Black Country Communion, novo supergrupo de rock no mercado
do site Whiplash
O novo supergrupo que apresenta o antigo baixista/vocalista do DEEP PURPLE Glenn Hughes, ao lado do baterista da reunião do LED ZEPPELIN Jason Bonham, do antigo tecladista do Dream Theater Derek Sherinian, e do guitarrista Joe Bonamassa, entrou em acordo com um novo nome: BLACK COUNTRY COMMUNION.
Site oficial: http://www.bccommunion.com/
Twitter: http://twitter.com/bccommunion
O BLACK COUNTRY COMMUNION (anteriormente BLACK COUNTRY) é uma devastadora colisão de frente entre influências de rock americanas e britâncias – um verdadeiro supergrupo que traz uma experiência de rock titânica maior do que as somas de suas partes supremamente talentosas.
A semente para o BLACK COUNTRY COMMUNION foi plantada quando Hughes e o mestre guitarrista de blues e rock Joe Bonamassa uniram forças no palco em Los Angeles em novembro de 2009 para uma performance explosiva no evento Guitar Center's King of the Blues.
Fruto da criação do produtor Kevin Shirley (BLACK CROWES, Aerosmith, LED ZEPPELIN), a banda acrescentou à sua linhagem o enérgico baterista Jason Bonham (LED ZEPPELIN, FOREIGNER) e o tecladista Derek Sherinian (DREAM THEATER, BILLY IDOL, ALICE COOPER).
Recebendo o nome da área industrial na Grã Bretanha onde Hughes e Bonham nasceram e foram criados, o BLACK COUNTRY COMMUNION começou a ensaiar e gravar faixas escritas por Bonamassa e Hughes no Shangri-La Studios no início de 2010. Seu novo álbum, que ainda não tem nome, vai ser lançado em setembro de 2010.
BLACK COUNTRY COMMUNION, fez uma estréia surpresa durante um bis em um show do Bonamassa em 17 de março no Riverside Municipal Auditorium em Riverside, California. A banda tocou duas músicas - "One Last Soul" e um cover do clássico do Deep Purple "Mistreated".
BLACK COUNTRY COMMUNION - "ONE LAST SOUL"
Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quarta-feira, junho 02, 2010
segunda-feira, maio 31, 2010
Novo CD do Korzus, uma grande porrada

Este é o novo disco do Korzus, chamado "Discipline of Hate". O lançamento é hoje, via Laser Company. O disco foi produzido e mixado pelo vocalista Marcello Pompeu e pelo guitarrista Heros Trench no estúdio Mr. Som, em São Paulo. A edição nacional do álbum trará 14 faixas, incluindo "Truth", primeiro 'single' e videoclipe do novo trabalho, que pode ser conferido abaixo.
Tracklist:
01. Intro (Path to Discipline)
02. Discipline of Hate
03. Truth
04. 2012
05. Raise Your Soul
06. My Enemy
07. Revolution
08. Never Die
09. Slavery
10. Last Memories
11. Under His Command
12. Reap What You Sow
13. Hell
14. Hipocrisia (bônus nacional)

Este é o novo disco do Korzus, chamado "Discipline of Hate". O lançamento é hoje, via Laser Company. O disco foi produzido e mixado pelo vocalista Marcello Pompeu e pelo guitarrista Heros Trench no estúdio Mr. Som, em São Paulo. A edição nacional do álbum trará 14 faixas, incluindo "Truth", primeiro 'single' e videoclipe do novo trabalho, que pode ser conferido abaixo.
Tracklist:
01. Intro (Path to Discipline)
02. Discipline of Hate
03. Truth
04. 2012
05. Raise Your Soul
06. My Enemy
07. Revolution
08. Never Die
09. Slavery
10. Last Memories
11. Under His Command
12. Reap What You Sow
13. Hell
14. Hipocrisia (bônus nacional)
Uma coisa nem sempre leva à outra coisa
O jornal mensal Unidade, órgão do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, traz em seu último número, o 327, de maio de 2010, um estudo interessante realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia e pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).
Sob o título “Mídia Impressa no Brasil e a Promoção da Igualdade Racial”, teve por objetivo analisar a conduta dos três principais jornais nacionais e das três principais revistas semanais na questão das cotas para negros e outras categorias em diversos segmentos da sociedade.
A conclusão é de que os meios de comunicação mais importantes são contra a política de cotas raciais.
Apesar de reconhecer que os textos de reportagens são mais equilibrados e trazem informações dos dois lados e dão bom espaço para os defensores das cotas, o editoriais e outros textos opinativos vão na direção contrária.
A pesquisa é importante e traz dados bacanas a respeito de como o tema foi tratado na grande imprensa. Suas conclusões, no entanto, são preocupantes e podem induzir a erros.
A cobertura geral sobre o assunto é parcial? Sim, afirma o estudo, principalmente nos textos opinativos. Já nas reportagens há mais equilíbrio e pluralidade, com a tendência recaindo para o tom crítico às políticas já implantadas.
Um problema sério é que uma das conclusões dá a entender que os meios de comunicação são contrários às políticas de igualdade racial, embora isso não esteja explicitamente escrito.
A própria diretora do Ceert, Maria Aparecida Bento, trata de colocar a questão nos eixos: a grande imprensa é contra a política de cotas, não contra a igualdade racial. Uma coisa não leva necessariamente à outra. No caso, nem de longe.
Ser contra a política de cotas não quer dizer ser inimigo dos negros e das políticas de igualdade racial. O problema é que essa interpretação errônea serve de argumento falacioso a oportunistas sedentos por detratar a grande imprensa.
O estudo também traz uma conclusão implícita e carregada de juízo de valor: se os jornais são contra as políticas de cotas, são automaticamente contra a promoção da igualdade racial e, portanto, são inimigos da sociedade.
Até onde se pode perceber no Brasil, ainda não é crime os jornais terem opiniões próprias. A nossa democracia permite e tolera a divergência e as discordâncias. Desviar o foco e escamotear a verdade não ajudam a encontrar soluções para a inserção cada vez maior dos pobres à sociedade e à educação.
Concluir que a grande imprensa é contra a igualdade racial por se opor à política de cotas não só é mentira como crime – até porque essa tese é impossível de ser provada.
A mídia brasileira tem inúmeros pecados, e os mais graves geralmente são ignorados por seus críticos e detratores. Neste caso, erram o alvo quando atribuem uma culpa que não lhe cabe. Ser contra a política de cotas é legítimo e não torna ninguém racista.
O assunto é espinhoso e interminável, mas quanto mais for debatido, mais a sociedade ganha. Mais informações podem ser obtidas no endereço eletrônico observatório de mídia.
O jornal mensal Unidade, órgão do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, traz em seu último número, o 327, de maio de 2010, um estudo interessante realizado pelo Observatório Brasileiro de Mídia e pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).
Sob o título “Mídia Impressa no Brasil e a Promoção da Igualdade Racial”, teve por objetivo analisar a conduta dos três principais jornais nacionais e das três principais revistas semanais na questão das cotas para negros e outras categorias em diversos segmentos da sociedade.
A conclusão é de que os meios de comunicação mais importantes são contra a política de cotas raciais.
Apesar de reconhecer que os textos de reportagens são mais equilibrados e trazem informações dos dois lados e dão bom espaço para os defensores das cotas, o editoriais e outros textos opinativos vão na direção contrária.
A pesquisa é importante e traz dados bacanas a respeito de como o tema foi tratado na grande imprensa. Suas conclusões, no entanto, são preocupantes e podem induzir a erros.
A cobertura geral sobre o assunto é parcial? Sim, afirma o estudo, principalmente nos textos opinativos. Já nas reportagens há mais equilíbrio e pluralidade, com a tendência recaindo para o tom crítico às políticas já implantadas.
Um problema sério é que uma das conclusões dá a entender que os meios de comunicação são contrários às políticas de igualdade racial, embora isso não esteja explicitamente escrito.
A própria diretora do Ceert, Maria Aparecida Bento, trata de colocar a questão nos eixos: a grande imprensa é contra a política de cotas, não contra a igualdade racial. Uma coisa não leva necessariamente à outra. No caso, nem de longe.
Ser contra a política de cotas não quer dizer ser inimigo dos negros e das políticas de igualdade racial. O problema é que essa interpretação errônea serve de argumento falacioso a oportunistas sedentos por detratar a grande imprensa.
O estudo também traz uma conclusão implícita e carregada de juízo de valor: se os jornais são contra as políticas de cotas, são automaticamente contra a promoção da igualdade racial e, portanto, são inimigos da sociedade.
Até onde se pode perceber no Brasil, ainda não é crime os jornais terem opiniões próprias. A nossa democracia permite e tolera a divergência e as discordâncias. Desviar o foco e escamotear a verdade não ajudam a encontrar soluções para a inserção cada vez maior dos pobres à sociedade e à educação.
Concluir que a grande imprensa é contra a igualdade racial por se opor à política de cotas não só é mentira como crime – até porque essa tese é impossível de ser provada.
A mídia brasileira tem inúmeros pecados, e os mais graves geralmente são ignorados por seus críticos e detratores. Neste caso, erram o alvo quando atribuem uma culpa que não lhe cabe. Ser contra a política de cotas é legítimo e não torna ninguém racista.
O assunto é espinhoso e interminável, mas quanto mais for debatido, mais a sociedade ganha. Mais informações podem ser obtidas no endereço eletrônico observatório de mídia.
quinta-feira, maio 27, 2010
Sem Rod Stewart, The Faces anuncia retorno com vocalista do Simply Red e ex-Sex Pistols
DO UOL
Sucesso na década de 1970, a banda The Faces anunciou em seu site oficial o retorno aos palcos sem Rod Stewart, mas com três integrantes da formação original. O guitarrista do Rolling Stones Ronnie Wood, o baterista Kenney Jones e o tecladista Ian McLagan agora terão a companhia do vocalista do Simply Red, Mick Hucknall, e do ex-baixista do Sex Pistols, Glen Matlock.
"É empolgante seguir este caminho novamente e eu espero que os fãs do Faces estejam tão felizes quanto nós estamos", escreveu Wood no site. "O momento é perfeito, estamos empolgados e não vemos a hora de voltar aos palcos", disse Jones.
A banda vai ser uma das atrações do festival inglês Vintage at Goodwood, marcado para o dia 13 de agosto. No ano passado, o trio se reuniu com Hucknall nos vocais e o ex-Stones Bill Wyman no baixo para um show no tradicional Royal Albert Hall, em Londres.
No final do ano passado, McLagan já havia adiantado o retorno do Faces. "Esperamos muito tempo para que Rod [Stewart] aceitasse, mas ele disse não no final. Portanto vamos fazer a turnê de qualquer maneira", disse .
DO UOL
Sucesso na década de 1970, a banda The Faces anunciou em seu site oficial o retorno aos palcos sem Rod Stewart, mas com três integrantes da formação original. O guitarrista do Rolling Stones Ronnie Wood, o baterista Kenney Jones e o tecladista Ian McLagan agora terão a companhia do vocalista do Simply Red, Mick Hucknall, e do ex-baixista do Sex Pistols, Glen Matlock.
"É empolgante seguir este caminho novamente e eu espero que os fãs do Faces estejam tão felizes quanto nós estamos", escreveu Wood no site. "O momento é perfeito, estamos empolgados e não vemos a hora de voltar aos palcos", disse Jones.
A banda vai ser uma das atrações do festival inglês Vintage at Goodwood, marcado para o dia 13 de agosto. No ano passado, o trio se reuniu com Hucknall nos vocais e o ex-Stones Bill Wyman no baixo para um show no tradicional Royal Albert Hall, em Londres.
No final do ano passado, McLagan já havia adiantado o retorno do Faces. "Esperamos muito tempo para que Rod [Stewart] aceitasse, mas ele disse não no final. Portanto vamos fazer a turnê de qualquer maneira", disse .
TV Globo aprofunda a prática de alterar a realidade
A TV Globo está levando a extremos a prática stalinista de alterar a realidade. O ditador soviético, que patrocinou a morte de milhões de conterrâneos, costumava ordenar a apaniguados que apagassem das fotos oficiais do regime adversários eventuais ou eternos do regime.
A prática não é nova. A emissora ignora o jornalismo decente e simplesmente muda o nome de clubes e times nas transmissões que faz de jogos de futebol, vôlei, basquete e até fórmula 1.
No vôlei feminino o Rexona vira Rio de Janeiro, Bradesco-Finasa vira Osasco. No basquete feminino, a emissora ignora os patrocinadores e “nomeia” clubes com os nomes das cidades, como Ourinhos e São Caetano.
