio através do
qual fosse possível atingir o objetivo
maior: ler e escrever. Passaram-
se quase cinco anos de
trabalho árduo para que a pousada
se estruturasse, ficasse conhecida,
possibilitasse a sobrevivência
e, enfim, eu alcançasse a
paz e tranqüilidade para terminar
o romance.
Penso que assim como o destino
me trouxe para cá e me privilegiou
com um pedacinho de terra
tão sagrado (sem que eu houvesse
planejado ou pretendido), o
mesmo destino designou a hora
certa para concluir este sonho de
liberdade. Era inexorável e foi agora.
O livro chama-se “Na Cacunda
do Lagarto” e só falta um pequeno
detalhe: editá-lo. Vamos
ver. Mas os percalços desta batalha
nunca me tiraram a felicidade
de estar aqui, mais perto da vivência
do que da sobrevivência.
Nota: O título deste artigo e a primeira
frase são de uma música de Caetano
Veloso.
Está circulando na internet um interessante vídeo de futurologia sobre como a comunicação global evoluirá nos próximos 20 anos. Está no YouTube, no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=5SJup6CGiO4. A tese central de Prometeus, o nome do vídeo, é a convergência total de mídias e meios de comunicação, com o surgimento do "prosumor", uma espécie de consumidor que também é produtor de conteúdo.
Cabecismos à parte, a tese é interessante, embora sua base teórica ainda seja frágil. E é claro que tem um viés esquerdista, e dos mais retrógrados - eis o paradoxo. Apresenta os meios de comunicação atual como vilões da humanidade e fadasos ao desaparecimento, como jornais, revistas e emissoras de TV vinculadas a grandes grupos de negócios.
O pior de tudo, entretanto, é a ênfase na "liberdade total" de escolha de conteúdo, informação e expressão, como se nós hoje fôssemos completamente impedidos de acessarmos o que queremos - ao menos no Ocidente democrático.
O paradoxo é que o vídeo termina com a previsão de que existirão poucos grupos realmente globais e mundiais produtores de conteúdo total, hegemônicos - Google comprará a Microsoft, Amazon comprará o Yahoo e a BBC será a grande empresa europeia - ou seja, o mundo da informação caminha para o monopólio...
Essa "liberdade total" de expressão pregada pelo autor do vídeo e da tese coroa o trabalho com a estapafúrdia tese de que "direitos autorais" são ilegais, ou seja, prega abertamente o crime de fraude intelectual. Defende os atuais pirateadores de programas de computador, os baixadores de arquivos musicais e literários e afirma que no futuro os direitos autorais é que serão considerados um crime.
A apologia criminosa contra o copyright é um perigo, pois tgraz a gênese do suposto socialismo total nas ideias, com o equivocado conceito de que o conhecimento tem de ser livre para todos e disseminado sem restrições.
Ora, mas esse é um dos pressupostos do conceito de direito autoral no mundo democrático. Entretanto, como em qualquer sociedade civilizada e avançada, o copyright é uma regulação e uma garantia de que o conteúdo será disciplinado e distribuído de acordo com certas regras, respeitando o trabalho do autor.
A quebra total de patentes e direitos autorais éum câncer que é defendido por gente de bem e por vagabundos preguiçosos que nada mais são do que sanguessugas que se aproveitam do trabalho alheio de quem realmente trabalha e pensa.
Aliás, os sanguessugas são a maioria, é o mesmo tip0o de gente nojenta que xeroca livros na biblioteca e copia ilegalmente arquivos, programas e músicas. Alegam que não têm dinheiro para comprar "livros caros", mas sempre têm dinheiro para gastar na balada do fim de semana,para viajar à praia e eventualmente comprar drogas. Mas gastar com livros, para quê? Está fácil ali, de graça... É esse tipo de preguiçoso que compõe a maioria dos que defendem a quebra das patentes e direitos autorais.
É bom lembrar que o sistema de patentes e direitos autorais é o que a produção intelectual/cultural/empresarial do mundo. Assim como a democracia é um sistema político muito ruim, mas que ainda é o melhor que já foi inventado, o capitalismo é um péssimo sistema econômico, mas é de longe o melhor que existe.
E, ao contrário do que pregam seus detratores, possui mecanismos para coibir abusos em qualquer setor. A questão é vontade política para coibir os abusos. Não foi por outro motivo que o Brasil conseguiu quebrar as patentes dos remédios contra a Aids, numa homérica briga contra os laboratórios internacionais. Foi o típico caso de abuso dentro do capitalismo. Laboratórios infames querendo lucrar alto com os doentes de Terceiro Mundo.
Não quero eliminar o direito de os laboratórios de serem remunerados por suas inovações e criações - afinal, esse lucro precisa ser reinvestido para que novas técnicas novos remédios, novos produtos e novos inventos surjam. E o Brasil não se recusou a pagar pelas patentes, apenas queria um preço justo e honesto pelos remédios contra a Aids.
Os laboratórios internacionais pagaram para ver e perderam. A posição brasileira foi elogiada em todo o mundo e ajudou a disseminar o programa nacional de atendimento às vítimas em todo mundo.
Quebrar indiscriminadamente patentes e direitos autorais não interessam à sociedade, mas somente aos teóricos do caos e do consumo fácil e sem custo algum. Para eles, o trabalho intelectual é de segunda classe. É extremamente perigoso que esse conceito se torne hegemônico no futuro.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Por falar em Veja, a edição desta semana traz uma entrevista bem interessante e reveladora de Jarbas Vanconcellos, ex-governador de Pernambuco e atual senador pelo PMDB daquele Estado.
Vasconcellos atira para todos os lados, contra aliados, contra o governo federal, contra o seu próprio partido. Adora falar em corrupção e que é um "dissidente dentro de seu partido". Ou seja, ficou 40 anos na vida pública praticando e apoiando os mesmos cidadãos que são alvos de suas próprias críticas, e agora posa de ético e bastião da moralidade. Não é digno de respeito.
Independente disso, foi cirúrgico em apenas um parágrafo ao definir o governo Lula:
O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.
Atirou-se para todos os lados no caso da advogada brasileira que afirma ter sido atacada por skinheads em uma cidadezinha suíça nesta semana. A moça afirma categoricamente que eram skinheads neonazistas.
A polícia suíça, de forma irresponsável e demonstrando desprezo pelos estrangeiros, apressou-se em dizer que a advogada se auto-mutilou, mesmo antes da realização de qualquer exame decente.
Já o governo brasileiro, de forma tosca e atrapalhada - características da éssima olítica exerna brasileira - tratou de tornar o caso um braço-de-ferro diplomático, quando o caso nada mais é do que uma questão policial. O fato é que ainda é cedo para estabelcer qualquer julgamento - é tudo mentira, não houve ataque algum e a garota tem problemas psicológicos? Ou realmente houve um ataque xenófobo contra a moça brasileira?
A reação da imprensa brasileira, diante das circunstâncias e das informações que chegavam de forma picada, até que foram razoavelmente equilibradas, pelo menos em relação aos grandes jornais. Já na Suíça isso não ocorreu, com os jornais tratando a questão como ofensa nacional.
A Folha de S. Paulo teve um comportamento sereno em seu noticiário, mas os seus articulistas perderam a mão. Não gosto do estloo e do tipo de jornalismo que Reinaldo Azevedo, da revista Veja, faz. Mas ele foi feliz na análise que vez em seu blog, hospedado no portal da revista.
A quantidade de bobagem na imprensa brasileira é de assustar. Em um dos artigos que escrevi sobre o caso, afirmei que alguém ainda diria que o episódio foi útil porque serviu para denunciar a xenofobia etc... Batata! Eliane Cantanhede escreveu um texto verdadeiramente imodesto no gênero (em vermelho), destacando que estamos todos envergonhados... Bem, pessoalmente, não estou: não caí na conversa nem linchei o povo suíço. A ela.
Com Alemanha, Reino Unido, Holanda, Portugal, Espanha e Itália em recessão e registrando aumento de desemprego, a xenofobia perde o pudor e emerge. Com ou sem skinheads, a história de Paula toca numa ferida tão real que habitava e explodiu no inconsciente da moça. E no nosso.
Ninguém sabe direito o que aconteceu, mas Eliane sabe: a xenofobia explodiu “no inconsciente da moça e no nosso”... É a primeira vez na história da psicanálise que o inconsciente revela um conteúdo igual ao da consciência. UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO. Se Freud era o Darwin da mente, não é mais. Eliane o substituiu: descobriu a congruência entre o consciente e o inconsciente. Nada mais será como antes.
O Brasil foi do ataque à defensiva, depois de autoridades, imprensa e cidadãos suíços reclamarem retratações. O que, além de constrangedor, enfraquece futuras investidas em defesa de brasileiros agredidos e humilhados no mundo desenvolvido, mas não elimina a essência de toda a discussão: a resistência crescente e agressiva aos imigrantes de países emergentes ou periféricos.
Como se vê, “os brasileiros agredidos e humilhados no mundo desenvolvido” passaram a ser a “essência de toda a discussão”. Assim, conclui-se que o episódio tem seu lado positivo, que é chamar a atenção para a “essência"... Um povo e um país são acusados de xenófobos, de tolerantes com o neonazismo e de racistas e são insultados pelo governo brasileiro, MAS A CULPA É DELES.
Se os cortes em Paula são superficiais, lineares e femininos demais para terem sido feitos por brutais skinheads, eles não eliminam as dores dos brasileiros humilhados em aeroportos espanhóis, sem banho, sem ressarcimentos e até sem dentes, perdidos a socos policiais.
Paula pode ter sido um erro, mas o erro maior está lá. Por que foi tão fácil inventar e acreditar num ataque de skinheads? Porque há quem não creia em xenofobia, mas que ela existe, existe. E tende a piorar.
