Será o fim de mais uma aventura?
No final do ano passado comentei por aqui sobre a legião de aventureiros que acham a comunicação uma área frutífera e com dinheiro sobrando para que possam brincar de “editores” ou “publishers” e usufruir os “status” que a atividade supostamente dá.
Só que o setor é hostil demais a aventureiros. E mais ainda no ABCD. E o mercado, infelizmente, confirma essa tese. Mais uma boa ideia, mas pessimamente executada, foi para o lixo.
Os parceiros locais da Rede Bom Dia de jornais decidiram abandonar o negócio, cansados da falta de faturamento e de gastos altos para manter o Bom Dia ABC.
A crise do jornal tenta ser contornada com a rede tentando assumir as operações da franquia na região temporariamente, mas sem garantir a sua continuidade. Todos os funcionários foram demitidos e os antigos donos, que têm também uma importante gráfica em São Bernardo, se retiraram do negócio.
Gente ligada ao empresário J. Hawilla, dono da Traffic e da Rede Bom Dia, recrutou alguns dos demitidos, no esquema free-lance, para manter um jornal em circulação ao menos por uma semana, quando se espera que uma decisão definitiva seja tomada.
O destino do Bom Dia ABC é o mesmo do Hoje São Bernardo, que vaga como um fantasma nas bancas de jornal da cidade (será que ainda existe?), pois também foi criado por gente que não é do ramo. Destino previsível, mas lamentável.
É sempre ruim quando uma publicação afunda, ainda mais numa região carente de informação qualificada e ainda dominada, ao menos em parte, por um jornal em franca decadência financeira e editorial, mas ainda com uma marca forte, como o Diário do Grande ABC, que caminha firme e forte para a irrelevância, para se tornar um outro fantasma.
Concorrência é sempre bom, e o leitor ganha com mais opções. Pena que a procura única e exclusiva por lucro fácil e rápido enterre muito rápido as boas ideias.
Torci bastante pelo sucesso do Bom Dia ABC, pois foi um impulso interessante e necessário para investimentos em comunicação. Entretanto, temia pela continuidade justamente pela pouca segurança que o projeto passava.
Havia consistência editorial - de longe era o melhor jornal diário da região - mas o projeto era frágil em termos de conceito empresarial, ainda mais em uma área onde o mercado publicitário é arisco e concentrado. Em resumo, faltava base para manter a ideia a longo prazo.
Com os problemas enfrentados nesta semana, quando esteve à beira da extinção - problema que ainda não foi afastado, pelo contrário - o Bom Dia ABC corre o risco de virar mais um ectoplasma nas bancas.
E o que dizer da revista LivreMercado, fundada e administrada pelo jornalista Daniel Lima, adquirida por Walter Santos, especialista em recuperação judicial com sua empresa Best Works? Em suas mãos, houve mudança gráfica e de projeto editorial, o que piorou o produto, que também perdeu relevância.
Agora pertence ao grupo que edita o Hoje São Bernardo, o que nos faz supor que possa ter o mesmo destino do jornal do grupo que um dia foi diário: a irrelevância.
A imprensa brasileira sempre foi palco para a exibição de aventureiros ou de gente interessada em fazer do veículo de comunicação apenas um “facilitador” para outros negócios. Geralmente os aventureiros não duram muito e acabam saindo do negócio.
O empresário baiano Nelson Tanure é um exemplo. Fez fortuna atuando em diversas áreas, especialmente na área de transporte marítimo e de estaleiros.
Com um estilo agressivo e contrário às leis trabalhistas – diz a quem quiser ouvir que não acredita na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) – adquiriu empresas quebradas, isolou a parte podre e sugou ao máximo a parte saudável.
Tanure montou um pequeno império de comunicação, com jornais, revistas e editoras, império este que está se esfarelando – o octogenário Gazeta Mercantil, que foi o mais importante jornal de economia da América do Sul, morreu em suas mãos em maio de 2009; o Jornal do Brasil é apenas um fiapo de sombra do que já foi.
Comunicação, definitivamente, é um setor hostil aos aventureiros.
Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
sábado, junho 19, 2010
Crise de criatividade
A choradeira dos jornalistas esportivos em relação aos treinos da seleção brasileira é resultado de anos de aviltamento da profissão e do baixo nível de quem trabalha nesse ramo nobre.
Falta formação, falta informação e falta inteligência. A seleção está fechada e os jornalistas gritam porque não têm acesso aos jogadores, à comissão técnica e a toda uma sorte de fofocas e mentiras que sempre foram publicadas neste meio.
A cobertura da Copa do Mundo de 2006 foi o maior exemplo do baixo nível que predomina em nossa imprensa esportiva. Havia acesso às informações, mas versões e fofocas predominavam em relação à verdade.
A grande maioria dos jornalistas fez questão de não deixar que os fatos se interpusessem às versões estapafúrdias. O resultado é a vingança de Dunga, que trancou a seleção e deixou a imprensa descoberta.
Dunga não tem ideia de como fez bem à imprensa com seu comportamento belicoso e autoritário. Expôs a fragilidade dessa cobertura e a falta de criatividade dos jornalistas.
E por falar em falta de criatividade e competência, fazia tempo que não leia crítica à imprensa tão contundente quanto à feita por Daniel Lima em seu Capital Social na internet. Leia aqui: http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/jornalismo-condicionado-produz-pauta-de-acordo-com-publicidade/
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Sempre na época de Copa do Mundo aparecem os chatos de sempre que bradam contra a “alienação” do futebol, do “patriotismo” de ocasião e do fato de que a seleção brasileira não representa mais “o povo”, entre outras sandices.
É gente que que fica tentando esgrimir argumentos ruins para torcer contra o Brasil e por outras seleções. A pauta é mais do que batida, mas tem sempre algum esperto que acha que vai “abafar” e pubica tal reportagem estapafúrdia.
Tudo bem, respeito o direito de torcer contra, pela Argentina, pelo Iêmen, pela Nova Zelândia. Faz parte do futebol e da democracia. Mas dou muita risada com os argumentos insanos de quem decide torcer contra.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Frases que merecem ser registradas e guardadas:
“Não gosto nada da ideia de nos tornarmos uma nação de blogueiros. Isso seria um retrocesso. Sou a favor de que façamos tudo o que pudermos para ajudar os jornais a encontrar maneiras de se viabilizarem economicamente cobrando por conteúdo.”
Steve Jobs, executivo-chefe da Apple, na conferência D8, organizada pelo Wall Street Journal
“O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.”Juca Ferreira, Ministro da Cultura
“Vejo o Congresso Nacional como um bando de frouxos.”Zezé Di Camargo, cantor e compositor, em entrevista ao Jornal da Tarde
“O empresário tem de saber que pode contratar alguém sem o risco de ser roubado pelo empregado, e o empregado precisa saber que pode ser contratado com a segurança de que receberá seu salário e não será escravizado. Sem essas instituições, não há mercado. As instituições políticas, em certa medida, confundem-se com as econômicas porque também precisam garantir uma ordem legal homogênea, em que a lei seja aplicada a todos. O importante não são leis duras, mas leis que valham para todos. Há países com punições duríssimas contra roubo, como cortar a mão fora, mas a lei não vale para a elite dirigente, que pode esbaldar-se roubando quanto quiser sem perder mão nenhuma.”
Daron Acemoglu, economista turco do MIT, na revista Veja
A choradeira dos jornalistas esportivos em relação aos treinos da seleção brasileira é resultado de anos de aviltamento da profissão e do baixo nível de quem trabalha nesse ramo nobre.
Falta formação, falta informação e falta inteligência. A seleção está fechada e os jornalistas gritam porque não têm acesso aos jogadores, à comissão técnica e a toda uma sorte de fofocas e mentiras que sempre foram publicadas neste meio.
A cobertura da Copa do Mundo de 2006 foi o maior exemplo do baixo nível que predomina em nossa imprensa esportiva. Havia acesso às informações, mas versões e fofocas predominavam em relação à verdade.
A grande maioria dos jornalistas fez questão de não deixar que os fatos se interpusessem às versões estapafúrdias. O resultado é a vingança de Dunga, que trancou a seleção e deixou a imprensa descoberta.
Dunga não tem ideia de como fez bem à imprensa com seu comportamento belicoso e autoritário. Expôs a fragilidade dessa cobertura e a falta de criatividade dos jornalistas.
E por falar em falta de criatividade e competência, fazia tempo que não leia crítica à imprensa tão contundente quanto à feita por Daniel Lima em seu Capital Social na internet. Leia aqui: http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/jornalismo-condicionado-produz-pauta-de-acordo-com-publicidade/
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Sempre na época de Copa do Mundo aparecem os chatos de sempre que bradam contra a “alienação” do futebol, do “patriotismo” de ocasião e do fato de que a seleção brasileira não representa mais “o povo”, entre outras sandices.
É gente que que fica tentando esgrimir argumentos ruins para torcer contra o Brasil e por outras seleções. A pauta é mais do que batida, mas tem sempre algum esperto que acha que vai “abafar” e pubica tal reportagem estapafúrdia.
Tudo bem, respeito o direito de torcer contra, pela Argentina, pelo Iêmen, pela Nova Zelândia. Faz parte do futebol e da democracia. Mas dou muita risada com os argumentos insanos de quem decide torcer contra.
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Frases que merecem ser registradas e guardadas:
“Não gosto nada da ideia de nos tornarmos uma nação de blogueiros. Isso seria um retrocesso. Sou a favor de que façamos tudo o que pudermos para ajudar os jornais a encontrar maneiras de se viabilizarem economicamente cobrando por conteúdo.”
Steve Jobs, executivo-chefe da Apple, na conferência D8, organizada pelo Wall Street Journal
“O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.”Juca Ferreira, Ministro da Cultura
“Vejo o Congresso Nacional como um bando de frouxos.”Zezé Di Camargo, cantor e compositor, em entrevista ao Jornal da Tarde
“O empresário tem de saber que pode contratar alguém sem o risco de ser roubado pelo empregado, e o empregado precisa saber que pode ser contratado com a segurança de que receberá seu salário e não será escravizado. Sem essas instituições, não há mercado. As instituições políticas, em certa medida, confundem-se com as econômicas porque também precisam garantir uma ordem legal homogênea, em que a lei seja aplicada a todos. O importante não são leis duras, mas leis que valham para todos. Há países com punições duríssimas contra roubo, como cortar a mão fora, mas a lei não vale para a elite dirigente, que pode esbaldar-se roubando quanto quiser sem perder mão nenhuma.”
