quinta-feira, julho 30, 2020

Livro de Dave Mustaine sobre álbum ‘Rust in Peace’ será lançado em setembro

Do site Roque Reverso



O vocalista, guitarrista e líder do Megadeth, Dave Mustaine, aproveitará o aniversário de 30 anos do álbum “Rust in Peace” para lançar um livro sobre o disco clássico da banda de thrash metal norte-americana. Segundo confirmação feita por Mustaine nesta sexta-feira, 17 de julho, a publicação chegará aos fãs no dia 8 de setembro, poucos dias antes do aniversário de 3 décadas do álbum, originalmente lançado no dia 24 de setembro de 1990.

“Rust in Peace: The Inside Story of the Megadeth Masterpiece”, cuja capa acompanha este texto, é o nome original do livro que será lançado. Por enquanto, não há informação ainda se o livro será publicado em português.

Escrito por Mustaine em companhia com Joel Selvin, o livro traz todo o processo para a montagem da considerada “formação clássica” do Megadeth, com o vocalista, o baixista David Ellefson, o guitarrista Marty Friedman e o saudoso baterista Nick Menza, que morreu em 2016.

Tal formação foi fundamental para que o Megadeth atingisse com “Rust in Peace” seu ponto máximo na carreira até então.

Ela ainda gravaria mais três grande álbuns: “Countdown to Extinction” (1992), “Youthanasia” (1994) e “Cryptic Writings” (1997).

O texto de apresentação do livro diz que Mustaine detalha na publicação “as dores de tentar lidar com o sucesso que se seguiu e, finalmente, a pressão da fama e fortuna que levou a banda a finalmente se separar”.

Além de apresentar todo o cenário de construção da banda e do disco, o livro ainda traz um panorama sobre a cena musical do fim dos Anos 80 e começo dos Anos 90, uma época de ouro para o thrash metal.

O prefácio do livro traz ninguém menos que o guitarrista Slash, do Guns N’ Roses.

“Rust in Peace: The Inside Story of the Megadeth Masterpiece” já está em fase de pré-venda e também virá nos formatos ebook e audiobook.

Em período de pandemia do novo coronavírus, o Megadeth está em processo de gravação de um novo álbum. Em declarações recentes à imprensa, o baixista David Ellefson disse que o álbum será “fenomenal”, o que traz grande expectativa dos fãs após o grande disco “Dystopia”, de 2016.

Vale lembrar que, em janeiro deste ano, para alegria dos fãs, Mustaine, informou que estava recuperado e pronto para voltar plenamente às atividades da banda. A mensagem foi divulgada sete meses depois dele revelar um câncer na garganta e cancelar, desde junho de 2019, todos os shows que o Megadeth teria no restante do ano passado.

Entre os shows cancelados, dois do Megadeth afetaram grandes festivais no Brasil, já que a banda cancelou a vinda ao Rock in Rio e ao Rockfest, que foi realizado em São Paulo. Para os dois festivais, o Helloween substituiu o Megadeth.

Notas roqueiras: One of Them, Treze Black, Paradise in Flames...



- A banda  gaúcha One of Them acaba de disponibilizar um lyric video para a única faixa cantada em português do EP “Blind Faith”, a agressiva “Pulverizados”. GG Mussi (vocal), Jeff Witt e Ivan Santos (guitarras), Alexandre Guterres (baixo) e Jonas Koehler (bateria) contaram com o apoio da Black Dog Corporation para a produção do lyric, trazendo fortes imagens de guerras e destruição, um reflexo de sua letra. Em rápido bate papo com o blog Cena Rock, do tradicional jornal gaúcho Correio do Povo, o guitarrista Jeff Witt comentou sobre a faixa: “Ela surgiu como todas as outras em inglês. Só que o Jonas (Koehler, baterista) que fez essa letra, sempre leva a tradução junto das letras dele. Então numa olhada rápida sobre a letra em português achamos que ia ficar ainda mais agressiva. Mais direta".” Essa vontade de manter uma canção em nossa língua natal deve-se muito a alguns pioneiros do Metal brasileiro, como explicou o guitarrista: “Achamos também que seria uma referência a bandas de que somos fãs há décadas, como Korzus e Overdose”. Assista ao lyric video:
https://www.youtube.com/watch?v=xtnVbv9eslQ

- Acaba de ser lançado o lyric video da faixa “Sentidos”, da banda gaúcha Treze Black, de Caçapava do Sul. Esta é a segunda música liberada que fará parte do novo EP do grupo, intitulado “Quimera”. Além de “Sentidos”, Diandro Soares (vocal) Gabriel Leão (guitarra), Rodrigo Fursten (baixo) e Felipe Krauser (bateria) lançaram o single “Homicídio Solar” no Youtube, antecipando o que virá no EP. “0.13”, “Antivírus”, “S.O.N.O.” e “Tempestade Cinza” completarão o novo trabalho. Com arte da capa desenhada por Igor Oliveira e edição do videomaker Guilherme Wolff, o lyric já dá uma visão um pouco melhor da sonoridade destas novas música, pois, segundo o vocalista Diandro Soares, que também compôs a letra, esta nova fase é cheia de mudanças e significados: “Mesmo em meio a pandemia temos trabalhado bastante e o resultado está saindo aos poucos. Assim como a “Homicídio Solar”, a música “Sentidos” já mostra um pouco mais do que apresentaremos no “Quimera”.
Assista ao lyric video de “Sentidos”: https://www.youtube.com/watch?v=YYHEIuhYV6E&t=77s

- A banda Paradise in Flames está oficialmente no time da gravadora Blood Blast Distribution, subsidiária da gigantesca Nuclear Blast, que entrou em contato com a banda e firmou oficialmente em post de Instagram. O grupo terá seu próximo lançamento feito d forma digital pela gravadora inte, o lançamento digital rnacional.

As grandes músicas de 1965: 'Like a Rolling Stone', de Bob Dylan

Marcelo Moreira


Bob Dylan (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Não foram poucas as vezes que a revista Rolling Stone elegeu "Like a Rolling Stone", de Bob Dylan, como a mais emblemática e importante do rock, mesmo sendo um canção folk.

Editada e lançada em meados de 1965, não teve a sua importância reconhecida no momento, até porque era longa demais pra os padrões pop da época e nem mesmo seu autor/intérprete deu muita atenção a ela.

E eis que o monumento musical foi crescendo e crescendo ao ponto de merecer inúmeras dissertações e teses acadêmicas, acabando por merecer um livro icônico lançado nos anos 2000 de autoria do jornalista Greil Marcus, um dylanista ferrenho e exagerado metido a escritor. O livro é "Like a Rolling Stone: Bob Dylan na Encruzilhada", de 2010, e foi editado no Brasil.

Há quem diga que, mais do que qualquer outra canção, ela foi a mola propulsora para que o prêmio Nobel de Literatura tenha sido atribuído a Bob Dylan.

Evidente exagero, já que a obra do bardo de Minnesota está coalhada de grandes letras e extraordinárias músicas.

Entretanto, "Like a Rolling Stone" se destaca em um mar de pérolas por sua ousadia e sua classe ao fazer ma perfeita crítica social usando como metáfora a ascensão e queda de uma aspirante a socialite.

Em meio a devaneios e viagens literárias dispensáveis, entremeados com passagens autobiográficas, Greil Marcus reconstrói os passos de criação e gravação da canção em detalhes, seja no estúdio em Nova York, seja nos palcos onde Dylan exibiu a peça nos shows antes e depois do lançamento.

Há críticos que tentaram destruir a obra do emérito repórter da revista Rolling Stone apontando inconsistências no texto e os flagrantes exageros nos superlativos escritos por um empedernido fã.

Entretanto, é impossível não se impressionar com a relevância e a opulência de um texto poético de primeira linha como "Like a Rolling Stone", com suas nuances e detalhes.

A música ainda hoje é um dos pilares do chamado classic rock e mostra o quanto a geração dos anos 60 foi extraordinária e fundamental para a construção do rock e do mito da imortalidade de um gênero musical que mudou a cultura ocidental e, por tabela, o mundo - mesmo sendo, em sua essência, uma música folk.

quarta-feira, julho 29, 2020

Notas roqueiras: Malvada, ForCaos, Dinamite Combo...


Malvada (FOTO: DIVULGAÇÃO)

- Criada em março de 2020, no início da pandemia no Brasil, a banda Malvada tem na sua formação integrantes com presença frequente nos palcos da noite paulistana. Com Angel Sberse (vocal), Bruna Tsuruda (guitarra), Ma Langer (baixo) e Juliana Salgado (bateria), a banda Malvada faz um Rock'n'Roll com muita personalidade e apostando em letras inteligentes em português.

- Na quinta (30) e sexta (31), acontece a edição online do tradicional festival ForCaos. Para esta primeira edição online o festival contará com as bandas Sinaya, Desalmado, Manger Cadavre?, Rematte, In No Sense, AnkerkeriA, Thrunda, Bull Control, Arcádia, Corja-Ce, Banda Lavage, D’inci, Lixorgânico, Pastel De Miolos, Obskure, Callamity, Hellhoundz, Inherence, Netuno Doom, Hatefulmurder, Paradise in Flames, Basttardz, Italo Azevedo, Banda Lemori, Pandemmy, Escrotos, Matakabra, Siege of Hate (S.O.H.), Réu Podre, Kamala, Scariotz, Terror Fetus, Crashkill, Caroá Jam, Realidade Encoberta, Apokrisis, Old Lamp, e Godhound.

