Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quarta-feira, abril 30, 2008
Argumentos consistentes contra as drogas
Os textos a seguir foram retirados do blog de Reinaldo Azevedo, jornalista que colabora com a revista Veja. O blog está no site da revista. Geralmente não me agradam os textos dele, mas estes merecem uma relexão. Afinal, raramente ele acerta...
Marcha dos maconheiros tem de ser proibida. E quem marchar tem de ser preso. É a lei!
Leia o que vai abaixo, na Folha. Volto depois:
O Ministério Público de São Paulo luta na Justiça para impedir a realização da marcha da maconha no próximo domingo, marcada para as 14h no parque Ibirapuera. A marcha ocorre também em diferentes cidades do mundo neste final de semana e em mais 11 cidades brasileiras na tarde de domingo.
Com o pedido de medida liminar, o Ministério Público espera decisão semelhante à concedida pela Justiça a seu órgão corresponde na Bahia.
"Em pelo menos três Estados houve decisões desse tipo. Difundir o uso de droga é crime previsto já na própria Lei de Entorpecentes. Esperávamos uma decisão favorável ainda hoje [ontem], o que não ocorreu até as 19h", afirmou o promotor Marcelo Luiz Barone, um dos autores do pedido juntamente com a promotora Paula Castanheira Lamenza.
(...)
Um dos participantes do Coletivo da Marcha da Maconha, o sociólogo Renato Cinco, diz que a manifestação é uma questão de liberdade de expressão e que o movimento tentará derrubar as liminares.
"Queremos mostrar a nossa opinião sobre uma lei [que caracteriza a maconha como substância ilegal]. A proibição gera conseqüências muito piores que a legalização."
Segundo Cinco, foi informado que os participantes não devem portar maconha durante a realização da marcha.
segunda-feira, abril 28, 2008
Por ROBERTO VIEIRA
Publicado no Blog de Juca Kfouri
Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.
Era o plebeu dos esportes.
Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.
O primeiro jogo oficial em Wembley. Wembley ainda inacabado.
A final da FA Cup entre Bolton Wanderes e West Ham.
Um belo dia de primavera em Londres com a presença do Rei George V.
Quase uma tragédia.
Pra quem imagina as multidões no Maracanã em 1950, surpresa!
Mais de 250 mil pessoas assisitiram o jogo em Wembley.
126.047 pagantes. O restante, invadindo até o campo de jogo.
Mas, os tempos e os ingleses eram outros. A multidão no centro do gramado estava de bom humor.
E o constable George Scorey montado em Billy, seu cavalo branco, conseguiu levar os torcedores até na beira do gramado.
Onde ficaram até o fim do jogo.
Jogo que não precisou de linhas laterais, nem linhas de fundo.
As quatro linhas do gramado eram humanas. Como nas peladas de fim de semana.
Quando a bola batia em um torcedor era lateral, escanteio ou tiro de meta.
O primeiro gol foi marcado por David Jack.
Mas foi o segundo que entrou para a história.
O atacante J.R. Smith do Bolton chutou. A bola entrou no gol e voltou.
Rebatida por torcedores que estavam... dentro da barra.
O Bolton Wanders venceu por 2 x 0.
O Rei voltou plebeu para seu palácio.
E o futebol mostrou quem era o Rei. Do Império Britânico. E do mundo.
Com a ajuda inestimável de Billy.
Pra completar, um tributo recente.
Uma nova ponte para pedestres foi construída nas cercanias do Estádio de Wembley em 2006.
Foi lançada uma votação pela BBC para batizar a ponte.
Adivinhem quem venceu a votação na frente de Alf Ramsey, Bobby Charlton e Geoff Hurst?
Pois é!
Com um terço dos votos, a ponte se chama 'A Ponte do Cavalo Branco'!
Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.
Era o plebeu dos esportes.
Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.
Por ROBERTO VIEIRA
Publicado no Blog de Juca Kfouri
Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.
Era o plebeu dos esportes.
Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.
O primeiro jogo oficial em Wembley. Wembley ainda inacabado.
A final da FA Cup entre Bolton Wanderes e West Ham.
Um belo dia de primavera em Londres com a presença do Rei George V.
Quase uma tragédia.
Pra quem imagina as multidões no Maracanã em 1950, surpresa!
Mais de 250 mil pessoas assisitiram o jogo em Wembley.
126.047 pagantes. O restante, invadindo até o campo de jogo.
Mas, os tempos e os ingleses eram outros. A multidão no centro do gramado estava de bom humor.
E o constable George Scorey montado em Billy, seu cavalo branco, conseguiu levar os torcedores até na beira do gramado.
Onde ficaram até o fim do jogo.
Jogo que não precisou de linhas laterais, nem linhas de fundo.
As quatro linhas do gramado eram humanas. Como nas peladas de fim de semana.
Quando a bola batia em um torcedor era lateral, escanteio ou tiro de meta.
O primeiro gol foi marcado por David Jack.
Mas foi o segundo que entrou para a história.
O atacante J.R. Smith do Bolton chutou. A bola entrou no gol e voltou.
Rebatida por torcedores que estavam... dentro da barra.
