Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quarta-feira, junho 10, 2009
do site Comunique-se
Reproduzo abaixo, para encerrar esse tópico, texto do site Comunique-se sobre a reação da grande imprensa contra a iniciativa da Petrobras, manifestações que contam com o meu apoio:
A iniciativa da Petrobras de criar o blog Fatos e Dados, onde a estatal expõe os questionamentos da imprensa e as repostas dadas aos veículos, gerou uma situação de conflito entre a empresa e os principais órgãos de imprensa do País. O jornal O Globo, por exemplo, dedicou, na edição desta terça-feira (09/06), sete matérias e um editorial ao tema, além de chamada na primeira página.
“A estatal alega praticar a ‘transparência’ ao cometer o erro de divulgar material de propriedade de profissionais e veículos de imprensa. Ser cada vez mais transparente é um objetivo correto para a estatal, caso ela não o use como justificativa para agir deslealmente com os meios de comunicação. A Petrobras errou, e espera-se que volte atrás nos procedimentos nada éticos que adotou no atendimento à imprensa”, afirma O Globo no editorial "Ataque à imprensa".
A Folha de S. Paulo de hoje traz dois artigos sobre o blog, ambos contrários à iniciativa da estatal. Além disso, cinco matérias foram publicadas sobre o tema, sendo que a de maior destaque foi sobre o comunicado da Associação Nacional de Jornais, que considera a atitude da Petrobras antiética.
O artigo “A transparência dos brucutus”, do jornalista da Folha Igor Gielow, considera o blog uma tentativa de “esvaziar a bola das denúncias que inevitavelmente chegarão ao seu balcão, contrainformação pura”. Já Plínio Fraga, em “Lodo não é petróleo”, trata o blog como uma “estratégia intimidatória”.
“A traquinagem do blog da Petrobras mostra a opção da empresa pelo lodo, como se este fosse também petróleo”, afirma Fraga em seu artigo.
Abaixo, para quem quiser conferir, o ataque certeiro do jornal "O Globo", em editorial, contra a iniciativa da Petrobras.
Olhem só a pérola que a ABI - Associação Brasileira de Imprensa -, que já foi respeitável, produziu em apoio à iniciativa esdrúxula da Petrobras:
“A ABI considera legítima a decisão da Petrobras de criar um blog para divulgação das informações que presta à imprensa e especialmente aos veículos impressos, uma vez que as questões relativas ao seu funcionamento e aos seus atos de gestão interessam ao conjunto da sociedade, que não pode ficar exposta ao risco de filtragem das informações típica e inseparável do processo de edição jornalística. A empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa.
A criação do blog constituiu-se em instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem de fogo crítico disparado por vários veículos impressos. Não se poderá alegar que é assegurado à empresa o direito de resposta, uma vez que quando este for exercido a informação nociva já terá produzido afeitos adversos. Ademais, é conhecido principalmente dos jornalistas o tratamento que a imprensa concede tradicionalmente ao direito de resposta, se e quando o reconhece e o acata: a informação imprecisa ou inidônea é divulgada com um destaque e uma dimensão que não se confere à resposta postulada e concedida.
O presente confronto entre a empresa e alguns veículos de comunicação tem inegável cunho político, com favorecimento de segmentos partidários que se opõem ao Governo Lula. A Petrobras encontra-se, infelizmente, na linha de tiro do canhoneio contra ela assestado. Atacá-la com a virulência que se anota agora não faz bem ao País.
Rio de Janeiro, 9 de junho de 2009
Maurício Azêdo, Presidente”
A Petrobras resolveu criar um blog para se "defender" dos ataques da imprensa e tornar mais "transparente" o processo de divulgação de informações da estatal.
Vai publicar todas as perguntas que forem enviadas à assessoria de imprensa da empresa e as respectivas respostas, tanto em coletivas como em iniciativas pessoais de repórteres.
Ou seja, se eu tiver um furo de reportagem na mão, exclusivo, e quiser apenas esclarecer alguns pontos - ouvir o outro lado, como manda o o bom jornalismo -, corro o risco de perder o meu assunto exclusivo. OU seja, a assessoria de imprensa da Petrobras deliberadamente vai sabotar reportagens, numa clara tentativa de intimidar a grande imprensa.
A estatal está dominada por gente desqualificada, capazes de uma suprema estupidez de propor um blçog cujo objetivo é sabotar reportagens. Coisa asquerosa, como é de costume no governo lulo-petista e seus aliados fisiológicos e defensores da corrupção e do aliciamento como política de Estado.
A coleção de escândalos e imbecilidades perpetradas pelo atual "governo" seria suficiente para derrubá-lo há muito tempo, assim como a instauração de inquéritos e processos contra "dirigentes" e "ministros", como no neste caso abjeto do blog da Petrobras.
Cenas cada vez mais comuns na Grande São Paulo: vias importantes bloqueadas sob qualquer pretexto com pneus fumegantes, móveis incendiados, pretensos manifestantes brandindo paus e apedrejando policiais, prédios públicos invadidos e ocupados por grevistas, tudo isso diante de uma passividade alarmante do Estado, sem poder e autonomia.
Está se aceitando cada vez mais nestes tempos a violência como método de reivindicação e como meio de "conquistas", sejam elas quais forem, mesmo que para isso a cidadania, o respeito e a educação sejam atropelados. Parece que o pior das atitudes de organizações como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) torna-se o modelo de comportamento e "ação" para uma gama enorme de vagabundos e vândalos, de todas as cores, tribos e vertentes políticas.
É fato que não dá mais para tolerar esse tipo de desrespeito. É inaceitável que baderneiros tomem conta da avenida Paulista, um dos três corredores hospitalares mais importantes da Capital, paralisando a cidade inteira. As motivações e os motivos são irrelevantes: é inaceitável que quase 11 milhões de paulistanos fiquem reféns de meia dúzia de manifestantes.
O bloqueio de trecho do Rodoanel Mário Covas em Embu, na parte oeste da Grande São Paulo, nesta semana, faz parte do que há de mais absurdo e mais nojento no comportamento dos "cidadãos" que habitam a região metropolitana da Capital.
Para protestar contra a falta de uma passarela, simplesmente impediram mais de 100 mil veículos de circular, provocando congestionamentos em pelo menos três estradas importantes. Nenhuma reivindicação, por mais importante e justa que seja, justifica esse ato bárbaro e primitivo de impedir a livre circulação de quem nada ter a ver com o assunto - sem falar que se trata de burrice, pois esse tipo de baderna só aumenta a raiva em relação ao "movimento".
Outro aspecto da ausência do Estado, ainda mais grave, é o tratamento que o governo estadual dispensa aos grevistas da USP e seus "aliados", um grupo de estudantes baderneiros e vândalos, verdadeiros criminosos que se escondem sob bandeiras "sindicais" e "educacionais".
Funcionários em greve e estudantes vagabundos cometem crime ao impedir que não aderiu de trabalhar. E cometem crime ao enfrentar com violência a Polícia Militar. E também cometem crime ao invadir e ocupar prédios públicos.