- A Dinamite Combo é uma banda que resgata as raízes da Soul Music, do Funk e do R&B desde 2016. Formada por músicos experientes e conhecidos na cena curitibana, como Yuri Vasselai (bateria), Caetano Zagonel (baixo), Anderson de Lima (guitarra), Rodrigo Nickel (sax tenor) e Menandro Souza (trompete); além do vocalista, Willi Dinamite, se apresenta na noite da capital paranaense desde o início do grupo e também já passou por Festivais como Libélula, Terra Azul, Pixel Show. Em 2017, teve a oportunidade de dividir o palco com a lendária Banda Black Rio. E agora se prepara para divulgar Raise Your Head, nova canção, registrada em Agosto do ano passado, no Estúdio Casa do Fundo. Assista ao teaser aqui.

Clássico álbum do Motörhead, 'Ace of Spades’ será lançado em box comemorativo

Do site Roque Reverso

Prestes a completar 40 anos de história, o clássico álbum “Ace of Spades”, do lendário Motörhead, será lançado em box comemorativo. O ideia segue o que já foi feito nas comemorações de outros grandes discos da banda britânica, como “Overkill” e “Bomber”.

O lançamento oficial do box comemorativo está previsto para o dia 30 de outubro.

“Ace of Spades” é o álbum mais emblemático do Motörhead e foi lançado em 8 de novembro de 1980.

Para comemorar o 40º aniversário do disco, o planejamento é uma apresentação em novas edições de luxo. O disco em si virá masterizado a partir das fitas originais.

Haverá versões de capa dura em dois formatos de CD e LP triplo, apresentando um concerto inédito da turnê “Ace Up Your Sleeve”, além da história do álbum contada em um livro de 40 páginas e muitas fotos inéditas.

Além disso, o álbum será lançado como um box set para fãs, edição de colecionador “Ace Of Spades”, contendo tesouros da época e cerca de 42 faixas.



O box ainda traz um conjunto de 5 dados que podem ser usados para o jogo de tabuleiro presente na caixa.

É um presente e tanto para os fãs da banda, cuja formação deste disco – Lemmy Kilmister (vocal e baixo), “Fast” Eddie Clarke (guitarra) e Phil “Animal” Taylor – já não faz parte deste mundo.

A pré-venda já está disponível no seguinte link: https://motorhead.lnk.to/AOS40PR

Notas roqueiras: Comtempty, Azzarok,. Arkana Fen...




- O quarteto mineiro Contempty confirmou que finalizou a faixa "A Pale Shroud of Longing" em homenagem aos 30 anos de existência da banda My Dying Bride. Trata-se de um tributo para honrar as obras em versões clássicas que cobrem quase toda a carreira do grupo inglês.

- O Azzarok apresenta a faixa “Pay With Blood” na íntegra para audição no YouTube. Essa é a segunda faixa disponibilizada pela banda no canal oficial, onde gradativamente todas as composições do disco serão lançadas. Confira “Pay With Blood” em
https://www.youtube.com/watch?v=eJ2yyKs9Vrc

- Enquanto prepara material para um novo trabalho de inéditas, o projeto Arkana Fen vem disponibilizando em seu canal no YouTube singles das canções que compõem seus trabalhos já lançados. A música escolhida dessa vez foi “Immortal's Penitence”, faixa que encerra o EP “Six of Swords”, e que pode ser ouvida no seguinte link: https://youtu.be/TwWtDwfWAgI

O 'novo normal' com lives e drive-ins é pavoroso e coloca o futuro em xeque

Marcelo Moreira

O novo normal será bem longe de um boteco para tomar uma cerveja, dentro de um carro para tentar assistir a um espetáculo ou no conforto anódino e insípido de um sofá ou poltrona para ver uma inútil e desanimadora live qualquer.

Esse futuro tira o sono de muitos artistas e promotores de espetáculos. Se toda uma cadeia desmoronou por conta da pandemia de coronavírus, não há perspectiva de que tenhamos algo muito alentador pra substituir o que foi perdido. 

Na verdade, não há nada que possa substituir a emoção de assistir in loco a uma apresentação qualquer, mesma que seja na rua.

Se há quem fique feliz com o resgate de uma tradição sepultada há décadas - ainda bem -, como no caso dos drive-ins, outros apostam que tais formas de "espetáculos distanciados" vão corroer a essência da arte, acabando com qualquer interatividade.

As lives acabaram sendo um paliativo, mas estão longe de proporcionar algo realmente válido em termos de aproveitamento cultural e educativo. 

Da mesma forma que estudantes perdem muito nas aulas por meio de computador e celulares, o público deixa de absorver o que a arte tem de mais valioso, que é a troca de energias entre artistas e espectadores. Até que ponto este distanciamento vai destruir a arte?

Qual é o sentido de ver um show de metal dentro de um carro, em um drive-in? Como sentir a intensidade de um riff de guitarra ou um solo, daqueles tão pesados que parecem um soco na cara? Curtir isso dentro de um carro? No máximo sentir o baixo pulsante dar uma tremedinha no vidro...

Primeiros a sentirem o impacto devastador da covid-19 e, certamente, os últimos a se recuperarem da crise gigantesca, os profissionais do segmento de cultura, artes e entretenimento não conseguiram ainda traçar estratégias viáveis de negócios pós -pandemias ou alternativas de remuneração que ao menos garantam alguma subsistência.

De forma triste, mas compreensível, empresários do setor já admitem que drive-ins em estádios de futebol, com ingressos muito caros, e as lives sobreviverão por muito tempo. É uma distopia assustadora.



Para a maioria dos artistas que se arriscaram em lives, as que deram certo, ou seja, que arrecadaram algum dinheiro substancial estiveram ligadas a patrocínios de grandes empresas. Ou seja, só grandes nomes conseguiram se dar bem nessa história.

É o caso da empresa Diventi, que disseminou esse recurso, torando a live um produto estratégico para artistas e marcas. Em parceria com a Ambev, promoveu o "Circuito Brahma Live", com mais de 250 eventos realizados e mais de 500 milhões de visualizações, segundo as duas empresas. A quase totalidade desses números se referem a artistas da área sertaneja.

"Os números reforçam a relevância do sertanejo. Além dos recordes de visualização, esse novo formato de mídia com as lives entregou um volume considerável de doações, além de altíssima conversão e engajamento para marcas", aponta Gui Marconi, sócio e diretor de conteúdo da Diverti.

Segundo ele, a Diverti movimentou em três meses mais de R$ 20 milhões entre patrocínios, ativações, cachês e contratação de influenciadores digitais. Ame, Riachuelo, Movida, Minerva, e Shoptime estão entre as marcas parceiras que, junto à Diverti e à Ambev, também apostaram nas transmissões ao vivo.

Infelizmente, a qualidade da música foi o que menos contou na definição dos agraciados, algo nada surpreendente neste tipo de iniciativa e de mercado.

A Diverti também divulgou uma pesquisa própria de mercado sobre o comportamento do consumidor durante a pandemia. E um dado chama a atenção: 56% dos participantes pagariam para assistir a um evento de forma online.

Marconi afirma que a rentabilização é um caminho a ser avaliado, ao mesmo tempo em que a abrangência do conteúdo transmitido gratuitamente é exponencial. "Ainda há muito a ser explorado dentro deste novo universo. Vai ser interessante desbravar o que temos pela frente."

Convenhamos, não é um futuro animador. O mesmo público que despreza os artistas novos e se recusa  apagar por CDs e livros é o mesmo que admite pagar por esse tipo de evento digital insípido, inodoro e incolor, ao mesmo tempo em que não se importa em desembolsar muito, mas muito dinheiro para ver artistas internacionais populares - e ruins - nacionais e internacionais ao vivo.

Os hábitos de consumo do brasileiro que supostamente aprecia e frequenta e aprecia espetáculos diz bastante sobre o estado de coisas atual, antes e depois da pandemia.

É a cultura desprezada em tempos bolsonaros - e não é à toa que o nefasto presidente conta com amplo apoio entre sambistas e sertanejos. Entre os roqueiros, lamentavelmente, também não é pequeno.

Mesmo em pouco tempo, quatro meses, o estrago feito pelo vírus na economia mundial é colossal. Não deu tempo para estudar direito o que fazer e como se virar diante de tamanho desafio.

O que podemos perceber é que, pelo que estamos vivenciando hoje, não há perspectivas factíveis e dque deem algum alento para a cultura, arte e entretenimento em um futuro próximo.

terça-feira, julho 28, 2020

Rolling Stones trazem aos fãs música de 1974 gravada com Jimmy Page

Do site Roque Reverso




Os Rolling Stones presentearam mais uma vez os fãs com uma raridade. A lendária banda britânica liberou nas plataformas musicais a faixa “Scarlet”, gravada originalmente em 1974.

Não bastasse ser algo inédito dos Anos 70, a música foi gravada com a participação de ninguém menos que Jimmy Page, guitarrista do também lendário Led Zeppelin.

“Scarlet” fará parte do relançamento do álbum “Goats Head Soup”, de 1973.

