Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
sexta-feira, outubro 28, 2011
Há dez anos, o 11 de setembro obrigou o Dream Theater a trocar a capa de um CD
Os dez anos que marcaram os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, que culminaram com a destruição das duas torres do World Trade Center, também foram relembrados pelo mundo do rock pela banda que sofreu diretamente com o impacto do terrorismo. O Dream Theater teve projuízos e refez toda a arte de um álbum triplo ao vivo que foi lançado naquele fatídico dia.
A capa do CD “Live Scenes From Nwe York” trazia imagens da banda ao vivo como pano de fundo para uma imagem de uma maçã pegando fogo envolta em arame farpado (alusão à capa de Live at the Marquee”, de 1993, com um coração em vez de uma maçã) tendo logo acima imagens menores da Estátua da Liberdade e das Torres Gêmeas.
Milhares de cópias com essa capa já haviam sido distribuídas pelo mundo quando os atentados ocorreram, provocando desespero nos músicos e na equipe de suporte do Dream Theater.
A solução emergencial foi tentar recolher o máximo de cópias possível e recolocá-las com outra capa. Muitos fãs conseguiram o CD com a capa original antes do recolhimento – transformaram-se em itens raríssimos e valiosos no mercado. Tive o privilégio de adquirir o álbum com a capa original.
O ótimo site de rock Whiplash relembrou o impacto dos atentados na vida do Dream Theater em um interesante texto escrito por Jairo Cezar e que reproduzimos aqui. Logo em seguida, texto do mesmo site traz uma rápida entrevista feita este ano com o guitarrista John Petrucci sobre os acontecimentos daquele dia. (Marcelo Moreira)
Jairo Cezar
O ano de 2001 seria um ano rotineiro para o Dream Theater. A banda acabara sua grande turnê “Metropolis 2000″ com grandes apresentações do álbum “Scenes From a Memory” e estava preparando o lançamento de “Six Degrees of Inner Turbulence”.
Os shows refletiam o aspecto teatral do álbum. Uma tela de vídeo na parte de trás do palco mostrava imagens acompanhando a narrativa para a história do álbum. Além de tocar o álbum na íntegra, a banda também tocou um segundo conjunto de músicas, bem como alguns covers e improvisações de material antigo.
E nesse clima foi gravado um show extra especial, no Roseland Ballroom, em Nova York, onde foram contratados atores para interpretar personagens na história, além de um coro gospel para atuar em alguns pontos da performance.
Tudo estava perfeito para a banda. Um grande DVD seria lançado com toda essa temática apresentada na turnê. Mas uma triste coincidência acabaria com a felicidade da banda, principalmente do baterista Mike Portnoy, que sempre demonstra seu patriotismo pelos EUA.
A capa para a versão CD que foi lançado do show, intitulado “Scenes Live from New York”, apresentava um dos primeiros logos do Dream Theater (um coração ardente, inspirado no Sagrado Coração de Cristo) modificado para mostrar uma maçã (representando o apelido de NY, “Big Apple”) em vez do coração, e o céu da cidade, incluindo as torres gêmeas do World Trade Center, com a imagem da chama acima delas. Uma capa bem bonita por sinal.
A triste coincidência: o álbum foi lançado no dia 11 de Setembro, o fatídico dia em que as Torres Gêmeas foram atingidas por dois aviões em uma ação terrorista, e, após algumas horas tomadas pelas chamas (assim como na capa do álbum), elas desmoronaram matando milhares de pessoas. O álbum então foi rapidamente retirado das lojas e foi relançado pouco tempo depois com imagens do próprio show na capa.
Estima-se que existam cerca de mil exemplares da capa original rodando o mundo, alguns chegam a ser vendidos por milhares de dólares, que, devido a toda essa coincidência, se tornou item raro para os fãs.
No álbum “Six Dregrees of Inner Turbulence” a banda mudou o nome de uma música por conta dos ataques . “The Great Debate” era originalmente intitulada “Conflict at Ground Zero”. John Petrucci e Mike Portnoy estavam mixando o novo álbum em um estúdio de Manhattan (onde ficavam as torres gêmeas) no mesmo dia dos ataques e fizeram a alteração quando todas as notícias começaram a se referir ao local como “Ground Zero”
John Petrucci fala sobre o 11 de setembro de 2001
O guitarrista John Petrucci, do Dream Theater, falou para o site mexicano RockSalt sobre a capa do disco “Live Scenes From New York” no qual tinha uma montagem das torres gêmeas do World Trade Center e outros arranha-céus pegando fogo. Por coincidência, o dia do lançamento foi no mesmo que aconteceu o ataque terrorista, 11 de setembro de 2001.
Rapidamente, o álbum foi tirado das lojas e lançaram com uma outra capa. Hoje, existem poucas cópias da primeira versão do CD.
“Queríamos ilustrar Nova York, então pegamos o seu símbolo, o World Trade Center”, conta Petrucci. “e outra coisa que tínhamos usado antes, a partir do nosso álbum ‘Images and Worlds’, foi o coração em chamas. Então, tentamos unir as imagens, obviamente não antecipamos aquela coincidência horrível no dia que saiu o disco”.
“Nós percebemos o problema com o álbum, assim que aconteceu (o ataque). Então, fomos falar pelo telefone imediatamente. Eu não lembro a hora, mas me lembro de que éramos um ligando para o outro e falando assim: ‘Meu Deus isto não pode está acontecendo, precisamos mudar a capa imediatamente’. De fato o álbum foi lançado no dia 11 de setembro com aquela capa bizarra. Foi apenas uma total coincidência e nós ficamos realmente desapontados. Nossa primeira reação foi mudar a capa, colocar qualquer coisa rapidamente. Infelizmente, alguns discos foram vendidos, então ainda existem algumas cópias com aquela capa”.
“Não havia argumentos. Todo mundo sentiu a mesma coisa e pensou. ‘Precisamos mudar, precisamos mudar’. Consegui pegar quase todo o estoque e mudamos imediatamente. Ninguém hesitou ou resistiu, porque isto tinha que ser feito”.
terça-feira, outubro 25, 2011
A perigosa e duvidosa volta do Black Sabbath
Ao contrário do que aconteceu em 1997, o mundo não parou nesta semana com o anúncio do retorno da formação original e clássica do Black Sabbath. Neste mês de agosto, Tony Iommi supostamente teria acabado com o mistério na Inglaterra: ele e Ozzy Osbourne teriam se encontrado algumas vezes em julho para compor músicas para um álbum de inéditas e para preparar uma turnê mundial da banda. O último álbum de estúdio do Black Sabbath é "Forbidden", de 1995, com Tony Martin nos vocais; a última turnê ocorreu em 2004.
Porém, horas depois o próprio Iommi colocou uma nota oficial em seu site oficial desmentindo as informações divulgadas por um repórter do jornal Birmingham Post Mail. Disse que nada daquilo era verdade, e pediu desculpas aos companheiros de banda. Entretanto, não negou que esteja pensando e conversando sobre uma eventual volta do grupo.
Os planos seriam de gravar um álbum com músicas inéditas e sair em turnê mundial, algo que não ocorre desde 2004 com essa formação.
Os boatos correm a internet desde junho, quando o guitarrista Tony Iommi encerrou todos os compromissos do projeto beneficente WhoCares, que mantém ao lado do vocalista Ian Gillan (Deep Purple). Em algumas entrevistas, deu pistas de que poderia haver novo trabalho ao lado do vocalista Ozzy Osbourne – com ou sem Black Sabbath.
Os rumores ficaram mais fortes no final de julho, quando “fontes” não identificadas declararam a dois jornais ingleses que Iommi e Ozzy teriam se encontrado três vezes em julho e que o retorno do Black Sabbath era iminente, o que acabou se confirmando na noite de terça-feira em Londres.
A notícia foi recebida com certa indiferença no meio musical, embora o mundo do heavy metal esteja em festa. Há 14 anos, o retorno da formação principal do grupo – Ozzy, Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward – foi a notícia do ano, movimentando milhões de dólares em merchandising e eventos paralelos à turnê mundial que se seguiu.
Todo o catálogo da banda foi relançado em CDs remasterizados, até mesmo os da fase sem Ozzy. O ponto alto foi o lançamento de um CD duplo ao vivo, “Reunion”, no final de 1998, com duas músicas
As duas faixas, “Psycho Man” e “Selling My Soul”, foram gravadas no piloto automático, sem ânimo e sem a menor vontade – tanto que Iommi admitiu em 2000 que Ward não tocou bateria na segunda música, sendo o produtor Bob Marlette se encarregou de adicionar um instrumento eletrônico simulando a bateria.
Sem entusiasmo, vale a pena?
O pouco entusiasmo de 2011 com a volta do Sabbath recoloca a questão: o mundo realmente precisa de mais uma reunião de veteranos, ainda que sejam supercraques como o Black Sabbath?
Fiz essa pergunta em 1989 e 1996 quando The Who resolveu retomar as atividades. Sempre é maravilhoso ver gigantes do rock de volta à ativa, mas em alguns casos o cheiro de armação e de falta de espontaneidade fica evidente. Foi o caso do Who nas duas oportunidades – e o mesmo se deu com o Queen com Paul Rodgers, com o Bad Company atual e com o Thin Lizzy de 2011, entre muitos outros.
Quando Tony Iommi anunciou que voltaria a compor com Ronnie James Dio e Geezer Butler para o lançamento de uma coletânea dos anos do vocalista na banda, todo mundo ficou com um pé atrás.
Dio cantou com a banda depois que Ozzy saiu, em 1979. Ficou de 1980 a 1982, para um breve retorno entre 1992 e 1993. Musicalmente deu muito certo nas duas passagens, com a criação de obras-primas, mas a parceria sempre terminou em trauma, com acusações mútuas de traição e sacanagem.
A mágica de Ronnie James Dio
Mas eis que a química ressurgiu em 2006 quando Iommi, Butler e Dio gravaram três músicas novas para a coletânea “Black Sabbath - The Dio Years”. As músicas eram poderosas e de excelente qualidade.
Imediatamente veio a ideia de chamar o baterista Vinnie Appice e reviver o Black Sabbath da fase Dio e armar uma turnê mundial. Ozzy chiou, ainda que de forma sutil, e o Black Sabbath mudou de nome para Heaven and Hell – álbum e música homônimos, de 1980 e símbolo maior da fase Dio.
“Cansamos de esperar Ozzy decidir o que queria fazer. Aí, de repente, ele diz que estava gravando novo álbum solo. Tomamos o nosso caminho”, disse Iommi em 2007 em entrevista à Guitar Player norte americana.
A nova parceria com Dio rendeu duas turnês mundiais, com passagem pelo Brasil, dois DVDs maravilhosos e um álbum de músicas inéditas, “The Devil You Know”. “Essa volta era o que faltava para que possamos terminar o que foi interrompido duas vezes em 1982 e em 1992”, afirmou Dio em 2009 a este jornalista, durante sua passagem pelo Brasil.
Pela terceira vez, os planos foram interrompidos. No fim de 2009 Dio descobriu o câncer no estômago que o mataria em abril de 2010, aos 67 anos. Mal foi enterrado, e recomeçaram os boatos de que o Black Sabbath original voltaria a se reunir.
Feridas a serem curadas
E como ficam as feridas da última turnê? Ninguém toca no assunto. Bill Ward é realmente um problema, já que sua saúde frágil inspira cuidados. Um baterista reserva deverá ser contratado, como na turnê de 2003-2004. O mesmo Vinnie Appice seria o mais cotado.
Outra questão é a pouca flexibilidade de Ozzy em relação ao repertório. Na última turnê, o Black Sabbath tocou as mesmas dez músicas em todos os shows, o que desagradou muito Geezer Butler.
Na época o vocalista sofria para conseguir redecorar as letras e fazia questão de não cantar mais do que dez músicas nem de permitir trocas no repertório – sem falar em seus frequentes problemas de saúde, que provocou a sua substituição em um show na Áustria, em 2004, por Rob Halford, do Judas Priest.
O que mais pegou, entretanto, foi a posição ocupada pelo Black Sabbath no Ozzfest 2004, que acabou sendo a turnê mundial da banda naquela época.
Iommi nunca escondeu que não engoliu o fato de Ozzy Osbourne fechar o evento todas as noites cantando músicas de sua carreira solo, após a apresentação do Black Sabbath. Ou seja, estava mais do que claro que Ozzy era a maior atração, mais importante do que o grupo que criou em 1968. Apesar dos protestos e das reclamações, Iommi nunca conseguiu dobrar Sharon Osbourne, esposa e empresária de Ozzy.
Como essa questão será encarada? As reações são imprevisíveis, em se tratando de Black Sabbath. O fato é que há muita coisa contra esse retorno, e infelizmente as “ondas negativas” partem do lado do vocalista.
Seja como for, mesmo que não seja memorável, se rolar mesmo, será interessante ver como se comporta o Sabbath no palco e em estúdio em 2011. Se ficar ruim, ainda assim será melhor do que 99,5% do existe no mercado hoje em dia.
sábado, outubro 22, 2011
Vítima de acidente em parque de diversão pode e deve processar responsáveis
A tragédia ocorrida neste mês em um parque de diversão no Rio de Janeiro é apenas mais um triste acidente de consumo nesse ramo de prestação de serviço, farto em ocorrências repetidas e graves à segurança dos consumidores. Só em 2011, foram noticiados mais de 20 acidentes com vítimas em parques no País.
