quinta-feira, agosto 07, 2008

O repórter que morou nas ruas de São Paulo conta o que viu e o que viveu - parte 5

Eduardo Ribeiro(*)
da coluna Jornalistas e Cia, do site Comunique-se



"Sentiam prazer em nos humilhar" (Segundo capítulo da série)

Nesta segunda reportagem, Marujo conta sua dura experiência de três meses num albergue da Prefeitura, onde a Igreja mostrou sua face mais intolerante. Durante o dia, nas ruas e praças. À noite, refúgio nos albergues municipais. Segundo ele, moradores de rua e desempregados são humilhados e usados como massa de manobra por religiosos. Segue o texto.

“Morei ali no albergue São Francisco, que ficava na esquina da rua Santo Amaro, com o viaduto Jacareí, bem em frente à Câmara Municipal de São Paulo. Ele foi desativado há 15 dias, da noite para o dia, por força de um abaixo-assinado dos moradores, pois o local se transformou em um ponto de albergados e marginais de todo o tipo, e retornou para a baixada do Glicério que estava sendo fechado. Antes o São Francisco chama-se Cireneu e era administrado por uma Ong de quinta categoria, com verba liberada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.

Pois bem. Em abril, os padres franciscanos assumiram o comando do albergue e o que era ruim ficou pior. Acho muito estranho que o padre Júlio Lancelotti e outros religiosos liderem uma passeata com moradores de rua, usando albergados como massa de manobra para conseguir, talvez, mais recursos da Prefeitura.

Maus tratos – Ali , no albergue São Francisco, os padres, que zelam tanto pela fraternidade, tratavam os albergados de forma desumana. Éramos mais de 400 pessoas amontoadas num imenso porão-dormitório sujo, que alagava quando chovia. Era um depósito de seres humanos, com um cheiro insuportável. Senhores com mais de 80 anos misturavam-se a jovens alcoólatras, drogados, crianças, mulheres, deficientes físicos e mentais, tuberculosos, portadores do vírus da aids, ex-presidiários e outros ainda cumprindo pena condicional, sem nenhum tipo de assistência.

Aquilo se assemelhava mais a um campo de concentração nazista. Durante cinco anos, o albergue funcionou ali, debaixo do viaduto, sob um estridente barulho, o "dum-dum" dos veículos que passam pelas emendas sobre o viaduto. Esse incômodo barulho martelava nossos ouvidos a noite toda. Nunca se tomou uma providência.

Com raríssimas exceções, os monitores, contratados pela igreja sem a mínima qualificação profissional, sentiam prazer em nos humilhar, deixando-nos na fila, debaixo de chuva e frio, à espera da hora de entrar. As regras são draconianas. Entra-se após às 17h30 e acorda-se às 5h. Até as 7h, todos têm que ir para a rua, inclusive aos domingos e feriados. As assistentes sociais explicavam que eram ordens da Prefeitura e não podiam fazer nada. Assim, todos, até mesmo as senhoras e outras pessoas com idade avançada tinham de sair, fizesse sol ou chuva.
O repórter que morou nas ruas de São Paulo conta o que viu e o que viveu - parte 4

Eduardo Ribeiro(*)
da coluna Jornalistas e Cia, publicada no site Comunique-se


Ano todo – Ele funciona assim: um outro agenciador alicia, de uma só vez, albergados ou desempregados que têm RG limpo. Nesse caso, ele precisa formar um grupo de dez a vinte pessoas. O aliciador leva os RGs, tira cópias e os devolve aos proprietários mediante o pagamento de R$ 10. Só que esses RGs serão usados o ano inteiro para a prática dessas operações de câmbio ilegais.

Bem, eu fui para o Hotel Renaissance. O esquema, porém, conta com casas de câmbio alternativas, em shoppings como o Anália Franco, o Center Paulista, o Interlagos e o Shopping Light. Além desses locais, as operações de lavagem de dinheiro também são feitas em algumas casas de câmbio localizadas no Centro da cidade, como por exemplo nas avenidas São Luís e Paulista.

Outros Golpes – Mas não é todo dia que acontecem as operações de lavagem de dinheiro. Quando não tem negócio para fazer, o aliciador, já conhecido dos freqüentadores, diz que "a barra tá suja" e que a polícia está dando em cima. Fiquei sabendo que, às vezes, para confundir os policiais, o esquema é feito dentro da estação Sé do metrô, bem em frente às catracas. Na região da rua 25 de Março existem vários outros locais de lavagem de dinheiro. Entretanto, outros golpes são aplicados ou tramados nas adjacências. Um deles, muito conhecido dos malandros, é o do aluguel da conta bancária.

Ouvi comentários e perguntei do que se tratava:

"O senhor é albergado"?

"Sim", respondi.

"Tem conta bancária"?

"Não".

"Então, tá fora".

É claro que eu não iria participar desses golpes sujos. Mas como repórter-albergado sentia curiosidade de saber como agiam. Diante de minha insistência em saber o que era, o rapaz me contou.

"O negócio é o seguinte: a gente rouba dinheiro de uma conta bancária, ou das pessoas, e não têm onde colocá-lo. Então, 'alugamos' uma conta-corrente. Por isso perguntei se o senhor tinha uma conta. Colocamos a grana lá. Depois, sacamos o dinheiro e o senhor ficaria com 20% do valor depositado. Esse é o esquema".

Falsificação – Aí fui percebendo que as escadarias do Teatro Municipal se transformaram num grande ponto de golpes e outras contravenções, apesar da constante e ostensiva presença da polícia. Descobri também que há quem "esquente" Carteiras de Trabalho. Isso significa que quem tem carteira, mas nunca trabalhou, ganha uma série de registros falsos, como se já tivesse trabalhado há muito tempo. Outros querem levantar dinheiro para comprar um computador, a fim de falsificar dólares e outros documentos. Nesse tipo de fraude, pelas conversas que ouvi, a concorrência é grande: um se diz melhor falsificador do que o outro. E há vários outros tipos de golpes tramados e executados ali mesmo, nas escadarias do Teatro Municipal.
O repórter que morou nas ruas de São Paulo conta o que viu e o que viveu - parte 3

Eduardo Ribeiro(*)
da coluna Jornalistas e Cia, publicada no site Comunique-se

Chá quente – No hotel, eu e o outro colega estávamos com a barba por fazer, mal vestidos e mal cheirosos. Entramos assim mesmo, sem que ninguém nos perguntasse quem éramos. A moça foi conversar com o funcionário do câmbio. Pediu que entrássemos e esperamos para ser atendidos, sentados em confortáveis poltronas. Numa delas havia uma mesinha com um bule de chá quente, que algum hóspede deixara ali. Meu amigo não hesitou em tomá-lo. Fomos chamados. Na minha vez, o funcionário da casa de câmbio solicitou o CPF e o RG. Tirou uma cópia e, antes de completar a operação, fez uma ligação telefônica.

"Alô, agora não posso mais fazer a R$ 1,77, só a R$ 1,78. Pode ser? Então vou fechar o negócio", afirmou.

Em seguida, imprimiu um papel numa máquina, tirou cópia dos documentos e me pediu endereço com CEP. Inventei um na hora, porque não fui avisado de que me faria tal pedido. Mas ele aceitou minha resposta. Negócio fechado. Devo ter comprado US$ 5 mil para alguém lavar o dinheiro. O funcionário fez a mesma coisa com o outro rapaz e fomos embora. Na porta de saída do hotel, a moça que nos acompanhava nos deu os R$ 15 mais o dinheiro da condução e fomos embora.

É bom que se esclareça que esse tipo de operação é permitida. O Banco Central autoriza que cada pessoa possa comprar, vender ou remeter até US$ 5 mil por mês. Mas no caso em questão, os doleiros e seus agentes que agem no Centro da cidade aliciam dezenas de albergados para a lavagem de dinheiro sujo. Não se sabe se ele vem de contrabando, tráfico de drogas, de desvios de recursos ou do crime organizado. Muitos albergados já fizeram essa operação mais de uma dúzia de vezes. O esquema é antigo e tão bem montado que existe até uma alternativa para quem não tem CPF.
O repórter que morou nas ruas de São Paulo conta o que viu e o que viveu - parte 2

Eduardo Ribeiro(*)
da coluna Jornalistas e Cia, publicada no site Comunique-se

Segue o texto de Marujo (1º capítulo da série)

“O esquema é sofisticado e participei, pelo menos uma vez, de uma dessas operações. Negócio fechado. Eu devo ter comprado US$ 5 mil para alguém lavar o dinheiro.

Todos os dias, nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo e arredores, bem no Centro da cidade, funciona um esquema muito bem planejado de lavagem de dinheiro sujo, patrocinado por grandes casas de câmbio.

Essas operações são feitas quase o dia todo, mas os horários de pico ocorrem às 11h30 e às 13h30, quando homens agenciados por doleiros aliciam pessoas, na sua maioria albergados, que ficam ali sentados. Esses aliciadores ficam à espera de uma oportunidade para comprar, vender ou fazer remessas de dólares para o Exterior, pagando a cada albergado a desprezível quantia de R$ 15. Como esses albergados não têm dinheiro nem para um cafezinho, se sujeitam a esse tipo de prática, atuando como laranjas.

O esquema é sofisticado. Eu mesmo participei, pelo menos uma vez, de uma dessas operações. Não tinha almoçado, estava com fome, então, me deram a dica. Ainda permanecia bem vivo o meu faro de jornalista.

A operação – Eram quase 14h de uma ensolarada segunda-feira. Fui para a escadaria e, minutos depois, apareceu um homem me perguntando se meu CPF era limpo. Limpo, no caso, significa não ter pendências na Receita Federal. É possível ter o nome sujo na praça, mas um CPF em dia. Além disso, ele perguntou se eu tinha RG e se estava tudo correto. Respondi que sim.

"Então, tudo ok", afirmou.

Fui aprovado para fazer a operação. Nas escadarias do Municipal opera-se, principalmente, para três casas de câmbio: Light, Turismo Dez e Brasileiro. Com esta última é mais difícil, porque ela exige comprovante de residência. Mas há quem venda esse documento no local.

Junto comigo, havia outro albergado que, como eu, estava morrendo de fome. O aliciador pediu que acompanhássemos uma moça grávida (sua irmã) até a região dos Jardins. Até então, não sabíamos exatamente o nosso destino. Nós três pegamos um ônibus (a passagem ela pagou) e descemos na rua Augusta, quase esquina com a alameda Santos. Chegando lá, ela nos contou que deveríamos ir à casa de câmbio que funciona dentro do luxuosíssimo Hotel Renaissance para efetuar a operação com dólares.
O repórter que morou nas ruas de São Paulo conta o que viu e o que viveu - parte 1

Eduardo Ribeiro
da coluna Jornalistas e Cia, do site Comunique-se


Ele perdeu tudo o que tinha na vida, inclusive a esperança de viver. Sofreu todos os tipos de humilhação, passou frio e fome, viveu da caridade organizada e nem tão filantrópica assim, perambulou por aí sem lenço e sem documento, tendo as ruas de São Paulo como moradia.

Mas viu muita coisa errada, outras um tanto suspeitas e foi testemunha de uma das ações mais calhordas que alguém minimamente comprometido com a integridade humana pode aceitar: o uso dos miseráveis para promover lavagem de dinheiro, a céu aberto, no centro de São Paulo, nas barbas da polícia.

Humilhado mas com o faro jornalístico apurado, ele também viu miseráveis serem usados como massa de manobra da igreja, que tem se valido do rebanho de desamparados para ter acesso a verbas públicas generosas e também para encorpar movimentos políticos com gente que sequer sabe o que está fazendo.

Rubens Ferreira Marujo, 57 anos, é seu nome e sua história já esteve aqui presente na coluna de 14 de maio, sob o título Sem lenço sem documento e a rua como moradia, que teve imensa repercussão.

