Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
terça-feira, dezembro 08, 2009
O encontro de bons amigos em um bar diferenciado e frequentado por intelectuais da região central de São Bernardo terminou mal. Discussão, gritos, ofensas, indiscrições e pelo menos uma amizade abalada.A brincadeira não foi inocente.
Apesar do elevado número de cervejas importadas na mesa, o nível de embriaguez não poderia ser usado como desculpa para o que foi dito. A intenção era mesmo alfinetar, machucar, cutucar, ferir, como um desabafo, ainda que tardio.
Era a enésima vez que os quatro amigos discutiam a respeito da evaporação da militância petista e de outros partidos de esquerda. As discussões eram frequentes, nunca tinham conclusão, só desilusão.
Só que, desta vez, terminou em briga e mais amargura. Tudo porque o mais velho e mais sarcástico ousou ironizar a falta de pegada e de interesse daquilo que um dia foi a militância que carregou o partido nas costas. “Militante petista que tremula bandeira hoje não o faz por menos de R$ 50 por dia. Estão cobrando mais do que os papais noéis da (rua) Marechal (Deodoro).”
O tom sempre foi duro e cruel. Os dois mais velhos bradavam contra a escolha pessoal do presidente Lula do candidato a presidente em 2010. Dilma Roussef tem a oposição de certa parcela petistas que tolera a submissão do partido ao Palácio do Planalto em todo e qualquer assunto.
Os dois mais novos reclamavam da falta de visão e do saudosismo de um partido que não existe mais, de um tempo que não volta mais. Foram bruscamente interrompidos por um palavrão: “Mensalão não dá!”
A conversa acabou. Um dos mais novos se levantou, falou um palavrão de verdade e foi embora. Sem pagar. O outro mais novo ficou bravo, foi se refugiar no balcão e choramingar para o barman.
O dois mais velhos, em vez de sorrir por mais uma vitória conceitual sobre o que pode ser chamado hoje de juventude petista, olhavam fixamente para as garrafas de cerveja com desalento.
Um murmurou: “Por que é que nos tornamos nisso? Será que vamos nos tornar vazios e pragmáticos que nem esses caras?”
Dois minutos depois de um silêncio ensurdecedor, o outro responde: “Lula disse outro dia que a imprensa não tem que investigar, só noticiar. Será que ele toparia esse esquema 15 anos atrás, quando a imprensa investigou e expôs a podridão dos anos FHC?”
Mais dez minutos de silêncio ensurdecedor, e o mais bêbado falou: “Tem salvação? Será que conseguiremos resgatar ao menos a dignidade de quem lutou por 29 anos por este partido?”
O outro não respondeu. Mas eu gostaria de ter retrucado: “É possível, ainda dá tempo, mas o tempo está acabando. E bastante rápido.”
Em meio a vários oceanos de lama que assolam Executivos e Legislativos pelo Brasil, um erro está aos poucos sendo consertado no Congresso Nacional. Tanto a Câmara como o Senado já aprovaram PEC (Propostas de Emenda Constitucional) ressuscitando a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.
O STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou neste ano a obrigatoriedade do diploma para a profissão. em uma decisão contestada pela categoria e comemorada pelos meios de comunicação e por uma série de obtusos e equivocados que nada entendem de imprensa.
Se a obrigatoriedade voltar, ganham todos, na minha opinião: jornalistas, leitores, anunciantes e o mercado como um todo;
Reproduzo aqui texto do site Comunique-se a respeito do tema.
PEC do diploma é aprovada em comissão do Senado
Da Redação
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, nesta quarta-feira (02/12), a Proposta de Emenda à Constituição 33/2009, que restitui a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. O projeto segue para o plenário da Casa, onde será votado em dois turnos.
Durante a reunião, os senadores expuseram seus pontos de vista sobre a matéria. O presidente da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), foi a principal voz contrária à aprovação. Em sua opinião, a decisão do Supremo Tribunal Federal foi acertada e qualquer tentativa de regulamentar a profissão seria novamente derrubada.
Entretanto, a PEC foi aprovada pela ampla maioria dos membros da comissão. Apenas Demóstenes e seu companheiro de partido Antônio Carlos Magalhães Júnior (BA) votaram contra a aprovação.
De acordo com o autor da PEC, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), a exigência do diploma garante a proteção dos jornalistas.
“Infelizmente, da forma como está hoje, um empresário de comunicação pode dizer o seguinte: ‘meu amigo, você está exigindo um salário muito alto. Então vou chamar o fulano, que tem o segundo grau, e vou pagar a metade do que você está ganhando’”, disse Valadares.
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo, acompanhou a votação e ficou satisfeito com o resultado. “Não existe conflito entre diploma e o livre exercício de expressão. Agora temos um atestado do Senado”.
Apesar da aprovação, a mobilização continua e a entidade busca um consenso com as organizações patronais. De acordo com Murillo, a Fenaj, junto com a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), “pode buscar uma solução que contemple a regulamentação e garanta a liberdade de expressão”.
“Não estamos atrás de enfrentamento, só não vamos aceitar que a profissão seja desregulamentada”, afirmou.
Volker é um alemão bonachão e quase transparente de tão branco. Tem pouco mais de 50 anos e está no Brasil desde 1998. Especialista em comércio exterior, fala cinco línguas, tem um bar em Blumenau (SC) e é representante de uma importadora de bebidas da Alemanha.
Ex-jogador de futebol, atuou pelo Magdebourg, time da cidade de mesmo nome e que foi um dos mais importantes da extinta Alemanha Oriental. Segundo ele, era um volante esforçado, mas sem a menor técnica. Abandonou logo o time de sua cidade natal e se dedicou à universidade.
Volker não pensou duas vezes quando o Muro de Berlim caiu em novembro de 1989. Dois meses depois, já estava morando em uma pensão em Frankfurt, na antiga Alemanha Ocidental e se transformou em um promissor e bem-sucedido executivo de empresas do ramo de bebidas.
Já o Magdebourg, campeão da Recopa Europeia de 1974, três vezes campeão da Alemanha Oriental e sete vezes campeão da Copa da Alemanha Oriental, submergiu nas divisões inferiores do então novo futebol da Alemanha unificada, incapaz de se adaptar à modernidade do mundo pós-comunista.
