sábado, julho 31, 2010

Exército de incapazes e a estatização da Copa


Os resultados recém-divulgados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) comprovam ano a ano que o Brasil é um país sem futuro, por mais que o bom momento da economia do presente nos dê algum conforto. Cerca de 90% das piores escolas são estaduais ou municipais. Das 20 melhores, apenas duas são públicas.

A escola pública simplesmente não existe. É incapaz de dar o mínimo de base educacional para crianças e adolescentes. A desqualificação dos professores não é a origem, mas apenas um sintoma de uma política criminosa e indecente de sucateamento das escolas.

Observando por outro lado, essa mesma política está sendo muito eficiente na criação de uma futura mão-de-obra incapaz, incompetente e ineficiente. E tem gente que ainda tenta comparar o Brasil com a China…

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O intervencionismo estatal ganha força nestes tempos de Brasil do crescimento chinês, mesmo que isso tenha sido apenas um suspiro trimestral.

Primeiro li aqui neste ABCD Maior sugestão do professor Luiz Roberto Alves clamando a estatização da Copa do Mundo de 2014 - como se o governo federal não tivesse mais nada para se preocupar, como se o Brasil fosse bem resolvido como a Alemanha ou a Suécia.

Logo em seguida vejo nesta segunda-feira que o presidente Lula vociferou contra os governos estadual e municipal de São Paulo por conta dos entraves que ainda existem na escolha do estádio que abrigará os jogos do evento.

Sem o menor pudor, Lula afirma que o governo federal poderá intervir em São Paulo para que a cidade tenha jogos da Copa. Ou seja, joga no lixo o federalismo e a própria Constituição.

Enquanto isso os aeroportos continuam sobrecarregados e sem a menor perspectiva de que os gargalos sejam resolvidos. Não há plano de ação, não há projeto.

Enquanto todo mundo pula de alegria com o lançamento de um mero edital de uma obra faraônica, o tal do trem-bala, as estradas de todo o país esfarelam e desaparecem. E ainda querem fazer Copa do Mundo em um país sem estradas.

Os governos estadual e municipal de São Paulo, por seu turno, resolveram entrar em uma disputa política perdida ao tentar peitar a Fifa e a CBF bancando o estádio do Morumbi.
Que a incompetência é a marca registrada de tucanos e demos é sabido desde sempre, mas burrice não era uma característica desse “agrupamento político.”

O Morumbi está fora e isso já está decidido. A questão é que falta competência para elaborar um projeto minimamente consistente. Se a maior cidade do País tem dificuldades para se tornar sede de jogos da Copa, imagine o resto.

Não bastasse isso, os tucanos e demos passam pelo vexame de serem cobrados publicamente pelo presidente da República e de serem “ameaçados” por uma intervenção federal no comitê paulista.

A Copa de 2014 está cada vez mais perto da Inglaterra.

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E continuam as tentativas cada vez mais escusas e patéticas de certos grupos políticos de tentar, de alguma forma, controlar a imprensa, seja qual for o eufemismo sorrateiramente incluído em qualquer documento.

Em pleno século XXI, a veia autoritária e totalitária de alguns ressurge do limbo para assombrar as sociedades democráticas. Ainda bem que isso não é sério e é passageiro.

quarta-feira, julho 28, 2010

O fracasso de um povo explícito nas paredes


Vários veículos divulgaram na semana passada, com maior ou menor grau, com mais ou menos espaço, a existência de um documentário chamado “Pixo”, dos diretores João Wainer e João T. Oliveira, que são irmãos.

Wainer é neto de Danuza Leão e do jornalista Samuel Wainer. Ex-fotógrafo da Folha de S. Paulo, é um profissonal da imagem com grande sensibilidade e apuro estético, sem falar no olhar jornalístico.

Seu documentário retrata aquele que considero o maior fracassado do povo e da sociedade brasileira: a educação que praticamente não existe nste país.

O roteiro até é simplório e basicamente mostra em pílulas um pouco da trajetória de William, um garoto de periferia de 18 anos, casado e com um filho, que, apesar de dizer fez até a 8ª série, na verdade é analfabeto.

Ele realmente chegou até a 8ª série do ensimo médio, mas é incapaz de ler a frase “um novo nome” pichada em uma parede de Osasco, onde mora.

A imagem é chocante. William tenta, mas não consegue ler. “Uma… renova…” Ele para e desiste.

A reprodução literal do diálogo, digamos assim, foi publicada pelo jornalista Fernando Barros e Silva em sua coluna na Folha de S. Paulo. ”

“Letra de fôrma, né, mano. Mas eu não entendo, truta. Passei oito anos na escola, tipo oitava série, e tipo nessas aí eu não entendo. Eu só consigo ler ‘pixo’. Agora essa letra aí eu não entendo. Sou meio analfabeto, mas pichação dá para entender.”

Mais do que qualquer governo, nós todos fracassamos. A sociedade atual legou o fracasso e o analfabetismo para as próximas gerações. Na verdade, desde os anos 70 o Brasil condena sua juventude à ignorância.

Mas nunca essa situação ficou tão explícita como no documentário “Pixo”. A fita é um exemplo eloquente, acabado e cru da ytragédia educacional brasileira e do atraso monstruoso que afeta o Brasil. É um retrato fiel da falta de perspectiva, qualquer uma, da nossa noção.

Fracassamos rendondamente na vida e na construção de um futuro. Com toda a Justiça seremos condenados à apodrecer na lata de lixo da história. Parabéns para todos nós.

segunda-feira, julho 26, 2010

Copa de 2014 na Inglaterra? Tomara


A Copa de 2014 começará no dia 10 de junho, com a anfitriã, a Inglaterra, enfrentando a Austrália no está de Wembley cada vez mais moderno e tecnológico. O Brasil, depois de penar nas eliminatórias, jogará no moderníssimo Warthouse Stadium, a moderníssima arena que substituiu Anfield Road, casa do Liverpool.

O cenário poderá ter algumas mudanças de personagens, mas não será muito diferente, já que o plano B da Fifa para a próxima Copa do Mundo já está pronto e com certeza será implementado.

As informações a respeito dos “progressos” da organização da Copa de 2014 no Brasil, não deixam dúvidas, segundo preocupante reportagem de Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo, publicada na última terça-feira.

Segundo os dirigentes da Fifa, “falta tudo” em relação a obras e garantias. O governo brasileiro nada fez e os governos estaduais muito menos, assim como o comitê organizador brasileiro – se é que ele existe.

O texto informa que o Tribunal de Contas da União (TCU) vê riscos enormes de descumprimento de prazos e que as obras brasileiras estão “impressionantemente atrasadas”.

Não bastasse isso, nos bastidores, dirigentes da Fifa dizem que “o evento no Brasil está se mostrando muitas vezes mais problemático e preocupante do que o africano, que teve problemas”.