Marujo deixou as ruas, mora hoje num pequeno apartamento no centro de São Paulo e após algumas semanas frilando para o Diário do Comércio foi contratado como repórter de Política para cobrir a temporada de eleições que vem por aí. Voltou a ser um cidadão. Ironia do destino, a história da qual foi personagem transformou-se em reportagens para o próprio DC.

As duas primeiras, publicadas respectivamente nas edições de segunda e terça-feira desta semana, estão reproduzidos na íntegra a seguir, autorizadas que foram pelo diretor de Redação do jornal, Moisés Rabinovici, e obviamente pelo autor.

Nelas Marujo conta o que viu e o que viveu, ao lado de centenas de outros moradores de rua, os quais, além do abandono da sorte, sofrem também com os ataques oportunistas de quem, por incrível que pareça, se propõe a tirar vantagem da miséria.

O título da primeira matéria é “Albergado é usado para lavar dinheiro”. A abertura destaca: “Só quem viveu um drama para saber relatá-lo com fidelidade. Durante três meses, o jornalista Rubens Marujo teve de viver em um albergue da Prefeitura.

Uma dura experiência de vida, que lhe trouxe uma visão crua, mas privilegiada da cidade e dos esquemas ilegais que perseguem albergados, desempregados e moradores de rua. Difícil imaginar que aquelas pessoas maltratadas que passam os dias sentadas nas escadarias do Teatro Municipal, no Centro de São Paulo, são usadas como laranjas num amplo esquema de lavagem de dinheiro.

Aliciadores agenciados por doleiros se aproveitam da fragilidade social, emocional e financeira de albergados para, com seus documentos, comprar dólares em casas de câmbio espalhadas por hotéis e shoppings. Por ceder seus documentos, os albergados recebem R$ 15. Tudo isso acontece à luz do dia, todos os dias.”

terça-feira, junho 17, 2008

Nós sempre lembraremos



Um pouco de nostalgia... a letra abaixo é de "Requiem", do álbum "Solid Ball of Rock" (1990), uma das melhores músicas do Saxon, banda inglesa de heavy metal, e uma das mais legais músicas de rock já escritas. Ela foi escrita em homenagem a Bon Scott (AC/DC), John Bonham (Led Zeppelin), Phil Lynott (Thin Lizzy), Keith Moon (Who), John Entwistle (Who), Brian Jones (Rolling Stones), Freddie Mercury (Queen), Jim Morrison (Doors), Janis Joplin, David Byron e Gary Thain (Uriah Heep), John Lennon e George Harrison (Beatles), Mama Cass Elliot (Mamas and the Papas), Dennis Wilson (Beach Boys), Steve Marriot e Ronnie Lane (Small Faces), John Glascock (Jethro Tull), Dee Dee e Joey Ramone...





Requiem (We Will Remember)



Written By : Byford/Oliver/Carter/Glockler






Somewhere in the night a candle burns for you/
The eternal flame the light keeps shining on/
Your music is immortal it stood the test of time/
You're gone but not forgotten, you walk with us/





We will remember/
They were born to rock 'n' roll/
We will remember/
Woah-oh/





This song's a celebration of what you gave to us/
The legacy you left still marches on/
But still they play your music all around the world/
Blasting through the airwaves to the stars/





We will remember/
They were born to rock 'n' roll/
We will remember/
Woah-oh/





From London to Chicago/
From the mountains to the sea/
The legacy you left will never die/





We will remember/
They were born to rock 'n' roll/
We will remember/
Woah-oh/





We will remember/
They were born to rock 'n' roll/
We will remember/
Woah-oh/





From London to Chicago/
From the mountains to the sea/





We will remember/
They were born to rock 'n' roll/
We will remember/
Woah-oh/





(Repeat to end)/
Folha e Veja na mira da promotora eleitoral - Meu Comentário


Comentário preciso e certeiro. Não vi nenhum órgão de imprensa levantar argumentos tão incontestáveis como os que expôs acima. Nem mesmo o editorial da Folha foi tão na "veia". A questão é a seguinte: a promotora quer aparecer, só que não tem estofo, não sabe diferenciar matéria jornalística e propaganda.

Se o candidato ou pré-candidato não puder falar de suas propostas, então qual a razão da entrevista? Para sabermos que Kassab é um bom gargo e emagreceu 8 quilos? Ou para saber que Marta adora os shows dos filhos dela? O fato é que o Ministério Público brasileiro, em todas as áreas, perdeu o vigor e a competência que tinham nos anos 90. Os novos quadros são despreparados e loucos por holofotes. Por isso acabam se metendo em áreas que desconhecem e propondo ações fora de propósito.

Folha e Veja, os alvos errados da promotora eleitoral

Carlos Chaparro
Publicado originalmente no site Comunique-se


O XIS DA QUESTÃO – À luz da Constituição, pode-se dizer que, no mínimo, a promotora Maria Amélia Nardy Pereira errou de alvo. Talvez fosse mais viável enfiar a carapuça do desrespeito à lei eleitoral nas cabeças de Marta Suplicy e Gilberto Kassab – que esta semana, com a entrevista que dá capa à Vejinha-SP, aumenta as dores de cabeça da promotora. Mas a questão vai além dessa rusga furada entre a promotoria da Justiça Eleitoral e os dois gigantes da mídia jornalística.

1. A letra viva e clara da Constituição

Em primeiro lugar, declaro sem meias palavras que considero um absurdo as representações contra a Folha de S. Paulo e a Veja, apresentadas pela Promotoria da Justiça Eleitoral, por terem aqueles veículos realizado e publicado entrevistas com Marta Suplicy – ações jornalísticas que a promotora Maria Amélia Nardy Pereira considerou “propaganda eleitoral” fora do prazo legal.

Navegando em equívocos, a promotora meteu-se numa difícil briga institucional com a imprensa, e da briga a Folha vem tirando bom proveito. Mas aos jornalistas e aos públicos leitores interessa que o debate da questão vá além das emoções do embate. De modo particular, entendo que devemos aproveitar a ocasião para propor uma reflexão mais aprofundada sobre o fantasma chamado “propaganda”, que nutre tanto a argumentação da promotora quanto o arrazoado apresentado pela Folha, no editorial de defesa publicado sexta-feira passada.

No que se refere propriamente à representação encaminhada pela promotora, até pela inconsistência da argumentação que a sustenta, arrisco a predição de que terá vida curta, sem outros efeitos além daqueles já produzidos, na discussão pública gerada. E diga-se que no já discutido pela mídia, o filme da promotora sai bastante borrado. Por boas razões, diga-se, já que ela simplesmente desconsidera a clareza e a importância ética do preceito constitucional segundo o qual “a manifestação do pensamento, a criação, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”.

Essa é a redação clara e vigorosa do Artigo 220 da Carta Magna. Artigo complementado por dois parágrafos igualmente de clareza e vigor inquestionáveis.

Diz o parágrafo 1º: “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no Artigo 5º, IV, V, X, XIII e XV” – restrições que dizem respeito à proteção devida aos direitos fundamentais do cidadão.

Para que não subsistam quaisquer dúvidas, o parágrafo 2º do mesmo Artigo 220 é ainda mais peremptório: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística”.

À luz da Constituição, portanto, me parece que, no mínimo, a promotora Maria Amélia Nardy Pereira errou de alvo. Talvez fosse mais viável enfiar a carapuça do desrespeito à lei eleitoral nas cabeças de Marta Suplicy e Gilberto Kassab – que esta semana, com a entrevista que dá capa à Vejinha-SP, faz o jogo de confronto eleitoral com Marta Suplicy e aumenta as dores de cabeça da promotora.

Mas a questão conceitual da propaganda versus jornalismo precisa ser discutida.

2. Interações entre Jornalismo e Propaganda

Leio aqui no Comunique-se que a promotora Maria Amélia, provocada pela repórter Carla Soares Martin, toca no ponto que a ela parece essencial: o problema não é a entrevista, e sim a apresentação de plataformas políticas dos candidatos, veiculadas pelos meios de comunicação. E coloca, de forma mais explícita, o seu polêmico ponto de vista: “A entrevista é considerada uma propaganda na medida em que o candidato expõe sua plataforma política. Não há nada contra a liberdade de imprensa”.

Faltou-lhe dizer o que entende por liberdade de imprensa e por direito à liberdade de informação jornalística. Mas isso é o de menos, já que se trata de questão resolvida pela Constituição.

Verdadeiramente lamentável é que a promotora não nos tenha dito qual é, onde está e como pode ser usado o critério para definir fronteiras discursivas entre jornalismo e propaganda - se é que essas fronteiras existem, em especial quando se trata de entrevistar protagonistas e discutir temas de interesse público, em conflitos eleitorais.

À promotora, estudiosa das leis, talvez não interessem as subjetividades da linguagem jornalística e dos usos que dela a sociedade faz. Mas o pessoal da Folha, que é do ramo jornalístico, ao argumentar contra a promotora, cai na mesma esparrela de pressupor que jornalismo e propaganda são coisas separadas e separáveis por fronteiras objetivas. No editorial em que faz o seu arrazoado público de defesas, escreve a Folha:

“O primeiro e mais fundamental equívoco da promotora é não distinguir entre os termos ‘propaganda’, a mensagem em geral paga que tem o intuito de convencer, persuadir, e ‘material jornalístico’, que objetiva informar o leitor”.

Pois eu gostaria muito que os editorialistas da Folha nos dissessem como é possível eliminar do discurso particular de qualquer entrevistado a intenção de persuadir e convencer.

3. O direito de dizer

Ora, ao jornalismo interessam os conflitos relevantes da atualidade. Em períodos eleitorais e pré-eleitorais, os conflitos e os protagonistas prioritários são os que envolvem interesses antagônicos, em disputa de espaços de poder. Cabe ao jornalismo expor, fazer aflorar os conflitos, as divergências, os antagonismos – com honestidade, para que os públicos não sejam enganados por falsas intenções.

O jornalismo não pode, portanto, assumir o propósito de fazer propaganda. Mas também não pode evitá-la. Nem deve temê-la. Porque a propaganda é efeito inevitável de qualquer bom discurso particular socializado pelo jornalismo, quer a ação discursiva venha em forma de entrevista ou de acontecimento noticiável.

É bom lembrar aos colegas editorialistas da Folha que na política, como na ciência, na cultura ou no mundo dos negócios, o discurso particular é sempre e inevitavelmente propagandístico, e isso não pode ser rejeitado.

Em resumo: não há jornalismo sem discursos particulares conflitantes; e não há discurso particular sem propaganda.

Claro que aí está o cerne das contradições e dificuldades éticas do jornalismo. Faz bom jornalismo quem sabe lidar com as contradições do ofício sem fraudar o dever intelectual de informar e elucidar com honestidade.

E sem garrotear o direito democrático de dizer.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.

quarta-feira, junho 11, 2008

Um filme inesquecível


por Juca Kfouri

Aconteceu ontem, em São Paulo, a pré-estréia do documentário, de 85 minutos, "1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil".

Simplesmente comovente.

O filme começa com os últimos 10 segundos da decisão diante da Suécia, culminando com o quinto gol brasileiro, de Pelé.

Muito bem editado, com uma bossa de recriar detalhes de lances decisivos com a câmara bem fechada, os depoimentos, em regra, são ricos, bem humorados ou até queixosos, como os dos jogadores franceses que acusam Vavá de ter quebrado o capitão Jonquet de maneira desleal, razão da goleada final por 5 a 2, pois a França ficou reduzida a 10 jogadores.

Mas há depoimentos impagáveis, como o de um russo que conta que o marcador de Mané Garrincha, Kusnetsov, ao chegar nocauteado no vestiário após a vitória brasileira, jogou a chuteira longe e desabafou; "Eu não quero mais jogar futebol. Os brasileiros é que sabem jogar futebol".

Para o atacante francês Piantoni, "o futebol brasileiro é como a música brasileira. Alegre, feliz e todo mundo se diverte".