Daron Acemoglu, economista turco do MIT, na revista Veja
quinta-feira, junho 17, 2010
Ainda dá para resgatar o Mercosul
O Mercosul ainda serve para alguma coisa? A julgar pelo que diz o candidato a presidente José Serra (PDSB), parece que não. Talvez por falta de conteúdo de sua candidatura, um mero comentário feito a um jornalista se transformou em “plataforma de política externa de um eventual governo tucano”.
Criticar o governo boliviano é do jogo, afinal, não são poucos os que qualificam a administração de Evo Morales como ruim e até desastrosa - ou seja, está na média, a julgar pelos últimos 50 anos na Bolívia.
Só que qualificar o governo Morales de conivente e até cúmplice de crimes de tráfico de drogas e armas para o Brasil é demais. Até mesmo acusar o vizinho de leniente é forte, quanto mais de cumplicidade. Desnecessário dizer que o candidato tucano não tem provas, o que o torna leviano e nenhum pouco confiável.
Entretanto, a discussão serviu para jogar luz ao pantanoso terreno das relações comerciais e diplomáticas entre os países da América do Sul. O Mercosul ainda serve para alguma coisa?
Não só não serve como desconfio que ele nunca existiu. Vai completar 20 anos em 2011 mais como uma peça de marketing do que realmente um bloco econômico integrado. A chegada de Venezuela, Bolívia e Chile só piorou o quadro.
O fato é que cada país implanta a política aduaneira e de impostos que bem entende. A Argentina decidiu neste mês proibir a importação de comida e simplesmente nem consultou ou comunicou os parceiros. Vinte anos perdidos são muita coisa.
O Mercosul é uma boa ideia que nunca saiu do papel e parece que dificilmente vai sair. Uma pena, pois todos os países só teriam a ganhar.
Para quem duvida desse cenário desolador é só ler o livro “Mercosul e a Integração Regional”, do embaixador Rubens Barbosa, que foi o negociador-chefe do Brasil durante as reuniões que culminaram com a assinatura do acordo em 1991.
Em nenhum momento Barbosa usa a palavra fracasso para descrever o bloco, mas o tom de lamento e de queixa não deixa dúvidas sobre sua opinião sobre a questão.
Partindo do princípio de que de que o Mercosul é quase uma ficção, então o próximo presidente brasileiro terá de decidir, já que é o sócio-majoritário: ou acaba de vez com o que muitos acham que é uma farsa, ou força a integração dos países meio que na marra, dando uma razão para o bloco existir.
A ideia do Mercosul e merece mais uma chance, mas sem paternalismos e politicagens de apadrinhamento que sempre marcaram a diplomacia brasileira em relação aos vizinhos sempre hostis comercialmente.
O Mercosul ainda serve para alguma coisa? A julgar pelo que diz o candidato a presidente José Serra (PDSB), parece que não. Talvez por falta de conteúdo de sua candidatura, um mero comentário feito a um jornalista se transformou em “plataforma de política externa de um eventual governo tucano”.
Criticar o governo boliviano é do jogo, afinal, não são poucos os que qualificam a administração de Evo Morales como ruim e até desastrosa - ou seja, está na média, a julgar pelos últimos 50 anos na Bolívia.
Só que qualificar o governo Morales de conivente e até cúmplice de crimes de tráfico de drogas e armas para o Brasil é demais. Até mesmo acusar o vizinho de leniente é forte, quanto mais de cumplicidade. Desnecessário dizer que o candidato tucano não tem provas, o que o torna leviano e nenhum pouco confiável.
Entretanto, a discussão serviu para jogar luz ao pantanoso terreno das relações comerciais e diplomáticas entre os países da América do Sul. O Mercosul ainda serve para alguma coisa?
Não só não serve como desconfio que ele nunca existiu. Vai completar 20 anos em 2011 mais como uma peça de marketing do que realmente um bloco econômico integrado. A chegada de Venezuela, Bolívia e Chile só piorou o quadro.
O fato é que cada país implanta a política aduaneira e de impostos que bem entende. A Argentina decidiu neste mês proibir a importação de comida e simplesmente nem consultou ou comunicou os parceiros. Vinte anos perdidos são muita coisa.
O Mercosul é uma boa ideia que nunca saiu do papel e parece que dificilmente vai sair. Uma pena, pois todos os países só teriam a ganhar.
Para quem duvida desse cenário desolador é só ler o livro “Mercosul e a Integração Regional”, do embaixador Rubens Barbosa, que foi o negociador-chefe do Brasil durante as reuniões que culminaram com a assinatura do acordo em 1991.
Em nenhum momento Barbosa usa a palavra fracasso para descrever o bloco, mas o tom de lamento e de queixa não deixa dúvidas sobre sua opinião sobre a questão.
Partindo do princípio de que de que o Mercosul é quase uma ficção, então o próximo presidente brasileiro terá de decidir, já que é o sócio-majoritário: ou acaba de vez com o que muitos acham que é uma farsa, ou força a integração dos países meio que na marra, dando uma razão para o bloco existir.
A ideia do Mercosul e merece mais uma chance, mas sem paternalismos e politicagens de apadrinhamento que sempre marcaram a diplomacia brasileira em relação aos vizinhos sempre hostis comercialmente.
quarta-feira, junho 16, 2010
Sua vida está valendo menos neste momento
No final da década de 70, quando começou a explodir a criminalidade nas grandes metrópoles, todos se horrorizavam com os trombadinhas na Praça da Sé e com os roubos de tênis nos bairros.
Era a época da chegada dos primeiros All-Star e Far White, vindos do Paraguai. O máximo que se ouvia em violência na época era alguém que sofria golpes de estilete quando tentava resistir.
Os roubos foram ficando mais violentos desde então e os latrocínios (roubo seguindo de morte) foram ficando bastante corriqueiros. Mas o que vemos hoje em São Paulo, no Rio de Janeiro e Salvador,por exemplo, é a banalização do crime e da morte.
Mata-se porque um estudante não tinha um único centavo quando foi abordado. Mata-se porque a professora deixou o carro morrer quando pretendia entregar o carro.
Mata-se um trabalhador porque este tentou falar algo contra o roubo de sua moto, seu meio de locomoção e ganha-pão. E o pior, não se vê indignação por conta disso. As pessoas comentam nos ônibus e bares tais fatos como se fossem a coisa mais normal do mundo.
Isso para ficar na classe média. Na periferia e nas favelas, mata-se apenas por diversão. Neste final de semana, um office-boy foi assassinado numa favela de Santo André porque supostamente teria mexido com a irmã de alguém ligado ao tráfico da região.
No mesmo lugar, uma semana antes, outro garoto, estudante e filho de uma dona de um boteco, foi espancado e esfaqueado à luz do dia porque alguém disse que ouviu falar que ele tinha xingado a namorada de alguém.
Ainda agonizando, não recebeu ajuda porque o esfaqueador avisou que quem ajudasse morreria ali mesmo. O corpo ficou no local por mais de dez horas, segundo relatos de moradores da região.
Enquanto isso, o crack avança em toda a Grande São Paulo. Sociedade doente? Decadente? Sevalgeria total? Escolha o seu adjetivo. Qualquer um será insuficiente para descrever o que vivemos atualmente.
No final da década de 70, quando começou a explodir a criminalidade nas grandes metrópoles, todos se horrorizavam com os trombadinhas na Praça da Sé e com os roubos de tênis nos bairros.
Era a época da chegada dos primeiros All-Star e Far White, vindos do Paraguai. O máximo que se ouvia em violência na época era alguém que sofria golpes de estilete quando tentava resistir.
Os roubos foram ficando mais violentos desde então e os latrocínios (roubo seguindo de morte) foram ficando bastante corriqueiros. Mas o que vemos hoje em São Paulo, no Rio de Janeiro e Salvador,por exemplo, é a banalização do crime e da morte.
Mata-se porque um estudante não tinha um único centavo quando foi abordado. Mata-se porque a professora deixou o carro morrer quando pretendia entregar o carro.
Mata-se um trabalhador porque este tentou falar algo contra o roubo de sua moto, seu meio de locomoção e ganha-pão. E o pior, não se vê indignação por conta disso. As pessoas comentam nos ônibus e bares tais fatos como se fossem a coisa mais normal do mundo.
Isso para ficar na classe média. Na periferia e nas favelas, mata-se apenas por diversão. Neste final de semana, um office-boy foi assassinado numa favela de Santo André porque supostamente teria mexido com a irmã de alguém ligado ao tráfico da região.
No mesmo lugar, uma semana antes, outro garoto, estudante e filho de uma dona de um boteco, foi espancado e esfaqueado à luz do dia porque alguém disse que ouviu falar que ele tinha xingado a namorada de alguém.
Ainda agonizando, não recebeu ajuda porque o esfaqueador avisou que quem ajudasse morreria ali mesmo. O corpo ficou no local por mais de dez horas, segundo relatos de moradores da região.
Enquanto isso, o crack avança em toda a Grande São Paulo. Sociedade doente? Decadente? Sevalgeria total? Escolha o seu adjetivo. Qualquer um será insuficiente para descrever o que vivemos atualmente.
segunda-feira, junho 14, 2010
Copiar CD deixa de ser crime de acordo com nova lei de direito autoral
DA FOLHA.COM
O Ministério da Cultura (MinC) trouxe a público, na manhã de hoje, suas idéias para o que pode vir a ser a nova lei do direito autoral brasileiro.
Numa entrevista coletiva concedida em Brasília, o ministro Juca Ferreira explicou as bases do texto que deve ser liberado hoje para consulta pública.
Antes, ele conversou com a Folha, por telefone.
A iniciativa do governo brasileiro inclui-se num movimento mundial de revisão de leis que, simplesmente, não cabem no mundo que, na virada do século 21, tinha se tornado digital.
O texto em vigor hoje no Brasil foi aprovado em 1998, como atualização de uma lei criada em 1973. O texto atual trata como ilegais atitudes corriqueiras, como a cópia de um CD para um pen drive.
Saiba, a seguir, quais são os planos do governo brasileiro.