As duas trajetórias definem bem o que significou para as pessoas, no mundo real, a queda do Muro de Berlim e o fim da utopia comunista, ou melhor, o fim do comunismo real, aquele que tentou ser implantado à força após a Segunda Guerra Mundial.
A opressão dos regimes totalitários do Leste Europeu explodiu em novembro de 1989, provocando um êxodo raramente visto na história da humanidade em direção ao Ocidente.
Ao mesmo tempo, as instituições podres que foram solapadas pelos regimes autoritários daquela região da Europa ruíram e submergiram, como o time de futebol do Magdebourg, e ainda correm atrás do tempo perdido para ao menos diminuir os milhares de anos-luz que as separam do mundo moderno.
Alguns dos historiadores mais importantes do nosso tempo acreditam que a queda do muro é um evento tão importante quanto a queda de Constantinopla, dominada pelos turcos otomanos em 1453, fato que colocou um fim à Idade Média.
Não chega a ser o fim da história, como cravou o pensador norte-americano Francis Fukuyama nos anos 90, mas com certeza tem o peso de ter encerrado uma era da história humana.
O fim do Muro de Berlim deixou o mundo melhor, mais livre, com perspectivas econômicas mais claras e promissoras. Expandiu a democracia e reforçou a tese de que o totalitarismo é danoso ao ser humano.
Pena que o fantasma ainda assombre por aí, especialmente na América Latina, onde existe muita gente com saudade enorme do muro.
O sábado 7 de novembro parecia um feriado na Grande São Paulo. O calor era desértico e desumano e havia poucos seres humanos nas ruas dispostos a enfrentar a temperatura infernal.
Um destes poucos seres era um ciclista de camiseta regata azul e bermuda branca, pedalando um modelo antigo, detonado e descascado, exalando imprudência e arrogância.
Ignorou solenemente o semáforo fechado na rua Catequese, em Santo André: avançou em plena contramão como que desdenhando do movimentado cruzamento com a rua das Figueiras.
O primeiro automóvel que descia a Figueiras, na faixa da direita, conseguiu frear e desviar. O segundo, que estava na faixa central, não teve tempo. Colidiu com a bicicleta e atirou seu condutor a quase 30 metros de distância. Desacordado, tinha as duas pernas fraturadas e sangue por todo o rosto.
O condutor do automóvel estava em pânico, um rapaz de 30 anos vestido com camisa social e calça preta impecável. Ia a um culto em uma igreja evangélica nas redondezas.
Logo ele foi consolado por pelo menos cinco pessoas, enquanto um carro de resgate dos Bombeiros lavava o ciclista ferido ao Hospital Municipal. As cinco pessoas se prontificaram em eventualmente a testemunhar a favor do motorista, fornecendo nome, telefone de contato e endereço.
Esse motorista teve sorte de ao menos encontrar gente honesta e com discernimento, que claramente entendeu a responsabilidade do ciclista no acidente. Quase nunca isso acontece. Quase sempre a praga do politicamente correto prevalece e os condutores de automóveis são acusados, satanizados e quando não linchados - sejam culpados ou não.
O fato é que, se o Brasil ignora a necessidade de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo e a necessidade de construção de ciclovias, também é verdade que os ciclistas desrespeitam deliberadamente as leis de trânsito e se julgam no direito de se arriscar perigosamente no pesado trânsito das grandes regiões metropolitanas.
Ciclistas pedalam sem constrangimento e sem vergonha pelas calçadas, andam na contramão, ignoram semáforos e faixas de pedestres.
Como bicicletas são veículos que não possuem registros nem placas de identificação, seus condutores cometem todo tipo de abuso e de delito e ficam impunes.
Exigem respeito e querem que seus direitos sejam respeitados. Mas se ofendem quando são cobrados quando desrespeitam as leis de trânsito e a boa educação da vida em sociedade. Continuarão a ser massacrados no trânsito pesado. Não tentei e não tentarei mas, por mais que tentasse, não conseguiria ter penas deles.
O país do mensalão, das obras superfaturadas e dos escândalos dos presidentes das Casas do poder legislativo - aliados do governo federal, é bom frisar - sempre recebeu de braços abertos criminosos de todas as praças e de todos os calibres.
Passaram e viveram por aqui desde os folclóricos, como o inglês Ronald Biggs, famoso por assaltar um trem pagador na Inglaterra em 1963; os perigosos e assassinos, como o traficante colombiano Abadía; mafiososo importantes, como o italiano Tommaso Buschetta; e também traficantes árabes de armas, chefões do crime organizado da Rússia e da China.
Então por que a gritariam em torno de Cesare Battisti, assassino e terrorista italiano, “suposto” ativista político? Seria só mais um na galeria de criminosos famosos e notórios a viver no Brasil.
Ok, o caso do terorrista tem peculiaridades: ele é terrorista - parece ser até agora o único desta laia a ter a cara de pau de pedir asilo ou refúgio político no Brasil; conta a simpatia e a “proteção oficial” do Estado, a julgar pela estapafúrdia decisão do ministro (???) da Justiça, o nenhum pouco comptente Tarso Genro; apesar das seguinsdas condenações por assassinato em dois países - Itália e França - insiste e se dizer inocente e “perseguido político” (o pior é que tem gente que cai nessa esparela, muitos de forma ingênua, mas mas a maioria de forma ideológica e deliberada).
O STF (Supremo Tribunal Federal) vinha progressivamente perdendo credibilidade por conta de inúmeras decisões equivocadas e assustadoras, é só verificar que ainda não tomou providências em relação ao caso da censura ao jornal O Estado de S. Paulo, proibido de noticiar negociatas do filho de José Sarney. Agora deliberadamente se omite no caso Battisti, mesmo votando pela extradição, mas deixando a decisão para o presidente Lula.
Se Lula permitir que o terrorista fique no Brasil , estará institucionalizando o país como o refúgio oficial de criminosos. Oficializará aquilo que já existe de fato, só que agora com a chancela e o apoio do governo federal. Será que teremos para isso uma versão do Bolsa Família para atrair seres desse tipo?