Intitulado “Goats Head Soup 2020”, o álbum chegará ao público no dia 4 de setembro em vários formatos e opções e com a gravação original em uma mixagem nova e em estéreo.

Virá em CD simples e duplo, edições em vinil e box set com 4 CDs, trazendo raridades e mixagens alternativas, além de um livreto de 120 páginas e quatro pôsteres da época do lançamento original.

Além da música “Scarlet”, as outras faixas inéditas são “All the Rage”, citada pelo grupo como “pós-‘Brown Sugar'”, e “Cris Cross”, já lançada no dia 9 de julho com um clipe bem apimentado no estilo Stones

O original álbum “Goats Head Soup” sucedeu “Exile on Main St.” e teve como principal faixa de sucesso o hit “Angie”.

Se quando os Stones lançaram a inédita “Living In A Ghost Town” os fãs ficaram ansiosos por um material novo, agora, com esta notícia de um relançamento de 1973, houve uma diminuição da expectativa.

“Living In A Ghost Town” havia sido a primeira música inédita da lendária banda de rock britânica desde que “Doom and Gloom” e “One More Shot” saíram na coletânea de 2012 “GRRR!”, que comemorou o 50º aniversário do grupo.

O último álbum de inéditas está ainda mais distante: “A Bigger Bang”, de 2005. Os músicos chegaram a lançar depois, por exemplo, o disco “Blue & Lonesome”, em 2016, mas este veio com músicas covers do blues.

Notas roqueiras: Edu Falaschi, Black Moon Rides, Heretic...




- O vocalista Edu Falaschi acaba de lançar o primeiro single do show “Edu Falaschi – Temple Of Shadows In Concert”. A música escolhida foi “Spread Your Fire”, executada com maestria pelos músicos Edu Falaschi, Aquiles Priester, Fabio Laguna, Raphael Dafras, Diogo Mafra e Roberto Barros, além da presença ilustre da Orquestra Bachiana Filarmônica regida pelo genial Maestro João Carlos Martins, com os arranjos do grande Maestro Adriano Machado. Asista o vídeo de “Spread Your Fire”: https://youtu.be/nH_AHDILgMc

- A banda gaúcha de Black Moon Riders acaba de lançar o lyric video para a música "Child of the Night". Produzido pela Strat Comunicação, o vídeo traz imagens de diversas épocas da banda, além de utilizar uma linguagem visual que faz jus ao peso e tema da canção. Assista ao vídeo em https://youtu.be/00kqPstAcxs

- Recentemente o Heretic anunciou o lançamento de “(Dis) Covering”, um álbum tributo a canções icônicas da música pop dos anos 80 e 90. Pois o primeiro single do trabalho se encontra disponível no YouTube, e se trata do cover de “Come Undone”, do Duran Duran, e conta com a participação especial de Isadora Magalhães. Você pode conferir o resultado no link
https://www.youtube.com/watch?v=kJHrbrj3DZk

Renato e Rodrigo ajudaram a deixar nossas vidas um pouco melhores

Marcelo Moreira

O rock perdeu muito de sua irreverência e alegria nesta terça-feira triste de julho. Renato e Rodrigo faziam de suas atividades algo que todos deveriam fazer quando saem para trabalhar todos os dias: o que podemos fazer para deixar a vida um pouquinho melhor?

Renato Barros ficou fascinado pelo roquenrou desde o início, lá nos anos 50, mas pirou mesmo quando os Beatles ganharam o mundo, a partir de 1964.

Nem ligou quando foi chamado de oportunista ao estourar nas rádios brasileiras com seus Blue Caps fazendo versões açucaradas e para cima de clássicos da fase inicial dos ingleses.

Renato e Seus Blue Caps se tornou sinônimo de rock nos anos 60 no Brasil, ao lado da Jovem Guarda. As músicas de sua banda traduzem alguns dos melhores momentos musicais de cunho popular já registrados por aqui.

Renato Barros (FOTO: DIVULGAÇÃO/ARQUIVO PESSOAL/FACEBOOK)
Internado há algum tempo em um hospital por alguns problema de saúde - entre eles a covid-19, embora isso ainda não esteja confirmado -, Renato Barros, aos 76 anos, não resistiu ao agravamento do estado de saúde e morreu pela manhã.

A covid-19 também não poupou o jornalista que deveria ter sido astro de rock. Rodrigo Rodrigues, apresentador do SporTV e com passagens por Bandeirantes, SBT, TV Cultura e ESPN, morreu no final da manhã após três dias lutando pela vida.

Aos 45 anos, sentiu-se mal no sábado e foi rapidamente internado. Logo se constatou a covid-19, mas o estado de saúde se agravou por conta de uma trombose cerebral, agravada pelo vírus mortal.

Apaixonado por rock, tocava guitarra, violão e cantava. Manteve até a sua morte a banda The Soundtrackers, especializada em fazer versões para clássicos de trilhas sonoras de filmes, seriados e desenhos animados.

Considerado um ótimo instrumentista, a música se tornou uma atividade paralela quando descobriu - ou foi descoberto - que tinha extraordinário poder de comunicação de uma forma simples, direta e divertida. Tinha o raro talento de deixar o entrevistado à vontade e de cutucar sem ser atrevido, invasivo ou enxerido.

Rodrigo Rodrigues (FOTO: REPRODUÇÃO/TV GLOBO)

O rock perdeu um astro rechonchudo, mas ganhou um cronista empolgado e dedicado, que escreveu livros e realizou produções e reportagens sobre todos os ramos da cultura. Meio que por acidente, caiu no esporte e ganhou o mundo como apresentador e eventual repórter.

As manifestações de amigos e fãs nas redes sociais, intensa se gigantescas, dão a dimensão de como ele era querido e respeitado. Pelo menos três jornalistas esportivos importantes revelaram o quanto ele transformava os ambientes quando chegava e espalhava sua gentileza e bom humor.

O rock perde duas figuras que fizeram nossas vidas um pouco melhores e mais gostosas de se viver. Suas mortes mostram o quanto a covi-19 é perigosa e o quanto a irresponsabilidade de presidentes, governadores e prefeitos, alem de parte expressiva da população, está causando a morte de milhares de pessoas.

segunda-feira, julho 27, 2020

Notas roqueiras: X-Empire, Damage Corporation, Banheiro Azul...




- A banda paulistana X-Empire lança seu primeiro trabalho após um hiato de três anos e apresenta a nova formação. O single "Hard to Breathe" conta com uma produção feita por Michel Villares (vocalista e fundador), Ricky Franco e Morgana Von Stein no M&H Studio. A mixagem e masterização de "Hard to Breathe" foi feita na Inglaterra por Chris Clancy da Audioworks Studios - Chris também é vocalista da banda Mutiny Within, grupo estadunidense que teve seu debut autointitulado em primeiro lugar da Billboard em 2010. O videoclipe foi lançado através do canal do selo britânico Spaceuntravel.

- A banda Damage Corporation está lançando o seu novo EP, "Danger Unit". Um clipe já está no ar, para a música "We Don't Need This Shit". A música é uma revolta ao sistema, bem ao estilo punk, mas com guitarras poderosas e violentas. Veja o clipe em https://youtu.be/XRVeKfoLUhA

- A banda carioca Banheiro Azul acaba de lançar no seu canal oficial o quinto videoclipe do álbum “Estatuto dos Sonhos”. A canção Sua Cor é um blues/rock que versa sobre a problemática dos relacionamentos cada vez mais virtualizados. O clipe é estrelado pela atriz Diana Ribeiro.
Assista o videoclipe aqui: https://youtu.be/qIZjwYHjtIg

domingo, julho 26, 2020

Roadie Crew fará quinta edição do 'Quarantine Online Festival'




A revista Roadie Crew, em parceria com a produtora Som Do Darma, apresenta no dia 14 de agosto, às 19h30, a quinta edição do festival online "Roadie Crew - Online Festival".

O já tradicional evento online, realizado mensalmente, dá continuidade à sua missão de celebrar e promover o trabalho das bandas brasileiras e fortalecer a cena do heavy metal nacional, sempre com transmissão "Streaming-Live" exclusiva pelo canal oficial da Roadie Crew no Youtube - www.youtube.com/roadiecrewmagtv 

Essa quinta edição, referente ao mês de agosto, traz 17 bandas, todas apresentando conteúdo exclusivo e inédito. Os vídeos, um por banda, continuam sendo, na maioria, produzidos pelos músicos em suas casas. São vídeos de colaboração, playthroughs, solos, gravações ao vivo inéditas, entre outros formatos pouco comuns.

As bandas confirmadas para esta edição são: Stress, Mutilator, Genocídio, Attomica, Soulspell, Ajna, Aquaria, Wolfheart, Deathgeist, Adellaide, Crucifixion BR, CxDxFx, Pesta, D.A.M., Pandemmy e um collab entre Imago Mortis e a banda Lived tocando Killing Joke

Notas roqueiras: Dead Fish, Föxx Salema, Murais...

