sexta-feira, novembro 05, 2010

O comerciante pode se desfazer de produtos abandonados?


Estamos acostumados a olhar questões de defesa do consumidor apenas pelo olhar do cliente, de quem compra. A proteção estendida ao consumidor por uma enorme lista de leis e códigos transformou a legislação brasileira do setor em uma das mais avançadas do mundo.

Mas e quando o consumidor se excede e acaba por penalizar o prestador de serviço ou o comerciante? São inúmeros os casos de abuso e falta de civilidade que nem passam pela cabeça do leitor ou do próprio cliente.

É o caso de quem abandona eletrodomésticos e produtos quaisquer nas assistências técnicas ou oficinas, por exemplo. Ainda não são muitas as situações que em os comerciantes denunciam essa prática dolosa, mas existem registros bem documentados no Procon e em outros órgãos de defesa do consumidor.

Não há lei que estipule um prazo para o consumidor retirar o seu produto do conserto, o que é uma omissão imperdoável em um conjunto de leis que coloca prestadores de serviços na parede. O problema é que é comum encontrar postos de assistência técnica que vendem o produto de um cliente porque ele não apareceu para buscá-lo.

A SPTV Assistência Técnica, por exemplo, age dessa maneira, segundo reportagem recente do Jornal da Tarde. Segundo o responsável pelo setor administrativo na unidade da Penha, Reinaldo Ferreira, se o cliente ultrapassar o prazo de três meses, será cobrada uma multa de 10% por mês do valor do conserto. “Mas se após seis meses ninguém aparecer, enviamos o aparelho para leilão”.

Isso é crime. Dependendo da boa vontade da autoridade policial, pode ser enquadrado como roubo ou apropriação indébita. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), essa prática é abusiva, mesmo entendimento do Procon-SP, que considera que o não comparecimento do consumidor para retirada do bem, tendo ou não prazo estipulado, não autoriza o fornecedor a colocá-lo à venda ou para doação.

O artigo 635 do Código Civil estabelece que, nos casos de a empresa não poder guardar o bem, ela deve depositá-lo judicialmente por meio de ação de consignação em pagamento. Para isso, o comerciante deve procurar o Juizado Especial Cível, onde deposita o aparelho.

Normalmente, a Justiça entra em contato com o consumidor para resolver a causa. Dessa forma, o dono do produto faz o pagamento à Justiça que o repassa à oficina e o cliente retira seu bem.

A regra que impede a venda dos produtos abandonados se aplica a assistências técnicas, sapateiros, lavanderias, que geralmente não fornecem contrato. Se houver em contrato um prazo para o cliente retirar o produto, o prestador de serviço poderá cobrar pela guarda, porém esse valor não pode ser superior ao preço do serviço realizado.

Então aqui fica a pergunta: é justo isso? É justo que comerciante ou prestador de serviço sirva de “depositário” ou “garagem” para produtos descartados por seus proprietários?

quarta-feira, novembro 03, 2010

Tolerância às vezes também é crime


"Pirataria é crime, mas é menos crime do que outros", dizem alguns; para estes, não passaria de uma “contravenção”. É isso o que concluo ao ler alguns comentários e ouvir a opinião de amigos sobre o assunto.

Quando digo que a pirataria é uma das maiores violações ao direito do consumidor, esses mesmos cidadãos ou ficam sem graça ou riem como se eu estivesse dizendo uma enorme bobagem – na verdade, admitem que eles mesmos, “voluntariamente”, violam seus próprios direitos, por iniciativa própria...

A tolerância para a quebra da lei no caso de CDs, DVDs, livros e outros objetos de cultura é preocupante, para não dizer nojenta.

Justificar e apoiar a prática de crimes por conta do alto preço cobrado pela indústria é falsear a verdade e esconder a tibieza moral e a deformação ética de caráter. Não condiz com as regras de uma sociedade civilizada e democrática.

Tolerar a pirataria é o mesmo que não ligar para os furtos em supermercados, em lojas, em qualquer lugar. É achar normal a corrupção, e acreditar que o “jeitinho” brasileiro é uma arte, que a malandragem é um recurso aceitável na vida cotidiana e que prejudicar os outros faz parte da vida.

O argumento de que o trabalhador não tem dinheiro pagar R$ 30 por um CD ou um DVD - por isso apela para o produto pirata - não cola. É um argumento rasteiro e sem-vergonha.

Por esse mesmo raciocínio, o trabalhador também não tem dinheiro para comprar um carro de valor alto, por isso é legítimo que roube ou incentive a construção de uma cópia mais barata, mas de péssima qualidade e que não paga imposto. Se o trabalhador não tem dinheiro para comprar, que não compre. Ou junte dinheiro para comprar.

O comércio ilegal de cópias de produtos culturais nos centros de São Bernardo do Campo, Santo André, São Paulo, Diadema e Mauá é mais do que inaceitável, é ultrajante.

A consequência da proliferação da pirataria para a indústria e a economia é a mesma dos efeitos da concorrência desleal dos produtos chineses de péssima qualidade: devastação de parte da indústria local e perda de milhares de empregos.

Pergunte aos calçadistas desempregados de Franca ou aos funcionários sem emprego da indústria têxtil das cidades de Americana ou Santa Bárbara, ambas do interior do estado de São Paulo, o que acham dos produtos chineses...

Entre os que “defendem” a pirataria estão muitas pessoas que bradam contra a “concorrência desleal” das coisas “made in China”. Ou isso é falta total de informação ou má-fé.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Cuidado: cheque sustado pode ser protestado


Você emite cheques pré-datados para fazer uma compra qualquer a prazo. Só que não recebe o produto ou o serviço contratado. Qual é o caminho a ser seguido? Sustar o cheque. É o que todo mundo faz. Entretanto, geralmente a dor de cabeça vem bem depois, quando ninguém espera.

Cheque sustado pelo fato de que o consumidor foi vítima de um serviço não executado ou produto não entregue pode ser protestado e cobrado na Justiça? Sim, por incrível que pareça. O cheque é um título de crédito, tem autonomia para circular. Pode ser cobrado pelo terceiro que o recebeu, sem que este seja obrigado a se interessar pelo negócio que deu origem ao cheque.