Que fique bem claro: as vítimas podem sim processar não só o parque de diversão, mas também o estabelecimento comercial onde os brinquedos perigosos são instalados, assim como podem levar aos tribunais os organizadores de festas. Vale pedir ressarcimento de gastos com internações e medicamentos, indenização por ausência do trabalho e até indenização por danos morais.
Já existe jurisprudência sobre isso: decisão proferida em 2009 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo condenou um shopping center e o parque de diversão que atuava no local, além da empresa importadora de uma peça defeituosa,que causou acidente grave com um brinquedo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu a responsabilidade solidária, prevista no Código de Defesa do Consumidor, entre as três empresas. E ainda deixou claro que além do prestador direto do serviço, o estabelecimento que recebe o parque em seu espaço também lucra com a diversão e por isso também deve responder pelos danos aos usuários do brinquedo perigoso.
Também em 2009 o TJ paulista condenou o Extra Supermercados a indenizar uma consumidora, vítima de acidente, quando tinha nove anos de idade, ao utilizar o brinquedo “Castelo Pula Pula”, instalado no espaço alugado pelo supermercado.
Para as vítimas de acidentes, poder processar empresas e organizadores de festas que atuam em conjunto com os parques de diversão é importante, porque aumenta a chance de receber a reparação dos danos econômicos e morais, uma vez que muitas empresas que oferecem a alegria (e os riscos) dos brinquedos não têm patrimônio para suportar o custo alto da reparação dos danos.
quarta-feira, outubro 19, 2011
Tin Machine, o David Bowie que não deu certo
Um astro de rock super-criativo e dinâmico, mas que estava entediado e cansado da mesmice dos anos 80, com seus excessos de produção dos álbuns e com o comercialismo dominando dava vez o mercado. Com saudades da simplicidade dos anos 70, rompe com tudo e decide ser apenas mais um em uma banda de rock pesado.
David Bowie deu uma guinada na vida em 1988. O astro pop inglês abandonou o sucesso até certo ponto fácil dos discos "Let's Dance" (1983), "Tonight" (1984) e "Never Let Me Down" (1987), casou-se com uma modelo africana e chamou amigos de longa data. Com Reeves Gabrels (guitarra), Tony Sales (baixo) e Hunt Sales (bateria e vocais), criou o Tin Machine, uma banda de hard rock onde Bowie apenas cantava e tocava saxofone.
O Tin Machine teve recentemente seus dois discos de estúdio remasterizados e remixados na Inglaterra. Estão sendo vendidos na Amazon.com e na loja virtual CD Universe. O terceiro álbum, o ao vivo "Oy Vey Baby", de 1992, por enquanto está fora do pacote.
O Tin Machine é surpreendente pelo peso e pela simplicidade. Tendo como modelo os Stooges, de Iggy Pop, pais do punk rock no início dos anos 70, o quarteto apostou em um rock acelerado e com guitarras na cara, além de uma bateria marcante e martelada em algumas músicas. Deu certo, mas principalmente por causa de Bowie.
"Tin Machine" foi gravado rapidamente e lançado em 1989 contendo várias músicas excelentes, como "Heaven's in Here", "Under the God", "Amazing" e uma visceral versão para "Working Class Hero", de John Lennon. As letras estavam mais raivosas e as melodias construídas por Gabrels eram marcantes.
O sucesso foi absoluto e rendeu uma bem-sucedida turnê norte-americana. Um breve intervalo para ajudar o amigo Iggy Pop na gravação e produção do álbum deste, "Lust for Life", e mais turnê, desta vez pela Europa.
O quarteto resolveu dar uma pausa, enquanto Bowie cumpria compromissos com seu novo disco solo "Sound + Vision", de 1990. Ao final desta, não parou: entrou logo em estúdio para gravar "Tin Machine II".
O peso e as letras inspiradas ainda estavam lá, mas a mão de Bowie marcou grande presença no direcionamento mais pop do grupo, o que desagradou Reeves Gabrels, sem muito espaço para sua guitarra inventiva e barulhenta.
Longe de ser ruim, o álbum tem grandes momentos, como "You Belong To Rock'n Roll", "If There is Something" (versão para uma canção do Roxy Music), "Baby Universal", "Goodbye Mr. Ed" e o ótimo blues "Stateside", cantada pelo baterista Hunt Sales.
Ao contrário do primeiro, as vendas decepcionaram. Gabrels afirmou em 1995 que a banda acabou porque o direcionamento acentuadamente pop afugentou um público diferenciado conquistado em 1989 com a mistura de hard rock e blues do primeiro álbum. Já Bowie afirmou que as músicas compostas ficaram aquém do que ele esperava em qualidade. O rompimento, amigável, ocorreu no começo de 1992.
Oy Vey Baby", lançado no final daquele ano, também fracassou nas vendas. É um bom disco, mas não captou a essência da banda, que estava a todo vapor na turnê do primeiro disco. Esse disco ao vivo traz alguns momentos pinçados durante a turnê europeia de "Tin Machine II". O grupo estava bem, mas sem a energia demonstrada nos shows iniciais.
De qualquer forma, o Tin Machine é uma das boas surpresas da carreira de David Bowie, marcada por viradas importantes e direcionamentos bastante criativos ao longo de 44 anos.
segunda-feira, outubro 17, 2011
Banda larga como serviço público
Falhas nas conexões, baixa velocidade e indisponibilidade de acesso para áreas mais carentes, tudo isso sem que haja uma regulamentação adequada em um setor com nível de concentração preocupante em poucas empresas. Essa é a realidade do mercado de banda larga na atualidade, que vem sendo denunciada por entidades de defesa do consumidor. Começa a ganhar corpo um movimento para que a banda larga no Brasil tenha um marco regulatório semelhante ao da telefonia fixa: ganhar o status de serviço público.
Hoje o consumidor é refém de poucas empresas de telecomunicações e quase não tem meios para fazer valer os seus direitos pela falta de novo marco regulatório que trate a banda larga como serviço público (e não privado). As teles privadas já dominavam a telefonia fixa e móvel. Agora, dominam a banda larga e estão entrando no setor de TV por assinatura. É uma concentração perigosa”, diz Flávia Lefèvre Guimarães, integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia da OAB-SP e da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), entidades que participam da Campanha “Banda Larga é um Direito Seu!”, criada pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS).
Entre outros problemas, está o mais grave deles: a banda larga pertence totalmente à iniciativa privada e as operadoras não são obrigadas a cumprir regras como as que existem para a telefonia fixa – metas de universalização (disponibilidade do serviço independentemente do local e perfil socioeconômico). Além disso, as empresas não estão sujeitas a regras de controle tarifário, como ocorre com telefonia, energia elétrica. “Com isso, só levam a infraestrutura da banda larga para os locais onde há interesse econômico.
O movimento ainda é incipiente, mas a a OAB paulista já prepara uma série de iniciativas de conscientização para o problema da falta de normatização de um setor considerado estratégico em vários sentidos pela sociedade. A situação é tão preocupante que já existem queixas graves sobre a chamada exclusão difital patrocinada pelo Estado. Nas regiões mais carentes de São Paulo a dificuldade de contratar o serviço de internet rápida é tão grande que, quando alguém consegue, as pessoas se reúnem em grupo para compartilhar o acesso por Wi-Fi. Isso é proibido e a Anatel está apreendendo os computadores. Isso mostra a urgência de se definir o quanto antes da banda larga como serviço público.
sábado, outubro 15, 2011
Estreia de Neil Peart no Rush será lançada em CD
Quando o baterista do Rush John Rutsey saiu da banda, o trio estava em um beco sem saída. Apesar do hard rock energético calcado no Led Zeppelin ter boa aceitação na cidade natal, Toronto, no Canadá, o primeiro álbum da banda, “Rush”, não empolgou o mercado norte-americano. Para os críticos do sul da fronteira, “era mais do mesmo”. E, se era para ser assim, eles já tinham Kiss e Aerosmith.
A troca de baterista foi o passo primordial para diversificar o som da banda sem alterar as características básicas – até porque não daria para criar novo repertório em tão pouco tempo. Naquele ano de 1974, a entrada de Neil Peart nas baquetas redefiniu não só a sonoridade do grupo, mas totalmente o seu rumo, dando um futuro para um trio desacreditado e desprezado nos Estados Unidos.
Por conta disso, “Rush ABC 1974”, lançamento em CD que está programado para o segundo semestre deste ano, é mais do que um documento histórico: é a prova de que é possível uma banda até então mediana se transformar em um vulcão sonoro.
A gravação em questão já circula em CD pirata desde 1990 pelo mundo, bem como na internet a partir de 2002, sempre com o nome “Live at the Agora Ballroom 1974”, em alusão ao show realizado na cidade Cleveland, nos Estados Unidos.
Suposta capa do CD "Rush ABC 1974", que deve ser lançado em outubro
O show é simplesmente o primeiro de Neil Peart com o trio e mostra uma inequívoca evolução desde o lançamento do primeiro álbum, ainda no começo de 1974. É bom não confundir essa gravação com uma apresentação ao vivo nos estúdios da mesma rádio que transmitiu ao vivo show para Cleveland.
O site RushIsaBand garante que a loja online de CDs inglesa plastchehad.com coloca no mercado em 24 de outubro a gravação do show realizado em 26 der agosto de 1974, transmitido por uma emissora da rede WMMS.
O texto do site revela que a qualidade de áudio ficou “magistral”, trazendo toda a energia e a técnica do Rush na estreia de seu novo baterista. A transmissão também inclui registros de duas faixas nunca lançadas do Rush, “Fancy Dancer” e “Garden Road”.
A apresentação acabou sendo um sucesso de crítica, que passou a olhar com outros olhos aquele trio energético com um baixista/cantor com voz esquisita. A série de três shows em Cleveland rendeu vários convites para novos shows em na região de Ohio e depois na costa oeste norte-americana.
Durante a turnê, o álbum de estreia acabou sendo relançado nos Estados Unidos e no Canadá, o que facilitou a entrada das músicas na programação das rádios, em especial “Finding My Way”, “Working Man” e “Here Again”. Se realmente o lançamento vier, será um dos grandes do ano 2011 para quem gosta de classic rock.
quarta-feira, outubro 12, 2011
Cadastro positivo, você se lembra dele?
Você conhece o cadastro positivo? Ou ao menos se lembra dele? Não se preocupe, pouca gente sabe de sua existência dois meses da sanção da presidente Dilma Rousseff. Pesquisa realizada pela Boa Vista Serviços, braço de análise de crédito da Associação Comercial de São Paulo, mostra que a falta de informação é pior entre os jovens.
Entre as pessoas de 16 e 17 anos, apenas 10% já tinham ouvido falar da medida e os de 18 a 24 anos, 13%. Ou seja, é justamente a parcela da população que tem mais dificuldade de organizar as finanças pessoais que não tem conhecimento da medida que pode deixar o crédito mais barato para bons pagadores.
No entanto, para isso ocorrer, ele destaca que mais pessoas devem utilizar o cadastro, de forma que o mercado amadureça essa ideia. Estima-se que deve demorar entre dois a três anos até que o mercado absorva esse modelo de tomada de decisão. No caso dos jovens, a necessidade de entender os benefícios da medida é ainda mais importante.
É gente, por exemplo, que está chegando às faculdades agora e os bancos oferecem as contas universitárias. Como, de uma forma geral, ainda não existe muita maturidade financeira, acabam se endividando. A expectativa é de que o cadastro funcione como um termômetro, facilitando o controle das finanças.
Já existe no mercado uma forma de registrar os inadimplentes, mas o cadastro positivo, ao menos na teoria, pode agilizar as informações positivas a análise mais segura dos riscos – sem falar em uma eventual redução de juros e, consequentemente, mais oferta de crédito.
Para integrar a relação de bons pagadores, o consumidor pode se cadastrar nas empresas chamadas de bureau de crédito, como a Boa Vista Serviços (no www.apoioaoconsumidor.com.br) ou na Serasa.
segunda-feira, outubro 10, 2011
Quadrophenia, obra-prima do Who, ganha versão de luxo
Uma das grandes obras da história do rock vai ganhar a sua versão definitiva, assim como vem ocorrendo com outros trabalhos desde o ano passado. A chamada versão "definitiva" da ópera-rock de 1973 do Who, Quadrophenia - The Director's Cut, está previsto para ser lançada pela Universal Music Enterprises em 15 de novembro.
Ao contrário das versões de luxo do catálogo do Who lançadas nos últimos anos, dessa vez a gravadora está investindo pesado na promoção do pacote, além de um site próprio (http://quadrophenia.thewho.com/).
Muitos críticos consideram "Quadrophenia" como uma obra superior e mais eclética do que "Tommy", de 1969. O ambicioso projeto de Pete Townshend, guitarrista e líder da banda, substituía o fracassado "Lifehouse", que foi abandonado em 1971 - mas que rendeu o maravilhoso álbum "Who's Next".