Pois o filme de José Carlos Asbeg, que entra no circuito comercial no dia 13 deste mês no Rio e em São Paulo, é diversão pura, comoção do melhor nível e documento histórico de valor inestimável.

Um filme que talvez comece a convencer o país de que a Copa de 1958 está para o amor próprio do Brasil assim como a Copa de 1954 está para o reerguimento da Alemanha.

A diferença está em que os alemães não se envergonham disso, ao contrário, cultuam aquele momento, o primeiro de felicidade depois da catástofre do nazismo.

E nós, que não levamos nada a sério, ainda achamos que Nelson Rodrigues estava brincando quando disse, depois da derrota em 1950, que tínhamos complexo de vira-latas, coisa que a Copa de 1958 sepultou.

Ou não?

quarta-feira, abril 30, 2008

Para pensar - parte 4


Mais Marcha da Maconha: falácias lógicas
A defesa da descriminação das drogas não se exerce sem algumas formidáveis falácias lógicas. Se eu fosse fazer piada, diria que parece argumento de gente sob o efeito da maconha: costuma haver um fosso entre as premissas e a conclusão, típico de quem perde a trilha da objetividade. Vamos a algumas delas:

A – O álcool faz mais mal à saúde e provoca mais mortes do que a maconha
Sempre que se tenta provar que alho é igual a bugalho, o bugalho sai beneficiado, não é? Quando não se distingue a diferença entre o joio e o trigo, o joio sai ganhando. Conhecemos os efeitos, realmente devastadores, do consumo de álcool, uma droga legal (embora ilegal para menores), entre os jovens. Mas me digam aí: já conhecemos os efeitos da massificação do uso da maconha?

B – Então por que não proibir também o consumo do álcool?
Quem faz essa pergunta quer proibir o consumo do álcool ou liberar o consumo das outras drogas? A pergunta é retórica. Já sei a resposta. Logo, é preciso considerar que:
- quem propõe essa questão admite os efeitos nocivos do álcool;
- admitindo os efeitos nocivos do álcool, pede um tratamento isonômico para a maconha;
- sendo um tratamento isonômico, então admite os efeitos nocivos da maconha também;
- se admite, em vez de defender a redução dos danos, está reivindicando a sua ampliação.
- Há falha lógica no que vai acima?

C – O álcool é vendido para menores.
É verdade. Acho que lugar de quem vende álcool para menores é a cadeia. Desde o princípio, estou defendendo a lei, não o contrário.

D – Considerar uma droga lícita ou ilícita é uma questão de convenção
Sob certo ponto de vista, tudo em sociedade é uma questão de convenção: da proibição de certas drogas à interdição do incesto e da pedofilia. Há interdições e liberdades que fazem avançar as sociedades. Há outras que as fazem mergulhar na anarquia e na decadência. Hábitos, costumes, interdições e liberações vão sendo socialmente construídos e criando uma cadeia de valores imateriais, uma verdadeira “cultura”. No caso da pressão — extremamente minoritária, é bom deixar claro — pela liberação das drogas, é essa cultura que salta para o primeiro plano.
Boa parte dos consumidores de drogas acredita firmemente que a substância faz com que tenham uma espécie de “iluminação”, abrindo a sensibilidade para percepções que, de outro modo, não se revelariam. É... Vai ver é o efeito dos neurônios sendo torrados. No Morro do Alemão ou no Jardim Ângela, essa expressão quase poética da droga inexiste. Os valores são outros.

E – Legalize-se a droga, o narcotráfico acaba, e o crime, também
É a mais tola de todas as proposições. O principal fator que alimenta o crime é a impunidade, é a incapacidade de o estado fazer cumprir a lei. Se, um dia, se vendessem cocaína e maconha no bar da esquina, quem hoje se dedica ao tráfico de drogas — porque quer, não porque seja obrigado — passaria a ser operário da construção civil? Médico? Engenheiro? Balconista? Acho que não, né?
Legalizadas as drogas, sem o enfrentamento do crime, os hoje criminosos das “substâncias ilícitas” seriam, se me permitem, “criminosos de outros crimes”. Não é a ilegalidade da droga que faz o criminoso, mas a disposição de não reconhecer o limite que foi socialmente imposto, transgredindo-o. Suponho, aliás, que a facilitação e, pois, a popularização de mais substâncias que alteram a consciência elevariam exponencialmente a prática de crimes.
Essa gente do miolo mole que sai fazendo marcha em defesa da maconha supõe que todos os consumidores de drogas estão apenas em busca de autoconhecimento e do, como vou dizer?, desregramento dos sentidos em busca do “próprio eu”. O único “povo” que esses caras conhecem é o que faz malabarismo em farol. Devem achar que é tudo culpa das “zelite”, como se eles próprios não a integrassem. E aí queimam um baseado.
Para pensar - parte 3


Ainda a Marcha da Maconha: de individualistas e libertários
Escrevi abaixo um post sobre a tal Marcha da Marconha. E, claro, não tardaram a chegar os defensores da manifestação. Eu realmente fico muito impressionado com a fragilidade lógica dos argumentos quando o assunto é droga, mas deixo isso para o post seguinte.

A reivindicação para legalizar drogas é basicamente um assunto de classe média: o povo mesmo, como sabemos, é contra. Entre outras razões porque ele é a maior vítima do narcotráfico. Há entre os defensores, basicamente, duas vertentes:

- A minoritária: esta argumenta que é uma questão de liberdade individual e tenta jogar Milton Friedman contra mim, mais ou menos como um desafio: “Que liberal é você?”. O economista defendeu a legalização das drogas. Já contei aqui, conto de novo: a revista “República/Primeira Leitura”, que eu dirigia, deu um capa debatendo a descriminação das drogas. E já tocava no problema essencial: um país pode fazê-la sozinho? É claro que não. O mundo vai acatar a proposta? Não vai. Então esse debate é ocioso.
Isso nos devolve para o terreno da realidade, o das drogas ilegais. Consumi-las é integrar a cadeia do crime organizado. É uma questão de fato, não de gosto ou de opinião. Sem aquele que consome, não há quem possa vender: o narcotraficante.
É evidente que fumar ou não fumar maconha, cheirar ou não cheirar cocaína, comer ou não comer bacon, tudo isso é uma questão de escolha. E as pessoas devem arcar com o peso de suas escolhas. A democracia brasileira diz que o tráfico de drogas e a apologia do consumo são crimes. Quem quer fazer uma coisa e/ou outra tem de pagar o preço.

- A majoritária: para essa turma, consumir maconha — e, suponho, outras drogas também — é uma espécie de capítulo das liberdades civis. O sotaque ideológico é diferente do expresso pelo grupo anterior. Aquele considera que é uma manifestação do saudável individualismo; este outro pretende que é uma expressão de um direito coletivo. Em suma, aquele grupo teria um viés, digamos, mais à direita; este outro, mais à esquerda. Haveria uma sociedade reacionária, conservadora, que estaria reprimindo um “direito”, como se “direitos” não fossem socialmente construídos também; como se houvesse o “direito natural” de fumar maconha, o que é balela. E quem se opõe à legalização é, então, reacionário.

Ah, sim: reclamam de eu ter me referido aos consumidores de maconha como “maconheiros”. Devo chamar como?
- “Apreciadores de uma droga injustamente considerada ilícita?”
- “Consumidores de maconha”?
- “Novos libertários”?
Os fumantes também merecerão uma alcunha politicamente correta? “Consumidores de tabaco?”
Continuo no post seguinte, com considerações sobre as falácias lógicas dos supostos libertários e supostos individualistas.
Para penssar - parte 2



Os maconheiros têm até um blog para divulgar a sua marcha. Se quiser visitar , clique aqui. Fazer a apologia da maconha é crime, como eles mesmos reconhecem lá. Mas aí recorrem a uma droga ainda mais antiga: a hipocrisia. Dizem estar apenas informando e querendo debater.

O artigo 33, § 2º da já bastante liberal Lei 11.343 deixa claríssimo:
“Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.” A íntegra da lei está aqui.

Já disse: sou um chato legalista. Essa “marcha” tem de ser proibida. Se, uma vez proibida, as pessoas insistirem em promovê-la, então não vejo outra saída: cana! Esse negócio de que todo mundo tem o direito de marchar contra a lei de que discorda em nome da liberdade de expressão tem quais limites éticos? Deve haver quem defenda a pedofilia, por exemplo, porque, afinal, na civilização grega, etc e tal... Se os valentes querem patrocinar a causa, que arrumem um representante no Congresso que esteja disposto a assumi-la.

Sabem o que é curioso? Uma marcha a favor do cigarro, por exemplo, seria de pronto repudiada — inclusive por gente que defende a da maconha. “Ah, mas cigarro já é legal; não precisa de marcha”. Sim, mas os fumantes são hoje quase párias sociais, não é mesmo? Estou, de fato, chamando a atenção para uma questão: essa marcha da maconha toca num flagelo social: o fato de as drogas hoje consideradas ilícitas serem consideradas ainda um valor “de resistência”, o que faz com que se transformem numa espécie de "cultura".

Pior: os maconheiros querem fazer de conta — e só por isso o filme Tropa de Elite foi repudiado por alguns “descolados” — que o consumidor de droga não integra a cadeia do tráfico e, portanto, da violência e do crime organizado. O argumento de que a legalização da maconha diminuiria a violência é só uma tolice irresponsável. No mesmo caminho, seria preciso tornar legal a venda das outras substâncias: cocaína, crack, heroína — ou os traficantes de maconha migrariam pra elas, certo? Mais: o Brasil não fará isso sozinho. A Inglaterra, por exemplo, está na contramão: apertando o cerco também contra a maconha.

Falei que a lei brasileira já é bastante liberal. E é. Leiam parte do artigo 28:
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
§ 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.

Como se vê, o chamado “consumidor” — se o sujeito portar a substância apenas para seu consumo — já não vai em cana. Liberal por quê? Ora, o traficante, que vai para a cadeia, não vende se não tiver quem compre. É o que se chama uma “relação”.

Assim, o corolário óbvio da tal Marcha da Maconha é um só: ela não atende, vamos dizer, às necessidades dos consumidores. Serve mesmo é aos interesses dos traficantes. Mas, na dialética perturbada desses caras, eles só estariam querendo acabar com o tráfico. Ah, sim: entre os apoiadores do blog da Marcha da Maconha está uma tal Aborda (Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos). Mais uma vez, a política de redução de danos a serviço da promoção de danos.
Para pensar bastante - parte 1

Argumentos consistentes contra as drogas

Os textos a seguir foram retirados do blog de Reinaldo Azevedo, jornalista que colabora com a revista Veja. O blog está no site da revista. Geralmente não me agradam os textos dele, mas estes merecem uma relexão. Afinal, raramente ele acerta...

Marcha dos maconheiros tem de ser proibida. E quem marchar tem de ser preso. É a lei!
Leia o que vai abaixo, na Folha. Volto depois:
O Ministério Público de São Paulo luta na Justiça para impedir a realização da marcha da maconha no próximo domingo, marcada para as 14h no parque Ibirapuera. A marcha ocorre também em diferentes cidades do mundo neste final de semana e em mais 11 cidades brasileiras na tarde de domingo.
Com o pedido de medida liminar, o Ministério Público espera decisão semelhante à concedida pela Justiça a seu órgão corresponde na Bahia.
"Em pelo menos três Estados houve decisões desse tipo. Difundir o uso de droga é crime previsto já na própria Lei de Entorpecentes. Esperávamos uma decisão favorável ainda hoje [ontem], o que não ocorreu até as 19h", afirmou o promotor Marcelo Luiz Barone, um dos autores do pedido juntamente com a promotora Paula Castanheira Lamenza.
(...)
Um dos participantes do Coletivo da Marcha da Maconha, o sociólogo Renato Cinco, diz que a manifestação é uma questão de liberdade de expressão e que o movimento tentará derrubar as liminares.
"Queremos mostrar a nossa opinião sobre uma lei [que caracteriza a maconha como substância ilegal]. A proibição gera conseqüências muito piores que a legalização."
Segundo Cinco, foi informado que os participantes não devem portar maconha durante a realização da marcha.

segunda-feira, abril 28, 2008

A final do cavalo branco


Por ROBERTO VIEIRA
Publicado no Blog de Juca Kfouri



Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.