Folha - O MinC coloca o texto em consulta às vésperas das eleições. Pelas minhas contas, se serão 45 dias de consulta, a nova lei acabará sendo apresentada em pleno processo eleitoral...
Juca Ferreira - No seu cálculo, só consta uma parcela do processo. Depois desses 45 dias, uma equipe do ministério do vai se debruçar sobre todas as contribuições recebidas para preparar um novo texto que assimile as propostas. Ou seja, o novo texto lei só ficará pronto depois do processo eleitoral.
No ano que vem?
Não, no final deste ano.
O governo francês, no ano passado, apresentou uma lei que tendia a enquadrar os usuários da internet. Que caminho seguirá o Brasil? A legislação tende a ser mais aberta ou mais restritiva?
Queremos um sistema mais aberto.
Em primeiro lugar, porque mesmo que não houvesse o mundo digital, a internet, a nossa lei seria muito ruim. Ela não é capaz de garantir o direito do criador porque o sistema de arrecadação de direitos é obscuro, sem nenhuma transparência.
Além disso, a lei tem aspectos caricaturais. A cópia individual, por exemplo, não é permitida. Quem compra um cd não pode, pela lei, copiá-lo para o próprio ipod.
Uma editora que não queria reeditar um livro, algo normal, torna o livro indisponível porque nem alunos nem professores podem fazer cópia. Isso contraria a tendência do mundo inteiro.
Há quem defenda que a lei brasileira é boa.
A lei brasileira é um modelo de como não deve ser. O mundo inteiro está se adaptando à realidade digital.
Mas nem sempre liberalizando...
Sim, mas todas as tentativas de se enquadrar o mundo digital em padrões analógicos se mostraram um fracasso. Nos Estados Unidos, chegaram a processar crianças de nove anos que estavam fazendo cópias para os amigos.
O governo brasileiro quer criar um sistema que estimule o pagamento do autor na internet. O que a gente quer é legalizar.
A modernização legal, além de ampliar e assegurar o direito do autor, quer harmonizar e garantir o direito do investidor.
Tudo isso sem esquecer que o acesso é um direito da população.
Mas qual o limite entre o direito ao acesso e o direito do autor?
O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.
Hoje, um professor de um curso de cinema, não pode, legalmente, apresentar sequer cenas de um filme na sala de aula.
Em cursos de medicina ou administração são muitos os livros esgotados que não podem ser reproduzidos. A nova lei quer criar uma brecha para esse tipo de cópia, mas prevendo o pagamento do direito autoral para a cópia reprográfica.
O novo texto prevê a criminalização do jabá --execução paga de música nas rádios e emissoras de TV. Qual a ligação do jabá com o direito autoral?
O jabá criou um sistema perverso que cerceia a diversidade cultural e restringe a economia da cultura.
Quem paga para executar sua música no rádio cria a ditadura do gosto.
A partir da nova lei, quem fizer isso será processado. Se você legitima um sistema que define o que vai ser apresentado nas rádios e TVs, você está cerceando a liberdade, excluindo boa parte dos autores.
O jabá se caracteriza como concorrência desleal.
O Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos) e alguns artistas já estão se posicionando contra a reforma na lei. O MinC está preparado para o embate?
Estamos estudando essa reforma há oito anos. Envolvemos mais de 10 mil pessoas em reuniões setoriais e fizemos estudos comparativos com outros países.
O sistema brasileiro de arrecadação quer manter o status-quo. Mas esse sistema vive de processos jurídicos.
Temos, numa ponta, milhares de processos contra bares, hotéis, cinemas e, na outra ponta, os artistas desconfiados de que não estão recebendo pagamento.
Se eu fosse um sistema de arrecadação que desperta tanta desconfiança da parte dos artistas, eu adoraria que houvesse um sistema de transparência para que as pessoas parassem de questionar o meu trabalho.
Como eles estão acomodados a um sistema autoritário, unilateral, tenho certeza de que haverá reação negativa.
Mas isso é demanda histórica dos autores e intelectuais. O Brasil não se livrará da herança da ditadura enquanto não se livrar desse entulho.
DA FOLHA.COM
O Ministério da Cultura (MinC) trouxe a público, na manhã de hoje, suas idéias para o que pode vir a ser a nova lei do direito autoral brasileiro.
Numa entrevista coletiva concedida em Brasília, o ministro Juca Ferreira explicou as bases do texto que deve ser liberado hoje para consulta pública.
Antes, ele conversou com a Folha, por telefone.
A iniciativa do governo brasileiro inclui-se num movimento mundial de revisão de leis que, simplesmente, não cabem no mundo que, na virada do século 21, tinha se tornado digital.
O texto em vigor hoje no Brasil foi aprovado em 1998, como atualização de uma lei criada em 1973. O texto atual trata como ilegais atitudes corriqueiras, como a cópia de um CD para um pen drive.
Saiba, a seguir, quais são os planos do governo brasileiro.
Folha - O MinC coloca o texto em consulta às vésperas das eleições. Pelas minhas contas, se serão 45 dias de consulta, a nova lei acabará sendo apresentada em pleno processo eleitoral...
Juca Ferreira - No seu cálculo, só consta uma parcela do processo. Depois desses 45 dias, uma equipe do ministério do vai se debruçar sobre todas as contribuições recebidas para preparar um novo texto que assimile as propostas. Ou seja, o novo texto lei só ficará pronto depois do processo eleitoral.
No ano que vem?
Não, no final deste ano.
O governo francês, no ano passado, apresentou uma lei que tendia a enquadrar os usuários da internet. Que caminho seguirá o Brasil? A legislação tende a ser mais aberta ou mais restritiva?
Queremos um sistema mais aberto.
Em primeiro lugar, porque mesmo que não houvesse o mundo digital, a internet, a nossa lei seria muito ruim. Ela não é capaz de garantir o direito do criador porque o sistema de arrecadação de direitos é obscuro, sem nenhuma transparência.
Além disso, a lei tem aspectos caricaturais. A cópia individual, por exemplo, não é permitida. Quem compra um cd não pode, pela lei, copiá-lo para o próprio ipod.
Uma editora que não queria reeditar um livro, algo normal, torna o livro indisponível porque nem alunos nem professores podem fazer cópia. Isso contraria a tendência do mundo inteiro.
Há quem defenda que a lei brasileira é boa.
A lei brasileira é um modelo de como não deve ser. O mundo inteiro está se adaptando à realidade digital.
Mas nem sempre liberalizando...
Sim, mas todas as tentativas de se enquadrar o mundo digital em padrões analógicos se mostraram um fracasso. Nos Estados Unidos, chegaram a processar crianças de nove anos que estavam fazendo cópias para os amigos.
O governo brasileiro quer criar um sistema que estimule o pagamento do autor na internet. O que a gente quer é legalizar.
A modernização legal, além de ampliar e assegurar o direito do autor, quer harmonizar e garantir o direito do investidor.
Tudo isso sem esquecer que o acesso é um direito da população.
Mas qual o limite entre o direito ao acesso e o direito do autor?
O autor deve ser sempre remunerado. Mas, na medida em que reconhecemos o direito da cópia individual, estamos garantindo o acesso da sociedade ao conhecimento.
Hoje, um professor de um curso de cinema, não pode, legalmente, apresentar sequer cenas de um filme na sala de aula.
Em cursos de medicina ou administração são muitos os livros esgotados que não podem ser reproduzidos. A nova lei quer criar uma brecha para esse tipo de cópia, mas prevendo o pagamento do direito autoral para a cópia reprográfica.
O novo texto prevê a criminalização do jabá --execução paga de música nas rádios e emissoras de TV. Qual a ligação do jabá com o direito autoral?
O jabá criou um sistema perverso que cerceia a diversidade cultural e restringe a economia da cultura.
Quem paga para executar sua música no rádio cria a ditadura do gosto.
A partir da nova lei, quem fizer isso será processado. Se você legitima um sistema que define o que vai ser apresentado nas rádios e TVs, você está cerceando a liberdade, excluindo boa parte dos autores.
O jabá se caracteriza como concorrência desleal.
O Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos) e alguns artistas já estão se posicionando contra a reforma na lei. O MinC está preparado para o embate?
Estamos estudando essa reforma há oito anos. Envolvemos mais de 10 mil pessoas em reuniões setoriais e fizemos estudos comparativos com outros países.
O sistema brasileiro de arrecadação quer manter o status-quo. Mas esse sistema vive de processos jurídicos.
Temos, numa ponta, milhares de processos contra bares, hotéis, cinemas e, na outra ponta, os artistas desconfiados de que não estão recebendo pagamento.
Se eu fosse um sistema de arrecadação que desperta tanta desconfiança da parte dos artistas, eu adoraria que houvesse um sistema de transparência para que as pessoas parassem de questionar o meu trabalho.
Como eles estão acomodados a um sistema autoritário, unilateral, tenho certeza de que haverá reação negativa.
Mas isso é demanda histórica dos autores e intelectuais. O Brasil não se livrará da herança da ditadura enquanto não se livrar desse entulho.
A USP em frangalhos é a imagem da educação brasileira
Mais do que uma terra de ninguém, a USP se tornou um triste exemplo do que se tornou a educação brasileira em todos os níveis. Inexistem respeito e sobretudo inteligência.
A nova greve de funcionários da entidade, com direito a novas invasões das instalações da reitoria, e com o irrestrito apoio dos alunos, expõe a lama que toma conta da principal instituição de ensino superior do Brasil.
Destruição de equipamentos, paredes quebradas a marretadas e a total falta de juízo, sem que a violência e a depredação sejam contidas.
Educação? Ensino? Meros detalhes em um lugar onde predominam as “ideias” de pessoas mais preocupadas em destruir a reitoria do que respeitar a lei e a democracia.
Mais do que uma terra de ninguém, a USP se tornou um triste exemplo do que se tornou a educação brasileira em todos os níveis. Inexistem respeito e sobretudo inteligência.
A nova greve de funcionários da entidade, com direito a novas invasões das instalações da reitoria, e com o irrestrito apoio dos alunos, expõe a lama que toma conta da principal instituição de ensino superior do Brasil.
Destruição de equipamentos, paredes quebradas a marretadas e a total falta de juízo, sem que a violência e a depredação sejam contidas.