O Bolton Wanders venceu por 2 x 0.
O Rei voltou plebeu para seu palácio.
E o futebol mostrou quem era o Rei. Do Império Britânico. E do mundo.
Com a ajuda inestimável de Billy.
Pra completar, um tributo recente.
Uma nova ponte para pedestres foi construída nas cercanias do Estádio de Wembley em 2006.
Foi lançada uma votação pela BBC para batizar a ponte.
Adivinhem quem venceu a votação na frente de Alf Ramsey, Bobby Charlton e Geoff Hurst?
Pois é!
Com um terço dos votos, a ponte se chama 'A Ponte do Cavalo Branco'!
Há 85 anos o futebol não era o rei dos esportes.
Era o plebeu dos esportes.
Mas o dia 28 de abril de 1923 mudou a história do futebol.
terça-feira, março 11, 2008
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
Faz tempo que os brasileiros sofrem para entrar na Espanha, de acordo com a jornalista Dalva Aleixo Dias, que conclui uma tese de doutorado pela Universidade de La Laguna, na Espanha, sobre a imagem dos brasileiros na imprensa espanhola. "Quantas pessoas foram maltratadas antes que essas histórias mais recentes fossem publicadas? Isso só veio à tona porque, agora, há universidades por trás."
Na semana passada, dois mestrandos foram barrados ao passar por Madri (Espanha) com destino a Lisboa (Portugal). O caso detonou um mal-estar entre Brasil e Espanha no que diz respeito à imigração.
Segundo Dias, no período em que ela morou na Espanha, entre 1996 e 1999, a imprensa espanhola publicou casos de uma brasileira estuprada pelos policiais da imigração e de um brasileiro que não agüentou a pressão da investigação para entrar no país --que já durava dois ou três dias-- e se enforcou, no aeroporto.
No mesmo período, Dias afirma que teve a sua permanência no país ameaçada após um bate-boca com um funcionário do setor de imigração --ele mandou que ela voltasse "de vez" para o Brasil-- e teve a filha de 5 anos empurrada escada abaixo por um grupo de colegas de escola que, havia alguns dias, a chamavam de "porca americana".
Ela conta que os espanhóis mantêm um estereótipo de que os brasileiros ou são do mundo do espetáculo (profissionais de capoeira ou samba) ou da prostituição. "Depois de um tempo, convencidos de que eu era diferente, arrumaram uma maneira de me 'espanholar'. Eu passei a ser 'Dalba' e não 'Dalva'; 'Alexio' e não 'Aleixo'; 'Diaz' e não 'Dias'. E se você é branco e tem ascendência européia, não é considerado brasileiro. É um europeu que, por acaso, nasceu no Brasil. Daí, vale a lei do sangue."
Para Dias, o preconceito contra os brasileiros é conseqüência da péssima imagem do país no exterior. "Para eles, nós sempre fomos um destino exótico no qual nós éramos os selvagens e eles, os evoluídos. De repente, na década de 80, eles se tornaram o destino, entraram numa crise financeira e se sentiram invadidos. O imigrante, fragilizado, virou bode expiatório para justificar o que eles não conseguem resolver."
De acordo com a pesquisadora, na análise da imprensa espanhola, ela concluiu que, lá, a vida dos brasileiros "não vale nada". "Se uma brasileira é morta, ela seduziu alguém e foi um crime passional. Se um brasileiro é morto, ou ele era homossexual e seduziu alguém --e foi crime passional-- ou ele era traficante --e foi queima de arquivo."
Dias afirma que a má imagem é fruto, principalmente, de uma propaganda institucional ruim; das histórias de violência que a imprensa brasileira passa à européia; e da vantagem que os espanhóis levam no mercado turístico, quando depreciam o Brasil. "Nas ilhas Canárias, eles patentearam a marca Carnaval e contrataram brasileiros para ensinar a sambar, costurar fantasias e compor sambas-enredo. Eles, agora, dizem que têm o segundo maior Carnaval do mundo, com a vantagem da segurança."
Tratado
Nos últimos dez anos, a situação melhorou, na opinião da pesquisadora. Ela afirma que, cada vez mais, os imigrantes deixam de ser vistos como "ladrões de empregos" para serem vistos como fator de impulso para a economia. "Com a entrada do capital espanhol no Brasil, nós viramos parceiros. E o Brasil tem crescido em questões políticas, diplomáticas."
O primeiro passo para a solução do problema, para a pesquisadora, seria a criação de um tratado de tratamento de imigrantes. "No Brasil, nós fazemos um esforço absurdo para falar no idioma deles, para que eles nos entendam, para que se sintam em casa. Não somos cordiais, somos quase servis. Quando chegamos lá, se você não conhece bem o idioma ou os costumes do país, eles simplesmente nos viram as costas."