Dead Fish (FOTO: DIVUGAÇÃO)
 - Já está disponível em todos os aplicativos de música a coleção de raridades do Dead Fish. "Lado Bets" (Deck) é uma seleção de 10 faixas entre sobras de estúdio, singles, versões e faixas escondidas gravadas entre os anos de 2004 e 2019. As músicas escolhidas foram resultado de uma pesquisa feita em conjunto com o produtor Rafael Ramos durante a quarentena. "Era para ser um EP, mas achamos tanta coisa legal que virou um álbum", explicou o vocalista Rodrigo Lima. Entre os achados há "Décimo Andar" (2005), criada e gravada para uma série da MTV, "A Recompensa" (2006), faixa que era entregue como bônus para quem tivesse o código que vinha dentro do CD oficial de "Um Homem Só" (Deck) e "Dêem Nome Aos Bois" (2013), lançada em um compacto em vinil split com a banda Zander e agora disponibilizada no universo digital pela primeira vez. Também fazem parte de "Lado Bets" "Múmia" e "Michel Oghata", gravadas em 2006 e finalizadas em 2010 mas que acabaram não entrando em "Um Homem Só", tendo sido lançadas em compacto 7" split com o Mukeka Di Rato. Outra raridade é "Manic Nonlinear" (2004), "praticamente uma ode ao disco Manic Compression dos novaiorquinos do Quicksand; um desfile bem ensaiado pelos riffs e refrões desse clássico de 1995" - comentou Rafael Ramos. Da mais recente produção do Dead Fish há "O Outro do Outro" (2019), faixa escondida exclusivamente na versão em CD de "Ponto Cego"(Deck), mixada por Bill Stevenson e até agora inédita nos aplicativos de música. Ouça o álbum: https://deadfish.lnk.to/LadoBetsPR

- Depois de participar do documentário “LGBT+ no Heavy Metal Brasileiro”, produzido pelo canal do Youtube Heavy Metal Online, de Clinger Carlos Teixeira - produzido por Clinger, Diego Sachi e a própria Föxx  Salema, a vocalista anuncia seu próximo lançamento, um single chamado “Rebelião”, que trata-se de uma versão em português para a música “Rebel Hearts”, de seu CD lançado no ano passado. O single, ainda sem data de lançamento e que será distribuído digitalmente pela ONErpm, depende agora de uma flexibilização maior e melhoria no quadro imposto pela pandemia, que tem atrasado os trabalhos. Assista ao documentário “LGBT+ no Heavy Metal Brasileiro”:
https://www.youtube.com/watch?v=eC6w9SzijMg

- Conhecido por uma performance explosiva nos palcos, seja na bateria da PAUS ou da Linda Martini, bandas de grande importância da cena indie portuguesa nos últimos 15 anos, Hélio Morais apresenta uma nova proposta em Murais, seu projeto solo, que irá lançar o álbum de estreia com produção de Benke Ferraz (Boogarins). E em Catatua, seu novo single, MURAIS revela mais uma canção desta nova fase, com clipe dirigido por Ana Viotti. Assista aqui.

Novos hábitos de consumo reforçam o conservadorismo no rock

Marcelo Moreira

Dois fatos aparentemente sem conexão são reveladores, em 2020, dos arraigados e sedimentados novos hábitos de consumo de música e informação - na verdade, falta de consumo de informação.

A revista inglesa Q, um marco do jornalismo musical mundial a partir dos anos 90, anunciou o fim de sua edição impressa e analisa a continuidade na marca apenas na internet. Outro gigante do ramo, a Kerrang!, pode seguir o mesmo caminho.

De outro lado, temos Beatles e Queen bombando nas "paradas" musicais que ainda restam, sejam no registro de vendas, ou no registro de execução.

Os Beatles foram, em 2020, os artistas de rock com mais vendas de discos - 1,09 milhões de unidades, de acordo com o relatório semestral da Nielsen - transcrito pelo I Heart Radio e pela Rolling Stone Brasil.

A banda britânica foi campeã majoritária e quase sem concorrentes; a segunda colocada, Queen, vendeu 768 mil cópias.

Em seguida, Imagine Dragons (593 mil), FleetwoodMac (565 mil) e Metallica (551 mil). Elton John,Creedence Clearwater Revival e Journey também figuraram entre os discos mais vendidos.

Já "Greatest Hits", coletânea do Queen, voltou às listas de mais vendidos,  atingindo a marca de 900 semanas nas paradas de discos do Reino Unido desde seu lançamento, em 1981.



De forma resumida, podemos entender o seguinte: o público que gosta de música não tem interesse - e faz tempo - em pagar por informação musical de qualidade, e não só na área de cultura e artes; esse mesmo público, em grande parte do mundo, está cada vez mais conservador, meio preguiçoso e nem um pouco interessado em conhecer novos artistas - e muito menos pagar pelo trabalho deles.

Não é de hoje que jornalistas da área musical costumam brincar, de forma melancólica, que notícias e música ficaram de graça nos anos 2000 e desde então ninguém mais se digna a pagar por notícias, CDs, músicas digitais ou ingressos para ver artistas pouco ou nada conhecidos.

Os novos hábitos de consumo torpedearam em cheio uma área antes lucrativa e que movimentava bilhões de dólares. Com a quebra de gravadoras e o sumiço de dinheiro de investimentos, pouca coisa restou aos músicos que precisam batalhar diariamente por sustento.

Consultores e "especialistas" adoram vaticinar, como se fossem oráculos, que aristas precisam ser reinventar, gerenciar de forma responsável e eficaz suas carreiras e se tornar "empreendedores". Discurso fácil, mas bem distante da realidade. É uma tentativa de justificar a "uberização" do músico e da arte.

O mantra neoliberal da ultraconcorrência e da total redução de custos para "maximizar" produtos e serviços é um dois maiores engodos da atualidade. É uma tentativa de convencer os artistas de que, tal como entregadores de comida por aplicativos de alimentação, músicos e artistas têm um caminho livre pela frente para "inovar" e "criar".

Digamos, então, que o artista desconhecido, mas com potencial, precisa arrumar dinheiro para pagar estúdio, ensaiar, pagar banda, gravar CD, gastar com divulgação, com prensagem pequena de CDs, com uma mínima assessoria de imprensa para, quem sabe, ter sua música executada em uma web rádio e atrair a atenção de de específico, que talvez o ouça no streaming e compre sua música - algo raríssimo hoje em dia para a grande maioria. 

Para encerrar, terá de ceder parte de seus ganhos parcos, ou a maior parte deles, para um eventual empresário que vai tentar arrumar alguns shows aqui e ali, que talvez paguem, no começo, R$ 200 ou R$ 300 por noite. E se tiver banda acompanhando?

Não é um cenário desconhecido, pelo contrário, é a realidade para a maioria dos músicos desde, no mínimo, 2005. E os exemplos autossustentabilidade de sempre no mundo independente - Autoramas, Boogarins, Far From Alaska, O Terno - são exceções em um mercado depredado e dilapidado.

'Hey Jude' é uma das coletâneas favoritas dos Beatles; lançada em janeiro de 1970, praticamente antecipou o fim dos Beatles, que seria oficializado três meses depois, em abril daquele ano
A falta de uma imprensa especializada mais robusta para divulgar as novidades ajuda a enterrar as esperanças de uma entrevista bacana ou uma resenha esperta de um trabalho que realmente merece. 

Informação de qualidade não é barata. Tem um custo necessário para que jornalistas e comentaristas tenham tempo de ouvir, pesquisar, buscar informações e interpretar de forma equilibrada e sensata os trabalhos novos. 

Muitos artistas importantes são o que são graças à "descoberta" feita por jornalistas e radialistas que tiveram tempo e a formação necessária para identificar coisas boas e impulsioná-las.

Quando a publicidade deixa de acreditar na imprensa de qualquer segmento todos perdem, assim como quando um veículo de comunicação desaparece. 

A publicidade e a propaganda ainda não se convenceu de que a internet e o jornalismo na internet são bons veículos para divulgar produtos de qualquer natureza. Preferem despejar seus recursos e divulgar seus clientes, e ainda de forma pouco explicável, nos esquemas randômicos de megaempresas como Google e Facebook, o que ajuda a explicar a diminuição progressiva e consistente do dinheiro para jornais, revistas e sites.

"A internet facilitou muita coisa, mas também corroeu a credibilidade e a consistência de muita coisa. O consumidor de notícias se acostumou a não pagar por elas. A música também ficou de graça ou barata demais, o que ajudou a destruir seu valor agregado. Junte-se a isso a pouca ou nenhuma fidelidade do 'consumidor' de internet e então eu tenho de arrumar argumentos para justificar ao cliente anunciar em veículos já mortos e enterrados e em sites cuja propaganda ninguém dá a mínima", diz um renomado publicitário paulistano especializado no mercado cultural. Ele pediu para ter sua identidade preservada.

Ele aponta outra questão que acaba por influenciar a situação trágica no resgate de algum tipo de mercado musical: pulverização da informação e da exposição de novos trabalho, fator que dificulta a disseminação e ampliação de público.

"A internet e a tecnologia facilitaram o acesso e a criação, mas ao mesmo tempo dificultaram o caminho para que a informação de qualidade chegue onde tem de chegar. Mais bandas estão divulgando seus trabalhos, mas, como era esperado, a maioria não consegue a qualidade técnica necessária. Os bons trabalhos se perdem em um mar de música de todo o tipo e de variadas qualidades. O mesmo vale para o jornalismo profissional musical. A maioria dos sites de rock e metal no brasil é desoladora, malfeita e sem credibilidade. De uma hora para outra, todo mundo achou que pode ser blogueiro e 'diretor' de site de música com layout decente, mas com informações péssimas. O cliente quer coisa específica e direta e quer passar longe de blogs e sites parceiros de portais. Mercado achatado e pulverizado, com consumidor infiel e pouco disposto a pagar por produtos culturais se tornaram fatais para a música, para a cultura e parte do jornalismo", diz o publicitário, que acentua seu pessimismo em relação às perspectivas desse mercado.