Na fórmula é mais ridículo ainda: Red Bull Racing é chamada assim no mundo todo, mas na Globo vira RBR. A Toro Rosso vira STR. E por aí vai.
Nas entrevistas coletivas de jogadores de qualquer modalidade transmitida, apenas o carão do entrevistado aparece na tela, tudo para evitar que os patrocinadores das equipes e mesmo pessoais dos jorgadores/atletas apareçam.
Não é à toa que, por causa dessa prática nojenta, cada vez menos empresas decidem patrocinar modalidades menos apreciadas. Já é uma luta conseguir dinheiro para bancar o esporte no Brasil, e ainda a maior emissora e seus canais ignoram os patrocínios.
Qual é a alegação? A emissora deciciu combater o que chama de mídia espontânea, contrariando todas as normas de bom jornalismo e de decência. Se alguém quer que o clube seja chamado pelo nome da empresa ou produto, que pague por isso.
Esse absurdo agora foi transferido para reportagens de entretenimento e programas diversos da Globo, como revelou o colunista Ricardo Feltrin, do UOL - leia aqui.
Segundo o jornalista, a prática já vem ocorrendo em reportagens desde o ano passado, mas agora também já atinge programas humorísticos como “Casseta & Planeta” e de fofoca e entretenimento sobre o mundo global , o Vídeo Show.
Não vai demorar muito para que as reportagens do jornalismo global passarão a ser literalmente virtuais, como aquelas imagens falsas de propaganda durante os jogos de futebol. Pior, corremos o risco de ver nos telejornais efeitos especiais dignos do filme “Senhor dos Anéis.”
A TV Globo está levando a extremos a prática stalinista de alterar a realidade. O ditador soviético, que patrocinou a morte de milhões de conterrâneos, costumava ordenar a apaniguados que apagassem das fotos oficiais do regime adversários eventuais ou eternos do regime.
A prática não é nova. A emissora ignora o jornalismo decente e simplesmente muda o nome de clubes e times nas transmissões que faz de jogos de futebol, vôlei, basquete e até fórmula 1.
No vôlei feminino o Rexona vira Rio de Janeiro, Bradesco-Finasa vira Osasco. No basquete feminino, a emissora ignora os patrocinadores e “nomeia” clubes com os nomes das cidades, como Ourinhos e São Caetano.
Na fórmula é mais ridículo ainda: Red Bull Racing é chamada assim no mundo todo, mas na Globo vira RBR. A Toro Rosso vira STR. E por aí vai.
Nas entrevistas coletivas de jogadores de qualquer modalidade transmitida, apenas o carão do entrevistado aparece na tela, tudo para evitar que os patrocinadores das equipes e mesmo pessoais dos jorgadores/atletas apareçam.
Não é à toa que, por causa dessa prática nojenta, cada vez menos empresas decidem patrocinar modalidades menos apreciadas. Já é uma luta conseguir dinheiro para bancar o esporte no Brasil, e ainda a maior emissora e seus canais ignoram os patrocínios.
Qual é a alegação? A emissora deciciu combater o que chama de mídia espontânea, contrariando todas as normas de bom jornalismo e de decência. Se alguém quer que o clube seja chamado pelo nome da empresa ou produto, que pague por isso.
Esse absurdo agora foi transferido para reportagens de entretenimento e programas diversos da Globo, como revelou o colunista Ricardo Feltrin, do UOL - leia aqui.
Segundo o jornalista, a prática já vem ocorrendo em reportagens desde o ano passado, mas agora também já atinge programas humorísticos como “Casseta & Planeta” e de fofoca e entretenimento sobre o mundo global , o Vídeo Show.
Não vai demorar muito para que as reportagens do jornalismo global passarão a ser literalmente virtuais, como aquelas imagens falsas de propaganda durante os jogos de futebol. Pior, corremos o risco de ver nos telejornais efeitos especiais dignos do filme “Senhor dos Anéis.”
terça-feira, maio 25, 2010
Prefiro acreditar no rock e em papai noel
O Cinemin é um dos melhores bares de São Bernardo na atualidade e é um reduto de gente inteligente. É frequentado por artistas, jornalistas, estudantes e profissionais liberais que gostam de boa comida, bebida de qualidade e muita música da melhor que existe.
Uma semana atrás, em uma mesa barulhenta recheada de intelectuais de boteco (no bom sentido), um deles narrava um episódio no qual perdera a namorada mais bonita que tivera em sua vida.
O professor cinquentão narra que no começo dos anos 80, ainda na faculdade de letras, conseguiu conquestar a mais bela garota da escola.
A ponto de se apaixonar, investiu no namoro sério, que já durava três meses, até que ela insistiu ipara fosse visitar a família, toda instalada em uma pequena cidade do interior, na região de São José do Rio Preto.
Após cinco horas de viagem de carro sob um calor senegalesco, chegou ao vilarejo que alguns chamavam de cidade e verificou que a família da moça era o que havia de mais conservador e retrógrado. Algo lhe dizia que o final de semana não iria acabar bem.
E ele nem chegou ao final do final de semana. Se no sábado foi tratado com cortesia, apesar da desconfiança dos pais e dos tios da menina, a situação ficou ruim à noite.
Empolgou-se com a pinga de alambique servida por um dos cunhados e pouco se lembra de como foi parar na cama para dormir, já de madrugada.
Às 6h30 de domingo, foi acordado de forma brusca pelo sogro. A família toda, sem exceção, deveria estar às 7h na igreja matriz para a missa, como em todos os domingos. Ainda meio zonzo, achou que fosse brincadeira.
Diante da insistência do sogro, e completamente abobado, irritou-se e mandou sem pensar: “Diga-me sinceramente um único motivo para ir a uma missa, seja a hora que for? O que é que vou fazer numa missa?”
A manhã nem bem terminou e ele já estava na rodoviária, prestes a embarcar para São Paulo, devidamente convidado a se retirar da cidade pelo já ex-sogro e por um séquito de amigos comedores de hóstia do ex-sogro. O ateísmo latente do professor acabou com o namoro com a mais bela mulher que conquistara.
A história surgiu coincidentemente no mesmo final de semana em que a Folha de S. Paulo trouxe uma interessante entrevista com o filósofo americano Daniel Dennett, ateu convicto e que lamenta o “obscurantismo de parte da população norte-americana, que sataniza os ateus da mesma forma que os homossexuais eram discriminados e hostilizados nos anos 50 e 60″.
Dennett vai mais além. Afirma que tentar conciliar biologia evolutiva com religião e crença em Deus é um ato de desespero intelectual. “As pessoas têm de aprender a conviver com os sem-Deus”.
Nada mais atual e inteligente. Religião, qualquer uma, é estelionato intelectual e não serve para absolutamente nada. Acreditar em Deus e em papai noel é a mesmíssima coisa. Só que defender tais ideias em um país com forte apelo religioso como é o Brasil é crime.
O brasileiro está ficando menos racista e está tolerando cada vez mais as diferenças, sobretudo as sexuais. Mas ainda é incapaz de entender e respeitar a tribo dos sem-Deus. Triste isso. É mais um sintoma de terceiromundismo, subdesenvolvimento e inferioridade intelectual em relação ao primeiro mundo.
Ir à missa e rezar é pura perda tempo. Prefiro perdê-lo ouvindo heavy metal e lendo “Deus, um Delírio”, livro do filósofo inglês Richard Dawkins, o principal intelectual da atualidade a espancar as religiões e a ideia da existência de um ser supremo.
O Cinemin é um dos melhores bares de São Bernardo na atualidade e é um reduto de gente inteligente. É frequentado por artistas, jornalistas, estudantes e profissionais liberais que gostam de boa comida, bebida de qualidade e muita música da melhor que existe.
Uma semana atrás, em uma mesa barulhenta recheada de intelectuais de boteco (no bom sentido), um deles narrava um episódio no qual perdera a namorada mais bonita que tivera em sua vida.
O professor cinquentão narra que no começo dos anos 80, ainda na faculdade de letras, conseguiu conquestar a mais bela garota da escola.
A ponto de se apaixonar, investiu no namoro sério, que já durava três meses, até que ela insistiu ipara fosse visitar a família, toda instalada em uma pequena cidade do interior, na região de São José do Rio Preto.
Após cinco horas de viagem de carro sob um calor senegalesco, chegou ao vilarejo que alguns chamavam de cidade e verificou que a família da moça era o que havia de mais conservador e retrógrado. Algo lhe dizia que o final de semana não iria acabar bem.
E ele nem chegou ao final do final de semana. Se no sábado foi tratado com cortesia, apesar da desconfiança dos pais e dos tios da menina, a situação ficou ruim à noite.
Empolgou-se com a pinga de alambique servida por um dos cunhados e pouco se lembra de como foi parar na cama para dormir, já de madrugada.
Às 6h30 de domingo, foi acordado de forma brusca pelo sogro. A família toda, sem exceção, deveria estar às 7h na igreja matriz para a missa, como em todos os domingos. Ainda meio zonzo, achou que fosse brincadeira.
Diante da insistência do sogro, e completamente abobado, irritou-se e mandou sem pensar: “Diga-me sinceramente um único motivo para ir a uma missa, seja a hora que for? O que é que vou fazer numa missa?”
A manhã nem bem terminou e ele já estava na rodoviária, prestes a embarcar para São Paulo, devidamente convidado a se retirar da cidade pelo já ex-sogro e por um séquito de amigos comedores de hóstia do ex-sogro. O ateísmo latente do professor acabou com o namoro com a mais bela mulher que conquistara.
A história surgiu coincidentemente no mesmo final de semana em que a Folha de S. Paulo trouxe uma interessante entrevista com o filósofo americano Daniel Dennett, ateu convicto e que lamenta o “obscurantismo de parte da população norte-americana, que sataniza os ateus da mesma forma que os homossexuais eram discriminados e hostilizados nos anos 50 e 60″.
Dennett vai mais além. Afirma que tentar conciliar biologia evolutiva com religião e crença em Deus é um ato de desespero intelectual. “As pessoas têm de aprender a conviver com os sem-Deus”.
Nada mais atual e inteligente. Religião, qualquer uma, é estelionato intelectual e não serve para absolutamente nada. Acreditar em Deus e em papai noel é a mesmíssima coisa. Só que defender tais ideias em um país com forte apelo religioso como é o Brasil é crime.
O brasileiro está ficando menos racista e está tolerando cada vez mais as diferenças, sobretudo as sexuais. Mas ainda é incapaz de entender e respeitar a tribo dos sem-Deus. Triste isso. É mais um sintoma de terceiromundismo, subdesenvolvimento e inferioridade intelectual em relação ao primeiro mundo.
Ir à missa e rezar é pura perda tempo. Prefiro perdê-lo ouvindo heavy metal e lendo “Deus, um Delírio”, livro do filósofo inglês Richard Dawkins, o principal intelectual da atualidade a espancar as religiões e a ideia da existência de um ser supremo.
segunda-feira, maio 24, 2010
O melhor tributo a Ronnie James Dio
Jorn Lande é um cantor norueguês de heavy metal que nada deve aos deuses do gênero e do classic rock. Elogiado pela versatilidade e pela qualidade técnica, mantém uma ativa carreira solo e já cantou em bandas importantes, como Company of Snakes e Masterplan (para a qual voltou recentemente).
Não perdeu tempo quando soube da morte de Ronnie James Dio, um dos seus ídolos e inspiração para que se tornasse cantor. Dio morreu aos 67 anos de câncer no estômago na semana retrasada.
Em menos de dez dias finalizou a melhor homenagem até agora feita ao vocalista morto. "Song for Ronnie James" deverá ser a faixa de abertura do próximo trabalho solo do cantor, "Dio", totalmente dedicado à obra de seu ídolo.
Lande já trabalhava no projeto antes da morte de Dio. Por mais que se fale em oportunismo, e não é o caso, não há como não atentar para a "coincidência" do lançamento da música e do CD, que chega às lojas em julho.
Não importa. Jorn Lane é um dos cinco melhores cantores de rock da nova geração e seu trabalho em "Song for Ronnie James" é estupendo.
JORN LANDE - "SONG FOR RONNIE JAMES"
Jorn Lande é um cantor norueguês de heavy metal que nada deve aos deuses do gênero e do classic rock. Elogiado pela versatilidade e pela qualidade técnica, mantém uma ativa carreira solo e já cantou em bandas importantes, como Company of Snakes e Masterplan (para a qual voltou recentemente).
