Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
O governo José Serra e pífio, entre outras coisas, por transformar o caos social e a miséria em política. Sua polícia militar deixou a desejar, mais uma vez, na desordem que atingiu a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, próximo do bairro nobre do MOrumbi.
Em vez de coibir o vandalismo de bandidos que quebravam carros e depredavam imóveis, deixou tudo correr solto à espera da Tropa de Choque, que demorou uma eternbidade para chegar ao local. Enquanto isso, barricadas eram montadas com pneus e carcaças de veículos em chamas e mais veículos eram depredados.
A atuação da PM foi vergonhosa. Ficou com medo e evitou o confronto. POr quê? POrque os comandantes não confiam mais no governador, ue os largou no fogo no episódio da morte da menina Eloá PImentel, em Santo André, no ano passado. A cúpula da PM tem medo da mídia e não confiam no governador, que faz uso político da corporação e a queima quando algo dá errado.
A PM tem que entrar com tudo, quebrando tudo e passando por cima de manifestates que insistem em bloquear vias importantes. E não pode ter medo de atirar para matar vândalos.
Um mês de 2009 e a crise econômica promete não dar tréguas aos prefeitos que assumiram em janeiro. Se por um lado o ABCD teve a menor taxa de desemprego de sua história em dezembro, segundo a Fundação Seade, o horizonte está com nuvens pesadas para uma tempestade que promete ser longa.
Enquanto o governo federal arregaça as mangas e luta para dar incentivos ao consumo e a uma produção industrial em franca desaceleração, o governo do Estado ainda se mostra tímido. O governador José Serra (PSDB) anuncia um pacote de obras de recuperação de estradas que já estava programado - copmo se isso fosse suficiente para compensar a perda progressiva de postos de trabalho na indústria.
Uma questão que surge neste momento: o que os municípios podem fazer para amenizar os estragos da crise e segurar empregos industriais? Por mais que se tente imaginar soluções milagrosas, o fato é que os novos prefeitos terão de conviver com um período de turbulências que vai se refletir rapidamente na arrecadação de impostos.
Alguns economistas radicais neoliberais - sim, eles existem - sugerem até que os municípios retomema política de alívio fiscal, numa postura tão irresponsável quanto esdrúxula. Abrir mão de receitas fixas neste momento é alimentar uma planta carnívora, que nada dá em troca.
Os exemplos macroeconômicos são claros: o governo federal diminuiu o valor compulsório recolhido pelo Banco Central nos bancos e estes ignoraram os apelos de baixar os juros, mesmo em tempos de taxa Seelic - a taxa básisca da economia - em queda.
É o spread bancário (taxa de risco que é cobrada em cada operação de empréstimo), dizem os sabujos da Febraban, a associação dos bancos. O oportunismo nojento é claro: ao afirmar que ainda é alto o risco de calote no Brasil, os banqueiros jogam no lixo todos os avanços monetários e fiscais que o país conseguiu desde a década passada, e mais ainda a partir do governo Lula, em 2003.
Já as indústriais receberam dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e redução de alíquotas de impostos - necessárias, de qualquer forma, com ou sem crise.
Mesmo assim, não tiveram vergonha de acelerar as demissões em todos os ramos. E ainda reclamam de quem sugere condicionar a concessão de crédito e incentivos fiscais à manutenção do nível de emprego.
A lamentar apenas a falta de medidas drásticas e duras do governo federal para conter esse movimento destruidor de empregos mesmo recebendo benefícios. Já o governo estadual simplesmente ignora a questão.
Diante de um quadro desolador e cínico, como sugerir aos municípios que abram mão de receitas futuras para "ajudar" empresas em dificuldades, se estas mesmas se recusam a se comprometer em manter o nível de emprego?
Apesar da dificuldade de encontrar soluções viáveis, ainda assim está faltando debate na região. Onde estão as associações comerciais e os Ciesps (Centros da Indústria do Estado de São Paulo)? E os vereadores, será conitnuam mais preocupados com seus quintais? Será que vão se preocupar somente com as miudezas das intrigas e briguinhas por cargos em comissões ou para mostrar poderzinho em votações de regimento interno?
Mais uma vez será a imprensa a estimular e criar um debate de alto nível sobre o futuro do emprego no ABCD. E quando digo imprensa me refiro aos veículos comprometidos com a região, como o ABCD Maior, desde o primeiro dia de sua existência. Já outros, com décadas de existência, ignoram deliberadamente o assunto - comportamento histórico, diga-se de passagem.
Todos os problemas do mundo acabaram. Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos e o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou os juros em um ponto porcentual. Tudo vai ficar bem, a crise econômica deixou de existir e os empregos voltarão a surgir em profusão neste primeiro trimestre.
A sociedade brasileira tem a tendência perigosa e extremamente arrogante de simplificar ao máximo os problemas e suas pretensas soluções como forma de mascarar a realidade e fugir da responsabilidade.
O resultado imediato desse comportamento suicida é a criação de factoides e mais factoides. O mais nojento deles nesta semana foi a ameaça de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deputado federal pelo PTB paulista e presidente da Força Sindical, de ameaçar invadir o Banco Central caso não houvesse redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, na última quarta-feira. Além de inútil, pueril e mentirosa, a ameaça do sindicalista foi de uma irresponsabilidade imensa.
O fato é que ninguém se atreve a atacar os pontos que têm de ser atacados. Reduzir a taxa de juros é apenas um paliativo no combate à crise, que está engolindo a economia brasileira com uma voracidade impressionante. Afinal de contas, 654 mil demissões em dezembro último é muito mais do que indigesto, é perturbador.