Para Dias, os brasileiros não podem continuar sem proteção. "O governo precisa estar mais atento para defender os cidadãos, onde quer que eles estejam."
quarta-feira, março 05, 2008
São raras as entrevistas nas páginas amarelas de Veja que têm sido relevantes nos últimos anoas. Finalmente, nesta semana, a geneticista Mayana Zatz, autoridade mundial no assunto e líder no Brasil em pesquisas com células-tronco, foi definitiva ao tratar do assunto:
Veja – As pesquisas com células-tronco embrionárias encontram-se proibidas no Brasil sob o argumento de que vão contra dois princípios constitucionais: o de que a vida é inviolável e o que garante a dignidade da pessoa. Como a senhora avalia essa proibição?
Mayana – Essa proibição é absurda. Inviolável é a vida de inúmeros pacientes que morrem prematuramente ou estão confinados a uma cadeira de rodas e poderiam se beneficiar dessas pesquisas. É preciso entender que os cientistas brasileiros só querem fazer pesquisa com os embriões congelados que permanecem nas clínicas de fertilização, e sempre com o consentimento do casal que os gerou. Se o casal, por algum motivo religioso ou ético, for contra doar seus embriões, não precisará fazê-lo. Deve-se lembrar que o destino dos embriões que não forem utilizados para pesquisa é ficar congelados até ser descartados. Estamos falando de embriões que nunca estiveram num útero, nem nunca estarão. Não existe nenhuma possibilidade de vida para eles.
Veja – Afinal, quando começa a vida? Do ponto de vista da ciência, o embrião é um ser humano?
Mayana – Não existe um consenso sobre quando começa a vida. Cada pessoa, cada religião tem um entendimento diferente. Mas existe, sim, um consenso de que a vida termina quando cessa a atividade do sistema nervoso. Quando o cérebro pára, a pessoa é declarada morta. Pelo mesmo raciocínio, se não existe vida sem um cérebro funcionando, um embrião de até catorze dias, sem nenhum indício de células nervosas, não pode ser considerado um ser vivo. Pelo menos não da forma que entendemos a vida. Por isso, todos os países que permitem pesquisas com embriões determinam que eles devem ter no máximo catorze dias de desenvolvimento. Os embriões congelados que se quer usar no Brasil têm ainda menos tempo, entre três e cinco dias.
O guitarrista canadense JEFF HEALEY morreu no último domingo vítima de um câncer contra o qual batalhava há tempos. Healey tinha apenas 41 anos, e seu mais recente disco, "Among Friends", será lançado esta semana.
Healey perdeu sua visão ainda bebê, graças a um raro tipo de câncer denominado retinoblastoma, e com apenas três anos de idade começou a tocar guitarra. Por ser cego, desenvolveu um estilo peculiar de tocar, com a guitarra apoiada em seu colo. Com sua JEFF HEALEY BAND, gravou discos de enorme sucesso, que chegaram a ser indicados ao Grammy. Tocou e gravou ainda com artistas de renome, como B.B. KING, STEVIE RAY VAUGHAN, GEORGE HARRISON, MARK KNOPFLER e IAN GILLAN, entre muitos outros.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Se não bastasse a perseguição política que o governo cubano castrista e pseudocomunista empreendeu contra a oposição, vem à tona agora informações sobre a perseguição cultural que o aparato repressor daquela ditadura bananeira do Caribe moveu contra as bandas de rock. Convenientemente, a mídia internaiconal, como um todo, de forma conivente, ignorou o assunto. Mais informações aqui.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Por MARCOS FONSECA
Retirado do Blog de Juca Kfouri e Blog Santista
Se ninguém brecar, vem coisa pior que rebaixamento por aí. E agora, o que será do Peixe? Sinceramente, na situação atual, o que menos me preocupa é o rebaixamento, porque ainda evitável, mesmo com os Betões e Marcinhos Guerreiros que formam esse não-time. Cair é contingência do esporte e já vitimou clubes quase tão grandes quanto o Santos. O Milan italiano, por exemplo. Nos momentos difíceis, quem tem história e tradição junta os cacos, esquece as picuinhas, aposta na união e ressurge ainda mais engrandecido. Faz do tombo um épico, pela elegância com que se levanta.
No Santos, após oito anos de administração oropéia e da ampliação do poder da família Teixeira sobre o clube, o buraco é mais embaixo. Pior do que o time caminhar a passos largos para a segundona é entregar-se ao bando de urubus que voam cheios de apetite no céu da nossa desgraça. Os primeiros passos nessa direção foram dados em 2004, quando o futebol santista passou a ser terceirizado por Vanderlei Luxemburgo. A ida do treinador para o Real Madrid, em 2005, representou unicamente um intervalo, para que nossa brilhante diretoria testasse definitivamente a própria incompetência e para que Cafa Luxa voltasse, no ano seguinte, ainda mais prestigiado, onipotente e voraz.
Nos últimos dois anos, a rapinagem virou coisa de profissionais e ganhou estrutura empresarial. O Santos foi a encubadora que gerou a associação mafiosa e o laboratório em que as ações criminosas foram experimentadas. A rede – inicialmente limitada aos negócios do treinador com fornecedores preferenciais e restrita ao âmbito do clube –, rapidamente cresceu, criou ramificações e ampliou seu campo de atuação. Pelo menos na maior parte do ano passado, Luxemburgo foi pago pelo Santos, mas de fato trabalhou full time pela WL Sports e seus parceiros.