Existe um quinto escalão do serviço público aparelhado, em todas as esferas, que ainda acredita que tem algum tipo de influência na sociedade e na vida cotidiana do Brasil. Parte dessa gente, que para mim não passa de seres inomináveis, está antecipando a campanha eleitoral presidencial de 2010 pregando a ruptura institucional.
O professor Flávio de Souza, que tem blog neste portal ABCD Maior, já tinha alertado recentemente sobre uma faixa no Paço Municipal de São Bernardo parabenizando o presidente Lula por qualquer coisa e e assinando algo como “Lula 2010″, sugerindo um terceiro mandato impossível para o presidente.
Esse assunto já está devidamente enterrado no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional, por mais que ainda haja algum parlamentar puxa-saco que eventualmente faz esse tipo de pregação em algum boteco. No entanto, esse tema ainda domina conversas no submundo do funcionalismo aparelhado e nas esferas mais baixas e menos inteligentes do PT.
O quinto escalão aparelhado do funcionalismo tentou aplicar um golpe escuso na prova do Enade (Exame Nacional de Desempenho do Estudante), no último domingo, com perguntas cretinas e estúpidas, elaboradas de forma ideológica com o objetivo de glorificar o presidente. É claro que isso não passaria impune e acabou por constranger mais uma vez o governo federal.
Lula não precisa disso. Tem apoio popular maciço e está fazendo um governo até que razoável, apsar dos apagões, dos mensalões e da política externa estapafúrdia. Esse tipo de articulação no submundo não ajuda em nada, apenas expõe o medo do funcionalismo aparelhado de perder a sinecura em uma eventual mudança de governo.
Redução de jornada de trabalho aumenta o número de postos de trabalho? E a diminuição das horas extras? Terá o mesmo efeito? Ouço essa discussão há pelo menos 15 anos e as respostas são as mais variadas, e quase nunca objetivas.
O senso comum mostra que as respostas deveriam se basear na matemática: se as pessoas trabalham menos, é necessário mais gente para suprir as horas a serem trabalhadas com mais gente. O raciocínio é o mesmo para a questão das horas extras.
Entretanto, o mundo real não é cartesiano e direto como a matemática. A economia é igulamente traiçoeira, especialista em desmentir teses e teorias prontas. A realidade costuma driblar as boas intenções.
Nesta semana o Ministério Público de Minas Gerais entrou com uma reprsentação na Justiça mineira exigindo que a Fiat, que tem fábrica em Betim, diminua a exigência por horas extras e que, para suprir a demanda, contrate mais gente.
A intenção é louvável, mas a medida é estapafúrdia e complentamente sem sentido. Não cabe ao Ministério Público ou à Justiça determinas os rumos da economia. Devem, no máximo, coibir abusos e corrigir ilegalidades e descumprimento de lei.
Estabelecer o fim de horas extras por decreto não existe, é a melhor maneira de piorar as coisas. Além do mais, ninguém perguntou a quem faz hora extra o que acha disso. Acho que esse trabalhador não ficará feliz de perder renda extra.
Não bastase isso, uma pesquisa feita pelo Sebrae paulista indica que 70% dos micro e pequenos empresários não deverão aumentar seus quadros de funcionários na hipótese de a redução de jornada de trabalho for aprovada pelo Congresso Nacional - de 44 horas semanais para 40 horas.
Os empresários alegam que a redução da jornada de trabalho, em vez de aumentar vagas, vai causar retração no mercado e até demissões, já que o custo de um emprego formal aumentará.
Todos eles são unânimes: reduzir a quantidade de horas trabalhadas somente não basta para gerar emprego, ainnda mais se este fica mais caro. É necessário reduzir impostos, ou seja, tornar os custos do emprego formal mais baixos para que haja espaço para novas contratações. E infelizmente esse raciocínio faz sentido.
Relator da proposta de emenda constitucional da redução de jornada na Câmara dos Deputados, o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), informou que até o momento não há proposta de compensação tributária às micro e pequenas empresas apresentada para discussão.
Parece que mais uma vez a realidade ameaça pregar uma peça em todos nós.
Marketing é uma das três áreas mais fascinantes das ciências humanas. Assim como a política, é uma ferramenta presente 24 hras por dia na vida das pessoas, qualquer pessoa - e frequentemente são pouquíssimos os que se dão conta disso.
Armei-me de fôlego e paciência para conseguir assistir as duas partes do filme “Che”, do ótimo cineasta Steven Soderberg e estrelado pelo igualmente ótimo Benicio Del Toro, ganhador do prêmio de melhor ator do Festival de Cannes pelo papel.
Esperava uma fita muito ruim, coalhada de clichês e ovações gratuitas ao personagem histórico. Surpreendi-me ao ver uma obra realtivamente equilirada e distanciada - até onde isso é possível em se tratando de Che Guvara, astro e rosro principal da Revolução Cubana de 1959.
Deliberadamente o roteiro e a direção evitam a polêmica e os temas mais pesados, de certa forma atenuam os fracassos políticos e militares - compreensíel, afinal esse não era o foco do filme, que merece ser visto pela qualidade da direção e pelo esmero da produção.
Assim como o que de melhor foi produzido em termos de biografias, o filme ajuda a reforçar o mito em torno de Che, tornando-o muito mais do que realmente foi. E esse é grande segredo do marketing, muito mais importante do que a propaganda.
O marketing transformou um coadjuvante da revolução em rosto e imagem da mesma, no retrato magistral do fotógrafo Alberto Korda estampado em camisetas e tatuagens.
O coração e a alma estavam em Fidel Castro, Raul Castro e o núcleo central do comando da revolução. Mas a imagem é a do médico argentino agregado ao comando da revolução, que teve pífio como ministro e gestor em Cuba e que acabou fracassando nas campanhas revolucionárias do Congo e da Bolívia - isso para não mencionar outros atos desabonadores.
