segunda-feira, agosto 17, 2020

Notas roqueiras: Chaosfear, Setfire, Mostra Jazz Campinas...






- Os paulistanos do Chaosfear lançaram nas plataformas tradicionais de streaming uma versão de "The Toxic Waltz", da banda americana Exodus, contando com a participação de ninguém mais nem menos que o próprio Steve 'Zetro' Souza, vocalista dos mestres do thrash metal, em dueto com Fernando Boccomino (vocal/guitarra). Produzida, mixada e masterizada pelo baixista Marco Nunes, a versão do Chaosfear trouxe todo o peso descomunal e original da faixa para os moldes contemporâneos, dando uma maior extensão e agressividade aos riffs, soando de forma moderna sem perder ou descaracterizar a essência e vitalidade de antigamente. Algumas vocalizações diferentes interpretadas por Steve 'Zetro' Souza trouxeram, também, um charme a mais na nova interpretação desse clássico, pois nenhum dos lados gostaria de repetir o que um dia já foi feito. Originalmente lançada no clássico álbum "Fabulous Disaster", em 1989, segundo álbum de Steve 'Zetro' Souza com o Exodus, teve seu videoclipe exibido a exaustão, inclusive no Brasil, marcando toda uma geração de maníacos desde então. Confira "The Toxic Waltz (featuring Steve 'Zetro' Souza)" em
https://youtu.be/HFdwerP1ngE

- O baixista Felipe Jeronymo deixou a banda Setfire de forma amigável para se dedicar a projetos pessoais. Com 11 anos de estrada, a banda de Mauá, no ABC Paulista, abriu o processo seletivo para escolha de um baixista que ocupará a vaga e pede que os candidatos tenham equipamento próprio, experiência com gravação e disponibilidade para shows, turnês e ensaios. É preciso ainda que os baixistas enviem o histórico de sua carreira de músico, como por quais bandas passou, material publicado em redes sociais se possuir e enviar um vídeo mostrando sua performance pelo e-mail bandasetfire@gmail.com

- Há mais de cinco anos a Mostra Jazz Campinas invade bares, praças, espaços públicos e casas noturnas da cidade. Para 2020, em sua 6ª edição, foi preparado um formato diferente, com atrações exclusivas totalmente online, devido à pandemia do coronavírus. Serão cinco dias de programação, de 20 a 24 de agosto, com 20 shows ao vivo, 5 workshops, 10 lives com DJs, uma mostra de vídeos, 2 mesas de discussão, uma aula-show e uma apresentação gravada especialmente para a programação. A mostra é um evento independente, com produção da Zumbido Cultural e Raabe Andrade. "Apesar das dificuldades, este ano foi possível ampliar a programação, pois o formato online nos permite trazer atrações de fora de Campinas", explica Arthur Amaral, DJ e Produtor Cultural, diretor da Zumbido Cultural. Entre as live-shows confirmadas, destaque para apresentações do violão vertiginoso, elegante e refinado de Marcel Powell, filho de Baden Powell, do mestre gaitista Clayber de Souza, considerado um dos dez melhores harmonicistas do mundo e do lendário baterista Robertinho Silva, criador de um estilo único de bateria brasileira. Robertinho participa também da apresentação "Ouro de Minas", em vídeo gravado especialmente para a Mostra. O projeto, idealizado por Alexandre Ito Trio convida dois grandes músicos e amigos para um passeio musical por Minas Gerais, no qual reúnem-se em busca de uma música sem fronteiras, explorando diferentes sonoridades da percussão, do arco e pizzicato do contrabaixo alinhado aos timbres do violão e guitarra. Outro destaque será o show do baiano Greg Baratoux, que entrou na programação por meio do chamamento público realizado pela produção do evento. Além dos shows convidados "de fora", a Mostra Jazz traz, como sempre, uma ampla programação que reflete a rica cena instrumental da cidade de Campinas. Entre as "pratas da casa" estão Ieda Cruz, Marcelo Modesto, Rodrigo Duarte, Leandro Cruz Trio, Adriano Dias, Regina Dias, Eliza Basile, entre outros. 
Facebook: www.facebook.com/mostrajazzcampinas
Youtube: Mostra Jazz Campinas: http://tiny.cc/mostrajazzcampinas
Programação completa: clique aqui

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Tame Impala traz clipe com efeitos psicodélicos para a música “Is It True”

Do site Roque Reverso

Tame Impala (FOTO: DIVULGAÇÃO)
O Tame Impala liberou no início de agosto o clipe da música “Is It True”. A faixa faz parte do álbum “The Slow Rush”, que foi lançado em fevereiro deste ano.

O clipe traz uma série de efeitos psicodélicos e vem até com aviso para pessoas que podem ter algum tipo de problema de saúde com luzes piscando.

Para quem já foi a um show do Tame Impala, o clipe traz efeitos semelhantes aos que aparecem nos telões das apresentações da banda australiana criada por Kevin Parker, que é simplesmente o próprio Tame Impala.

Gravado entre Los Angeles, no Estados Unidos, e o estúdio de Kevin Parker em sua cidade natal, Fremantle, na Austrália, o álbum é o quarto do Tame Impala.

Se, no estúdio e em todas as decisões sobre o Tame Impala, é o responsável, ao vivo, ele tem seus músicos de apoio para fazer os disputados shows da banda.

Jay Watson ou Julien Barbagallo (bateria), Dominic Simper (guitarra e sintetizador) e Cam Avery (baixo) são os caras que costumam ajudar Parker a trazer toda a psicodelia adorada pelos fãs.

A última passagem do Tame Impala pelo Brasil foi no festival Lollapalooza de 2016, quando a apresentação contou com cobertura especial do Roque Reverso e foi uma das melhores daquele festival em solo paulistano.

Notas roqueiras: Gabe Ripley, Flowers to the Ground, Fireburn...




- Na ativa com o Deathray Bam! por cerca de cinco anos, o músico Gabe Ripley anuncia sua entrada no projeto de Hard Rock Dogfighter, ao lado de Gabs Maverick (Saints of Los Angeles, Lingerie) nos vocais e Rafael Macedo na guitarra, enquanto o posto de baterista ainda está em aberto. Ripley, que assumirá o baixo, explica a ideia desta nova promessa do Hard gaúcho: “O Dogfighter nasceu com a ideia de reviver a cena Sleaze/Hard Rock no Rio Grande do Sul, que está meio morna e apagada, sem bandas novas e autorais já tem alguns anos. A banda busca uma sonoridade simples e direta, calcada no Sleaze da primeira década dos anos 2000 além de influências clássicas como Pretty Boy Floyd, Hollywood Rose, Alleycat Scratch, entre outras”.

- Os cearenses da Flowers to the Ground disponibilizaram, nas principais plataformas de streaming, o novo single "Destroying My Enemies". O grupo, que é um dos novos representantes do referido segmento no país, já lançou mais dois singles, "Just a Theory" e "The Death", ambos com videoclipes, mas precisou adiar o lançamento do debut álbum, "Burn It All", por conta da pandemia do Covid-19. Escute em https://open.spotify.com/album/4Sjrv8qf4VBuptmSo9UVYe

A Fireburn lançou em seu canal oficial do YouTube, o videoclipe de "The Glory Of The Sacred Truth", música escolhida pela banda em sua participação no segundo volume do tributo ao vocalista Edu Falaschi. O segundo volume da homenagem ao vocalista foi lançado no dia 25 de junho em formato digital e conta com muitos dos principais artistas do metal brasileiro, além de bandas emergentes deste mesmo cenário. Veja em https://www.youtube.com/watch?v=Q_DbbOCXvq8

O racismo que 'cancela' negros diariamente no rock

Axe of God* e Marcelo Moreira

A primeira vez que ouvi uma música da banda americana BellRays eu pirei. Era muito pesada, intensa e com uma guitarra que rugia. Era punk, era hardcore, era soul, era tudo. Nem me lembro direito qual era a canção.

Foi no comecinho do século e era um som mais antigo. Era rockão dos bons e a voz de quem cantava era extraordinária. Adorei saber que era uma mina cantando, uma negra de responsa, uma voz forte e gigante.

Apresentei para alguns amigos algumas das músicas, e a galera adorou, com a mistura de sons e gêneros. Era tudo rock pesado. Mas quase todos torceram o nariz assim que souberam que Lisa Kekaula, a cantora, era uma "negona" que cantava rock, blues, soul e muita coisa mais.

"Estranho essa mulher cantando rock", disse um dos meus amigos fã de Metallica. Mas não era bom quando você ouviu pela primeira vez? "Mais ou menos, não disse que adorei." Disse sim, todo mundo ouviu. O problema é por a cantora ser negra ou por ser mulher? Ou por ser mulher negra?

E então foi que fui apresentado ao conceito de cancelamento quase 15 anos de ser inventado. BellRays deixou de ser legal, da mesma forma que Living Colour nunca foi legal. "Sozinho cheio de fru fru, guitarrazinha coloridinha, isso pode servir para os caras do funk, não para o rock."



O diferente incomodava, mas não entendia o porquê. A música era boa, mas foi só os caras verem a "imagem" do quarteto negro pra detonarem. Como se o rock tivesse cor, seja na pele ou na guitarra...

Até então eu resistia a admitir que era racismo. Para mim era apenas um preconceito bobo de gente que só escuta uma banda só ou o mesmo subgênero. Ok, cada um na sua.

Eu já tava na faculdade de administração - depois eu ainda me formaria em psicologia, onde me senti em casa, com uma galera mais inteligente - e logo deixaria de frequentar aqueles meus amigos de infância e adolescência.

Nunca consegui abandonar muito o sectarismo musical, só ouvia quase rock e agreguei uma turma de roqueiros mais antenados, mas que ouviam outras coisas. E aí aprendi o que era jazz e funk e rhythm and blues e Stevie Wonder e Funkadelic e Al Green e Aretha Franklin e Supremes e PP Arnold...