Chade é correspondente do Estadão na Suíça e cobriu a Copa na África do Sul. Entra na sede da Fifa, em Zurique, sem ser anunciado e é cumprimentado por todos. Sabe muito bem o que escreve.

Já era uma tragédia anunciada a tal da Copa 2014, que agora virou bordão e moda na TV Globo, como se fosse a coisa mais importante de todos os tempos. A leniência, a desfaçatez, a incompetência e a corrupção estão dando a tônica de como será nos próximos meses discussão sobre essa questão.

De forma irresponsável, o país embarcou no insano projeto privado de meia dúzia de dirigentes brasileiros da pior espécie. Serão despesas bilionárias deixadas de forma deliberada pelo tal comitê. E ainda assim perderá a Copa.

É imperativo que o Brasil passe pelo supremo vexame de perder a Copa por incompetência e corrupção. Seria uma pequena esperança de que talvez algo mudasse em nosso país.

sábado, julho 24, 2010

Rock’n Roll All Day


O Dia Internacional de Rock, hojem 13 de julho, começou bem. Chuvam, trânsito caótico, centros de São Bernardo e Santo André intransitábeis pela manhã, eis que a rádio Kiss FM(102,1 MHZ), a única dedicada ao gênero na Grande São Paulo, mandou uma sequência matadora para aliviar a irritação:

- “Never Before” - Deep Purple

- “Sympton of the Universe”, - Black Sabbath

- “Salisbury, Uriah Heep

- “The Rover”, Led Zeppelin

- “Won’t Get Fooled Again”, The Who

- “Soul Survidor”, Roling Stones

- “Maybe I’m Amazed”, The Faces

O humor ficou bem melhor. Em minha lembrança pessoal, minha singela homenagem à data com alguns vídeos interessantes do YouTube do que de melhor se fez até agora em 2010 no rock:

Dream Theater - “Wither” - http://www.youtube.com/watch?v=-boKk8uhmcY

Gov’t Mule - “Broke Down on the Brazos” - http://www.youtube.com/watch?v=ofwJw64ohWA

Joe Bonamassa - “Mountai Time” - http://www.youtube.com/watch?v=YemxMvCGFb8&feature=related

Jeff Beck e Joss Stone - “People Get Ready” - http://www.youtube.com/watch?v=P7ECdYboOVA

Grand Funk Railroad - “Closer to Home” - http://www.youtube.com/watch?v=fyF5J7au1jE

Uriah Heep - “The Wizard” - http://www.youtube.com/watch?v=u0iuaxvkXv4&feature=related

Jorn Lande - “Song from Ronnie James” - http://www.youtube.com/watch?v=dEtyaC6ltQg

Ronnie James Dio - “All the Fools Sailes Away” - http://www.youtube.com/watch?v=K8AkUtGgLVA

The Who - “Old Red Wine” - http://www.youtube.com/watch?v=5lf_VxfZZ_Y&feature=related

quinta-feira, julho 22, 2010

Tempos de nostalgia


Nostalgia é um termo que normalmente remete a lembranças positivas. E lembranças positivas geralmente provocam sensação de bem-estar. Nostalgia faz bem, portanto.

Alguns nostálgicos adoram relembrar os tempos em que a música caipira era sinônimo de qualidade e pureza cultural, e não um pastiche colonizado do pior que a música country norte-americana produziu.

Outros adoram ressaltar as duvidosas qualidades musicais de ícones hippies do rock, como The Doors, Grateful Dead, Jefferson Airplane, Flying Burrito Brothers e outras coisas uns semelhantes da virada dos anos 60-70, em detrimento da música de qualidade de Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd, The Kinks, Black Sabbath, Deep Purple, Yes e muitos outros.

Claro, há ainda aqueles que não cansam de choramingar como era bom ver jogos do Santos de Pelé no Pacaembu, do Palmeiras de Ademir da Guia e da Academia no Parque Antártica, do São Paulo de Gérson no Morumbi, do Corinthians de Rivellino, do Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes…

E por incrível que pareça, ainda tem gente que gosta de lembrar como era bom o tempo em que existia o milagre econômico dos anos 70, de como era boa a vida no Brasil comandado com “autoridade” pelos militares, mesmo que fosse numa abjeta ditadura.

Nostalgia é um saco grande e generoso que aceita uma enormidade de conceitos e lembranças. E por mais esquisito que pareça, ainda há aqueles nostálgicos que gostam do tempo em que frequentavam centros acadêmicos infestados de estudantes pouco chegados aos livros e aos estudos, mas muito mais interessados em bordões de protesto ouvidos pela metade ou lidos em alguma orelha de livro ruim.

Esse pessoal leu pouco - na verdade, creio que não leu nada -, mas adora falar em ditadura do proletariado, em apropriação dos meios de produção, em abolição da propriedade privada, em controle da mídia, da imprensa e em restrição das liberdades política, de opinião e expressão, tudo em favor do combate “às elites, à burguesia e em favor do povo”.

É o mesmo pessoal que gosta de eventualmente discursar e reverberar ideias enterradas e sepultadas com a queda do Muro de Berlim. Por mais estranho que pareça, essas ideias ainda causam bem-estar, em alguns, por mais deslocadas que estejam. Que assim seja.

O que não se admite em pleno século XXI é que a nostalgia guie e influencie comportamentos, procedimentos e debates sobre assuntos relevantes na política e na economia - e até mesmo na vida cotidiana.

O PT é um exemplo de adaptação rápida e modernização de discurso após as mudanças de ventos dos últimos 20 anos. Mudou para melhor, tanto em termos práticos e pragmáticos como em conteúdo.

Libertou-se das algemas e das correntes ideológicas do passado e usou o que melhor existe na ideologia socialista e o que de melhor a esquerda produziu em termos de ideias e práticas administrativas para finalmente chegar ao poder no Brasil em 2002 - e fazer um governo incomparavelmente melhor e mais responsável do que qualquer outro anterior.

Portanto, a nostalgia política que resgata lembranças esfumaçadas de alguns conceitos, para a sorte da população brasileira, está restrita a guetos como PSOL, PCO e PSTU, enquanto que a moderna esquerda hoje é representada pelo PT, mesmo com tropeços políticos nos últimos anos.

Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, e Mário Reali, de Diadema, são representantes dessa modernidade, assim como Elói Pietá, ex-prefeito de Guarulhos, Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco, Aloizio Mercadante, candidato a governador de São Paulo pelo PT, José Eduardo Martins Cardozo, que é deputado federal, e muitos outros.

É uma nova geração de políticos comprometidos com ideais e conteúdos que fazem parte do que há de mais avançado no pensamento político-administrativo atual. É evidente que esse grupo de líderes políticos não tem a menor saudade do Muro de Berlim, ao contrário do que se observa no Itamaraty e em algumas assessorias no Palácio do Planalto.