Era o plebeu dos esportes.

Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.

O primeiro jogo oficial em Wembley. Wembley ainda inacabado.

A final da FA Cup entre Bolton Wanderes e West Ham.

Um belo dia de primavera em Londres com a presença do Rei George V.

Quase uma tragédia.

Pra quem imagina as multidões no Maracanã em 1950, surpresa!

Mais de 250 mil pessoas assisitiram o jogo em Wembley.

126.047 pagantes. O restante, invadindo até o campo de jogo.

Mas, os tempos e os ingleses eram outros. A multidão no centro do gramado estava de bom humor.

E o constable George Scorey montado em Billy, seu cavalo branco, conseguiu levar os torcedores até na beira do gramado.

Onde ficaram até o fim do jogo.

Jogo que não precisou de linhas laterais, nem linhas de fundo.

As quatro linhas do gramado eram humanas. Como nas peladas de fim de semana.

Quando a bola batia em um torcedor era lateral, escanteio ou tiro de meta.

O primeiro gol foi marcado por David Jack.

Mas foi o segundo que entrou para a história.

O atacante J.R. Smith do Bolton chutou. A bola entrou no gol e voltou.

Rebatida por torcedores que estavam... dentro da barra.

O Bolton Wanders venceu por 2 x 0.

O Rei voltou plebeu para seu palácio.

E o futebol mostrou quem era o Rei. Do Império Britânico. E do mundo.

Com a ajuda inestimável de Billy.

Pra completar, um tributo recente.

Uma nova ponte para pedestres foi construída nas cercanias do Estádio de Wembley em 2006.

Foi lançada uma votação pela BBC para batizar a ponte.

Adivinhem quem venceu a votação na frente de Alf Ramsey, Bobby Charlton e Geoff Hurst?

Pois é!

Com um terço dos votos, a ponte se chama 'A Ponte do Cavalo Branco'!

Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.

Era o plebeu dos esportes.

Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.
A final do cavalo branco


Por ROBERTO VIEIRA
Publicado no Blog de Juca Kfouri



Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.

Era o plebeu dos esportes.

Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.

O primeiro jogo oficial em Wembley. Wembley ainda inacabado.

A final da FA Cup entre Bolton Wanderes e West Ham.

Um belo dia de primavera em Londres com a presença do Rei George V.

Quase uma tragédia.

Pra quem imagina as multidões no Maracanã em 1950, surpresa!

Mais de 250 mil pessoas assisitiram o jogo em Wembley.

126.047 pagantes. O restante, invadindo até o campo de jogo.

Mas, os tempos e os ingleses eram outros. A multidão no centro do gramado estava de bom humor.

E o constable George Scorey montado em Billy, seu cavalo branco, conseguiu levar os torcedores até na beira do gramado.

Onde ficaram até o fim do jogo.

Jogo que não precisou de linhas laterais, nem linhas de fundo.

As quatro linhas do gramado eram humanas. Como nas peladas de fim de semana.

Quando a bola batia em um torcedor era lateral, escanteio ou tiro de meta.

O primeiro gol foi marcado por David Jack.

Mas foi o segundo que entrou para a história.

O atacante J.R. Smith do Bolton chutou. A bola entrou no gol e voltou.

Rebatida por torcedores que estavam... dentro da barra.

O Bolton Wanders venceu por 2 x 0.

O Rei voltou plebeu para seu palácio.

E o futebol mostrou quem era o Rei. Do Império Britânico. E do mundo.

Com a ajuda inestimável de Billy.

Pra completar, um tributo recente.

Uma nova ponte para pedestres foi construída nas cercanias do Estádio de Wembley em 2006.

Foi lançada uma votação pela BBC para batizar a ponte.

Adivinhem quem venceu a votação na frente de Alf Ramsey, Bobby Charlton e Geoff Hurst?

Pois é!

Com um terço dos votos, a ponte se chama 'A Ponte do Cavalo Branco'!

Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.

Era o plebeu dos esportes.

Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.

terça-feira, março 11, 2008

Brasileiros sofrem para entrar na Espanha há anos, diz pesquisadora


GABRIELA MANZINI
da Folha Online


Faz tempo que os brasileiros sofrem para entrar na Espanha, de acordo com a jornalista Dalva Aleixo Dias, que conclui uma tese de doutorado pela Universidade de La Laguna, na Espanha, sobre a imagem dos brasileiros na imprensa espanhola. "Quantas pessoas foram maltratadas antes que essas histórias mais recentes fossem publicadas? Isso só veio à tona porque, agora, há universidades por trás."

Na semana passada, dois mestrandos foram barrados ao passar por Madri (Espanha) com destino a Lisboa (Portugal). O caso detonou um mal-estar entre Brasil e Espanha no que diz respeito à imigração.

Segundo Dias, no período em que ela morou na Espanha, entre 1996 e 1999, a imprensa espanhola publicou casos de uma brasileira estuprada pelos policiais da imigração e de um brasileiro que não agüentou a pressão da investigação para entrar no país --que já durava dois ou três dias-- e se enforcou, no aeroporto.

No mesmo período, Dias afirma que teve a sua permanência no país ameaçada após um bate-boca com um funcionário do setor de imigração --ele mandou que ela voltasse "de vez" para o Brasil-- e teve a filha de 5 anos empurrada escada abaixo por um grupo de colegas de escola que, havia alguns dias, a chamavam de "porca americana".

Ela conta que os espanhóis mantêm um estereótipo de que os brasileiros ou são do mundo do espetáculo (profissionais de capoeira ou samba) ou da prostituição. "Depois de um tempo, convencidos de que eu era diferente, arrumaram uma maneira de me 'espanholar'. Eu passei a ser 'Dalba' e não 'Dalva'; 'Alexio' e não 'Aleixo'; 'Diaz' e não 'Dias'. E se você é branco e tem ascendência européia, não é considerado brasileiro. É um europeu que, por acaso, nasceu no Brasil. Daí, vale a lei do sangue."

Para Dias, o preconceito contra os brasileiros é conseqüência da péssima imagem do país no exterior. "Para eles, nós sempre fomos um destino exótico no qual nós éramos os selvagens e eles, os evoluídos. De repente, na década de 80, eles se tornaram o destino, entraram numa crise financeira e se sentiram invadidos. O imigrante, fragilizado, virou bode expiatório para justificar o que eles não conseguem resolver."

De acordo com a pesquisadora, na análise da imprensa espanhola, ela concluiu que, lá, a vida dos brasileiros "não vale nada". "Se uma brasileira é morta, ela seduziu alguém e foi um crime passional. Se um brasileiro é morto, ou ele era homossexual e seduziu alguém --e foi crime passional-- ou ele era traficante --e foi queima de arquivo."

Dias afirma que a má imagem é fruto, principalmente, de uma propaganda institucional ruim; das histórias de violência que a imprensa brasileira passa à européia; e da vantagem que os espanhóis levam no mercado turístico, quando depreciam o Brasil. "Nas ilhas Canárias, eles patentearam a marca Carnaval e contrataram brasileiros para ensinar a sambar, costurar fantasias e compor sambas-enredo. Eles, agora, dizem que têm o segundo maior Carnaval do mundo, com a vantagem da segurança."

Tratado

Nos últimos dez anos, a situação melhorou, na opinião da pesquisadora. Ela afirma que, cada vez mais, os imigrantes deixam de ser vistos como "ladrões de empregos" para serem vistos como fator de impulso para a economia. "Com a entrada do capital espanhol no Brasil, nós viramos parceiros. E o Brasil tem crescido em questões políticas, diplomáticas."

O primeiro passo para a solução do problema, para a pesquisadora, seria a criação de um tratado de tratamento de imigrantes. "No Brasil, nós fazemos um esforço absurdo para falar no idioma deles, para que eles nos entendam, para que se sintam em casa. Não somos cordiais, somos quase servis. Quando chegamos lá, se você não conhece bem o idioma ou os costumes do país, eles simplesmente nos viram as costas."

Para Dias, os brasileiros não podem continuar sem proteção. "O governo precisa estar mais atento para defender os cidadãos, onde quer que eles estejam."

quarta-feira, março 05, 2008

Será que regrediremos ao século XI?



São raras as entrevistas nas páginas amarelas de Veja que têm sido relevantes nos últimos anoas. Finalmente, nesta semana, a geneticista Mayana Zatz, autoridade mundial no assunto e líder no Brasil em pesquisas com células-tronco, foi definitiva ao tratar do assunto:

Veja – As pesquisas com células-tronco embrionárias encontram-se proibidas no Brasil sob o argumento de que vão contra dois princípios constitucionais: o de que a vida é inviolável e o que garante a dignidade da pessoa. Como a senhora avalia essa proibição?
Mayana – Essa proibição é absurda. Inviolável é a vida de inúmeros pacientes que morrem prematuramente ou estão confinados a uma cadeira de rodas e poderiam se beneficiar dessas pesquisas. É preciso entender que os cientistas brasileiros só querem fazer pesquisa com os embriões congelados que permanecem nas clínicas de fertilização, e sempre com o consentimento do casal que os gerou. Se o casal, por algum motivo religioso ou ético, for contra doar seus embriões, não precisará fazê-lo. Deve-se lembrar que o destino dos embriões que não forem utilizados para pesquisa é ficar congelados até ser descartados. Estamos falando de embriões que nunca estiveram num útero, nem nunca estarão. Não existe nenhuma possibilidade de vida para eles.

Veja – Afinal, quando começa a vida? Do ponto de vista da ciência, o embrião é um ser humano?
Mayana – Não existe um consenso sobre quando começa a vida. Cada pessoa, cada religião tem um entendimento diferente. Mas existe, sim, um consenso de que a vida termina quando cessa a atividade do sistema nervoso. Quando o cérebro pára, a pessoa é declarada morta. Pelo mesmo raciocínio, se não existe vida sem um cérebro funcionando, um embrião de até catorze dias, sem nenhum indício de células nervosas, não pode ser considerado um ser vivo. Pelo menos não da forma que entendemos a vida. Por isso, todos os países que permitem pesquisas com embriões determinam que eles devem ter no máximo catorze dias de desenvolvimento. Os embriões congelados que se quer usar no Brasil têm ainda menos tempo, entre três e cinco dias.

Morre Jeff Healey



O guitarrista canadense JEFF HEALEY morreu no último domingo vítima de um câncer contra o qual batalhava há tempos. Healey tinha apenas 41 anos, e seu mais recente disco, "Among Friends", será lançado esta semana.

Healey perdeu sua visão ainda bebê, graças a um raro tipo de câncer denominado retinoblastoma, e com apenas três anos de idade começou a tocar guitarra. Por ser cego, desenvolveu um estilo peculiar de tocar, com a guitarra apoiada em seu colo. Com sua JEFF HEALEY BAND, gravou discos de enorme sucesso, que chegaram a ser indicados ao Grammy. Tocou e gravou ainda com artistas de renome, como B.B. KING, STEVIE RAY VAUGHAN, GEORGE HARRISON, MARK KNOPFLER e IAN GILLAN, entre muitos outros.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Pergunta que não quer calar do dia



Quando é que vão expulsar o reitor da Universidade de Brasília (UnB) após o escândalo da "decoração" de R$ 500 mil do apartamento funcional do cidadão? Nunca esqueçam o nome do cidadão: Timothy Mullholland.

