Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quinta-feira, outubro 08, 2009
Um cidadão muito bem vestido e com uma namorada linda pretendia assistir a um filme em uma sala de cinema em Santo André. Sem corar de vergonha, apresentou uma carteira de estudante na hora de pagar. Queria a meia entrada. A carteira era de um curso de MBA, que costuma custar de R$ 15 mil a R$ 25 mil.
Cumprindo a sua função, a funcionária exigiu o comprovante de matrícula. Deu-se mal. O cidadão bem vestido transformou-se em um animal, humilhou a funcionária e disse ser promotor público.
Gritou, esbravejou e ameaçou prender todo mundo. Depois de muita gritaria e briga, o gerente cedeu e vendeu a meia entrada. Isso ocorreu em janeiro deste ano.
Ainda no primeiro semestre, uma espectadora ganhou na Justiça um processo contra uma empresa que promove shows por não conseguir comprar um ingresso pela metade do preço, mesmo sendo estudante e apresentando a carteirinha.
O artigo 2º da lei municipal nº 11.355/93 limita a 30% do total a carga destinada a estudantes em qualquer espetáculo.
Inconformada, a estudante comprou o ingresso inteiro, mas decidiu processar a empresa promotora pela limitação da carga de ingressos para estudantes, alegando a inconstitucionalidade da lei municipal. A garota ganhou em duas instâncias o direito de ser indenizada.
Os dois casos ilustram a dificuldade de aplicar e fiscalizar a lei da meia entrada. O espírito da lei é válido, mas foi corrompido. A medida foi elaborada com a melhor das intenções, como uma forma de facilitar o acesso à cultura aos estudantes carentes e estimulá-los a procurar os espetáculos e ir a museus, por exemplo.
Só que faltou cuidado na elaboração da lei, em todas as suas versões pelo país afora. Em nome de uma oportunista “igualdade”, o mesmo estudante carente que sempre esteve excluído do acesso à cultura é equiparado ao aluno abonado de colégios e faculdades particulares, que pagam mensalidades superiores a R$ 1 mil – e parte deles provavelmente gasta R$ 500 em qualquer balada por aí.
A lei tem de ser revista de forma urgente em todo país, com a consequente redução da emissão de carteiras e do estabelecimento de critérios muito mais rígidos sobre quem tem direito e quem não tem, levando-se em conta a situação financeira e a idade do estudante.
A lei penaliza o resto da população, já que os ingressos “normais” praticamente dobram de preço em alguns espetáculos para cobrir o rombo causado pela disseminação da meia entrada picareta – atitude que não pode ser condenada, infelizmente. Do jeito que é aplicada hoje, de forma equivocada, torna-se inaceitável.
domingo, outubro 04, 2009
A tropa de choque que tenta defender Lula, o governo Lula e o petismo em geral por aí acha que está ajudando, mas só torna patética qualquer iniciativa nesse sentido. Criar um clima de arquibancada nas discussões analíticas sobre o legado do lulismo só serve de munição para os adversários, que andam em baixa neste segundo mandato.
Dividir o Brasil entre os contra e os favoráveis a Lula, como tenho visto ultimamente, é de uma pobreza de espírito e de uma indigência intelectual que chega a ofender.
Os supostos defensores do governo Lula são paranoicos, enxergam conspirações atrás de cada poste e não suportam ler ou ouvir críticas, sejam elas quais forem.
Alguém deve ter falado, de brincadeira, que Lula tinha ganho imunidade contra qualquer tipo de crítica, e tem gente que acreditou.
O mais estapafúrdio é que a pífia tropa de choque do governo Lula toma como ofensas pessoais ao presidente a enxurrada de críticas que a candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016 vem recebendo. Críticas e reclamações que estão sendo feitas desde 2000, quando a cidade quis sediar a Olimpíada de 2004, 2008, 2012…
As bobagens da tropa de choque, na maioria das vezes, encobrem os bons argumentos de gente qualificada na imprensa e na blogosfera que apoia o governo federal. Eu sei que é difícil, inteligência não se acha na esquina, mas esse pessoal precisa, ao menos, se esforçar em pensar.
Responsabilidade fiscal parece não ser um conceito muito difundido no Ministério da Fazenda. A troca de críticas entre o ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, só demonstra claramente que o primeiro não tem condições de permanecer no cargo. Na verdade, nunca deveria nem passar perto do ministério.
Meirelles, com toda a razão, alerta para o crescente aumento dos gastos públicos, fato que tem impacto direto na inflação. Mantega estrilou.
O relatório de inflação do Banco Central, publicado na quinta-feira da semana passada, chamava a atenção para o aumento de gastos de custeio, especialmente para aquelas despesas dificilmente redutíveis, de acordo com os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.
O texto menciona o problema da rigidez do orçamento. Isso contribuiu para alimentar discussão sobre o risco de pressões inflacionárias causadas pelo gasto público crescente.
Segundo relato do jornal Folha de S.Paulo, Henrique Meirelles, teria dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pode ser necessário elevar os juros antes do início do ano que vem.
Quem diria que sentiríamos saudades de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda.
Contra todos os prognósticos, o Rio de Janeiro sediará a Olimpíada de 2016. Algumas estimativas sugerem que os gastos para receber o evento ficarão entre US$ 9 bilhões e US$ 14 bilhões.
Como se o Brasil pudesse dispor desse dinheiro para organizar um evento dispensável, caro e que dá prejuízo. O retorno não vale o investimento, como aconteceu com Montreal (Canadá, 1976), Atlanta (EUA, 1996) e Atenas (Grécia, 2000). Não foi à toa que a rejeição da população de Chicago foi grande, fato antes impensável em relação a uma finalista.
Assim como a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada do Rio é apenas um factóide, mas um factóide trágico, pois será uma farra de gasto público e uma festa para os corruptos que atuam livremente no Brasil, sem ser incomodados.
O Rio de Janeiro é uma das cidades mais violentas do mundo e dominada pelo crime organizado. A ausência do Estado é tamanha que prefeitura e governo estadual só conseguem governar Copacabana.
A escolha do Rio como sede da Olimpíada é uma irresponsabilidade internacional, assim como a decisão de se candidatar foi uma irresponsabilidade. Só vai servir de instrumento eleitoreiro a partir de 2010.
É incrível como tem gente que ainda dá espaço para pseudo-intelectuais ressentidos, rancorosos e paranoicos que adoram enxergar conspirações midiáticas contra os “amigos”, especialmente se esses “amigos” estão no poder. Menos mal que atualmente há cada vez menos espaço para esse tipo de gente escrever besteira.
O valor que damos ao conhecimento será a referência que teremos para saber que tipo de futuro teremos. E que tipo de sociedade teremos. Sábias palavras do professor Péricles Eugênio da Silva Ramos, brilhante intelectual que deu aulas por muitos anos na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, de São Paulo.
O desprezo pela comunicação e pela informação qualificada terá impacto direto nas próximas gerações. E não é um fenômeno exclusivo do Brasil ou do Estado de São Paulo. O europeus já detectaram a gravidade do problema.
A preocupação ganhou as páginas do jornal espanhol El País, em um artigo do escritor Rafael Argullol – e que mereceu citação também na coluna de Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo, no dia 8 de setembro.
Argullol reclama que os professores universitários das melhores faculdades da Espanha estão se aposentando precocemente por conta do “desinteresse intelectual da grande maioria dos alunos e pela asfixia burocrática da vida universitária”.
Cenário parecido já pode ser observado na USP, em seu campus principal, em São Paulo. Não são poucos os professores que reclamam da progressiva falta de interesse dos alunos, nos objetivos pouco edificantes de quem apenas busca um certificado e mais nada.
Argullol foi mais além. Afirma que os professores se sentem ofendidos com o desinteresse e que os identificavam como o grupo social com menos interesse cultural na sociedade.
O que explicaria, de certa forma, que “não lessem a imprensa escrita, a menos que fosse de graça, e que não buscassem livros fora das bibliografias oficiais ou não frequentassem conferências que não rendessem créditos para a aprovação”.
A opção pela ignorância está ganhando espaço em nossa sociedade e isso parece não constranger ninguém. Está passando despercebido por nossos gestores e nossos administradores.
E não é necessário fazer um estudo aprofundado sobre o assunto. É só tentar assistir a uma aula em uma faculdade privada qualquer na Grande São Paulo ou tentar acompanhar uma entrevista de emprego em uma empresa ou agência de empregos. O nível rasteiro é assustador.
Desvalorizar o conhecimento e a informação é a melhor forma de abortar o futuro – qualquer futuro.
Meia hora debaixo de um sol chato para ir do km 18 da via Anchieta, em São Bernardo, até o km 10, o início do trecho urbano paulistano da mesma estrada, às 14h de uma quinta-feira. Nas últimas duas semanas, essa situação foi constante a partir das 13h. Pela manhã, entre 7h e 11h, o mesmo trecho às vezes demora mais de 40 minutos para ser percorrido.
O tráfego indecente e insano ameaça transformar a via Anchieta e até a via Imigrantes em imensas avendias 23 de Maio, que liga o centro de São Paulo à zona sul: filas imensas e inertes de veículos em congestionamentos intermináveis - é bom lembrar que isso jpa acontece na via Dutra pela manhã, na chegada a São Paulo.
Essa é só mais uma face do indecente descaso com a infraestrutura nos governos do PMDB e PSDB desde 1982, ano em que André Montoro assumiu o Palácio dos Bandeirantes.
Se houve investimento em estradas como a Bandeirantes, Ayrton Senna, Carvalho Pinto e a sgunda pista da Imigrantes, houve omissão criminosa em relação à pífia extensão do metrô paulistano e à inexistência até hoje de um rodoanel rodoviário. Já passou da hora de o povo expulsar os tucanos encastelados no Palácio dos Bandeirantes.
O cancelamento do Enem por suspeita de fraude evidencia duas coisas. A primeira é que, por mais que haja sigilo sobre provas de concursos públicos diversos, por mais que sejam bem feitos e haja transparência, sempre há a possibilidade de vazamentos, justamente porque não se pode ter evitar que um vagabundo com acesso ao material roube e tente ganhar dinheiro com a “informação privilegiada”.
A segunda coisa que merece destaque é o estupendo trabalho de reportagem realizado pelos jornalistas do jornal O Estado de S. Paulo. Conseguiram uma informação exclusiva que provocou o cancelamento do maior aparato de avaliação já realizado no Brasil.