Demorou para cair ficha e perceber que o racismo e o preconceito dominavam vários ambientes roqueiros, inclusive aqueles em que eu me inseria na faculdade, meus "novos amigos". Todos adoravam James Brown e Jimi Hendrix, mas tinham reticências em relação aos negros no rock. Como assim?

Uma coisa é constatar que os negros se tornaram minoria no rock a partir dos anos 60 por milhões de motivos; outra coisa é achar isso normal e, por conta disso, achar que negros ficam desolcados no rock e que não podem gostar de rock ou tocar rock.

Com isso, BellRays não sai da minha cabela desde sempre. Cada vez mais curtindo metal, tive a sorte de ter amigos que mostravam muitas outras coisas, de Weather Report e Miles Davis a Animal As Leaders, Shining e Introitus, coisas mais estranhas, pesadas e extremas. Mas havia uma coisa que me incomodava: cada vez mais gente aderia ao pensamento estúpido que rock não é lugar de negro.

Racismo estrutural? Também, mas senti desde sempre uma tendência de rotular as pessoas e de estabelecer um sistema de "castas". E os negros, que sempre nos acostumamos a ver nos cargos e nas funções mais básicas da sociedade, ganhando menos e consumindo certo tipo de coisas, ganharam "rótulos".

Jimi Hendrix (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Como assim negro gostar de rock? O negócio deles é samba e rap - coitada dessa gente, será que um dia vão ouvir Body Count?

Como assim um negro se tornou médico? Como conseguiu? Negro dono de um negócio? Gerente ou diretor de empresa?

Nós nos acostumamos a esse tipo de coisa desde sempre e ficamos anestesiados quando ouvimos tal coisa. Pior, ficamos preguiçosos e acomodados ao permitir que as coisas ficassem desse jeito por mais de 100 anos e nada fizemos.

E agora, depois de quase 20 anos da descoberta dos BellRays e da diva Lisa Kekaula, tenho de admitir que, se não fui racista no sentido extremo da palavra, ao menos fui preconceituoso ao "normalizar" e não protestar contra essa coisa de "rock não é coisa de negro". Como assim? Racista por osmose ou por preguiça de se posicionar?

É o caso de me desculpar? Até certo ponto, mas jamais estive no mesmo barco que essa gente grosseira e limitada. Se houve algum tipo de omissão de minha parte, justificada ou não pelo racismo estrutural, o fato é que cedo me insurgi contra o pensamento preconceituoso dominante.

Ok, me dê o desconto de ter frequentado rodas de samba e de rap contra a minha vontade para pagar de descolado. Não gostei e não gosto de samba ou de rap, mas nem de longe os sons me incomodam. Foi importante conhecer outros ambientes e observar como se dá a tolerância social e racial.

Um dos professores mais legais que tive na psicologia era negro, e tinha menos de 40 anos. Só usava roupas afro, cabelo com dread locks e era louco por reggae. Mas amava Yes e Camel, bandas inglesas de rock progressivo.

"O rock ficou conservador nos anos 80, cooptado pela indústria e pelo sistema. No Brasil, sempre foi de classe média, desde 1960. De revolucionário passou a mantenedor do status quo. Para os negros americanos e jamaicanos, era muito limitado e sectário. Eles queriam mais e ouviam de tudo. Por isso o interesse menor no rock do que no jazz e no blues", me disse certa vez, no bar, o professor Januário.

E então eu estou aqui, hoje, participando de vários grupos de roqueiros no WhatsApp e outras redes, com predominância de roqueiros brancos e conservadores, muitos dizendo que são progressistas e de esquerda. E escorregando na casca de banana quando tentam "justificar" menos negros no rock. E achando isso bom.

Renan, arquiteto milionário e militante do PT, faz questão de dizer que é esquisito ouvir rock feito por negros - como se ele tivesse informação e ouvido musical para saber se um músico é negro ou branco Mas eu seu que ele nunca viu esquisitice quando curte "Hey Joe", com Jimi Hendrix.

Living Colour (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Que eu saiba não há negros nos grupos em que estou, senão haveria protestos contra expressões como "bandido bom é bandido morto", "racismo é mimimi", a PM tem de ter liberdade para atuar, e bandido tem de apanhar", "racismo é coisa de esquerda", "black lives matter é só uma maneira de fazer bagunça. E, é claro, "lugar de preto é no samba".

Ficou bem pior quando o negro americano George Floyd foi assassinado por policiais, nos Estados Unidos. Coincidência ou não, surgiram muitos casos de violência policial contra negros e assassinatos cometidos por PMs no Brasil no período. E aquela gente que dizia que era progressista e de esquerda começou a vomitar em defesa da polícia violenta e assassina.

Observando esses grupos e tendo notícias de outros ambientes, concluo que parte bem expressiva do roqueiro brasileiro é racista  e sente, no mínimo, desconfortável quando o negro entra no rock e, mais ainda, quando "quebra tudo" - e são os mesmos qu gostam de classic rock e veneram Jimi Hendrix.

E nem vou mencionar o bolsonarismo aqui, neste depoimento, para não contaminar e empestear o texto. Nem é preciso fazer alusão à orientação ideológica desses crápulas preconceituosos - e desconfio bastante dos estúpidos que se dizem progressistas e de esquerda, mas racistas em vários níveis.

* Axe of God é um pseudônimo esdrúxulo escolhido pelo executivo de uma empresa de tecnologia da informação que trabalha em São Paulo. Pediu para não ser identificado por temer represálias nos grupos físicos de que participa e também nas redes sociais. Apesar de repudiar o que lê e o tipo de conversa que rola nestes ambientes, pretende continuar participando até para que possa estudar o comportamento dessa gente e constatar, de forma triste e abjeta, como o rock no Brasil está se tornando cada vez mais preconceituoso, cheio de ódio e racista. De forma relutante, concordou em dar esse depoimento ao Combate Rock/Sperball Express por considerar importante explicitar os rumos que nossos ambientes estão tomando.

domingo, agosto 16, 2020

Notas roqueiras: The Mönic, Revengin, Broken & Boned...

The Mönic (FOTO: DIVULGAÇÃO)
- A The Mönic lançou o clipe de “Just Mad (Acoustic)”. A faixa é a terceira de quatro gravadas durante a quarentena e que a banda divulga ao longo dos meses. O clipe de “Just Mad (Acoustic)" — cuja versão original faz parte do álbum “Deus Picio” (Deck/ 2019) — foi gravado por cada musicista em sua casa e no formato vertical 9:16, voltado para dispositivos móveis.
Em seus versos, a canção retrata a agonia de uma mulher vivendo em meio às pressões sociais e abusos, como quando “insistem em querer definir o seu estado psicológico, considerando-a brava, triste ou louca demais, geralmente numa tentativa de culpá-la pelos erros dos outros", explica a guitarrista e vocalista Ale Labelle, responsável pelos vocais da música. A capa do single tem uma premissa semelhante e é uma ilustração especial de Vivi Leitão Bergè — a terceira da série que retrata a vida de cada uma das integrantes da The Mönic durante o isolamento. A escolhida da vez é Ale Labelle. Veja o clipe em https://youtu.be/x65ClUoWuVQ.

- A banda Revengin divulga a primeira música do novo disco de estúdio que está sendo preparado para ser lançado ainda em 2020. A faixa que abre um novo processo de divulgação da banda brasileira, "White Lies", acaba de ser liberada em um belíssimo lyric vídeo, que foi disponibilizado com exclusividade no YouTube da banda. Confira: https://youtu.be/_I1RIpCkCg8

- A banda Broken & Boned acaba de lançar em seu canal do YouTube, a nova música em formato lyric video, 'Fútil'. O single que é um aperitivo do álbum 'Lies Inside Delusion', a ser lançado nos próximos meses, teve alguns contratempos no período de produção, como a saída do vocalista, troca de produtor e chegada da pandemia da COVID-19 ao Brasil, mas as dificuldades não pararam o grupo que arrumou a casa e chamou Raoni Joseph para finalizar o trabalho. O lyric video de 'Fútil" você pode conferir em https://bit.ly/3hU6lJF

Pedro Canaan desvenda o mágico mundo da produção musical

Nelson Souza Lima - especial para o Combate Rock/Superball Express

Quantos garotos de 21 anos pensam em seguir uma profissão que não seja jogador de futebol, pagodeiro ou cantor de funk? Com certeza poucos.

Agora encontrar um cara nesta idade que opte pela produção musical tratando-a apaixonadamente como arte equivale a garimpar um diamante de 1.000 quilates em Serra Pelada. O diamante em questão é o paulistano Pedro Canaan que, apesar de jovem, está pavimentando uma estrada brilhante (desculpe o trocadilho).

Aos dez anos de idade, Canaan decidiu tocar guitarra. Incentivado por amigos e família passou a ter aulas com o guitarrista Alexandre Spiga. 

"Também tive teoria e canto durante esse período. Tudo isso me estimulou muito para seguir no caminho da música e me deu muitos recursos que são aproveitados até hoje como produtor. Depois de decidir que iria seguir pelo caminho da produção de áudio, pesquisei muito para saber qual seria o melhor local para a minha formação e reparei que a maior oportunidade que eu poderia ter seria saindo do país", diz o jovem.

E o cara partiu para o exterior. Só que não foi qualquer lugar. Ganhador de uma bolsa de estudos,Pedro Canaan se tornou aluno da Columbia, em Chicago, uma das mais renomadas universidades americanas. Em virtude da pandemia, as atividades estão suspensas e Pedro cumpre isolamento em São Paulo com a família.

"Não tive dúvidas de aceitar e embarcar nessa oportunidade. Além disso, a cidade de Chicago é ótima e oferece uma variedade cultural muito grande. A Columbia, por ser uma faculdade só de artes, também me proporcionou inúmeras oportunidades de colaborar com outras áreas artísticas e conhecer pessoas muitíssimo talentosas", afirma.

Pedro Canaan (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Muito solícito Pedro respondeu por e-mail a entrevista abaixo na íntegra.

