sexta-feira, novembro 23, 2001

Hastings - Por uma Segunda Chance - Capítulo 1





Consegui correr para a floresta quando a avalanche de normandos destruiu o nosso fanco esquerdo. A minha preocupação era com a brigada que tentava proteger o rei Haroldo, mas ela havia desaparecido. Em meio a toda a gritaria, pude escutar Mordred gritar paa que eu caísse para a esquerda, por trás do pequeno cume que se elevava bem no meio do campo de batalha. Lutando contra dois adversários e ferido no ombro esquerdo, Mordred procurava deter a penetração dos lanceiros.
A mim restava apenas seguir a ordem dele para tentar reorganizar as nossas defesas, mas foi impossível. Nem me dei conta de que havia matado três normandos quando tentava alcançar o meio do campo, à procura do rei.
Agora eu fazia parte do bando de soldados em frangalhos que tentava se refugiar no bosque de Dartmoor. Muitos de nós foram perseguidos como cães e assassinados sem piedade pelos mercenários sanguinários de William.
Ao longe, podia ouvir o clamor da corneta de Gandalf insistindo no avanço contra a bem postada infantaria dos normandos. POuco tempo depois veio o esperado toque de retirada. Na verdade, fuga, pois não havia mais o que fazer, não havia mais o que esperar daquele bando desorganizados de soldados derrotados naquele morticínio em que se transformou a planície de Hastings.
Meu coração estava dlacerado pela culpa. Mal consegui contornar o cume e os adversários caíram como águias sobre mim. Fui empurrado para perto do pântano acossado por uma coluna de normandos. Um a um meus companheiros de brigada caíam mortos, ora atingidos pelas flechas certeiras dos arqueiros, ora com as gargantas cortadas pelas pesadas espadas.
Cristand salvou minha vida ao saltar por cima de uma vegetação e empurrar dois inimigos prestes a cravar suas espadas em minhas costas, enquanto eu tentava golpear dois cavaleiros com meu machado. Mal tive tempo de me virar para ajudá-lo e ele estava caído, com um sabre enfiado no estômago, mas segurando firmemente a cabeça de um dos agressores. Um leve sorriso permanecia em seu rosto sem vida. O outro que atentava contra mim jazia com a cabeça enterrada em uma poça de água barrenta do pântano. O corpulento merciano Cristand salvara minha vida e nem ao menos pude olhá-lo nos olhos para agradecer.
Com a mesma rapidez que me virei para socorrer Cristand desviei-me de uma bola de aço lançada contra mim por dos cavaleiros, mas fui atingido por uma flecha no braço direito. Orin e Surgrath conseguiram bons resultados ao derrubar cavaleiros na entrada do bosque, mas foram abatidos logo em seguida por flechas. Toda a nossa linha de defesa fora quebrada e colunas de cavaleiros e lanceiros estavam prestes a nos cercar. Era o fim. Só me restava agora ir para a floresta.
E ali eu estava agora, atrás de uma pedra, escutando ao longe a selvageria da batalha que chegava ao fim. Exausto, Mondragon caiu ao meu lado, ao deslizar ferido por uma ribanceira. Já não tinha uma parte do rosto, arrancada por uma machadada.
- Acabou, meu amigo, acabou. Haroldo está morto.
- Como assim? Onde ele tombou?
- Na charneca perto da trilha de Ingram. Os lanceiros que o protegiam foram esmagados por uma das colunas que rompeu nossa linha à direita. Não tiveram chance.
Deixe-o recostado a uma relva e consegui atingir uma das árvores do lado norte da floresta. Mesmo ferido no braço, consegui subir e tentar vislumbrar algo do campo de batalha, a esta altura muito longe, lá embaixo na planície. O movimento estava cessando. Na parte alta da charneca, vi o que parecia ser simplesmente um massacre, com uma série de execuções sumárias.
Por mais que eu resistisse, não pude conter algumas poucas lágrimas. Nosso reino estava destruído por usurpadores. Anos de luta para consolidar a unificaão dos reinos de Mércia, Wessex e Northumbria destruídos por um exército de mercenários.
Quando voltei para ajudar Mondragon, algum tempo depois, apenas encontrei seu corpo sem a cabeça. Minha espada e meu machado haviam sumido. Eu só tinha agora uma saída: alcançar a aldeia de Warthingam antes dos normandos.
"Rock Star" é uma decepção