E tem gente bque ainda diz que o jornal impresso está acabado. Em diferentes estágios, a grande imprensa esbanja vitalidade, para desespero dos coitados que anseiam por um Estado autoritário, partido único e censura à imprensa.
É verdade que ainda ocorrem erros imperdoáveis - assim como nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra. Mas os grandes jornais mostram que estão fortes, para o bem da nação. E mesmo que não estivessem, é preferível uma imprensa ruim a nenhuma imprensa ou uma imprensa amordaçada e tutelada por um Estado autoritário.
Outro dia li em um vidro traseiro de um veículo em Santo André: “Motoqueiro no chão, vitória da civilização”. Por mais engraçado que seja, e por mais espírito de porco que seja o autor, não dá para ao menos refletir sobre isso.
Os motoqueiros, principalmente os motoboys, fazem questão de desrespeitar todas as regras de trânsito e de hostilizar quem “obstrui o seu caminho”. O mesmo comportamento tem a molecada descerebrada que adora apostar corridas e “empinar” suas 125 cc em avenidas movimentadas.
Diante dos inúmeros absurdos diários cometidos pelos motociclistas, não consigo sentir pena daqueles que vejo caídos pelas ruas em consequência de acidentes.
A minha democracia é melhor que a dos outros, já dizia, de forma jocosa, um importante sindilicalista do ABC que alcançou fama nacional. Uso a mesma frase para qualificar a forma como está sendo discutida a trapalhada absurda em que a diplomacia brasileira se meteu - de forma involuntária ou não.
O que mais vemos são palpites, meros palpites, mesmo nos grandes jornais. Só dá palpiteiro em todos os lugares, especialmente aqueles que se julgam radicais de esquerda, mas que não passam de revoltadinhos de boteco e de centro acadêmico.
Se o presidente é supostamente de “esquerda” e é tirado do poder, mesmo que tenha violado a lei e a constituição, então é vítima de golpe.
Se o presidente supostamente é de direita e cai, não se fez mais do que Justiça, com a “vitória das forças democráticas e populares” restabelecendo a ordem. Curioso - e ridículo - esse tipo de comportamento.
Manoel Zelaya, o presidente deposto, foi ou não vítima de um golpe? Quem o apeou do poder é ou não golpista, mesmo que a Constituição hondurenha permita que a Suprema Corte (o STF de lá) intervenha quando o presidente da República subverte a ordem e atropela as regras democráticas?
Isso tudo não tem a menor importância para nós, brasileiros. Honduras é um país insignificante internacionalmente, uma republiqueta de banana, como está demonstrado. E o caso está tendo a devida repercussão na imprensa brasileira: crítica, mas beirando a galhofa.
Levar a sério o que ocorre em Honduras é só reforçar o terdceiromundismo de uma diplomacia perdida e incompetente, que leva rasteiras seguidas de Morales e Correias da vida.
Todo golpe de Estado tem de ser condenado e execrado, onde quer que aconteça. O mesmo precisa ser aplicado quando a democracia corre perigo e as leis são atropeladas.
Parece ser o caso de Zelaya, como foi comChávez, Morales, Ortega e Correia, loucos para se eternizarem no poder usando as “regras” da democracia para isso. Assim como no futebol, não existem mais bobos no mundo. Uma hora alguém reage.
Qual é o valor do conhecimento? A pergunta anda frequentando os horários comerciais de televisão em campanha publicitária do jornal O Estado de S. Paulo. É uma questão pertinente, que está no centro da discussão sobre a sobrevivência dos veículos de comunicação impressa e o futuro das mídias eletrônicas.
A pergunta serviu de pretexto para pelo menos dois professores de duas faculdades e cursos distintos tentarem exercitar em seus alunos a curiosidade pela informação e pelo conhecimento em si. Uma das faculdades, de direito, fica em São Paulo. A outra, de jornalismo, no ABCD. As duas instituições são privadas.
Como aulas, as experiências foram ótimas, os debates foram intensos e pelo menos forçou os alunos a pesquisar um pouco antes de partir para a discussão em si. Os resultados, entretanto, foram desapontadores e preocupantes: predominaram os palpites estapafúrdios, a completa confusão de conceitos e a total falta de informação.
Esse comportamento está disseminado pela maioria das instituições de ensino superior paulistas, e tudo leva a crer que o mesmo quadro se repete no ensino médio. A desvalorização do conhecimento e da informação cresce na proporção inversa da proliferação indiscriminada de faculdades pelo país.
A chamada universalização do ensino superior, que começou no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso – e que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade – foi reforçada no governo Lula.
A frouxa fiscalização do Ministério da Educação estimulou a criação de cursos de fundo de quintal e produziu uma situação bizarra: a explosão de cursos superiores esbarrou nos próprios critérios de aprovação do ministério.
O resultado é que milhares desses cursos desqualificados acabam não sendo reconhecidos, que leva outros milhares de estudantes a terem um diploma que vale menos do que nada. São consumidores lesados que devem processar não só a faculdade de fundo de quintal, mas também o governo federal, que permitiu o surgimento de tais arapucas.
A proliferação indiscriminada dessas instituições levam a crer que basta ter um diploma para “melhorar de vida”. O resultado é explosivo: milhões de recém-formados analfabetos, sem a menor condição de atuar em qualquer mercado de trabalho.
Não é de hoje que o Estado, nas três esferas, aumenta o intervencionismo na vida privada dos brasileiros. Os exemplos ocorrem aos montes. Primeiro foi a autoritária, desastrosa e inconstitucional lei paulistana que baniu cartazes, letreiros e outdoors, em um flagrante absurdo. Depois veio o governo do Estado de São Paulo determinando onde e quando as pessoas podem fumar, se é que podem fumar.
Na esfera federal, o governo estende seus tentáculos agora no pré-sal, com o argumento discutível de que se trata de reserva estratégica. Aproveita o mesmo argumento e aparelha a Petrobrás com apaniguados incompetentes, fruto de indicações políticas, que em breve, certamente, comprometerão o bom desempenho empresiarial e industrial da multinacional.
Por fim, o mesmo governo federal, por meio de ministros mal intencionados e deputados federais loucos para agradar o Palácio do Planalto, começam a invetar projetos para aumentar a já intolerável carga tributária que pesa nos ombros do brasileiro. Uma carga tributária de níveis escandinavos para uma pretsação de serviços digna de países paupérrimos como Ruanda e Haiti.
O Estado é a raiz da organização da sociedade moderna, não só em termos de gerenciamento de máquina pública, mas como indutor (e não condutor) do desenvolvimento econômico e social.
Mas o que vimos desde sempre no Brasil, começando com Getúlio Vargas, passando por Juscelino Kubitschek, pelos nefastos governos militares, por Sarney, Collor e FHC, é um Estado voraz, pesado e vampiresco, louco para interferir cada vez mais na vida privada, na sociedade privada, no mundo privado.
Com juros altíssimos e carga tributária proibitiva para novos e velhos investimentos, ainda há quem defenda mais impostos. Qual a finalidade? Aparelhar ainda mais a máquina pública, nos três níveis?
Governo não gera riqueza e frequentemente gerencia pessimamente os recursos - o caso do Brasil é emblemático neste tópico, seja em governos do PT, PSDB, MDB, Arena ou militar.
Comendo 40% de toda a riqueza produzida pelos brasileiros, o Estado brasileiro mantém o Legislativo inchado, a saúde cada vez pior, a educação permanece mais e mais sucateada e a infraestrutura esfarela a olhos vistos - é só passear pelas “estradas” mineiras, baianasm goianas, pernambucanas, matogrossenses…
Para que então mais impostos, se o Estado, em suas várias encarnações políticas, joga dinheiro fora ou joga no colo da corrupção. Menos Estado, menos imposto, e já.
De forma involuntária, e sem que o governo Lula tivesse o controle da situação, o ex-presidente de Honduras Manoel Zelaya ajudou a colocar mais terra na sepultura da equivocada política externa terceiromundista brasileira.
E não se trata apenas de uma simples discussão de arquibancada, de quem é conmtra ou a favor. É tãosomente a constatação de que a política externa brasileira é nula, pífia, insignificante, que é incapaz de se precaver das ações de um lunático como Zelaya.
E que tem a capacidade suprema de se tornar refém de pseudo-ditadores de republiquetas de banana, como Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) - sem falar nas inúmeras concessões à Argentina do casal populista Kirchner sem ao menos dicutir o mérito das questões.
Por tudo isso, fica cada vez mais patética as tentativas frutradas (ignoradas pelo mundo) de tornar o Brasil um “líder político” mundial, como reivindicar uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU.
As bobagens e trapalhadas em relação aos problemas dos vizinhos só reforçam a tese de que a política externa do Brasil está esquivocada ao privilegiar nações terceiromundistas insignificantes.
Se quer mesmo ter algum tipo de influência e liderança, o Brasil precisa se voltar para o mundo desenvolvido, incrementar cada vez mais sua economia, que é forte, e mostrar que tem como peitar as nações ricas em discussões relevantes, como as questões de subsídios agrícolas no mundo e a questão ambiental.
Entretanto, o fato de Zelaya ser lunático e de ter exposto a política externa brasileira mais uma vez ao rid[iculo, uma coisa precisa ser ficar muito clara: sua deposição do governo hondurenho foi abjeta, absurda e inaceitável.
Provocado pelor Antonio Sena, essa questão é fundamental para qualquer debate a respeito da democracia no continente. A democracia é a melhor das formas de governo, entre outras coisas, porque permite contradições.
Permite que projetos políticos consigam, por meio do voto, chegar ao poder e acabar com a própria democracia.
O caso de Honduras é complexo e remete ao que ocorreu na Venezuela, na Bolívia, que pode ocorrer no Equador e também na Colômbia: caudilhos tentam se eternizar no poder.
Em Honduras a situação é indecente porque houve golpe de Estado e golpe contra a democracia. Por mais que o jeitão político de Zelaya seja desprezível, apoiar golpe de qualquer tipo é execrável. Democracia acima de tudo.
Por outro lado, é mais do que preocupante essa tendência de eternização no poder. O que ocorre na América Latina é a implantação de ditaduras plebiscitárias e personalistas usando a democracia como instrumento. Chávez, Morales e Correa se enquadram nessa tendência. Essa tendência precisa ser contida.
