terça-feira, agosto 07, 2007

Colapso dentro de casa


O colapso da infra-estrutura do ABCD, especialmente em seu sistema viário, está chegando muito mais rápido do que esperávamos. Se nos miolos das cidades já enfrentamos congestionamentos medonhos – o trajeto entre centro de São Bernardo e o centro de São Caetano (e vice-versa) pode demorar uma hora e meia nos horários de pico, em seus meros oito quilômetros -, agora a coisa está terrivelmente problemática nos principais corredores de acesso à região – vias Anchieta e Imigrantes e avenida dos Estados.

Na Anchieta, era comum haver congestionamento a partir do km 18, em São Bernardo, entre 7h e 9h30, no sentido Capital. No sentido contrário, a lentidão começa já no Sacomã, zona sul de São Paulo a partir das 16h, com parada total no km13, por conta do tráfego nas saídas do km 16 da avenida Lions, em São Bernardo.

Nos dias atuais a raiva só aumenta. No sentido Capital o congestionamento na Anchieta a partir do km 16 ocorre várias vezes ao dia, sem que haja necessariamente uma causa, como um acidente. No sentido contrário, o motorista fica nervoso já a partir das 14h.

Na avenida dos Estados, o teste de paciência é o mesmo. A lentidão não se restringe mais aos horários de pico. Ao meio-dia, sair de Santo André para chegar ao centro de São Paulo pode durar uma hora e quarenta minutos.

O tráfego pára entre a estação Prefeito Saladino e o bairro Santa Terezinha; pára na divisa tríplice entre Santo André, São Caetano e São Paulo, próximo à antiga Tintas Coral; pára em dois trechos da avenida na região de São Caetano.

O prejuízo financeiro e econômico é incalculável. O colapso previsto para 2009 já chegou. Fruto da miopia das administrações municipais e do descaso criminoso do governo estadual, que priorizou a segunda pista da rodovia dos Imigrantes e esqueceu do rodoanel, obra prioritária em qualquer planejamento viário sério na Grande São Paulo.

Some-se isso à demora na implementação do ambicioso projeto de remodelação viária de São Bernardo e temos o caos completo em nossas avenidas com dois anos de antecedência. Qualquer idéia de recuperação econômica regional fica comprometida diante desses gargalos logísticos. E, pelo jeito, em ano pré-eleitoral, continuaremos a perder tempo. E aí vem o desalento: será que só votar bem basta?

Adolescência pela metade

Se havia alguma dúvida de que a questão do emprego é crucial no ABCD de hoje, ela não existe mais se observarmos a imensa fila de jovens na frente da Arteb, em São Bernardo, passando a noite em busca de uma vaga de estágio naquela que ainda é uma das principais indústrias de autopeças do país.

O fenômeno não é novo, repete-se todos os anos e rendem boas imagens para os telejornais, com a grande fila de jovens dormindo ao relento na fila para amanhecer com o sonho do primeiro emprego – e o mais duro de admitir, nem emprego é.

O que espanta são dois aspectos que merecem análise e reflexão: a cada ano a fila aumenta mais e mais; e o fenômeno começa a se expandir para outras empresas que mantém programas de estágios e trainees, sobretudo para estudantes que estão em vias de completar o ensino médio (antigo 2º grau).

A obsessão pelo primeiro emprego está levando os filhos da classe média menos abastada a entrar numa roda-viva cada vez mais desesperadora em busca de um futuro, qualquer um.

O estudo começa a se transformarem uma fonte de estresse: os garotos não mais estudam para aprender, estudam para passar e poder trabalhar. É a neurose e a paranóia do vestibular antecipada para a adolescência.

E as famílias do ABCD ainda têm nítida a percepção de que o ensino técnico é mais do que fundamental em um mundo onde a tecnologia é cada vez mais dominante e os empregos industriais são cada vez mais raros e exigentes.