Com o perdão da palavra, é uma das coisas mais boçais que li sobre o caso. O sentido moral do que escreve Eliane é o seguinte: "Eles podem até ser inocentes nessa, mas são essencialmente culpados". Afinal, pergunta ela, “por que foi tão fácil inventar e acreditar num ataque de skinheads?” Ora, ao longo da história, tem sido fácil inventar e acreditar que judeus são exploradores que só pensam em lucrar com a cobrança de juros; tem sido fácil inventar e acreditar que todos os islâmicos gostam de explodir bombas: tem sido fácil inventar e acreditar que brasileiras na Europa são todas garotas de programa... Eliane demonstra, a partir da própria experiência, como nasce um preconceito. Ela está olhando para os suíços e dizendo: VOCÊS SÃO OS CULPADOS PELA ACUSAÇÃO INJUSTA. Ademais, quem é que não acredita em xenofobia? Xenofobia não é como disco voador. É matéria de fato. Existe em todos os lugares do mundo, inclusiove no Brasil. NO MUNDO CIVILIZADO, ELIANE, NÃO SE ACUSA UMA PESSOA — OU UM PAÍS — DE UM CRIME QUE ELA PODERIA TER COMETIDO. SEI QUE UM EXAGERO DO CONSERVADORISMO, MAS É ASSIM...
Clóvis Rossi também viu “embaraço nosso e deles”. A coisa já começa interessante no título. Enquanto ele aceitou — “precipitadamente”, admite — a versão de Paula, o vexame era só dos suíços. Agora que a versão da moça naufraga, ele decidiu dividir com aquele povo “os embaraços”. Entenderam a lógica? Acho que não.
E ele prossegue:
“Mesmo que tenha se automutilado, não há razões para, ao contrário do que diz certa mídia suíça, o país ficar ofendido pelas críticas à xenofobia. O Partido do Povo Suíço e seu líder, Christoph Blocher, são um embaraço para boa parte do establishment político local, exatamente pela xenofobia. Blocher é da mesmíssima família política de outros líderes da extrema-direita, como o francês Jean-Marie Le Pen e o austríaco Jörg Haider, recentemente morto, para não falar da Liga Norte italiana. O embaraço é tamanho que a União Europeia chegou a impor sanções à Áustria quando o partido de Haider entrou para a coalizão governante. Portanto, a hipótese de um atentado racista era verossímil. Nem seria o primeiro, aliás.”
É a mesma lógica de Eliane: eles não cometeram esse crime, mas o que interessa é que poderiam ter cometido. Logo, o país não tem de se ofender. É verdade, Rossi. Se alguém disser que os brasileiros não dão a menor bola à vida humana e que não passam de um bando de carniceiros — já que se cometem por aqui 50 mil homicídios por ano —, devemos acatar a crítica como justa e decente.
Agora prestem atenção a este parágrafo:
Mas, se a versão da polícia for a verdadeira, só vai reforçar a desconfiança com que os brasileiros são vistos em parte da opinião pública européia. Por mais que a maioria se mate de trabalhar, clandestinos ou não, os escândalos provocados por uma minoria de vigaristas contaminam todos, a ponto de ter ouvido, uma vez, de uma brasileira residente em Portugal, que todas as brasileiras são tratadas como prostitutas.
Rossi acha uma injustiça que imigrantes brasileiros sejam vistos com desconfiança, “embora a maioria se mate de trabalhar etc,” por causa de uma minoria de vigaristas. Mas acha compreensível (e censura os suíços por terem se ofendido) que todo um povo seja visto como xenófobo por causa de uma minoria — E É MINORIA — de racistas. Ou seja: os nossos vigaristas não podem ser tomados pela maioria, mas os racistas deles sim.
Não é por acaso que Celso Amorim fez fama de competente no Brasil.
Ainda a questão religiosa: também é inacreditável que se discuta a validade das teorias evolucionistas de Charles Darwin - teorias só no nome, porque já foram eficientemente comprovadas. Na efeméride dos 200 anos do nascimento do cientista inglês que mudou a história da humanidade, ainda existem imbecis defendendo o criacionismo.
Pior: existem imbecis - criminosos, na verdade - que defendem a disseminação do ensino do criacionismo - que nada mais é do que a crença na existência de Deus e a crença de que ele criou tudo e todos - em todos os níveis. Esses imbecis - sempre ligados a algum tipo de "religião" ou seita - agora insistem na contaminação das aulas de ciências nas escolas com essa doutrina nefasta.
Insistir no criacionismo é estelionato, é insistir na existência de Papai Noel. É um crime conra a humanidade.
Inacreditável como a religião continua epurando o mundo para as trevas. As reações absurdas à morte da jovem italiana mantida viva por aparelhos por 17 anos mostra a que ponto chega a estupidez humana. Impedir que familiares desliguem os aparelhos de pessoas que tiveram morte cerebral é um crime. A eutanásia é um alívio para a família e para o doente em si, é um ato de grandeza e de generosidade. E os vagabundos que arrotam religião - seja qual lixo for - colocam a sua imbecilidade acima da humanidade para defender conceitos sociais medievais. A religião é um câncer e precisa ser combatida.
Mais uma briga envolvendo torcidas organizadas em clássicos paulistas. Anda bem que desta vez integrantes da Gaviões da Fiel se deram mal e saíram bem machucados. O fato é que a POlícia Militar de São Paulo mais uma vez demonstrou incompetência para gerenciar torcedores no clássico São Palo 1 x 1 Corinthians. Quando precisou enfrentar vândalos e bandidos da Gaviões, no entanto, fez o que tinha de fazer.
O fato é que, ao final do jogo, contrariando as orientações da PM para esperar uma hora para deixar o estádio do Morumbi, os bandidos da Gaviões começaram a depredar instalações do estádio - como sempre. Ao mesmo tempo, resolveu deixar o local onde estava sem auorização da PM. Energúmenos da torcida jogaram uma grade de 100 quilos por cima de um muro.
.A grade caiu sobre dois carros no estacionamento dos sócios do São Paulo. A PM pressentiu o tumulto e tratou de evitar a saída dos corintianos. Uma boma de efeito moral foi usada. O tumulto começou, houve corre-corre de volta para a arquibancada e muita gente se machucou.
Mas um grupo grande de torcedores da organizada Gaviões da Fiel investiu contra a PM e foi devidamente rechaçado. Um desfecho lamentável para um gerenciamento lamentável - incusive do São Pauoo, que colocou os torcedores corintianos em local inadequado no estádio.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Legislação atual faz a maioria das pessoas conectadas estarem à margem da lei. Mas de quem é o erro: das pessoas ou da lei?
LUCAS PRETTI E RODRIGO MARTINS - CADERNO LINK DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO (E COPIADO DO BLOG LÁGRIMAS PSICODÉLICAS -
A Campus Party, que terminou há uma semana em São Paulo, escancarou uma realidade urgente: os novos hábitos de consumo de cultura, conhecimento e diversão não cabem mais na legislação de direitos autorais e antipirataria em vigor no Brasil e no mundo.
O que 4 mil pessoas fizeram durante uma semana com uma conexão à internet de 10 gigabits por segundo? A resposta é óbvia: trocaram arquivos digitais dos mais diversos tipos – músicas, filmes, seriados e games, entre outros –, tanto “baixando” quanto “subindo” conteúdo em grande quantidade. E grande parte desse conteúdo é, segundo as leis atuais, ilegal.
Quer dizer que os participantes do evento merecem ser punidos? Nada disso: se você ler esta reportagem do Link verá que provavelmente, como quase todos nós, também é pirata.
Numa época em que, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), 95% dos downloads de música na internet são ilegais e a tecnologia permite copiar, subir, baixar e compartilhar arquivos pela rede, as leis continuam as mesmas do século 20: para ter acesso a um disco, filme ou livro você precisa comprar uma cópia. Se copiar ou tiver acesso sem pagar, é criminoso.
Segundo uma pesquisa da Comscore, 46% dos internautas brasileiros acessam o YouTube. De acordo com a legislação, ter acesso a conteúdo ilegal, mesmo que apenas para assistir, é crime. Então, apenas no YouTube, há muitos potenciais piratas brasileiros. Quem subir conteúdo protegido para o site pode pegar até quatro anos de prisão.
Você tem um MP3 player ou um celular que toca música? De onde vieram as músicas que estão lá? Se foi de programas do tipo P2P ou Torrent, com certeza são piratas. Mas sabia que digitalizar um CD que você mesmo comprou também é crime?
Segundo dados do Ibope/NetRatings, os downloads ilegais eram feitos por 38% dos internautas brasileiros há um ano. Hoje, são 46%. Uma pesquisa da Fecomércio-RJ aponta que apenas 5% da população não recorre à pirataria por medo de ser punida.
Toda essa situação está fazendo surgir um debate: no momento em que a maioria das pessoas está à margem da lei, de quem é o erro: das pessoas ou da lei? “Há um descompasso entre o que as pessoas fazem e o que a lei prevê”, disse ao Link Lawrence Lessig, criador das lincenças Creative Commons (leia entrevista na pág. L8).
Em praticamente todo o mundo a legislação está desatualizada, mas no Brasil a lei de direitos autorais, de 1998, é particularmente rígida. Prevê, por exemplo, que a cópia privada de material entre dispositivos eletrônicos é pirataria.
Também não é o caso de apontar o dedo para a Justiça e o meio jurídico ou os detentores de direitos autorais, sejam eles artistas ou a indústria de cultura e entretenimento. Afinal, eles precisam defender seus direitos e, para tanto, apelam para profissionais afinados com a lei em vigor.
“A pirataria nunca é benéfica, mesmo como uma resposta a um modelo comercial de formato e preço que está em xeque. Não podemos defender uma lei que exclua o direito de autor”, afirma o advogado Luiz Henrique Souza, especialista em direito digital. O consultor jurídico da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), João Carlos Muller, é mais enfático: “As redes P2P são a desgraça dos direitos de autor”.