Por exemplo, o governo Chávez está levando a Venezuela ao buraco, mas assim mesmo, mesmo que ele tenha provocado algumas rupturas institucionais, apoiar um golpe contra ele é algo inaceitável.
Os próprios venezuelanos precisam entender os riscos sérios de destruição do país. Se for o caso, que Chávez seja apeado do poder pelo voto, e não por com a ajuda de interferências externas - o que não significa que as provocações dele e de seus fantoches da Bolívia e do Equador não tenham de ser respondidas à altura, coisa que infelizmente o Itamaraty se recusa a fazer.
terça-feira, setembro 29, 2009
do blog do jornalista Paulo Calçade
Sucesso ameaçado
O sistema de pontos corridos continua incomodando muita gente.
Notícia estarrecedora no ‘Painel’ da Folha revela que foi apresentado aos clubes um projeto para reformular o Campeonato Brasileiro. Mais uma vez.
É o fantasma do retrocesso. Veja a nota da Folha:
Nova propostaSão inúmeras as vantagens do sistema de pontos corridos:
1- Todos as equipes participantes iniciam e terminam a disputa na mesma data. Vital para a "venda" das propriedades dos clubes, como patrocínios de camisa, calções, placas... É preciso entregar ao comprador um cenário estável no ambiente dos negócios.
2- O sistema atual obriga, força, determina, impõe que os clubes procurem se organizar durante toda a temporada. Faz com que o planejamento se transforme na essência do departamento de futebol. Fundamental para o futebol no país. Com mais clubes nesse caminho, teremos campeonatos melhores. Nivelados por cima.
3- No mata-mata não existe planejamento. Mas funciona bem em outros torneios, como Libertadores, Copa do Brasil e Uefa Champions League. Nunca para um campeonato nacional, que deve ser a base do calendário.
4- No mata-mata é possível chegar a outubro com perspectiva de classificação para a fase decisiva. Aparentemente isso motiva mais o campeonato. Trata-se de um grande engano, pois retarda algumas decisões importantes na montagem das equipes. Induz ao erro, a uma "emocionante" disputa pela oitava vaga, por exemplo. Na classificação atual, até o Cruzeiro estaria brigando por uma vaga, com 35 pontos, na 13ª posição.
5- Quem vendeu jogadores e trabalhou mal na reconstrução da equipe estaria na mesma situação daqueles que fizeram milagres para manter seus jogadores. Competentes e incompetentes no mesmo nível.
6- Quanto pior o cenário, quanto mais bagunçado o campeonato e seus clubes, maior será a dependência do dinheiro da televisão. Clubes sólidos e organizados têm mais condições de discutir a estrutura do futebol brasileiro. Veja o caso do Internacional, que hoje arrecada mais dinheiro com seus sócios do que com a televisão. Esse tipo de instituição não interessa para quem tem o poder.
7- A televisão deve ser cliente do futebol e não sua gestora.
8- Não entre nessa de mata-mata. Até os infindáveis erros de arbitragem serão piores, pois não há chance de recuperação na tabela, diferentemente dos pontos corridos.
A Globo Esporte, braço da emissora que cuida de eventos esportivos, enviou proposta aos clubes para alterar o formato do Brasileiro. Sugere a volta do sistema de mata-matas, com duas vagas na Libertadores para os dois primeiros na fase de classificação e outras duas para o campeão e o vice. Caso se repitam, elas seriam dos semifinalistas. A Globo também sugere uma inversão na janela de transferência. Quatro semanas em janeiro e 12 entre junho e agosto, o que permitiria a jogadores repatriados atuar já no mês de junho.
segunda-feira, setembro 28, 2009
do Poeira Zine
1 – Robert Plant (The Who)
O futuro vocalista do Led topou com o Who em 1965, numa curta e obscura época em que Roger Daltrey havia sido demitido da banda. Num show de ‘aquecimento’, Pete Townshend estava cuidando dos vocais e Plant estava na platéia. No final do desastroso concerto, Plant se ofereceu para ser o novo vocalista do grupo. Townshend levou como ofensa – na sua cabeça - se Plant tinha se oferecido é porque na certa não aprovou o guitarrista nos vocais. Nunca rolou uma audição propriamente dita já que uma semana depois Daltrey estava de volta.
2 – Stephen Stills (The Monkees)
A banda recrutou músicos para uma participação na sua série televisiva. Um desses músicos foi exatamente Stephen Stills, reprovado por ter um dente podre.
3 – Elton John (Spencer Davis Group)
O jovem tecladista e vocalista Reg Dwight, como era conhecido na época, queria arrematar a vaga deixada por Steve Winwood, que tinha se mandado para fundar o Traffic. Não colou. Sua voz não agradou Spencer Davis.
4 - Elton John (King Crimson)
Frustrado com sua audição para o Spencer Davis Group, Reg Dwight ataca novamente, dessa vez em janeiro de 1969, buscando uma vaga de vocalista do King Crimson. Novamente foi reprovado.
5 – Mitch Mitchell (Emerson Lake & Palmer)
Com o pau comendo solto no Experience, Mitchell se animou para tocar no novo super-grupo que Keith Emerson e Greg Lake estavam montando. O batera também achou que convenceria Hendrix a participar do projeto, no entanto, Carl Palmer assumiu o posto deixando Mitchell desolado.
6 – Phil Collins (Vinegar Joe / Manfred Mann’s Earth Band)
Collins tinha sido ator na infância e tentava a todo custo ganhar a vida como baterista. Fez teste para a banda de Robert Palmer e Elkie Brooks (Vinegar Joe) e para o novo projeto prog de Manfred Mann. Foi reprovado em ambos. Tudo isso antes dele aparecer no Genesis.
7 – Peter Frampton (The Rolling Stones)
Reza a lenda que além de Frampton, Jeff Beck, Rory Gallagher, Roy Buchanan e Harvey Mandel fizeram audições com os Stones, em 1974, visando preencher a vaga deixada por Mick Taylor. A banda frustrou todos os candidatos, ficando com seu companheiro de bebedeira, Mr. Ron Wood.
8 – James Taylor (The Fugs)
Quando os poetas anarquistas dos Fugs estavam à caça de músicos para transformar tudo aquilo em música, um jovem cantor e compositor folk tentou em vão ficar com uma vaga. Não teve jeito.
9 – Steve Marriott (The Lower Third)
Também um ex-ator infantil, o futuro integrante do Small Faces fez de tudo para ser o vocalista do Lower Third. A vaga acabou sendo preenchida por um tal de Dave Jones (futuro David Bowie).
10 – Bryan Ferry (King Crimson)
O homem que seduziria o mundo com o Roxy Music estava no início de carreira dando duro para ficar com a vaga de vocalista na banda organizada por Robert Fripp. Greg Lake acabou sendo o escolhido.
quarta-feira, setembro 09, 2009
do site Art Rock, uma da smelhores lojas de CD e m´pusica em geral de São Paulo:
Quem conhece a ART ROCK sabe que a grande maioria dos nossos CDs são importados. Para que o preço seja o mais baixo possível, compramos os CDs sem a caixinha, porque ela faz muito volume, o que onera o preço final devido ao frete.
Os CDs chegam à loja apenas com a mídia dentro do encarte. Todo o trabalho de embalagem é feito por nós.
Quem conhece a ART ROCK sabe que nunca negamos abrir um CD e tocá-lo quando o cliente solicita. Sabemos que isso faz parte do nosso negócio.
E mais: temos muito prazer em fazer isso, porque dessa forma agradamos ao nosso cliente, ele tem a oportunidade de fazer a melhor escolha.
No entanto, abrir um CD apenas por abrir, matar a curiosidade de ver a mídia, o encarte, para ver o ano, a formação dos integrantes, etc., isso não concordamos.
Ao abrir o lacre, o saquinho que embala fica danificado (necessitando a troca) O sujeito não se contenta em apenas ver, ele pega o encarte e o folheia, deixando suas indesejadas digitais marcadas. Pega a mídia e a analisa como se fosse uma pedra lapidada (muitos ficam procurando defeitos para pedir mais descontos).
Depois disso tudo, embala o CD a seu modo e o coloca de volta no painel. Como que por aqueles instantes, o CD fosse dele. E é justamente esse mesmo CD que alguém vai pagar por ele!
Pela nossa experiência, o cidadão faz isso porque, geralmente, o CD que ele deseja está custando mais ou menos R$60 na galeria do rock, e quando ele encontra o mesmo CD na ART ROCK por R$35, o camarada pensa que é usado, falsificado, russo... Coisa do tipo que temos de ouvir. O pior é que na maioria das vezes ele nem compra o de 60 nem o de 35...
Não achamos justo alguém manusear um produto que não lhe pertence. Para nós, da loja, é difícil essa relação porque sabemos que alguém vai comprá-lo, e será muito desagradável vender um produto que não esteja com a sua integridade física em ordem.
Fazemos questão de informar quando o CD é usado, ou quando a mídia apresenta ranhuras, por isso, inclusive, nesses casos, vendemos ainda mais barato.
Parece brincadeira, mas esse assunto irrita tanto aos lojistas que gostaríamos de dar uma dica: ao entrar numa loja de CDs, se quiser obter informações, pergunte ao lojista. Se quiser ouvir o CD, entregue-o para o lojista e solicite a ele se é possível tocá-lo. Nunca abra o CD por sua conta. Não peça nem manipule o encarte depois de aberto. Peça para ouvir o CD se realmente tiver interesse em comprá-lo.
Tudo isso é para que o cliente/amigo da ART ROCK tenha a certeza de que nós zelamos pelos CDs que estão à venda. E que ninguém botou o dedão nele antes de você. Antes de qualquer coisa, é uma questão de educação.
quinta-feira, agosto 27, 2009
A Associação dos Funcionários e Ex-funcionários da Gazeta Mercantil, que reúne cerca de 350 ex-funcionários, conseguiu arrestar a marca (impedir a venda) e penhorou ações de Nelson Tanure da empresa Intelig, impedindo a sua venda para a TIM. A longa espera deve terminar em 2010.