Decepcionante o filme "Rock Star", em cartaz em vários cinemas do país. O filme tem a pretensão de contar a história de um fã de uma banda que canta em um grupo cover, imitando em tudo seus ídolos. Com a saída do vocalista do famoso grupo, uma fita com uma apresentação do fã em um pardieiro chega às mãos dos empresários e o fã é convidado para fazer um teste, sendo imediatamente aceito.
A história é inspirada na vida de Tim Owens, que era vocalista de uma obscura banda norte-americana chamada Winter's Bane, que tinha material próprio mas fazia shows cover do Judas Priest. Na procura por um novo vocalista, os músicos do Priest receberam uma fita de vídeo com um show do Winter's Bane e resolveram convidar Owens para uma série de testes e ensaios em 1995. Acabou sendo contratado e oficializado como vocalista em 1996.
Esse bom argumento foi desperdiçado pelo roteiro, que é muito ruim. O filme investe mais nos clichês do heavy metal do que na música em si (a trilha sonora é muito boa por sinal, tanto as músicas compostas especialmente para banda fictícia do filme como a trilha original, a cargo do ex-Yes Trevor Rabin).
Fica claro que o roteirista nada entende de música e desconhece totalmente o mundo do heavy metal, fazendo com que a história não decole, tornando tudo muito artificial, tornando patéticas as cenas dos chamados "exageros" dos artistas com álcool, drogas e sexo que acompanhavam a fama das bandas de rock pesado dos anos 80. Ou seja, exageraram nas cenas dos "excessos".
Mark Wahlberg, o protagonista, até que convence como o fã-vocalista, já que ele foi músico (era o rapper Marky Mark), mas é só. Músicos importantes como Jeff Pilson (Dio, Dokken), Zakk Wylde (Ozzy Osbourne) e Jason Bonham, que interprertaram a banda Steel Dragon, aquela idolatrada pelo fã, funcionam bem nas cenas de palco (shows), é óbvio, mas naufragam nas demais.
Enfim, um dos poucos filmes que tentam retratar o mundo do heavy metal cai na vala comum dos clichês e da desinformação pura e simples. Tudo isso sem contar a direção igualmente ruim.
Para quem gosta de rock, há outras opções nas locadoras de vídeo. Há "Na Estrada do Rock" (1999), que conta a história da desconhecida banda Sweetwater, que chegou a tocar em Woodstock, que mistura ficção e documentário. "Almost Famous" (Quase Famosos, 2000), sucesso nas telas deste ano, chega em breve às locadoras e conta a história de um garoto de 16 anos que é contratado surpreendentemente para acompanhar a turnê de uma banda de rock iniciante que começa a fazer sucesso e escrever uma grande reportagem para a revista Rolling Stone durante os anos 70.
Essa história é fielmente baseada na história do próprio diretor do filme, Cameron Crowe, que tinha 16 anos quando, a pedido da Rolling Stone, viajou dois meses com o Led Zeppelin pelos Estados Unidos em 1973. O filme é bom porque retrata com mais verossimilhança e fidelidade o mundo do rock dos anos 70, mostrando de forma crível as loucuras movidas as drogas, sexo e álcool das turnês dos superstars (e não exagerando o que já era exagero por natureza). A direção é firme e consistente (o diretor sabia do que estava falando) e os personagens foram bem construídos.
Mas o melhor filme mesmo é "Still Crazy" (Ainda Muito Loucos, 1998), um misto de comédia e drama inglês que conta a história de um antológico grupo de hard rock dos anos 70 que decide voltar à ativa em 1997 após 20 anos de separação. A grande sacada do filme é a sua verossimilhança com o cenário de duas décadas a´trás e com a onda de retornos de bandas antigas nos anos 90. Não há exageros e o roteiro é inteligente e bem feito.
Dark Avenger volta com tudo




Uma das boas surpresas deste ano no heavy metal brasileiro é "Tales of Avalon - The Terror", da banda brasiliense Dark Avenger. Um trabalho surpreendente pela produção (excelente para os padrões brasileiros) e pelo conceito do álbum, totalmente baseado nas histórias da Távola Redonda e do rei Arthur. Os arranjos das músicas também chamam a atenção pela riqueza de detalhes. Com a formação totalmente modificada, a banda mostra vigor e maturidade, sempre sob o comando do autoritário e genioso voclaista Mário Linhares, agora tendo como fiel companheiro de composições o guitarrista e produtor Leonel Valdez.

quarta-feira, novembro 21, 2001

O CD beneficente para Nova York



Já tem data para chegar às lojas o CD duplo "Concert For a New York", que traz o show comandado por Paul McCartney em 20 de outubro com um elenco multiestrelado. O CD estará nas prateleiras em 4 de dezembro. Aí vai a lista de músicas:
CD 1:
1 - America - David Bowie.
2 - Heroes - David Bowie.
3 - Livin' On A Prayer - Bon Jovi.
4 - Wanted Dead Or Alive - Bon Jovi.
5 - It's My Life - Bon Jovi.
6 - Izzo (H.O.V.A.) - Jay Z.
7 - Iris - Goo Goo Dolls.
8 - Miami 2017 - Billy Joel.
9 - New York State Of Mind - Billy Joel.
10 - Emotion - Destiny's Child.
11 - Gospel Medley - Destiny's Child.
12 - I'm Your Hoochie Coochie Man - Eric Clapton.
13 - Operaman - Adam Sandler.
14 - Quit Playing Games With My Heart - Backstreet Boys.
15 - Come To My Window - Melissa Etheridge.
16 - Born To Run - Melissa Etheridge.

CD 2:

1 - Who Are You - Who.
2 - Baba O'Riley - Who.
3 - Won't Get Fooled Again - Who.
4 - Salt Of The Earth - Mick Jagger e Keith Richards.
5 - Miss You - Mick Jagger e Keith Richards.
6 - With A Little Help From My Friends - Macy Gray.
7 - Fire And Rain - James Taylor.
8 - Up On The Roof - James Taylor.
9 - Peaceful World - John Mellencamp e Kid Rock
10 - Pink Houses - John Mellencamp.
11 - Superman (It's Not Easy) - Five For Fighting.
12 - Mona Lisas And Mad Hatters - Elton John.
13 - I'm Down - Paul McCartney.
14 - Yesterday - Paul McCartney.
15 - Let It Be - Paul McCartney.
16 - Freedom - Paul McCartney.



Mais dois CDs ao vivo de Pete Townshend



O mito Pete Townshend, guitarrista e figura máxima do Who, iniciará no dia 23 de novembro através de seu site oficial a venda de dois CDs ao vivo, registrados em duas apresentações predominantemente acústicas ocorridas no La Jolla Playhouse de San Diego nos dias 22 e 23 de junho passados, e que conterão as seguintes músicas:

22/06/2001: (aprox.89 minutos)

CD 1: Pinball Wizard/ Let My Love Open The Door/ Heart To Hang Onto Cut My Hair/ Slit Skirts/ Drowned/ Greyhound Girl/ Tattoo/ The Sea e Refuses No River.