A perseguição cubana aos roqueiros




Se não bastasse a perseguição política que o governo cubano castrista e pseudocomunista empreendeu contra a oposição, vem à tona agora informações sobre a perseguição cultural que o aparato repressor daquela ditadura bananeira do Caribe moveu contra as bandas de rock. Convenientemente, a mídia internaiconal, como um todo, de forma conivente, ignorou o assunto. Mais informações aqui.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

PARCERIA INACEITÁVEL


Por MARCOS FONSECA


Retirado do Blog de Juca Kfouri e Blog Santista

Se ninguém brecar, vem coisa pior que rebaixamento por aí. E agora, o que será do Peixe? Sinceramente, na situação atual, o que menos me preocupa é o rebaixamento, porque ainda evitável, mesmo com os Betões e Marcinhos Guerreiros que formam esse não-time. Cair é contingência do esporte e já vitimou clubes quase tão grandes quanto o Santos. O Milan italiano, por exemplo. Nos momentos difíceis, quem tem história e tradição junta os cacos, esquece as picuinhas, aposta na união e ressurge ainda mais engrandecido. Faz do tombo um épico, pela elegância com que se levanta.

No Santos, após oito anos de administração oropéia e da ampliação do poder da família Teixeira sobre o clube, o buraco é mais embaixo. Pior do que o time caminhar a passos largos para a segundona é entregar-se ao bando de urubus que voam cheios de apetite no céu da nossa desgraça. Os primeiros passos nessa direção foram dados em 2004, quando o futebol santista passou a ser terceirizado por Vanderlei Luxemburgo. A ida do treinador para o Real Madrid, em 2005, representou unicamente um intervalo, para que nossa brilhante diretoria testasse definitivamente a própria incompetência e para que Cafa Luxa voltasse, no ano seguinte, ainda mais prestigiado, onipotente e voraz.

Nos últimos dois anos, a rapinagem virou coisa de profissionais e ganhou estrutura empresarial. O Santos foi a encubadora que gerou a associação mafiosa e o laboratório em que as ações criminosas foram experimentadas. A rede – inicialmente limitada aos negócios do treinador com fornecedores preferenciais e restrita ao âmbito do clube –, rapidamente cresceu, criou ramificações e ampliou seu campo de atuação. Pelo menos na maior parte do ano passado, Luxemburgo foi pago pelo Santos, mas de fato trabalhou full time pela WL Sports e seus parceiros.

Não é segredo que, por trás da contratação de cinco jogadores do Bragantino pelo Corinthians, em meados do ano passado, esteve o dedo do treinador santista. Também foi o Santos que bancou a montagem da equipe profissional multidisciplinar que hoje Luxemburgo distribui entre os clubes com os quais mantém vínculos formais e informais. Grande parte foi com ele para o Palmeiras, mas há alguns bem situados no Corinthians (o ex-jogador Antonio Carlos Zago e o médico Joaquim Grava), outros menos festejados no Joinville e sabe-se lá quantos mais em outras agremiações.

Quando se juntam os fios que ligam Traffic, Luxemburgo, Juan Figger, Wagner Ribeiro, Sondas, Chedid e outros investidores e agenciadores, têm-se a dimensão da trama. Nela, unificam-se as pontas dos negócios do futebol, com vistas exclusivamente aos interesses do grupo. É uma ameaça e tanto, ainda não percebida pelos clubes, em especial aqueles dirigidos com visão imediatista e em maiores dificuldades. Para estes, a aproximação com esse tipo de gente é encarada como solução para o descalabro administrativo a que estão submetidos.

O Santos parece perto de cair no canto da sereia. Esgotada toda sua capacidade de planejamento – historicamente resumida à entrega alternada do time, ora a Leão ora a Luxemburgo –, Marcelo Teixeira está sendo seduzido pelo ex-inimigo público número 1 Wagner Ribeiro, aquele que se notabilizou pelo assédio despudorado a jovens jogadores e seus familiares. É esse aliciador de menores que está convencendo nosso perspicaz presidente a fechar acordo com a holding da quadrilha.

Na Vila, apenas Leão parece pressentir o perigo. Mas o treinador não enxerga muito além de suas desavenças pessoais com Luxemburgo e determinados empresários de jogador de futebol. Não vê por completo o tamanho da encrenca reservada aos que sucumbirem à tentação de vender a alma ao diabo. Porque é isso mesmo o que vai acontecer com o Santos e com todo clube que cair nessa conversa. Todos se transformarão em meros participantes de um consórcio, sujeitos às regras impostas pelo administrador do negócio e submetidos aos seus desígnios comerciais.

*Marcos Fonseca é jornalista, foi editor do "Fantástico" nos anos 80 e é torcedor santista.

http://www.blogsantista.com.br/marcao/

PARCERIA INACEITÁVEL


*Por MARCOS FONSECA

Retirado do Blog de Juca Kfouri e do Blog Santista

Se ninguém brecar, vem coisa pior que rebaixamento por aí. E agora, o que será do Peixe? Sinceramente, na situação atual, o que menos me preocupa é o rebaixamento, porque ainda evitável, mesmo com os Betões e Marcinhos Guerreiros que formam esse não-time. Cair é contingência do esporte e já vitimou clubes quase tão grandes quanto o Santos. O Milan italiano, por exemplo. Nos momentos difíceis, quem tem história e tradição junta os cacos, esquece as picuinhas, aposta na união e ressurge ainda mais engrandecido. Faz do tombo um épico, pela elegância com que se levanta.

No Santos, após oito anos de administração oropéia e da ampliação do poder da família Teixeira sobre o clube, o buraco é mais embaixo. Pior do que o time caminhar a passos largos para a segundona é entregar-se ao bando de urubus que voam cheios de apetite no céu da nossa desgraça. Os primeiros passos nessa direção foram dados em 2004, quando o futebol santista passou a ser terceirizado por Vanderlei Luxemburgo. A ida do treinador para o Real Madrid, em 2005, representou unicamente um intervalo, para que nossa brilhante diretoria testasse definitivamente a própria incompetência e para que Cafa Luxa voltasse, no ano seguinte, ainda mais prestigiado, onipotente e voraz.

Nos últimos dois anos, a rapinagem virou coisa de profissionais e ganhou estrutura empresarial. O Santos foi a encubadora que gerou a associação mafiosa e o laboratório em que as ações criminosas foram experimentadas. A rede – inicialmente limitada aos negócios do treinador com fornecedores preferenciais e restrita ao âmbito do clube –, rapidamente cresceu, criou ramificações e ampliou seu campo de atuação. Pelo menos na maior parte do ano passado, Luxemburgo foi pago pelo Santos, mas de fato trabalhou full time pela WL Sports e seus parceiros.

Não é segredo que, por trás da contratação de cinco jogadores do Bragantino pelo Corinthians, em meados do ano passado, esteve o dedo do treinador santista. Também foi o Santos que bancou a montagem da equipe profissional multidisciplinar que hoje Luxemburgo distribui entre os clubes com os quais mantém vínculos formais e informais. Grande parte foi com ele para o Palmeiras, mas há alguns bem situados no Corinthians (o ex-jogador Antonio Carlos Zago e o médico Joaquim Grava), outros menos festejados no Joinville e sabe-se lá quantos mais em outras agremiações.

Quando se juntam os fios que ligam Traffic, Luxemburgo, Juan Figger, Wagner Ribeiro, Sondas, Chedid e outros investidores e agenciadores, têm-se a dimensão da trama. Nela, unificam-se as pontas dos negócios do futebol, com vistas exclusivamente aos interesses do grupo. É uma ameaça e tanto, ainda não percebida pelos clubes, em especial aqueles dirigidos com visão imediatista e em maiores dificuldades. Para estes, a aproximação com esse tipo de gente é encarada como solução para o descalabro administrativo a que estão submetidos.

O Santos parece perto de cair no canto da sereia. Esgotada toda sua capacidade de planejamento – historicamente resumida à entrega alternada do time, ora a Leão ora a Luxemburgo –, Marcelo Teixeira está sendo seduzido pelo ex-inimigo público número 1 Wagner Ribeiro, aquele que se notabilizou pelo assédio despudorado a jovens jogadores e seus familiares. É esse aliciador de menores que está convencendo nosso perspicaz presidente a fechar acordo com a holding da quadrilha.

Na Vila, apenas Leão parece pressentir o perigo. Mas o treinador não enxerga muito além de suas desavenças pessoais com Luxemburgo e determinados empresários de jogador de futebol. Não vê por completo o tamanho da encrenca reservada aos que sucumbirem à tentação de vender a alma ao diabo. Porque é isso mesmo o que vai acontecer com o Santos e com todo clube que cair nessa conversa. Todos se transformarão em meros participantes de um consórcio, sujeitos às regras impostas pelo administrador do negócio e submetidos aos seus desígnios comerciais.

*Marcos Fonseca é jornalista, foi editor do "Fantástico" nos anos 80 e é torcedor santista.

http://www.blogsantista.com.br/marcao/

Tempos ruins para a liberdade de expressão



Tristes tempos em que a liberdade de expressão e de opinião fique à mercê de juízes incompetentes e despraparados, bem como de interesses mesquinhos de herdeiros de legados artístico-culturais importantes. As filhas do escritor Guimarães Rosa querem impedir a publicação dos diários do autor quando foi cônsul brasileiro em Hamburgo, Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Não bastasse isso, querem retirar de circulação a primeira parte de uma biografia que está ans livrarias em Belo Horizonte. Elas são criminosas, praticam crime contra a humanidade. Do mesmo modo que Roberto Carlos quando vetou e foi à Justiça contra a publicação de sua (elogiosa) biografia. Vergonha total.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Vamso rasgar o Código Civil?




O caso em que a nadadora Joana Maranhão narra um suposto abuso sexual que teria sofrido na infância, quando treinava em Recife, é um dos maiores absurdos ocorridos neste começo deste ano. Abre um precedente muito perigoso, onde reputações podem ser destruídas por uma simples acusação que, no caso específico, é impossível de provar.

E tem gente aplaudindo a atitude irresponsável e criminosa da nadadora e de sua mãe, provavelmente para mascarar seus fracassos cada vez mais frequentes nas piscinas. E o pior é que a a revista Veja e um de seus colunistas parabenizaram a atleta neste ato criminoso de covardia.

É inadmissível que acusações graves de pedofilia como a de Joana Maranhão sejam feitas sem que haja o menor indício de prova. Não se trata de defender o hediondo comportamento criminoso de pedófilos, mas se trata de evitar que a calúnia, a injuria, a difamação e a injustiça ganhem fôlego em nossa sociedade.

Mais qualidade, menos audiência, mais ignorância



O texto abaixo, do editor de Variedades, do Jornal da Tarde, é o fiel retrato da sociedade brasileira. Ninguém quer cultura, ninguém quer educação, só novelas de baixo nível e Big Brothers. Deixei de acreditar faz tempo nessa sociedade medíocre e nojenta. Merece sustentar toda a incompetência e corrupção que cai em sua cabeça.