Enquanto o governo federal se distrai com polêmicas inúteis – como a concessão de refúgio e asilo político a um terrorista italiano, por exemplo –, as supostas medidas de punição para empresas que estão demitindo mesmo após receber ajuda com dinheiro público ficam pelo caminho.
São meras palavras ao vento, assim como a suposta indignação de autoridades do Ministério da Fazenda e do Banco Central com os altos spreads bancários – espécie de comissões que os bancos cobram pelo risco de emprestar dinheiro. Afinal, como disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, baixar juros somente não resolve, “o problema são os spreads”. Os banqueiros ficam irritadinhos, dizem que as “coisas não são bem assim” e ignoram solenemente o Banco Central.
Os debates estéreis continuam em ritmo de marola, enquanto a realidade atropela todo mundo. E o imobilismo já contamina parte das entidades que representam os trabalhadores.
Em Jacareí, no Vale do Paraíba, em decisão extremamente preocupante que revela falta de democracia -, um sindicato filiado à central Conlutas, ligado ao radical PSTU, impede o acordo de redução de jornada de trabalho e salário numa empresa. O detalhe é que o acordo foi aprovado pelos próprios funcionários, diante do dilema monstruoso: sem a redução, a empresa fecha.
A ideologização da discussão sobre as formas de combater o desemprego teve o seu valor no início da crise. Foi importante para marcar posição e recolocar as centrais sindicais no debate.
O problema é que a realidade insistiu em passar por cima de tudo. As opções oferecidas até agora pelos trabalhadores foram rechaçadas ou ignoradas pelas empresas, tudo diante da passividade e da lentidão do governo federal e da omissão do governo estadual.
Rejeitar redução de jornada de trabalho com redução de salário é uma bandeira histórica dos sindicatos. Mas quando a base começa a entender que emprego é mais importante do que tudo e que salário de desempregado é zero, é sinal de que é preciso forçosamente perceber o que está em jogo.
Credibilidade e coerência são virtudes desejáveis, mas, dependendo do ponto de vista, podem se chocar com a realidade, emperrando a vida. E a realidade insiste em corroer conceitos históricos. Como lidar com isso?
Em algum momento, a solidariedade desapareceu das grandes cidades brasileiras. Alguns dizem que foi no final dos anos 70 do século passado, quando as sucessivas crises econômicas brasileiras começaram a época dos índices de desemprego de dois dígitos. Outros dirão que foi no começo dos ano 80, ainda no bojo das mesmas crises, quando as favelas explodiram de vez em São Paulo e no Rio de Janeiro, inaugurando o pesadelo da violência urbana nos anos pós-ditadra militar.
Alguns esquerditas mais apressados dirão que a solidariedade desapareceu de vez nos anos 90, quando a abertura indiscriminada dos governos Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Hnrique Cardoso devastaram parques industriais e jogaram milhares de trabalhadores na informalidade e no desemprego prolongado.
O fato é que a cordialidade e a boa receptividade que os estrangeiros que nos visitam sempre elogiam nunca existiu de fato. Caso contrário, jamais permitiríamos o aumento indecoroso de mendigos na cidade de São Paulo. O endurecimento das relações pessoais nas metrópoles e nas cidades de porte médio ultrapassa qualquer sintoma de crise econômica, de pobreza ou mesmo de abjeta desigualdade de distribuição de renda.
A falta de solidariedade é sintoma de ausência de Estado, como observamos na batalha entre vândalos da comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, e a Polícia Militar. O que era uma manifestação nada legítima - já que execrava a PM por ter abordado e revidado a uma agressão de um ladrão - se transformou no grito de uma população maltratada e abandonada pela prefeitura de José Serra/Gilberto Kassab.
A baderna promovida por uma turma de vândalos ensandecidos é um sintoma de sociedade que já não está mais doente: está anestesiada. A paralisia atinge desde a PM, instrumento politiqueiro do governo estadual, que titubeou na repressão aos verdadeiros bandidos de Paraisópolis; atinge a população, que não tem para onde correr; e atinge a imprensa, onde apresentadores de TV falastrões e irresponsáveis berram por sague.
Saindo do macro e aterrissando no nosso microcosmo do ABCD, a solidariedade sumiu quando deixamos de olhar para o lado, para fora do carro. O embrutecimento atingiu níveis inimagináveis até mesmo para quem sempre participou de atividades filantrópicas. É cada vez mais comum observarmos nos semáforos de nossas sete cidades toda a sorte de pedintes e oportunistas.
Como discernir entre o que é verdade é o que é golpe? Como identificar naquela criança rota e miserável um instrumento absurdo de pais inescrupulosos? Como não desconfiar daquele rapaz forte que afirma jamais conseguir emprego e pedir dinheiro dentro dos ônibus - e que em seguida vai para o botquim tomar pinga?
No último sábado à noite, chuvoso e mal iluminado, um homem com uma criança no colo, com guarda-chuva e acompanhado por uma mulher, pedia dinheiro no semáforo do Paço Municipal de São Bernardo, em frente ao Teatro Cacilda Becker. A história o denunciava: "acabei de sair do hospital com minha filha e não tenho dinheiro para ir paracasa..."
A mesma história de sempre. Recusei o pedido de dinheiro e tive de escutar: "Tá vendo a crianã na chuva e ainda recusa ajuda. Deus tá vendo..."
Não tenho a obrigação de dar esmola - sou totalmente contra isso. Além do mais, se realmente ele estava no hospital com a filha e sem dinheiro, deveria ter procurado a assistência social da instituição - todo hospital tem uma.
