sábado, novembro 05, 2011

Blues Brothers podem virar série de TV 31 anos depois

O projeto era para ser sigiloso, mas parece que sigilo não é algo que se possa guardar por muito tempo neste século XXI. Com a enxurrada de bandas-tributo à banda-combo-trupe de TV Blues Brothers e diversos projetos já sendo preparados para 2012 - ano que marca o 30º aniversário da morte do ator John Belushi -, o comediante Dan Aykroyd finalmente cedeu e participa da elaboração de uma série de TV baseada na famosa banda fake de blues. O canadense Aykroyd, segundo site norte-americano MSN Entertainment, conseguiu o apoio da ex-esposa de Belushi, Judy, e já está consultando executivos de empresas do ramo para viabilizar o projeto. Até o momento, por enquanto, a coisa ainda está no campo das ideias, mas o mercado fonográfico já dá como certa a realização do seriado. The Blues Brothers ficaram mundialmente conhecidos com o estrondoso sucesso do filme homônimo de 1980 (no Brasil ganhou o nome de “Irmãos Cara-de-Pau”). Sua trilha sonora conta com astros da música norte-americana como James Brown, Aretha Franklin, Ray Charles, Steve Cropper e a própria dupla de atores nos vocais de alguns sucessos do blues – com Belushi se revelando um excelente intérprete. Aykroyd e Belushi se conheceram no famoso programa de TV norte-americano “Saturday Night Live”, onde faziam parte do time de comediantes residentes. Com a colaboração da banda fixa que tocava com convidados, os dois inventaram um quadro em que zoavam e tiravam sarro de clássicos da música popular. A banda se institulou Blues Brothers. Nos ensaios, no entanto, as jams e sacanagens foram se transformando em verdadeiros eventos para funcionários e convidados dos estúdios, o que levou à ideia experimental de levar os Blues Brothers para os palcos, em shows que misturavam música com esquetes humorísticos. Deu tão certo que o projeto rendeu LPs e o filme já citado. A ideia na verdade cresceu demais e acabou por se tornar, em alguns momentos, muito maior do que o quadro no programa de TV original – e mesmo maior do que as carreiras cinematográficas dos dois astros principais. Em 1978, foi lançado “Briefcase Full Of Blues”, primeiro álbum do grupo, gravado ao vivo com clássicos do blues, na maioria das vezes rearranjados. O disco foi muito bem sucedido e alavancou o projeto do filme de mesmo nome dirigido pelo mestre John Landis. A comédia conta história da saga dos irmãos Blues, Elwood (Aykroyd) e Jake (Belushi), para tentar arrumar fundos para salvar o orfanato onde cresceram do fechamento. O problema é que eles acabam de sair da prisão – com esse cartão de visitas, ficava difícil angariar fundos. Só restou a eles reunir a antiga banda de blues que tinham para fazer shows pelos Estados Unidos e conseguir o dinheiro. Ainda em 1980, aproveitando o embalo do filme, cuja trilha sonora original vendeu horrores, foi lançado “Made In America” que mostra a banda ao vivo de novo, mas sem o mesmo pique do primeiro álbum e sem o clima descontraído e festeiro da trilha. Não foi lá muito bem recebido. O projeto simplesmente acaba em 1982, quando John Belushi morre de overdose de cocaína. Aykroyd se torna um respeitado ator e comediante, com boas participações em fitas dramáticas, e se recusa a participar de bandas-tributo aos Blues Brothers que surgem nos anos 80 – uma delas chegou a contar com os músicos originais dos dois primeiros álbuns e lançou um fracassado álbum ao vivo em 1988. Aykroyd só se anima em participar de algum projeto em 1997, com um fracassado seriado de animação que praticamente nem chegou a ser rodado, com a presença de James Belushi, irmão mais novo de John e ator consagrado por filmes policiais e de ação. No embalo do que seria o lançamento do projeto abortado é lançado “Blues Brothers And Friends: Live From Chicago’s House Of Blues”, de 1997 . Devido a uma briga de interesse entre estúdios hollywoodianos, James Belushi acaba definitivamente descartado para aquele que seria a continuação do filme de 1982, “Blues Brothers 2000″, de 1998. Aykroyd foi acompanhado por John Goodman e Joe Morton. O filme foi fracasso de crítica e público, mas a trilha sonora teve boa aceitação, contando com a participação de Jonny Lang, Blues Traveller e uma superbanda que toca no final do filme, com as presenças de B.B. King, Eric Clapton e de novo Jonny Lang – a Louisiana Gator Boys. Em recente entrevista a um jornal brasileiro, Dan Aykroyd disse que “odiava” John Belushi. “Eu amava o cara, era o meu melhor amigo e o único parceiro que conseguia fazer com que eu me superasse na tela. Ele não podia ter feito isso (morrer de overdose), acabou com todos os nossos grandes projetos.” Existe uma dúvida a respeito das possibilidades de ressuscitar os Blues Brothers, já que Aykroyd está muito envolvido na criação do terceiro filme da série “Os Caça-Fantasmas”. Ele faria um bem a toda humanidade se deixasse de uma vez por todas os Irmãos Caras-de-Pau em paz.

quarta-feira, novembro 02, 2011

O pop rock sumiu do mercado

O pop rock brasileiro sumiu. Não há vestígios dele nas poucas lojas de CDs e DVDs que sobraram, nas lojas virtuais e nas emissoras de rádio – que são mais raras ainda na difusão de tal segmento. Quando muito, o que se vê no dial das FMs e no comércio são os velhos heróis dos anos 80, que ainda vendem razoavelmente bem. De resto, esterilidade total - não há nem mesmo mesmo uma única banda ou artista novo da área que chame a atenção. Mas a situação fica cada vez mais assustadora quando se observa a enorme lista de atrações do Rock in Rio 2011 é se tenta uma breve comparação com o evento inaugural, de 26 anos atrás: não existe mais pop rock nacional na segunda década do século XXI. A organização do megaevento decidiu apostar, nos vários palcos da edição de 2011, no tiro certo. Estão lá os ícones da geração dos anos 80, como Titãs, Roberto Frejat (Barão Vermelho), Capital Inicial, Jota Quest, Marcelo D2 (ex-Planet Hemp), Cidade Negra (??????) e Skank, entre outros – todos os citados com no mínimo 15 anos de carreira, na maior parte do tempo bem-sucedida. Tiveram que chamar até mesmo a nova reencarnação dos Mutantes, um grupo fundado há quase 45 anos. Pitty , Marcelo Camelo (ex-Los Hermanos) e Detonautas são atrações secundárias e também estão há uns bons dez anos na estrada – e já viveram dias bem melhores, tanto em termos de mercado como de criatividade. Ou seja, falta novidade no segmento pop rock para atrair público. O jeito foi chamar NX Zero e Gloria para tocar no palco principal – atrações que, por si só, não necessita maiores comentários e expõem de forma dramática a crise que assola o rock brasileiro. De novidade mesmo, digna de nota, temos o interessante Móveis Coloniais de Acaju e a banda de rock pesado Matanza, que não é novata, pelo contrário. Nada contra a participação de um grande número de bandas e artistas consagrados e com anos de carreira. A questão não é essa. O que chama a atenção é que a nova geração do pop rock, a rigor, está representada mesmo, para valer, apenas com NX Zero (que tem dez anos de carreira, mas despontou um pouco mais tarde) e Gloria, duas bandas que, gostem ou não, se encaixam no “perfil” emo. Cadê o rock nacional de qualidade que esteja despontando? A comparação com o Rock in Rio I, de 1985, é covardia. Havia todo um contexto político e social dos mais interessantes na época e, de certa forma, houve um despertar cultural jovem que teve a música como sua principal expressão. E os organizadores, à época, tiveram sensibilidade para perceber o momento e, dentro do possível, convocaram os principais expoentes daquela geração que nascia. Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho foram as grandes atrações do rock nacional emergente que se apresentaram naquela edição. Fizeram shows elogiados, dentro dos parcos limites técnicos e de tempo concedido aos artistas brasileiros. As duas bandas estavam no auge. Houve espaço até mesmo para o pop mais rasteiro e comercial, como nos casos de Blitz e Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, que também desfrutavam de sucesso na época e se tornaram parte importante da cena. E o que falar então do time de bandas importantes – boas ou ruins – que também faziam bastante sucesso, vendiam muito e tocavam bastante no rádio? Titãs, Ultraje a Rigor, Ira!, Inocentes, Plebe Rude, Capital Inicial, Lobão e os Ronaldos, Legião Urbana, Léo Jaime, Mercenárias, Metrô… Isso para não falar no rock pesado e no punk rock, como Dorsal Atlântica, Ratos de Porão, Garotos Podres… Não dá para comparar, tanto em qualidade como em quantidade. O pop rock sumiu em 2011 e está restrito, pelo menos aos olhos de parcela importante do mercado, às bandas emo, como Gloria, NX Zero, Fresno, Restart e os sumidos CPM 22. Os medalhões e os veteranos bons de vendas ainda reinam e deverão reinar por um bom tempo. Mas aí um amigo dono de selo musical me faz a provocação: se o Móveis Coloniais de Acaju conseguiu, por que os outros não conseguiram? A pergunta é pertinente, e deve ser respondida pelos integrantes do Móveis. Qual foi o segredo? A banda pertence a um circuito alternativo de pop rock e tem certo prestígio neste segmento, mas não muito mais do que bandas com trabalhos – interessantes ou não – que tiveram alguma repercussão, como Cachorro Grande, Vanguart, Macaco Bong, Anjo Gabriel, Ludov e mais algumas outras – para não falar no pequeno mas efervescente cenário do rock pesado em português, com Pedra, Carro Bomba, Tomada, Bando do Velho Jack, Baranga, Cracker Blues e Motorocker. Todas têm o mesmo cacife, mas apenas o Móveis e Matanza triunfaram. Boas bandas, mas sem espaço em rádios e incapazes de formarem uma “cena”, de formar um cenário digno de ser chamado de novo rock ou pop rock nacional. A menos que haja um cataclismo cultural, permanecerão no underground – e com cada vez menos chances de participar de um Rock in Rio. Estaremos condenados por mais um bom tempo a escutar nas rádios que sobraram as mesmas velhas canções de Legião Urbana, Paralamas, Skank e Cazuza…