Che Guevara é a prova definitiva de que o marketing funciona. Independente de suas convicções políticas e ideológicas, o fato é que a trajetória do coadjuvante se tornou maior do que a própria revolução cubana e deu esperança de mudanças a pelo menos duas gerações. Negar a sua importância história é brigar com s fatos e com a história.
quinta-feira, outubro 08, 2009
Um cidadão muito bem vestido e com uma namorada linda pretendia assistir a um filme em uma sala de cinema em Santo André. Sem corar de vergonha, apresentou uma carteira de estudante na hora de pagar. Queria a meia entrada. A carteira era de um curso de MBA, que costuma custar de R$ 15 mil a R$ 25 mil.
Cumprindo a sua função, a funcionária exigiu o comprovante de matrícula. Deu-se mal. O cidadão bem vestido transformou-se em um animal, humilhou a funcionária e disse ser promotor público.
Gritou, esbravejou e ameaçou prender todo mundo. Depois de muita gritaria e briga, o gerente cedeu e vendeu a meia entrada. Isso ocorreu em janeiro deste ano.
Ainda no primeiro semestre, uma espectadora ganhou na Justiça um processo contra uma empresa que promove shows por não conseguir comprar um ingresso pela metade do preço, mesmo sendo estudante e apresentando a carteirinha.
O artigo 2º da lei municipal nº 11.355/93 limita a 30% do total a carga destinada a estudantes em qualquer espetáculo.
Inconformada, a estudante comprou o ingresso inteiro, mas decidiu processar a empresa promotora pela limitação da carga de ingressos para estudantes, alegando a inconstitucionalidade da lei municipal. A garota ganhou em duas instâncias o direito de ser indenizada.
Os dois casos ilustram a dificuldade de aplicar e fiscalizar a lei da meia entrada. O espírito da lei é válido, mas foi corrompido. A medida foi elaborada com a melhor das intenções, como uma forma de facilitar o acesso à cultura aos estudantes carentes e estimulá-los a procurar os espetáculos e ir a museus, por exemplo.
Só que faltou cuidado na elaboração da lei, em todas as suas versões pelo país afora. Em nome de uma oportunista “igualdade”, o mesmo estudante carente que sempre esteve excluído do acesso à cultura é equiparado ao aluno abonado de colégios e faculdades particulares, que pagam mensalidades superiores a R$ 1 mil – e parte deles provavelmente gasta R$ 500 em qualquer balada por aí.
A lei tem de ser revista de forma urgente em todo país, com a consequente redução da emissão de carteiras e do estabelecimento de critérios muito mais rígidos sobre quem tem direito e quem não tem, levando-se em conta a situação financeira e a idade do estudante.
A lei penaliza o resto da população, já que os ingressos “normais” praticamente dobram de preço em alguns espetáculos para cobrir o rombo causado pela disseminação da meia entrada picareta – atitude que não pode ser condenada, infelizmente. Do jeito que é aplicada hoje, de forma equivocada, torna-se inaceitável.
domingo, outubro 04, 2009
A tropa de choque que tenta defender Lula, o governo Lula e o petismo em geral por aí acha que está ajudando, mas só torna patética qualquer iniciativa nesse sentido. Criar um clima de arquibancada nas discussões analíticas sobre o legado do lulismo só serve de munição para os adversários, que andam em baixa neste segundo mandato.
Dividir o Brasil entre os contra e os favoráveis a Lula, como tenho visto ultimamente, é de uma pobreza de espírito e de uma indigência intelectual que chega a ofender.
Os supostos defensores do governo Lula são paranoicos, enxergam conspirações atrás de cada poste e não suportam ler ou ouvir críticas, sejam elas quais forem.
Alguém deve ter falado, de brincadeira, que Lula tinha ganho imunidade contra qualquer tipo de crítica, e tem gente que acreditou.
O mais estapafúrdio é que a pífia tropa de choque do governo Lula toma como ofensas pessoais ao presidente a enxurrada de críticas que a candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016 vem recebendo. Críticas e reclamações que estão sendo feitas desde 2000, quando a cidade quis sediar a Olimpíada de 2004, 2008, 2012…
As bobagens da tropa de choque, na maioria das vezes, encobrem os bons argumentos de gente qualificada na imprensa e na blogosfera que apoia o governo federal. Eu sei que é difícil, inteligência não se acha na esquina, mas esse pessoal precisa, ao menos, se esforçar em pensar.
Responsabilidade fiscal parece não ser um conceito muito difundido no Ministério da Fazenda. A troca de críticas entre o ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, só demonstra claramente que o primeiro não tem condições de permanecer no cargo. Na verdade, nunca deveria nem passar perto do ministério.
Meirelles, com toda a razão, alerta para o crescente aumento dos gastos públicos, fato que tem impacto direto na inflação. Mantega estrilou.
O relatório de inflação do Banco Central, publicado na quinta-feira da semana passada, chamava a atenção para o aumento de gastos de custeio, especialmente para aquelas despesas dificilmente redutíveis, de acordo com os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.
O texto menciona o problema da rigidez do orçamento. Isso contribuiu para alimentar discussão sobre o risco de pressões inflacionárias causadas pelo gasto público crescente.
Segundo relato do jornal Folha de S.Paulo, Henrique Meirelles, teria dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pode ser necessário elevar os juros antes do início do ano que vem.
Quem diria que sentiríamos saudades de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda.
Contra todos os prognósticos, o Rio de Janeiro sediará a Olimpíada de 2016. Algumas estimativas sugerem que os gastos para receber o evento ficarão entre US$ 9 bilhões e US$ 14 bilhões.
Como se o Brasil pudesse dispor desse dinheiro para organizar um evento dispensável, caro e que dá prejuízo. O retorno não vale o investimento, como aconteceu com Montreal (Canadá, 1976), Atlanta (EUA, 1996) e Atenas (Grécia, 2000). Não foi à toa que a rejeição da população de Chicago foi grande, fato antes impensável em relação a uma finalista.
Assim como a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada do Rio é apenas um factóide, mas um factóide trágico, pois será uma farra de gasto público e uma festa para os corruptos que atuam livremente no Brasil, sem ser incomodados.
O Rio de Janeiro é uma das cidades mais violentas do mundo e dominada pelo crime organizado. A ausência do Estado é tamanha que prefeitura e governo estadual só conseguem governar Copacabana.