Não é segredo que, por trás da contratação de cinco jogadores do Bragantino pelo Corinthians, em meados do ano passado, esteve o dedo do treinador santista. Também foi o Santos que bancou a montagem da equipe profissional multidisciplinar que hoje Luxemburgo distribui entre os clubes com os quais mantém vínculos formais e informais. Grande parte foi com ele para o Palmeiras, mas há alguns bem situados no Corinthians (o ex-jogador Antonio Carlos Zago e o médico Joaquim Grava), outros menos festejados no Joinville e sabe-se lá quantos mais em outras agremiações.
Quando se juntam os fios que ligam Traffic, Luxemburgo, Juan Figger, Wagner Ribeiro, Sondas, Chedid e outros investidores e agenciadores, têm-se a dimensão da trama. Nela, unificam-se as pontas dos negócios do futebol, com vistas exclusivamente aos interesses do grupo. É uma ameaça e tanto, ainda não percebida pelos clubes, em especial aqueles dirigidos com visão imediatista e em maiores dificuldades. Para estes, a aproximação com esse tipo de gente é encarada como solução para o descalabro administrativo a que estão submetidos.
O Santos parece perto de cair no canto da sereia. Esgotada toda sua capacidade de planejamento – historicamente resumida à entrega alternada do time, ora a Leão ora a Luxemburgo –, Marcelo Teixeira está sendo seduzido pelo ex-inimigo público número 1 Wagner Ribeiro, aquele que se notabilizou pelo assédio despudorado a jovens jogadores e seus familiares. É esse aliciador de menores que está convencendo nosso perspicaz presidente a fechar acordo com a holding da quadrilha.
Na Vila, apenas Leão parece pressentir o perigo. Mas o treinador não enxerga muito além de suas desavenças pessoais com Luxemburgo e determinados empresários de jogador de futebol. Não vê por completo o tamanho da encrenca reservada aos que sucumbirem à tentação de vender a alma ao diabo. Porque é isso mesmo o que vai acontecer com o Santos e com todo clube que cair nessa conversa. Todos se transformarão em meros participantes de um consórcio, sujeitos às regras impostas pelo administrador do negócio e submetidos aos seus desígnios comerciais.
*Marcos Fonseca é jornalista, foi editor do "Fantástico" nos anos 80 e é torcedor santista.
http://www.blogsantista.com.br/marcao/
*Por MARCOS FONSECA Retirado do Blog de Juca Kfouri e do Blog Santista
Se ninguém brecar, vem coisa pior que rebaixamento por aí. E agora, o que será do Peixe? Sinceramente, na situação atual, o que menos me preocupa é o rebaixamento, porque ainda evitável, mesmo com os Betões e Marcinhos Guerreiros que formam esse não-time. Cair é contingência do esporte e já vitimou clubes quase tão grandes quanto o Santos. O Milan italiano, por exemplo. Nos momentos difíceis, quem tem história e tradição junta os cacos, esquece as picuinhas, aposta na união e ressurge ainda mais engrandecido. Faz do tombo um épico, pela elegância com que se levanta.
No Santos, após oito anos de administração oropéia e da ampliação do poder da família Teixeira sobre o clube, o buraco é mais embaixo. Pior do que o time caminhar a passos largos para a segundona é entregar-se ao bando de urubus que voam cheios de apetite no céu da nossa desgraça. Os primeiros passos nessa direção foram dados em 2004, quando o futebol santista passou a ser terceirizado por Vanderlei Luxemburgo. A ida do treinador para o Real Madrid, em 2005, representou unicamente um intervalo, para que nossa brilhante diretoria testasse definitivamente a própria incompetência e para que Cafa Luxa voltasse, no ano seguinte, ainda mais prestigiado, onipotente e voraz.
Nos últimos dois anos, a rapinagem virou coisa de profissionais e ganhou estrutura empresarial. O Santos foi a encubadora que gerou a associação mafiosa e o laboratório em que as ações criminosas foram experimentadas. A rede – inicialmente limitada aos negócios do treinador com fornecedores preferenciais e restrita ao âmbito do clube –, rapidamente cresceu, criou ramificações e ampliou seu campo de atuação. Pelo menos na maior parte do ano passado, Luxemburgo foi pago pelo Santos, mas de fato trabalhou full time pela WL Sports e seus parceiros.
Não é segredo que, por trás da contratação de cinco jogadores do Bragantino pelo Corinthians, em meados do ano passado, esteve o dedo do treinador santista. Também foi o Santos que bancou a montagem da equipe profissional multidisciplinar que hoje Luxemburgo distribui entre os clubes com os quais mantém vínculos formais e informais. Grande parte foi com ele para o Palmeiras, mas há alguns bem situados no Corinthians (o ex-jogador Antonio Carlos Zago e o médico Joaquim Grava), outros menos festejados no Joinville e sabe-se lá quantos mais em outras agremiações.