Raul Seixas continua sendo trilha sonora de anacronismos

O século XXI se tornou uma época bastante perigosa para certa caregoria de estudantes universitários, em especial para a aqueles que optam por áreas de ciências humanas – mais ”em especial” ainda para quem insiste em cursar história, filosofia e ciências sociais. O mundo mudou demais nos últimos 25 anos, e a própria história sepultou diversas crenças em todas as áreas do conhecimento, mas parece que isso não foi o suficiente para resgatar certos redutos da pré-história ideológica no Brasil. Resistem ainda em alguns botecos de quinta categoria ao lado de faculdades e centros acadêmicos inundados de irrelevância teses lidas somente em orelhas de livros ruins, mas que se transformaram e luzes da humanidade em pricas eras, mas que hje soam apenas como anedotas sem graça. E, como toda corrente de pensamento pseudo-intelectual tem sua trilha sonora, a desse povo citado anteriormente não poderia ser outra: o anacrônico Raul Seixas, com todos os seus anacronismos. Ainda é possível ver gente fantasiada de hippie nas escadarias da TV Gazeta, na avenida Paulista, no prédio onde funcionam uma unidade importante do cursinho Objetivo e a Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, assassinando músicas de Raul (que no original já são geralmente ruins), tendo três ou quatro tontos em volta se deliciando com tal espetáculo bizarro amaldiçoando ter nascido na época errada. E também foi possível escutar a música de Raul Seixas no tumulto que envolveu a Polícia Militar e estudantes desocupados e irresponsáveis nas imediações da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Não poderia haver retrato melhor da confusão estapafúrdia promovida por um bando de desordeiros desconectados da realidade e sem a menor noção dos motivos e da validade de tal protesto: o anacrônico Raul Seixas como trilha de anacrônicas ideias, discursos distorcidos e mentes ocas. Quando um estudante foi morto durante assalto na FEA foram inúmeras as queixas de falta de segurança e solicitação de patrulhas da PM; na última quinta, o ‘enclave’ da USP, com suas ‘leis próprias’, quis impedir que três estudantes que fumavam maconha em público fossem presos, o que para muitos indigentes intelectuais é sinônimo de ‘repressão’ e ‘intromissão indevida do Estado’ (FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE) A confusão na USP ocorreu porque os estudantes daquela faculdade de ciências humanas acham que a universidade é um enclave dentro do Brasil com leis próprias e costumes “diferenciados”, entre os quais fumar maconha em público, despreocupadamente e na frente de policiais. Para azar de três imbecis, a USP não é um enclave, seus costumes não são difrenciados e fumar maconha continua sendo crime. Portanto, é mais do que óbvio que os três foram presose flagrante. Só que houve uma movimentação surpreendente contra a ação legítima da polícia por parte de “comunidade” de equivocados, que agrediu PMs e jornalistas na tentativa de evitar a prisão, assim como houve depredação de carros de polícia. E como costuma ocorrer em situações parecidas, os policiais não ficaram parados e fizeram valer sua autoridade, com reforços, na base cacetadas, com todos os excessos previstos. E tudo isso ao som de Raul Seixas ao fundo, segundo relatos de quem esteve no local. Uma rápida lida nos relatos de jornais nos dias seguintes mostram como uma faculdade que já foi referência no ensino de ciências humanas virou um deserto de ideias e cérebros – sem contar a repetiçâo mântrica de conceitos e teses devidamente soterradas pelos escombros do Muro de Berlim, derrubado a marretadas em 1989. Esse bando de tolos que participou da defesa dos maconheiros nem sequer conseguem identificar um inimigo para nortear suas pobres existências neste século XXI e ousam falar em repressão policial quando estes estão nada mais do que cumprindo a lei. E usam a palavra repressão tentando impregnar conceitos politicos atrasados em uma época de plena democracia que com certeza envergonharia os próprios pais, que viveram nos anos duros do regime militar. Tudo isso embalado, principalmente, por músicas de Raul Seixas, mesmo aquelas que nenhum significado tem. Os relatos do repórter Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo, não deixam dúvidas a respeito do discurso vazio e do pensamento totalmente embolorado e equivocado desta juventude: A reportagem tentava em vão algumas entrevistas, mas os estudantes evitavam conversar com a imprensa dizendo que suas palavras seriam distorcidas. Ele temiam que fossem chamados de maconheiros, em manchetes sensacionalistas. Meu argumento derradeiro foi que assim eu só teria a versão da PM e que precisava ouvir a narrativa dos alunos. Uma jovem de 18 anos aceitou me contar. Fomos para um canto mais calmo e ela pediu anonimato. Em vez de descrever os fatos que originaram a confusão, elucubrou sobre privatização e política estudantil: “O que aconteceu é uma decorrência da privatização do ensino neoliberal e blá, blá, blá”. Com uma mistura de inocência e arrogância, ela parecia acreditar que aquilo era realmente o que eu queria ouvir. Livros de Foucault e Walter Benjamin eram mostrados aos PMs, que assistiam a tudo com cara de quem estava se divertindo ao escapar da rotina do mundo criminal da zona oeste. Os policiais estavam claramente orientados a manter a calma, fato que depois foi confirmado pelo comandante geral. Tanto que alguns estudantes acenderam baseados e passaram a fumar tranquilamente nos jardins da História, mesmo com a presença das autoridades. Havia uma concentração de hormônios adolescentes buscando extravasar, uma atmosfera de pancadão sem funk. Jovens faziam discursos face a face com soldados, alguns segurando latinhas de cerveja. Falavam sobre ditadura, assassinatos na periferia. Sim, pareciam movidos a idealismo, um idealismo mal educado, como se fossem mudar o Brasil ao esculachar os “coxinhas”. Foi uma manifestação excitante, dionisíaca, mas sem causa. Dessas que você relembra saudoso aos quarenta anos, na mesa de bar com amigos, para mostrar como já foi ousado na adolescência. Mesmo que não tenha servido para muita coisa. É claro que se trata de mais um cas de uso indevido do legado de Raul Seixas, que jamais aprovaria que sua obra fosse emporcalhada por gente tão desprovida de recursos intelectuais e com manifesta indigência intelectual. Raul Seixas era antes de mais nada um artista antenado e uma pessoa inteligente, apesar de ser mais um entre tantos músicos brasileiros superestimados e alçados a gênio por uma certa camarilha cultural. Raul era bem humorado e abusava nao só da ironia como a da auto-ironia. Mas ter sua obra, ainda que não seja nada daquilo que dizem que é, usurpada por um bando de estudantes que não conseguem distinguir liberdade de expressão da proibição de fumar maconha, principalmente em lgares públicos, é um tremendo tapa da cara. Pior do que isso é a constatação, infelizmente, que a música de Raul Seixas é a trilha mais adequada para simbolizar o vazio intelectual que domina parcela expressiva dos estudantes da principal universidade do país, bem como mostra o tamanho do equívoco ideológico que persiste em tal ambiente escolar. Está mais do que explicado o avanço do execrável sertanejo universitário no Brasil.