CD 2: St James Infirmary/ Eminence Front/ Won’t Get Fooled Again/ Behind Blue Eyes e Won’t Get Fooled Again (versão 'elétrica')

23/06/2001: (aprox.98 minutos)

CD1: Pinball Wizard/ Let My Love Open The Door/ Heart To Hang Onto Cut My Hair/ Slit Skirts/ Drowned/ Greyhound Girl/ Tattoo/ Collings e Eminence Front.

CD2: Sheraton Gibson/ Won’t Get Fooled Again/ I’m One/ Behind Blue Eyes/ Driftin’ Blues/ Eyesight To The Blind e Won’t Get Fooled Again (versão 'elétrica').

Com isso, o velho guitarrista de 56 anos incrementa o esquema que implantou há dois anos de venda de material exclusivo apenas por seu site. Além dos dois trabalhos ao vivo acima mencionados, o site já tem disponíveis outros três CDs duplos com shows gravados entre 1996 e 2000.
São os seguintes trabalhos ainda disponíveis no site:

Live at Fillmore East, 1996 (semi-acústico), coma s seguintes músicas: Let My Love Open The Door, English Boy, Drowned, The Shout, I Put A Spell On You, Cut My Hair, Sheraton Gibson, I'm One, Heart To Hang Onto, O'Parvardigar, A Legal Matter, A Friend Is A Friend, I Am An Animal, All Shall Be Well, Slit Skirts, Eyesight To The Blind, Driftin' Blues, Now And Then, Rough Boys, I'm A Boy, Magic Bus.

Live on the Shepherd's Bush, London, 1998: On The Road Again, A Little Is Enough, Pinball Wizard, Drowned, Anyway Anyhow Anywhere, You Better You Bet, Behind Blue Eyes, Baby Don't You Do It, English Boy, Three Steps To Heaven, Mary Anne With The Shaky Hand, Sheraton Gibson, Substitute, I Am An Animal, North Country Girl, (She's A) Sensation, A Friend Is A Friend, Now And Then, Let My Love Open The Door, Who Are You, The Kids Are Alright, Acid Queen, Won't Get Fooled Again, Magic Bus, I'm One.

Live at the Sadler's Wells, London, 2000 (The Lifehouse Show): One Note, Purcell, Teenage Wasteland, Time Is Passing, Love Ain't For Keeping, Goin' Mobile, Greyhound Girl, Tragedy, Mary, I Don't Even Know Myself, Bargain, Gettin' In Tune, Pure And Easy, Baba O'Riley (orchestral), Baba O'Riley, Hinterland Rag, Behind Blue Eyes, Let's See Action, Sister Disco, Relay, Who Are You, Join Together, Won't Get Fooled Again, Tragedy Explained, The Song Is Over, Can You Help The One You Really Love?

Todo esse material está disponível ao preço de 15 libras cada CD duplo (cerca de R$ 40,00). Lamentavelmente, essa prática só reforça o comodismo de Townshend, reconhecidamente um dos maiores compositores pop de todos os tempos. Ele agora se contenta em gravar shows solo ou caça-níqueis do Who para editar e gannhar uma graninha, passando longe da gravação de material novo e inédito.
O último CD com material original e inédito de Townshend foi "Psychoderelict", de 1993. O último CD do Who com músicas originais foi "It's Hard", de 1982 (a banda gravou duas músicas inéditas em 1989 para o CD "The Iron Man", de Pete Townshend, em 1989). Até quando isso continuará?

segunda-feira, novembro 19, 2001

O crime da apresentadora Soninha


Um assunto que vai render muito debate e muita polêmica, envolvendo a descriminação da maconha e a liberdade de expressão. A capa da revista Época desta semana traz quatro personalidades públicas com o título "Eu fumo maconha", entre aspas. Em razão disso, a TV Cultura decidiu rescindir o contrato de Sonia Francine, a Soninha, apresentadora do programa para adolescentes "RG" e ex-MTV. Ela aparece como a principal personalidade a ser entrevistada pela revista. Leia aqui as justificativas da TV Cultura, em matéria da Folha Online.
A questão é complexa. Em última análise, a TV Cultura está correta ao despedir Soninha. A apresentadora aparece na capa de uma revista nacional afirmando que pratica um ato ilegal, um ato criminoso, que é usar drogas. Pior, Soninha apresenta um programa para adolescentes. Ou seja, uma infratora da lei fala a adolescentes, podendo se transformar "numa má influência".
Que a apresentadora foi totalmente inconsequente e infeliz ao aparecer como principal personagem de uma reportagem como essa está fora de questão. Por mais que os padrões atuais de moralidade e mesmo de legalidade sejam mais tolerantes em relação á maxonha, ainda é crime o seu porte e a sua venda, bem como o seu uso.
O que se coloca aqui é o seguinte: a TV Cultura foi truculenta e retrógrada ao despedir Soninha? A apresentadora teve o seu direito de expressão cerceado ao ser punida por suas declarações à revista Época?
Na primeira questão, embora reconhecendo o direito da emissora de demitir uma pessoa "que assume cometer violações da lei", a truculência da medida chocou. Na segunda questão, Soninha teve sim a liberdade de expressão cassada, já que hoje há um debate amplo e público sobre a questão da descriminação da maconha. No entanto, parece que ela não atentou para as consequências de seu "crime".
Se a Gazeta Mercantil é assim, imagine o país