Não perdeu tempo quando soube da morte de Ronnie James Dio, um dos seus ídolos e inspiração para que se tornasse cantor. Dio morreu aos 67 anos de câncer no estômago na semana retrasada.
Em menos de dez dias finalizou a melhor homenagem até agora feita ao vocalista morto. "Song for Ronnie James" deverá ser a faixa de abertura do próximo trabalho solo do cantor, "Dio", totalmente dedicado à obra de seu ídolo.
Lande já trabalhava no projeto antes da morte de Dio. Por mais que se fale em oportunismo, e não é o caso, não há como não atentar para a "coincidência" do lançamento da música e do CD, que chega às lojas em julho.
Não importa. Jorn Lane é um dos cinco melhores cantores de rock da nova geração e seu trabalho em "Song for Ronnie James" é estupendo.
JORN LANDE - "SONG FOR RONNIE JAMES"
sábado, maio 22, 2010
A diplomacia brasileira em seu devido lugar
O Conselho de Segurança da ONU tratou de enterrar devidamente a diplomacia terceiromundista e incompetente do Brasil. Até mesmo com o apoio de China e Rússia, discute-se o tamanho de novas sanções ao Irã, ignorando o tal acordo mediado por Lula e pelo primeiro-ministro turco, outro ingênuo que foi ludibriado pelos picaretas do país dos aiatolás.
Humilhação é pouco para descrever o que ocorreu com a diplomacia brasileira, que foi colocada em seu devido lugar: a irrelevância e a insignificância total. Parabéns, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim.
O Conselho de Segurança da ONU tratou de enterrar devidamente a diplomacia terceiromundista e incompetente do Brasil. Até mesmo com o apoio de China e Rússia, discute-se o tamanho de novas sanções ao Irã, ignorando o tal acordo mediado por Lula e pelo primeiro-ministro turco, outro ingênuo que foi ludibriado pelos picaretas do país dos aiatolás.
Humilhação é pouco para descrever o que ocorreu com a diplomacia brasileira, que foi colocada em seu devido lugar: a irrelevância e a insignificância total. Parabéns, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim.
Pela extinção da Virada Cultural
A Virada Cultural de São Paulo é uma ideia maravilhosa que perde o encanto a cada edição. A sexta, que ocorreu neste final de semana, teve muitas atrações interessantes e foi mais diversificada. Mas cresceu demais, especialmente no centro da cidade, que não está preparado para o tamanho atual do evento.
Além disso, está claro que a população da Grande São Paulo – reflexo também da população brasileira – não merece um evento maravilhoso como esse. A falta de educação e civilidade ficaram evidentes. Foram inúmeras as brigas, arruaças e atos de vandalismo.
O policiamento ficou aquém do necessário na região central, mas assim mesmo, qualquer que fosse o contingente, não daria conta de conter uma verdadeira horda de gente sem educação e completamente bêbada – nada contra os bêbados, mas contra os que não sabem beber e arrumam confusão.
Infelizmente, a recente festa do 1º de Maio em São Bernardo foi uma péssima mostra do que viria a ocorrer na Virada Cultural de São Paulo. Enquanto não houver educação, o povo não merece eventos gratuitos de qualidade.
E não se trata de educação formal. É coisa de civilidade mesmo, coisa que se aprende em casa, no convívio com amigos e na escola. Defendo a extinção da Virada Cultural.
A Virada Cultural de São Paulo é uma ideia maravilhosa que perde o encanto a cada edição. A sexta, que ocorreu neste final de semana, teve muitas atrações interessantes e foi mais diversificada. Mas cresceu demais, especialmente no centro da cidade, que não está preparado para o tamanho atual do evento.
Além disso, está claro que a população da Grande São Paulo – reflexo também da população brasileira – não merece um evento maravilhoso como esse. A falta de educação e civilidade ficaram evidentes. Foram inúmeras as brigas, arruaças e atos de vandalismo.
O policiamento ficou aquém do necessário na região central, mas assim mesmo, qualquer que fosse o contingente, não daria conta de conter uma verdadeira horda de gente sem educação e completamente bêbada – nada contra os bêbados, mas contra os que não sabem beber e arrumam confusão.
Infelizmente, a recente festa do 1º de Maio em São Bernardo foi uma péssima mostra do que viria a ocorrer na Virada Cultural de São Paulo. Enquanto não houver educação, o povo não merece eventos gratuitos de qualidade.
E não se trata de educação formal. É coisa de civilidade mesmo, coisa que se aprende em casa, no convívio com amigos e na escola. Defendo a extinção da Virada Cultural.
Direitos humanos: Lula conserta o ‘frankenstein’
O presidente Lula consertou o defeituoso e enviezado Programa Nacional de Direitos Humanos. Limpou os excessos que davam margem para intervenções e censura aos meios de comunicação e que permitiam o revisionismo da Lei da Anistia de 1979, entre outras coisas.
Também tirou do ar os artigos que ampliavam as situações em que o aborto legal era permitido e acabou com o absurdo de dificultar a reintegração de posse de propriedades rurais invadidas.
O 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos reunia, em sua versão inicial, uma quantidade tão grande de absurdos e bobagens que custava crer que realmente tivesse sido elaborado por um governo sério.
Lula restabeleceu as coisas e colocou tudo nos seus devidos lugares. Não se pode legislar por decreto sobre assuntos como a Lei da Anistia, eliminar o direito de propriedade, oficializar a intervenção e a censura aos meios de comunicação e a descriminalização do aborto. Isso é passar por cima do Congresso e ignorar a socieade.
O mais grave foi a tentativa de malandragem de fazer todas essas bobagens passar dentro de um projeto imenso e esquizofrênico na calada da noite com o objetivo de ludibriar o presidente da República.
Paulo Vannuchi, secretário nacional de Direitos Humanos, é uma pessoa séria e respeitada, mas cometeu erros imperdoáveis ao tentar atender a reivindicações estapafúrdias e inaceitáveis e fazê-las passar de forma pouco elogiosa. Não pode continuar no seu cargo.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Também não pode permanecer no governo o secertário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Seu relacionamento no mínimo intenso com um acusado de contrabando é um dos maiores absurdos já observados em qualquer governo no mundo.
Pior, o chinês Li Kwok Kwen, o acusado de contrabando em proporções literalmente chinesas, se fazia passar por autoridade do governo brasileiro na China. Como é possível que Tuma Júnior tenha ocupado tal cargo?
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
A única voz na imprensa brasileira que se insurge contra a idnependência do Banco Central é a do veterano jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo. Ele considera que é um atentado à democracia que um “funcionário subalterno, como o presidente do BC, não possa ser questionado pelo presidente da República, seu chefe e patrão”.
O raciocínio é torto e omite, talvez de forma proposital, a verdadeira função de um Banco Central na economia e na política econômica de um país.
A solução adotada no Brasil não é a ideal, já que o presidente do BC é nomeado pelo governante de plantão, criando um evidente conflito de interesses.
A chamada autoridade monetária é um órgão eminentemente técnico, que não pode ficar à mercê dos ventos políticos do ocupante do Palácio do Planalto, por mais que este defenda e mantenha a independência de atuação do BC.
Apesar desa deformação de estreutura governamental, fez bem Lula em dar apoio e autonomia a Henrique Meirelles no Banco Central.
Enquanto não atingimos o mesmo esquema que vigora na maioria dos países europeus, onde o Banco Central é independente e seu presidente é escolhido deforma técnica, não pelo governo, a postura de Lula tem de ser elogiada e mantida.
O Banco Central não pode ficar à mercê da politicalha ideológica e partidária, coisas nefastas que podem destruir a economia de uma nação. E torçamos para que José Serra não seja eleito, já que é um “inimigo” da independência do BC.
O presidente Lula consertou o defeituoso e enviezado Programa Nacional de Direitos Humanos. Limpou os excessos que davam margem para intervenções e censura aos meios de comunicação e que permitiam o revisionismo da Lei da Anistia de 1979, entre outras coisas.
Também tirou do ar os artigos que ampliavam as situações em que o aborto legal era permitido e acabou com o absurdo de dificultar a reintegração de posse de propriedades rurais invadidas.
O 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos reunia, em sua versão inicial, uma quantidade tão grande de absurdos e bobagens que custava crer que realmente tivesse sido elaborado por um governo sério.
Lula restabeleceu as coisas e colocou tudo nos seus devidos lugares. Não se pode legislar por decreto sobre assuntos como a Lei da Anistia, eliminar o direito de propriedade, oficializar a intervenção e a censura aos meios de comunicação e a descriminalização do aborto. Isso é passar por cima do Congresso e ignorar a socieade.
O mais grave foi a tentativa de malandragem de fazer todas essas bobagens passar dentro de um projeto imenso e esquizofrênico na calada da noite com o objetivo de ludibriar o presidente da República.
Paulo Vannuchi, secretário nacional de Direitos Humanos, é uma pessoa séria e respeitada, mas cometeu erros imperdoáveis ao tentar atender a reivindicações estapafúrdias e inaceitáveis e fazê-las passar de forma pouco elogiosa. Não pode continuar no seu cargo.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Também não pode permanecer no governo o secertário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Seu relacionamento no mínimo intenso com um acusado de contrabando é um dos maiores absurdos já observados em qualquer governo no mundo.
Pior, o chinês Li Kwok Kwen, o acusado de contrabando em proporções literalmente chinesas, se fazia passar por autoridade do governo brasileiro na China. Como é possível que Tuma Júnior tenha ocupado tal cargo?
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
A única voz na imprensa brasileira que se insurge contra a idnependência do Banco Central é a do veterano jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo. Ele considera que é um atentado à democracia que um “funcionário subalterno, como o presidente do BC, não possa ser questionado pelo presidente da República, seu chefe e patrão”.
O raciocínio é torto e omite, talvez de forma proposital, a verdadeira função de um Banco Central na economia e na política econômica de um país.
A solução adotada no Brasil não é a ideal, já que o presidente do BC é nomeado pelo governante de plantão, criando um evidente conflito de interesses.
A chamada autoridade monetária é um órgão eminentemente técnico, que não pode ficar à mercê dos ventos políticos do ocupante do Palácio do Planalto, por mais que este defenda e mantenha a independência de atuação do BC.
Apesar desa deformação de estreutura governamental, fez bem Lula em dar apoio e autonomia a Henrique Meirelles no Banco Central.
Enquanto não atingimos o mesmo esquema que vigora na maioria dos países europeus, onde o Banco Central é independente e seu presidente é escolhido deforma técnica, não pelo governo, a postura de Lula tem de ser elogiada e mantida.
O Banco Central não pode ficar à mercê da politicalha ideológica e partidária, coisas nefastas que podem destruir a economia de uma nação. E torçamos para que José Serra não seja eleito, já que é um “inimigo” da independência do BC.
Ninguém ganha quando há censura
Instigado por um alerta do assíduo leitor Antonio Sena, de São Bernardo, vale o questionamento: como se posicionar diante da decisão judicial em favor do prefeito Luiz Marinho que impede o Diário do Grande ABC de citar o nome do prefeito em reportagens sobre o descarte de móveis nas repartições públicas de São Bernardo?
Escrevi no final de semana mais uma crítica a respeito do silêncio da sociedade, em especial do PT e de lideranças de esquerda, sobre a censura prévia imposta pela Justiça Federal ao Estadão por conta de reportagens sobre irregularidades cometidas por um filho do senados José Sarney.
A censura prévia determinada pela Justiça já dura 284 dias e é um dos episódios mais indecentes da história recente do Brasil, e que está sendo veementemente condenada mundo afora.
No texto anterior, não sabia ainda da determinação judicial que beneficiava o prefeito Marinho. Não gostei do desfecho do episódio, ainda que seja provisório e caiba recurso.
Abomino toda e qualquer restrição à liberdade de imprensa, opinião e expressão. Qualquer tipo de censura é odiosa. Censura prévia é a mais odiosa de todas.
A diferença entre os dois casos é que o DGABC ainda conseguiu publicar a primeira matéria. O Estadão nem esse direito teve, já que o desembargador que tomou a decisão, além de ser incompetente e leniente, é amicíssimo da família Sarney.
De qualquer forma, a iniciativa do prefeito e a decisão que lhe foi favorável pegou muito mal. Marinho sempre teve uma relação boa com a imprensa e com os jornalistas.
Aprendeu bastante como presidente nacional da CUT e melhorou muito a sua postura como ministro da Previdência e do Trabalho. São quase 30 anos de militância política e sindical, e igual experiência com jornalistas. Sabe como a imprensa funciona.