A lamentar apenas a total falta de apoio do governo Lula nesta batalha, justamente o governo do PT, Partido dos Trabalhadores, que abandonou a galera ao relento. O na época ministro Jaques Wagner, do Trabalho, chegou a receber por três vezes comissões de jornalistas e funcionários, que lhe relataram casos escabrosos de problemas causados pelos atrasos salários e a recusa em pagar as verbas rescisórias de demitidos - sem falar na aprorpiação indébita do FGTS.
Wagner “ficou sensibilizado”, mas esqueceu a luta dos lesados - ressalto que tudo isso ocorreu durante um governo de um partido dito dos trabalhadores. Parece que, politicamente, o apoio à causa não era interessante. A associação prefetiu não mais “incomodar” o governo com essa “chateação”. O governo Lula, infelizmente, não apoiou a luta desses trabalhadores. Mas por que é que eu não me surpreendi com isso?
quarta-feira, agosto 26, 2009
MIKE COLLETT-WHITE
da Reuters, em Londres
(FOTO: SCOTT OLSON/REUTERS)
Pete Townsend, guitarrista do The Who e um dos criadores das óperas rock "Tommy" e "Quadrophenia", está escrevendo um novo musical, "Floss", sobre o envelhecimento.
Scott Olson/Reuters
O guitarrista Pete Townshend prepara o musical "Floss", sobre envelhecimento
"Quando tinha 19 anos escrevi 'My Generation', a canção mais explícita do rock sobre envelhecimento", escreveu Townsend no site de sua banda (www.thewho.com). O sucesso de 1965 inclui a frase "Espero morrer antes de envelhecer".
"Aos 64 anos, quero abordar o envelhecimento e a mortalidade, usando o contexto poderosamente raivoso do rock'n'roll".
"Floss" será concebido para exibições em espaços abertos e arenas, e Townsend pretende finalizá-lo para uma estreia em 2011, provavelmente em Nova York.
Algumas das canções mais "convencionais" do musical irão fazer parte de um álbum do The Who programado para o ano que vem, acrescentou ele.
"'Floss' é um projeto novo ambicioso para mim, no estilo de 'Tommy' e 'Quadrophenia'", escreveu Townsend. "Neste caso, as canções são intercaladas com 'paisagens sonoras' em surround-sound, com efeitos sonoros complexos e montagens musicais".
A história se concentra em um casal cuja relação passa por dificuldades.
Walter, um músico de bar, fica rico de repente quando uma de suas músicas é usada em anúncios de uma montadora de veículos, mas as coisas azedam quando ele volta para a música 15 anos mais tarde.
"Enquanto Roger Daltrey exercita suas cordas vocais envelhecidas embarcando em uma turnê-solo de dois meses intitulada 'Use or Lose it', eu me concentro em 'Floss', que lida com assuntos atuais enfrentados pela geração baby boomer", escreveu Townsend, referindo-se ao cantor do The Who.
"O musical também trata a relação tensa dos dois com seus pais, filhos e netos".
segunda-feira, agosto 24, 2009
"Pirataria é crime, mas é menos crime do que outros", dizem alguns; para estes, não passaria de uma “contravenção”. É isso o que concluo ao ler alguns comentários e ouvir a opinião de amigos sobre o meu artigo anterior, “Seu filme favorito por R$ 1”.
A tolerância para a quebra da lei no caso de CDs, DVDs, livros e outros objetos de cultura é preocupante, para não dizer nojenta.
Justificar e apoiar a prática de crimes por conta do alto preço cobrado pela indústria é falsear a verdade e esconder a tibieza moral e a deformação ética de caráter. Não condiz com as regras de uma sociedade civilizada e democrática.
Tolerar a pirataria é o mesmo que não ligar para os furtos em supermercados, em lojas, em qualquer lugar. É achar normal a corrupção, e acreditar que o “jeitinho” brasileiro é uma arte, que a malandragem é um recurso aceitável na vida cotidiana e que prejudicar os outros faz parte da vida.
O argumento de que o trabalhador não tem dinheiro pagar R$ 30 por um CD ou um DVD - por isso apela para o produto pirata - não cola. É um argumento rasteiro e sem-vergonha.
Por esse mesmo raciocínio, o trabalhador também não tem dinheiro para comprar um carro de valor alto, por isso é legítimo que roube ou incentive a construção de uma cópia mais barata, mas de péssima qualidade e que não paga imposto. Se o trabalhador não tem dinheiro para comprar, que não compre. Ou junte dinheiro para comprar.
O comércio ilegal de cópias de produtos culturais nos centros de São Bernardo, Santo André, São Paulo, Diadema e Mauá é mais do que inaceitável, é ultrajante.
A consequência da proliferação da pirataria para a indústria e a economia é a mesma dos efeitos da concorrência desleal dos produtos chineses de péssima qualidade: devastação de parte da indústria local e perda de milhares de empregos.
Pergunte aos calçadistas desempregados de Franca ou aos funcionários sem emprego da indústria têxtil de Americana ou Santa Bárbara o que acham dos produtos chineses...
Entre os que “defendem” a pirataria estão muitas pessoas que bradam contra a “concorrência desleal” das coisas “made in China”. Ou isso é falta total de informação ou má-fé.
Você quer assistir à sétima temporada da série de TV “24 Horas”, que acabou de ser exibida nos Estados Unidos e no canal Fox no Brasil? Então vá à praça Lauro Gomes, no centro de São Bernardo, e adquira a versão pirata, copiada diretamente da TV ou da internet, e legendada em português. Por R$ 1.
É possível encontrar a mesma série nas travessas da rua Bernardino de Campos, no centro de Santo André, em diversos quiosques, boxes e bibocas em geral. Ali você encontra todas as séries norte-americanas e também da TV Globo completas, bem gravadas.
O filme “Operação Valquíria”, de Tom Cruise, mal acabara de sair de cartaz nos cinemas da região, e a sua chegada em DVD às locadoras estava prevista para três meses depois, mas isso não foi impedimento para quem quis assistir em casa. Os mesmos pontos de venda de DVD pirata já tinham o filme em diversos formatos, com qualidade de imagem variada.
E o mais legal de tudo isso é que a venda desse tipo de produto é feita à luz do dia, sem a menor preocupação com qualquer tipo de fiscalização. Quando perguntados sobre o risco de ser apanhados, os “comerciantes” riem, até gargalham.
Os boxes e bibocas são montados em anexos de bares e em lojas comuns de pontos de comércio popular, o chamado “camelódromo”. Não são incomodados por ninguém. Não raro passa uma viatura da Polícia Militar pelos arredores e até mesmo na frente dos “comércios” de produtos piratas, mas ninguém é incomodado ou interpelado.
O Brasil perdeu a batalha para a pirataria desde o começo. Nos anos 80, eram comuns as cópias falsificadas de tênis norte-americanos e alemães, depois vieram as calças imitando marcas italianas famosas, e em seguida todo e qualquer produto “pirateável”, de eletrônicos a cigarros.
O combate sempre foi tímido, mas a partir dos anos 2000 é quase inexistente. O comércio de músicas em MP3 no centro de São Paulo, próximo à Galeria do Rock, é o maior retrato da desfaçatez dos criminosos.
Vende-se a discografia completa de um artista, nacional ou estrangeiro, em apenas um único CD de dados de 700 MB por apenas R$ 5. Não há indústria ou comércio legal que resista. Pirataria é crime é precisa ser combatida de modo mais efetivo. A repressão tem de ser mais dura para evitar o caos de “tropeçarmos” em produtos ilegais nas calçadas.
É estarrecedora a quantidade de histórias de gente "ludibirada" pela Igreja Universal do Reino de Deus relatadas pela imprensa nas duas últimas semanas. As melhores estão nas três maiores revistas semanais, embora alguns jornais populares também tenham dado destaque a algumas delas.
A estupidez humana não tem limites, já dizia um filósofo de botequim dos anos 70 que adorava frequentar teatros alternativos com peças de ótima qualidade, mas péssimas de público. E é comum ouvir por aí um bordão famoso: "Nunca ninguém deixou de lucrar com a burrice humana".
Está mais do que provado que religião, qualquer uma, é estelionato, e que igrejas e seitas, sejam elas quais forem, são fraudes. Todas se baseiam na tapeação e na insistência de que papai noel existe.
Se os preceitos filosóficos da doutrina cristã, do islamismo e do budismo - apenas enquanto ideias e conceitos - são interessantes, quando transformados em dogmatismo e religião tornam-se lixo puro.
As mais novas investigações contra a seita de Edir Macedo só confirmam o que se sabe desde os anos 90 do século passado: há indícios fortes de que o "bispo" comanda uma organização suspeitíssima de cometer crimes variados. Tem de haver punição exemplar.
Por outro lado, há "fiéis" entrando na Justiça exigindo ser indenizados por terem sido "lesados" pela seita de Edir Macedo. Sou contra. A burrice tem de ser punida, e não indenizada.
sexta-feira, julho 31, 2009
Na última quarta-feira, dia 29 de julho, foram fechados os primeiros três acordos entre associados e os advogados do empresário Nélson Tanure, representando as 12 empresas do Grupo Docas.
Os acordos, realizados com mediação da Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho-SP e diante da própria juíza corregedora, prevê o pagamento do valor homolgado nas sentenças com deságio de 15%. O pagamento será feito na próxima segunda-feira, dia 3, à vista.
O primeiro lote de acordos era composto por dez processos, mas somente três tiveram o acordo referendado na última quarta. Os outros sete acordos estão adiados por pelo menos uma semana porque os sete associados também têm ações judiciais cobrando o pagamento de verbas rescisórias não pagas.
O problema é que o Tanure agora é representado pelo escritório Estevam Mallet, que é conceituado, mas os advogados pegaram o bonde andando. Desconheciam que existem ações pedindo o pagamento de salários atrasados e ações pedindo as verbas rescisórias. Estavam preparados para fechar os acordos e resolver logo a questão, mas foram surpreendidos com a informação de que existiam outras ações.
O que os advogados do Tanure querem agora em relação aos sete acordos que ainda estão pendentes do primeiro lote? Que o advogado da associação reúna as duas ações de cada um dos sete associados, faça o cálculo da dívida e que apresente isso na próxima conciliação.
O que os advogados de Tanure querem é resolver logo as questões dentro das mesmas bases: pagamento pelo valor da sentença estabelecido na data de homologação, sem a atualização, com deságio de 15%.
Nos sete casos ainda pendentes, a expectativa é de que sejam fechados os acordos o mais rápido possível, com pagamento à vista no máximo em 72 horas, dependendo do caso.