A justificativa dos "estudantes" para apoiar os funcionários e "combater" a PM é a de que protestam contra a implantação às pressas do ensino superior à distância e contra a presença dos policiais no campus. Então quer dizer que eles podem depredar e sustar os direitos individuais dos cidadãos que querem trabalhar e não podem ser incomodados por isso? Então quer dizer que a retórica esquerdista ultrapassada e canhestra serve de justificativa para a violação da cidadania e a depredação do patrimônio público?
Esses comportamentos só acontecem porque o governo estadual atual é omisso e incompetente, quando não criminoso, ao não coibir e reprimir tais manifestações de violência. Prender apenas um sindicalista na questão da USP não resolve a questão. É pouco.
Mas o governo estadual atual é omisso e incompetente, tem medo das urnas e da opinião pública se "descer a borracha" em manifestantes vândalos e em estudantes vagabundos. Mas será que alguém da equipe de primeiro escalão do Palácio dos Bandeirantes se deu ao trabalho de perguntar nas ruas o que acha desse tipo de omissão?
Agora virou política de Estado ignorar os flagrantes atentados à cidadania e à violação dos direitos de quem quer trabalhar e de quem quer ir e vir na Grande São Paulo. É por essas e outras que uma facção criminosa domina os presídios do Estado e traficantes e bandidos tomam conta das favelas paulistas. Não existe política de segurança pública em São Paulo. Esse é o legado do PSDB após 15 anos de governo.
domingo, maio 31, 2009
O fim de um jornal melhor que os seus donos
por Thales Guaracy
A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que estertorou nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio. Com a Gazeta, vai se encerrando parte da história do jornalismo brasileiro, mas ela ainda nos dá uma lição, sua última contribuição para o futuro.
Comecei a trabalhar na Gazeta em 1986, recém-saído da faculdade, depois de rápido estágio na TV Bandeirantes. Instalada num edifício da rua Major Quedinho, a Gazeta era um jornal venerável, considerado leitura obrigatória no mundo profissional. Sua circulação era menor que a da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, porém seu público era mais qualificado.
Possuía também um braço na TV, o programa Crítica e Autocrítica, capitaneado pelo seu diretor editorial, Roberto Muller, que ia ao ar no domingo à noite. Era uma alternativa para o público que queria ver uma conversa mais séria, ainda que às vezes meio sonolenta, em lugar das mesas redondas de futebol.
Na redação do jornal, havia uma constelação de estrelas do jornalismo, a começar pelo seu diretor, Matias Molina, o secretário de redação, Alexandre Gambirasio, e um time de repórteres tratados como primas-donas: Celso Pinto, José Casado, Getúlio Bittencourt, entre outros - todos premiados e com vasta folha de serviços prestados ao jornalismo brasileiro.
A Gazeta era não apenas um grande jornal de negócios, como uma escola de jornalismo. Isso incluía princípios como a imparcialidade e a honestidade absolutas; a obsessão pela informação correta, segundo elemento essencial para a credibilidade; a busca incansável pela notícia exclusiva, que fazia a diferença.
A disputa aberta e estimulada entre os repórteres pelo espaço da primeira página era uma forma de garantir a perseguição permanente pela qualidade, num mercado em que ainda não havia concorrentes importantes. A Gazeta valorizava o jornalista, que assinava todas as suas reportagens e era tratado como patrimônio da casa, a própria essência do negócio.
Parecia uma fortaleza inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a familia Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades.
Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos mais difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. Agiam não por amizade, compromisso, ou mesmo medo, mas pelo entendimento de que o serviço prestado pela Gazeta era importante e insubstituível para a comunidade de negócios e o país.
Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles; pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi respeitado muito graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva.
Lembro de certa tarde em que eu, ainda um repórter principiante, fui fazer uma entrevista com o então diretor do Banco Central, Wadico Bucchi, em São Paulo. Encontrei Luiz Fernando Levy já na ante-sala, à espera de uma audiência. Levy continuou esperando, enquanto eu entrei na sua frente, atendido primeiro.
Para Bucchi, o repórter principiante merecia preferência em relação ao dono do próprio jornal onde trabalhava. Ele sabia que eu estava ali em busca de notícia, fazendo meu serviço para uma publicação de prestígio. Levy estava lá para pedir alguma coisa.
Quando o mercado se torna mais difícil, uma má gestão fica mais evidente e faz a diferença, sempre para pior. Surgiu o Valor Econômico, um concorrente que tomou da Gazeta boa parte de seu principal ativo: os jornalistas. A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas.
Tanure não tem a mesma familiaridade com as qualidades que fizeram da Gazeta um grande veículo e poderiam recuperá-la. E anunciou que fecharia o jornal por conta da cobrança na Justiça de dívidas trabalhistas anteriores à sua gestão e que, segundo explicou no próprio jornal, não lhe dizem respeito.
Há hoje uma onda de empresários que arriscam tornar-se editores sem compreender a dependência desse negócio de sua matéria-prima essencial – gente. A Gazeta teve seus quadros reduzidos, os salários aviltados. A qualidade do jornal era até miraculosa, dadas as condições de trabalho.
O que assusta hoje na imprensa não é a mudança da mídia impressa para a digital. A verdadeira ameaça ao negócio é a entrada de gente com dinheiro e ousadia, mas sem conhecimento do riscado – sobretudo, da importância da separação entre Igreja e Estado. Para mercadores vindos de outras áreas, é difícil aceitar que não se barganha conteúdo jornalístico por dinheiro, e que a credibilidade, que exige o sacrifício do ganho fácil, é a fonte do sucesso duradouro nesse tipo de negócio.
A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados. Esse, porém, não é o verdadeiro fim da história. Jornal que sempre analisou em suas reportagens as causas do sucesso e do fracasso empresarial, a Gazeta fez de sua própria trajetória uma parábola do assunto que explorava.
Em sua agonia, a Gazeta deixa como ensinamento o que é capaz de levantar e também derrubar um negócio de comunicação, não importa qual seja sua plataforma – o papel, a TV ou o mundo virtual. E, nesses tempos tão cheios de dúvidas sobre o futuro do negócio da informação, reafirma a convicção de que, enquanto os bons princípios do jornalismo forem praticados, sempre haverá uma imprensa livre e economicamente forte para proteger a sua e a nossa liberdade.
do site Whiplash
OZZY OSBOURNE está processando seu companheiro de Black Sabbath Tony Iommi, alegando que ele teria ilegalmente reivindicado ser o único proprietário da marca Black Sabbath junto ao U.S. Patent and Trademark Office (Escritório de patentes dos EUA).
Ozzy decidiu tomar esta atitude para ter 50% da marca "Black Sabbath", igualmente com uma porção dos lucros de Iommi com o nome.
A corte federal da Manhattan alega também que os "vocais característicos" de Osbourne são em grande parte responsáveis pelo "extraordinário sucesso" da banda, notando a queda livre de popularidade do grupo no período entre 1980 e 1996, na ausência de Ozzy.
