A nova armação chamada The Monkees - 2
Os Monkees originais surgiram para ser uma contrapartida em relação ao volume de sucesso aos Beatles. Só que eram a mais pura armação, uma espécie de Menudos, N'Sync, Backstreet Boys e outras babas de hoje. Os quatro foram selecionados com muito critério entre mais de mil candidatos (até Stephen Stills, de Buffalo Springfield e Crosby, Stills, Nash and Young se candidatou, mas foi excluído).
Os critérios: inteligência, algum dom artístico e intimidade com câmeras de TV e cinema, um pouco de beleza física. A banda ficou formada com Michael Nesmith (vocal e guitarra, músico desde criança), Davy Jones (vocal, era inglês e já havia participado de programas de TV em Manchester no início dos anos 60), Peter Tork (baixo e vocal, também músico e ator) e Micky Dolenz (escalado para a bateria e vocais, era atgor de teatro).
A principal função dos quatro era representar nos capítulos do seriado de TV e longas-metragens e fazer os play backs nos mesmos e nos shows. Um time de músicos de estúdio de primeira ravavam as músicas que eram exibidas nos seriados e nos discos dos Monkees. Os quatro apenas colocavam as vozes. Dolenz foi escalado como voclaista principal, enquanto que Jones, o mais bonitinho, cantava as baladas românticas.
A questão toda é que a seleção foi tão bem feita que os quatro não eram apenas quatro rostinhos bonitos e só, que mal sabem dançar, como é caso do lixo das boy bands de hoje. Eram realmente artistas, sendo que dois deles - Nesmith e Tork - eram músicos de verdade. Eles começaram a reclamar demais que queriam tocar os instrumentos nas gravações dos Monkees. Ao mesmo tempo, começaram a se recusar a cantar as músicas de outros compositores feitas para eles. Nesmith, que nos anos 70 foi considerado um dos melhores compositores pop americanos, começou a escrever diversas músicas e conseguiu emplacá-las no seriado e nos álbuns, a partir do quarto LP dos Monkees.
Foi essa a habilidade que permitiu que os quatro continuassem em carreira musical mesmo depois do fim do seriado, em 1968. Micky Dolenz aprendeu a tocar bateria em seis meses e, com a ajuda de um percussionista em palco, dava conta do recado das simplórias músicas do grupo, como "I'm a Believer", "Daydream Believer", "You Just May Be the One" e outras.
Nesmith assumiu a liderança musical do grupo e o tornou respeitável nesse aspecto, tanto que os Monkees mereceram lugar importante na história do rock. Em 1969, o grupo perde fôlego criativo e público e Tork sai para virar produtor musical. No ano seguinte, Nesmith parte em carreira solo. O grupo, reduzido a Dolenz e Jones, grava mais dois LPs e acaba em 1971.
Jones se torna cantor romântico e emprésário na Inglaterra; Dolenz volta ao teatro e faz alguns filmes na Califórnia, antes de se estabelecer na Inglaterra; Nesmith vira cantor e compositor de sucesso (e adorador do Brasil, tanto que gravou dois LPs em homenagem ao país).
O grupo, sem Nesmith, se juntou em 1989 para gravar um CD, "Then and Now", bem ruinzinho, e fazer uma turnê de revival, com a ajuda de músicos de apoio. Em 1996, Nesmith é convencido a participar de nova volta e os Monkees gravam "Justus", também fraco.
Lamentavelmente, os "novos Monkees" serão escolhidos por critérios obtusos e nojentos, que vão enlamear o nome da banda. Os critérios não serão artísticos, valerão mais os rostinhos bonitos e só.