É claro que boa gente e esperta e competente tenta há anos encontrar caminhos para revitalizar o mercado musical e também o da cultura, mas esteve sempre claro, desde pelo menos 2010, que parceiros patrocinadores eram necessário para ajudar a dar o pontapé inicial em muitos projetos.

Mas eis que o novo coronavírus parece não ter concordado e, com especial predileção por entretenimento, cultura e educação, dizimou os muitos projetos em andamento e incinerou os que estavam nas gavetas ou no papel, em finalização.

O novo mundo pós-pandemia, quando vier, terá pouca predileção, no início, pela área do entretenimento. Não serão muitos os locais bacanas com música ao vivo ou casa de show que reabrirão. Muitos, aliás, nem reabrirão. 

Não será possível sobreviver só de lives - se fosse, já seria uma solução descoberta havia muitos anos. A remuneração pelo ato criativo, seja uma música ou uma reportagem, terá de obedecer a uma série de novos critérios que nós nem sequer imaginamos neste momento

O pouco interesse do público de 2020 pelo novo - principalmente em relação aos mais jovens - está relegando o rock e alguns outros gêneros musicais a nichos específicos, como o blues, o jazz e a música erudita. 

O sertanejo, o rap e o funk ainda se mantém relevantes e rentáveis por conta de indústrias consolidadas nos últimos 15 anos e que têm relação extremamente próxima com o mercado publicitário e o marketing em geral. 

Isso ocorre porque os artistas, independentemente da qualidade das músicas, estão conseguindo manter um diálogo aberto e com seu público, algo que parece não acontecer há muito tempo com o rock. 

Será que a aura de "rock alternativo/independente" de uma banda como Autoramas, de repente, colou de tal forma que o rótulo afasta um público jovem mais amplo?

Provocando um pouco: o roqueiro, seja jovem ou maduro, ficou conservador porque não se sente representado pelos novos artistas? 

Ou seria o contrário: não encontra voz nos novos artistas e no rock mais sério e artístico dos artistas novos e, por certa preguiça e nenhuma vontade de pagar pelo que quer que seja, decidiu mergulhar no comodismo e na "segurança" do classic rock, tão fácil e acessível por preços módicos no ambiente digital? 

'Goat's Head Soup', dos Rolling Stones, foi lançado em 1973 e ganhará em setembro uma nova edição remasterizada e com faixas bônus inéditas
Seria a nova re-re-re-reedição da discografia dos Rolling Stones, em nova re-re-remasterização, o principal sintoma desse quadro melancólico?

Ainda faltam, ao grande público, dados e pesquisas sobre os novos hábitos de consumo de música e cultura, bem como o impacto da publicidade na internet, em especial nos veículos de comunicação ainda, de alguma forma, vinculados com um passado recente e não tão recente. 

A questão é que, em um mundo tão tecnológico e tão obcecado pelo novo e pelo inovador, o público roqueiro, jovem ou não, percorre caminhos opostos e despreza a novidade e tem ojeriza a pagar para consumir música e informação. 

Não há solução à vista para esse labirinto, mas o que podemos vislumbrar é que quase ninguém tem a ganhar com esse mundo novo onde a música definha, assim como parte da criatividade, e a informação de qualidade sucumbe à preguiça e à indolência do consumidor, iludido com uma suposta oferta de notícias com credibilidade. Talvez esse seja o maior desafio atual da área de comunicação.

O programa Combate Rock de web rádio, na Dublab, tratou desse tema em sua última ediçção, a de número 52. Clique no player abaixo e ouça o debate:

sábado, julho 25, 2020

Notas roqueiras: Diabo Verde, Insanidade, Omegakill...




- A banda Diabo Verde está reformulada e apresentou os músicos Leandro Nô na bateria (ex-Dead Fish) e Fábio “Bolinha” Barreto no baixo (Serial Killer), que se unem ao vocalista Paulinho Coruja e Fellipe Madureira, guitarrista. O novo trabalho do grupo, "Losar", é conceitual, onde Coruja escreveu todas as quatro letras do disco em homenagem ao amigo pessoal, o ativista e músico Marcelo Yuka, expO Rappa, que morreu em 2019. Com vários momentos, ideias, conversas e convivência dos dois amigos, Paulinho, compôs as letras de "Karma", "Sankalpa", "A Alavanca" e "Finamente Livre", se baseando em conversas entre eles e sobre a vida dele. Ouça em https://open.spotify.com/album/2aMc7rPWTI7GcwMdZsZi4m?si=lk4XmBw4Spm7AY0ueV-GBQ

- Trabalhando na divulgação de seu álbum, “Hello Suckers”, lançado nesse ano de 2020, a banda Insanidade lançou o vídeo oficial para a faixa “Gota Ácida” em seu canal oficial no YouTube. Veja em https://www.youtube.com/channel/UCaR-5faHcKZbut5WU6HCltA/featured

- A banda Omegakill disponibilizou o single “Guerra” nas plataformas digitais de música, além de um vídeo que foi disponibilizado no YouTube. Confira em https://www.youtube.com/watch?v=f5K95ZWtczo

Com a morte de Peter Green, vai-se uma parte da essência do blues inglês

Marcelo Moreira

Ele era esquisito - sempre foi. Parecia que gostava mais da guitarra do que de seres humanos. Era doce, gentil e tímido, mas poderia se tornar irascível e intratável em pouco tempo. Só a guitarra e o blues o acalmavam.

Peter Green era indissociável do instrumento musical. Podia ser instável, mas era extremamente focado quando subia no palco e entrava no estúdio. Era tão respeitável e venerado que uma banda com potencial incrível mudou de nome para agraciá-lo, quando entrou. E o Fleetwood Mac virou Peter Green's Fleetwood Mac no final dos anos 60.

Um dos mestres do rock e do blues britânicos morreu neste sábado, aos 73 anos de idade. Debilitado há muito tempo, teve uma sobrevida musical a partir dos anos 90 com a ajuda de e muitos amigos. Ainda tocava muito, com destreza, mas perdera o brilho e praticamente não se comunicava com a plateia.

Há que diga que ele foi um dos taletos perdidos da guitarra, ao lado de gente como Paul Kossoff (Free) e Tommy Bolin (Deep Purple, James Gang e Zephyr), com a enorme diferença de que permaneceu vivo, mesmo que sequelado.

Meio que surgiu do nada no circuito de jazz e blues londrino muito jovem. Não ligava para o rock, mas se encantava com todos os músicos de blues com quem topava.

Com fraseado limpo e certa velocidade nos solos, com feeling esplendoroso, chamou a atenção de muitos "olheiros", e acabou sendo um dos substitutos de Eric Clapton nos Bluesbreakers do mestre John Mayall.

Encantou, mas sua instabilidade logo o levou para outros ares a partir de 1967, e foi laçado pelo amigo baixista John McVie, um antigo companheiro de Bluesbreakers.



O Fleetwood Mac já existia, ao lado de outro amigo, o baterista Mick Fleetwood, e fizeram a deferência de colocar o nome do novo guitarrista na designação oficial.

Ao lado do Savoy Brown, a nova banda,um quinteto, logo virou sensação do blues britânico em 1968, com Green se tornando um instrumentista incendiário e matador, logo comparado a Clapton e Jimi Hendrix.

Tímido e avesso a badalações, apostava tudo na guitarra e logo começou a mostrar os sintomas de alguma perturbação, brigando muito com os colegas e desaparecendo às vezes antes e mesmo durante os shows.

Jornais da época mostram que os problemas atingiram o auge quando o Fleetwood Mac se preparava para estourar, em 1970.

Exasperado com o começo da fama e exausto com a agenda carregada, Green sumiu de vez e deixou a banda na mão, que só voltaria a ter alguma esperança três anos depois, com novos integrantes, nova orientação musical e critérios mais flexível para atingir o sucesso.

O guitarrista, por sua vez, abraçou algumas seitas religiosas e passou por tratamentos psiquiátricos até ser resgatado no fim dos anos 70 por amigos. Algumas vezes em estado catatônico, retornou lentamente ao circuito de pubs e realizou algumas gravações desde então.

Nos anos 90, a carreira ganhou novo rumo, com mais amigos se engajando em suas apresentações e uma ajuda preciosa de Gary Moore, que lançou o CD "Blues For Greeny", só com clássicos ue marcaram a carreira do mestre. Desde então foram vários CDs e turnês, com o músico em forma, aparentemente recuperado, mas pouco comunicativo.

Segundo a família do guitarrista, em comunicado lacônico, ele morreu enquanto dormia, sem divulgar a verdadeira causa da morte.

Delinquência digital não pode encontrar amparo na liberdade de expressão

Marcelo Moreira



Os fascistas surtam quando são pegos no flagra e são colocados de castigo. A determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) de derrubar contas de criminosos contumazes está deixando essa gente espumando de raiva.

