quarta-feira, novembro 14, 2001

Algumas noções de economia

E-mail interessante que está circulando pela Internet (cortesia do brother Maurício Gaia):


Feudalismo - Voce tem duas vacas. Seu senhor pega parte do leite para ele. S

Socialismo - Voce tem duas Vacas. O governo as tira de voce e as coloca
num curral, juntamente com as vacas de todo mundo. Voce tem que cuidar de
todas as vacas. O governo lhe da um copo de leite.

Comunismo Russo - Voce tem duas vacas. Voce tem que cuidar delas, mas o
governo fica com o leite todo. Voce rouba o maximo possivel do leite e o
vende no mercado negro.

Comunismo Cambojano - Voce tem duas vacas. O governo pega as duas e fuzila
voce, acusando-o de ser um capitalista criminoso centralizador dos
recursos de producao da Nacao e fomentando a fome de seu Povo.

Ditadura Iraquiana - Voce tem duas vacas e e fuzilado por suspeita de
serem instrumento do imperialismo americano com o objetivo unico de contaminar todos os rebanhos do pais.

Democracia Representativa Britanica - As duas vacas estao loucas, mas a familia real mantem as aparencias perante a imprensa.

Capitalismo Norte Americano - Voce tem duas vacas. Voce vende uma delas e
compra um touro, que usa para inseminar a outra vaca e tambem as demais
vacas do pedaco (cobrando pela cobertura, naturalmente). Depois, comeca a
exportar esperma bovino para mercados emergentes. Apos varios anos de
expansao, sua empresa lanca uma oferta publica inicial para ser
apresentada na Bolsa de Valores de Nova York. A Comissao de Valores Mobiliarios abre
um processo contra voce e sua mulher por negociacao com informações privilegiadas.
Depois de uma longa e cara briga nos tribunais, voce e considerado culpado
e condenado a 10 anos de prisao, dos quais acaba cumprindo sete semanas.
Quando sai da cadeia, voce compra duas galinhas. Ai voce vende uma delas,
compra um galo.

Capitalismo de Hong Kong - Voce tem duas vacas. Voce vende tres delas a
sua empresa de capital aberto, usando cartas de credito abertas pelo banco de
seu cunhado, depois executa um swap de divida por credito com uma oferta
global associada, de modo a receber todas as suas vacas de volta, com
reducao de impostos por manter cinco vacas. Os direitos ao leite de seis
vacas sao transferidos, via uma holding panamenha, a uma empresa com sede
nas Ilhas Cayman, de propriedade secreta do acionista majoritario, que
revende os direitos do leite de todas as sete vacas a empresa de capital
aberto, enquanto adia o pagamento do produto da venda. O relatorio anual
diz que a empresa possui oito vacas, com opcao para aquisicao de mais uma.
Enquanto isso, voce vende suas duas vacas para uma nova seita recem
fundada na Índia por seu cunhado, ao preco unitario de US$ 1 milhao por
tratarem-se de animais sagrados realizadores do milagre da multiplicacao.

Capitalismo Maicrosoftiano ( Mercado de "Livre Concorrencia") - Voce tem
duas Vacas. Seu vizinho - Biu Gueites - faz uma oferta para comprar as
duas de Voce, que nao tem interesse no negocio. Apos meses de tentativas
infrutiferas, o Sr. Biu Gueites compra duas cabras e inicia uma campanha
de marketing na Regiao demonstrando as vantagens do leite de cabra em relacao
ao de vaca. Apos algum tempo, os consumidores acostumam-se com o leite de
cabra - vendido diretamente pelo Sr. Biu Gueites - e passam a exigir tal
produto nos pontos de vendas tradicionais. Um reduzido grupo de nao
consumidores de leite de cabra, apos varios desarranjos intestinais ao
experimentarem o novo padrao em leite nao se convence com os argumentos do
produtor, "que o problema nao esta no leite de cabra e sim na configuracao
do seu aparelho digestivo, recomendando fazer um "upigreide" de seu figado
para uma versao peintiummmm 32 bitis". Mas felizmente sao uma minoria.
Pressionados pelos consumidores locais, os laticinios aceitam os termos do
acordo para compra de leite de cabra do Sr. Biu Gueites: nao deverao mais
comprar mais leite de vaca. Apos alguns poucos anos, a empresa do Sr. Biu
passa a trabalhar secretamente com vacas anas, convencendo o publico que
trata-se de uma nova linhagem de cabras, denominadas WinCabras95. Parte
dos consumidores - que ainda recordavam do paladar do leite de vaca - acham o
gosto do leite destas "novas cabras" muito parecido com o de vaca, mas
certamente deverao estar equivocados. O resto da historia talvez voce ja
conheca.