Para mim, nostalgia é um sentimento que normalmente fica confinado nas primeiras páginas e só. De vez em quando é interessante rever as reprises da final da Copa de 1970, dos jogos do Brasil em 1982 e até mesmo da Copa de 1994.

No começo é nostalgia, mas depois a coisa se enquadra em seu devido lugar, vira mera curiosidade. Em vez de Pelé, Maradona e Zico, hoje temos Kaká, Robinho, Messi, Ozil, Villa, Rooney, Sneijder e Robben. É o que temos e não está ruim.

Quanto ao futebol de várzea, aplico a ele o mesmo conceito que está disseminado em relação ao futsal: é muito melhor praticar do que assistir. Em um campo de várzea, prefiro ficar no boteco tomando cerveja e jogando dominó. É bem mais divertido.

segunda-feira, julho 19, 2010

Contas públicas, contas de ninguém


Quem esperava um feriado morno em termos de notícias errou estrondosamente. Além da avalanche de narrações e supostas novidades sobre o caso que envolve o goleiro Bruno, do Flamengo – acusado de mandar matar a ex-amante –, eis que o Congresso Nacional divulga um estudo preocupante, que revela até que ponto chega a irresponsabilidade de parlamentares “bem intencionados” com as contas públicas.

O estudo revela que o rombo na Previdência Social pode aumentar mais com a aprovação da emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) que indexa os reajustes dos benefícios previdenciários ao aumento do salário mínimo.

Se a emenda estivesse valendo de 1998 a 2008, o déficit saltaria de R$ 48,5 bilhões – valor próximo ao estimado para este ano – para R$ 117,9 bilhões, aponta estudo do próprio Congresso Nacional.

De acordo com o texto, em 2008 as despesas com os benefícios (urbanos e rurais, sem considerar os assistenciais com idosos e deficientes), que foram de R$ 199,5 bilhões, chegariam à cifra de R$ 269 bilhões.

Os dados são do estudo “Salário mínimo e reajustes dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social- RGPS”, da consultora legislativa Sandra Cristina Filgueiras de Almeida.

Essa emenda é só mais um exemplo do desatino que domina o Congresso Nacional em ano de eleição, a julgar pela grande quantidade de projetos estapafúrdios que elevam absurdamente os gastos do governo central do Brasil, entre eles muitos que determinam reajustes salariais fora da realidade para servidores públicos.

Irresponsabilidade é pouco para qualificar esses “atos legislativos”.

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É cada vez mais deprimente os espetáculos em torno de casos policiais que provocam grande comoção pública, como foi o caso Isabela Nardoni e agora o caso que envolve o goleiro Bruno, do Flamengo.

Nada contra a cobertura da mídia, por mais que ela seja exagerada, mesmo que seja possível separar jornalismo, sensacionalismo e espetáculo. Faz parte da vida desde que o mundo é mundo. Quem não quiser ver/ler/ouvir, que mude de canal, desligue o aparelho ou deixe de comprar jornal.

Mas o que realmente incomoda é a malta de inúteis e vagabundos que adora comparecer à frente de delegacias e fóruns para xingar e atirar objetos em viaturas policiais como “protesto” contra os “monstros assassinos”.

E o pior é que pouca providência é tomada pelas autoridades para isolar os locais que abrigam, mesmo que temporariamente, os acusados. Policiais e presos são obrigados a atravessar um mar de gente sem nada para fazer para chegar a algum lugar.

Mas seria esperar muito de uma polícia que não usa a força para desbloquear ruas e vias tomadas por manifestantes. Pancada, só em gente que não merece, como sempre.

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Se alguém tinha dúvidas a respeito do fim cada vez mais próximo daquele que foi o principal jornal do ABCD, é só ler o detalhadíssimo estudo feito pelo jornalista Daniel Lima acerca da “política editorial” do veículo nos últimos seis meses. É nojento saber que tal publicação ainda circula nas bancas das sete cidades. Quem quiser ler o texto de Lima pode clicar aqui .

domingo, julho 18, 2010

A glorificação do fracasso


Glorificar o fracasso está em moda faz tempo por essas terras. É a eterna mania de valorizar cada vez mais os perdedores e ficar choramingando um passado remoto - e cada vez mais remoto.

O discursinho é cansativo e carregado de ressentimento, e ficva cada vez mais chato e rancoroso em tempos de Copa do Mundo.

Atinge gente importante, jonalistas respeitados, cronistas esportivos medíocres e gente comum cada vez mais incapaz de ler, interpretar e concluir por seus próprios cérebros.

A praga se reproduz rapidamente, com o louvor insuportável ao chamado futebol bonito - Copa do Mundo ruim é fértil em produzir esse fenômeno. E tome glorificação de fracassados, como as seleções da Hungria de 1954, da Holanda de 1974 e do Brasil de 1982.

Esse tipo de louvor seja necessário para preencher buracos em programações vazias de TV ou dar algum assunto para conversas chatas de bar. Até resistem ao tempo, mas não à realidade.

Desde sempre foi assim, futebol bonito é o que ganha. Jogo bonito, mas derrotado, serve apenas de rodapé nos livros de história. É mero apêndice histórico.

Jogo bonito é reflexo de um saudosismo doentio que refuta a modernidade e a evolução. É a reverência a um tempo romântico onde o futebol era jogado em câmera lenta, em preto e branco e com bola de couro que pesava três quilos.

Glorificar esse tempo romântico e criticar por criticar - ou melhor, apenas reproduzir esse discurso tosco - é fazer apologia do fracasso e ignorar as mudanças que ocorreram nos últimos 30 ou 40 anos.

É o mesmo fenômeno que ainda é verificado em gente que tem saudade do Muro de Berlim e do comunismo. É a apologia do fracasso.

sexta-feira, julho 16, 2010

A força da comunicação, intacta e influente


O mundo das pesquisas é fascinante para quem gosta de investigar e tentar enxergar aquilo que poucos conseguem ou se esforçam. Entretanto, na maioria dos casos as pesquisas servem tão e somente como braços para análises mais amplas, nunca podem ser tomadas pelo todo, sob risco de, mesmo corretas, induzirem a equívocos perigosos.

Entretanto, vejo com alegria e competência a análise de levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Meta, sob encomenda da Secom da Presidência da República, a respeito dos hábitos de comunicação do país.

A televisão é o mais abrangente meio de comunicação do País, visto por 96,6% da população brasileira. Supera, até com certa folga, o rádio, que vem a seguir com 80,3% de estimada presença nacional.

Os jornais atingem 46,1% dos brasileiros (mas apenas 24,7% deles são leitores diários) e as revistas, 34,9% – jogando por terra a falácia dos futuristas e dos detratores de que a imprensa acabou e que a mídia impressa não tem mais relevância.

A internet já é utilizada por 46,1% da população, com média de 16,4 horas semanais de utilização (o lazer é a principal finalidade de acesso para 46,3% dos internautas, enquanto 24,8% a utilizam principalmente para buscar informações, sendo que cerca de 47,7% deles costumam ler jornais, blogs ou notícias pela internet).