Uma das maiores contradições do capitalismo brasileiro está terminando de se materializar atualmente, mostrando ainda como é regra neste infeliz país o desrespeito às leis e aos trabalhadores. O "maior e mais respeitado jornal de economia da América Latina", a Gazeta Mercantil, demitiu mais de 500 pessoas nas últimas duas semanas (há cerca de 15 anos está mal das pernas) e simplesmente informou aos demitidos que não vai pagar indenização e verbas rescisórias; que os demitidos recorram a Justiça se quiserem receber seus direitos.
Ou seja, como acreditar em um jornal especializado em economia e que se arroga o direito de ser uma das balizas do pensamento econômico do país se a empresa a qual o edita é administrada como um botequim de fim de feira? Como acreditar em um jornal que se diz a maior influência enconômica do mercado financeiro e do meio empresarial sendo que a empresa que o edita desrespeita de forma vil e nojenta as leis trabalhistas? E tudo isso com a anuência da Justiça em todas as suas instâncias...
Os empresários brasileiros são os piores que podem existir, apoiados por um governo cretino, elitista e claramente neoliberal ao extremo. O meio empresarial brasileiro é nojento, assim como a Justiça em todas as suas instâncias, principalmente a trabalhista, coalhada de ratos vigaristas e trambiqueiros. Gente como Almir Pazzianotto, ministro do TST, que é um dos seres mais desprezíveis da face da terra.

sexta-feira, novembro 16, 2001

Crise injustificada na imprensa brasileira


A imprensa brasileira está sendo dizimada por cortes absurdos em quase todas as redações do país. É uma prática comum de jornais, rádios e TVs fazerem demissões às vésperas do dissídio coletivo dos jornalistas (1º dezembro, com proibição de dispensas antes após 1º de novembro. São os chamados "ajustes" para equilíbrio de contas, mas são ajustes burros, pois as contratações sempre são retomadas a partir de março.
Já houve situações muito complicadas no mercado jornalístico, como os cortes que ocorreram logo após o anúncio do PLano Collor, em 1990 (confisco da poupança) e 1992 (crise séria no mercado publicitário). Mas nada que se compare com os cortes violentos de 2001. Antes o máximo que as redações cortavam era 20 jornalistas. Agora o número médio passa de 50.
A Gazeta Mercantil demitiu quase 300 de seus 760 jornalistas em todo o país, com o fechamento de cadernos e jornais locais (tudo bem, é uma empresa pré-falimentar, mas mesmo assim foi um exagero); Estadão cortou 40 jornalistas, Folha/UOL cortaram outros 25, JB e Globo extinguiram suas sucursais paulistas, vários jornais de Belo Horizonte cortaram 10% de suas folhas de pagamento, a Abril cortou 15% (sendo que já havia feito outro corte de 10% em junho). Isso sem falar na falência quase total da Inernet no Brasil no final de 2000 e primeiro semestre de 2001.
É muita coisa e não se justifica, o mercado não está ruim dessa maneira. As empresas alegam retração do mercado publicitário, crise argentina, alta do dólar, crise causada pelo terrorismo e várias outras coisas para fazerem esses cortes drásticos. Mesmo com tudo isso a crise não é tão feia assim que justificasse o envio de mais de 500 jornalistas em todo o país para rua.
As empresas de comunicação desse país são dirigidas, em sua grande maioria, por incompetentes e safados, que não estão preocupados com a qualidade de seus produtos. Se os cortes são necessários, que se enxugue em outras áreas primeiramente. Demitir os responsáveis diretos pelos principais produtos das empresas é uma burrice gigantesca.
Homenagem a John Lee Hooker


Um tributo fantástico está sendo gravado nos Estados Unidos em homenagem a John Lee Hooker, um dos cinco mais importantes artistas de blues do mundo. O bluesman norte-americano morreu no começo deste ano aos 82 anos de idade, mas estava em plena atividade.
O tributo, com título de "The Greatest Blues Man Of All Time", contará com Gary Moore, Jack Bruce, Mick Taylor, Peter Green e membros do Little Feat, Canned Heat e LLC. Duas músicas já foram gravadas: "I'm In The Mood" e "It Serves Me Right To Suffer", com Gary Moore nas guitarras e vocais, Jack Bruce no baixo e vocais e Gary Husband na bateria.
Jogadores argentinos nojentos


Nojeira nas eliminatórias da Copa 2002 na América do Sul. A Reuters colheu depoimentos após o jogo Uruguai 1 x 1 Argentina de jogadores argentinos afirmando que resolveram "aliviar" no segundo tempo para "facilitar" a vida do Uruguai. A alegação? "Coisas estranhas estavam acontecendo nas eliminatórias", afirmou o péssimo goleiro Burgos, endossado pela anta chamada Sorín, lateral-esquerdo. Eles se referiam à "estranha" derrota do Paraguai por 4 a 0 ante a Colômbia em Assunção. Verón, o craque do time, disse que a Argentina parou de atacar deliberadamente no segundo tempo. Lamentável sob todos os aspectos.

quarta-feira, novembro 14, 2001

Algumas noções de economia

E-mail interessante que está circulando pela Internet (cortesia do brother Maurício Gaia):


Feudalismo - Voce tem duas vacas. Seu senhor pega parte do leite para ele. S

Socialismo - Voce tem duas Vacas. O governo as tira de voce e as coloca
num curral, juntamente com as vacas de todo mundo. Voce tem que cuidar de
todas as vacas. O governo lhe da um copo de leite.

Comunismo Russo - Voce tem duas vacas. Voce tem que cuidar delas, mas o
governo fica com o leite todo. Voce rouba o maximo possivel do leite e o
vende no mercado negro.

Comunismo Cambojano - Voce tem duas vacas. O governo pega as duas e fuzila
voce, acusando-o de ser um capitalista criminoso centralizador dos
recursos de producao da Nacao e fomentando a fome de seu Povo.