Pena que não passa no horário nobre

JÚLIO MARIA
do Jornal da Tarde

Quando a Globo quer, a Globo faz. A estréia de Queridos Amigos, na noite de segunda, foi uma mostra da potência dramatúrgica e técnica que a emissora se tornou, mas que, por razões comerciais, prefere ela mesma ignorar.
A história da turma que se conhece na década de 70 e que se reencontra dez anos depois, motivada por Léo (Dan Stulbach), tem tudo para atingir até o telespectador mais crítico. Sensibilidade sem pieguices. Diálogos sem correria. Emoção sem imposição. É a anti-novela das oito, que prende a audiência pela beleza de imagens e diálogos.
E aí vem a ‘maldição’ do Ibope. Queridos Amigos deu 22,6 pontos, bem abaixo da expectativa. Amazônia, de Gloria Perez, estreou com 34 pontos. JK, da mesma Maria Adelaide Amaral de Queridos, abriu com 39. Os jornalistas escrevem bem de Queridos Amigos em um parágrafo e colocam o fracasso de audiência logo abaixo. Estamos em uma enroscada. Assim como não pensamos em fazer jornal para nossos queridos amigos de redação, a Globo não deve pensar em fazer televisão para jornalistas.
Quando a qualidade sobe, a quantidade cai – é a lógica desde sempre. A Globo já aprendeu com fiascos do tipo A Pedra do Reino e criou em sua programação um sistema de cotas de produções de alto nível para agradar a um público que não é exatamente a massa.
Se quiser ver algo realmente bem escrito e bem filmado, o indivíduo terá de ficar acordado até umas 23h30, horário em que acaba o Big Brother Brasil e começa Queridos Amigos. Fazer o mesmo em horário nobre, jamais. A massa, verifica a Globo, não suportaria tanto refinamento.
O equívoco está na forma que vem o tal refinamento. A Pedra do Reino não pode ser usada como parâmetro para sustentar a teoria de que o povo não gosta de beleza. Aquilo foi uma aberração, um radicalismo prepotente que só quis esfregar o veja-o-que-podemos-fazer-na-TV na cara de quem cobra qualidade de uma emissora de televisão.
Queridos Amigos está em outro nível e nada irá resistir sobretudo à história que ela tem para contar. Com um ou 80 milhões de televisores ligados, o fato é que tem tudo para criar daquelas imagens que insistem em ficar na lembrança.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Empresário quer intimidar a imprensa

Editorial - O Estado de S. Paulo - 18 de fevereiro de 2008



Numa ação orquestrada para intimidar jornalistas e empresas de comunicação, fiéis e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus ajuizaram dezenas de processos por dano moral contra os jornais Folha de S.Paulo e Extra. O primeiro jornal publicou em dezembro uma extensa reportagem mostrando como o fundador da seita, "bispo" Edir Macedo, usou o dinheiro do dízimo para montar um poderoso grupo empresarial, com o braço financeiro registrado no paraíso fiscal de Jersey. O segundo jornal noticiou a agressão a uma imagem de São Benedito - um santo católico - por um seguidor da Igreja, na Bahia.

Segundo a reportagem da Folha, o complexo empresarial de Edir Macedo é constituído por 23 emissoras de TV e 40 emissoras de rádio, o que o torna o maior proprietário de concessões do País. Além disso, o "bispo" evangélico é proprietário de 19 outras empresas, dentre as quais 2 gráficas, 1 imobiliária, 1 agência de turismo e 1 firma de táxi aéreo, todas registradas em nome de seus "pastores". A reportagem revelou ainda que a Universal arrenda as emissoras que integram a Rede Aleluia, que Macedo detém 99% das ações da TV Capital, geradora da Rede Record, e que ele tem à sua disposição um avião adquirido por US$ 28 milhões.

Nas dezenas de processos ajuizados contra a Folha, "pastores e fiéis" da Universal reivindicam indenizações de R$ 1 mil a R$ 10 mil, sob a justificativa de que a reportagem lhes causou prejuízos morais. Nas ações contra o Extra, os autores alegam que o objetivo do jornal não foi informar, mas provocar a "ira" dos católicos e criar um clima de "perseguição religiosa", submetendo os seguidores da seita ao "risco diário de sofrer agressões físicas e discriminações".

O que chama a atenção nessas ações de dano moral não é o baixo valor das indenizações pleiteadas nem a falta de fundamento nas justificativas, mas, sim, a estratégia utilizada pelo empresário para intimidar jornais e jornalistas. As ações contra o Extra foram ajuizadas não na cidade onde está a sede da empresa, mas em distintas comarcas no interior do Estado do Rio de Janeiro. Os processos contra a Folha foram protocolados em lugares ainda mais distantes - quase todos situados a cerca de 200 quilômetros da capital de diferentes unidades da Federação. E, embora as ações sejam individuais, quase todas as petições apresentam textos idênticos, deixando clara a existência de uma ação orquestrada.

Como os dois jornais têm de se defender em cada uma dessas comarcas, o expediente da Igreja os obrigou a contratar advogados nas cinco regiões do País, elevando significativamente os gastos das empresas que os editam. Além disso, como várias audiências foram marcadas no mesmo dia e em algumas cidades da Região Norte, cujo acesso somente se faz por barco, o departamento jurídico da Folha teve de montar uma logística especial para defender a empresa e a jornalista que assinou a reportagem. Muitos processos foram abertos em juizados especiais cíveis, o que, por lei, exige a presença do réu e aumenta os gastos das empresas com viagens e deslocamentos de advogados e jornalistas. E em vários processos os autores citam não somente os repórteres, mas também os diretores de redação - e todos são obrigados a comparecer às audiências, sob o risco de serem condenados à revelia.

Em nota de protesto, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) qualificou a estratégia da Universal como "intimidação ao livre exercício do jornalismo". Para a entidade, os "pastores" e fiéis que acionaram a Folha e o Extra não têm por objetivo "restabelecer a honra ou a verdade, mas apenas constranger empresas jornalísticas no seu dever de livremente informar a sociedade". "É uma tentativa espúria de usar o Poder Judiciário contra a imprensa e privar o cidadão do direito de ser informado", conclui a nota.

Felizmente, os magistrados encarregados de julgar esses processos já perceberam a má-fé dos reclamantes. Alguns juízes nem sequer acolheram as ações. E pelo menos um deles, Alessandro Pereira, da comarca de Bataguaçu, Mato Grosso do Sul, não só rejeitou sumariamente o pedido de indenização, como condenou o autor por litigância de má-fé. Com decisões como essa, a Justiça está tratando o querelante como o que ele realmente é - um ganancioso empresário bem-sucedido - e não como o pastor evangélico caluniado pelos inimigos da sua igreja, que é como ele se apresenta.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Rush prepara CD ao vivo "Snakes & Arrow Live"




De acordo com o site RushIsABand, o "Snake & Arrow Live", álbum duplo ao vivo do RUSH, previsto para sair em 8 de abril, conterá as seguintes faixas:

Disc 1:

01 - Limelight
02 - Digital Man
03 - Entre Nous
04 - Mission
05 - Freewill
06 - Monkey Business
07 - Larger Bowl
08 - Secret Touch
09 - Circumstances
10 - Between The Wheels
11 - Dreamline
12 - Far Cry
13 - Workin' Them Angels
14 - Armor And Sword

Disc 2:

01 - Spindrift
02 - The Way The Wind Blows
03 - Subdivisions
04 - Natural Science
05 - Witch Hunt
06 - Malignant Narcissism (Drum Solo)
07 - Hope
08 - Distant Early Warning
09 - The Spirit Of Radio
10 - Tom Sawyer
11 - Encore
12 - One Little Victory
13 - A Passage To Bangkok
14 - YYZ.
The Who prepara novo CD e deve lançar DVDs com shows antigos


do Whiplash e da Billboard




Parece que o "Endless Wire" primeiro álbum de inéditas do THE WHO após 24 anos, empolgou os dois membros remanescentes - o vocalista Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend, já que este último afirma que eles estão trabalhando as idéias para um novo disco, que deve contar com o apoio do produtor T-Bone Burnett.

"Espero trazer canções num formato mais convencional para o novo álbum do The Who. Possivelmente faremos alguns shows na temporada de festivais do segundo semestre. Quero fazer isso apenas por diversão, não quero que isto se transforme em uma grande turnê, pois é necessário me manter focado no processo de composição", disse Pete.

E ainda este ano devem sair dois DVDs trazendo material registrado em 14 de dezembro de 1969 no London Coliseum - incluindo uma performance completa do "Tommy" - e outro filmado profissionalmente em 15 de dezembro de 1977 no Kilburn State Gaumont, para ser utilizado no documentário "The Kids Are Alright", mas que nunca foi lançado oficialmente até agora.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Um gênio falando dos gênios


do site Whiplash


"Led levou o Rock a outro nível", diz Roger Daltrey


Roger Daltrey falou sobre a importância de Robert Plant e do LED ZEPPELIN na edição da revista Classic Rock que está nas bancas (nos Estados Unidos).

Lembra Daltrey: "quando o Zeppelin apareceu eu achei que eles eram fantásticos. Um dos primeiros shows deles nos Estados Unidos foi abrindo pra gente, em Maryland. Eu fiquei do lado do palco e assisti o show dos caras e me lembro de achar que eles eram brilhantes... Meio que derivativos do Cream mas com muito mais peso. Robert era um vocalista de Rock'N'Roll. Jack Bruce era na verdade um vocalista de jazz e Blues. Mas Robert sabia como agitar".

Ele continuou a explicar como o Zeppelin acabou por definir as mudanças no Rock que começaram no final dos anos 60: "O Zeppelin pegou o Rock e o levou a outro nível. Havia poder ali. Eis que de repente aquela era uma nova forma de música. A cena musical da época estava começando a ficar um pouco cansada. Mesmo o (Jimi) Hendrix... estava indo por um caminho mais Jazz. O Zeppelin recuperou a cena".

Em 14 de dezembro, Daltrey se apresentou com o TRANS-SIBERIAN ORCHESTRA em Uniondale, Nova York, no Nassau Coliseum. O site Thewho.com informou que Daltrey se apresentou por 15 minutos e cantou os clássicos do THE WHO "Behind Blue Eyes", "Pinball Wizard" e "See Me, Feel Me".

Espera-se que o grupo saia em turnê ainda em 2008, apesar de ainda não haver ocorrido divulgação de datas ou locais. De acordo com informações desencontradas tanto de Daltrey quanto de Pete Townshend, é possível que a banda faça shows no Japão e na Austrália. Townshend, que aparentemente está compondo material para o sucessor do "Endless Wire", de 2006, declarou que espera também se apresentar na Inglaterra.

terça-feira, dezembro 25, 2007

A farsa chamada kaká e seu exemplo nesfato para a juventude


Texto publicado na Folha de S. Paulo de 15 de dezembro de 2007


JOSÉ GERALDO COUTO

Jesus, amor etc.

Kaká, como jogador, é o máximo, mas tomá-lo como modelo para os jovens é anacrônico e conservador

A escolha de Kaká como melhor futebolista do planeta não surpreendeu ninguém, pelo que ele jogou na temporada. O que me assustou um pouco foi ouvir no rádio e na televisão uma porção de gente exaltar o rapaz como "modelo positivo para a juventude". Ora, vamos combinar, Kaká fora de campo, à parte a beleza física evidente, é de uma insipidez espantosa. Mauricinho e carola, sua imagem corresponde a um bom-mocismo que eu julgava há muito superado. Não me entendam mal.

Nada contra ele casar virgem e estampar na camiseta que "pertence a Jesus". Mas daí a tomar isso como exemplo de caráter vai uma grande distância. Kaká, é bom lembrar, foi um dos primeiros a sair em defesa do casal Hernandes, os líderes da igreja evangélica Renascer em Cristo, que foram parar na cadeia por ludibriar a fé dos incautos e sonegar impostos. Apoio no mínimo questionável, a meu ver.

Ainda assim, problema dele. Mas há algo de profundamente regressivo em considerar esse tipo de comportamento como "sadio". Querer restaurar, a esta altura do campeonato, valores como a virgindade e a fé religiosa cega traz um perigoso ranço de TFP (a ultraconservadora Sociedade de Defesa da Tradição, da Família e da Propriedade), ainda que sob as tintas mais estridentes, pragmáticas e mercantilistas das correntes evangélicas. Como contraponto a esse obscurantismo anacrônico, lembro um episódio ocorrido com o grande ex-jogador e ex-treinador Elba de Pádua Lima, o Tim (1915-84), e narrado no recém-publicado "João Saldanha - Uma Vida em Jogo", de André Iki Siqueira.

Tim era técnico de um clube grande do Rio de Janeiro quando, numa peneira, um garoto ansioso por agradá-lo declarou: "Não bebo, não fumo nem farreio". Tim respondeu: "Pois aqui você vai aprender a fazer tudo isso". Claro que ninguém aqui é criança. Sabemos que o álcool, o cigarro e as noites maldormidas podem prejudicar a saúde e o desempenho de qualquer profissional. Mas são, no mais das vezes, experiências que fazem parte do aprendizado de vida de qualquer cidadão saudável.

