Chega de choradeira no metal nacional
De vez em quando bate um ressentimento em algum músico brasileiro de heavy metal e aí começa um rosário de reclamações e queixas sobre a falta de apoio ao estilo no Brasil, sobre a preferência de parte do público aos artistas estrangeiros e de como eles são dedicados e “heróis” por “defenderem” o metal brasileiro e outras pataquadas.
Desta vez o autor das lamúrias é Thiago Bianchi, atual vocalista do Shaman e produtor musical bastante requisitado. Ele enviou uma carta há algumas semanas a vários sites e revistas especializadas reclamando do que chama de “fim de linha do heavy metal brasileiro”. Leia a íntegra da carta aberta aqui.
Em janeiro de 2oo9 a cantilena foi a mesma: alguns músicos brasileiros importantes do heavy metal choramingando a preferência do público por bandas estrangeiras, em vez de apoiar quem batalha pelos botecos da vida divulgando material próprio.
Eduardo Ardanuy, guitarrista do Dr. Sin, é um dos melhores que já vi ao vivo. O estupendo músico concedeu uma entrevista na edição de janeiro de 2009 à revista Roadie Crew, onde fala do lançamento de seu CD solo, “Electric Nightmare”.
No meio do texto, reclama de novo da falta de apoio aos músicos nacionais. “O público brasileiro continua ‘paga-pau’ de gringo, prefere gastar R$ 300 para ver o Judas Priest do que R$ 20 ou R$ 30 para assistir a uma boa banda nacional”, diz o músico, cheio de rancor.
Thiago Bianchi
Essa é uma batalha perdida e esse tipo de lamento já encheu a paciência. Se Thiago Bianchi e o Dr. Sin - banda maravilhosa – não fazem tantos shows quanto gostariam, não adianta culpar o público de shows internacionais. Por mais que o Dr. Sin seja bom – e, repito, é excelente – qual banda você veria se os shows fossem simultâneos? A citada Dr. Sin ou o AC/DC? Dr. Sin ou Black Sabbath? Dr. Sin ou Iron Maiden?
Parece que falta um pouco de bom senso a alguns músicos nacionais. Não é simplesmente uma questão de qualidade – as bandas de rock citadas e milhares de outras são melhores do que o Dr. Sin. É uma questão de oportunidade.
O AC/DC, por exemplo, já tocou mais de 30 vezes na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, uma espécie de Belo Horizonte americana. E só vieram três vezes ao Brasil.
A América do Sul não é rota assídua de shows internacionais, embora a situação esteja melhorando bastante. Então é natural que, quando uma banda estrangeira aporte por aqui, mesmo que de porte médio, ganhe a atenção do público.
É o caso dos alemães do Grave Digger, metal tradicional dos melhores, mas que nunca passou de uma banda mediana em termos de público em seus 30 anos de carreira. Entretanto, quando vem ao Brasil – e já veio cinco vezes – lota seus shows.
Por outro lado, é cada vez mais comum vermos shows do Dr. Sin no Brasil, assim como os do Angra, da banda de André Matos, do Almah de Edu Falaschi (Angra) e até mesmo do Krisiun. Todas essas bandas tocam com bastante regularidade e lotam seus shows.
Bianchi escreveu muito, mas disse muito pouco. Clamar pela união do metal e blábláblá blá sobre a falta de apoio não resolve e não vai resolver. Conclamar os amantes do heavy metal brasileiro a entupir caixas de e-mails de emissoras de rádio, TV, jornais e revistas para que ampliem a cobertura do gênero também não é uma alternativa viável – na verdade, é bisonha.
O próprio Bianchi cita várias bandas brasileiras de qualidade em sua carta. Então o que está errado? Culpar a mídia não ajuda, é só uma forma de transferir a responsabilidade por uma situação supostamente desastrosa – será que realmente é?
A cada dia aparecem bandas novas brasileiras e bandas antigas nas páginas de revistas e sites especializados anunciando o lançamento de seus novos trabalhos em CD e em formato digital. Não me consta que todas essas bandas façam isso apenas por hobby. Alguma luz ou alguma esperança de retorno, mesmo que pequeno, existe. Então por que continuar a choramingar?
É ilusão achar que o heavy metal brasileiro terá algum espaço compatível com a sua importância. E não adianta culpar a imprensa e o público. É de se perguntar o porquê de o próprio público do metal nacional ser tão infiel.
O que acontece? Falta organização? Falta qualidade? Falta comunicação? Falta inteligência? Falta tudo isso ao mesmo tempo? Ora, se nem os produtores acostumados a trabalhar no meio investem, o que fazer então? Tentar encher casas de show por decreto?
O metal nunca será popular no Brasil como é na Europa e como já foi nos Estados Unidos – e é raro algum músico norte-americano renomado ficar reclamando de falta de apoio. Trabalhar muito e sempre é a única solução – e isso Bianchi e Ardanuy fazem e são referência no mercado. Reclamar em público sobre falta de apoio não passa, infelizmente, de choramingo inútil.
Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quarta-feira, maio 11, 2011
domingo, maio 08, 2011
Quem criou o heavy metal? Acerta quem diz Blue Cheer
Quem inventou o heavy metal? Essa é a pergunta mais inconveniente do rock, quase tão infame como aquela básica: “Qual a origem do universo? De onde viemos”? As teorias são muitas, mas falta credibilidade para quase todas elas. Então a questão vira briga de arquibancada, com zero de razão e tudo de paixão.
O lugar comum diz que o surgimento do Led Zeppelin, em outubro de 1968, é o inicio do heavy metal. Na mesma época, os Beatles soltavam o famoso “Álbum Branco”, que trazia a obra-prima “Helter Skelter”, que muitos consideram a primeira música pesada da história.
Os radicais preferem cravar 13 de fevereiro de 1970 como a data de nascimento do metal, dia em que foi lançado “Black Sabbath”, álbum intitulado da banda homônima de Ozzy Osbourne e Tony Iommi.
Já os “arqueólogos” do rock gostam de citar o lançamento do compacto “You Really Got Me”, dos Kinks, no começo de 1964, como o marco zero da música pesada – assim como “I Can’t Explain”, do Who, do final deste mesmo ano, asia o marco zero do punk rock.
Eu prefiro seguir uma outra linha, até em homenagem a um baixista que morreu em 2009 e que integrou aquela que provavelmente foi a primeira banda integralmente pesada dos anos 60 – e do rock, em geral.
O Blue Cheer é cria do baixista Dickie Peterson e surgiu em San Francisco, na Califórnia, em 1966, bem no comecinho da era hippie e do flower power. Só que, radicais como eram, o então quinteto já adotava uma postura metaleira e tocava muito alto, com muita distorção, a ponto de destroçar os amplificadores.
Capa do álbum "Vincebus Eruptum", do Blue Cheer
As letras comuns do rock, falando de garotas, carros, bebedeiras e sacanagem em geral, conviviam com os temas soturnos, negativos e pesados. E foi como um trio que no fim de 1967 gravaram rápido e lançaram em janeiro de 1968 o primeiro álbum, “Vincebus Eruptum”, que trazia uma versão para “Summertime Blues”, de Eddie Cochrane, imortalizada na versão pesadíssima e suja do Who ao vivo.
A versão do Blue Cheer era mais pesada ainda, com toneladas de peso e muitos efeitos de guitarra. Peterson era o baixista e vocalista, sendo que a formação clássica era completada por Paul Whaley na bateria e Leigh Stephens na guitarra.
“Vincebus Eruptum” é considerado nos Estados Unidos como primeiro álbum de heavy metal da história. Peterson nunca escondeu que suas influências principais foram o Jimi Hendrix Experience – especialmente a apresentação do Monterey Pop Festival, em 1967 – o Who e o Cream.
O trio Blue Cheer no começo de 1968
Dickie Peterson costumava dizer que o Blue Cheer não fazia nada demais. “Nós pegávamos o blues e o distorcíamos até se tornar irreconhecível. Parece que fomos os primeiros a fazer isso com tamanha competência…”
Seja por desconhecimento, ou mesmo por falta de informação – na verdade, uma checagem de datas –, alguns críticos ingleses citam de vez em quanto “In-A-Gadda-Da-Vida”, o segundo álbum de estúdio da banda Iron Butterfly, lançado em meados de 1968.
Tanto o álbum como a música-título são bastante pesados, mas ainda assim perdem por pouco para o Blue Cheer – diz a lenda que o vocalista do Iron Butterfly, Doug Ingle, estava tão bêbado quando gravou a música “In the garden of Eden”, que a faixa 6 passou a se chamar “In a gadda da vida”.
Seja como for, o primeiro álbum do Blue Cheer, “Vincebus Eruptum”, merece uma audição para conferir o verdadeiro marco zero do heavy metal.
Quem inventou o heavy metal? Essa é a pergunta mais inconveniente do rock, quase tão infame como aquela básica: “Qual a origem do universo? De onde viemos”? As teorias são muitas, mas falta credibilidade para quase todas elas. Então a questão vira briga de arquibancada, com zero de razão e tudo de paixão.
O lugar comum diz que o surgimento do Led Zeppelin, em outubro de 1968, é o inicio do heavy metal. Na mesma época, os Beatles soltavam o famoso “Álbum Branco”, que trazia a obra-prima “Helter Skelter”, que muitos consideram a primeira música pesada da história.
Os radicais preferem cravar 13 de fevereiro de 1970 como a data de nascimento do metal, dia em que foi lançado “Black Sabbath”, álbum intitulado da banda homônima de Ozzy Osbourne e Tony Iommi.
Já os “arqueólogos” do rock gostam de citar o lançamento do compacto “You Really Got Me”, dos Kinks, no começo de 1964, como o marco zero da música pesada – assim como “I Can’t Explain”, do Who, do final deste mesmo ano, asia o marco zero do punk rock.
Eu prefiro seguir uma outra linha, até em homenagem a um baixista que morreu em 2009 e que integrou aquela que provavelmente foi a primeira banda integralmente pesada dos anos 60 – e do rock, em geral.
O Blue Cheer é cria do baixista Dickie Peterson e surgiu em San Francisco, na Califórnia, em 1966, bem no comecinho da era hippie e do flower power. Só que, radicais como eram, o então quinteto já adotava uma postura metaleira e tocava muito alto, com muita distorção, a ponto de destroçar os amplificadores.
Capa do álbum "Vincebus Eruptum", do Blue Cheer
As letras comuns do rock, falando de garotas, carros, bebedeiras e sacanagem em geral, conviviam com os temas soturnos, negativos e pesados. E foi como um trio que no fim de 1967 gravaram rápido e lançaram em janeiro de 1968 o primeiro álbum, “Vincebus Eruptum”, que trazia uma versão para “Summertime Blues”, de Eddie Cochrane, imortalizada na versão pesadíssima e suja do Who ao vivo.
A versão do Blue Cheer era mais pesada ainda, com toneladas de peso e muitos efeitos de guitarra. Peterson era o baixista e vocalista, sendo que a formação clássica era completada por Paul Whaley na bateria e Leigh Stephens na guitarra.
“Vincebus Eruptum” é considerado nos Estados Unidos como primeiro álbum de heavy metal da história. Peterson nunca escondeu que suas influências principais foram o Jimi Hendrix Experience – especialmente a apresentação do Monterey Pop Festival, em 1967 – o Who e o Cream.
O trio Blue Cheer no começo de 1968
Dickie Peterson costumava dizer que o Blue Cheer não fazia nada demais. “Nós pegávamos o blues e o distorcíamos até se tornar irreconhecível. Parece que fomos os primeiros a fazer isso com tamanha competência…”
Seja por desconhecimento, ou mesmo por falta de informação – na verdade, uma checagem de datas –, alguns críticos ingleses citam de vez em quanto “In-A-Gadda-Da-Vida”, o segundo álbum de estúdio da banda Iron Butterfly, lançado em meados de 1968.
Tanto o álbum como a música-título são bastante pesados, mas ainda assim perdem por pouco para o Blue Cheer – diz a lenda que o vocalista do Iron Butterfly, Doug Ingle, estava tão bêbado quando gravou a música “In the garden of Eden”, que a faixa 6 passou a se chamar “In a gadda da vida”.
Seja como for, o primeiro álbum do Blue Cheer, “Vincebus Eruptum”, merece uma audição para conferir o verdadeiro marco zero do heavy metal.
quinta-feira, maio 05, 2011
Meia entrada: a boa intenção sucumbiu à picaretagem
Um cidadão muito bem vestido e com uma namorada linda pretendia assistir a um filme em uma sala de cinema em Santo André. Sem corar de vergonha, apresentou uma carteira de estudante na hora de pagar. Queria a meia entrada. A carteira era de um curso de MBA, que costuma custar de R$ 15 mil a R$ 25 mil.
Cumprindo a sua função, a funcionária exigiu o comprovante de matrícula. Deu-se mal. O cidadão bem vestido transformou-se em um animal, humilhou a funcionária e disse ser promotor público.
Gritou, esbravejou e ameaçou prender todo mundo. Depois de muita gritaria e briga, o gerente cedeu e vendeu a meia entrada. Isso ocorreu em janeiro deste ano.
Volto ao tema porque a quantidade de reclamações que estão surgindo nos jornais paulistas e sites especializados sobre os abusos da meia entrada estão crescendo muito.
O volume da indignação aumentou por conta da falta de estrutura no tal Festival SWU, em Itu, que tinha como mote a sustentabilidade. O fato é que pessoas pagaram até R$ 600 por um ingresso, mais R$ 100 de estacionamento, e foram desrespeitados como consumidores, como sujeira ao extremo, lama nos locais das apresentações e filas imensas na hora de voltar para casa. Não foram poucos os protestos contra a chamada meia entrada.
Um outro caso merece ser citado nesta questão. No ano passado, uma espectadora ganhou na Justiça um processo contra uma empresa que promove shows por não conseguir comprar um ingresso pela metade do preço, mesmo sendo estudante e apresentando a carteirinha.
O artigo 2º da lei municipal paulistana nº 11.355/93 limita a 30% do total a carga destinada a estudantes em qualquer espetáculo. Inconformada, a estudante comprou o ingresso inteiro, mas decidiu processar a empresa promotora pela limitação da carga de ingressos para estudantes, alegando a inconstitucionalidade da lei municipal. A garota ganhou em duas instâncias o direito de ser indenizada.
Os dois casos ilustram a dificuldade de aplicar e fiscalizar a lei da meia entrada. O espírito da lei é válido, mas foi corrompido. A medida foi elaborada com a melhor das intenções, como uma forma de facilitar o acesso à cultura aos estudantes carentes e estimulá-los a procurar os espetáculos e ir a museus, por exemplo.
Só que faltou cuidado na elaboração da lei, em todas as suas versões pelo país afora. Em nome de uma oportunista “igualdade”, o mesmo estudante carente que sempre esteve excluído do acesso à cultura é equiparado ao aluno abonado de colégios e faculdades particulares, que pagam mensalidades superiores a R$ 1 mil – e parte deles provavelmente gasta R$ 500 em qualquer balada por aí.
A lei tem de ser revista de forma urgente em todo país, com a consequente redução da emissão de carteiras e do estabelecimento de critérios muito mais rígidos sobre quem tem direito e quem não tem, levando-se em conta a situação financeira e a idade do estudante.
A lei penaliza o resto da população, já que os ingressos “normais” praticamente dobram de preço em alguns espetáculos para cobrir o rombo causado pela disseminação da meia entrada picareta – atitude que não pode ser condenada, infelizmente. Do jeito que é aplicada hoje, de forma equivocada, torna-se inaceitável.
Um cidadão muito bem vestido e com uma namorada linda pretendia assistir a um filme em uma sala de cinema em Santo André. Sem corar de vergonha, apresentou uma carteira de estudante na hora de pagar. Queria a meia entrada. A carteira era de um curso de MBA, que costuma custar de R$ 15 mil a R$ 25 mil.
Cumprindo a sua função, a funcionária exigiu o comprovante de matrícula. Deu-se mal. O cidadão bem vestido transformou-se em um animal, humilhou a funcionária e disse ser promotor público.
Gritou, esbravejou e ameaçou prender todo mundo. Depois de muita gritaria e briga, o gerente cedeu e vendeu a meia entrada. Isso ocorreu em janeiro deste ano.
Volto ao tema porque a quantidade de reclamações que estão surgindo nos jornais paulistas e sites especializados sobre os abusos da meia entrada estão crescendo muito.
O volume da indignação aumentou por conta da falta de estrutura no tal Festival SWU, em Itu, que tinha como mote a sustentabilidade. O fato é que pessoas pagaram até R$ 600 por um ingresso, mais R$ 100 de estacionamento, e foram desrespeitados como consumidores, como sujeira ao extremo, lama nos locais das apresentações e filas imensas na hora de voltar para casa. Não foram poucos os protestos contra a chamada meia entrada.
Um outro caso merece ser citado nesta questão. No ano passado, uma espectadora ganhou na Justiça um processo contra uma empresa que promove shows por não conseguir comprar um ingresso pela metade do preço, mesmo sendo estudante e apresentando a carteirinha.
O artigo 2º da lei municipal paulistana nº 11.355/93 limita a 30% do total a carga destinada a estudantes em qualquer espetáculo. Inconformada, a estudante comprou o ingresso inteiro, mas decidiu processar a empresa promotora pela limitação da carga de ingressos para estudantes, alegando a inconstitucionalidade da lei municipal. A garota ganhou em duas instâncias o direito de ser indenizada.
Os dois casos ilustram a dificuldade de aplicar e fiscalizar a lei da meia entrada. O espírito da lei é válido, mas foi corrompido. A medida foi elaborada com a melhor das intenções, como uma forma de facilitar o acesso à cultura aos estudantes carentes e estimulá-los a procurar os espetáculos e ir a museus, por exemplo.
Só que faltou cuidado na elaboração da lei, em todas as suas versões pelo país afora. Em nome de uma oportunista “igualdade”, o mesmo estudante carente que sempre esteve excluído do acesso à cultura é equiparado ao aluno abonado de colégios e faculdades particulares, que pagam mensalidades superiores a R$ 1 mil – e parte deles provavelmente gasta R$ 500 em qualquer balada por aí.
A lei tem de ser revista de forma urgente em todo país, com a consequente redução da emissão de carteiras e do estabelecimento de critérios muito mais rígidos sobre quem tem direito e quem não tem, levando-se em conta a situação financeira e a idade do estudante.
A lei penaliza o resto da população, já que os ingressos “normais” praticamente dobram de preço em alguns espetáculos para cobrir o rombo causado pela disseminação da meia entrada picareta – atitude que não pode ser condenada, infelizmente. Do jeito que é aplicada hoje, de forma equivocada, torna-se inaceitável.
terça-feira, maio 03, 2011
Sons of Liberty, o conservadorismo político no heavy metal
Música politizada no rock está cada vez mais raro, em qualquer vertente. Bob Dylan e Neil Young são mestres no assunto, assim como John Lennon, e de vez em quanto aparecem Paul Simon, Bruce Springsteen, Peter Gabriel e até Paul McCartney dando pancadas diversas.
No metal os temas políticos aparecem de forma genérica, sem alvos específicos, com bandas clamando em suas letras contra a opressão, ditaduras, violência, caos e outros males, mas tudo muito solto e sem foco.
