Fuja das compras pela internet
Não compre pela internet. É o que tenho recomendado a amigos e leitores nos últimos tempos. O serviço no Brasil não é confiável.
A quantidade de reclamações sobre o descumprimento do negócio por conta de empresas virtuais nacionais é enorme no Procon e no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DNPC), do Ministério da Justiça. E quem mais descumpre os negócios são as empresas gigantes.
Não se trata apenas de comprar e não receber. E comprar, não receber, ser cobrado e por um valor acima do verdadeiro. Fraude? Má-fé? Não interessa, o fato é que o esquema não funciona.
Não bastasse comprar, não receber e ser cobrado acima do valor combinado tem a fase mais complicada: lidar com o serviço de atendimento das empresas para tentar resolver o problema. São horas ao telefone para tentar reaver o dinheiro ou ao menos receber a promessa de quando receberá o produto comprado. Segundo o Procon-SP, em pelo menos 20% das ocasiões o cliente não consegue resolver.
Casos esdrúxulos como a de uma consumidora que teve um não como resposta à solicitação de reenvio do produto que não chegou. A empresa não só disse que não iria reenviar como duvidou da honestidade da consumidora paulistana. Ela, por sua vez, cancelou as compras no cartão de crédito e acabou tendo o nome enviado ao SPC pela loja virtual. Era o que a consumidora queria: por meio de advogado, entrou com duas ações por danos morais, tanto no Juizado Especial Cível, para causas mais simples e rápidas, como na Justiça comum. A indenização determinada pelo juizado foi de R$ 2 mil, depois que não houve acordo na conciliação. A consumidora considerou o valor muito baixo e exigiu mais na Justiça comum e conseguiu R$ 5 mil. A empresa recorreu, mas a sentença foi mantida. Só depois de tudo isso é que a consumidora foi procurada para negociar – proposta prontamente recusada.
Não é fácil abrir mão das facilidades que a internet supostamente oferece no comércio virtual, e é mais difícil ainda reunir paciência e coragem para acionar as empresas no Procon-SP e na Justiça. Mas só fazendo isso pra exercer a cidadania e garantir os seus direitos.
A generalização aqui é cabível, porque os problemas logísticos e o atendimento péssimo ao consumidor atingem todas as lojas virtuais brasileiras, grandes ou pequenas. Já fui assíduo comprador de CDs e livros pela internet no exterior e tive problema apenas duas vezes com mercadorias que não chegaram. Os sites não questionaram a minha honestidade. Primeiro me pediram para verificar nos Correios o que poderia ter acontecido, com o devido código em mãos; não havendo qualquer registro das mercadorias, prontamente me enviaram os produtos, sem a cobrança de frete.
Quanta diferença…
Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
segunda-feira, setembro 13, 2010
sábado, setembro 11, 2010
Saudades da CUT
Comecei a aprender alguma coisa sobre política no antigo ginásio, hoje ensino médio, lendo jornais.
As figuras predominantes na época, começo dos anos 80, eram Lula e Jair Meneguelli, então presidente da CUT, no lado do bem, e os nefastos Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia e toda uma corja que se amontoava no PMDB e no PDS (depois PFL, depois DEM), do lado do mal.
Ninguém falava de outros nomes. Gilson Menezes era um petista restrito ao ABCD como prefeito de Diadema. Djalma Bom era um petista que foi muito bem votado como deputado federal, mas também pouco ultrapassava os limites das sete cidades.
Meneguelli era o cara. Em seguida veio Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, que unificou e criou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, foi presidente da CUT e virou deputado federal. Só perdia em importância política para Lula.
Luiz Martinho trilhou o mesmo caminho de Vicentinho, ganhou projeção nacional como presidente do sindicato, subiu ainda mais como presidente da CUT, virou ministro e prefeito de São Bernardo.
Ou seja, a CUT tinha importância mais do que fundamental na política brasileira: era crucial para a existência de uma oposição séria e programática, com conteúdo. Aprendi bastante sobre política com a CUT e seus líderes.
Cadê a CUT agora? Só leio alguma coisa nos noticiários dos jornais às vésperas do 1º de Maio. A CUT sumiu dos jornais, da TV da vida cotidiana.
A Força Sindical, por seu lado, virou um feudo de um grupelho ligado ao PDT e ao deputado federal Paulinho da Silva. Submergiu da mesma forma que a CUT.
A perda de relevância – tomara que momentânea – da CUT não tem a ver diretamente com a administração do presidente Arthur Henriques.
É fruto de um processo que começou ainda nos anos 90 e, ironia do destino, acabou sendo parcialmente vítima do sucesso da política econômica que chegou ao auge no governo Lula.
Aparentemente, as pessoas precisam menos dos sindicatos e os colocaram em quarto plano em suas vidas pessoais. Ainda há demandas trabalhistas gigantescas no Brasil, mas a vida do trabalhador nos últimos oito anos, especialmente, melhorou bastante. O foco mudou.
Portanto, ou a CUT justifica seu passado e retoma a sua relevância na vida trabalhista e política do Brasil, ou terá o destino da Força Sindical e de outras pseudo-centrais, meros cartórios que servem apenas para tomar dinheiro do governo.
Da mesma forma, os sindicatos precisam se reinventar, até mesmo se tornar ONGs, com mais abrangência e mais funções sociais.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD caminha há anos nesta direção, mas precisa ser mais rápido e mais ágil. A instituição, infelizmente, também está ausente dos noticiários. Isso é ruim para a sociedade brasileira.
Comecei a aprender alguma coisa sobre política no antigo ginásio, hoje ensino médio, lendo jornais.
As figuras predominantes na época, começo dos anos 80, eram Lula e Jair Meneguelli, então presidente da CUT, no lado do bem, e os nefastos Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia e toda uma corja que se amontoava no PMDB e no PDS (depois PFL, depois DEM), do lado do mal.
Ninguém falava de outros nomes. Gilson Menezes era um petista restrito ao ABCD como prefeito de Diadema. Djalma Bom era um petista que foi muito bem votado como deputado federal, mas também pouco ultrapassava os limites das sete cidades.
Meneguelli era o cara. Em seguida veio Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, que unificou e criou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, foi presidente da CUT e virou deputado federal. Só perdia em importância política para Lula.
Luiz Martinho trilhou o mesmo caminho de Vicentinho, ganhou projeção nacional como presidente do sindicato, subiu ainda mais como presidente da CUT, virou ministro e prefeito de São Bernardo.
Ou seja, a CUT tinha importância mais do que fundamental na política brasileira: era crucial para a existência de uma oposição séria e programática, com conteúdo. Aprendi bastante sobre política com a CUT e seus líderes.
Cadê a CUT agora? Só leio alguma coisa nos noticiários dos jornais às vésperas do 1º de Maio. A CUT sumiu dos jornais, da TV da vida cotidiana.
A Força Sindical, por seu lado, virou um feudo de um grupelho ligado ao PDT e ao deputado federal Paulinho da Silva. Submergiu da mesma forma que a CUT.
A perda de relevância – tomara que momentânea – da CUT não tem a ver diretamente com a administração do presidente Arthur Henriques.
É fruto de um processo que começou ainda nos anos 90 e, ironia do destino, acabou sendo parcialmente vítima do sucesso da política econômica que chegou ao auge no governo Lula.
Aparentemente, as pessoas precisam menos dos sindicatos e os colocaram em quarto plano em suas vidas pessoais. Ainda há demandas trabalhistas gigantescas no Brasil, mas a vida do trabalhador nos últimos oito anos, especialmente, melhorou bastante. O foco mudou.
Portanto, ou a CUT justifica seu passado e retoma a sua relevância na vida trabalhista e política do Brasil, ou terá o destino da Força Sindical e de outras pseudo-centrais, meros cartórios que servem apenas para tomar dinheiro do governo.
Da mesma forma, os sindicatos precisam se reinventar, até mesmo se tornar ONGs, com mais abrangência e mais funções sociais.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD caminha há anos nesta direção, mas precisa ser mais rápido e mais ágil. A instituição, infelizmente, também está ausente dos noticiários. Isso é ruim para a sociedade brasileira.
quinta-feira, setembro 09, 2010
Cenas hilárias da eleição
A cada eleição o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio piora, e muito. A Quantidade de seres execráveis que ofendem a inteligência do eleitor é imensa, gente sem o menor pudor para expor de maneira vexatória, seja por conta das frases idiotas, pelos erros crassos de português ou simplesmente pelos nomes ridículos que adotam.
A moda agora é fazer jingles com paródias de músicas famosas. São os casos de seres inomináveis como Lindolfo Pires (DEM), um candidato a deputado estadual na Paraíba, que assassinou “Beat It”, de Michael Jackson. Escute a pérola:
http://www.youtube.com/watch?v=vpIzP09JwDE
Já o candidato a deputado estadual Claudir Maciel (PSB), cometeu o seguinte crime contra “I Want to Break Free”, do Queen, em Santa Catarina:
http://soundcloud.com/user9340729/eu-vou-votar-no-claudir-23123
Nem mesmo candidatos sérios escapam do vexame, como Cândido Vacarezza (PT), candidato à reeleição em São Paulo para deputado federal. Sua “versão” para a péssima “Rebolation” é de chorar:
http://soundcloud.com/user9340729/vaccarezza-reboletion
Mas hilário mesmo é ver gente completamente sem noção desfilar um monte de bobagens ideológicas, nas quais partidecos como PSTU e PCO são especialistas.
Uma coitada, candidata do PCO a deputada estuadal, não teve vergonha de bradar a “presença da Polícia Militar” no campus da USP, quando a corporação teve de intervir algumas vezes para tentar acabar com a baderna de grevistas e estudantes vagabundos.
Essa é a sua “plataforma”: lutar para “livrar” a USP da polícia e tornar o campus um lugar livre para a atuação de ladrões e criminosos em geral, além de permitir aos baderneiros e estudantes nem um pouco interessados em estudar fazer qualquer tipo arruaça, vandalismo e depredações.
A democracia é maravilhosa, mas às vezes é engraçada, e muitas outras bastante cansativa.
A cada eleição o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio piora, e muito. A Quantidade de seres execráveis que ofendem a inteligência do eleitor é imensa, gente sem o menor pudor para expor de maneira vexatória, seja por conta das frases idiotas, pelos erros crassos de português ou simplesmente pelos nomes ridículos que adotam.