Eis aí a origem da dor de cabeça quase inacreditável: aquele maldito prestador de serviço que recebeu os seus cheques e que não fez nada do combinado repassou o papel a terceiros ou vendeu a uma empresa de factoring para fazer dinheiro vivo logo.

Dá para reverter o caso? Dá, mas a dor de cabeça só aumenta. Dá um trabalho incrível, causa indignação, é injusto, mas é possível. Decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 2003 deu razão a um consumidor, que se livrou de pagar um cheque a uma empresa de factoring (firmas que compram cheques de comerciantes). Essa empresa havia recebido o título de uma loja onde o consumidor comprou móveis, que não foram entregues.

De acordo com a sentença, no caso de empresa de factoring, “a autonomia do cheque não é absoluta porque cabe a ela saber se o comerciante cumpriu a obrigação prometida ao consumidor”.

Há ainda outro entendimento entre os especialistas em defesa do consumidor. Se e a loja ou prestador de serviço que lesou o consumidor passou o cheque a um banco, também há chances de contestar a cobrança.

Escreve o advogado e professor universitário Josué Rios, consultor do Jornal da Tarde: “Muitas vezes, no contrato de prestação de serviço que o consumidor assina, há a informação de que os cheques serão repassados ao banco. Nesse caso, a vinculação do cheques ao contrato é um argumento que a Justiça vem aceitando para impedir a cobrança pelo banco dos cheques sustados pelo consumidor. Apenas quando o cheque vai para com terceiro, que não é firma de factoring ou banco é que a situação do consumidor lesado fica mais difícil”.

A conclusão é simples: mesmo no desespero, e correndo o risco de sofrer cobranças de terceiros e de haver protestos, sustar o cheque é o caminho inevitável do consumidor lesado, até porque a suspensão do pagamento nesse caso não é de má-fé e nem é crime.

Só que aí vem a grande questão em tempos de proliferação do dinheiro de plástico e transações eletrônicas: é o caso mesmo de continuar trabalhando com cheques pré-datados?

sexta-feira, outubro 29, 2010

Greve dos bancos: consumidor não pode ser penalizado


O consumidor não pode ser penalizado pelas empresas com multas, juros e encargos caso ele não consiga realizar o pagamento de suas prestações durante a greve dos bancos. Esse é o entendimento do Procon-SP e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O problema da instituição com o seu funcionário não deve interferir na relação do banco com o cliente.

Parece óbvio, mas não é assim que as coisas acontecem. O desrespeito a essa determinação é tão grande que as empresas simplesmente nem disfarçam mais quando o cliente reclama. As queixas são ignoradas, o que obriga o consumidor a tomar medidas que geralmente implicam mais custos e mais tempo perdido.

As empresas e credores em geral se agarram a uma lacuna na argumentação dos órgãos de defesa do consumidor. Se o cliente se deparar com as agências fechadas por conta de greve, deve tentar formas alternativas de pagamento antes de ignorar os prazos. A orientação é procurar caixas eletrônicos, tentar pagar pela internet, em casas lotéricas ou ir até mesmo à sede da empresa credora.

Na hipótese de todas essas formas falharem, o cliente deve encaminhar uma notificação a empresa dizendo que tentou de todas as formas quitar a dívida – por carta ou e-mail.

Aí é que entra a malandragem. O credor joga o ônus ao consumidor: este é que tem de provar que procurou todos os meios possíveis de pagamento. Enquanto a discussão de arrasta, os juros avançam e o nome caminha para ficar “sujo”.

“Caso não seja possível outra forma de pagamento, inclusive após contato com o fornecedor, a dívida não poderá ser cobrada com juros e multa de mora”, orienta a gerente jurídica do Idec, Maria Elisa Novais.

Já a Associação Brasileira do Consumidor orienta a população para que não pague algo que não deve. O cliente que sair lesado dessa greve deve entrar com uma ação judicial contra a instituição, que ignorar a norma e aplicam juros sob os boletos que não são pagos dentro da data de vencimento. As empresas têm de oferecer aos clientes diversas formas de pagamento, caso contrário, não podem aplicar encargos antes não previstos.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Liberdade acima de tudo e de todos


Nenhum avanço, qualquer que seja, é representativo ou relevante sem liberdade de imprensa, de opinião e de expressão. Nenhum benefício ou melhoria é digna de menção se não houver democracia.

Choramingar contra manchetes de jornal e jornais é nada mais do que explicitação da incompetência e incapacidade em passar a mensagem, seja ela qual for.

Choramingar contra a imprensa e a mídia é apenas uma forma de “terceirizar” culpas e esconder os próprios erros de planejamento, de gestão e de conceitos - sem falar na suprema ingenuidade de ter caído na armadilha amadora e canhestra da discussão sobre o aborto.

Vociferar contra a imprensa e clamar pela censura e pela nojeira do “controle social da mídia e meios de comunicação”, seja lá o que isso queira dizer, não resolverá o problema.

terça-feira, outubro 26, 2010

Discussão sobre o aborto revela um país medieval


O Brasil não é um país atrasado, como disse um ex-presidcente da República. É um país medieval. Reduzir o debate sobre a legalização do aborto a uma discussão de boteco, de arquibancada, em plena campanha eleitoral presidencial, é evidenciar o quão longe da civilização este país está.

Os dois candidatos que restaram são mentirosos e intelectualmente desonestos. São artificiais, bonecos manipulados que renegam o que disseram no passado recente para agradar um bando de papa-hóstias e crentes.

Preferem vomitar bobagens sobre uma questão gravíssima de saúde pública para agradar um público abjeto, que acredita em papai noel. Quem acredita em deus cê em papai noel e saci-pererê.

Um país que se submete à pressão religiosa - de qualquer religião ou seita, pois são todas nojentas e asquerosas - não merece ter um futuro. Na verdade, não tem futuro.

Quando um país leva em consideração qualquer lixo dito por bispos - que não passam de padrecos acostumados ao ócio e a pensamentos tortos - é porque não tem vida inteligente.

Bradar contra o aborto é pisotear a democracia e o livre-arbítrio do ser humano. É apoiar o obscurantismo, o atraso, tosquice, a mesquinhez. É insultar a inteligência.