A escolha do Rio como sede da Olimpíada é uma irresponsabilidade internacional, assim como a decisão de se candidatar foi uma irresponsabilidade. Só vai servir de instrumento eleitoreiro a partir de 2010.
É incrível como tem gente que ainda dá espaço para pseudo-intelectuais ressentidos, rancorosos e paranoicos que adoram enxergar conspirações midiáticas contra os “amigos”, especialmente se esses “amigos” estão no poder. Menos mal que atualmente há cada vez menos espaço para esse tipo de gente escrever besteira.
O valor que damos ao conhecimento será a referência que teremos para saber que tipo de futuro teremos. E que tipo de sociedade teremos. Sábias palavras do professor Péricles Eugênio da Silva Ramos, brilhante intelectual que deu aulas por muitos anos na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, de São Paulo.
O desprezo pela comunicação e pela informação qualificada terá impacto direto nas próximas gerações. E não é um fenômeno exclusivo do Brasil ou do Estado de São Paulo. O europeus já detectaram a gravidade do problema.
A preocupação ganhou as páginas do jornal espanhol El País, em um artigo do escritor Rafael Argullol – e que mereceu citação também na coluna de Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo, no dia 8 de setembro.
Argullol reclama que os professores universitários das melhores faculdades da Espanha estão se aposentando precocemente por conta do “desinteresse intelectual da grande maioria dos alunos e pela asfixia burocrática da vida universitária”.
Cenário parecido já pode ser observado na USP, em seu campus principal, em São Paulo. Não são poucos os professores que reclamam da progressiva falta de interesse dos alunos, nos objetivos pouco edificantes de quem apenas busca um certificado e mais nada.
Argullol foi mais além. Afirma que os professores se sentem ofendidos com o desinteresse e que os identificavam como o grupo social com menos interesse cultural na sociedade.
O que explicaria, de certa forma, que “não lessem a imprensa escrita, a menos que fosse de graça, e que não buscassem livros fora das bibliografias oficiais ou não frequentassem conferências que não rendessem créditos para a aprovação”.
A opção pela ignorância está ganhando espaço em nossa sociedade e isso parece não constranger ninguém. Está passando despercebido por nossos gestores e nossos administradores.
E não é necessário fazer um estudo aprofundado sobre o assunto. É só tentar assistir a uma aula em uma faculdade privada qualquer na Grande São Paulo ou tentar acompanhar uma entrevista de emprego em uma empresa ou agência de empregos. O nível rasteiro é assustador.
Desvalorizar o conhecimento e a informação é a melhor forma de abortar o futuro – qualquer futuro.
Meia hora debaixo de um sol chato para ir do km 18 da via Anchieta, em São Bernardo, até o km 10, o início do trecho urbano paulistano da mesma estrada, às 14h de uma quinta-feira. Nas últimas duas semanas, essa situação foi constante a partir das 13h. Pela manhã, entre 7h e 11h, o mesmo trecho às vezes demora mais de 40 minutos para ser percorrido.
O tráfego indecente e insano ameaça transformar a via Anchieta e até a via Imigrantes em imensas avendias 23 de Maio, que liga o centro de São Paulo à zona sul: filas imensas e inertes de veículos em congestionamentos intermináveis - é bom lembrar que isso jpa acontece na via Dutra pela manhã, na chegada a São Paulo.
Essa é só mais uma face do indecente descaso com a infraestrutura nos governos do PMDB e PSDB desde 1982, ano em que André Montoro assumiu o Palácio dos Bandeirantes.
Se houve investimento em estradas como a Bandeirantes, Ayrton Senna, Carvalho Pinto e a sgunda pista da Imigrantes, houve omissão criminosa em relação à pífia extensão do metrô paulistano e à inexistência até hoje de um rodoanel rodoviário. Já passou da hora de o povo expulsar os tucanos encastelados no Palácio dos Bandeirantes.
O cancelamento do Enem por suspeita de fraude evidencia duas coisas. A primeira é que, por mais que haja sigilo sobre provas de concursos públicos diversos, por mais que sejam bem feitos e haja transparência, sempre há a possibilidade de vazamentos, justamente porque não se pode ter evitar que um vagabundo com acesso ao material roube e tente ganhar dinheiro com a “informação privilegiada”.
A segunda coisa que merece destaque é o estupendo trabalho de reportagem realizado pelos jornalistas do jornal O Estado de S. Paulo. Conseguiram uma informação exclusiva que provocou o cancelamento do maior aparato de avaliação já realizado no Brasil.
E tem gente bque ainda diz que o jornal impresso está acabado. Em diferentes estágios, a grande imprensa esbanja vitalidade, para desespero dos coitados que anseiam por um Estado autoritário, partido único e censura à imprensa.
É verdade que ainda ocorrem erros imperdoáveis - assim como nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra. Mas os grandes jornais mostram que estão fortes, para o bem da nação. E mesmo que não estivessem, é preferível uma imprensa ruim a nenhuma imprensa ou uma imprensa amordaçada e tutelada por um Estado autoritário.
Outro dia li em um vidro traseiro de um veículo em Santo André: “Motoqueiro no chão, vitória da civilização”. Por mais engraçado que seja, e por mais espírito de porco que seja o autor, não dá para ao menos refletir sobre isso.
Os motoqueiros, principalmente os motoboys, fazem questão de desrespeitar todas as regras de trânsito e de hostilizar quem “obstrui o seu caminho”. O mesmo comportamento tem a molecada descerebrada que adora apostar corridas e “empinar” suas 125 cc em avenidas movimentadas.
Diante dos inúmeros absurdos diários cometidos pelos motociclistas, não consigo sentir pena daqueles que vejo caídos pelas ruas em consequência de acidentes.
A minha democracia é melhor que a dos outros, já dizia, de forma jocosa, um importante sindilicalista do ABC que alcançou fama nacional. Uso a mesma frase para qualificar a forma como está sendo discutida a trapalhada absurda em que a diplomacia brasileira se meteu - de forma involuntária ou não.
O que mais vemos são palpites, meros palpites, mesmo nos grandes jornais. Só dá palpiteiro em todos os lugares, especialmente aqueles que se julgam radicais de esquerda, mas que não passam de revoltadinhos de boteco e de centro acadêmico.