Entretanto, pelo inusitado da reação, creio ter sido um sinal de alerta para que procuremos entender, de alguma forma, o temo em que vivemos em nossa cidade. A solidariedade sumiu e nada indica que nós, habitantes da metrópole, consigamos encontrá-la no médio prazo.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Época de crise econômica é época propicia para a choradeira de empresários em busca de salvação para seus problemas de gestão. Foi essa a impressão que ficou depois da reunião entre o ministro Guido Mantega e vários empresários de peso em Brasília, na última quarta-feira.
Enquanto isso, continuam céleres as demissões e as soluções mirabolantes para “evitar” os cortes, como suspensão de contratos de trabalho e extensão de férias coletivas.
A última agora é a exigência dos empresários de se implantar, de alguma forma, a redução da jornada de trabalho com a redução de salários, uma medida sempre e historicamente rechaçada pelos sindicatos de todas das categorias.
Entretanto, já existem líderes sindicais, que de forma moderada e sensata, até admitem discutir a questão para preservar empregos.
Mais uma vez a realidade acaba por suplantar ideologias e decisões de cúpula. E mais uma vez o mundo sindical se vê diante de um dilema que desafia a sua própria existência, como ocorreu bem no comecinho dos anos 90: largar, ainda que temporariamente, a luta pelos melhores condições de trabalho em favor da preservação dos empregos, ou insistir na ideologização das relações trabalhistas e rejeitar qualquer flexibilização dos benefícios conquistados?
Há muito tempo se discute entre os líderes dos trabalhadores o papel que os sindicatos devem assumir no século XXI, em tempos onde a globalização avança muito rápido e o sistema capitalista, mesmo com as suas crises cíclicas, se consolida cada vez mais.
Afinal, qual é o papel do sindicato nos anos 2000? Como enfrentar uma sociedade em que a competição é cada vez mais acirrada e onde a busca incessante por maior eficiência com custos cada vez menores é uma “lei” praticamente inviolável – o que incentiva cada vez mais a informalidade e a terceirização, ainda que ilegal?
Coube a Luiz Marinho, atual prefeito petista de São Bernardo e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, lançar uma ideia bastante interessante quando assumiu a presidência da CUT nacional.
“Os novos desafios sociais do século XXI vão levar a uma reformulação no pensamento sindical. quem não se adaptar às novas demandas da sociedade ficará para trás. Acredito que os sindicatos, de alguma forma, deverão cada vez mais se comportar como verdadeiras ONGs (organizações não-governamentais), expandido seu campo de atuação além das negociações salariais e de benefícios trabalhistas”, disse Marinho.
Não é por outro motivo que Marinho é fruto de uma entidade que sempre foi considerada a vanguarda sindical do País. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC sempre foi um laboratório, onde o pensamento e análise são requisitos fundamentais para que seu líderes sindicais desempenhem suas funções.
E é justamente da entidade que se esperam novas ideias para que o trabalhador consiga entender e trafegar pelos próximos anos de crise econômica.
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Ano novo, guerra nova. Mesmo em tempos de crise econômica severa, a guerra parece ser um motor forte para movimentar a economia, mesmo que isso signifique sacrifícios financeiros para parte da sociedade. Isso não é problema para Israel, que empreende uma ofensiva avassaladora contra os palestinos do Hamas na Faixa de Gaza.
Israel está à beira de uma severa recessão, com inflação em alta e déficits fiscal e comercial. Ainda assim, responde de maneira desproporcional ás provocações do Hamas, uma facção terrorista dos palestinos que administra Gaza.
Não se discute o direito dos israelenses de responder militarmente às agressões palestinas – militantes do Hamas lançaram mais 100 foguetes contra a parte sul de Israel em dezembro passado, o que motivou a invasão como contra-ataque.
A questão, no entanto, é outra: ninguém quer uma solução para a crise, pois politicamente ela é interessante: na possibilidade de extinguir Israel, os palestinos se tornam uma importante “arma política” para os árabes. Esperemos a próxima guerra.
A marolinha está virando furacão. Aquilo que todo mundo temia aconteceu em janeiro: uma grande montadora inicia demissões e provavelmente puxará a fila de outras, que só esperavam o momento em que alguém cortasse na folha para colocar a tesoura em ação.
As quase 800 demissões realizadas pela General Motors em São José dos Campos, na verdade, apenas escancarou o que acontecia sem que o país percebesse – ou fingia não acontecer: a queda progressiva no nível de emprego industrial, vitais para a manutenção da economia girando.
Em dezembro, por exemplo, estima-se que 600 mil trabalhadores foram dispensados. No setor de máquinas, foram 1,3 mil demissões no mês passado. No setor de autopeças, há risco iminente de perda do emprego para pelo menos 3 mil trabalhadores na Capital.
Será que é possível manter a cabeça fria diante do derretimento do emprego industrial neste janeiro tenebroso? Será que os fantasmas da década de 90 vão nos assombrar em 2009? E como isso afeta os prefeitos recém-empossados na Grande São Paulo, especialmente no ABCD?
O sinais da crise estavam escancarados desde meados do ano passado, mas infelizmente a maioria dos agentes econômicos se recusou a admitir que a tempestade estava próxima.
Executivos públicos, líderes setoriais do empresariado e até mesmo sindicalistas ficaram inebriados com quase três anos de conquistas e bom desempenho econômico e aparentemente ficaram paralisados diante do tempo ruim que se aproximava – ou então, o que é criminoso, simplesmente fingiram que nada acontecia.