O Queensryche foi bem-sucedido ao passear por temas como a reinserção dos veteranos da Guerra do Iraque em “Amercian Soldier”, assim como o Iron Maiden teve resultados satisfatórios em “A Matter of Life and Death”, embora com alfuns exageros.
Atualmente, o veterano Ted Nugent continua chamando a atenção mais por suas hilárias entrevistas, de detona os defensores dos direitos humanos, espinafra os imigrantes de qualquer espécie e, como bom legítimo republicano direitista norte-americano, odeia o governo e exige a “América para os americanos.” Não passa de um fanfarrão.
Política com contepudo e qualidade pode ser encontrada no trabalho do guitarrista Jon Schaffer, o líder do Iced Earth. A banda norte-americana faz trabalhos conceituais de respeito e tem na abordagem de temas importantes da história norte-americana material de sobra para mandar recados bem atuais.
Entretanto, é em um trabalho paralelo que Schaffer cai na cabeça nos temas políticos e faz a defesa acalorada dos valores e temas caros à direita americana, mas sem cair na bizarrice e na falta de modos de Ted Nugent.
O guitarrista não é um erudito, mas é um artista bastante inteligente e um estudioso da história dos Estados Unidos e um ativista importante, sem ser troglodita. Não dá para dizer que seja um equivalente à direita de Zack de la Rocha (Rage Against the Machine) ou Jello Biafra (Dead Kennedys), mas é alguém que faz rock pesado, que tem ideias e que sabe como colocá-las.
Uma das formações do Iced Earth: Schaffer é o último da esq. para a dir.
Para não confundir seus fãs e não tornar o excelente Iced Earth panfletário, Schaffer criou o Sons of Liberty, ojnde canta, produz e toca guitarra e baixo. A música é um heavy metal acelerado, mais para o tradicional, ao invés do speed metal competente do Iced Earth. Os temas são mais urgentes e menos trabalhados, justamente para mostrar a diferença entre a banda principal de Schaffer.
O resultado é muito bom, como há muito tempo não aparecia na seara do heavy metal tradicional, ultimaente tão esquecido. “Brush-fires of the Mind” é o nome do primeiro álbum da banda e foi lançado neste segundo semestre de 2010.
“Não fiz este álbum para vender horrores. Quero que ele sirva ao menos para conscientizar os jovens sobre o que está acontecendo no mundo atual e sobre a importância da militância política com forma de participação nas decisões de nossas vidas”, afirmou o guitarrista ao site da gravadora Century Media, que apoia o projeto.
No site do Sons of Liberty, além de todas as coisas comunicadas por Jon, estão todas as músicas do projeto, que retratam muito bem o pensamento dele para este projeto, com letras bem elaboradas e seu estílo característico.
Schaffer (esq.) ao lado de Hansi Kursch (Blind Guardian), parceiro no projeto Demons and Wizards
Apesar das nobres intenções, Schaffer cai de cabeça no patriotismo de forma extremada, exalta o caráter libertário e liberal do povo norte-americano e não tem pudor em expor teorias conspiratórias que de vez em quando deixam o americano médio em pânico. Parte do trabalho é dogmática, mas não chega a ser tão ostensiva quanto qualquer pregação religiosa asquerosa ou petista.
É possível ouvir ao longo do CD trechos de discursos de políticos identificados com a gênese dos Estados Unidos, como Thomas Jefferson (1743-1826), por exemplo, um dos pais da independência da nação e terceiro presidente, governando entre 1801 e 1809.
A faixa mais emblemártica é “We the People”, a última, onde a letra conclama o povo a se manifestar e retomar as rédeas da vida administrativa da nação. Às vezes parece um sermão, mas logo Schaffer volta aos trilhos descrevendo sua visão de mundo tentando evitar os escorregões para o exagero.
Algumas letras são mais explícitas, como “Our Dying Republic”, outras caem para o triunfalismo, como “Tree of Liberty”. As críticas a uma suposta conspiração das chamadas “imprensa e mídia liberais” às vezes soam infantis e paranoicas em “False Flag” e “Don’t Tread on Me”, mas nada que seja ofensivo ou ultrajante.
Foi ótimo o guitarrista não ter lançado o trabalho com o nome do Iced Earth. Merece uma audição atenta. Para quem apenas está interessado em música, é heavy metal de ótima qualidade.
Capa de 'The Glorious Burden', álbum do Iced Earth que traz importantes referências à Guerra Civil Norte-Amerciana (1861-1865)
Como nota histórica, os Filhos da Liberdade (Sons of Liberty) foram essenciais para começar a luta pela independência dos Estados Unidos do Império Britânico no século XVIII.
Vários grupos de comerciantes, colonos e filhos de colonos, se juntaram para protestar contra as leis que estabeleceram impostos escorchantes a partir de 1764, o que desembocou na luta pela independência a partir de 1775.
Estes grupos eram chamados de “Filhos da Liberdade” e participaram da famosa Tea Party (Festa do Chá), quando colonos invadiram navios mercantes ingleses em Boston e atiraram a carga ao mar em protesto contra a Coroa Britânica.
Um movimento neoconservador norte-americano atual, sme vinculação com partidos políticos, mas de direita e extrema-direita – e conservador ao extremo – intitulou-se Tea Party, em alusão às ações dos Filhos da Liberdade de dois séculos atrás.
Música politizada no rock está cada vez mais raro, em qualquer vertente. Bob Dylan e Neil Young são mestres no assunto, assim como John Lennon, e de vez em quanto aparecem Paul Simon, Bruce Springsteen, Peter Gabriel e até Paul McCartney dando pancadas diversas.
No metal os temas políticos aparecem de forma genérica, sem alvos específicos, com bandas clamando em suas letras contra a opressão, ditaduras, violência, caos e outros males, mas tudo muito solto e sem foco.
O Queensryche foi bem-sucedido ao passear por temas como a reinserção dos veteranos da Guerra do Iraque em “Amercian Soldier”, assim como o Iron Maiden teve resultados satisfatórios em “A Matter of Life and Death”, embora com alfuns exageros.
Atualmente, o veterano Ted Nugent continua chamando a atenção mais por suas hilárias entrevistas, de detona os defensores dos direitos humanos, espinafra os imigrantes de qualquer espécie e, como bom legítimo republicano direitista norte-americano, odeia o governo e exige a “América para os americanos.” Não passa de um fanfarrão.
Política com contepudo e qualidade pode ser encontrada no trabalho do guitarrista Jon Schaffer, o líder do Iced Earth. A banda norte-americana faz trabalhos conceituais de respeito e tem na abordagem de temas importantes da história norte-americana material de sobra para mandar recados bem atuais.
Entretanto, é em um trabalho paralelo que Schaffer cai na cabeça nos temas políticos e faz a defesa acalorada dos valores e temas caros à direita americana, mas sem cair na bizarrice e na falta de modos de Ted Nugent.
O guitarrista não é um erudito, mas é um artista bastante inteligente e um estudioso da história dos Estados Unidos e um ativista importante, sem ser troglodita. Não dá para dizer que seja um equivalente à direita de Zack de la Rocha (Rage Against the Machine) ou Jello Biafra (Dead Kennedys), mas é alguém que faz rock pesado, que tem ideias e que sabe como colocá-las.
Uma das formações do Iced Earth: Schaffer é o último da esq. para a dir.
Para não confundir seus fãs e não tornar o excelente Iced Earth panfletário, Schaffer criou o Sons of Liberty, ojnde canta, produz e toca guitarra e baixo. A música é um heavy metal acelerado, mais para o tradicional, ao invés do speed metal competente do Iced Earth. Os temas são mais urgentes e menos trabalhados, justamente para mostrar a diferença entre a banda principal de Schaffer.
O resultado é muito bom, como há muito tempo não aparecia na seara do heavy metal tradicional, ultimaente tão esquecido. “Brush-fires of the Mind” é o nome do primeiro álbum da banda e foi lançado neste segundo semestre de 2010.
“Não fiz este álbum para vender horrores. Quero que ele sirva ao menos para conscientizar os jovens sobre o que está acontecendo no mundo atual e sobre a importância da militância política com forma de participação nas decisões de nossas vidas”, afirmou o guitarrista ao site da gravadora Century Media, que apoia o projeto.
No site do Sons of Liberty, além de todas as coisas comunicadas por Jon, estão todas as músicas do projeto, que retratam muito bem o pensamento dele para este projeto, com letras bem elaboradas e seu estílo característico.
Schaffer (esq.) ao lado de Hansi Kursch (Blind Guardian), parceiro no projeto Demons and Wizards
Apesar das nobres intenções, Schaffer cai de cabeça no patriotismo de forma extremada, exalta o caráter libertário e liberal do povo norte-americano e não tem pudor em expor teorias conspiratórias que de vez em quando deixam o americano médio em pânico. Parte do trabalho é dogmática, mas não chega a ser tão ostensiva quanto qualquer pregação religiosa asquerosa ou petista.
É possível ouvir ao longo do CD trechos de discursos de políticos identificados com a gênese dos Estados Unidos, como Thomas Jefferson (1743-1826), por exemplo, um dos pais da independência da nação e terceiro presidente, governando entre 1801 e 1809.
A faixa mais emblemártica é “We the People”, a última, onde a letra conclama o povo a se manifestar e retomar as rédeas da vida administrativa da nação. Às vezes parece um sermão, mas logo Schaffer volta aos trilhos descrevendo sua visão de mundo tentando evitar os escorregões para o exagero.
Algumas letras são mais explícitas, como “Our Dying Republic”, outras caem para o triunfalismo, como “Tree of Liberty”. As críticas a uma suposta conspiração das chamadas “imprensa e mídia liberais” às vezes soam infantis e paranoicas em “False Flag” e “Don’t Tread on Me”, mas nada que seja ofensivo ou ultrajante.
Foi ótimo o guitarrista não ter lançado o trabalho com o nome do Iced Earth. Merece uma audição atenta. Para quem apenas está interessado em música, é heavy metal de ótima qualidade.
Capa de 'The Glorious Burden', álbum do Iced Earth que traz importantes referências à Guerra Civil Norte-Amerciana (1861-1865)
Como nota histórica, os Filhos da Liberdade (Sons of Liberty) foram essenciais para começar a luta pela independência dos Estados Unidos do Império Britânico no século XVIII.
Vários grupos de comerciantes, colonos e filhos de colonos, se juntaram para protestar contra as leis que estabeleceram impostos escorchantes a partir de 1764, o que desembocou na luta pela independência a partir de 1775.
Estes grupos eram chamados de “Filhos da Liberdade” e participaram da famosa Tea Party (Festa do Chá), quando colonos invadiram navios mercantes ingleses em Boston e atiraram a carga ao mar em protesto contra a Coroa Britânica.
Um movimento neoconservador norte-americano atual, sme vinculação com partidos políticos, mas de direita e extrema-direita – e conservador ao extremo – intitulou-se Tea Party, em alusão às ações dos Filhos da Liberdade de dois séculos atrás.
domingo, maio 01, 2011
Lançamento comemora 30 anos de Tygers of Pan Tang
As bandas mais injustiçadas da New Wave of British Heavy Metal foram Angel Witch e Tygers of Pan Tang. A primeira teve pouco tempo de vida, acabou nos anos 80 e tentou voltar nesta década, sem muito sucesso. Já o Tygers conseguiu sentir o gostinho do sucesso no comecinho da década de 80, ams depois sucumbiu à forte concorrência. Ensaiou alguns retornos, para finalmente estabilizar uma formação e estar na ativa desde 2005.
Pra comemorar os 3o anos de banda, o Tygers of Pan Tang decidiu regravar alguns sucessos antigos e lançá-los na formas de EPs. “The Wildcat Sessions” e “The Spellbound Sessions” são dois EPs recém-lançados e contêm cada um seis músicas. “Wildcat” e “Spellbound”, de 1980 e 1981, respectivamente, foram os maiores sucessos comerciais da banda. Cada um dos EPs conta com músicas originais regravadas de cada um dos antigos LPs.
Estão em “Spellbound Sessions” as faixas “Tyger Bay”, “Hellbound” e “Gangland”.“Eu tenho muito orgulho da história da banda, assim como da atual formação”, comentou o guitarristaRobb Weir, único integrante da formação que gravou “Spellbound” no início dos anos 80, a um site inglês de rock. “Este EP, assim como fizemos em ‘The Wildcat Sessions’, dá a oportunidade de celebrarmos e gravarmos algumas de nossas canções favoritas, além de relembrarmos o passado com nossa atual formação”.
O último álbum do Tygers foi “Animal Instict”, de 2008, apenas razoável. A banda te importância histórica também por ser um dos berços de John Sykes, grande guitarrista inglês de hard rock. Após deixar a banda, tocou no Thin Lizzy e no Grand Slam, ambas bandas do baixista irlandês Phil Lynnot, para depois embarcar no Whitesnake em 1984 – tocou no Rock in Rio de 1985 com a banda.
As bandas mais injustiçadas da New Wave of British Heavy Metal foram Angel Witch e Tygers of Pan Tang. A primeira teve pouco tempo de vida, acabou nos anos 80 e tentou voltar nesta década, sem muito sucesso. Já o Tygers conseguiu sentir o gostinho do sucesso no comecinho da década de 80, ams depois sucumbiu à forte concorrência. Ensaiou alguns retornos, para finalmente estabilizar uma formação e estar na ativa desde 2005.
Pra comemorar os 3o anos de banda, o Tygers of Pan Tang decidiu regravar alguns sucessos antigos e lançá-los na formas de EPs. “The Wildcat Sessions” e “The Spellbound Sessions” são dois EPs recém-lançados e contêm cada um seis músicas. “Wildcat” e “Spellbound”, de 1980 e 1981, respectivamente, foram os maiores sucessos comerciais da banda. Cada um dos EPs conta com músicas originais regravadas de cada um dos antigos LPs.
Estão em “Spellbound Sessions” as faixas “Tyger Bay”, “Hellbound” e “Gangland”.“Eu tenho muito orgulho da história da banda, assim como da atual formação”, comentou o guitarristaRobb Weir, único integrante da formação que gravou “Spellbound” no início dos anos 80, a um site inglês de rock. “Este EP, assim como fizemos em ‘The Wildcat Sessions’, dá a oportunidade de celebrarmos e gravarmos algumas de nossas canções favoritas, além de relembrarmos o passado com nossa atual formação”.
O último álbum do Tygers foi “Animal Instict”, de 2008, apenas razoável. A banda te importância histórica também por ser um dos berços de John Sykes, grande guitarrista inglês de hard rock. Após deixar a banda, tocou no Thin Lizzy e no Grand Slam, ambas bandas do baixista irlandês Phil Lynnot, para depois embarcar no Whitesnake em 1984 – tocou no Rock in Rio de 1985 com a banda.
sexta-feira, abril 29, 2011
Metal nacional: mais uma campanha, mas cadê o público?
O programa de TV Stay Heavy é um oásis de inteligência e bom gosto dentro das pouquíssimas opções de para quem gosta de rock no rádio e nas emissoras de televisão. Com um grande respaldo da revista Roadie Crew, faz entrevistas ao vivo com bandas nacionais e internacionais e tem dois apresentadores que entendem do assunto, Vinícius Neves e Cíntia diniz, que escrevem uma página mensal na citada revista.
Na última edição da Roadie Crew, a do mês de fevereiro de 2011, Cíntia e Neves defendem a volta de uma campanha lançada em 2006. “Eu Apoio o Metal Nacional” , iniciada pela magnífica banda Scars (por onde anda?) virou um adesivo que teve grande adesão naquela época, muita gente colou nos carros – eu inclusive -, mas a alegria durou pouco. Hoje a pasmaceira é pior do que há cinco anos.
Pois a dupla prega a volta da campanha, em apoio velado a Thiago Bianchi, vocalista do Shaman e produtor, que divulgou recentemente duas cartas abertas reclamando da falta de apoio às bandas nacionais. Critiquei o conteúdo das cartas e chamei os textos de choradeira.
A iniciativa do Stay Heavy tem o mérito de ser uma iniciativa em uma área em que pouca coisa acontece em comparação aos anos 80 e 90. Pelo menos alguém está se mexendo e procurando alternativas para melhorar a cena. A direção, no entanto, me parece equivocada, assim como Bianchi.
Culpar o público (ou a falta de) não vai levar a nada. É transferir a responsabilidade. E infelizmente o Stay Heavy ca nessa armadilha – ou parece não querer enxergar o que está acontecendo.
Por que o público prefere as bandas internacionais, qe estão vindo às pencas desde 2005 ao Brasil, aos shows de bandas nacionais? Essa é a resposta que precisa ser obtida. O que o público quer? Por que o público não assiste a um show do Shaman, mas gasta R$ 300 para ver Iron Maiden.
Ora, o Shaman toca com muita frequência no Brasil, o que não ocorre na mesma proporção do Iron Maiden. Logo, é uma questão lógica, a atração internacional é realmente um evento esperado e celebrado. Mas isso não explica totalmente a questão.
Por que o Hangar consegue um público bom com seus workshows? Por que o Holiness tem conseguido levar om público nos shows em São Paulo? Tudo bem, a vocalista Stéfanie Schirmbeck é muito bonita, mas isso nã sistenta uma banda de heavy metal se não for boa.
As bandas precisam trabalhar e melhorar. Se já trabalham muito, como por exemplo o Korzus, precisam trabalhar mais, correr mais, ralar mais. O Korzus, aliás, é exemplo desde que surgiu, há mais de 25 anos. Talvez seja a banda brasileira de metal que mais trabalhe.
E há recompensas, pois o novo álbum, “Discipline of Hate”, é maravilhoso e está repercutindo muito bem no Brasil e no exterior. O Korzus não tem o tamanho do Krisiun, infelizmente, mas tem uma trajetória digna e respeitosa.
Portanto, a cena metaleira brasileira precisa de muito mais do que adesivos de campanha para conquistar as mentes e as almas dos amantes do rock atual e reconquistar os metaleiros de sempre.
Vou apoiar a campanha “Eu Apoio o Metal Nacional”, vou arranjar o adesivo e colar no carro e abrir espaço no Combate Rock. Mas isso é só o começo. Bandas e profissionais do segmento precisam reavaliar seus trabalhos. Porém, antes de mais nada, têm de descobrir porque o público sumiu dos shows.
P.S.: O Stay Heavy é transmitido por TV aberta, por TV a cabo e pela internet. O programa teve seu início em outubro de 2003 pela webTV allTV. Em outubro de 2005 fez sua estreia em TV aberta, na Rede NGT. Desde então o programa está formando sua própria rede de transmissão na TV a cabo e em emissoras abertas em outras regiões do país, por meio de acordos com emissoras locais para retransmissão do programa. Também pode ser assistido a qualquer momento na internet pelo portal de conteúdo musical www.ShowLivre.com. Há também o canal do Stay Heavy no YouTube www.youtube.com) onde são disponibilizados os programas que vão ao ar na TV. Mais informações em www.stayheavy.com.
O programa de TV Stay Heavy é um oásis de inteligência e bom gosto dentro das pouquíssimas opções de para quem gosta de rock no rádio e nas emissoras de televisão. Com um grande respaldo da revista Roadie Crew, faz entrevistas ao vivo com bandas nacionais e internacionais e tem dois apresentadores que entendem do assunto, Vinícius Neves e Cíntia diniz, que escrevem uma página mensal na citada revista.