Em uma declaração lançada na tarde do dia 29 de maio, Ozzy falou sobre sua decisão de processar Iommi: "É com grande pesar que tive que recorrer à essa ação legal contra meu companheiro de longa data Tony Iommi, mas depois de três anos tentando resolver esse problema amigavelmente não tive outra escolha".
"No meio da década de 90, depois de constantes e numerosas mudanças na formação do grupo, a marca Black Sabbath estava literalmente no fosso, e Iommi (fazendo turnês com o nome BLACK SABBATH) foi reduzido à tocar em clubes. Desde 1997, quando Geezer (Butler, baixo), Bill (Ward, bateria) e eu nos juntamos novamente à banda, o SABBATH retornou à sua antiga glória e nós tocamos em arenas e anfiteatros lotados para mais de 50 mil pessoas em show por todo o mundo. Trabalhamos coletivamente para restaurar a credibilidade e trazer dignidade novamente ao nome Black Sabbath, o que levou a banda a conquistar uma posição no Rock and Roll Hall of Fame do Reino Unido em 2005 e dos EUA em 2006".
"Ao longo dos últimos 12 anos, foram meus representantes que supervisionaram o marketing e o controle de qualidade da marca Black Sabbath durante a Ozzfest, turnês, merchandising e re-lançamentos de álbuns. O nome Black Sabbath hoje tem prestigio no mundo inteiro e um valor de mercado que não teria se continuasse na estrada antes da turnê de reunião em 1997".
"Tony, estou muito triste que isso tenha chegado neste ponto, de tomar esta ação contra você. Eu não tenho o direito de falar por Geezer e Bill, mas eu sinto que moralmente e eticamente a marca deveria pertencer a nós quatro de maneira igual. Eu espero que este primeiro passo termine de uma vez por todas com isto. Nós todos trabalhamos muito em nossas carreiras para deixar que você venda merchandise que apresenta a cara de todos nós, capas de álbuns antigos do Black Sabbath e logotipos da banda, e então você nos diz que os direitos autorais lhe pertencem".
"Estamos todos nós com mais de 60 anos agora, o legado do Black Sabbath irá viver depois que todos nós tivermos ido, por favor, faça a coisa certa".
Osbourne adicionou em um outro post em separado: "Estou muito triste que eu tenha que tomar ações legais contra Tony. Isto é algo que eu tentei desviar por anos. Não sou a voz de Geezer ou Bill, porém, até o dia que eu morrer não irei mudar de ideia sobre isto. A marca Black Sabbath deveria pertencer igualmente à Geezer, Bill, Tony e eu, pois a formação verdadeira do Black Sabbath é Tony, Geezer, Bill e eu. Somos todos companheiros desde a escola, eu sempre disse que havia uma linha invisível que nos mantinha juntos".
"Tony, vamos deixar este negócio ridículo de lado e continuar com nossas vidas. Você tem 61, eu tenho 60. Eu espero que ainda tenhamos uns bons 20 anos pela frente. Mas se não, Deus me livre que aconteça algo contigo, o que irá acontecer com a marca BLACK SABBATH? Quem irá olhar por ela? Você não acha que depois que nós formos deste mundo os direitos devam ficar com sua família, a minha, de Bill e Geezer?"
O processo de Ozzy se segue a outro arquivado por Iommi em dezembro de 2008 contra a Live Nation. Neste arquivo, Iommi alega que a gigante vendia merchandises com o logotipo da banda, mesmo após o contrato ter expirado em 2006, em algo que valia em torno de 80 milhões de dólares. Depois deste acordo ser concluído, Iommi requisitou os direitos da banda.
quinta-feira, maio 28, 2009
Informação é poder e comunicação está na base da criação de qualquer sociedade. São conceitos fundamentais que são ensinados em diversos cursos superiores, tanto no Brasil como no mundo. E geralmente a frase inicial deste texto abre as aulas magnas dos cursos de jornalismo.
Acredito com fé na frase e é com ela que louvo a minha profissão, jornalista, e falo de sua importância para candidatos a jornalistas, estudantes de jornalismo e recém-formados.
E as três “categorias” sempre me perguntam a respeito da eventual queda, na Justiça, da proibição de pessoas exercerem o jornalismo sem ter o diploma. É bom lembrar que temos importantes faculdades do curso no ABCD, como a Metodista, a Unimes e Uniban, entre outras.
O STF (Supremo Tribunal Federal) acabou com a Lei de Imprensa, entulho do tempo da ditadura e deve julgar em definitivo a questão da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.
Sou favorável à obrigatoriedade, pois ela está diretamente ligada à regulamentação da profissão. Sem regulamentação, vira terra de ninguém, com modelos virando “jornalistas” e aventureiros diversos querendo o registro apenas para se beneficiar eventualmente de algumas “benesses” que as carteiras supostamente oferecem.
Infelizmente, muita gente que eventualmente não tem diploma mas que poderia se tornar jornalista é prejudicada. Paciência, mas as exceções não podem prevalecer, senão não existe mais regra. A exigência do diploma disciplina e regula uma profissão que é frequentemente objeto de cobiça e vilipêndio.
Pode até não proteger e nem garantir qualidade, mas é o mínimo que a categoria conseguiu para obter um mínimo de respeito e benefícios. Se com a profissão regulamentada os salários caíram e os calotes aumentaram, imaginemos como seria sem a regulamentação.
A profissão tem uma regulamentação, ainda que esteja sendo atacada e precarizada. Sem a regulamentação, as empresas substituirão com mais voracidade mão de obra qualificada por trabalhadores precários em todos os sentidos - intelectual, cultural e legalmente.
Defendo a exigência do diploma e a importância das faculdades de jornalismo, por pior que sejam. É uma forma de garantir (um pouco de) dignidade à profissão e, em tese, mais qualidade na difusão da informação. Da mesma forma que não existe advogado sem diploma e sem OAB, defendo que não exista jornalista sem diploma e, no futuro, sem “OAJ” ou CFJ.
sábado, maio 02, 2009
Carioca ignora visita do COI
População não vai às ruas de verde e amarelo, apesar dos apelos feitos pelos dirigentes
Bruno Lousada, RIO
Foi em vão a campanha para os cariocas irem às ruas de verde e amarelo e pendurar bandeiras do País na varanda de suas casas para sensibilizar a Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI), que transitou ontem pela cidade para inspecionar várias instalações esportivas. O número de pessoas que aderiu à convocação, feita à exaustão em rádio e televisão, foi inexpressivo.
Na Avenida Atlântica, área nobre de Copacabana muito frequentada por turistas e cariocas, foi raro ver alguém, durante boa parte do dia, com as cores pedidas pelos defensores da candidatura carioca. O Rio disputa com Madri, Tóquio e Chicago o direito de ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
"Eu não estava junto da comissão (internacional), mas o relatório que tive de quem estava com eles diz que houve bastante apoio popular durante a passagem (da comitiva)", disse Leonardo Gryner, diretor de marketing do comitê Rio-2016.