Sem guarda-chuva ou abrigo decente para passar pela tormenta, sobraram ressentimentos e rosnados, além de muita incompetência na condução da reação à crise. Desde a “simples marolinha” até a “passagem suave pela crise”, todo o Brasil assistiu de forma passiva à chegada, muito rápida, dos efeitos da crise financeira mundial.
Os juros continuam extremamente altos, as medidas de desoneração tributária em vários patamares demorou – e quando veio, foi insuficiente para estancar a enxurrada de pessimismo.
Por fim, a facilitação de acesso a crédito por parte das empresas não atingiu o objetivo primordial, que era manter o nível de emprego industrial. Grandes empresas que esbravejaram pedindo ajuda financeira e redução de impostos – coisas que efetivamente ocorreram – simplesmente debocharam do governo federal e demitiram sem a menor cerimônia, numa provocação sem precedentes na história econômica brasileira.
O fato é que uma sucessão de erros e omissões ocorridas a partir do segundo semestre de 2008 colocam em xeque os bons resultados que o país obteve desde 2006. A onda de pessimismo é justificada, e nada indica que poderá ser debelada antes de julho.
As consequências desabaram sobre os trabalhadores, que neste momento são reféns das “condições do mercado”. Os sindicatos estão em clara desvantagem. Pouco fizeram para recuperar o prestígio e a importância que tinham nos anos 80 e começo dos anos 90.
Hoje essas entidades precisam não só recuperar o prestígio, mas se mostrar relevantes para os desafios trabalhistas do século XXI. Enquanto isso, resistem como podem às investidas empresariais contra direitos e benefícios dos trabalhadores.
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, não tem vergonha de afirmar que exige dinheiro público para salvar empresas sem ter de dar satisfações e sem dar a mínima garantia de emprego. Insiste na flexibilização de direitos, como redução de jornada de trabalho com redução salarial e suspensão de contratos de trabalho.
E os sindicatos estão com dificuldades para enfrentar os adversários. apostar no pragmatismo e flexibilizar direitos para eventualmente garantir empregos? Ou radicalizar e tentar impedir qualquer mexida nos salários e benefícios? Tempos difíceis...
Tenho ouvido cada vez mais lamentos de músicos de rock brasleiros a respeito da preferência do público nacional por bandas estrangeiras, em vez de apoiar que batalha pelos botecos da vida divulgando material próprio.
O mais recente ressentido é Eduardo Ardanuy, guitarrista do Dr. Sin, um dos melhores que já vi ao vivo. O estupendo músico concedeu uam entrevista na edição de janeiro da revista Roadie Crew, onde fala do lançamento de seu CD solo, "Electric Nightmare".
No meio do texto, reclama de novo da falta de apoio aos músicos nacionais. "O público brasileiro continua 'paga-pau' de gringo, prefere gastar R$ 300 para ver o Judas Priest do que R$ 20 ou R$ 30 para assistir a uma boa banda nacional", diz o músico, cheio de rancor.
Essa é uma batalha perdida e esse tipo de lamento já encheu a paciência. Se o Dr. Sin dele - banda maravilhosa - não faz tantos shows quanto ele gostaria, não adianta culpar o público de shows internacionais. Por mais que o Dr. Sin seja bom - e, repito, é excelente - qual banda você veria se os shows fossem simultâneos? A citada Dr. Sin ou o AC/DC? Dr. Sin ou Black Sabbath? Dr. Sin ou Iron Maiden?
Parece que falta um pouco de bom senso a Edu Ardanuy. Não é simplesmmente uma questão de qualidade - as bandas de rock citadas e milhares de outras são melhores do que o Dr. Sin: é uma questão de oportunidade.
O AC/DC, por exemplo, já tocou mais de 30 vezes na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, uma espécie de Belo Horizonte americana. E só vieram duas vezes ao Brasil, para somente dois shows.
A América do Sul não é rota assídua de shows internacionais. Então é natural que quando uma banda estrangeira aporte por aqui, mesmo que de porte médio, ganhe a atenção do público.
É o caso dos alemães do Grave Digger, metal tradicional dos melhores, mas que nunca passou de uma banda mediana em termos de público nos 27 aos de carreira. Entretanto, quando vem ao Brasil - e já veio cinco vezes - lota seus shows.
Por outro lado, é cada vez mais comum vermos shows do Dr. Sin no Brasil, assim como os do Angra, da banda de André Matos, do Almah de Edu Falaschi (Angra) e até mesmo do Krisiun. Todas essas bandas tocam com bastante regularidade e lotam seus shows. Por que elas tocam bastante e lotam seus shows e o Dr. Sin, que é tão bom quanto, não consegue?
A morte de uma ciclista na semana passada na avenida Paulista, abalroada por um ônibus, gerou uma onda de protestos contra o "trânsito selvagem da metrópole", ainda mais porque a vítima era uma ativista pela disseminação do uso da bicicleta como principal meio de transporte na Grande São Paulo.
É louvável o esforço realizado por gente como Arturo Alcorta e Renata Falzoni, jornalistas da rádio Eldorado que percorrem as ruas de bicicleta para falar de trânsito e sobre as belezas de pedalar por São Paulo em locais inusitados. Infelizmente, eles são incompreendidos e ainda têm pouco respeito por sua causa.
Entretanto, existe um fato: andar de bicicleta em São Paulo em vias movimentadas é um suicídio. Nem tanto pela "maldade" dos motoristas - ela existe e é responsável por grande parte dos acidentes com mortes entre os ciclistas -, mas a questão é que não dá para exigir cuidado extremo com os pedaladores sendo que eles mesmo não se respeitam.