Otimismo, mas nem tanto
A intenção da Corregedoria do TRT-SP é de promover dez acordos por semana a partir de agosto ou setembro. Partindo do princípio de que o Tanure quer mesmo pagar e que não haverá discussões mais complicadas sobre as ações, há uma expcetativa de que todo o nosso calvário se encerre no primeiro semestre de 2010. Esse seria o cenário ideal e paradisíaco mas, em se tratando de Nelson Tanure, não contem muito com isso.
A juíza corregedora, junto com o presidnete do TRT-SP, desmebargador Décio Daidone, recebeu a diretoria da associação, o nosso advgado, Wladimir Durães, mais do doutor Sólon, do Machado, Meyer Associados, no último dia 28 de julho na presidência do TRT.
Nesse encontro, ela reafirmou que os novos advogados de Tanure estão empenhados em fechar acordos o mais rápido possível. Afinal, o Tanure tem dinheiro penhorado de suas contas correntes em São Paulo e ainda há a penhora das ações da Intelig no valor de R$ 750 milhões.
A questão é que os peritos que fizeram os cálculos da maioria das nossas ações considerou que nada foi pago em salários para os reclamantes a partir de 2002, quando na verdade a média de salários não pagos entre o final de 2001 e dezembro de 2003 ficou entre sete e dez salários, dependendo da faixa salarial.
Com isso, os valores de algumas indenizações, com as multas e correções, foram parar nas nuvens. Há casos onde o valor inicial era de R$ 80 mil e na hora da homologação passava de R$ 500 mil.
A juíza corregedora acatou o pedido dos advogados do escritório Estevam Mallet em relação às ações de valores mais altos. Os advogados do Tanure insistem que querem pagar, mas que paguem o consideram o valor efetivamente devido, e não os supostos exageros cometidos pelos peritos.
Em algumas ações, haverá um recálculo, mas nada que atrase significamente o fechamento de um acordo. Não abriremos mão de multas e correções já definidas pela Justiça, mas a juíza entende que é necessária a revisão de alguns valores para que efetivamente os acordos saiam.
Queremos o que nos é devido, nem mais, nem menos
A posição de nosso advogado e da diretoria da associação é clara: queremos que nos paguem o que nos é devido, com as devidas multas e correções. Se o perito erroneamente considerou que nenhum salário foi pago entre o final de 2001 e o final de 2003, está equivocado. Que se faça a correção rápida e que sejam encaminhados os acordos.
Além dos dez acordos em questão, existem outros 42 com valores homologados e que podem ser analisados pela corregedoria e encaminhados para acordo em breve. Aguardem o contato do escritório do doutor Wladimir Durães.
Para isso, é fundamental que os contatos de todos estejam atualizados - telefones, endereços residenciais e e-mails. Por favor, enviem as atualizações para o e-mail do doutor Wladimir - wladimirduraes@gmail.com. Por favor, o façam por e-mail, para ganharmos tempo e por ser mais prático. Lembrando os telefones do escritório do doutor Wladimir: 3285-6934 e 3384-4041.
Por favor, peço um grande favor a vocês: os e-mails que tenho estão defasados e desatualizados. Repassem essa mensagem para quem vocês lembrarem e que são da associação.
quinta-feira, julho 30, 2009
A publicação britânica Classic Rock Magazine listou os 50 maiores discos da história do rock progressivo. A eleição foi baseada em uma votação com os leitores da revista. Destaque para GENESIS e YES com seis álbuns cada entre os 50 primeiros. Depois deles aparecem RUSH e Pink Floyd com quatro álbuns.
A lista completa da Classic Rock Magazine:
01. “Selling England by the Pound”(1973) – Genesis
02. “Close to the Edge”(1972) – Yes
03. “Dark Side of the Moon” (1973) – Pink Floyd
04. “The Lamb Lies Down on Broadway”(1974) – Genesis
05. “Wish You Were Here” (1975) – Pink Floyd
06. “In the Court of the Crimson King” (1969) – King Crimson
07. “Foxtrot” (1972) – Genesis
08. “Relayer” (1974) – Yes
09. “The Wall” (1979) – Pink Floyd
10. “In Absentia” (2002) – Porcupine Tree
11. “Going for the One” (1977) – Yes
12. “Red” (1974) – King Crimson
13.“Brain Salad Surgery”(1973) – Emerson, Lake & Palmer
14. “Brave” (1994) – Marillion
15. “Pawn Hearts” (1971) – Van Der Graaf Generator
16. “A Trick of the Tail” (1976) – Genesis
17. “Misplaced Childhood (1985) – Marillion
18. “Watershed” (2008) – Opeth
19. “Music Inspired by the Snow Goose” (1975) – Camel
20. “Systematic Chaos” (2007) – Dream Theater
21. “In the Land of Grey and Pink” (1971) – Caravan
22. “The Yes Album” (1971) – Yes
23. “Tubular Bells” (1973) – Mike Oldfield
24. “Tales from Topographic Oceans” (1973) – Yes
25. “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” (1999) – Dream Theater
26. “Thick as a Brick” (1972) – Jethro Tull
27. “2112” (1976) – Rush
28. “The Wake” (1985) – IQ
29. “Moving Pictures” (1981) – Rush
30. “Fear of a Blank Planet” (2007) – Porcupine Tree
31. “Operation: Mindcrime” (1988) – Queensryche
32. “Snow” (2002) – Spock's Beard
33. “Subterranea” (1997) – IQ
34. “Snakes & Arrows” (2007) – Rush
35. “Moonmadness” (1976) – Camel
36. “Deadwing” (2005) – Porcupine Tree
37. “Fugazi”(1984) – Marillion
38. “Meddle” (1971) – Pink Floyd
39. “A Farewell to Kings” (1977) – Rush
40. “Lateralus” (2001) – Tool
41. “Fragile” (1971) – Yes
42. “UK” (1978) – UK
43. “Duke” (1980) – Genesis
44. “Rock Bottom” (1974) – Robert Wyatt
45. “Trilogy” (1972) – Emerson, Lake & Palmer
46. “Seven” (2004) – Magenta
47. “Nursery Cryme” (1971) – Genesis
48. “Radio Gnome Invisible Pt 2: Angel's Egg” (1973) – Gong
49. “Afraid of Sunlight”(1995) – Marillion
50. “Space Ritual” (1973) – Hawkwind
quinta-feira, julho 23, 2009
Semaninha bastante ruim em temos de noticiário geral. Parece que há uma conspiração cósmica para destruir a ética e a moral do bom comportamento no mundo:
quinta-feira, julho 02, 2009
Festa após título, com orações em campo e mensagens na camiseta, provoca polêmica
Jamil Chade
O Estado de S. Paulo - edição de 2 de julho de 2009
A comemoração da seleção pelo título da Copa das Confederações e o comportamento dos jogadores brasileiros após a vitória sobre os Estados Unidos causam polêmica na Europa.
A queixa é de que o time brasileiro estaria usando o futebol como palco para a religião.
A Fifa confirmou ao Estado que mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final.
Ao virar o jogo contra os EUA, os jogadores da seleção fizeram uma roda no centro do campo e rezaram.
A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme.
Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.
Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje.
Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo.
Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira.
"A religião não tem lugar no futebol", afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa.
Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi "exagerada". "Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora", disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca.
Ao Estado, a entidade confirmou que espera que a Fifa tome "providências" e que busca apoio de outras associações.
As regras da Fifa de fato impedem mensagens políticas ou religiosas em campo.
A entidade prevê punições em casos de descumprimento.
Por enquanto, a Fifa não tomou nenhuma decisão e insiste que a manifestação religiosa apenas ocorreu após a partida.
Essa não é a primeira vez que o tema causa polêmica.
Ao fim da Copa de 2002, a comemoração do pentacampeonato brasileiro foi repleta de mensagens religiosas.
A Fifa mostrou seu desagrado na época.
Mas disse que não teria como impedir a equipe que acabara de se sagrar campeã do mundo de comemorar à sua maneira.
A entidade diz que está "monitorando" a situação.
E confirma que "alertou a CBF sobre os procedimentos referentes ao assunto".
A Fifa alega que, no caso da final da Copa das Confederações, o ato dos brasileiros de se reunir para rezar ocorreu só após o apito final.
E as leis apenas falam da situação em jogo.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a CBF informou que não recebeu nenhuma queixa da Fifa e, por isso, não vai comentar o assunto.
TEMA RECORRENTE
Nos últimos anos, o tema da religião no futebol ganhou uma nova dimensão.
Frank Ribery, artilheiro francês, provocou polêmica há poucas semanas ao ser flagrado por uma câmera rezando pelos costumes muçulmanos.
Recentemente, dois jogadores bósnios do time norueguês Sandefjord comemoraram um gol se ajoelhando e rezando da forma tradicional muçulmana.
Um outro jogador do mesmo time não se conteve e fez gestos vulgares aos dois atletas.
segunda-feira, junho 22, 2009
O ABCD Maior é a maior novidade da imprensa do ABCD desde o surgimento da revista LivreMercado, em 1990. Com projeto consistente e conteúdo de qualidade, conseguiu chacoalhar um mercado ainda (não por muito tempo) dominado por um fóssil chamado Diário do Grande ABC e por meia dúzia de panfletos semanais que não passam de arremedo de jornais, a maioria atrelado ao poder público, a verbas públicas ou a grupos políticos.
A visão progressista estabelecida desde o momento de criação do conceito e do jornal - depois estendido aos demais veículos do grupo, como internet, programas de TV e de rádio - tinha bem clara uma questão da qual não se pode abrir mão: a prioridade era oferecer um produto bom, com bom jornalismo e notícias corretas. O viés progressista iria predominar naturalmente, até porque foi a gênese do projeto.
E a maior prova de que o projeto é sério e bom é o seu crescimento, contínuo e frequente. São três anos completados agora em junho, praticando o melhor jornalismo do ABCD e até mesmo das cidades da Grande São Paulo. É o grupo que mais repercute, é o que tem conteúdo mais consistente e o que tem o melhor suporte para novos empreendimentos.
O curioso é que o projeto acaba atraindo, em alguns momentos, gente que é pouco afeita ao debate, à discussão, à troca de idéias. Justamente o contrário do conceito ABCD Maior, que é o da pluralidade de idéias, da inclusão social, digital e intelectual.