A pesquisa foi realizada no final de 2009 e início de 2010 junto a 12 mil pessoas, em 924 pontos amostrais. Mais informações por meio deste atalho – http://migre.me/T7vY.

E esta é para quem adora xingar jornalistas em fóruns desqualificados na internet. Estudo do grupo alemão GfK, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo e que há 23 anos atua no Brasil, mostrou que os brasileiros confiam mais nos jornalistas e publicitários em comparação com populações de outros países.

No Brasil, com 76% do índice de confiança dos cidadãos, os jornalistas conquistaram a 6ª posição; na avaliação mundial, os profissionais estão na 11ª colocação, com 41%.

O ranking nacional também foi melhor para os publicitários, que garantiram o 7º lugar, com 71%; internacionalmente, a categoria ficou na 15ª colocação, com 30%.

No cômputo geral, os bombeiros são apontados como os profissionais mais confiáveis, com 98% das menções entre os brasileiros e 94% entre as populações do resto do mundo.

No Brasil, eles são seguidos por carteiros (92%), professores do Ensino Fundamental e Médio (87%), médicos (87%), Exército (84%), organizações de proteção ao meio ambiente (80%) e pesquisadores de mercado (80%). A categoria com pior avaliação é a dos políticos, com 11% do índice de confiança no Brasil e 14% internacionalmente.

O estudo foi realizado no Brasil, em 15 países da Europa, nos EUA, na Colômbia e na Índia. Foram ouvidas 18.800 pessoas (1.000 no Brasil), com idades acima de 18 anos, entre os dias 1º e 29 de março de 2010.

terça-feira, julho 13, 2010

Coadjuvante não pode ganhar Copa (e nem os fracassados)


Copa do Mundo é coisa séria. Não é coisa para amadores. Times sem tradição são apenas coadjuvantes, quando muito cometem alguma zebra para que possamos dar algumas risadas, mas não podem ganhar o título. É contra as leis da natureza.

Por isso fiquei muito feliz com a eliminação de Gana. Time sem história, time sem qualidade, apenas correria e pontapés, como é típico do futebol africano. Saiu tarde da Copa do Mundo.

E também foi o destino do Paraguai, com certeza uma das três maiores porcarias do torneio. Cinco jogos, uma vitória, uma derrota e três empates. Não merece jamais disputar uma Copa do Mundo. Fora com os timinhos sem tradição. Copa do Mundo é coisa para time grande.

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O dunguismo morreu da pior forma possível, com uma derrota para lá de esquisita e com falha do melhor goleiro do mundo.

Ao contrário de 2006, quando jornalistas chegaram à beira do choro após a derrota contra a França, e exageraram na dimensão da tragédia, desta vez a eliminação nos campos da África foi recebida com mais serenidade.

Não existiu clima de tragédia – ainda bem –, mas a consternação ficou visível nos rostos dos torcedores. A seleção de Dunga era a melhor da Copa, mas sua superioridade não era tão grande.

Seus principais atores resolveram sumir e se esconder no torneio, enquanto que quem não falhava e não poderia falhar errou feio, como aquele que supostamente seria o melhor goleiro do mundo.

Não faltou garra, não faltou vontade. O que não existiu foi inteligência, futebol e comprometimento em jogar bem. Robinho, Kaká e Luís Fabiano não jogaram nada, transbordaram arrogância, empáfia e soberba. Só pensaram em si mesmos. Não passam de fracassados.

Dunga teve seus erros, muitos méritos, mas acabou traído pelos seus “craques”, que preferiram se esconder. A tal da união simplesmente era uma falácia. Egoístas e falastrões, jogaram para a plateia e deram vexame.

Perder faz parte, mas ter dignidade também. Os fracassados Robinho, Kaká e Luís Fabiano e o descerebrado e desequilibrado Felipe Melo não tiveram.

segunda-feira, julho 12, 2010

Insanidade tributária


De tempos em tempos emergem na imprensa alternativa expoentes da extrema esquerda resgatando conceitos há muito em desuso, esquecidas das páginas dos principais veículos.

Nada contra o ressurgimento desses personagens, até porque quanto mais debate, melhor. O que me espanta e me preocupa é a disseminação de conceitos equivocados e erros cometidos em excesso ao longo da história, mas que, para alguns desavisados, acabam se tornando “verdade histórica”. São conceitos, em sua maioria, fora de moda e enterrados pela história.

Na atual edição impressa do ABCD Maior temos na página 2 um artigo assinado pelo jornalista Altamiro Borges, que é filiado ao PCdoB e editor de vários veículos de esquerda.

Não o conheço pessoalmente, mas sei que é um profissional capaz e inteligente, mas é evidente que a ideologia e a militância contaminam seus textos - o que não os invalida.

Ele defende em seu artigo que a carga tributária brasileira não é excessiva e defende com veemência a implantação imediata do Imposto sobre Grandes Fortunas, em especial nos termos observados no projeto da deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS).

O texto é equivocado do começo ao fim, e custo a crer que Borges seja desinformado ao ponto de querer fazer o leitor crer que o brasileiro paga pouco imposto e que o esquema atual em vigor é injusto porque não taxa como deveria taxar parte da sociedade. Sim, por incrível que pareça, o jornalista do PCdoB escreveu isso.

Não há tese, texto, estudo ou numeralha com alguma credibilidade que sustente o que prega Altamiro Borges. E a realidade é a primeira a derrubá-lo.

É só fazer uma rápida consulta a qualquer dono de boteco que circunde a casa do jornalista, ou o seu trabalho, para saber o peso da carga tributária brasileira. Se ele preferir, olhe o próprio contracheque, se for assalariado, e observe a quantidade de descontos nos seus vencimentos.

Ignorar a carga tributária monstruosa que recai na cabeça da sociedade não só é insano, como irresponsável. E não adianta usar os adjetivos antiquados de sempre contra os supostos inimigos de sempre - a mídia, a poderosíssima entidade capaz de transformar a realidade no que quiser e de eleger quem quiser…

Carga tributária chegando a 40% e descontrole eterno das contas públicas, em todos os níveis - mais a criação de inúmeros gastos novos por parlamentares igualmente irresponsáveis - são uma receita infalível para o retorno da inflação alta e para jogar uma âncora no crescimento do país.

Ironias à parte, defender carga tributária na estratosfera é demonstrar praticamente nenhum conhecimento de economia e contas públicas. É fechar aos olhos para a arrecadação voraz de um Estado que não sabe, não se esforça e se recusa a controlar gastos - e que gasta pessimamente o que arrecada, seja comando pela esquerda ou pela direita.

E nem entro no mérito no imposto para as fortunas, sobre a sua conveniência atualmente. A questão não é essa. Mais imposto numa carga tributária indecente como a brasileira, é ruim para ricos e péssimo para pobres.