O que dizer de alguém que resolve pedalar no corredor de ônibus da avenida Paulista em uma terça-feira, dia útil, às 10h, numa manhã comum? Gente assim está assumindo deliberadamente um risco de ser atropelado, sendo experiente ou não.
O que dizer de alguém que resolve pedalar na Marginal Pinheiros às 16h numa quarta-feira, em pleno trânsito pesado? É inteligente o cara que faz isso? Foi o que fez o irmão do ex-tenista Cássio Mota há 15 anos. Foi abalroado por um automóvel perto da raia da USP, na Marginal Pinheiros, caiu e morreu.
Não se discute a necessidade de se ampliar as ciclovias em São Paulo. Isso tem de acontecer. Mas não dá para ter dó de gente que morre depois de andar de bicicleta na avenida Paulista em horários de pico. No mínimo, é burrice.
terça-feira, janeiro 13, 2009
Um ano ótimo de lançamentos, com o retorno de quem há muito tempo hibernava, como o AC/DC, o Metallica e até o Guns N'Roses. Sem essa de dez mais, os melhores foram esses:
INTERNACIONAL
AC/DC - Black Ice
Metallica - Death Magnetic
Testament - The Formation of Damnation
Rolling Stones - Shine a Light
Alice Cooper - Along Came a Spider
Whitesnake - Good to Be Bad
Rage - Carved in Stone
Motorhead - Motorizer
Uriah Heep - Wake the Sleeper
Judas Priest - Nostradamus
Death Amgel - Killing Season
Exodus - Let There Be Blood
Yngwie Malmsteen - Perpetual Flame
Jeff Beck - Performing This Week
Rush - Snake and Arrows Live
Uli Jon Roth - Under a Dark Sky
Glenn Hughes - F.U.N.K.(First Underground Nuclear Kitchen)
David Gilmour - Live in Gdansk
NACIONAL
Kavla - Surreal
Torture Squad - Hellbound
Almah - Fragile Equality
Cavalera Conspiracy - Inflikted
Mindflow - Destructive Device
Krisiun - Southern Storm
King Bird - Sunshine
Apocalypse - Bridge of Light
segunda-feira, janeiro 05, 2009
O cantor Robert Plant, vocalista do grupo Led Zeppelin, foi eleito a melhor voz do rock de acordo com uma lista organizada pela "Planet Rock". A informação é do site especializado em música "NME".
O vocalista desbancou outros roqueiros como Freddie Mercury, Paul Rogers e Ian Gillan.
Outros cantores, como Roger Daltrey, David Coverdale e Axl Rose, também entraram para a relação das 20 maiores vozes do rock.
Confira a lista com os vinte primeiros colocados:
01. Robert Plant (Led Zeppelin)
02. Freddie Mercury (Queen)
03. Paul Rodgers (Free/Bad Company)
04. Ian Gillan (Deep Purple)
05. Roger Daltrey (The Who)
06. David Coverdale (Whitesnake)
07. Axl Rose (Guns N' Roses)
08. Bruce Dickinson (Iron Maiden)
09. Mick Jagger (The Rolling Stones)
10. Bon Scott (AC/DC)
11. David Bowie
12. Jon Bon Jovi (Bon Jovi)
13. Steven Tyler (Aerosmith)
14. Jon Anderson (Yes)
15. Bruce Springsteen
16. Joe Cocker
17. Ozzy Osbourne (Black Sabbath)
18. Bono (U2)
19. Peter Gabriel
20. James Hetfield (Metallica)
segunda-feira, dezembro 22, 2008
O caos do trânsito da Grande São Paulo está transformando um instrumento fundamental do automóvel em uma vilã das ruas paulistas e paulistanas. A criminalização da buzina chegou a um ponto que ela passou a ser uma arma contra o "buzinador" e uma "justificativa" para que atrocidades seja cometidas por quem se sentiu "ofendido".
As conseqüências do uso da buzina do trânsito, quase sempre trágicas, mostram a que ponto chegou o nível de falta de educação e desfaçatez do povo que vive nas grandes cidades. Buzinar virou um ato obsceno, uma agressão, que merece ser punida com a morte.
A buzina, se pudesse, seria proscrita pela maioria dos motoristas, justamente os mesmos que trocam de faixa e fazem conversões sem sinalizar com a seta; são os mesmo que param em fila dupla; os mesmos que andam, na contramão; que fazem conversões proibidas; estacionam em local proibido; param em cima da faixa de pedestres; e que andam a 120 km/h por hora em ruas que admitem no máximo 60 km/h de velocidade; são os mesmos que bebem antes de dirigire que não ligam que os filhos menores façam o mesmo, dirigindo sem autorização; e são os mesmo motoristas que compram carteiras de habilitação e pagam propinas para evitarem multas.
Há tempos os barsileiros estão no desvio ético. Conseqüência, em grande parte, dos desmandos do lixo autoritário do regime militar ditatorial que dominou a vida política nacional entre 1964 e 1985.
Foi na Ditadura Militar que o jeitinho brasileiro foi alçado a instituição. O mundo era dos espertos, daqueles que tinham conexões, conhecidos em lugares estratégicos, daqueles que sabiam os atalhos para se "dar bem", roubando dinheiro público ou simplesmente furar a fila do ingresso no jogo de futebol.
A ética na vida cotidiana primeiro foi escanteada, para depois ser soterrada e, por fim, ignorada. Já h0uve dirigente de futebol que disse que ética é coisa de e para filósofos. Ele resumiu bem o pensamento nojento que a classe média adotou no "vale tudo" do fim dos anos 70 e começo dos anos 80.