É um conceito que integra e oferece espaço para uma parcela experessiva da população regional se expressar, mesmo que alguns argumentos possam "ofender" ou "desagradar" grupinhos que acham que o projeto tem de ser exclusivo de um pensamento político ou de determinada corrente ideológica.
O projeto é muito bem-sucedido porque é plural e aceita o contraditório, aceita idéias contrárias, divergentes e até mesmo acintosas. Coisa que raramente existiu no ABCD. Por isso mesmo é bastante estranho ver manifestações de pessoas radicais por aqui, que desqualificam em vez de argumentar. Sorte nossa que esse povo é minoria bem ínfima no ABCD Maior.
Loga vida ao ABCD Maior e parabéns pelos três anos de vida inteligente e séria nas sete cidades.
Exigir respeito à cidadania requer uma boa dose de indignação - coisa rara em determinadas circunstâncias em nossa sociedade, coisa em excesso e de forma desproporcional em outras áreas. Tenho feito deste espaço com frequência uma ponta de lança em defesa dos bons costumes e da defesa do bom senso e do discernimento, mesmo que para isso use o excesso para dar vazão à indignação.
E os atentados à cidadania e ao bom senso são diários, desde as flagrantes violações das mais básicas regras de trânsito até a supressão do direito de ir e vir de qualquer cidadão que deseja passar ao largo de qualquer manifestação, seja lá qual for o motivo do protesto.
Alguns leitores e até mesmo o timoneiro deste ABCD Maior, Celso Horta – uma das pessoas que mais respeito – sugeriram um interessante debate a partir dos recentes acontecimentos na Grande São Paulo: até onde a defesa de certa forma intransigente da cidadania se choca com os direitos democráticos de manifestação, protesto e reivindicação de setores organizados da sociedade?
A menção aos métodos recentes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em recente artigo não foi fortuito. Um dos movimentos sociais mais importantes do mundo surgido nos últimos 25 anos ganhou legitimidade na base do tranco a partir do momento em que teve seus pleitos tratados com leniência pelo Estado.
Os ataques que o MST sempre sofreu por parte de governos e de elites rurais criminosas só fortaleceu a crença da importância de seu surgimento e da legitimidade de suas reivindicações – mesmo que, para isso, fosse necessário (e justificável) apelar para a força nos anos mais duros de enfrentamento com os agentes do Estado dominado por políticos conservadores.
Neste século XXI, no entanto, métodos que envolvem ações violentas contra empresas e mesmo contra a propriedade, em pleno governo Lula, significam, na imensa maioria dos casos, um retrocesso na disputa por espaço político.
A defesa da cidadania ganhou visibilidade no governo federal petista, o que tornam anacrônicos algumas atitudes do MST, especialmente aquelas que ferem a própria cidadania. O que era legítimo e justificável na década passada pode se reverter contra o próprio movimento, que cresceu e se tornou indissociável da vida brasileira.
Se o MST penou bastante para finalmente conseguir um lugar decente na sociedade brasileira, o mesmo aconteceu com o avanço da cidadania.
O processo democrático que possibilitou as necessárias vitórias do MST é o mesmo que não tolera que os direitos básicos dos cidadãos sejam cerceados e torpedeados, ainda mais em tempos de governo Luiz Inácio Lula da Silva – e não se faz aqui juízo de valor entre a importância ou a distância entre as ações de movimentos organizados e o que ocorre no dia a dia.
Também não se trata de relativizar os motivos que levam manifestantes e grevistas a bloquearem rodovias, avenidas ou a ocupar prédios públicos. O direito de manifestação e protesto é sagrado e não pode ser violado.
Assim como não pode ser violada o direito de ir e vir dos cidadãos, e assim como a manifestação de grupos não pode prejudicar milhões de pessoas. Ninguém pode ser refém da raiva de ninguém.
Por isso bloquear rodovias e avenidas e impedir à força quem quer trabalhar são violações da cidadania, independente das razões que originaram as manifestações.
E o mínimo que se espera de um Estado responsável é que garanta a preservação da cidadania – coisa que o atual governo do Estado de São Paulo, nas mãos do PSDB, não faz. E não se trata de defender o uso da força e da ações da Polícia Militar. É uma questão de defender os direitos do cidadão.
O mais comum que tenho ouvido ultimamente, tanto nos e-mails que recebo, como nas seções de cartas de jornais, são comparações inadvertidas e descabidas entre as manifestações de estudantes vândalos da USP e sindicalistas despreparados com os protestos dos anos 70, notadamente as greves de trabalhadores entre os anos 1978 e 1980.
Na falta de argumento melhor, tem gente que resgata as greves de metalúrgicos daquela época, justas e legítimas em todos os sentidos, com as manifestações arbitrárias e violentas de funcionários grevistas e estudantes que não tem o que fazer na USP.
Estamos hoje em pleno regime democrático, com um metalúrgico na Presidência da República, e ainda assim representantes do que há de pior na esquerda - esquerda que mesmo com seus erros graves, está melhorando o Brasil - insistem em fazem comparações com uma época que havia ditadura e repressão política das mais violentas.
Justificar os atentados à cidadania frequentes, como bloquear vias sob qualquer pretexto e protesto, ocupar prédios públicos e impedir as pessoas de ir, vir e trabalhar, é deprezar as noções básicas de civilidade e convivência em sociedade democrática.
Mas, pior do que isso, é ter de aturar argumentos rasos como um pires, digno de estudantes equivocados e desinformados que sempre infestaram os centros acadêmicos a partir dos ano 90 achando que ser de “esquerda” é usar camiseta com a foto de Che Guevara e jogar pedra na polícia após prejudicarem a cidade inteira com seus atos de vandalismo.
Também é duro aturar papo de boteco de quinta categoria sobre como o mundo é injusto e como temos de “lutar contra todo mundo que está contra nós”. Esse papinho colava nos anos 60. Hoje, causa gargalhadas.
Não é por outro motivo, por exemplo, que a esquerda responsável e que respeita a cidadania está na Presidência da República e nas prefeituras de São Bernardo e Diadema - ao mesmo tempo em que os radicais de boteco estão cada vez mais no ostracismo.
Na minha turma de faculdade, o orgulho era conseguir se formar, ter diploma (porque isso significava que o cidadão fez por merecer) e fazer bom jornalismo, seja onde for. Orgulho maior ainda é saber que a maioria da minha turma conseguiu tudo isso e foi além, para desespero dos ressentidos e fracassados de plantão que mal arrumaram um empreguinho em assessorias de órgãos públicos.
Os abusos contra a cidadania verificados na semana passada no rodoanel Mário Covas em Embu, e no campus da USP, durante a greve dos funcionários, ainda rendem bate-bocas e posturas claramente anti-democráticas.
As cenas de selvageria dos estudantes, por exemplo, contra os policiais, parece que não foram suficientes, já que os alunos ainda acreditam que têm razão no episódio.
A justificativa dos “estudantes” para apoiar os funcionários e “combater” a PM é a de que protestam contra a implantação às pressas do ensino superior à distância e contra a presença dos policiais no campus.
Então quer dizer que eles podem depredar e sustar os direitos individuais dos cidadãos que querem trabalhar e não podem ser incomodados por isso?
Então quer dizer que a retórica apoiada no que de pior a esquerda produziu serve de justificativa para a violação da cidadania e a depredação do patrimônio público?
Esses comportamentos só acontecem porque o governo estadual atual é omisso e incompetente, quando não criminoso, ao não coibir e reprimir tais manifestações de violência.
Prender apenas um sindicalista na questão da USP não resolve a questão. É pouco.
Mas o governo estadual atual é omisso e incompetente, tem medo das urnas e da opinião pública se “descer a borracha” em manifestantes vândalos e em estudantes vagabundos.
Mas será que alguém da equipe de primeiro escalão do Palácio dos Bandeirantes se deu ao trabalho de perguntar nas ruas o que acha desse tipo de omissão?
Agora virou política de Estado ignorar os flagrantes atentados à cidadania e à violação dos direitos de quem quer trabalhar e de quem quer ir e vir na Grande São Paulo.
Não se trata de defender a castração dos direitos de manifestação e de protestar da população. Trata-se apenas de garantir o direito de a população da Grande São Paulo de ir e vir, e de não ser obrigada a ficar refém das reivindicações de quem quer que seja, seja qual for o pretexto ou a motivação.
É por essas e outras que uma facção criminosa domina os presídios do Estado e traficantes e bandidos tomam conta das favelas paulistas. Não existe política de segurança pública em São Paulo. Esse é o legado do PSDB após 15 anos de governo.
Cenas cada vez mais comuns na Grande São Paulo: vias importantes bloqueadas sob qualquer pretexto com pneus fumegantes, móveis incendiados, pretensos manifestantes brandindo paus e apedrejando policiais, prédios públicos invadidos e ocupados por grevistas, tudo isso diante de uma passividade alarmante do Estado, sem poder e autonomia.
Está se aceitando cada vez mais nestes tempos a violência como método de reivindicação e como meio de “conquistas”, sejam elas quais forem, mesmo que para isso a cidadania, o respeito e a educação sejam atropelados.
Parece que o pior das atitudes de organizações como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) torna-se o modelo de comportamento e “ação” para uma gama enorme de vagabundos e vândalos, de todas as cores, tribos e vertentes políticas.
É fato que não dá mais para tolerar esse tipo de desrespeito. É inaceitável que baderneiros tomem conta da avenida Paulista, um dos três corredores hospitalares mais importantes da Capital, paralisando a cidade inteira. As motivações e os motivos são irrelevantes: é inaceitável que quase 11 milhões de paulistanos fiquem reféns de meia dúzia de manifestantes.
O bloqueio de trecho do Rodoanel Mário Covas em Embu, na parte oeste da Grande São Paulo, nesta semana, faz parte do que há de mais absurdo e mais nojento no comportamento dos “cidadãos” que habitam a região metropolitana da Capital.
Para protestar contra a falta de uma passarela, simplesmente impediram mais de 100 mil veículos de circular, provocando congestionamentos em pelo menos três estradas importantes.
Nenhuma reivindicação, por mais importante e justa que seja, justifica esse ato bárbaro e primitivo de impedir a livre circulação de quem nada ter a ver com o assunto - sem falar que se trata de burrice, pois esse tipo de baderna só aumenta a raiva em relação ao “movimento”.