A equipe do COI visitou o Forte de Copacabana, o Parque Maria Lenk, a Arena Olímpica, o Estádio João Havelange, o Maracanã, a Marina da Glória, o Complexo de Deodoro e seguiu de metrô da Glória a Copacabana, bairros da zona sul.
Todas as instalações ganharam banho de loja e foram repaginadas. Estavam limpas e bem decoradas para receber os 13 membros do COI, sete deles com poder de voto. Até estrelas do esporte brasileiro foram escaladas para recepcionar os delegados internacionais nos principais equipamentos da cidade.
A campeão olímpica Maurren Maggi deu as boas vindas à comitiva na pista de atletismo do Engenhão. Pelé fez o mesmo no Maracanã e disse ter ficado emocionado com a visita.
"Tenho de agradecer a Deus. Eles ficaram surpresos com tanta coisa bonita, tanta coisa boa. O pior é que meu inglês não é dos melhores e eu tive de explicar para eles que não tremi no milésimo gol (feito no estádio)", declarou, com largo sorriso. "Foi uma alegria geral e eles se sentiram à vontade. Quem sabe não ganhamos a batalha".
De acordo com Pelé, a comitiva deixou o Maracanã impressionada com o que viu. "Senti tanto entusiasmo neles que eu tenho três cartões dos membros (do COI), incluindo o da presidente (da comissão, a marroquina Nawal El Moutawakel)", contou. "Ela disse que quer vir para cá sem trabalhar."
Truculência no vagão especial do metrô
Seguranças agridem e ameaçam repórter do Estado
Pedro Dantas, RIO
Seguranças à paisana isolaram a comitiva do Comitê Olímpico Internacional (COI) no último vagão do Metrô da Glória à estação Cantagalo, em Copacabana (zona sul), uma das etapas finais da vistoria de ontem. Os demais passageiros foram orientados a "dispersar" por homens em trajes civis, que impediam a entrada do público comum. O repórter do Estado também foi barrado: teve de obedecer à ordem de seguir em outro vagão, acompanhado por dois seguranças à paisana.
No fim da viagem, três homens, identificando-se como policiais, mas sem exibir documentos, o empurraram para um banheiro, torceram-lhe o braço e o ameaçaram. "O procedimento é este", disse um deles.
Durante a viagem, o jornalista se identificou para um dos agentes que ostensivamente o seguiam. O homem pediu desculpas e se disse aliviado, mas afirmou que seria obrigado a desmontar "todo um esquema" já pronto para abordar o repórter. Pediu que não citasse nada no jornal, pois poderia "desclassificar a candidatura do Brasil". Em tom de ameaça, disse que sabia "muito bem" como encontrá-lo.
O constrangimento começou perto da escada rolante da estação Cantagalo. Um homem de camisa preta e boné mandou o profissional "desenrolar" e "seguir em frente sem olhar pra trás". O repórter se identificou e perguntou quem era o estranho. "Polícia", respondeu, ríspido. O jornalista tentou seguir em direção à escada rolante. Outro homem se aproximou e o repórter foi empurrado para um banheiro. Seu braço foi torcido e o rosto mantido junto ao azulejo. Outras pessoas que estavam no banheiro saíram, assustadas.
Após verificar o crachá do repórter, o agressor sumiu. Um deles telefonou para a sucursal do Estado, sem se identificar, e perguntou se o jornalista trabalhava lá. Outro agente, de cavanhaque, que estava na estação Glória, então reapareceu e repreendeu o jornalista, dizendo que a viagem era apenas para credenciados. A informação, contudo, não era verdadeira. Não houve credenciamento para acompanhar a viagem de metrô. Os homens interrogaram o repórter: queriam saber onde mora, se é "experiente" na profissão. Diante da alegação de que a truculência não era necessária, um deles afirmou que o "procedimento" era normal.
Antes da viagem, desde cedo, o bairro da Glória, que recebeu os integrantes do COI para o embarque, amanheceu sem os habituais ambulantes e mendigos, que deixam pouco espaço para pedestres na Rua da Glória. Uma hora antes da chegada da comitiva, ônibus da Guarda Municipal, garis, carros de reboque da Secretaria Municipal de Trânsito e viaturas da Polícia Militar deram os últimos retoques.
A Secretaria de Segurança do Rio alegou não ter participação na segurança dos eventos ligados à Rio-2016, que são de responsabilidade de agentes privados, contratados pelo CO-Rio, e da Polícia Federal. O CO-Rio disse que não usou segurança para a visita ao metrô e que sequer foi informado sobre o episódio. O Estado procurou a PF, sem sucesso.
sexta-feira, maio 01, 2009
Que o escândalo do abuso das passagens aéreas pelos congressistas brasileiros é repugnante e asqueroso já está mais do que dito e sacramentado. Mas quando o presidente da República, que pertence a um partido outrora conhecido pela sua defesa da ética, vem a público para defender os parlamentares que debocham dos eleitores, aí não dá! É revoltante, para dizer o mínimo.
Sites de notícias reproduzem neste 1º de maio os comentários do presidente Lula dizendo que não acha “nada demais os parlamentares usarem as passagens para transportar parentes e sindicalistas e que considera hipocrisia a gritaria contra essas práticas”.
O presidente não parou por aí. “Não acho correto, mas não acho crime dar passagem para outra pessoa. O problema do Brasil não é esse. Isso pode ser corrigido por decisão da Mesa Diretora da Câmara. Esse não é o mal do Brasil. Se o mal do Brasil fosse esse, o país não teria mal”, segundo publicou a Folha Online.
Que o presidente da República demonstrou ter imensos problemas na distinção entre o que é ético e o que não é desde que assumiu o posto, em 2003, não é novidade, mas, no caso presente, é um acinte que a maior autoridade do país defenda as práticas condenadáveis e nojentas realizadas por deputados e senadores de todos os partidos.
Lula sai bem menor das comemorações deste 1º de Maio.
Um dos passeios mais bonitos que o morador do ABCD ou o turista podem fazer é percorrer os cerca de 30 quilômetros que separam São Bernardo e Suzano pela rodovia SP-31, a Índio Tibiriçá. Embora o governo do Estado esteja realizando obras de melhorias e de pavimentação, especialmente no acostamento em alguns trechos, a estrada ainda permanece um pouco descuidada, e deve mais abandonada com a entrada em operação do Rodoanel Mário Covas em seu trecho sul.
O passeio é gostoso porque é feito bem no meio de um trecho que é o início da Serra do Mar, com grandes braços da represa Billings sendo cortados, e com bonitas propriedades e clubes nas suas beiras.
Alguns trechos à margem da rodovia SP-31 são exemplos de preservação do meio ambiente, mas outros são exatamente o contrário. E é justamente por conta desses trechos que os administradores da região precisam ficar preocupados, aliás muito preocupados.