Na última edição da Roadie Crew, a do mês de fevereiro de 2011, Cíntia e Neves defendem a volta de uma campanha lançada em 2006. “Eu Apoio o Metal Nacional” , iniciada pela magnífica banda Scars (por onde anda?) virou um adesivo que teve grande adesão naquela época, muita gente colou nos carros – eu inclusive -, mas a alegria durou pouco. Hoje a pasmaceira é pior do que há cinco anos.
Pois a dupla prega a volta da campanha, em apoio velado a Thiago Bianchi, vocalista do Shaman e produtor, que divulgou recentemente duas cartas abertas reclamando da falta de apoio às bandas nacionais. Critiquei o conteúdo das cartas e chamei os textos de choradeira.
A iniciativa do Stay Heavy tem o mérito de ser uma iniciativa em uma área em que pouca coisa acontece em comparação aos anos 80 e 90. Pelo menos alguém está se mexendo e procurando alternativas para melhorar a cena. A direção, no entanto, me parece equivocada, assim como Bianchi.
Culpar o público (ou a falta de) não vai levar a nada. É transferir a responsabilidade. E infelizmente o Stay Heavy ca nessa armadilha – ou parece não querer enxergar o que está acontecendo.
Por que o público prefere as bandas internacionais, qe estão vindo às pencas desde 2005 ao Brasil, aos shows de bandas nacionais? Essa é a resposta que precisa ser obtida. O que o público quer? Por que o público não assiste a um show do Shaman, mas gasta R$ 300 para ver Iron Maiden.
Ora, o Shaman toca com muita frequência no Brasil, o que não ocorre na mesma proporção do Iron Maiden. Logo, é uma questão lógica, a atração internacional é realmente um evento esperado e celebrado. Mas isso não explica totalmente a questão.
Por que o Hangar consegue um público bom com seus workshows? Por que o Holiness tem conseguido levar om público nos shows em São Paulo? Tudo bem, a vocalista Stéfanie Schirmbeck é muito bonita, mas isso nã sistenta uma banda de heavy metal se não for boa.
As bandas precisam trabalhar e melhorar. Se já trabalham muito, como por exemplo o Korzus, precisam trabalhar mais, correr mais, ralar mais. O Korzus, aliás, é exemplo desde que surgiu, há mais de 25 anos. Talvez seja a banda brasileira de metal que mais trabalhe.
E há recompensas, pois o novo álbum, “Discipline of Hate”, é maravilhoso e está repercutindo muito bem no Brasil e no exterior. O Korzus não tem o tamanho do Krisiun, infelizmente, mas tem uma trajetória digna e respeitosa.
Portanto, a cena metaleira brasileira precisa de muito mais do que adesivos de campanha para conquistar as mentes e as almas dos amantes do rock atual e reconquistar os metaleiros de sempre.
Vou apoiar a campanha “Eu Apoio o Metal Nacional”, vou arranjar o adesivo e colar no carro e abrir espaço no Combate Rock. Mas isso é só o começo. Bandas e profissionais do segmento precisam reavaliar seus trabalhos. Porém, antes de mais nada, têm de descobrir porque o público sumiu dos shows.
P.S.: O Stay Heavy é transmitido por TV aberta, por TV a cabo e pela internet. O programa teve seu início em outubro de 2003 pela webTV allTV. Em outubro de 2005 fez sua estreia em TV aberta, na Rede NGT. Desde então o programa está formando sua própria rede de transmissão na TV a cabo e em emissoras abertas em outras regiões do país, por meio de acordos com emissoras locais para retransmissão do programa. Também pode ser assistido a qualquer momento na internet pelo portal de conteúdo musical www.ShowLivre.com. Há também o canal do Stay Heavy no YouTube www.youtube.com) onde são disponibilizados os programas que vão ao ar na TV. Mais informações em www.stayheavy.com.
quinta-feira, abril 28, 2011
Angra x axé: a polêmica em cima do nada
A imprensa pouco afeita a assuntos relativos a rock e heavy metal fez um carnaval na última quarta-feira com a informação de que Kiko Loureiro um dos guitarristas da banda Angra, acusou uma banda baiana de axé, o Parangolé, de plágio. Muita espuma e pouco conteúdo.
Na verdade não houve acusação alguma, tanto que nada vai acontecer, como o próprio Loureiro afirmou ao Jornal da Globo, daquele mesmo dia, em entrevista corrida em um saguão de aeroporto.
“É uma coisa chata, nem é por nada, nem vamos levar isso para a frente. Mas não custava nada ter dado uma ligada, dado uma satisfação, ou até mesmo pedido autorização. Encararíamos numa boa e, de certa forma, seria até uma cortesia de nossa parte”, afirmou o guitarrista.
Então, cadê a acusação? Não existiu. Loureiro apenas fez um desabafo, revelou uma chateação, mais nada. Ação judicial? Até agora não se falou do assunto. Até onde o Combate Rock pôde se aprofundar, Loureiro e a banda Angra devem deixar o assunto de lado, pelo menos até o momento.
A atual formação do Angra: Loureiro é o último da esq. para a dir.
Entretanto, Kiko Loureiro foi menos polido em suas mensagens na rede social Twitter, reproduzidas pelo portal G1: “Temos que nos conformar com a nova era do creative commons e tals. Eu concordo, mas só não queria que começasse pelo Parangolé… Os caras querem zoar geral… Que vergonha! ‘Tomba ae Tomba’. Absurdo! Cara de pau! Que feio os parangolés roubando músicas dos outros.”
Na mesma reportagem do Jornal da Globo, da última quarta-feira, André Merenda, diretor musical da banda Parangolé, confirmou que realmente houve uma “inspiração” dos compositores do grupo, que estavam compondo em um estúdio quando escutaram um outro músico, no mesmo estabelecimento, executando partes da música “Nova Era”, que está no CD “Rebirth”, do Angra. Portanto, os músicos do Parangolé usaram sim um trecho da música metal na faixa “Azevixe”, lançada pelos baianos em 2007.
Seja como for, é um caso chato de apropriação de contepudo musical sem a menor preocupação de pedir autorização ou ao menos de dar crédito aos verdadeiros autores – não que seja o caso, pois provavelmente o Angra dispensaria ter seu nome associado a tamanha porcaria musical/cultural.
Mas é importante que a questão seja discutida e venha à tona para que a questão dos direitos autorais, do plágio e da prirataria voltem a ser discutidas de forma série e ampla.
Sobre a questão em si, não é de se surpreender que gente de segmentos musicais mais populares não se preocupem com esse tipo de circunstâncias e recorram a expedientes desagradáveis sem ao menos corar de vergonha. A pouca ou nenhuma qualidade de seus trabalhos falam por si.
A imprensa pouco afeita a assuntos relativos a rock e heavy metal fez um carnaval na última quarta-feira com a informação de que Kiko Loureiro um dos guitarristas da banda Angra, acusou uma banda baiana de axé, o Parangolé, de plágio. Muita espuma e pouco conteúdo.
Na verdade não houve acusação alguma, tanto que nada vai acontecer, como o próprio Loureiro afirmou ao Jornal da Globo, daquele mesmo dia, em entrevista corrida em um saguão de aeroporto.
“É uma coisa chata, nem é por nada, nem vamos levar isso para a frente. Mas não custava nada ter dado uma ligada, dado uma satisfação, ou até mesmo pedido autorização. Encararíamos numa boa e, de certa forma, seria até uma cortesia de nossa parte”, afirmou o guitarrista.
Então, cadê a acusação? Não existiu. Loureiro apenas fez um desabafo, revelou uma chateação, mais nada. Ação judicial? Até agora não se falou do assunto. Até onde o Combate Rock pôde se aprofundar, Loureiro e a banda Angra devem deixar o assunto de lado, pelo menos até o momento.
A atual formação do Angra: Loureiro é o último da esq. para a dir.
Entretanto, Kiko Loureiro foi menos polido em suas mensagens na rede social Twitter, reproduzidas pelo portal G1: “Temos que nos conformar com a nova era do creative commons e tals. Eu concordo, mas só não queria que começasse pelo Parangolé… Os caras querem zoar geral… Que vergonha! ‘Tomba ae Tomba’. Absurdo! Cara de pau! Que feio os parangolés roubando músicas dos outros.”
Na mesma reportagem do Jornal da Globo, da última quarta-feira, André Merenda, diretor musical da banda Parangolé, confirmou que realmente houve uma “inspiração” dos compositores do grupo, que estavam compondo em um estúdio quando escutaram um outro músico, no mesmo estabelecimento, executando partes da música “Nova Era”, que está no CD “Rebirth”, do Angra. Portanto, os músicos do Parangolé usaram sim um trecho da música metal na faixa “Azevixe”, lançada pelos baianos em 2007.
Seja como for, é um caso chato de apropriação de contepudo musical sem a menor preocupação de pedir autorização ou ao menos de dar crédito aos verdadeiros autores – não que seja o caso, pois provavelmente o Angra dispensaria ter seu nome associado a tamanha porcaria musical/cultural.
Mas é importante que a questão seja discutida e venha à tona para que a questão dos direitos autorais, do plágio e da prirataria voltem a ser discutidas de forma série e ampla.
Sobre a questão em si, não é de se surpreender que gente de segmentos musicais mais populares não se preocupem com esse tipo de circunstâncias e recorram a expedientes desagradáveis sem ao menos corar de vergonha. A pouca ou nenhuma qualidade de seus trabalhos falam por si.
terça-feira, abril 26, 2011
‘Born Again’: por que o álbum do Black Sabbath é venerado no Brasil?
“O pior disco da minha vida é o mais cultuado no Brasil. Não consigo entender isso.” A declaração é de um surpreendentemente bem humorado Ian Gillan em 1997, na entrevista coletiva em um hotel de São Paulo, às vésperas de mais um show do Deep Purple na cidade. Ele não se estendeu muito, pois a pergunta foi feita por um fã quando ele ia para o seu quarto.
Dois dias mais tarde, após a apresentação no antigo Olympia, em um bar rock que já não existe mais, ainda mais bem humorado, que era quase inacreditável, Gillan resolveu soltar os cachorros contra “Born Again”, seu único trabalho com o Black Sabbath, em 1983.
”Tudo estava meio confuso, estava bagunçado, e sei que Tony (Iommi) não trabalhava daquela forma. Mas as coisas estavam esquistas, Bill (Ward) estava com seus problemas crônicos de saúde, Geezer (Butler) estava muito preocupado com coisas fora da banda. Algumas músicas eram realmente boas, mas a produção é muito ruim, há sons que não faço ideia do que são. Não sei se é o piode de minha carreira, mas não gosto dele. O tempo que passei no Sabbath foi maravilhoso, amo Tony e Geezer, mas o resultado não foi bom. Não consigo porque brasileiros, argentinos, mexicanos e gregos amam esse trabalho”, disse o vocalista.
Ian Gillan resumiu com sua perplexidade um fato que ninuém explica. “Born Again”, o disco que ganhou quase todas as eleições de capa mais feia e horrenda do rock, vendeu pouco, teve uma turnê complicada pela América do Norte e Europa e não pôde contar com Bill Ward nos shows, mais uma vez doente, substituído pelo apenas correto Bev Bevan (ex-Electric Light Orchestra).
A produção realmente ficou aquém do que se poderia esperar de um álbum com a grife Black Sabbath. Abafada, a mixagem ressaltou demais o baixo, tornou a voz de Gillan estridente e soterrou, em algumas faixas, a guitarra de Iommi. Mas assim mesmo é considerado uma obra-prima do heavy metal.
Nem a banda sabe ao certo o que produtor Robin Black, amigo de Iommi, conseguiu fazer. Embora no primeiro mês de lançamento o álbum tenha chegado à posição nº 4 das paradas inglesas, teve desempenho muito discreto nos Estados Unidos no mesmo período, e depois acabou decepcionando os empresários do grupo.
Seja como for, o álbum causou um choque assim que chegu às lojas, em 1983. A expectativa era enorme. Dois gigantes se unindo em uma nova superbanda, uma espécie de Deep Sabbath. O estranhamento foi imediato na primeira audição, mas depois os fãs foram se acostumando com o peso absurdo e a sonoridade bem sombria.
Gillan (esq.), Geezer e Iommi em estúdio no País de Gales
O resultado é que no Brasil o álbum ficou por um breve período fora de catálogo em LP entre os anos de 1983 e 1993. Em CD sempre esteve nas lojas, até mesmo nas grandes lojas. Virou objeto de culto, e foram poucas as vozes que criticaram ou detestaram o álbum.
Mas o culto e a veneração fazem algum sentido? Totalmente. Apesar do processo caótico da gravação e da aparente informalidade e bagunça que dominavam o Black Sabbath, o grupo cometeu uma obra-prima. Por muitos anos foi sinônimo de heavy metal no Brasil. Se alguém qeria saber o que era som pesado, era só mostrar álbum e afirmar: “Isso é heavy metal.”
“Trashed” é uma paulada na abertura, um heavy poderoso e acelerado, com Ian Gillan cantandom muito. “Born Again” tem mesmo astral de “Black Sabbath”, com seu andamento lento e sombrio, riffs pesados e cortantes e uma dramaticidade assustadora. “Disturbing the Priest” é outra faixa assustadora, que não faria feio na trilha sonora do inferno, de tão pesada. “Keep It Warm” traz um excelente trabalho de guit antigas darras. “Zero the Hero” e “Digital Bitch” foram os hits, faixas pesadas e curtas.
A turnê que se seguiu teve bons momentos, mas não foi aquilo que todos esperavam. Gillan não cantou tudo o parecia poder cantar no Black Sabbath, as canções antigas da banda evidenciaram o desconforto do vocalista em interpretá-las – fato que ele confirmounaquele boteco em 1997: “São clássicos, é lógico, mas não eram minhas músicas, não gostava dos temas, era algo totalmente fora da minha realidade. Mesmo as músicas da época de Ronnie (Dio) me causavam desconforto.”
O Black Sabbath nos Estados Unidos em 1983: Bevan (esq.), Gillan, Iommi e Butler
Uma curiosidade, e que acabou virando raridade para colecionadores, foi a inclusão de “Smoke on the Water”, do Deep Purple, no repertório da turnê. Iommi desconversa sempre e diz que foi uma gentileza da banda para Gillan, que gostaria de cantar a música. Butler disse uma vez que não gostou muito, mas que acabou sendo divertido. Nos bastidores, entretanto, a historinha era outra: teria sido uma exigência do vocalista.
Seja como for, nas gravações mais audíveis da turnê, escutar “Smoke on the Water” com o Black Sabbathé maravilhoso, com o timbre gordo e pesado da guitarra de Iommi e o baixo extremamente pesado de Butler. Não poderia haver coroamento para um período curto, mas vibrante do heavy mtal, onde foi produzidauma verdadeira obra-prima.
Apesar de ter adorado aquele período, Gillan não via muito futuro no Black Sabbath. O convite apareceu em um momento crucial, quando ele convalescia de uma cirurgia feita na garganta no final de 1982.
“Mas o fato é que eu não tinha certeza se queria continuar e se a banda comigo nos vocais teria condições de melhorar. Enquanto eu pensava, surgiram as negociações para a volta da formação clássica do Deep Purple, algo que eu não botava muita fé. Mas depois que vi que a reunião do Purple era para valer, no começo de 1984, ao final de nossa turnê pela Europa, nem pensei duas vezes. Agradeci a Geezer e Tony e voltei para minha banda de verdade”, disse Gillan em 1997.
O que pouca gente sabe é que Butler também estava louco para sair, mas não tinha coragem de decepcionar o amigo Iommi. A saída de Gillan foi o que Butler precisava para deixar a banda – embora ainda tenha permanecido, segundo uma entrevista de Iommi em 2003, nas audições para um novo vocalista em 1985 – primeiro Dave Donato, depois Jeff Fenholt.
Foto rara: Jeff Fenholt (esq.) ao lado de Iommi em 1985, quando parecia que realmente seria o vocalista do Black Sabbath
A história após isso todo mundo sabe: o Black Sabbath praticamente acabou, Iommi tirou férias e decidiu gravar um álbum solo tendo o amigo Glenn Hughes (ex-Deep Purple) ns vocais e eventualmente no baixo. As músicas tinham como base as demos de “Star of India”, aquele seria um disco do Sabbath de 1985.
“Seventh Star” chegou às lojas em 1986, mas sob o nome Black Sabbath. A mudança de última hora, segundo Iommi, foi uma exigência da gravadora: ou vira um álbum do Sabbath, ou não sai – fato que irritou muito Glenn Hughes.
Para encerrar, nas palavras de Gillan, como ocorreu a sua “contratação”, indicando que a coisa não poderia dar muito certo: “Ainda estava me recuperando da cirurgia em 1983 e não tinha mais banda solo. Sempre fui amigo de Tony e Geezer, nos falávamos sempre desde 1972. Um dia estava cansado de ficar em casa e fui tomar umas cervejas e jogar bilhar com Tony e o empresário do Sabbath na época em um pub – acho que Geoff (Nicholls, tecladista de apoio do Black Sabbath) estava também. Ficamos a noite inteira bebendo, rindo e jogando, e alguém falou que eu poderia substituir Ronnie Dio no Sabbath. Todo mundo riu da ‘piada’, menos Tony, que parou de falar por uns dez minutos. Ninguém entendeu. Aí, do nada, ele mandou, ‘Por que não?’. Todo mundo ficou cara de interrogação e ele insistiu, ‘Por que não Ian no Black Sabbath?’ Ninguém levou a sério. Só sei que, de manhã, com todos muito bêbados, eu já tinha aceitado, não sei como, ser o vocalista do Black Sabbath.Tinha até assinado uma espécie de ‘contrato’ no bar. E foi assim.”
“O pior disco da minha vida é o mais cultuado no Brasil. Não consigo entender isso.” A declaração é de um surpreendentemente bem humorado Ian Gillan em 1997, na entrevista coletiva em um hotel de São Paulo, às vésperas de mais um show do Deep Purple na cidade. Ele não se estendeu muito, pois a pergunta foi feita por um fã quando ele ia para o seu quarto.
Dois dias mais tarde, após a apresentação no antigo Olympia, em um bar rock que já não existe mais, ainda mais bem humorado, que era quase inacreditável, Gillan resolveu soltar os cachorros contra “Born Again”, seu único trabalho com o Black Sabbath, em 1983.
”Tudo estava meio confuso, estava bagunçado, e sei que Tony (Iommi) não trabalhava daquela forma. Mas as coisas estavam esquistas, Bill (Ward) estava com seus problemas crônicos de saúde, Geezer (Butler) estava muito preocupado com coisas fora da banda. Algumas músicas eram realmente boas, mas a produção é muito ruim, há sons que não faço ideia do que são. Não sei se é o piode de minha carreira, mas não gosto dele. O tempo que passei no Sabbath foi maravilhoso, amo Tony e Geezer, mas o resultado não foi bom. Não consigo porque brasileiros, argentinos, mexicanos e gregos amam esse trabalho”, disse o vocalista.
Ian Gillan resumiu com sua perplexidade um fato que ninuém explica. “Born Again”, o disco que ganhou quase todas as eleições de capa mais feia e horrenda do rock, vendeu pouco, teve uma turnê complicada pela América do Norte e Europa e não pôde contar com Bill Ward nos shows, mais uma vez doente, substituído pelo apenas correto Bev Bevan (ex-Electric Light Orchestra).