Mais do que desonestidade intelectual, a postura dos dois candidatos a respeito do aborto é covardia. Não podemos aceitar que o país seja governado por um covarde fisiológico.

domingo, outubro 24, 2010

A maior contradição


Tentei procurar em tudo o quanto é lugar, mas não encontrei nada mais contraditório do que jornalista que apoia ditadura, censura e é contra a liberdade de expressão, opinião e imprensa. Se esse “profissional” pensa desse jeito, tem de mudar de profissão ou ser ejetado de seu emprego.

O secretário de Comunicações do atual governo, Franklin Martins, apesar de ter trabalhado como jornalista nas TVs Globo e Bandeirantes, não é e nunca foi jornalista. Suas vidas profissional e pública sempre foram pautadas pela ideologia. Não seria diferente agora no governo Lula.

Até aí, nada de novo e sem problemas. É do jogo. Mas quando o responsável pelas “comunicações” de um governo trama contra a imprensa e é favorável a uma “regulação” do setor, então existe um anacronismo absurdo.

Enquanto a candidata do governo de Martins ainda luta para vencer uma eleição presidencial – depois de perdê-la no primeiro turno, quando o pleito estava “ganho” –, o secretário passeia pela Europa em busca de “subsídios” para elaborar um “marco regulatório” na área de comunicação e mídia.

Bem-humorado, deu entrevistas palavrosas à Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo dando a impressão de que é o maior democrata do mundo, que é o maior mestre de semiologia e semiótica que existe.

“Minha convicção, que é também a do presidente Lula, é que a imprensa tem de ser livre para dizer o que quiser. Mas é preciso haver também liberdade para dizer o que se quer sobre ela. Os governos precisam de críticas fundamentadas, e a imprensa também”, afirmou Martins à Folha na edição de sábado, 9 de outubro.

Palmas para o secretário de Comunicações, em uma declaração equilibrada e olímpica. Pena que suas atitudes e seus encaminhamentos como integrante de um governo federal não acompanhem tal raciocínio.

Ele defendeu, por exemplo, o nefasto Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que tentou contrabandear na calada da noite dispositivos – que poderiam virar norma ou até mesmo lei – que estabeleciam “controles” e “monitoramentos” à imprensa, entre outras coisas.

Também apoia as mais estapafúrdias deliberações da igualmente nefasta Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), evento ideologizado e aparelhado por gente que nada entende de comunicação ou profundamente má intencionada, que tem ojeriza à verdade e à liberdade de imprensa.

Em um país onde um sindicato de jornalistas (sendo claro: o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo) é contra a mídia e favorável ao “controle social da imprensa” – outra pérola nojenta produzida por mentes insignificantes –, não me espanta que o secretário de Comunicações de um governo supostamente de esquerda empreenda ataques contra a imprensa.

O problema é que não dá para enganar ninguém com declarações comedidas e de ocasião nos mesmos jornais que são vítimas de seus ataques. Martins vai ter de suar muito a camisa para convencer o público de que não compactua com ideias fossilizadas de gente como José Dirceu, que acha que existe “excesso de liberdade de imprensa no Brasil”.

Será que essa visão vai prevalecer no PT caso José Serra (PSDB) seja eleito presidente?

sexta-feira, outubro 22, 2010

Ninguém quer mexer com o elefante de Serra


Há um elefante na sala de estar do candidato tucano à Presidência José Serra. É um elefante incômodo, e dos bem grandes. só que ele continua lá, e o candidato não parece muito incomodado com o bichão ali.

A revelação foi feita em debate nacional, em rede de televisão. Só que, aparentemente, o escândalo de Paulo Preto não colou em Serra. Que haveria relutância das TVs e má vontade dos grandes jornais já era esperadoo. é do jogo.

O que não se esperava era a timidez com que a tropa de choque dilmista na mídia abordasse o tema. Os veículos mais identificados com o governo federal, com ou sem publicidade oficial, parecem incapazes de avançar em uma investigação que pode torpedear de vez a candidatura tucana.

Paulo Preto desviou ou não dinheiro da campanha tucana? A filha de Paulo Preto atuou de forma ilegítima representando interesses das construtoras ligadas à Dersa, empresa da qual o acusado era diretor?

A Folha de S. Paulo fez o serviço pela metade, mas pelo menos fez. Denunciou a participação da filha do acusado, então advogada das empresas, em dezembro de 2009. Citou levemente o assunto nas últimas semanas, mas sem muito interesse.

Reclamar da grande imprensa é do jogo, faz parte do debate democrático e da estratégia eleitoral. Mas fazer bom jornalismo e jornalismo investigativo até para contrabalançar o noticiário não só é do jogo como necessário.

Pena que a notória incompetência da esquerda para lidar com a comunicação jogue fora uma oportunidade para fazer com que os asquerosos tucanos engulam a abjeta campanha “religiosa” empreendida contra os petistas.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Esqueletos e assombrações


Então quer dizer que o tal jornalista mineiro confessou mesmo que pagou por dados ilegais do sigilo fiscal de tucanos? E que usou esses dados mesmo participando de um grupo de ‘inteligência” da campanha de Dilma Rousseff?

E gora, o que a cúpula da campanha presidencial petista tem a dizer? Será que eticamente essa candidata continua em condições de manter-se na disputa? Será que eticamente ela terá condições de exercer a Presidência?

Primeiro foi o caso Erenice Guerra, agora a confirmação de que integrantes do núcleo de inteligência da campanha petista pagaram para ter acesso criminoso a dados fiscais de adversários políticos. A situação só melhora.

Trabalhei com o tal jornalista na Folha de S. Paulo, Amaury Ribeiro Júnior, e não tenho o menor orgulho disso - pelo contrário. Não escrevia muito bem, mas tinha faro de repórter e sabia apurar uma boa história.

Pena que errava muito, tanto na escrita como na própria apuração, muitas vezes por preguiça ou por pedantismo.

Amigos em comum que trabalharam com ele posteriormente reclamaram de sua postura profissional neste século, e infelizmente não me surpreendi com o envolvimento de seu nome no caso.

Lamentavelmente, é um talento do jornalismo que não aprendeu com os ótimos profissionais com quem trabalhou na Folha em em O Globo e que trilhou por um caminho turvo ao se envolver com os bastidores da política suja feita neste país.

Até que ponto essa questão vai impactar na campanha de Dilma? E onde estão as explicações dos petistas sobre mais esse escândalo.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

Tudo o que não precisava acontecer na campanha era a agressão ao candidato José Serra (PSDB) em um entrevero com militantes petistas no Rio de Janeiro. Adivinhem qual será o tratamento - infelizmente com razão - que será dado aos militantes raivosos e acéfalos?