"Quadrophenia", nas palavras de Townshend, pretendia ser a versão definitiva da história da juventude inglesa dos anos 1965 e 1966, quando duas tribos, os mods (de "modernistas", que curtiam mais blues e rhythm & blues e se vestiam com roupas mais sociais, como terno e gravata) e os rockers se enfrentavam para marcar território em diversas cidades inglesas. The Who, The Kinks e The Small Faces foram as principais bandas da época adotados pelos mods como seus "legítimos representantes" sonoros.
Em termos musicais e de roteiro, "Quadrophenia" realmente é superior a "Tommy" não só por ser mais ambicioso, mas por ser bem mais complexo e denso em termos de dramaturgia. Entretanto, é incomparável o impacto que "Tommy" teve no mundo do rock, até por ser considerada a verdadeira primeira ópera-rock.
O pacote já está disponível para pré-venda na Amazon (http://www.amazon.com/dp/B005D9B26E), com preço girando em torno de 150 dólares.
Rápida descrição do pacote:
# Discos um e dois – o álbum duplo original – remaster de 2011
# Discos três e quatro – 25 demos dos arquivos de estúdio de Pete Townshend, incluindo canções não lançadas no álbum original.
# Disco cinco - The Quadrophenia 5.1 EP – DVD exclusivo com oito faixas remixadas em som surround.
# Livro capa dura com 100 páginas apresentando um ensaio inédito de Pete Townshend, com detalhes sobre o período da criação do álbum e explicações sobre alguns dos detalhes técnicos (como o uso do sintetizador), assim como vislumbres da história do personagem principal do álbum, o mod Jimmy.
# Comentário faixa a faixa das demos por Pete, além de um revelador diário de estúdio
# O livro traz também um conjunto inédito de notas pessoais, fotografias, manuscritos e objetos da época, tudo redescoberto recentemente nos arquivos de Pete.
# O pacote replica a impressionante embalagem do vinil original, adicionando sobras de estúdio inéditas e em cores da sessão de fotos da capa.
# Uma réplica do vinil de 7 polegadas do single "5.15" / "Water".
# Seis réplicas de documentos e fotografias, embaladas em um envelope de cartão.
# Embalagem em papelão, em edição limitada.
O álbum também será relançado em outros formatos:
# Vinil duplo
# Edição mini-deluxe em digi-pak
# Download
sexta-feira, outubro 07, 2011
Coverdale-Page: quem perdeu fomos nós
No auge da fama do Whitesnake, entre 1987 e 1990, David Coverdale concedeu uma entrevista a uma revista inglesa onde desdenhava de algumas músicas do Led Zeppelin e sobre supostas acusações que estava recebendo por ter plagiado ou ao menos ter copiado trechos de outras músicas em suas composições.
“Isso é bastante questionável. Se formos levar a fundo mesmo, então mudaremos a história e o Led Zeppelin terá de pagar um dinheirão para Willie Dixon (bluesman norte-americano). Ele é o ‘verdadeiro’ autor do primeiro LP do Led”, disse Coverdale.
A falta de jeito e de educação espantou quem o conhecia. Afinal, desde os tempos de Deep Purple que ele havia deixado o estilo polêmico para lá. Recentemente, um jornalista brasileiro tentou lembrá-lo sobre a declaração durante uma entrevista por telefone, mas o cantor inglês desconversou e afirmou não se lembrar daquelas palavras.
O curioso é que, para se defender à época, acabou atacando Jimmy Page, o principal compositor do Led Zeppelin. Pouco tempo depois, Coverdale pareceu não se importar em trabalhar com um “plagiador”.
O projeto que reuniu os dois era secreto em meados de 1991. Foi de ideia do estafe de Page convidar Coverdale para um projeto de hard rock mais pesado, já que Robert Plant recusara nova proposta de reativar o Led Zeppelin. Coverdale ficou entusiasmado e aceitou conversar e tomar umas cervejas com Page e seu empresário para ver se rolava algo.
Dois depois, estavam na casa do guitarrista para algumas jams no estúdio caseiro do local; um mês depois, estavam assinados os contratos para que o Coverdale-Page, nome escolhido para o projeto.
E tudo foi feito em segredo, que conseguiu ser mantido até o começo de 1993, quando ninguém conseguia entender o porquê de o vocalista ter desfeito o Whitesnake após a turnê de estrondoso sucesso de 1990.
“Coverdale-Page”, álbum homônimo lançado no meio de 1993, é uma obra-prima do hard rock, mesclando a veia mais popular de Coverdale e o peso das guitarras zeppelinianas de Page.
O vocalista foi criticado à época por exagerar nos agudos em algumas músicas, o que foi encarado como uma tentativa de emular as performances de Robert Plant nos tempos áureos do Led, na década de 70.
É fato que Coverdale forçou um pouco, mas nada que tire o brilho de músicas fantásticas como “Absolution Blues”, “Shake My Tree”, “Take Me For a Little While”, “Whisper a Prayer for the Dying”, “Pride and Joy” e “Over Now”.
O entrosamento entre os dois músicos foi total, desde as jams na casa de Page até as jams realizadas no Japão como aquecimento para a turnê. O problema é que tudo estava indo bem demais, todo mundo estava feliz demais, e isso é um perigo em se tratando de Jimmy Page.
Há quem diga que o guitarrista é notório por ser perseguido pelo azar ou por “maus fluidos”. Seja como for, o que deu muito certo nos bastidores e nos ensaios ficou esquisito nos palcos.
As primeiras performances no Japão foram ótimas, mas depois a coisa começou a complicar. Os empresários de Page começaram a se incomodar com as performances bombásticas de Coverdale, além das vendas decepcionantes, apesar de boas, do CD. Eles achavam que choveriam convites para turnês pela Europa e Estados Unidos, mas isso não ocorreu.
Após sete shows no Japão Page foi praticamente obrigado pelos empresários a “descontinuar” a dupla por medo de fracasso financeiros no resto do mundo. Isso não afeitou a amizade entre os dois, mas Coverdale não poupou críticas e acusações pesadas contra os empresários de Page. Nem mesmo um CD excelente fui suficiente para manter esse projeto em pé.
Alguns anos depois, em 2000, durante entrevistas para divulgar o álbum solo “Into the Light”, Coverdale insinuou que a parceria não foi em frente porque já havia conversas bastante adiantadas entre os empresários de Robert Plant e Jimmy Page para retomar o Led Zeppelin ou fazerem um trabalho em dupla.
Seja como for, Coverdale parecia ter razão. Page e Plant voltaram a tocar juntos em 1994, quando gravaram um especial para a MTV que aabou sendo lançado em DVD e CD com o nome de “No Quarter: Jimmy Page and Robert Plant Unledded”.
Quatro anos depois foi lançado o CD “Wlakin into Clarksdale”, totalmente com músicas inéditas, sendo que a parceria chegou ao fim no ano seguinte. Assim como o BBM – o Cream de Eric Clapton sem o mesmo, com Gary Moore em seu lugar –, o Coverdale-Page foi um grande projeto que não vingou por questões puramente comerciais. Quem perdeu fomos nós.
quarta-feira, outubro 05, 2011
Pete Townshend lançará biografia em 2012
Um livro de mais de 30 anos de confecção finalmente vai chegar às livrarias. As memórias de Pete Townshend, guitarrista do The Who, parece que finalmente estão prontas. De acordo com a versão americana da revista Rolling Stone, o músico fechou um acordo com a editora inglesa Harper Collins para lançar seu livro em 2012.
Segundo a editora, a autobiografia de Pete estará nas prateleiras no segundo semestre de 2012. “Nos anos 1970, Pete Townshend questionou em uma famosa música ‘quem é você?’. Agora, em seu livro de memórias, gerações de fãs finalmente terão essa resposta que vem sido aguardada há tanto tempo”, afirmou David Hirshey, executivo da editora, em texto da Rolling Stone.
Townshead começou a trabalhar seriamente na sua autobiografia em meados dos anos 1990, tendo como base milhares de anotações escritas entre 1976 e 1980. O projeto ganhou fôlego quando ele foi acusado pela polícia britânica em 2003 por acessar sites de pornografia infantil – o músico afirmou que se tratava de material de pesquisa para o livro.
“Eu tenho escrito sobre a minha infância há sete anos. Eu creio que fui abusado sexualmente aos cinco ou seis anos quando estive sob os cuidados da minha vó materna, que tinha sérios problemas mentais”, afirmou na época. “Eu não me lembro claramente do que aconteceu, mas meu trabalho pretende desvendar essas sombras. Algumas das coisas que vi na internet me ajudaram a compor o livro.”
Townshend criou um blog e passou a postar partes da sua própria história. “A espinha dorsal está completa, e toda a pesquisa foi feita”, disse o guitarrista à revista norte-americana. “E porque minha vida criativa e profissional está tão ativa, eu sinto que nunca vou chegar aos tempos presentes, a não ser que eu me aposente apenas para escrever. Me aposentar, simplesmente para escrever, quando eu já sou um escritor, é uma contradição.”
O blog não existe mais, assim como Townshend praticamente sumiu do Twitter e do Facebook. Seus problema de audição se agravaram nos últimos cinco anos, o que compromete o futuro do Who. A última turnê da banda aconteceu em 2009. No ano passado, eles se apresentaram no intervalo do Super Bowl.
Neste ano, Townshend e o vocalista Roger Daltrey, os dois remanescentes da formação original, tocara juntos duas vezes, em eventos beneficentes em prol da Teenage Cancer Trust, patrocinada pelo cantor. Um deles foi em janeiro, quando o Who tocou em Londres tendo como convidados Jeff Beck, Bryan Adams e Debbie Harry (Blondie).
Oficialmente, é a última apresentação da banda até o momento, após 47 anos de carreira (com sete de paralisação entre 1982 e 1989).
Em março, Daltrey fez um show com sua banda solo também em Londres, e Townshend subiu ao palco como convidado especial para tocar em duas músicas. Após essa apresentação, boatos deram conta de uma desavença entre os dois a respeito dos músicos que participariam de uma eventual turnê no final deste ano, coisa que foi desmentida sem muito vigor pelos dois.
domingo, outubro 02, 2011
Humble Pie e a genialidade de Steve Marriott
A entrevista coletiva do guitarrista inglês Peter Frampton terminara havia minutos em um hotel em São Paulo, no ano passado. Muito solícito, foi cercado no saguão por um alguns fãs e jornalistas ávidos por respostas. Um dos jornalistas não teve pudor e sacou de uma sacola um LP do Humble Pie, “As Safe as Yesterday”, de 1969, o disco de estreia da banda.
Frampton pareceu surpreso, mas na verdade estava atônito. Fazia tempo que ele não via alguém lhe mostrar um álbum de sua segunda banda. Paralisado por alguns momentos, pegou o álbum de vinil, observou-o e só depois o autografou. Quando devolveu ao dono, disparou: “Excelente álbum, som fantástico. Toquei muito nele. Longa via à memória de Steve Marriott, que morreu há 20 anos.”
O ex-guitarrista e vocalista do Small Faces e do Humble Pie morreu no dia 20 de abril, em 1991, em sua casa no interior da Inglaterra. Exausto após uma viagem de avião vindo dos Estados Unidos, deitou na cama para descansar, mas acabou cochilando com um cigarro aceso entre os dedos. A casa pegou fogo.
Para marcar as duas décadas sem o grande guitarrista, as gravadoras Immediate e A&M pretendiam reeditar em CD toda a obra do Humble Pie. O projeto não foi para a frente. Em vez disso, chega ao mercado no mês que vem uma reedição de “Natural Born Boogie”, uma excelente coletânea de gravações feitas para a rádio BBC de Londres entre 1969 e 1973.
A Decca Records, que detém o catálogo dos Small Faces, planeja reeditar duas coletâneas desta banda: “The Autumn Stone” e “The BBC Sessions” até o final do ano.
Bom guitarrista e carismático, o jovem Martiott formou os Small Faces para tocar covers de rhythm & blues norte-americanos e clássicos rockabilly. O baixista Ronnie Lane, seu companheiro de banda e exímio compositor, perturbou-o para que criassem material próprio aproveitando a voz aguda e potente de Marriott.
A mesca de rock dos anos 50 e rhythm & blues acabou dando certo e foram contratados ainda em 1965 pela Decca como uma resposta ao Who e aos Animals, que estavam estourando na mesma praia. E, assim como o Who, os Small Faces fora adotados pelo movimento mod, fanáticos pela música negra dançante dos Estados Unidos e que caprichavam no visual elegante, com terninhos e gravatas.
A banda detonando nos anos 70
No ano seguinte, os amigos do Who – Kenney Jones, o baterista, substituiria Keith Mon na banda em 1979 – acabaram com essa história de símbolos dos mods e caíram de cabeça no rock and roll mais visceral. Os Small Faces ainda aguentaram até 1967 nessa patacoada, até que decidissem optar pela psicodelia e por letras mais abstratas, o que desagradou Ronnie Lane.
Em 1968 o quarteto entrou em declínio, ficando fora do topo das paradas na maior parte do tempo. Cada vez mais desinteressado, Steve Marriott começou a fazer jams com muitos músicos de Londres e começou a ficar fascinado com o blues pesado do Free, de Paul Rodgers.