No meio do tiroteio está o Ministério da Cultura. Desde 2007, comissões debatem novas saídas para a lei de direito autoral brasileira. A ideia mais próxima de ser aprovada é o conceito de cópia privada, em vigor, por exemplo, nos EUA. Não resolve o problema por completo, mas é um avanço.
A questão por trás da discussão é: por que baixar arquivos? As respostas são óbvias: alto preço de CDs e DVDs, praticidade de consumir conteúdo quando quiser e ter acesso a produtos que não estão no mercado brasileiro. “Se fosse pagar por todos os álbuns que ouço, não conheceria 1% das músicas”, diz o DJ carioca Rodrigo, que admite baixar torrents a rodo – e que, como os outros exemplos de “baixadores” desta reportagem, terá o sobrenome preservado.
A realidade é mesmo complexa por ter diversos interesses em jogo. Mas tem saída, seja na lei ou no mercado. Nesta edição, o Link discute, sem hipocrisia e conservadorismo, uma questão ainda sem resposta: quando vamos deixar de ser piratas digitais?
Legislação atual faz a maioria das pessoas conectadas estarem à margem da lei. Mas de quem é o erro: das pessoas ou da lei?
LUCAS PRETTI E RODRIGO MARTINS
DO CADERNO LINK DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO (E COPIADO DO BLOG LÁGRIMA PSICODÉLICA)
A Campus Party, que terminou há uma semana em São Paulo, escancarou uma realidade urgente: os novos hábitos de consumo de cultura, conhecimento e diversão não cabem mais na legislação de direitos autorais e antipirataria em vigor no Brasil e no mundo.
O que 4 mil pessoas fizeram durante uma semana com uma conexão à internet de 10 gigabits por segundo? A resposta é óbvia: trocaram arquivos digitais dos mais diversos tipos – músicas, filmes, seriados e games, entre outros –, tanto “baixando” quanto “subindo” conteúdo em grande quantidade. E grande parte desse conteúdo é, segundo as leis atuais, ilegal.
Quer dizer que os participantes do evento merecem ser punidos? Nada disso: se você ler esta reportagem do Link verá que provavelmente, como quase todos nós, também é pirata.
Numa época em que, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), 95% dos downloads de música na internet são ilegais e a tecnologia permite copiar, subir, baixar e compartilhar arquivos pela rede, as leis continuam as mesmas do século 20: para ter acesso a um disco, filme ou livro você precisa comprar uma cópia. Se copiar ou tiver acesso sem pagar, é criminoso.
Segundo uma pesquisa da Comscore, 46% dos internautas brasileiros acessam o YouTube. De acordo com a legislação, ter acesso a conteúdo ilegal, mesmo que apenas para assistir, é crime. Então, apenas no YouTube, há muitos potenciais piratas brasileiros. Quem subir conteúdo protegido para o site pode pegar até quatro anos de prisão.
Você tem um MP3 player ou um celular que toca música? De onde vieram as músicas que estão lá? Se foi de programas do tipo P2P ou Torrent, com certeza são piratas. Mas sabia que digitalizar um CD que você mesmo comprou também é crime?
Segundo dados do Ibope/NetRatings, os downloads ilegais eram feitos por 38% dos internautas brasileiros há um ano. Hoje, são 46%. Uma pesquisa da Fecomércio-RJ aponta que apenas 5% da população não recorre à pirataria por medo de ser punida.
Toda essa situação está fazendo surgir um debate: no momento em que a maioria das pessoas está à margem da lei, de quem é o erro: das pessoas ou da lei? “Há um descompasso entre o que as pessoas fazem e o que a lei prevê”, disse ao Link Lawrence Lessig, criador das lincenças Creative Commons (leia entrevista na pág. L8).
Em praticamente todo o mundo a legislação está desatualizada, mas no Brasil a lei de direitos autorais, de 1998, é particularmente rígida. Prevê, por exemplo, que a cópia privada de material entre dispositivos eletrônicos é pirataria.
Também não é o caso de apontar o dedo para a Justiça e o meio jurídico ou os detentores de direitos autorais, sejam eles artistas ou a indústria de cultura e entretenimento. Afinal, eles precisam defender seus direitos e, para tanto, apelam para profissionais afinados com a lei em vigor.
“A pirataria nunca é benéfica, mesmo como uma resposta a um modelo comercial de formato e preço que está em xeque. Não podemos defender uma lei que exclua o direito de autor”, afirma o advogado Luiz Henrique Souza, especialista em direito digital. O consultor jurídico da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), João Carlos Muller, é mais enfático: “As redes P2P são a desgraça dos direitos de autor”.
No meio do tiroteio está o Ministério da Cultura. Desde 2007, comissões debatem novas saídas para a lei de direito autoral brasileira. A ideia mais próxima de ser aprovada é o conceito de cópia privada, em vigor, por exemplo, nos EUA. Não resolve o problema por completo, mas é um avanço.
A questão por trás da discussão é: por que baixar arquivos? As respostas são óbvias: alto preço de CDs e DVDs, praticidade de consumir conteúdo quando quiser e ter acesso a produtos que não estão no mercado brasileiro. “Se fosse pagar por todos os álbuns que ouço, não conheceria 1% das músicas”, diz o DJ carioca Rodrigo, que admite baixar torrents a rodo – e que, como os outros exemplos de “baixadores” desta reportagem, terá o sobrenome preservado.
A realidade é mesmo complexa por ter diversos interesses em jogo. Mas tem saída, seja na lei ou no mercado. Nesta edição, o Link discute, sem hipocrisia e conservadorismo, uma questão ainda sem resposta: quando vamos deixar de ser piratas digitais?
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
O governo José Serra e pífio, entre outras coisas, por transformar o caos social e a miséria em política. Sua polícia militar deixou a desejar, mais uma vez, na desordem que atingiu a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, próximo do bairro nobre do MOrumbi.
Em vez de coibir o vandalismo de bandidos que quebravam carros e depredavam imóveis, deixou tudo correr solto à espera da Tropa de Choque, que demorou uma eternbidade para chegar ao local. Enquanto isso, barricadas eram montadas com pneus e carcaças de veículos em chamas e mais veículos eram depredados.
A atuação da PM foi vergonhosa. Ficou com medo e evitou o confronto. POr quê? POrque os comandantes não confiam mais no governador, ue os largou no fogo no episódio da morte da menina Eloá PImentel, em Santo André, no ano passado. A cúpula da PM tem medo da mídia e não confiam no governador, que faz uso político da corporação e a queima quando algo dá errado.
A PM tem que entrar com tudo, quebrando tudo e passando por cima de manifestates que insistem em bloquear vias importantes. E não pode ter medo de atirar para matar vândalos.
Um mês de 2009 e a crise econômica promete não dar tréguas aos prefeitos que assumiram em janeiro. Se por um lado o ABCD teve a menor taxa de desemprego de sua história em dezembro, segundo a Fundação Seade, o horizonte está com nuvens pesadas para uma tempestade que promete ser longa.
Enquanto o governo federal arregaça as mangas e luta para dar incentivos ao consumo e a uma produção industrial em franca desaceleração, o governo do Estado ainda se mostra tímido. O governador José Serra (PSDB) anuncia um pacote de obras de recuperação de estradas que já estava programado - copmo se isso fosse suficiente para compensar a perda progressiva de postos de trabalho na indústria.
Uma questão que surge neste momento: o que os municípios podem fazer para amenizar os estragos da crise e segurar empregos industriais? Por mais que se tente imaginar soluções milagrosas, o fato é que os novos prefeitos terão de conviver com um período de turbulências que vai se refletir rapidamente na arrecadação de impostos.
Alguns economistas radicais neoliberais - sim, eles existem - sugerem até que os municípios retomema política de alívio fiscal, numa postura tão irresponsável quanto esdrúxula. Abrir mão de receitas fixas neste momento é alimentar uma planta carnívora, que nada dá em troca.
Os exemplos macroeconômicos são claros: o governo federal diminuiu o valor compulsório recolhido pelo Banco Central nos bancos e estes ignoraram os apelos de baixar os juros, mesmo em tempos de taxa Seelic - a taxa básisca da economia - em queda.
É o spread bancário (taxa de risco que é cobrada em cada operação de empréstimo), dizem os sabujos da Febraban, a associação dos bancos. O oportunismo nojento é claro: ao afirmar que ainda é alto o risco de calote no Brasil, os banqueiros jogam no lixo todos os avanços monetários e fiscais que o país conseguiu desde a década passada, e mais ainda a partir do governo Lula, em 2003.
Já as indústriais receberam dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e redução de alíquotas de impostos - necessárias, de qualquer forma, com ou sem crise.
Mesmo assim, não tiveram vergonha de acelerar as demissões em todos os ramos. E ainda reclamam de quem sugere condicionar a concessão de crédito e incentivos fiscais à manutenção do nível de emprego.
A lamentar apenas a falta de medidas drásticas e duras do governo federal para conter esse movimento destruidor de empregos mesmo recebendo benefícios. Já o governo estadual simplesmente ignora a questão.
Diante de um quadro desolador e cínico, como sugerir aos municípios que abram mão de receitas futuras para "ajudar" empresas em dificuldades, se estas mesmas se recusam a se comprometer em manter o nível de emprego?
Apesar da dificuldade de encontrar soluções viáveis, ainda assim está faltando debate na região. Onde estão as associações comerciais e os Ciesps (Centros da Indústria do Estado de São Paulo)? E os vereadores, será conitnuam mais preocupados com seus quintais? Será que vão se preocupar somente com as miudezas das intrigas e briguinhas por cargos em comissões ou para mostrar poderzinho em votações de regimento interno?
Mais uma vez será a imprensa a estimular e criar um debate de alto nível sobre o futuro do emprego no ABCD. E quando digo imprensa me refiro aos veículos comprometidos com a região, como o ABCD Maior, desde o primeiro dia de sua existência. Já outros, com décadas de existência, ignoram deliberadamente o assunto - comportamento histórico, diga-se de passagem.