A produção realmente ficou aquém do que se poderia esperar de um álbum com a grife Black Sabbath. Abafada, a mixagem ressaltou demais o baixo, tornou a voz de Gillan estridente e soterrou, em algumas faixas, a guitarra de Iommi. Mas assim mesmo é considerado uma obra-prima do heavy metal.
Nem a banda sabe ao certo o que produtor Robin Black, amigo de Iommi, conseguiu fazer. Embora no primeiro mês de lançamento o álbum tenha chegado à posição nº 4 das paradas inglesas, teve desempenho muito discreto nos Estados Unidos no mesmo período, e depois acabou decepcionando os empresários do grupo.
Seja como for, o álbum causou um choque assim que chegu às lojas, em 1983. A expectativa era enorme. Dois gigantes se unindo em uma nova superbanda, uma espécie de Deep Sabbath. O estranhamento foi imediato na primeira audição, mas depois os fãs foram se acostumando com o peso absurdo e a sonoridade bem sombria.
Gillan (esq.), Geezer e Iommi em estúdio no País de Gales
O resultado é que no Brasil o álbum ficou por um breve período fora de catálogo em LP entre os anos de 1983 e 1993. Em CD sempre esteve nas lojas, até mesmo nas grandes lojas. Virou objeto de culto, e foram poucas as vozes que criticaram ou detestaram o álbum.
Mas o culto e a veneração fazem algum sentido? Totalmente. Apesar do processo caótico da gravação e da aparente informalidade e bagunça que dominavam o Black Sabbath, o grupo cometeu uma obra-prima. Por muitos anos foi sinônimo de heavy metal no Brasil. Se alguém qeria saber o que era som pesado, era só mostrar álbum e afirmar: “Isso é heavy metal.”
“Trashed” é uma paulada na abertura, um heavy poderoso e acelerado, com Ian Gillan cantandom muito. “Born Again” tem mesmo astral de “Black Sabbath”, com seu andamento lento e sombrio, riffs pesados e cortantes e uma dramaticidade assustadora. “Disturbing the Priest” é outra faixa assustadora, que não faria feio na trilha sonora do inferno, de tão pesada. “Keep It Warm” traz um excelente trabalho de guit antigas darras. “Zero the Hero” e “Digital Bitch” foram os hits, faixas pesadas e curtas.
A turnê que se seguiu teve bons momentos, mas não foi aquilo que todos esperavam. Gillan não cantou tudo o parecia poder cantar no Black Sabbath, as canções antigas da banda evidenciaram o desconforto do vocalista em interpretá-las – fato que ele confirmounaquele boteco em 1997: “São clássicos, é lógico, mas não eram minhas músicas, não gostava dos temas, era algo totalmente fora da minha realidade. Mesmo as músicas da época de Ronnie (Dio) me causavam desconforto.”
O Black Sabbath nos Estados Unidos em 1983: Bevan (esq.), Gillan, Iommi e Butler
Uma curiosidade, e que acabou virando raridade para colecionadores, foi a inclusão de “Smoke on the Water”, do Deep Purple, no repertório da turnê. Iommi desconversa sempre e diz que foi uma gentileza da banda para Gillan, que gostaria de cantar a música. Butler disse uma vez que não gostou muito, mas que acabou sendo divertido. Nos bastidores, entretanto, a historinha era outra: teria sido uma exigência do vocalista.
Seja como for, nas gravações mais audíveis da turnê, escutar “Smoke on the Water” com o Black Sabbathé maravilhoso, com o timbre gordo e pesado da guitarra de Iommi e o baixo extremamente pesado de Butler. Não poderia haver coroamento para um período curto, mas vibrante do heavy mtal, onde foi produzidauma verdadeira obra-prima.
Apesar de ter adorado aquele período, Gillan não via muito futuro no Black Sabbath. O convite apareceu em um momento crucial, quando ele convalescia de uma cirurgia feita na garganta no final de 1982.
“Mas o fato é que eu não tinha certeza se queria continuar e se a banda comigo nos vocais teria condições de melhorar. Enquanto eu pensava, surgiram as negociações para a volta da formação clássica do Deep Purple, algo que eu não botava muita fé. Mas depois que vi que a reunião do Purple era para valer, no começo de 1984, ao final de nossa turnê pela Europa, nem pensei duas vezes. Agradeci a Geezer e Tony e voltei para minha banda de verdade”, disse Gillan em 1997.
O que pouca gente sabe é que Butler também estava louco para sair, mas não tinha coragem de decepcionar o amigo Iommi. A saída de Gillan foi o que Butler precisava para deixar a banda – embora ainda tenha permanecido, segundo uma entrevista de Iommi em 2003, nas audições para um novo vocalista em 1985 – primeiro Dave Donato, depois Jeff Fenholt.
Foto rara: Jeff Fenholt (esq.) ao lado de Iommi em 1985, quando parecia que realmente seria o vocalista do Black Sabbath
A história após isso todo mundo sabe: o Black Sabbath praticamente acabou, Iommi tirou férias e decidiu gravar um álbum solo tendo o amigo Glenn Hughes (ex-Deep Purple) ns vocais e eventualmente no baixo. As músicas tinham como base as demos de “Star of India”, aquele seria um disco do Sabbath de 1985.
“Seventh Star” chegou às lojas em 1986, mas sob o nome Black Sabbath. A mudança de última hora, segundo Iommi, foi uma exigência da gravadora: ou vira um álbum do Sabbath, ou não sai – fato que irritou muito Glenn Hughes.
Para encerrar, nas palavras de Gillan, como ocorreu a sua “contratação”, indicando que a coisa não poderia dar muito certo: “Ainda estava me recuperando da cirurgia em 1983 e não tinha mais banda solo. Sempre fui amigo de Tony e Geezer, nos falávamos sempre desde 1972. Um dia estava cansado de ficar em casa e fui tomar umas cervejas e jogar bilhar com Tony e o empresário do Sabbath na época em um pub – acho que Geoff (Nicholls, tecladista de apoio do Black Sabbath) estava também. Ficamos a noite inteira bebendo, rindo e jogando, e alguém falou que eu poderia substituir Ronnie Dio no Sabbath. Todo mundo riu da ‘piada’, menos Tony, que parou de falar por uns dez minutos. Ninguém entendeu. Aí, do nada, ele mandou, ‘Por que não?’. Todo mundo ficou cara de interrogação e ele insistiu, ‘Por que não Ian no Black Sabbath?’ Ninguém levou a sério. Só sei que, de manhã, com todos muito bêbados, eu já tinha aceitado, não sei como, ser o vocalista do Black Sabbath.Tinha até assinado uma espécie de ‘contrato’ no bar. E foi assim.”
domingo, abril 24, 2011
No lugar errado, na hora errada. Será que vale a pena?
Bar novo e frequentado por roqueiros e apreciadores do blues. Nas telas de plasma, só o pior do soft rock nacional. Mas eis que surge Nando Reis, ex-Titãs, em algum programa da MTV nacional, na praia, para incomodar os presentes.
Acústico, anódino, insípido e incolor, sua música soa como ruído chato, até que alguém resolve prestar a atenção, na mesa ao lado, e consegue ver Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, fazendo uma “participação especial”, assim como viria depois outro chato do politicamente correto, Samuel Rosa, do Skank.
Os comentários radicais foram instantâneos: “Vendido”, “traíra”, “traidor”, “oportunista” foram os mais leves impropérios. Merecidos? Depende do nível de radicalismo. Seja como for, o fato de Kisser brincar de tocar violão em um “especial” de TV de Nando Reis incomodou, e ainda incomoda.
A conversa está fora de moda, em tempos nojentos e asquerosos do politicamente correto. De certa forma, o radicalismo é coisa do passado – e é bom que seja mesmo, principalmente na política brasileira, onde ainda existem remotas ameaças de grupelhos atrasados e medievais de extrema-esquerda de conseguirem passar suas “plataformas” estapafúrdias no governo Dilma Roussef.
No rock, o radicalismo, ao contrário, sempre foi saudável, pois é fundamental para manter certas coisas em seus devidos lugares e para chutar as cabeças de gente mimada que não tolera críticas aos seus artistas amados e insuportáveis – para não dizer péssimos. Talvez esse tenha sido o maior legado do movimento punk, especialmente o da vertente 1977.
O guitarrista Andreas Kisser
Que Andreas Kisser é um arroz de festa em São Paulo não resta dúvida. Além de Nando Reis, já teve algum contato musical com seres tão díspares como Arnaldo Antunes e Júnior, o irmão da Sandy. Para os mais radicais, houve ainda a participação no CD solo de Hudson Cadorini, da dupla sertaneja horrenda Edson e Hudson – neste caso, críticas injustas, pois o CD solo do cidadão é totalmente hard e heavy.
Chamar o guitarrista do Sepultura de oportunista, no entanto, não é correto, já que ele nunca escondeu suas influências e jamais negou que gostaria de tocar com outros artistas. Seu primeiro álbum solo, “Hubris I and II”, é um exemplo claro de sua versatilidade, fazendo experimentações e passeando por estilos completamente opostos ao thrash metal de qualidade que sempre fez no Sepultura.
A questão que fica para fãs e críticos é a seguinte: o que acrescenta à carreira de Kisser tocar violão na praia com Nando Reis? Ou eventualmente tocar em algum show ou participar de álbum de algum artista de MPB?
Kisser integra um time de ponta do heavy metal internacional, ainda que não esteja mais no auge. Assim sendo, se a deia é ampliar horizontes, então que seja com gente do mesmo patamar técnico e criativo, que realmente possa acrescentar algo, como os amigos do Metallica e do Megadeth, como Lemmy, do Motorhead, ou o pessoal do cast da gravadora Roadrunner, que já se reuniu para várias jams e covers e eventos da empresa.
Kisser se rebaixa ao fazer concessões e participações inusitadas? Não usaria esse termo, até em respeito a ele e aos artistas que o convidam. Mas não dá para deixar o estranhamento de lado quando vejo alguém do porte de Andreas Kisser fazendo música pop insossa em um DVD de um músico que já foi roqueiro dos bons e que hoje prefere a MPB.
O guitarrista perde tempo com essas participações? Talvez sim, talvez não. Mas não consigo evitar a sensação de que há algo sendo despediçado. Não acho que chega ao ponto de macular a carreira de um dos instrumentistas mais respeitados do heavy metal internacional, ou de abalroar sua credibilidade.
Quando se fala de um artista deste porte, de qualidade inquestionável, é preciso se levar em conta suas ambições artísticas, por mais esquisitas que sejam – quem não se lembra de Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, tocando e produzindo álbuns para artistas pop estapafúrdios nos anos 90?
Quem sabe se todo mundo não lucrasse mais com um “Hubris III” ou “Hubris IV”? Se a ideia é buscar horizontes e experiências diferentes, então seu trabalho solo está no caminho correto. Seria um “tropeço” ou um “deslize” quando Kisser resolve aceitar um convite como o de Nando Reis?
O radicalismo no rock continua sendo saudável, especialmente no metal. É um subgênero que faz questão de preservar a memória e as tradições. Certas intolerâncias são necessárias para que artistas consagrados jamais esqueçam seu legado.
Andreas Kisser jamais esquecerá o seu legado e a sua origem. O duro é er de ouvir os tais impropérios na mesa ao lado e, mesmo se eu quisesse, não ter argumentos para rebater depois de ver o guitarrista do Sepultura fazendo base no violão para as canções esquecíveis de Nando Reis…
Bar novo e frequentado por roqueiros e apreciadores do blues. Nas telas de plasma, só o pior do soft rock nacional. Mas eis que surge Nando Reis, ex-Titãs, em algum programa da MTV nacional, na praia, para incomodar os presentes.
Acústico, anódino, insípido e incolor, sua música soa como ruído chato, até que alguém resolve prestar a atenção, na mesa ao lado, e consegue ver Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, fazendo uma “participação especial”, assim como viria depois outro chato do politicamente correto, Samuel Rosa, do Skank.
Os comentários radicais foram instantâneos: “Vendido”, “traíra”, “traidor”, “oportunista” foram os mais leves impropérios. Merecidos? Depende do nível de radicalismo. Seja como for, o fato de Kisser brincar de tocar violão em um “especial” de TV de Nando Reis incomodou, e ainda incomoda.
A conversa está fora de moda, em tempos nojentos e asquerosos do politicamente correto. De certa forma, o radicalismo é coisa do passado – e é bom que seja mesmo, principalmente na política brasileira, onde ainda existem remotas ameaças de grupelhos atrasados e medievais de extrema-esquerda de conseguirem passar suas “plataformas” estapafúrdias no governo Dilma Roussef.
No rock, o radicalismo, ao contrário, sempre foi saudável, pois é fundamental para manter certas coisas em seus devidos lugares e para chutar as cabeças de gente mimada que não tolera críticas aos seus artistas amados e insuportáveis – para não dizer péssimos. Talvez esse tenha sido o maior legado do movimento punk, especialmente o da vertente 1977.
O guitarrista Andreas Kisser
Que Andreas Kisser é um arroz de festa em São Paulo não resta dúvida. Além de Nando Reis, já teve algum contato musical com seres tão díspares como Arnaldo Antunes e Júnior, o irmão da Sandy. Para os mais radicais, houve ainda a participação no CD solo de Hudson Cadorini, da dupla sertaneja horrenda Edson e Hudson – neste caso, críticas injustas, pois o CD solo do cidadão é totalmente hard e heavy.
Chamar o guitarrista do Sepultura de oportunista, no entanto, não é correto, já que ele nunca escondeu suas influências e jamais negou que gostaria de tocar com outros artistas. Seu primeiro álbum solo, “Hubris I and II”, é um exemplo claro de sua versatilidade, fazendo experimentações e passeando por estilos completamente opostos ao thrash metal de qualidade que sempre fez no Sepultura.
A questão que fica para fãs e críticos é a seguinte: o que acrescenta à carreira de Kisser tocar violão na praia com Nando Reis? Ou eventualmente tocar em algum show ou participar de álbum de algum artista de MPB?
Kisser integra um time de ponta do heavy metal internacional, ainda que não esteja mais no auge. Assim sendo, se a deia é ampliar horizontes, então que seja com gente do mesmo patamar técnico e criativo, que realmente possa acrescentar algo, como os amigos do Metallica e do Megadeth, como Lemmy, do Motorhead, ou o pessoal do cast da gravadora Roadrunner, que já se reuniu para várias jams e covers e eventos da empresa.
Kisser se rebaixa ao fazer concessões e participações inusitadas? Não usaria esse termo, até em respeito a ele e aos artistas que o convidam. Mas não dá para deixar o estranhamento de lado quando vejo alguém do porte de Andreas Kisser fazendo música pop insossa em um DVD de um músico que já foi roqueiro dos bons e que hoje prefere a MPB.
O guitarrista perde tempo com essas participações? Talvez sim, talvez não. Mas não consigo evitar a sensação de que há algo sendo despediçado. Não acho que chega ao ponto de macular a carreira de um dos instrumentistas mais respeitados do heavy metal internacional, ou de abalroar sua credibilidade.
Quando se fala de um artista deste porte, de qualidade inquestionável, é preciso se levar em conta suas ambições artísticas, por mais esquisitas que sejam – quem não se lembra de Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, tocando e produzindo álbuns para artistas pop estapafúrdios nos anos 90?
Quem sabe se todo mundo não lucrasse mais com um “Hubris III” ou “Hubris IV”? Se a ideia é buscar horizontes e experiências diferentes, então seu trabalho solo está no caminho correto. Seria um “tropeço” ou um “deslize” quando Kisser resolve aceitar um convite como o de Nando Reis?
O radicalismo no rock continua sendo saudável, especialmente no metal. É um subgênero que faz questão de preservar a memória e as tradições. Certas intolerâncias são necessárias para que artistas consagrados jamais esqueçam seu legado.
Andreas Kisser jamais esquecerá o seu legado e a sua origem. O duro é er de ouvir os tais impropérios na mesa ao lado e, mesmo se eu quisesse, não ter argumentos para rebater depois de ver o guitarrista do Sepultura fazendo base no violão para as canções esquecíveis de Nando Reis…
quinta-feira, abril 21, 2011
Rush traz novas versões de “Moving Pictures” 30 anos depois
A execução na íntegra do álbum “Moving Pictures” na última turnê do Rush foi apenas um aperitivo para os fãs. A obra, que está completando 30 anos de lançamento, será relançado em uma edição especial de luxo no dia 5 de abril, em dois formatos: um CD remasterizado com um DVD ou um CD remasterizado com um disco Blu-Ray.
Segundo o site da banda e também o site Blabbermouth, para esta edição de luxo, tanto o DVD quanto o disco de Blu-Ray conterão três videos de músicas bônus: “Tom Sawyer”, “Limelight” e o video clipe inédito de “Vital Signs”, tudo em versão 5.1 Surround.
Ambos os formatos de DVD e Blu-Ray serão editados com som surround 5.1 e áudio estéreo de alta qualidade, além de trazerem uma galeria com fotos inéditas das sessões de gravação originais.
“Moving Pictures” é o oitavo álbum do trio canadense e traz o sucesso “Tom Sawyer”, a música mais lembrada no Brasil por conta e ter servido de vinheta para o seriado de TV ”MacGyver”, produzido entre 1985 e 1992 nos Estados Unidos e exibido na época no Brasil pela TV Globo – parabéns, afinal, para o programador da emissora que resolveu escolher a música como vinheta introdutória. Por aqui o nome do programa era “MacGyver: Profissão Perigo”.
O álbum original tinha apenas sete faixas, mas trazia outros hits e clássicos do rock como ”Limelight”, a maravilhosa “Red Barchetta” e a instrumental “YYZ”, talvez a melhor trilha incidental roqueira já criada.
Lista de músicas:
CD:
01. Tom Sawyer
02. Red Barchetta
03. YYZ
04. Limelight
05. The Camera Eye
06. Witch Hunt
07. Vital Signs
DVD-Audio/Video:
01. Tom Sawyer (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
02. Red Barchetta (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
03. YYZ (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
04. Limelight (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
05. The Camera Eye (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
06. Witch Hunt (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
07. Vital Signs (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
08. Tom Sawyer (Music Video – 5.1 & Stereo)
09. Limelight (Music Video – 5.1 & Stereo)
10. Vital Signs (Music Video – 5.1 & Stereo – Previously Unreleased)
Format 2 (CD + Blu-ray):
CD:
01. Tom Sawyer
02. Red Barchetta
03. YYZ
04. Limelight
05. The Camera Eye
06. Witch Hunt
07. Vital Signs
Blu-ray:
01. Tom Sawyer (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
02. Red Barchetta (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
03. YYZ (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
04. Limelight (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
05. The Camera Eye (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
06. Witch Hunt (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
07. Vital Signs (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
08. Tom Sawyer (Music Video – 5.1 & Stereo)
09. Limelight (Music Video – 5.1 & Stereo)
10. Vital Signs (Music Video – 5.1 & Stereo – Previously Unreleased)
A execução na íntegra do álbum “Moving Pictures” na última turnê do Rush foi apenas um aperitivo para os fãs. A obra, que está completando 30 anos de lançamento, será relançado em uma edição especial de luxo no dia 5 de abril, em dois formatos: um CD remasterizado com um DVD ou um CD remasterizado com um disco Blu-Ray.