Ninguém vota mais no melhor candidato, mas naquele que pode favorecer ou não "prejudicar". Não é por outro motivo que políticos carregados de denúncias, como Paulo Maluf e Jáder Barbalho, por exemplo, ainda conseguem se eleger deputados federais e obtêm considerável número de votos em eleições majoritárias.
Em pleno século XXI, existem eleitores que não acham nada de errado na máxima "rouba, mas faz", atribuída ao político paulista Adhemar de Barros, um trator eleitoral nos 50 e 60 do século passado.
É justamente essa falta de ética, ou a ética do jeitinho totalmente exacerbado, que pesa contra a buzina, instrumento importante de alerta em um automóvel. Uma buzinada pode ser uma sentença de morte no trânsito enlouquecedor da Grande São Paulo.
Em um trajeto de menos de três quilômetros, da avenida Kennedy, a rua dos bares de São Bernardo, à avenida Pereira Barreto, próximo ao falido hospital Baeta Neves, duas buzinadas que dei foram motivos suficientes para xingamentos e início de brigas, no último domingo, dia 21 de dezembro.
Na avenida Lucas Nogueira Garcez, um Megane, da Renault, atravessou dois semáforos vermelhos e trocou de faixa sem sinalizar duas vezes, quase atropelando uma família e colidindo com dois carros, um deles o meu. Os dois buzinaram.
O motorista do Megane, um cidadão gordo com olhar feroz, típico representante da classe média que se acha melhor do que a patuléia, destilou todos os palavrões que sabia e ficou provocando o motorista do Vectra que havia buzinado. Chegou a jogar o carro em cima do Vectra, quase provocando o que seria nova colisão.
Na avenida Pereira Barreto, um Gol cheio de garotos de não mais de 18 anos, com latas de bebida nas mãos, saiu de uma travessa e entrou na movimentada avenida, o que fez com que um outro Gol tivesse de desviar em cima, jogando o carro para outra faixa, e que um Corsa freasse bruscamente para evitar a colisão. Inevitavelmente, as buzinas soaram. Novos xingamentos e ameaças e uma lata foi arremessada contra o Corsa.
No intuito de perseguir o motorista do Corsa, o Gol baderneiro, dirigido por um animal, me fechou, quase batendo no meu carro e em outro Gol, que estava a minha direita. Outras duas buzinas soaram e a ira dos jovens aparentemente bêbados se voltou contra mim, com xingamentos e manobras provocativas.
Isso é comum todos os dias, nas ruas da Grande São Paulo. Se a classe média abandonou de vez a ética, como exigir um comportamento decente de pessoas de classes mais populares, sem acesso a uma educação de qualidade mínima e oprimida por um modelo econômico às vezes injusto - ainda que esse seja bem melhor do que os outros?
A pressão está dando certo. A conversa agora sobre a crise, e que parte principalmente da Fiesp (Federação das Indústrias doEstado de São Paulo), é a do chamado Pacto Social. Não passa de mais um eufemismo para cortar direitos trabalhistas e jogar para as costas do governo federal uma massa de trabalhadores desempregados que teriam de sobreviver com o seguro-desemprego.
Oportunistmo e casuísmo é pouco para definir a falta de discernimento do empresariado nacional para enfrentar esses tempos de crise. Durante quatro anos todo mundo ganhou dinheiro a rodo com a boa conjuntura internacional e a condução responsável e inteligente da política econômica brasileira.
Entretanto, com dois meses de crise financeira mundial, muitas empresas começam a falar em demissões e pactos para reduzir custos - leia-se redução de salários e benefícios trabalhistas.
É claro que já está mais do que na hora de se discutir novas formas de organização e legislação trabalhistas, até porque muito do que foi criado para proteger nos anos 70 e 80 hoje se voltam contra o trabalhador, muitas obrigado a cair na informalidade se quiser trabalhar - é a famigerada "pessoa jurídica", uma afronta total à legislação, onde a empresa terceiriza os encargos trabalhistas.
Só que querer discutir agora alterações e alternativas à lei vigente é nojento, é um oportunismo mais do que vil. Há pelo menos 14 anos que se debate a necessidade de uma lei do trabalho mais adequada ao século XXI, mas sempre alguém empurra a discussão - invariavelmente, empresários e governo.
Para as empresas, a única reforma trabalhista aceitável é aquela que acaba com benefícios trabahistas. Não sendo assim, preferem burlar a lei, como fazer a maioria dos empresários. É o maldito pensamento que prega a extinção do 13º salário, das férias, da licença-maternidade, do aviso prévio e de outras conquistas do trabalhador.
O curioso é que ninguém fala em rever a tributação sobre os salários. E nem mesmo os impostos pesados sobre outros aspectos da vida econômica nacional. E o momento está passando.
Afinal, se um governo do PT, o partido dos trabalhadores, chefiados por um ex-metalúrgico, não abre a discussão, após seis anos no Palácio do Planalto, o que esperar de um eventual governo de outro partido, que certamente estará pouco ou nada comprometido com os trabalhadores?
O novo "Pacto Social" proposto pela Fiesp é um colosso de desfaçatez. E entidade quer propor um acordo para minimizar os efeitos da crise sobre o nível de emprego com base em duas medidas: a redução de salários e jornada de trabalho e a flexibilização do pagamento de direitos como férias, 13º salário e participação nos lucros.
Roberto Della Manna, vice-presidente da Fiesp, explicou que a instituição tem propostas para evitar as dispensas de funcionários, que serão detalhadas no início de 2009. Segundo Della Manna, uma das alternativas é a redução da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição dos salários. “A lei permite que isso seja feito até 20% do salário mediante acordo com os sindicatos.”