>>Democracia Burocratica Brasileira - Voce tem duas vacas. Primeiro, o
governo federal traca normas para determinar como voce vai poder
alimenta-las e quando vai poder tirar leite delas. Depois, ele lhe paga
para nao tirar leite delas em determinadas epocas do ano, sob o argumento
do controle de precos (pois leite com excesso de oferta fara cair o preco
no mercado interno e externo, podendo oscilar perigosamente a balanca de
pagamentos). Nos demais meses que lhe e permitida a ordenha, o Congresso
institui o IOL - Imposto sobre a Ordenha do Leite - que abocanha 24,3% do
valor da Venda sobre um faturamento medio projetado - mesmo que Voce nao
consiga vender o leite, pois a base tributaria incide sobre uma estimativa
de produtividade. O governo estadual, sabendo da existencia das duas
vacas,
institui o ICVDL - Imposto de Circulacao de Vacas e Derivados de Leite -
com a aliquota de 27,8% calculados sobre o valor de aquisicao venal das
vacas e/ou sobre o preco minimo venal estipulado para o leite e derivados
naquela Regiao. Logicamente que, tendo sido vendido o leite a preco
superior ao preco venal fixado, a base de calculo sera a maior das duas.
Entrementes, o governo municipal, sabendo da existencia de um "boom"
bovino na cidade, institui o IPTURAVDB - Imposto Predial Territorial Urbano e
Rural sobre Abrigos de Vacas e demais Bovinos - calculados a base de
318,9876435 UFMs por metro quadrado da propriedade. Lei Municipal
Complementar, proibe a criacao de Vacas e Demais Bovinos em outros tipos
de propriedades moveis ou imoveis nao abrangidas pelo IPTURAVDB. Apos poucos
meses, um acordo entre os governos municipais e estaduais com a bencao do
governo federal, e instituido o rodizio de vacas e demais bovinos nas ruas
de cada cidade, com o nobre proposito de reduzir a poluicao estercal das
ruas. O desrespeito implicara na multa de US$ 100,00 por vaca por dia de
autuacao. Voce, Cidadao, esmagado pela carga tributaria, doa uma vaca para
uma instituicao de caridade e abate a segunda, oferecendo um churrasco
para amigos e vizinhos. Ao receber no exercicio seguinte - todos os carnes dos
impostos federal, estadual e municipal incidentes sobre as duas vacas,
alega que ja nao as possui mais ha meses. Mas como os computadores do
SERPRO nao foram atualizados voce tem que recolher todos estes impostos -
ou deposita-los em juizo - ate provar que nao e mais proprietario das
bovinas. Diante da sua insistencia em "sonegar" os impostos, estranhamente voce e
denunciado a receita federal, que o convoca a apresentar as declaracoes de
imposto de renda dos ultimos cinco exercicios. Como voce nao declarou nem
as vacas compradas nem a origem do capital utilizado para esta aquisicao,
voce torna-se devedor do fisco. Ao chegar em casa, vindo da delegacia da
receita federal, dois fiscais da vigilancia sanitaria estao te aguardando
com uma intimacao para depor no abate nao autorizado de animais para
consumo alimentar.
DVD tenta ressuscitar o Genesis


O quase extinto Genesis aposta no passado para faturar ainda uns trocados. No dia 26 de novembro, a banda, agora reduzida a Mike Rutherford (guitarra e baixo) e Tony Banks (teclados), lançará o DVD duplo "The Way We Walk Live". A gravação foi feita num show do grupo realizado em 1992, no Earl's Court, em Londres, quando ainda contava com Phil Collins.
Alista das músicas: Land of Confusion/ No Son Of Mine/ Driving The Last Spike/ Old Medley (Dance On A Volcano, The Lamb Lies Down On Broadway, The Musical Box, Firth Of Fifth, I Know What I Like, That's All, Illegal Alien, Follow You, Follow Me)/ Fading Lights/ Jesus He Knows Me/ Dreaming While You Sleep/ Home By The Sea/ Hold On My Heart/ Domino (The Domino Principle, In The Glow Of The Night, The Last Domino)/ The Drum Thing/ I Can't Dance/ Tonight, Tonight, Tonight/ Invisible Touch e Turn It On Again.
O vocalista Ray Wilson, substituto de Collins a partir de 1996 e que gravou o fraquíssimo "Calling All Stations" em 1997, ainda não definiu a sua continuidade no grupo. Por isso, são fortes os boatos na Inglaterra de que Phil Collins poderia retornar ao grupo. Todos os envolvidos mantêm silêncio a respeito disso.
Rush prepara novo lançamento para março