Millôr Fernandes escreveu uma vez que a mais incompreensível de todas as taras é a abstinência. Ernest Hemingway, por sua vez, quando indagado sobre as coisas que poderiam atrapalhar a atividade do escritor, respondeu: "Mulheres, bebida, dinheiro. E também falta de mulheres, de bebida e de dinheiro". João Saldanha, sábio do futebol e da vida, ajudava seus jogadores a fugir da concentração para se divertir. Só recomendava, de modo meio machista, que não mudassem de mulher às vésperas de um jogo, caso contrário tenderiam a "mostrar serviço" na cama, desgastando-se em excesso.
Kaká entregou a alma a Jesus, o dinheiro à Renascer e a virgindade à noiva. Vágner levou uma mulher para a concentração do time e ganhou o apelido de Love.

O primeiro é muito mais jogador, mas o "exemplo" do segundo me agrada mais.


Altitude é 'frescura'


Por Luis Fernando Correia

Comentarista da CBN

Extraído do Blog de Juca Kfouri


Cientistas da Universidade de Oxford analisaram cientificamente a influência da altitude nos jogos de futebol. Segundo a pesquisa, publicada na última edição da revista "The British Medical Journal", os times do alto das montanhas aumentam as chances de vitória de 53% para 82%, quando enfrentam times que vêm do nível do mar.



Para chegar a essa conclusão, os estatísticos analisaram o banco de dados da Fifa que contém resultados de 1.460 jogos, num período de cem anos. A América do Sul foi a principal fonte de pesquisa, pois aqui se encontram as maiores diferenças de altitude em jogos internacionais. Um bom exemplo é o Rio de Janeiro, que fica ao nível do mar, e La Paz, a 3.650 metros de altitude.

A altitude afeta o funcionamento do corpo dos atletas que viajam para jogar sem períodos de adaptação, a chamada aclimatação. Por causa da menor pressão atmosférica, uma quantidade menor de oxigênio entra no corpo a cada inspiração. Essa redução de oxigênio no organismo provoca dor de cabeça, náuseas, tonteira e fadiga. Além disso, as temperaturas são mais baixas e o ar é mais seco.

Ao comparar os placares dos jogos entre times de altitudes diferentes, ficou comprovado que a vantagem numérica das equipes da Cordilheira dos Andes se traduz numericamente em aumento das chances de marcar gols, e menor número de gols sofridos.

Comparando os principais times da América do Sul –- Brasil, Argentina e Uruguai -–, a países localizados em altitudes mais elevadas, a vantagem de se jogar nas montanhas contra uma equipe de um país ao nível do mar sobe para 82%, contra 53% se os dois times forem de mesma altitude.

A cada 1.000 metros de diferença, o time da casa ganha quase meio gol de vantagem. Portanto, a Bolívia jogando em La Paz, 4.082 metros em seu ponto mais alto, numericamente sai com 1,48 gols de vantagem sobre um time do nível do mar.

Os cientistas foram capazes de determinar que, somente por conta da altitude, existe um aumento da chance do time da casa marcar um gol, e ao mesmo tempo diminui em 50% a chance do goleiro ver a bola no fundo da rede.

Apesar de esclarecida a questão médico-desportiva, o assunto é controverso do ponto de vista político do futebol. Entretanto, a Fifa acaba de aprovar, no último dia 15 de dezembro, em Tóquio, uma determinação para que não ocorram jogos em altitudes acima de 2.750 metros, sem o devido período de aclimatação, estimado em dez dias. Essa resolução passa a fazer parte imediatamente dos regulamentos da entidade e a Fifa recomenda que seja seguida em todos os jogos internacionais.

terça-feira, outubro 30, 2007

Que tal abrir a caixa preta da Igreja Católica?



A crise que envolve um ex-ícone da esquerda brasileira e dos direitos humanos - padre Júlio Lancellotti - evidencia um problema muito maior, o desvio ddinheiro protagonizado por religiosos, entidades religiosas e seitas.

Ainda é cedo para dizer que o padre é pedófilo, mas ele tem a obrigação moral de explicar de onde tirou o dinheiro que "presenteou" o ex-interno da Febem que diz ser amante de Lancellotti.

Se o padre diz que recebia R$ 1 mil da Igreja e mais R$ 2,5 mil como funcionário da Febem, não poderia jamais dar dinheiro vivo para o ex-interno comprar uma Pajero. A suspeita é de que ele tenha desviado recursos que recbia da Prefeitura de São Paulo para tocar a sua ONG que cuisda de crianças aidéticas - um trabalho louvável, diga-se.

Entretanto, suas benfeitorias não podem mascarar o desvio de dinheiro público, caso ele realmente tenha ocorrido. As seitas e igrejas precisam ser investigadas e devassadas com o mesmo empenho que a Polícia Federal espezinha os "donos" da "igreja" Renascer.

Na verdade, as igrejas e as religiões precisam ser extintas.

Corinthians repete o Palmeiras

Em 2006 o Palmeiras escapou do rebaixamento na penúltima rodada, mesmo perdendo em casa por 4 a 1 para o Internacional, na estréia de Alexandre Pato. Só se salvou porque a Ponte Preta fez o serviço e perdeu para o Goiás.

O Corinthians escapa do rebaixamento neste ano, mas não por méritos próprios. Sport e Goiás estão fazendo uma força danada para cair.

Que maravilhosa festa nas ruas...


A julgar pela transmissão ufanista da Rede Globo, o país inteiro está comemorando a confirmação da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como se todo mundo já não soubesse que seria aqui.

Realmente, nem consegui chegar ao trabalho hoje, tamanha a concentração humana mas ruas de São Paulo...

sexta-feira, outubro 05, 2007

Mulher vai pagar R$ 400 mil por baixar músicas na internet


Norte-americana foi condenada por tribunal em Minnesota por fazer do download de 24 arquivos


Da Efe e AP


WASHINGTON - Um juiz de Minnesota (EUA) multou uma mulher em US$ 222 mil (cerca de R$ 402 mil) por fazer download de 24 músicas na internet, após processo movido pela indústria fonográfica americana. A informação foi publicada nesta sexta-feira, 5, na edição digital do jornal Duluth News Tribune.


Segundo o jornal de Minnesota, o advogado das empresas, Richard Gabriel, diz que a ação não pretende obter dinheiro para seus clientes, mas "enviar uma mensagem à população".



O juiz avaliou que Jammie Thomas, mulher de 30 anos com dois filhos, feriu os direitos autorais ao baixar 24 arquivos digitais pelo software Kazaa.



As empresas Capitol Records, Sony BMG Music Entertainment, Arista Records, Interscope Records, Warner Bros. Records e UMG Recordings acionaram então sua parceira "antipirataria". A Safe Net, por sua vez, encontrou na comunidade do Kazaa um usuário com o nome "tereastarr", que no dia 21 de fevereiro de 2005 disponibilizava 1.702 músicas para download de outros usuários.



Segundo o jornal, a empresa baixou os arquivos, cujos direitos de autor correspondiam às gigantes da indústria fonográfica norte-americana.



O advogado disse a jornalistas na frente do tribunal que "o que mais gostamos nesse processo foi a oportunidade de mostrar claramente as provas que obtivemos".



Acrescentou ainda que a decisão judicial envia a mensagem de que "baixar e distribuir nossas gravações com direitos autorais não é uma conduta legal".



De acordo com os advogados da indústria fonográfica, a "pirataria musical" tem causado prejuízo da ordem de milhões de dólares. Nos Estados Unidos, a Associação da Indústria de Gravação moveu pelo menos 26 mil ações contra pessoas físicas com a acusação de baixar e distribuir arquivos digitais protegidos por leis autorais.



A decisão judicial prevê que Jammie Thomas pague US$ 9,25 mil (cerca de R$ 16,7 mil) por cada uma das 24 músicas baixadas.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Corintianismo inglês, corintianismo brasileiro

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online


Na Inglaterra existe um conceito conhecido como Espírito Corintiano (Corinthian Spirit) que diz respeito à maneira como um jogo é encarado. Segundo ele, o importante não é simplesmente vencer, mas sim a maneira como se joga, a postura e o comportamento do atleta.

Tudo começou com o Corinthians Football Club, time lendário de Londres, fundado em 1882, que lutou contra o profissionalismo do esporte e se recusou a integrar a Football League. Preferia disputar apenas amistosos, apesar de ter um timaço na época.

Por conseqüência, o Corintianismo inglês associa-se também a tudo que envolve o fair play, o romantismo no esporte.

Esse Espírito Corintiano esteve presente nos gramados ingleses mais uma vez nesta semana. Leicester City e Nottingham Forest fariam o reinício de um jogo da Copa da Liga Inglesa que havia sido paralisado há cerca de três semanas.

No intervalo do jogo original, o zagueiro do Leicester Clive Clarke sofreu uma parada cardíaca e teve que ser levado ao hospital. Os times decidiram então suspender a partida, temendo pela morte do atleta, o que não ocorreu.

Como Nottingham vencia por 1 a 0, o Leicester decidiu dar um gol logo início da nova partida ao rival, para fazer justiça ao placar anterior. O goleiro Smith correu com a bola, passou pelos adversários parados, cumprimentou seu colega no gol rival e fez o gol.

Apesar da vantagem no placar, o Nottingham acabou derrotado por 3 a 2.

O lance lembrou muito um jogo de 2005 entre o Ajax e o Cambuur Leeuwarden. Ao tentar devolver uma bola ao goleiro rival de muito longe, Jan Vertonghen acabou marcando um golaço por cobertura. Logo em seguida ele pediu desculpas e disse que foi sem querer. Na saída de bola, os jogadores do Ajax ficaram todos parados para o adversário fazer o gol.

Outro exemplo famoso de fair play aconteceu, é claro, na Inglaterra. Em 2001, o atacante Di Canio, que é assumidamente fascista, deu exemplo ao pegar a bola com as mãos e parar uma jogada em que poderia ter marcado para o West Ham com o gol vazio. O goleiro do Everton estava caído no chão, fora da área, contundido. Di Canio recebeu inclusive o prêmio de Fair Play da Fifa naquele ano pelo gesto.

Sempre na Inglaterra. Em 1999, Ray Parlour, do Arsenal, tentou devolver uma bola a um jogador do Sheffield United. Mas o atacante Kanu não quis saber. Interceptou o passe e tocou para Overmars, que mandou para as redes diante de rivais que ficaram parados. O Arsenal venceu por 2 a 1 graças àquele gol, mas o técnico Arsene Wenger resolveu oferecer aos rivais a possibilidade de jogar a partida novamente. Apesar de não ter havido nenhuma irregularidade que justificasse realizar o jogo de novo, a Fifa autorizou os times a jogarem em nome do Fair Play. E o Arsenal venceu de novo.

Mais um caso famoso inglês. Jogando pelo Liverpool contra o Arsenal, em 1997, Robbie Fowler se envolveu em uma jogada com o goleiro David Seaman e caiu dentro da área. O juiz deu pênalti, mas Fowler disse ao árbitro que não havia sido atingido e que não queria a penalidade. Não teve jeito. O juiz manteve a marcação. Na cobrança, Fowler bateu e Seaman pegou. Mas o atacante jurou após o jogo que não perdeu de propósito. Ok.

Agora, uma situação hipotética. Final de Campeonato Paulista entre Corinthians e Palmeiras. Por algum motivo relacionado a Fair Play, os corintianos decidem conceder um gol aos palmeirenses. Na saída de bola no meio-campo, Edmundo carrega a bola sozinho. Todos os jogadores do Corinthians parados. Goleiro parado. Ele chuta e faz o gol.