A moda agora é fazer jingles com paródias de músicas famosas. São os casos de seres inomináveis como Lindolfo Pires (DEM), um candidato a deputado estadual na Paraíba, que assassinou “Beat It”, de Michael Jackson. Escute a pérola:
http://www.youtube.com/watch?v=vpIzP09JwDE
Já o candidato a deputado estadual Claudir Maciel (PSB), cometeu o seguinte crime contra “I Want to Break Free”, do Queen, em Santa Catarina:
http://soundcloud.com/user9340729/eu-vou-votar-no-claudir-23123
Nem mesmo candidatos sérios escapam do vexame, como Cândido Vacarezza (PT), candidato à reeleição em São Paulo para deputado federal. Sua “versão” para a péssima “Rebolation” é de chorar:
http://soundcloud.com/user9340729/vaccarezza-reboletion
Mas hilário mesmo é ver gente completamente sem noção desfilar um monte de bobagens ideológicas, nas quais partidecos como PSTU e PCO são especialistas.
Uma coitada, candidata do PCO a deputada estuadal, não teve vergonha de bradar a “presença da Polícia Militar” no campus da USP, quando a corporação teve de intervir algumas vezes para tentar acabar com a baderna de grevistas e estudantes vagabundos.
Essa é a sua “plataforma”: lutar para “livrar” a USP da polícia e tornar o campus um lugar livre para a atuação de ladrões e criminosos em geral, além de permitir aos baderneiros e estudantes nem um pouco interessados em estudar fazer qualquer tipo arruaça, vandalismo e depredações.
A democracia é maravilhosa, mas às vezes é engraçada, e muitas outras bastante cansativa.
quarta-feira, setembro 08, 2010
Descobriram que Itaquera existe
Onde fica Itaquera mesmo? É um bairro? É uma cidade? Quem lê os jornais paulistanos em busca de informações sobre os 100 anos do Corinthians tem a nítida impresão que a imprensa só descobriu agora o fundão da zona leste da Capital.
Repórteres escrevem sobre o local como se estivessem em outro mundo, em um lugar inóspito e habitado por tribos indígenas que nunca tiveram contato com os “ocidentais”.
É impossível não notar, além do despreparo de alguns profissionais, o preconceito implícito em muitos textos, especialmente na descrição da pobreza e da falta de infraestrutura básica no entorno do chamado centrinho de Itaquera.
O que diriam eses jornalistas, então, se soubessem da existência de locais ainda mais problemáticos em Mauá, por exemplo, ou em favelas paupérrimas na periferia de São Bernardo?
Essa espetacularização da pobreza e a falta de senso crítico ao se publicar qualquer declaração estapafúrdia sobre os supostos “beneficios” que o “suposto” estádio traria mostram claramente uma falta de compromisso como a informação.
Nenhuma publicação da Grande São Paulo se preocupou em analisar o que pode significar a obra-factoide para a região - não vai acontecer nada, não vai trazer crescimento, não vai gerar empregos, pois nenhum estádio do mundo teve esse poder.
Itaquera? Muito prazer…
Onde fica Itaquera mesmo? É um bairro? É uma cidade? Quem lê os jornais paulistanos em busca de informações sobre os 100 anos do Corinthians tem a nítida impresão que a imprensa só descobriu agora o fundão da zona leste da Capital.
Repórteres escrevem sobre o local como se estivessem em outro mundo, em um lugar inóspito e habitado por tribos indígenas que nunca tiveram contato com os “ocidentais”.
É impossível não notar, além do despreparo de alguns profissionais, o preconceito implícito em muitos textos, especialmente na descrição da pobreza e da falta de infraestrutura básica no entorno do chamado centrinho de Itaquera.
O que diriam eses jornalistas, então, se soubessem da existência de locais ainda mais problemáticos em Mauá, por exemplo, ou em favelas paupérrimas na periferia de São Bernardo?
Essa espetacularização da pobreza e a falta de senso crítico ao se publicar qualquer declaração estapafúrdia sobre os supostos “beneficios” que o “suposto” estádio traria mostram claramente uma falta de compromisso como a informação.
Nenhuma publicação da Grande São Paulo se preocupou em analisar o que pode significar a obra-factoide para a região - não vai acontecer nada, não vai trazer crescimento, não vai gerar empregos, pois nenhum estádio do mundo teve esse poder.
Itaquera? Muito prazer…
terça-feira, setembro 07, 2010
À mercê da delinquência estatal
A internet é terra de ninguém desde sempre, onde são cometidos crimes variados e fraudes diversas. O roubo de dados sigilosos é coisa comum, especialmente em relação a dados bancários e senhas para qualquer coisa. O mundo ainda engatinha na tentativa de coibir e punir esses crimes – no Brasil, então, a coisa é bem pior.
Quando o crime é cometido pelo Estado, então a situação é de total descontrole administrativo e de terror institucionalizado.
A cada semana surgem novas denúncias de utilização de dados privados sigilosos para fins políticos, eleitorais e criminais. É o fim do direito constitucional à privacidade garantido pela Constituição.
Qualquer funcionário de quinto escalão consegue ter acesso a informação financeira e patrimonial de qualquer cidadão brasileiro. É uma arma poderosa demais nas mãos de funcionários públicos graduados.
Imagine então nas mãos de gente desqualificada e pronta para delinquir, dentro de um Estado aparelhado em plena campanha eleitoral.
O crime cometido por funcionários da Receita Federal – e, ao que parece, do ABCD – é hediondo. Vasculhar a vida financeira e patrimonial de adversários políticos é um atentado à democracia e ao Estado de direito.
Significa que qualquer um de nós pode ser vítima de quadrilhas instaladas na administração pública que podem usar informações de forma política ou até mesmo para chantagear, extorquir e roubar.
O governo federal demora para dar explicações. Trata a questão como se fosse uma coisa menor, uma simples “infração administrativa”.
Lamentavelmente a face mais asquerosa e preocupante do aparelhamento do funcionalismo federal se manifesta no fim do governo Lula. Quem vai nos salvar?
A internet é terra de ninguém desde sempre, onde são cometidos crimes variados e fraudes diversas. O roubo de dados sigilosos é coisa comum, especialmente em relação a dados bancários e senhas para qualquer coisa. O mundo ainda engatinha na tentativa de coibir e punir esses crimes – no Brasil, então, a coisa é bem pior.
Quando o crime é cometido pelo Estado, então a situação é de total descontrole administrativo e de terror institucionalizado.
A cada semana surgem novas denúncias de utilização de dados privados sigilosos para fins políticos, eleitorais e criminais. É o fim do direito constitucional à privacidade garantido pela Constituição.
Qualquer funcionário de quinto escalão consegue ter acesso a informação financeira e patrimonial de qualquer cidadão brasileiro. É uma arma poderosa demais nas mãos de funcionários públicos graduados.
Imagine então nas mãos de gente desqualificada e pronta para delinquir, dentro de um Estado aparelhado em plena campanha eleitoral.
O crime cometido por funcionários da Receita Federal – e, ao que parece, do ABCD – é hediondo. Vasculhar a vida financeira e patrimonial de adversários políticos é um atentado à democracia e ao Estado de direito.
Significa que qualquer um de nós pode ser vítima de quadrilhas instaladas na administração pública que podem usar informações de forma política ou até mesmo para chantagear, extorquir e roubar.
O governo federal demora para dar explicações. Trata a questão como se fosse uma coisa menor, uma simples “infração administrativa”.
Lamentavelmente a face mais asquerosa e preocupante do aparelhamento do funcionalismo federal se manifesta no fim do governo Lula. Quem vai nos salvar?
Mais uma lei que precisa ‘pegar’
O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.
Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.
Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.
O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.
Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.
Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.
O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.
Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.
Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.
A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.
“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.
A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.
A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).
Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.
Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.
Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.
Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.
Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.
O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.
Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.
Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.
O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.
Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.
Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.
O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.
Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.
Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.
A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.
“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.
A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.
A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).
Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.
Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.
Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.
Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.
Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.
domingo, setembro 05, 2010
Onde a civilidade venceu o oportunismo
Um empresário de São Bernardo, leitor assíduo do ABCD Maior, me alertou outro dia ( ou será que, na verdade, ele me cobrou?) sobre uma questão: a campanha da Associação Viva São Bernardo para impedir a construção do cadeião da cidade no bairro Baeta Neves, perto do centro, não pode ser enquadrada nos casos que citei outro dia a respeito de Higienópolis, Pompeia, Perdizes e Moema?
Não, eu respondi. É unânime entre especialistas em urbanismo e segurança pública a tese de que presídios e centros de detenção precisam estar em regiões isoladas ou com pouca densidade demográfica, como nos Estados Unidos e na Europa. Não foi por outro motivo que a Penitenciária do Carandiru foi desativada.
O cadeião seria construído no terreno atrás do 1º Distrito Policial para substituir a carceragem destruída e inviável daquela delegacia. Manter estruturas penitenciárias em locais densamente povoados dificulta a manutenção e eventuais combates a rebeliões e fugas – como acontece hoje em Santo André, no cadeião que fica ao lado do 4º DP, na Vila Palmares.
Além do mais, tanto em São Bernardo como em Santo André os cadeiões chegariam bem depois dos moradores, e em áreas densamente povoadas.
Sob qualquer ponto de vista a construção do cadeião de São Bernardo na avenida Armando Ítalo Setti seria um despropósito.
O Baeta Neves e o centro são áreas densamente povoada e com movimento digno de uma metrópole. Construí-lo ali seria o maior erro, pois se trataria apenas de mera conveniência, já que o terreno da delegacia é do governo do Estado.
A mobilização iniciada pela Associação Viva São Bernardo conseguiu a rara proeza de unir políticos locais que eram adversários ferrenhos. Juntos, vereadores, deputados estaduais e federais fizeram um barulho danado e chamaram a atenção do governo do Estado.
A princípio alheio à movimentação, o então prefeito Maurício Soares (na época no PSB), então com boas relações com o Palácio dos Bandeirantes, evitou se envolver no assunto para não melindrar aliados, até que sua aguçada sensibilidade política percebeu o tamanho da encrenca.
Soares decidiu encampar o pleito depois de certa pressão de aliados municipais e usou seu ótimo relacionamento com o governador Mário Covas para ajudar a administração estadual a desistir da ideia e alterar o local do cadeião.
Mesma sorte não tiveram os moradores da Vila Palmares, de Santo André. Não houve movimentação popular forte o suficiente para chamar a atenção de políticos andreenses do prefeito de então para barrar o cadeião na área do 4º DP. Isso só aumenta o mérito da Associação Viva São Bernardo.
Um empresário de São Bernardo, leitor assíduo do ABCD Maior, me alertou outro dia ( ou será que, na verdade, ele me cobrou?) sobre uma questão: a campanha da Associação Viva São Bernardo para impedir a construção do cadeião da cidade no bairro Baeta Neves, perto do centro, não pode ser enquadrada nos casos que citei outro dia a respeito de Higienópolis, Pompeia, Perdizes e Moema?