Segundo o site da banda e também o site Blabbermouth, para esta edição de luxo, tanto o DVD quanto o disco de Blu-Ray conterão três videos de músicas bônus: “Tom Sawyer”, “Limelight” e o video clipe inédito de “Vital Signs”, tudo em versão 5.1 Surround.
Ambos os formatos de DVD e Blu-Ray serão editados com som surround 5.1 e áudio estéreo de alta qualidade, além de trazerem uma galeria com fotos inéditas das sessões de gravação originais.
“Moving Pictures” é o oitavo álbum do trio canadense e traz o sucesso “Tom Sawyer”, a música mais lembrada no Brasil por conta e ter servido de vinheta para o seriado de TV ”MacGyver”, produzido entre 1985 e 1992 nos Estados Unidos e exibido na época no Brasil pela TV Globo – parabéns, afinal, para o programador da emissora que resolveu escolher a música como vinheta introdutória. Por aqui o nome do programa era “MacGyver: Profissão Perigo”.
O álbum original tinha apenas sete faixas, mas trazia outros hits e clássicos do rock como ”Limelight”, a maravilhosa “Red Barchetta” e a instrumental “YYZ”, talvez a melhor trilha incidental roqueira já criada.
Lista de músicas:
CD:
01. Tom Sawyer
02. Red Barchetta
03. YYZ
04. Limelight
05. The Camera Eye
06. Witch Hunt
07. Vital Signs
DVD-Audio/Video:
01. Tom Sawyer (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
02. Red Barchetta (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
03. YYZ (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
04. Limelight (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
05. The Camera Eye (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
06. Witch Hunt (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
07. Vital Signs (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
08. Tom Sawyer (Music Video – 5.1 & Stereo)
09. Limelight (Music Video – 5.1 & Stereo)
10. Vital Signs (Music Video – 5.1 & Stereo – Previously Unreleased)
Format 2 (CD + Blu-ray):
CD:
01. Tom Sawyer
02. Red Barchetta
03. YYZ
04. Limelight
05. The Camera Eye
06. Witch Hunt
07. Vital Signs
Blu-ray:
01. Tom Sawyer (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
02. Red Barchetta (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
03. YYZ (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
04. Limelight (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
05. The Camera Eye (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
06. Witch Hunt (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
07. Vital Signs (Audiophile 5.1 Surround and Stereo)
08. Tom Sawyer (Music Video – 5.1 & Stereo)
09. Limelight (Music Video – 5.1 & Stereo)
10. Vital Signs (Music Video – 5.1 & Stereo – Previously Unreleased)
terça-feira, abril 19, 2011
Carreiras de Paul Rodgers, Free e Bad Company revisitadas
Paul Rodgers foi definido nos anos 70 por Rod Stewart e Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) como o melhor cantor de rock daquele tempo, 1974 – sendo superior até mesmo a Freddie Mercury, do Queen. Não era apenas da boca para fora. O então jovem vocalista inglês tinha o respeito da crítica e de público, além da fama de “pé-quente”: todo projeto que se envolvia se transformava em sucesso.
Hoje Rodgers é um respeitável senhor de 60 anos que teve uma vitoriosa pasagem pelo Queen entre 2004 e 2008 – Queen + Paul Rodgers -, que rendeu dois DVDs, um CD de estúdio (“Cosmos Rock”) e um duplo ao vivo (“Return of the Champions”).
E recebe uma justa homenagem com o lançamento do álbum “The Very Best of Free and Bad Company featuring Paul Rodgers”, uma compilação que reúne os maiores hits das duas bandas. Não bastase isso, “Songs for Yesterday”, maravilhosa caixa com cinco CDs com o melhor da carreira do Free, deverá ser reeditada neste mês.
Como ser iluminado que é considerado, o vocalista teve a suprema felicidade de encontrar outros três garotos-prodígio em Londres aos 17 anos, em 1967. Assim como ele, eram talentososo e fanáticos pelo blues.
Rodgers, o guitarrista Paul Kossof, o baixista Andy Fraser e o baterista Simon Kirke fundaram naquele ano o Free, que lançou seu primeiro álbum logo no ano seguinte com clássicos do blues, só que com um sotaque diferente, mais arrastado e mais pesado, com uma timbragem de guitarra mais rasgada.
O quarteto logo chamou a atenção de várias gravadoras e promotores de shows, tornando-se o queridinho do blues-rock britânicos. O auge veio em 1970, com o álbum “Fire and Water”, considerado até hoje um clássico do rock inglês e um dos mais importantes do subgênero blues rock.
Ao mesmo tempo em que eram talentosos, os quatro tinham egos imensos e brigavam com muita frrequência. O grupo implodiu em 1972, com a saída de Kossof devido a excesso de drogas e às brigas entre Fraser e Rodgers.
Kossof tentou um gravar naquele ano um álbum solo com a ajuda do baixista Tetsu Yamauchi (que depois foi para o Faces) e do tecladista John “Rabbit” Bundrick (que desde 1979 é músico de apoio do Who). O álbum “Kossof, Testu, Rabbit and Kirke” foi gravadp, mas só lançado muito mais tarde.
Formação do Free em 1971 (Rodgers está no fundo, à esq.)
No final de 1972 houve uma tentativa de reunir o Free, mas as brigas entre Rodgers e Fraser pioraram, assim como o vício de Kossof. O último álbum, “Heartbreaker”, de 1973, não contou com Fraser, sendo que Kossof tocou apenas em algumas músicas apenas.
Bundrick e Yamauchi completaram as lacunas, mas não houve jeito, o final foi irreversível. O álbum, entretanto, teve boa recepção, e o maior hit da banda depois da ótima “All Right Now”, o maior sucesso: “Wishing Well”.
Andy Fraser foi cuidar de sua vidam gravou alguns álbuns solo, mas mergulhou no ostracismo. Kossof criou a banda Backstreet Crawler, gravou dois discos solo e morreu em 1976 durante um voo entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Sofreu um ataque cardíaco em consequência do excesso de drogas.
Paul Rodgers e Simon Kirke formaram o Bad Company em 1974 com Mick Ralphs (guitarra, ex-Mott the Hoople) e o baixista Boz Burrell (ex-King Crimson). Um pouco antes, o vocalista foi sondado para substituir Ian Gillan no Deep Purple. O quarteto foi considerado o precursor do chamado hard rock, já que Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple faziam o chamado rock pesado ou pauleira.
O Bad Company fez um sucesso estrondoso até 1980, em parte também pelo suporte dado pela Swan Song, gravadora-selo do Led Zeppelin. Assim como no Free, Rodgers continuou sendo uma usina de hits em parceria com Ralphs e Burell, como “Bad Company”, “Feel Like Makin’ Love”, “Shooting Star” e “Ready for Love”.
Formação do Bad Company em 1974 (Rodgers é o segundo da esq. p/ a dir.)
Uma crise de criatividade e o esgotamento das relações entre os membros culminaram com a saída do cantor em 1982 – o Bad Company continuou ma década de 80 com o vocalista Brian Howe. Rodgers lançou um álbum solo, “Cut Loose”, em 1983.
Em seguida, uniu-se a Jimmy Page (ex-Led Zeppelin) na banda Firm, que durou dois anos e dois discos, até 1986. Um hiato de cinco anos e ele volta em 1991 com a banda The Law, ao lado de Kenny Jones (ex-baterista do Who, Faces e Small Faces), que fracassa.
Seu trabalho solo mais marcante é “Muddy Waters Blues”, um álbum de 1993 quase todo recheado de músicas do mestre norte-americano do blues tendo a participação de alguns amigos de peso, todos guitarristas, como Jeff Beck, Brian May (Queen), Brian Setzer, Neal Schon (Journey), David Gilmour (Pink Floyd), entre outros.
Após a saída do Queen, uniu-se a Mick Raplhs e Simon Kirke para uma nova encarnação do Bad Company, que fez uma turnê mundial no começo deste ano.
Lista de faixas do álbum “The Very Best of Free and Bad Company featuring Paul Rodgers”:
Bad Company:
01. Can’t Get Enough
02. Rock Steady
03. Feel Like Makin’ Love
04. Rock ‘n’ Roll Fantasy
05. Ready For Love
06. Run With The Pack
07. Seagull
08. Shooting Star
Free:
09. My Brother Jake
10. Wishing Well
11. Be My Friend
12. Hunter, The
13. Little Bit Of Love
14. Fire And Water
15. All Right Now
Paul Rodgers foi definido nos anos 70 por Rod Stewart e Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) como o melhor cantor de rock daquele tempo, 1974 – sendo superior até mesmo a Freddie Mercury, do Queen. Não era apenas da boca para fora. O então jovem vocalista inglês tinha o respeito da crítica e de público, além da fama de “pé-quente”: todo projeto que se envolvia se transformava em sucesso.
Hoje Rodgers é um respeitável senhor de 60 anos que teve uma vitoriosa pasagem pelo Queen entre 2004 e 2008 – Queen + Paul Rodgers -, que rendeu dois DVDs, um CD de estúdio (“Cosmos Rock”) e um duplo ao vivo (“Return of the Champions”).
E recebe uma justa homenagem com o lançamento do álbum “The Very Best of Free and Bad Company featuring Paul Rodgers”, uma compilação que reúne os maiores hits das duas bandas. Não bastase isso, “Songs for Yesterday”, maravilhosa caixa com cinco CDs com o melhor da carreira do Free, deverá ser reeditada neste mês.
Como ser iluminado que é considerado, o vocalista teve a suprema felicidade de encontrar outros três garotos-prodígio em Londres aos 17 anos, em 1967. Assim como ele, eram talentososo e fanáticos pelo blues.
Rodgers, o guitarrista Paul Kossof, o baixista Andy Fraser e o baterista Simon Kirke fundaram naquele ano o Free, que lançou seu primeiro álbum logo no ano seguinte com clássicos do blues, só que com um sotaque diferente, mais arrastado e mais pesado, com uma timbragem de guitarra mais rasgada.
O quarteto logo chamou a atenção de várias gravadoras e promotores de shows, tornando-se o queridinho do blues-rock britânicos. O auge veio em 1970, com o álbum “Fire and Water”, considerado até hoje um clássico do rock inglês e um dos mais importantes do subgênero blues rock.
Ao mesmo tempo em que eram talentosos, os quatro tinham egos imensos e brigavam com muita frrequência. O grupo implodiu em 1972, com a saída de Kossof devido a excesso de drogas e às brigas entre Fraser e Rodgers.
Kossof tentou um gravar naquele ano um álbum solo com a ajuda do baixista Tetsu Yamauchi (que depois foi para o Faces) e do tecladista John “Rabbit” Bundrick (que desde 1979 é músico de apoio do Who). O álbum “Kossof, Testu, Rabbit and Kirke” foi gravadp, mas só lançado muito mais tarde.
Formação do Free em 1971 (Rodgers está no fundo, à esq.)
No final de 1972 houve uma tentativa de reunir o Free, mas as brigas entre Rodgers e Fraser pioraram, assim como o vício de Kossof. O último álbum, “Heartbreaker”, de 1973, não contou com Fraser, sendo que Kossof tocou apenas em algumas músicas apenas.
Bundrick e Yamauchi completaram as lacunas, mas não houve jeito, o final foi irreversível. O álbum, entretanto, teve boa recepção, e o maior hit da banda depois da ótima “All Right Now”, o maior sucesso: “Wishing Well”.
Andy Fraser foi cuidar de sua vidam gravou alguns álbuns solo, mas mergulhou no ostracismo. Kossof criou a banda Backstreet Crawler, gravou dois discos solo e morreu em 1976 durante um voo entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Sofreu um ataque cardíaco em consequência do excesso de drogas.
Paul Rodgers e Simon Kirke formaram o Bad Company em 1974 com Mick Ralphs (guitarra, ex-Mott the Hoople) e o baixista Boz Burrell (ex-King Crimson). Um pouco antes, o vocalista foi sondado para substituir Ian Gillan no Deep Purple. O quarteto foi considerado o precursor do chamado hard rock, já que Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple faziam o chamado rock pesado ou pauleira.
O Bad Company fez um sucesso estrondoso até 1980, em parte também pelo suporte dado pela Swan Song, gravadora-selo do Led Zeppelin. Assim como no Free, Rodgers continuou sendo uma usina de hits em parceria com Ralphs e Burell, como “Bad Company”, “Feel Like Makin’ Love”, “Shooting Star” e “Ready for Love”.
Formação do Bad Company em 1974 (Rodgers é o segundo da esq. p/ a dir.)
Uma crise de criatividade e o esgotamento das relações entre os membros culminaram com a saída do cantor em 1982 – o Bad Company continuou ma década de 80 com o vocalista Brian Howe. Rodgers lançou um álbum solo, “Cut Loose”, em 1983.
Em seguida, uniu-se a Jimmy Page (ex-Led Zeppelin) na banda Firm, que durou dois anos e dois discos, até 1986. Um hiato de cinco anos e ele volta em 1991 com a banda The Law, ao lado de Kenny Jones (ex-baterista do Who, Faces e Small Faces), que fracassa.
Seu trabalho solo mais marcante é “Muddy Waters Blues”, um álbum de 1993 quase todo recheado de músicas do mestre norte-americano do blues tendo a participação de alguns amigos de peso, todos guitarristas, como Jeff Beck, Brian May (Queen), Brian Setzer, Neal Schon (Journey), David Gilmour (Pink Floyd), entre outros.
Após a saída do Queen, uniu-se a Mick Raplhs e Simon Kirke para uma nova encarnação do Bad Company, que fez uma turnê mundial no começo deste ano.
Lista de faixas do álbum “The Very Best of Free and Bad Company featuring Paul Rodgers”:
Bad Company:
01. Can’t Get Enough
02. Rock Steady
03. Feel Like Makin’ Love
04. Rock ‘n’ Roll Fantasy
05. Ready For Love
06. Run With The Pack
07. Seagull
08. Shooting Star
Free:
09. My Brother Jake
10. Wishing Well
11. Be My Friend
12. Hunter, The
13. Little Bit Of Love
14. Fire And Water
15. All Right Now
domingo, abril 17, 2011
Justiça é o caminho contra quem não cumpre o básico
Em país em que estrutura de fiscalização de qualquer coisa é deficiente, a Justiça não pode mesmo ser de boa qualidade, devido à sobrecarga de ações. Não poderia ser diferente. Fronteiras são uma peneira, permitindo a entrada de qualquer tipo de material pirata, armas e drogas. Os órgãos públicos, tanto federais e estaduais, estão sucateados e são vulneráveis à corrupção. O que sobra?
Estão crescendo de forma absurda as ações judiciais contra planos de saúde e o governo federal por conta da péssima assistência médica que é oferecida ao brasileiro.
Reportagem do Fantástico, da TV Globo, mostrou recentemente que a Justiça está atolada por ações – e sentenças não cumpridas – a respeito de gente doente que não consegue acesso a remédios caros, que deveriam ser fornecidos a quem precisa – e que sempre pagou seus impostos.
Uma juíza do Rio Grande do Sul chegou ao ponto de mandar prender um procurador federal em Porto Alegre por conta do não cumprimento de uma sentença favorável a uma pessoa acometida de moléstia grave e que foi solenemente ignorada pelo Ministério da Saúde e pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A argumentação de um funcionário de terceiro escalão do ministério designado para falar à reportagem é um show de incompetência, um acinte à inteligência e uma bordoada no bom senso: “As decisões judiciais só pioram a situação. Isso significa que temos de tirar de dinheiro de algum lugar para atender a esse pessoal. O orçamento acaba sendo abalroado e alguém fica sem atendimento.”
É por essas e outras que a Justiça acaba sendo o último recurso para quem está entre a vida e a morte, diante da insensibilidade criminosa de um governo que um dia se disse representante do povo e dos trabalhadores.
As reclamações do Judiciário são veementes ao pedir para que se evite sugerir que esse tipo de demanda seja encaminhada aos tribunais, justamente por conta da sobrecarga de trabalho. Mas o que fazer, se o próprio Judiciário é incapaz de fazer com que o Executivo fiscalize o cumprimento da lei?
Portanto, consumidor, não se acanhe: demandas judiciais contra planos de saúde que recusam coberturas e contra governos que ignoram suas obrigações básicas são legítimas e necessárias.
Em país em que estrutura de fiscalização de qualquer coisa é deficiente, a Justiça não pode mesmo ser de boa qualidade, devido à sobrecarga de ações. Não poderia ser diferente. Fronteiras são uma peneira, permitindo a entrada de qualquer tipo de material pirata, armas e drogas. Os órgãos públicos, tanto federais e estaduais, estão sucateados e são vulneráveis à corrupção. O que sobra?
Estão crescendo de forma absurda as ações judiciais contra planos de saúde e o governo federal por conta da péssima assistência médica que é oferecida ao brasileiro.
Reportagem do Fantástico, da TV Globo, mostrou recentemente que a Justiça está atolada por ações – e sentenças não cumpridas – a respeito de gente doente que não consegue acesso a remédios caros, que deveriam ser fornecidos a quem precisa – e que sempre pagou seus impostos.
Uma juíza do Rio Grande do Sul chegou ao ponto de mandar prender um procurador federal em Porto Alegre por conta do não cumprimento de uma sentença favorável a uma pessoa acometida de moléstia grave e que foi solenemente ignorada pelo Ministério da Saúde e pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A argumentação de um funcionário de terceiro escalão do ministério designado para falar à reportagem é um show de incompetência, um acinte à inteligência e uma bordoada no bom senso: “As decisões judiciais só pioram a situação. Isso significa que temos de tirar de dinheiro de algum lugar para atender a esse pessoal. O orçamento acaba sendo abalroado e alguém fica sem atendimento.”
É por essas e outras que a Justiça acaba sendo o último recurso para quem está entre a vida e a morte, diante da insensibilidade criminosa de um governo que um dia se disse representante do povo e dos trabalhadores.
As reclamações do Judiciário são veementes ao pedir para que se evite sugerir que esse tipo de demanda seja encaminhada aos tribunais, justamente por conta da sobrecarga de trabalho. Mas o que fazer, se o próprio Judiciário é incapaz de fazer com que o Executivo fiscalize o cumprimento da lei?
Portanto, consumidor, não se acanhe: demandas judiciais contra planos de saúde que recusam coberturas e contra governos que ignoram suas obrigações básicas são legítimas e necessárias.
sexta-feira, abril 15, 2011
Esse cadastro é mesmo positivo?
O projeto aprovado no Senado que institui o cadastro positivo para bons pagadores é constitucional? Não vi nenhuma discussão a esse respeito nas inúmeras reportagens de TV e jornais.
Os empresários estão radiantes com a medida e afirmam sem medo de errar que os juros cairão após a promulgação da lei pelo presidente Lula – se der tempo em 2010.
Já as entidades de defesa do consumidor alertam que o projeto embute uma série de problemas, o maior deles a sacramentação da discriminação financeira entre os devedores, alargando ainda mais o abismo entre os consumidores endividados.