Pode ser um anacronismo, uma coisa fora de moda, mas o ensino técnico ainda é o sonho das famílias que não dispõem – ou que já sabem que não vão dispor – de recursos para colocar (todos) os seus filhos na faculdade. Por isso a oportunidade oferecida pela Arteb é tão concorrida, assim como os cursos do Senai.

Esse aspecto precisa ser levado em consideração pelas administrações municipais e pelo governo do Estado. O ensino técnico pode ser uma forma de amenizar o problema do desemprego na região, hoje em torno de 16% da População Economicamente Ativa – algo em torno de 200 mil pessoas.

Ouça Gov't Mule


E mais, e mais, e mais. Gov't Mule é a única banda de rock que faz música de qualidade hoje em dia. Seus integrantes, que passaram por Allman Brothers e outras bandas de southern rock americanas,já são cinquentões, mas fazem o que as porcarias de bandas como Snow Patrow, Arctic Monkeys, Strokes, White Stripes e lixos parecidos não fazem: tocam bem e fazem música de qualidade.

Descanse em paz



O futebol de Campinas morreu. Não sobrou nada. Que vergonha...

Cavalo paraguaio


O Barueri é o São Caetano de hoje. Cavalo paraguaio, anabolizado com dinheiro público da prefeitura, vai desabar assim que os primeiros problemas acontecerem.

Fantasma 2


Cadê o São Caetano?

Fantasma 1


A Portuguesa ainda existe?

Herança maldita


A herança de Vanderlei Luxemburgo no Santos será nefasta. As estrelas foram embora, ficaram jogadores medícocres que logo vão sair porque seus salários são altos e o clube voltará à péssima situação dos anos 80 e 90. Isso se não cair para a segunda divisão. Parabéns, Luxemburgo.

Ódio profundo


A coisa mais odiosa da atualidade é ver o São Paulo mal daspernas e assim líder de campeonato, a léguas de distância em relação aos seus rivais provinciais. É duro admitir, mas os dirigentes do Morumbi são relativamente competentes.

Caso de polícia


A situação do Corinthians é vergonhosa. Roubo, apropriação indébita, golpes, uma série de dribles nos estatutos... É de longe muito pior do que a do Flamengo, que deve R$ 200 milhões mas nunca paga e sempre se safa, graças a influências políticas. Será o começo do fim do Corinthians?

Fora Caio Júnior


Técnico bonzinho, de fala mansa e de idéias supostamente boas. E resultados péssimos. O Palmeiras é uma piada. Está em sexto hoje no Brasileirão, mas corre risco de rebaixamento por falta de qualidade e comando.

Crise sem fim


Nunca um governo federal foi tão incompetente para administrar esse país. Corrupção generalizada, fisiologismo, inapetência administrativa, incompetência geral. Se a ecnomia está bem, herança de um governo quase tão ruim, o resto é um desatre. POliticamente, é um governo suicida, de tantas lambanças que são feitas. Economicamente, corre o risco de jogar fora a estabilidade herdada, graças à petezada pentelha e embolorada. Institucionalmente, jogou a moral e a decência no lixo, com a corrupção geral e incentivada, com o apoarelhamento total do Estado. É o governo mais lamentável da história. Parabéns, Lula.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Robert Plant recriará The Honeydrippers



Robert Plant vai recriar o grupo THE HONEYDRIPPERS para uma ou duas apresentações em um clube de Dudley, na Inglaterra, em um evento chamado "An Evening Of Rhythm And Blues", cujo objetivo é angariar fundos para o tratamento quimioterápico de uma amiga do vocalista.

Não se sabe ainda quem estará na formação da banda, cujo álbum de 1984 contou com o ex-companheiro de Plant no LED ZEPPELIN, o guitarrista Jimmy Page, além do também guitarrista Jeff Beck.