Não, eu respondi. É unânime entre especialistas em urbanismo e segurança pública a tese de que presídios e centros de detenção precisam estar em regiões isoladas ou com pouca densidade demográfica, como nos Estados Unidos e na Europa. Não foi por outro motivo que a Penitenciária do Carandiru foi desativada.
O cadeião seria construído no terreno atrás do 1º Distrito Policial para substituir a carceragem destruída e inviável daquela delegacia. Manter estruturas penitenciárias em locais densamente povoados dificulta a manutenção e eventuais combates a rebeliões e fugas – como acontece hoje em Santo André, no cadeião que fica ao lado do 4º DP, na Vila Palmares.
Além do mais, tanto em São Bernardo como em Santo André os cadeiões chegariam bem depois dos moradores, e em áreas densamente povoadas.
Sob qualquer ponto de vista a construção do cadeião de São Bernardo na avenida Armando Ítalo Setti seria um despropósito.
O Baeta Neves e o centro são áreas densamente povoada e com movimento digno de uma metrópole. Construí-lo ali seria o maior erro, pois se trataria apenas de mera conveniência, já que o terreno da delegacia é do governo do Estado.
A mobilização iniciada pela Associação Viva São Bernardo conseguiu a rara proeza de unir políticos locais que eram adversários ferrenhos. Juntos, vereadores, deputados estaduais e federais fizeram um barulho danado e chamaram a atenção do governo do Estado.
A princípio alheio à movimentação, o então prefeito Maurício Soares (na época no PSB), então com boas relações com o Palácio dos Bandeirantes, evitou se envolver no assunto para não melindrar aliados, até que sua aguçada sensibilidade política percebeu o tamanho da encrenca.
Soares decidiu encampar o pleito depois de certa pressão de aliados municipais e usou seu ótimo relacionamento com o governador Mário Covas para ajudar a administração estadual a desistir da ideia e alterar o local do cadeião.
Mesma sorte não tiveram os moradores da Vila Palmares, de Santo André. Não houve movimentação popular forte o suficiente para chamar a atenção de políticos andreenses do prefeito de então para barrar o cadeião na área do 4º DP. Isso só aumenta o mérito da Associação Viva São Bernardo.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Civilidade x oportunismo
Três “manifestações” de associações de moradores da Capital neste final de semana chama a atenção para a total falta de espírito público e cívico de “entidades” que se dizem representantes de parcelas importantes da população.
Primeiro foram habitantes do rico bairro de Higienópolis que se armam contra a construção de uma eventual construção de estação de metrô, dentro da expansão da chamada linha 4, que ligará a Estação da Luz à Vila Sônia, próximo ao Morumbi.
Repórteres da Folha de S. Paulo ouviram de alguns comerciantes e moradores que “quem mora em Higienópolis não anda e não precisa de metrô”.
Que beleza, não é mesmo? E quem trabalha para esse tipo de ser execrável, será que não precisa de transporte público? Empregadas domésticas e comerciários que ali trabalham têm carro? Será que os patrões de Higienópolis pagam tão bem assim?
Após a publicação da reportagem da Folha, um jornalista do Estadão, que mora no bairro, narrou o que ouviu em uma cafeteria chique da praça Buenos Aires no último final de semana: “Não queremos esse tipo de gente (pessoas que andam de metrô) andando por aqui”.
A autora da frase era uma perua maquiada e usando casaco de pele, tentando domar seus três cachorros da raça Yorkshire Terrier.
Nos vizinhos Pompeia e Perdizes o alvo é a futura Arena Palestra, o estádio moderno que se supõe que será construído no local onde hoje está o Estádio Palestra Itália, o Parque Antártica.
O movimento de algumas associações é para que o Ministério Público investigue e barre a obra para 45 mil pessoas, alegando que irá inviabilizar a vida e o trânsito na zona oeste.
Já em Moema, os opositores ao aeroporto de Congonhas acordaram da hibernação e prometem mais barulho para fechar o “aeródromo”.
Sobre o nojento e asqueroso caso de Higienópolis, nada a acrescentar a esse episódio lamentável. Nos outros dois, só um detalhe: o aeroporto foi construído em 1936, quando Congonhas era um bairro afastado e desabitado.
O estádio Parque Antártica existe desde 1920, quando havia apenas algumas vilas no local. Portanto, chegaram primeiro. Os bairros, as casas chiques, os edifícios e os shoppings chegaram muito tempo depois.
Quem se estabeleceu por lá já sabia disso, pois é meio difícil deixar de perceber o estádio e o aeroporto. Portanto, ninguém pode reclamar de nada.
Um diretor do Palmeiras, clube dono do Parque Antártica, resumiu bem a questão: “O entorno do estádio ganhou recentemente dois shoppings centers enormes, várias torres residenciais e um complexo comercial e de escritórios gigante na avenida Francisco Matarazzo, e não me lembro de nenhum morador ter reclamado.”
São três exemplos dos mais nefastos de como os interesses privados podem entrar em conflito com as regras mais básicas da civilização.
Três “manifestações” de associações de moradores da Capital neste final de semana chama a atenção para a total falta de espírito público e cívico de “entidades” que se dizem representantes de parcelas importantes da população.
Primeiro foram habitantes do rico bairro de Higienópolis que se armam contra a construção de uma eventual construção de estação de metrô, dentro da expansão da chamada linha 4, que ligará a Estação da Luz à Vila Sônia, próximo ao Morumbi.
Repórteres da Folha de S. Paulo ouviram de alguns comerciantes e moradores que “quem mora em Higienópolis não anda e não precisa de metrô”.
Que beleza, não é mesmo? E quem trabalha para esse tipo de ser execrável, será que não precisa de transporte público? Empregadas domésticas e comerciários que ali trabalham têm carro? Será que os patrões de Higienópolis pagam tão bem assim?
Após a publicação da reportagem da Folha, um jornalista do Estadão, que mora no bairro, narrou o que ouviu em uma cafeteria chique da praça Buenos Aires no último final de semana: “Não queremos esse tipo de gente (pessoas que andam de metrô) andando por aqui”.
A autora da frase era uma perua maquiada e usando casaco de pele, tentando domar seus três cachorros da raça Yorkshire Terrier.
Nos vizinhos Pompeia e Perdizes o alvo é a futura Arena Palestra, o estádio moderno que se supõe que será construído no local onde hoje está o Estádio Palestra Itália, o Parque Antártica.
O movimento de algumas associações é para que o Ministério Público investigue e barre a obra para 45 mil pessoas, alegando que irá inviabilizar a vida e o trânsito na zona oeste.
Já em Moema, os opositores ao aeroporto de Congonhas acordaram da hibernação e prometem mais barulho para fechar o “aeródromo”.
Sobre o nojento e asqueroso caso de Higienópolis, nada a acrescentar a esse episódio lamentável. Nos outros dois, só um detalhe: o aeroporto foi construído em 1936, quando Congonhas era um bairro afastado e desabitado.
O estádio Parque Antártica existe desde 1920, quando havia apenas algumas vilas no local. Portanto, chegaram primeiro. Os bairros, as casas chiques, os edifícios e os shoppings chegaram muito tempo depois.
Quem se estabeleceu por lá já sabia disso, pois é meio difícil deixar de perceber o estádio e o aeroporto. Portanto, ninguém pode reclamar de nada.
Um diretor do Palmeiras, clube dono do Parque Antártica, resumiu bem a questão: “O entorno do estádio ganhou recentemente dois shoppings centers enormes, várias torres residenciais e um complexo comercial e de escritórios gigante na avenida Francisco Matarazzo, e não me lembro de nenhum morador ter reclamado.”
São três exemplos dos mais nefastos de como os interesses privados podem entrar em conflito com as regras mais básicas da civilização.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Uma biografia que poderia passar sem essa
O candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, é um homem honrado e de passado de invejar qualquer ser humano.
Foi um dos pilares do PT durante os anos 80. Ao lado de gente como Eduardo Suplicy, Cristóvão Buarque e muitos outros, representava a reserva moral do partido e, por que não, da política brasileira.
Mesmo defendendo hoje posições antiquadas e emboloradas, é impossível dissociar sua imagem à do grande orador e intelectual que é e que sempre representou o que de melhor o PT agregou desde a sua fundação.
Por tudo isso, não fico feliz de vê-lo hoje, aos 80 anos, no papel de animador de debates, já que não tem a menor chance de qualquer coisa na disputa.
Independentemente de concordar ou não com suas posições políticas, não é confortável vê-lo satirizando os protagonistas, fazendo blagues e até mesmo contando piadas.
Esse é o papel para gente que não se leva a sério, do nível de Levy Fidelix, de figuras folclóricas, como qualquer candidato do PCO ou do PSTU. Mesmo se fosse Heloísa Helena que estivesse no lugar de Sampaio, com certeza estaria deslocada e fora de sintonia. A biografia de Sampaio não precisa disso.
@@@@@@@@@@@@@@@@@
Leio estarrecido no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo desta sexta-feira que uma moradora de São Paulo, Aline Sasahara, ficou feliz da vida ao receber uma recenseadora do IBGE. Estava contente em participar do censo 2010.
Seu humor, no entanto, quando teve de responder à pergunta “quem era a pessoa responsável por aquele domicílio.” Segundo o IBGE, “é a pessoa reconhecida como tal pelos moradores”. Como Aline ainda não tem filhos, mora somente com o marido em casa.
Como dividem as despesas, a resposta foi óbvia: eu e meu marido somos os responsáveis. Só que o sistema operacional no qual o censo 2010 está baseado, ou seja, o programa de computador, não aceita tal resposta. O formulário só aceita uma pessoa como responsável. Qualquer resposta diferente disso impede o sistema de continuar a pesquisa.
Ter de suportar conceitos completamente fora da realidade em pleno século XXI é demais para qualquer ser pensante. Dizer que se trata de um detalhe irrelevante é jogar no lixo parte considerável dos resultados da pesquisa.
Aparentemente é um equívoco da pesquisa. Entretanto, é revelador de como pensam parte dos intelectuais que elaboraram os formulários e o próprio conceito do censo.
O candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, é um homem honrado e de passado de invejar qualquer ser humano.
Foi um dos pilares do PT durante os anos 80. Ao lado de gente como Eduardo Suplicy, Cristóvão Buarque e muitos outros, representava a reserva moral do partido e, por que não, da política brasileira.
Mesmo defendendo hoje posições antiquadas e emboloradas, é impossível dissociar sua imagem à do grande orador e intelectual que é e que sempre representou o que de melhor o PT agregou desde a sua fundação.
Por tudo isso, não fico feliz de vê-lo hoje, aos 80 anos, no papel de animador de debates, já que não tem a menor chance de qualquer coisa na disputa.