Superball Express- Fale do começo da sua curta, mas intensa, trajetória. Com apenas dez anos decidiu tocar guitarra. É uma fase em que a maioria dos meninos brasileiros sonha em ser jogador de futebol. O que te levou à música? Influência de alguém da família? Fale disso, por favor.

Pedro Canaan
: Eu tive a minha fase de jogador de futebol também (risos), porém desde cedo percebi que eu me dava muito melhor com as mãos do que com os pés. Mesmo no futebol, eu ia sempre no gol e me dava bem no vôlei também. O meu maior estímulo para a música veio dos meus amigos de escola. Tinha acabado de mudar de colégio, e fiz uns amigos que tocavam guitarra e tinham uma banda. A família sempre me apoiou bastante também e teve uma participação fundamental no processo, mas o maior gatilho foi esse estímulo dos amigos, que por acaso são os meus parceiros de banda The Death Season até hoje.

SPE- Com treze pra quatorze anos você criou ao lado dos amigos a banda The Death Season (que inclusive lançou recentemente duas músicas com produção sua). Quais as influências do grupo e o que projeta para a banda? Vai levar simultaneamente o trabalho de produtor com a de músico?

PC:
As nossas influências vêm de todos os lados. Apesar de hoje nos encaixarmos no gênero do metal alternativo, todos nós somos bastante ecléticos e gostamos de coisas muito diferentes. O Bruno (baterista) gosta muito de rap, trap e samba, o Matheus (vocalista e guitarrista) vai de blues até Death Metal, o João (guitarrista) e eu gostamos bastante de Indie e MPB; eu também tenho uma influência grande do Jazz (muito por causa do meu estudo de música nos EUA), e inclusive fui o responsável por trazer a Big Band da EMESP para participar de três faixas do nosso novo álbum liberté, que está para ser lançado em breve.

SPE- Gostaria de saber como foi a mudança pros EUA e o processo de entrada na Columbia. Você começou estudando guitarra com o Alexandre Spiga e fez canto e teoria. Posteriormente iniciou o curso de produção musical na EM&T. Toda essa bagagem te levou a estudar fora do Brasil. Por que a Columbia? Aqui no Brasil ainda não estamos no nível dos americanos de formar grandes produtores?

PC:
Antes de me decidir por produção musical, estudei guitarra por muito tempo com o sensacional Alexandre Spiga, também tive aulas de teoria e canto durante esse período. Tudo isso me estimulou muito para seguir no caminho da música e me deu muitos recursos que são aproveitados até hoje como produtor. Depois de decidir que iria seguir pelo caminho da produção de áudio, pesquisei muito para saber qual seria o melhor local para a minha formação e reparei que a maior oportunidade que eu poderia ter seria saindo do país. Nesse tempo, até cheguei a fazer o curso Técnico de Produção Musical da EM&T, coordenado pelo Fernando Quesada, e embora esse seja um dos cursos mais conceituados na área do país e eu tenha aprendido muito lá, reparei que, aqui no Brasil, o estudo do áudio é muito mais superficial e menos abrangente do que em outros lugares do mundo. Foi sabendo disso que escolhi a Columbia; o programa de Audio Production deles é excelente, ótimos professores, uma estrutura que capacita o aluno a ter uma experiência equivalente a um estúdio profissional. Quando soube que consegui uma bolsa para estudar lá, não tive dúvidas de aceitar e embarcar nessa oportunidade. Além disso, a cidade de Chicago é ótima e oferece uma variedade cultural muito grande. A Columbia, por ser uma faculdade só de artes, também me proporcionou inúmeras oportunidades de colaborar com outras áreas artísticas e conhecer pessoas muitíssimo talentosas, como o Tony, meu sócio na gravadora The Groovy Motherfunkers. Finalizando, acho que o Brasil tem sim pessoas muito criativas e muito dedicadas nesse ramo, porém em termos de conhecimento teórico, ensino formal e estrutura, estamos ainda muito atrás de países como os Estados Unidos e a maioria das potências da Europa.

SBE- Falando nisso, uma boa parte dos produtores musicais brasileiros está nos EUA. Têm contato com algum deles?

PC:
Não muitos, sinceramente. Na minha faculdade, sou o único brasileiro no curso. Mas estou consciente de um pessoal fazendo um ótimo trabalho por aí. O Teo Guedes (@teoguedx) é um cara que tá mandando muito bem nas produções dele em L.A.; apesar de ele trabalhar com um estilo de música bem diferente do que eu costumo fazer e ouvir, acho bem legal acompanhar os lançamentos dele, e vira e mexe trocamos umas mensagens nas redes sociais.

SBE- Qual o diferencial, pra você, ser um grande produtor musical?

PC:
Estudo e prática. Apesar de ser uma arte, é também um ramo muito interdisciplinar, que requer conhecimento de várias áreas diferentes. Teoria musical, engenharia de áudio, acústica, psicoacústica, até de anatomia do ouvido eu tenho aula na faculdade. Claro que você não precisa ser um expert em tudo isso, e não é sempre que esses conhecimentos são aplicados, mas acho que são tópicos que todo produtor musical deveria ter ao menos uma educação básica, e poucos a têm. No Brasil principalmente, existe uma cultura de que a prática é sempre muito mais valiosa do que a teoria, mas a verdade é que tem muitos conceitos teóricos que fazem muita diferença no trabalho de produção e não são muitas as pessoas que se atentam a eles. Dito isso, a prática também é essencial para o desenvolvimento das habilidades de produção, assim como em todas as outras artes. Produzir muitas coisas, mixar muito, ouvir muitos gêneros diferentes, testar ideias novas sempre; essas são coisas bem práticas que acabam te dando repertório e expandindo suas ideias na hora de trabalhar em uma música.

SBE - No ano passado você e Tony Klacz fundaram a TGM - The Groovy Motherfunkers - produtora/gravadora/divulgadora oferecendo tudo que uma major propicia. Mas como gira o capital financeiro da TGM? Vocês disponibilizam seus artistas nas plataformas digitais, porém lançar em mídia física está nos planos da TGM?

PC:
Nossos planos giram sempre em torno de uma abordagem muito holística. Tentamos dar todo o suporte que um artista independente precisa para crescer com sua música, e até por termos uma rede de contatos muito grande por conta da faculdade, conseguimos oferecer muitos serviços adicionais que são atraentes para nossos artistas. Claro que disponibilizamos todo o nosso conteúdo nas plataformas digitais, mas não é daí que vem o nosso maior lucro. Além de oferecermos os serviços de composição, produção, gravação, mixagem e masterização de músicas, promovemos grandes shows e festas nos quais nossos artistas têm a oportunidade de se apresentar e unir públicos. Nessas festas, temos parceria com a faculdade para conseguirmos equipamentos, temos nosso diretor de arte para cuidar de cenário, roupas e maquiagem... Ou seja, o dinheiro que entra roda entre muitos setores, e conseguimos sempre nos bancar e fazer um esquema que seja lucrativo para todos os envolvidos. Também temos parcerias com diretores para filmar clipes, gente que trabalha na divulgação dos artistas... Enfim, tentamos realmente abranger vários setores para nossos artistas se sentirem atendidos e poderem lançar seus trabalhos com confiança. Sobre mídias físicas, não temos planos no momento, até por conta da pandemia. Além disso, nosso maior público é de estudantes, que normalmente não têm muito dinheiro e preferem usar apenas as mídias digitais, então esse é o nosso foco por enquanto.

SBE- Logo mais devem criar uma filial brasileira da TGM. Como estão os planos? Apesar da pandemia vocês têm trabalhado bastante e lançado Cat Strub, Zeno Camera e The Death Season. Como vocês selecionam as bandas para o cast da TGM? E como será no Brasil?

PC:
As reformas já começaram e prevemos que a TGM Brasil comece a funcionar em Outubro, na cidade de São Paulo. Pretendemos trabalhar com a mesma metodologia que já temos trabalhado em Chicago, porém tendo como grande diferencial essa conexão direta entre os dois países, o que achamos que será um grande atrativo tanto para artistas brasileiros quanto americanos. Sobre o cast da TGM, temos muito prazer em trabalhar com todos os artistas que nos procurarem, desde que a arte seja autêntica e honesta, e eles sejam pessoas confiáveis e profissionais. Não temos restrições de gênero musical, sabemos apreciar e adoramos nos desafiar a produzir estilos diferentes. Contudo, quem nos procura tem que ter em mente que o nosso método de trabalho é bem característico, e que nosso perfil de produção é de sempre experimentar coisas novas, tomar decisões ousadas e tentar trazer algo novo aos ouvintes. Se você é um artista sem grandes ambições, que quer gravar uma música igual a muitas outras que já existem por aí, provavelmente não somos a gravadora ideal para você.

SBE- Apesar de jovem você é bastante focado no seu trabalho. E música é um eterno aprendizado. Você é exigente com você mesmo?

PC:
Absurdamente. Estou sempre tentando melhorar e tentando aprender com os erros. Me satisfaz muito o fato de eu ouvir os meus trabalhos em ordem cronológica e notar uma evolução. Além disso, sempre que estou produzindo um artista, eu fico imerso no processo, ouço muitas referências e fico tendo ideias sobre as músicas 24/7.


SBE - Pra encerrar o que você diria pra quem tem o desejo de trabalhar com produção musical?
PC: Se dedique. Existem muitas pessoas se auto denominando "produtor musical" por aí, mas se você quiser fazer realmente alguma diferença no mundo da música, é preciso se dedicar e não se contentar com o básico. Como foi citado na pergunta anterior, música é um eterno aprendizado, então nunca ache que você já sabe tudo, ou já sabe o suficiente. Experimente, crie, pratique. Descubra de que jeito suas ideias fluem melhor. Apesar de todas as coisas técnicas que eu mencionei, a produção é uma arte e o coração de tudo é você conseguir expressar sentimentos através dela.

sábado, agosto 15, 2020

Notas roqueiras: Pitty, Motticia, Rock Brigade Records, Voice Music...