Se o presidente é supostamente de “esquerda” e é tirado do poder, mesmo que tenha violado a lei e a constituição, então é vítima de golpe.
Se o presidente supostamente é de direita e cai, não se fez mais do que Justiça, com a “vitória das forças democráticas e populares” restabelecendo a ordem. Curioso - e ridículo - esse tipo de comportamento.
Manoel Zelaya, o presidente deposto, foi ou não vítima de um golpe? Quem o apeou do poder é ou não golpista, mesmo que a Constituição hondurenha permita que a Suprema Corte (o STF de lá) intervenha quando o presidente da República subverte a ordem e atropela as regras democráticas?
Isso tudo não tem a menor importância para nós, brasileiros. Honduras é um país insignificante internacionalmente, uma republiqueta de banana, como está demonstrado. E o caso está tendo a devida repercussão na imprensa brasileira: crítica, mas beirando a galhofa.
Levar a sério o que ocorre em Honduras é só reforçar o terdceiromundismo de uma diplomacia perdida e incompetente, que leva rasteiras seguidas de Morales e Correias da vida.
Todo golpe de Estado tem de ser condenado e execrado, onde quer que aconteça. O mesmo precisa ser aplicado quando a democracia corre perigo e as leis são atropeladas.
Parece ser o caso de Zelaya, como foi comChávez, Morales, Ortega e Correia, loucos para se eternizarem no poder usando as “regras” da democracia para isso. Assim como no futebol, não existem mais bobos no mundo. Uma hora alguém reage.
Qual é o valor do conhecimento? A pergunta anda frequentando os horários comerciais de televisão em campanha publicitária do jornal O Estado de S. Paulo. É uma questão pertinente, que está no centro da discussão sobre a sobrevivência dos veículos de comunicação impressa e o futuro das mídias eletrônicas.
A pergunta serviu de pretexto para pelo menos dois professores de duas faculdades e cursos distintos tentarem exercitar em seus alunos a curiosidade pela informação e pelo conhecimento em si. Uma das faculdades, de direito, fica em São Paulo. A outra, de jornalismo, no ABCD. As duas instituições são privadas.
Como aulas, as experiências foram ótimas, os debates foram intensos e pelo menos forçou os alunos a pesquisar um pouco antes de partir para a discussão em si. Os resultados, entretanto, foram desapontadores e preocupantes: predominaram os palpites estapafúrdios, a completa confusão de conceitos e a total falta de informação.
Esse comportamento está disseminado pela maioria das instituições de ensino superior paulistas, e tudo leva a crer que o mesmo quadro se repete no ensino médio. A desvalorização do conhecimento e da informação cresce na proporção inversa da proliferação indiscriminada de faculdades pelo país.
A chamada universalização do ensino superior, que começou no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso – e que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade – foi reforçada no governo Lula.
A frouxa fiscalização do Ministério da Educação estimulou a criação de cursos de fundo de quintal e produziu uma situação bizarra: a explosão de cursos superiores esbarrou nos próprios critérios de aprovação do ministério.
O resultado é que milhares desses cursos desqualificados acabam não sendo reconhecidos, que leva outros milhares de estudantes a terem um diploma que vale menos do que nada. São consumidores lesados que devem processar não só a faculdade de fundo de quintal, mas também o governo federal, que permitiu o surgimento de tais arapucas.
A proliferação indiscriminada dessas instituições levam a crer que basta ter um diploma para “melhorar de vida”. O resultado é explosivo: milhões de recém-formados analfabetos, sem a menor condição de atuar em qualquer mercado de trabalho.
Não é de hoje que o Estado, nas três esferas, aumenta o intervencionismo na vida privada dos brasileiros. Os exemplos ocorrem aos montes. Primeiro foi a autoritária, desastrosa e inconstitucional lei paulistana que baniu cartazes, letreiros e outdoors, em um flagrante absurdo. Depois veio o governo do Estado de São Paulo determinando onde e quando as pessoas podem fumar, se é que podem fumar.
Na esfera federal, o governo estende seus tentáculos agora no pré-sal, com o argumento discutível de que se trata de reserva estratégica. Aproveita o mesmo argumento e aparelha a Petrobrás com apaniguados incompetentes, fruto de indicações políticas, que em breve, certamente, comprometerão o bom desempenho empresiarial e industrial da multinacional.
Por fim, o mesmo governo federal, por meio de ministros mal intencionados e deputados federais loucos para agradar o Palácio do Planalto, começam a invetar projetos para aumentar a já intolerável carga tributária que pesa nos ombros do brasileiro. Uma carga tributária de níveis escandinavos para uma pretsação de serviços digna de países paupérrimos como Ruanda e Haiti.
O Estado é a raiz da organização da sociedade moderna, não só em termos de gerenciamento de máquina pública, mas como indutor (e não condutor) do desenvolvimento econômico e social.
Mas o que vimos desde sempre no Brasil, começando com Getúlio Vargas, passando por Juscelino Kubitschek, pelos nefastos governos militares, por Sarney, Collor e FHC, é um Estado voraz, pesado e vampiresco, louco para interferir cada vez mais na vida privada, na sociedade privada, no mundo privado.
Com juros altíssimos e carga tributária proibitiva para novos e velhos investimentos, ainda há quem defenda mais impostos. Qual a finalidade? Aparelhar ainda mais a máquina pública, nos três níveis?
Governo não gera riqueza e frequentemente gerencia pessimamente os recursos - o caso do Brasil é emblemático neste tópico, seja em governos do PT, PSDB, MDB, Arena ou militar.
Comendo 40% de toda a riqueza produzida pelos brasileiros, o Estado brasileiro mantém o Legislativo inchado, a saúde cada vez pior, a educação permanece mais e mais sucateada e a infraestrutura esfarela a olhos vistos - é só passear pelas “estradas” mineiras, baianasm goianas, pernambucanas, matogrossenses…
Para que então mais impostos, se o Estado, em suas várias encarnações políticas, joga dinheiro fora ou joga no colo da corrupção. Menos Estado, menos imposto, e já.