Educação? Ensino? Meros detalhes em um lugar onde predominam as “ideias” de pessoas mais preocupadas em destruir a reitoria do que respeitar a lei e a democracia.
sexta-feira, junho 11, 2010
Mais intervenções na vida privada
Li incrédulo nesta semana nos jornais que o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) insiste na discussão e na manutenção, para votação, do tal Projeto de Lei 29, que, entre outras sandices, versa sobre a obrigatoriedade de conteúdo mínimo nacional na programação de canais de TV por assinatura.
A estupidez que tramita no Congresso acabou provocando uma indignada campanha da operadora de TV a cabo Sky, que manda e-mails para seus clientes e publica anúncios informando sobre o conteúdo estapafúrdio do projeto.
À parte o terrorismo que a operadora vem fazendo ao afirmar que a aprovação elevará custos e, por sua vez, obrigará as empresas a reajustar as mensalidades, a campanha é totalmente lícita e deve ser apoiada.
Estabelecer por lei o que uma emissora de TV por assinatura deve veicular é inaceitável sob todos os pontos de vista.
Quem paga tem o direito de escolher sem que haja qualquer intervenção estatal ou governamental no meu direito de cidadão de assistir ao que eu quiser, ainda mais pagando caro por isso.
O deputado nada tem melhor para fazer do que ficar regulando a vida dos outros. E lamentavelmente ele é do PT, partido que historicamente lutou pela liberdade – política, de escolha, de expressão, de opinião, de imprensa, apesar dos resquícios embolorados e totalitários que ainda persistem em seus quadros.
E não cola a balela de que a operação de canais de TV, abertos ou por assinatura, são concessão do Estado. É um argumento tosco e absurdo e para tentar justificar as inaceitáveis investidas governamentais no direito do escolha dos cidadãos.
Não bastassem as diversas tentativas de “cotas” absurdas impostas à sociedade em diversos segmentos, agora vemos mais uma tentativa de estabelecer “cota” de três horas e meia semanais de conteúdo nacional nos canais em operação.
Toda e qualquer intervenção estatal na vida privada e no direito de escolha dos cidadãos precisa ser combatida. Nenhum governo tem o direito de dizer o que devo ou não assistir.
Li incrédulo nesta semana nos jornais que o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) insiste na discussão e na manutenção, para votação, do tal Projeto de Lei 29, que, entre outras sandices, versa sobre a obrigatoriedade de conteúdo mínimo nacional na programação de canais de TV por assinatura.
A estupidez que tramita no Congresso acabou provocando uma indignada campanha da operadora de TV a cabo Sky, que manda e-mails para seus clientes e publica anúncios informando sobre o conteúdo estapafúrdio do projeto.
À parte o terrorismo que a operadora vem fazendo ao afirmar que a aprovação elevará custos e, por sua vez, obrigará as empresas a reajustar as mensalidades, a campanha é totalmente lícita e deve ser apoiada.
Estabelecer por lei o que uma emissora de TV por assinatura deve veicular é inaceitável sob todos os pontos de vista.
Quem paga tem o direito de escolher sem que haja qualquer intervenção estatal ou governamental no meu direito de cidadão de assistir ao que eu quiser, ainda mais pagando caro por isso.
O deputado nada tem melhor para fazer do que ficar regulando a vida dos outros. E lamentavelmente ele é do PT, partido que historicamente lutou pela liberdade – política, de escolha, de expressão, de opinião, de imprensa, apesar dos resquícios embolorados e totalitários que ainda persistem em seus quadros.
E não cola a balela de que a operação de canais de TV, abertos ou por assinatura, são concessão do Estado. É um argumento tosco e absurdo e para tentar justificar as inaceitáveis investidas governamentais no direito do escolha dos cidadãos.
Não bastassem as diversas tentativas de “cotas” absurdas impostas à sociedade em diversos segmentos, agora vemos mais uma tentativa de estabelecer “cota” de três horas e meia semanais de conteúdo nacional nos canais em operação.
Toda e qualquer intervenção estatal na vida privada e no direito de escolha dos cidadãos precisa ser combatida. Nenhum governo tem o direito de dizer o que devo ou não assistir.
quinta-feira, junho 10, 2010
Mais do mesmo. Ainda bem
Taxa de juros básica da economia mais alta. Mais do que esperada, necessária. Mas até que ponto? O percentual foi elevado para 10,25% ao ano, o maior desde abril do ano passado. O crédito fica mais caro, as dívidas ficam mais caras, o volume de financiamentos vai cair. Quem ganha com isso?
Todo mundo no longo prazo, apesar de ser uma medida paliativa. O fato é que as críticas ao Banco Central são as mesmas de sempre, dos mesmos personagens de sempre.
A diferença agora é que não houve o fogo amigo do Palácio do Planalto, já que o presidente Lula declarou em alto e bom som que fará de tudo para frear a inflação, que já está ultrapassa 3% em 2010.
E eis que chegamos ao grande nó da economia brasileira. Inflação alta é sinônimo de perdas globais e gerais. Todo mundo perde, uns mais, outros menos.
A estabilidade conseguida a duras penas nos anos 90 e consolidada pelo governo Lula é um bem maior que precisa ser preservado a todo custo. Por isso, palmas para o Banco Central e para o Copom.
Os alvos dos ataques à alta taxa de juros, na maioria das vezes, são equivocados. A decisão é estritamente técnica. Quando a inflação sobe, os juros sobem. Simples assim. O consumo tem de ser freado para que nçao haja alta de preços por demanda superaquecida.
O crescimento do país, em alta, que causou euforia em todo mundo, será afetado? Certamente que sim. E tem de ser assim mesmo, já que o país não aguenta um crescimento ao ritmo chinês.
O difícil é ver e ouvir uma série de críticas equivocadas e estapafúrdias à decisão do Banco Central sendo que nenhum desses críticos nem sequer menciona os grandes vilões dos juros altos: o eterno desequilíbrio das contas públicas, a falta de uma política fiscal decente e a falta de controle sobre a dívida interna.
Ou seja, os juros altos e a eterna briga contra a inflação têm origem no coração da administração pública brasileira, que é incapaz de conter gastos e de espantar a politicagem abjeta das decisões administrativas do país.
Esse cenário infernal fica ainda pior quando se tem políticos irresponsáveis querendo criar despesas e mais despesas com a chancela do Congresso sem que haja dinheiro para isso. E a politicagem domina esse ambiente e contamina o Poder Executivo, que também age politicamente.
Convenientemente, entidades empresariais e sindicais ignoram o bom senso e voltam suas contra quem defende as moeda e zela pelo bom andamento da política econômica.
Evitam atacar os verdadeiros responsáveis pelos juros altos e pela constante ameaça de alta da inflação. Fazem isso ou por oportunismo, conveniência política ou por pura ignorância. E tudo continua como sempre foi.
E ainda tem gente que defende a criação de mais impostos para financiar a gastança de governos, ampliando a carga tributária horrenda e insuportável e aumentando o buraco das finanças públicas. Santo Banco Central…
Taxa de juros básica da economia mais alta. Mais do que esperada, necessária. Mas até que ponto? O percentual foi elevado para 10,25% ao ano, o maior desde abril do ano passado. O crédito fica mais caro, as dívidas ficam mais caras, o volume de financiamentos vai cair. Quem ganha com isso?
Todo mundo no longo prazo, apesar de ser uma medida paliativa. O fato é que as críticas ao Banco Central são as mesmas de sempre, dos mesmos personagens de sempre.
A diferença agora é que não houve o fogo amigo do Palácio do Planalto, já que o presidente Lula declarou em alto e bom som que fará de tudo para frear a inflação, que já está ultrapassa 3% em 2010.
E eis que chegamos ao grande nó da economia brasileira. Inflação alta é sinônimo de perdas globais e gerais. Todo mundo perde, uns mais, outros menos.
A estabilidade conseguida a duras penas nos anos 90 e consolidada pelo governo Lula é um bem maior que precisa ser preservado a todo custo. Por isso, palmas para o Banco Central e para o Copom.
Os alvos dos ataques à alta taxa de juros, na maioria das vezes, são equivocados. A decisão é estritamente técnica. Quando a inflação sobe, os juros sobem. Simples assim. O consumo tem de ser freado para que nçao haja alta de preços por demanda superaquecida.
O crescimento do país, em alta, que causou euforia em todo mundo, será afetado? Certamente que sim. E tem de ser assim mesmo, já que o país não aguenta um crescimento ao ritmo chinês.
O difícil é ver e ouvir uma série de críticas equivocadas e estapafúrdias à decisão do Banco Central sendo que nenhum desses críticos nem sequer menciona os grandes vilões dos juros altos: o eterno desequilíbrio das contas públicas, a falta de uma política fiscal decente e a falta de controle sobre a dívida interna.
Ou seja, os juros altos e a eterna briga contra a inflação têm origem no coração da administração pública brasileira, que é incapaz de conter gastos e de espantar a politicagem abjeta das decisões administrativas do país.
Esse cenário infernal fica ainda pior quando se tem políticos irresponsáveis querendo criar despesas e mais despesas com a chancela do Congresso sem que haja dinheiro para isso. E a politicagem domina esse ambiente e contamina o Poder Executivo, que também age politicamente.
Convenientemente, entidades empresariais e sindicais ignoram o bom senso e voltam suas contra quem defende as moeda e zela pelo bom andamento da política econômica.
Evitam atacar os verdadeiros responsáveis pelos juros altos e pela constante ameaça de alta da inflação. Fazem isso ou por oportunismo, conveniência política ou por pura ignorância. E tudo continua como sempre foi.
E ainda tem gente que defende a criação de mais impostos para financiar a gastança de governos, ampliando a carga tributária horrenda e insuportável e aumentando o buraco das finanças públicas. Santo Banco Central…
Notícia excelente. Mas até quando?
Crescimento em ritmo chinês, mas com corpinho de país africano. A analogia é bastante exagerada, mas, de certa forma, traduz os problemas que a economia brasileira vai enfrentar no segundo semestre.
A notícia de que o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2010 é 9% maior que o mesmo período do ano passado e 2,7% maior que o do trimestre anterior, o último de 2009, mostra vigor e robustez de um país que soube navegar na crise financeira de 2008 com responsabilidade.
Nas palavras do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o Brasil fez tudo certo e sofreu menos. Já o ufanista Guido Mantega, ministro da Fazenda, disse que o país se livrou por completo da crise dos “países ricos”. Outro exagero, mas totalmente compreensível.