THE HONEYDRIPPERS foi um projeto criado por Plant nos snos oitenta, que tinha como intenção tocar clássicos do Rhythm & Blues e do Rock`n´Roll, e passou por duas formações distintas, deixando apenas um disco gravado.
The Who continua, em memória aos ex-integrantes



do Whiplash


Pete Townshend não se arrepende de continuar com como THE WHO apenas com o vocalista ROGER DALTREY, apesar do fato de metade da banda ter morrido. Townshend sente que prosseguindo a dupla remanescente paga tributo ao ex-baterista Keith Moon e ao baixista John Entwistle, mortos em 1978 e 2002, respectivamente, ambos devido ao uso excessivo de drogas.

Townshend falou ao Minneapolis Star Tribune e explicou que Roger e ele gravando e excursionando como THE WHO é algo diferente do vocalista e os guitarristas do LED ZEPPELIN, Robert Plant e Jimmy Page, respectivamente, se reunindo como uma dupla no anos 90. “O caso deles era diferente. O (baixista) John Paul Jones ainda está vivo, e disponível, e eu acho que nenhum deles queria fazer o Zeppelin voar novamente.”

Pete ainda acrescenta: “Só restamos dois de nós vivos. O nome THE WHO pertence a Roger e a mim como uma marca – ainda que nós chamássemos de algo diferente, as pessoas ainda viriam para ver o WHO, as canções se refeririam ao WHO, e acabaríamos avaliados pelo nosso passado como THE WHO. Vivemos na realidade. John e Keith têm melhor reverência com Roger e eu tocando suas músicas ao invés de ficarmos sentados em um asilo soltando baforadas de cigarro ao ar.”

Diferente de Plant e Page, que de acordo com Plant não pretendem manter contato (no que tange ao LED), Townshend e Daltrey cultivaram uma renovada amizade – algo que eles nunca dividiram durante o line-up original do WHO. Pete dá uma luz quanto ao seu atual relacionamento com Daltrey. “Está melhor. Nenhum de nós jamais esperou voltarmos aos palcos juntos. Nós sempre nos respeitamos e nos amamos, um ao outro. Agora está mudando, realmente gostamos um do outro. Talvez isto exista por uma dependência elevada, mas ainda mais porque hoje nós encaramos tudo de forma mais clara.”

Townshend nos explicou o motivo de acreditar porque Daltrey e ele ainda podem ter uma parceria criativa: “não é só por causa dos grandes números ($), é mais por questão de eficácia. E penso que, você sabe, somos como uma boa equipe de entrega expressa (risos)”

Pete Townshend aparecerá com Steve Winwood, Bill Wyman, Joe Walsh e outros no concerto em meória ao baterista e compositor do TRAFFIC, Jim Capaldi, em 21 de janeiro de 2007, no Roundhouse de London, pelo segundo ano desde o falecimento do baterista.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Demitido, repórter da Globo critica direção


Este texto foi extraído do blog de Bob Fernandes, no site Terra:

Demitido, Rodrigo Vianna, repórter da TV Globo, critica a direção da emissora. Leia íntegra da carta:


LEALDADE

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna.

Terra Magazine

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Visita do The Who pela América do Sul começa em março

da Ansa, em Santiago, e da Folha Online


O grupo britânico The Who visitará a América do Sul pela primeira vez em março de 2007, em um giro que incluirá shows no Chile, Argentina e, provavelmente, também no Brasil (ainda sem confirmação oficial).

O show em Santiago será realizado em 21 de março no Estádio Nacional e o da Argentina, três dias depois, no estádio do clube River Plate, indicaram promotores locais.

No entanto, o site "Thewhotour" confirma shows apenas até o dia 17 de março, no México. Neste giro, o conjunto britânico divulga "Endless wire", seu primeiro álbum em 24 anos.

O disco de 19 canções inclui uma seção chamada "Wire & glass", na qual o grupo retoma o conceito de ópera rock, formato em que o The Who foi pioneiro com sua obra "Tommy" (1969).