De forma involuntária, e sem que o governo Lula tivesse o controle da situação, o ex-presidente de Honduras Manoel Zelaya ajudou a colocar mais terra na sepultura da equivocada política externa terceiromundista brasileira.
E não se trata apenas de uma simples discussão de arquibancada, de quem é conmtra ou a favor. É tãosomente a constatação de que a política externa brasileira é nula, pífia, insignificante, que é incapaz de se precaver das ações de um lunático como Zelaya.
E que tem a capacidade suprema de se tornar refém de pseudo-ditadores de republiquetas de banana, como Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) - sem falar nas inúmeras concessões à Argentina do casal populista Kirchner sem ao menos dicutir o mérito das questões.
Por tudo isso, fica cada vez mais patética as tentativas frutradas (ignoradas pelo mundo) de tornar o Brasil um “líder político” mundial, como reivindicar uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU.
As bobagens e trapalhadas em relação aos problemas dos vizinhos só reforçam a tese de que a política externa do Brasil está esquivocada ao privilegiar nações terceiromundistas insignificantes.
Se quer mesmo ter algum tipo de influência e liderança, o Brasil precisa se voltar para o mundo desenvolvido, incrementar cada vez mais sua economia, que é forte, e mostrar que tem como peitar as nações ricas em discussões relevantes, como as questões de subsídios agrícolas no mundo e a questão ambiental.
Entretanto, o fato de Zelaya ser lunático e de ter exposto a política externa brasileira mais uma vez ao rid[iculo, uma coisa precisa ser ficar muito clara: sua deposição do governo hondurenho foi abjeta, absurda e inaceitável.
Provocado pelor Antonio Sena, essa questão é fundamental para qualquer debate a respeito da democracia no continente. A democracia é a melhor das formas de governo, entre outras coisas, porque permite contradições.
Permite que projetos políticos consigam, por meio do voto, chegar ao poder e acabar com a própria democracia.
O caso de Honduras é complexo e remete ao que ocorreu na Venezuela, na Bolívia, que pode ocorrer no Equador e também na Colômbia: caudilhos tentam se eternizar no poder.
Em Honduras a situação é indecente porque houve golpe de Estado e golpe contra a democracia. Por mais que o jeitão político de Zelaya seja desprezível, apoiar golpe de qualquer tipo é execrável. Democracia acima de tudo.
Por outro lado, é mais do que preocupante essa tendência de eternização no poder. O que ocorre na América Latina é a implantação de ditaduras plebiscitárias e personalistas usando a democracia como instrumento. Chávez, Morales e Correa se enquadram nessa tendência. Essa tendência precisa ser contida.
Por exemplo, o governo Chávez está levando a Venezuela ao buraco, mas assim mesmo, mesmo que ele tenha provocado algumas rupturas institucionais, apoiar um golpe contra ele é algo inaceitável.
Os próprios venezuelanos precisam entender os riscos sérios de destruição do país. Se for o caso, que Chávez seja apeado do poder pelo voto, e não por com a ajuda de interferências externas - o que não significa que as provocações dele e de seus fantoches da Bolívia e do Equador não tenham de ser respondidas à altura, coisa que infelizmente o Itamaraty se recusa a fazer.
terça-feira, setembro 29, 2009
do blog do jornalista Paulo Calçade
Sucesso ameaçado
O sistema de pontos corridos continua incomodando muita gente.
Notícia estarrecedora no ‘Painel’ da Folha revela que foi apresentado aos clubes um projeto para reformular o Campeonato Brasileiro. Mais uma vez.
É o fantasma do retrocesso. Veja a nota da Folha:
Nova propostaSão inúmeras as vantagens do sistema de pontos corridos:
1- Todos as equipes participantes iniciam e terminam a disputa na mesma data. Vital para a "venda" das propriedades dos clubes, como patrocínios de camisa, calções, placas... É preciso entregar ao comprador um cenário estável no ambiente dos negócios.
2- O sistema atual obriga, força, determina, impõe que os clubes procurem se organizar durante toda a temporada. Faz com que o planejamento se transforme na essência do departamento de futebol. Fundamental para o futebol no país. Com mais clubes nesse caminho, teremos campeonatos melhores. Nivelados por cima.
3- No mata-mata não existe planejamento. Mas funciona bem em outros torneios, como Libertadores, Copa do Brasil e Uefa Champions League. Nunca para um campeonato nacional, que deve ser a base do calendário.
4- No mata-mata é possível chegar a outubro com perspectiva de classificação para a fase decisiva. Aparentemente isso motiva mais o campeonato. Trata-se de um grande engano, pois retarda algumas decisões importantes na montagem das equipes. Induz ao erro, a uma "emocionante" disputa pela oitava vaga, por exemplo. Na classificação atual, até o Cruzeiro estaria brigando por uma vaga, com 35 pontos, na 13ª posição.
5- Quem vendeu jogadores e trabalhou mal na reconstrução da equipe estaria na mesma situação daqueles que fizeram milagres para manter seus jogadores. Competentes e incompetentes no mesmo nível.
6- Quanto pior o cenário, quanto mais bagunçado o campeonato e seus clubes, maior será a dependência do dinheiro da televisão. Clubes sólidos e organizados têm mais condições de discutir a estrutura do futebol brasileiro. Veja o caso do Internacional, que hoje arrecada mais dinheiro com seus sócios do que com a televisão. Esse tipo de instituição não interessa para quem tem o poder.
7- A televisão deve ser cliente do futebol e não sua gestora.
8- Não entre nessa de mata-mata. Até os infindáveis erros de arbitragem serão piores, pois não há chance de recuperação na tabela, diferentemente dos pontos corridos.