terça-feira, novembro 01, 2011

Agressor de Monalisa Perrone é “muito politizado” e sustentado pela mamãe

Flavio Morgenstern O portal iG entrevistou o futuro do Brasil – o rapaz que invadiu o link da Globo transmitido ao vivo e agrediu pelas costas, praticamente com uma chave de jiu-jitsu, a repórter Monalisa Perrone, que passava informações justamente sobre o estado de saúde do ex-presidente Lula. O futuro do Brasil tem a cara que segue: Eu sou você amanhã. O meninão é militante do movimento Acampa Sampa. Sabe-se que o país chegou ao fundo do poço quando ninguém faz nada contra ONGs com nomes que rimam. 26 anos de Ministério da Cultura e ninguém pra pensar nas criancinhas. Diz o meliante, identificado como Thiago de Carvalho Cunha, que o movimento não tem nada a ver com seu ato, que foi pessoal: “Na verdade, foi uma ação independente e individual. Um amigo meu, que tem um canal no Youtube, me avisou que a Globo estaria lá. Escolhi a Globo de propósito porque tinha a Rede TV!, o SBT e a Record. Escolhi a Globo porque teria mais visibilidade. A Globo nasceu na época da ditadura e manipula as pessoas. Quero provar para as pessoas que todo mundo tem voz.” A Globo nasceu na época da ditadura, entenderam? O Chico Buarque também. O núcleo que viraria o PT também é dessas épocas. Aliás, até os Beatles são da época da ditadura. Quero saber se o futuro do país agrediria todos pelas costas. E se quer provar que todos têm voz, por que a sua se resume a algo próximo de um “Ya!” de karetè. Ademais, para conhecer tão bem a programação da Globo, indaga-se seriamente se o que o gênio faz nas horas NÃO-vagas. Ele afirma que sua intenção era apenas divulgar o curta-metragem que está escrevendo, “Merda no Ventilador”. “Só queria divulgar o filme, não queria falar nada demais”, afirma. Eu também estou só tentando divulgar um filme que estou escrevendo. Chama-se “O Que Aconteceria Se O Exterminador do Futuro Fosse Mandado ao Passado e Matasse Seu Próprio Avô Antes de Engravidar Sua Avó”. Ainda não terminei de escrever, e o estúdio do James Cameron ainda não aprovou de todo o roteiro, mas quero divulgá-lo também. Posso invadir o programa do PCO (que não nasceu na época da ditadura e nem manipula ninguém) e, numa chave de braço pelas costas em alguma repórter, divulgá-lo, nada demais? Sobre a possibilidade de Monalisa registrar um boletim de ocorrência, Thiago não demonstrou arrependimento. “Eu não tenho medo, eu não quero dinheiro. Eu quero mesmo que ela faça o boletim de ocorrência e que venha a Polícia Federal agora me pegar”. Existia uma excelente comunidade no orkut chamada “Sonho liderar turba enfurecida”. De fato, é o sonho de toda a esquerda. Mas por que isso me lembra a FFLCH, em que armam uma porradaria pra PM, só para ela ser obrigada a pedir reforços, e depois reclamarem que houve “repressão” por parte da polícia? Se afirmamos isso, somos considerados conspiracionistas. Mas quando um intelectual de alto gabarito como o Thiago de Carvalho Cunha afirma que quer mesmo é que a Polícia Federal o torne um “perseguido político”, ninguém lembra de que já afirmamos que esse é o modus operandi desse tipo de militonto. Ainda resta dúvida? Ele ainda afirmou que não agrediu a jornalista, mas se disse agredido. O militante contou que os seguranças fizeram um cordão de isolamento e começaram a agredir os rapazes. Quando eles conseguiram se livrar, apareceram em frente à TV. “Se a Globo quiser me processar, temos uma equipe de 40 advogados apoiando o movimento”, afirmou Thiago. Apesar de citar os advogados do movimento para sua defesa pessoal, ele ressalta mais uma vez que sua atitude foi em causa própria. Ignorando as contradições com os advogados, isso só completa o modus operandi do que rola na pancadaria dos maconheiros da USP. Você vê que fizeram um cordão de isolamento para filmar algo (nada mais natural, se é que fizeram mesmo). Vai lá e tenta furá-lo. Quando tentam te impedir, diz que você é que “foi agredido”. É como impedir PM de levar pra delegacia pra autuar 3 maconheiros (ou seja, para impedir que os policiais os fichem, liguem pra mamãe e pro papai pra avisar que o menino gênio da família que passou na USP estava era fumando bagulho com os amiguinhos no carrão que deram de presente pra ele e depois liberem os 3 como se nada tivesse ocorrido) e, depois que a PM chama reforços para conseguir levar os 3 para a delegacia, dizer que “foram agredidos”. Por que o futuro Emir Sader não vai pra delegacia prestar B.O. se está se dizendo vítima de agressão? O que o impediria? Nem mesmo o iG, um portal rigorosamente governista (e envolvido em umas muitas e boas maracutaias), teve falta de vergonha na cara pra dar uma de Record tentando agredir a Globo: Não foi bem o que testemunhou a reportagem do iG, presente no local para cobrir o primeiro dia do tratamento do ex-presidente Lula. O repórter afirma que o que ele viu foi uma agressão covarde de dois homens contra uma mulher, e pelas costas. Segundo relato, o amigo dele (de Thiago) deu uma joelhada nas costas da repórter numa atitude violenta, sem que ninguém os tivesse cercado, ameaçado ou encostado um dedo neles. Eles agrediram a Monalisa e saíram correndo. Ou seja: aquela imagem que vemos, de dois grandalhões aparecendo correndo de longe (depois de passar por um “cordão de isolamento”?) e derrubando uma repórter pelas costas são… dois grandalhões aparecendo correndo de longe e derrubando uma repórter pelas costas. Cadê o movimento feminista nessas horas? Quando afirmei que feminismo é apenas uma vertente radicalíssima do marxismo, e não “defesa das mulheres”, reclamaram. Pois até agora as feministas padrão da blogosfera não se pronunciaram a favor da mulher agredida com uma joelhada nas costas. Lola Aronovich, uma espécie de porta-voz da ala radical do movimento radical na internet, está preocupada com fantasias de Halloween de Sex Shop. Não faz mal: quando Polanski dopou e estuprou anal e vaginalmente uma menina de 13 anos, sua grande preocupação foi defender… Polanski, ainda lembrando que só o defende porque ele é um bom cineasta (a mesma que também defende o espanca-mulheres Netinho de Paula só porque é negro e do PC do B). O Túlio Vianna, aquele fala mal do Estadão 2 tweets depois de divulgar seu texto no mesmo jornal, que dá apoio a maconheiros da USP contra a “repressão” da PM, que acha que mulher tirar foto de lingerie é machismo, mas acha que seqüestrar, estuprar até destruir o corpo e matar degolada por faca é apenas luta de classes, também ainda não defendeu a repórter agredida, afinal, se trabalha para a Globo, tem mais é que tomar porrada, mesmo. Segue a conclusão do delinqüente: Responsável pelo Comitê de Arte e Cultura do Movimento Acampa Sampa, Thiago, que largou a faculdade de Psicologia no primeiro ano, informou que o movimento é pacífico e politizado. “Sou muito politizado, tenho 23 anos e, no momento, sou sustentado pela minha mãe”. “Comitê de Arte e Cultura” costuma significar “Comitê Para Pedir Dinheiro do Governo e Dar Para Vagabundo Torrar em Filmes Chamados ‘Merda no Ventilador’”. Nenhum Shakespeare, nenhum Kubrick, nenhum Heidegger, nenhum El Greco saiu de um “Comitê de Arte e Cultura”. Mas então o rapaz tem o despautério de afirmar sem papas na língua que é “muito politizado” (o que é isso? O Maluf também não é “muito politizado”?!), e atira as fauces do incréu leitor que largou a faculdade para ser sustentado pela mamãe?! Corre o sério risco de virar muso dos blogueiros progressistas – esses odeiam “burguês”, mas só o que trabalha e é obrigado a ir de ônibus pra faculdade. Se largar o trabalho para virar guerrilheiro que dá porrada em mulheres que trabalham pra Globo, vira ídolo. E que raio de história é essa de “acampar” ser sinal de maturidade e atividade política? Se me confirmarem a regra, vou voltar a dormir para tentar conseguir meu doutorado. Inicio imediatamente uma campanha para que essa sumidade da Filosofia seja admitido na FFLCH mesmo sem prestar Vestibular. O país precisa de cultura. Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Nunca viu os filmes que a Petrobras financia por aí. É seu segredo pra ter QI acima da média. No Twitter, @flaviomorgen

segunda-feira, outubro 31, 2011

Banda Tomada resgata o peso e a psicodelia setentistas

A banda Carro Bomba ganhou um concorrente de peso na disputa do melhor álbum brasileiro de rock cantado em português neste ano. “O Inevitável” é o mais novo álbum da banda Tomada, de São Paulo, e mostra que antes de tudo o peso é fundamental para se distanciar de tudo o que lembre o atual pop rock do país, – se é que isso ainda existe. O rock básico dos anos 60 e 70 é a matéria-prima do terceiro trabalho do grupo, que completa 11 anos de carreira em dezembro. Não espere algo heavy metal na cara como “Carcaça”, do Carro Bomba. A pegada de “O Inevitável” é mais hard e mais datada, no bom sentido. Puxado pela ótima “Ela Não Tem Medo”, que virou um clipe bem feito e bem sacado, o álbum transita entre o mergulho fundo na psicodelia e rápidas passadas por soul e blues, sempre tendo a levada de guitarra de Marcião Fernandes como o fio condutor. E aqui não há outro jeito a não ser repetir: não há nada parecido no pop rock brasileiro da atualidade. Os arranjos são outro destaque do trabalho. Nada fica fora do lugar, tudo foi pensado exatamente para dar uma sonoridade moderna a temas que pedem acentos característicos de outras eras, com resultado surpreendente. “Ela Não Tem Medo” tem uma letra bem humorada e um ritmo rápido e marcante. “(Quero Ter) Uma Música Forte” também é rápida e mais pesada que o restante, mostrando diversas influências de um rock setentista mais pesado. “Catarina” e “Blá Blá Blá, Blá Blá Blá” são rocks básicos e cativantes, resgatando um pouco da atmosfera de certa ingenuidade da primeira metade dos anos 60 – e remetendo, de certa forma, aos primórdios da Jovem Guarda. Já “Calor de Abril” é a que mais se parece com o que é feito atualmente no Brasil, o que erroneamente pode levar o ouvinte a colocar a Tomada em uma seara onde transitam bandas queridinhas do cenário alternativo, como Cachorro Grande e Vanguart. Não se engane: Tomada é rock’n roll dos bons e consegue oxigenar um segmento engessado e estagnado, com trabalhos voltados cada vez mais para um pop forçado e de baixa qualidade. A formação atual conta com Ricardo Alpendre (voz), Pepe Bueno (baixo), Alexandre Marciano (bateria), Marcião Gonçalves (guitarra) e Lennon Fernandes (guitarra e teclados). Cometeram um trabalho de ótimo nível, que conseguiu se destacar da mesmice que domina o pop rock brasileiro desde a década passada. “O Inevitável” é o álbum mais maduro e coeso da carreira do grupo e coloca a Tomada em um patamar habitado pelas melhores bandas de rock brasileiras que cantam e português – e que cada vez mais dão destaque às guitaras.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Há dez anos, o 11 de setembro obrigou o Dream Theater a trocar a capa de um CD