O ponto é que os núcleos habitacionais estão crescendo demais ao longo da estrada, e os que já se tornaram bairros e distritos estão inchando, a ponto de causar congestionamentos constantes.
O trecho do distrito de Ouro Fino Paulista, em Ribeirão Pires, é desolador. O vairro cresceu muito e desordenadamente, sem qualquer controle e à mercê de oportunistas e vigaristas de toda a espécie, que ainda incentivam a ocupação criminosa – e o pode público municipal, no mínimo, está sendo omisso há anos.
Ou seja, em tempos de debates acalorados sobre os muros erguidos nas favelas cariocas pela prefeitura do Rio de Janeiro, parece que a discussão é convenientemente ignorada pelos agentes públicos do ABCD. Não só do ABCD, mas também de Suzano e Mogi das Cruzes, para ficar apenas nas cidades mais próximas das sete cidades.
Aliás, fica em Suzano outro trecho preocupante à beira da Índio Tibiriçá, com ocupações desordenadas (quando não criminosas). Fica na Estrada do Koyama, que leva à rodovia Mogi-Bertioga ao parque de diversões Magic City.
O começo da estrada é no km 58,5, pouco depois da divisa entre Suzano e Ribeirão Pires. Essa região de divisa de municípios praticamente virou uma extensão de Ouro Fino Paulista, o bairro de Ribeirão. Do outro lado da divisa, o núcleo habitacional e comercial surge emendado e já espalha para morro adentro, na Serra do Mar.
E ninguém percebe, ninguém reclama. Os moradores do local não estão nem aí. E parece que as prefeituras também não, assim como os promotores públicos do meio ambiente.
Com essa situação totalmente favorável, é claro que o comércio informal e ilegal prolifera. E cada vez mais fica difícil organizar o caos urbano em mais um núcleo em área de manancial (área localizada nas imediações de nascentes de rios).
Avançando serra adentro, logo aparecem vereadores sedentos por votos e loucos para “legalizar” a irregularidade levando infraestrutura completa, com transporte, energia elétrica e ligações de água e esgoto.
O Ministério Público Estadual precisa se manifestar com urgência sobre a questão, antes que Ouro Fino Paulista e a Ipelândia (bairro de Suzano vizinho) se transformem na Vila São Pedro e no Montanhão, favelas que viraram bairros em São Bernardo.
A discussão sobre os muros nas favelas cariocas amainou, e parece que a serenidade começa a tomar conta do debate sobre a viabilidade ou não de se fazer a contenção nos morros do Rio de Janeiro.
A ideologização do tema prejudicou a compreensão da iniciativa da prefeitura do Rio, e acabou por gerar um festival de sandices, inclusive de um prêmio Nobel de literatura, o português José Saramago. Houve de tudo, de acusações de discriminação social e racial a aplicação de supostas teorias “nazistas”.
O fato é que a questão dos muros em favelas no Rio de Janeiro está voltando ao foco original, que é a aplicação de medidas para conter a expansão dos barracos.
E isso tem tudo a ver com o ABCD. É hora de os gestores públicos da região olharem para o que está sendo feito na capital fluminense e iniciar o mais rápido possível o debate sobre o avanço indiscriminado e criminoso das favelas nas cidades – exceto em São Caetano.
Não se trata de estigmatizar as favelas do ABCD e seus moradores. Os crimes contra a sociedade e contra as administrações públicas foram gestados e incentivados durante 30 anos pro políticos inescrupulosos e bandidos de toda a espécie, com as invasões de morros e de áreas de manancial (áreas que ficam nas imediações de nascentes de rios).
Desde o crescimento da indústria automotiva em São Bernardo e em Santo André que o processo de favelização na região é contínuo, contando com a cobertura criminosa de vereadores e “grileiros” desde o final dos anos 70 do século passado, com o tácito apoio das fábricas – afinal, era melhor ter os trabalhadores morando perto das linhas de montagem, mesmo que em favelas nos morros da Vila São Pedro, no Montanhão e no bairro Battistini, todos em São Bernardo.
Para completar, o acabamento: a legalização das lotes irregulares e invadidos pelas prefeituras, que se encarregaram de levar energia elétrica, asfalto, ligações de água e esgoto, legitimando na marra os “novos bairros”.
O resultado é um inchaço indecoroso na população dos sete municípios, com a precarização dos serviços básicos de saúde, educação e transportes. Na esteira da favelização, vieram os crimes e a violência – em parte como grito de socorro de um população acuada, indefesa e abandonada pelo poder público, após o apoio inicial oportunista na hora da “legalização”.
A situação piora ano a ano, com novas áreas invadidas e com a chega de novas modalidades de crimes. Tudo isso sem que haja qualquer reação do poder público. Enquanto a discussão avançou no rio de Janeiro e alguma medida foi tomada, aqui nas sete cidades nem mesmo se fala no assunto.
E vai piorar, não resta dúvida. O trecho Sul do Rodoanel Mário Covas deve ficar pronto até o primeiro trimestre de 2010. Absolutamente necessária e indutora de desenvolvimento, a obra também trará o ônus do aumento de bolsões de miséria, a exemplo do que ocorreu no trecho oeste, nas cidades de Barueri, Carapicuíba e Osasco.
Várias favelas surgiram às margens das pistas naquela cidades, numa tentativa desesperada de uma parte do povo que fugia desesperadamente da pobreza, para encontrar não mais do que miséria, só que um pouco mais perto da Capital.
A vida dos prefeitos do ABCD está cheia de desafios neste ano, e a contenção da expansão das favelas em São Bernardo, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires talvez seja o principal deles, justamente por conter custos políticos altos, mas necessários. Neste quesito, Diadema é o modelo a ser seguido.
Sintomas de crises financeiras e econômicas costumam aparecer primeiro em relação aos níveis de emprego. A queda dos postos de trabalho está mais do que documentada em qualquer índice que se consulte desde novembro do ano passado em todo o país, em quase todos os setores.
Passados seis meses da eclosão da crise, nota-se a parte de agora um crescimento do número de mendigos e pedintes nas cidades da Grande São Paulo. Não é mera coincidência. Afinal, há tempos não se viam as degradantes e chocantes cenas de pessoas dormindo ao relento, sob o Minhocão, na avenida Amaral Gurgel, no centro de São Paulo.
As políticas de assistência social das prefeituras sempre foram pífias na região metropolitana de São Paulo, mesmo naquelas identificadas com a chamada “responsabilidade social”, notadamente administradas por partidos de esquerda.
O bom momento da economia vivido pelo Brasil a partir de 2004 ajudou a diminuir o caos social nas metrópoles, assim como o incremento de programas como o Bolsa-Família. O número de miseráveis nas ruas diminuiu, até porque aumentou também a demanda por serviços temporários informais.
A realidade mudou e os mendigos reapareceram. Mais do que ultrajante, a existência desse nível de miséria representa a maior derrota que uma sociedade pode registrar. Mostra a incapacidade da mesma sociedade de amparar qualquer necessidade dos mais pobres e mostra a incompetência da administração pública como um todo não questão da redução da atividade econômica e da assistência social.