Pitty (FOTO: DIVULGAÇÃO)

- Há 15 anos, Pitty lançava o seu segundo álbum, “Anacrônico” (Deck), e mostrava que definitivamente não se tratava de uma artista de sucesso passageiro. O disco ajudou a consolidar a o sucesso da baiana, trouxe hits gigantes como “Na Sua Estante” e marcou época para os fãs e banda. Agora, esse aniversário é comemorado com a versão especial do álbum, que chegará dia 21 de agosto aos aplicativos de música, pela gravadora Deck. Além das 13 faixas originais, “Anacrônico (Deluxe Edition)” contará com 3 bonus tracks que jamais haviam sido lançadas em versão de estúdio. Uma delas é “O Muro” — a primeira gravação de Martin Mendonça como guitarrista de Pitty. A música, que já rodava na internet em bootlegs, agora pode ser ouvida oficialmente nas plataformas digitais. Outra novidade é a inédita versão de estúdio de “Seu Mestre Mandou” — um lado B de “Anacrônico” que já havia sido tocada ao vivo mas que a gravação original seguia desconhecida do grande público. Fechando o lançamento, há uma demo feita por Pitty e seu primeiro guitarrista Peu Sousa, “Déja Vù”, gravada ainda durante as sessõe de “Admirável Chip Novo” (Deck, 2003).

- A banda gaúcha Mortticia acaba de disponibilizar um lyric video para a faixa “Ocean of Change”, presente no vindouro EP “A Light in the Black”. Com ilustrações feitas por Vinicius Gut e animação à cargo de Afonso de Lima, o lyric video apresenta novas ideias gráficas, e transforma a temática da história da música com muita originalidade e precisão. Segundo a banda, a característica principal da letra é evidenciar que o presente, passado e futuro estão interligados, e todas as nossas ações podem colaborar para construir uma realidade melhor. Além disso, as ilustrações também trazem um pouco de referências à outras letras do grupo. Assista ao lyric video: https://www.youtube.com/watch?v=K8lbxCaY2ZU

- A joint-venture entre Rock Brigade Records e Voice Music anuncia em primeira mão que fechou contrato com a BMG Licensing para lançar no Brasil o clássico catálogo da Neat Records, com distribuição exclusiva para toda a América Latina e América do Norte. Selo pioneiro, responsável pela descoberta de alguns dos mais representativos nomes da NWOBHM (mas não só), a Neat Records trouxe ao reconhecimento de todo o mundo artistas do porte de Raven, Jaguar, Venom, Satan, Fist, Artillery, Tygers of Pan Tang e muitos outros. Os primeiros lançamentos resultantes do acordo serão o debut do Raven, o clássico Rock Until You Drop, e o segundo álbum do Fist, o inédito no Brasil Back With A Vengeance. Ambos os lançamentos devem estar disponíveis já em agosto de 2020. Na sequência, já estão programados álbuns de bandas como Jaguar e Tysondog. Posteriormente, serão anunciados outros títulos e bandas. As novas edições, todas exclusivas e limitadas a tiragens de 500 CDs, incluirão faixas-bônus, encartes completos com letras e fotos, pôsteres, adesivos e outras surpresas. Conjuntamente, elas formarão a chamada Neat Classic Series.

Arrecadação de direitos autorais em streaming precisa melhorar

Renata Soares Luiz - especial para o Combate Rock/Superball Express*



A pandemia grafou uma nova marca na linha do tempo da música digital. Vivemos a era de ouro das plataformas streaming, cujos acessos crescem substancialmente frente à enorme quantidade de usuários isolados em casa neste momento.

A velocidade da Internet e dos smartphones, aliada à explosão do acervo de músicas armazenadas nesses serviços, são outros fatores que contribuem para o aumento das receitas nessa indústria. O lado ruim dessa história é que a boa fase do streaming não implica a melhoria dos ganhos para os músicos e demais profissionais do setor fonográfico.

De acordo com a Lei de Direito Autoral brasileira nº. 9.610/1998, o streaming é uma das modalidades previstas na lei, pela qual as obras musicais e fonogramas são transmitidos.

 Em 2017, no julgamento do Recurso Especial 1.559.264/RJ, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que as plataformas digitais são consideradas locais de frequência coletiva, caracterizando-se, desse modo, a execução como pública, ainda que transmitido pela Internet, e, portanto, é devida a cobrança de direitos autorais pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).

Com o surgimento e expansão dos serviços de streaming de música, a indústria fonográfica e os profissionais do setor viveram uma grande transformação na forma como os seus trabalhos são consumidos pelo público, e, com isso, não raro, os autores e players da indústria musical se deparam com problemas jurídicos relacionados à prova de sua autoria ou à violação de seus direitos autorais.

Em junho deste ano, uma famosa plataforma de transmissão ao vivo de jogos e streaming de vídeos e músicas, recebeu diversas reivindicações de gravadoras americanas que alegaram violação de seus direitos autorais de acordo com a Lei de Direitos Autorais Americana (DMCA - Digital Millennium Copyright Act), pedindo a remoção de vídeos contendo músicas de fundo, que foram postados entre 2017-2019, sem a devida autorização de seus titulares.

Em 10 de agosto deste ano, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) e a Music Rights Awareness Foundation (MRAF – "Fundação para Conscientização dos Direitos Musicais") uniram forças para criar um Consórcio que objetiva apoiar criadores de música de todo o mundo garantindo que sejam reconhecidos e remunerados de forma justa por seus trabalhos e criações intelectuais, aumentando, também, o conhecimento e a conscientização dos direitos de Propriedade Intelectual, de modo a maximizar o valor de suas criações e forneçer incentivos para os processo criativo em um mercado de conteúdo digital cada vez mais global e interconectado.

O próprio Francis Gurry, diretor geral da WIPO, ressaltou que a atual crise da COVID-19 reforçou a importância das indústrias criativas na sociedade e a necessidade de garantir que os criadores sejam justamente remunerados por seu trabalho por meio de um sistema de direitos autorais eficaz.

Outra medida implementada pela WIPO neste ano é o sistema "WIPO PROOF" (provas digitais confiáveis para bens intelectuais). Ele fornece aos criadores de contéudo intelectual uma impressão digital com carimbo de data e hora de qualquer arquivo, provando sua existência num ponto específico no tempo, de modo a coibir o uso indevido ou apropriação indevida de suas obras.

A música detém valor duradouro para a sociedade. O desenvolvimento da indústria trará mais investimentos em novos talentos e para os artistas e permitirá novas negociações comerciais em contratos para a exploração econômica de direitos autorais, agregando valor econômico para os players do cenário musical em relação aos seus direitos de propriedade intelectual, mais precisamente, os direitos autorais e conexos e as marcas.

Daí a importância das recentes iniciativas da WIPO para a proteção dos direitos de PI, notadamente na indústria da música.

* Renata Soraia Luiz, especialista em propriedade intelectual e sócia de Chiarottino e Nicoletti Advogados

sexta-feira, agosto 14, 2020

Morre Pete Way, baixista do UFO que influenciou gerações

Marcelo Moreira
Pete Way, do UFO (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Pense em um baixista eclético, malemolente, provocador e extremamente hábil. Só um cara desses para tocar em uma banda podreira que virou um ícone do hard rock setentista britânico.

Pete Way, que morreu hoje na Inglaterra aos 69 anos, era esse cara, um precursor do que se tornaria moda nos anos 80, especialmente na Califórnia, com os graves mais bem trabalhados e um groove contagiante.

Way, infelizmente, segue o caminho de um ex-companheiro de banda, Paul Raymond, que morreu meses atrás. Segundo o comunicado oficial nas suas redes sociais, a morte se deu em consequência de um acidente grave que sofreu há dois meses, embora a natureza do acidente não tenha sido informada.

O baixista era o coração da banda UFO, e comandava, enquanto permaneceu no grupo, ao lado do cantor Phil Mogg, fundador e único que esteve em todas as formações nos 50 anos de carreira.

Por outro lado, liderava também os excessos em álcool e drogas - e nisso também serviu de espelho s de bandas os exageros de integrantes de bandas como Motley Crue.

Não foram poucas as vezes em que Way quase morreu por conta das consequências dos excessos - seus problemas no fígado, no pâncreas e nos pulmões era crônicos. Em 2016, resistiu a um ataque cardíaco.

Compositor talentoso e criador de riffs respeitado, também tocou em um projeto paralelo que manteve com Mogg, o Mogg/Way, e o Waysted, nos anos 80, que era quase que uma banda solo - para não falar no trabalho ao lado de Fast Eddie Clark na banda Fastway.

Revezando-se entre o baixo, a guitarra e os vocais, às vezes, formou várias bandas na escola até que surgisse o UFO, que fundou com Mogg, o baterista Andy Parker e o guitarrista Mick Bolton.

Depois de dois álbuns com o guitarrista original, a banda sofreu para acertar com um novo integrante.
Parecia que Bernie Marsden (futuro Whitesnake e Moody-Marsden) iria se fixar, mas simplesmente não apareceu um show na Alemanha, em 1972. Tinha perdido o ista da avião e o próximo não adiantaria pr que chegasse a tempo.

Foi Way quem sugeriu usar o guitarrista da banda de abertura, uma tal de Scorpions, para dar uma enrolada e não perder o cachê e a viagem. 

O moleque de 18 anos, guitarra base do Scorpions, era Michael Schenker, que precisou de menos de duas horas para pegar algumas das músicas tocadas pelo UFO. 

Quando o show acabou, o baixista passou por cima de todo mundo e decidiu convidar Schenker para retornar a Londres e assumir as seis cordas - e, por tabela, escantear e demitir Marsden.

Schenker aceitou e dias depois já era o guitarrista do UFO e ajudou a construir um monstro do hard rock. Foi assim até 1979, quando saiu para a carreira solo - voltaria algumas vezes, mas sempre por pouco tempo.