Os dez anos que marcaram os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, que culminaram com a destruição das duas torres do World Trade Center, também foram relembrados pelo mundo do rock pela banda que sofreu diretamente com o impacto do terrorismo. O Dream Theater teve projuízos e refez toda a arte de um álbum triplo ao vivo que foi lançado naquele fatídico dia. A capa do CD “Live Scenes From Nwe York” trazia imagens da banda ao vivo como pano de fundo para uma imagem de uma maçã pegando fogo envolta em arame farpado (alusão à capa de Live at the Marquee”, de 1993, com um coração em vez de uma maçã) tendo logo acima imagens menores da Estátua da Liberdade e das Torres Gêmeas. Milhares de cópias com essa capa já haviam sido distribuídas pelo mundo quando os atentados ocorreram, provocando desespero nos músicos e na equipe de suporte do Dream Theater. A solução emergencial foi tentar recolher o máximo de cópias possível e recolocá-las com outra capa. Muitos fãs conseguiram o CD com a capa original antes do recolhimento – transformaram-se em itens raríssimos e valiosos no mercado. Tive o privilégio de adquirir o álbum com a capa original. O ótimo site de rock Whiplash relembrou o impacto dos atentados na vida do Dream Theater em um interesante texto escrito por Jairo Cezar e que reproduzimos aqui. Logo em seguida, texto do mesmo site traz uma rápida entrevista feita este ano com o guitarrista John Petrucci sobre os acontecimentos daquele dia. (Marcelo Moreira)
Jairo Cezar O ano de 2001 seria um ano rotineiro para o Dream Theater. A banda acabara sua grande turnê “Metropolis 2000″ com grandes apresentações do álbum “Scenes From a Memory” e estava preparando o lançamento de “Six Degrees of Inner Turbulence”. Os shows refletiam o aspecto teatral do álbum. Uma tela de vídeo na parte de trás do palco mostrava imagens acompanhando a narrativa para a história do álbum. Além de tocar o álbum na íntegra, a banda também tocou um segundo conjunto de músicas, bem como alguns covers e improvisações de material antigo. E nesse clima foi gravado um show extra especial, no Roseland Ballroom, em Nova York, onde foram contratados atores para interpretar personagens na história, além de um coro gospel para atuar em alguns pontos da performance. Tudo estava perfeito para a banda. Um grande DVD seria lançado com toda essa temática apresentada na turnê. Mas uma triste coincidência acabaria com a felicidade da banda, principalmente do baterista Mike Portnoy, que sempre demonstra seu patriotismo pelos EUA. A capa para a versão CD que foi lançado do show, intitulado “Scenes Live from New York”, apresentava um dos primeiros logos do Dream Theater (um coração ardente, inspirado no Sagrado Coração de Cristo) modificado para mostrar uma maçã (representando o apelido de NY, “Big Apple”) em vez do coração, e o céu da cidade, incluindo as torres gêmeas do World Trade Center, com a imagem da chama acima delas. Uma capa bem bonita por sinal. A triste coincidência: o álbum foi lançado no dia 11 de Setembro, o fatídico dia em que as Torres Gêmeas foram atingidas por dois aviões em uma ação terrorista, e, após algumas horas tomadas pelas chamas (assim como na capa do álbum), elas desmoronaram matando milhares de pessoas. O álbum então foi rapidamente retirado das lojas e foi relançado pouco tempo depois com imagens do próprio show na capa. Estima-se que existam cerca de mil exemplares da capa original rodando o mundo, alguns chegam a ser vendidos por milhares de dólares, que, devido a toda essa coincidência, se tornou item raro para os fãs. No álbum “Six Dregrees of Inner Turbulence” a banda mudou o nome de uma música por conta dos ataques . “The Great Debate” era originalmente intitulada “Conflict at Ground Zero”. John Petrucci e Mike Portnoy estavam mixando o novo álbum em um estúdio de Manhattan (onde ficavam as torres gêmeas) no mesmo dia dos ataques e fizeram a alteração quando todas as notícias começaram a se referir ao local como “Ground Zero”
John Petrucci fala sobre o 11 de setembro de 2001 O guitarrista John Petrucci, do Dream Theater, falou para o site mexicano RockSalt sobre a capa do disco “Live Scenes From New York” no qual tinha uma montagem das torres gêmeas do World Trade Center e outros arranha-céus pegando fogo. Por coincidência, o dia do lançamento foi no mesmo que aconteceu o ataque terrorista, 11 de setembro de 2001. Rapidamente, o álbum foi tirado das lojas e lançaram com uma outra capa. Hoje, existem poucas cópias da primeira versão do CD. “Queríamos ilustrar Nova York, então pegamos o seu símbolo, o World Trade Center”, conta Petrucci. “e outra coisa que tínhamos usado antes, a partir do nosso álbum ‘Images and Worlds’, foi o coração em chamas. Então, tentamos unir as imagens, obviamente não antecipamos aquela coincidência horrível no dia que saiu o disco”. “Nós percebemos o problema com o álbum, assim que aconteceu (o ataque). Então, fomos falar pelo telefone imediatamente. Eu não lembro a hora, mas me lembro de que éramos um ligando para o outro e falando assim: ‘Meu Deus isto não pode está acontecendo, precisamos mudar a capa imediatamente’. De fato o álbum foi lançado no dia 11 de setembro com aquela capa bizarra. Foi apenas uma total coincidência e nós ficamos realmente desapontados. Nossa primeira reação foi mudar a capa, colocar qualquer coisa rapidamente. Infelizmente, alguns discos foram vendidos, então ainda existem algumas cópias com aquela capa”. “Não havia argumentos. Todo mundo sentiu a mesma coisa e pensou. ‘Precisamos mudar, precisamos mudar’. Consegui pegar quase todo o estoque e mudamos imediatamente. Ninguém hesitou ou resistiu, porque isto tinha que ser feito”.

terça-feira, outubro 25, 2011

A perigosa e duvidosa volta do Black Sabbath

Ao contrário do que aconteceu em 1997, o mundo não parou nesta semana com o anúncio do retorno da formação original e clássica do Black Sabbath. Neste mês de agosto, Tony Iommi supostamente teria acabado com o mistério na Inglaterra: ele e Ozzy Osbourne teriam se encontrado algumas vezes em julho para compor músicas para um álbum de inéditas e para preparar uma turnê mundial da banda. O último álbum de estúdio do Black Sabbath é "Forbidden", de 1995, com Tony Martin nos vocais; a última turnê ocorreu em 2004. Porém, horas depois o próprio Iommi colocou uma nota oficial em seu site oficial desmentindo as informações divulgadas por um repórter do jornal Birmingham Post Mail. Disse que nada daquilo era verdade, e pediu desculpas aos companheiros de banda. Entretanto, não negou que esteja pensando e conversando sobre uma eventual volta do grupo. Os planos seriam de gravar um álbum com músicas inéditas e sair em turnê mundial, algo que não ocorre desde 2004 com essa formação. Os boatos correm a internet desde junho, quando o guitarrista Tony Iommi encerrou todos os compromissos do projeto beneficente WhoCares, que mantém ao lado do vocalista Ian Gillan (Deep Purple). Em algumas entrevistas, deu pistas de que poderia haver novo trabalho ao lado do vocalista Ozzy Osbourne – com ou sem Black Sabbath. Os rumores ficaram mais fortes no final de julho, quando “fontes” não identificadas declararam a dois jornais ingleses que Iommi e Ozzy teriam se encontrado três vezes em julho e que o retorno do Black Sabbath era iminente, o que acabou se confirmando na noite de terça-feira em Londres. A notícia foi recebida com certa indiferença no meio musical, embora o mundo do heavy metal esteja em festa. Há 14 anos, o retorno da formação principal do grupo – Ozzy, Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward – foi a notícia do ano, movimentando milhões de dólares em merchandising e eventos paralelos à turnê mundial que se seguiu. Todo o catálogo da banda foi relançado em CDs remasterizados, até mesmo os da fase sem Ozzy. O ponto alto foi o lançamento de um CD duplo ao vivo, “Reunion”, no final de 1998, com duas músicas As duas faixas, “Psycho Man” e “Selling My Soul”, foram gravadas no piloto automático, sem ânimo e sem a menor vontade – tanto que Iommi admitiu em 2000 que Ward não tocou bateria na segunda música, sendo o produtor Bob Marlette se encarregou de adicionar um instrumento eletrônico simulando a bateria. Sem entusiasmo, vale a pena? O pouco entusiasmo de 2011 com a volta do Sabbath recoloca a questão: o mundo realmente precisa de mais uma reunião de veteranos, ainda que sejam supercraques como o Black Sabbath? Fiz essa pergunta em 1989 e 1996 quando The Who resolveu retomar as atividades. Sempre é maravilhoso ver gigantes do rock de volta à ativa, mas em alguns casos o cheiro de armação e de falta de espontaneidade fica evidente. Foi o caso do Who nas duas oportunidades – e o mesmo se deu com o Queen com Paul Rodgers, com o Bad Company atual e com o Thin Lizzy de 2011, entre muitos outros. Quando Tony Iommi anunciou que voltaria a compor com Ronnie James Dio e Geezer Butler para o lançamento de uma coletânea dos anos do vocalista na banda, todo mundo ficou com um pé atrás. Dio cantou com a banda depois que Ozzy saiu, em 1979. Ficou de 1980 a 1982, para um breve retorno entre 1992 e 1993. Musicalmente deu muito certo nas duas passagens, com a criação de obras-primas, mas a parceria sempre terminou em trauma, com acusações mútuas de traição e sacanagem. A mágica de Ronnie James Dio Mas eis que a química ressurgiu em 2006 quando Iommi, Butler e Dio gravaram três músicas novas para a coletânea “Black Sabbath - The Dio Years”. As músicas eram poderosas e de excelente qualidade. Imediatamente veio a ideia de chamar o baterista Vinnie Appice e reviver o Black Sabbath da fase Dio e armar uma turnê mundial. Ozzy chiou, ainda que de forma sutil, e o Black Sabbath mudou de nome para Heaven and Hell – álbum e música homônimos, de 1980 e símbolo maior da fase Dio. “Cansamos de esperar Ozzy decidir o que queria fazer. Aí, de repente, ele diz que estava gravando novo álbum solo. Tomamos o nosso caminho”, disse Iommi em 2007 em entrevista à Guitar Player norte americana. A nova parceria com Dio rendeu duas turnês mundiais, com passagem pelo Brasil, dois DVDs maravilhosos e um álbum de músicas inéditas, “The Devil You Know”. “Essa volta era o que faltava para que possamos terminar o que foi interrompido duas vezes em 1982 e em 1992”, afirmou Dio em 2009 a este jornalista, durante sua passagem pelo Brasil. Pela terceira vez, os planos foram interrompidos. No fim de 2009 Dio descobriu o câncer no estômago que o mataria em abril de 2010, aos 67 anos. Mal foi enterrado, e recomeçaram os boatos de que o Black Sabbath original voltaria a se reunir. Feridas a serem curadas E como ficam as feridas da última turnê? Ninguém toca no assunto. Bill Ward é realmente um problema, já que sua saúde frágil inspira cuidados. Um baterista reserva deverá ser contratado, como na turnê de 2003-2004. O mesmo Vinnie Appice seria o mais cotado. Outra questão é a pouca flexibilidade de Ozzy em relação ao repertório. Na última turnê, o Black Sabbath tocou as mesmas dez músicas em todos os shows, o que desagradou muito Geezer Butler. Na época o vocalista sofria para conseguir redecorar as letras e fazia questão de não cantar mais do que dez músicas nem de permitir trocas no repertório – sem falar em seus frequentes problemas de saúde, que provocou a sua substituição em um show na Áustria, em 2004, por Rob Halford, do Judas Priest. O que mais pegou, entretanto, foi a posição ocupada pelo Black Sabbath no Ozzfest 2004, que acabou sendo a turnê mundial da banda naquela época. Iommi nunca escondeu que não engoliu o fato de Ozzy Osbourne fechar o evento todas as noites cantando músicas de sua carreira solo, após a apresentação do Black Sabbath. Ou seja, estava mais do que claro que Ozzy era a maior atração, mais importante do que o grupo que criou em 1968. Apesar dos protestos e das reclamações, Iommi nunca conseguiu dobrar Sharon Osbourne, esposa e empresária de Ozzy. Como essa questão será encarada? As reações são imprevisíveis, em se tratando de Black Sabbath. O fato é que há muita coisa contra esse retorno, e infelizmente as “ondas negativas” partem do lado do vocalista. Seja como for, mesmo que não seja memorável, se rolar mesmo, será interessante ver como se comporta o Sabbath no palco e em estúdio em 2011. Se ficar ruim, ainda assim será melhor do que 99,5% do existe no mercado hoje em dia.