Ditadura Iraquiana - Voce tem duas vacas e e fuzilado por suspeita de
serem instrumento do imperialismo americano com o objetivo unico de contaminar todos os rebanhos do pais.

Democracia Representativa Britanica - As duas vacas estao loucas, mas a familia real mantem as aparencias perante a imprensa.

Capitalismo Norte Americano - Voce tem duas vacas. Voce vende uma delas e
compra um touro, que usa para inseminar a outra vaca e tambem as demais
vacas do pedaco (cobrando pela cobertura, naturalmente). Depois, comeca a
exportar esperma bovino para mercados emergentes. Apos varios anos de
expansao, sua empresa lanca uma oferta publica inicial para ser
apresentada na Bolsa de Valores de Nova York. A Comissao de Valores Mobiliarios abre
um processo contra voce e sua mulher por negociacao com informações privilegiadas.
Depois de uma longa e cara briga nos tribunais, voce e considerado culpado
e condenado a 10 anos de prisao, dos quais acaba cumprindo sete semanas.
Quando sai da cadeia, voce compra duas galinhas. Ai voce vende uma delas,
compra um galo.

Capitalismo de Hong Kong - Voce tem duas vacas. Voce vende tres delas a
sua empresa de capital aberto, usando cartas de credito abertas pelo banco de
seu cunhado, depois executa um swap de divida por credito com uma oferta
global associada, de modo a receber todas as suas vacas de volta, com
reducao de impostos por manter cinco vacas. Os direitos ao leite de seis
vacas sao transferidos, via uma holding panamenha, a uma empresa com sede
nas Ilhas Cayman, de propriedade secreta do acionista majoritario, que
revende os direitos do leite de todas as sete vacas a empresa de capital
aberto, enquanto adia o pagamento do produto da venda. O relatorio anual
diz que a empresa possui oito vacas, com opcao para aquisicao de mais uma.
Enquanto isso, voce vende suas duas vacas para uma nova seita recem
fundada na Índia por seu cunhado, ao preco unitario de US$ 1 milhao por
tratarem-se de animais sagrados realizadores do milagre da multiplicacao.

Capitalismo Maicrosoftiano ( Mercado de "Livre Concorrencia") - Voce tem
duas Vacas. Seu vizinho - Biu Gueites - faz uma oferta para comprar as
duas de Voce, que nao tem interesse no negocio. Apos meses de tentativas
infrutiferas, o Sr. Biu Gueites compra duas cabras e inicia uma campanha
de marketing na Regiao demonstrando as vantagens do leite de cabra em relacao
ao de vaca. Apos algum tempo, os consumidores acostumam-se com o leite de
cabra - vendido diretamente pelo Sr. Biu Gueites - e passam a exigir tal
produto nos pontos de vendas tradicionais. Um reduzido grupo de nao
consumidores de leite de cabra, apos varios desarranjos intestinais ao
experimentarem o novo padrao em leite nao se convence com os argumentos do
produtor, "que o problema nao esta no leite de cabra e sim na configuracao
do seu aparelho digestivo, recomendando fazer um "upigreide" de seu figado
para uma versao peintiummmm 32 bitis". Mas felizmente sao uma minoria.
Pressionados pelos consumidores locais, os laticinios aceitam os termos do
acordo para compra de leite de cabra do Sr. Biu Gueites: nao deverao mais
comprar mais leite de vaca. Apos alguns poucos anos, a empresa do Sr. Biu
passa a trabalhar secretamente com vacas anas, convencendo o publico que
trata-se de uma nova linhagem de cabras, denominadas WinCabras95. Parte
dos consumidores - que ainda recordavam do paladar do leite de vaca - acham o
gosto do leite destas "novas cabras" muito parecido com o de vaca, mas
certamente deverao estar equivocados. O resto da historia talvez voce ja
conheca.

>>Democracia Burocratica Brasileira - Voce tem duas vacas. Primeiro, o
governo federal traca normas para determinar como voce vai poder
alimenta-las e quando vai poder tirar leite delas. Depois, ele lhe paga
para nao tirar leite delas em determinadas epocas do ano, sob o argumento
do controle de precos (pois leite com excesso de oferta fara cair o preco
no mercado interno e externo, podendo oscilar perigosamente a balanca de
pagamentos). Nos demais meses que lhe e permitida a ordenha, o Congresso
institui o IOL - Imposto sobre a Ordenha do Leite - que abocanha 24,3% do
valor da Venda sobre um faturamento medio projetado - mesmo que Voce nao
consiga vender o leite, pois a base tributaria incide sobre uma estimativa
de produtividade. O governo estadual, sabendo da existencia das duas
vacas,
institui o ICVDL - Imposto de Circulacao de Vacas e Derivados de Leite -
com a aliquota de 27,8% calculados sobre o valor de aquisicao venal das
vacas e/ou sobre o preco minimo venal estipulado para o leite e derivados
naquela Regiao. Logicamente que, tendo sido vendido o leite a preco
superior ao preco venal fixado, a base de calculo sera a maior das duas.
Entrementes, o governo municipal, sabendo da existencia de um "boom"
bovino na cidade, institui o IPTURAVDB - Imposto Predial Territorial Urbano e
Rural sobre Abrigos de Vacas e demais Bovinos - calculados a base de
318,9876435 UFMs por metro quadrado da propriedade. Lei Municipal
Complementar, proibe a criacao de Vacas e Demais Bovinos em outros tipos
de propriedades moveis ou imoveis nao abrangidas pelo IPTURAVDB. Apos poucos
meses, um acordo entre os governos municipais e estaduais com a bencao do
governo federal, e instituido o rodizio de vacas e demais bovinos nas ruas
de cada cidade, com o nobre proposito de reduzir a poluicao estercal das
ruas. O desrespeito implicara na multa de US$ 100,00 por vaca por dia de
autuacao. Voce, Cidadao, esmagado pela carga tributaria, doa uma vaca para
uma instituicao de caridade e abate a segunda, oferecendo um churrasco
para amigos e vizinhos. Ao receber no exercicio seguinte - todos os carnes dos
impostos federal, estadual e municipal incidentes sobre as duas vacas,
alega que ja nao as possui mais ha meses. Mas como os computadores do
SERPRO nao foram atualizados voce tem que recolher todos estes impostos -
ou deposita-los em juizo - ate provar que nao e mais proprietario das
bovinas. Diante da sua insistencia em "sonegar" os impostos, estranhamente voce e
denunciado a receita federal, que o convoca a apresentar as declaracoes de
imposto de renda dos ultimos cinco exercicios. Como voce nao declarou nem
as vacas compradas nem a origem do capital utilizado para esta aquisicao,
voce torna-se devedor do fisco. Ao chegar em casa, vindo da delegacia da
receita federal, dois fiscais da vigilancia sanitaria estao te aguardando
com uma intimacao para depor no abate nao autorizado de animais para
consumo alimentar.
DVD tenta ressuscitar o Genesis