No final do ano comunicou o Small Faces que estava fora e convenceu o novo amigo, Peter Frampton, da promissora banda The Herd, a criar um novo grupo para tocar um rock mais pesado, algo entre Free e Led Zeppelin. Em 1969 surgia o Humble Pie.
Ao mesmo tempo, o trio remanescente do Small Faces – Ronnie Lane, Kenney Jones (bateria) e Ian McLagan (teclados) – se uniu a Rod Stewart e ao guitarrista Ron Wood, demitidos do Jeff Beck Group. Estava formado o The Faces, de sonoridade mais pop e folk.
O Humble Pie surgiu como um furacão e logo ocupou o lugar do Free no coração dos apreciadores de blues pesado – o quarteto de Paul Rodgers semrpe esteve envolto em conflitos internos e praticamente acabou em 1972. Mais entrosados do que nunca, Frampton e Marriott criaram verdadeiros clássicos do rock inglês, como “Natural Born Boogie”, “Wrist Job”, “Desperation” e “As Safe As Yesterday Is”.
Mas não demorou para que o encrenqueiro Marriott começasse a implicar com Frampton, reclamando que o Humble Pie estava ficando pesado demais. Ele voltou a se interessar por soul music e rhythm and blues, enquanto que Frampton buscava algo mais acessível e pop, mesmo que fosse hard rock.
As brigas constantes causaram a saída de Frampton em 1972, logo substituído por Dave “Clem” Clemson, que também era bom cantor além de guitarrista. O redirecionamento musical da banda foi imediato, mergulhando fundo na soul music clássica. O público, no começo, aprovou, mas depois abandonou o Humble Pie, que encerrou as atividades em 1975.
Disco clássico com partes ao vivo
Tentou recriar os Small Faces em 1977 com Jones e McLagan, que estavam parados desde o fim dos Faces, também em 1975. Mesmo sem Ronnie Lane, que recusou para continuar sua bem-sucedida carreira solo, a nova encarnação lançou os fracos “Playmates”, em 1977 e “78 in the Shade” em 1978.
Novas decepções, novas brigas e novo fim. Marriott então parte para o desespero e tenta reformar o Humble Pie. Peter Frampton recusa, assim como o baixista Greg Ridley.
Ao lado do baterista original Jerry Shirley, contrata o vocalista e tecladista Bob Tench e o baixista Anthony Jones para gravarem “Go for the Throat” em 1980. Mesmo com as fracas vendas, ainda insistiram no ano seguinte com “On to Victory”, que teve desempenho pior ainda. O fim da nova encarnação do Pie era apenas uma questão de tempo.
Nos anos seguintes Marriott montou bandas diversas para fazer shows solo pelo interior da Inglaterra e pela Alemanha, mas o máximo que conseguiu foi se tornar um cover de si mesmo. Pelo menos as reedições prometidas para este ano resgatam o verdadeiro talento de Steve Marriott.
quinta-feira, setembro 29, 2011
Cheques clonados: bancos também são responsáveis - III
Não bastassem as violações aos cartões de banco, outro inferno na vida do consumidor são os cheques clonados. Estima-se que 20% dos cheques devolvidos estão relacionados à clonagem. E, como sempre, o cidadão sofre os transtornos do golpe e tem de corre atrás do prejuízo.
A pergunta é: como alguém pode clonar folha de um talão de cheque que não saiu das mãos do consumidor? E o mais curioso é que existe até a clonagem de cheque pertencente a talonário que não foi entregue ao correntista, assim como também constata-se a adulteração (e o pagamento pelo banco) de cheques referentes a contas que já foram encerradas.
No entanto, a forma mais comum do golpe ocorre quando o correntista emite um ou diversos cheques e a bandidagem especializada reproduz cópias destes para fazer a festa no mercado. Nos casos em que o cheque clonado é apresentado ao banco e este percebe a falsificação e recusa o pagamento, não há dores de cabeça para o correntista.
A lesão ao consumidor ocorre quando o banco, por negligência, faz o pagamento do cheque clonado. Também ocorre quando o banco não paga o cheque, mas faz a sua devolução por insuficiência de fundos. É que, havendo o pagamento do cheque, a conta do consumidor poderá ficar sem saldo e motivar a devolução de outros cheques emitidos pelo correntista.
Assim como o pagamento do cheque clonado poderá levar o correntista a ter de usar o limite do cheque especial, tendo de arcar com juros altos do banco.
Quando o banco não paga o cheque clonado, e o devolve por insuficiência de fundos, causa outro problema sério ao consumidor: o seu nome costuma ser protestado e vai parar nos órgãos de proteção ao crédito, além de registro no cadastro de emitentes de cheques sem fundo do Banco Central.
Só que a Justiça, unanimemente, tem condenado os bancos a reparar os danos sofridos pelas vítimas dos cheques clonados. Primeiro, as condenações ocorrem em relação aos prejuízos econômicos citados (gastos com tarifas bancárias, juros do cheque especial e devolução ao correntista do valor dos cheques falsos sacados de sua conta corrente).
Além da reparação dos prejuízos econômicos, a Justiça também tem condenado os bancos a pagar dano moral às vítimas do golpe, em razão dos transtornos gerados pelos saques dos cheques clonados, ou pela devolução destes como cheques sem fundos (o valor do dano moral tem variado entre R$ 3 mil e R$ 10 mil).
A reparação de prejuízos por cheques clonados que são apresentados em outras cidades, pode ser reivindicado na Justiça (inclusive no Juizado Especial Cível) do local onde o consumidor reside.
segunda-feira, setembro 26, 2011
Cartão clonado: Justiça a favor do consumidor - II
Retomo o tema da coluna passada a respeito da clonagem de cartões e sobre a responsabilidade dos bancos no ressarcimento de prejuízos. A última instância do Judiciário, para este assunto, que é o Superior Tribunal de Justiça (STJ), já consolidou o entendimento de que os bancos devem ressarcir os saques indevidos, e deixou claro que a instituição financeira somente está isenta de pagar o prejuízo da "clonagem", se conseguir comprovar que o saque foi realizado pelo próprio correntista.
Ou seja, a Justiça, unanimemente, enterrou a tese dos bancos de que o fato de o consumidor ter a posse exclusiva do cartão e da senha excluiria a responsabilidade das instituições financeiras pelo pagamento do prejuízo sofrido. E não poderia ser outro o veredicto do Judiciário, após ter se tornado pública e notória a "indústria da clonagem", implementada pela bandidagem.
Portanto, nos casos em que os bancos não tiverem provas concretas de que o saque foi realizado diretamente pelo consumidor, terão de obedecer a orientação da Justiça: deve repor ao seu devido lugar o patrimônio do consumidor que se comprometeu a guardar.
Caso contrário, o consumidor deve recorrer à Justiça para obter a reparação do dano econômico e moral (este também tem sido concedido na maioria dos casos).
A vítima da clonagem também pode pedir à Justiça que determine que o banco antecipe no início do processo, em caráter liminar (de imediato) a devolução do valor "surrupiado" de sua conta, condicionada à devolução de tal valor se no final do processo o banco provar a culpa do consumidor pelo saque. Afinal, não é justo deixar a vítima do erro do forte (o banco) no desespero até final do processo
Abaixo seguem dicas do Procon e da Delegacia do Consumidor de São Paulo para evitar a clonagem, se possível:
Na hora de receber o envelope com o cartão, via correios ou empresa de transporte, não aceite se o documento estiver violado. Sempre assine no espaço reservado atrás do cartão.
Verifique, rotineiramente, os lançamentos das compras efetuadas em sua fatura. A maioria das administradoras oferece este serviço pela internet.
No ato da compra não perca de vista o seu cartão. Cuidado com esbarrões ou encontros acidentais. Se isso ocorrer, verifique se o que está em suas mãos é o seu.
No caixa eletrônico, em caso de retenção do cartão na máquina, não digite a senha novamente. Aperte as teclas "anula" e "cancela" e comunique o banco. Não abandone o caixa antes de seguir as instruções da instituição financeira.
Nunca digite sua senha em telefones públicos ou que "salvem" os números. Se receber alguma ligação telefônica de alguém dizendo que é funcionário do banco pedindo sua senha, não digite e contate a instituição ou a operadora do cartão.
Usaram meu cartão. E agora? - ao perceber que foi vítima de alguma fraude comunique à administradora, anotando o horário, o nome do atendente e o número do protocolo de atendimento
Depois, vá à polícia e registre Boletim de Ocorrência.
Caso a empresa não entre em acordo, abra processo no Procon ou na Justiça, solicitando a reversão do ônus da prova. A partir daí, a empresa é que vai ter de provar que o consumidor é quem fez as compras.
Marcelo Moreira é jornalista, editor de Defesa do Consumidor do Jornal da Tarde. Escreve para o Laboratório de Temas.
sexta-feira, setembro 23, 2011
Cartão de banco clonado: consumidor tem de ser ressarcido – I
A situação é clássica e cada vez mais comum. Você vai ao banco e percebe que, um dia depois de receber o salário, sua conta está negativa. Ou então do nada você recebe uma comunicação de algum órgão responsável por cadastro de inadimplentes - SPC ou Serasa - informando sobre um débito gigante com origem em sua conta bancária.
Em qualquer uma das circunstâncias, você não se lembra de ter feito aquelas despesas. E não se lembra porque não as fez. Você então percebe que acaba de ser uma vítima de cartão bancário clonado, seja de débito ou de crédito.
Quando o cartão de crédito é roubado, furtado ou clonado e compras são feitas sem autorização do cliente, este deve ser ressarcido pelo banco. Não há outra alternativa e não deve haver contestação.
Nesses casos, cabe à administradora comprovar que as compras foram feitas pelo cliente, que é considerado pelos órgãos de defesa do consumidor como a parte vulnerável da relação de consumo e, por isso, não deve ser prejudicado. Além disso, o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) diz que o fornecedor de serviço deve garantir segurança e tranquilidade quanto a sua fruição. Até a Justiça tem entendido que as compras não reconhecidas pelo consumidor só devem ser pagas quando a administradora demonstra que a assinatura no comprovante da compra é realmente a do titular.
E quem fica com o prejuízo? Qualquer um, menos o cliente. O comerciante toma diversas providências para evitar ser lesado, enganado, fraudado ou roubado. Praticamente ninguém mais aceita cheques.
Se os comerciantes têm esse direito, então também tem seus deveres. Quem aceita cheque e cartão de crédito tem o dever de conferir na hora a assinatura e os dados cadastrais dos clientes. Tem de conferir a assinatura e o número do RG ou do CPF na hora da venda, mesmo que isso atrase o movimento, provoque filas e ranger de dentes de gente menos paciente. Se não fizer isso, o comerciante correrá o risco de ser responsabilizado pelo banco e pela operadora de crédito.
Uma coisa é certa: o tem de ser ressarcido. É lei e a Justiça cansou de publicar sentenças neste sentido. Os bancos é que são responsáveis pela segurança do sistema. Se alguém clona cartão ou consegue algum meio de obter a senha de alguém, é porque o seu sistema de segurança é falho.
Kássia Correa, advogada da Associação Nacional dos Usuários de Cartão de Crédito (Anucc), reafirma que o consumidor não deve pagar. "Segundo o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, os bancos e as administradoras estão obrigados a ressarcir o prejuízo no caso de fraude. E o consumidor pode recorrer ao Judiciário. "O procedimento leva uns dois meses. “Mas é preciso cuidado, pois, se comprovado que os gastos são do cliente, a cobrança é feita com juros.”
Se o dono do cartão roubado tiver problemas para ser indenizado pelo banco, deve recorrer a um órgão de defesa do consumidor e, em último caso, a um Juizado Especial Cível (Unidade Central - 3207 5857) mais próximo de sua residência.
quinta-feira, setembro 22, 2011
Vá ao Rock in Rio, mas pense bem antes de convidar alguém
Vá ao Rock in Rio 2011, mas não me convide. A máxima aplicada aos chatos que costumam aborrecer pedestres nas grandes cidades com campanhas de incentivo ao teatro está sendo aplicada ao grande festival do Rio de Janeiro, que acontece a partir do final do mês, em alguns círculos musicais paulistas.
Descontando a má vontade evidente por conta do gigantismo do evento e também a mais do que evidente inveja, o fato é que o Rock in Rio 2011 hoje não passa de uma marca – poderosa, é verdade –, mas apenas uma marca. Qual o seu significado para 2011, após 26 anos da primeira edição e depois de perambular por locais com Lisboa e Madri?
Para quem gosta de rock puro, a resposta fica cada vez mais difícil – e irrelevante. O novo conceito do festival, já testado e aprovado na Europa, expande as fronteiras artísticas: é uma grande feira de entretenimento, onde a música e os shows ao vivo passam a ser apenas mais uma das atrações. E isso é algo cada vez mais difícil de engolir para parcela expressiva do público brasileiro mais ligado à música.
A diretora-geral do evento, Roberta Medina, é uma entusiasta deste modelo e nunca escondeu que, como modelo de negócio, somente desta forma o Rock in Rio é viável – ainda mais no Brasil: uma ampla mistura de ritmos, cores, tribos e os mais variados tipos de entretenimento, com muitos palcos e mais de uma centena de atrações artísticas.