sábado, outubro 22, 2011

Vítima de acidente em parque de diversão pode e deve processar responsáveis

A tragédia ocorrida neste mês em um parque de diversão no Rio de Janeiro é apenas mais um triste acidente de consumo nesse ramo de prestação de serviço, farto em ocorrências repetidas e graves à segurança dos consumidores. Só em 2011, foram noticiados mais de 20 acidentes com vítimas em parques no País. Que fique bem claro: as vítimas podem sim processar não só o parque de diversão, mas também o estabelecimento comercial onde os brinquedos perigosos são instalados, assim como podem levar aos tribunais os organizadores de festas. Vale pedir ressarcimento de gastos com internações e medicamentos, indenização por ausência do trabalho e até indenização por danos morais. Já existe jurisprudência sobre isso: decisão proferida em 2009 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo condenou um shopping center e o parque de diversão que atuava no local, além da empresa importadora de uma peça defeituosa,que causou acidente grave com um brinquedo. O Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu a responsabilidade solidária, prevista no Código de Defesa do Consumidor, entre as três empresas. E ainda deixou claro que além do prestador direto do serviço, o estabelecimento que recebe o parque em seu espaço também lucra com a diversão e por isso também deve responder pelos danos aos usuários do brinquedo perigoso. Também em 2009 o TJ paulista condenou o Extra Supermercados a indenizar uma consumidora, vítima de acidente, quando tinha nove anos de idade, ao utilizar o brinquedo “Castelo Pula Pula”, instalado no espaço alugado pelo supermercado. Para as vítimas de acidentes, poder processar empresas e organizadores de festas que atuam em conjunto com os parques de diversão é importante, porque aumenta a chance de receber a reparação dos danos econômicos e morais, uma vez que muitas empresas que oferecem a alegria (e os riscos) dos brinquedos não têm patrimônio para suportar o custo alto da reparação dos danos.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Tin Machine, o David Bowie que não deu certo

Um astro de rock super-criativo e dinâmico, mas que estava entediado e cansado da mesmice dos anos 80, com seus excessos de produção dos álbuns e com o comercialismo dominando dava vez o mercado. Com saudades da simplicidade dos anos 70, rompe com tudo e decide ser apenas mais um em uma banda de rock pesado. David Bowie deu uma guinada na vida em 1988. O astro pop inglês abandonou o sucesso até certo ponto fácil dos discos "Let's Dance" (1983), "Tonight" (1984) e "Never Let Me Down" (1987), casou-se com uma modelo africana e chamou amigos de longa data. Com Reeves Gabrels (guitarra), Tony Sales (baixo) e Hunt Sales (bateria e vocais), criou o Tin Machine, uma banda de hard rock onde Bowie apenas cantava e tocava saxofone. O Tin Machine teve recentemente seus dois discos de estúdio remasterizados e remixados na Inglaterra. Estão sendo vendidos na Amazon.com e na loja virtual CD Universe. O terceiro álbum, o ao vivo "Oy Vey Baby", de 1992, por enquanto está fora do pacote. O Tin Machine é surpreendente pelo peso e pela simplicidade. Tendo como modelo os Stooges, de Iggy Pop, pais do punk rock no início dos anos 70, o quarteto apostou em um rock acelerado e com guitarras na cara, além de uma bateria marcante e martelada em algumas músicas. Deu certo, mas principalmente por causa de Bowie. "Tin Machine" foi gravado rapidamente e lançado em 1989 contendo várias músicas excelentes, como "Heaven's in Here", "Under the God", "Amazing" e uma visceral versão para "Working Class Hero", de John Lennon. As letras estavam mais raivosas e as melodias construídas por Gabrels eram marcantes. O sucesso foi absoluto e rendeu uma bem-sucedida turnê norte-americana. Um breve intervalo para ajudar o amigo Iggy Pop na gravação e produção do álbum deste, "Lust for Life", e mais turnê, desta vez pela Europa. O quarteto resolveu dar uma pausa, enquanto Bowie cumpria compromissos com seu novo disco solo "Sound + Vision", de 1990. Ao final desta, não parou: entrou logo em estúdio para gravar "Tin Machine II". O peso e as letras inspiradas ainda estavam lá, mas a mão de Bowie marcou grande presença no direcionamento mais pop do grupo, o que desagradou Reeves Gabrels, sem muito espaço para sua guitarra inventiva e barulhenta. Longe de ser ruim, o álbum tem grandes momentos, como "You Belong To Rock'n Roll", "If There is Something" (versão para uma canção do Roxy Music), "Baby Universal", "Goodbye Mr. Ed" e o ótimo blues "Stateside", cantada pelo baterista Hunt Sales. Ao contrário do primeiro, as vendas decepcionaram. Gabrels afirmou em 1995 que a banda acabou porque o direcionamento acentuadamente pop afugentou um público diferenciado conquistado em 1989 com a mistura de hard rock e blues do primeiro álbum. Já Bowie afirmou que as músicas compostas ficaram aquém do que ele esperava em qualidade. O rompimento, amigável, ocorreu no começo de 1992. Oy Vey Baby", lançado no final daquele ano, também fracassou nas vendas. É um bom disco, mas não captou a essência da banda, que estava a todo vapor na turnê do primeiro disco. Esse disco ao vivo traz alguns momentos pinçados durante a turnê europeia de "Tin Machine II". O grupo estava bem, mas sem a energia demonstrada nos shows iniciais. De qualquer forma, o Tin Machine é uma das boas surpresas da carreira de David Bowie, marcada por viradas importantes e direcionamentos bastante criativos ao longo de 44 anos.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Banda larga como serviço público

Falhas nas conexões, baixa velocidade e indisponibilidade de acesso para áreas mais carentes, tudo isso sem que haja uma regulamentação adequada em um setor com nível de concentração preocupante em poucas empresas. Essa é a realidade do mercado de banda larga na atualidade, que vem sendo denunciada por entidades de defesa do consumidor. Começa a ganhar corpo um movimento para que a banda larga no Brasil tenha um marco regulatório semelhante ao da telefonia fixa: ganhar o status de serviço público. Hoje o consumidor é refém de poucas empresas de telecomunicações e quase não tem meios para fazer valer os seus direitos pela falta de novo marco regulatório que trate a banda larga como serviço público (e não privado). As teles privadas já dominavam a telefonia fixa e móvel. Agora, dominam a banda larga e estão entrando no setor de TV por assinatura. É uma concentração perigosa”, diz Flávia Lefèvre Guimarães, integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia da OAB-SP e da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), entidades que participam da Campanha “Banda Larga é um Direito Seu!”, criada pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Entre outros problemas, está o mais grave deles: a banda larga pertence totalmente à iniciativa privada e as operadoras não são obrigadas a cumprir regras como as que existem para a telefonia fixa – metas de universalização (disponibilidade do serviço independentemente do local e perfil socioeconômico). Além disso, as empresas não estão sujeitas a regras de controle tarifário, como ocorre com telefonia, energia elétrica. “Com isso, só levam a infraestrutura da banda larga para os locais onde há interesse econômico. O movimento ainda é incipiente, mas a a OAB paulista já prepara uma série de iniciativas de conscientização para o problema da falta de normatização de um setor considerado estratégico em vários sentidos pela sociedade. A situação é tão preocupante que já existem queixas graves sobre a chamada exclusão difital patrocinada pelo Estado. Nas regiões mais carentes de São Paulo a dificuldade de contratar o serviço de internet rápida é tão grande que, quando alguém consegue, as pessoas se reúnem em grupo para compartilhar o acesso por Wi-Fi. Isso é proibido e a Anatel está apreendendo os computadores. Isso mostra a urgência de se definir o quanto antes da banda larga como serviço público.

sábado, outubro 15, 2011

Estreia de Neil Peart no Rush será lançada em CD

Quando o baterista do Rush John Rutsey saiu da banda, o trio estava em um beco sem saída. Apesar do hard rock energético calcado no Led Zeppelin ter boa aceitação na cidade natal, Toronto, no Canadá, o primeiro álbum da banda, “Rush”, não empolgou o mercado norte-americano. Para os críticos do sul da fronteira, “era mais do mesmo”. E, se era para ser assim, eles já tinham Kiss e Aerosmith. A troca de baterista foi o passo primordial para diversificar o som da banda sem alterar as características básicas – até porque não daria para criar novo repertório em tão pouco tempo. Naquele ano de 1974, a entrada de Neil Peart nas baquetas redefiniu não só a sonoridade do grupo, mas totalmente o seu rumo, dando um futuro para um trio desacreditado e desprezado nos Estados Unidos. Por conta disso, “Rush ABC 1974”, lançamento em CD que está programado para o segundo semestre deste ano, é mais do que um documento histórico: é a prova de que é possível uma banda até então mediana se transformar em um vulcão sonoro. A gravação em questão já circula em CD pirata desde 1990 pelo mundo, bem como na internet a partir de 2002, sempre com o nome “Live at the Agora Ballroom 1974”, em alusão ao show realizado na cidade Cleveland, nos Estados Unidos. Suposta capa do CD "Rush ABC 1974", que deve ser lançado em outubro O show é simplesmente o primeiro de Neil Peart com o trio e mostra uma inequívoca evolução desde o lançamento do primeiro álbum, ainda no começo de 1974. É bom não confundir essa gravação com uma apresentação ao vivo nos estúdios da mesma rádio que transmitiu ao vivo show para Cleveland. O site RushIsaBand garante que a loja online de CDs inglesa plastchehad.com coloca no mercado em 24 de outubro a gravação do show realizado em 26 der agosto de 1974, transmitido por uma emissora da rede WMMS. O texto do site revela que a qualidade de áudio ficou “magistral”, trazendo toda a energia e a técnica do Rush na estreia de seu novo baterista. A transmissão também inclui registros de duas faixas nunca lançadas do Rush, “Fancy Dancer” e “Garden Road”. A apresentação acabou sendo um sucesso de crítica, que passou a olhar com outros olhos aquele trio energético com um baixista/cantor com voz esquisita. A série de três shows em Cleveland rendeu vários convites para novos shows em na região de Ohio e depois na costa oeste norte-americana. Durante a turnê, o álbum de estreia acabou sendo relançado nos Estados Unidos e no Canadá, o que facilitou a entrada das músicas na programação das rádios, em especial “Finding My Way”, “Working Man” e “Here Again”. Se realmente o lançamento vier, será um dos grandes do ano 2011 para quem gosta de classic rock.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Cadastro positivo, você se lembra dele?