A tentativa de censura ao DGABC não apenas atenta contra a liberdade imprensa e de expressão, mas contra uma biografia pública marcada pela defesa da democracia, defesa intransigente dos direitos humanos, de liberdade de expressão e de opinião.
Pior ainda: dá oxigênio ao cada vez mais irrelevante e moribundo DGABC, um jornal que perde prestígio e credibilidade a cada dia.
É notória a campanha abjeta que o jornal faz contra a Prefeitura de São Bernardo e Marinho. Só que a incompetência para fazer isso é tão grande que o jornal frequentemente é desmoralizado nas ruas, nas bancas de jornais e nas redações de veículos diversos por aí.
Quando Marinho consegue decisão judicial que censura a continuidade das reportagens sobre assunto, dá importância a um assunto que não merece esse destaque - o texto original é muito ruim, cheio de falhas e “buracos”, mal escrito e malfeito.
A questão devolve, ainda que momentaneamente, uma importância indevida que o tal jornal não tem mais e não terá mais.
E encobre o competente trabalho que a assessoria de imprensa de São Bernardo no desmonte dos ataques mais estapafúrdios do DGABC contra a administração Marinho - não que isso seja difícil, já que falta competência mínima ao jornal.
Com o fim da execrável Lei de Imprensa, a Justiça se tornou o local adequado para resolver questões de dano moral, calúnia, injúria e difamação. Quem se sente lesado tem todo o direito de ir à Justiça e processar quem quer que seja.
No entanto, recorrer à Justiça para se prevenir contra o dano/dolo eventual, antes mesmo que seja praticado, apenas e tão somente por haver uma presunção de que ocorrerá, é inaceitável sob todos os aspectos.
Assim como o Estadão, o DGABC tem de recorrer da decisão e denunciar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) o magistrado inepto que tomou a decisão de censurar as reportagens.
Cabe a Luiz Marinho, de posse de todos os textos que venham a ser publicados sobre o assunto, derrubar todos os pontos da frágil reportagem e processar o DGABC por danos morais. É assim que se faz em uma democracia moderna e em sociedades civilizadas e livres, como se supõe que seja, ainda que em partes, no Brasil.
Instigado por um alerta do assíduo leitor Antonio Sena, de São Bernardo, vale o questionamento: como se posicionar diante da decisão judicial em favor do prefeito Luiz Marinho que impede o Diário do Grande ABC de citar o nome do prefeito em reportagens sobre o descarte de móveis nas repartições públicas de São Bernardo?
Escrevi no final de semana mais uma crítica a respeito do silêncio da sociedade, em especial do PT e de lideranças de esquerda, sobre a censura prévia imposta pela Justiça Federal ao Estadão por conta de reportagens sobre irregularidades cometidas por um filho do senados José Sarney.
A censura prévia determinada pela Justiça já dura 284 dias e é um dos episódios mais indecentes da história recente do Brasil, e que está sendo veementemente condenada mundo afora.
No texto anterior, não sabia ainda da determinação judicial que beneficiava o prefeito Marinho. Não gostei do desfecho do episódio, ainda que seja provisório e caiba recurso.
Abomino toda e qualquer restrição à liberdade de imprensa, opinião e expressão. Qualquer tipo de censura é odiosa. Censura prévia é a mais odiosa de todas.
A diferença entre os dois casos é que o DGABC ainda conseguiu publicar a primeira matéria. O Estadão nem esse direito teve, já que o desembargador que tomou a decisão, além de ser incompetente e leniente, é amicíssimo da família Sarney.
De qualquer forma, a iniciativa do prefeito e a decisão que lhe foi favorável pegou muito mal. Marinho sempre teve uma relação boa com a imprensa e com os jornalistas.
Aprendeu bastante como presidente nacional da CUT e melhorou muito a sua postura como ministro da Previdência e do Trabalho. São quase 30 anos de militância política e sindical, e igual experiência com jornalistas. Sabe como a imprensa funciona.
A tentativa de censura ao DGABC não apenas atenta contra a liberdade imprensa e de expressão, mas contra uma biografia pública marcada pela defesa da democracia, defesa intransigente dos direitos humanos, de liberdade de expressão e de opinião.
Pior ainda: dá oxigênio ao cada vez mais irrelevante e moribundo DGABC, um jornal que perde prestígio e credibilidade a cada dia.
É notória a campanha abjeta que o jornal faz contra a Prefeitura de São Bernardo e Marinho. Só que a incompetência para fazer isso é tão grande que o jornal frequentemente é desmoralizado nas ruas, nas bancas de jornais e nas redações de veículos diversos por aí.
Quando Marinho consegue decisão judicial que censura a continuidade das reportagens sobre assunto, dá importância a um assunto que não merece esse destaque - o texto original é muito ruim, cheio de falhas e “buracos”, mal escrito e malfeito.
A questão devolve, ainda que momentaneamente, uma importância indevida que o tal jornal não tem mais e não terá mais.
E encobre o competente trabalho que a assessoria de imprensa de São Bernardo no desmonte dos ataques mais estapafúrdios do DGABC contra a administração Marinho - não que isso seja difícil, já que falta competência mínima ao jornal.
Com o fim da execrável Lei de Imprensa, a Justiça se tornou o local adequado para resolver questões de dano moral, calúnia, injúria e difamação. Quem se sente lesado tem todo o direito de ir à Justiça e processar quem quer que seja.
No entanto, recorrer à Justiça para se prevenir contra o dano/dolo eventual, antes mesmo que seja praticado, apenas e tão somente por haver uma presunção de que ocorrerá, é inaceitável sob todos os aspectos.
Assim como o Estadão, o DGABC tem de recorrer da decisão e denunciar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) o magistrado inepto que tomou a decisão de censurar as reportagens.
Cabe a Luiz Marinho, de posse de todos os textos que venham a ser publicados sobre o assunto, derrubar todos os pontos da frágil reportagem e processar o DGABC por danos morais. É assim que se faz em uma democracia moderna e em sociedades civilizadas e livres, como se supõe que seja, ainda que em partes, no Brasil.
O novo torcedor
O novo torcedor de futebol é mais exigente e gasta mais. Só que quer conforto e ser muito bem tratado. Enfim, o novo torcedor entendeu que é um consumidor, e que está disposto a pagar mais, se for o caso, para ter acesso a um espetáculo decente.
A diretoria do Corinthians deverá anunciar em breve, se é que já não o fez, que vai dobrar o preço dos ingressos das partidas do time nas fases seguintes da Copa Libertadores.
O chamado torcedor comum corintiano já tem hoje poucas chances de assistir a um jogo da equipe no estádio do Pacaembu por conta da política de arrecadação ao extremo de dinheiro.
Parte dos ingressos é destinada às nefastas torcidas organizadas, que sustentam politicamente a diretoria. O restante, a imensa maioria dos bilhetes restantes, está disponível aos torcedores que adquiriram o pacote sócio-torcedor, com privilégios na hora de compra de produtos e entradas.
A política adotada agora pelo Corinthians é a mais exacerbada de uma tendência que é sucesso no Rio Grande do Sul, onde Internacional e Grêmio lotam suas arenas com sócio-torcedores que compram carnês para campeonatos inteiros.
Palmeiras, Santos e São Paulo já seguem essa tendência com mais antecedência e planejamento que a diretoria do Corinthians. No Parque Antártica, estádio palmeirense, uma operadora de cartão de crédito fez a sua experiência pioneira em São Paulo.
“Loteou” uma parte das arquibancadas do estádio e instalou 5 mil lugares numerados, onde o torcedor paga mais caro, mas pode comprar o ingresso pela internet e entrar no estádio apenas passando o cartão de crédito na catraca eletrônica.
Seu bilhete é numerado, ou seja, tem cadeira garantida. É recepcionado por monitores bem treinados e bilíngues e, se quiser, tem acesso a uma lanchonete high tech perto de seu assento, com várias TVs de LCD que transmitem a partida.
A iniciativa foi um sucesso. Deu tão certo que a mesma operadora de cartões de crédito levou a ideia para a Vila Belmiro, estádio do Santos, e para o Morumbi, que é do São Paulo.
Os dirigentes do São Paulo, por sua vez, implantaram um esquema bem interessante de venda de camarotes fechados para empresas ou grupos.
Para isso, teve de reduzir a capacidade do estádio no anel intermediário, mas consegue arrecadação extra que jamais teria se tivesse de vender ingressos das antigas “cadeiras numeradas”.
Muitas vozes do atraso já se levantam e ficam batendo na mesma tecla, a da elitização do futebol, o esporte nacional do Brasil. Com um viés equivocado e ideologizado, esbravejam contra o que chamam de “exclusão” social nos estádios do país.
Pura bobagem. São os mesmos coitados que se calam diante da “elitização” dos teatros brasileiros, com seus ingressos que não custam menos de R$ 60. E que também se calam com ingressos que custam até R$ 25 nos cinemas, hoje enclausurados em shopping centers.
Esse pessoal se esquece que os frequentadores de teatro e cinema atuais não reclamam do preço que pagam, pois sabem que terão conforto, segurança e boas condições de assistir ao espetáculo.
Essas mesmas vozes do atraso também se calam diante do descalabro que se tornou a emissão de carteiras de estudante falsas em todo o país, causando prejuízos a agentes culturais e esportivos.
A tendência do futebol brasileiro de primeiro nível é a já observada na Inglaterra, Espanha e Alemanha e em alguns estádios da Holanda. O espetáculo cresceu, ficou maior, e mais caro. Os clubes precisam arrecadar mais e não podem desprezar a bilheteria.
A Inglaterra mudou a sua cultura futebolística, com a modernização das renas, da profissionalização dos clubes e com o aumento dos ingressos, o que acabou por afastar bandidos, hooligans e desordeiros de toda a ordem.
Não há registros nos últimos 15 anos de insatisfação dos torcedores ingleses com o enriquecimento de seus clubes e da melhora geral no espetáculo. Que seja bem-vindo o novo torcedor.
O novo torcedor de futebol é mais exigente e gasta mais. Só que quer conforto e ser muito bem tratado. Enfim, o novo torcedor entendeu que é um consumidor, e que está disposto a pagar mais, se for o caso, para ter acesso a um espetáculo decente.
A diretoria do Corinthians deverá anunciar em breve, se é que já não o fez, que vai dobrar o preço dos ingressos das partidas do time nas fases seguintes da Copa Libertadores.
O chamado torcedor comum corintiano já tem hoje poucas chances de assistir a um jogo da equipe no estádio do Pacaembu por conta da política de arrecadação ao extremo de dinheiro.
Parte dos ingressos é destinada às nefastas torcidas organizadas, que sustentam politicamente a diretoria. O restante, a imensa maioria dos bilhetes restantes, está disponível aos torcedores que adquiriram o pacote sócio-torcedor, com privilégios na hora de compra de produtos e entradas.
A política adotada agora pelo Corinthians é a mais exacerbada de uma tendência que é sucesso no Rio Grande do Sul, onde Internacional e Grêmio lotam suas arenas com sócio-torcedores que compram carnês para campeonatos inteiros.
Palmeiras, Santos e São Paulo já seguem essa tendência com mais antecedência e planejamento que a diretoria do Corinthians. No Parque Antártica, estádio palmeirense, uma operadora de cartão de crédito fez a sua experiência pioneira em São Paulo.
“Loteou” uma parte das arquibancadas do estádio e instalou 5 mil lugares numerados, onde o torcedor paga mais caro, mas pode comprar o ingresso pela internet e entrar no estádio apenas passando o cartão de crédito na catraca eletrônica.
Seu bilhete é numerado, ou seja, tem cadeira garantida. É recepcionado por monitores bem treinados e bilíngues e, se quiser, tem acesso a uma lanchonete high tech perto de seu assento, com várias TVs de LCD que transmitem a partida.
A iniciativa foi um sucesso. Deu tão certo que a mesma operadora de cartões de crédito levou a ideia para a Vila Belmiro, estádio do Santos, e para o Morumbi, que é do São Paulo.
Os dirigentes do São Paulo, por sua vez, implantaram um esquema bem interessante de venda de camarotes fechados para empresas ou grupos.
Para isso, teve de reduzir a capacidade do estádio no anel intermediário, mas consegue arrecadação extra que jamais teria se tivesse de vender ingressos das antigas “cadeiras numeradas”.
Muitas vozes do atraso já se levantam e ficam batendo na mesma tecla, a da elitização do futebol, o esporte nacional do Brasil. Com um viés equivocado e ideologizado, esbravejam contra o que chamam de “exclusão” social nos estádios do país.