Se bancou a entrada do alemão, por outro lado teve uma relação bastante tumultuada com o guitarrista, quase sempre de ódio. Way tomava todas, mas aguentava o tranco, enquanto Schenker frequentava dava "perda total".

Não era só isso. Way era mandão e líder e se exasperava quando o alemão desobedecia e ignorava suas orientações. Dois ególatras, até que trabalharam muito tempo juntos se tolerando.

Mesmo com a saída do alemão, as coisas não estavam boas no UFO e ele saiu depois, azedando a amizade com Mogg. 
 
Descontente com a direção mais melódica do UFO no início dos anos 80, saiu para formar o Fastway com Fast Eddie Clarke. 

O Fastway fico conhecido no Brasil pela canção "Say What You Will", tema de abertura do programa Armação Ilimitada exibido pela Rede Globo nos anos 80.
Depois, com o Waysted, enveredou por um hard rock um pouco mais pesado, com boas críticas, mas sem grande popularidade.

A importância de Pete Way é tão grande que foi ídolo de Steve Harris, baixista do Iron Maiden - há muito tempo a banda de metal coloca "Doctor, Doctor", do UFO, como trilha de abertura de seus shows.


Notas roqueiras: Edu Falaschi, Eros, Vocifer...


Edu Falaschi (FOTO: DIVULGAÇÃO)
- O vocalista Edu Falaschi acaba de lançar o making of do Blu-Ray e DVD “Temple Of Shadows In Concert”, com cenas gravadas nos ensaios e entrevistas de bastidores. O vídeo mostra todo o trabalho de um dos maiores eventos já registrados pelo heavy metal no Brasil e apresenta os músicos Edu Falaschi, Aquiles Priester, Fabio Laguna, Raphael Dafras, Diogo Mafra e Roberto Barros, além da presença ilustre de Guilherme Arantes, Kai Hansen, Michael Vescera, Sabine Edelsbacher e da Orquestra Bachiana Filarmônica regida pelo Maestro João Carlos Martins, com os arranjos de Adriano Machado, em cenas inéditas e descontraídas nos bastidores. Assista ao making of: https://youtu.be/inzVLXSRjQQ

- O Eros acaba de disponibilizar aos fãs em seu canal oficial no YouTube, o vídeo inédito em formato de Lyric para a música “Terrorist. Retirado do disco “Back to Wisdom” (2018), o vídeo apresenta uma animação muito bem elaborada, onde imagens, música e letras, envolvem ao espectador em uma fusão precisa criadas pela banda. O vídeo pode ser conferido em https://www.youtube.com/watch?v=u5zh4DHjI8M

- Divulgando seu álbum de estúdio, “Boiuna”, o Vocifer acaba de disponibilizar em seu canal oficial no YouTube o single “Hummingbird”. Ouça em https://youtu.be/DuYDm7VldbQ

Um desfile de shows históricos do Who no YouTube

Marcelo Moreira



São poucos os aspectos razoáveis da pandemia de coronavírus que podemos louvar, já que não nos resta muito a fazer. Com o confinamento por conta do isolamento social, pudemos, em tese, ter mais tempo livre para leitura, para ouvir velhos LPs e CDs, além de se dedicar a maratonas de séries de TV.

Pensando no ócio dos roqueiros, muitos artistas deram verdadeiros presentes ao lançarem shows legais em modo digital para venda ou disponibilizaram me plataformas digitais shows em vídeo.

Talvez os mais ousados tenham sido Metallica e The Who. O quarteto britânico, no entanto, foi além e anunciou a liberação de um show histórico por semana em seu canal no YouTube, que ficará no ar apenas por uma semana. Serão seis shows, que serão anunciados apenas na véspera da exibição.

A iniciativa faz parte da Join Together Series @, uma iniciativa beneficente que prol de duas organizações que dão suporte a tratamentos de câncer infantil e juvenil nas quais o vocalista Roger Daltrey é um dos patronos. Saiba mais aqui.

O primeiro deles ocorreu no sábado, dia 8 de agosto. A banda colocou no ar a apresentação de 13 de outubro de 1982 no Shea Stadium, em Nova York.

Da turnê daquele ano, que então será a despedida da banda, existem pelo menos mais dois shows históricos, o de Seattle e o segundo de Toronto, realizado em 17 de dezembro, que deveria ser o último da carreira - a banda acabaria voltando em 1989.

Tocando no mítico Shea Stadium, com abertura de The Clash, The Who emulava o famoso show dos Beatles de 1965, quando os 65 mil ingressos evaporaram em minutos naquele que, por muito anos, sustentou o recorde mundial de público em show de rock.

A banda tinha decidido encerrar as atividades após 18 anos ininterruptos e escolheu a América do Norte para lucrar um pouco mais.

No Shea Stadium, banda entrou com raiva e fez uma boa apresentação, embora ainda predominassem o nervosismo e um certo desentrosamento, que provocaram alguns errinhos nada comprometedores.

A banda arriscava alguns números do álbum mais recente, "It's Hard", como a faixa-título e "Eminence Front", além de "Dangerous", e recuperava alguns clássicos, como "Love Reign O'er Me" e "Long Live Rock". No show de Toronto, o último, o grupo estava totalmente afiado e redondinho.



Para as próximas semanas arriscamos alguns palpites de shows bons, mas não tão óbvios, como aqueles que saíram em DVD:

- Monterey Pop Festival, 1967 - Poucas vezes exibidos na íntegra, os shows daquele importante festival, o primeiro dos megaeventos de rock, é considerado histórico porque apresentou o Who para os norte-americanos em meio à disputa de protagonismo com Jimi Hendrix Experience. Os ingleses conseguiram ganhar a parada e tocaram antes, impressionando com a quebradeira de instrumentos ao final. Hendrix veio em seguida e pôs fogo na guitarra.

- Woodstock Festival, 1969 - Outro show raramente exibido na íntegra, traz o quarteto no auge da forma e exibindo pela primeira vez ao vivo partes da ópera-rock "Tommy", então recém-lançada. Foi um show pesado e intenso, esbanjando energia.

- Isle of Wight, 1970 - O show do festival da ilha inglesa foi editado em DVD de ótima qualidade, mas é emblemático por ser o fim de uma era, assim como Altamont foi para os Rolling Stones, meses antes, com toda a sua confusão e tensão. O Who avançava para o som ainda mais hard rock e delineava o que estava por vir, o projeto fracassado "Lifehouse", que daria origem ao fantástico disco "Who's Next" no ano seguinte.

- Charlton, 1974 - As imagens não são muito boas, mas é interessante a apresentação por representar a transição da banda para um som mais comercial e menos pesado ao vivo. Apesar do evento meio caótico no estádio do time de futebol londrino Charlton F.C., a banda estava relaxada no palco, estranhamente, já que havia muito tensão entre os membros na realidade administrativa. A banda comemorava dez anos de atividade.

- Pontiac Silver Dome, Detroit, 1975 - Muito se fala no show de Austin, no Texas, que virou DVD neste século, mas a grande apresentação ocorreu um pouco antes,em Detroit. Era a turnê do disco "By Numbers" e o quarteto se mostrou com a faca nos dentes, pronto para a guerra. A qualidade do som conseguida é tão boa que algumas músicas foram para o álbum "The Kids Are Alright", trilha sonora do documentário de mesmo nome, de 1979.

- Kilburn, 1977 - Também editado em DVD, é pouco conhecido, apesar disso. É nada mais nada menos do que a última apresentação ao vivo de Keith Moon, em 15 de dezembro de 1977, no famoso teatro londrino de Kilburn. A banda toca com raiva, mas parece meio desajeitada, errando mais do que o normal - como se isso fosse impedimento para ver o furacão sonoro que a banda continuava a ser naquele ano. Erroneamente, muitos dizem que o último show de Moon foi em 1978, nos Shepperton Studios, na gravação das músicas "Baba O'Riley" e "Won't Get Fooled Again" para o documentário "The Kids Are Alright". Havia público para as duas execuções, mas era formado por amigos, familiares, pessoal que trabalhava com a banda e algumas dúzias de fãs. E foram apenas duas músicas.

- Hyde Park, Londres, 1996 - Apresentação da banda em um festival ocorrido em Londres, que também teve Bob Dylan. O Who surpreende e aparece com o luxuoso auxílio de David Gilmour, do Pink Floyd, na guitarra solo. Foi um dos pontos altos daquela turnê, que revisitava o repertório do álbum "Quadrophenia", de 1973. O show foi transmitido por TV a cabo.

- Bridge Benefit, Estados Unidos, 1999 - É praticamente o único concerto eminentemente acústico do Who em toda a sua carreira de 56 anos. Ocorreu por conta do festival beneficente organizado por Neil Young para arrecadar dinheiro para pesquisa e assistência a pessoas acometidas por doenças relativas à paralisia cerebral. Dois dos filhos de Young sofrem de problemas relativos a isso. Neste show vemos a banda mais enxuta, sem os músicos adicionais, bem descontraída e se divertindo com os novos arranjos. Simon Townshend, guitarrista irmão de Pete Townshend, participa, tendo Zak Starkey na bateria.

- Las Vegas, 2002 - Início da turnê norte-americana daquele ano, foi o primeiro show após a morte de John Entwistle dias antes em uma suíte de hotel, devido a um ataque cardíaco provocado por overdose de cocaína. Rápido e ligeiro, Townshend engoliu o luto e trouxe do País de Gales Pino Palladino, antigo colaborador de sua carreira solo. O show é histórico porque a banda engatou a marcha e seguiu em frente mesmo enlutada e com Palladino lutando pra se adequar ao repertório mesmo tendo quatro dias para aprendê-lo.

- Roundhouse, 2006 - Outro show transmitido pela TV, embora sem tantos cuidados de edição. Era o show de abertura da turnê mundial do álbum "Endless Wire" e teve o patrocínio da BBC, que requisitou um velho, pequeno e charmoso teatro londrino pra celebrar aquele momento importante, com o primeiro álbum de inéditas da banda desde 1982.