Todos os problemas do mundo acabaram. Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos e o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou os juros em um ponto porcentual. Tudo vai ficar bem, a crise econômica deixou de existir e os empregos voltarão a surgir em profusão neste primeiro trimestre.
A sociedade brasileira tem a tendência perigosa e extremamente arrogante de simplificar ao máximo os problemas e suas pretensas soluções como forma de mascarar a realidade e fugir da responsabilidade.
O resultado imediato desse comportamento suicida é a criação de factoides e mais factoides. O mais nojento deles nesta semana foi a ameaça de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deputado federal pelo PTB paulista e presidente da Força Sindical, de ameaçar invadir o Banco Central caso não houvesse redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, na última quarta-feira. Além de inútil, pueril e mentirosa, a ameaça do sindicalista foi de uma irresponsabilidade imensa.
O fato é que ninguém se atreve a atacar os pontos que têm de ser atacados. Reduzir a taxa de juros é apenas um paliativo no combate à crise, que está engolindo a economia brasileira com uma voracidade impressionante. Afinal de contas, 654 mil demissões em dezembro último é muito mais do que indigesto, é perturbador.
Enquanto o governo federal se distrai com polêmicas inúteis – como a concessão de refúgio e asilo político a um terrorista italiano, por exemplo –, as supostas medidas de punição para empresas que estão demitindo mesmo após receber ajuda com dinheiro público ficam pelo caminho.
São meras palavras ao vento, assim como a suposta indignação de autoridades do Ministério da Fazenda e do Banco Central com os altos spreads bancários – espécie de comissões que os bancos cobram pelo risco de emprestar dinheiro. Afinal, como disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, baixar juros somente não resolve, “o problema são os spreads”. Os banqueiros ficam irritadinhos, dizem que as “coisas não são bem assim” e ignoram solenemente o Banco Central.
Os debates estéreis continuam em ritmo de marola, enquanto a realidade atropela todo mundo. E o imobilismo já contamina parte das entidades que representam os trabalhadores.
Em Jacareí, no Vale do Paraíba, em decisão extremamente preocupante que revela falta de democracia -, um sindicato filiado à central Conlutas, ligado ao radical PSTU, impede o acordo de redução de jornada de trabalho e salário numa empresa. O detalhe é que o acordo foi aprovado pelos próprios funcionários, diante do dilema monstruoso: sem a redução, a empresa fecha.
A ideologização da discussão sobre as formas de combater o desemprego teve o seu valor no início da crise. Foi importante para marcar posição e recolocar as centrais sindicais no debate.
O problema é que a realidade insistiu em passar por cima de tudo. As opções oferecidas até agora pelos trabalhadores foram rechaçadas ou ignoradas pelas empresas, tudo diante da passividade e da lentidão do governo federal e da omissão do governo estadual.
Rejeitar redução de jornada de trabalho com redução de salário é uma bandeira histórica dos sindicatos. Mas quando a base começa a entender que emprego é mais importante do que tudo e que salário de desempregado é zero, é sinal de que é preciso forçosamente perceber o que está em jogo.
Credibilidade e coerência são virtudes desejáveis, mas, dependendo do ponto de vista, podem se chocar com a realidade, emperrando a vida. E a realidade insiste em corroer conceitos históricos. Como lidar com isso?
Em algum momento, a solidariedade desapareceu das grandes cidades brasileiras. Alguns dizem que foi no final dos anos 70 do século passado, quando as sucessivas crises econômicas brasileiras começaram a época dos índices de desemprego de dois dígitos. Outros dirão que foi no começo dos ano 80, ainda no bojo das mesmas crises, quando as favelas explodiram de vez em São Paulo e no Rio de Janeiro, inaugurando o pesadelo da violência urbana nos anos pós-ditadra militar.
Alguns esquerditas mais apressados dirão que a solidariedade desapareceu de vez nos anos 90, quando a abertura indiscriminada dos governos Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Hnrique Cardoso devastaram parques industriais e jogaram milhares de trabalhadores na informalidade e no desemprego prolongado.
O fato é que a cordialidade e a boa receptividade que os estrangeiros que nos visitam sempre elogiam nunca existiu de fato. Caso contrário, jamais permitiríamos o aumento indecoroso de mendigos na cidade de São Paulo. O endurecimento das relações pessoais nas metrópoles e nas cidades de porte médio ultrapassa qualquer sintoma de crise econômica, de pobreza ou mesmo de abjeta desigualdade de distribuição de renda.
A falta de solidariedade é sintoma de ausência de Estado, como observamos na batalha entre vândalos da comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, e a Polícia Militar. O que era uma manifestação nada legítima - já que execrava a PM por ter abordado e revidado a uma agressão de um ladrão - se transformou no grito de uma população maltratada e abandonada pela prefeitura de José Serra/Gilberto Kassab.
A baderna promovida por uma turma de vândalos ensandecidos é um sintoma de sociedade que já não está mais doente: está anestesiada. A paralisia atinge desde a PM, instrumento politiqueiro do governo estadual, que titubeou na repressão aos verdadeiros bandidos de Paraisópolis; atinge a população, que não tem para onde correr; e atinge a imprensa, onde apresentadores de TV falastrões e irresponsáveis berram por sague.
Saindo do macro e aterrissando no nosso microcosmo do ABCD, a solidariedade sumiu quando deixamos de olhar para o lado, para fora do carro. O embrutecimento atingiu níveis inimagináveis até mesmo para quem sempre participou de atividades filantrópicas. É cada vez mais comum observarmos nos semáforos de nossas sete cidades toda a sorte de pedintes e oportunistas.
Como discernir entre o que é verdade é o que é golpe? Como identificar naquela criança rota e miserável um instrumento absurdo de pais inescrupulosos? Como não desconfiar daquele rapaz forte que afirma jamais conseguir emprego e pedir dinheiro dentro dos ônibus - e que em seguida vai para o botquim tomar pinga?
No último sábado à noite, chuvoso e mal iluminado, um homem com uma criança no colo, com guarda-chuva e acompanhado por uma mulher, pedia dinheiro no semáforo do Paço Municipal de São Bernardo, em frente ao Teatro Cacilda Becker. A história o denunciava: "acabei de sair do hospital com minha filha e não tenho dinheiro para ir paracasa..."
A mesma história de sempre. Recusei o pedido de dinheiro e tive de escutar: "Tá vendo a crianã na chuva e ainda recusa ajuda. Deus tá vendo..."
Não tenho a obrigação de dar esmola - sou totalmente contra isso. Além do mais, se realmente ele estava no hospital com a filha e sem dinheiro, deveria ter procurado a assistência social da instituição - todo hospital tem uma.
Entretanto, pelo inusitado da reação, creio ter sido um sinal de alerta para que procuremos entender, de alguma forma, o temo em que vivemos em nossa cidade. A solidariedade sumiu e nada indica que nós, habitantes da metrópole, consigamos encontrá-la no médio prazo.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Época de crise econômica é época propicia para a choradeira de empresários em busca de salvação para seus problemas de gestão. Foi essa a impressão que ficou depois da reunião entre o ministro Guido Mantega e vários empresários de peso em Brasília, na última quarta-feira.
Enquanto isso, continuam céleres as demissões e as soluções mirabolantes para “evitar” os cortes, como suspensão de contratos de trabalho e extensão de férias coletivas.
A última agora é a exigência dos empresários de se implantar, de alguma forma, a redução da jornada de trabalho com a redução de salários, uma medida sempre e historicamente rechaçada pelos sindicatos de todas das categorias.
Entretanto, já existem líderes sindicais, que de forma moderada e sensata, até admitem discutir a questão para preservar empregos.
Mais uma vez a realidade acaba por suplantar ideologias e decisões de cúpula. E mais uma vez o mundo sindical se vê diante de um dilema que desafia a sua própria existência, como ocorreu bem no comecinho dos anos 90: largar, ainda que temporariamente, a luta pelos melhores condições de trabalho em favor da preservação dos empregos, ou insistir na ideologização das relações trabalhistas e rejeitar qualquer flexibilização dos benefícios conquistados?
Há muito tempo se discute entre os líderes dos trabalhadores o papel que os sindicatos devem assumir no século XXI, em tempos onde a globalização avança muito rápido e o sistema capitalista, mesmo com as suas crises cíclicas, se consolida cada vez mais.
Afinal, qual é o papel do sindicato nos anos 2000? Como enfrentar uma sociedade em que a competição é cada vez mais acirrada e onde a busca incessante por maior eficiência com custos cada vez menores é uma “lei” praticamente inviolável – o que incentiva cada vez mais a informalidade e a terceirização, ainda que ilegal?
Coube a Luiz Marinho, atual prefeito petista de São Bernardo e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, lançar uma ideia bastante interessante quando assumiu a presidência da CUT nacional.
“Os novos desafios sociais do século XXI vão levar a uma reformulação no pensamento sindical. quem não se adaptar às novas demandas da sociedade ficará para trás. Acredito que os sindicatos, de alguma forma, deverão cada vez mais se comportar como verdadeiras ONGs (organizações não-governamentais), expandido seu campo de atuação além das negociações salariais e de benefícios trabalhistas”, disse Marinho.
Não é por outro motivo que Marinho é fruto de uma entidade que sempre foi considerada a vanguarda sindical do País. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC sempre foi um laboratório, onde o pensamento e análise são requisitos fundamentais para que seu líderes sindicais desempenhem suas funções.
E é justamente da entidade que se esperam novas ideias para que o trabalhador consiga entender e trafegar pelos próximos anos de crise econômica.
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Ano novo, guerra nova. Mesmo em tempos de crise econômica severa, a guerra parece ser um motor forte para movimentar a economia, mesmo que isso signifique sacrifícios financeiros para parte da sociedade. Isso não é problema para Israel, que empreende uma ofensiva avassaladora contra os palestinos do Hamas na Faixa de Gaza.