Independentemente de concordar ou não com suas posições políticas, não é confortável vê-lo satirizando os protagonistas, fazendo blagues e até mesmo contando piadas.
Esse é o papel para gente que não se leva a sério, do nível de Levy Fidelix, de figuras folclóricas, como qualquer candidato do PCO ou do PSTU. Mesmo se fosse Heloísa Helena que estivesse no lugar de Sampaio, com certeza estaria deslocada e fora de sintonia. A biografia de Sampaio não precisa disso.
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Leio estarrecido no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo desta sexta-feira que uma moradora de São Paulo, Aline Sasahara, ficou feliz da vida ao receber uma recenseadora do IBGE. Estava contente em participar do censo 2010.
Seu humor, no entanto, quando teve de responder à pergunta “quem era a pessoa responsável por aquele domicílio.” Segundo o IBGE, “é a pessoa reconhecida como tal pelos moradores”. Como Aline ainda não tem filhos, mora somente com o marido em casa.
Como dividem as despesas, a resposta foi óbvia: eu e meu marido somos os responsáveis. Só que o sistema operacional no qual o censo 2010 está baseado, ou seja, o programa de computador, não aceita tal resposta. O formulário só aceita uma pessoa como responsável. Qualquer resposta diferente disso impede o sistema de continuar a pesquisa.
Ter de suportar conceitos completamente fora da realidade em pleno século XXI é demais para qualquer ser pensante. Dizer que se trata de um detalhe irrelevante é jogar no lixo parte considerável dos resultados da pesquisa.
Aparentemente é um equívoco da pesquisa. Entretanto, é revelador de como pensam parte dos intelectuais que elaboraram os formulários e o próprio conceito do censo.
segunda-feira, agosto 30, 2010
Salvando a TV Cultura
Merece elogios a iniciativa de dois sindicatos de São Paulo, o dos Jornalistas e dos Radialistas e Profissionais de TV, de lançar a campanha “Salve a TV Cultura”. A nova administração da Fundação Padre Anchieta, que tem como presidente o economista João Sayad, promete dizimar a emissora.
Ele garante que não haverá demissões, mas, assim como todos os integrantes das administrações tucanas e demos, o economista não tem credibilidade.
A TV Cultura é vítima de sucateamento desde o primeiro governo Mário Covas, lá nos anos 90. A corte de verbas e de funcionários foi contínuo, destroçando a programação e qualidade de seu departamento de jornalismo.
Além da questão corporativa, já que os dois sindicatos prometem lutar e protestar contra eventuais – ou prováveis demissões –, as entidades querem que as características de TV pública da emissora sejam respeitadas.
Ao contrário da TV Brasil – criada de forma casuística pelo governo federal e cuja programação é secreta, porque ninguém a assiste (falta muita qualidade, em minha opinião – a Cultura apresentou quase sempre níveis notáveis de qualidade jornalística e de programas educativos e culturais.
Depois da TV Globo, é a emissora com maior número de prêmios internacionais, e sempre se destacou, em nível gerencial, por blindar sua programação (na medida do possível), das interferências políticas.
Isso era fato até o final do século passado, quando os tucanos acentuaram a política de sucateamento da emissora e as constantes mudanças nas diretorias e nos principais cargos do departamento de jornalismo.
Tenho profundas discordâncias com as diretorias dos dois sindicatos em relação ao conceito de TV pública – o modelo histórico da TV Cultura é bem mais adequado do que o chapa-branca da TV Brasil. Mas creio que a iniciativa é bastante louvável.
Merece elogios a iniciativa de dois sindicatos de São Paulo, o dos Jornalistas e dos Radialistas e Profissionais de TV, de lançar a campanha “Salve a TV Cultura”. A nova administração da Fundação Padre Anchieta, que tem como presidente o economista João Sayad, promete dizimar a emissora.
Ele garante que não haverá demissões, mas, assim como todos os integrantes das administrações tucanas e demos, o economista não tem credibilidade.
A TV Cultura é vítima de sucateamento desde o primeiro governo Mário Covas, lá nos anos 90. A corte de verbas e de funcionários foi contínuo, destroçando a programação e qualidade de seu departamento de jornalismo.
Além da questão corporativa, já que os dois sindicatos prometem lutar e protestar contra eventuais – ou prováveis demissões –, as entidades querem que as características de TV pública da emissora sejam respeitadas.
Ao contrário da TV Brasil – criada de forma casuística pelo governo federal e cuja programação é secreta, porque ninguém a assiste (falta muita qualidade, em minha opinião – a Cultura apresentou quase sempre níveis notáveis de qualidade jornalística e de programas educativos e culturais.
Depois da TV Globo, é a emissora com maior número de prêmios internacionais, e sempre se destacou, em nível gerencial, por blindar sua programação (na medida do possível), das interferências políticas.
Isso era fato até o final do século passado, quando os tucanos acentuaram a política de sucateamento da emissora e as constantes mudanças nas diretorias e nos principais cargos do departamento de jornalismo.
Tenho profundas discordâncias com as diretorias dos dois sindicatos em relação ao conceito de TV pública – o modelo histórico da TV Cultura é bem mais adequado do que o chapa-branca da TV Brasil. Mas creio que a iniciativa é bastante louvável.
sexta-feira, agosto 27, 2010
Os limites do discurso radical
O discurso radical tem limites? Essa é uma discussão interessante e pertinente levantada por uma reportagem obrigatória para quem se interessa por política e cultura publicada recentemente no jornal O Estado de S. Paulo, no caderno C2+Música.
O repórter Júlio Maria traça um perfil cuidadoso da decadência do rap na periferia paulistana, e sua substituição pelo intragável funk de inspiração carioca – nada a ver com o maravilhoso ritmo negro surgido nos Estados Unidos e que dominou as grandes cidades daquele país entre 1950 e 1980.
Sem desvios nem elucubrações, o autor vai direto à questão, com base em depoimentos dos próprios rappers: o gênero deixou de ser atrativo aos jovens, as letras de protesto e violência perderam a contundência, e a crítica social tornou-se um discurso vazio e sem penetração nos bairros.
A molecada do Capão Redondo e do Jardim Ângela, na zona sul da Capital, nem pensa duas vezes antes de revelar a sua preferência pela versão local ainda mais paupérrima do funk carioca: “MV Bill e Mano Brown já eram por aqui. A gente tá a fim mesmo de ir atrás da mulherada. Rap espanta as meninas”, diz um garoto de 15 anos chamado Guto, morador do Capão.
A derrocada do rap na periferia mais barra pesada da Grande São Paulo é uma tendência em toda região, menos em Diadema, onde o gênero, aliado ao hip-hop, está totalmente enraizado na cultura da cidade e da comunidade.
Essa situação coincide com o aprofundamento da guetificação do rap, basicamente em razão dos episódios violentos e de depredação verificados em grandes eventos realizados em 2007 e 2008 na Capital.
Os chamados radicais do movimento entraram em conflito com a polícia em um show dos Racionais MCs na Praça da Sé, na Virada Cultural de 2007, o que espantou investidores e organizadores de eventos do rap.
No ano seguinte, um encontro envolvendo rap e grafite terminou com pichação e depredação das instalações, o que provocou o cancelamento de diversos eventos e levou a Prefeitura de São Paulo a praticamente excluir o rap de sua programação cultural.
O texto do Estadão mostra os moderados do gênero admitindo que a situação é ruim e que uma mudança é necessária, tanto em termos de discurso como em atitude. Por outro lado, os “tradicionalistas” resistem e pregam não só a manutenção do radicalismo como o acirramento do discurso.
Enquanto isso a praga do funk prolifera. Como gênero musical e lírico, não atribuo muito valor ao rap, mas o considero uma manifestação cultural urbana muito importante, de inestimável valor sociológico e educacional. É a voz mais poderosa das periferias. Sua crise e seu encolhimento, mesmo que momentâneo, é ruim em todos os sentidos.
Que a consciência da realidade demonstrada pelos moderados do rap ilumine também certos setores da sociedade ainda contaminados com ideias emboloradas, que remetem à época do Muro de Berlim.
O discurso radical tem limites? Essa é uma discussão interessante e pertinente levantada por uma reportagem obrigatória para quem se interessa por política e cultura publicada recentemente no jornal O Estado de S. Paulo, no caderno C2+Música.
O repórter Júlio Maria traça um perfil cuidadoso da decadência do rap na periferia paulistana, e sua substituição pelo intragável funk de inspiração carioca – nada a ver com o maravilhoso ritmo negro surgido nos Estados Unidos e que dominou as grandes cidades daquele país entre 1950 e 1980.
Sem desvios nem elucubrações, o autor vai direto à questão, com base em depoimentos dos próprios rappers: o gênero deixou de ser atrativo aos jovens, as letras de protesto e violência perderam a contundência, e a crítica social tornou-se um discurso vazio e sem penetração nos bairros.
A molecada do Capão Redondo e do Jardim Ângela, na zona sul da Capital, nem pensa duas vezes antes de revelar a sua preferência pela versão local ainda mais paupérrima do funk carioca: “MV Bill e Mano Brown já eram por aqui. A gente tá a fim mesmo de ir atrás da mulherada. Rap espanta as meninas”, diz um garoto de 15 anos chamado Guto, morador do Capão.
A derrocada do rap na periferia mais barra pesada da Grande São Paulo é uma tendência em toda região, menos em Diadema, onde o gênero, aliado ao hip-hop, está totalmente enraizado na cultura da cidade e da comunidade.
Essa situação coincide com o aprofundamento da guetificação do rap, basicamente em razão dos episódios violentos e de depredação verificados em grandes eventos realizados em 2007 e 2008 na Capital.
Os chamados radicais do movimento entraram em conflito com a polícia em um show dos Racionais MCs na Praça da Sé, na Virada Cultural de 2007, o que espantou investidores e organizadores de eventos do rap.
No ano seguinte, um encontro envolvendo rap e grafite terminou com pichação e depredação das instalações, o que provocou o cancelamento de diversos eventos e levou a Prefeitura de São Paulo a praticamente excluir o rap de sua programação cultural.
O texto do Estadão mostra os moderados do gênero admitindo que a situação é ruim e que uma mudança é necessária, tanto em termos de discurso como em atitude. Por outro lado, os “tradicionalistas” resistem e pregam não só a manutenção do radicalismo como o acirramento do discurso.
Enquanto isso a praga do funk prolifera. Como gênero musical e lírico, não atribuo muito valor ao rap, mas o considero uma manifestação cultural urbana muito importante, de inestimável valor sociológico e educacional. É a voz mais poderosa das periferias. Sua crise e seu encolhimento, mesmo que momentâneo, é ruim em todos os sentidos.