Quando se juntam os fios que ligam Traffic, Luxemburgo, Juan Figger, Wagner Ribeiro, Sondas, Chedid e outros investidores e agenciadores, têm-se a dimensão da trama. Nela, unificam-se as pontas dos negócios do futebol, com vistas exclusivamente aos interesses do grupo. É uma ameaça e tanto, ainda não percebida pelos clubes, em especial aqueles dirigidos com visão imediatista e em maiores dificuldades. Para estes, a aproximação com esse tipo de gente é encarada como solução para o descalabro administrativo a que estão submetidos.
O Santos parece perto de cair no canto da sereia. Esgotada toda sua capacidade de planejamento – historicamente resumida à entrega alternada do time, ora a Leão ora a Luxemburgo –, Marcelo Teixeira está sendo seduzido pelo ex-inimigo público número 1 Wagner Ribeiro, aquele que se notabilizou pelo assédio despudorado a jovens jogadores e seus familiares. É esse aliciador de menores que está convencendo nosso perspicaz presidente a fechar acordo com a holding da quadrilha.
Na Vila, apenas Leão parece pressentir o perigo. Mas o treinador não enxerga muito além de suas desavenças pessoais com Luxemburgo e determinados empresários de jogador de futebol. Não vê por completo o tamanho da encrenca reservada aos que sucumbirem à tentação de vender a alma ao diabo. Porque é isso mesmo o que vai acontecer com o Santos e com todo clube que cair nessa conversa. Todos se transformarão em meros participantes de um consórcio, sujeitos às regras impostas pelo administrador do negócio e submetidos aos seus desígnios comerciais.
*Marcos Fonseca é jornalista, foi editor do "Fantástico" nos anos 80 e é torcedor santista.
http://www.blogsantista.com.br/marcao/
Tristes tempos em que a liberdade de expressão e de opinião fique à mercê de juízes incompetentes e despraparados, bem como de interesses mesquinhos de herdeiros de legados artístico-culturais importantes. As filhas do escritor Guimarães Rosa querem impedir a publicação dos diários do autor quando foi cônsul brasileiro em Hamburgo, Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Não bastasse isso, querem retirar de circulação a primeira parte de uma biografia que está ans livrarias em Belo Horizonte. Elas são criminosas, praticam crime contra a humanidade. Do mesmo modo que Roberto Carlos quando vetou e foi à Justiça contra a publicação de sua (elogiosa) biografia. Vergonha total.
terça-feira, fevereiro 19, 2008
O caso em que a nadadora Joana Maranhão narra um suposto abuso sexual que teria sofrido na infância, quando treinava em Recife, é um dos maiores absurdos ocorridos neste começo deste ano. Abre um precedente muito perigoso, onde reputações podem ser destruídas por uma simples acusação que, no caso específico, é impossível de provar.
E tem gente aplaudindo a atitude irresponsável e criminosa da nadadora e de sua mãe, provavelmente para mascarar seus fracassos cada vez mais frequentes nas piscinas. E o pior é que a a revista Veja e um de seus colunistas parabenizaram a atleta neste ato criminoso de covardia.
É inadmissível que acusações graves de pedofilia como a de Joana Maranhão sejam feitas sem que haja o menor indício de prova. Não se trata de defender o hediondo comportamento criminoso de pedófilos, mas se trata de evitar que a calúnia, a injuria, a difamação e a injustiça ganhem fôlego em nossa sociedade.
O texto abaixo, do editor de Variedades, do Jornal da Tarde, é o fiel retrato da sociedade brasileira. Ninguém quer cultura, ninguém quer educação, só novelas de baixo nível e Big Brothers. Deixei de acreditar faz tempo nessa sociedade medíocre e nojenta. Merece sustentar toda a incompetência e corrupção que cai em sua cabeça.
JÚLIO MARIA
do Jornal da Tarde
Quando a Globo quer, a Globo faz. A estréia de Queridos Amigos, na noite de segunda, foi uma mostra da potência dramatúrgica e técnica que a emissora se tornou, mas que, por razões comerciais, prefere ela mesma ignorar.
A história da turma que se conhece na década de 70 e que se reencontra dez anos depois, motivada por Léo (Dan Stulbach), tem tudo para atingir até o telespectador mais crítico. Sensibilidade sem pieguices. Diálogos sem correria. Emoção sem imposição. É a anti-novela das oito, que prende a audiência pela beleza de imagens e diálogos.
E aí vem a ‘maldição’ do Ibope. Queridos Amigos deu 22,6 pontos, bem abaixo da expectativa. Amazônia, de Gloria Perez, estreou com 34 pontos. JK, da mesma Maria Adelaide Amaral de Queridos, abriu com 39. Os jornalistas escrevem bem de Queridos Amigos em um parágrafo e colocam o fracasso de audiência logo abaixo. Estamos em uma enroscada. Assim como não pensamos em fazer jornal para nossos queridos amigos de redação, a Globo não deve pensar em fazer televisão para jornalistas.
Quando a qualidade sobe, a quantidade cai – é a lógica desde sempre. A Globo já aprendeu com fiascos do tipo A Pedra do Reino e criou em sua programação um sistema de cotas de produções de alto nível para agradar a um público que não é exatamente a massa.