O fantástico trio canadense Rush volta à ativa em março de 2002 com o lançamento de novo CD e uma nova turnê pela América do Norte. O CD ainda não tem nome, mas deverá ser mais pesado e menos experimental que "Test for Echo" (1997). Para aqueles que ainda não adquiriram, corram até a Galeria do Rock, em São Paulo, para comprar as poucas cópias de "Different Stages" (1999), o último lançamento do rush, um CD triplo ao vivo. É possível encontrar cópias importadas por R$ 55,00 e cópias usadas por R$ 40,00.
Blaze toca no Brasil em janeiro


Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden, prepara sua primeira turnê pelo Brasil para o mês de janeiro. ele tocará em São Paulo no dia 26 de janeiro, ainda sem local definido. Um dia antes ele toca em Curitiba. Ele aproveita para lançar a versão brasileira de "Silicon Messiah", seu primeiro CD solo (muito bom por sinal).

segunda-feira, novembro 12, 2001

Venezuela não é páreo


Na boa, pessoal. Qualquer resultado que não for uma vitória por mais de três gols contra a Venezuela é inadmissível. A Venezuela não existe. E tem gente ainda duvidando da classificação para a Copa do Mundo. Se houver empate, aí a coisa vai ser pesadíssima mesmo...
Sagrado Coração da Terra em inglês




A idéia de escrever sobre o Sagrado Coração da Terra, banda mineira que é a melhor do rock progressivo brasileiro em toda a sua história, nasceu de dois fatos sem a menor ligação entre si. No domingo, dia 11 de novembro, encontrei o velho amigo Maurício Gaia, a figura por trás do ótimo Mauricéia Desvairada em uma festa e fui obrigado a ouvir reclamações dele sobre os meus textos sobre o rock progressivo, que ele "quase odeia". O segundo fato foi a audição propriamente dita de "Sacred Heart of Earth", o primeiro trabalho do grupo totalmente voltado para o mercado internacional, com músicas cantadas em inglês.
Esse trabalho, o sexto na discografia da banda, é na verdade uma compilação das melhores músicas dos cinco CDs anteriores, só que remasterizadas e com letras vertidas para o inglês - os vocais dessas músicas foram regravados, assim como alguns alguns arranjos. O CD apresenta ainda duas músicas inéditas, gravadas pela atual formação do grupo. Há ainda entre as 14 músicas algumas mantidas com a gravação original (gravadas em inglês à época).
O líder do grupo, o violinista e publicitário Marcus Vianna, considera "Sacred Heart of Earth" uma coletânea com letras vertidas para imglês para satisfazer o público internacional, já que o Sagrado é famoso e muito cultuado na Europa, sobretudo na Inglaterra, França e Alemanha.
Eu discordo. Esse trabalho é importante e merece figurar como "disco oficial" por ser o primeiro voltado para o mercado internacional e por conter elementos inéditos, como novos arranjos para músicas antigas e por conter material inédito nunca antes lançado.
"Sacred Heart of Earth" é ótimo e tem tudo para emplacar no exterior. A qualidade da produção é surpreendente, já que a tradição brasileira no rock progressivo é pequena. As músicas antigas ganharam mais fôlego e o inglês mostrou-se o idioma adequado para o tipo de som feito pelo grupo. Isso sem falar na qualidade musical em si, já músicos de primeiríssimo time participaram das várias formações do Sagrado, como o guitarrista Augusto Rennó e o vocalista Bauxita (mais conhecido pelo seu trabalho ligado ao blues).
Em linhas gerais, esse trabalho do Sagrado reúne as principais influências de Vianna: Genesis e Yes. Em menor escala, temos ecos de King Crimson, Emerson Lake and Palmer, Jethro Tull e até o experimental Gentle Giant. O violino de Marcus Vianna é a peça condutora das inúmeras suítes, e às vezes acaba por soterrar as guitarras, que aparecem pouco nesse trabalho. Além de Vianna, outros 36 músicos e cantores passaram pela banda em 22 anos de carreira.
O Sagrado Coração da Terra foi criado em 1979 pelo multiinstrumentista Marcus Vianna após a frustrada tentativa de se fazer rock progressivo experimental no Brasil com a banda mineira Saeculum Seculorum (criada em 1976 e abortada menos de dois anos depois; em 1998 Vianna reuniu gravações antigas e demos para lançar o CD "Saeculum Seculorum", em homenagem à banda).
Escaldado nas dificuldades de se fazer rock no Brasil, e principalmente rock progressivo, Marcus Vianna transformou o Sagrado Coração da Terra em um projeto particular, mas ele insiste que é uma banda. Ele toma conta de tudo, compõe todas músicas, quase todas as letras e faz questão de ser o produtor, cuidando de cada detalhe. Para isso, criou em 1980 o estúdio Sonhos e Sons em Belo Horizonte. Como a vida de músico não dava dinheiro, virou publicitário e especialista na crianção de jingles. Essa virou sua ocupação principal, enquanto que o Sagrado virou quase como um hobby.
Quase, porque algumas cópias dos trabalhos do grupo chegaram ao exterior, agradando em cheio os amantes do estilo. É citado em centenas de enciclopédias de rock progressivo como uma das principais bandas de rock progressivo das Américas e tem o mesmo prestígio de ícones como Solaris (Hungria), Premiata Fornieri Marconi (Itália), Pendragon e Camel (Inglaterra), entre outros.
Por causa disso, Vianna nunca pôde deixar o Sagrado dormindo por muito tempo. Tempo, aliás, que não lhe sobra mais desde que o sucesso na propaganda o empurrou para a composição de trilhas sonoras para novelas e filmes. Em 1992, assinou as várias trilhas sonoras de "Pantanal", da rede Manchete, fazendo desde a música incidental até composições gravadas por nomes importantes da MPB gravarem especialmente para a novela.
O sucesso foi tão grande que o músico acabou deixando os jingles por conta de sua equipe e mergulhou de cabeça nas trilhas para novelas. Isso aconteceu por dois motivos: a sua tendência para ser um workaholic e a uma certa "pressão" da Rede Globo, que o contratou impressionada pelos resultados de "Pantanal".
Os resultados: as elogiadíssimas trilhas sonoras de novelas como "Terra Nostra" e as minisséries "Chiquinha Gonzaga" e "Aquarela do Brasil", além das músicas da nova novela da Globo, "O Clone".

