Quem mais perdeu a voz no rock?
Será que os vocalistas perdem mesmo a voz com o passar dos anos, como aconteceu com Robert Plant? A história desmente tal tese. Excetuando-se o ex-vocal do Led Zeppelin, somente Ozzy Osbourne (Black Sabbath) e Ian Gillan, do Deep Purple, talvez tenha sofrido com a ação do tempo, e mesmo assim nem tanto. Ozzy nunca foi um grande cantor, tecnicamente, mas sempre se superou pela sua grande interpretação e performance no palco. Sua voz, entretanto, foi afetada pelos excessos de álcool e drogas.
As performances de Gillan já não são mais as mesmas dos anos 70, quando ele conseguia manter agudos de 15 segundos em músicas como "Strange Kind of Woman" e "Child in Time". Entretanto, ele manteve a potência na voz e a afinação. Isso pdoe ser verificado em músicas recentes como "Perfect Strangers", "The Battle Rages On", "Time to Kill", "Ted the Mechanic" e outras do Deep Purple.
Já com David Coverdale (ex-Deep Purple e Whitesnake) aconteceu algo diferente. Sua voz mudou, para melhor. Ele está mais rouco, mas a voz está mais potente. Pena que ele a use apenas para cantar suas intermináveis baladas amorosas ultimamente.
O exemplo maior de que a idade não influencia na manutenção da voz é Roger Daltrey, do Who, o melhor de todos os vocalistas de rock. Até hoje ele consegue imprimir potência em sua voz sem perder a afinação, sem comprometer a interpretação das magistrais canções de sua banda. Ele grita maravilhosamente em "Won't Get Fooled Again", mantém a suavidade em "Behind Blue Eyes" e dá um show de interpretação em "Pinball Wizard", "Bargain" e nas fantásticas "Baba O'Riley" e "Magic Bus".
Mick Jagger, dos Rolling Stones, talvez o segundo melhor de todos, já não abusa mais tanto das infinitas variações que sua voz lhe permitia até os anos 70. Casa vez mais e mais ele se vale de sua competencia na interpretação para manter em alta sua performance vocal.
A idade não pesa também para quatro ícones do heavy metal: Ronnie James Dio (ex-Rainbow e Black Sabbath), Rob Halford (ex-Judas Priest), Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) e Bruce Dickinson (Iron Maiden, o mais novo deles). Eles simplesmente mantêm suas vozes perfeitas, sem quaisquer mudanças perceptíveis, há quase 30 anos. Hughes e Dio, então, cantam cada vez melhor e com vozes mais fortes e seguras.
Quem, com certeza, estaria nesse mesmo nível seria Freddy Mercury (Queen), morto em 1991 aos 46 anos. Se estivesse vivo, aos 57 anos, com certeza estaria cantando tão bem, ou até melhor, do que nos 70. Sua voz era uma das mais potentes e bonitas da história do rock.
Dos anos 90, quem poderá trilhar pelo mesmo caminho é gente como Geoff Tate (Queenryche), James LaBrie (Dream Theater), o melhor da atualidade), Ralf Scheepers (Primal Fear), Tim Owens (Judas Priest) e Hansi Kursch (Blind Guardian).