- Glastonbury, 2015 - Habitual frequentador do festival britânico, o Who estava em plena comemoração dos 50 anos de carreira e brindou a enorme plateia com um show sublime e com muito vigor para músicos septuagenários. Muitos dizem que foi o ponto alto daquela turnê.

- Rock in Rio, 2017 - A primeira visita à América do Sul se tornou o fato musical do ano no rock em 2017. Naquela que então deveria a ser a turnê antes da aposentadoria dos palcos, a banda mostrou muita vitalidade e surpreendeu o público que conhecia a banda superficialmente. Um desfile de hits e clássicos do rock que ofuscou gente como Guns N'Roses e Alice Cooper.

quinta-feira, agosto 13, 2020

Notas roqueiras: Paulo Baron, Roadie Festival...

Paulo Baron (FOTO: DIVULGAÇÃO)
- O empresário Paulo Baron, um dos maiores do ramo na América Latina, lançou  o “Rocking Your Life: A Masterclass Definitiva do Show Business”, uma iniciativa que pretende ser referência no estudo do mercado musical e do empresariamento de eventos de entretenimento e área de fotografia "A masterclass traz a oportunidade de conhecer o mundo por trás do espetáculo, com uma visão 360°, abrangendo um panorama completo, desde a parte técnica até o público final", diz o empresário. Em 57 aulas, Baron compartilha seus conhecimentos adquiridos em 31 anos de carreira, dividindo experiências com grandes nomes do mercado, através de painéis, passando por produtores, artistas, técnicos de instrumentos, casas de shows e muito mais. Entre as personalidades que colaboraram com depoimentos para o projeto estão Dee Snider (Twisted Sister), Alberto Rionda (Avalanch), Jimmy London (Matanza/Jimmy & Rats), Marcelo Barbosa (Angra), Thor Moraes (Banda Malta), Júnior Bass Groovador, Bruno Sutter (Massacration), Roy Z (Bruce Dickinson/Andre Matos/Judas Priest)
Alexandre Russo (que trabalhou com Angra/Sepultura/Massacration/Project46/Megadeth), Mike Monterulo (Ceo Tko Co/Anthrax Manager), Baffo Neto (Hoffman & O’Brian/Honor Sounds/Tour Manager de bandas como Marillion/Angra/Creedence Clearwater Revisited), Rodrigo Ratto (Ditto Music) e Luiz Garcia (Head of International Marketing Universal Music Brasil). Para mais informações acesse www.rockcentury.com.br

- A revista Roadie Crew, em parceria com a produtora Som Do Darma, apresentam nesta sexta-feira, no dia 14 de agosto, às 19h30, a quinta edição do "Roadie Crew - Online Festival". O já tradicional evento online, realizado mensalmente, dá continuidade à sua missão de celebrar e promover o trabalho das bandas brasileiras e fortalecer a cena do heavy metal nacional, sempre com transmissão "Streaming-Live" exclusiva pelo canal oficial da Roadie Crew no Youtube - www.youtube.com/roadiecrewmagtv. Essa quinta edição, referente ao mês de agosto de 2020, traz 17 bandas, todas apresentando conteúdo exclusivo e inédito. Os vídeos, um por banda, continuam sendo, na maioria, produzidos pelos músicos em suas casas. Vídeos de colaboração, playthroughs, solos, gravações ao vivo inéditas, entre outros formatos pouco comuns. As bandas confirmadas para esta edição são: Stress, Mutilator, Genocídio, Attomica, Soulspell, Ajna, Aquaria, Wolfheart, Deathgeist, Adellaide, Crucifixion BR, CxDxFx, Pesta, D.A.M., Pandemmy e uma colaboração entre Imago Mortis e a banda Lived tocando Killing Joke.

Serviço:

"Roadie Crew - Online Festival" – 5ª Edição
Data: 14 de Agosto de 2020
Horário: 19h30
Local: Canal da Roadie Crew no Youtube - www.youtube.com/roadiecrewmagtv
Bandas: Stress, Mutilator, Genocídio, Attomica, Soulspell, Ajna, Aquaria, Wolfheart, Deathgeist, Adellaide, Crucifixion BR, CxDxFx, Pesta, D.A.M., Pandemmy, Imago Mortis e Lived.
Horários No Exterior (Time Zone): August 14th – 05:30 pm – Lima, Quito, Bogotá, Monterrey Time | August 14th – 06:30 pm – Santiago, La Paz, Asuncion, Havana, New York Time | August 14th – 07:30 pm – Buenos Aires, Montevideo Time | August 14th - 11:30 pm - London Time | August 15th - 12:30 am – CET and Johannesburg Time | August 15th - 01:30 am - Moscow Time | August 15th - 02:30 am - Dubai Time | August 15th – 05:00 am – New Delhi Time | August 15th – 06:30 am – Hong Kong Time | August 15th – 7:30 am – Tokyo Time | August 15th – 8:30 am – Sidney Time

Midnight Oil lança clipe da música ‘Gadigal Land’, a primeira inédita em 17 anos

Do site Roque Reverso


Peter Garrett, do Midnight Oil (FOTO: DIVULGAÇÃO)
O Midnight Oil lançou no sábado, 8 de agosto, o clipe da música “Gadigal Land”. É a primeira faixa inédita da veterana banda australiana em 17 anos.

A direção do clipe é de Robert Hambling.

A música conta com participações da cantora Kaleena Briggs, do músico Bunna Lawrie, do cantor Dan Sultan, além de uma seção lírica escrita pelo poeta Joel Davison.

“Gadigal Land” foi liberada para audição em 6 de agosto, dois dias antes do clipe oficial.

É a primeira amostra do que a banda chamou de “mini-álbum”, cujo título escolhido é “The Makarrata Project” e que tem o mês de outubro para o lançamento oficial agendado.

Sempre antenada politicamente e com o lado sócio-ambiental e a defesa, entre outros, do povo aborígine, o Midnight Oil aproveita o disco para tocar em pontos importantes relacionados à Austrália, terra natal do grupo.

A banda cobra ações do país em relação aos povos que habitaram inicialmente o país.

“Sempre fomos felizes em dar voz àqueles que clamam por justiça racial, mas realmente parece que chegamos a um ponto crítico. Instamos o governo federal a seguir as mensagens da Declaração do Coração de Uluru e a agir de acordo. Esperamos que esta música e o mini-álbum ‘The Makarrata Project’ que criamos ao lado de nossos amigos das Primeiras Nações possam ajudar a iluminar um pouco mais a necessidade urgente de uma reconciliação genuína neste país e em muitos outros lugares também”, escreveu o grupo, no release de lançamento da faixa inédita.

Segundo o Midnight Oil, o lucro gerado pelo novo trabalho será destinado a mais essa nobre causa.

Notas roqueiras: Final Disaster, Venomous, Elvis Presley...

Final Disaster (FOTO: DIVULGAÇÃO)

- O Final Disaster lança nas plataformas digitais o EP “Unplugged (From The Rest of The World)”, material acústico que conta com quatro faixas. “Unplugged (From The Rest of The World)” foi produzido por Raphael Gazal. A capa do EP é de autoria de Fabiula Santos. O vocalista Kito Vallim falou sobre esse EP: “A ideia de lançar “Unplugged (From The Rest of The World)” surgiu durante a quarentena. Com shows, ensaios e gravações sendo postergados, cancelados e adiados, nos vimos obrigados a buscar formas de lidar com o confinamento, excesso de informações controversas e falta de atividades da banda de alguma forma. No meio de uma pandemia e com picos registrados de pessoas sofrendo de ansiedade e depressão, surge a ideia de desacelerar um pouco as coisas, fazer músicas mais introspectivas e reflexivas. Assim nascia o “Unplugged (From The Rest of The World)”.

- Em pouco tempo de atividade, o grupo paulistano de melodic death metal Venomous lançou os álbuns "Defiant" (2018) e "The Black Embrace" (2019), além dos singles "Penitence" (2018) e "Black Embrace" (2019). Fora isso, acumula duas turnês pela Europa, shows de abertura para Vader, Jinjer, Cavalera, Tim "Ripper" Owens, Cavalera e Korzus. Não, nem a pandemia que assolou o mundo fez com que Tigas Pereira (vocal), Gui Calegari e Ivan Landgraf (guitarras), Renato Castro (baixo) e Lucas Prado (bateria) deixassem de lado o que planejavam. Assim, o quinteto está finalizando seu novo trabalho, "Tribus", programado para sair no dia 9 de outubro. "Esse trabalho é um marco para a banda. Trata-se de nosso terceiro lançamento oficial em três anos consecutivos, onde trazemos um conceito que engloba os dois trabalhos anteriores", apontou o guitarrista Ivan Landrgraf. Produzido e gravado por Rogério Wecko e Venomous no estúdio Dual Noise (SP) e com arte de capa por Ricardo Bancalero, "Tribus" terá lançamento mundial através do selo americano Brutal Records e, no Brasil, pela Rock Add Records. O guitarrista Gui Calegari revela que "Tribus" traz a faixa "Unity", encerrando uma trilogia iniciada em "Defiant" e seguida por "The Black Embrace". "Em 'Unity', refletimos sobre questões da humanidade e da nossa história decorrentes da globalização e do Pós-guerra fria, de como o mundo está se tornando uma unidade multipolar em oposição à bipolaridade que se vivia com duas super potências", explicou Calegari. "Além disso, também fechamos, com 'Eerie Land', um primeiro ciclo de músicas com a temática brasileira, representado por 'Green Hell' e 'Heirs of a Dream'", acrescentou Calegari.