Jagger ressurge com novo CD



Está sendo aguardado com destaque exagerado o novo álbum solo de Mick Jagger, o quarto de sua carreira. "Visions of Paradise" é a primeira música do CD "Goddess in the Doorway" a chegar às rádios e sites especializados, uma balada romântica com um pouco de modernidade.
O líder dos Stones apostou um pouco na fórmula seguida por Santana no clássico álbum "Supernatural", quando contou com convidados ilustres em cada uma das faixas. Jagger usa como chamariz medalhões da atualidade como Bono (U2), Lenny Kravitz e Wyclef Jean, mas realmente quem segura mesmo o CD são os veteranos amigos Pete Townshend (The Who), Joe Perry (Aerosmith) e Matt Clifford (tecladista que acompanha os Rolling Stones), que tocam nas melhores faixas.
O último CD de Jagger, "Wandering Spirit", de 1993, até que não decepcionou, apesar de ser muito parecido com o que os Stones estavam fazendo na época. No novo álbum ele promete se distanciar um pouco de sua banda, mas sem mergulhar fundo nas "modernidades" eletrônicas.

domingo, novembro 11, 2001

Mais uma para rir com a extrema (ultra)-direita


Da série de sites humorísticos, temos um que provoca espamos e lágrimas de tanto riso. É o site da Editora Revisão, capitaneada pelo engenheiro gaúcho Siegfried Ellwanger, também conhecido como S.E. Castan. Pelo nome, é possível se supor que ele seja descendente direto de alemães, o que ele realmente é.
Ellwanger deixou um pouco de lado a profissão original para fundar a Revisão, destinada a divulgar livros trabalhos de autores revisionistas e negacionistas, principalmente a respeito da 2.a Guerra Mundial (é o caso dele próprio).
Revisionistas e negacionistas foram termos que começaram a ser empregados para definir historiadores europeus e norte-americanos que negavam, relativizavam ou amenizavam as atrocidades cometidas pelos nazistas na guerra de 1939-1945. Alguns autores, como Ellwanger, chegam ao disparate e ao cúmulo de questionar até mesmo a existência do holocausto judeu, com a morte de 6 milhões de pessoas na Europa nazista. Chegam a dizer que todas as informações a respeito são falsas ou exageradas, fruto da propaganda norte-americana e sionista. Uma autêntica piada.
Há também revisionistas e negacionistas na Rússia atual, saudosos dos tempos da extinta União Soviética, que negam ou amenizam os crimes de Stálin e Lenin.
No entanto, os termos geralmente são aplicados, em sua imensa maioria, a autores e historiadores de extrema-direita e ultra-direita, com ligações ou simpatias a correntes-grupos-tendências nazistas e racistas. É o caso de Ellwanger, que é o mais conhecido (talvez o único) revisionista brasileiro.
O site de sua editora divulga os livros que ele escreve e publica alguns artigos publicados em micropublicações gaúchas. Não passa de uma excrescência da sociedade brasileira, um fascista perturbado perdido em seus delírios, digno de fazer companhia a outro nojento chamado Irton Marx, aquele que um dia pensou em lutar pela independência do Rio Grande do Sul (!!!!!!!!!!).
Os artigos são risíveis e hilários, com argumentação pífia, mas é bem menos extremista do que realmente são os pensamentos de Ellwanger. Mas isso tem motivo: a editora e seu proprietário foram acossados algumas vezes por processos pesados em que eram acusados de racismo e de difusão de idéias nazistas.

sexta-feira, novembro 09, 2001

Novo lançamento do Violeta de Outono




Boa notícia também para o rock progressivo brasileiro. Chega às lojas brasileiras o CD "The Early Years", o mais recente lançamento da banda paulistana Violeta de Outono, uma das mais importantes do Brasil. Liderada pelo guitarrista e vocalista Fábio Golfetti, a banda esteve fora de circulação entre 1989 e 1995 devido ao que os músicos do trio chamaram de "incompreensão" do mercado. Traduzindo: estavam pagando para gravar e lançar seus álbuns e não estavam tendo retorno.