O quase extinto Genesis aposta no passado para faturar ainda uns trocados. No dia 26 de novembro, a banda, agora reduzida a Mike Rutherford (guitarra e baixo) e Tony Banks (teclados), lançará o DVD duplo "The Way We Walk Live". A gravação foi feita num show do grupo realizado em 1992, no Earl's Court, em Londres, quando ainda contava com Phil Collins.
Alista das músicas: Land of Confusion/ No Son Of Mine/ Driving The Last Spike/ Old Medley (Dance On A Volcano, The Lamb Lies Down On Broadway, The Musical Box, Firth Of Fifth, I Know What I Like, That's All, Illegal Alien, Follow You, Follow Me)/ Fading Lights/ Jesus He Knows Me/ Dreaming While You Sleep/ Home By The Sea/ Hold On My Heart/ Domino (The Domino Principle, In The Glow Of The Night, The Last Domino)/ The Drum Thing/ I Can't Dance/ Tonight, Tonight, Tonight/ Invisible Touch e Turn It On Again.
O vocalista Ray Wilson, substituto de Collins a partir de 1996 e que gravou o fraquíssimo "Calling All Stations" em 1997, ainda não definiu a sua continuidade no grupo. Por isso, são fortes os boatos na Inglaterra de que Phil Collins poderia retornar ao grupo. Todos os envolvidos mantêm silêncio a respeito disso.
Rush prepara novo lançamento para março




O fantástico trio canadense Rush volta à ativa em março de 2002 com o lançamento de novo CD e uma nova turnê pela América do Norte. O CD ainda não tem nome, mas deverá ser mais pesado e menos experimental que "Test for Echo" (1997). Para aqueles que ainda não adquiriram, corram até a Galeria do Rock, em São Paulo, para comprar as poucas cópias de "Different Stages" (1999), o último lançamento do rush, um CD triplo ao vivo. É possível encontrar cópias importadas por R$ 55,00 e cópias usadas por R$ 40,00.
Blaze toca no Brasil em janeiro


Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden, prepara sua primeira turnê pelo Brasil para o mês de janeiro. ele tocará em São Paulo no dia 26 de janeiro, ainda sem local definido. Um dia antes ele toca em Curitiba. Ele aproveita para lançar a versão brasileira de "Silicon Messiah", seu primeiro CD solo (muito bom por sinal).

segunda-feira, novembro 12, 2001

Venezuela não é páreo


Na boa, pessoal. Qualquer resultado que não for uma vitória por mais de três gols contra a Venezuela é inadmissível. A Venezuela não existe. E tem gente ainda duvidando da classificação para a Copa do Mundo. Se houver empate, aí a coisa vai ser pesadíssima mesmo...
Sagrado Coração da Terra em inglês