Você conhece o cadastro positivo? Ou ao menos se lembra dele? Não se preocupe, pouca gente sabe de sua existência dois meses da sanção da presidente Dilma Rousseff. Pesquisa realizada pela Boa Vista Serviços, braço de análise de crédito da Associação Comercial de São Paulo, mostra que a falta de informação é pior entre os jovens. Entre as pessoas de 16 e 17 anos, apenas 10% já tinham ouvido falar da medida e os de 18 a 24 anos, 13%. Ou seja, é justamente a parcela da população que tem mais dificuldade de organizar as finanças pessoais que não tem conhecimento da medida que pode deixar o crédito mais barato para bons pagadores. No entanto, para isso ocorrer, ele destaca que mais pessoas devem utilizar o cadastro, de forma que o mercado amadureça essa ideia. Estima-se que deve demorar entre dois a três anos até que o mercado absorva esse modelo de tomada de decisão. No caso dos jovens, a necessidade de entender os benefícios da medida é ainda mais importante. É gente, por exemplo, que está chegando às faculdades agora e os bancos oferecem as contas universitárias. Como, de uma forma geral, ainda não existe muita maturidade financeira, acabam se endividando. A expectativa é de que o cadastro funcione como um termômetro, facilitando o controle das finanças. Já existe no mercado uma forma de registrar os inadimplentes, mas o cadastro positivo, ao menos na teoria, pode agilizar as informações positivas a análise mais segura dos riscos – sem falar em uma eventual redução de juros e, consequentemente, mais oferta de crédito. Para integrar a relação de bons pagadores, o consumidor pode se cadastrar nas empresas chamadas de bureau de crédito, como a Boa Vista Serviços (no www.apoioaoconsumidor.com.br) ou na Serasa.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Quadrophenia, obra-prima do Who, ganha versão de luxo

Uma das grandes obras da história do rock vai ganhar a sua versão definitiva, assim como vem ocorrendo com outros trabalhos desde o ano passado. A chamada versão "definitiva" da ópera-rock de 1973 do Who, Quadrophenia - The Director's Cut, está previsto para ser lançada pela Universal Music Enterprises em 15 de novembro. Ao contrário das versões de luxo do catálogo do Who lançadas nos últimos anos, dessa vez a gravadora está investindo pesado na promoção do pacote, além de um site próprio (http://quadrophenia.thewho.com/). Muitos críticos consideram "Quadrophenia" como uma obra superior e mais eclética do que "Tommy", de 1969. O ambicioso projeto de Pete Townshend, guitarrista e líder da banda, substituía o fracassado "Lifehouse", que foi abandonado em 1971 - mas que rendeu o maravilhoso álbum "Who's Next". "Quadrophenia", nas palavras de Townshend, pretendia ser a versão definitiva da história da juventude inglesa dos anos 1965 e 1966, quando duas tribos, os mods (de "modernistas", que curtiam mais blues e rhythm & blues e se vestiam com roupas mais sociais, como terno e gravata) e os rockers se enfrentavam para marcar território em diversas cidades inglesas. The Who, The Kinks e The Small Faces foram as principais bandas da época adotados pelos mods como seus "legítimos representantes" sonoros. Em termos musicais e de roteiro, "Quadrophenia" realmente é superior a "Tommy" não só por ser mais ambicioso, mas por ser bem mais complexo e denso em termos de dramaturgia. Entretanto, é incomparável o impacto que "Tommy" teve no mundo do rock, até por ser considerada a verdadeira primeira ópera-rock. O pacote já está disponível para pré-venda na Amazon (http://www.amazon.com/dp/B005D9B26E), com preço girando em torno de 150 dólares. Rápida descrição do pacote: # Discos um e dois – o álbum duplo original – remaster de 2011 # Discos três e quatro – 25 demos dos arquivos de estúdio de Pete Townshend, incluindo canções não lançadas no álbum original. # Disco cinco - The Quadrophenia 5.1 EP – DVD exclusivo com oito faixas remixadas em som surround. # Livro capa dura com 100 páginas apresentando um ensaio inédito de Pete Townshend, com detalhes sobre o período da criação do álbum e explicações sobre alguns dos detalhes técnicos (como o uso do sintetizador), assim como vislumbres da história do personagem principal do álbum, o mod Jimmy. # Comentário faixa a faixa das demos por Pete, além de um revelador diário de estúdio # O livro traz também um conjunto inédito de notas pessoais, fotografias, manuscritos e objetos da época, tudo redescoberto recentemente nos arquivos de Pete. # O pacote replica a impressionante embalagem do vinil original, adicionando sobras de estúdio inéditas e em cores da sessão de fotos da capa. # Uma réplica do vinil de 7 polegadas do single "5.15" / "Water". # Seis réplicas de documentos e fotografias, embaladas em um envelope de cartão. # Embalagem em papelão, em edição limitada. O álbum também será relançado em outros formatos: # Vinil duplo # Edição mini-deluxe em digi-pak # Download

sexta-feira, outubro 07, 2011

Coverdale-Page: quem perdeu fomos nós

No auge da fama do Whitesnake, entre 1987 e 1990, David Coverdale concedeu uma entrevista a uma revista inglesa onde desdenhava de algumas músicas do Led Zeppelin e sobre supostas acusações que estava recebendo por ter plagiado ou ao menos ter copiado trechos de outras músicas em suas composições. “Isso é bastante questionável. Se formos levar a fundo mesmo, então mudaremos a história e o Led Zeppelin terá de pagar um dinheirão para Willie Dixon (bluesman norte-americano). Ele é o ‘verdadeiro’ autor do primeiro LP do Led”, disse Coverdale. A falta de jeito e de educação espantou quem o conhecia. Afinal, desde os tempos de Deep Purple que ele havia deixado o estilo polêmico para lá. Recentemente, um jornalista brasileiro tentou lembrá-lo sobre a declaração durante uma entrevista por telefone, mas o cantor inglês desconversou e afirmou não se lembrar daquelas palavras. O curioso é que, para se defender à época, acabou atacando Jimmy Page, o principal compositor do Led Zeppelin. Pouco tempo depois, Coverdale pareceu não se importar em trabalhar com um “plagiador”. O projeto que reuniu os dois era secreto em meados de 1991. Foi de ideia do estafe de Page convidar Coverdale para um projeto de hard rock mais pesado, já que Robert Plant recusara nova proposta de reativar o Led Zeppelin. Coverdale ficou entusiasmado e aceitou conversar e tomar umas cervejas com Page e seu empresário para ver se rolava algo. Dois depois, estavam na casa do guitarrista para algumas jams no estúdio caseiro do local; um mês depois, estavam assinados os contratos para que o Coverdale-Page, nome escolhido para o projeto. E tudo foi feito em segredo, que conseguiu ser mantido até o começo de 1993, quando ninguém conseguia entender o porquê de o vocalista ter desfeito o Whitesnake após a turnê de estrondoso sucesso de 1990. “Coverdale-Page”, álbum homônimo lançado no meio de 1993, é uma obra-prima do hard rock, mesclando a veia mais popular de Coverdale e o peso das guitarras zeppelinianas de Page. O vocalista foi criticado à época por exagerar nos agudos em algumas músicas, o que foi encarado como uma tentativa de emular as performances de Robert Plant nos tempos áureos do Led, na década de 70. É fato que Coverdale forçou um pouco, mas nada que tire o brilho de músicas fantásticas como “Absolution Blues”, “Shake My Tree”, “Take Me For a Little While”, “Whisper a Prayer for the Dying”, “Pride and Joy” e “Over Now”. O entrosamento entre os dois músicos foi total, desde as jams na casa de Page até as jams realizadas no Japão como aquecimento para a turnê. O problema é que tudo estava indo bem demais, todo mundo estava feliz demais, e isso é um perigo em se tratando de Jimmy Page. Há quem diga que o guitarrista é notório por ser perseguido pelo azar ou por “maus fluidos”. Seja como for, o que deu muito certo nos bastidores e nos ensaios ficou esquisito nos palcos. As primeiras performances no Japão foram ótimas, mas depois a coisa começou a complicar. Os empresários de Page começaram a se incomodar com as performances bombásticas de Coverdale, além das vendas decepcionantes, apesar de boas, do CD. Eles achavam que choveriam convites para turnês pela Europa e Estados Unidos, mas isso não ocorreu. Após sete shows no Japão Page foi praticamente obrigado pelos empresários a “descontinuar” a dupla por medo de fracasso financeiros no resto do mundo. Isso não afeitou a amizade entre os dois, mas Coverdale não poupou críticas e acusações pesadas contra os empresários de Page. Nem mesmo um CD excelente fui suficiente para manter esse projeto em pé. Alguns anos depois, em 2000, durante entrevistas para divulgar o álbum solo “Into the Light”, Coverdale insinuou que a parceria não foi em frente porque já havia conversas bastante adiantadas entre os empresários de Robert Plant e Jimmy Page para retomar o Led Zeppelin ou fazerem um trabalho em dupla. Seja como for, Coverdale parecia ter razão. Page e Plant voltaram a tocar juntos em 1994, quando gravaram um especial para a MTV que aabou sendo lançado em DVD e CD com o nome de “No Quarter: Jimmy Page and Robert Plant Unledded”. Quatro anos depois foi lançado o CD “Wlakin into Clarksdale”, totalmente com músicas inéditas, sendo que a parceria chegou ao fim no ano seguinte. Assim como o BBM – o Cream de Eric Clapton sem o mesmo, com Gary Moore em seu lugar –, o Coverdale-Page foi um grande projeto que não vingou por questões puramente comerciais. Quem perdeu fomos nós.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Pete Townshend lançará biografia em 2012