"The Early Years" foi gravado em 1988 mas nunca foi lançado. É o registro definitivo das influências que marcaram o desenvolvimento da banda, incluindo quatro covers clássicos do psicodelismo além de uma faixa gravada ao vivo. As músicas são Citadel (Rolling Stones), Interstellar Overdrive (Pink Floyd), Blues For Findlay (Gong), Within You Without You (Beatles) e um medley com Echoes (Pink Floyd) e No Quarter (Led Zeppelin). O trabalho mostra o trio no auge da forma, mostrando que, tecnicamente, era o "Rush" brasileiro.
Yes e Transatlantic mantêm o progressivo em alta




Reforçando ainda mais a tese de que o rock progressivo volta a ganhar espaço dentro do cenário musical, dois lançamentos recentes merecem a atenção de quem prima pelo bom gosto. O primeiro lançamento é um dos mais importantes dentro do rock progressivo dos últimos anos: "Magnification", do Yes, que já está nas lojas do Japão e chega à Europa e Estados Unidos em dezembro.
Esse CD é histórico por um motivo muito simples: pela primeira vez em seus 33 anos de história a banda grava um álbum sem tecladista. Os teclados foram simplesmente substituídos por uma orquestra inglesa completa. O resultado é magnífico, já que havia pelo menos 15 anos (desde o fraco "Big Generator", de 1986), que a banda não compunha músicas de qualidade. Os dinossauros ingleses ressurgem em novo formato e com formação diferente, um quarteto: Jon Anderson (vocais), Chris Squire (baixo e vocais), ambos fundadores do grupo, Alan White (bateria) e Steve Howe (guitarra).
De acordo com uma recente entrevista de Jon Anderson a uma revista inglesa na semana retrasada, o grupo vinha tendo problemas com tecladistas desde 1996, quando Rick Wakeman participou de uma turnê norte-americana e gravou na Inglaterra as músicas de estúdio incluídas nos dois volumes de "Keys to Ascension" (CDs duplos gravados ao vivo nos Estados Unidos mas que continham faixas inéditas gravadas pouco depois da turnê de 1996; foram lançados em 1997 e 1998).
Wakeman estava afastado da banda desde 1991, quando gravou o álbum "Union". Após a turnê de 1996, ele decidiu abandonar as longas turnês por absoluto cansaço e falta de estímulo para tal. De acordo com o mesmo Anderson, "Rick estava de saco cheio de ficar viajanado pelo mundo. O negócio dele agora é fazer shows de vez em quando e compor trilhas para cinema".
Para gravar os teclados de "Open Your Eyes", de 1997, tinha o produtor e guitarrista Billy Sherwood fazendo os teclados. Para a turnê de divulgação do CD, que passou pelo Brasil, Sherwood atuou apenas como segundo guitarrista, deixando os teclados para o pouco carismático russo Igor Khoroshev. Efetivado como músico permanente, atuou no fraco "The Ladder", de 1999, mas já não constava da formação oficial no final de 2000.
De qualquer forma, pela primeira vez a banda grava em quarteto e sem teclados Merece ser conferido sem preconceitos.
Outra pérola progressiva é "Bridge Across the River", terceiro trabalho do Transatlantic. A banda é na verdade é um projeto envolvendo gente da pesada do rock progressivo: Neal Morse (vocais, guitarra e teclados, da banda norte-america Spock's Beard), Pete Trewavas (baixista do Marillion), Mike Portnoy (baterista do Dream Theater) e Roine Stolt (guitarrista do Flower Kings).
Recriando o melhor espírito de bandas como Emerson, Lake and Palmer, Yes e King Crimson, as composições do Transatlantic são complexas e quilométricas, mas prevalecem o bom gosto e a qualidade técnica fantástica dos integrantes. O CD foi lançado em duas versões, uma simples e outra em versão dupla, com um CD bônus trazendo ensaios, demos e covers para músicas do Pink Floyd e dos Beatles.