A medida alcança os seres execráveis que disseminam - quando não as criam - fake news, as notícias falsas criadas deliberadamente para enganar e confundir. Jair Bolsonaro foi eleito, em grande parte, graças a esse expediente criminoso.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes está dentro dos inquéritos conduzidos dentro do STF sobre as fake news que têm a corte como alvo, assim como seus ministros. E Moraes tem sido implacável e atacou principalmente contas de gente ligada ao bolsonarismo e apoiadores do execrável presidente.

Claro que esses bandoleiros e muitos outros que apoiam a extrema direita nojenta (isso é redundância) saíram dos esgotos para protestar e apontar o que chamam de ataque oficial e judicial à liberdade de expressão.

Seria uma desonestidade intelectual se considerássemos essa gente digna de respeito. Essa gente não merece respeito. São criminosos contumazes que pouco foram incomodados ao longo da vida por conta de seus delitos.

Mesmo entre gente séria a medida causou polêmica, com alguns considerando um atentado à liberdade de expressão, outros acreditando estar aberto um precedente perigoso de intervenção judicial em casos que deveriam ser analisados e julgados depois de ocorridos os fatos.

Ou seja, há quem acredite que o STF esteja legislando por antecipando, julgando e condenando os criminosos de sempre na tentativa de evitar que novos crimes sejam cometidos.

Na minha opinião, são argumentos falaciosos. Fake news são consideradas crimes atualmente mo Brasil e foram identificados vários criminosos que usam e abusam do expediente.

Se o crime está identificado, assim como os seus autores, não seria algum tipo de prevaricação não agir contra essa gente asquerosa?

Os argumentos de abertura de precedente perigoso e de que o STF tenta se antecipar ao cometimento de crimes até merecem uma discussão mais aprofundada, mas é inegável que era necessária uma ação firme e enérgica contra essa bandalheira.

Juristas importantes reconhecem a ação necessária, mas também acreditam que a fundamentação jurídica pode ser questionada. Que assim seja.

O que não pode é dar liberdade total aos criminosos cibernéticos, depredadores de reputações e deturpadores de notícias. Eles precisam ser incomodados, e dentro da lei, como está sendo o caso presente.

Quanto às queixas dos alvos das medidas, devem ser ignorados e punidos exemplarmente. Para estes, a liberdade de expressão é apenas um conceito vago e que deve ser usado apenas de forma oportunista e conveniente para cometer e justificar delitos.

Que discutamos os fundamentos jurídicos da decisão de Alexandre de Moraes, mas não percamos de vista o fato de que fake news são crime e que jamais, em circunstância nenhuma, podem ser enquadradas em qualquer tipo de liberdade. Os delinquentes digitais finalmente encontraram um algoz.




Noturnall libera na íntegra o DVD 'Made in Russia'



Em comemoração ao Dia do Rock, a banda Noturnall colocOU, no seu canal no Youtube, a íntegra do dvd "Made In Russia", a partir de 13 de julho, quando chega também o áudio do álbum nas plataformas de streaming.

Em maio, 12 mil fãs já conferiram num live streaming esse material que capta a turnê histórica com três shows nas cidades russas de Moscou, Yakateremburgo e São Petesburgo, ao lado da banda norte-americana Disturbed.

Em “Made In Russia” estão reunidas as músicas mais famosas do Noturnall, e também as novas composições, como "Cosmic Redemption", cujo clipe já está no Youtube e registrou quase 300 mil vizualizações.

O Noturnall é formado por Thiago Bianchi (vocal), Mike Orlando (guitarras), Saulo Xakol (baixo) e Henrique Pucci (bateria).

Thiago Bianchi comenta sobre o dvd: “Apesar de ser um show curto, conseguimos cobrir boa parte dos sucessos da banda e ainda trazer duas músicas que estarão em nosso próximo disco, a “Scream! For!! Me!!!” – que originalmente contou com ninguém menos que Mike Pornoy no clipe oficial – e “Cosmic Redemption”, que dá nome ao novo álbum do Noturnall. Aliás, “Cosmic Redemption” é uma música que já vínhamos tocando em shows ao longo do último ano, inclusive foi muito pedida nos shows de nossa última tour com Mike Portnoy pelo Brasil”

1965 para o rock: um ano fundamental, o mais importante ou apenas o início de tudo?


Marcelo Moreira

Pode a premissa estar errada, mas ainda assim o livro ser bom e interessante? É raro, mas pode acontecer. O jornalista e historiador norte-americano Andrew Grant Jackson arriscou e se confundiu, esbarrando em equívocos por todo o livro "1965 - O Ano Mais Revolucionário da Música", editado recentemente no Brasil pela editora Leya.

Cravar esse tipo de afirmação em uma obra literária é temerário, ainda mais em um assunto como a cultura pop. Por que 1965, e não 1967, quando obras-primas do rock foram lançadas, ou 1968, ano em que o mundo pop foi influenciado por acontecimentos sociopolíticos? Ou então 1970, que é o ano em que os sonhos acabaram e a arte ficou mais "profissional"?

Jackson expôs muitos argumentos em 330 páginas e não convenceu - não conseguiu provar categoricamente que 1965 foi o ano mais importante da música pop.

No entanto, com um texto leve e informativo, e com toneladas de referências, cometeu uma obra importante, onde descrever com clareza e uma interpretação sociocultural alguns dos principais fatos da década de 1960.

Será que 1965 - há 55 anos, portanto - foi mesmo um ano revolucionário no rock a ponto de ser considerado o mais importante?

Se o autor não prova o que título da obra vaticina, consegue fazer um panorama bem legal não só do ano citado, mas de toda a área cultural desde o ano de 1950.

Bem contextualizado, o texto mostra a gênese de alguns álbuns e singles importantes, descreve como os principais artistas as criaram e o ambiente em que criaram, citando o "clima" interno de bandas e os problemas pessoais que os envolviam.

Foi a situação de John e Michelle Philips, por exemplo, eram o casal principal do Mamas and the Papas, mas a banda quase acabou em 1965, antes do sucesso, por causa do caso extraconjugal de Michelle com Dennis Doherty, o guitarrista principal da banda (John os pegou no flagra, houve briga, mas a banda prosseguiu por anos, assim como o caso dela com Doherty).

Esse clima foi crucial para a composição de vários hits da banda, assim a paixão não correspondida da outra vocalista, Mama Cass Eliott por Doherty.



Jackson foi além, descrevendo como funcionavam as paradas de sucesso de folk, rock, pop, blues e soul, mostra como foram importantes algumas obras do período, como as de Frank Sinatra, Otis Redding, Marvin Gaye, os artistas da Motown, Stax, da cena country e do blues. Passa também, ainda que rapidamente, mas com conteúdo, pela cena inglesa de blues e rock da primeira metade dos anos 60.

Pela formação e pela paixão, o autor dedica muitas e muitas páginas ao que chama de folk rock, e Bob Dylan acaba ganhando um protagonismo exagerado, embora não fora de propósito. O músico entremeia relatos em várias partes do livro, ganhando uma análise profunda de sua obra e do impacto que vários fatos tiveram em sua música.

Para leitores que têm um conhecimento superficial da vida norte-americana daquele período, o livro traz um bônus: relatos importantes do clima político, econômico e social que marcaram a década.

Estão lá explicações sobre os principais conflitos raciais dos anos 60, as disputas políticas entre conservadores e liberais, as lutas às vezes sangrentas pelos direitos civis de minorias, as campanhas e filosofias de gente como Malcolm X e Martin Luther King, as causas do surgimento dos hippies, a decadência econômica de polos industriais como Detroit e o norte da Califórnia, o impacto que a política belicista em relação ao Vietnã e a sua desastrosa guerra tiveram na sociedade e como isso influenciou diretamente a música.

Mesmo não comprovando a tese do título, o livro de Jackson é interessante pelas informações que compila e pela contextualização necessária sobre uma época rica da arte da cultura ocidental. A conclusão é questionável, mas como obra história cumpre satisfatoriamente o seu papel.

sexta-feira, julho 24, 2020

Em tempos de barbárie e genocídio, não há limites entre conivência e insensatez

Marcelo Moreira

Enquanto o mercado se mexe para garantir algum tipo de auxílio financeiro para profissionais do mundo das artes que estão sem renda alguma e passando necessidades - e enquanto todos nós procuramos soluções e ideias para revitalizar o setor -, o maior obstáculo, como era esperado, vem do Palácio do Planalto.

A sabotagem dos programas e atividades de combate à pandemia do coronavírus, criminosa por por parte do presidente Jair Bolsonaro e seus ministros asquerosos, atinge níveis inaceitáveis e afeta diretamente as perspectivas de normalização da vida das pessoas e da economia.

Não se trata apenas de negacionismo ou mera ignorância. É um conjunto de políticas genocidas e destrutivas que vão alongar a volta de qualquer normalidade.

Ou seja, as iniciativas malignas desse governo federal execrável vão esticar a pandemia e impedir que a maioria das atividades possa voltar a funcionar de alguma forma.

Primeiro setor a ser afetado e o último que vai se recuperar, a cultura/artes/entretenimento está ainda mais refém da falta de noção e das decisões lesivas e criminosas vindas de Bolsonaro e seus ministros.