A Globo Esporte, braço da emissora que cuida de eventos esportivos, enviou proposta aos clubes para alterar o formato do Brasileiro. Sugere a volta do sistema de mata-matas, com duas vagas na Libertadores para os dois primeiros na fase de classificação e outras duas para o campeão e o vice. Caso se repitam, elas seriam dos semifinalistas. A Globo também sugere uma inversão na janela de transferência. Quatro semanas em janeiro e 12 entre junho e agosto, o que permitiria a jogadores repatriados atuar já no mês de junho.
segunda-feira, setembro 28, 2009
do Poeira Zine
1 – Robert Plant (The Who)
O futuro vocalista do Led topou com o Who em 1965, numa curta e obscura época em que Roger Daltrey havia sido demitido da banda. Num show de ‘aquecimento’, Pete Townshend estava cuidando dos vocais e Plant estava na platéia. No final do desastroso concerto, Plant se ofereceu para ser o novo vocalista do grupo. Townshend levou como ofensa – na sua cabeça - se Plant tinha se oferecido é porque na certa não aprovou o guitarrista nos vocais. Nunca rolou uma audição propriamente dita já que uma semana depois Daltrey estava de volta.
2 – Stephen Stills (The Monkees)
A banda recrutou músicos para uma participação na sua série televisiva. Um desses músicos foi exatamente Stephen Stills, reprovado por ter um dente podre.
3 – Elton John (Spencer Davis Group)
O jovem tecladista e vocalista Reg Dwight, como era conhecido na época, queria arrematar a vaga deixada por Steve Winwood, que tinha se mandado para fundar o Traffic. Não colou. Sua voz não agradou Spencer Davis.
4 - Elton John (King Crimson)
Frustrado com sua audição para o Spencer Davis Group, Reg Dwight ataca novamente, dessa vez em janeiro de 1969, buscando uma vaga de vocalista do King Crimson. Novamente foi reprovado.
5 – Mitch Mitchell (Emerson Lake & Palmer)
Com o pau comendo solto no Experience, Mitchell se animou para tocar no novo super-grupo que Keith Emerson e Greg Lake estavam montando. O batera também achou que convenceria Hendrix a participar do projeto, no entanto, Carl Palmer assumiu o posto deixando Mitchell desolado.
6 – Phil Collins (Vinegar Joe / Manfred Mann’s Earth Band)
Collins tinha sido ator na infância e tentava a todo custo ganhar a vida como baterista. Fez teste para a banda de Robert Palmer e Elkie Brooks (Vinegar Joe) e para o novo projeto prog de Manfred Mann. Foi reprovado em ambos. Tudo isso antes dele aparecer no Genesis.
7 – Peter Frampton (The Rolling Stones)
Reza a lenda que além de Frampton, Jeff Beck, Rory Gallagher, Roy Buchanan e Harvey Mandel fizeram audições com os Stones, em 1974, visando preencher a vaga deixada por Mick Taylor. A banda frustrou todos os candidatos, ficando com seu companheiro de bebedeira, Mr. Ron Wood.
8 – James Taylor (The Fugs)
Quando os poetas anarquistas dos Fugs estavam à caça de músicos para transformar tudo aquilo em música, um jovem cantor e compositor folk tentou em vão ficar com uma vaga. Não teve jeito.
9 – Steve Marriott (The Lower Third)
Também um ex-ator infantil, o futuro integrante do Small Faces fez de tudo para ser o vocalista do Lower Third. A vaga acabou sendo preenchida por um tal de Dave Jones (futuro David Bowie).
10 – Bryan Ferry (King Crimson)
O homem que seduziria o mundo com o Roxy Music estava no início de carreira dando duro para ficar com a vaga de vocalista na banda organizada por Robert Fripp. Greg Lake acabou sendo o escolhido.
quarta-feira, setembro 09, 2009
do site Art Rock, uma da smelhores lojas de CD e m´pusica em geral de São Paulo:
Quem conhece a ART ROCK sabe que a grande maioria dos nossos CDs são importados. Para que o preço seja o mais baixo possível, compramos os CDs sem a caixinha, porque ela faz muito volume, o que onera o preço final devido ao frete.
Os CDs chegam à loja apenas com a mídia dentro do encarte. Todo o trabalho de embalagem é feito por nós.
Quem conhece a ART ROCK sabe que nunca negamos abrir um CD e tocá-lo quando o cliente solicita. Sabemos que isso faz parte do nosso negócio.
E mais: temos muito prazer em fazer isso, porque dessa forma agradamos ao nosso cliente, ele tem a oportunidade de fazer a melhor escolha.
No entanto, abrir um CD apenas por abrir, matar a curiosidade de ver a mídia, o encarte, para ver o ano, a formação dos integrantes, etc., isso não concordamos.
Ao abrir o lacre, o saquinho que embala fica danificado (necessitando a troca) O sujeito não se contenta em apenas ver, ele pega o encarte e o folheia, deixando suas indesejadas digitais marcadas. Pega a mídia e a analisa como se fosse uma pedra lapidada (muitos ficam procurando defeitos para pedir mais descontos).
Depois disso tudo, embala o CD a seu modo e o coloca de volta no painel. Como que por aqueles instantes, o CD fosse dele. E é justamente esse mesmo CD que alguém vai pagar por ele!
Pela nossa experiência, o cidadão faz isso porque, geralmente, o CD que ele deseja está custando mais ou menos R$60 na galeria do rock, e quando ele encontra o mesmo CD na ART ROCK por R$35, o camarada pensa que é usado, falsificado, russo... Coisa do tipo que temos de ouvir. O pior é que na maioria das vezes ele nem compra o de 60 nem o de 35...
Não achamos justo alguém manusear um produto que não lhe pertence. Para nós, da loja, é difícil essa relação porque sabemos que alguém vai comprá-lo, e será muito desagradável vender um produto que não esteja com a sua integridade física em ordem.
Fazemos questão de informar quando o CD é usado, ou quando a mídia apresenta ranhuras, por isso, inclusive, nesses casos, vendemos ainda mais barato.
Parece brincadeira, mas esse assunto irrita tanto aos lojistas que gostaríamos de dar uma dica: ao entrar numa loja de CDs, se quiser obter informações, pergunte ao lojista. Se quiser ouvir o CD, entregue-o para o lojista e solicite a ele se é possível tocá-lo. Nunca abra o CD por sua conta. Não peça nem manipule o encarte depois de aberto. Peça para ouvir o CD se realmente tiver interesse em comprá-lo.
Tudo isso é para que o cliente/amigo da ART ROCK tenha a certeza de que nós zelamos pelos CDs que estão à venda. E que ninguém botou o dedão nele antes de você. Antes de qualquer coisa, é uma questão de educação.