Que a consciência da realidade demonstrada pelos moderados do rap ilumine também certos setores da sociedade ainda contaminados com ideias emboloradas, que remetem à época do Muro de Berlim.
quarta-feira, agosto 25, 2010
Mais uma lei que precisa "pegar"
O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.
Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.
Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.
O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.
Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.
Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.
O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.
Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.
Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.
A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.
“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.
A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.
A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).
Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.
Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.
Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.
Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.
Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.
O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.
Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.
Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.
O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.
Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.
Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.
O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.
Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.
Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.
A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.
“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.
A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.
A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).
Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.
Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.
Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.
Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.
Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.
domingo, agosto 22, 2010
Fuja das compras pela internet
Não compre pela internet. É o que tenho recomendado a amigos e leitores nos últimos tempos. É chato começar o meu primeiro texto para o Laboratório de Temas sugerindo a fuga do comércio virtual, mas o serviço no Brasil não é confiável.
A quantidade de reclamações sobre o descumprimento do negócio por conta de empresas virtuais nacionais é enorme no Procon e no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DNPC), do Ministério da Justiça. E quem mais descumpre os negócios são as empresas gigantes.
Não se trata apenas de comprar e não receber. E comprar, não receber, ser cobrado e por um valor acima do verdadeiro. Fraude? Má-fé? Não interessa, o fato é que o esquema não funciona.
Não bastasse comprar, não receber e ser cobrado acima do valor combinado tem a fase mais complicada: lidar com o serviço de atendimento das empresas para tentar resolver o problema. São horas ao telefone para tentar reaver o dinheiro ou ao menos receber a promessa de quando receberá o produto comprado. Segundo o Procon-SP, em pelo menos 20% das ocasiões o cliente não consegue resolver.
Casos esdrúxulos como a de uma consumidora que teve um não como resposta à solicitação de reenvio do produto que não chegou. A empresa não só disse que não iria reenviar como duvidou da honestidade da consumidora paulistana. Ela, por sua vez, cancelou as compras no cartão de crédito e acabou tendo o nome enviado ao SPC pela loja virtual. Era o que a consumidora queria: por meio de advogado, entrou com duas ações por danos morais, tanto no Juizado Especial Cível, para causas mais simples e rápidas, como na Justiça comum. A indenização determinada pelo juizado foi de R$ 2 mil, depois que não houve acordo na conciliação. A consumidora considerou o valor muito baixo e exigiu mais na Justiça comum e conseguiu R$ 5 mil. A empresa recorreu, mas a sentença foi mantida. Só depois de tudo isso é que a consumidora foi procurada para negociar – proposta prontamente recusada.
Não é fácil abrir mão das facilidades que a internet supostamente oferece no comércio virtual, e é mais difícil ainda reunir paciência e coragem para acionar as empresas no Procon-SP e na Justiça. Mas só fazendo isso pra exercer a cidadania e garantir os seus direitos.
A generalização aqui é cabível, porque os problemas logísticos e o atendimento péssimo ao consumidor atingem todas as lojas virtuais brasileiras, grandes ou pequenas. Já fui assíduo comprador de CDs e livros pela internet no exterior e tive problema apenas duas vezes com mercadorias que não chegaram. Os sites não questionaram a minha honestidade. Primeiro me pediram para verificar nos Correios o que poderia ter acontecido, com o devido código em mãos; não havendo qualquer registro das mercadorias, prontamente me enviaram os produtos, sem a cobrança de frete.
Quanta diferença...
Não compre pela internet. É o que tenho recomendado a amigos e leitores nos últimos tempos. É chato começar o meu primeiro texto para o Laboratório de Temas sugerindo a fuga do comércio virtual, mas o serviço no Brasil não é confiável.
A quantidade de reclamações sobre o descumprimento do negócio por conta de empresas virtuais nacionais é enorme no Procon e no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DNPC), do Ministério da Justiça. E quem mais descumpre os negócios são as empresas gigantes.
Não se trata apenas de comprar e não receber. E comprar, não receber, ser cobrado e por um valor acima do verdadeiro. Fraude? Má-fé? Não interessa, o fato é que o esquema não funciona.
Não bastasse comprar, não receber e ser cobrado acima do valor combinado tem a fase mais complicada: lidar com o serviço de atendimento das empresas para tentar resolver o problema. São horas ao telefone para tentar reaver o dinheiro ou ao menos receber a promessa de quando receberá o produto comprado. Segundo o Procon-SP, em pelo menos 20% das ocasiões o cliente não consegue resolver.
Casos esdrúxulos como a de uma consumidora que teve um não como resposta à solicitação de reenvio do produto que não chegou. A empresa não só disse que não iria reenviar como duvidou da honestidade da consumidora paulistana. Ela, por sua vez, cancelou as compras no cartão de crédito e acabou tendo o nome enviado ao SPC pela loja virtual. Era o que a consumidora queria: por meio de advogado, entrou com duas ações por danos morais, tanto no Juizado Especial Cível, para causas mais simples e rápidas, como na Justiça comum. A indenização determinada pelo juizado foi de R$ 2 mil, depois que não houve acordo na conciliação. A consumidora considerou o valor muito baixo e exigiu mais na Justiça comum e conseguiu R$ 5 mil. A empresa recorreu, mas a sentença foi mantida. Só depois de tudo isso é que a consumidora foi procurada para negociar – proposta prontamente recusada.
Não é fácil abrir mão das facilidades que a internet supostamente oferece no comércio virtual, e é mais difícil ainda reunir paciência e coragem para acionar as empresas no Procon-SP e na Justiça. Mas só fazendo isso pra exercer a cidadania e garantir os seus direitos.
A generalização aqui é cabível, porque os problemas logísticos e o atendimento péssimo ao consumidor atingem todas as lojas virtuais brasileiras, grandes ou pequenas. Já fui assíduo comprador de CDs e livros pela internet no exterior e tive problema apenas duas vezes com mercadorias que não chegaram. Os sites não questionaram a minha honestidade. Primeiro me pediram para verificar nos Correios o que poderia ter acontecido, com o devido código em mãos; não havendo qualquer registro das mercadorias, prontamente me enviaram os produtos, sem a cobrança de frete.
Quanta diferença...
sexta-feira, agosto 20, 2010
Por que filmes ruins têm finais previsíveis?
Uma empresa de engenharia que jamais construiu uma casinha de bonecas foi escolhida pelo governo do Ceará para reformar o Castelão, o estádio de Fortaleza para a copa de 2014. A empresa Marquise apresentou laudos fajutos de um escritório falido para se “habilitar” a reconstruir um estádio.
A Marquise pertence a pessoas muito chegadas a funcionários de altíssimo escalão do governo Cid Gomes. A escolha desta empresa já havia sido antecipada há mais de um mês por pelo menos três veículos de comunicação.
Por que será que não me espanta esse caso de “tráfico de influência”, para não dizer de corrupção? Essa será a tônica nos negócios da Copa.
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Por que será que era previsível a “descoberta” de tráfico de influência e incompetência monumentais nos Correios?
Por que será que a queda drástica na qualidade dos serviços dessa que já foi uma das maiores empresas públicas do Brasil está sendo atribuída ao loteamento político de suas diretorias para apaniguados do PMDB e PTB, partidos conhecidos como fisiológicos e tolerantes com a corrupção?
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Trem-bala inútil e totalmente desncessário, que deverá custar R$ 33 bilhões, dinheiro suficiente para restaurar e ampliar toda a malha ferroviária do Brasil, ou então ampliar ou implantar metrôs em várias regiões metropolitanas do Brasil.
Alguém tem dúvidas a respeito da ocorrência de negociatas e corrupção pura e simples nesta “obra”? A quem interessa a “rapidez” na decisão de realizar essa obra estapafúrdia?
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Em que pé está o tão alardeado projeto de reestruturação viária de São Bernardo, coordenado por Eurico Leite, que foi secretário do governo William Dib (então no PPS)?
Uma empresa de engenharia que jamais construiu uma casinha de bonecas foi escolhida pelo governo do Ceará para reformar o Castelão, o estádio de Fortaleza para a copa de 2014. A empresa Marquise apresentou laudos fajutos de um escritório falido para se “habilitar” a reconstruir um estádio.
A Marquise pertence a pessoas muito chegadas a funcionários de altíssimo escalão do governo Cid Gomes. A escolha desta empresa já havia sido antecipada há mais de um mês por pelo menos três veículos de comunicação.
Por que será que não me espanta esse caso de “tráfico de influência”, para não dizer de corrupção? Essa será a tônica nos negócios da Copa.
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Por que será que era previsível a “descoberta” de tráfico de influência e incompetência monumentais nos Correios?
Por que será que a queda drástica na qualidade dos serviços dessa que já foi uma das maiores empresas públicas do Brasil está sendo atribuída ao loteamento político de suas diretorias para apaniguados do PMDB e PTB, partidos conhecidos como fisiológicos e tolerantes com a corrupção?
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Trem-bala inútil e totalmente desncessário, que deverá custar R$ 33 bilhões, dinheiro suficiente para restaurar e ampliar toda a malha ferroviária do Brasil, ou então ampliar ou implantar metrôs em várias regiões metropolitanas do Brasil.
Alguém tem dúvidas a respeito da ocorrência de negociatas e corrupção pura e simples nesta “obra”? A quem interessa a “rapidez” na decisão de realizar essa obra estapafúrdia?
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Em que pé está o tão alardeado projeto de reestruturação viária de São Bernardo, coordenado por Eurico Leite, que foi secretário do governo William Dib (então no PPS)?
quarta-feira, agosto 18, 2010
Comentários esparsos
Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, foi muito mal no debate da TV Bandeirantes, mas melhorou demais nas entrevistas individuais que deu em seguida, especialmente no Jornal Nacional. Mostrou-se firme, determinada e enfrentou a má postura dos apresentadores.
José Serra, do PSDB, também foi bem no Jornal Nacional, mas ainda não cativa o eleitorado indeciso. É muito professoral e pedante. Não está sendo páreo para Dilma nas entrevistas neste momento.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Aloízio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, precisará de muito mais conteúdo do que as batidas críticas ao preço dos pedágios. Não que ele não tenha conteúdo, o problema é que ele está muito atrás de Geraldo Alckmin, do PSDB, nas pesquisas de intenção de voto. Terá de se reinventar para almejar alguma coisa nestas eleições.
Ele é de longe o melhor candidato do pleito. Entretanto, ele luta contra dois problemas complicados: o desconhecimento de sua candidatura por parte do eleitorado e certa rejeição entre os eleitores mais escolarizados e informados por conta de episódios no Congresso em que acabou voltando atrás mesmo tendo suas posições pisoteadas pelo Palácio do Planalto e pelo partido.