Se quiser ver algo realmente bem escrito e bem filmado, o indivíduo terá de ficar acordado até umas 23h30, horário em que acaba o Big Brother Brasil e começa Queridos Amigos. Fazer o mesmo em horário nobre, jamais. A massa, verifica a Globo, não suportaria tanto refinamento.
O equívoco está na forma que vem o tal refinamento. A Pedra do Reino não pode ser usada como parâmetro para sustentar a teoria de que o povo não gosta de beleza. Aquilo foi uma aberração, um radicalismo prepotente que só quis esfregar o veja-o-que-podemos-fazer-na-TV na cara de quem cobra qualidade de uma emissora de televisão.
Queridos Amigos está em outro nível e nada irá resistir sobretudo à história que ela tem para contar. Com um ou 80 milhões de televisores ligados, o fato é que tem tudo para criar daquelas imagens que insistem em ficar na lembrança.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Editorial - O Estado de S. Paulo - 18 de fevereiro de 2008
Numa ação orquestrada para intimidar jornalistas e empresas de comunicação, fiéis e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus ajuizaram dezenas de processos por dano moral contra os jornais Folha de S.Paulo e Extra. O primeiro jornal publicou em dezembro uma extensa reportagem mostrando como o fundador da seita, "bispo" Edir Macedo, usou o dinheiro do dízimo para montar um poderoso grupo empresarial, com o braço financeiro registrado no paraíso fiscal de Jersey. O segundo jornal noticiou a agressão a uma imagem de São Benedito - um santo católico - por um seguidor da Igreja, na Bahia.
Segundo a reportagem da Folha, o complexo empresarial de Edir Macedo é constituído por 23 emissoras de TV e 40 emissoras de rádio, o que o torna o maior proprietário de concessões do País. Além disso, o "bispo" evangélico é proprietário de 19 outras empresas, dentre as quais 2 gráficas, 1 imobiliária, 1 agência de turismo e 1 firma de táxi aéreo, todas registradas em nome de seus "pastores". A reportagem revelou ainda que a Universal arrenda as emissoras que integram a Rede Aleluia, que Macedo detém 99% das ações da TV Capital, geradora da Rede Record, e que ele tem à sua disposição um avião adquirido por US$ 28 milhões.
Nas dezenas de processos ajuizados contra a Folha, "pastores e fiéis" da Universal reivindicam indenizações de R$ 1 mil a R$ 10 mil, sob a justificativa de que a reportagem lhes causou prejuízos morais. Nas ações contra o Extra, os autores alegam que o objetivo do jornal não foi informar, mas provocar a "ira" dos católicos e criar um clima de "perseguição religiosa", submetendo os seguidores da seita ao "risco diário de sofrer agressões físicas e discriminações".
O que chama a atenção nessas ações de dano moral não é o baixo valor das indenizações pleiteadas nem a falta de fundamento nas justificativas, mas, sim, a estratégia utilizada pelo empresário para intimidar jornais e jornalistas. As ações contra o Extra foram ajuizadas não na cidade onde está a sede da empresa, mas em distintas comarcas no interior do Estado do Rio de Janeiro. Os processos contra a Folha foram protocolados em lugares ainda mais distantes - quase todos situados a cerca de 200 quilômetros da capital de diferentes unidades da Federação. E, embora as ações sejam individuais, quase todas as petições apresentam textos idênticos, deixando clara a existência de uma ação orquestrada.
Como os dois jornais têm de se defender em cada uma dessas comarcas, o expediente da Igreja os obrigou a contratar advogados nas cinco regiões do País, elevando significativamente os gastos das empresas que os editam. Além disso, como várias audiências foram marcadas no mesmo dia e em algumas cidades da Região Norte, cujo acesso somente se faz por barco, o departamento jurídico da Folha teve de montar uma logística especial para defender a empresa e a jornalista que assinou a reportagem. Muitos processos foram abertos em juizados especiais cíveis, o que, por lei, exige a presença do réu e aumenta os gastos das empresas com viagens e deslocamentos de advogados e jornalistas. E em vários processos os autores citam não somente os repórteres, mas também os diretores de redação - e todos são obrigados a comparecer às audiências, sob o risco de serem condenados à revelia.
Em nota de protesto, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) qualificou a estratégia da Universal como "intimidação ao livre exercício do jornalismo". Para a entidade, os "pastores" e fiéis que acionaram a Folha e o Extra não têm por objetivo "restabelecer a honra ou a verdade, mas apenas constranger empresas jornalísticas no seu dever de livremente informar a sociedade". "É uma tentativa espúria de usar o Poder Judiciário contra a imprensa e privar o cidadão do direito de ser informado", conclui a nota.