Outro aspecto da ausência do Estado, ainda mais grave, é o tratamento que o governo estadual dispensa aos grevistas da USP e seus “aliados”, um grupo de estudantes baderneiros e vândalos, verdadeiros criminosos que se escondem sob bandeiras “sindicais” e “educacionais”.
Funcionários em greve e estudantes vagabundos cometem crime ao impedir que não aderiu de trabalhar. E cometem crime ao enfrentar com violência a Polícia Militar. E também cometem crime ao invadir e ocupar prédios públicos.
O direito de greve é sagrado e um pilar da democracia. Mas depredar e impedir alguém de trabalhar é abusivo e inaceitável. E estudantes têm todo o direito de protestar, mas desde que não atrapalhem ninguém e que não violem direitos.
quarta-feira, junho 10, 2009
do site Comunique-se
Reproduzo abaixo, para encerrar esse tópico, texto do site Comunique-se sobre a reação da grande imprensa contra a iniciativa da Petrobras, manifestações que contam com o meu apoio:
A iniciativa da Petrobras de criar o blog Fatos e Dados, onde a estatal expõe os questionamentos da imprensa e as repostas dadas aos veículos, gerou uma situação de conflito entre a empresa e os principais órgãos de imprensa do País. O jornal O Globo, por exemplo, dedicou, na edição desta terça-feira (09/06), sete matérias e um editorial ao tema, além de chamada na primeira página.
“A estatal alega praticar a ‘transparência’ ao cometer o erro de divulgar material de propriedade de profissionais e veículos de imprensa. Ser cada vez mais transparente é um objetivo correto para a estatal, caso ela não o use como justificativa para agir deslealmente com os meios de comunicação. A Petrobras errou, e espera-se que volte atrás nos procedimentos nada éticos que adotou no atendimento à imprensa”, afirma O Globo no editorial "Ataque à imprensa".
A Folha de S. Paulo de hoje traz dois artigos sobre o blog, ambos contrários à iniciativa da estatal. Além disso, cinco matérias foram publicadas sobre o tema, sendo que a de maior destaque foi sobre o comunicado da Associação Nacional de Jornais, que considera a atitude da Petrobras antiética.
O artigo “A transparência dos brucutus”, do jornalista da Folha Igor Gielow, considera o blog uma tentativa de “esvaziar a bola das denúncias que inevitavelmente chegarão ao seu balcão, contrainformação pura”. Já Plínio Fraga, em “Lodo não é petróleo”, trata o blog como uma “estratégia intimidatória”.
“A traquinagem do blog da Petrobras mostra a opção da empresa pelo lodo, como se este fosse também petróleo”, afirma Fraga em seu artigo.
Abaixo, para quem quiser conferir, o ataque certeiro do jornal "O Globo", em editorial, contra a iniciativa da Petrobras.
Olhem só a pérola que a ABI - Associação Brasileira de Imprensa -, que já foi respeitável, produziu em apoio à iniciativa esdrúxula da Petrobras:
“A ABI considera legítima a decisão da Petrobras de criar um blog para divulgação das informações que presta à imprensa e especialmente aos veículos impressos, uma vez que as questões relativas ao seu funcionamento e aos seus atos de gestão interessam ao conjunto da sociedade, que não pode ficar exposta ao risco de filtragem das informações típica e inseparável do processo de edição jornalística. A empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa.
A criação do blog constituiu-se em instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem de fogo crítico disparado por vários veículos impressos. Não se poderá alegar que é assegurado à empresa o direito de resposta, uma vez que quando este for exercido a informação nociva já terá produzido afeitos adversos. Ademais, é conhecido principalmente dos jornalistas o tratamento que a imprensa concede tradicionalmente ao direito de resposta, se e quando o reconhece e o acata: a informação imprecisa ou inidônea é divulgada com um destaque e uma dimensão que não se confere à resposta postulada e concedida.
O presente confronto entre a empresa e alguns veículos de comunicação tem inegável cunho político, com favorecimento de segmentos partidários que se opõem ao Governo Lula. A Petrobras encontra-se, infelizmente, na linha de tiro do canhoneio contra ela assestado. Atacá-la com a virulência que se anota agora não faz bem ao País.
Rio de Janeiro, 9 de junho de 2009
Maurício Azêdo, Presidente”
A Petrobras resolveu criar um blog para se "defender" dos ataques da imprensa e tornar mais "transparente" o processo de divulgação de informações da estatal.
Vai publicar todas as perguntas que forem enviadas à assessoria de imprensa da empresa e as respectivas respostas, tanto em coletivas como em iniciativas pessoais de repórteres.
Ou seja, se eu tiver um furo de reportagem na mão, exclusivo, e quiser apenas esclarecer alguns pontos - ouvir o outro lado, como manda o o bom jornalismo -, corro o risco de perder o meu assunto exclusivo. OU seja, a assessoria de imprensa da Petrobras deliberadamente vai sabotar reportagens, numa clara tentativa de intimidar a grande imprensa.
A estatal está dominada por gente desqualificada, capazes de uma suprema estupidez de propor um blçog cujo objetivo é sabotar reportagens. Coisa asquerosa, como é de costume no governo lulo-petista e seus aliados fisiológicos e defensores da corrupção e do aliciamento como política de Estado.
A coleção de escândalos e imbecilidades perpetradas pelo atual "governo" seria suficiente para derrubá-lo há muito tempo, assim como a instauração de inquéritos e processos contra "dirigentes" e "ministros", como no neste caso abjeto do blog da Petrobras.
Cenas cada vez mais comuns na Grande São Paulo: vias importantes bloqueadas sob qualquer pretexto com pneus fumegantes, móveis incendiados, pretensos manifestantes brandindo paus e apedrejando policiais, prédios públicos invadidos e ocupados por grevistas, tudo isso diante de uma passividade alarmante do Estado, sem poder e autonomia.
Está se aceitando cada vez mais nestes tempos a violência como método de reivindicação e como meio de "conquistas", sejam elas quais forem, mesmo que para isso a cidadania, o respeito e a educação sejam atropelados. Parece que o pior das atitudes de organizações como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) torna-se o modelo de comportamento e "ação" para uma gama enorme de vagabundos e vândalos, de todas as cores, tribos e vertentes políticas.
É fato que não dá mais para tolerar esse tipo de desrespeito. É inaceitável que baderneiros tomem conta da avenida Paulista, um dos três corredores hospitalares mais importantes da Capital, paralisando a cidade inteira. As motivações e os motivos são irrelevantes: é inaceitável que quase 11 milhões de paulistanos fiquem reféns de meia dúzia de manifestantes.
O bloqueio de trecho do Rodoanel Mário Covas em Embu, na parte oeste da Grande São Paulo, nesta semana, faz parte do que há de mais absurdo e mais nojento no comportamento dos "cidadãos" que habitam a região metropolitana da Capital.
Para protestar contra a falta de uma passarela, simplesmente impediram mais de 100 mil veículos de circular, provocando congestionamentos em pelo menos três estradas importantes. Nenhuma reivindicação, por mais importante e justa que seja, justifica esse ato bárbaro e primitivo de impedir a livre circulação de quem nada ter a ver com o assunto - sem falar que se trata de burrice, pois esse tipo de baderna só aumenta a raiva em relação ao "movimento".
Outro aspecto da ausência do Estado, ainda mais grave, é o tratamento que o governo estadual dispensa aos grevistas da USP e seus "aliados", um grupo de estudantes baderneiros e vândalos, verdadeiros criminosos que se escondem sob bandeiras "sindicais" e "educacionais".
Funcionários em greve e estudantes vagabundos cometem crime ao impedir que não aderiu de trabalhar. E cometem crime ao enfrentar com violência a Polícia Militar. E também cometem crime ao invadir e ocupar prédios públicos.
A justificativa dos "estudantes" para apoiar os funcionários e "combater" a PM é a de que protestam contra a implantação às pressas do ensino superior à distância e contra a presença dos policiais no campus. Então quer dizer que eles podem depredar e sustar os direitos individuais dos cidadãos que querem trabalhar e não podem ser incomodados por isso? Então quer dizer que a retórica esquerdista ultrapassada e canhestra serve de justificativa para a violação da cidadania e a depredação do patrimônio público?
Esses comportamentos só acontecem porque o governo estadual atual é omisso e incompetente, quando não criminoso, ao não coibir e reprimir tais manifestações de violência. Prender apenas um sindicalista na questão da USP não resolve a questão. É pouco.
Mas o governo estadual atual é omisso e incompetente, tem medo das urnas e da opinião pública se "descer a borracha" em manifestantes vândalos e em estudantes vagabundos. Mas será que alguém da equipe de primeiro escalão do Palácio dos Bandeirantes se deu ao trabalho de perguntar nas ruas o que acha desse tipo de omissão?
Agora virou política de Estado ignorar os flagrantes atentados à cidadania e à violação dos direitos de quem quer trabalhar e de quem quer ir e vir na Grande São Paulo. É por essas e outras que uma facção criminosa domina os presídios do Estado e traficantes e bandidos tomam conta das favelas paulistas. Não existe política de segurança pública em São Paulo. Esse é o legado do PSDB após 15 anos de governo.
domingo, maio 31, 2009
O fim de um jornal melhor que os seus donos
por Thales Guaracy
A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que estertorou nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio. Com a Gazeta, vai se encerrando parte da história do jornalismo brasileiro, mas ela ainda nos dá uma lição, sua última contribuição para o futuro.
Comecei a trabalhar na Gazeta em 1986, recém-saído da faculdade, depois de rápido estágio na TV Bandeirantes. Instalada num edifício da rua Major Quedinho, a Gazeta era um jornal venerável, considerado leitura obrigatória no mundo profissional. Sua circulação era menor que a da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, porém seu público era mais qualificado.
Possuía também um braço na TV, o programa Crítica e Autocrítica, capitaneado pelo seu diretor editorial, Roberto Muller, que ia ao ar no domingo à noite. Era uma alternativa para o público que queria ver uma conversa mais séria, ainda que às vezes meio sonolenta, em lugar das mesas redondas de futebol.