A palavra discriminação soa como um palavrão para os representantes das entidades que reúnem lojistas de tamanhos variados e indústrias. O problema é que essas mesmas entidades não conseguem encontrar um tema que defina o que significa para quem deve esse projeto. Dever não é crime, é uma possibilidade da vida cotidiana de qualquer cidadão que vive em uma democracia capitalista. Governos devem, bancos devem, empresas devem, times de futebol devem (e muito).
A questão que fica é: até que ponto os atuais índices de inadimplência influenciam no custo do dinheiro ofertado no mercado? Será que a quantidade de gente que não paga suas dívidas pode servir de justificativa para as taxas escorchantes de cheque especial e cartão de crédito? O maior dos problemas ainda não revelados na sua totalidade do projeto do cadastro positivo é a “criminalização” do devedor, já marginalizado pelo rótulo do “nome sujo” ao ser incluído em um dos vários cadastros de inadimplentes.
O cadastro positivo propõe a valorização do bom pagador, inclusive com o “bônus” de condições melhores de pagamento, seja de alongamento de dívida (parcelamento), seja em taxas mais atraentes de juros. Para o devedor, sobra o reforço da pecha de mau pagador, de inadimplente, o que, em tese, pioraria sua condição financeira. E então aparece o paradoxo: quanto pior a condição financeira e quanto menor forem as oportunidades de crédito, menos chances de saldar a dívida o inadimplente terá.
Mas parece que essa preocupação passou longe dos autores do projeto que cria o cadastro positivo. Já existe até uma certeza no mercado: as condições para os bons pagadores não melhorarão, mas as dos inadimplentes vão piorar ainda mais.
E o que dizer desta “discriminação” financeira mais acentuada que pode surgir com o projeto? Seria possível questionar a constitucionalidade da medida? Não há consenso.
Importantes juristas e advogados acreditam que faltam alguns elementos para tipificar a infração à Constituição, estabelecendo assim uma diferenciação criminosa entre cidadãos.
Os órgãos de defesa do consumidor, por sua vez, enviaram um manifesto à Presidência da República pedindo o veto do projeto. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Procon-SP e Proteste são contrários ao compartilhamento de informações dos bons pagadores.
As duas maiores preocupações dos órgãos de defesa do consumidor são a violação de privacidade de quem paga suas contas em dia e a discriminação de quem é bom pagador, mas jamais fez um financiamento.
“Vínhamos discutindo no Congresso uma série de regras para implantação do cadastro, mas o projeto que foi aprovado não traz nenhuma regulamentação", explica Maria Elisa Novais, gerente jurídica do Idec, em reportagem do Jornal da Tarde. Segundo ela, é preciso definir as finalidades da listagem, quem poderá ter acesso às informações e que dados serão considerados.
Maria Inês Dolci, coordenadora do Proteste, também em declaração ao JT, questiona ainda o maior argumento dos defensores do cadastro positivo: o de que as taxas de juros aplicadas aos bons pagadores serão menores. “Não há nenhuma garantia de que os bancos vão reduzir juros com a medida.”
A adesão ao cadastro é voluntária. O seu nome só pode constar mediante sua autorização. Você quer mesmo que seus dados fiquem expostos em uma lista suspeita de infringir a Constituição?
O projeto aprovado no Senado que institui o cadastro positivo para bons pagadores é constitucional? Não vi nenhuma discussão a esse respeito nas inúmeras reportagens de TV e jornais.
Os empresários estão radiantes com a medida e afirmam sem medo de errar que os juros cairão após a promulgação da lei pelo presidente Lula – se der tempo em 2010.
Já as entidades de defesa do consumidor alertam que o projeto embute uma série de problemas, o maior deles a sacramentação da discriminação financeira entre os devedores, alargando ainda mais o abismo entre os consumidores endividados.
A palavra discriminação soa como um palavrão para os representantes das entidades que reúnem lojistas de tamanhos variados e indústrias. O problema é que essas mesmas entidades não conseguem encontrar um tema que defina o que significa para quem deve esse projeto. Dever não é crime, é uma possibilidade da vida cotidiana de qualquer cidadão que vive em uma democracia capitalista. Governos devem, bancos devem, empresas devem, times de futebol devem (e muito).
A questão que fica é: até que ponto os atuais índices de inadimplência influenciam no custo do dinheiro ofertado no mercado? Será que a quantidade de gente que não paga suas dívidas pode servir de justificativa para as taxas escorchantes de cheque especial e cartão de crédito? O maior dos problemas ainda não revelados na sua totalidade do projeto do cadastro positivo é a “criminalização” do devedor, já marginalizado pelo rótulo do “nome sujo” ao ser incluído em um dos vários cadastros de inadimplentes.
O cadastro positivo propõe a valorização do bom pagador, inclusive com o “bônus” de condições melhores de pagamento, seja de alongamento de dívida (parcelamento), seja em taxas mais atraentes de juros. Para o devedor, sobra o reforço da pecha de mau pagador, de inadimplente, o que, em tese, pioraria sua condição financeira. E então aparece o paradoxo: quanto pior a condição financeira e quanto menor forem as oportunidades de crédito, menos chances de saldar a dívida o inadimplente terá.
Mas parece que essa preocupação passou longe dos autores do projeto que cria o cadastro positivo. Já existe até uma certeza no mercado: as condições para os bons pagadores não melhorarão, mas as dos inadimplentes vão piorar ainda mais.
E o que dizer desta “discriminação” financeira mais acentuada que pode surgir com o projeto? Seria possível questionar a constitucionalidade da medida? Não há consenso.
Importantes juristas e advogados acreditam que faltam alguns elementos para tipificar a infração à Constituição, estabelecendo assim uma diferenciação criminosa entre cidadãos.
Os órgãos de defesa do consumidor, por sua vez, enviaram um manifesto à Presidência da República pedindo o veto do projeto. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Procon-SP e Proteste são contrários ao compartilhamento de informações dos bons pagadores.
As duas maiores preocupações dos órgãos de defesa do consumidor são a violação de privacidade de quem paga suas contas em dia e a discriminação de quem é bom pagador, mas jamais fez um financiamento.
“Vínhamos discutindo no Congresso uma série de regras para implantação do cadastro, mas o projeto que foi aprovado não traz nenhuma regulamentação", explica Maria Elisa Novais, gerente jurídica do Idec, em reportagem do Jornal da Tarde. Segundo ela, é preciso definir as finalidades da listagem, quem poderá ter acesso às informações e que dados serão considerados.
Maria Inês Dolci, coordenadora do Proteste, também em declaração ao JT, questiona ainda o maior argumento dos defensores do cadastro positivo: o de que as taxas de juros aplicadas aos bons pagadores serão menores. “Não há nenhuma garantia de que os bancos vão reduzir juros com a medida.”
A adesão ao cadastro é voluntária. O seu nome só pode constar mediante sua autorização. Você quer mesmo que seus dados fiquem expostos em uma lista suspeita de infringir a Constituição?
quarta-feira, abril 13, 2011
Corte do fornecimento de água é legal, mas será que é legítimo?
A companhia de água pode cortar o fornecimento por atraso no pagamento? Pode. A exemplo da luz e do telefone, que também podem sofrer interrupção por falta de pagamento, a empresa de água está, legalmente, autorizada a secar as torneiras de quem não pagar a conta. Essa é uma das dúvidas mais comuns que atingem os consumidores.
E a questão, apesar de constar em lei, ainda é controversa. Afinal, é legítimo e mortalmente aceitável o corte do fornecimento de serviços que fazem parte das necessidades básicas dos consumidores? Afinal, as empresas concessionárias e operadoras dispõem de meios diversos para efetuar a cobrança e punir inadimplentes, seja enviando o nome do cliente para os cadastros de inadimplência, seja processando-o na Justiça.
Foram os investidores, na época das privatizações, que exigiram a suspensão implacável dos serviços essenciais aos inadimplentes. O Congresso Nacional não hesitou em atender à “exigência”, e o governo federal não se importou em contestar ou mesmo defender o consumidor.
As estatais que gerenciavam esses serviços essenciais não deixaram saudade, é fato, já que nunca respeitaram consumidor, prestavam um péssimo serviço, atendiam ainda pior as reclamações e ignoravam as noções básicas de meritocracia – muitas delas eram meros cabides de emprego para apaniguados políticos, o que significava que eram antros de corrupção.
Quando as privatizações vieram – desejáveis, mas que foram implementadas de forma pouco transparente, com suspeitas graves em cada documento assinado -, o corte dos serviços essenciais por inadimplência foi implementado de forma inflexível e contrabandeado por meio da Lei 8.987/95, que autorizou o corte “por inadimplemento do usuário”.
A lei citada apenas criou um requisito para a suspensão do serviço, seja de água, luz ou telefone, a saber: a empresa deve avisar previamente o consumidor, com antecedência de 15 dias, que o serviço essencial será interrompido.
A questão é muito polêmica em se tratando de corte por atraso ou falta de pagamento, uma vez que a interrupção dos serviços essenciais retira o bem-estar mínimo, e muitas vezes colocam em risco a própria saúde (caso da água e luz) do devedor. Durante muito tempo, os tribunais estaduais não aceitavam o corte por inadimplemento. Mas o Superior de Tribunal de Justiça (STJ) acabou com a polêmica e consolidou a regra da suspensão para os inadimplentes.
“O corte por atraso, mesmo que admitido, poderia ser regulamentado de forma a preservar o mínimo da dignidade da pessoa humana. Por exemplo, poderia haver um tratamento diferenciado para desempregados de baixa renda ou pessoas carentes – assim como poderia haver regras mais flexíveis e mais seguras para os consumidores em geral”, diz o advogado Josué Rios, especialista em direito do consumidor e colunista do Jornal da Tarde.
Pelo menos a mesma Justiça que autorizou as concessionárias a suspender o serviço por atraso no pagamento proibiu que as empresas cortassem a água ou a luz no caso de débito passado. E aqui não estamos falando de decisões judiciais isoladas, mas de entendimento pacífico dos tribunais.
Um exemplo comum de débito passado que impede o corte é o que ocorre com o novo comprador de um imóvel, cujo antigo dono não pagou a conta da Sabesp. Neste caso, conforme repetidas decisões dos tribunais, o comprador da casa ou apartamento não pode ser impedido de obter a religação da água em razão da dívida do antigo proprietário.
“Da mesma forma, uma vez que esteja utilizando normalmente o serviço, o novo comprador do imóvel não pode sofrer o corte, se a empresa descobre que tem débito em aberto do antigo vendedor. Mais: se o inquilino abandonou o imóvel devendo a companhia de água, esta deve seguir os rastros deste para cobrar o débito, em vez de impedir o dono imóvel de religar o serviço”, conclui Rios.
A companhia de água pode cortar o fornecimento por atraso no pagamento? Pode. A exemplo da luz e do telefone, que também podem sofrer interrupção por falta de pagamento, a empresa de água está, legalmente, autorizada a secar as torneiras de quem não pagar a conta. Essa é uma das dúvidas mais comuns que atingem os consumidores.
E a questão, apesar de constar em lei, ainda é controversa. Afinal, é legítimo e mortalmente aceitável o corte do fornecimento de serviços que fazem parte das necessidades básicas dos consumidores? Afinal, as empresas concessionárias e operadoras dispõem de meios diversos para efetuar a cobrança e punir inadimplentes, seja enviando o nome do cliente para os cadastros de inadimplência, seja processando-o na Justiça.
Foram os investidores, na época das privatizações, que exigiram a suspensão implacável dos serviços essenciais aos inadimplentes. O Congresso Nacional não hesitou em atender à “exigência”, e o governo federal não se importou em contestar ou mesmo defender o consumidor.
As estatais que gerenciavam esses serviços essenciais não deixaram saudade, é fato, já que nunca respeitaram consumidor, prestavam um péssimo serviço, atendiam ainda pior as reclamações e ignoravam as noções básicas de meritocracia – muitas delas eram meros cabides de emprego para apaniguados políticos, o que significava que eram antros de corrupção.
Quando as privatizações vieram – desejáveis, mas que foram implementadas de forma pouco transparente, com suspeitas graves em cada documento assinado -, o corte dos serviços essenciais por inadimplência foi implementado de forma inflexível e contrabandeado por meio da Lei 8.987/95, que autorizou o corte “por inadimplemento do usuário”.
A lei citada apenas criou um requisito para a suspensão do serviço, seja de água, luz ou telefone, a saber: a empresa deve avisar previamente o consumidor, com antecedência de 15 dias, que o serviço essencial será interrompido.
A questão é muito polêmica em se tratando de corte por atraso ou falta de pagamento, uma vez que a interrupção dos serviços essenciais retira o bem-estar mínimo, e muitas vezes colocam em risco a própria saúde (caso da água e luz) do devedor. Durante muito tempo, os tribunais estaduais não aceitavam o corte por inadimplemento. Mas o Superior de Tribunal de Justiça (STJ) acabou com a polêmica e consolidou a regra da suspensão para os inadimplentes.
“O corte por atraso, mesmo que admitido, poderia ser regulamentado de forma a preservar o mínimo da dignidade da pessoa humana. Por exemplo, poderia haver um tratamento diferenciado para desempregados de baixa renda ou pessoas carentes – assim como poderia haver regras mais flexíveis e mais seguras para os consumidores em geral”, diz o advogado Josué Rios, especialista em direito do consumidor e colunista do Jornal da Tarde.
Pelo menos a mesma Justiça que autorizou as concessionárias a suspender o serviço por atraso no pagamento proibiu que as empresas cortassem a água ou a luz no caso de débito passado. E aqui não estamos falando de decisões judiciais isoladas, mas de entendimento pacífico dos tribunais.
Um exemplo comum de débito passado que impede o corte é o que ocorre com o novo comprador de um imóvel, cujo antigo dono não pagou a conta da Sabesp. Neste caso, conforme repetidas decisões dos tribunais, o comprador da casa ou apartamento não pode ser impedido de obter a religação da água em razão da dívida do antigo proprietário.
“Da mesma forma, uma vez que esteja utilizando normalmente o serviço, o novo comprador do imóvel não pode sofrer o corte, se a empresa descobre que tem débito em aberto do antigo vendedor. Mais: se o inquilino abandonou o imóvel devendo a companhia de água, esta deve seguir os rastros deste para cobrar o débito, em vez de impedir o dono imóvel de religar o serviço”, conclui Rios.
domingo, abril 10, 2011
É como roubar camiseta no show
O sobrinho do cidadão já passado dos 40 anos adora rap. Estava vestindo uma camiseta de um artista que adora. O tio não se lembrava de tê-lo visto com aquela camiseta preta – na verdade, não se lembrava de tê-lo visto com camisa alguma de banda de rock ou de qualquer outro artista.
Meio desconfiado, o tio perguntou ao sobrinho onde havia conseguido aquela camiseta. “No show que fui ontem à noite”. O tio não resistiu e perguntou ao garoto adolescente: “Pô, me conta aí: como você conseguiu pegar essa camiseta da banquinha, sair correndo sem ninguém te apreender?”
O moleque perdeu o ar inocente e fez uma cara de interrogação, dizendo que tinha pagado US$ 20 na camiseta. Depois, fechou a cara ao entender a provocação do tio, que, coincidentemente, era um músico famoso internacionalmente.
O garoto não ligava em pagar US$ 20 na camiseta – até porque se arriscasse um furto na banquinha no show, poderia ser preso com facilidade –, mas se recusava a comprar um CD com as músicas do artista de que gostava, preferindo baixar de graça (roubar?) as canções pela internet.
O diálogo foi narrado em entrevista por Zakk Wylde, na edição de novembro de 2010 da boa revista de rock Roadie Crew. Wylde, ex-guitarrista da banda de Ozzy Osbourne e líder do Black Label Society, usou a conversa para exemplificar como a pirataria destrói mercados, economias e lesam o consumidor em todos os sentidos.
É tão difícil as pessoas entenderem as consequências da pirataria em todos os setores produtivos da sociedade?
Quem compra produtos piratas ou baixa conteúdo artístico de forma ilegal pela internet contribui para extinguir o mercado formal e legal – e, por consequência, ajuda a matar o artista, que fica sem renda para se manter e continuar produzindo a sua arte.
Para o consumidor, o prejuízo é múltiplo. Ao comprar coisa pirata ou baixar conteúdo ilegal, o consumidor incentiva o crime organizado, contribui para a queda da arrecadação de impostos, adquire um produto que está longe das especificações e garantias de quem o fabricou e, no caso do artista lesado, ajuda a empurrá-lo para fora do mercado. Ou seja, ao se recusar a pagar pela música de Zakk Wylde, por exemplo, o consumidor corta uma fonte de renda do artista. Se ele não tiver fonte de renda para sobreviver e continuar a fazer música, encerra a carreira e muda de ramo.
Será que é isso que o fã de Wylde quer? A julgar pela indiferença dos fãs de qualquer artista, sim, ao se observar as quantidades cada vez maiores de downloads ilegais no mundo, ao mesmo tempo em que caem muito as vendas de CDs, de downloads legais e de qualquer produto ligado ao mercado formal de música.
E considero inaceitáveis os argumentos de que a pirataria cresce por conta dos preços supostamente altos dos produtos ditos legais. Isso é um argumento tosco, de gente mau caráter, que não está nem aí para o cumprimento da lei.
Esse tipo de bobagem poderia servir de justificativa para quem rouba carros, já que o preço de um carro é muito alto – então, vamos roubar e furtar, oras...
É o mesmo que dizer que todo favelado é bandido – se isso fosse verdade, viveríamos em uma eterna guerra civil, pois haveria milhões de favelados roubando e matando todos os dias.
Muita gente diz que o incentivo à pirataria é um traço cultural e de má educação – e que se resolve melhorando a educação do povo. A conversinha de boteco da esquerda burra é bonitinha para enganar estudantes tontos de cursos de ciências humanas de quinta categoria, mas não convence.
Pirataria se combate com a aplicação da lei, fiscalização e punição. Quanto ao mau caratismo de quem defende a pirataria, além da punição, merece o profundo desprezo.
O sobrinho do cidadão já passado dos 40 anos adora rap. Estava vestindo uma camiseta de um artista que adora. O tio não se lembrava de tê-lo visto com aquela camiseta preta – na verdade, não se lembrava de tê-lo visto com camisa alguma de banda de rock ou de qualquer outro artista.
Meio desconfiado, o tio perguntou ao sobrinho onde havia conseguido aquela camiseta. “No show que fui ontem à noite”. O tio não resistiu e perguntou ao garoto adolescente: “Pô, me conta aí: como você conseguiu pegar essa camiseta da banquinha, sair correndo sem ninguém te apreender?”
O moleque perdeu o ar inocente e fez uma cara de interrogação, dizendo que tinha pagado US$ 20 na camiseta. Depois, fechou a cara ao entender a provocação do tio, que, coincidentemente, era um músico famoso internacionalmente.
O garoto não ligava em pagar US$ 20 na camiseta – até porque se arriscasse um furto na banquinha no show, poderia ser preso com facilidade –, mas se recusava a comprar um CD com as músicas do artista de que gostava, preferindo baixar de graça (roubar?) as canções pela internet.
O diálogo foi narrado em entrevista por Zakk Wylde, na edição de novembro de 2010 da boa revista de rock Roadie Crew. Wylde, ex-guitarrista da banda de Ozzy Osbourne e líder do Black Label Society, usou a conversa para exemplificar como a pirataria destrói mercados, economias e lesam o consumidor em todos os sentidos.