Pura bobagem. São os mesmos coitados que se calam diante da “elitização” dos teatros brasileiros, com seus ingressos que não custam menos de R$ 60. E que também se calam com ingressos que custam até R$ 25 nos cinemas, hoje enclausurados em shopping centers.
Esse pessoal se esquece que os frequentadores de teatro e cinema atuais não reclamam do preço que pagam, pois sabem que terão conforto, segurança e boas condições de assistir ao espetáculo.
Essas mesmas vozes do atraso também se calam diante do descalabro que se tornou a emissão de carteiras de estudante falsas em todo o país, causando prejuízos a agentes culturais e esportivos.
A tendência do futebol brasileiro de primeiro nível é a já observada na Inglaterra, Espanha e Alemanha e em alguns estádios da Holanda. O espetáculo cresceu, ficou maior, e mais caro. Os clubes precisam arrecadar mais e não podem desprezar a bilheteria.
A Inglaterra mudou a sua cultura futebolística, com a modernização das renas, da profissionalização dos clubes e com o aumento dos ingressos, o que acabou por afastar bandidos, hooligans e desordeiros de toda a ordem.
Não há registros nos últimos 15 anos de insatisfação dos torcedores ingleses com o enriquecimento de seus clubes e da melhora geral no espetáculo. Que seja bem-vindo o novo torcedor.
terça-feira, maio 18, 2010
Carta Aberta de Lars Ulrich para Ronnie James Dio
do blog Lágrima Psicodélica
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, escreveu a seguinte carta aberta ao lendário cantor de heavy metal Ronnie James Dio(DIO, HEAVEN & HELL, BLACK SABBATH, RAINBOW):
Caro Ronnie,
Acabei de sair do palco em Zagreb. Acabei de saber da notícia que você faleceu. Eu estou em estado de choque, mas eu queria que você soubesse que você foi uma das principais razões de eu estar nesse negócio, para começar.
Quando eu o vi pela primeira vez com o Elf, abrindo para o Deep Purple em 1975, eu estava completamente encantado pelo poder de sua voz, sua presença no palco, sua confiança, e a facilidade com que você parecia se conectar com 6.000 pessoas dinamarquêsas e um sonhador de 11 anos de idade, a maioria dos quais não estavam familiarizados com a música do Elf.
No ano seguinte eu fiquei tão empolgado quando ouvi as notícias de que uniria forças com o meu guitarrista favorito. Vocês soaram tão bem juntos e eu instantaneamente me tornei o fã nº 1 do Rainbow na Dinamarca.
No outono de 1976, quando você fez seu primeiro show em Copenhagen, eu estava literalmente na fila da frente e as duas vezes que fizemos contato com os olhos você me fez sentir como a pessoa mais importante do mundo.
A notícia de que vocês ficariam hospedados na cidade no seu dia de folga embutiu em mim de alguma forma, no meu cérebro, e eu fiz a peregrinação ao Hotel Plaza para ver se eu poderia de algum modo pegar uma foto, um autógrafo, um momento, qualquer coisa.
Poucas horas depois você saiu e foi muito gentil e atencioso... fotos, autógrafos e alguns minutos de brincadeira casual. Eu estava no topo do mundo, inspirado e pronto para qualquer coisa.
O Rainbow veio a Copenhagen mais algumas vezes ao longo dos próximos anos e cada vez que vocês estiveram aqui, a banda fundiu minha mente, e por uns bons três anos, foram a minha banda favorita absoluta no planeta.
Ao longo dos anos tive a sorte suficiente de me encontrar com você uma meia dúzia de vezes ou menos e cada vez você estava tão amável, atencioso e gentil como você estava em 1976, fora do hotel.
Quando finalmente tivemos a chance de tocar juntos na Áustria em 2007, eu estava literalmente voltando a ser aquele moleque seboso que você conheceu e inspirou 31 anos atrás e foi uma baita honra e um sonho partilhar um palco com você e com o resto das lendas do HEAVEN & HELL.
Um par de semanas atrás, quando eu soube que você não ia ser capaz de se apresentar conosco no Sonisphere, em junho deste ano, eu quis te ligar e deixá-lo saber que eu estava pensando em você e desejando-lhe o bem, mas eu meio que me acovardei, pensando que a última coisa que você precisava em sua recuperação era se sentir obrigado a atender um telefonema de um baterista dinamarquês/fanboy. Eu hoje gostaria de ter feito essa ligação.
Vamos sentir sua falta imensamente nestas datas, e estaremos pensando em você com grande admiração e carinho durante esse prazo. Pareceme bom tê-lo em turnê com o chamado 'Big Four' pois, obviamente, você foi uma das principais razões de as quatro bandas terem existido.
Suas orelhas se queimarão durante essas duas semanas, porque todos nós vamos estar falando, relembrando e contando histórias sobre como ter te conhecido fez a nossa vida muito melhor.
Ronnie, sua voz me impactou e deu poderes, a sua música inspirou e influenciou-me, e sua bondade me tocou e me comoveu. Obrigado.
Muito amor,
Lars
do blog Lágrima Psicodélica
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, escreveu a seguinte carta aberta ao lendário cantor de heavy metal Ronnie James Dio(DIO, HEAVEN & HELL, BLACK SABBATH, RAINBOW):
Caro Ronnie,
Acabei de sair do palco em Zagreb. Acabei de saber da notícia que você faleceu. Eu estou em estado de choque, mas eu queria que você soubesse que você foi uma das principais razões de eu estar nesse negócio, para começar.
Quando eu o vi pela primeira vez com o Elf, abrindo para o Deep Purple em 1975, eu estava completamente encantado pelo poder de sua voz, sua presença no palco, sua confiança, e a facilidade com que você parecia se conectar com 6.000 pessoas dinamarquêsas e um sonhador de 11 anos de idade, a maioria dos quais não estavam familiarizados com a música do Elf.
No ano seguinte eu fiquei tão empolgado quando ouvi as notícias de que uniria forças com o meu guitarrista favorito. Vocês soaram tão bem juntos e eu instantaneamente me tornei o fã nº 1 do Rainbow na Dinamarca.
No outono de 1976, quando você fez seu primeiro show em Copenhagen, eu estava literalmente na fila da frente e as duas vezes que fizemos contato com os olhos você me fez sentir como a pessoa mais importante do mundo.
A notícia de que vocês ficariam hospedados na cidade no seu dia de folga embutiu em mim de alguma forma, no meu cérebro, e eu fiz a peregrinação ao Hotel Plaza para ver se eu poderia de algum modo pegar uma foto, um autógrafo, um momento, qualquer coisa.
Poucas horas depois você saiu e foi muito gentil e atencioso... fotos, autógrafos e alguns minutos de brincadeira casual. Eu estava no topo do mundo, inspirado e pronto para qualquer coisa.
O Rainbow veio a Copenhagen mais algumas vezes ao longo dos próximos anos e cada vez que vocês estiveram aqui, a banda fundiu minha mente, e por uns bons três anos, foram a minha banda favorita absoluta no planeta.
Ao longo dos anos tive a sorte suficiente de me encontrar com você uma meia dúzia de vezes ou menos e cada vez você estava tão amável, atencioso e gentil como você estava em 1976, fora do hotel.
Quando finalmente tivemos a chance de tocar juntos na Áustria em 2007, eu estava literalmente voltando a ser aquele moleque seboso que você conheceu e inspirou 31 anos atrás e foi uma baita honra e um sonho partilhar um palco com você e com o resto das lendas do HEAVEN & HELL.
Um par de semanas atrás, quando eu soube que você não ia ser capaz de se apresentar conosco no Sonisphere, em junho deste ano, eu quis te ligar e deixá-lo saber que eu estava pensando em você e desejando-lhe o bem, mas eu meio que me acovardei, pensando que a última coisa que você precisava em sua recuperação era se sentir obrigado a atender um telefonema de um baterista dinamarquês/fanboy. Eu hoje gostaria de ter feito essa ligação.
Vamos sentir sua falta imensamente nestas datas, e estaremos pensando em você com grande admiração e carinho durante esse prazo. Pareceme bom tê-lo em turnê com o chamado 'Big Four' pois, obviamente, você foi uma das principais razões de as quatro bandas terem existido.
Suas orelhas se queimarão durante essas duas semanas, porque todos nós vamos estar falando, relembrando e contando histórias sobre como ter te conhecido fez a nossa vida muito melhor.
Ronnie, sua voz me impactou e deu poderes, a sua música inspirou e influenciou-me, e sua bondade me tocou e me comoveu. Obrigado.
Muito amor,
Lars
Rest in peace, Dio
Ronnie James Dio morreu na manhã do último domingo em Los Angeles, vítima de um câncer no estômago descoberto no ano passado. Foi provavelmente um dos cinco melhores cantores/vocalista de rock (ao lado de Ian Gillan, Mick Jagger, Roger Daltrey e Robert Plant). Cantou no ELF, Rainbow, Black Sabbath, Heaven and Hell e tinha carreira solo consistente com a banda Dio.
Oficialmente tinha 67 anos de idade, mas ele sempre escondeu a idade, o que fez muitos especularem que sua idade realm seria 70. Que seja, fará muita falta ao heavy metal e ao rock.
DIO - "RAINBOW IN THE DARK"
HEAVEN AND HELL/BLACK SABBATH - "HEAVEN AND HELL"
Ronnie James Dio morreu na manhã do último domingo em Los Angeles, vítima de um câncer no estômago descoberto no ano passado. Foi provavelmente um dos cinco melhores cantores/vocalista de rock (ao lado de Ian Gillan, Mick Jagger, Roger Daltrey e Robert Plant). Cantou no ELF, Rainbow, Black Sabbath, Heaven and Hell e tinha carreira solo consistente com a banda Dio.
Oficialmente tinha 67 anos de idade, mas ele sempre escondeu a idade, o que fez muitos especularem que sua idade realm seria 70. Que seja, fará muita falta ao heavy metal e ao rock.
DIO - "RAINBOW IN THE DARK"
HEAVEN AND HELL/BLACK SABBATH - "HEAVEN AND HELL"
segunda-feira, maio 10, 2010
A melhor música da atualidade
A maior sensação da música popular instrumental brasileira atual é um trio de Cuiabá (MT). Misturando rock pesado com experimentações e sonoridades regionais, o Macaco Bong consegue agradar aos radicais do rock e aos puristas do jazz.
A melhor definição do som dos cidadãos mato-grossenses veio de João Marcelo Bôscoli, da gravadora Trama, que apadrinhou o trio: "Baseado na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e aliada à linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz/fusion/pop e etc, o Macaco Bong sempre busca nunca concretizar rótulos relativos às variedades nas vertentes dos gêneros musicais em suas composições, tudo isso aplicado tanto na estética quanto no conteúdo do rock'n'roll".
Seu único álbum até agora é "Artista Igual a Pedreiro", um dos campeões de downloads legais no site da Trama.
Mobilis Stabilis é um quinteto composto por veteranos da cena roqueira de São Paulo. iderado pelo guitarista Hélcio Aguirra, do Golpe de Estado, e formado por grandes músicos brasileiros, como Ney Haddad, Alaor Neves, João Luis Braguetta e Nobuga, o grupo faz o encontro de influências musicais as mais diversas que vão do rock progressivo à música indiana, do jazz fusion à música erudita.
O produto é o que chamam de "rock edge instrumental" - uma síntese diferenciada dessas múltiplas referências. O grupo acaba de lançar seu terceiro CD "Andando no Arame".
O Neural Code segue uma linha parecida ao do Mobilis Stabilis. Formado por Cuca Teixeira (bateria), Kiko Loureiro (guitarrista do Angra) e Thiago Espirito Santo (baixo), o trio apresenta uma interessante mistura de instrumental, rock e jazz, criando uma sonoridade contemporânea e brasileira.
É o que podemos chamar de "jam band", quando músicos virtuosos se reúnem para muito improviso em várias jam sessions.
Kiko Loureiro deixa de lado os solos velocíssimos e aposta na limpeza dos timbres e das notas, revelando uma veia jazzística surpreendente para quem o ouve no ótimo metal progressivo do Angra.
Quem rouba a cena, no entanto, é Thiago Espirito Santo, baixista vistuoso e eclético que já tocou com Hamilton de Holanda, Yamandú Costa, Toninho Horta e Hermeto Pascoal.
"NOISE JAMES" - MACACO BONG
"PENSATIVO" - NEURAL CODE
"MR. ED" - MOBILIS STABILIS
A maior sensação da música popular instrumental brasileira atual é um trio de Cuiabá (MT). Misturando rock pesado com experimentações e sonoridades regionais, o Macaco Bong consegue agradar aos radicais do rock e aos puristas do jazz.