A outra alternativa, diz Della Manna, é fazer um acordo para novas formas de divisão de pagamento de benefícios como adicional de férias de 30%, 13º salário e participação nos lucros.
E o interessante é que até agora nenhuma liderança sindical se manifestou sobre tais abusos sugeridos por entidades empresariais - ou, se houve manifestação, ninguém percebeu. Os empresários tomaram a dianteria na discussão. O que é que os sindicatos estão esperando?
Não há dúvidas de que a crise financeira já chegou ao Brasil. São vários os setores que sentem e diminuição das vendas e das encomendas. Entretanto, já há setores gritando antes da hora e se pendurando na gorda aba da União.
As montadoras reduziram a produção com a queda nas vendas de até 20%, dependendo do indicador e do índice econômico analisado. Quase todas ou já concedera ou vão conceder férias coletivas aos funcionários, por períodos maiores do que os usuais.
Para completar, eis o que o setor de autopeças prevê para a primeira semana de janeiro, em texto publicado em 3 de dezembro, no jornal O Estado de S. Paulo:
Diante da queda das encomendas das montadoras, que viram as vendas de carros despencarem, e da redução das exportações, por causa da crise internacional, o setor de autopeças prevê 7,5 mil demissões até o fim do ano. As empresas também vão suspender toda a produção pelo menos durante 16 dias neste mês e dar férias coletivas. Várias planejam reduzir os investimentos.
Sondagem feita pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças) com 95 empresas, responsáveis por 41% do faturamento do setor, aponta para incertezas em 2009. “O primeiro trimestre será muito difícil”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Butori, em nota.
Não se trata de ignorar a crise e seus efeitos, longe disso. Neste mesmo espaço já avia comentado que em breve teríamos que conviver com o fantasma dos problemas retração econômica. O que não se pode admitir é o terrorismo que começa a pipocar na imprensa.
Ameaçar demitir 7,5 mil trabalhadores é terrorismo puro, inaceitável em um momento de ajustes e de análises mais detalhadas sobre o efeito da crise. Esse tipo de terrorismo é o estopim para mais uma onda de pânico financeiro.
Quando a economia cresceu e a indústria bateu seguidos recordes de vendas e produção por quase três anos foi uma festa, todo mundo aproveitou e se esbaldou de ganhar dinheiro. Agora, aos primeitros sinais de problemas, o setor de autopeças resolve, como primeira medida, demitir. Inaceitável sobre todos os aspectos.
Não bastam somente medidas "sindicais" para conter e protestar, é preciso que o poder público, que está acenando com ajudas bilionárias à indústria em âmbitos estadual e federal, tome providências e puna quem resolver demitir.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Depois de muito tempo sem lançar nada, Jeff Beck, um dos maiores guitarristas da história, retorna com novo álbum ao vivo, já à venda pela internet e também na livraria Saraiva. "Jeff Beck Live Performing at Ronnie Scott's Jazz Club" traz uma apresentação realizada em novembro de 2007 na famosa casa noturna de Londres - apesar do nome, até nomes como Dream Theater já tocaram por lá.
É tão bom quando o lançamento anterior, "Live at the BB King's Club", gravado em 2004 em Nova York. O novo CD, que também tem lançamento em DVD, é estupendo, com uma sonoridade inigualável e uma banda mais enxuta, porém estrelada.
Na bateria, o mestre norte-americano Vinnie Colaiuta. No baixo, uma menina franzina de 22 anos, uma virtuose norte-americana chamada Tal Wilkenfeld, que fez bonito com Beck no Crossroads Festival, em agosto de 2007, um festival de blues organizado por Eric Clapton no interior dos Estados Unidos.
O detalhe é que os show registrado no novo CD é o do dia 29 de novembro - Beck ficou o mês inteiro tocando na casa (na internet existe o áudio dos dosi shows, mas com qualidade apenas razoável, sob o nome de "Exhaust Notes").
Os dois últimos, dos dias 29 e 30, foram gravados e tiveram a participação de Eric Clapton nas três últimas músicas, infelizmente não editadas na obra por questões contratuais. Compre já!
Track Listing
1. Beck's Bolero
2. Eternity's Breath
3. Stratus
4. Cause We've Ended As Lovers
5. Behind The Veil
6. You Never Know
7. Nadia
8. Blast From The East
9. Led Boots
10. Angels (Footsteps)
11. Scatterbrain
12. Goodbye Pork Pie Hat / Bush With The Blues
13. Space Boogie
14. Big Block
15. A Day In The Life
16. Where Were You
sábado, dezembro 06, 2008
Do blog 'Trivela'
Mata-mata? Tô fora!
Postado em 05/12/2008 às 16:59 por Caio Maia
Se o Brasileirão deste ano ainda utilizasse a fórmula de mata-mata, haveria neste momento duas torcidas interessadas no campeonato.
Mais: se imaginarmos que a tabela que vai se definir no domingo pode acabar com o Botafogo em oitavo - por mais que isso seja improvável -, não se pode eliminar a possibilidade de que a torcida do Botafogo fosse uma delas.
O que, por si só, já desmoraliza qualquer defesa do sistema.
Brincadeiras com o Botafogo à parte, nem o mais fanático alvinegro carioca pode achar que sua equipe mereceria disputar o título deste ano.
Assim como o Coritiba, o Goiás e até mesmo Palmeiras e Cruzeiro.
Não fizeram por merecer o ano todo, não seria justo que, em uma partida ruim, São Paulo ou Grêmio pudessem ver detonado tudo o que construíram o ano todo.