Não que isso seja novidade na prefeitura de São Paulo. A assistência social é possivelmente uma das últimas preocupações da administração José Serra-Gilberto Kassab, iniciada em 2004. Como também não tinha espaço na administração William Dib, em São Bernardo.
É inconcebível que uma administração pública não tenha meios de amparar mendigos e lhes oferecer algo mais do que abrigos no inverno. Não é possível que cidades com arrecadações das maiores do Brasil, como São Paulo, Osasco, São Bernardo, Santo André, Guarulhos e Barueri sejam incapazes de formular políticas públicas de inclusão e assistência a pessoas que não só são mendigos, mas possivelmente portadores de doenças mentais, entre outras.
A Páscoa foi triste em São Paulo e em algumas regiões de Guarulhos e ABCD por conta do aumento do número de mendigos nas ruas. Isso significa que perdemos de novo.
O fechamento de mais uma empresa no ABCD, agora em Diadema, não apenas revolta, como assusta. Não se trata mais de ficar discutindo se estamos sendo atingidos ou não por marolinhas, mas de saber se conseguiremos atravessar a tempestade mais ou menos inteiros.
A fabricante de máquinas Cross Hueller, pertencente ao grupo americano Maxcor, fechou sua fábrica de Diadema e não pagou os direitos trabalhistas dos 130 funcionários que foram demitidos.
Segundo sindicalistas, a empresa, cuja administração vinha cambaleando nos últimos meses, não teria resistido ao cancelamento de uma encomenda da General Motors para entrega de máquinas no valor de R$ 46 milhões que seriam utilizadas na nova fábrica de motores da montadora em Joinville (SC).
O caso da Cross Hueller não é o único e, infelizmente, não será o último. Empregos industriais estão sendo exterminados e não há no horizonte luz que possa iluminar o caminho da economia da região.
Se ainda há dúvidas sobre o tamanho da crise, é só verificar o que está acontecendo fora de nosso mundinho. A General Motors anunciou nesta quinta-feira, 23, que planeja fechar temporariamente 13 fábricas na América do Norte durante o segundo e o terceiro trimestres deste ano, o que vai gerar um corte de produção de 190 mil veículos, enquanto a companhia tenta reduzir seus estoques.
A GM disse que a paralisação das fábricas também vai ajudar a proteger a montadora contra uma eventual suspensão nos trabalhos da fabricante de peças Delphi, que está em concordata. Nada se falou sobre a fábrica de São Caetano, que, em princípio, estaria fora das medidas de extermínio de empregos e fábricas.
O Estado de São Paulo, por sua vez, perdeu mais de 300 mil empregos formais no período de dezembro de 2008 a março deste ano, de acordo com o secretário do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos.
Segundo ele, embora haja sinais que indicam uma recuperação da economia brasileira, esses efeitos ainda são pouco perceptíveis no emprego.
Por fim, o número de cheques devolvidos em pagamentos à vista e a prazo atingiu em março o maior nível dos últimos 18 anos, mostra o indicador da empresa de análise de crédito Serasa Experian.
Portanto, marolinhas à parte, é hora de enfrentar a tormenta e tomar medidas radicais na defesa do emprego, mas parece que essa não vem sendo uma preocupação no Palácio dos Bandeirantes e no palácio do Planalto.
sexta-feira, abril 03, 2009
Uma fonte constante de reclamações, de todos os lados, é a venda de ingressos para espetáculos artísticos e esportivos, seja pelos preços altos, seja pela existência da nefasta figura do cambista, que lucra de forma nojenta com o excesso de procura.
Entretanto, já faz pelo menos dez anos que a meia entrada para estudante também causa uma série de constrangimentos por conta da indiscriminada emissão pelas entidades responsáveis isso, entre elas a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a Ubes (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), entre outros.
A farra na distribuição de carteiras e as incontáveis fraudes cometidas são responsáveis diretas pela absurda explosão dos preços dos espetáculos no Brasil, já que fica inviável para qualquer artista ou empresário do ramo investir em uma produção se houver risco de ter toda a plateia pagando meia entrada, respaldada pela lei.
A distorção da aplicação da lei da meia estrada também provoca situações esdrúxulas, como a do leitor do blog Advogado de Defesa (do portal Estadão.com) Claudio Ribeiro, de Curitiba. Leiam o seu relato:
“Uma pessoa foi comprar um ingresso para um show, que estava sendo vendido por um valor X, mas que se a pessoa trouxesse 1 kg de alimento não perecível, pagaria meia-entrada.
Acontece que esse rapaz é um estudante e pleiteou pagar meia entrada, sobre o valor (de meia-entrada) calculado sobre o desconto dado. A funcionaria se negou a conceder o desconto, já que o rapaz pagaria 25% apenas do valor original da entrada para o show.
Ofendido, o rapaz chamou a policia e foram todos para a delegacia, onde após um acordo, os organizadores aceitaram que o rapaz pagasse os 25%.
Quem estaria correto nessa situação, o rapaz, que sendo estudante teria direito a desconto de 50% sobre o valor da entrada que era de 50% por ter levado o quilo de alimento, ou a empresa/funcionária, que achou que aquilo seria abuso?”
São excessos como esse que fazem aumentar diariamente os protestos contra a lei da meia entrada. E aumenta cada vez mais o número de pessoas que pedem a revisão de lei, justamente para não inviabilizar a produção de espetáculos e para não penalizar quem não é estudante.
No caso descrito por Ribeiro, em meu entendimento, a empresa estava correra ao não permitir um desconto sobre o desconto.
O espírito da lei da meia entrada é válido, mas foi corrompido. A medida foi elaborada com a melhor das intenções, como uma forma de facilitar o acesso à cultura aos estudantes carentes e estimulá-los a procurar os espetáculos e ir a museus, por exemplo.
Só que faltou cuidado na elaboração da lei, em todas as suas versões pelo país afora. Em nome de uma oportunista "igualdade", o mesmo estudante carente que sempre esteve excluído do acesso à cultura é equiparado ao aluno abonado de colégios e faculdades particulares, que pagam mensalidades superiores a R$ 1 mil - e parte deles provavelmente gasta R$ 500 em qualquer balada por aí.
Sou favorável a, no mínimo, uma revisão urgente das leis da meia entrada em todo país, com a consequente redução da emissão de carteiras e do estabelecimento de critérios muito mais rígidos sobre quem tem direito e quem não tem, levando-se em conta a situação financeira do estudante.
Do jeito que é aplicada hoje, de forma equivocada, torna-se inaceitável. Na verdade, acho que a meia entrada deve ser banida em razão das distorções observadas em qualquer espetáculo cultural no Brasil.
quinta-feira, março 26, 2009
Depois das águas de março, uma boa notícia para o ABCD. Um dos programas terapêuticos mais bem-sucedidos do Estado de São Paulo, a equoterapia da ONG (organização não-governamental) Voo da Liberdade se prepara para ampliar os atendimentos a pessoas portadoras de necessidades especiais a partir de abril.