É tão difícil as pessoas entenderem as consequências da pirataria em todos os setores produtivos da sociedade?
Quem compra produtos piratas ou baixa conteúdo artístico de forma ilegal pela internet contribui para extinguir o mercado formal e legal – e, por consequência, ajuda a matar o artista, que fica sem renda para se manter e continuar produzindo a sua arte.
Para o consumidor, o prejuízo é múltiplo. Ao comprar coisa pirata ou baixar conteúdo ilegal, o consumidor incentiva o crime organizado, contribui para a queda da arrecadação de impostos, adquire um produto que está longe das especificações e garantias de quem o fabricou e, no caso do artista lesado, ajuda a empurrá-lo para fora do mercado. Ou seja, ao se recusar a pagar pela música de Zakk Wylde, por exemplo, o consumidor corta uma fonte de renda do artista. Se ele não tiver fonte de renda para sobreviver e continuar a fazer música, encerra a carreira e muda de ramo.
Será que é isso que o fã de Wylde quer? A julgar pela indiferença dos fãs de qualquer artista, sim, ao se observar as quantidades cada vez maiores de downloads ilegais no mundo, ao mesmo tempo em que caem muito as vendas de CDs, de downloads legais e de qualquer produto ligado ao mercado formal de música.
E considero inaceitáveis os argumentos de que a pirataria cresce por conta dos preços supostamente altos dos produtos ditos legais. Isso é um argumento tosco, de gente mau caráter, que não está nem aí para o cumprimento da lei.
Esse tipo de bobagem poderia servir de justificativa para quem rouba carros, já que o preço de um carro é muito alto – então, vamos roubar e furtar, oras...
É o mesmo que dizer que todo favelado é bandido – se isso fosse verdade, viveríamos em uma eterna guerra civil, pois haveria milhões de favelados roubando e matando todos os dias.
Muita gente diz que o incentivo à pirataria é um traço cultural e de má educação – e que se resolve melhorando a educação do povo. A conversinha de boteco da esquerda burra é bonitinha para enganar estudantes tontos de cursos de ciências humanas de quinta categoria, mas não convence.
Pirataria se combate com a aplicação da lei, fiscalização e punição. Quanto ao mau caratismo de quem defende a pirataria, além da punição, merece o profundo desprezo.
quinta-feira, abril 07, 2011
Procon finalmente pune quem desrespeita espectador de shows
A notícia foi divulgada sem muito alarde, quase de forma corriqueira, como se fosse um assunto banal. Não é. É bastante grave e envolve um segmento onde são constantes e deliberadas as infrações e desrespeitos ao consumidor.
A Fundação Procon-SP autuou a empresa Time For Fun Entretenimento (T4F) por desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor (CDC) durante a venda de ingressos para o show “U2 360º Tour, que será realizado no Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), no dia 9 de abril de 2011.
Os fiscais da fundação constataram, a partir de reclamações e consultas registradas no órgão, que a empresa responsável pela organização do show e pela venda dos ingressos deixou de prestar um serviço adequado aos consumidores, que enfrentaram diversos problemas para adquirir os ingressos, especialmente pelo site; entre eles a falta de informações corretas e claras, discriminação entre consumidores titulares e não titulares de determinadas bandeiras de cartão de crédito e restrição à venda de meia entrada.
A T4F irá responder a processo administrativo, assegurada ampla defesa, podendo ao final deste ser multada, com base no artigo 57 da Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor). A empresa não se manifestou sobre o assunto.
O consumidor que enfrenta dificuldades para comprar de ingressos de eventos de cultura e lazer deve procurar um órgão de defesa do consumidor de sua cidade para formalizar uma reclamação e ter os seus direitos resguardados.
Que a ação do Procon seja mais efetiva nesta área de shows e eventos, onde o Código de Defesa do Consumidor não existe.
Por outro lado, é hora de o consumidor aumentar a sua participação social e denunciar mais e com muito mais frequência esse tipo de desrespeito. Não para ser extorquido em R$ 500 para ver uma apresentação de pé em um estádio inadequado e ainda ter seus direitos tolhidos por empresas que ignoram o bem-estar de seus clientes.
Os canais de atendimento do Procon-SP são:
Pessoal - das 7h00 às 19h00, de segunda à sexta-feira, e sábado, das 7h00 às 13h00, que ficam nos postos dos Poupatempo Sé, Santo Amaro e Itaquera.
Nos postos dos Centros de Integração da Cidadania (CIC), de segunda à quinta-feira, das 09h00 às 15h00.
Telefone – Orientações através do número 151.
Fax – (11) 3824-0717
Cartas - Caixa Postal 3050, CEP 01031-970, São Paulo-SP.
Internet – para quem comprou ou tentou comprar o ingresso pela internet, e enfrentou problemas pode registrar sua queixa no site
A notícia foi divulgada sem muito alarde, quase de forma corriqueira, como se fosse um assunto banal. Não é. É bastante grave e envolve um segmento onde são constantes e deliberadas as infrações e desrespeitos ao consumidor.
A Fundação Procon-SP autuou a empresa Time For Fun Entretenimento (T4F) por desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor (CDC) durante a venda de ingressos para o show “U2 360º Tour, que será realizado no Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), no dia 9 de abril de 2011.
Os fiscais da fundação constataram, a partir de reclamações e consultas registradas no órgão, que a empresa responsável pela organização do show e pela venda dos ingressos deixou de prestar um serviço adequado aos consumidores, que enfrentaram diversos problemas para adquirir os ingressos, especialmente pelo site; entre eles a falta de informações corretas e claras, discriminação entre consumidores titulares e não titulares de determinadas bandeiras de cartão de crédito e restrição à venda de meia entrada.
A T4F irá responder a processo administrativo, assegurada ampla defesa, podendo ao final deste ser multada, com base no artigo 57 da Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor). A empresa não se manifestou sobre o assunto.
O consumidor que enfrenta dificuldades para comprar de ingressos de eventos de cultura e lazer deve procurar um órgão de defesa do consumidor de sua cidade para formalizar uma reclamação e ter os seus direitos resguardados.
Que a ação do Procon seja mais efetiva nesta área de shows e eventos, onde o Código de Defesa do Consumidor não existe.
Por outro lado, é hora de o consumidor aumentar a sua participação social e denunciar mais e com muito mais frequência esse tipo de desrespeito. Não para ser extorquido em R$ 500 para ver uma apresentação de pé em um estádio inadequado e ainda ter seus direitos tolhidos por empresas que ignoram o bem-estar de seus clientes.
Os canais de atendimento do Procon-SP são:
Pessoal - das 7h00 às 19h00, de segunda à sexta-feira, e sábado, das 7h00 às 13h00, que ficam nos postos dos Poupatempo Sé, Santo Amaro e Itaquera.
Nos postos dos Centros de Integração da Cidadania (CIC), de segunda à quinta-feira, das 09h00 às 15h00.
Telefone – Orientações através do número 151.
Fax – (11) 3824-0717
Cartas - Caixa Postal 3050, CEP 01031-970, São Paulo-SP.
Internet – para quem comprou ou tentou comprar o ingresso pela internet, e enfrentou problemas pode registrar sua queixa no site
segunda-feira, abril 04, 2011
As enchentes e alagamentos que afogam o consumidor
A aflição de quem mora na Grande São Paulo começa no final de outubro. O calor fica mais forte, e a cada dia as chuvas de primavera e verão ficam cada vez mais fortes, culminando com tempestades e alagamentos por todas as cidades. Ou seja, serão mais três de meses de aflição por conta das fortes chuvas, com carros boiando nas ruas, desabamentos, áreas de riscos interditadas e muita gente desabrigada.
A cada cena de carros boiando na TV, ou se famílias inteiras expulsas de casa por conta das enchentes devastadoras, fica a pergunta de sempre: quem paga pelos prejuízos? Não se trata de uma questão de defesa do consumidor somente. É uma questão de cidadania e de responsabilidade social.
Portanto, o veredicto é claro: todo cidadão que se sentir prejudicado por danos causados por queda de árvores, buracos e outras situações ligadas à conservação e à manutenção de espaços ligados ao poder público pode e deve entrar com uma ação judicial de ressarcimento. Essa ação pode ser encaminhada ao Juizado de Pequenas Causas ou pode ser pedida diretamente na subprefeitura.
Não bastasse isso, o cidadão/consumidor também tem direitos a respeito do carro e seu seguro. Além de cobrar da prefeitura ou do governo estadual, se for o caso, o dono de apólice de seguros tem o direito de ir atrás da seguradora e exigir a cobertura dos prejuízos. Claro que isso depende do tipo de contrato que assinou e escolheu, mas geralmente as empresas simplesmente ignoram as solicitações e passam por cima do que foi acordado, protelando ao máximo o pagamento da indenização ou “prêmio” – boa parte das questões vão parar na Justiça.
Quem foi prejudicado pelos dilúvios e sofreu danos por conta de situações originadas em locais públicos – árvores caídas, buracos, carros levados pela enchente, perda de móveis - deve entrar com o pedido na prefeitura com documentos, como fotografias, orçamentos de consertos e endereço do local onde se deu o fato, que possam comprovar a responsabilidade do órgão público.
No caso de processos encaminhados à subprefeitura da região, todos os pedidos são analisados pelo setor jurídico do Poder Público, que decidirá se procede ou não a reivindicação. O maior problema, entretanto, é que geralmente não há prazo para a pessoa ser indenizada, um dos maiores absurdos jurídicos que envolvem a indenização de que foi lesado por conta de problemas envolvendo a manutenção dos chamados “próprios públicos”.
Em relação aos veículos, o chamado seguro total tem indenização para os danos causados pelas enchentes, para queda de árvores ou construções sobre o veículo, queda em buracos, além das coberturas clássicas de colisão, incêndio e roubo. No caso de problemas decorrentes de enchente o segurado deve tomar as mesmas providências que tomaria no caso de uma colisão - avisar a seguradora e providenciar a vistoria do veículo para a verificação dos danos.
Mas é bom que não se perca de vista uma questão importante: o ressarcimento é demorado e não raro acaba virando precatório – ou seja, dívida do Poder Público com o cidadão que costuma cair no esquecimento e ser vítima de armadilhas políticas em leis e medidas de ocasião votadas na Câmara dos Vereadores e na Assembleia Legislativa. Sendo assim, sempre há o recurso de se recorrer à Justiça ou até mesmo ao Juizado Especial Cível, que não necessita de advogado para causas de até dez salários mínimos (R$ 5,1 mil).
A aflição de quem mora na Grande São Paulo começa no final de outubro. O calor fica mais forte, e a cada dia as chuvas de primavera e verão ficam cada vez mais fortes, culminando com tempestades e alagamentos por todas as cidades. Ou seja, serão mais três de meses de aflição por conta das fortes chuvas, com carros boiando nas ruas, desabamentos, áreas de riscos interditadas e muita gente desabrigada.
A cada cena de carros boiando na TV, ou se famílias inteiras expulsas de casa por conta das enchentes devastadoras, fica a pergunta de sempre: quem paga pelos prejuízos? Não se trata de uma questão de defesa do consumidor somente. É uma questão de cidadania e de responsabilidade social.
Portanto, o veredicto é claro: todo cidadão que se sentir prejudicado por danos causados por queda de árvores, buracos e outras situações ligadas à conservação e à manutenção de espaços ligados ao poder público pode e deve entrar com uma ação judicial de ressarcimento. Essa ação pode ser encaminhada ao Juizado de Pequenas Causas ou pode ser pedida diretamente na subprefeitura.
Não bastasse isso, o cidadão/consumidor também tem direitos a respeito do carro e seu seguro. Além de cobrar da prefeitura ou do governo estadual, se for o caso, o dono de apólice de seguros tem o direito de ir atrás da seguradora e exigir a cobertura dos prejuízos. Claro que isso depende do tipo de contrato que assinou e escolheu, mas geralmente as empresas simplesmente ignoram as solicitações e passam por cima do que foi acordado, protelando ao máximo o pagamento da indenização ou “prêmio” – boa parte das questões vão parar na Justiça.
Quem foi prejudicado pelos dilúvios e sofreu danos por conta de situações originadas em locais públicos – árvores caídas, buracos, carros levados pela enchente, perda de móveis - deve entrar com o pedido na prefeitura com documentos, como fotografias, orçamentos de consertos e endereço do local onde se deu o fato, que possam comprovar a responsabilidade do órgão público.
No caso de processos encaminhados à subprefeitura da região, todos os pedidos são analisados pelo setor jurídico do Poder Público, que decidirá se procede ou não a reivindicação. O maior problema, entretanto, é que geralmente não há prazo para a pessoa ser indenizada, um dos maiores absurdos jurídicos que envolvem a indenização de que foi lesado por conta de problemas envolvendo a manutenção dos chamados “próprios públicos”.
Em relação aos veículos, o chamado seguro total tem indenização para os danos causados pelas enchentes, para queda de árvores ou construções sobre o veículo, queda em buracos, além das coberturas clássicas de colisão, incêndio e roubo. No caso de problemas decorrentes de enchente o segurado deve tomar as mesmas providências que tomaria no caso de uma colisão - avisar a seguradora e providenciar a vistoria do veículo para a verificação dos danos.
Mas é bom que não se perca de vista uma questão importante: o ressarcimento é demorado e não raro acaba virando precatório – ou seja, dívida do Poder Público com o cidadão que costuma cair no esquecimento e ser vítima de armadilhas políticas em leis e medidas de ocasião votadas na Câmara dos Vereadores e na Assembleia Legislativa. Sendo assim, sempre há o recurso de se recorrer à Justiça ou até mesmo ao Juizado Especial Cível, que não necessita de advogado para causas de até dez salários mínimos (R$ 5,1 mil).
sábado, abril 02, 2011
Não é só nostalgia
Márcio Paula Moraes
Antigamente quando um colega comprava um disco era muito comum a turma se reunir na casa de um outro para todos passarem a tarde ouvindo o disco. Não só ouvindo, mas lendo os encartes, olhando os detalhes da capa, comparando as faixas, tentando identificar qual a melhor música, qual o melhor lado: A ou B, observando os solos de guitarra, o baixo, a bateria, as letras, o tamanho das faixas, enfim a cada sucro do disco havia uma conferência, um dessecamento em torno daquele ritual que nada mais era do que curtir um bom disco de vinil.
Era assim que as pessoas iam conhecendo as músicas, as bandas; compartilhando uns com os outros o prazer de curtir um som. O disco nunca foi um produto barato. Até por isso as descobertas se davam justamente nesses dias em que o pessoal se reunia para ouvir e conhecer. Enquanto um trazia um LP dos Led Zeppelin o outro colaborava com um do Deep Purple, o outro arriscava com um do Yes, e havia aquele que aparecia com um do tipo Roxy Music. Era interessante porque, embora tivesse um cara que não gostasse de um determinado estilo ou gênero, nunca deixava de ouvir e conhecer. Mais curioso ainda é perceber que, às vezes, quando ouvimos uma música, não gostamos pelo fato de não estarmos atentos à ela. Mas depois de um certo tempo aquela mesma música encaixa muito bem em nossos ouvidos. É como ler um livro sem estar pronto para entendê-lo.
A música assim como a literatura produz um efeito bastante peculiar a ambas: para gostar e entender de certos estilos e gêneros é preciso amadurecimento do conhecimento, isto é, sem ampliar o horizonte a pessoa fica limitada a mesmice de sempre.
Hoje, com a internet facilitando (?) tudo na vida, as pessoas se limitam a baixar arquivos MP3, infestar celulares ou iPods com uma quantidade absurda de músicas (estranhamente nunca ouvidas do início ao fim) e sem obter conhecimento de nada do que se está ouvindo. É incrível como tudo isso é perecível e não produz nada de conhecimento!
A música – especificamente mais o rock - perdeu o valor de sentido, de significado. Observe que é muito comum – e é bastante provável que o mesmo aconteça com você agora, que está lendo esse artigo - quando alguém na casa dos 40 anos (ou mais) ouve uma música dos Beatles ou do Pink Floyd ou do Black Sabbath ou do Queen etc. dizer que a tal música a faz lembrar dos “meus bons tempos...”
O rock n roll não produz mais seguidores porque perdeu o sentido da rebeldia, da transgressão. Mick Jagger, Keith Richards, Charles Watts, David Gilmour, Roger Waters, Fred Mercury, Janis Joplin, Jemi Hendrix, David Bowie, Brian Ferry, Brian Eno, Dio, Ozzy Osbourny, Tommi Iommi, Ian Gillan, Ian Anderson, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Peter Gabriel, Phill Collins, Elton John, Bob Dilan, Elvis, Chuck Barry, Robert Plant, Jimmi Page… Nossa, são tantos! A maioria está na faixa dos 65 anos! E outros tantos até já se foram. Esses escreveram a história do rock que faz parte da memória de milhões de pessoas em todo o mundo.
Embora a internet possa dar (quase) tudo, chego a ter pena dessa nova geração que não conheceu toda aquela magia. Tudo bem que tudo isso é pura nostalgia. Mas não dá para aceitar que alguém escute a música de uma banda sem saber ao menos escrever o nome dela, quero dizer, da banda.
Márcio Paula Moraes
Antigamente quando um colega comprava um disco era muito comum a turma se reunir na casa de um outro para todos passarem a tarde ouvindo o disco. Não só ouvindo, mas lendo os encartes, olhando os detalhes da capa, comparando as faixas, tentando identificar qual a melhor música, qual o melhor lado: A ou B, observando os solos de guitarra, o baixo, a bateria, as letras, o tamanho das faixas, enfim a cada sucro do disco havia uma conferência, um dessecamento em torno daquele ritual que nada mais era do que curtir um bom disco de vinil.
Era assim que as pessoas iam conhecendo as músicas, as bandas; compartilhando uns com os outros o prazer de curtir um som. O disco nunca foi um produto barato. Até por isso as descobertas se davam justamente nesses dias em que o pessoal se reunia para ouvir e conhecer. Enquanto um trazia um LP dos Led Zeppelin o outro colaborava com um do Deep Purple, o outro arriscava com um do Yes, e havia aquele que aparecia com um do tipo Roxy Music. Era interessante porque, embora tivesse um cara que não gostasse de um determinado estilo ou gênero, nunca deixava de ouvir e conhecer. Mais curioso ainda é perceber que, às vezes, quando ouvimos uma música, não gostamos pelo fato de não estarmos atentos à ela. Mas depois de um certo tempo aquela mesma música encaixa muito bem em nossos ouvidos. É como ler um livro sem estar pronto para entendê-lo.
A música assim como a literatura produz um efeito bastante peculiar a ambas: para gostar e entender de certos estilos e gêneros é preciso amadurecimento do conhecimento, isto é, sem ampliar o horizonte a pessoa fica limitada a mesmice de sempre.
Hoje, com a internet facilitando (?) tudo na vida, as pessoas se limitam a baixar arquivos MP3, infestar celulares ou iPods com uma quantidade absurda de músicas (estranhamente nunca ouvidas do início ao fim) e sem obter conhecimento de nada do que se está ouvindo. É incrível como tudo isso é perecível e não produz nada de conhecimento!