Vai haver, claro, anos em que as coisas vão se definir mais cedo, e a graça vai ser menor.
A tendência, porém, como estamos vendo ano a ano, é que as pessoas entendam cada vez melhor o sistema, que os clubes também o façam, e a que a graça só aumente.
A se lamentar, apenas o fato de que demoramos tanto tempo para implantar esta fórmula.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Da Folha Online
A vida de Bon Scott, o segundo e principal vocalista do AC/DC, morto em 1980, vai virar filme. A informação é do site especializado "Undercover".
Scott foi encontrado morto no banco de trás de um carro sufocado no próprio vômito
De acordo com o site, foi o cineasta Eddie Martin quem afirmou que está trabalhando em um filme sobre Scott.
O cineasta disse que o projeto vem sendo desenvolvido há dois meses. No momento, ele está empenhado em escrever o roteiro. O elenco e o nome do filme ainda não foram escolhidos.
Scott foi encontrado morto em 1980 no banco de trás de um carro sufocado em seu próprio vômito depois do consumo excessivo de álcool. Naquele mesmo ano, ele foi substituído por Brian Johnson, que gravou com a banda seu principal disco: "Back in Black".
Neste ano, a banda lançou um novo álbum depois de oito anos: "Black Ice", que chegou a liderar as vendas em mais de 29 países.
sexta-feira, novembro 21, 2008
O economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo José Sarney, é muito melhor articulista do que executivo, embora seja um consultor requisitado. Seus textos, bem escritos, geralmente são um amontoado de obviedades. Entretanto, na última edição da revista Veja, ele acertou ao relembrar coisas que geralmente são esquecidas de forma proposital, especialmente pela mídia simpática ao governo lulo-petista:
No governo Collor, a abertura da economia se acelerou; no de Itamar, veio o Plano Real. O período FHC foi rico em novas mudanças: saneamento do sistema financeiro (Proer), Lei de Responsabilidade Fiscal, Comitê de Política Monetária (Copom), câmbio flutuante, metas de inflação e superávits primários. A política econômica modernizou-se. O PT se opôs a tudo isso. Mudar a política econômica era sua obsessão. O título de seu programa de governo nas eleições de 2002 era inequívoco: "A ruptura necessária". Incorporava erros grosseiros de diagnóstico, dirigismo econômico infantil, reavaliação e revisão da privatização, corte voluntarista nos juros, controle de capitais e denúncia do acordo com o FMI. Propunha até um cartel internacional contra os credores externos. Daí por que os mercados azedaram quando perceberam que Lula poderia ser eleito. Felizmente, Lula manteve e reforçou a política econômica (para horror dos petistas e dos que até hoje professam as mesmas idéias). Fomos salvos pela excepcional intuição do presidente e graças aos conselhos de pessoas sensatas como Antonio Palocci e Henrique Meirelles. O Brasil pôde se beneficiar da prosperidade mundial do período 2003-2007. O acúmulo de reservas internacionais permitiu antecipar o término do acordo com o FMI, como ocorreu em muitos outros países. Lula tem reivindicado as glórias dessas realizações. Nunca antes teria havido nada igual. Dá a entender que o pagamento antecipado ao FMI foi um fato isolado e uma decisão pessoal. Coisas da política. Mesmo assim, cabe reconhecer sua coragem em jogar no lixo o programa do PT e outras más idéias sobre a política econômica. Sem isso, em vez do swap com o Fed estaríamos nos preparando para pedir ajuda ao FMI. Mudamos de patamar.
Em que pese todas as restrições que pesem sobre a revista Veja entre os jornalistas em geral - a maioria bossais de esquerda que enxergam na revista a mão de uma suposta direita escabrosa e extremamente liberal -, o veículo é o único que toca na ferida em questões polêmicas.
É o caso das células-tronco e do aborto, assuntos normalmente contaminados pela visão obtusa e nojenta da religião e da "moral", seja ela qual for. O colunista André Petry coloca as coisas em seus devidos lugares:
"Obama prometeu em campanha, e reafirmou depois da eleição, que vai revogar as restrições impostas por Bush às pesquisas com células-tronco embrionárias, nas quais repousam as melhores esperanças de alívio e até de cura de doenças como diabetes, Alz-heimer e Parkinson. Bush proibiu o uso de dinheiro público para financiar essas pesquisas sob o argumento de que, ao destruir embriões, elas matam seres humanos. Bush é da opinião que óvulo e gente se equivalem."
"Nos Estados Unidos, quem melhor representa essa corrente são os radicais da direita cristã. Eles defendem o absolutismo moral, religião infecciosa segundo a qual a moral não comporta exceção. Se eles são contra o aborto, o serão em qualquer situação, mesmo no caso da menina de 13 anos que engravida ao ser estuprada pelo próprio pai. O absolutismo moral é o que leva, como no caso das pesquisas com embriões, à defesa da moral que mata. Mata portadores de doenças incuráveis e fatais. Mata gente para preservar óvulo. Eles chamam essa obtusidade de firmeza."
"A eleição de Obama é um sinal de que as coisas podem mudar. Os eleitores do estado do Colorado, além de escolher o presidente, votaram a Proposição 48, que previa incluir na Constituição estadual que um óvulo fertilizado é igual a uma pessoa – o que implicaria enormes restrições ao aborto e às pesquisas com embriões. Resultado: 73,3% rejeitaram a idéia. No estado de Michigan, a Proposição 2 removia restrições às pesquisas com células-tronco de embriões. A proposta passou por 52,6% contra 47,4%, placar mais apertado que a aprovação do uso medicinal da maconha (62,6% a 37,4%)."