Felizmente, os magistrados encarregados de julgar esses processos já perceberam a má-fé dos reclamantes. Alguns juízes nem sequer acolheram as ações. E pelo menos um deles, Alessandro Pereira, da comarca de Bataguaçu, Mato Grosso do Sul, não só rejeitou sumariamente o pedido de indenização, como condenou o autor por litigância de má-fé. Com decisões como essa, a Justiça está tratando o querelante como o que ele realmente é - um ganancioso empresário bem-sucedido - e não como o pastor evangélico caluniado pelos inimigos da sua igreja, que é como ele se apresenta.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
De acordo com o site RushIsABand, o "Snake & Arrow Live", álbum duplo ao vivo do RUSH, previsto para sair em 8 de abril, conterá as seguintes faixas:
Disc 1:
01 - Limelight
02 - Digital Man
03 - Entre Nous
04 - Mission
05 - Freewill
06 - Monkey Business
07 - Larger Bowl
08 - Secret Touch
09 - Circumstances
10 - Between The Wheels
11 - Dreamline
12 - Far Cry
13 - Workin' Them Angels
14 - Armor And Sword
Disc 2:
01 - Spindrift
02 - The Way The Wind Blows
03 - Subdivisions
04 - Natural Science
05 - Witch Hunt
06 - Malignant Narcissism (Drum Solo)
07 - Hope
08 - Distant Early Warning
09 - The Spirit Of Radio
10 - Tom Sawyer
11 - Encore
12 - One Little Victory
13 - A Passage To Bangkok
14 - YYZ.
do Whiplash e da Billboard
Parece que o "Endless Wire" primeiro álbum de inéditas do THE WHO após 24 anos, empolgou os dois membros remanescentes - o vocalista Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend, já que este último afirma que eles estão trabalhando as idéias para um novo disco, que deve contar com o apoio do produtor T-Bone Burnett.
"Espero trazer canções num formato mais convencional para o novo álbum do The Who. Possivelmente faremos alguns shows na temporada de festivais do segundo semestre. Quero fazer isso apenas por diversão, não quero que isto se transforme em uma grande turnê, pois é necessário me manter focado no processo de composição", disse Pete.
E ainda este ano devem sair dois DVDs trazendo material registrado em 14 de dezembro de 1969 no London Coliseum - incluindo uma performance completa do "Tommy" - e outro filmado profissionalmente em 15 de dezembro de 1977 no Kilburn State Gaumont, para ser utilizado no documentário "The Kids Are Alright", mas que nunca foi lançado oficialmente até agora.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
do site Whiplash
"Led levou o Rock a outro nível", diz Roger Daltrey
Roger Daltrey falou sobre a importância de Robert Plant e do LED ZEPPELIN na edição da revista Classic Rock que está nas bancas (nos Estados Unidos).
Lembra Daltrey: "quando o Zeppelin apareceu eu achei que eles eram fantásticos. Um dos primeiros shows deles nos Estados Unidos foi abrindo pra gente, em Maryland. Eu fiquei do lado do palco e assisti o show dos caras e me lembro de achar que eles eram brilhantes... Meio que derivativos do Cream mas com muito mais peso. Robert era um vocalista de Rock'N'Roll. Jack Bruce era na verdade um vocalista de jazz e Blues. Mas Robert sabia como agitar".
Ele continuou a explicar como o Zeppelin acabou por definir as mudanças no Rock que começaram no final dos anos 60: "O Zeppelin pegou o Rock e o levou a outro nível. Havia poder ali. Eis que de repente aquela era uma nova forma de música. A cena musical da época estava começando a ficar um pouco cansada. Mesmo o (Jimi) Hendrix... estava indo por um caminho mais Jazz. O Zeppelin recuperou a cena".
Em 14 de dezembro, Daltrey se apresentou com o TRANS-SIBERIAN ORCHESTRA em Uniondale, Nova York, no Nassau Coliseum. O site Thewho.com informou que Daltrey se apresentou por 15 minutos e cantou os clássicos do THE WHO "Behind Blue Eyes", "Pinball Wizard" e "See Me, Feel Me".
Espera-se que o grupo saia em turnê ainda em 2008, apesar de ainda não haver ocorrido divulgação de datas ou locais. De acordo com informações desencontradas tanto de Daltrey quanto de Pete Townshend, é possível que a banda faça shows no Japão e na Austrália. Townshend, que aparentemente está compondo material para o sucessor do "Endless Wire", de 2006, declarou que espera também se apresentar na Inglaterra.
terça-feira, dezembro 25, 2007
Texto publicado na Folha de S. Paulo de 15 de dezembro de 2007
JOSÉ GERALDO COUTO
Jesus, amor etc.
Kaká, como jogador, é o máximo, mas tomá-lo como modelo para os jovens é anacrônico e conservador
A escolha de Kaká como melhor futebolista do planeta não surpreendeu ninguém, pelo que ele jogou na temporada. O que me assustou um pouco foi ouvir no rádio e na televisão uma porção de gente exaltar o rapaz como "modelo positivo para a juventude". Ora, vamos combinar, Kaká fora de campo, à parte a beleza física evidente, é de uma insipidez espantosa. Mauricinho e carola, sua imagem corresponde a um bom-mocismo que eu julgava há muito superado. Não me entendam mal.