A melhor definição do som dos cidadãos mato-grossenses veio de João Marcelo Bôscoli, da gravadora Trama, que apadrinhou o trio: "Baseado na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e aliada à linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz/fusion/pop e etc, o Macaco Bong sempre busca nunca concretizar rótulos relativos às variedades nas vertentes dos gêneros musicais em suas composições, tudo isso aplicado tanto na estética quanto no conteúdo do rock'n'roll".
Seu único álbum até agora é "Artista Igual a Pedreiro", um dos campeões de downloads legais no site da Trama.
Mobilis Stabilis é um quinteto composto por veteranos da cena roqueira de São Paulo. iderado pelo guitarista Hélcio Aguirra, do Golpe de Estado, e formado por grandes músicos brasileiros, como Ney Haddad, Alaor Neves, João Luis Braguetta e Nobuga, o grupo faz o encontro de influências musicais as mais diversas que vão do rock progressivo à música indiana, do jazz fusion à música erudita.
O produto é o que chamam de "rock edge instrumental" - uma síntese diferenciada dessas múltiplas referências. O grupo acaba de lançar seu terceiro CD "Andando no Arame".
O Neural Code segue uma linha parecida ao do Mobilis Stabilis. Formado por Cuca Teixeira (bateria), Kiko Loureiro (guitarrista do Angra) e Thiago Espirito Santo (baixo), o trio apresenta uma interessante mistura de instrumental, rock e jazz, criando uma sonoridade contemporânea e brasileira.
É o que podemos chamar de "jam band", quando músicos virtuosos se reúnem para muito improviso em várias jam sessions.
Kiko Loureiro deixa de lado os solos velocíssimos e aposta na limpeza dos timbres e das notas, revelando uma veia jazzística surpreendente para quem o ouve no ótimo metal progressivo do Angra.
Quem rouba a cena, no entanto, é Thiago Espirito Santo, baixista vistuoso e eclético que já tocou com Hamilton de Holanda, Yamandú Costa, Toninho Horta e Hermeto Pascoal.
"NOISE JAMES" - MACACO BONG
"PENSATIVO" - NEURAL CODE
"MR. ED" - MOBILIS STABILIS
Cresce o interese pela música instrumental
Música popular instrumental de qualidade no Brasil quase sempre ficou restrita ao chorinho e ao chamado brazilian jazz, que misturava bossa nova, MPB e dixie jazz.
No rock, sempre houve algumas tentativas isoladas de ótimos artistas e instrumentistas com trabalho autoral em bandas ou mesmo em trabalhos solo, mas que, quando partiam para algo mais alternativo, esbarravam ora no virtuosismo, ora na falta de feeling pura e simples.
Recentemente tivemso exemplos interessantes, mas de pouca repercussão, infelizmente. Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, lançou no ano passado "Hubris I and II", um trabalho distante do heavy metal, com muita influência da música brasileira, música árabe e do jazz, além de investir pesado no experimentalismo.
Kiko Loureiro, guitarrista do Angra, já tem três trabalhos solos excelentes - "No Gravity", "Universo Inverso" e "Fullblast". Deixa o experimentalismo de lado e investe mais em sonoridades tradicionais do rock misturadas com influências étnicas da MPB, música africada e oriental.
Rafael Bittencourt, outro guitarrista do Angra, mantém um grupo paralelo, o Bittencourt Project, que lançou há dois anos "Brainstorm I", que não é totalmente instrumental, mas tem passagens muito interessantes inspiradas no puro heavy metal.
Eduardo Ardanuy é um dos melhores guitarristas jpa nascidos no Brasil. Integrante do ótimo Dr. Sin, mantém um projeto solo, o Tritone, onde abusa do jazz rock, e uma carreira solo com o excelente "Electric Nightmare", álbum pesado, mas com referências ao jazz e à música brasileira.
Merecem destaque ainda instrumentistas fantásticos com trabalhos igualmente excelentes, mas que não recebem a mínima atenção da mídia. São os casos de Silas Fernandes, guitarrista que lançou o bom "14 Years" recentemente, Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado, e o talentoso baixista Zuzo Moussawer, com três CDs lançados, sendo o mais recente "Express".
Os maiores destaques atuais da música popular instrumental brasileira são três grupos que têm o rock pesado como base: Macaco Bong, Neural Code e Mobilis Stabilis, que serão analisados e divulgados em breve.
"EM BUSCA DO OURO" - ANDREAS KISSER
"NO GRAVITY" - KIKO LOUREIRO
Música popular instrumental de qualidade no Brasil quase sempre ficou restrita ao chorinho e ao chamado brazilian jazz, que misturava bossa nova, MPB e dixie jazz.
No rock, sempre houve algumas tentativas isoladas de ótimos artistas e instrumentistas com trabalho autoral em bandas ou mesmo em trabalhos solo, mas que, quando partiam para algo mais alternativo, esbarravam ora no virtuosismo, ora na falta de feeling pura e simples.
Recentemente tivemso exemplos interessantes, mas de pouca repercussão, infelizmente. Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, lançou no ano passado "Hubris I and II", um trabalho distante do heavy metal, com muita influência da música brasileira, música árabe e do jazz, além de investir pesado no experimentalismo.
Kiko Loureiro, guitarrista do Angra, já tem três trabalhos solos excelentes - "No Gravity", "Universo Inverso" e "Fullblast". Deixa o experimentalismo de lado e investe mais em sonoridades tradicionais do rock misturadas com influências étnicas da MPB, música africada e oriental.
Rafael Bittencourt, outro guitarrista do Angra, mantém um grupo paralelo, o Bittencourt Project, que lançou há dois anos "Brainstorm I", que não é totalmente instrumental, mas tem passagens muito interessantes inspiradas no puro heavy metal.
Eduardo Ardanuy é um dos melhores guitarristas jpa nascidos no Brasil. Integrante do ótimo Dr. Sin, mantém um projeto solo, o Tritone, onde abusa do jazz rock, e uma carreira solo com o excelente "Electric Nightmare", álbum pesado, mas com referências ao jazz e à música brasileira.
Merecem destaque ainda instrumentistas fantásticos com trabalhos igualmente excelentes, mas que não recebem a mínima atenção da mídia. São os casos de Silas Fernandes, guitarrista que lançou o bom "14 Years" recentemente, Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado, e o talentoso baixista Zuzo Moussawer, com três CDs lançados, sendo o mais recente "Express".
Os maiores destaques atuais da música popular instrumental brasileira são três grupos que têm o rock pesado como base: Macaco Bong, Neural Code e Mobilis Stabilis, que serão analisados e divulgados em breve.
"EM BUSCA DO OURO" - ANDREAS KISSER
"NO GRAVITY" - KIKO LOUREIRO
terça-feira, maio 04, 2010
Justiça soterra mais uma ação de fumante oportunista
Em tempos de cruzada contra os fumantes no Estado de São Paulo, essa notícia acaba ganhando outra dimensão. A ideia ridícula de que o fumante pode responsabilizar a indústria por seus problemas de saúde porque fumou a vida inteira cai por terra.
Ainda bem que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) está atento às iniciativas de fumantes oportunistas. Que fiquem todos com seus pulmões comprometidos e não incomodem mais ninguém.
Por unanimidade (3X0), a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou o pedido de indenização por danos morais pleiteado pelos familiares do ex-fumante Vitorino Mattiazzi, cujo valor estimado era de R$ 490 mil.
Essa foi a primeira vez que o STJ avaliou o mérito de uma ação indenizatória por danos atribuídos ao consumo de cigarros, decisão essa que confirma o entendimento majoritário adotado pelos tribunais brasileiros, em primeira e segunda instâncias, em decisões já proferidas sobre a matéria em casos similares.
Em todas as 290 ações indenizatórias com decisões definitivas os pedidos indenizatórios dos fumantes, ex-fumantes ou seus familiares foram negados.
O caso teve início em 2005 na justiça de Cerro Largo (490 km de Porto Alegre - RS), quando a viúva de Vitorino Mattiazzi propôs ação alegando que seu marido, desconhecendo os males associados ao consumo de cigarros.
Ele teria sido induzido por propaganda enganosa e falecido de males respiratórios atribuídos pela viúva, exclusivamente, ao consumo dos cigarros fabricados pela Souza Cruz. Como reparação, solicitava indenização por danos morais em valor superior a 2 mil salários mínimos.
Em primeira instância, o juiz Guilherme Eugênio Mafassioli Corrêa não acolheu a tese do “desconhecimento” dos eventuais malefícios à saúde que o consumo de cigarro poderia causar, destacando, ainda, que o comércio de cigarros é lícito e que não há como provar que a pessoa consumiu exclusivamente os produtos fabricados pela Souza Cruz, já que estes não são os únicos disponíveis no mercado.
Além disso, ressaltou que “não há como responsabilizar terceiros por atitude cuja resolução seja eminentemente própria, individual, como é o caso. Mesmo que fosse status fumar quando Vitorino iniciou tal atividade, poderia ter optado por não fumar. Certamente há pessoas que assim o fizeram”.
A autora recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), onde os desembargadores acolheram o pedido de indenização, determinando que a Souza Cruz deveria ter provado que os cigarros fumados pelo Sr. Mattiazzi não eram de sua fabricação.
Ademais, o relator do caso entendeu com base em dados extraídos da internet que a doença do Sr. Mattiazzi teria sido causada pelo consumo de cigarros, presumindo, assim, o nexo causal.
A Souza Cruz então ingressou com um recurso especial no STJ, o qual foi provido na sessão de hoje. Os ministros da 4ª Turma confirmaram, por decisão unânime (3×0), o entendimento de que o cigarro é um produto de periculosidade inerente, cujo consumo se dá por decisão exclusiva do consumidor e que no âmbito da responsabilidade civil não se pode estabelecer o nexo causal com base em presunção, ou seja, com fundamento em dados estatísticos.
Além disso, o ministro relator mencionou que a propaganda de cigarros não interfere no livre arbítrio dos consumidores, que podem optar ou não por fumar. Esses, dentre outros fatores, segundo os ministros, excluem a responsabilidade dos fabricantes de cigarros por danos atribuídos ao consumo do produto.
Este foi o primeiro pronunciamento de mérito do STJ sobre a matéria, que, até então, só havia se manifestado sobre a questão da prescrição aplicável a demandas dessa natureza, unificando o entendimento de o prazo a ser aplicado é o de cinco anos previsto no CDC.
Em tempos de cruzada contra os fumantes no Estado de São Paulo, essa notícia acaba ganhando outra dimensão. A ideia ridícula de que o fumante pode responsabilizar a indústria por seus problemas de saúde porque fumou a vida inteira cai por terra.
Ainda bem que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) está atento às iniciativas de fumantes oportunistas. Que fiquem todos com seus pulmões comprometidos e não incomodem mais ninguém.
Por unanimidade (3X0), a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou o pedido de indenização por danos morais pleiteado pelos familiares do ex-fumante Vitorino Mattiazzi, cujo valor estimado era de R$ 490 mil.
Essa foi a primeira vez que o STJ avaliou o mérito de uma ação indenizatória por danos atribuídos ao consumo de cigarros, decisão essa que confirma o entendimento majoritário adotado pelos tribunais brasileiros, em primeira e segunda instâncias, em decisões já proferidas sobre a matéria em casos similares.
Em todas as 290 ações indenizatórias com decisões definitivas os pedidos indenizatórios dos fumantes, ex-fumantes ou seus familiares foram negados.
O caso teve início em 2005 na justiça de Cerro Largo (490 km de Porto Alegre - RS), quando a viúva de Vitorino Mattiazzi propôs ação alegando que seu marido, desconhecendo os males associados ao consumo de cigarros.
Ele teria sido induzido por propaganda enganosa e falecido de males respiratórios atribuídos pela viúva, exclusivamente, ao consumo dos cigarros fabricados pela Souza Cruz. Como reparação, solicitava indenização por danos morais em valor superior a 2 mil salários mínimos.
Em primeira instância, o juiz Guilherme Eugênio Mafassioli Corrêa não acolheu a tese do “desconhecimento” dos eventuais malefícios à saúde que o consumo de cigarro poderia causar, destacando, ainda, que o comércio de cigarros é lícito e que não há como provar que a pessoa consumiu exclusivamente os produtos fabricados pela Souza Cruz, já que estes não são os únicos disponíveis no mercado.
Além disso, ressaltou que “não há como responsabilizar terceiros por atitude cuja resolução seja eminentemente própria, individual, como é o caso. Mesmo que fosse status fumar quando Vitorino iniciou tal atividade, poderia ter optado por não fumar. Certamente há pessoas que assim o fizeram”.