Se as previsões de especialistas se mantiverem, o PIB deverá crescer em 2010 entre 6% e 7%, possivelmente o segundo maior índice do mundo, atrás apenas da China. Crescer aceleradamente significa mais emprego, mais renda em todos os segmentos e mais investimento em todos os níveis.
A questão que fica agora é o que acontecerá no futuro próximo. Meirelles tem a resposta: problemas graves na condução da política econômica se o mesmo ritmo continuar.
Em outras palavras, o Brasil não aguenta essa velocidade de crescimento no segundo semestre. Analistas econômicos utilizar o termo “enfartar” ou “surtar” para uma economia que bate no teto.
Na vida cotidiana, isso se traduz em inflação alta por falta de produtos e consumo alto. A queda na produção que vem em seguida pode ser fatal para diversos setores produtivos.
O que vai acontecer é que, naturalmente, até pelos entraves e gargalos que a economia brasileira ainda revela, é uma diminuição gradual do ritmo de crescimento.
Aliado a isso, o Banco Central, de conduta irrepreensível durante o governo Lula, desde 2003, vai agir para puxar o freio e evitar que a inflação fuja do controle.
O aumento na taxa básica de juros, a Selic, deve continuar, assim como as isenções de impostos para bens de consumo não devem retornar tão cedo, justamente para frear o consumo e incentivar a poupança e aplicações financeiras.
As notícias são excelentes e devem ser comemoradas. E os condutores da economia têm de ser parabenizados, mas o jogo ainda não está ganho. Comemoração sim, mas com muita cautela e atenção para os próximos passos.
Crescimento em ritmo chinês, mas com corpinho de país africano. A analogia é bastante exagerada, mas, de certa forma, traduz os problemas que a economia brasileira vai enfrentar no segundo semestre.
A notícia de que o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2010 é 9% maior que o mesmo período do ano passado e 2,7% maior que o do trimestre anterior, o último de 2009, mostra vigor e robustez de um país que soube navegar na crise financeira de 2008 com responsabilidade.
Nas palavras do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o Brasil fez tudo certo e sofreu menos. Já o ufanista Guido Mantega, ministro da Fazenda, disse que o país se livrou por completo da crise dos “países ricos”. Outro exagero, mas totalmente compreensível.
Se as previsões de especialistas se mantiverem, o PIB deverá crescer em 2010 entre 6% e 7%, possivelmente o segundo maior índice do mundo, atrás apenas da China. Crescer aceleradamente significa mais emprego, mais renda em todos os segmentos e mais investimento em todos os níveis.
A questão que fica agora é o que acontecerá no futuro próximo. Meirelles tem a resposta: problemas graves na condução da política econômica se o mesmo ritmo continuar.
Em outras palavras, o Brasil não aguenta essa velocidade de crescimento no segundo semestre. Analistas econômicos utilizar o termo “enfartar” ou “surtar” para uma economia que bate no teto.
Na vida cotidiana, isso se traduz em inflação alta por falta de produtos e consumo alto. A queda na produção que vem em seguida pode ser fatal para diversos setores produtivos.
O que vai acontecer é que, naturalmente, até pelos entraves e gargalos que a economia brasileira ainda revela, é uma diminuição gradual do ritmo de crescimento.
Aliado a isso, o Banco Central, de conduta irrepreensível durante o governo Lula, desde 2003, vai agir para puxar o freio e evitar que a inflação fuja do controle.
O aumento na taxa básica de juros, a Selic, deve continuar, assim como as isenções de impostos para bens de consumo não devem retornar tão cedo, justamente para frear o consumo e incentivar a poupança e aplicações financeiras.
As notícias são excelentes e devem ser comemoradas. E os condutores da economia têm de ser parabenizados, mas o jogo ainda não está ganho. Comemoração sim, mas com muita cautela e atenção para os próximos passos.
Lições de como fazer novos amigos
É impressionante como crescem as situações em que pessoas ou grupo de pessoas fazem questão de calcinar qualquer bom sendo, qualquer chance de entendimento e qualquer indício de civilidade.
Existem povos e governos que são especializados em sabotar qualquer coisa, como os talibãs afegães, os xiitas iranianos, os norte-coreanos e diversas etnias africanas belicistas. Entretanto, não existem campeões maiores do que os israelenses.
A certeza de impunidade é tanta, por conta das “costas largas” dos Estados Unidos, que repetidamente atacam e matam inocentes sem a menor cerimônia. Justificativas? Para quê?
Pelo menos eles não perdem tempo e nem desperdiçam o dos outros com explicações estapafúrdias.
No caso do ataque desta semana a um comboio de navios liderados por uma ONG turca em direção a Gaza, o lacônico comunicado do governo israelense apenas informa que se tratava de uma operação terrorista. E ponto.
Esse governo asqueroso não se importa com mídia, bom senso, decência e civilidade. Não duvido que façam ataques abjetos como o desta segunda-feira de propósito. E tudo ficará como está, apesar da avalanche de protestos internacionais.
Sempre defendi a existência de Israel sobretudo por uma questão de realismo político: o país está lá, é uma potência militar regional e conta com o amparo de um aliado poderoso.
Portanto, qualquer ilação ou discurso remontando as origens do conflito árabe-israelense para ressaltar as injustiças cometidas contra os palestinos são coisas vazias e sem lastro na realidade.
Israel existe e vai existir, assim como os palestinos existem e não vai deixar os vizinhos em paz até serem tratados como gente.
Qualquer resquício de boa vontade que eu tinha por Israel some com mais um ataque covarde e asqueroso a integrantes organizações humanitárias.
Não merece a mínima condescendência. Nenhuma ação cometida contra o povo israelense será mais indigna do que o ataque ao comboio turco. Começo a acreditar que Israel não faz falta a esse planeta.
É impressionante como crescem as situações em que pessoas ou grupo de pessoas fazem questão de calcinar qualquer bom sendo, qualquer chance de entendimento e qualquer indício de civilidade.
Existem povos e governos que são especializados em sabotar qualquer coisa, como os talibãs afegães, os xiitas iranianos, os norte-coreanos e diversas etnias africanas belicistas. Entretanto, não existem campeões maiores do que os israelenses.
A certeza de impunidade é tanta, por conta das “costas largas” dos Estados Unidos, que repetidamente atacam e matam inocentes sem a menor cerimônia. Justificativas? Para quê?
Pelo menos eles não perdem tempo e nem desperdiçam o dos outros com explicações estapafúrdias.
No caso do ataque desta semana a um comboio de navios liderados por uma ONG turca em direção a Gaza, o lacônico comunicado do governo israelense apenas informa que se tratava de uma operação terrorista. E ponto.
Esse governo asqueroso não se importa com mídia, bom senso, decência e civilidade. Não duvido que façam ataques abjetos como o desta segunda-feira de propósito. E tudo ficará como está, apesar da avalanche de protestos internacionais.
Sempre defendi a existência de Israel sobretudo por uma questão de realismo político: o país está lá, é uma potência militar regional e conta com o amparo de um aliado poderoso.
Portanto, qualquer ilação ou discurso remontando as origens do conflito árabe-israelense para ressaltar as injustiças cometidas contra os palestinos são coisas vazias e sem lastro na realidade.
Israel existe e vai existir, assim como os palestinos existem e não vai deixar os vizinhos em paz até serem tratados como gente.
Qualquer resquício de boa vontade que eu tinha por Israel some com mais um ataque covarde e asqueroso a integrantes organizações humanitárias.
Não merece a mínima condescendência. Nenhuma ação cometida contra o povo israelense será mais indigna do que o ataque ao comboio turco. Começo a acreditar que Israel não faz falta a esse planeta.
Sucesso atrai vaidosos e incompetentes
Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito da política predatória que reina no E.C. Santo André, a pífia campanha na série B do Brasileiro até agora acaba com elas. Quando incompetentes cismaram de gerir o futebol profissional, o time despencou da série A, ainda que tenha feito uma série B diga em 2008.
Depois de inúmeras bobagens, finalmente alguns mais lúcidos decidiram tomar conta do time e o colocou nos eixos,com pés no chão e sem invenções, com orçamento baixo. O resultado foi o vice-campeonato paulista de 2010, com um time bom, bem montado por um técnico iniciante, mas competente até aqui.
Só que a vaidade fala mais alto e a exposição que o time teve no Paulistão atraiu de novo os incompetentes.
O resultado é mais um desmanche e mais um campeonato onde o time terá de lutar contra o rebaixamento, ao mesmo tempo em que a tal parceria com empresários está em vias de deixar uma dívida inpagável. Parabéns novamente, Ramalhão.
Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito da política predatória que reina no E.C. Santo André, a pífia campanha na série B do Brasileiro até agora acaba com elas. Quando incompetentes cismaram de gerir o futebol profissional, o time despencou da série A, ainda que tenha feito uma série B diga em 2008.
Depois de inúmeras bobagens, finalmente alguns mais lúcidos decidiram tomar conta do time e o colocou nos eixos,com pés no chão e sem invenções, com orçamento baixo. O resultado foi o vice-campeonato paulista de 2010, com um time bom, bem montado por um técnico iniciante, mas competente até aqui.
Só que a vaidade fala mais alto e a exposição que o time teve no Paulistão atraiu de novo os incompetentes.
O resultado é mais um desmanche e mais um campeonato onde o time terá de lutar contra o rebaixamento, ao mesmo tempo em que a tal parceria com empresários está em vias de deixar uma dívida inpagável. Parabéns novamente, Ramalhão.
quarta-feira, junho 02, 2010
Black Country Communion, novo supergrupo de rock no mercado
do site Whiplash
O novo supergrupo que apresenta o antigo baixista/vocalista do DEEP PURPLE Glenn Hughes, ao lado do baterista da reunião do LED ZEPPELIN Jason Bonham, do antigo tecladista do Dream Theater Derek Sherinian, e do guitarrista Joe Bonamassa, entrou em acordo com um novo nome: BLACK COUNTRY COMMUNION.
Site oficial: http://www.bccommunion.com/
Twitter: http://twitter.com/bccommunion
O BLACK COUNTRY COMMUNION (anteriormente BLACK COUNTRY) é uma devastadora colisão de frente entre influências de rock americanas e britâncias – um verdadeiro supergrupo que traz uma experiência de rock titânica maior do que as somas de suas partes supremamente talentosas.