Em vez de discutir uma reforma tributária adequada ao século XXI e que não esfole pobres, ricos, classe média, trabalhadores e empresários, parte do pensamento político brasileiro atual defende o indefensável. Continuamos perdendo cada vez mais tempo com isso.

sábado, julho 10, 2010

Crônica da vida inviável

A paisagem do centro de São Bernardo está mudando rapidamente, e vai mudar ainda mais nos próximos dois anos. São mais de 20 edifícios ou condomínios inaugurados ou em vias de ser entregues na ponta que começa no Paço Municipal.

O mais ambicioso projeto é o Domo, atrás do Shopping Metrópole, que pretende ser um dos maiores complexo residenciais e comerciais da Grande São Paulo.

Na avenida Armando Italo Setti e em suas travessas brotam a cada semestre novos empreendimentos e novas torres. O mesmo ocorre às margens da agora renovada avenida Pery Ronchetti.

O “progresso” da construção civil é alardeado pela prefeitura e por diversos agentes econômicos. Agora o ABCD – destaque para São Bernardo – é o novo paraíso socioeconômico da região metropolitana. Pena que o tal do progresso ainda está bem longe da infraestrutura.

A malha viária do ABCD há muito tempo não suporta mais o volume de tráfego que insiste em entupir a região. O enorme corredor Brigadeiro Faria Lima-Pereira Barreto-Ramiro Colleoni-Dom Pedro II-Goiás é um imenso congestionamento nas manhãs e finais de tarde.

O outro ramal deste corredor – Brigadeiro Faria Lima-Lucas Nogueira Garcez-Piraporinha-Fabio Eduardo Ramos Esquível-Corredor ABD-Prestes Maia-avenida dos Estados – é uma fila eterna de veículos ao longo de todo o dia, fazendo com que uma ida do centro de São Bernardo a Piraporinha (meros cinco quilômetros) seja percorrido em inacreditáveis 45 minutos.

Os principais corredores de trânsito enfartaram e não mais conseguem dar vazão. O ABCD para todos os dias, como a capital, com o agravante de que não alternativas. Não dá para fugir dos congestionamentos.

A avenida Lauro Gomes continua sendo uma avenida fantasma, com sua enormidade de semáforos demorados.

Deveria ser uma alternativa à estreita, inadequada e entupida Senador Vergueiro, em São Bernardo, mas continua solenemente ignorada, até mesmo pela prefeitura. A outra pista, do lado de Santo André, também permanece ignorada.

A rua Caminho do Pilar, que poderia ser uma alternativa para fugir da avenida Pereira Barreto, além de ser uma via desconhecida para a maioria dos motoristas, também é inadequada, por ser uma via de tráfego local, incapaz de suportar trânsito pesado.

O mesmo pode se dizer da rua das Figueiras, da avenida Santos Dumont e das avenidas estreitas que dão acesso à Vila Pires e bairros da região, em Santo André. Todas estão entupidas durante quase todo o dia. Não há alternativas.

Enquanto a vida cotidiana fica inviabilizada no ABCD, somos obrigados a ouvir, de tempos em tempos, propaganda dos projetos mirabolantes e mentirosos de alteração na infraestrutura viária da região.

Onde está o tão alardeado plano famoso de reestruturação viária de São Bernardo, financiado com dinheiro japonês e que seria a grande marca do governo William Dib (PSDB)?

Onde estão as obras? Cadê o projeto? Cadê o dinheiro? É por essas e muitas outras mentiras e promessas não cumpridas que a vida no ABCD está inviável.

sexta-feira, julho 09, 2010

Saudade da Copa de verdade e o lixo moralista

Copa do Mundo boa é aquela que tem jogos bons, só clássicos, só times de tradição. Desde 1982 a competição foi avacalhada com o aumento do número de seleções, com a participação progressiva de lixos como as seleções africanas, asiáticas e centro-americanas.

Nada mais desolador e nojento do que assistir a uma partida de Honduras, uma equipe que dificilmente jogaria a quarta divisão paulista. E o que dizer de Coreia do Norte e Nova Zelândia, times amadores que cairiam na primeira fase da Copa Kaiser de futebol de várzea.

Em relação aos times africanos, o maior exemplo é Costa do Marfim, time ridículo com um astro e 22 monstros correndo atrás da bola e desferindo pontapés nos adversários, sem técnica nem tática.

Copa boa é Copa sem essas tranqueiras, só com europeus e sul-americanos, com três vagas para o resto do mundo para servirem de sparrings e sacos de pancadas. Só assim o futebol de seleções seria verdadeiramente resgatado.

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A Justiça se fez nesta Copa horrenda, de times péssimos e futebol inexistente. A violenta Costa do Marfim foi despachada e os Estados Unidos, uma nação que despreza o futebol, também.

Torci muito contra os norte-americanos, povo que acha que beisebol é esporte de gente e as agressões do tal futebol americano são “jogadas”.

O avanço desse timeco seria a mesma coisa que o time de rúgbi brasileiro, esporte que inexistente o Brasil (ainda bem), chegasse às semifinais do Campeonato Mundial).

Se esse povinho despreza o esporte mais popular do mundo não merece o meu respeito.

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Leio na Folha de S. Paulo, na carta de um leitor, que a seleção brasileira foi eliminada por culpa será da imprensa e da mídia. Para meu espanto, essa imbecilidade homérica foi escrita por um tonto que se diz um professor universitário de 61 anos.

Faz tempo que um monte de acéfalos diz por aí que o Brasil precisa de jornais e jornalistas melhores. Eu devolvo, afirmando sem dúvidas de que precisamos de leitores melhores.

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Outra pérola da Folha é a coluna do ombudsman, agora no comando de uma mulher, Suzana Singer, reverberando reclamações de assinantes e leitores a respeito da publicação, no caderno Ilustrada, de uma reportagem sobre a história dos quadrinhos eróticos no Brasil, e de algumas ilustrações consideradas inapropriadas.

É inacreditável que um dos maiores jornais do país dê espaço para esse tipo de texto estapafúrdio, e ainda mais de autoria de um profissional do próprio veículo, para atirar contra a liberdade de expressão, opinião e imprensa.

Quem se sentiu incomodado que compre outro jornal, que reclame no Procon, que vá à Justiça ou que reclame com papa, ou com qualquer outro mafioso do mesmo naipe.

O que não dá é ficar lendo esse tipo de lixo moralista e retrógrado que anda empesteando as página daquele que se diz o “jornal do futuro” e “um dos maiores do Brasil”.

Jornal que precisa de ombudsman demonstra claramente que não confia nos seus profissionais. Jornal que precisa de ombudsman não passa de uma firula, de uma peça de marketing.

Jornal que precisa de ombudsman descamba muito rápido para a demagogia. E rapidamente sua redação perde confiança na sua direção, tanto empresarial como jornalística.