Qualquer tribunal internacional não teria dificuldades em condenar Bolsonaro e seu ministro interino da Saúde por ignorar deliberadamente as instruções de estudos realizados por comitês do próprio governo e do Exército brasileiro recomendando o isolamento social - documento datado de abril.

Da mesma forma que seriam facilmente condenados pela insistência no uso de cloroquina, claramente ineficaz contra a covid-19. E o que dizer do fato de o Ministério da Saúde ter aplicado somente 35% das verbas destinadas ao combate da pandemia?

O pior, como se isso fosse possível, foi a informação de que o governo federal, por meio de alertas ao Ministério da Saúde, sabia que haveria problemas graves no Brasil inteiro no abastecimento de medicamentos necessários para o combate à pandemia.

Não só nada foi feito para resolver essa questão como há indícios de que o governo deliberadamente ignorou os alertas. Ou seja, milhares de mortes poderiam ser evitadas e os hospitais poderia ter ficado menos abarrotados.

Sem perspectivas no retorno dos espetáculos, resta apenas cumprir as determinações legais chanceladas por especialistas para tentar reduzir o tempo de propagação da doença e apoiar as medidas de controle. (FOTO: ROÇA'N'ROLL/DIVCULGAÇÃO)
Interiorização da doença, estagnação de casos e mortes em patamares altíssimos e UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) lotadas, além de falta de leitos nas emergências. Tudo previsto e esperado, diante da criminosa omissão do presidente e de seu governo inexistente.

Com as perspectivas do aumento de mortes e da falta de controle da doença, não há a menor condição de se fazer previsão minimamente crível sobre o fim do rigor no isolamento/distanciamento social. Julho de 2021 para a volta de shows, como preveem alguns especialistas? Pouco provável.

E não é que, diante de quadro pavoroso como o descrito acima, idiotas que se dizem artistas, seja por desespero, seja por desonestidade intelectual, começam a clamar pelo fim total de qualquer tipo de isolamento social?

"Precisamos trabalhar, o mundo não pode parar por causa de uma doença", vomitou um conhecido músico de banda de rock nacional nesta semana, que desde sempre manifestou apoio cauteloso ao incapaz e incompetente governo Bolsonaro.

Descrente da gravidade da pandemia e de seus efeitos, abraçou definitivamente o negacionismo e virou mercador da morte, como seu "mito", que é rechaçado até mesmo pelas emas do Palácio da Alvorada.

Como estamos registrando há tempos neste Combate Rock, temporariamente substituído pelo Superball Express, esse imbecil não está sozinho diante de tamanha barbaridade. Não scoão poucas as pessoas da área da música que o apoiam em seus jatos de vômito nas redes sociais bradando contra o distanciamento social e as medidas contra a covid-19.

Já ultrapassamos a fase da mediocrização da nossa sociedade em 2020. Assim como os Estados Unidos, "evoluímos" para o modo "imbecilização total", a julgar por ruas e praias cheias de lixos humanos que decidiram deliberadamente desrespeitar todas as leis e medidas necessárias de combate à pandemia.

Não é por outra que o execrável desembargador paulista, da cidade de Santos, se tornou a imagem emblemática do fracasso de nossa sociedade no combate à pandemia e também na construção de um povo educado e decente, consciente dos objetivos comuns e da necessária tomada de decisões em prol do coletivo.

A combinação de um governo lesivo e criminoso em relação à saúde pública, por questões ideológicas, e de um povo estúpido e ignorante fará com que a demoremos muito mais do que o previsto para controlar a doença, o que significa que demorará muito mais para que as atividades culturais voltem a ser permitidas com algum público ou com alguma perspectiva de geração de renda.

E é lamentável perceber que gente de cultura e das artes está contribuindo decisivamente para que essa tragédia se perpetue.

Sempre confiaNdo em informações de qualidade e nas palavras da cientistas e especialistas, entendemos que a volta de espetáculos deverá ser a última coisa a voltar a alguma normalidade.

Ficou claro que é possível que fiquemos sem shows, teatro, cinema, futebol e restaurantes. Que assim seja, pelo tempo que for necessário, para combater a prior pandemia em 100 anos, por mais que um povo burro e ignorante como o brasileiro, estimulado por um presidente estúpido e que age criminosamente, atuem contra.

Parece que ninguém entendeu o significado do cancelamento da Parada Gay de São Paulo e do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, para não falar do adiamento o Carnaval pra, quem sabe, em julho de 2021. Se tais medidas foram tomadas, é porque há algo de errado no mundo, né? Parece que tem algo de grave acontecendo...

Reivindicar neste momento a reabertura de bares e restaurantes e a volta de espetáculos, além de frequentar praias e ruas de comércio abarrotadas, é ser conivente com o genocídio.




Notas roqueiras: Drowned, Monday Riders, Insanidade, Dynasty of Metral...




- Gravado em modo “Quarantine Sessions”, o Drowned recriou uma versão pesada e agressiva de “Authority” do Biohazard. O vídeo acaba de ser lançado exclusivamente no canal oficial da banda e você assiste em https://www.youtube.com/watch?v=WuhJbpf-K-4&feature=youtu.be. Os convidados no vídeo são: Amílcar Christófaro (Torture Squad), André Meyer (Distraught), Sérgio Ferreira (Overdose/Hell's Punch), Dimitri Brandi (Psychotic Eyes), Jonny Armani (Bulldogs), Jay Heart (Syntz), Eduardo Ferreira (Preceptor), Rubens Trindade (Black Feather Klan), Rodrigo Fonseca and Fábio (Hellcome), Ênio Jr. (Distúrbio Sub-Humano), E ainda tem Carol Vegas, Migliácia Costa, Darci Roberto, Douglas Tattoo e Joel Reis.

- Acaba de ser liberado oficialmente no canal de YouTube da Monday Riders vídeo em modo “Quarantine Sessions”, para a faixa "Master of Time". A música foi gravada especialmente para o festival online, MetalStock, que foi transmitido no final de semana do Dia Mundial do Rock. Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=n8Uv5Rb3m1E

- Trabalhando na divulgação de seu álbum de estreia, “Hello Suckers, a banda punk Insanidade havia anunciado o lançamento do vídeo da faixa “Gota Ácida” para esse último sábado. Pois agora o mesmo se encontra disponível no canal oficial da banda no YouTube, e pode ser visto em
https://www.youtube.com/watch?v=PFHU0AuluAI

- Próxima de completar 25 anos de carreira, a banda mineira Dynasty Of Metal inicia um novo projeto para comemorar a data, desta vez com um trabalho em tributo a nomes que ajudaram a moldar a sonoridade da banda e ainda servem de inspiração para a mesma. O disco já está sendo gravado e terá versões para músicas de bandas como Narnia, Tourniquet, Impellitteri dentre outros com previsão de lançamento para o final do primeiro semestre de 2021. Para ajudar na arrecadação de recursos para o financiamento do disco e também de seu material de divulgação (videoclipe e lyric vídeo), foi criada uma rifa virtual no valor de R$ 30,00 onde o prêmio consiste nas primeiras prensagens dos discos "Motus Perpetuus" (2004), "Warriors Of The King" (2010) e "Step By Step" (2017), todos eles autografados pelos membros que os gravaram. Serão disponibilizados 200 números na rifa, que pode ser acessada no link abaixo:
https://bit.ly/3gYGXlv

O P que não era Palmer na bateria com Emerson e Lake, há 35 anos


Marcelo Moreira
Keith Merson, Greg Lake e Cozy Powell em 1986 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

São raros os artistas que percebem a situação de esgotamento criativo e admitem que passam por tal problema. E mais raros ainda aqueles que tomam decisões radicais para mudar.

O tecladista inglês Keith Emerson teve essa sabedoria e reuniu coragem para convencer os colegas Greg Lake (baixo e vocal) e Carl Palmer (bateria) a encerrar o trio Emerson, Lake and Palmer no fim do auge da trajetória do grupo em 1980.

Quando houve a volta, seis anos depois, os fãs foram surpreendidos. O ELP voltava à ativa, mas o P não era Palmer, mas um certo senhor Powell – Cozy Powell, um dos melhores bateristas da história do rock, um substituto à altura para a lenda Carl Palmer.

E o trio virou Emerson, Lake and Powell, que lançou apenas um trabalho, em 1986. No entanto, o acordo mesmo ocorreu um ano antes, quando os ensaios começaram na Inglaterra, há 35 anos.

 

E surge um grande P como opção

Na época em Keith Emerson reunia forças para ao menos discutir a separação ou eventual hiato prolongado do trio, em 1980, Lake e Palmer tinham a mesma impressão, mas cada um deles estava reticente em abrir o jogo com os colegas, com medo de errar feio.

Emerson tomou a iniciativa de colocar o assunto na mesa. Aliviados, todos admitiram que era hora de parar por ali, após o os resultados decepcionantes do apenas mediado álbum “Love Beach”, de 1979.

Felizes, os três encerram o grupo sem dramas e partiram para novos projetos. palmer montou o Asia com John Wetton (ex-Uriah Heep e King Crimson), Steve Howe (ex-Yes na época) e Geoff Downes (tecladista com passagem pelo Yes). Emerson e Lake iniciaram carreiras solo.