O conceito não é novo no Brasil. Já foi aplicado anteriormente, em maior ou menor escala, nos festivais Planeta Terra, SWU e Atlântida. O Rock in Rio 2011 levou ao extremo o conceito, que não deixa de ser interessante, principalmente para quem consome entretenimento, e não apenas shows e música.
O difícil é saber se o tal conceito vai pegar em edições futuras, não levando em consideração aqueles que, em tese, foram o suporte dos principais festivais brasileiros que vieram na cola do próprio Rock in Rio I, de 1985: os fãs de música e, em particular, de rock em geral.
Se hoje já não existe mais o apelo do artista inédito ao vivo no Brasil – quase todo mundo que importa e que conta no rock e na música pop já pisou no Brasil nos últimos 26 anos –, ainda existe a celebração e o culto à boa música e à excelência das apresentações ao vivo.
O novo formato privilegia a diversidade hoje tão característica em festivais como Glastonbury (Inglaterra), Reading (Inglaterra), Roskilde (Dinamarca) e Graspop (Bélgica), onde heavy metal, pop, hip hop, reggae, world music e outros ritmos convivem sem dificuldades. Foi assim nas edições do Rock in Rio de Madri e Lisboa.
Transplantado para o Rio de Janeiro, o modelo mistura o peso e a força de Metallica e Motorhead com a história densa do soul/pop/funk/rock/blues do mito Stevie Wonder (até aí nada contra) e com as ladainhas e falta de qualidade do que hoje se chama rhythm and blues –coisas dispensáveis e descoladas como Rihanna.
Há ainda coisas mais dispensáveis ainda, como Kate Perry, Shakira, Cláudia Leitte, Ivete Sangalo e a chamada “Pista Eletrônica”, setor totalmente incompatível com um festival que tem rock no nome.
Ou seja, quem pretende assistir alguma coisa de qualidade terá de suportar coisas indignas de figurarem em um festival da grandiosidade e da importância do Rcok in Rio. Restará apenas tentar pinçar algo interessante no palco Sunset, cuja programação será marcada por encontros inusitados – Ed Motta receberá o português Rui Veloso e o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura (???); Bebel Gilberto cantará com Sandra de Sá (?????); Marcelo Jeneci e Curumim (???); Marcelo Yuka tocará com Cibelle, Karina Buhr e Amora Pêra (?????????); Cidade Negra (aaargh) receberá Martinho da Vila e Emicida (??????????????????); Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes; Zeca Baleiro (????????); Mutantes tocando com Tom Zé (fuja do planeta!); Marcelo Camelo e The Growlers (fuja da galáxia!)…
Esqueça todas essas bizarrices. Vá no certo neste Sunset Stage: Milton Nascimento com a jazzista Esperanza Spaulding; Matanza e B Negão (vale pelo Matanza); Korzus tocando com os Punk Metal Allstars; Angra tocando com a cantora finlandesa Tarja Turunen (ex-Nightwish); Sepultura recebendo o Tambours du Bronx; Titãs no mesmo palco que a veteraníssima banda punk portuguesa Xutos & Pontapés; Afrika Bambaata cantando com Paula Lima (vale pela curiosidade).
O rock sai perdendo de goleada no Rock in Rio 4 com seu novo conceito de diversidade e entretenimento. Ganham a pluralidade e a orientação quase que exclusivamente pop. A música lentamente deixa de ser o foco principal. Que assim seja. Mas não me convide, por favor…
quarta-feira, setembro 14, 2011
Existem pessoas com saudades da época em que bandas tinham vida
Música sem vida. É assim que muitos profissionais do ramo, de diferentes níveis de sucesso, vêem o atual mercado nacional e internacional. A tecnologia avança cada vez mais, para o bem e para o mal, mas muita gente não tem dúvida: a forma como se trabalha hoje na composição, gravação e até mesmo em shows está deixando o sentimento e a camaradagem de lado.
O último expoente a mencionar essa questão foi o guitarrista do Jethro Tull, o inglês Martin Barre, de 65 anos, em entrevista dada na edição de junho da revista brasileira Roadie Crew. “Antigamente as bandas tinham vida de verdade. Hoje em dia a gente troca e-mails uma vez por semana e só nos vemos quando tem trabalho.”
O vocalista da banda, Ian Anderson, esteve recentemente no Brasil com sua banda solo, mas tocando somente o repertório do Jethro Tull. A miniturnê do vocalista na América do Sul e do Norte foi acertada meio que de forma precipitada, mas o cantor não perdeu muito tempo ao tentar arregimentar o grupo principal. Recrutou músicos que tocam normalmente com ele em outros projetos e que estavam disponíveis e caiu na estrada.
Claro que esse é um exemplo um tanto forçado e nem tão complicado, mas a constatação (e não queixa) de Barre mostra como as coisas estão diferentes atualmente, e como afeta o trabalho em uma banda que já tem 44 anos de carreira.
Assim como os processos de gravação mudaram nos últimos 50 anos, os procedimentos para compor e tocar ao vivo, ou mesmo de gerenciamento de negócios, mudaram na condução das bandas. Mas não deixa de ser sintomático que veteranos explicitem, mesmo que não seja em tom de reclamação, que as bandas de rock na atualidade, novas ou velhas, estão perdendo um importante ingrediente na produção musical.
É cada vez mais comum a composição de músicas entre bandas de portes grande e médio ser feita à distância, com trocas de arquivos digitais pela internet. “É comum que isso aconteça. Quando Ralf Scheepers cantava conosco, morava a mais de 700 quilômetros de distância. Às vezes ele tinha de ficar duas ou três semanas em hotel ou na casa de um dos integrantes para compor e gravar nos anos 90. Hoje Scheepers e muitos outros artistas trocam arquivos pela rede com as adições de suas partes ou mesmo seu trecho na composição”, afirmou Kai Hansen, guitarrista do Gamma Ray, banda alemã de heavy metal, quando esteve no Brasil há dois anos.
O Brasil, o processo também é largamente usado. Andre Matos, ex-vocalista do Angra e do Shaman, hoje em carreira solo e cantando no Symfonia, cansou de usar a internet para trocar informações e impressões com Sascha Paeth, guitarrista e produtor alemão e parceiro no projeto hard rock Virgo. A banda gaúcha Hangar também costuma trabalhar desta forma, já que um dos seus líderes, o baterista Aquiles Priester, mora em São Paulo.
“A internet facilitou demais a vida. Dá para compor e gravar em parceria com alguém que pode estar em qualquer lugar do mundo. Uma banda pode gravar um CD sem que seus integrantes tenham se visto no estúdio ou mesmo tenham estado na mesma cidade”, disse o baterista, um entusiasta da tecnologia.
Isso não é novidade, é óbvio, mas o que chama atenção é que começam a surgir declarações como a de Barre no Brasil e no exterior. Um guitarrista de hard rock e heavy metal paulistano, integrante de uma banda que atualmente está congelada – e que pediu para não ter o nome revelado – vai mais fundo do que o guitarrista do Jethro Tull: “Não se tem mais tesão de gravar e compor atualmente. As gravações estão cada vez mais chatas, cada um grava seu instrumento em um horário diferente, a banda não se encontra no estúdio. Cada vez mais a composição é feita em computador e a troca de idéias acaba sendo por computador. Cada um manda sua parte por computador, um trabalha em cima do arquivo do outro e para por aí. A conseqüência disso são álbuns cada vez mais previsíveis, assim como as apresentações, e cada vez menos orgânicos.”
Ele narra ainda uma experiência estranha que viveu em São Paulo, quando sua banda deveria abrir o show de um grupo sueco de heavy metal, mas que foi cancelada na véspera do show. “Ninguém se preocupou em saber se isso ia causar problemas ou não. A banda decidiu que não queria mais abertura e pronto. Mesmo assim fomos ao show e ficamos um bom tempo nos bastidores antes e depois do show, já que tínhamos feito amizade com os roadies dos gringos. O quinteto ficou dividido em dois ambientes separados, que eram os camarins, e os caras não conversavam entre eles, pareciam completos estranhos, mesmo estando quase dez anos juntos. E os roadies contaram que era assim na Suécia, que os caras se conheciam há muito tempo, mas moravam em locais distintos, compunham separadamente e gravavam os CDs da mesma forma. As demos e fitas-guia eram enviadas por e-mail e cada um, em seu estúdio caseiro, gravava suas partes. O produtor pegava esse quebra-cabeça e montava o CD, às vezes com a presença de um ou outro membro. Assim não dá. Tenho pouco mais de 30 anos de idade, mas ainda sou do tempo em que se compunha junto com o parceiro no mesmo ambiente, seja no estúdio ou no boteco, e que todo mundo estava junto gravando. Quem terminava de gravar ficava lá até os outros terminarem. Não há mais vida…”
Desanimador? Talvez. Não creio que seja totalmente perceptível para o ouvinte comum esse tipo de ambiente e de circunstância, mas alguns mais fanáticos podem começar a associar alguns fatos e alguns comportamentos de seus ídolos, quebrando o encanto.
Seja como for, parece ser um caminho sem volta. Não para dizer que hoje não existe mais música ou bandas com “vida”, mas está claro que para parte expressiva de músicos ou do público a evolução dos métodos e procedimentos de gravação/composição/execução nem sempre surgem para melhorar…
Música sem vida. É assim que muitos profissionais do ramo, de diferentes níveis de sucesso, vêem o atual mercado nacional e internacional. A tecnologia avança cada vez mais, para o bem e para o mal, mas muita gente não tem dúvida: a forma como se trabalha hoje na composição, gravação e até mesmo em shows está deixando o sentimento e a camaradagem de lado.
O último expoente a mencionar essa questão foi o guitarrista do Jethro Tull, o inglês Martin Barre, de 65 anos, em entrevista dada na edição de junho da revista brasileira Roadie Crew. “Antigamente as bandas tinham vida de verdade. Hoje em dia a gente troca e-mails uma vez por semana e só nos vemos quando tem trabalho.”
O vocalista da banda, Ian Anderson, esteve recentemente no Brasil com sua banda solo, mas tocando somente o repertório do Jethro Tull. A miniturnê do vocalista na América do Sul e do Norte foi acertada meio que de forma precipitada, mas o cantor não perdeu muito tempo ao tentar arregimentar o grupo principal. Recrutou músicos que tocam normalmente com ele em outros projetos e que estavam disponíveis e caiu na estrada.
Claro que esse é um exemplo um tanto forçado e nem tão complicado, mas a constatação (e não queixa) de Barre mostra como as coisas estão diferentes atualmente, e como afeta o trabalho em uma banda que já tem 44 anos de carreira.
Assim como os processos de gravação mudaram nos últimos 50 anos, os procedimentos para compor e tocar ao vivo, ou mesmo de gerenciamento de negócios, mudaram na condução das bandas. Mas não deixa de ser sintomático que veteranos explicitem, mesmo que não seja em tom de reclamação, que as bandas de rock na atualidade, novas ou velhas, estão perdendo um importante ingrediente na produção musical.
É cada vez mais comum a composição de músicas entre bandas de portes grande e médio ser feita à distância, com trocas de arquivos digitais pela internet. “É comum que isso aconteça. Quando Ralf Scheepers cantava conosco, morava a mais de 700 quilômetros de distância. Às vezes ele tinha de ficar duas ou três semanas em hotel ou na casa de um dos integrantes para compor e gravar nos anos 90. Hoje Scheepers e muitos outros artistas trocam arquivos pela rede com as adições de suas partes ou mesmo seu trecho na composição”, afirmou Kai Hansen, guitarrista do Gamma Ray, banda alemã de heavy metal, quando esteve no Brasil há dois anos.
O Brasil, o processo também é largamente usado. Andre Matos, ex-vocalista do Angra e do Shaman, hoje em carreira solo e cantando no Symfonia, cansou de usar a internet para trocar informações e impressões com Sascha Paeth, guitarrista e produtor alemão e parceiro no projeto hard rock Virgo. A banda gaúcha Hangar também costuma trabalhar desta forma, já que um dos seus líderes, o baterista Aquiles Priester, mora em São Paulo.
“A internet facilitou demais a vida. Dá para compor e gravar em parceria com alguém que pode estar em qualquer lugar do mundo. Uma banda pode gravar um CD sem que seus integrantes tenham se visto no estúdio ou mesmo tenham estado na mesma cidade”, disse o baterista, um entusiasta da tecnologia.
Isso não é novidade, é óbvio, mas o que chama atenção é que começam a surgir declarações como a de Barre no Brasil e no exterior. Um guitarrista de hard rock e heavy metal paulistano, integrante de uma banda que atualmente está congelada – e que pediu para não ter o nome revelado – vai mais fundo do que o guitarrista do Jethro Tull: “Não se tem mais tesão de gravar e compor atualmente. As gravações estão cada vez mais chatas, cada um grava seu instrumento em um horário diferente, a banda não se encontra no estúdio. Cada vez mais a composição é feita em computador e a troca de idéias acaba sendo por computador. Cada um manda sua parte por computador, um trabalha em cima do arquivo do outro e para por aí. A conseqüência disso são álbuns cada vez mais previsíveis, assim como as apresentações, e cada vez menos orgânicos.”