Praticamente impossível. Inimaginável. Muito provavelmente, o corintianismo brasileiro (leia-se paixão do torcedor) não permitiria uma atitude dessas. Fair Play, aqui, tem limite.

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Um bom exemplo do limite do Fair Play brasileiro é a Copa de 1998. Na decisão contra a França, Rivaldo tocou a bola para fora para que um adversário fosse atendido. Tomou uma bronca de Edmundo: "Isso é aqui é final de Copa do Mundo!".

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O Corinthian Football Club é o time que inspirou o Sport Club Corinthians Paulista a adotar esse nome. Eles viajam ao redor do mundo difundindo o futebol. Em 1939, eles se juntaram ao Casuals e formaram o Corinthian-Casuals Football Club.

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Clique aqui para ver o gol do Nottingham Forest com os jogadores do Leicester parados.

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Veja também o lance de Fair Play do Ajax e o de Di Canio.

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Nem só de Fair Play vive o futebol. Aqui, uma compilação de jogadas violentas e agressões.

quarta-feira, setembro 12, 2007


Alento e otimismo




O novo acordo salarial obtido pelos metalúrgicos da CUT com as montadoras paulistas é um alívio para o ABCD. Não só pelas bases em si, que foram boas e representam ganhos para os trabalhadores, mas também por mostrar um clima de otimismo na economia regional.

Depois de momentos tensos em 2006, com a greve na Volkswagen, em São Bernardo, por conta do anúncio de mais de 3 mil demissões, imagina-se que as próximas negociações salariais de 2007 seriam mais tensas com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Sindipeças (Sindicato das Empresas de Autopeças), Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e outras representações patronais.

O fato é que o setor automotivo - e por tabela quase toda a indústria de metalurgia - vive um excelente momento e nada mais justo do que os trabalhadores exigirem mais do que normalmente o empresariado oferece em termos de reajustes salariais e abonos. Claro que o ideal é sempre aquilo que quase nunca atingimos, mas o acordo firmado pela FEM-CUT (Federação Estadual dos Metalúrgicos) é um indicativo de que podemos esperar por dias mais promissores na economia do ABCD.

Aliás, já é tradição os metalúrgicos da CUT de São Bernardo e Diadema liderarem os processos de negociação em uma região que ainda sofre com problemas originados nos anos 90, com a abertura desenfreada do mercado nacional às importações.

O parque industrial hoje é outro no Brasil, e completamente modificado no ABC, e os trabalhadores e suas lideranças souberam entender o momento e se adapatar a ele. Afora episódios tormentosos, como a demissão na Volks, no ano passado, as conversações dos metalúrgicos, em novas bases, mais uma vez tornaram-se modelo para as relações trabalhistas modernas não só em São Paulo, mas no Brasil inteiro.

Por isso é que chama a atenção a recusa da mesma proposta de reajuste salarial aceita pela CUT pelos sindicatos ligados à Força Sindical e Conlutas - a proposta é reajuste de 7,44%, sendo 4,82% de reposição da inflação e 2,5% de aumento real.

A decisão é um misto de miopia trabalhista com radicalismo despropositado. Esses sindicatos, nodatamente os de São Caetano e de São José dos Campos, cidades que abrigam fábricas da General Motors, apostam arriscadamente em um confronto ao reivindicar reajustes acima de 12%, como se houvesse a possibilidade de a GM descolar sua proposta daquela que foi oficializada pela Anfavea e aceita pela CUT.

Em tempos de estabilidade econômica e negociações maduras realistas, a posição daqueles sindicatos não é recomendável.

segunda-feira, agosto 27, 2007

O embusteiro


João Gilberto é um dos maiores embusteiros da música mundial. Nâo sabe cantar, toca mal violão e sempre grava as mesmas cinco músicas há cinquanta anos - sempre toca as mesmas cinco músicas há cinquenya anos - e ainda o chamam de gênio. Risível.

P.S.: Por outro lado, o cara pode ser mesmo gênio. Afinal, mesmo sendo um artista ruim e embusteiro ainda é considerado gênio. Para refletir.

DJ não é músico, não é nada


Finalmente alguém teve coragem de dizer em uma publicação de grande circulação e de razoável credibilidade que DJ não é músico. O colunista Marcos Sokol, da Rolling Stone brasileira, desce a lenha nesses farsantes na edição de agosto, com o intragável Caetano Veloso na capa. Sokol critica os músicos decadentes e desempregados(cita Glen Matlock, ex- Sex Pistols, e Andy rourke, ex-Smiths) na Inglaterra que viajam pelo mundo "tocando" como DJs e mordendo cachês de produtores otários. Mesmo os mais famosos, como Fatboy Slim e Marky Mark, são impostores. Qualquer um pode discotecar. Chamar esses caras de músicos é piada.

Dicas culturais rápidas


Cinema: "O Ultimato Bourne", terceiro filme da trilogia, com Matt Damon; "Escorregando para a Glória", com Will Ferrel e Josh Gordon, uma comédia sobre o mundo da patinação artística no gelo.

DVDs - filmes: "Segredos de Berlim" (The Good German, com George Clooney e Cate Blanchett, um thriller de suspense ambientado no final de Segunda Guerra Mundial; "Dresden", filme alemão que mostra a destruição da cidade durante o maciço bombardeio aliado na cidade em 1945; "Brigada Tigre", filme francês com Diane Kruger, que mostra uma divisão de elite da polícia francesa tentando evitar atentados em Paris em 1907 que impediriam a aliança entre Inglaterra, Rússia e França, que entrariam em guerra juntas sete anos depois contra a Alemanha.

DVDs - shows - "Score", DVD triplo do Dream Theater comemorando seus 20 anos de csrreira em Nova York; "Live in Montreux 2003", ótima apresentação do Yes no festival suíço; "Boneshaker", show que comemora 30 anos de existência do Motorhead.

Shows - Juliette and the Licks, grupo de rock da atriz Juliette Lewis, toca no TIM Festival em outubro.

Elite desmoralizada


Uma das maiores vergonhas deste país é a elite econômica, parasita e criminosa. O governo Lula merece repúdio total e irrestrito por causa da péssima administração, do caos na infra-estrutura, no caos institucional, dos absurdos e constantes casos de corrupção e abuso de poder, sem falar no aparelhamento do funcionalismo e da fisiologia.

Dito isso, e sempre respeitando o direito de liberdade de expressão, afirmo que o "movimento" chamado "Cansei", liderado pela elite paulista, é nojento e obsceno. É vergonhoso.

Um bando de parasitas que só se beneficiaram da economia lulista até agora resolve fazer "passeatas" com seus cãezinhos porque estão "cansadinhos" de ficar esperando por duas horas em aeroportos.

Onde estavam esses vagabundos quando estouraram os diversos casos de corrupção no governo Lula e nos governos estaduais? Onde estavam quando houve a greve do metrô paulistano, ou quando começaram as greves do funcionalismo em Alagoas, Ceará, Paraíba, Rio? Onde estavam quando começou o caso Renan Calheiros? Cadê esse bando de desqualificados quando o MST empreende invasões de prédios públicos e fazendas?

Todo mundo tem direito de se manifestar e protestar, até os ricos. Mas é muita falta de senso do ridículo esses lixos humanos parasitas reclamarem publicamente por causa de "problemas" em alguns de seus "confortos", justamente quando seus bolsos estão cada vez mais cheios. Gentinha desclassificada.

Politicagem


O STF (Supremo Tribunal Federal) sempre foi político e sempre agiu polticamente contra os interesses do país e a favor de seus próprios interesses. Agora os juízes querem posar de vítimas com as denúncias de grampos. Nada foi comprovado até agora e acusações sem provas foram feitas à Polícia Federal. Os ministros do STF precisam ser investigados imediatamente, assim como suas atuações precisam ser avaliadas com cuidado.

Pelo direito de não gostar



Tem gente confundindo por aí preconceito com o fato de gostar ou não. Na essência, dizem filósofos e professores diversos da área de humanas, o ato de gostar ou não já embute um preconceito. Intelectualices e conceituações à parte, na vida real as duas coisas são muito diferentes.

A revista Brasileiros, recém-lançada e em seu primeiro número, há dois meses, traz uma pesquisa inédita e interessante do Ibope sobre preconceito. Só que o autor do texto esbarra perigosamente na fonteira entre o preconceito e o ato de gostar ou não.

Todo preconceito é odioso e merece ser combatido, mas eu tenho o direito de não gostar. Eu exijo esse direito e vou exercê-lo. Tenho o direito de não gostar de árabes, de judeus, de europeus, de nórdicos, de são-paulinos, de corintianos, de flamenguistas, de argentinos, de moradores da Barra Funda. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas é fundamental o respeito aos direitos dos outros.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Creative Commons, uma patifaria em forma de ONG



Surgiu na Europa e cresce nos Estados Unidos uma palhaçada travestida de ONG chamada Creative Commons, que não reconhece os direitos autoriais nos meios digitais de comunicação.

Na verdade, é um bando de idiotas anarquistas que quer abolir qualquer pagamento pela propriedade intelectal de qualquer obra de arte, seja na música, na literatura, nas artes plásticas, principalmente se as obras estão ao alcance das mãos na internet.

Ou seja, pregam abertamente a pirataria e a cópia ilegal de obras de arte. São bandidos e precisam ser combatidos e eliminados da internet. E o pior quer a idiotice até cooptou músicos, que adoraram a idéia. Era só o que faltava, oficializar a pirataria.

E o STF senta em cima dos processos...



Por outro lado, o Surpemo Tribunal Federal (STF), supostamente assoberbado de trabalho, senta em cima de questões importantes, como a questão dos bancos ficarem sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor. Um ministro simplesmente está há mais de ano com o processo e não julga, favorecendo (involuntariamente? quero crer que sim) os bancos e prejudicando os correntistas.

Qualquer briga de condomínio e de marido e mulher vai parar no STF, que deveria só julgar questões constitucionais e importantes. E o que fazem os ministros, em vez de se rebelarem e exigirem um ordenamento da coisa? Calam-se, já que parece ser conveniente politicamente que as coisas assim permaneçam.

Bonitinha mas ladra


Universitária de 19 anos dava golpes em empresários e incautos em geral nos Jardins, em São Paulo. Seduzia os imbecis e roubava talões de cheque, dinheiro e até gravuras de artistas famosos, como Joan Miró. É fácil dar golpes no Brasil.

País corrupto por natureza?


Todos os dias são presas ou estouradas quadrilhas e mais quadrilhas de ladrões, assaltantes, sequestradores e golpistas de todo o tipo no Brasil. Hoje o Jornal Hoje, da TV Globo, noticiou que duas quadrilhas de golpistas foram desbaratadas. Está cada vez mais claro que o crime compensa aqui no Brasil, caso contrário não haveria tanta gente partindo para golpes de todos os tipos. Ética e moralmente o Brasil não existe mais. O brasileiro acostumou-se a delinquir.

Sites especulam sobre o fim da banda Rolling Stones

da Folha Online



Formada em 1962 e com mais de 300 milhões de discos vendidos em todo o mundo, a banda inglesa Rolling Stones virou alvo de boatos em sites internacionais de música de que poderá anunciar seu fim neste domingo (26). O anúncio seria feito após a última das três apresentações no estádio 02 Arena (ex-Millenium Dome), em Londres. O grupo tem 45 anos de estrada.


A turnê A Bigger Bang seria a última da carreira de Mick Jagger, 64, Keith Richards, 63, Charlie Watts, 66, e Ronnie Wood, 60. Os boatos são atribuídos a fontes próximadas da banda.


Entre os veículos que publicaram a notícia, estão ContactMusic, Digital Spy e "Daily Telegraph". A banda não se manifestou ainda oficialmente sobre os boatos.


Em fevereiro de 2006, a banda se apresentou em show gratuito realizado na praia de Copacabana, no Rio, para mais de 1 milhão de pessoas, encerrado com o hit "Satisfaction", o mais famoso sucesso do grupo.