A semente para o BLACK COUNTRY COMMUNION foi plantada quando Hughes e o mestre guitarrista de blues e rock Joe Bonamassa uniram forças no palco em Los Angeles em novembro de 2009 para uma performance explosiva no evento Guitar Center's King of the Blues.
Fruto da criação do produtor Kevin Shirley (BLACK CROWES, Aerosmith, LED ZEPPELIN), a banda acrescentou à sua linhagem o enérgico baterista Jason Bonham (LED ZEPPELIN, FOREIGNER) e o tecladista Derek Sherinian (DREAM THEATER, BILLY IDOL, ALICE COOPER).
Recebendo o nome da área industrial na Grã Bretanha onde Hughes e Bonham nasceram e foram criados, o BLACK COUNTRY COMMUNION começou a ensaiar e gravar faixas escritas por Bonamassa e Hughes no Shangri-La Studios no início de 2010. Seu novo álbum, que ainda não tem nome, vai ser lançado em setembro de 2010.
BLACK COUNTRY COMMUNION, fez uma estréia surpresa durante um bis em um show do Bonamassa em 17 de março no Riverside Municipal Auditorium em Riverside, California. A banda tocou duas músicas - "One Last Soul" e um cover do clássico do Deep Purple "Mistreated".
BLACK COUNTRY COMMUNION - "ONE LAST SOUL"
do site Whiplash
O novo supergrupo que apresenta o antigo baixista/vocalista do DEEP PURPLE Glenn Hughes, ao lado do baterista da reunião do LED ZEPPELIN Jason Bonham, do antigo tecladista do Dream Theater Derek Sherinian, e do guitarrista Joe Bonamassa, entrou em acordo com um novo nome: BLACK COUNTRY COMMUNION.
Site oficial: http://www.bccommunion.com/
Twitter: http://twitter.com/bccommunion
O BLACK COUNTRY COMMUNION (anteriormente BLACK COUNTRY) é uma devastadora colisão de frente entre influências de rock americanas e britâncias – um verdadeiro supergrupo que traz uma experiência de rock titânica maior do que as somas de suas partes supremamente talentosas.
A semente para o BLACK COUNTRY COMMUNION foi plantada quando Hughes e o mestre guitarrista de blues e rock Joe Bonamassa uniram forças no palco em Los Angeles em novembro de 2009 para uma performance explosiva no evento Guitar Center's King of the Blues.
Fruto da criação do produtor Kevin Shirley (BLACK CROWES, Aerosmith, LED ZEPPELIN), a banda acrescentou à sua linhagem o enérgico baterista Jason Bonham (LED ZEPPELIN, FOREIGNER) e o tecladista Derek Sherinian (DREAM THEATER, BILLY IDOL, ALICE COOPER).
Recebendo o nome da área industrial na Grã Bretanha onde Hughes e Bonham nasceram e foram criados, o BLACK COUNTRY COMMUNION começou a ensaiar e gravar faixas escritas por Bonamassa e Hughes no Shangri-La Studios no início de 2010. Seu novo álbum, que ainda não tem nome, vai ser lançado em setembro de 2010.
BLACK COUNTRY COMMUNION, fez uma estréia surpresa durante um bis em um show do Bonamassa em 17 de março no Riverside Municipal Auditorium em Riverside, California. A banda tocou duas músicas - "One Last Soul" e um cover do clássico do Deep Purple "Mistreated".
BLACK COUNTRY COMMUNION - "ONE LAST SOUL"
segunda-feira, maio 31, 2010
Novo CD do Korzus, uma grande porrada

Este é o novo disco do Korzus, chamado "Discipline of Hate". O lançamento é hoje, via Laser Company. O disco foi produzido e mixado pelo vocalista Marcello Pompeu e pelo guitarrista Heros Trench no estúdio Mr. Som, em São Paulo. A edição nacional do álbum trará 14 faixas, incluindo "Truth", primeiro 'single' e videoclipe do novo trabalho, que pode ser conferido abaixo.
Tracklist:
01. Intro (Path to Discipline)
02. Discipline of Hate
03. Truth
04. 2012
05. Raise Your Soul
06. My Enemy
07. Revolution
08. Never Die
09. Slavery
10. Last Memories
11. Under His Command
12. Reap What You Sow
13. Hell
14. Hipocrisia (bônus nacional)

Este é o novo disco do Korzus, chamado "Discipline of Hate". O lançamento é hoje, via Laser Company. O disco foi produzido e mixado pelo vocalista Marcello Pompeu e pelo guitarrista Heros Trench no estúdio Mr. Som, em São Paulo. A edição nacional do álbum trará 14 faixas, incluindo "Truth", primeiro 'single' e videoclipe do novo trabalho, que pode ser conferido abaixo.
Tracklist:
01. Intro (Path to Discipline)
02. Discipline of Hate
03. Truth
04. 2012
05. Raise Your Soul
06. My Enemy
07. Revolution
08. Never Die
09. Slavery
10. Last Memories
11. Under His Command
12. Reap What You Sow
13. Hell
14. Hipocrisia (bônus nacional)
Uma coisa nem sempre leva à outra coisa
O jornal mensal Unidade, órgão do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, traz em seu último número, o 327, de maio de 2010, um estudo interessante realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia e pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).
Sob o título “Mídia Impressa no Brasil e a Promoção da Igualdade Racial”, teve por objetivo analisar a conduta dos três principais jornais nacionais e das três principais revistas semanais na questão das cotas para negros e outras categorias em diversos segmentos da sociedade.
A conclusão é de que os meios de comunicação mais importantes são contra a política de cotas raciais.
Apesar de reconhecer que os textos de reportagens são mais equilibrados e trazem informações dos dois lados e dão bom espaço para os defensores das cotas, o editoriais e outros textos opinativos vão na direção contrária.
A pesquisa é importante e traz dados bacanas a respeito de como o tema foi tratado na grande imprensa. Suas conclusões, no entanto, são preocupantes e podem induzir a erros.
A cobertura geral sobre o assunto é parcial? Sim, afirma o estudo, principalmente nos textos opinativos. Já nas reportagens há mais equilíbrio e pluralidade, com a tendência recaindo para o tom crítico às políticas já implantadas.
Um problema sério é que uma das conclusões dá a entender que os meios de comunicação são contrários às políticas de igualdade racial, embora isso não esteja explicitamente escrito.
A própria diretora do Ceert, Maria Aparecida Bento, trata de colocar a questão nos eixos: a grande imprensa é contra a política de cotas, não contra a igualdade racial. Uma coisa não leva necessariamente à outra. No caso, nem de longe.
Ser contra a política de cotas não quer dizer ser inimigo dos negros e das políticas de igualdade racial. O problema é que essa interpretação errônea serve de argumento falacioso a oportunistas sedentos por detratar a grande imprensa.
O estudo também traz uma conclusão implícita e carregada de juízo de valor: se os jornais são contra as políticas de cotas, são automaticamente contra a promoção da igualdade racial e, portanto, são inimigos da sociedade.
Até onde se pode perceber no Brasil, ainda não é crime os jornais terem opiniões próprias. A nossa democracia permite e tolera a divergência e as discordâncias. Desviar o foco e escamotear a verdade não ajudam a encontrar soluções para a inserção cada vez maior dos pobres à sociedade e à educação.
Concluir que a grande imprensa é contra a igualdade racial por se opor à política de cotas não só é mentira como crime – até porque essa tese é impossível de ser provada.
A mídia brasileira tem inúmeros pecados, e os mais graves geralmente são ignorados por seus críticos e detratores. Neste caso, erram o alvo quando atribuem uma culpa que não lhe cabe. Ser contra a política de cotas é legítimo e não torna ninguém racista.
O assunto é espinhoso e interminável, mas quanto mais for debatido, mais a sociedade ganha. Mais informações podem ser obtidas no endereço eletrônico observatório de mídia.
O jornal mensal Unidade, órgão do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, traz em seu último número, o 327, de maio de 2010, um estudo interessante realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia e pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).
Sob o título “Mídia Impressa no Brasil e a Promoção da Igualdade Racial”, teve por objetivo analisar a conduta dos três principais jornais nacionais e das três principais revistas semanais na questão das cotas para negros e outras categorias em diversos segmentos da sociedade.
A conclusão é de que os meios de comunicação mais importantes são contra a política de cotas raciais.
Apesar de reconhecer que os textos de reportagens são mais equilibrados e trazem informações dos dois lados e dão bom espaço para os defensores das cotas, o editoriais e outros textos opinativos vão na direção contrária.
A pesquisa é importante e traz dados bacanas a respeito de como o tema foi tratado na grande imprensa. Suas conclusões, no entanto, são preocupantes e podem induzir a erros.
A cobertura geral sobre o assunto é parcial? Sim, afirma o estudo, principalmente nos textos opinativos. Já nas reportagens há mais equilíbrio e pluralidade, com a tendência recaindo para o tom crítico às políticas já implantadas.
Um problema sério é que uma das conclusões dá a entender que os meios de comunicação são contrários às políticas de igualdade racial, embora isso não esteja explicitamente escrito.
A própria diretora do Ceert, Maria Aparecida Bento, trata de colocar a questão nos eixos: a grande imprensa é contra a política de cotas, não contra a igualdade racial. Uma coisa não leva necessariamente à outra. No caso, nem de longe.
Ser contra a política de cotas não quer dizer ser inimigo dos negros e das políticas de igualdade racial. O problema é que essa interpretação errônea serve de argumento falacioso a oportunistas sedentos por detratar a grande imprensa.
O estudo também traz uma conclusão implícita e carregada de juízo de valor: se os jornais são contra as políticas de cotas, são automaticamente contra a promoção da igualdade racial e, portanto, são inimigos da sociedade.
Até onde se pode perceber no Brasil, ainda não é crime os jornais terem opiniões próprias. A nossa democracia permite e tolera a divergência e as discordâncias. Desviar o foco e escamotear a verdade não ajudam a encontrar soluções para a inserção cada vez maior dos pobres à sociedade e à educação.
Concluir que a grande imprensa é contra a igualdade racial por se opor à política de cotas não só é mentira como crime – até porque essa tese é impossível de ser provada.