Suas chances devem melhorar um pouco com o começo da propaganda política na televisão, mas talvez não seja suficiente para eliminar a enorme distância que o separa de Alckmin. Perde o povo de São Paulo, infelizmente.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
O desempenho de Mercadante no debate da TV Bandeirantes, aliás, foi bom, mas o candidato precisa ser mais contundente, especialmente em um evento onde Geraldo Alckmin foi o alvo e ficou isolado tentando se defender das patadas (totalmente merecidas).
O petista insistiu bastante nas mesmas teclas e ficou repetitivo. O apoio que recebeu em alguns momentos de Celso Russomano e Paulo Skaf agravou essa questão, ajudando a tornar o debate quase insuportável. Deu dó de Alckmin…
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Quem será o próximo técnico da seleção brasileira? Mano Menezes não resiste até o começo de 2011. Corre o risco de ficar marcado como o técnico que comandou a pior seleção de todos os tempos.
O jogo contra os Estados Unidos não deve ser levado em consideração pela fragilidade extrema do adversário, escolhido a dedo pela CBF e pela emrpesa que organiza os amistosos da seleção.
Uma equipe nacional que joga em casa tendo a torcida majoritariamente contra não pode ser levada a sério. Lembra a Portuguesa e o São Caetano quando jogam em casa contra times grandes de São Paulo e outros como Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Bahia, Sport e mais alguns…
@@@@@@@@@@@@@@@
Alguns leitores me provocam por conta das minhas críticas aos excessivos elogios ao mediano tiome do Santos, com seus moleques impertinentes e folgados, que ainda precisam jogar muito, mas muito para merecerem rótulos como “bom jogador”.
As duas partidas das finais da Copa do Brasil só reforçaram o que acho da atual equipe litorânea: é aquele cachorro que é valente e late grosso quando está em seu quintal, protegido pelas paredes e por grades; fora de casa não passa de um pequinês mansinho que aceita a pressão do adversário. Foi assim em Salvador e foi assim na segunda partida decisiva do Paulistão, no Pacaembu.
Mas o chato mesmo é o comportamento de torcedor de time pequeno que os santistas adotam, quando afirmam de cinco em cinco minutos que o time é bom, é o melhor e outras bobagens.
Isso acontece provavelmente porque sabem que o Santos na verdade nunca passou de uma Ponte Preta que teve Pelé e seus 12 anos de glória. Ou será que o time da praia não passa de um Bragantinão?
Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, foi muito mal no debate da TV Bandeirantes, mas melhorou demais nas entrevistas individuais que deu em seguida, especialmente no Jornal Nacional. Mostrou-se firme, determinada e enfrentou a má postura dos apresentadores.
José Serra, do PSDB, também foi bem no Jornal Nacional, mas ainda não cativa o eleitorado indeciso. É muito professoral e pedante. Não está sendo páreo para Dilma nas entrevistas neste momento.
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Aloízio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, precisará de muito mais conteúdo do que as batidas críticas ao preço dos pedágios. Não que ele não tenha conteúdo, o problema é que ele está muito atrás de Geraldo Alckmin, do PSDB, nas pesquisas de intenção de voto. Terá de se reinventar para almejar alguma coisa nestas eleições.
Ele é de longe o melhor candidato do pleito. Entretanto, ele luta contra dois problemas complicados: o desconhecimento de sua candidatura por parte do eleitorado e certa rejeição entre os eleitores mais escolarizados e informados por conta de episódios no Congresso em que acabou voltando atrás mesmo tendo suas posições pisoteadas pelo Palácio do Planalto e pelo partido.
Suas chances devem melhorar um pouco com o começo da propaganda política na televisão, mas talvez não seja suficiente para eliminar a enorme distância que o separa de Alckmin. Perde o povo de São Paulo, infelizmente.
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O desempenho de Mercadante no debate da TV Bandeirantes, aliás, foi bom, mas o candidato precisa ser mais contundente, especialmente em um evento onde Geraldo Alckmin foi o alvo e ficou isolado tentando se defender das patadas (totalmente merecidas).
O petista insistiu bastante nas mesmas teclas e ficou repetitivo. O apoio que recebeu em alguns momentos de Celso Russomano e Paulo Skaf agravou essa questão, ajudando a tornar o debate quase insuportável. Deu dó de Alckmin…
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Quem será o próximo técnico da seleção brasileira? Mano Menezes não resiste até o começo de 2011. Corre o risco de ficar marcado como o técnico que comandou a pior seleção de todos os tempos.
O jogo contra os Estados Unidos não deve ser levado em consideração pela fragilidade extrema do adversário, escolhido a dedo pela CBF e pela emrpesa que organiza os amistosos da seleção.
Uma equipe nacional que joga em casa tendo a torcida majoritariamente contra não pode ser levada a sério. Lembra a Portuguesa e o São Caetano quando jogam em casa contra times grandes de São Paulo e outros como Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Bahia, Sport e mais alguns…
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Alguns leitores me provocam por conta das minhas críticas aos excessivos elogios ao mediano tiome do Santos, com seus moleques impertinentes e folgados, que ainda precisam jogar muito, mas muito para merecerem rótulos como “bom jogador”.
As duas partidas das finais da Copa do Brasil só reforçaram o que acho da atual equipe litorânea: é aquele cachorro que é valente e late grosso quando está em seu quintal, protegido pelas paredes e por grades; fora de casa não passa de um pequinês mansinho que aceita a pressão do adversário. Foi assim em Salvador e foi assim na segunda partida decisiva do Paulistão, no Pacaembu.
Mas o chato mesmo é o comportamento de torcedor de time pequeno que os santistas adotam, quando afirmam de cinco em cinco minutos que o time é bom, é o melhor e outras bobagens.
Isso acontece provavelmente porque sabem que o Santos na verdade nunca passou de uma Ponte Preta que teve Pelé e seus 12 anos de glória. Ou será que o time da praia não passa de um Bragantinão?
A política do bocejo
O primeiro debate entre os presidenciáveis na TV foi vítima de uma grande infelicidade - ou seria falta de atenção/inteligência? Ocorreu simultaneamente ao jogo entre São Paulo e Internacional pela Copa Libertadores, em jogo que valia vaga para a final.
Para azar dos organizadores e dos presidenciáveis, o jogo foi excelente em todos os quesitos, como deve ser uma semifinal de torneio continental.
Nâo bastasse isso, o debate provocou sono. Nenhum dos quatro candidatos presentes se mostrou digno de dirigir o país. Sobrou retórica vazia, faltaram argumentos e propostas sérias. Uma palestra de física quântica para crianças com certeza seria muito mais interessante.
José Serra (PSDB) se mostrou perdido e sem foco, buscando o ataque sem sucesso. Dilma Rousseff (PT) ficou na defesa o tempo todo. Não comprometeu, mas se mostrou muito fraca na TV e extremamente dependente de um roteiro pré-estabelecido. Em algumas passagens demonstrou ter problemas para encontrar conteúdo em suas respostas.
Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) eram apenas figurantes, sendo que este não foi levado a sério por ninguém - provavelmente nem por ele mesmo.
Era visível que os dois principais candidatos estavam mais contidos e que houve nervosismo no começo do debate. A tendência é que haja uma melhora nos próximos debates, ainda que tenhamos de aguentar algumas piadinhas e a total irrelevância de Sampaio.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Plínio de Arruda Sampaio é uma excrescência em pssoa, uma piada em si mesmo. Não teve a menor vergonha ao pregar o crime durante o debate - a invasão de terras e a supressão de propriedade privada. Ainda prega a luta de classes, nada mais absurdo e fora de moda.
A plataforma política retrógrada de seu partideco é o que há de mais estapafúrdio no espectro político brasileiro. Está pelo menos 130 anos atrasada.
Mas o pior mesmo é defender o crime, ao dizer que vai incentivar as invasões de terra. Não bastasse, ainda prega o calote na dívida pública e na dívida interna. Prega a irresponsabilidade. Como ele e seu partido são irrelevantes em todos os sentidos, apenas faz rir.
Já Marina Silva pelo menos tem vergonha e bom senso e foge dessa tralha ideológica execrável e embolorada. Como candidata, ela representa o retrocesso em todas as áreas, entre outras coisas porque é ambientalista e evangélica, mas ao menos demonstra tino político ao defender a democracia e o diálogo.
O primeiro debate entre os presidenciáveis na TV foi vítima de uma grande infelicidade - ou seria falta de atenção/inteligência? Ocorreu simultaneamente ao jogo entre São Paulo e Internacional pela Copa Libertadores, em jogo que valia vaga para a final.
Para azar dos organizadores e dos presidenciáveis, o jogo foi excelente em todos os quesitos, como deve ser uma semifinal de torneio continental.
Nâo bastasse isso, o debate provocou sono. Nenhum dos quatro candidatos presentes se mostrou digno de dirigir o país. Sobrou retórica vazia, faltaram argumentos e propostas sérias. Uma palestra de física quântica para crianças com certeza seria muito mais interessante.
José Serra (PSDB) se mostrou perdido e sem foco, buscando o ataque sem sucesso. Dilma Rousseff (PT) ficou na defesa o tempo todo. Não comprometeu, mas se mostrou muito fraca na TV e extremamente dependente de um roteiro pré-estabelecido. Em algumas passagens demonstrou ter problemas para encontrar conteúdo em suas respostas.
Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) eram apenas figurantes, sendo que este não foi levado a sério por ninguém - provavelmente nem por ele mesmo.
Era visível que os dois principais candidatos estavam mais contidos e que houve nervosismo no começo do debate. A tendência é que haja uma melhora nos próximos debates, ainda que tenhamos de aguentar algumas piadinhas e a total irrelevância de Sampaio.
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Plínio de Arruda Sampaio é uma excrescência em pssoa, uma piada em si mesmo. Não teve a menor vergonha ao pregar o crime durante o debate - a invasão de terras e a supressão de propriedade privada. Ainda prega a luta de classes, nada mais absurdo e fora de moda.
A plataforma política retrógrada de seu partideco é o que há de mais estapafúrdio no espectro político brasileiro. Está pelo menos 130 anos atrasada.
Mas o pior mesmo é defender o crime, ao dizer que vai incentivar as invasões de terra. Não bastasse, ainda prega o calote na dívida pública e na dívida interna. Prega a irresponsabilidade. Como ele e seu partido são irrelevantes em todos os sentidos, apenas faz rir.
Já Marina Silva pelo menos tem vergonha e bom senso e foge dessa tralha ideológica execrável e embolorada. Como candidata, ela representa o retrocesso em todas as áreas, entre outras coisas porque é ambientalista e evangélica, mas ao menos demonstra tino político ao defender a democracia e o diálogo.
sábado, agosto 14, 2010
Caos aéreo de volta, torcidas em festa e insanidades variadas
uita gente desandou a tratar a questão dos problemas dos aeroportos do país como se fosse mera briga política entre o presidente Lula e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que criticou (com razão) a lentidão nas obras para a Copa de 2014.