Ele narra ainda uma experiência estranha que viveu em São Paulo, quando sua banda deveria abrir o show de um grupo sueco de heavy metal, mas que foi cancelada na véspera do show. “Ninguém se preocupou em saber se isso ia causar problemas ou não. A banda decidiu que não queria mais abertura e pronto. Mesmo assim fomos ao show e ficamos um bom tempo nos bastidores antes e depois do show, já que tínhamos feito amizade com os roadies dos gringos. O quinteto ficou dividido em dois ambientes separados, que eram os camarins, e os caras não conversavam entre eles, pareciam completos estranhos, mesmo estando quase dez anos juntos. E os roadies contaram que era assim na Suécia, que os caras se conheciam há muito tempo, mas moravam em locais distintos, compunham separadamente e gravavam os CDs da mesma forma. As demos e fitas-guia eram enviadas por e-mail e cada um, em seu estúdio caseiro, gravava suas partes. O produtor pegava esse quebra-cabeça e montava o CD, às vezes com a presença de um ou outro membro. Assim não dá. Tenho pouco mais de 30 anos de idade, mas ainda sou do tempo em que se compunha junto com o parceiro no mesmo ambiente, seja no estúdio ou no boteco, e que todo mundo estava junto gravando. Quem terminava de gravar ficava lá até os outros terminarem. Não há mais vida…”
Desanimador? Talvez. Não creio que seja totalmente perceptível para o ouvinte comum esse tipo de ambiente e de circunstância, mas alguns mais fanáticos podem começar a associar alguns fatos e alguns comportamentos de seus ídolos, quebrando o encanto.
Seja como for, parece ser um caminho sem volta. Não para dizer que hoje não existe mais música ou bandas com “vida”, mas está claro que para parte expressiva de músicos ou do público a evolução dos métodos e procedimentos de gravação/composição/execução nem sempre surgem para melhorar…
domingo, setembro 11, 2011
Ex-astro da axé music agora quer ser estrela do heavy metal
Quando a pseudobanda de heavy metal Massacration surgiu, em 2002, como extensão de um programa de humor da MTV Brasil, repercussão dividiu os apreciadores do gênero: a maior parte detestou por se ver retratada, de certa forma, por um grupo zoando com todos os clichês do gênero. Outra parte entendeu espírito da coisa e gostou, achando bem engraçada intenção humorística.
O resultado é que a coisa deu tão certo que o que era zoeira e mero apêndice de um programa de humor virou um projeto musical quase sério: as brincadeiras e sacanagens com o gênero permanecem, assim como o humor rasteiro e, de certa forma, escroto, mas agora faz shows em todo o Brasil, participa de festivais e já rendeu dois CDs hilários.
Brincadeira ou oportunismo? Com certeza a primeira coisa, e merece aplausos por aproveitar uma oportunidade de fazer graça com um tema “sagrado” e ainda ganhar elogios da turma. Mas parece que tem gente querendo “colar” na onda do Massacration, mas fazendo um trabalho de profundo mau gosto.
Luiz Caldas é um músico e instrumentista baiano que fez fama no Nordeste, e depois em todo o Brasil, compondo e executando hits de axé music a partir do final dos anos 80. Fez sucesso e se tornou um bem-sucedido artista e empresário do ramo.
Esquecido pela grande mídia, de vez em quando é objeto de reportagens de TV do tipo “que fim levou?” ou “onde está fulano?”. Nestas reportagens, fala de sua carreira e nunca deixa de ressaltar o que ele chama de “ecletismo” musical, já que aprecia e até executa peças de vários gêneros, “até de heavy metal”, como fez questão de ressaltar em uma reportagem para a TV Globo.
E eis que, para nosso assombro – literalmente –, aos 48 anos, Luiz Caldas reaparece fantasiado de vampiro, acompanhado por uma banda com integrantes fantasiados com temas ligados ao terror, tocando no Programa do Jô, de Jô Soares, na TV Globo, na madrugada de sexta para sábado, já avançando pelo dia 9 de julho.
Foi anunciado como líder de uma banda de heavy metal (????) que iria tocar uma música heavy metal (?????) em português. Quem diria, o heavy metal servindo de inspiração, parâmetro – e refúgio – para fracassados e exilados em geral…
O que se viu em seguida foi medonho – literalmente. Se aquilo era sério, ficou pior do que péssimo. Se era brincadeira, não teve a menor graça, pis todos os clichês do mundo, desde as letras até o visual, foram utilizados, e da pior maneira. Parecia uma banda de música infantil de peça sobre vampiros para crianças de cinco anos de idade.
A música? Qualquer coisa que se diga é pouco para descrever o quanto é ruim e rasteiro. Vejam no vídeo o final do texto e tirem suas conclusões.
Oportunismo? Totalmente. Motivado por qual sentimento? “Se ele é um dos criadores do axé, então é um ser possuído pelo demônio, nada mais natural do que virar metaleiro”, foi uma criativa frase escrita por um sacripanta no YouTube.
Algo parecido ocorreu no final dos anos 80, quando Alceu Valença decidiu “compor” um blues, que inundou as emissoras de rádio da época, provocando a ira dos blueseiros nacionais, na época em alta e conquistando mais espaço.
Seja lá qual for o motivo, não passa de oportunismo barato e de péssima qualidade. Logo essa iniciativa estará na lata de lixo da história. O que chama a atenção é a falta de pudor em mergulhar em um estilo musical alheio ao que sempre fez na vida – axé music, o que por si só demonstra que tipo de carreira ele conduziu e o tipo de “música” que ele criou.
Se queria fazer rock, então que fizesse com competência, seja para zoar, como fez o Massacration, ou para entrar de cabeça no gênero, como fez Hudson Cadorini, ex-integrante da dupla sertaneja Edson e Hudson.
Se era para achincalhar, o Língua de Trapo fez com maestria há 25 anos com a “música” “Os Metaleiros Também Amam”, que inclusive foi incluída em um festival da TV Globo.
Oportunistas e aproveitadores existem aos montes por aí, e principalmente na música brasileira. Caldas é só mais um. Conseguiu um segundo e meio de atenção no Jô Soares e aqui no Combate Rock. Retornará rapidinho para o ostracismo, para sorte da humanidade.
Quando a pseudobanda de heavy metal Massacration surgiu, em 2002, como extensão de um programa de humor da MTV Brasil, repercussão dividiu os apreciadores do gênero: a maior parte detestou por se ver retratada, de certa forma, por um grupo zoando com todos os clichês do gênero. Outra parte entendeu espírito da coisa e gostou, achando bem engraçada intenção humorística.
O resultado é que a coisa deu tão certo que o que era zoeira e mero apêndice de um programa de humor virou um projeto musical quase sério: as brincadeiras e sacanagens com o gênero permanecem, assim como o humor rasteiro e, de certa forma, escroto, mas agora faz shows em todo o Brasil, participa de festivais e já rendeu dois CDs hilários.
Brincadeira ou oportunismo? Com certeza a primeira coisa, e merece aplausos por aproveitar uma oportunidade de fazer graça com um tema “sagrado” e ainda ganhar elogios da turma. Mas parece que tem gente querendo “colar” na onda do Massacration, mas fazendo um trabalho de profundo mau gosto.
Luiz Caldas é um músico e instrumentista baiano que fez fama no Nordeste, e depois em todo o Brasil, compondo e executando hits de axé music a partir do final dos anos 80. Fez sucesso e se tornou um bem-sucedido artista e empresário do ramo.
Esquecido pela grande mídia, de vez em quando é objeto de reportagens de TV do tipo “que fim levou?” ou “onde está fulano?”. Nestas reportagens, fala de sua carreira e nunca deixa de ressaltar o que ele chama de “ecletismo” musical, já que aprecia e até executa peças de vários gêneros, “até de heavy metal”, como fez questão de ressaltar em uma reportagem para a TV Globo.
E eis que, para nosso assombro – literalmente –, aos 48 anos, Luiz Caldas reaparece fantasiado de vampiro, acompanhado por uma banda com integrantes fantasiados com temas ligados ao terror, tocando no Programa do Jô, de Jô Soares, na TV Globo, na madrugada de sexta para sábado, já avançando pelo dia 9 de julho.
Foi anunciado como líder de uma banda de heavy metal (????) que iria tocar uma música heavy metal (?????) em português. Quem diria, o heavy metal servindo de inspiração, parâmetro – e refúgio – para fracassados e exilados em geral…
O que se viu em seguida foi medonho – literalmente. Se aquilo era sério, ficou pior do que péssimo. Se era brincadeira, não teve a menor graça, pis todos os clichês do mundo, desde as letras até o visual, foram utilizados, e da pior maneira. Parecia uma banda de música infantil de peça sobre vampiros para crianças de cinco anos de idade.
A música? Qualquer coisa que se diga é pouco para descrever o quanto é ruim e rasteiro. Vejam no vídeo o final do texto e tirem suas conclusões.
Oportunismo? Totalmente. Motivado por qual sentimento? “Se ele é um dos criadores do axé, então é um ser possuído pelo demônio, nada mais natural do que virar metaleiro”, foi uma criativa frase escrita por um sacripanta no YouTube.
Algo parecido ocorreu no final dos anos 80, quando Alceu Valença decidiu “compor” um blues, que inundou as emissoras de rádio da época, provocando a ira dos blueseiros nacionais, na época em alta e conquistando mais espaço.
Seja lá qual for o motivo, não passa de oportunismo barato e de péssima qualidade. Logo essa iniciativa estará na lata de lixo da história. O que chama a atenção é a falta de pudor em mergulhar em um estilo musical alheio ao que sempre fez na vida – axé music, o que por si só demonstra que tipo de carreira ele conduziu e o tipo de “música” que ele criou.
Se queria fazer rock, então que fizesse com competência, seja para zoar, como fez o Massacration, ou para entrar de cabeça no gênero, como fez Hudson Cadorini, ex-integrante da dupla sertaneja Edson e Hudson.
Se era para achincalhar, o Língua de Trapo fez com maestria há 25 anos com a “música” “Os Metaleiros Também Amam”, que inclusive foi incluída em um festival da TV Globo.
Oportunistas e aproveitadores existem aos montes por aí, e principalmente na música brasileira. Caldas é só mais um. Conseguiu um segundo e meio de atenção no Jô Soares e aqui no Combate Rock. Retornará rapidinho para o ostracismo, para sorte da humanidade.
quinta-feira, setembro 08, 2011
Versões nacionais de lançamentos internacionais
Um grande presente para quem gosta de rock. O selo paulistano CD&DVD Factory adquiriu os direitos para lançar, em edições nacionais, CDs e DVDs recém-lançados ou que estão prestes a ser lançados na Europa e nos Estados Unidos. É hard rock e classic rock de altíssima qualidade.
A joia do pacote é “Live at Donington 1990”, do Whitesnake, a grande apresentação ao vivo da banda no festival Monsters of Rock daquele ano tendo Steve Vai e Adrian Vandenberg nas guitarras.
Um dos shows piratas mais procurados por fãs desde a época de seu lançamento, essa apresentação é histórica porque é a coroação de um momento de extremo sucesso da banda, que então divulgava o álbum “Slip of the Tongue”, do ano anterior.
É histórica também porque marcou o primeiro fim do Whitesnake meses depois, quando David Coverdale, o vocalista e dono do empreendimento, decidiu partir para uma parceria com Jimmy Page, ex-guitarrista do Led Zeppelin, no projeto Coverdale-Page, que durou apenas um álbum.
Para o lançamento, provavelmente em agosto, haverá uma edição especial, uma caixa com o CD duplo e o DVD, mas será apenas na primeira tiragem. Em seguida os produtos serão vendidos separadamente.
“Somos um selo independente e estamos apostando na qualidade musical de nossas aquisições, e é nossa meta continuarmos a trazer para o país trabalhos deste nível. É de extrema importância para o sucesso deste empreendimento e também para que uma empresa genuinamente nacional possa despontar e afirmar-se no cenário musical, que já existe um predomínio das grandes majors”, diz Márcio Silveira Reginnette, um dos diretores da CD&DVD Factory.
A segunda joia do pacote é “Fly From Here”, do Yes, gigante do rock progressivo britânico que lança um novo trabalho com músicas inéditas após dez anos – o último foi “Magnification”.
É um trabalho de boa qualidade, mas que vai causar polêmica, já que o vocalista Jon Anderson, um dos fundadores, já não está na banda desde 2008, quando adoeceu e foi substituído sem muita cerimônia pelo cantor canadense Benoit David, que integrava uma banda cover do próprio Yes.
Outra novidade na formação é a presença de Oliver Wakeman nos teclados. Ele é um dos filhos de Rick Wakeman, que fez parte do Yes em sua formação clássica, nos álbuns “Fragile” (1971) e “Close to the Edge” (1972).
Rick participou de várias turnês e álbuns desde 1991, quando o álbum “Union” reuniu oito dos integrantes que passaram pela banda. Entretanto, por questões de remuneração e de solidariedade a Anderson, não quis participar da reunião da banda para comemorar os 40 anos de fundação, em 2008. Surpreendentemente, seu filho mais velho, Oliver, foi convidado e aceitou substituir o pai.