Não importa quem começou a pancadaria. Os primeiros relatos de repórteres contam que assessores e aspones tucanos partiram para cima de petistas e militantes de um sindicato que protestavam contra o candidato e sua gestão no Ministério da Saúde.

Pura provocação barata, descessária e que certamente acabaria em briga. Parabéns para os idiotas que foram provocar os tucanos.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Atacar a imprensa é tentar encobrir a incompetência


Nunca houve uma proximidade tão grande entre jornalistas e o PT como na década de 90. Era a ressaca da derrota de Lula para Fernando Collor em 1990, mas a primeira metade da década foi intensa e movimentada, graças ao corrupto mundo collorido, que resultou em impeachment.

Todo o primeiro escalão do PT nacional, assim como o da CUT, mantinha ótimas relações com jornalistas da grande imprensa, por mais que os noticiários os irritassem.

Eram frequentes os encontros para conversas reservadas e a transferência de informações e material sobre as inúmeras falcatruas e corrupções dos governos Collor e FHC. Lula era uma das fontes mais regulares.

No ABCD a época foi também interessante. Funcionários públicos e vereadores petistas prestaram inestimáveis serviços à comunidade ao passar informações sobre as irregularidades nas péssimas administrações de Walter Demarchi (São Bernardo) e Newton Brandão (Santo André), ambos do PTB.

Naquele tempo interessante e movimentado, a imprensa, grande ou pequena, servia. Era considerado um “mecanismo” importante de denúncias. Naquele tempo, a liberdade de imprensa era boa e merecia ser defendida. Afinal, era o PSDB no governo federal e no governo de São Paulo.

Por isso tudo é que fica muito fácil entender a choradeira da esquerdalha – esquerda burra, sem argumentos e totalmente atrasadas – com a avalanche de denúncias contra o governo federal e que infelizmente irá resvalar na futura presidente Dilma Rousseff (PT).

Quando a denúncia é contra o PSDB, então é liberdade de imprensa, fazendo parte do jogo da democracia; quando é contra o PT, é calúnia, perseguição e campanha difamatória.

Ser governo não é fácil, mas esperava-se que um partido tão importante e necessário como o PT aprendesse com o tempo. Não só não aprendeu como não fez questão de aprender a lidar com certos assuntos incômodos, como os mensalões da vida.

Mais decepcionante ainda é ver um presidente da República que cansou de usar e abusar da imprensa quando lhe foi conveniente fazer proselitismo ao atacar de forma bisonha e ridícula a imprensa.

É um discurso tosco, abjeto, paranoico e estúpido, pois não funciona. Nunca funcionou. A paranoia de perseguição da imprensa é bom para insuflar plateias de acólitos indigentes intelectuais, que não têm discernimento nem senso crítico, e que infelizmente são maioria entre os militantes atuais do PT.

A gritaria contra a imprensa é mais uma tentativa vergonhosa de esconder os graves problemas éticos e de corrupção que acometem o Palácio do Planalto e o governo Lula.

Na falta de argumentos para explicar a delinquência estatal na Casa Civil e na Receita Federal, culpa-se o inimigo de sempre e que sempre está à mão. Mas repito, isso não funciona.

Por mais que a população-eleitorado seja bombardeada com informações diversas sobre tudo, fica claro em qualquer ambiente que uma imprensa, qualquer imprensa, boa ou ruim, tem de ser livre.

Exagerar a importância da imprensa no desempenho de candidatos em qualquer eleição não é só inútil e burro, mas revela completa desonestidade intelectual – ou desespero diante da falta de perspectivas éticas.

É desagradável que o presidente Lula se preste a este papel apenas para adular uma massa acrítica de militantes abobados, no limite da indigência mental.

É um debate desnecessário e com resultados previsíveis. Insistir nessa bobagem corrói a credibilidade e escancara a falta de conteúdo. Atentar contra a liberdade de imprensa e opinião é atentar contra a democracia.

Liberdade incomoda, e parece que o PT gosta de ser confrontado com essa verdade da pior forma possível. Atacar a liberdade de imprensa é uma irresponsabilidade, e demonstra a incapacidade para administrar qualquer coisa

domingo, setembro 19, 2010

Cada vez menos gente ouve o grito


O tempo não ajudou, é verdade, mas o Grito dos Excluídos, manifestação social que acontece em várias capitais no dia 7 de setembro, teve provavelmente o seu menor impacto neste ano desde que foi criado.

Nos telejornais das principais emissoras, houve notas sem imagem que não ultrapassaram cinco segundos. Quando teve imagem, não teme mais do que dez segundos. Pareceu claramente, em alguns dos noticiários, que eram trechos incluídos apenas para cobrir “buracos”.

Nos jornais, o espaço foi menor do que o de anos anteriores – fiz a comparação rápida das edições dos últimos três anos de Estadão, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde e Diário de S. Paulo.

Nada surpreendente que isso aconteça, por mais paradoxal que seja, já que os movimentos sociais ganharam impulso nos oito anos de governo do PT-Lula.

Um importante líder sindical cutista da capital e filiado ao PT resumiu bem a perda de relevância do Grito dos Excluídos desde o ano passado: “O povo está mais feliz com a melhora econômica dos últimos cinco anos e, com isso, as prioridades mudaram, outros problemas passaram a ser observados”.

Outra observação cirúrgica do sindicalista: a agenda equivocada e ultrapassada que muitos dos movimentos e entidades que integram o Grito dos Excluídos ainda defendem.

A questão não é o mérito ou a importância das propostas, mas a conveniência e a oportunidade de ficar repetindo os mesmos bordões em um mundo em constante transformação e com o partido do governo, que é de esquerda e que caminha para esmagar a oposição tucana em nível nacional, completamente inserido e adaptado a um mundo economicamente globalizando e produzindo cada vez mais riqueza.

Em um momento em que até a ditadura comunista chinesa abraça totalmente o mercado e aposta na produtividade e na geração de riqueza para resgatar 500 milhões de pessoas da pobreza e colocá-las na classe média, soa absurdamente esquisito ainda bradar nas ruas slogans enterrados que pelo tempo e pela história, e que não causam a mínima comoção no público-eleitor em geral.