Mas eis que nesta segunda-feira os passageiros da Gol enfrentaram uma onda de atrasos e cancelamentos de voos pelos País. Os problemas, diz a empresa, foram provocados por uma pane no sistema que define a escala de trabalho das tripulações, além de sobrecarga na malha área gerada pelo fim das férias.
Mas, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), a decisão de cancelar voos partiu da companhia, para evitar que funcionários voassem mais do que a legislação permite.
Dos 711 voos programados pela Gol entre meia-noite e às 20 horas de ontem, 373 (52,5%) registravam atrasos iguais ou superiores a 30 minutos e 90 (12,7%) haviam sido cancelados, conforme balanço da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
Ignorar as deficiências do sistema aeroportuário e seu criminoso atraso nas obras é desonestidade intelectual. Defender a Copa de 2014 no Brasil é irresponsabilidade.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Fórmula 1 é esporte? Já foi, hoje não é mais. O episódio Felipe Massa-Fernando Alonso no Grande Prêmio da Alemanha só explicitou pela segunda vez o que é corriqueiro na categoria: as vitórias são definidas e decidas nos escritórios e boxes.
Nos três episódios recentes de manipulação de resultados, três pilotos estavam envolvidos, e sempre fazendo o pior papel, o do covarde e subserviente.
Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet e Felipe Massa são gente da pior espécie, capachos e moleques de recado, sempre dispostos a lamber as botas dos chefes de equipe. Merecem a lata de lixo da história.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Como já era esperado, a polêmica levantada pelo bonequinho de ventríloquo que é o vice da chapa de José Serra morreu de inanição.
As estapafúrdias acusações e alegações agora abraçadas pelos tucanos de que o PT é aliado dos criminosos colombianos das Farc não se sustentou nem por uma semana, mesmo com revistas semanais “pilhando” o assunto.
Deste episódio insano e ridículo, restaram duas lições. A primeira é que o PT e a cúpula da campanha de Dilma Rousseff estão demorando a reagir a esse lixo político despejado pelos desqualificados da camarilha PSDB-DEM – eu esperava muito mais dos petistas na resposta a essa insanidade.
A segunda coisa é que ficou claro que, por mais baixaria que a campanha venha a envolver, todo cuidado é pouco nas hostes petistas. A distância das Farc tem de ser de anos-luz, assim como de qualquer tipo de encrenca.
Quanto mais longe de Morales e Chávez da vida, melhor. Não agregam votos, mas são capazes de afugentá-los.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
E por falar em insanidades, o novo “Estatuto do Torcedor” nasce morto e enterrado, como as torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians trataram de mostrar no último final de semana.
Proibir xingamentos a juízes e adversários e só uma das bobagens contidas no texto, sem falar na proibição dos “cânticos ofensivos”.
A lei já existe, sempre existiu, é só cumpri-la. Que os vândalos e bandidos seja presos, encarcerados e processados, e que a polícia não tenha dó de espancá-los quando for preciso, nos casos de batalhas campais dentro e fora dos estádios. O resto é firula.
O novo texto é mais uma desmoralização do governo e do poder estatal.
uita gente desandou a tratar a questão dos problemas dos aeroportos do país como se fosse mera briga política entre o presidente Lula e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que criticou (com razão) a lentidão nas obras para a Copa de 2014.
Mas eis que nesta segunda-feira os passageiros da Gol enfrentaram uma onda de atrasos e cancelamentos de voos pelos País. Os problemas, diz a empresa, foram provocados por uma pane no sistema que define a escala de trabalho das tripulações, além de sobrecarga na malha área gerada pelo fim das férias.
Mas, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), a decisão de cancelar voos partiu da companhia, para evitar que funcionários voassem mais do que a legislação permite.
Dos 711 voos programados pela Gol entre meia-noite e às 20 horas de ontem, 373 (52,5%) registravam atrasos iguais ou superiores a 30 minutos e 90 (12,7%) haviam sido cancelados, conforme balanço da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
Ignorar as deficiências do sistema aeroportuário e seu criminoso atraso nas obras é desonestidade intelectual. Defender a Copa de 2014 no Brasil é irresponsabilidade.
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Fórmula 1 é esporte? Já foi, hoje não é mais. O episódio Felipe Massa-Fernando Alonso no Grande Prêmio da Alemanha só explicitou pela segunda vez o que é corriqueiro na categoria: as vitórias são definidas e decidas nos escritórios e boxes.
Nos três episódios recentes de manipulação de resultados, três pilotos estavam envolvidos, e sempre fazendo o pior papel, o do covarde e subserviente.
Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet e Felipe Massa são gente da pior espécie, capachos e moleques de recado, sempre dispostos a lamber as botas dos chefes de equipe. Merecem a lata de lixo da história.
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Como já era esperado, a polêmica levantada pelo bonequinho de ventríloquo que é o vice da chapa de José Serra morreu de inanição.
As estapafúrdias acusações e alegações agora abraçadas pelos tucanos de que o PT é aliado dos criminosos colombianos das Farc não se sustentou nem por uma semana, mesmo com revistas semanais “pilhando” o assunto.
Deste episódio insano e ridículo, restaram duas lições. A primeira é que o PT e a cúpula da campanha de Dilma Rousseff estão demorando a reagir a esse lixo político despejado pelos desqualificados da camarilha PSDB-DEM – eu esperava muito mais dos petistas na resposta a essa insanidade.
A segunda coisa é que ficou claro que, por mais baixaria que a campanha venha a envolver, todo cuidado é pouco nas hostes petistas. A distância das Farc tem de ser de anos-luz, assim como de qualquer tipo de encrenca.
Quanto mais longe de Morales e Chávez da vida, melhor. Não agregam votos, mas são capazes de afugentá-los.
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E por falar em insanidades, o novo “Estatuto do Torcedor” nasce morto e enterrado, como as torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians trataram de mostrar no último final de semana.
Proibir xingamentos a juízes e adversários e só uma das bobagens contidas no texto, sem falar na proibição dos “cânticos ofensivos”.
A lei já existe, sempre existiu, é só cumpri-la. Que os vândalos e bandidos seja presos, encarcerados e processados, e que a polícia não tenha dó de espancá-los quando for preciso, nos casos de batalhas campais dentro e fora dos estádios. O resto é firula.
O novo texto é mais uma desmoralização do governo e do poder estatal.
quinta-feira, agosto 12, 2010
Por que perder é uma tragédia?
O Brasil é um país pitoresco em diversos aspectos. Seu povo, por exemplo, não aceita derrotas esportivas. Perder em Copa do Mundo vira sempre uma tragédia – para nós, é simplesmente inaceitável que não ganhemos TODAS as Copas, com um futebol no mínimo tão bom quando o de Pelé.
Não interessa que o futebol, o mais popular de todos os esportes, seja também o mais equilibrado e o mais diversificado, aquele onde o erro muitas vezes é acerto e que partidas sejam decididas por decisões de árbitros (leia-se erros).
E daí que o Brasil seja o maior vencedor de todos neste difícil e competitivo esporte?
Desde quando perder no futebol é tragédia? Desde quando perder é motivo para execração pública? Desde quando perder Copa Libertadores é motivo para bater em jogadores e técnicos, quebrar sedes de clubes?
O brasileiro decidiu copiar o que de pior a cultura norte-americana produziu, a competição acima de tudo, a divisão nojenta do mundo entre perdedores e ganhadores.
Pena que esse “rigor” não seja aplicado na vida cotidiana, na escolha dos políticos e na fiscalização das administrações públicas.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
O time de futebol mais subversivo do mundo voltou ao mundos dos vivos. Após anos amargando as divisões inferiores, o St. Pauli, de Hamburgo, está de volta à primeira divisão do Campeonato Alemão.
O time é pequeno e curioso. Não passa de uma mistura de Portuguesa e Juventus, mas tem uma história divertida, assim como sua torcida. O presidente é um artista transformista, que hora se diz homossexual, depois muda e diz que é bissexual para depois negar tudo.
Localizado na região de St. Pauli, na zona portuária de Hamburgo, sempre teve a simpatia dos intelectuais do norte alemão por sua aura de clube liberal e pela postura libertária de suas várias diretorias. É o queridinho da esquerda alemã desde os anos 60 e foi adotado por políticos liberais e artistas modernosos.
Um dos slogans da torcida é “liberdade, tolerância e democracia” acima de tudo. Seus torcedores e diretores conseguiram banir os execráveis neonazistas de suas arquibancadas (o Millerntor Stadium) e o time entra em campo ao som ensurdecedor de “Hells Bells”, hino da banda australiana AC/DC e clássico máximo do rock. Deve ser divertido assistir a uma partida do time.
O Brasil é um país pitoresco em diversos aspectos. Seu povo, por exemplo, não aceita derrotas esportivas. Perder em Copa do Mundo vira sempre uma tragédia – para nós, é simplesmente inaceitável que não ganhemos TODAS as Copas, com um futebol no mínimo tão bom quando o de Pelé.
Não interessa que o futebol, o mais popular de todos os esportes, seja também o mais equilibrado e o mais diversificado, aquele onde o erro muitas vezes é acerto e que partidas sejam decididas por decisões de árbitros (leia-se erros).
E daí que o Brasil seja o maior vencedor de todos neste difícil e competitivo esporte?
Desde quando perder no futebol é tragédia? Desde quando perder é motivo para execração pública? Desde quando perder Copa Libertadores é motivo para bater em jogadores e técnicos, quebrar sedes de clubes?
O brasileiro decidiu copiar o que de pior a cultura norte-americana produziu, a competição acima de tudo, a divisão nojenta do mundo entre perdedores e ganhadores.
Pena que esse “rigor” não seja aplicado na vida cotidiana, na escolha dos políticos e na fiscalização das administrações públicas.
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O time de futebol mais subversivo do mundo voltou ao mundos dos vivos. Após anos amargando as divisões inferiores, o St. Pauli, de Hamburgo, está de volta à primeira divisão do Campeonato Alemão.
O time é pequeno e curioso. Não passa de uma mistura de Portuguesa e Juventus, mas tem uma história divertida, assim como sua torcida. O presidente é um artista transformista, que hora se diz homossexual, depois muda e diz que é bissexual para depois negar tudo.
Localizado na região de St. Pauli, na zona portuária de Hamburgo, sempre teve a simpatia dos intelectuais do norte alemão por sua aura de clube liberal e pela postura libertária de suas várias diretorias. É o queridinho da esquerda alemã desde os anos 60 e foi adotado por políticos liberais e artistas modernosos.