Não gostou do programa? Mude de canal. Não gostou da reportagem? Não leia ou compre outro jornal. Se for escrever para reclamar, o faça com inteligência.

Não despeje lixo moralista nas caixas postais eletrônicas dos jornalistas e jamais use a muleta de que “meus filhos leem o jornal e me sinto aviltado com isso”. Inteligência e comunicação são vias de mão dupla.

sábado, junho 26, 2010

Humor não é jornalismo, mas não pode sofrer agressão


Humor não é jornalismo. Portanto, integrantes de programas ruins como “CQC” e “Pânico na TV” podem ser qualquer coisa, menos jornalistas, independente do tipo de ação que pratiquem.

O “CQC” tenta ser um pouco mais sério, mas o que faz está longe de ser jornalismo, é humor de gosto duvidoso, é um programa inteiro dedicado a sacanear os outros, a fazer rir diante do constrangimento alheio - embora muito políticos mereçam ser ridicularizados, como ocorre frequentemente no prgrama.

O baixo nível predomina neste programa da TV Bandeirantes. Apenas um quadro merece respeito, por ser realmente de prestação de serviços, que é o “Proteste Já”, que tenta resolver e obter compromisso de autoridades a repseito de problemas prosaicos e cotidianos, com falta de ônibus, mau estado de escolas, etc.

O programa que fizeram em Barueri, retratando o sumiço de uma TV nova doada pelo programa a uma escola da prefeitura, teve repercussão nacional.

Por isso tudo é que a prefeditura de São Bernardo precisa ter muito cuidado para não ser alvo de chatota - com razão - ao ser abordada pela equipe do “CQC” que faz o quadro “Proteste Já”.

Uma dessas equipes acusa a Guarda Civil da cidade de agressão e abordagem desrespeitosa. Leiam em http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/755450-danilo-gentili-diz-que-foi-agredido-por-guardas-em-gravacao-do-cqc.shtml.

Se realmente houve a agressão aos humoristas travestidos de jornalistas quando faziam gravações a respeito de uma escola localizada em área de risco, é caso de demissão sumária dos guardas envolvidos, além de uma investigação interna.

É caso também para uma cobrança forte ao comando da Guarda Civil de São Bernardo e ao secretário municipal responsável pela corporação.

O prefeito Luiz Marinho é sério e não pode passar pelo mesmo constrangimento que Rubens Furlan, de Barueri, que foi ridicularizado nacionalmente ao proferir impropérios e passar por bobo ao desancar para a câmera todos os integrantes do programa.

Que essa questão seja tratada de forma madura e profissional, por mais que os humoristas não sejam jornalistas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Exército dunguista é paranoico e não tem bom senso


Primeiro foi Dunga se comportando de forma vexatória na coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim, xingando jornalistas. Agora é Kaká que se acha perseguido pelo jornalista Juca Kfouri “porque sigo Jesus Cristo”.

A imprensa em geral já despreza os rompantes de má educação de Dunga e considera seus “soldados” apenas como um bando de jogadores mimados. E Kaká, em entrevista nesta terça-feira, comprovou isso, ao choramingar respondendo a uma pergunta de André Kfouri, da ESPN e filho de Juca.

O camisa 10 demonstra cada vez mais que é desqualificado. É incapaz de entender a função de um jornalista. Se fosse um moleque de 18 anos, era compreensível, mas Kaká é profissional há dez anos e um dos mais importantes da atualidade no mundo.

Se não é capaz de compreender o que significa o trabalho jornalístico, então não há salvação: não passa de um analfabeto funcional.

Na falta de conteúdo e de inteligência, Kaká se apega à única muleta que sobra, a paranoia de que é perseguido porque é evangélico, porque “segue Jesus Cristo”. Atribui a sua incapacidade de ouvir críticas ao fato de ser religioso. Patético.

Juca Kfouri apenas mencionou em sua coluna o que ouviu de suas fontes dentro da seleção ou no entorno: que Kaká ainda sente dores e que corre risco de encerrar a carreira prematuramente por conta de problemas no púbis e no quadril, como o tenista Gustavo Kuerten.

A falta de conteúdo de Kaká é assustadora, assim como seu fanatismo religioso. Esse tipo de gente, e especialmente os evangélicos, acreditam que são especiais e superiores apenas e tão somente por serem religiosos, por “seguirem Jesus”.

É claro que não são - aliás, para mim são exatamente o contrário, não são melhores do que ninguém, são bem piores, mas essa é outra discussão.

Aprovei a decisão de Dunga de trancar a seleção e de cortar privilégios de certas emissoras de TV e de certos jornalistas. Entretanto, é lamentável a falta de conteúdo, inteligência e discernimento revelada pelo exército dunguista.

quinta-feira, junho 24, 2010

Fim dos direitos autorais e estímulo à pirataria


O governo brasileiro pode dar um passo importante para legalizar a pirataria de obras de arte, ou pelo menos abrandar a intensidade do crime. É o que disse o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a um repórter da Folha.com, antiga Folha Online,o braço da internet do jornal Folha de S. Paulo.

Ao falar sobre as bases de uma nova lei de direito autoral, Ferreira acena com a possibilidade de descriminalizar o ato de copiar um CD ou DVD. “Queremos um sistema mais aberto. Porque mesmo que não houvesse o mundo digital, a internet, a nossa lei seria muito ruim. Ela não é capaz de garantir o direito do criador porque o sistema de arrecadação de direitos é obscuro, sem nenhuma transparência.”

“Além disso, a lei tem aspectos caricaturais”, continua o ministro. “ A cópia individual, por exemplo, não é permitida. Quem compra um cd não pode, pela lei, copiá-lo para o próprio ipod. Uma editora que não queria reeditar um livro, algo normal, torna o livro indisponível porque nem alunos nem professores podem fazer cópia. Isso contraria a tendência do mundo inteiro."

A íntegra da entrevista está no seguinte link: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/750740-copiar-cd-deixa-de-ser-crime-de-acordo-com-nova-lei-de-direito-autoral.shtml.

Discordo das ideias do ministro contidas na entrevista. Se do jeito que está a pirataria já engoliu o mercado, praticamente dizimando o setor musical e colocando em extinção as videolocadoras, com o fim da criminalização da cópia os produtos piratas tomarão conta do que resta e os artistas-autores vão sumir.

terça-feira, junho 22, 2010

Higienização social em Santa Cecília



A repercussão foi mínima, apesar de o assunto ser estapafúrdio. Estampado no caderno Cotidiano, da Folha de S. Paulo, na semana passada, eis que comerciantes do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, querem que entidades assistenciais parem de alimentar moradores de rua no bairro.

Como já é tradicional, várias entidades, sobretudo no inverno, realizam uma nobre atividade de servir sopa gratuitamente no centro da cidade, naquela região, que fica entre Santa Cecília e Barra Funda, na zona oeste. Geralmente a fila da sopa fica sob o Minhocão ou próximo à igreja de Santa Cecília.