A autora recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), onde os desembargadores acolheram o pedido de indenização, determinando que a Souza Cruz deveria ter provado que os cigarros fumados pelo Sr. Mattiazzi não eram de sua fabricação.
Ademais, o relator do caso entendeu com base em dados extraídos da internet que a doença do Sr. Mattiazzi teria sido causada pelo consumo de cigarros, presumindo, assim, o nexo causal.
A Souza Cruz então ingressou com um recurso especial no STJ, o qual foi provido na sessão de hoje. Os ministros da 4ª Turma confirmaram, por decisão unânime (3×0), o entendimento de que o cigarro é um produto de periculosidade inerente, cujo consumo se dá por decisão exclusiva do consumidor e que no âmbito da responsabilidade civil não se pode estabelecer o nexo causal com base em presunção, ou seja, com fundamento em dados estatísticos.
Além disso, o ministro relator mencionou que a propaganda de cigarros não interfere no livre arbítrio dos consumidores, que podem optar ou não por fumar. Esses, dentre outros fatores, segundo os ministros, excluem a responsabilidade dos fabricantes de cigarros por danos atribuídos ao consumo do produto.
Este foi o primeiro pronunciamento de mérito do STJ sobre a matéria, que, até então, só havia se manifestado sobre a questão da prescrição aplicável a demandas dessa natureza, unificando o entendimento de o prazo a ser aplicado é o de cinco anos previsto no CDC.
Em breve, pedágio para entrar em casa
Há anos a vida na Grande São Paulo está ficando insustentável. Difícil sempre foi, mas estamos chegando próximo da inviabilidade de viver em qualquer uma das principais cidades da região metropolitana.
Enquanto as cidades ficam submersas com enchentes e intermináveis e alagamentos quilométricos, o governo do Estado, em sua incompetência criminosa, demonstra toda a sua sensibilidade ao implantar um pedágio na rodovia Castelo Branco, no trecho inicial, violando qualquer noção universal de bom senso.
Os tucanos já fizeram nojeira parecida em 1995, quando implantaram pedágios em quatro entradas de São Bernardo e Diadema no sistema Anchieta-Imigrantes. A vida em Diadema ficou mais cara, já que era preciso pagar para entrar na cidade.
E o mais interessante é que essa medida desrespeitava uma lei estadual aprovada nos anos 70 que impedia a instalação de pedágios a menos de 30 quilômetros de distância da Capital.
O governo Mário Covas simplesmente ignorou a lei e conseguiu brecar todas as contestações judiciais mesmo com argumentos estapafúrdios.
Desde então os tucanos atropelam todas as noções de administração responsável e decente ao pulverizar o patrimônio do governo do Estado em vários programas no mínimo suspeitos de privatização.
As privatizações paulistas ocorreram de forma pouco transparente e sem avaliações técnicas que justificassem os preços das vendas e depois as tarifas aplicadas aos consumidores-clientes.
O pedágio que já chega quase aos R$ 20,00 no sistema Anchieta-Imigrantes (R$ 17,80 no Planalto) é justificado pela realização da segunda pista da rodovia dos Imigrantes. Deve ser o pedágio mais caro do mundo proporcionalmente.
Enquanto o modelo de concessão adotado pelo governo federal para as rodovias Dutra e Fernão Dias, entre outras, foi transparente e trouxe tarifas próximas da realidade, os tucanos paulistas permitiram que as concessionárias espalhassem pedágios por todo o Estado, sendo que alguns chegam a custar R$ 10,80 em pleno interior.
Como é possível pagar R$ 2,20 ida e volta para percorrer 150 quilômetros na rodovia Fernão Dias e R$ 17,80 para percorrer 60 quilômetros na Anchieta ou na Imigrantes?
Uma viagem de São Paulo a Votuporanga, no noroeste paulista, por exemplo, ida e volta, custa R$ 110,60, em 16 praças de pedágio que cobram, para uma distância de 1.040 quilômetros. Chamar esse valor de extorsivo é pouco.
As mudanças de tarifa e do modelo de cobrança nas praças de pedágio da Rodovia Castelo Branco (SP-280), nas proximidades da Capital, acabaram reboque o fim do livre acesso da estrada ao Rodoanel Mário Covas. Agora, para acessar o anel viário, os motoristas têm, obrigatoriamente, de passar pelo pedágio e pagar a tarifa de R$ 2,80.
A cobrança de pedágio era restrita apenas às pistas marginais, mas foi ampliada para todas as faixas da rodovia. Ou seja, passam a ser taxados cerca de 50 mil veículos que trafegam por dia em cada sentido da via.
Quem mora em Osasco e trabalha em Barueri ou Itapevi, por exemplo, gastará quase R$ 300 por mês para andar pouco menos de dez quilômetros. A tarifa, por outro lado, foi reduzida de R$ 6,50 para R$ 2,80 para quem usava as pistas marginais – 20% do total do movimento.
É a fúria arrecadadora dos tucanos: 20% que pagavam R$ 6,50 tiveram a tarifa reduzida, mas 80% dos que não pagavam nada pagarão R$ 2,80. É um disparate.
Que esse absurdo tarifário seja mais uma vez denunciado nas eleições de outubro deste ano e que as concessões de rodovias em todo o Estado sejam revistas e investigadas.
Há anos a vida na Grande São Paulo está ficando insustentável. Difícil sempre foi, mas estamos chegando próximo da inviabilidade de viver em qualquer uma das principais cidades da região metropolitana.
Enquanto as cidades ficam submersas com enchentes e intermináveis e alagamentos quilométricos, o governo do Estado, em sua incompetência criminosa, demonstra toda a sua sensibilidade ao implantar um pedágio na rodovia Castelo Branco, no trecho inicial, violando qualquer noção universal de bom senso.
Os tucanos já fizeram nojeira parecida em 1995, quando implantaram pedágios em quatro entradas de São Bernardo e Diadema no sistema Anchieta-Imigrantes. A vida em Diadema ficou mais cara, já que era preciso pagar para entrar na cidade.
E o mais interessante é que essa medida desrespeitava uma lei estadual aprovada nos anos 70 que impedia a instalação de pedágios a menos de 30 quilômetros de distância da Capital.
O governo Mário Covas simplesmente ignorou a lei e conseguiu brecar todas as contestações judiciais mesmo com argumentos estapafúrdios.
Desde então os tucanos atropelam todas as noções de administração responsável e decente ao pulverizar o patrimônio do governo do Estado em vários programas no mínimo suspeitos de privatização.
As privatizações paulistas ocorreram de forma pouco transparente e sem avaliações técnicas que justificassem os preços das vendas e depois as tarifas aplicadas aos consumidores-clientes.
O pedágio que já chega quase aos R$ 20,00 no sistema Anchieta-Imigrantes (R$ 17,80 no Planalto) é justificado pela realização da segunda pista da rodovia dos Imigrantes. Deve ser o pedágio mais caro do mundo proporcionalmente.
Enquanto o modelo de concessão adotado pelo governo federal para as rodovias Dutra e Fernão Dias, entre outras, foi transparente e trouxe tarifas próximas da realidade, os tucanos paulistas permitiram que as concessionárias espalhassem pedágios por todo o Estado, sendo que alguns chegam a custar R$ 10,80 em pleno interior.
Como é possível pagar R$ 2,20 ida e volta para percorrer 150 quilômetros na rodovia Fernão Dias e R$ 17,80 para percorrer 60 quilômetros na Anchieta ou na Imigrantes?
Uma viagem de São Paulo a Votuporanga, no noroeste paulista, por exemplo, ida e volta, custa R$ 110,60, em 16 praças de pedágio que cobram, para uma distância de 1.040 quilômetros. Chamar esse valor de extorsivo é pouco.
As mudanças de tarifa e do modelo de cobrança nas praças de pedágio da Rodovia Castelo Branco (SP-280), nas proximidades da Capital, acabaram reboque o fim do livre acesso da estrada ao Rodoanel Mário Covas. Agora, para acessar o anel viário, os motoristas têm, obrigatoriamente, de passar pelo pedágio e pagar a tarifa de R$ 2,80.
A cobrança de pedágio era restrita apenas às pistas marginais, mas foi ampliada para todas as faixas da rodovia. Ou seja, passam a ser taxados cerca de 50 mil veículos que trafegam por dia em cada sentido da via.
Quem mora em Osasco e trabalha em Barueri ou Itapevi, por exemplo, gastará quase R$ 300 por mês para andar pouco menos de dez quilômetros. A tarifa, por outro lado, foi reduzida de R$ 6,50 para R$ 2,80 para quem usava as pistas marginais – 20% do total do movimento.
É a fúria arrecadadora dos tucanos: 20% que pagavam R$ 6,50 tiveram a tarifa reduzida, mas 80% dos que não pagavam nada pagarão R$ 2,80. É um disparate.
Que esse absurdo tarifário seja mais uma vez denunciado nas eleições de outubro deste ano e que as concessões de rodovias em todo o Estado sejam revistas e investigadas.
segunda-feira, maio 03, 2010
Falta pensamento, falta espaço
DANIEL LIMA
jornalista, escritor e publisher
Artigo escrito originalmente no site do jornal Repórter Diário, de Santo André, em 17 de novembro de 2009
O jornalista Marcelo Moreira tem razão quando indaga do alto de sua coluna no jornal eletrônico ABCD Maior:
“Onde está o pensamento da região?”
Afirma o jornalista com o qual trabalhei durante nove meses no Diário do Grande ABC, um dos poucos indicados por mim quando assumi a direção de Redação em 2004:
“Afora os jornalistas de sempre que procuram de vez em quando provocar a sociedade, há pouca variedade de pensamento qualificado nos veículos da região. Os intelectuais estão encastelados em seus escritórios e em seus gabinetes”.
Este é o terceiro parágrafo do artigo. A abertura tem o seguinte enunciado:
“A região ganhou mais jornais, mais canais de TV, sites e toda uma série de publicações gratuitas distribuídas pelas ruas e avenidas. Há notícias para todos os gostos, há informação em toneladas, de todas as cores e todos os credos, de variados tons e ideologias”.
Na sequência, afirma:
“Só que falta debate. Falta gente que pensa e produz conhecimento nas páginas do ABCD como um todo, nas transmissões de TV e de rádio e nos artigos na Internet. Nem mesmo os blogs pessoais das pessoas que pensam a região e que produzem conhecimento conseguem instigar polêmicas e debates”.
Marcelo Moreira, hoje no Jornal da Tarde, menciona com uma das poucas exceções o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, Jefferson Conceição, assíduo colaborador de diversas publicações e, segundo afirma, um prolífico produtor de artigos importantes sobre a economia do ABCD.
Cobra o ressurgimento de Jeroen Klink, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André e hoje instalado na Universidade Federal do Grande ABC. Chama para o jogo o professor Flávio de Souza, que tem um blog no ABCD Maior mas que aparece pouco nas páginas em papel.
Completa Marcelo Moreira: “O número de universidades aumentou bastante nos últimos anos. Ganhamos uma universidade federal. Só que os intelectuais continuam fechados em suas cátedras e encastelados em suas teses de mestrado e doutorado.
Há páginas nobres na imprensa regional à espera de novas ideias e mais debates. O conhecimento não pode continuar enclausurado em nichos acadêmicos ou restritos a gabinetes e prefeituras”.
Agora, transposto o talento e a perspicácia de Marcelo Moreira, profissional que qualquer editor deveria ter em seus quadros, chega a minha vez de comentar.
O próprio Marcelo Moreira é um exemplo emblemático da escassez de oportunidade ao talento na mídia regional. Se faltam craques nas redações, craques forjados nas escolas de jornalismo que podem não ser lá essas coisas mas são melhores que nada, se faltam craques, como dizia, como esperar que o pensamento mais bem elaborado tenha vez?
Predomina, salvo honrosas exceções, a mediocridade fastfoodiana. Embora não falte mesmo espaço na mídia impressa e eletrônica para um bom jornalismo, e bom jornalismo não prescinde de gente da academia e do setor público, tampouco da iniciativa privada e da sociedade, falta gente qualificada com capacidade de escrita e de oratória.
E sabem por quê? Porque basicamente falta gente com independência no sentido mais amplo do verbete para exercitar um esporte que os donos da mídia detestam que seja praticado: a crítica analítica séria, sem medo de cara feia. Exceto se coincidir com os interesses dos detentores do poder midiático, é claro.
Ou seja: em proporções semelhantes faltam meios e faltam mensagens para o enriquecimento intelectual da mídia regional, como de resto em todo o País.