Na verdade, esse público-eleitor não anda mais interessado nesta plataforma, quando não a ignora ou a despreza.

Enquanto insistem na batida exigência de reforma agrária e na expropriação e limitação de tamanho de propriedades rurais, essas entidades deveriam mais é se aproximar do povo que vive nas cidades, e que representam 80% dos brasileiros e 90% dos eleitores.

O Grito dos Excluídos não pode mais ignorar uma agenda social urbana, onde a favelização aumenta nos grandes centros, a despeito do sucesso da economia do período lulista e da melhora de vida no geral para os brasileiros.

A infraestrutura das cidades grandes é insuficiente na atualidade e negligenciada na maior parte das metrópoles do país, como em São Paulo, administrada por um incompetente, de um partido que nunca esteve comprometido com a população.

A segurança pública é outra área completamente ausente dos brados e slogans no Grito dos Excluídos. É o item que logo vai chegar no topo das preocupações do brasileiro – hoje a liderança é do medo do desemprego, seguida pelo medo da violência.

Portanto, insistir em temas ultrapassados – como a reforma agrária, por exemplo – é se distanciar cada vez mais da realidade nacional e do cotidiano do público-eleitor. Até porque esta questão está praticamente resolvida, principalmente pelos esforços realizados pelo governo federal na gestão de Lula.

O governo petista ultrapassou com sobras os números da era FHC na questão fundiária. Desde 2003, nunca se desapropriou tanto e distribuiu tanta terra no Brasil. Quem recebe terra deixa de ser sem-terra.

Portanto, está faltando sem-terra para continuar justificando a existência dos MSTs da vida, que há muito tempo recrutam mendigos e desempregados nas cidades para continuar existindo e reivindicando. A questão, portanto, se torna meramente político-ideológica.

A população percebeu isso e se desinteressou. A economia vai bem e a pobreza diminuiu no governo Lula, o que justifica o eventual massacre eleitoral que a candidata do PT, Dilma Rousseff, está impondo à oposição.

De forma paradoxal, o sucesso de um governo de esquerda e que tem uma atuação social destacada vai obrigar, mesmo que na marra, movimentos sociais a buscarem novas ideias, novos discursos, novos públicos e novos horizontes. Lula vencem mais essa.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Uma luz para Paranapiacaba


Reproduzo texto de Edison Veiga, de O Estado de S. Paulo, a respeito da volta da ligação dominical entre Estação da Luz e a vila andreense. Tomara que isso contamine positivamente a péssima administração de Aidan Ravin (PTB), prefeito de Santo André, que administra a vila:

A vila histórica de Paranapiacaba, em Santo André, no ABC paulista, nascida por causa do trem, volta a ser ponto de locomotivas. A partir de domingo, será possível fazer os 48 km do trajeto Luz-Paranapiacaba por trilhos. Trata-se do novo itinerário do projeto Expresso Turístico, criado há 1 ano e meio pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Paranapiacaba foi fundada justamente no entorno da linha férrea instalada ali no século 19 - surgiu como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa São Paulo Railway. Assim, a chegada do Expresso Turístico ao distrito, de certa forma, evoca a sua origem. "Isso é muito simbólico", diz o secretário adjunto de Transportes Metropolitanos, João Paulo de Jesus Lopes. As passagens já estão à venda nas Estações Luz e Celso Daniel, em Santo André, das 6h às 18h30.

Engana-se, entretanto, quem pensa que o turista vai chegar lá e encontrar o histórico bairro tinindo. Há tempos, a conservação e restauro do patrimônio histórico do bairro vêm sendo negligenciados. "Não tenho visto um trabalho de manutenção", diz a artista plástica e dona de pousada Cristina Telles Gomes, que vive ali há 12 anos. "É algo que preocupa muito, como se fosse um pedaço da gente que vai se estragando", completa Zilda Bergamini, moradora de Paranapiacaba desde 1970, proprietária de um bar e diretora da União Esportiva Charles Miller.

O entorno da estação ferroviária, cheio de vagões de trem abandonados, aliás, já é um péssimo cartão de visitas. "Não podemos mexer ali porque há questões de preservação histórica", defende-se Lopes.

Sem fumaça. O Expresso Turístico não é uma daquelas históricas marias-fumaça, presentes no imaginário popular. São duas locomotivas a diesel, modelo Alco RS-3, ano 1952, e uma General Electric U20C, fabricada na década de 1960. Cada qual conduz dois vagões de passageiros, cada um com 87 lugares, feitos de aço inoxidável, fabricados no Brasil nos anos 1950 - cedidos pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária e restaurados pela CPTM.

Os vagões pertenciam à Estrada de Ferro Araraquara, e operavam na linha conhecida popularmente como Araraquarense - São Paulo, Campinas, Araraquara, São José do Rio Preto e Santa Fé do Sul. Esse percurso foi inaugurado em 1898. Até 1955, só trens a vapor (a maria-fumaça) circulavam pela linha, com vagões de passageiro de madeira.

Na Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), esses vagões trabalharam até 1998 e foram os últimos trens de passageiros de longo percurso no Estado. "Conseguimos guardar alguns exemplares", diz Anderson Conte, membro da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. No Expresso Turístico, são rebocados pelas locomotivas a diesel da CPTM.

O projeto. Em abril, o Expresso Turístico completou um ano, registrando mais de 12 mil viajantes nos dois trajetos em operação: Luz-Jundiaí (aos sábados) e Luz-Mogi das Cruzes (quinzenalmente aos domingos). No total, foram realizadas 75 viagens. O trajeto até Jundiaí, primeiro a ser implementado, concentrou o maior número de turistas no primeiro ano: 9,4 mil. O até Mogi das Cruzes, realizado desde junho de 2009, computou 2,8 mil passageiros.

quarta-feira, setembro 15, 2010

A pirataria avança e permanece impune


A pirataria de DVDs e CDs e de qualquer outra coisa está avançado rapidamente no ABCD e na Capital. Qualquer travessinha das áreas centrais tem o seu camelô, com sua banquinha, com cópias de filmes que mal estrearam no cinema.

Quer assistir a “Salt”, em cartaz com Angelina Jolie e Liev Schreiber? Os caras têm. “Origens”, com Leonardo di Caprio? Tá não, dotô. Três cópias por R$ 10. Ou então duas por R$ 5. Programas de computador? Aparelhos de MP3, Mp4, MP5, MP7, MP12? Facinho, a precinhos baixos. Falsificados? E qual é a diferença?, responde o criminoso cara-de-pau?