Na redação do jornal, havia uma constelação de estrelas do jornalismo, a começar pelo seu diretor, Matias Molina, o secretário de redação, Alexandre Gambirasio, e um time de repórteres tratados como primas-donas: Celso Pinto, José Casado, Getúlio Bittencourt, entre outros - todos premiados e com vasta folha de serviços prestados ao jornalismo brasileiro.
A Gazeta era não apenas um grande jornal de negócios, como uma escola de jornalismo. Isso incluía princípios como a imparcialidade e a honestidade absolutas; a obsessão pela informação correta, segundo elemento essencial para a credibilidade; a busca incansável pela notícia exclusiva, que fazia a diferença.
A disputa aberta e estimulada entre os repórteres pelo espaço da primeira página era uma forma de garantir a perseguição permanente pela qualidade, num mercado em que ainda não havia concorrentes importantes. A Gazeta valorizava o jornalista, que assinava todas as suas reportagens e era tratado como patrimônio da casa, a própria essência do negócio.
Parecia uma fortaleza inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a familia Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades.
Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos mais difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. Agiam não por amizade, compromisso, ou mesmo medo, mas pelo entendimento de que o serviço prestado pela Gazeta era importante e insubstituível para a comunidade de negócios e o país.
Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles; pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi respeitado muito graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva.
Lembro de certa tarde em que eu, ainda um repórter principiante, fui fazer uma entrevista com o então diretor do Banco Central, Wadico Bucchi, em São Paulo. Encontrei Luiz Fernando Levy já na ante-sala, à espera de uma audiência. Levy continuou esperando, enquanto eu entrei na sua frente, atendido primeiro.
Para Bucchi, o repórter principiante merecia preferência em relação ao dono do próprio jornal onde trabalhava. Ele sabia que eu estava ali em busca de notícia, fazendo meu serviço para uma publicação de prestígio. Levy estava lá para pedir alguma coisa.
Quando o mercado se torna mais difícil, uma má gestão fica mais evidente e faz a diferença, sempre para pior. Surgiu o Valor Econômico, um concorrente que tomou da Gazeta boa parte de seu principal ativo: os jornalistas. A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas.
Tanure não tem a mesma familiaridade com as qualidades que fizeram da Gazeta um grande veículo e poderiam recuperá-la. E anunciou que fecharia o jornal por conta da cobrança na Justiça de dívidas trabalhistas anteriores à sua gestão e que, segundo explicou no próprio jornal, não lhe dizem respeito.
Há hoje uma onda de empresários que arriscam tornar-se editores sem compreender a dependência desse negócio de sua matéria-prima essencial – gente. A Gazeta teve seus quadros reduzidos, os salários aviltados. A qualidade do jornal era até miraculosa, dadas as condições de trabalho.
O que assusta hoje na imprensa não é a mudança da mídia impressa para a digital. A verdadeira ameaça ao negócio é a entrada de gente com dinheiro e ousadia, mas sem conhecimento do riscado – sobretudo, da importância da separação entre Igreja e Estado. Para mercadores vindos de outras áreas, é difícil aceitar que não se barganha conteúdo jornalístico por dinheiro, e que a credibilidade, que exige o sacrifício do ganho fácil, é a fonte do sucesso duradouro nesse tipo de negócio.
A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados. Esse, porém, não é o verdadeiro fim da história. Jornal que sempre analisou em suas reportagens as causas do sucesso e do fracasso empresarial, a Gazeta fez de sua própria trajetória uma parábola do assunto que explorava.
Em sua agonia, a Gazeta deixa como ensinamento o que é capaz de levantar e também derrubar um negócio de comunicação, não importa qual seja sua plataforma – o papel, a TV ou o mundo virtual. E, nesses tempos tão cheios de dúvidas sobre o futuro do negócio da informação, reafirma a convicção de que, enquanto os bons princípios do jornalismo forem praticados, sempre haverá uma imprensa livre e economicamente forte para proteger a sua e a nossa liberdade.
do site Whiplash
OZZY OSBOURNE está processando seu companheiro de Black Sabbath Tony Iommi, alegando que ele teria ilegalmente reivindicado ser o único proprietário da marca Black Sabbath junto ao U.S. Patent and Trademark Office (Escritório de patentes dos EUA).
Ozzy decidiu tomar esta atitude para ter 50% da marca "Black Sabbath", igualmente com uma porção dos lucros de Iommi com o nome.
A corte federal da Manhattan alega também que os "vocais característicos" de Osbourne são em grande parte responsáveis pelo "extraordinário sucesso" da banda, notando a queda livre de popularidade do grupo no período entre 1980 e 1996, na ausência de Ozzy.
Em uma declaração lançada na tarde do dia 29 de maio, Ozzy falou sobre sua decisão de processar Iommi: "É com grande pesar que tive que recorrer à essa ação legal contra meu companheiro de longa data Tony Iommi, mas depois de três anos tentando resolver esse problema amigavelmente não tive outra escolha".
"No meio da década de 90, depois de constantes e numerosas mudanças na formação do grupo, a marca Black Sabbath estava literalmente no fosso, e Iommi (fazendo turnês com o nome BLACK SABBATH) foi reduzido à tocar em clubes. Desde 1997, quando Geezer (Butler, baixo), Bill (Ward, bateria) e eu nos juntamos novamente à banda, o SABBATH retornou à sua antiga glória e nós tocamos em arenas e anfiteatros lotados para mais de 50 mil pessoas em show por todo o mundo. Trabalhamos coletivamente para restaurar a credibilidade e trazer dignidade novamente ao nome Black Sabbath, o que levou a banda a conquistar uma posição no Rock and Roll Hall of Fame do Reino Unido em 2005 e dos EUA em 2006".
"Ao longo dos últimos 12 anos, foram meus representantes que supervisionaram o marketing e o controle de qualidade da marca Black Sabbath durante a Ozzfest, turnês, merchandising e re-lançamentos de álbuns. O nome Black Sabbath hoje tem prestigio no mundo inteiro e um valor de mercado que não teria se continuasse na estrada antes da turnê de reunião em 1997".
"Tony, estou muito triste que isso tenha chegado neste ponto, de tomar esta ação contra você. Eu não tenho o direito de falar por Geezer e Bill, mas eu sinto que moralmente e eticamente a marca deveria pertencer a nós quatro de maneira igual. Eu espero que este primeiro passo termine de uma vez por todas com isto. Nós todos trabalhamos muito em nossas carreiras para deixar que você venda merchandise que apresenta a cara de todos nós, capas de álbuns antigos do Black Sabbath e logotipos da banda, e então você nos diz que os direitos autorais lhe pertencem".
"Estamos todos nós com mais de 60 anos agora, o legado do Black Sabbath irá viver depois que todos nós tivermos ido, por favor, faça a coisa certa".
Osbourne adicionou em um outro post em separado: "Estou muito triste que eu tenha que tomar ações legais contra Tony. Isto é algo que eu tentei desviar por anos. Não sou a voz de Geezer ou Bill, porém, até o dia que eu morrer não irei mudar de ideia sobre isto. A marca Black Sabbath deveria pertencer igualmente à Geezer, Bill, Tony e eu, pois a formação verdadeira do Black Sabbath é Tony, Geezer, Bill e eu. Somos todos companheiros desde a escola, eu sempre disse que havia uma linha invisível que nos mantinha juntos".
"Tony, vamos deixar este negócio ridículo de lado e continuar com nossas vidas. Você tem 61, eu tenho 60. Eu espero que ainda tenhamos uns bons 20 anos pela frente. Mas se não, Deus me livre que aconteça algo contigo, o que irá acontecer com a marca BLACK SABBATH? Quem irá olhar por ela? Você não acha que depois que nós formos deste mundo os direitos devam ficar com sua família, a minha, de Bill e Geezer?"
O processo de Ozzy se segue a outro arquivado por Iommi em dezembro de 2008 contra a Live Nation. Neste arquivo, Iommi alega que a gigante vendia merchandises com o logotipo da banda, mesmo após o contrato ter expirado em 2006, em algo que valia em torno de 80 milhões de dólares. Depois deste acordo ser concluído, Iommi requisitou os direitos da banda.
quinta-feira, maio 28, 2009
Informação é poder e comunicação está na base da criação de qualquer sociedade. São conceitos fundamentais que são ensinados em diversos cursos superiores, tanto no Brasil como no mundo. E geralmente a frase inicial deste texto abre as aulas magnas dos cursos de jornalismo.
Acredito com fé na frase e é com ela que louvo a minha profissão, jornalista, e falo de sua importância para candidatos a jornalistas, estudantes de jornalismo e recém-formados.
E as três “categorias” sempre me perguntam a respeito da eventual queda, na Justiça, da proibição de pessoas exercerem o jornalismo sem ter o diploma. É bom lembrar que temos importantes faculdades do curso no ABCD, como a Metodista, a Unimes e Uniban, entre outras.
O STF (Supremo Tribunal Federal) acabou com a Lei de Imprensa, entulho do tempo da ditadura e deve julgar em definitivo a questão da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.
Sou favorável à obrigatoriedade, pois ela está diretamente ligada à regulamentação da profissão. Sem regulamentação, vira terra de ninguém, com modelos virando “jornalistas” e aventureiros diversos querendo o registro apenas para se beneficiar eventualmente de algumas “benesses” que as carteiras supostamente oferecem.
Infelizmente, muita gente que eventualmente não tem diploma mas que poderia se tornar jornalista é prejudicada. Paciência, mas as exceções não podem prevalecer, senão não existe mais regra. A exigência do diploma disciplina e regula uma profissão que é frequentemente objeto de cobiça e vilipêndio.
Pode até não proteger e nem garantir qualidade, mas é o mínimo que a categoria conseguiu para obter um mínimo de respeito e benefícios. Se com a profissão regulamentada os salários caíram e os calotes aumentaram, imaginemos como seria sem a regulamentação.
A profissão tem uma regulamentação, ainda que esteja sendo atacada e precarizada. Sem a regulamentação, as empresas substituirão com mais voracidade mão de obra qualificada por trabalhadores precários em todos os sentidos - intelectual, cultural e legalmente.
Defendo a exigência do diploma e a importância das faculdades de jornalismo, por pior que sejam. É uma forma de garantir (um pouco de) dignidade à profissão e, em tese, mais qualidade na difusão da informação. Da mesma forma que não existe advogado sem diploma e sem OAB, defendo que não exista jornalista sem diploma e, no futuro, sem “OAJ” ou CFJ.