A mídia brasileira tem inúmeros pecados, e os mais graves geralmente são ignorados por seus críticos e detratores. Neste caso, erram o alvo quando atribuem uma culpa que não lhe cabe. Ser contra a política de cotas é legítimo e não torna ninguém racista.
O assunto é espinhoso e interminável, mas quanto mais for debatido, mais a sociedade ganha. Mais informações podem ser obtidas no endereço eletrônico observatório de mídia.
quinta-feira, maio 27, 2010
Sem Rod Stewart, The Faces anuncia retorno com vocalista do Simply Red e ex-Sex Pistols
DO UOL
Sucesso na década de 1970, a banda The Faces anunciou em seu site oficial o retorno aos palcos sem Rod Stewart, mas com três integrantes da formação original. O guitarrista do Rolling Stones Ronnie Wood, o baterista Kenney Jones e o tecladista Ian McLagan agora terão a companhia do vocalista do Simply Red, Mick Hucknall, e do ex-baixista do Sex Pistols, Glen Matlock.
"É empolgante seguir este caminho novamente e eu espero que os fãs do Faces estejam tão felizes quanto nós estamos", escreveu Wood no site. "O momento é perfeito, estamos empolgados e não vemos a hora de voltar aos palcos", disse Jones.
A banda vai ser uma das atrações do festival inglês Vintage at Goodwood, marcado para o dia 13 de agosto. No ano passado, o trio se reuniu com Hucknall nos vocais e o ex-Stones Bill Wyman no baixo para um show no tradicional Royal Albert Hall, em Londres.
No final do ano passado, McLagan já havia adiantado o retorno do Faces. "Esperamos muito tempo para que Rod [Stewart] aceitasse, mas ele disse não no final. Portanto vamos fazer a turnê de qualquer maneira", disse .
DO UOL
Sucesso na década de 1970, a banda The Faces anunciou em seu site oficial o retorno aos palcos sem Rod Stewart, mas com três integrantes da formação original. O guitarrista do Rolling Stones Ronnie Wood, o baterista Kenney Jones e o tecladista Ian McLagan agora terão a companhia do vocalista do Simply Red, Mick Hucknall, e do ex-baixista do Sex Pistols, Glen Matlock.
"É empolgante seguir este caminho novamente e eu espero que os fãs do Faces estejam tão felizes quanto nós estamos", escreveu Wood no site. "O momento é perfeito, estamos empolgados e não vemos a hora de voltar aos palcos", disse Jones.
A banda vai ser uma das atrações do festival inglês Vintage at Goodwood, marcado para o dia 13 de agosto. No ano passado, o trio se reuniu com Hucknall nos vocais e o ex-Stones Bill Wyman no baixo para um show no tradicional Royal Albert Hall, em Londres.
No final do ano passado, McLagan já havia adiantado o retorno do Faces. "Esperamos muito tempo para que Rod [Stewart] aceitasse, mas ele disse não no final. Portanto vamos fazer a turnê de qualquer maneira", disse .
TV Globo aprofunda a prática de alterar a realidade
A TV Globo está levando a extremos a prática stalinista de alterar a realidade. O ditador soviético, que patrocinou a morte de milhões de conterrâneos, costumava ordenar a apaniguados que apagassem das fotos oficiais do regime adversários eventuais ou eternos do regime.
A prática não é nova. A emissora ignora o jornalismo decente e simplesmente muda o nome de clubes e times nas transmissões que faz de jogos de futebol, vôlei, basquete e até fórmula 1.
No vôlei feminino o Rexona vira Rio de Janeiro, Bradesco-Finasa vira Osasco. No basquete feminino, a emissora ignora os patrocinadores e “nomeia” clubes com os nomes das cidades, como Ourinhos e São Caetano.
Na fórmula é mais ridículo ainda: Red Bull Racing é chamada assim no mundo todo, mas na Globo vira RBR. A Toro Rosso vira STR. E por aí vai.
Nas entrevistas coletivas de jogadores de qualquer modalidade transmitida, apenas o carão do entrevistado aparece na tela, tudo para evitar que os patrocinadores das equipes e mesmo pessoais dos jorgadores/atletas apareçam.
Não é à toa que, por causa dessa prática nojenta, cada vez menos empresas decidem patrocinar modalidades menos apreciadas. Já é uma luta conseguir dinheiro para bancar o esporte no Brasil, e ainda a maior emissora e seus canais ignoram os patrocínios.
Qual é a alegação? A emissora deciciu combater o que chama de mídia espontânea, contrariando todas as normas de bom jornalismo e de decência. Se alguém quer que o clube seja chamado pelo nome da empresa ou produto, que pague por isso.
Esse absurdo agora foi transferido para reportagens de entretenimento e programas diversos da Globo, como revelou o colunista Ricardo Feltrin, do UOL - leia aqui.
Segundo o jornalista, a prática já vem ocorrendo em reportagens desde o ano passado, mas agora também já atinge programas humorísticos como “Casseta & Planeta” e de fofoca e entretenimento sobre o mundo global , o Vídeo Show.
Não vai demorar muito para que as reportagens do jornalismo global passarão a ser literalmente virtuais, como aquelas imagens falsas de propaganda durante os jogos de futebol. Pior, corremos o risco de ver nos telejornais efeitos especiais dignos do filme “Senhor dos Anéis.”
A TV Globo está levando a extremos a prática stalinista de alterar a realidade. O ditador soviético, que patrocinou a morte de milhões de conterrâneos, costumava ordenar a apaniguados que apagassem das fotos oficiais do regime adversários eventuais ou eternos do regime.
A prática não é nova. A emissora ignora o jornalismo decente e simplesmente muda o nome de clubes e times nas transmissões que faz de jogos de futebol, vôlei, basquete e até fórmula 1.
No vôlei feminino o Rexona vira Rio de Janeiro, Bradesco-Finasa vira Osasco. No basquete feminino, a emissora ignora os patrocinadores e “nomeia” clubes com os nomes das cidades, como Ourinhos e São Caetano.
Na fórmula é mais ridículo ainda: Red Bull Racing é chamada assim no mundo todo, mas na Globo vira RBR. A Toro Rosso vira STR. E por aí vai.
Nas entrevistas coletivas de jogadores de qualquer modalidade transmitida, apenas o carão do entrevistado aparece na tela, tudo para evitar que os patrocinadores das equipes e mesmo pessoais dos jorgadores/atletas apareçam.
Não é à toa que, por causa dessa prática nojenta, cada vez menos empresas decidem patrocinar modalidades menos apreciadas. Já é uma luta conseguir dinheiro para bancar o esporte no Brasil, e ainda a maior emissora e seus canais ignoram os patrocínios.
Qual é a alegação? A emissora deciciu combater o que chama de mídia espontânea, contrariando todas as normas de bom jornalismo e de decência. Se alguém quer que o clube seja chamado pelo nome da empresa ou produto, que pague por isso.
Esse absurdo agora foi transferido para reportagens de entretenimento e programas diversos da Globo, como revelou o colunista Ricardo Feltrin, do UOL - leia aqui.
Segundo o jornalista, a prática já vem ocorrendo em reportagens desde o ano passado, mas agora também já atinge programas humorísticos como “Casseta & Planeta” e de fofoca e entretenimento sobre o mundo global , o Vídeo Show.
Não vai demorar muito para que as reportagens do jornalismo global passarão a ser literalmente virtuais, como aquelas imagens falsas de propaganda durante os jogos de futebol. Pior, corremos o risco de ver nos telejornais efeitos especiais dignos do filme “Senhor dos Anéis.”
terça-feira, maio 25, 2010
Prefiro acreditar no rock e em papai noel
O Cinemin é um dos melhores bares de São Bernardo na atualidade e é um reduto de gente inteligente. É frequentado por artistas, jornalistas, estudantes e profissionais liberais que gostam de boa comida, bebida de qualidade e muita música da melhor que existe.
Uma semana atrás, em uma mesa barulhenta recheada de intelectuais de boteco (no bom sentido), um deles narrava um episódio no qual perdera a namorada mais bonita que tivera em sua vida.
O professor cinquentão narra que no começo dos anos 80, ainda na faculdade de letras, conseguiu conquestar a mais bela garota da escola.
A ponto de se apaixonar, investiu no namoro sério, que já durava três meses, até que ela insistiu ipara fosse visitar a família, toda instalada em uma pequena cidade do interior, na região de São José do Rio Preto.
Após cinco horas de viagem de carro sob um calor senegalesco, chegou ao vilarejo que alguns chamavam de cidade e verificou que a família da moça era o que havia de mais conservador e retrógrado. Algo lhe dizia que o final de semana não iria acabar bem.
E ele nem chegou ao final do final de semana. Se no sábado foi tratado com cortesia, apesar da desconfiança dos pais e dos tios da menina, a situação ficou ruim à noite.
Empolgou-se com a pinga de alambique servida por um dos cunhados e pouco se lembra de como foi parar na cama para dormir, já de madrugada.
Às 6h30 de domingo, foi acordado de forma brusca pelo sogro. A família toda, sem exceção, deveria estar às 7h na igreja matriz para a missa, como em todos os domingos. Ainda meio zonzo, achou que fosse brincadeira.
Diante da insistência do sogro, e completamente abobado, irritou-se e mandou sem pensar: “Diga-me sinceramente um único motivo para ir a uma missa, seja a hora que for? O que é que vou fazer numa missa?”
A manhã nem bem terminou e ele já estava na rodoviária, prestes a embarcar para São Paulo, devidamente convidado a se retirar da cidade pelo já ex-sogro e por um séquito de amigos comedores de hóstia do ex-sogro. O ateísmo latente do professor acabou com o namoro com a mais bela mulher que conquistara.
A história surgiu coincidentemente no mesmo final de semana em que a Folha de S. Paulo trouxe uma interessante entrevista com o filósofo americano Daniel Dennett, ateu convicto e que lamenta o “obscurantismo de parte da população norte-americana, que sataniza os ateus da mesma forma que os homossexuais eram discriminados e hostilizados nos anos 50 e 60″.
Dennett vai mais além. Afirma que tentar conciliar biologia evolutiva com religião e crença em Deus é um ato de desespero intelectual. “As pessoas têm de aprender a conviver com os sem-Deus”.