A alegação dos comerciantes: cada dia chegam mais mendigos, expulsos das áreas da Luz e de Campos Elíseos, a chamada Cracolândia, devido à “ação firme da polícia e da prefeitura para revitalizar a área”.

Sem o menor pudor, os tais comerciantes e representantes do Conseg (Conselho de Segurança) do bairro pedem o fim das ações humanitárias e a presença mais constante de viaturas da Polícia Militar.

As pobres vítimas empresariais afirmam que os moradores de ruas espantam os clientes, sujam as calçadas das lojas e praticam pequenos furtos. Estão exigindo o que já acontece de fato na Luz e em Campos Elíseos, a higienização das áreas, sem a menor preocupação com os moradores de rua e com as vítimas do crack.

E lamentavelmente ocorre o que o padre Júlio Lancelotti, que considero um homem inteligente, íntegro e prestativo, mas bastante equivocado, apregoava: a gestão tucano-demo de José Serra e Gilberto Kassab pratica a higienização do centro da cidade, expulsando moradores de rua da área da Cracolândia, que supostamente estaria sendo revitalizada, e negando-lhes qualquer assistência.

Os planos de revitalização daquela área, independente da qualidade – se são bons ou não – precisam ser implantados, mas a custo social zero.

O equívoco de Lancelotti foi se opor de forma radical a qualquer tipo de obra ou programa de reforma urbana. Prefere que os mendigos permaneçam eternamente nas ruas, como se isso fosse um “direito”. Será que perguntaram aos mendigos se eles querem ter o direito de ficar na miséria absoluta e total?

O fato que é a atitude dos comerciantes de Santa Cecília revela a falência da administração Kassab como um todo, já que nunca foi capaz de oferecer um mínimo de assistência social a moradores de rua.

E também revela como São Paulo há muito tempo deixou de ser uma cidade acolhedora e gentil, como ainda se propagandeia no Brasil e no exterior.

segunda-feira, junho 21, 2010

Dunga finalmente enfureceu o Olimpo


E finalmente o técnico Dunga tirou a TV Globo do sério. Desde a sua estreia no comando da seleção brasileira ele entra atritos periódicos com a imprensa e com a emissora carioca, que paga muito caro pelos direitos de transmissão internacional dos jogos e competições internacionais – o que não garante exclusividade na cobertura jornalística, o que seria absurdo.

O técnico, aparentemente, elegeu a imprensa como inimiga como estratégia pensada e premeditada. Criou inimigos para justificar uma suposta “união” de seus convocados e uma exigência de maior comprometimento com sua “família”.

A postura intransigente e azeda com a imprensa teve, no início, um único ponto positivo: o fim dos privilégios que a CBF concedia à TV Globo na cobertura da seleção, seja com entrevistas exclusiva, seja com acesso total às concentrações.

A medida enfureceu o comando esportivo da emissora, que desde sempre teve dificuldades para separar entretenimento, jornalismo sério e exclusividade ilimitada.

Entretanto, em nome das boas relações comerciais entre a emissora e a CBF, executivos e jornalistas da TV Globo engoliram as provocações, malcriações e restrições impostas por Dunga – outros veículos do grupo, como o portal GloboEsporte e o jornal O Globo, foram liberados para bater à vontade no técnico.

A postura intransigente e belicosa acabou se estendendo a todo e qualquer jornalista. O mal-estar foi crescendo desde 2006 e chegou aos limites do insuportável em 2009, na Copa das Confederações, na mesma África do Sul.

A crise foi contornada temporariamente, com Dunga maneirando e até aceitando sem rosnar algumas perguntas. Mas tudo azedou de novo no Qatar, após o jogo contra a Inglaterra, no final do ano passado.

Dunga odeia os jornalistas. Se criou uma guerrinha de forma premeditadamente, parece que agora ele acredita piamente na lenda que inventou.

As provocações ironias e xingamentos que ele proferiu na entrevista coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim constrangeram todos, de técnicos de TV a companheiros de comissão técnica.

Distribuiu patadas e respostas atravessadas aos montes e balbuciava palavrões o tempo todo fora do microfone, como uma “terapia” para conseguir ouvir as perguntas nem tão ofensivas assim.

Só que o microfone da mesa captou os palavrões. A indignação foi geral. Foi tão grande que a TV Globo fez questão de levar ao ar um editorial dentro do “Fantástico” na noite de domingo com críticas duras a Dunga, condenando seu comportamento e exigindo respeito.

Jamais a emissora fez tal coisa, fosse quem fosse o técnico ou celebridade esportiva ou do mundo do entretenimento.

Dunga aparentemente é inteligente, mas parece incapaz de entender a função de um jornalista – justo ele, que foi comentarista da TV Bandeirantes em 2006, na Copa da Alemanha.

Jornalista até pode torcer, mas relata fatos e os comenta, antes de mais nada. E o técnico conhece a maioria dos jornalistas brasileiros há quase 20 anos, desde a Copa de 1994.

Vai conseguir deixar a seleção brasileira pela porta dos fundos, mesmo que seja campeão do mundo. Nada mais justo.

domingo, junho 20, 2010

Um poeta brasileiro negro na mira do Nobel da Paz


Uma grata surpresa na última segunda-feira, dia 14 de junho, nas páginas da Folha de S. Paulo: uma interessante entrevista com o poeta, dramaturgo e artista plástico brasileiro Abdias Nascimento.

Aos 96 anos de idade, este paulista de Franca é um dos mais respeitados militantes do movimento negro do Brasil e foi indicado para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz de 2010.

Pouco conhecido do grande público, é considerado um dos pioneiros da luta contra o preconceito racial no Brasil e é responsável pela criação, entre outras coisas, do Teatro Experimental do Negro, em 1944, com fortes críticas ao racismo então predominante na sociedade. Não bastasse isso, ainda foi senador por duas vezes pelo PDT.

Vale a leitura, pela importância e pela mensagem de alguém que dedicou a vida a uma causa. Discordo veementemente do radicalismo dele, além de sua defesa intransigente da política de cotas para negros, mas a sua classe, a sua inteligência e a sua lucidez são um exemplo para qualquer pessoa que se importa com o Brasil e com a redução das desigualdades por aqui.

E também é um exemplo para os pseudointelectuais nacinais que vivem pendurados nas sinecuras do Estado e nada produzem.

sábado, junho 19, 2010

Será o fim de mais uma aventura?


No final do ano passado comentei por aqui sobre a legião de aventureiros que acham a comunicação uma área frutífera e com dinheiro sobrando para que possam brincar de “editores” ou “publishers” e usufruir os “status” que a atividade supostamente dá.

Só que o setor é hostil demais a aventureiros. E mais ainda no ABCD. E o mercado, infelizmente, confirma essa tese. Mais uma boa ideia, mas pessimamente executada, foi para o lixo.