No centro de Santo André, por exemplo, os camelôs e pirateiros montam suas banquinhas nas portas de padarias e comércios lotados. E fazem a festa.

Em São Bernardo, a pirataria estava restrita ao entorno da Praça Lauro Gomes, no centro. Agora se espalham para a avenida Kennedy, para a avenida Francisco Prestes Maia, para as travessas da avendia Jurubatuba.

Em Diadema, o crime rola solto à luz do dia no entorno do novo shopping center e nas travessas que dão acesso ao trólebus. Ninguém é incomodado. Policiais civis e militares veem o que acontece, mas estranhamente parecem impedidos de agir.

O crime organizado metido com a pirataria tomou conta dos centros das cidades do Grande ABCD. Em Guarulhos, as porcarias são vendidas dentro de ônibus. Em Osasco, o trem é um lugar privilegiado. Compra-se de tudo.

Imagine-se então como deve ser o esquema no centro de São Paulo, na Penha, no Largo 13, em Santo Amaro…

É fato que a repressão a esse tipo de crime é mais do que necessária. Mais empenho no combate esse tipo de comércio, com prisão de quem vende e distribui esse tipo de material, tem de ser um comportamento assíduo e frequente das forças policiais.

O consumidor também não pode ficar isento. Tem de sofrer alguma sanção. Compra conscientemente as porcarias piratas, com o torpe argumento de que “é mais barato porque os produtos originais são abusivamente caros, pois quem vende rouba o trabalhador”.

É um argumento oportunista e nojento. Trabalhador decente paga seus impostos, recebe seu dinheiro e rechaça produtos de quinta categoria oriundos do crime organizado. Quem compra esse lixo apoia os bandidos. Merece ser execrado e ser punido. Quem se habilita?

segunda-feira, setembro 13, 2010

Fuja das compras pela internet


Não compre pela internet. É o que tenho recomendado a amigos e leitores nos últimos tempos. O serviço no Brasil não é confiável.

A quantidade de reclamações sobre o descumprimento do negócio por conta de empresas virtuais nacionais é enorme no Procon e no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DNPC), do Ministério da Justiça. E quem mais descumpre os negócios são as empresas gigantes.

Não se trata apenas de comprar e não receber. E comprar, não receber, ser cobrado e por um valor acima do verdadeiro. Fraude? Má-fé? Não interessa, o fato é que o esquema não funciona.

Não bastasse comprar, não receber e ser cobrado acima do valor combinado tem a fase mais complicada: lidar com o serviço de atendimento das empresas para tentar resolver o problema. São horas ao telefone para tentar reaver o dinheiro ou ao menos receber a promessa de quando receberá o produto comprado. Segundo o Procon-SP, em pelo menos 20% das ocasiões o cliente não consegue resolver.

Casos esdrúxulos como a de uma consumidora que teve um não como resposta à solicitação de reenvio do produto que não chegou. A empresa não só disse que não iria reenviar como duvidou da honestidade da consumidora paulistana. Ela, por sua vez, cancelou as compras no cartão de crédito e acabou tendo o nome enviado ao SPC pela loja virtual. Era o que a consumidora queria: por meio de advogado, entrou com duas ações por danos morais, tanto no Juizado Especial Cível, para causas mais simples e rápidas, como na Justiça comum. A indenização determinada pelo juizado foi de R$ 2 mil, depois que não houve acordo na conciliação. A consumidora considerou o valor muito baixo e exigiu mais na Justiça comum e conseguiu R$ 5 mil. A empresa recorreu, mas a sentença foi mantida. Só depois de tudo isso é que a consumidora foi procurada para negociar – proposta prontamente recusada.

Não é fácil abrir mão das facilidades que a internet supostamente oferece no comércio virtual, e é mais difícil ainda reunir paciência e coragem para acionar as empresas no Procon-SP e na Justiça. Mas só fazendo isso pra exercer a cidadania e garantir os seus direitos.

A generalização aqui é cabível, porque os problemas logísticos e o atendimento péssimo ao consumidor atingem todas as lojas virtuais brasileiras, grandes ou pequenas. Já fui assíduo comprador de CDs e livros pela internet no exterior e tive problema apenas duas vezes com mercadorias que não chegaram. Os sites não questionaram a minha honestidade. Primeiro me pediram para verificar nos Correios o que poderia ter acontecido, com o devido código em mãos; não havendo qualquer registro das mercadorias, prontamente me enviaram os produtos, sem a cobrança de frete.

Quanta diferença…

sábado, setembro 11, 2010

Saudades da CUT


Comecei a aprender alguma coisa sobre política no antigo ginásio, hoje ensino médio, lendo jornais.

As figuras predominantes na época, começo dos anos 80, eram Lula e Jair Meneguelli, então presidente da CUT, no lado do bem, e os nefastos Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia e toda uma corja que se amontoava no PMDB e no PDS (depois PFL, depois DEM), do lado do mal.

Ninguém falava de outros nomes. Gilson Menezes era um petista restrito ao ABCD como prefeito de Diadema. Djalma Bom era um petista que foi muito bem votado como deputado federal, mas também pouco ultrapassava os limites das sete cidades.

Meneguelli era o cara. Em seguida veio Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, que unificou e criou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, foi presidente da CUT e virou deputado federal. Só perdia em importância política para Lula.

Luiz Martinho trilhou o mesmo caminho de Vicentinho, ganhou projeção nacional como presidente do sindicato, subiu ainda mais como presidente da CUT, virou ministro e prefeito de São Bernardo.
Ou seja, a CUT tinha importância mais do que fundamental na política brasileira: era crucial para a existência de uma oposição séria e programática, com conteúdo. Aprendi bastante sobre política com a CUT e seus líderes.

Cadê a CUT agora? Só leio alguma coisa nos noticiários dos jornais às vésperas do 1º de Maio. A CUT sumiu dos jornais, da TV da vida cotidiana.

A Força Sindical, por seu lado, virou um feudo de um grupelho ligado ao PDT e ao deputado federal Paulinho da Silva. Submergiu da mesma forma que a CUT.

A perda de relevância – tomara que momentânea – da CUT não tem a ver diretamente com a administração do presidente Arthur Henriques.