O trabalho é realizado na Pousada dos Pescadores, que fica no km 36 da Estrada Velha de Santos, em São Bernardo. São 14 atendimentos realizados às terças-feiras e aos sábados, com resultados fantásticos. O trabalho é tão bem feito que os profissionais envolvidos são obrigados a recusar pacientes por conta da falta de tempo.
A Voo de Liberdade é um sonho dois profissionais dedicados, Danielle Mialich Rodrigues e Fabiano Tiezzi. Numa parceria com a Pousada dos Pescadores, que é uma das iniciativas de turismo mais importantes da região, consegue prestar um atendimento imprescindível a pacientes e aos familiares.
De acordo com o site www.equoabc.com.br, a equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo como instrumento de trabalho, objetivando a habilitação ou reabilitação de pessoas com comprometimentos físicos, mentais ou comportamentais auxiliando em seu desenvolvimento motor, psíquico e social.
As primeiras referências que se tem do uso da Equoterapia podem ser encontradas em 458-370 a.C. no livro “Das Dietas” de Hipócrates.
A ampliação dos trabalhos da ONG depende de acertos jurídicos e de estatuto, situação que será finalizada em abril. Entretanto, como a maioria das ONGs que presta serviços de assistência superespecializada, a Voo da Liberdade tem as dificuldades normais que instituições do tipo enfrentam no Brasil.
A capacidade de atendimento está no limite, mesmo com a ampliação prevista para abril. Com patrocinadores, públicos ou privados, individuais ou empresariais, o ganho de qualidade – que já é muito alta – seria inestimável, assim como o apoio oficial da prefeitura de São Bernardo. Luiz Marinho, o prefeito que assumiu em janeiro, sempre foi atento a esse tipo de serviço.
Danielle Rodrigues, que coordena o programa ao lado de Fabiano Tiezzi, afirma que os interessados em conhecer a equoterapia na Pousada dos Pescadores podem entrar em contato por meio dos telefones 3423-8896, 7602-3862 e 9237-4406 . Esse serviço tem de ser ampliado e qualquer ajuda ou incentivo é mias do que bem-vindo.
Pacotes habitacionais e financeiros têm efeitos limitados e demorados sobre mercados em crise. A burocracia costuma devorar tempo precioso na concessão do crédito e agentes econômicos, especialmente os bancos, são extremamente conservadores na análise do risco quando a sociedade é a avalista.
Não seria diferente agora, com o mundo do dinheiro farto virtual para a casa própria. E a tendência é de que o dinheiro seja cada vez mais virtual, em razão da falta de arrojo na fiscalização do mercado financeiro pelo governo – qualquer governo, em qualquer país.
A grande pergunta que fica após o pomposo anúncio do pacote da habitação feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteontem, quarta-feira, é a seguinte: como é que as pessoas vão poder comprar se o emprego está diminuindo? Sem emprego não se compra casa; não se compra quase nada.
Até agora não se ouviu nada a respeito de um pacotão de emprego. A arrecadação de impostos logo vai cair e o número de empresas quebradas vai explodir. De que adianta liberar dinheiro para comprar casa se o trabalhador estiver desempregado?
Enquanto o governo federal fica refém de discussões intermináveis a respeito da prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) menor para a indústria automotiva, as demissões continuam, e em ritmo acelerado.
Por mais que as empresas estejam sendo pressionadas pela Justiça, como são os casos da Embraer e de muitas outras, o fato é que essas demissões vão ocorrer. E não medidas decentes sendo estudadas a curto prazo, nem mesmo paliativas.
O grande nó da questão ainda é a carga tributária asfixiante que pesa sobre os contribuintes de todas as categorias no Brasil.
Carga de impostos alta aliada a falta de crédito crônica é uma bomba permanente no colo da sociedade – um governo muito endividado tem de pagar juros altos para conseguir rolar dívidas, fazendo com que bancos e agentes financeiros tenham mais interesse em comprar os títulos desse mesmo governo do que em emprestar ao setor produtivo.
E é quase inacreditável que não consigamos observar sequer um grande economista ou mesmo um executivo público defendendo um pacote generalizado de criação de empregos, que envolva redução de impostos e a criação de contrapartidas do setor produtivo de manutenção de empregos.
Toda a gritaria promovida pelas centrais sindicais e pelos sindicatos em outubro passado surtiu pouco ou nenhum efeito. O dinheiro público que está sendo usado para tentar debelar os efeitos da crise no Brasil está irrigando setores que ainda têm fôlego. Ações pontuais e direcionadas, mas com pouco efeito prático no contexto geral da crise.
É claro que as medidas do pacote habitacional terão efeito sobre a questão do emprego, mas não agora. E o epicentro da crise do emprego é a indústria descapitalizada. Medidas para estimular o consumo de bens duráveis ainda são tímidas, enquanto o nível de emprego continua diminuindo.
É sempre bom lembrar que o emprego industrial é um emprego de mais qualidade, de mais valor agregado, com salários maiores e mais capacidade de consumo. Logo, qualquer impacto da crise sobre a grande indústria é muito mais delicado e danoso.
Os setores de comércio e serviços não têm condições de segurar a onda da desaceleração econômica. Então, volto a perguntar: com o desemprego aumentando, vamos financiar casas para quem?
A revista Veja desta semana, 25 de março, traz uma interessante reportagem sobre o livro O Culto do Amador, de Andrew Keen. Ele conseguiu fazer o melhor resumo que é a internet hoje:
Terra arrasada
A internet está destruindo a cultura, diz Andrew Keen, autor de O Culto do Amador – livro que acusa a rede de pecados graves
Anonimato
É fácil assumir identidades falsas na rede. Pedófilos, fraudadores de cartão de crédito e propagandistas políticos podem esconder suas verdadeiras (e más) intenções
Ignorância
Em um meio em que todos podem escrever – e até contribuir com verbetes para enciclopédias como a Wikipedia –, o conhecimento dos especialistas tem menos valor que os equívocos da massa
Pirataria
A noção de direito autoral foi posta em xeque pelo download de músicas, filmes e livros na rede, causando prejuízos a empresas e artistas
Impunidade
Na imprensa tradicional, os jornalistas podem responder judicialmente pelo que escrevem. A internet, ao contrário, é anônima e irresponsável – um território livre para caluniadores
da Folha Online
Uma das faixas do novo álbum de Iggy Pop, "Preliminaires" (preliminares), será "How Insensitive", versão em inglês de "Insensatez", de Antônio Carlos Jobim. O CD chegará ao Brasil no dia 18 de maio pela EMI. Nesse trabalho, Iggy se afasta do punk rock e se volta para o jazz.
"É um álbum mais tranquilo com alguns harmônicos de jazz", disse Iggy em um vídeo. "Isso é porque chegou um certo momento em que simplesmente fiquei enjoado de ouvir brutamontes idiotas com suas guitarras, tocando música ruim."