A música – especificamente mais o rock - perdeu o valor de sentido, de significado. Observe que é muito comum – e é bastante provável que o mesmo aconteça com você agora, que está lendo esse artigo - quando alguém na casa dos 40 anos (ou mais) ouve uma música dos Beatles ou do Pink Floyd ou do Black Sabbath ou do Queen etc. dizer que a tal música a faz lembrar dos “meus bons tempos...”
O rock n roll não produz mais seguidores porque perdeu o sentido da rebeldia, da transgressão. Mick Jagger, Keith Richards, Charles Watts, David Gilmour, Roger Waters, Fred Mercury, Janis Joplin, Jemi Hendrix, David Bowie, Brian Ferry, Brian Eno, Dio, Ozzy Osbourny, Tommi Iommi, Ian Gillan, Ian Anderson, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Peter Gabriel, Phill Collins, Elton John, Bob Dilan, Elvis, Chuck Barry, Robert Plant, Jimmi Page… Nossa, são tantos! A maioria está na faixa dos 65 anos! E outros tantos até já se foram. Esses escreveram a história do rock que faz parte da memória de milhões de pessoas em todo o mundo.
Embora a internet possa dar (quase) tudo, chego a ter pena dessa nova geração que não conheceu toda aquela magia. Tudo bem que tudo isso é pura nostalgia. Mas não dá para aceitar que alguém escute a música de uma banda sem saber ao menos escrever o nome dela, quero dizer, da banda.
quinta-feira, março 31, 2011
Nem todo seguro cobre enchente ou desastres naturais
Enquanto as chuvas e desmoronamentos inundam e destroem casas na região Sudeste do País, muita gente que possui seguro do imóvel começa a se perguntar se um eventual prejuízo como o que afetou os moradores da região serra do Rio de Janeiro poderá ser amenizado com a indenização a receber. A questão é a seguinte: quem é que lê com atenção as malditas apólices com letrinhas miudinhas e cheias de páginas? Não tem jeito, só a leitura atenta previne os sustos costumeiros após as tragédias - não são todas as modalidades que dão cobertura para enchentes e fenômenos da natureza.
Quando se trata de residência, problemas causados por incêndio, raio e explosão são itens básicos de qualquer apólice. Já roubo e danos causados por enchentes, desmoronamentos e vendavais precisam ser contratados à parte. E eis a questão: cada uma dessas coberturas extras acrescenta em torno de 10% a 15% no valor total da apólice. O número a mais no valor total faz com que a maioria das pessoas desista das coberturas extras. O que é caro no momento da contratação pode ficar muito mais caro aos qualquer tragédia.
Portanto, o consumidor que não tiver contratado essas garantias extras não será contemplado pela indenização. Pior, até mesmo quem contratou cobertura contra fenômenos da natureza pode ficar sem o benefício, já que as seguradoras podem recorrer a cláusulas contratuais com termos bem específicos – e tudo dentro da lei, para desespero do consumidor. Se o dano foi causado por deslizamento de terra, a empresa pode se recusar a cobrir alegando que a apólice diz que cobre somente vendaval. Por isso, fique atento e, se possível, contrate o seguro com mais coberturas que existir, ou mesmo o total. É a única forma de exigir que esses itens não fiquem excluídos no contrato.
Dependendo da apólice, o consumidor pode ter direito até a aluguel de outro imóvel (enquanto as águas não baixam) e serviço de assistência 24 horas para limpeza e higienização da casa.
Já o motorista que tem uma apólice de seguro total do carro pode ficar tranquilo. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) determinou, em 2004, que todos os planos que tenham cobertura total (contra colisão, incêndio, roubo e danos a terceiros) se responsabilizem também por submersão total ou parcial do veículo em água doce, inclusive se ele estiver estacionado no subsolo de uma casa ou edifício.
Não estão cobertos, em caso de enchente, as vítimas cujo veículo tem seguro é parcial (que dá cobertura contra roubo, incêndio e danos a terceiros), ou aqueles condutores que desafiam os riscos das enchentes e tentam atravessar inadvertidamente as áreas alagadas. E não pague para ver, pois as seguradoras sempre conseguem dar um jeito de provar que você “enfiou na água porque quis” o seu carro. Sempre é bom evitar uma batalha jurídica contra essa gente.
Enquanto as chuvas e desmoronamentos inundam e destroem casas na região Sudeste do País, muita gente que possui seguro do imóvel começa a se perguntar se um eventual prejuízo como o que afetou os moradores da região serra do Rio de Janeiro poderá ser amenizado com a indenização a receber. A questão é a seguinte: quem é que lê com atenção as malditas apólices com letrinhas miudinhas e cheias de páginas? Não tem jeito, só a leitura atenta previne os sustos costumeiros após as tragédias - não são todas as modalidades que dão cobertura para enchentes e fenômenos da natureza.
Quando se trata de residência, problemas causados por incêndio, raio e explosão são itens básicos de qualquer apólice. Já roubo e danos causados por enchentes, desmoronamentos e vendavais precisam ser contratados à parte. E eis a questão: cada uma dessas coberturas extras acrescenta em torno de 10% a 15% no valor total da apólice. O número a mais no valor total faz com que a maioria das pessoas desista das coberturas extras. O que é caro no momento da contratação pode ficar muito mais caro aos qualquer tragédia.
Portanto, o consumidor que não tiver contratado essas garantias extras não será contemplado pela indenização. Pior, até mesmo quem contratou cobertura contra fenômenos da natureza pode ficar sem o benefício, já que as seguradoras podem recorrer a cláusulas contratuais com termos bem específicos – e tudo dentro da lei, para desespero do consumidor. Se o dano foi causado por deslizamento de terra, a empresa pode se recusar a cobrir alegando que a apólice diz que cobre somente vendaval. Por isso, fique atento e, se possível, contrate o seguro com mais coberturas que existir, ou mesmo o total. É a única forma de exigir que esses itens não fiquem excluídos no contrato.
Dependendo da apólice, o consumidor pode ter direito até a aluguel de outro imóvel (enquanto as águas não baixam) e serviço de assistência 24 horas para limpeza e higienização da casa.
Já o motorista que tem uma apólice de seguro total do carro pode ficar tranquilo. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) determinou, em 2004, que todos os planos que tenham cobertura total (contra colisão, incêndio, roubo e danos a terceiros) se responsabilizem também por submersão total ou parcial do veículo em água doce, inclusive se ele estiver estacionado no subsolo de uma casa ou edifício.
Não estão cobertos, em caso de enchente, as vítimas cujo veículo tem seguro é parcial (que dá cobertura contra roubo, incêndio e danos a terceiros), ou aqueles condutores que desafiam os riscos das enchentes e tentam atravessar inadvertidamente as áreas alagadas. E não pague para ver, pois as seguradoras sempre conseguem dar um jeito de provar que você “enfiou na água porque quis” o seu carro. Sempre é bom evitar uma batalha jurídica contra essa gente.
terça-feira, março 29, 2011
Reparando uma injustiça histórica: o resgate do Thin Lizzy
O baixista irlandês Phil Lynnot foi um músico tão talentoso quanto azarado e injustiçado. Poderia fazer uma banda com um conterrâneo injustiçado, Rory Gallagher, um dos maiores guitarristas que já fizeram rock e blues. Lynnot e sua banda Thin Lizzy são influência de qualquer banda de rock pesado dos anos 80 e 90, sendo que gente como Steve Harris (baixista do Iron Maiden) e James Hetfield (guitarrista e vocalista do Metallica).
O Thin Lizzy ficou famoso nos anos 70, mas nunca explodiu de verdade. Tudo bem que a concorrência era absurda na época, mas o quarteto que ora virava trio merecia mais atenção do público em geral.
Para amenizar essa falha, os três melhores álbuns do grupo serão relançados neste mês, marcando os 25 anos da morte de Phil Lynnot, com músicas extras, entre raridades e faixas ao vivo. Jailbreak (1976), Johnny the Fox (1976) e o ao vivo Live and Dangerous (1978) serão relançados em CDs duplos.
O trabalho de remixagem e remasterização foi feito por Scott Gorham, um dos integrantes que mais tempo ficaram no grupo, e Joe Elliott, vocalista do Def Leppard e outro fã confesso de Lynnot. Além do CD duplo, Live and Dangerous trará ainda um DVD bônus.
Nada mais justo para reverenciar a memória do baixista e da banda, que andou sendo vilipendiada nos anos 90 com diversas formações que nada mais eram do que arremedos de banda. Tudo obra do excelente guitarrista John Sykes (ex-Tygers of Pan Tang, Thin Lizzy, Whitesnake e Blue Murder).
Após o fracasso de seu trio de hard rock Blue Murder, e do sucesso restrito ao Japão de seus trabalhos solo, Sykes não teve pudor e "recriou" o Thin Lizzy em 1996, assumindo os vocais e tendo de vez em quando a companhia de algum ex-membro, como o baterista Brian Downey.
Nenhum álbum de material inédito foi lançado (ainda bem), mas as turnês entre 1996 e 201 renderam o duplo ao vivo One Night Only, de 2000, que seria um excelente álbum se não levasse a assinatura Thin Lizzy. Sykes liderou a retomada e decidiu congelar o grupo entre 2001 e 2004, quando reuniu alguns amigos e novamente vilipendiou o nome, saindo em várias turnês intermináveis.
Aparentemente, John Sykes largou de vez o osso em 2009, mas nem isso foi suficiente para que chacais largassem os despojos. Notas em duas revistas britânicas há dois meses dão conta de que uma nova encarnação do Thin Lizzy prepara uma turnê europeia para meados de 2011.
A nova formação teria a liderança de dois guitarristas, Scott Gorham e Vivian Campbell (atualmente no Def Leppard), contando ainda com o vocalista Ricky Warwick (Almighty), o baterista original, Brian Downey, o tecladista Darren Wharton (outro ex-Thin Lizzy) e o baixista Marco Mendoza.
Quanto a Lynnot, o baixista morreu em janeiro de 1986 devido a complicações respiratórias e pulmonares por conta dos anos de excesso no álcool e nas drogas.
Anualmente, no dia da morte de Phil, 4 de Janeiro, acontece um espetáculo em sua homenagem, o Vibe for Philo, com a presença de antigos membros do Thin Lizzy, bandas covers e convidados.
Sua mãe, Philomena Lynnot, mantém até hoje a Fundação Roisin Dubh (Black Rose em gaélico, o idioma antigo da Irlanda, e que deu nome a um dos discos da banda) que ajuda no tratamento de dependentes químicos.
Jailbreak (1976)
CD 1
1. Jailbreak
2. Angel From The Coast
3. Running Back
4. Romeo And The Lonely Girl
5. Warriors
6. The Boys Are Back In Town
7. Fight Or Fall
8. Cowboy Song
9. Emerald
CD 2
1. Jailbreak (Re-mixed Version)
2. The Boys Are Back In Town (Re-mixed Version)
3. Jailbreak (BBC Session 12/02/1976)
4. Emerald (BBC Session 12/02/1976)
5. Cowboy song (BBC Session 12/02/1976)
6. The Warrior (BBC Session 12/02/1976)
7. Fight Or Fall (Extended Version – Rough Mix)
8. Blues Boy (Unreleased Studio Track)
9. Derby Blues (Early Version – The Cowboy Song)
Johnny the Fox (1976)
CD 1
1. Johnny
2. Rocky
3. Borderline
4. Don’t Believe A Word
5. Fools Gold
6. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed
7. Old Flame
8. Massacre
9. Sweet Marie
10. Boogie Woogie Dance
CD 2
1. Don’t Believe A Word (Re-Mixed Version)
2. Borderline (Re-Mixed Version)
3. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Re-Mixed Version)
4. Don’t Believe A Word (BBC Sessions 11/10/1976)
5. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (BBC Sessions 11/10/1976)
6. Fools Gold (BBC Sessions 11/10/1976)
7. Johnny (BBC Sessions 11/10/1976)
8. Fools Gold (Instrumental Run Through)
9. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Instrumental Run Through/Extended)
10. Rocky (Instrumental Run Through)
11. Massacre (Instrumental Take With Lynott Directions To Band)
12. Scott’s Tune (Unreleased Scott Gorham Composition)
13. Don’t Believe A Word (Studio Outake- Different Lyrics)
Live and Dangerous (1978)
CD 1
1. Jailbreak
2. Emerald
3. Southbound
4. Rosalie – Cowgirls Song
5. Dancing In The Moonlight (It’s Caught Me In A Spotlight)
6. Massacre
7. Still In Love With You
8. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed
CD 2
1. Cowboy Song
2. The Boys Are Back In Town
3. Don’t Believe A Word
4. Warriors
5. Are You Ready?
6. Suicide
7. Sha La La
8. Baby Drives Me Crazy
9. The Rocker
Bonus Tracks
10. Opium Trail (Wild One-L & D Outake)
11. Bad Reputation (Wild One-L & D Outake)
DVD
1. Introduction / Rosalie
2. The Boys Are Back In Town
3. Emerald
4. Dancing In The Moonlight (It’s Caught Me In A Spotlight)
5. Massacre
6. Call On Me
7. Don’t Believe A Word
8. Are You Ready?
9. Sha La La
10. Baby Drives Me Crazy
11. Finale / Me And The Boys
O baixista irlandês Phil Lynnot foi um músico tão talentoso quanto azarado e injustiçado. Poderia fazer uma banda com um conterrâneo injustiçado, Rory Gallagher, um dos maiores guitarristas que já fizeram rock e blues. Lynnot e sua banda Thin Lizzy são influência de qualquer banda de rock pesado dos anos 80 e 90, sendo que gente como Steve Harris (baixista do Iron Maiden) e James Hetfield (guitarrista e vocalista do Metallica).
O Thin Lizzy ficou famoso nos anos 70, mas nunca explodiu de verdade. Tudo bem que a concorrência era absurda na época, mas o quarteto que ora virava trio merecia mais atenção do público em geral.
Para amenizar essa falha, os três melhores álbuns do grupo serão relançados neste mês, marcando os 25 anos da morte de Phil Lynnot, com músicas extras, entre raridades e faixas ao vivo. Jailbreak (1976), Johnny the Fox (1976) e o ao vivo Live and Dangerous (1978) serão relançados em CDs duplos.
O trabalho de remixagem e remasterização foi feito por Scott Gorham, um dos integrantes que mais tempo ficaram no grupo, e Joe Elliott, vocalista do Def Leppard e outro fã confesso de Lynnot. Além do CD duplo, Live and Dangerous trará ainda um DVD bônus.
Nada mais justo para reverenciar a memória do baixista e da banda, que andou sendo vilipendiada nos anos 90 com diversas formações que nada mais eram do que arremedos de banda. Tudo obra do excelente guitarrista John Sykes (ex-Tygers of Pan Tang, Thin Lizzy, Whitesnake e Blue Murder).
Após o fracasso de seu trio de hard rock Blue Murder, e do sucesso restrito ao Japão de seus trabalhos solo, Sykes não teve pudor e "recriou" o Thin Lizzy em 1996, assumindo os vocais e tendo de vez em quando a companhia de algum ex-membro, como o baterista Brian Downey.
Nenhum álbum de material inédito foi lançado (ainda bem), mas as turnês entre 1996 e 201 renderam o duplo ao vivo One Night Only, de 2000, que seria um excelente álbum se não levasse a assinatura Thin Lizzy. Sykes liderou a retomada e decidiu congelar o grupo entre 2001 e 2004, quando reuniu alguns amigos e novamente vilipendiou o nome, saindo em várias turnês intermináveis.
Aparentemente, John Sykes largou de vez o osso em 2009, mas nem isso foi suficiente para que chacais largassem os despojos. Notas em duas revistas britânicas há dois meses dão conta de que uma nova encarnação do Thin Lizzy prepara uma turnê europeia para meados de 2011.
A nova formação teria a liderança de dois guitarristas, Scott Gorham e Vivian Campbell (atualmente no Def Leppard), contando ainda com o vocalista Ricky Warwick (Almighty), o baterista original, Brian Downey, o tecladista Darren Wharton (outro ex-Thin Lizzy) e o baixista Marco Mendoza.
Quanto a Lynnot, o baixista morreu em janeiro de 1986 devido a complicações respiratórias e pulmonares por conta dos anos de excesso no álcool e nas drogas.
Anualmente, no dia da morte de Phil, 4 de Janeiro, acontece um espetáculo em sua homenagem, o Vibe for Philo, com a presença de antigos membros do Thin Lizzy, bandas covers e convidados.
Sua mãe, Philomena Lynnot, mantém até hoje a Fundação Roisin Dubh (Black Rose em gaélico, o idioma antigo da Irlanda, e que deu nome a um dos discos da banda) que ajuda no tratamento de dependentes químicos.
Jailbreak (1976)
CD 1
1. Jailbreak
2. Angel From The Coast
3. Running Back
4. Romeo And The Lonely Girl
5. Warriors
6. The Boys Are Back In Town
7. Fight Or Fall
8. Cowboy Song
9. Emerald
CD 2
1. Jailbreak (Re-mixed Version)
2. The Boys Are Back In Town (Re-mixed Version)
3. Jailbreak (BBC Session 12/02/1976)
4. Emerald (BBC Session 12/02/1976)
5. Cowboy song (BBC Session 12/02/1976)
6. The Warrior (BBC Session 12/02/1976)
7. Fight Or Fall (Extended Version – Rough Mix)
8. Blues Boy (Unreleased Studio Track)
9. Derby Blues (Early Version – The Cowboy Song)
Johnny the Fox (1976)
CD 1
1. Johnny
2. Rocky
3. Borderline
4. Don’t Believe A Word
5. Fools Gold
6. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed
7. Old Flame
8. Massacre
9. Sweet Marie
10. Boogie Woogie Dance
CD 2
1. Don’t Believe A Word (Re-Mixed Version)
2. Borderline (Re-Mixed Version)
3. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Re-Mixed Version)
4. Don’t Believe A Word (BBC Sessions 11/10/1976)
5. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (BBC Sessions 11/10/1976)
6. Fools Gold (BBC Sessions 11/10/1976)
7. Johnny (BBC Sessions 11/10/1976)
8. Fools Gold (Instrumental Run Through)
9. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Instrumental Run Through/Extended)
10. Rocky (Instrumental Run Through)
11. Massacre (Instrumental Take With Lynott Directions To Band)
12. Scott’s Tune (Unreleased Scott Gorham Composition)
13. Don’t Believe A Word (Studio Outake- Different Lyrics)
Live and Dangerous (1978)
CD 1
1. Jailbreak
2. Emerald
3. Southbound
4. Rosalie – Cowgirls Song
5. Dancing In The Moonlight (It’s Caught Me In A Spotlight)
6. Massacre
7. Still In Love With You
8. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed
CD 2
1. Cowboy Song
2. The Boys Are Back In Town
3. Don’t Believe A Word
4. Warriors
5. Are You Ready?
6. Suicide
7. Sha La La
8. Baby Drives Me Crazy
9. The Rocker
Bonus Tracks
10. Opium Trail (Wild One-L & D Outake)
11. Bad Reputation (Wild One-L & D Outake)
DVD
1. Introduction / Rosalie
2. The Boys Are Back In Town
3. Emerald
4. Dancing In The Moonlight (It’s Caught Me In A Spotlight)
5. Massacre
6. Call On Me
7. Don’t Believe A Word
8. Are You Ready?
9. Sha La La
10. Baby Drives Me Crazy
11. Finale / Me And The Boys