Um livro de mais de 30 anos de confecção finalmente vai chegar às livrarias. As memórias de Pete Townshend, guitarrista do The Who, parece que finalmente estão prontas. De acordo com a versão americana da revista Rolling Stone, o músico fechou um acordo com a editora inglesa Harper Collins para lançar seu livro em 2012. Segundo a editora, a autobiografia de Pete estará nas prateleiras no segundo semestre de 2012. “Nos anos 1970, Pete Townshend questionou em uma famosa música ‘quem é você?’. Agora, em seu livro de memórias, gerações de fãs finalmente terão essa resposta que vem sido aguardada há tanto tempo”, afirmou David Hirshey, executivo da editora, em texto da Rolling Stone. Townshead começou a trabalhar seriamente na sua autobiografia em meados dos anos 1990, tendo como base milhares de anotações escritas entre 1976 e 1980. O projeto ganhou fôlego quando ele foi acusado pela polícia britânica em 2003 por acessar sites de pornografia infantil – o músico afirmou que se tratava de material de pesquisa para o livro. “Eu tenho escrito sobre a minha infância há sete anos. Eu creio que fui abusado sexualmente aos cinco ou seis anos quando estive sob os cuidados da minha vó materna, que tinha sérios problemas mentais”, afirmou na época. “Eu não me lembro claramente do que aconteceu, mas meu trabalho pretende desvendar essas sombras. Algumas das coisas que vi na internet me ajudaram a compor o livro.” Townshend criou um blog e passou a postar partes da sua própria história. “A espinha dorsal está completa, e toda a pesquisa foi feita”, disse o guitarrista à revista norte-americana. “E porque minha vida criativa e profissional está tão ativa, eu sinto que nunca vou chegar aos tempos presentes, a não ser que eu me aposente apenas para escrever. Me aposentar, simplesmente para escrever, quando eu já sou um escritor, é uma contradição.” O blog não existe mais, assim como Townshend praticamente sumiu do Twitter e do Facebook. Seus problema de audição se agravaram nos últimos cinco anos, o que compromete o futuro do Who. A última turnê da banda aconteceu em 2009. No ano passado, eles se apresentaram no intervalo do Super Bowl. Neste ano, Townshend e o vocalista Roger Daltrey, os dois remanescentes da formação original, tocara juntos duas vezes, em eventos beneficentes em prol da Teenage Cancer Trust, patrocinada pelo cantor. Um deles foi em janeiro, quando o Who tocou em Londres tendo como convidados Jeff Beck, Bryan Adams e Debbie Harry (Blondie). Oficialmente, é a última apresentação da banda até o momento, após 47 anos de carreira (com sete de paralisação entre 1982 e 1989). Em março, Daltrey fez um show com sua banda solo também em Londres, e Townshend subiu ao palco como convidado especial para tocar em duas músicas. Após essa apresentação, boatos deram conta de uma desavença entre os dois a respeito dos músicos que participariam de uma eventual turnê no final deste ano, coisa que foi desmentida sem muito vigor pelos dois.

domingo, outubro 02, 2011

Humble Pie e a genialidade de Steve Marriott

A entrevista coletiva do guitarrista inglês Peter Frampton terminara havia minutos em um hotel em São Paulo, no ano passado. Muito solícito, foi cercado no saguão por um alguns fãs e jornalistas ávidos por respostas. Um dos jornalistas não teve pudor e sacou de uma sacola um LP do Humble Pie, “As Safe as Yesterday”, de 1969, o disco de estreia da banda. Frampton pareceu surpreso, mas na verdade estava atônito. Fazia tempo que ele não via alguém lhe mostrar um álbum de sua segunda banda. Paralisado por alguns momentos, pegou o álbum de vinil, observou-o e só depois o autografou. Quando devolveu ao dono, disparou: “Excelente álbum, som fantástico. Toquei muito nele. Longa via à memória de Steve Marriott, que morreu há 20 anos.” O ex-guitarrista e vocalista do Small Faces e do Humble Pie morreu no dia 20 de abril, em 1991, em sua casa no interior da Inglaterra. Exausto após uma viagem de avião vindo dos Estados Unidos, deitou na cama para descansar, mas acabou cochilando com um cigarro aceso entre os dedos. A casa pegou fogo. Para marcar as duas décadas sem o grande guitarrista, as gravadoras Immediate e A&M pretendiam reeditar em CD toda a obra do Humble Pie. O projeto não foi para a frente. Em vez disso, chega ao mercado no mês que vem uma reedição de “Natural Born Boogie”, uma excelente coletânea de gravações feitas para a rádio BBC de Londres entre 1969 e 1973. A Decca Records, que detém o catálogo dos Small Faces, planeja reeditar duas coletâneas desta banda: “The Autumn Stone” e “The BBC Sessions” até o final do ano. Bom guitarrista e carismático, o jovem Martiott formou os Small Faces para tocar covers de rhythm & blues norte-americanos e clássicos rockabilly. O baixista Ronnie Lane, seu companheiro de banda e exímio compositor, perturbou-o para que criassem material próprio aproveitando a voz aguda e potente de Marriott. A mesca de rock dos anos 50 e rhythm & blues acabou dando certo e foram contratados ainda em 1965 pela Decca como uma resposta ao Who e aos Animals, que estavam estourando na mesma praia. E, assim como o Who, os Small Faces fora adotados pelo movimento mod, fanáticos pela música negra dançante dos Estados Unidos e que caprichavam no visual elegante, com terninhos e gravatas. A banda detonando nos anos 70 No ano seguinte, os amigos do Who – Kenney Jones, o baterista, substituiria Keith Mon na banda em 1979 – acabaram com essa história de símbolos dos mods e caíram de cabeça no rock and roll mais visceral. Os Small Faces ainda aguentaram até 1967 nessa patacoada, até que decidissem optar pela psicodelia e por letras mais abstratas, o que desagradou Ronnie Lane. Em 1968 o quarteto entrou em declínio, ficando fora do topo das paradas na maior parte do tempo. Cada vez mais desinteressado, Steve Marriott começou a fazer jams com muitos músicos de Londres e começou a ficar fascinado com o blues pesado do Free, de Paul Rodgers. No final do ano comunicou o Small Faces que estava fora e convenceu o novo amigo, Peter Frampton, da promissora banda The Herd, a criar um novo grupo para tocar um rock mais pesado, algo entre Free e Led Zeppelin. Em 1969 surgia o Humble Pie. Ao mesmo tempo, o trio remanescente do Small Faces – Ronnie Lane, Kenney Jones (bateria) e Ian McLagan (teclados) – se uniu a Rod Stewart e ao guitarrista Ron Wood, demitidos do Jeff Beck Group. Estava formado o The Faces, de sonoridade mais pop e folk. O Humble Pie surgiu como um furacão e logo ocupou o lugar do Free no coração dos apreciadores de blues pesado – o quarteto de Paul Rodgers semrpe esteve envolto em conflitos internos e praticamente acabou em 1972. Mais entrosados do que nunca, Frampton e Marriott criaram verdadeiros clássicos do rock inglês, como “Natural Born Boogie”, “Wrist Job”, “Desperation” e “As Safe As Yesterday Is”. Mas não demorou para que o encrenqueiro Marriott começasse a implicar com Frampton, reclamando que o Humble Pie estava ficando pesado demais. Ele voltou a se interessar por soul music e rhythm and blues, enquanto que Frampton buscava algo mais acessível e pop, mesmo que fosse hard rock. As brigas constantes causaram a saída de Frampton em 1972, logo substituído por Dave “Clem” Clemson, que também era bom cantor além de guitarrista. O redirecionamento musical da banda foi imediato, mergulhando fundo na soul music clássica. O público, no começo, aprovou, mas depois abandonou o Humble Pie, que encerrou as atividades em 1975.  Disco clássico com partes ao vivo Tentou recriar os Small Faces em 1977 com Jones e McLagan, que estavam parados desde o fim dos Faces, também em 1975. Mesmo sem Ronnie Lane, que recusou para continuar sua bem-sucedida carreira solo, a nova encarnação lançou os fracos “Playmates”, em 1977 e “78 in the Shade” em 1978. Novas decepções, novas brigas e novo fim. Marriott então parte para o desespero e tenta reformar o Humble Pie. Peter Frampton recusa, assim como o baixista Greg Ridley. Ao lado do baterista original Jerry Shirley, contrata o vocalista e tecladista Bob Tench e o baixista Anthony Jones para gravarem “Go for the Throat” em 1980. Mesmo com as fracas vendas, ainda insistiram no ano seguinte com “On to Victory”, que teve desempenho pior ainda. O fim da nova encarnação do Pie era apenas uma questão de tempo. Nos anos seguintes Marriott montou bandas diversas para fazer shows solo pelo interior da Inglaterra e pela Alemanha, mas o máximo que conseguiu foi se tornar um cover de si mesmo. Pelo menos as reedições prometidas para este ano resgatam o verdadeiro talento de Steve Marriott.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Cheques clonados: bancos também são responsáveis - III

Não bastassem as violações aos cartões de banco, outro inferno na vida do consumidor são os cheques clonados. Estima-se que 20% dos cheques devolvidos estão relacionados à clonagem. E, como sempre, o cidadão sofre os transtornos do golpe e tem de corre atrás do prejuízo. A pergunta é: como alguém pode clonar folha de um talão de cheque que não saiu das mãos do consumidor? E o mais curioso é que existe até a clonagem de cheque pertencente a talonário que não foi entregue ao correntista, assim como também constata-se a adulteração (e o pagamento pelo banco) de cheques referentes a contas que já foram encerradas. No entanto, a forma mais comum do golpe ocorre quando o correntista emite um ou diversos cheques e a bandidagem especializada reproduz cópias destes para fazer a festa no mercado. Nos casos em que o cheque clonado é apresentado ao banco e este percebe a falsificação e recusa o pagamento, não há dores de cabeça para o correntista. A lesão ao consumidor ocorre quando o banco, por negligência, faz o pagamento do cheque clonado. Também ocorre quando o banco não paga o cheque, mas faz a sua devolução por insuficiência de fundos. É que, havendo o pagamento do cheque, a conta do consumidor poderá ficar sem saldo e motivar a devolução de outros cheques emitidos pelo correntista. Assim como o pagamento do cheque clonado poderá levar o correntista a ter de usar o limite do cheque especial, tendo de arcar com juros altos do banco. Quando o banco não paga o cheque clonado, e o devolve por insuficiência de fundos, causa outro problema sério ao consumidor: o seu nome costuma ser protestado e vai parar nos órgãos de proteção ao crédito, além de registro no cadastro de emitentes de cheques sem fundo do Banco Central. Só que a Justiça, unanimemente, tem condenado os bancos a reparar os danos sofridos pelas vítimas dos cheques clonados. Primeiro, as condenações ocorrem em relação aos prejuízos econômicos citados (gastos com tarifas bancárias, juros do cheque especial e devolução ao correntista do valor dos cheques falsos sacados de sua conta corrente). Além da reparação dos prejuízos econômicos, a Justiça também tem condenado os bancos a pagar dano moral às vítimas do golpe, em razão dos transtornos gerados pelos saques dos cheques clonados, ou pela devolução destes como cheques sem fundos (o valor do dano moral tem variado entre R$ 3 mil e R$ 10 mil). A reparação de prejuízos por cheques clonados que são apresentados em outras cidades, pode ser reivindicado na Justiça (inclusive no Juizado Especial Cível) do local onde o consumidor reside.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Cartão clonado: Justiça a favor do consumidor - II