Um dos slogans da torcida é “liberdade, tolerância e democracia” acima de tudo. Seus torcedores e diretores conseguiram banir os execráveis neonazistas de suas arquibancadas (o Millerntor Stadium) e o time entra em campo ao som ensurdecedor de “Hells Bells”, hino da banda australiana AC/DC e clássico máximo do rock. Deve ser divertido assistir a uma partida do time.
terça-feira, agosto 10, 2010
Sem segurança e com censura
Se havia alguma dúvida sobre a falência do governo tucano em São Paulo, os ataques à Rota, um dos batalhões de elite da Polícia Militar e o mais temido, trataram de dissolver qualquer que existisse.
São 24 anos de farsa administrativa e omissão criminosa por parte do consórcio PMDB-PSDB. A educação é uma piada e o Estado está ausente tanto em infraestrutura como na segurança pública.
O crime organizado sente-se à vontade para bravatear e ameaçar o aparato de segurança estatal, acuado dentro de seus quartéis e vítima do populismo e demagogia dos seres execráveis que ocupam a administração pública nas esferas estadual e municipal.
Só que o pianista incompetente que ocupa o Palácio dos Bandeirantes acha que está tudo bem. Será que essa é a opinião do coronel Paulo Telhada, o comandante da Rota?
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
E o que dizer então das várias associações empresariais e entidades sindicais que recomendam aos seus motoristas de caminhão que evitem o trecho sul do Rodoanel Mário Covas? O motivo? Falta de segurança.
Quadrilhas especializadas em roubos de carga, muitas vezes com a devida cobertura de policiais corruptos, agem de ser incomodadas naquele trecho de 80 quilômetros sem iluminação e praticamente deserto, no meio da mata que compõe o começo da Serra do Mar, em alguns trechos.
Não bastasse isso, em quase todo o trecho o sinal de telefone celular falha, seja qual for a operadora. Não é uma beleza esse governo tucano pífio?
Gasta-se zilhões em uma obra que deverá ficar ociosa por conta da falta de segurança e infraestrutura mínima que dê segurança aos motoristas.
E as operadoras de telefonia celular, com seu serviço imundo realizado no Estado de São Paulo? Alguém vê alguma autoridade cobrando solução para as zonas de sombra no rodoanel?
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
A censura ao jornal Estado de S. Paulo completa um ano. O jornal e portal e o Estadão.com.br foram proibidos de publicar notícias sobre as apurações da Operação Boi Barrica, conduzida pela Polícia Federal.
O pedido de censura foi feito a pedido de Fernando Sarney, filho de José Sarney, senador do PMDB-AP envolvido em denúncias de nepotismo, atos secretos e desvio de verbas.
Fernando Sarney desistiu da ação, mas o Grupo Estado não acatou a desistência e prefere que a Justiça julgue o mérito da questão. Há seis meses a empresa aguarda a Justiça se pronunciar.
Esse caso é polêmico, pois fere a liberdade de imprensa e o direito à informação. Mas parece que ninguém se importa na sociedade brasileira. Nunca a liberdade de opinião e de expressão esteve tão em baixa.
Por isso não é de se espantar que seres deploráveis que sentem saudades do Muro de Berlim tentem, de vez em quando, tentar tolher ainda mais essas liberdades com propostas abjetas, seja no Congresso, seja nos programas de governo de candidatos a presidente ou até mesmo dentro do governo federal.
Não só falta educação à sociedade brasileira. Falta discernimento, bom senso e atitude. Mas como cobrar isso de um eleitorado que continua votando em mensaleiros, em construtores de castelos e criminosos dos mais variados quilates?
Se havia alguma dúvida sobre a falência do governo tucano em São Paulo, os ataques à Rota, um dos batalhões de elite da Polícia Militar e o mais temido, trataram de dissolver qualquer que existisse.
São 24 anos de farsa administrativa e omissão criminosa por parte do consórcio PMDB-PSDB. A educação é uma piada e o Estado está ausente tanto em infraestrutura como na segurança pública.
O crime organizado sente-se à vontade para bravatear e ameaçar o aparato de segurança estatal, acuado dentro de seus quartéis e vítima do populismo e demagogia dos seres execráveis que ocupam a administração pública nas esferas estadual e municipal.
Só que o pianista incompetente que ocupa o Palácio dos Bandeirantes acha que está tudo bem. Será que essa é a opinião do coronel Paulo Telhada, o comandante da Rota?
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E o que dizer então das várias associações empresariais e entidades sindicais que recomendam aos seus motoristas de caminhão que evitem o trecho sul do Rodoanel Mário Covas? O motivo? Falta de segurança.
Quadrilhas especializadas em roubos de carga, muitas vezes com a devida cobertura de policiais corruptos, agem de ser incomodadas naquele trecho de 80 quilômetros sem iluminação e praticamente deserto, no meio da mata que compõe o começo da Serra do Mar, em alguns trechos.
Não bastasse isso, em quase todo o trecho o sinal de telefone celular falha, seja qual for a operadora. Não é uma beleza esse governo tucano pífio?
Gasta-se zilhões em uma obra que deverá ficar ociosa por conta da falta de segurança e infraestrutura mínima que dê segurança aos motoristas.
E as operadoras de telefonia celular, com seu serviço imundo realizado no Estado de São Paulo? Alguém vê alguma autoridade cobrando solução para as zonas de sombra no rodoanel?
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A censura ao jornal Estado de S. Paulo completa um ano. O jornal e portal e o Estadão.com.br foram proibidos de publicar notícias sobre as apurações da Operação Boi Barrica, conduzida pela Polícia Federal.
O pedido de censura foi feito a pedido de Fernando Sarney, filho de José Sarney, senador do PMDB-AP envolvido em denúncias de nepotismo, atos secretos e desvio de verbas.
Fernando Sarney desistiu da ação, mas o Grupo Estado não acatou a desistência e prefere que a Justiça julgue o mérito da questão. Há seis meses a empresa aguarda a Justiça se pronunciar.
Esse caso é polêmico, pois fere a liberdade de imprensa e o direito à informação. Mas parece que ninguém se importa na sociedade brasileira. Nunca a liberdade de opinião e de expressão esteve tão em baixa.
Por isso não é de se espantar que seres deploráveis que sentem saudades do Muro de Berlim tentem, de vez em quando, tentar tolher ainda mais essas liberdades com propostas abjetas, seja no Congresso, seja nos programas de governo de candidatos a presidente ou até mesmo dentro do governo federal.
Não só falta educação à sociedade brasileira. Falta discernimento, bom senso e atitude. Mas como cobrar isso de um eleitorado que continua votando em mensaleiros, em construtores de castelos e criminosos dos mais variados quilates?
Retratos do fracasso de um povo
A omissão criminosa do Estado em relação à educação é deliberada? Para o presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral), Nametala Jorge, se não for isso, é quase.
Em diversas entrevistas a emissoras de rádio cariocas e a revistas semanais (Veja e Época), o juiz não mede palavras ao criticar o baixo nível do eleitorado brasileiro, que, aliado à ausência do Estado em locais pobres, condenam o país a viver como uma eterna república de bananas (grifo meu, já que a expressão dele é mais amena).
O brasileiro não sabe votar? Sabe, mas deliberadamente vota errado, vota no pior, vota nos sacanas e nos safados.
Se nas favelas cariocas o voto é dado aos indicados por criminosos por medo, em outros lugares o voto concedido a mensaleiros, corruptos, bandidos e enrolados na Justiça é consciente - mas não menos desprovido de inteligência e connhecimento.
Esse voto sem qualidade é dado por único exclusivo interesse pessoal, pela vã promessa de uma vantagenzinha, um empreguinho ou um bico qualquer. Isso não é falta de educação?
O presidente do TRE_RJ acha que é. E eu também acho. Só isso justifica que alguém vote ou pense em votar em seres nocivos como José Serra e Geraldo Alckmin.
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Outra prova de que o povo brasileiro tem baixo nível educacional é uma pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a qualidade do trabalho do técnico Dunga nos seus quatro anos à frente da seleção brasileira.
Em 1º de julho de 2010, duas semanas antes da estreia brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, a aprovação de Dunga era de 69%. Em 22 de julho, 50 dias depois e duas semanas após a eliminação contra a Holanda, o índice de aprovação caiu para 29%.
Antes da Copa, apenas 3% achavam que o trabalho tinha sido ruim ou péssimo, número que saltou para 36% após a Copa. Como pode isso? Apenas uma derrota foi suficiente para que se criasse tal fosso?
O brasileiro é um povo que não pode ser levado a sério. Ou o Estado investe pesadamente em educação, ou jamais o Brasil deixará o terceiro mundo.
A omissão criminosa do Estado em relação à educação é deliberada? Para o presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral), Nametala Jorge, se não for isso, é quase.
Em diversas entrevistas a emissoras de rádio cariocas e a revistas semanais (Veja e Época), o juiz não mede palavras ao criticar o baixo nível do eleitorado brasileiro, que, aliado à ausência do Estado em locais pobres, condenam o país a viver como uma eterna república de bananas (grifo meu, já que a expressão dele é mais amena).
O brasileiro não sabe votar? Sabe, mas deliberadamente vota errado, vota no pior, vota nos sacanas e nos safados.
Se nas favelas cariocas o voto é dado aos indicados por criminosos por medo, em outros lugares o voto concedido a mensaleiros, corruptos, bandidos e enrolados na Justiça é consciente - mas não menos desprovido de inteligência e connhecimento.
Esse voto sem qualidade é dado por único exclusivo interesse pessoal, pela vã promessa de uma vantagenzinha, um empreguinho ou um bico qualquer. Isso não é falta de educação?
O presidente do TRE_RJ acha que é. E eu também acho. Só isso justifica que alguém vote ou pense em votar em seres nocivos como José Serra e Geraldo Alckmin.
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Outra prova de que o povo brasileiro tem baixo nível educacional é uma pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a qualidade do trabalho do técnico Dunga nos seus quatro anos à frente da seleção brasileira.
Em 1º de julho de 2010, duas semanas antes da estreia brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, a aprovação de Dunga era de 69%. Em 22 de julho, 50 dias depois e duas semanas após a eliminação contra a Holanda, o índice de aprovação caiu para 29%.
Antes da Copa, apenas 3% achavam que o trabalho tinha sido ruim ou péssimo, número que saltou para 36% após a Copa. Como pode isso? Apenas uma derrota foi suficiente para que se criasse tal fosso?
O brasileiro é um povo que não pode ser levado a sério. Ou o Estado investe pesadamente em educação, ou jamais o Brasil deixará o terceiro mundo.