Israel está à beira de uma severa recessão, com inflação em alta e déficits fiscal e comercial. Ainda assim, responde de maneira desproporcional ás provocações do Hamas, uma facção terrorista dos palestinos que administra Gaza.
Não se discute o direito dos israelenses de responder militarmente às agressões palestinas – militantes do Hamas lançaram mais 100 foguetes contra a parte sul de Israel em dezembro passado, o que motivou a invasão como contra-ataque.
A questão, no entanto, é outra: ninguém quer uma solução para a crise, pois politicamente ela é interessante: na possibilidade de extinguir Israel, os palestinos se tornam uma importante “arma política” para os árabes. Esperemos a próxima guerra.
A marolinha está virando furacão. Aquilo que todo mundo temia aconteceu em janeiro: uma grande montadora inicia demissões e provavelmente puxará a fila de outras, que só esperavam o momento em que alguém cortasse na folha para colocar a tesoura em ação.
As quase 800 demissões realizadas pela General Motors em São José dos Campos, na verdade, apenas escancarou o que acontecia sem que o país percebesse – ou fingia não acontecer: a queda progressiva no nível de emprego industrial, vitais para a manutenção da economia girando.
Em dezembro, por exemplo, estima-se que 600 mil trabalhadores foram dispensados. No setor de máquinas, foram 1,3 mil demissões no mês passado. No setor de autopeças, há risco iminente de perda do emprego para pelo menos 3 mil trabalhadores na Capital.
Será que é possível manter a cabeça fria diante do derretimento do emprego industrial neste janeiro tenebroso? Será que os fantasmas da década de 90 vão nos assombrar em 2009? E como isso afeta os prefeitos recém-empossados na Grande São Paulo, especialmente no ABCD?
O sinais da crise estavam escancarados desde meados do ano passado, mas infelizmente a maioria dos agentes econômicos se recusou a admitir que a tempestade estava próxima.
Executivos públicos, líderes setoriais do empresariado e até mesmo sindicalistas ficaram inebriados com quase três anos de conquistas e bom desempenho econômico e aparentemente ficaram paralisados diante do tempo ruim que se aproximava – ou então, o que é criminoso, simplesmente fingiram que nada acontecia.
Sem guarda-chuva ou abrigo decente para passar pela tormenta, sobraram ressentimentos e rosnados, além de muita incompetência na condução da reação à crise. Desde a “simples marolinha” até a “passagem suave pela crise”, todo o Brasil assistiu de forma passiva à chegada, muito rápida, dos efeitos da crise financeira mundial.
Os juros continuam extremamente altos, as medidas de desoneração tributária em vários patamares demorou – e quando veio, foi insuficiente para estancar a enxurrada de pessimismo.
Por fim, a facilitação de acesso a crédito por parte das empresas não atingiu o objetivo primordial, que era manter o nível de emprego industrial. Grandes empresas que esbravejaram pedindo ajuda financeira e redução de impostos – coisas que efetivamente ocorreram – simplesmente debocharam do governo federal e demitiram sem a menor cerimônia, numa provocação sem precedentes na história econômica brasileira.
O fato é que uma sucessão de erros e omissões ocorridas a partir do segundo semestre de 2008 colocam em xeque os bons resultados que o país obteve desde 2006. A onda de pessimismo é justificada, e nada indica que poderá ser debelada antes de julho.
As consequências desabaram sobre os trabalhadores, que neste momento são reféns das “condições do mercado”. Os sindicatos estão em clara desvantagem. Pouco fizeram para recuperar o prestígio e a importância que tinham nos anos 80 e começo dos anos 90.
Hoje essas entidades precisam não só recuperar o prestígio, mas se mostrar relevantes para os desafios trabalhistas do século XXI. Enquanto isso, resistem como podem às investidas empresariais contra direitos e benefícios dos trabalhadores.
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, não tem vergonha de afirmar que exige dinheiro público para salvar empresas sem ter de dar satisfações e sem dar a mínima garantia de emprego. Insiste na flexibilização de direitos, como redução de jornada de trabalho com redução salarial e suspensão de contratos de trabalho.
E os sindicatos estão com dificuldades para enfrentar os adversários. apostar no pragmatismo e flexibilizar direitos para eventualmente garantir empregos? Ou radicalizar e tentar impedir qualquer mexida nos salários e benefícios? Tempos difíceis...
Tenho ouvido cada vez mais lamentos de músicos de rock brasleiros a respeito da preferência do público nacional por bandas estrangeiras, em vez de apoiar que batalha pelos botecos da vida divulgando material próprio.
O mais recente ressentido é Eduardo Ardanuy, guitarrista do Dr. Sin, um dos melhores que já vi ao vivo. O estupendo músico concedeu uam entrevista na edição de janeiro da revista Roadie Crew, onde fala do lançamento de seu CD solo, "Electric Nightmare".
No meio do texto, reclama de novo da falta de apoio aos músicos nacionais. "O público brasileiro continua 'paga-pau' de gringo, prefere gastar R$ 300 para ver o Judas Priest do que R$ 20 ou R$ 30 para assistir a uma boa banda nacional", diz o músico, cheio de rancor.
Essa é uma batalha perdida e esse tipo de lamento já encheu a paciência. Se o Dr. Sin dele - banda maravilhosa - não faz tantos shows quanto ele gostaria, não adianta culpar o público de shows internacionais. Por mais que o Dr. Sin seja bom - e, repito, é excelente - qual banda você veria se os shows fossem simultâneos? A citada Dr. Sin ou o AC/DC? Dr. Sin ou Black Sabbath? Dr. Sin ou Iron Maiden?
Parece que falta um pouco de bom senso a Edu Ardanuy. Não é simplesmmente uma questão de qualidade - as bandas de rock citadas e milhares de outras são melhores do que o Dr. Sin: é uma questão de oportunidade.
O AC/DC, por exemplo, já tocou mais de 30 vezes na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, uma espécie de Belo Horizonte americana. E só vieram duas vezes ao Brasil, para somente dois shows.
A América do Sul não é rota assídua de shows internacionais. Então é natural que quando uma banda estrangeira aporte por aqui, mesmo que de porte médio, ganhe a atenção do público.
É o caso dos alemães do Grave Digger, metal tradicional dos melhores, mas que nunca passou de uma banda mediana em termos de público nos 27 aos de carreira. Entretanto, quando vem ao Brasil - e já veio cinco vezes - lota seus shows.
Por outro lado, é cada vez mais comum vermos shows do Dr. Sin no Brasil, assim como os do Angra, da banda de André Matos, do Almah de Edu Falaschi (Angra) e até mesmo do Krisiun. Todas essas bandas tocam com bastante regularidade e lotam seus shows. Por que elas tocam bastante e lotam seus shows e o Dr. Sin, que é tão bom quanto, não consegue?
A morte de uma ciclista na semana passada na avenida Paulista, abalroada por um ônibus, gerou uma onda de protestos contra o "trânsito selvagem da metrópole", ainda mais porque a vítima era uma ativista pela disseminação do uso da bicicleta como principal meio de transporte na Grande São Paulo.
É louvável o esforço realizado por gente como Arturo Alcorta e Renata Falzoni, jornalistas da rádio Eldorado que percorrem as ruas de bicicleta para falar de trânsito e sobre as belezas de pedalar por São Paulo em locais inusitados. Infelizmente, eles são incompreendidos e ainda têm pouco respeito por sua causa.
Entretanto, existe um fato: andar de bicicleta em São Paulo em vias movimentadas é um suicídio. Nem tanto pela "maldade" dos motoristas - ela existe e é responsável por grande parte dos acidentes com mortes entre os ciclistas -, mas a questão é que não dá para exigir cuidado extremo com os pedaladores sendo que eles mesmo não se respeitam.
O que dizer de alguém que resolve pedalar no corredor de ônibus da avenida Paulista em uma terça-feira, dia útil, às 10h, numa manhã comum? Gente assim está assumindo deliberadamente um risco de ser atropelado, sendo experiente ou não.
O que dizer de alguém que resolve pedalar na Marginal Pinheiros às 16h numa quarta-feira, em pleno trânsito pesado? É inteligente o cara que faz isso? Foi o que fez o irmão do ex-tenista Cássio Mota há 15 anos. Foi abalroado por um automóvel perto da raia da USP, na Marginal Pinheiros, caiu e morreu.
Não se discute a necessidade de se ampliar as ciclovias em São Paulo. Isso tem de acontecer. Mas não dá para ter dó de gente que morre depois de andar de bicicleta na avenida Paulista em horários de pico. No mínimo, é burrice.
terça-feira, janeiro 13, 2009
Um ano ótimo de lançamentos, com o retorno de quem há muito tempo hibernava, como o AC/DC, o Metallica e até o Guns N'Roses. Sem essa de dez mais, os melhores foram esses:
INTERNACIONAL
AC/DC - Black Ice
Metallica - Death Magnetic
Testament - The Formation of Damnation
Rolling Stones - Shine a Light
Alice Cooper - Along Came a Spider
Whitesnake - Good to Be Bad
Rage - Carved in Stone
Motorhead - Motorizer
Uriah Heep - Wake the Sleeper
Judas Priest - Nostradamus
Death Amgel - Killing Season
Exodus - Let There Be Blood
Yngwie Malmsteen - Perpetual Flame
Jeff Beck - Performing This Week
Rush - Snake and Arrows Live
Uli Jon Roth - Under a Dark Sky
Glenn Hughes - F.U.N.K.(First Underground Nuclear Kitchen)
David Gilmour - Live in Gdansk
NACIONAL
Kavla - Surreal
Torture Squad - Hellbound
Almah - Fragile Equality
Cavalera Conspiracy - Inflikted
Mindflow - Destructive Device
Krisiun - Southern Storm
King Bird - Sunshine
Apocalypse - Bridge of Light
segunda-feira, janeiro 05, 2009
O cantor Robert Plant, vocalista do grupo Led Zeppelin, foi eleito a melhor voz do rock de acordo com uma lista organizada pela "Planet Rock". A informação é do site especializado em música "NME".