Nada contra ele casar virgem e estampar na camiseta que "pertence a Jesus". Mas daí a tomar isso como exemplo de caráter vai uma grande distância. Kaká, é bom lembrar, foi um dos primeiros a sair em defesa do casal Hernandes, os líderes da igreja evangélica Renascer em Cristo, que foram parar na cadeia por ludibriar a fé dos incautos e sonegar impostos. Apoio no mínimo questionável, a meu ver.
Ainda assim, problema dele. Mas há algo de profundamente regressivo em considerar esse tipo de comportamento como "sadio". Querer restaurar, a esta altura do campeonato, valores como a virgindade e a fé religiosa cega traz um perigoso ranço de TFP (a ultraconservadora Sociedade de Defesa da Tradição, da Família e da Propriedade), ainda que sob as tintas mais estridentes, pragmáticas e mercantilistas das correntes evangélicas. Como contraponto a esse obscurantismo anacrônico, lembro um episódio ocorrido com o grande ex-jogador e ex-treinador Elba de Pádua Lima, o Tim (1915-84), e narrado no recém-publicado "João Saldanha - Uma Vida em Jogo", de André Iki Siqueira.
Tim era técnico de um clube grande do Rio de Janeiro quando, numa peneira, um garoto ansioso por agradá-lo declarou: "Não bebo, não fumo nem farreio". Tim respondeu: "Pois aqui você vai aprender a fazer tudo isso". Claro que ninguém aqui é criança. Sabemos que o álcool, o cigarro e as noites maldormidas podem prejudicar a saúde e o desempenho de qualquer profissional. Mas são, no mais das vezes, experiências que fazem parte do aprendizado de vida de qualquer cidadão saudável.
Millôr Fernandes escreveu uma vez que a mais incompreensível de todas as taras é a abstinência. Ernest Hemingway, por sua vez, quando indagado sobre as coisas que poderiam atrapalhar a atividade do escritor, respondeu: "Mulheres, bebida, dinheiro. E também falta de mulheres, de bebida e de dinheiro". João Saldanha, sábio do futebol e da vida, ajudava seus jogadores a fugir da concentração para se divertir. Só recomendava, de modo meio machista, que não mudassem de mulher às vésperas de um jogo, caso contrário tenderiam a "mostrar serviço" na cama, desgastando-se em excesso.
Kaká entregou a alma a Jesus, o dinheiro à Renascer e a virgindade à noiva. Vágner levou uma mulher para a concentração do time e ganhou o apelido de Love.
O primeiro é muito mais jogador, mas o "exemplo" do segundo me agrada mais.
Por Luis Fernando Correia
Comentarista da CBN
Extraído do Blog de Juca Kfouri
Cientistas da Universidade de Oxford analisaram cientificamente a influência da altitude nos jogos de futebol. Segundo a pesquisa, publicada na última edição da revista "The British Medical Journal", os times do alto das montanhas aumentam as chances de vitória de 53% para 82%, quando enfrentam times que vêm do nível do mar.
Para chegar a essa conclusão, os estatísticos analisaram o banco de dados da Fifa que contém resultados de 1.460 jogos, num período de cem anos. A América do Sul foi a principal fonte de pesquisa, pois aqui se encontram as maiores diferenças de altitude em jogos internacionais. Um bom exemplo é o Rio de Janeiro, que fica ao nível do mar, e La Paz, a 3.650 metros de altitude.
A altitude afeta o funcionamento do corpo dos atletas que viajam para jogar sem períodos de adaptação, a chamada aclimatação. Por causa da menor pressão atmosférica, uma quantidade menor de oxigênio entra no corpo a cada inspiração. Essa redução de oxigênio no organismo provoca dor de cabeça, náuseas, tonteira e fadiga. Além disso, as temperaturas são mais baixas e o ar é mais seco.
Ao comparar os placares dos jogos entre times de altitudes diferentes, ficou comprovado que a vantagem numérica das equipes da Cordilheira dos Andes se traduz numericamente em aumento das chances de marcar gols, e menor número de gols sofridos.
Comparando os principais times da América do Sul –- Brasil, Argentina e Uruguai -–, a países localizados em altitudes mais elevadas, a vantagem de se jogar nas montanhas contra uma equipe de um país ao nível do mar sobe para 82%, contra 53% se os dois times forem de mesma altitude.
A cada 1.000 metros de diferença, o time da casa ganha quase meio gol de vantagem. Portanto, a Bolívia jogando em La Paz, 4.082 metros em seu ponto mais alto, numericamente sai com 1,48 gols de vantagem sobre um time do nível do mar.
Os cientistas foram capazes de determinar que, somente por conta da altitude, existe um aumento da chance do time da casa marcar um gol, e ao mesmo tempo diminui em 50% a chance do goleiro ver a bola no fundo da rede.
Apesar de esclarecida a questão médico-desportiva, o assunto é controverso do ponto de vista político do futebol. Entretanto, a Fifa acaba de aprovar, no último dia 15 de dezembro, em Tóquio, uma determinação para que não ocorram jogos em altitudes acima de 2.750 metros, sem o devido período de aclimatação, estimado em dez dias. Essa resolução passa a fazer parte imediatamente dos regulamentos da entidade e a Fifa recomenda que seja seguida em todos os jogos internacionais.