Vivemos numa sociedade do espetáculo, da audiência fácil sem compromisso social, e qualquer coisa que se plante em sentido contrário só provocará urticárias.
Sei bem o que passo por exercer jornalismo muito distante do que gostariam que fosse os donos da mídia. Jornalismo é uma profissão em extinção muita antes da aberração da cassação de diploma pelo Supremo Tribunal Federal. O maior erro do STF foi não ter completado a operação desmonte.
Deveriam os ministros, além de revogar o diploma de jornalista, determinar a obrigatoriedade de preenchimento de vagas com profissionais egressos de cursos de relações públicas. Pelo menos a decisão oficializaria a derrocada de uma profissão, evitaria frequentes casos de pautas constrangedoras e disciplinaria a invasão das redações por gente saída de bancos acadêmicos.
Além disso, os jornalistas remanescentes que ocupam postos nas redações não se sentiriam tão aviltados com a concorrência pirata que deverá aumentar o fluxo nos corredores de veículos de menor porte e, principalmente, nas assessorias de entidades públicas sujeitas a indicações políticas.
Se faltam no mercado jornalistas com senso crítico, embasamento cultural e apetrechamento técnico para seduzir os leitores, o que esperar de acadêmicos, de empresários e de representantes da sociedade sem qualquer intimidade com as letras?
E quando se encontra um ou outro que reúne boa parte dessas características, surge o sobrepeso das ressonâncias de conteúdos que podem ser indesejáveis ou, lamentável e muito provavelmente, de acordo com o pedido do dono do veículo de comunicação.
Fosse o jornalismo do Grande ABC menos provinciano, Marcelo Moreira não precisaria se deslocar todos os dias até a Capital para exercer a profissão que abraçou com entusiasmo e que o levou, entre outros veículos, à Gazeta Mercantil dos bons tempos.
Tantos outros jornalistas igualmente qualificados e com endereço residencial na região bateram asas porque o Complexo de Gata Borralheira também se manifesta na atividade com justa razão porque os veículos locais, por força do empobrecimento regional, não conseguem acompanhar a remuneração do mercado de trabalho da vizinha Capital.
Quem quiser começar a entender por que nossa regionalidade é uma lástima e por que nossa identidade regional está enfaticamente declarada no público médio do Santo André na Série A do Campeonato Brasileiro precisa conhecer melhor o conteúdo dos veículos de comunicação local.
Enquanto colunas sociais impressas e eletrônicas forem os espaços de maior audiência, só restará ajoelhar e rezar.
DANIEL LIMA
jornalista, escritor e publisher
Artigo escrito originalmente no site do jornal Repórter Diário, de Santo André, em 17 de novembro de 2009
O jornalista Marcelo Moreira tem razão quando indaga do alto de sua coluna no jornal eletrônico ABCD Maior:
“Onde está o pensamento da região?”
Afirma o jornalista com o qual trabalhei durante nove meses no Diário do Grande ABC, um dos poucos indicados por mim quando assumi a direção de Redação em 2004:
“Afora os jornalistas de sempre que procuram de vez em quando provocar a sociedade, há pouca variedade de pensamento qualificado nos veículos da região. Os intelectuais estão encastelados em seus escritórios e em seus gabinetes”.
Este é o terceiro parágrafo do artigo. A abertura tem o seguinte enunciado:
“A região ganhou mais jornais, mais canais de TV, sites e toda uma série de publicações gratuitas distribuídas pelas ruas e avenidas. Há notícias para todos os gostos, há informação em toneladas, de todas as cores e todos os credos, de variados tons e ideologias”.
Na sequência, afirma:
“Só que falta debate. Falta gente que pensa e produz conhecimento nas páginas do ABCD como um todo, nas transmissões de TV e de rádio e nos artigos na Internet. Nem mesmo os blogs pessoais das pessoas que pensam a região e que produzem conhecimento conseguem instigar polêmicas e debates”.
Marcelo Moreira, hoje no Jornal da Tarde, menciona com uma das poucas exceções o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, Jefferson Conceição, assíduo colaborador de diversas publicações e, segundo afirma, um prolífico produtor de artigos importantes sobre a economia do ABCD.
Cobra o ressurgimento de Jeroen Klink, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André e hoje instalado na Universidade Federal do Grande ABC. Chama para o jogo o professor Flávio de Souza, que tem um blog no ABCD Maior mas que aparece pouco nas páginas em papel.
Completa Marcelo Moreira: “O número de universidades aumentou bastante nos últimos anos. Ganhamos uma universidade federal. Só que os intelectuais continuam fechados em suas cátedras e encastelados em suas teses de mestrado e doutorado.
Há páginas nobres na imprensa regional à espera de novas ideias e mais debates. O conhecimento não pode continuar enclausurado em nichos acadêmicos ou restritos a gabinetes e prefeituras”.
Agora, transposto o talento e a perspicácia de Marcelo Moreira, profissional que qualquer editor deveria ter em seus quadros, chega a minha vez de comentar.
O próprio Marcelo Moreira é um exemplo emblemático da escassez de oportunidade ao talento na mídia regional. Se faltam craques nas redações, craques forjados nas escolas de jornalismo que podem não ser lá essas coisas mas são melhores que nada, se faltam craques, como dizia, como esperar que o pensamento mais bem elaborado tenha vez?
Predomina, salvo honrosas exceções, a mediocridade fastfoodiana. Embora não falte mesmo espaço na mídia impressa e eletrônica para um bom jornalismo, e bom jornalismo não prescinde de gente da academia e do setor público, tampouco da iniciativa privada e da sociedade, falta gente qualificada com capacidade de escrita e de oratória.
E sabem por quê? Porque basicamente falta gente com independência no sentido mais amplo do verbete para exercitar um esporte que os donos da mídia detestam que seja praticado: a crítica analítica séria, sem medo de cara feia. Exceto se coincidir com os interesses dos detentores do poder midiático, é claro.
Ou seja: em proporções semelhantes faltam meios e faltam mensagens para o enriquecimento intelectual da mídia regional, como de resto em todo o País.
Vivemos numa sociedade do espetáculo, da audiência fácil sem compromisso social, e qualquer coisa que se plante em sentido contrário só provocará urticárias.
Sei bem o que passo por exercer jornalismo muito distante do que gostariam que fosse os donos da mídia. Jornalismo é uma profissão em extinção muita antes da aberração da cassação de diploma pelo Supremo Tribunal Federal. O maior erro do STF foi não ter completado a operação desmonte.
Deveriam os ministros, além de revogar o diploma de jornalista, determinar a obrigatoriedade de preenchimento de vagas com profissionais egressos de cursos de relações públicas. Pelo menos a decisão oficializaria a derrocada de uma profissão, evitaria frequentes casos de pautas constrangedoras e disciplinaria a invasão das redações por gente saída de bancos acadêmicos.
Além disso, os jornalistas remanescentes que ocupam postos nas redações não se sentiriam tão aviltados com a concorrência pirata que deverá aumentar o fluxo nos corredores de veículos de menor porte e, principalmente, nas assessorias de entidades públicas sujeitas a indicações políticas.
Se faltam no mercado jornalistas com senso crítico, embasamento cultural e apetrechamento técnico para seduzir os leitores, o que esperar de acadêmicos, de empresários e de representantes da sociedade sem qualquer intimidade com as letras?
E quando se encontra um ou outro que reúne boa parte dessas características, surge o sobrepeso das ressonâncias de conteúdos que podem ser indesejáveis ou, lamentável e muito provavelmente, de acordo com o pedido do dono do veículo de comunicação.
Fosse o jornalismo do Grande ABC menos provinciano, Marcelo Moreira não precisaria se deslocar todos os dias até a Capital para exercer a profissão que abraçou com entusiasmo e que o levou, entre outros veículos, à Gazeta Mercantil dos bons tempos.
Tantos outros jornalistas igualmente qualificados e com endereço residencial na região bateram asas porque o Complexo de Gata Borralheira também se manifesta na atividade com justa razão porque os veículos locais, por força do empobrecimento regional, não conseguem acompanhar a remuneração do mercado de trabalho da vizinha Capital.
Quem quiser começar a entender por que nossa regionalidade é uma lástima e por que nossa identidade regional está enfaticamente declarada no público médio do Santo André na Série A do Campeonato Brasileiro precisa conhecer melhor o conteúdo dos veículos de comunicação local.
Enquanto colunas sociais impressas e eletrônicas forem os espaços de maior audiência, só restará ajoelhar e rezar.
segunda-feira, abril 26, 2010
Depois da guerra
Fazia tempo que não aparecia uma canção tão boa em trilha sonora de filme ultimamente. E de onde menos se esperava apareceu a canção "After the War", do filme canadense "Passchendaele", de Paul Gross, lançado em 2009.
Louve-se o trabalho de Gross, que escreveu o roteiro do filme, produziu, dirigiu, foi o ator principal e ainda compôs a música tema.
A fita não é lá essas coisas, é apenas um draminha romântico de guerra, com uma mensagem anti-belicista até certo ponto ingênua e panfletária. Mas a música consegue se salvar, fechando o filme e servindo de trilha para os créditos finais.
Pena que o filme se perca no drama romântico fraquinho, já que o tema de fundo, a batalha de Passchendaele, ocorrida na Bélgica em 1917, durante a I Gurra Mundial, merecia muito amis atenção. Pelo menos as cenas de batalha são bem feitas.
Sarah Slean, cantora de Toronto, foi a escolhida para gravar a canção. É bastante competente e lançou quatro CDs misturando jazz, folk e música pop, ora lembrando Diana Krall, ora Rachel Fuller, ora Regina Spektor.
Abaixo, uma animação em vídeo com a música de fundo e a bela letra criada por Paul Gross.
After the war
Written by Paul Gross
Performed by Sarah Slean
the guns are silent
After your wounds have healed
After those crosses
Have been planted in all those fields
After that long boat ride
All the way across the sea
And after this train carries thee
Chorus;
I will love you After The War
Ill love you for always, forever more
I will love you After The War
Forever for always and more
After your boots dry
And the tobaccos all but gone
Along with all those postcards you've carried
Under your arm
After I remember
All the words I couldn't say
And after this long night fades away
Chorus
I will love you After The War
Ill love you for always, forever more
I will love you After The War
Forever for always and more
After this blackbird
Lifts up from off your chest
And after your soul takes its final rest
My love, I forgive you
You never planned to die
And love, Ill place two pennies over your eyes
Chorus
I will love you After The War
I'll love you for always, forever more
I will love you After The War
Forever for always and more
Fazia tempo que não aparecia uma canção tão boa em trilha sonora de filme ultimamente. E de onde menos se esperava apareceu a canção "After the War", do filme canadense "Passchendaele", de Paul Gross, lançado em 2009.
Louve-se o trabalho de Gross, que escreveu o roteiro do filme, produziu, dirigiu, foi o ator principal e ainda compôs a música tema.
A fita não é lá essas coisas, é apenas um draminha romântico de guerra, com uma mensagem anti-belicista até certo ponto ingênua e panfletária. Mas a música consegue se salvar, fechando o filme e servindo de trilha para os créditos finais.
Pena que o filme se perca no drama romântico fraquinho, já que o tema de fundo, a batalha de Passchendaele, ocorrida na Bélgica em 1917, durante a I Gurra Mundial, merecia muito amis atenção. Pelo menos as cenas de batalha são bem feitas.
Sarah Slean, cantora de Toronto, foi a escolhida para gravar a canção. É bastante competente e lançou quatro CDs misturando jazz, folk e música pop, ora lembrando Diana Krall, ora Rachel Fuller, ora Regina Spektor.
Abaixo, uma animação em vídeo com a música de fundo e a bela letra criada por Paul Gross.
After the war
Written by Paul Gross
Performed by Sarah Slean
the guns are silent
After your wounds have healed
After those crosses
Have been planted in all those fields
After that long boat ride
All the way across the sea
And after this train carries thee
Chorus;
I will love you After The War
Ill love you for always, forever more
I will love you After The War
Forever for always and more
After your boots dry
And the tobaccos all but gone
Along with all those postcards you've carried
Under your arm
After I remember
All the words I couldn't say
And after this long night fades away
Chorus
I will love you After The War
Ill love you for always, forever more
I will love you After The War
Forever for always and more
After this blackbird
Lifts up from off your chest
And after your soul takes its final rest
My love, I forgive you
You never planned to die
And love, Ill place two pennies over your eyes
Chorus
I will love you After The War
I'll love you for always, forever more
I will love you After The War
Forever for always and more