O vocalista desbancou outros roqueiros como Freddie Mercury, Paul Rogers e Ian Gillan.
Outros cantores, como Roger Daltrey, David Coverdale e Axl Rose, também entraram para a relação das 20 maiores vozes do rock.
Confira a lista com os vinte primeiros colocados:
01. Robert Plant (Led Zeppelin)
02. Freddie Mercury (Queen)
03. Paul Rodgers (Free/Bad Company)
04. Ian Gillan (Deep Purple)
05. Roger Daltrey (The Who)
06. David Coverdale (Whitesnake)
07. Axl Rose (Guns N' Roses)
08. Bruce Dickinson (Iron Maiden)
09. Mick Jagger (The Rolling Stones)
10. Bon Scott (AC/DC)
11. David Bowie
12. Jon Bon Jovi (Bon Jovi)
13. Steven Tyler (Aerosmith)
14. Jon Anderson (Yes)
15. Bruce Springsteen
16. Joe Cocker
17. Ozzy Osbourne (Black Sabbath)
18. Bono (U2)
19. Peter Gabriel
20. James Hetfield (Metallica)
segunda-feira, dezembro 22, 2008
O caos do trânsito da Grande São Paulo está transformando um instrumento fundamental do automóvel em uma vilã das ruas paulistas e paulistanas. A criminalização da buzina chegou a um ponto que ela passou a ser uma arma contra o "buzinador" e uma "justificativa" para que atrocidades seja cometidas por quem se sentiu "ofendido".
As conseqüências do uso da buzina do trânsito, quase sempre trágicas, mostram a que ponto chegou o nível de falta de educação e desfaçatez do povo que vive nas grandes cidades. Buzinar virou um ato obsceno, uma agressão, que merece ser punida com a morte.
A buzina, se pudesse, seria proscrita pela maioria dos motoristas, justamente os mesmos que trocam de faixa e fazem conversões sem sinalizar com a seta; são os mesmo que param em fila dupla; os mesmos que andam, na contramão; que fazem conversões proibidas; estacionam em local proibido; param em cima da faixa de pedestres; e que andam a 120 km/h por hora em ruas que admitem no máximo 60 km/h de velocidade; são os mesmos que bebem antes de dirigire que não ligam que os filhos menores façam o mesmo, dirigindo sem autorização; e são os mesmo motoristas que compram carteiras de habilitação e pagam propinas para evitarem multas.
Há tempos os barsileiros estão no desvio ético. Conseqüência, em grande parte, dos desmandos do lixo autoritário do regime militar ditatorial que dominou a vida política nacional entre 1964 e 1985.
Foi na Ditadura Militar que o jeitinho brasileiro foi alçado a instituição. O mundo era dos espertos, daqueles que tinham conexões, conhecidos em lugares estratégicos, daqueles que sabiam os atalhos para se "dar bem", roubando dinheiro público ou simplesmente furar a fila do ingresso no jogo de futebol.
A ética na vida cotidiana primeiro foi escanteada, para depois ser soterrada e, por fim, ignorada. Já h0uve dirigente de futebol que disse que ética é coisa de e para filósofos. Ele resumiu bem o pensamento nojento que a classe média adotou no "vale tudo" do fim dos anos 70 e começo dos anos 80.
Ninguém vota mais no melhor candidato, mas naquele que pode favorecer ou não "prejudicar". Não é por outro motivo que políticos carregados de denúncias, como Paulo Maluf e Jáder Barbalho, por exemplo, ainda conseguem se eleger deputados federais e obtêm considerável número de votos em eleições majoritárias.
Em pleno século XXI, existem eleitores que não acham nada de errado na máxima "rouba, mas faz", atribuída ao político paulista Adhemar de Barros, um trator eleitoral nos 50 e 60 do século passado.
É justamente essa falta de ética, ou a ética do jeitinho totalmente exacerbado, que pesa contra a buzina, instrumento importante de alerta em um automóvel. Uma buzinada pode ser uma sentença de morte no trânsito enlouquecedor da Grande São Paulo.
Em um trajeto de menos de três quilômetros, da avenida Kennedy, a rua dos bares de São Bernardo, à avenida Pereira Barreto, próximo ao falido hospital Baeta Neves, duas buzinadas que dei foram motivos suficientes para xingamentos e início de brigas, no último domingo, dia 21 de dezembro.
Na avenida Lucas Nogueira Garcez, um Megane, da Renault, atravessou dois semáforos vermelhos e trocou de faixa sem sinalizar duas vezes, quase atropelando uma família e colidindo com dois carros, um deles o meu. Os dois buzinaram.
O motorista do Megane, um cidadão gordo com olhar feroz, típico representante da classe média que se acha melhor do que a patuléia, destilou todos os palavrões que sabia e ficou provocando o motorista do Vectra que havia buzinado. Chegou a jogar o carro em cima do Vectra, quase provocando o que seria nova colisão.
Na avenida Pereira Barreto, um Gol cheio de garotos de não mais de 18 anos, com latas de bebida nas mãos, saiu de uma travessa e entrou na movimentada avenida, o que fez com que um outro Gol tivesse de desviar em cima, jogando o carro para outra faixa, e que um Corsa freasse bruscamente para evitar a colisão. Inevitavelmente, as buzinas soaram. Novos xingamentos e ameaças e uma lata foi arremessada contra o Corsa.
No intuito de perseguir o motorista do Corsa, o Gol baderneiro, dirigido por um animal, me fechou, quase batendo no meu carro e em outro Gol, que estava a minha direita. Outras duas buzinas soaram e a ira dos jovens aparentemente bêbados se voltou contra mim, com xingamentos e manobras provocativas.
Isso é comum todos os dias, nas ruas da Grande São Paulo. Se a classe média abandonou de vez a ética, como exigir um comportamento decente de pessoas de classes mais populares, sem acesso a uma educação de qualidade mínima e oprimida por um modelo econômico às vezes injusto - ainda que esse seja bem melhor do que os outros?
A pressão está dando certo. A conversa agora sobre a crise, e que parte principalmente da Fiesp (Federação das Indústrias doEstado de São Paulo), é a do chamado Pacto Social. Não passa de mais um eufemismo para cortar direitos trabalhistas e jogar para as costas do governo federal uma massa de trabalhadores desempregados que teriam de sobreviver com o seguro-desemprego.
Oportunistmo e casuísmo é pouco para definir a falta de discernimento do empresariado nacional para enfrentar esses tempos de crise. Durante quatro anos todo mundo ganhou dinheiro a rodo com a boa conjuntura internacional e a condução responsável e inteligente da política econômica brasileira.
Entretanto, com dois meses de crise financeira mundial, muitas empresas começam a falar em demissões e pactos para reduzir custos - leia-se redução de salários e benefícios trabalhistas.
É claro que já está mais do que na hora de se discutir novas formas de organização e legislação trabalhistas, até porque muito do que foi criado para proteger nos anos 70 e 80 hoje se voltam contra o trabalhador, muitas obrigado a cair na informalidade se quiser trabalhar - é a famigerada "pessoa jurídica", uma afronta total à legislação, onde a empresa terceiriza os encargos trabalhistas.
Só que querer discutir agora alterações e alternativas à lei vigente é nojento, é um oportunismo mais do que vil. Há pelo menos 14 anos que se debate a necessidade de uma lei do trabalho mais adequada ao século XXI, mas sempre alguém empurra a discussão - invariavelmente, empresários e governo.
Para as empresas, a única reforma trabalhista aceitável é aquela que acaba com benefícios trabahistas. Não sendo assim, preferem burlar a lei, como fazer a maioria dos empresários. É o maldito pensamento que prega a extinção do 13º salário, das férias, da licença-maternidade, do aviso prévio e de outras conquistas do trabalhador.
O curioso é que ninguém fala em rever a tributação sobre os salários. E nem mesmo os impostos pesados sobre outros aspectos da vida econômica nacional. E o momento está passando.
Afinal, se um governo do PT, o partido dos trabalhadores, chefiados por um ex-metalúrgico, não abre a discussão, após seis anos no Palácio do Planalto, o que esperar de um eventual governo de outro partido, que certamente estará pouco ou nada comprometido com os trabalhadores?
O novo "Pacto Social" proposto pela Fiesp é um colosso de desfaçatez. E entidade quer propor um acordo para minimizar os efeitos da crise sobre o nível de emprego com base em duas medidas: a redução de salários e jornada de trabalho e a flexibilização do pagamento de direitos como férias, 13º salário e participação nos lucros.
Roberto Della Manna, vice-presidente da Fiesp, explicou que a instituição tem propostas para evitar as dispensas de funcionários, que serão detalhadas no início de 2009. Segundo Della Manna, uma das alternativas é a redução da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição dos salários. “A lei permite que isso seja feito até 20% do salário mediante acordo com os sindicatos.”
A outra alternativa, diz Della Manna, é fazer um acordo para novas formas de divisão de pagamento de benefícios como adicional de férias de 30%, 13º salário e participação nos lucros.
E o interessante é que até agora nenhuma liderança sindical se manifestou sobre tais abusos sugeridos por entidades empresariais - ou, se houve manifestação, ninguém percebeu. Os empresários tomaram a dianteria na discussão. O que é que os sindicatos estão esperando?
Não há dúvidas de que a crise financeira já chegou ao Brasil. São vários os setores que sentem e diminuição das vendas e das encomendas. Entretanto, já há setores gritando antes da hora e se pendurando na gorda aba da União.
As montadoras reduziram a produção com a queda nas vendas de até 20%, dependendo do indicador e do índice econômico analisado. Quase todas ou já concedera ou vão conceder férias coletivas aos funcionários, por períodos maiores do que os usuais.