A idéia de escrever sobre o Sagrado Coração da Terra, banda mineira que é a melhor do rock progressivo brasileiro em toda a sua história, nasceu de dois fatos sem a menor ligação entre si. No domingo, dia 11 de novembro, encontrei o velho amigo Maurício Gaia, a figura por trás do ótimo Mauricéia Desvairada em uma festa e fui obrigado a ouvir reclamações dele sobre os meus textos sobre o rock progressivo, que ele "quase odeia". O segundo fato foi a audição propriamente dita de "Sacred Heart of Earth", o primeiro trabalho do grupo totalmente voltado para o mercado internacional, com músicas cantadas em inglês.
Esse trabalho, o sexto na discografia da banda, é na verdade uma compilação das melhores músicas dos cinco CDs anteriores, só que remasterizadas e com letras vertidas para o inglês - os vocais dessas músicas foram regravados, assim como alguns alguns arranjos. O CD apresenta ainda duas músicas inéditas, gravadas pela atual formação do grupo. Há ainda entre as 14 músicas algumas mantidas com a gravação original (gravadas em inglês à época).
O líder do grupo, o violinista e publicitário Marcus Vianna, considera "Sacred Heart of Earth" uma coletânea com letras vertidas para imglês para satisfazer o público internacional, já que o Sagrado é famoso e muito cultuado na Europa, sobretudo na Inglaterra, França e Alemanha.
Eu discordo. Esse trabalho é importante e merece figurar como "disco oficial" por ser o primeiro voltado para o mercado internacional e por conter elementos inéditos, como novos arranjos para músicas antigas e por conter material inédito nunca antes lançado.
"Sacred Heart of Earth" é ótimo e tem tudo para emplacar no exterior. A qualidade da produção é surpreendente, já que a tradição brasileira no rock progressivo é pequena. As músicas antigas ganharam mais fôlego e o inglês mostrou-se o idioma adequado para o tipo de som feito pelo grupo. Isso sem falar na qualidade musical em si, já músicos de primeiríssimo time participaram das várias formações do Sagrado, como o guitarrista Augusto Rennó e o vocalista Bauxita (mais conhecido pelo seu trabalho ligado ao blues).
Em linhas gerais, esse trabalho do Sagrado reúne as principais influências de Vianna: Genesis e Yes. Em menor escala, temos ecos de King Crimson, Emerson Lake and Palmer, Jethro Tull e até o experimental Gentle Giant. O violino de Marcus Vianna é a peça condutora das inúmeras suítes, e às vezes acaba por soterrar as guitarras, que aparecem pouco nesse trabalho. Além de Vianna, outros 36 músicos e cantores passaram pela banda em 22 anos de carreira.
O Sagrado Coração da Terra foi criado em 1979 pelo multiinstrumentista Marcus Vianna após a frustrada tentativa de se fazer rock progressivo experimental no Brasil com a banda mineira Saeculum Seculorum (criada em 1976 e abortada menos de dois anos depois; em 1998 Vianna reuniu gravações antigas e demos para lançar o CD "Saeculum Seculorum", em homenagem à banda).
Escaldado nas dificuldades de se fazer rock no Brasil, e principalmente rock progressivo, Marcus Vianna transformou o Sagrado Coração da Terra em um projeto particular, mas ele insiste que é uma banda. Ele toma conta de tudo, compõe todas músicas, quase todas as letras e faz questão de ser o produtor, cuidando de cada detalhe. Para isso, criou em 1980 o estúdio Sonhos e Sons em Belo Horizonte. Como a vida de músico não dava dinheiro, virou publicitário e especialista na crianção de jingles. Essa virou sua ocupação principal, enquanto que o Sagrado virou quase como um hobby.
Quase, porque algumas cópias dos trabalhos do grupo chegaram ao exterior, agradando em cheio os amantes do estilo. É citado em centenas de enciclopédias de rock progressivo como uma das principais bandas de rock progressivo das Américas e tem o mesmo prestígio de ícones como Solaris (Hungria), Premiata Fornieri Marconi (Itália), Pendragon e Camel (Inglaterra), entre outros.
Por causa disso, Vianna nunca pôde deixar o Sagrado dormindo por muito tempo. Tempo, aliás, que não lhe sobra mais desde que o sucesso na propaganda o empurrou para a composição de trilhas sonoras para novelas e filmes. Em 1992, assinou as várias trilhas sonoras de "Pantanal", da rede Manchete, fazendo desde a música incidental até composições gravadas por nomes importantes da MPB gravarem especialmente para a novela.
O sucesso foi tão grande que o músico acabou deixando os jingles por conta de sua equipe e mergulhou de cabeça nas trilhas para novelas. Isso aconteceu por dois motivos: a sua tendência para ser um workaholic e a uma certa "pressão" da Rede Globo, que o contratou impressionada pelos resultados de "Pantanal".
Os resultados: as elogiadíssimas trilhas sonoras de novelas como "Terra Nostra" e as minisséries "Chiquinha Gonzaga" e "Aquarela do Brasil", além das músicas da nova novela da Globo, "O Clone".

Jagger ressurge com novo CD



Está sendo aguardado com destaque exagerado o novo álbum solo de Mick Jagger, o quarto de sua carreira. "Visions of Paradise" é a primeira música do CD "Goddess in the Doorway" a chegar às rádios e sites especializados, uma balada romântica com um pouco de modernidade.
O líder dos Stones apostou um pouco na fórmula seguida por Santana no clássico álbum "Supernatural", quando contou com convidados ilustres em cada uma das faixas. Jagger usa como chamariz medalhões da atualidade como Bono (U2), Lenny Kravitz e Wyclef Jean, mas realmente quem segura mesmo o CD são os veteranos amigos Pete Townshend (The Who), Joe Perry (Aerosmith) e Matt Clifford (tecladista que acompanha os Rolling Stones), que tocam nas melhores faixas.
O último CD de Jagger, "Wandering Spirit", de 1993, até que não decepcionou, apesar de ser muito parecido com o que os Stones estavam fazendo na época. No novo álbum ele promete se distanciar um pouco de sua banda, mas sem mergulhar fundo nas "modernidades" eletrônicas.