“Mirror Ball – Live & More” é o mais novo álbum do Def Leppard, outro gigante do hard rock inglês. Duplo, traz gravações ao vivo das duas últimas turnês mundiais que a banda realizou. A edição brasileira será caprichada, com encarte muito bem feito. Também foram incluídas três músicas inéditas de estúdio, gravadas recentemente: A banda também acrescentou três novas faixas de estúdio: “Invicto”, “It’s About Believin” e “Kings of the World”.
A última pérola do pacotão da CD&DVD Factory é o mais recente trabalho de estúdio da banda norte-americana Journey, “Eclipse”, recém-lançado na Europa e nos Estados Unidos. A versão nacional também terá uma edição caprichada.
“Eu estou apaixonado por este disco”, diz o membro fundador e guitarrista Neal Schon. “É um disco de rock e sons incríveis, um grande disco que traz toda a energia do palco para dentro do estúdio”, disse o músico no material promocional distribuído pela excelente gravadora italiana Frontiers Records.
A banda, entretanto, não conta mais com Steve Perry, o vocalista que mais teve sucesso com o grupo e que cantou no Journey até meados dos anos 80. Recentemente, o vocalista Jeff Scott Soto (ex-Yngwie Malmsteen e Talisman, entre outros), foi substituído pelo filipino Arnel Piñeda.
Todos os lançamentos estão programados para chegar às lojas em agosto.
Um grande presente para quem gosta de rock. O selo paulistano CD&DVD Factory adquiriu os direitos para lançar, em edições nacionais, CDs e DVDs recém-lançados ou que estão prestes a ser lançados na Europa e nos Estados Unidos. É hard rock e classic rock de altíssima qualidade.
A joia do pacote é “Live at Donington 1990”, do Whitesnake, a grande apresentação ao vivo da banda no festival Monsters of Rock daquele ano tendo Steve Vai e Adrian Vandenberg nas guitarras.
Um dos shows piratas mais procurados por fãs desde a época de seu lançamento, essa apresentação é histórica porque é a coroação de um momento de extremo sucesso da banda, que então divulgava o álbum “Slip of the Tongue”, do ano anterior.
É histórica também porque marcou o primeiro fim do Whitesnake meses depois, quando David Coverdale, o vocalista e dono do empreendimento, decidiu partir para uma parceria com Jimmy Page, ex-guitarrista do Led Zeppelin, no projeto Coverdale-Page, que durou apenas um álbum.
Para o lançamento, provavelmente em agosto, haverá uma edição especial, uma caixa com o CD duplo e o DVD, mas será apenas na primeira tiragem. Em seguida os produtos serão vendidos separadamente.
“Somos um selo independente e estamos apostando na qualidade musical de nossas aquisições, e é nossa meta continuarmos a trazer para o país trabalhos deste nível. É de extrema importância para o sucesso deste empreendimento e também para que uma empresa genuinamente nacional possa despontar e afirmar-se no cenário musical, que já existe um predomínio das grandes majors”, diz Márcio Silveira Reginnette, um dos diretores da CD&DVD Factory.
A segunda joia do pacote é “Fly From Here”, do Yes, gigante do rock progressivo britânico que lança um novo trabalho com músicas inéditas após dez anos – o último foi “Magnification”.
É um trabalho de boa qualidade, mas que vai causar polêmica, já que o vocalista Jon Anderson, um dos fundadores, já não está na banda desde 2008, quando adoeceu e foi substituído sem muita cerimônia pelo cantor canadense Benoit David, que integrava uma banda cover do próprio Yes.
Outra novidade na formação é a presença de Oliver Wakeman nos teclados. Ele é um dos filhos de Rick Wakeman, que fez parte do Yes em sua formação clássica, nos álbuns “Fragile” (1971) e “Close to the Edge” (1972).
Rick participou de várias turnês e álbuns desde 1991, quando o álbum “Union” reuniu oito dos integrantes que passaram pela banda. Entretanto, por questões de remuneração e de solidariedade a Anderson, não quis participar da reunião da banda para comemorar os 40 anos de fundação, em 2008. Surpreendentemente, seu filho mais velho, Oliver, foi convidado e aceitou substituir o pai.
“Mirror Ball – Live & More” é o mais novo álbum do Def Leppard, outro gigante do hard rock inglês. Duplo, traz gravações ao vivo das duas últimas turnês mundiais que a banda realizou. A edição brasileira será caprichada, com encarte muito bem feito. Também foram incluídas três músicas inéditas de estúdio, gravadas recentemente: A banda também acrescentou três novas faixas de estúdio: “Invicto”, “It’s About Believin” e “Kings of the World”.
A última pérola do pacotão da CD&DVD Factory é o mais recente trabalho de estúdio da banda norte-americana Journey, “Eclipse”, recém-lançado na Europa e nos Estados Unidos. A versão nacional também terá uma edição caprichada.
“Eu estou apaixonado por este disco”, diz o membro fundador e guitarrista Neal Schon. “É um disco de rock e sons incríveis, um grande disco que traz toda a energia do palco para dentro do estúdio”, disse o músico no material promocional distribuído pela excelente gravadora italiana Frontiers Records.
A banda, entretanto, não conta mais com Steve Perry, o vocalista que mais teve sucesso com o grupo e que cantou no Journey até meados dos anos 80. Recentemente, o vocalista Jeff Scott Soto (ex-Yngwie Malmsteen e Talisman, entre outros), foi substituído pelo filipino Arnel Piñeda.
Todos os lançamentos estão programados para chegar às lojas em agosto.
segunda-feira, setembro 05, 2011
Bootleg x pirataria: a diferença nem é tão grande assim
Bootleg não é pirataria. É comum vermos essa frase ser usada em diversos fóruns na internet e até mesmo em congressos de fãs de determinada banda como justificativa para a disseminação de conteúdo artístico e/ou intelectual sem a devida autorização do autor ou detentor dos direitos.
Os melhores argmentos de quem defende o bootleg são fracos: “não trazem prejupizo a ninguém” e “ajuda a divulgar o nome do artista, seja em qual ambiente for”. Pura balela.
A divulgação de material não autorizado, em última instância, lesa o artista na medida em que. obviamente, ele não recebe nada pela divulgação/disseminação; e também causa lesão ao permitir que material de qualidade inferior, descartado seja lá qual for o motivo, chegue ao ouvinte, causando “má impressão”.
Bootleg é sim pirataria, mas desde os anos 90 deixou de ser uma preocupação para os artistas. Geralmente esse tipo de material só interessa a fanáticos ou colecionadores, daqueles que querem ter tudo de um artista, mesm que seja uma conversa de camarim ou som do artista vomitando.
Nos anos 70 e 80, o 'Black Album' foi considerado o LP (e depois CD) pirata mais caçado do mundo. Traz sobras de estúdio, ensaios e takes alternativos das gravações de 'The White Album', o LP duplo lançado em 1968. Entre outras coisas, traz versões 'bêbadas' para 'The House of the Rising Sun', dos Animals, e 'A Quick One', do Who. A lenda diz que só foram confeccionados 1,5 mil cópias em vinil.
O grande problema para o mercado cultural, para artistas e para as gravadoras, é a pura e simples clonagem de um CD/DVD/livro, sempre em qualidade inferior. Isso sim lesa o produtor de cultura.
Os bootlegs chegaram a preocupar as gravadoras no período entre 1985 e 1995, quando o CD ficou popular. Muitos bootlegs – a esmagadora maioria gravações de shows nunca lançados, sobras de estúdio, gravações alternativas de músicas de sucesso ou tediosos ensaios – foram produzidos em escala quase industrial em países como Itália e União Soviética (depois Rússia).
Nos dois países, a legislação a respeito de direitos autorais continha brechas que acabavam por estimular a criação e comercialização de tais produtos. Ficaram famosos no Brasil e na Argentina os “italianos” com um cachorro como “selo musical” contendo shows de artistas dos mais variados. As quantidades de cada um dos produtos eram sempre pequenas, nunca ultrapassando mil cópias.
Esse ficou bem popular em CD nos anos 90, e foi um dos mais procurados nas duas décadas anteriores. A capa, em prensagem de CD italiano, identifica o que seriam as gravações completas da sessão dos Beatles ao vivo feitas no telhado da gravadora Apple, em 30 de janeiro de 1969. É considerada a última e verdadeira apresentação ao vivo da banda. Surgiu no mercado em versões simples e dupla em CD.
Esse material geralmente era vendido às gravadoras piratas italianas, russas e até japonesas geralmente por intgrantes de fã-clubes ou até mesmo de equipes que faziam som nos shows, gravando muitas vezes o áudio direto da mesa.
A pirataria bootleg do tipo italiana perdeu força na segunda metade da década de 90 com o apert na legislação e fiscalização na Itália e na Rússia. A internet virou o paraíso para esse tipo de conteúdo, disseminado de graça, mas chamando a atenção somente dos fanáticos.
Contracapa de um dos CDs da série 'Unsurparred Masters', a mais famosa série de álbuns pitaras dos Rolling Stones, ao lado da série 'Ultra Rare Trax' (que também lançou gravações alternativas e não autorizadas de Beatles, Deep Purple e Led Zeppelin, entre outros).
Os artistas detestam, pois consideram que todo bootleg não passa de material ruim, sem qualidade necessária para se tornar um produto oficial. As gravadoras idem, porque bootleg em tese canibaliza um eventual lançamento de CD ao vivo.
Alguns artistas tentam tirar vantagem do fanatismo e aderem, até certo ponto, à estratégia: The Who e Pearl Jam, por exemplo, chegaram a colocar à venda mais de 130 shows, em CD e en DVD, diretamente em seus sites oficiais. Tiveram vendas satisfatórias, mas insuficientes para justificarem tal investimento. Fizeram u=isso por apenas uma turnê e depois abandonaram a ideia.
A prática mais comum no combate aos bootlegs, mas que não passa de oportunismo barato e imoral, é a reedição de CDs ou de discografias inteiras em CD com a inclusão de “bônus” – grava~ções ao vivo ou músicas gravadas mas nunca lançadas oficialmente. Quem tem todos os discos de uma banda e é fanático acaba por comprar novamente os álbuns com as “novidades”.
'Cabala' é considerado o melhor e mais cobiçado do Led Zeppelin. Traz músicas inéditas descartadas, ensaios, takes alternativos de sucessos da banda e colagens sonoras. Na versão mais conhecida, surgida no meio dos anos 80, é vendida em uma caixa com oito CDs.
Seja como for, o bootleg é pirataria sim, msmo que seja considerada por muitos do “bem”, já que normalmente não causa lesão financeira ou artística ao artista e muito menos às gravadoras.
O mercado tem é de combater a pirataria verdadeira, que é a clonagemgrosseira e barata de originais, essa sim lesiva em todos os sentidos. Em tempos de todo tipo de download na internet, os bootlegs são os menores problemas para artistas, produtores e empresários do meio.
Outra raridade nos anos 70 e 80, 'Tommy Demos' traz as primeiras gravações das composições que viriam integrar o álbum duplo 'Tommy', de 1969. A maioria das músicas tem apenas Pete Townshend tocando todos os instrumentos, em gravações realizadas em seu estúdio caseiro entre novembro de 1968 e fevereiro de 1969. Muitas das faixas ainda nem traziam as letras definitivas.
Um dos mais famosos bootlegs do Iron Maiden, 'Secret Gig', como é popularmente conhecido, traz um show de uma banda de amigos liderada por Adrian Smith e Nicko McBrain. Em 19 de dezembro de 1985, com Smith nos vocais na maior parte do tempo, a banda executou diversos clássicos do rock, como 'Tush', do ZZ Top. Bruce Dickinson, Dave Murray e Steve Harris subiram ao palco somente ao final do show, no bis. O grande destaque é a música 'Reach Out', um dueto entre Smith e Dickinson, que acabou sendo lançada como lado B pelo Iron pouco tempo depois, com Adrian Smith cantando.
Bootleg não é pirataria. É comum vermos essa frase ser usada em diversos fóruns na internet e até mesmo em congressos de fãs de determinada banda como justificativa para a disseminação de conteúdo artístico e/ou intelectual sem a devida autorização do autor ou detentor dos direitos.
Os melhores argmentos de quem defende o bootleg são fracos: “não trazem prejupizo a ninguém” e “ajuda a divulgar o nome do artista, seja em qual ambiente for”. Pura balela.
A divulgação de material não autorizado, em última instância, lesa o artista na medida em que. obviamente, ele não recebe nada pela divulgação/disseminação; e também causa lesão ao permitir que material de qualidade inferior, descartado seja lá qual for o motivo, chegue ao ouvinte, causando “má impressão”.
Bootleg é sim pirataria, mas desde os anos 90 deixou de ser uma preocupação para os artistas. Geralmente esse tipo de material só interessa a fanáticos ou colecionadores, daqueles que querem ter tudo de um artista, mesm que seja uma conversa de camarim ou som do artista vomitando.
Nos anos 70 e 80, o 'Black Album' foi considerado o LP (e depois CD) pirata mais caçado do mundo. Traz sobras de estúdio, ensaios e takes alternativos das gravações de 'The White Album', o LP duplo lançado em 1968. Entre outras coisas, traz versões 'bêbadas' para 'The House of the Rising Sun', dos Animals, e 'A Quick One', do Who. A lenda diz que só foram confeccionados 1,5 mil cópias em vinil.