Para completar, eis o que o setor de autopeças prevê para a primeira semana de janeiro, em texto publicado em 3 de dezembro, no jornal O Estado de S. Paulo:
Diante da queda das encomendas das montadoras, que viram as vendas de carros despencarem, e da redução das exportações, por causa da crise internacional, o setor de autopeças prevê 7,5 mil demissões até o fim do ano. As empresas também vão suspender toda a produção pelo menos durante 16 dias neste mês e dar férias coletivas. Várias planejam reduzir os investimentos.
Sondagem feita pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças) com 95 empresas, responsáveis por 41% do faturamento do setor, aponta para incertezas em 2009. “O primeiro trimestre será muito difícil”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Butori, em nota.
Não se trata de ignorar a crise e seus efeitos, longe disso. Neste mesmo espaço já avia comentado que em breve teríamos que conviver com o fantasma dos problemas retração econômica. O que não se pode admitir é o terrorismo que começa a pipocar na imprensa.
Ameaçar demitir 7,5 mil trabalhadores é terrorismo puro, inaceitável em um momento de ajustes e de análises mais detalhadas sobre o efeito da crise. Esse tipo de terrorismo é o estopim para mais uma onda de pânico financeiro.
Quando a economia cresceu e a indústria bateu seguidos recordes de vendas e produção por quase três anos foi uma festa, todo mundo aproveitou e se esbaldou de ganhar dinheiro. Agora, aos primeitros sinais de problemas, o setor de autopeças resolve, como primeira medida, demitir. Inaceitável sobre todos os aspectos.
Não bastam somente medidas "sindicais" para conter e protestar, é preciso que o poder público, que está acenando com ajudas bilionárias à indústria em âmbitos estadual e federal, tome providências e puna quem resolver demitir.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Depois de muito tempo sem lançar nada, Jeff Beck, um dos maiores guitarristas da história, retorna com novo álbum ao vivo, já à venda pela internet e também na livraria Saraiva. "Jeff Beck Live Performing at Ronnie Scott's Jazz Club" traz uma apresentação realizada em novembro de 2007 na famosa casa noturna de Londres - apesar do nome, até nomes como Dream Theater já tocaram por lá.
É tão bom quando o lançamento anterior, "Live at the BB King's Club", gravado em 2004 em Nova York. O novo CD, que também tem lançamento em DVD, é estupendo, com uma sonoridade inigualável e uma banda mais enxuta, porém estrelada.
Na bateria, o mestre norte-americano Vinnie Colaiuta. No baixo, uma menina franzina de 22 anos, uma virtuose norte-americana chamada Tal Wilkenfeld, que fez bonito com Beck no Crossroads Festival, em agosto de 2007, um festival de blues organizado por Eric Clapton no interior dos Estados Unidos.
O detalhe é que os show registrado no novo CD é o do dia 29 de novembro - Beck ficou o mês inteiro tocando na casa (na internet existe o áudio dos dosi shows, mas com qualidade apenas razoável, sob o nome de "Exhaust Notes").
Os dois últimos, dos dias 29 e 30, foram gravados e tiveram a participação de Eric Clapton nas três últimas músicas, infelizmente não editadas na obra por questões contratuais. Compre já!
Track Listing
1. Beck's Bolero
2. Eternity's Breath
3. Stratus
4. Cause We've Ended As Lovers
5. Behind The Veil
6. You Never Know
7. Nadia
8. Blast From The East
9. Led Boots
10. Angels (Footsteps)
11. Scatterbrain
12. Goodbye Pork Pie Hat / Bush With The Blues
13. Space Boogie
14. Big Block
15. A Day In The Life
16. Where Were You
sábado, dezembro 06, 2008
Do blog 'Trivela'
Mata-mata? Tô fora!
Postado em 05/12/2008 às 16:59 por Caio Maia
Se o Brasileirão deste ano ainda utilizasse a fórmula de mata-mata, haveria neste momento duas torcidas interessadas no campeonato.
Mais: se imaginarmos que a tabela que vai se definir no domingo pode acabar com o Botafogo em oitavo - por mais que isso seja improvável -, não se pode eliminar a possibilidade de que a torcida do Botafogo fosse uma delas.
O que, por si só, já desmoraliza qualquer defesa do sistema.
Brincadeiras com o Botafogo à parte, nem o mais fanático alvinegro carioca pode achar que sua equipe mereceria disputar o título deste ano.
Assim como o Coritiba, o Goiás e até mesmo Palmeiras e Cruzeiro.
Não fizeram por merecer o ano todo, não seria justo que, em uma partida ruim, São Paulo ou Grêmio pudessem ver detonado tudo o que construíram o ano todo.
Vai haver, claro, anos em que as coisas vão se definir mais cedo, e a graça vai ser menor.
A tendência, porém, como estamos vendo ano a ano, é que as pessoas entendam cada vez melhor o sistema, que os clubes também o façam, e a que a graça só aumente.
A se lamentar, apenas o fato de que demoramos tanto tempo para implantar esta fórmula.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Da Folha Online
A vida de Bon Scott, o segundo e principal vocalista do AC/DC, morto em 1980, vai virar filme. A informação é do site especializado "Undercover".
Scott foi encontrado morto no banco de trás de um carro sufocado no próprio vômito
De acordo com o site, foi o cineasta Eddie Martin quem afirmou que está trabalhando em um filme sobre Scott.
O cineasta disse que o projeto vem sendo desenvolvido há dois meses. No momento, ele está empenhado em escrever o roteiro. O elenco e o nome do filme ainda não foram escolhidos.
Scott foi encontrado morto em 1980 no banco de trás de um carro sufocado em seu próprio vômito depois do consumo excessivo de álcool. Naquele mesmo ano, ele foi substituído por Brian Johnson, que gravou com a banda seu principal disco: "Back in Black".
Neste ano, a banda lançou um novo álbum depois de oito anos: "Black Ice", que chegou a liderar as vendas em mais de 29 países.
sexta-feira, novembro 21, 2008
O economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo José Sarney, é muito melhor articulista do que executivo, embora seja um consultor requisitado. Seus textos, bem escritos, geralmente são um amontoado de obviedades. Entretanto, na última edição da revista Veja, ele acertou ao relembrar coisas que geralmente são esquecidas de forma proposital, especialmente pela mídia simpática ao governo lulo-petista:
No governo Collor, a abertura da economia se acelerou; no de Itamar, veio o Plano Real. O período FHC foi rico em novas mudanças: saneamento do sistema financeiro (Proer), Lei de Responsabilidade Fiscal, Comitê de Política Monetária (Copom), câmbio flutuante, metas de inflação e superávits primários. A política econômica modernizou-se. O PT se opôs a tudo isso. Mudar a política econômica era sua obsessão. O título de seu programa de governo nas eleições de 2002 era inequívoco: "A ruptura necessária". Incorporava erros grosseiros de diagnóstico, dirigismo econômico infantil, reavaliação e revisão da privatização, corte voluntarista nos juros, controle de capitais e denúncia do acordo com o FMI. Propunha até um cartel internacional contra os credores externos. Daí por que os mercados azedaram quando perceberam que Lula poderia ser eleito. Felizmente, Lula manteve e reforçou a política econômica (para horror dos petistas e dos que até hoje professam as mesmas idéias). Fomos salvos pela excepcional intuição do presidente e graças aos conselhos de pessoas sensatas como Antonio Palocci e Henrique Meirelles. O Brasil pôde se beneficiar da prosperidade mundial do período 2003-2007. O acúmulo de reservas internacionais permitiu antecipar o término do acordo com o FMI, como ocorreu em muitos outros países. Lula tem reivindicado as glórias dessas realizações. Nunca antes teria havido nada igual. Dá a entender que o pagamento antecipado ao FMI foi um fato isolado e uma decisão pessoal. Coisas da política. Mesmo assim, cabe reconhecer sua coragem em jogar no lixo o programa do PT e outras más idéias sobre a política econômica. Sem isso, em vez do swap com o Fed estaríamos nos preparando para pedir ajuda ao FMI. Mudamos de patamar.
Em que pese todas as restrições que pesem sobre a revista Veja entre os jornalistas em geral - a maioria bossais de esquerda que enxergam na revista a mão de uma suposta direita escabrosa e extremamente liberal -, o veículo é o único que toca na ferida em questões polêmicas.
É o caso das células-tronco e do aborto, assuntos normalmente contaminados pela visão obtusa e nojenta da religião e da "moral", seja ela qual for. O colunista André Petry coloca as coisas em seus devidos lugares:
"Obama prometeu em campanha, e reafirmou depois da eleição, que vai revogar as restrições impostas por Bush às pesquisas com células-tronco embrionárias, nas quais repousam as melhores esperanças de alívio e até de cura de doenças como diabetes, Alz-heimer e Parkinson. Bush proibiu o uso de dinheiro público para financiar essas pesquisas sob o argumento de que, ao destruir embriões, elas matam seres humanos. Bush é da opinião que óvulo e gente se equivalem."
"Nos Estados Unidos, quem melhor representa essa corrente são os radicais da direita cristã. Eles defendem o absolutismo moral, religião infecciosa segundo a qual a moral não comporta exceção. Se eles são contra o aborto, o serão em qualquer situação, mesmo no caso da menina de 13 anos que engravida ao ser estuprada pelo próprio pai. O absolutismo moral é o que leva, como no caso das pesquisas com embriões, à defesa da moral que mata. Mata portadores de doenças incuráveis e fatais. Mata gente para preservar óvulo. Eles chamam essa obtusidade de firmeza."
"A eleição de Obama é um sinal de que as coisas podem mudar. Os eleitores do estado do Colorado, além de escolher o presidente, votaram a Proposição 48, que previa incluir na Constituição estadual que um óvulo fertilizado é igual a uma pessoa – o que implicaria enormes restrições ao aborto e às pesquisas com embriões. Resultado: 73,3% rejeitaram a idéia. No estado de Michigan, a Proposição 2 removia restrições às pesquisas com células-tronco de embriões. A proposta passou por 52,6% contra 47,4%, placar mais apertado que a aprovação do uso medicinal da maconha (62,6% a 37,4%)."
quinta-feira, novembro 13, 2008
Do site Último Segundo (IG)
"O baterista britânico Mitch Mitchell, o último sobrevivente da lendária banda dos anos 60 'The Jimi Hendrix Experience', foi encontrado morto na quarta-feira em um quarto de hotel no Oregon, Estados Unidos.