domingo, novembro 11, 2001

Mais uma para rir com a extrema (ultra)-direita


Da série de sites humorísticos, temos um que provoca espamos e lágrimas de tanto riso. É o site da Editora Revisão, capitaneada pelo engenheiro gaúcho Siegfried Ellwanger, também conhecido como S.E. Castan. Pelo nome, é possível se supor que ele seja descendente direto de alemães, o que ele realmente é.
Ellwanger deixou um pouco de lado a profissão original para fundar a Revisão, destinada a divulgar livros trabalhos de autores revisionistas e negacionistas, principalmente a respeito da 2.a Guerra Mundial (é o caso dele próprio).
Revisionistas e negacionistas foram termos que começaram a ser empregados para definir historiadores europeus e norte-americanos que negavam, relativizavam ou amenizavam as atrocidades cometidas pelos nazistas na guerra de 1939-1945. Alguns autores, como Ellwanger, chegam ao disparate e ao cúmulo de questionar até mesmo a existência do holocausto judeu, com a morte de 6 milhões de pessoas na Europa nazista. Chegam a dizer que todas as informações a respeito são falsas ou exageradas, fruto da propaganda norte-americana e sionista. Uma autêntica piada.
Há também revisionistas e negacionistas na Rússia atual, saudosos dos tempos da extinta União Soviética, que negam ou amenizam os crimes de Stálin e Lenin.
No entanto, os termos geralmente são aplicados, em sua imensa maioria, a autores e historiadores de extrema-direita e ultra-direita, com ligações ou simpatias a correntes-grupos-tendências nazistas e racistas. É o caso de Ellwanger, que é o mais conhecido (talvez o único) revisionista brasileiro.
O site de sua editora divulga os livros que ele escreve e publica alguns artigos publicados em micropublicações gaúchas. Não passa de uma excrescência da sociedade brasileira, um fascista perturbado perdido em seus delírios, digno de fazer companhia a outro nojento chamado Irton Marx, aquele que um dia pensou em lutar pela independência do Rio Grande do Sul (!!!!!!!!!!).
Os artigos são risíveis e hilários, com argumentação pífia, mas é bem menos extremista do que realmente são os pensamentos de Ellwanger. Mas isso tem motivo: a editora e seu proprietário foram acossados algumas vezes por processos pesados em que eram acusados de racismo e de difusão de idéias nazistas.

sexta-feira, novembro 09, 2001

Novo lançamento do Violeta de Outono




Boa notícia também para o rock progressivo brasileiro. Chega às lojas brasileiras o CD "The Early Years", o mais recente lançamento da banda paulistana Violeta de Outono, uma das mais importantes do Brasil. Liderada pelo guitarrista e vocalista Fábio Golfetti, a banda esteve fora de circulação entre 1989 e 1995 devido ao que os músicos do trio chamaram de "incompreensão" do mercado. Traduzindo: estavam pagando para gravar e lançar seus álbuns e não estavam tendo retorno.
"The Early Years" foi gravado em 1988 mas nunca foi lançado. É o registro definitivo das influências que marcaram o desenvolvimento da banda, incluindo quatro covers clássicos do psicodelismo além de uma faixa gravada ao vivo. As músicas são Citadel (Rolling Stones), Interstellar Overdrive (Pink Floyd), Blues For Findlay (Gong), Within You Without You (Beatles) e um medley com Echoes (Pink Floyd) e No Quarter (Led Zeppelin). O trabalho mostra o trio no auge da forma, mostrando que, tecnicamente, era o "Rush" brasileiro.
Yes e Transatlantic mantêm o progressivo em alta




Reforçando ainda mais a tese de que o rock progressivo volta a ganhar espaço dentro do cenário musical, dois lançamentos recentes merecem a atenção de quem prima pelo bom gosto. O primeiro lançamento é um dos mais importantes dentro do rock progressivo dos últimos anos: "Magnification", do Yes, que já está nas lojas do Japão e chega à Europa e Estados Unidos em dezembro.
Esse CD é histórico por um motivo muito simples: pela primeira vez em seus 33 anos de história a banda grava um álbum sem tecladista. Os teclados foram simplesmente substituídos por uma orquestra inglesa completa. O resultado é magnífico, já que havia pelo menos 15 anos (desde o fraco "Big Generator", de 1986), que a banda não compunha músicas de qualidade. Os dinossauros ingleses ressurgem em novo formato e com formação diferente, um quarteto: Jon Anderson (vocais), Chris Squire (baixo e vocais), ambos fundadores do grupo, Alan White (bateria) e Steve Howe (guitarra).
De acordo com uma recente entrevista de Jon Anderson a uma revista inglesa na semana retrasada, o grupo vinha tendo problemas com tecladistas desde 1996, quando Rick Wakeman participou de uma turnê norte-americana e gravou na Inglaterra as músicas de estúdio incluídas nos dois volumes de "Keys to Ascension" (CDs duplos gravados ao vivo nos Estados Unidos mas que continham faixas inéditas gravadas pouco depois da turnê de 1996; foram lançados em 1997 e 1998).
Wakeman estava afastado da banda desde 1991, quando gravou o álbum "Union". Após a turnê de 1996, ele decidiu abandonar as longas turnês por absoluto cansaço e falta de estímulo para tal. De acordo com o mesmo Anderson, "Rick estava de saco cheio de ficar viajanado pelo mundo. O negócio dele agora é fazer shows de vez em quando e compor trilhas para cinema".
Para gravar os teclados de "Open Your Eyes", de 1997, tinha o produtor e guitarrista Billy Sherwood fazendo os teclados. Para a turnê de divulgação do CD, que passou pelo Brasil, Sherwood atuou apenas como segundo guitarrista, deixando os teclados para o pouco carismático russo Igor Khoroshev. Efetivado como músico permanente, atuou no fraco "The Ladder", de 1999, mas já não constava da formação oficial no final de 2000.
De qualquer forma, pela primeira vez a banda grava em quarteto e sem teclados Merece ser conferido sem preconceitos.
Outra pérola progressiva é "Bridge Across the River", terceiro trabalho do Transatlantic. A banda é na verdade é um projeto envolvendo gente da pesada do rock progressivo: Neal Morse (vocais, guitarra e teclados, da banda norte-america Spock's Beard), Pete Trewavas (baixista do Marillion), Mike Portnoy (baterista do Dream Theater) e Roine Stolt (guitarrista do Flower Kings).
Recriando o melhor espírito de bandas como Emerson, Lake and Palmer, Yes e King Crimson, as composições do Transatlantic são complexas e quilométricas, mas prevalecem o bom gosto e a qualidade técnica fantástica dos integrantes. O CD foi lançado em duas versões, uma simples e outra em versão dupla, com um CD bônus trazendo ensaios, demos e covers para músicas do Pink Floyd e dos Beatles.