Retomo o tema da coluna passada a respeito da clonagem de cartões e sobre a responsabilidade dos bancos no ressarcimento de prejuízos. A última instância do Judiciário, para este assunto, que é o Superior Tribunal de Justiça (STJ), já consolidou o entendimento de que os bancos devem ressarcir os saques indevidos, e deixou claro que a instituição financeira somente está isenta de pagar o prejuízo da "clonagem", se conseguir comprovar que o saque foi realizado pelo próprio correntista. Ou seja, a Justiça, unanimemente, enterrou a tese dos bancos de que o fato de o consumidor ter a posse exclusiva do cartão e da senha excluiria a responsabilidade das instituições financeiras pelo pagamento do prejuízo sofrido. E não poderia ser outro o veredicto do Judiciário, após ter se tornado pública e notória a "indústria da clonagem", implementada pela bandidagem. Portanto, nos casos em que os bancos não tiverem provas concretas de que o saque foi realizado diretamente pelo consumidor, terão de obedecer a orientação da Justiça: deve repor ao seu devido lugar o patrimônio do consumidor que se comprometeu a guardar. Caso contrário, o consumidor deve recorrer à Justiça para obter a reparação do dano econômico e moral (este também tem sido concedido na maioria dos casos). A vítima da clonagem também pode pedir à Justiça que determine que o banco antecipe no início do processo, em caráter liminar (de imediato) a devolução do valor "surrupiado" de sua conta, condicionada à devolução de tal valor se no final do processo o banco provar a culpa do consumidor pelo saque. Afinal, não é justo deixar a vítima do erro do forte (o banco) no desespero até final do processo Abaixo seguem dicas do Procon e da Delegacia do Consumidor de São Paulo para evitar a clonagem, se possível: Na hora de receber o envelope com o cartão, via correios ou empresa de transporte, não aceite se o documento estiver violado. Sempre assine no espaço reservado atrás do cartão. Verifique, rotineiramente, os lançamentos das compras efetuadas em sua fatura. A maioria das administradoras oferece este serviço pela internet. No ato da compra não perca de vista o seu cartão. Cuidado com esbarrões ou encontros acidentais. Se isso ocorrer, verifique se o que está em suas mãos é o seu. No caixa eletrônico, em caso de retenção do cartão na máquina, não digite a senha novamente. Aperte as teclas "anula" e "cancela" e comunique o banco. Não abandone o caixa antes de seguir as instruções da instituição financeira. Nunca digite sua senha em telefones públicos ou que "salvem" os números. Se receber alguma ligação telefônica de alguém dizendo que é funcionário do banco pedindo sua senha, não digite e contate a instituição ou a operadora do cartão. Usaram meu cartão. E agora? - ao perceber que foi vítima de alguma fraude comunique à administradora, anotando o horário, o nome do atendente e o número do protocolo de atendimento Depois, vá à polícia e registre Boletim de Ocorrência. Caso a empresa não entre em acordo, abra processo no Procon ou na Justiça, solicitando a reversão do ônus da prova. A partir daí, a empresa é que vai ter de provar que o consumidor é quem fez as compras. Marcelo Moreira é jornalista, editor de Defesa do Consumidor do Jornal da Tarde. Escreve para o Laboratório de Temas.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Cartão de banco clonado: consumidor tem de ser ressarcido – I

A situação é clássica e cada vez mais comum. Você vai ao banco e percebe que, um dia depois de receber o salário, sua conta está negativa. Ou então do nada você recebe uma comunicação de algum órgão responsável por cadastro de inadimplentes - SPC ou Serasa - informando sobre um débito gigante com origem em sua conta bancária. Em qualquer uma das circunstâncias, você não se lembra de ter feito aquelas despesas. E não se lembra porque não as fez. Você então percebe que acaba de ser uma vítima de cartão bancário clonado, seja de débito ou de crédito. Quando o cartão de crédito é roubado, furtado ou clonado e compras são feitas sem autorização do cliente, este deve ser ressarcido pelo banco. Não há outra alternativa e não deve haver contestação. Nesses casos, cabe à administradora comprovar que as compras foram feitas pelo cliente, que é considerado pelos órgãos de defesa do consumidor como a parte vulnerável da relação de consumo e, por isso, não deve ser prejudicado. Além disso, o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) diz que o fornecedor de serviço deve garantir segurança e tranquilidade quanto a sua fruição. Até a Justiça tem entendido que as compras não reconhecidas pelo consumidor só devem ser pagas quando a administradora demonstra que a assinatura no comprovante da compra é realmente a do titular. E quem fica com o prejuízo? Qualquer um, menos o cliente. O comerciante toma diversas providências para evitar ser lesado, enganado, fraudado ou roubado. Praticamente ninguém mais aceita cheques. Se os comerciantes têm esse direito, então também tem seus deveres. Quem aceita cheque e cartão de crédito tem o dever de conferir na hora a assinatura e os dados cadastrais dos clientes. Tem de conferir a assinatura e o número do RG ou do CPF na hora da venda, mesmo que isso atrase o movimento, provoque filas e ranger de dentes de gente menos paciente. Se não fizer isso, o comerciante correrá o risco de ser responsabilizado pelo banco e pela operadora de crédito. Uma coisa é certa: o tem de ser ressarcido. É lei e a Justiça cansou de publicar sentenças neste sentido. Os bancos é que são responsáveis pela segurança do sistema. Se alguém clona cartão ou consegue algum meio de obter a senha de alguém, é porque o seu sistema de segurança é falho. Kássia Correa, advogada da Associação Nacional dos Usuários de Cartão de Crédito (Anucc), reafirma que o consumidor não deve pagar. "Segundo o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, os bancos e as administradoras estão obrigados a ressarcir o prejuízo no caso de fraude. E o consumidor pode recorrer ao Judiciário. "O procedimento leva uns dois meses. “Mas é preciso cuidado, pois, se comprovado que os gastos são do cliente, a cobrança é feita com juros.” Se o dono do cartão roubado tiver problemas para ser indenizado pelo banco, deve recorrer a um órgão de defesa do consumidor e, em último caso, a um Juizado Especial Cível (Unidade Central - 3207 5857) mais próximo de sua residência.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Vá ao Rock in Rio, mas pense bem antes de convidar alguém

Vá ao Rock in Rio 2011, mas não me convide. A máxima aplicada aos chatos que costumam aborrecer pedestres nas grandes cidades com campanhas de incentivo ao teatro está sendo aplicada ao grande festival do Rio de Janeiro, que acontece a partir do final do mês, em alguns círculos musicais paulistas. Descontando a má vontade evidente por conta do gigantismo do evento e também a mais do que evidente inveja, o fato é que o Rock in Rio 2011 hoje não passa de uma marca – poderosa, é verdade –, mas apenas uma marca. Qual o seu significado para 2011, após 26 anos da primeira edição e depois de perambular por locais com Lisboa e Madri? Para quem gosta de rock puro, a resposta fica cada vez mais difícil – e irrelevante. O novo conceito do festival, já testado e aprovado na Europa, expande as fronteiras artísticas: é uma grande feira de entretenimento, onde a música e os shows ao vivo passam a ser apenas mais uma das atrações. E isso é algo cada vez mais difícil de engolir para parcela expressiva do público brasileiro mais ligado à música. A diretora-geral do evento, Roberta Medina, é uma entusiasta deste modelo e nunca escondeu que, como modelo de negócio, somente desta forma o Rock in Rio é viável – ainda mais no Brasil: uma ampla mistura de ritmos, cores, tribos e os mais variados tipos de entretenimento, com muitos palcos e mais de uma centena de atrações artísticas. O conceito não é novo no Brasil. Já foi aplicado anteriormente, em maior ou menor escala, nos festivais Planeta Terra, SWU e Atlântida. O Rock in Rio 2011 levou ao extremo o conceito, que não deixa de ser interessante, principalmente para quem consome entretenimento, e não apenas shows e música. O difícil é saber se o tal conceito vai pegar em edições futuras, não levando em consideração aqueles que, em tese, foram o suporte dos principais festivais brasileiros que vieram na cola do próprio Rock in Rio I, de 1985: os fãs de música e, em particular, de rock em geral. Se hoje já não existe mais o apelo do artista inédito ao vivo no Brasil – quase todo mundo que importa e que conta no rock e na música pop já pisou no Brasil nos últimos 26 anos –, ainda existe a celebração e o culto à boa música e à excelência das apresentações ao vivo. O novo formato privilegia a diversidade hoje tão característica em festivais como Glastonbury (Inglaterra), Reading (Inglaterra), Roskilde (Dinamarca) e Graspop (Bélgica), onde heavy metal, pop, hip hop, reggae, world music e outros ritmos convivem sem dificuldades. Foi assim nas edições do Rock in Rio de Madri e Lisboa. Transplantado para o Rio de Janeiro, o modelo mistura o peso e a força de Metallica e Motorhead com a história densa do soul/pop/funk/rock/blues do mito Stevie Wonder (até aí nada contra) e com as ladainhas e falta de qualidade do que hoje se chama rhythm and blues –coisas dispensáveis e descoladas como Rihanna. Há ainda coisas mais dispensáveis ainda, como Kate Perry, Shakira, Cláudia Leitte, Ivete Sangalo e a chamada “Pista Eletrônica”, setor totalmente incompatível com um festival que tem rock no nome. Ou seja, quem pretende assistir alguma coisa de qualidade terá de suportar coisas indignas de figurarem em um festival da grandiosidade e da importância do Rcok in Rio. Restará apenas tentar pinçar algo interessante no palco Sunset, cuja programação será marcada por encontros inusitados – Ed Motta receberá o português Rui Veloso e o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura (???); Bebel Gilberto cantará com Sandra de Sá (?????); Marcelo Jeneci e Curumim (???); Marcelo Yuka tocará com Cibelle, Karina Buhr e Amora Pêra (?????????); Cidade Negra (aaargh) receberá Martinho da Vila e Emicida (??????????????????); Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes; Zeca Baleiro (????????); Mutantes tocando com Tom Zé (fuja do planeta!); Marcelo Camelo e The Growlers (fuja da galáxia!)… Esqueça todas essas bizarrices. Vá no certo neste Sunset Stage: Milton Nascimento com a jazzista Esperanza Spaulding; Matanza e B Negão (vale pelo Matanza); Korzus tocando com os Punk Metal Allstars; Angra tocando com a cantora finlandesa Tarja Turunen (ex-Nightwish); Sepultura recebendo o Tambours du Bronx; Titãs no mesmo palco que a veteraníssima banda punk portuguesa Xutos & Pontapés; Afrika Bambaata cantando com Paula Lima (vale pela curiosidade). O rock sai perdendo de goleada no Rock in Rio 4 com seu novo conceito de diversidade e entretenimento. Ganham a pluralidade e a orientação quase que exclusivamente pop. A música lentamente deixa de ser o foco principal. Que assim seja. Mas não me convide, por favor…