 - O Sesi São Paulo realiza no próximo domingo (16), às 17h, live especial para homenagear o 43º aniversário da morte do astro Elvis Presley com o grupo musical Elvinho and Remember the King Band. A apresentação acontece sem público, no Centro Cultural Fiesp (CCF). A live "Elvis is Back in the Building" será transmitida pelos canais do Sesi-SP no YouTube e Facebook (bit.ly/ElvisIsBackInTheBuilding
ou Facebook: bit.ly/Elvis-Is-back-in-the-building). Todos os artistas manterão as regras de distanciamento recomendadas e as necessárias medidas preventivas serão adotadas no palco. Para que a live Elvis is Back in the Building aconteça, o Espaço Saúde Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai encaminhou aos músicos e a todos os integrantes da equipe técnica do evento, no início desta semana, um termo de orientação quanto aos cuidados e às medidas que precisam ser seguidas antes e durante a apresentação. Todos os envolvidos no concerto usarão máscaras cirúrgicas de dupla camada, que oferecem um grau de proteção ainda maior do que as de tecido, e são indicadas preferencialmente para grupos específicos ou de alto risco de contaminação ou transmissão. Além de cumprir o distanciamento adequado, que será 1,5 metros entre si, os participantes irão dispor de álcool gel para uso.

Paul Weller resgata o folk pop sofisticado em 'On Sunset'

Marcelo Moreira

  

Ele gostava de ser o ponto fora da curva. Foi no caminho oposto dos punks quando a moda era ser punk. Decidiu ser um mod com com 15 anos de atraso, causando espanto até mesmo em Pete Townshend, o mentor do Who, que liderou por um tempo os movimento mod. Não bastasse isso, resolveu investir no jazz quando todo mundo ia para a new wave, o pós-punk e o hard rock.

Paul Weller era do contra não apenas por ser do contra. Queria apenas fazer o que tivesse vontade sem estar preso às convenções de mercado. Não é um anarquista nem um rebelde. É apenas um radical livre, se é que é possível adaptar a expressão da química ao mundo da música.

Um dos gigantes de sua geração, Weller, aos 62 anos, investe em mais uma guinada na carreira, digamos assim, com seu novo álbum, "On Sunset",  recém-lançado.

Se o pop com resquício de new wave rendeu grandes obras nos anos 90, como o ótimo "Wild Wood", agora é a versão bardo que Weller abraça.

Com muito bom gosto para a criação de harmonias e uma mão direita no violão que embala o melhor que o folk britânico pode produzir, o músico construiu belas peças sensíveis e etéreas, que passeiam por uma gama de influências que vão do rockabilly ao punk rock.

"On Sunset" é mais lírico que os mais recentes trabalhos de sua autoria, e inaugura um estilo mais contemplativo e reflexivo, deixando um pouco a rebeldia de lado - mas só por alguns momentos.

Weller constrói paisagens lúgubres ao mesmo tempo em que enxerga otimismo nas sombras e em situações tempestuosas. "Mirror Ball", por exemplo, transborda melancolia, ainda que parte da letra seja forte.

A faixa-título, em suas duas versões, realça o intimismo e a introspecção, retomando o tom reflexivo em cima de base de violão que mais parece ma trilha sonora de seriado inglês.

"Village" vai pelo mesmo caminho, embora transpire emoções variadas e consiga transmitir uma mensagem mais otimista. Seus arranjos de cordas são sensacionais.

Há outras boas ideias, como em "Baptiste", que surpreende pelos arranjos à la word music, e "Earth Beat", onde Weller explora mais uma série de camadas sonoras repletas de influências diversas. "Old Father Tyme", por sua vez, recupera as raízes folk britânicas e traz um complexo jogo rítmico que é, no mínimo, instigante.



Uma voz punk em busca da melodia 

Ao explodir com The Jam, em 1977, Paul Weller juntou o melhor dos mundos da época: a urgência punk com a miscelânea de influências da cultura mod, uma decisão certeira que diferenciou o trio do restante do punk inglês setentista.

Guitarrista de ótimo calibre e excelente compositor, conseguiu transitar do rock puro e básico pop mais sofisticado e de qualidade, seja com a banda The Style Council, que formou depois do fim de The Jam, ou em sua carreira solo, inaugurada nos anos 90 - escute o álbum "Stanley Road", uma das jóias do pop inglês de todos os tempos.

"Nunca me senti integrado no movimento punk. Para mim era tudo igual, um monte de bandas boas querendo mostrar seu trabalho e aparecer. A concorrência era enorme e fortíssima, ou você se diferenciava ou então ficava pelo caminho", disse o guitarrista em uma entrevista à revista Q nos anos 90.

Antes de ser opção, o revival do movimento mod era uma necessidade. "Cresci ouvindo de tudo, mas era óbvio que era fissurado por [Pete] Towshend e The Who, The Kinks, Small Faces e outras bandas inglesas que tinham raízes no rhythm & blues. Sempre gostei de rock, mas também de músicas bem arranjadas."

Não é à toa que The Jam fez versões maravilhosas para duas canções obscuras do Who, "So Sad About Us" e "Disguises", além de "David Watts" e "Waterloo Sunstet", clássicos dos Kinks. "Get Yourself Together", dos Small Faces, foi outra pérola sessentista que ganhou uma versão bacana.

E por que o jazz recebeu a sua atenção com o Style Council? "Não foi uma cooisa planejada, ou muito planejada. Eu e Mick (Talbot, tecladista que completava a formação original, depois expandida) éramos amigos e tínhamos muitas afinidades. Aquela sonoridade nos era muito familiar e surgiu naturalmente", disse Weller à BBC Radio anos atrás.

E foi assim que, de forma natural e genial, surgiram clássicos pop como "Headstart for Happiness" e "My Ever Changing Moods", músicas fantásticas que estão no topo dos grandes hits oitentistas.

Prevendo que 2018 seria um ano de celebrações além dos 60 anos de idade, Weller cometeu um dos grandes álbuns de 2017, "A Kind Revolution", uma espécie de resumo de sua longínqua carreira de 42 anos.

Tem de tudo ali, do punk mais engajado ao pop mais sofisticado embebido por jazz, soul e até mesmo rhythm and blues mais moderno, com elementos eletrônicos e letras impecáveis.

Paul Weller é daqueles artistas que dão sentido à cultura musical pop, tão necessário e inteligente quanto um dia foi David Bowie. "Stanley Road" e "A Kind Revolution" são as maiores provas disso.

Clique aqui para ver uma lista das 20 principais músicas de Paul Weller.


quarta-feira, agosto 12, 2020

Ir à escola não pode, mas tem artista defendendo a volta dos shows e dos bares

Marcelo Moreira

FOTO: SESC DOM PEDRO II
Você deixaria seu filho ir para a escola em tempos de pandemia fora de controle?

A pergunta, feita de forma inquisidora e praticamente induzindo a resposta, foi feita nas redes sociais por um músico com certo prestígio no meio roqueiro, pai de dois adolescentes e de uma criança que estuda no ensino fundamental.

O curioso é que o mesmo cidadão, apoiado por um grupo de seres que têm preguiça de pensar, é um ativista, digamos assim, pela volta rápida dos shows e do entretenimento no Brasil para que os músicos possam trabalhar.

Qual foi a parte do isolamento e do distanciamento social esse idiota não entendeu? Então essas coisa só valem para as crianças, mas não para os fãs de rock? E nem para quem frequenta bares?

Em algumas bolhas, essa bobagem está sendo discutida de forma séria. Gente que tem medo de enviar os filhos para a escola (com razão) esquecem tal posição na hora de defender a volta aos shows, do chopinho no bar e das aglomerações nos shoppings e ruas de comércio popular.

Deformação de caráter, oportunismo ou burrice extrema? As três coisas, na verdade. O índice de desinformação e de mau caratismo é alto entre essa gente, que votou esmagadoramente na excrescência que ocupa o Palácio do Planalto, o funesto e incompetente Jair Bolsonatro.

Primeiro foi o negacionismo, depois a campanha bovina contra a "gripezinha" e, finalmente, a adesão desconfiada sobre a gravidade da covid-19, culminando com o pânico com o eventual retorno às aulas em todas as escolas e faculdades. O que explica esse comportamento estúpido?

Diante raiva e da cegueira ideológica, o único argumento para defender tal contradição é xingar o questionador de comunista e de vagabundo.

Tudo bem que faz todo o sentido burrice combinar com bolsonarismo e negacionismo, mas como justificar isso quando a realidade insiste em estapear os estúpidos e escancarar a burrice extrema?

Não basta ser idiota, tem de chancelar e idiotice e diplomá-la.

Direitos autorais: urgência em votação de projetos assusta mercado musical

Marcelo Moreira

Em plena pandemia de coronavírus mais ativa do que nunca, a indústria da cultura está sofrendo novos ataques, desta vez na área financeira e com origem no governo federal e no Congresso.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, do alto de sua incompetência e ignorância, decidiu que o livro é um artigo de luxo, um mimo das elites, e que teve ser taxado ainda mais - ou sofrer sobretaxa - como forma de "amenizar" a queda de arrecadação de impostos. 

É claro que não será o único produto a ser taxado, mas qualificar livro como produto "de elite, supérfluo e taxável", com aumento de imposto ou retirada de isenções, não é apenas um caso grave de insensibilidade: é uma preocupante deformação de caráter, que trata a cultura e as artes como coisas descartáveis e marginais, sem falar na ignorância da crise profunda que o setor vive.

Aparentemente alinhada a certos interesses anticultura e antiarte, parlamentares se unem para erodir os direitos autorais de compositores de música na tentativa de garantir a urgência de votação, na Câmara dos Deputados, de um projeto que visa dar isenção a setores da sociedade no pagamento de tais direitos. Essa votação pode ocorrer ainda nesta semana, ou máximo, na semana que vem.

Os Projetos de Lei 3.968/1997 ( de autoria de Serafim Verzon, do PDT-SC) e 3.992/2020 (de autoria de Geninho Zualini, do DEM-SP), que estão previstos para entrar na pauta em caráter de urgência nesta semana, preveem a isenção do pagamento de direitos autorais por órgãos públicos, hotéis e outras entidades. O rombo na arrecadação de direitos autorais para artistas pode ultrapassar R$ 100 milhões, segundo as entidades do setor.