Cinco depois, uma onda de nostalgia assolou o mundo do rock progressivo com o surpreendente sucesso da nova formação do Yes, ressuscitado em 1983 com pegada um pouco mais pop e totalmente estourado nas paradas com o álbum “90125″, puxado pelo megahit “Owner of a Lonely Heart”.

Greg Lake achou que seria uma boa ideia reativar o antigo trio, já que sua carreira solo não decolara. Não foi difícil convencer Keith Emerson, até então o mais reticente com a reunião.

Embora com carreira solo relativamente bem-sucedida e enfronhado na área de composição de trilhas sonoras para cinema, adorava os holofotes e estava ressentido por estar “esquecido” em um tempo onde o heavy metal cru e barulhento e o hard rock de cabelos de laquê dominavam tudo.

O problema era Carl Palmer, então líder do Asia, que se tornara um sucesso monstruoso com sua música pop derivada do rock progressivo, mas com bom gosto.

O baterista ficou tentado a se reunir com os antigos companheiros, mas não conseguiu se desincumbir dos compromissos com sua banda à época. ele tentou várias soluções, mas Howe e Downes pediram para que não saísse.

O jeito foi improvisar e achar outro P para reativar o ELP. A opção foi encontrada de fomra muito rápida e de forma consensual: Cozy Powell, um virtuoso da bateria com pegada forte e tendência a se envolver com projetos de música pesada. O currículo era impressionante: o obscuro mas ótimo Bedlam, Jeff Beck Group, Rainbow, Whitesnake, Roger Daltrey, Black Sabbath, Michael Schenker Group, Gary Moore…

O entrosamento não foi difícil, já que Powell era muito profissional e excelente músico. No final de 1985 o acordo foi selado e o trio logo entrou em estúdio para gravar o único álbum da banda, “Emerson, Lake and Powell”, de grande repercussão e bom desempenho nas emissoras de rádio de paradas de sucesso, ancoradas na música power progressiva “Touch and Go”, sucesso imediato.



Outras ideias muito boas estavam no disco, como a excelente “The Score”, totalmente progressiva, com ares setentistas, mas com sonoridade moderna e um show de exibicionismo de Emerson.

Para compensar a dispensável balada “Lay Down Your Guns”, um monumento erudito em forma de rock pesado e progressivo: “Mars, The Bringer of War”, do compositor austríaco Gustav Holst e parte integrante da sinfonia “The Planets”. Os três brilham na música, mas fica nítido que Powell foi o que mais se divertiu.

Tudo muito certo, tudo correndo bem. Só que o espírito nômade de Powell se manifestou novamente. Por mais que trabalhasse com dois músicos excelentes, sentiu que sua criatividade estava limitada. Por outro lado, Emerson ficou incomodado com o peso adicionado por Powell ao trio. Sentia saudades dos fraseados mais complexos e inventivos de Carl Palmer.

Lake compartilhava da opinião do tecladista, mas, ao contrário, estava curtindo a nova fase e a pegada pesada do substituto de Palmer. O baixista sempre foi o mais chegado ao mundo pop. De certa forma, era o menos erudito, o que não quer dizer mais fraco – muito pelo contrário.

O fato é que havia muito respeito profissional e musical entre os membros, houve profissionalismo ao extremo e a realização de um álbum muito bom e uma turnê bem-sucedida. Só que a química não era a ideal. Powell disse tempos depois que curtiu cada segundo trabalhar com os dois, mas que definitivamente o rock progressivo não era a praia dele. A separação foi consensual e inevitável.

A carreira dos músicos desde então foi tortuosa. Emerson tentou reunir o Emerson, Lake and Palmer em 1988, já que Carl Palmer havia deixado o Asia. O problema foi Greg Lake, que já tinha se comprometido com outros projetos – e também não mostrou muito interesse em voltar.



O jeito foi montar algo parecido com a parceria com Powell de dois anos antes. Para o lugar de Lake, foi convidado o multi-instrumentista norte-americano Robert Berry, em um projeto batizado de 3 (ou Three, em alguns países). Um único álbum surgiu, “The Power of the 3″, creditado na primeira prensagem, na Inglaterra, a Emerson, Berry and Palmer.

Mesmo com o fracasso completo do álbum, houve uma pequena e interessante turnê pelos Estados Unidos em 1989. Fim de turnê, fim de grupo. A reunião do trio original só ocorreria em 1992, com turnê mundial (que passou pelo Brasil) e um novo álbum, “Black Moon”.

Deu tão certo que o grupo manteve a pegada até 1998, quando nova separação ocorreu, desta vez não de forma muito amigável. Emerson reclamava na internet que Lake não se dedicava à banda e à evolução musical como ele e Palmer.

Todos retomaram suas carreiras solo, com Lake tocando com Ringo Starr em 2001 e depois paulatinamente diminuindo suas atividades. Em 2004 tocou baixo na música “Real Good Looking Boy”, a primeira música inédita do Who desde 1988.



Palmer criou a sua Carl Palmer Band e foi o cabeça da reunião da formação original do Asia em 2007. Emerson voltou-se para o jazz e para o blues em sua carreira solo.

O trio fez uma última aparição no High Voltage Festival em 2010, em Londres, quando comemorou os 40 anos de criação do trio. Os três disseram que nunca mais o ELP vai se reunir. Acertaram na previsão: Emerson se suicidou aos 71 anos de idade no começo de 2016, e Lake morreu de câncer, aos 68 anos, no final do mesmo ano.

Já Cozy Powell manteve-se altamente produtivo após a colaboração com Lake e Emerson. Fez parte do Black Sabbath entre 1989 e 1991. Deveria fazer parte da formação da banda que resgatou Dio, a que gravaria o álbum “Dehumanizer”, lançado em 1992, mas caiu de um cavalo às vésperas da gravação e quebrou a bacia. Voltaria a tocar o grupo em 1995, mas só no álbum “Forbidden”. Na turnê, quem tocou foi Bobby Rondinelli.

Após dois anos tocando com uma nova encarnação da banda pop Fleetwood Mac, mudou radicalmente e se tornou o baterista do guitarrista sueco de heavy metal Yngwie Malmsteen, mas tocou pouco na turnê daquele ano, pois teve uma lesão séria no pé e teve de abandonar o barco.

Apaixonado por velocidade, tinha uma pequena coleção de carros esportivos. Foi a bordo de um deles, um modelo Saab, que morreu na hora ao espatifá-lo em 1998 contra um guard-rail em uma estrda nos arredores de Bristol, na Inglaterra. Segundo sua namorada, ele estava ao telefone celular com ela na hora da colisão. Powell tinha 51 anos de idade.

Ouça a inédita versão de Chris Cornell para ‘Patience’, do Guns N’ Roses

Do site Roque Reverso

Chris Cornell (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Caso estivesse vivo, Chris Cornell completaria 56 anos nesta segunda-feira, 20 de julho de 2020. Pensando numa homenagem ao eterno vocalista das bandas Soundgarden e Audioslave, a família deu um verdadeiro presente ao mundo do rock ao liberar nesta mesma data uma linda versão de Cornell para um clássico do Guns N’ Roses. A faixa é nada menos que “Patience”, que pertence originalmente ao álbum “G N’ R Lies”, de 1988.

A versão inédita traz a voz marcante de Chris Cornell e já entra para a lista de maiores interpretações do músico, que faleceu em 2017.

A música foi postada inicialmente nas redes pela viúva Vicky Cornell com uma mensagem explicando o surgimento da ideia de gravar a canção e lembrando com saudades do talentoso marido. Ela conta ainda com um clipe oficial, já disponível em diversas redes sociais, que contou com a produção dos filhos do Cornell: Toni Cornell e Christopher Cornell.

“Um dos engenheiros (de som) recentemente me lembrou das gravações do Chris das sessões de 2016, as quais ele ainda possuía. ‘Patience’ era uma delas. Essa gravação foi inspirada em nossa filha, Toni, que era uma grande fã do Guns N’ Roses e pediu ao pai para ensiná-la a tocar na guitarra. Sua cover é tão assustadoramente bonita; trouxe tudo de volta em uma onda de memórias agridoces”, escreveu Vicky.

E continuou: “O aniversário dele parecia o momento perfeito para compartilhar isso e celebrar Chris, sua voz, música, histórias e arte. Um homem não está morto enquanto seu nome ainda é falado… E, através de sua arte, a alma de um artista ainda brilha tão forte em todos aqueles que admiram ele e sua memória. O lançamento de músicas especiais para Chris mantém uma parte dele aqui conosco – o seu coração e sua alma. Seu amor e seu legado.”

Além das belas palavras, Vicky agradeceu a todos que continuam a celebrar a memória do falecido marido, em especial a Axl Rose, Slash e Duff McKagan, do Guns, que continuam lembrando Chris em shows – a banda de hard rock costuma tocar o clássico “Black Hole Sun”, do Soundgarden, em homenagem ao vocalista.

Vicky ainda agradece aos fãs de Chris e a seus filhos, que ajudaram no clipe. “A lembrança de seu sorriso ainda faz meu coração, partido como está, bater tão rápido como na primeira vez que nos conhecemos. Amamos você, Chris. Feliz aniversário”, completou.

No emocionante clipe, que contou com a direção de Josh Graham, várias fotos com Chris Cornell, a maioria delas com a família, vão aparecendo até que se forme o que parece uma flor no encerramento, mas que também lembra o logo do Audioslave que remete a uma chama.