A banda ícone dos anos 60, como parte do movimento conhecido como "invasão britânica", alcançou impacto mundial com sucessos como "My generation", "Baba O'Riley", e "I can't explain".

Após a morte do baterista Keith Moon em 1978 e do baixista John Entwistle em 2002, o The Who é formado hoje por dois de seus membros originais: o guitarrista Pete Townshend (compositor da maioria das músicas) e o vocalista Roger Daltrey.

Entre os músicos que os acompanham neste giro, está o baterista de Zark Starkey, filho de Ringo Starr.

No começo deste mês, foi divulgado que a Planmusic, responsável por shows como os do U2 no Brasil, traria o The Who ao Brasil em março de 2007.Mas a empresa ainda não se manifestou oficialmente sobre rumores de que a vinda do grupo ao Brasil tinha sido cancelada.
Beatles e Stones ficarão mais pobresAções do documento


Uma comissão independente creditou a autenticidade das leis que determinam a expiração dos direitos autorais sobre uma música após 50 anos de seu lançamento. Sendo assim, duas maiores bandas do rock da história deverão perder, nos próximos sete anos, os direitos sobre suas músicas lançadas em 1963.

Porém, o veredicto ainda será dado pelo governo britânico. Mas ao que tudo indica, a partir do anos de 2013, não será mais preciso pagar royalties aos Beatles pela utilização de clássicos como "Love Me Do", de 1963 ou "Can I Get A Witness", do primeiro álbum dos Stones, "The Rolling Stones", de 1964. Sendo assim, a cada ano seguinte outras músicas ficariam livres.

Alguns músicos já protestaram contra a decisão, como foi o caso de Cliff Richards, que pediu para que a validade dos direitos autorais fosse estendida para 95 anos, como acontece nos EUA.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Roadie assume teclados em shows do The Who



Brian Kehew, roadie do THE WHO, assumiu os teclados da banda no lugar de John "Rabbitt" Bundrick , ausente devido a problemas de saúde de sua mulher. "Roadies muitas vezes assumem os lugares dos músicos nas passagens de som, e quando a banda ouviu Brian ficou impressionada" disse o manager Robert Rosenberg.


Na realidade, as habilidades de Kehew já são bem conhecidas principalmente dos beatlemaníacos, já que ele é co-autor do "Recording the Beatles", livro que disseca os meandros técnicos das gravações do Fab Four.

Bill Ward realmente está fora do Heaven & Hell


do Whiplash


Confirmando o que já foi publicado há alguns dias, o baterista Bill Ward postou uma mensagem em seu site oficial afirmando que não fará parte do HEAVEN & HELL.

"Em resposta às especulações sobre minha participação no projeto Heaven And Hell, gostaria de confirmar que não estou envolvido nas gravações tampouco nos shows que serão realizados. Quero desejar aos garotos - Tony, Geezer, Ronnie e Vinny - muito sucesso no próximo ano", disse Bill.

As gravações ao qual se refere são de duas faixas inéditas que estarão presentes na compilação "Black Sabbath: The Dio Years", coletânea de faixas registradas na época em que Ronnie James Dio era o vocalista.

Genesis: ingressos já esgotados em alguns shows



Por Cleyton Lutz

As entradas das apresentações que vão ser realizadas nos estádios Old Trafford e Twickenham, nos dias 7 e 8 de julho, as primeiras do GENESIS em solo inglês nos últimos quinze anos, se esgotaram em uma hora e meia.

Os músicos estão bastante empolgados com a reunião. “Esta turnê será divertida”, afirmou Mike Rutherford à revista britânica Mojo. “Nós ainda estamos excitados por tocarmos novamente” completou Tony Banks.

A turnê do GENESIS ocorrerá nos meses de junho e julho do próximo ano. Ao todo já foram agendados 21 shows, mas a banda ainda avalia a possibilidade de incluir outras apresentações.