O músico tinha 62 anos.
O corpo de Mitchell, cujo estilo inovador de tocar bateria o tornou peça crucial no grupo liderado por Hendrix, foi encontrado no quarto do hotel em que estava hospedado, confirmou um legista à imprensa.
A causa da morte não foi divulgada pelas autoridades, mas um comunicado oficial publicado em um site em memória a Jimi Hendrix afirma que Mitchell faleceu por causas naturais.
"Estamos todos devastados ao saber que Mitch morreu", destaca no comunicado Janie Hendrix, diretora executiva do 'Experience Hendrix'.
"Foi um homem maravilhoso, um músico brilhante e um verdadeiro amigo. Seu papel na formação do som da 'Jimi Hendrix Experience' não pode ser subestimado", acrescenta.
Mitchell acabara de encerrar uma turnê por 18 cidades dos Estados Unidos com a 'Experience Hendrix', uma série de apresentações em tributo àquele que é considerado por muitos o melhor guitarrista de todos os tempos.
Jimi Hendrix faleceu em Londres em 1970, aos 27 anos, o que encerrou uma curta mas intensa carreira de um gênio do rock, que redefiniu o som da guitarra em álbuns como "Are you experienced" e "Electric Ladyland".
O terceiro membro do grupo, o baixista inglês Noel Redding, morreu em 2003, aos 57 anos."
segunda-feira, novembro 10, 2008
É inacreditável que Larry Rohter, ex-correspondente do New York Times no Brasil, ainda seja levado em consideração por aqui. A revista Veja da semana passada dedicou oito páginas ao lançamento do livro "Deu no New York Times", de autoria do repórter norte-americano que quase foi expulso do país por ter mencionado a preocupação de "certos políticos" com o suposto excesso de consumo de álcool do presidente Lula.
É fato que o governo federal errou, e feio, na tentativa de expulsá-lo. Ouso dizer que talvez tenha sido um dos três maiores erros do governo Lula. Liberdade de imprensa e expressão são sagradas em qualquer lugar que se diga civilizado e moderno. A reação da cúpula petista e do Palácio do Planalto foi desproporcional, até porque foi um desgaste inútil com um persoagem tão pequeno e inexpressivo.
Além do mais, a reportagem à época sobre o consumo de bebida por Lula era estapafúrdia, malfeita, cheia de erros de procedimento e com fontes pra lá de duvidosas.
Já o livro é um amontoado de besteiras. Parece que ele tentou fazer uma compilação de suas "melhores" reportagens acrescentando comentários posteriores. O que era ruim ficou pior, especialmente no trecho transcrito por Veja a respeito do episódio da morte de Celso Daniel, em 2002.
O trechinho publicado pela revista sobre o assunto mostra erros factuais e concentuais, com uma visão deturpada e tendenciosa, tentando envolver o Palácio do Planalto e o PT com o crime, o que já ficou comprovado que não ocorreu.
E a revista Veja conseguiu desperdiçar oito páginas com esse lixo. Exagerou na editorialização e na parcialidade de seus textos. Simplesmemte nojento.
O passado está assombrando o ABCD. Enquanto a General Motors decide se pede ou não concordata nos Estados Unidos, metalúrgicos da GM de São Caetano e de São José dos Campos passam os dias atuais pescando ou contando as horas para o fim das férias coletivas. O mesmo ocorre em outras montadoras e autopeças com a desaceleração da economia. O fantasma das demissões voltou com força neste final de ano.
O crédito farto para a compra de automóveis não existe mais. A inadimplência deve aumentar até fevereiro, o que encarecerá o valor do pouco dinheiro que ficará disponível no mercado. A pergunta, então, é a seguinte: para onde correr?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promete crédito mais acessível para o setor automotivo e para a construção civil, mas a questão é que o mundo real funciona em uma dimensão diferente do mundo financeiro. Se a internet acelerou à velocidade da luz o volume das transações financeiras, o mundo real ainda fica angustiado com a demora para ver o dinheiro na conta. Ainda é mais vantajoso deixar o dinheiro parado no banco: por que liberá-lo se os títulos do governo brasileiro rendem mais?
Enquanto não houver pressão da sociedade sobre o governo federal para que haja punição aos bancos que segurarem o dinheiro destinado ao incentivo à produção, nada mudará nos próximos 90 dias. A redução do volume de recursos que os bancos têm de deixar ao final do dia no Banco Central, o chamado compulsório, foi reduzido pela instituição para que houvesse mais crédito na praça e que o Natal de 2008 não fosse o último lance de bonança antes de uma eventual recessão.
Só que o dinheiro a mais que os bancos passaram a controlar não foram acompanhados de contrapartidas. Ou seja, o governo federal aliviou o torniquete e deu mais oxigênio aos bancos, mas nada exigiu em troca. Os bancos não se sentiram obrigados a liberar os recursos.
Passaram a perna? Do ponto de vista legal, não. Do ponto de vista ético, talvez.
O fato é que o governo federal e o Banco Central ainda estão complacentes com o mercado diante das incertezas que a crise financeira mundial. As estratégias estão sendo traçadas em relação à macroeconomia, e o mundo real está sendo negligenciado. É hora de agir. Ou então ficar novamente refém do mundo virtual e veloz das finanças.
Enquanto isso, as fábricas do ABCD continuam paradas, com seus funcionários, pescando, jogando futebol, empinando pipas com os filhos ou simplesmente contando as horas para bater o cartão. E cada vez mais temerosos de ficar sem emprego se as vendas continuarem caindo de forma acelerada.
********
Os bancos estão empurrando com a barriga a liberação do crédito, mas é inquestionável que as medidas adotadas pelo Banco Central, com o aval do governo federal, de irrigar o mercado com mais dinheiro e eventual mente salvar instituições “penduradas” são corretas.
É comum observarmos jornalistas e especialistas de várias áreas criticarem o governo americano pelo socorro aos bancos e ao mercado em geral, denominado agora pejorativamente de Wall Street.
O mundo em que vivemos, desde os anos 80 do século passado, é movido basicamente por duas palavras (ou atitudes, como queiram): credibilidade e confiança. Sem isso, a sociedade como conhecemos desaba, independentemente das crenças e das ideologias.
A crise financeira mundial é reflexo da falta de credibilidade e de confiança do mercado financeiro global como um todo. E por que falta credibilidade e confiança? Porque houve excesso das duas coisas durante o início do século XXI, com as garantias inexistentes para ativos que sólidos como bolhas de ar.
Quando os bancos sofrem com a falta de credibilidade, a economia se esfarela. Uma corrida aos caixas de todos os correntistas é capaz de quebrar um país. Assim, a questão não é devemos salvar os bancos, mas como salvá-los sem afrontar os limites da decência.
sexta-feira, novembro 07, 2008
Do blog PandiniGP, do especialista Luiz Alberto Pandini:
Camarada Bruno Vicaria, que ficou a meu lado no camarote da Porsche nos últimos três dias, relembra algo que ele publicou há umas três semanas: pela primeira vez na história da F1, todos os pilotos que iniciaram a temporada a terminaram. Nenhum piloto se acidentou com gravidade, nenhuma equipe trocou de piloto durante o ano. Inédito.
Meu comentário: a temporada 2008 foi bastante interessante e quase teve um brasileiro como campeão. Mas que ninguém se iluda: o nível é apenas mediano. Lewis hamilton está sendo considerado gênio, mas ele só conseguiu o título com um ponto de vantagem sobre Felipe Massa, mesmo a Ferrari cometendo pelo menos seis erros grosseiros e inadmissíveis. Vai demorar para a F-1 empolgar pela qualidade, como nos tempos de Piquet, Senna, Prost e no comecinho da era Schumacher.
Stanley Jordan é um dos responsáveis pelo ressurgimento da guitarra no jazz nos anos 80 nos Estados Unidos, ao lado de George Benson. O timbre é cristalino e suave, mas as palhetadas são precisas e cirúrgicas, com muito feeling. A idéia veio do grande amigo e camarada Valter Mendes Júnior, guitarrista da banda Código 13 e brilhante advogado, titular do blog Bends Up - Guitarras, Café, Jack Daniel´s & outros que tais....
STAIRWAY TO HEAVEN
ELEANOR RIGBY
Em 1983, o cantor e baixista inglês Ronnie Lane (ex-Faces e Small Faces) reuniu um time de estrelas do rock para uma série de shows nos Estados Unidos e na Inglaterra com renda revertida para uma entidade chamada A.R.M.S., que recolhia dinheiro pelo mundo para investir em pesquisas na busca da cura da esclerose múltipla, uma doença degenerativa até então incurável.
Lane foi diagnosticado com portador da doença no final dos anos 70, o que o obrigou a reduzir drasticamente as atrividades de sua carreira solo - ele viria a morrer na Inglaterra em 1998 em conseqüência da esclerose múltipla aos 51 anos de diade.
Entre os amigos que participaram do show estavam Eric Clapton, Steve Winwood, Jimmy Page, Jeff Beck, Bill Wyman, Charlie Watts, Ray Cooper, Phil Collins (em alguns shows) e muitos outros. Abaixo dois trechos de algumas apresentações. São raridades, porque reúnem pela primeira e única vez Jimmy Page, Jeff Beck e Eric Clapton no mesmo palco.
Os três sempre foram amigos desde a juventude, mas também eram rivais. Divirtam-se com a versão instrumental de "Stairway to Heaven", clássico do Led Zeppelin, e "Layla", de Eric Clapton (lançada em 1970 por seu grupo na época, Derek and the Dominos).
STAIRWAY TO HEAVEN
LAYLA