É fruto de um processo que começou ainda nos anos 90 e, ironia do destino, acabou sendo parcialmente vítima do sucesso da política econômica que chegou ao auge no governo Lula.

Aparentemente, as pessoas precisam menos dos sindicatos e os colocaram em quarto plano em suas vidas pessoais. Ainda há demandas trabalhistas gigantescas no Brasil, mas a vida do trabalhador nos últimos oito anos, especialmente, melhorou bastante. O foco mudou.

Portanto, ou a CUT justifica seu passado e retoma a sua relevância na vida trabalhista e política do Brasil, ou terá o destino da Força Sindical e de outras pseudo-centrais, meros cartórios que servem apenas para tomar dinheiro do governo.

Da mesma forma, os sindicatos precisam se reinventar, até mesmo se tornar ONGs, com mais abrangência e mais funções sociais.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD caminha há anos nesta direção, mas precisa ser mais rápido e mais ágil. A instituição, infelizmente, também está ausente dos noticiários. Isso é ruim para a sociedade brasileira.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Cenas hilárias da eleição


A cada eleição o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio piora, e muito. A Quantidade de seres execráveis que ofendem a inteligência do eleitor é imensa, gente sem o menor pudor para expor de maneira vexatória, seja por conta das frases idiotas, pelos erros crassos de português ou simplesmente pelos nomes ridículos que adotam.

A moda agora é fazer jingles com paródias de músicas famosas. São os casos de seres inomináveis como Lindolfo Pires (DEM), um candidato a deputado estadual na Paraíba, que assassinou “Beat It”, de Michael Jackson. Escute a pérola:

http://www.youtube.com/watch?v=vpIzP09JwDE

Já o candidato a deputado estadual Claudir Maciel (PSB), cometeu o seguinte crime contra “I Want to Break Free”, do Queen, em Santa Catarina:

http://soundcloud.com/user9340729/eu-vou-votar-no-claudir-23123

Nem mesmo candidatos sérios escapam do vexame, como Cândido Vacarezza (PT), candidato à reeleição em São Paulo para deputado federal. Sua “versão” para a péssima “Rebolation” é de chorar:

http://soundcloud.com/user9340729/vaccarezza-reboletion

Mas hilário mesmo é ver gente completamente sem noção desfilar um monte de bobagens ideológicas, nas quais partidecos como PSTU e PCO são especialistas.

Uma coitada, candidata do PCO a deputada estuadal, não teve vergonha de bradar a “presença da Polícia Militar” no campus da USP, quando a corporação teve de intervir algumas vezes para tentar acabar com a baderna de grevistas e estudantes vagabundos.

Essa é a sua “plataforma”: lutar para “livrar” a USP da polícia e tornar o campus um lugar livre para a atuação de ladrões e criminosos em geral, além de permitir aos baderneiros e estudantes nem um pouco interessados em estudar fazer qualquer tipo arruaça, vandalismo e depredações.

A democracia é maravilhosa, mas às vezes é engraçada, e muitas outras bastante cansativa.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Descobriram que Itaquera existe


Onde fica Itaquera mesmo? É um bairro? É uma cidade? Quem lê os jornais paulistanos em busca de informações sobre os 100 anos do Corinthians tem a nítida impresão que a imprensa só descobriu agora o fundão da zona leste da Capital.

Repórteres escrevem sobre o local como se estivessem em outro mundo, em um lugar inóspito e habitado por tribos indígenas que nunca tiveram contato com os “ocidentais”.

É impossível não notar, além do despreparo de alguns profissionais, o preconceito implícito em muitos textos, especialmente na descrição da pobreza e da falta de infraestrutura básica no entorno do chamado centrinho de Itaquera.

O que diriam eses jornalistas, então, se soubessem da existência de locais ainda mais problemáticos em Mauá, por exemplo, ou em favelas paupérrimas na periferia de São Bernardo?

Essa espetacularização da pobreza e a falta de senso crítico ao se publicar qualquer declaração estapafúrdia sobre os supostos “beneficios” que o “suposto” estádio traria mostram claramente uma falta de compromisso como a informação.

Nenhuma publicação da Grande São Paulo se preocupou em analisar o que pode significar a obra-factoide para a região - não vai acontecer nada, não vai trazer crescimento, não vai gerar empregos, pois nenhum estádio do mundo teve esse poder.

Itaquera? Muito prazer…

terça-feira, setembro 07, 2010

À mercê da delinquência estatal


A internet é terra de ninguém desde sempre, onde são cometidos crimes variados e fraudes diversas. O roubo de dados sigilosos é coisa comum, especialmente em relação a dados bancários e senhas para qualquer coisa. O mundo ainda engatinha na tentativa de coibir e punir esses crimes – no Brasil, então, a coisa é bem pior.

Quando o crime é cometido pelo Estado, então a situação é de total descontrole administrativo e de terror institucionalizado.

A cada semana surgem novas denúncias de utilização de dados privados sigilosos para fins políticos, eleitorais e criminais. É o fim do direito constitucional à privacidade garantido pela Constituição.

Qualquer funcionário de quinto escalão consegue ter acesso a informação financeira e patrimonial de qualquer cidadão brasileiro. É uma arma poderosa demais nas mãos de funcionários públicos graduados.

Imagine então nas mãos de gente desqualificada e pronta para delinquir, dentro de um Estado aparelhado em plena campanha eleitoral.

O crime cometido por funcionários da Receita Federal – e, ao que parece, do ABCD – é hediondo. Vasculhar a vida financeira e patrimonial de adversários políticos é um atentado à democracia e ao Estado de direito.

Significa que qualquer um de nós pode ser vítima de quadrilhas instaladas na administração pública que podem usar informações de forma política ou até mesmo para chantagear, extorquir e roubar.

O governo federal demora para dar explicações. Trata a questão como se fosse uma coisa menor, uma simples “infração administrativa”.

Lamentavelmente a face mais asquerosa e preocupante do aparelhamento do funcionalismo federal se manifesta no fim do governo Lula. Quem vai nos salvar?
Mais uma lei que precisa ‘pegar’


O grau de civilização de um povo é medido, entre outras coisas, pela adesão e respeito às leis, qualquer lei. É quase inacreditável que ainda tenhamos de ouvir com muita frequência que no Brasil existem leis que pegam e outras que não pegam. Imagine então o que dizer de um estrangeiro quando ouve tal coisa.