Os parceiros locais da Rede Bom Dia de jornais decidiram abandonar o negócio, cansados da falta de faturamento e de gastos altos para manter o Bom Dia ABC.

A crise do jornal tenta ser contornada com a rede tentando assumir as operações da franquia na região temporariamente, mas sem garantir a sua continuidade. Todos os funcionários foram demitidos e os antigos donos, que têm também uma importante gráfica em São Bernardo, se retiraram do negócio.

Gente ligada ao empresário J. Hawilla, dono da Traffic e da Rede Bom Dia, recrutou alguns dos demitidos, no esquema free-lance, para manter um jornal em circulação ao menos por uma semana, quando se espera que uma decisão definitiva seja tomada.

O destino do Bom Dia ABC é o mesmo do Hoje São Bernardo, que vaga como um fantasma nas bancas de jornal da cidade (será que ainda existe?), pois também foi criado por gente que não é do ramo. Destino previsível, mas lamentável.

É sempre ruim quando uma publicação afunda, ainda mais numa região carente de informação qualificada e ainda dominada, ao menos em parte, por um jornal em franca decadência financeira e editorial, mas ainda com uma marca forte, como o Diário do Grande ABC, que caminha firme e forte para a irrelevância, para se tornar um outro fantasma.

Concorrência é sempre bom, e o leitor ganha com mais opções. Pena que a procura única e exclusiva por lucro fácil e rápido enterre muito rápido as boas ideias.

Torci bastante pelo sucesso do Bom Dia ABC, pois foi um impulso interessante e necessário para investimentos em comunicação. Entretanto, temia pela continuidade justamente pela pouca segurança que o projeto passava.

Havia consistência editorial - de longe era o melhor jornal diário da região - mas o projeto era frágil em termos de conceito empresarial, ainda mais em uma área onde o mercado publicitário é arisco e concentrado. Em resumo, faltava base para manter a ideia a longo prazo.

Com os problemas enfrentados nesta semana, quando esteve à beira da extinção - problema que ainda não foi afastado, pelo contrário - o Bom Dia ABC corre o risco de virar mais um ectoplasma nas bancas.

E o que dizer da revista LivreMercado, fundada e administrada pelo jornalista Daniel Lima, adquirida por Walter Santos, especialista em recuperação judicial com sua empresa Best Works? Em suas mãos, houve mudança gráfica e de projeto editorial, o que piorou o produto, que também perdeu relevância.

Agora pertence ao grupo que edita o Hoje São Bernardo, o que nos faz supor que possa ter o mesmo destino do jornal do grupo que um dia foi diário: a irrelevância.

A imprensa brasileira sempre foi palco para a exibição de aventureiros ou de gente interessada em fazer do veículo de comunicação apenas um “facilitador” para outros negócios. Geralmente os aventureiros não duram muito e acabam saindo do negócio.

O empresário baiano Nelson Tanure é um exemplo. Fez fortuna atuando em diversas áreas, especialmente na área de transporte marítimo e de estaleiros.

Com um estilo agressivo e contrário às leis trabalhistas – diz a quem quiser ouvir que não acredita na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) – adquiriu empresas quebradas, isolou a parte podre e sugou ao máximo a parte saudável.

Tanure montou um pequeno império de comunicação, com jornais, revistas e editoras, império este que está se esfarelando – o octogenário Gazeta Mercantil, que foi o mais importante jornal de economia da América do Sul, morreu em suas mãos em maio de 2009; o Jornal do Brasil é apenas um fiapo de sombra do que já foi.

Comunicação, definitivamente, é um setor hostil aos aventureiros.
Crise de criatividade


A choradeira dos jornalistas esportivos em relação aos treinos da seleção brasileira é resultado de anos de aviltamento da profissão e do baixo nível de quem trabalha nesse ramo nobre.

Falta formação, falta informação e falta inteligência. A seleção está fechada e os jornalistas gritam porque não têm acesso aos jogadores, à comissão técnica e a toda uma sorte de fofocas e mentiras que sempre foram publicadas neste meio.

A cobertura da Copa do Mundo de 2006 foi o maior exemplo do baixo nível que predomina em nossa imprensa esportiva. Havia acesso às informações, mas versões e fofocas predominavam em relação à verdade.

A grande maioria dos jornalistas fez questão de não deixar que os fatos se interpusessem às versões estapafúrdias. O resultado é a vingança de Dunga, que trancou a seleção e deixou a imprensa descoberta.

Dunga não tem ideia de como fez bem à imprensa com seu comportamento belicoso e autoritário. Expôs a fragilidade dessa cobertura e a falta de criatividade dos jornalistas.

E por falar em falta de criatividade e competência, fazia tempo que não leia crítica à imprensa tão contundente quanto à feita por Daniel Lima em seu Capital Social na internet. Leia aqui: http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/jornalismo-condicionado-produz-pauta-de-acordo-com-publicidade/

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Sempre na época de Copa do Mundo aparecem os chatos de sempre que bradam contra a “alienação” do futebol, do “patriotismo” de ocasião e do fato de que a seleção brasileira não representa mais “o povo”, entre outras sandices.

É gente que que fica tentando esgrimir argumentos ruins para torcer contra o Brasil e por outras seleções. A pauta é mais do que batida, mas tem sempre algum esperto que acha que vai “abafar” e pubica tal reportagem estapafúrdia.

Tudo bem, respeito o direito de torcer contra, pela Argentina, pelo Iêmen, pela Nova Zelândia. Faz parte do futebol e da democracia. Mas dou muita risada com os argumentos insanos de quem decide torcer contra.

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Frases que merecem ser registradas e guardadas:

“Não gosto nada da ideia de nos tornarmos uma nação de blogueiros. Isso seria um retrocesso. Sou a favor de que façamos tudo o que pudermos para ajudar os jornais a encontrar maneiras de se viabilizarem economicamente cobrando por conteúdo.”
Steve Jobs, executivo-chefe da Apple, na conferência D8, organizada pelo Wall Street Journal

“O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.”Juca Ferreira, Ministro da Cultura

“Vejo o Congresso Nacional como um bando de frouxos.”Zezé Di Camargo, cantor e compositor, em entrevista ao Jornal da Tarde

“O empresário tem de saber que pode contratar alguém sem o risco de ser roubado pelo empregado, e o empregado precisa saber que pode ser contratado com a segurança de que receberá seu salário e não será escravizado. Sem essas instituições, não há mercado. As instituições políticas, em certa medida, confundem-se com as econômicas porque também precisam garantir uma ordem legal homogênea, em que a lei seja aplicada a todos. O importante não são leis duras, mas leis que valham para todos. Há países com punições duríssimas contra roubo, como cortar a mão fora, mas a lei não vale para a elite dirigente, que pode esbaldar-se roubando quanto quiser sem perder mão nenhuma.”
Daron Acemoglu, economista turco do MIT, na revista Veja