É mais um golpe baixo contra uma área que sempre foi vista como inimiga pelo governo federal e que mexe em um assunto sensível que é a arrecadação de direitos autorais, que sofre críticas milenares de todos os lados. 

O mais odioso é que o assunto retorna em meio à pandemia que atingiu em cheio a indústria da música e do entretenimento, com o cancelamento de shows, produções culturais, eventos e festivais zerando a fonte de renda de milhares de profissionais. 

Com mais de 100 mil mortos e a doença ainda longe do controle, será que os parlamentares não têm coisa mais importante para se preocupar?

Assunto delicado

Por mais polêmica que seja a questão, é um assunto que, sem a devida análise e sem o necessário debate com a classe artística e a sociedade, pode agravar ainda mais a crise do setor musical. 

Em carta aberta enviada aos 513 deputados federais, um grupo de mais de 30 entidades setores Musical, Audiovisual, Editorial, bem como entidades de representação de classe, como a Comissão Federal de Direitos Autorais da Ordem dos Advogados do Brasil, manifestaram discordância sobre a tramitação dos PLs em caráter de urgência. 

O texto defende que alterações na Lei de Direitos Autorais só deveriam ocorrer após amplo debate e consulta em tempo hábil às entidades que dependem da regulação de direitos autorais. 

 A União Brasileira de Compositores (UBC), é uma das signatárias da carta endereçada aos parlamentares. Represente de mais de 35 mil associados, entre autores, intérpretes, músicos, editoras e gravadoras, e responsável pela distribuição de cerca de 60% dos direitos autorais de execução pública musical no país.

"Em caso de aprovação, a lei provocará um baque de arrecadação superior a R﹩ 100 milhões por ano, sendo R$ 50 milhões provenientes de hotéis", diz Marcelo Castello Branco, diretor-executivo da UBC.

Segundo ele, ps autores têm o direito de defender seus direitos, mas sem este falso e oportunista clima de urgência. "O direito autoral é constitucional, reflete acordos internacionais e não pode ser vitimizado justamente pelo setor que mais contribui, que é o do turismo. É uma punhalada nas costas num momento em que ambos setores, o cultural e o de turismo, deveriam, mais do que nunca estar trabalhando juntos numa retomada de atividades."

A Associação Brasileira de Hotéis (ABIH), em nota, afirma que o valor pago pela hotelaria anualmente ao Ecad é de R$ 22,5 milhões, sendo que o pleito não é deixar de pagar, mas excluir apenas o referente aos apartamentos.
“Apoiamos os artistas, tanto que eles fazem muitos shows nos nossos hotéis. Por isso, concordamos e achamos justo pagar o Ecad referente as áreas comuns. Os apartamentos, porém, conforme entendimento da Lei Geral do Turismo, são extensões da residência dos hóspedes e o que ouvem ou assistem, não é de nossa responsabilidade”, explicou Manoel Linhares, presidente da ABIH Nacional, em declaração ao portal Mercado e Eventos.
Linhares revelou que segue na articulação para a aprovação da emenda. O dirigente prometeu divulgar amplamente o nome daqueles que votarem contra a proposta. “A hotelaria gera 1,1 milhão de empregos e os deputados precisam ter esta consciência”, finalizou.

O texto enviado aos parlamentares diz que "alterações na legislação de direito autoral não devem ser analisadas de afogadilho, em especial alterações que tenham por finalidade modificar o Capítulo IV - Das limitações aos direitos autorais. Alterações na legislação de direito autoral não devem ser analisadas de afogadilho, em especial alterações que tenham por finalidade modificar o Capítulo IV - Das limitações aos direitos autorais".

Entre as entidades que assinam a carta estão OAB, Ecad, Cisac, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), União Brasileira de Compositores, (UBC) Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), entre outras.

Crise prolongada

O projeto é um desdobramento da Medida Provisória 948/20, editada no primeiro semestre e que usa a crise causada pelo coronavírus para mudar a forma de remuneração dos direitos autorais em eventos públicos ou privados, dando obrigatoriedade de pagamento apenas a intérpretes das canções.

Essa posição é defendida, por exemplo, por um deputado federal do PSB-PE, Felipe Carreras, que chegou a debater o assunto na internet com a cantora Anitta.

Na conversa, meio sem convicção, Carreras afirmou que afirmou que "fez uma emenda e apoia a MP pelo artista que pede transparência do Ecad". O Escritório de Arrecadação é responsável pela cobrança dos direitos autorais que devem ser repassados a artistas e compositores.

O deputado afirma ainda que o Ecad não trabalha de forma transparente e diz que a instituição precisa ser reformulada. "Você sabe para onde foi o dinheiro que você pagou para o Ecad dos seus últimos shows?"

A entidade rebateu os argumentos do deputado e informa que todos os seus procedimentos são transparentes e que os artistas sempre tiveram acesso às informações.

Falta de diálogo

Não é de hoje que a classe artística, independente do matiz ideológico, cobra uma reformulação do sistema de arrecadação de direitos autorais no Brasil e questiona a forma de atuação do Ecad.

Já houve denúncias de que supostos fiscais do órgão teriam tentado fazer cobranças in loco de festas de casamento e de aniversário em condomínios por conta do som ambiente.

Por outro lado, músicos e compositores afirmam que há falhas e omissões enormes na abordagem pra cobrar quem de fato tem que pagar, para não mencionar outros questionamentos a respeito da distribuição e pagamentos. 

A entidade sempre rebateu as acusações e informa que mantém suas informações e seus dados à disposição e que há transparência em suas atividades.

O fato é que a urgência na análise e votação de dois projetos de lei não se justifica sem um amplo debate, ainda mais quando existem alegações de prejuíos grandes parte de um dos lados, ainda mais em tempos de pandemia. 

Se já passou da hora de haver uma discussão séria a respeito da reformação do Ecad, não é de uma hora para outra, com um forte lobby da indústria hoteleira, que isso deva acontecer de forma célere e sem uma participação maior da sociedade.






Notas roqueiras: Hugo Mariutti, Martin Kishi & Gui, NDK...

Hugo Mariutti (FOTO: DIVULGAÇÃO)
- O guitarrista e produtor musical Hugo Mariutti (Shaman) lança seu novo single solo e videoclipe para a música inédita “Why”. A faixa é uma prévia do terceiro álbum do músico e conta com a participação da vocalista Gabrielle Rousseau e teve a bateria gravada por Edu Cominato. A letra é uma composição de Hugo Mariutti e tem muito a ver como o momento que estamos vivendo no mundo. Assista ao videoclipe de “Why”: https://youtu.be/WvG01PtLF8o. “Essa música faz parte dos singles que venho lançando e que estarão no meu terceiro álbum, que ainda não tenho uma previsão de lançamento. É uma música com um tema muito forte que vivemos faz muito tempo, os problemas de imigração no mundo, os preconceitos, crianças desamparadas. A música tem participação de uma grande amiga e grande cantora Gabrielle Rousseau. Quando mostrei a música para o Edu Cominato, que é o baterista que sempre me acompanha, ele me deu a ideia que seria muito legal ter uma voz feminina junto no refrão, e realmente tinha razão. A Gabrielle tem um estilo muito legal, que funcionou perfeitamente com o estilo da música”, disse o guitarrista Hugo Mariutti.

- A banda NDK está divulgando a faixa "Lua". Com participação do grupo Maquinamente, "Lua" é a primeira amostra de "O Selenita", terceiro álbum de estúdio da banda que tem o lançamento previsto para o final deste ano. Como "selenita" significa hipoteticamente o habitante da lua, a banda fez jus ao título do álbum e preparou uma viagem para o espaço sideral. Ao todo, serão 16 faixas, cada uma representando um componente do Sistema Solar: A viagem começa na "Lua", com a canção que fala sobre a gravidade e as mudanças que enfrentamos ao decorrer do tempo. O produtor do single é o baiano Tomás Magno, que já produziu outras faixas da banda como "Missão", "O Necessário" e "Em Mim". Tomás Magno também assina a mixagem, que foi masterizada por Carlos Freitas da Classic Master na Florida/EUA. "Terra", "Lua", "Marte", "Saturno" são outras canções que compõe "O Selenita". Além do conceito interplanetário, o NDK chamou uma galera de peso e de diferentes gêneros para participar. Egypcio (Tihuana), Manchete Bomb e Dieguito Reis (Vivendo do Ócio), os gêmeos Keops e Raony, entre outros, incluindo a banda de rock uruguaia Cuatro Pesos de Propina.   

- Martin Mendonça, Gui Almeida e Paulo Kishimoto, que formam a banda de apoio da cantora Pitty, se juntaram para criar o álbum “Martin, Kishi & Gui, Vol. 1”, que chega hoje (31) aos aplicativos de música, pela gravadora Deck. O disco foi gravado remoto, com os músicos produzindo suas partes nos próprios home studios. Martin Mendonça (guitarra), Gui Almeida (baixo) e Paulo Kishimoto (teclados) trouxeram suas ideias e cada um gravou, em totalidade, três das nove faixas do repertório, tornando-o variado e com um pouco das influências e inspirações de cada artista. As faixas de Kishimoto ainda contaram com participações de Mônica Agena — em “Two Lines Of Tought” e “Line Of Tought” — e Pedro Prado — em “Focused”. Inteiramente instrumental, o álbum é definido por Martin como “bem introspectivo, um retrato de si mesmo”. Repleto de sintetizadores, o disco alinha sons eletrônicos com guitarras e baixo, explorando timbres lo-fi e chiptunes — melodias ao estilo de trilha sonora de videogames antigos. “Quando estamos só nós três é muito diferente, mas uma coisa sempre se mistura com a outra para somar. Esse entrosamento a gente ganhou através dos anos de rolê com Pitty”, completou. Escute o álbum, em https://martinkishiegui.lnk.to/MartinKishieGuiVol1PR.