Esse abuso de incentivar leis a “não pegarem” tem uma parcela imensa de responsabilidade das empresas, e falo de grandes multinacionais.

Um dos exemplos recentes é a norma técnica, com força de lei, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça editou em junho a respeito dos telefones celulares.

O órgão do Ministério da Justiça considera agora o telefone celular um item essencial da vida moderna, tanto para o trabalho como para o cotidiano de estudantes e donas de casa.

Portanto, a partir de agora quem tiver celular com defeito ainda dentro da garantia pode procurar uma loja do fabricante e exigir a troca imediata do aparelho ou o dinheiro de volta, desde que apresente a nota fiscal.

Por que isso? Porque fabricantes, lojas e assistências técnicas descumpriam sistematicamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ignorando a lei e enrolando o cliente na hora de consertar o aparelho.

O jogo de empurra criminoso, em alguns casos, fez com que consumidores esperassem seis meses por telefones no conserto.

Evidentemente que os fabricantes chiaram, e muito. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa essas empresas, diz claramente que a norma técnica do governo é apenas uma “recomendação”, e não lei. Mentira absurda e abjeta.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o DPDC recusou proposta de “flexibilização” da norma que manda trocar imediatamente celulares com defeito, desde que estejam na garantia.

A proposta, que não foi detalhada pelo órgão, é de autoria das empresas Nokia, Motorola, a – acompanhada de LG, Samsung e Sony Ericsson –, que estiveram reunidas com o DPDC.
As sugestões das empresas, de forma correta, foram descartadas porque contrariavam o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nem a Abinee e nem os representantes dos fabricantes informaram o teor da proposta feita ao Ministério da Justiça. A nota do DPDC indica que a proposta não atendia a obrigatoriedade de que a troca fosse imediata.

“Embora o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor esteja sempre aberto ao diálogo e ao recebimento de novas iniciativas dos fabricantes que sinalizem o respeito à regra prevista no CDC, entende que os consumidores devem ser respeitados e as trocas devem ocorrer imediatamente”, diz uma nota do DPDC sobre a recusa da proposta.

A Nota Técnica 62/CGSC/DPDC/2010 do Ministério da Justiça, publicada no dia 23 de junho, classificou o celular como “bem essencial” e determinou a obrigatoriedade da troca imediata dos aparelhos defeituosos.

A mudança foi motivada pelo fato de o celular ser o produto que mais registra reclamações nos Procons (24,87% do total de 100 mil reclamações em 21 Procons estaduais e 18 municipais).

Segundo o DPDC, as lojas fogem da responsabilidade e as fabricantes encaminham os casos para as assistências técnicas, que retêm os aparelhos para investigar eventual culpa dos consumidores.

Ou seja, as empresas multinacionais que fabricam e vendem celulares no Brasil insistem em afirmar que o governo apenas “recomendou” a troca imediata. Uma dessas empresas chegou até a recomendar em seu site que suas lojas próprias não seguissem a orientação do DPDC. A repercussão foi péssima, e o texto foi retirado.

Entretanto, nas lojas, repórteres do Jornal da Tarde, se passando por clientes, ouviram claramente de funcionários: “Recebemos orientação para não cumprir tal determinação”.

Em algumas situações, os funcionários simplesmente diziam que tal lei não existia. Numa delas, encontraram um consumidor irado e chato, que chamou a polícia, esfregou na cara do gerente a determinação no Diário Oficial da União e acionou o fabricante no Juizado Especial Cível pedindo indenização por danos morais.

Essa lei vai pegar? Infelizmente, vai depender de nós.

domingo, setembro 05, 2010

Onde a civilidade venceu o oportunismo


Um empresário de São Bernardo, leitor assíduo do ABCD Maior, me alertou outro dia ( ou será que, na verdade, ele me cobrou?) sobre uma questão: a campanha da Associação Viva São Bernardo para impedir a construção do cadeião da cidade no bairro Baeta Neves, perto do centro, não pode ser enquadrada nos casos que citei outro dia a respeito de Higienópolis, Pompeia, Perdizes e Moema?

Não, eu respondi. É unânime entre especialistas em urbanismo e segurança pública a tese de que presídios e centros de detenção precisam estar em regiões isoladas ou com pouca densidade demográfica, como nos Estados Unidos e na Europa. Não foi por outro motivo que a Penitenciária do Carandiru foi desativada.

O cadeião seria construído no terreno atrás do 1º Distrito Policial para substituir a carceragem destruída e inviável daquela delegacia. Manter estruturas penitenciárias em locais densamente povoados dificulta a manutenção e eventuais combates a rebeliões e fugas – como acontece hoje em Santo André, no cadeião que fica ao lado do 4º DP, na Vila Palmares.

Além do mais, tanto em São Bernardo como em Santo André os cadeiões chegariam bem depois dos moradores, e em áreas densamente povoadas.

Sob qualquer ponto de vista a construção do cadeião de São Bernardo na avenida Armando Ítalo Setti seria um despropósito.

O Baeta Neves e o centro são áreas densamente povoada e com movimento digno de uma metrópole. Construí-lo ali seria o maior erro, pois se trataria apenas de mera conveniência, já que o terreno da delegacia é do governo do Estado.

A mobilização iniciada pela Associação Viva São Bernardo conseguiu a rara proeza de unir políticos locais que eram adversários ferrenhos. Juntos, vereadores, deputados estaduais e federais fizeram um barulho danado e chamaram a atenção do governo do Estado.

A princípio alheio à movimentação, o então prefeito Maurício Soares (na época no PSB), então com boas relações com o Palácio dos Bandeirantes, evitou se envolver no assunto para não melindrar aliados, até que sua aguçada sensibilidade política percebeu o tamanho da encrenca.

Soares decidiu encampar o pleito depois de certa pressão de aliados municipais e usou seu ótimo relacionamento com o governador Mário Covas para ajudar a administração estadual a desistir da ideia e alterar o local do cadeião.

Mesma sorte não tiveram os moradores da Vila Palmares, de Santo André. Não houve movimentação popular forte o suficiente para chamar a atenção de políticos andreenses do prefeito de então para barrar o cadeião na área do 4º DP. Isso só aumenta o mérito da Associação Viva São Bernardo.