Para compor esse disco, o músico se inspirou em Louis Armstrong e jazz no estilo de Jelly Roll Morton, e no romancista francês Michel Houellebecq, autor de "A Possibilidade de uma Ilha".
"Ele [o livro] fala sobre morte, sexo, o fim da raça humana e também sobre outras coisas bastante engraçadas (...). Li o livro de forma verdadeiramente prazerosa, assim que ele foi lançado, e, na minha cabeça, estava compondo as músicas que seriam a trilha sonora da minha alma ao ler aquela história", explica.
Outro título que constará no álbum é "King of the Dogs", em que conta a história de um cachorro chamado Fox, que explica "como é mais legal ser um cachorro".
A arte do novo álbum será criada pela iraniana Marjane Satrapi, autora do quadrinho "Persépolis", que também virou uma animação para os cinemas.
Satrapi conheceu Iggy em 2007, quando ela o convidou para emprestar sua voz a um dos personagens do seu filme.
domingo, março 15, 2009
do blog de cosme Rímoli
Enquanto a direção do Corinthians se prepara para anunciar o maior patrocínio de camisas do Brasil, o futebol feminino foi extinto.
Ou melhor, repassado para o São Caetano, que é quase a mesma coisa.
A promessa de fazer a Seleção Brasileira colocar a camisa preta e branca, inclusive, com Marta, se mostrou um factóide.
Assim como quando dirigentes espalhavam no Parque São Jorge que Michael Phelps viria disputar o Troféu Brasil de Natação pelo Corinthians.
Se na natação foi uma piada, no futebol feminino, a realidade foi dura, sofrida.
"Vou explicar tudo o que aconteceu. Nós só perdemos dinheiro com as meninas e elas fracassaram.
Demos tudo do bom e do melhor. Viajaram no ônibus do futebol profissional, jogaram no Pacaembu.
Montamos uma estrutura que consumia R$ 100 mil mensais. E não tivemos retorno algum. As meninas não mostraram garra.
O nosso time era o mais caro e acabou no vergonhoso quarto lugar do Campeonato Paulista.
Dispensamos as meninas, passamos a camisa para o São Caetano. E damos R$ 10 mil de apoio por mês. Está ótimo.
Futebol feminino no Brasil é perda de tempo, de dinheiro. As pessoas não querem ver.
Por que você acha que os times grandes não estão no futebol feminino?"
A explicação, misturada com desabafo, é do diretor de esportes amador do Corinthians, o desembargador Miguel Marques e Silva.
"Eu mesmo tinha falado com a Marta. E ela quase veio. Mas contratei a Cristiane, a Juliana Cabral. Só que o time não andou.
A Cristiane recebia R$ 10 mil, mas tinha contrato com um time dos Estados Unidos.
A Juliana Cabral, além de não jogar bem, estava falando mal da diretoria para as outras jogadoras.
Eu peguei, eu ouvi. Ninguém tinha comprometimento.
As meninas não tiveram a garra do time de juniores masculino que foi campeão da Copa São Paulo.
Elas não entenderam o que significa jogar pelo Corinthians.
Então, o melhor repassar tudo para o São Caetano.
Acabou o prejuízo, acabou a dor de cabeça.
Eu soube que formaram um time lá onde o salário é, de no máximo, R$ 500,00.
Está ótimo. Futebo feminino no Brasil não dá...", afirma, sincero, Miguel Marques.
quinta-feira, março 05, 2009
Não pretendia entrar no assunto, até porque acho de uma irrelevância absurda, mesmo que a repercussão tenha ido além do normal. A Folha de S. Paulo publicou há duas semanas um editorial em que usou o termo "ditabranda" para comparar a "intensidade" da violência contra opositores e instituições.
Para o autor do editorial (opinião) da Folha, a ditadora militar brasileira foi mais branda, menos feroz, do que outras na América Latina e África, já que matou muito menos. O termo "ditabranda" causou furor nos meios intelectuais brasileiros, com fortes doses de razão, principalmente entre aqueles que lutaram contra a ditadura e foram torturados e entre aqueles que tiveram parentes assassinados pelos militares.
O jornal se defendeu e afirma categoricamente que jamais defendeu a ditadura, ou a volta dela, ou a violência praticada pela mesma - o que é verdade, porque o editorial em nenhum momento faz defesa alguma do regime de exceção.
Na verdade, o que aconteceu foi um erro grosseiro de quem escreveu o editorial. Tentou relativizar algo que não pode ser relativizado ou amenizado. O regime militar derrubou um governo eleito democraticamente, desrespeitou a Constituição vigente - emporcalhando a história do Brasil - e cometeu atrocidades.
Entretanto, o erro grosseiro não justifica a gritaria em torno do assunto, que está morto e encerrado há 30 anos, com a Lei da Anistia. Ficar elaborando ranking de quem matou mais ou menos ou criar uma disputa de arquibancada direita x esquerda são artifícios de indigentes intelectuais para ideologizar da pior forma possível o debate.
O temo "ditabranda" é ofensivo em sua essência, na origem do conceito. É uma tentativa canhestra de relativizar a truculência, a violência, a afronta aos direitos humanos e os crimes perpetrados pelo regime militar brasileiro.
O Estado comandado pelos militares incentivou, patrocinou e ordenou tortura e assassinatos, derrubou governo legal e dmeocraticamente eleito e surrupiou direitos básicos dos cidadãos brasileiros.
Portanto, a comparação sobre o nível de ferocidade entgre ditaduras é totalmente incabível, já que na imensa maioria das vezes elas se igualam na essência: regimes políticos que praticao o crime de Estado, assassinando, torturando e confiscando, entre outras coisas.
Embora o texto do editorial não tenha tido a intenção de defender a ditadura militar brasileira, deixou margem para esse tipo de interpretação oportunista. O erro foi grosseiro, mas foi hiperdimensionado.
E os oportunistas já apareceram como o tal do Movimento dos Sem-Mídia, um grupo de desocupador e enviezados intelectualmente que pretendeu fazer uma manifestação na frente da sede da Folha de S. Paulo no dia 7 de março. É gente que leu o editorial pela metade ou nem leu, mas que adora fazer barulho contra os chamados "donos do poder".
Os pecados da imprensa são muito mais complexos e fundamentais do que um erro grosseiro no texto de um editorial. Esse tipo de gente são os mesmos que adoram culpar a imprensa pela suposta espetacularização de casos policiais - e até mesmo pelo desfecho dos mesmos.
São os mesmos que se excitam ao ficar regurgitando que os grandes veículos de comunicação do Brasil apoiaram o golpe militar de 1964 - o que é verdade. Mas são desonestos intelectuais ao omitirem deliberadamente que os mesmos veículos foram vítimas de censura na ditadura, que seus jornalistas foram igualmente vítimas, investigados, perseguidos, presos e torturados.
Esse é um debate estéril, pois a ideologização, o oportunismo e a má-fé de boa parte dos integrantes dos dois lados desvia o foco da discussão e joga a razão na lata do lixo.