O grande problema para o mercado cultural, para artistas e para as gravadoras, é a pura e simples clonagem de um CD/DVD/livro, sempre em qualidade inferior. Isso sim lesa o produtor de cultura.
Os bootlegs chegaram a preocupar as gravadoras no período entre 1985 e 1995, quando o CD ficou popular. Muitos bootlegs – a esmagadora maioria gravações de shows nunca lançados, sobras de estúdio, gravações alternativas de músicas de sucesso ou tediosos ensaios – foram produzidos em escala quase industrial em países como Itália e União Soviética (depois Rússia).
Nos dois países, a legislação a respeito de direitos autorais continha brechas que acabavam por estimular a criação e comercialização de tais produtos. Ficaram famosos no Brasil e na Argentina os “italianos” com um cachorro como “selo musical” contendo shows de artistas dos mais variados. As quantidades de cada um dos produtos eram sempre pequenas, nunca ultrapassando mil cópias.
Esse ficou bem popular em CD nos anos 90, e foi um dos mais procurados nas duas décadas anteriores. A capa, em prensagem de CD italiano, identifica o que seriam as gravações completas da sessão dos Beatles ao vivo feitas no telhado da gravadora Apple, em 30 de janeiro de 1969. É considerada a última e verdadeira apresentação ao vivo da banda. Surgiu no mercado em versões simples e dupla em CD.
Esse material geralmente era vendido às gravadoras piratas italianas, russas e até japonesas geralmente por intgrantes de fã-clubes ou até mesmo de equipes que faziam som nos shows, gravando muitas vezes o áudio direto da mesa.
A pirataria bootleg do tipo italiana perdeu força na segunda metade da década de 90 com o apert na legislação e fiscalização na Itália e na Rússia. A internet virou o paraíso para esse tipo de conteúdo, disseminado de graça, mas chamando a atenção somente dos fanáticos.
Contracapa de um dos CDs da série 'Unsurparred Masters', a mais famosa série de álbuns pitaras dos Rolling Stones, ao lado da série 'Ultra Rare Trax' (que também lançou gravações alternativas e não autorizadas de Beatles, Deep Purple e Led Zeppelin, entre outros).
Os artistas detestam, pois consideram que todo bootleg não passa de material ruim, sem qualidade necessária para se tornar um produto oficial. As gravadoras idem, porque bootleg em tese canibaliza um eventual lançamento de CD ao vivo.
Alguns artistas tentam tirar vantagem do fanatismo e aderem, até certo ponto, à estratégia: The Who e Pearl Jam, por exemplo, chegaram a colocar à venda mais de 130 shows, em CD e en DVD, diretamente em seus sites oficiais. Tiveram vendas satisfatórias, mas insuficientes para justificarem tal investimento. Fizeram u=isso por apenas uma turnê e depois abandonaram a ideia.
A prática mais comum no combate aos bootlegs, mas que não passa de oportunismo barato e imoral, é a reedição de CDs ou de discografias inteiras em CD com a inclusão de “bônus” – grava~ções ao vivo ou músicas gravadas mas nunca lançadas oficialmente. Quem tem todos os discos de uma banda e é fanático acaba por comprar novamente os álbuns com as “novidades”.
'Cabala' é considerado o melhor e mais cobiçado do Led Zeppelin. Traz músicas inéditas descartadas, ensaios, takes alternativos de sucessos da banda e colagens sonoras. Na versão mais conhecida, surgida no meio dos anos 80, é vendida em uma caixa com oito CDs.
Seja como for, o bootleg é pirataria sim, msmo que seja considerada por muitos do “bem”, já que normalmente não causa lesão financeira ou artística ao artista e muito menos às gravadoras.
O mercado tem é de combater a pirataria verdadeira, que é a clonagemgrosseira e barata de originais, essa sim lesiva em todos os sentidos. Em tempos de todo tipo de download na internet, os bootlegs são os menores problemas para artistas, produtores e empresários do meio.
Outra raridade nos anos 70 e 80, 'Tommy Demos' traz as primeiras gravações das composições que viriam integrar o álbum duplo 'Tommy', de 1969. A maioria das músicas tem apenas Pete Townshend tocando todos os instrumentos, em gravações realizadas em seu estúdio caseiro entre novembro de 1968 e fevereiro de 1969. Muitas das faixas ainda nem traziam as letras definitivas.
Um dos mais famosos bootlegs do Iron Maiden, 'Secret Gig', como é popularmente conhecido, traz um show de uma banda de amigos liderada por Adrian Smith e Nicko McBrain. Em 19 de dezembro de 1985, com Smith nos vocais na maior parte do tempo, a banda executou diversos clássicos do rock, como 'Tush', do ZZ Top. Bruce Dickinson, Dave Murray e Steve Harris subiram ao palco somente ao final do show, no bis. O grande destaque é a música 'Reach Out', um dueto entre Smith e Dickinson, que acabou sendo lançada como lado B pelo Iron pouco tempo depois, com Adrian Smith cantando.
sexta-feira, setembro 02, 2011
Desde quando Jovem Guarda e Erasmo Carlos fizeram rock?
A música brasileira anda em festa desde o ano passado com uma tonelada de efemérides que nos atormentam a todo momento. Vai desde os 70 anos de Roberto Carlos aos 15 anos das mortes de Chico Science e Renato Russo.
A efeméride da vez são os 70 anos de idade de Erasmo Carlos, o eterno comparsa de Roberto Carlos. Negar as importância do cantor na música e na cultura brasileira é brigar com os fatos, é tentar estuprar a notícia. Não se trata disso – aliás, parabéns pela longeva carreira. Ponto.
O que mais incomoda nas comemorações dos 70 anos de Erasmo Carlos é a constante associação do nome dele ao rock. Desde quando o que ele fez nos anos 60 – e principalmente nos anos 70 – era rock? No máximo um popzinho chocho e de qualidade bastante questionável.
Nem é o caso aqui de ficar dissecando tecnicamente o trabalho do cidadão, como alguns leitores deste Combate Rock “exigem” apenas para espezinhar. A questão é simples e básica: desde quando o que Erasmo Carlos fez em toda a sua carreira era rock?
Erasmo Carlos comemora 70 anos de idade em show no rio com a presença de Roberto Carlos (Foto: MARCOS ARCOVERDE/AGENCIA ESTADO/AE)
Que a Jovem Guarda foi um movimento importante dentro da cultura brasileira não há dúvida. Mostrou que os jovens do começo dos anos 60 no Brasil tinham voz, vontade própria, talento e inteligência.
Mais do que isso, não queriam ficar presos às correntes monolíticas da MPB clássica do samba-canção e das marchinhas de carnaval nem às limitações do pseudo-intelectualismo da bossa nova – não é por acaso que a Jovem Guarda é mais relevante como movimento musical e cultural na história brasileira do que a bossa nova e o tropicalismo.
Por outro lado, a associação de Jovem Guarda com o rock soa artificial e forçada. Só porque era um movimento jovem?
Os primeiros vestígios de rock no Brasil só podem ser identificados em uma série de grupelhos de copiavam os Beatles e grupos americanos, como Renato e Seus Blue Caps, e, com grande dose de boa vontade, nas primeiras gravações de Raul Seixas nos primórdios dos anos 60 – que pouquíssima gente conhece ou sabe da existência.
Rock mesmo começou a ser feito de verdade no Brasil quando a beatlemania estava quase extinta. Foi quando apareceu por aqui Ronnie Von e os Mutantes, ao mesmo tempo em que alguns artistas da Jovem Guarda – com Roberto e Erasmo Carlos liderando – resvalavam, bem de leve, em tentativas frustradas de produzir algum tipo de “rock”.
Tal associação era benéfica à Jovem Guarda? Alguns historiadores dizem que sim, até porque Beatles, Rolling Stones e o rock em geral se tornaram moda mundial a partir de 1965.
A associação ao rock era uma forma de legitimar o movimento jovem da música brasileira que, de certa forma, era integrada por uma classe média que se consolidava e que era emergente, em contraponto ao elitismo da bossa nova e da MPB classuda e ao populismo e massificação do samba.
A tese até que faz algum sentido. No entanto, academicismos à parte, ainda que a associação Jovem Guarda-rock fosse necessária para atribuir credibilidade (ao menos mercadologicamente), soa muito forçada e quase sem nexo quando se escutam os principais hits da época – e principalmente que tipo de música os principais protagonistas produziram depois.
A analogia vale neste caso: depois do espetáculo lamentável que o time do Palmeiras proporcionou na partida contra o América-MG há alguns dias (1 a 1) e depois de uma atuação sonolenta do Corinthians na vitória de 1 a 0 contra o Atlético-GO, um jornalista do Jornal da Tarde comentou: “Palmeiras e Corinthians não praticam o mesmo esporte que o Barcelona (campeão europeu de 2011). Se os dois times jogam futebol, então o Barcelona pratica outra coisa.”
Pois bem. Se Erasmo Carlos e a Jovem Guarda algum dia fizeram rock, então Led Zepelin, Deep Purple, Black Sabbath, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Who e outros fizeram (ou fazem) outra coisa…
A música brasileira anda em festa desde o ano passado com uma tonelada de efemérides que nos atormentam a todo momento. Vai desde os 70 anos de Roberto Carlos aos 15 anos das mortes de Chico Science e Renato Russo.
A efeméride da vez são os 70 anos de idade de Erasmo Carlos, o eterno comparsa de Roberto Carlos. Negar as importância do cantor na música e na cultura brasileira é brigar com os fatos, é tentar estuprar a notícia. Não se trata disso – aliás, parabéns pela longeva carreira. Ponto.
O que mais incomoda nas comemorações dos 70 anos de Erasmo Carlos é a constante associação do nome dele ao rock. Desde quando o que ele fez nos anos 60 – e principalmente nos anos 70 – era rock? No máximo um popzinho chocho e de qualidade bastante questionável.
Nem é o caso aqui de ficar dissecando tecnicamente o trabalho do cidadão, como alguns leitores deste Combate Rock “exigem” apenas para espezinhar. A questão é simples e básica: desde quando o que Erasmo Carlos fez em toda a sua carreira era rock?
Erasmo Carlos comemora 70 anos de idade em show no rio com a presença de Roberto Carlos (Foto: MARCOS ARCOVERDE/AGENCIA ESTADO/AE)
Que a Jovem Guarda foi um movimento importante dentro da cultura brasileira não há dúvida. Mostrou que os jovens do começo dos anos 60 no Brasil tinham voz, vontade própria, talento e inteligência.
Mais do que isso, não queriam ficar presos às correntes monolíticas da MPB clássica do samba-canção e das marchinhas de carnaval nem às limitações do pseudo-intelectualismo da bossa nova – não é por acaso que a Jovem Guarda é mais relevante como movimento musical e cultural na história brasileira do que a bossa nova e o tropicalismo.
Por outro lado, a associação de Jovem Guarda com o rock soa artificial e forçada. Só porque era um movimento jovem?
Os primeiros vestígios de rock no Brasil só podem ser identificados em uma série de grupelhos de copiavam os Beatles e grupos americanos, como Renato e Seus Blue Caps, e, com grande dose de boa vontade, nas primeiras gravações de Raul Seixas nos primórdios dos anos 60 – que pouquíssima gente conhece ou sabe da existência.
Rock mesmo começou a ser feito de verdade no Brasil quando a beatlemania estava quase extinta. Foi quando apareceu por aqui Ronnie Von e os Mutantes, ao mesmo tempo em que alguns artistas da Jovem Guarda – com Roberto e Erasmo Carlos liderando – resvalavam, bem de leve, em tentativas frustradas de produzir algum tipo de “rock”.
Tal associação era benéfica à Jovem Guarda? Alguns historiadores dizem que sim, até porque Beatles, Rolling Stones e o rock em geral se tornaram moda mundial a partir de 1965.
A associação ao rock era uma forma de legitimar o movimento jovem da música brasileira que, de certa forma, era integrada por uma classe média que se consolidava e que era emergente, em contraponto ao elitismo da bossa nova e da MPB classuda e ao populismo e massificação do samba.
A tese até que faz algum sentido. No entanto, academicismos à parte, ainda que a associação Jovem Guarda-rock fosse necessária para atribuir credibilidade (ao menos mercadologicamente), soa muito forçada e quase sem nexo quando se escutam os principais hits da época – e principalmente que tipo de música os principais protagonistas produziram depois.
A analogia vale neste caso: depois do espetáculo lamentável que o time do Palmeiras proporcionou na partida contra o América-MG há alguns dias (1 a 1) e depois de uma atuação sonolenta do Corinthians na vitória de 1 a 0 contra o Atlético-GO, um jornalista do Jornal da Tarde comentou: “Palmeiras e Corinthians não praticam o mesmo esporte que o Barcelona (campeão europeu de 2011). Se os dois times jogam futebol, então o Barcelona pratica outra coisa.”
Pois bem. Se Erasmo Carlos e a Jovem Guarda algum dia fizeram rock, então Led Zepelin, Deep Purple, Black Sabbath, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Who e outros fizeram (ou fazem) outra coisa…