Nada mais atual e inteligente. Religião, qualquer uma, é estelionato intelectual e não serve para absolutamente nada. Acreditar em Deus e em papai noel é a mesmíssima coisa. Só que defender tais ideias em um país com forte apelo religioso como é o Brasil é crime.
O brasileiro está ficando menos racista e está tolerando cada vez mais as diferenças, sobretudo as sexuais. Mas ainda é incapaz de entender e respeitar a tribo dos sem-Deus. Triste isso. É mais um sintoma de terceiromundismo, subdesenvolvimento e inferioridade intelectual em relação ao primeiro mundo.
Ir à missa e rezar é pura perda tempo. Prefiro perdê-lo ouvindo heavy metal e lendo “Deus, um Delírio”, livro do filósofo inglês Richard Dawkins, o principal intelectual da atualidade a espancar as religiões e a ideia da existência de um ser supremo.
O Cinemin é um dos melhores bares de São Bernardo na atualidade e é um reduto de gente inteligente. É frequentado por artistas, jornalistas, estudantes e profissionais liberais que gostam de boa comida, bebida de qualidade e muita música da melhor que existe.
Uma semana atrás, em uma mesa barulhenta recheada de intelectuais de boteco (no bom sentido), um deles narrava um episódio no qual perdera a namorada mais bonita que tivera em sua vida.
O professor cinquentão narra que no começo dos anos 80, ainda na faculdade de letras, conseguiu conquestar a mais bela garota da escola.
A ponto de se apaixonar, investiu no namoro sério, que já durava três meses, até que ela insistiu ipara fosse visitar a família, toda instalada em uma pequena cidade do interior, na região de São José do Rio Preto.
Após cinco horas de viagem de carro sob um calor senegalesco, chegou ao vilarejo que alguns chamavam de cidade e verificou que a família da moça era o que havia de mais conservador e retrógrado. Algo lhe dizia que o final de semana não iria acabar bem.
E ele nem chegou ao final do final de semana. Se no sábado foi tratado com cortesia, apesar da desconfiança dos pais e dos tios da menina, a situação ficou ruim à noite.
Empolgou-se com a pinga de alambique servida por um dos cunhados e pouco se lembra de como foi parar na cama para dormir, já de madrugada.
Às 6h30 de domingo, foi acordado de forma brusca pelo sogro. A família toda, sem exceção, deveria estar às 7h na igreja matriz para a missa, como em todos os domingos. Ainda meio zonzo, achou que fosse brincadeira.
Diante da insistência do sogro, e completamente abobado, irritou-se e mandou sem pensar: “Diga-me sinceramente um único motivo para ir a uma missa, seja a hora que for? O que é que vou fazer numa missa?”
A manhã nem bem terminou e ele já estava na rodoviária, prestes a embarcar para São Paulo, devidamente convidado a se retirar da cidade pelo já ex-sogro e por um séquito de amigos comedores de hóstia do ex-sogro. O ateísmo latente do professor acabou com o namoro com a mais bela mulher que conquistara.
A história surgiu coincidentemente no mesmo final de semana em que a Folha de S. Paulo trouxe uma interessante entrevista com o filósofo americano Daniel Dennett, ateu convicto e que lamenta o “obscurantismo de parte da população norte-americana, que sataniza os ateus da mesma forma que os homossexuais eram discriminados e hostilizados nos anos 50 e 60″.
Dennett vai mais além. Afirma que tentar conciliar biologia evolutiva com religião e crença em Deus é um ato de desespero intelectual. “As pessoas têm de aprender a conviver com os sem-Deus”.
Nada mais atual e inteligente. Religião, qualquer uma, é estelionato intelectual e não serve para absolutamente nada. Acreditar em Deus e em papai noel é a mesmíssima coisa. Só que defender tais ideias em um país com forte apelo religioso como é o Brasil é crime.
O brasileiro está ficando menos racista e está tolerando cada vez mais as diferenças, sobretudo as sexuais. Mas ainda é incapaz de entender e respeitar a tribo dos sem-Deus. Triste isso. É mais um sintoma de terceiromundismo, subdesenvolvimento e inferioridade intelectual em relação ao primeiro mundo.
Ir à missa e rezar é pura perda tempo. Prefiro perdê-lo ouvindo heavy metal e lendo “Deus, um Delírio”, livro do filósofo inglês Richard Dawkins, o principal intelectual da atualidade a espancar as religiões e a ideia da existência de um ser supremo.
segunda-feira, maio 24, 2010
O melhor tributo a Ronnie James Dio
Jorn Lande é um cantor norueguês de heavy metal que nada deve aos deuses do gênero e do classic rock. Elogiado pela versatilidade e pela qualidade técnica, mantém uma ativa carreira solo e já cantou em bandas importantes, como Company of Snakes e Masterplan (para a qual voltou recentemente).
Não perdeu tempo quando soube da morte de Ronnie James Dio, um dos seus ídolos e inspiração para que se tornasse cantor. Dio morreu aos 67 anos de câncer no estômago na semana retrasada.
Em menos de dez dias finalizou a melhor homenagem até agora feita ao vocalista morto. "Song for Ronnie James" deverá ser a faixa de abertura do próximo trabalho solo do cantor, "Dio", totalmente dedicado à obra de seu ídolo.
Lande já trabalhava no projeto antes da morte de Dio. Por mais que se fale em oportunismo, e não é o caso, não há como não atentar para a "coincidência" do lançamento da música e do CD, que chega às lojas em julho.
Não importa. Jorn Lane é um dos cinco melhores cantores de rock da nova geração e seu trabalho em "Song for Ronnie James" é estupendo.
JORN LANDE - "SONG FOR RONNIE JAMES"
Jorn Lande é um cantor norueguês de heavy metal que nada deve aos deuses do gênero e do classic rock. Elogiado pela versatilidade e pela qualidade técnica, mantém uma ativa carreira solo e já cantou em bandas importantes, como Company of Snakes e Masterplan (para a qual voltou recentemente).
Não perdeu tempo quando soube da morte de Ronnie James Dio, um dos seus ídolos e inspiração para que se tornasse cantor. Dio morreu aos 67 anos de câncer no estômago na semana retrasada.
Em menos de dez dias finalizou a melhor homenagem até agora feita ao vocalista morto. "Song for Ronnie James" deverá ser a faixa de abertura do próximo trabalho solo do cantor, "Dio", totalmente dedicado à obra de seu ídolo.
Lande já trabalhava no projeto antes da morte de Dio. Por mais que se fale em oportunismo, e não é o caso, não há como não atentar para a "coincidência" do lançamento da música e do CD, que chega às lojas em julho.
Não importa. Jorn Lane é um dos cinco melhores cantores de rock da nova geração e seu trabalho em "Song for Ronnie James" é estupendo.
JORN LANDE - "SONG FOR RONNIE JAMES"
sábado, maio 22, 2010
A diplomacia brasileira em seu devido lugar
O Conselho de Segurança da ONU tratou de enterrar devidamente a diplomacia terceiromundista e incompetente do Brasil. Até mesmo com o apoio de China e Rússia, discute-se o tamanho de novas sanções ao Irã, ignorando o tal acordo mediado por Lula e pelo primeiro-ministro turco, outro ingênuo que foi ludibriado pelos picaretas do país dos aiatolás.
Humilhação é pouco para descrever o que ocorreu com a diplomacia brasileira, que foi colocada em seu devido lugar: a irrelevância e a insignificância total. Parabéns, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim.
O Conselho de Segurança da ONU tratou de enterrar devidamente a diplomacia terceiromundista e incompetente do Brasil. Até mesmo com o apoio de China e Rússia, discute-se o tamanho de novas sanções ao Irã, ignorando o tal acordo mediado por Lula e pelo primeiro-ministro turco, outro ingênuo que foi ludibriado pelos picaretas do país dos aiatolás.
Humilhação é pouco para descrever o que ocorreu com a diplomacia brasileira, que foi colocada em seu devido lugar: a irrelevância e a insignificância total. Parabéns, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim.
Pela extinção da Virada Cultural
A Virada Cultural de São Paulo é uma ideia maravilhosa que perde o encanto a cada edição. A sexta, que ocorreu neste final de semana, teve muitas atrações interessantes e foi mais diversificada. Mas cresceu demais, especialmente no centro da cidade, que não está preparado para o tamanho atual do evento.
Além disso, está claro que a população da Grande São Paulo – reflexo também da população brasileira – não merece um evento maravilhoso como esse. A falta de educação e civilidade ficaram evidentes. Foram inúmeras as brigas, arruaças e atos de vandalismo.
O policiamento ficou aquém do necessário na região central, mas assim mesmo, qualquer que fosse o contingente, não daria conta de conter uma verdadeira horda de gente sem educação e completamente bêbada – nada contra os bêbados, mas contra os que não sabem beber e arrumam confusão.
Infelizmente, a recente festa do 1º de Maio em São Bernardo foi uma péssima mostra do que viria a ocorrer na Virada Cultural de São Paulo. Enquanto não houver educação, o povo não merece eventos gratuitos de qualidade.
E não se trata de educação formal. É coisa de civilidade mesmo, coisa que se aprende em casa, no convívio com amigos e na escola. Defendo a extinção da Virada Cultural.
A Virada Cultural de São Paulo é uma ideia maravilhosa que perde o encanto a cada edição. A sexta, que ocorreu neste final de semana, teve muitas atrações interessantes e foi mais diversificada. Mas cresceu demais, especialmente no centro da cidade, que não está preparado para o tamanho atual do evento.
Além disso, está claro que a população da Grande São Paulo – reflexo também da população brasileira – não merece um evento maravilhoso como esse. A falta de educação e civilidade ficaram evidentes. Foram inúmeras as brigas, arruaças e atos de vandalismo.
O policiamento ficou aquém do necessário na região central, mas assim mesmo, qualquer que fosse o contingente, não daria conta de conter uma verdadeira horda de gente sem educação e completamente bêbada – nada contra os bêbados, mas contra os que não sabem beber e arrumam confusão.
Infelizmente, a recente festa do 1º de Maio em São Bernardo foi uma péssima mostra do que viria a ocorrer na Virada Cultural de São Paulo. Enquanto não houver educação, o povo não merece eventos gratuitos de qualidade.
E não se trata de educação formal. É coisa de civilidade mesmo, coisa que se aprende em casa, no convívio com amigos e na escola. Defendo a extinção da Virada Cultural.