quarta-feira, novembro 07, 2001

Lançamento imperdível do Iced Earth


A gravadora Century Media da Alemanha está preparando um lançamento especial para os fãs do ICED EARTH. Trata-se de um box-set chamado "Dark Genesis", que vai conter 5 CDs; entre eles os 3 primeiros álbuns da banda (Iced Earth, Night Of The Stormrider e Burnt Offerings), remixados e remasterizados, a demo "Enter The Realm" (gravação que levou a banda a assinar o contrato com a Century Media) e um CD batizado de "Tribute To The Gods", contendo covers para bandas que influenciaram os integrantes do Iced Earth. A caixa, que contém ainda um livreto com 32 páginas, estará à venda a partir de dezembro. O CD "Tribute To The Gods" começará a ser vendido separadamente no primeiro semestre de 2002.
Confira o track list dos dois CDs inéditos da caixa:
Enter The Realm: Enter The Realm/ Colors/ Nightmares/ Curse The Sky/ Solitude e Iced Earth.
Tribute To The Gods: Creatures Of The Night (KISS)/ Number Of The Beast (Iron Maiden)/ Highway To Hell (AC/DC)/ Burnin' For You (Blue Oyster Cult), God Of Thunder (KISS)/ Screaming For Vengeance (Judas Priest)/ Dead Babies (Alice Cooper)/ Cities On Flame (Blue Öyster Cult), Long Way To The Top (AC/DC)/ Black Sabbath (Black Sabbath) e Hallowed Be Thy Name (Iron Maiden).
George Harrison volta ao hospital

O ex-Beatle George Harrison foi internado em estado grave na clínica universitária de Staten Island, em Nova York. Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, informações fornecidas pelo hospital atestam que o tratamento ao qual Harrison está sendo submetido faz parte de um último esforço para mantê-lo vivo. O músico, de 58 anos, convive há três com câncer na laringe, nos pulmões e no cérebro.
Segundo o jornal londrino, Harrison teria sido registrado na clínica com o nome de George Arrias (sobrenome de solteiro de sua mulher, Olivia), e está sendo submetido a uma forte bateria de radioterapia, coordenada pelo diretor de radioterapia oncológica do hospital, Gil Lederman. Esse tratamento, como apontou o Telegraph, só é sugerido aos pacientes em estágio avançado.

terça-feira, novembro 06, 2001

Bizarras campanhas contra Congonhas


Outra coisa bizarra são os inúmeros pedidos de mudança do tráfego aéreo de Congonhas e até mesmo o fechamento do aeroporto. Até a Câmara Municipal entrou na história, instigada por associações de moradores dos bairros de Campo Belo, Moema, Jabaquara e outros. O aeroporto é parte importante do motor da economia de São Paulo e do Brasil. Ele é indispensável para o bom funcionamento econômico e cotidiano da cidade. Essa gente que reclama do barulho, entre outras coisas, chegou aos bairros dos arredores depois da construção do aeroporto. Portanto, não tem direito de reclamar. Estão com problemas? Com medo? Mudem-se.
Julgamento bizarro


O caso do assassinato do índio Pataxó Galdino dos Santos é bizarro por si só. Filhinhos de papai atearam fogo ao índio como se queima lixo e ainda choram no julgamento, dizendo que não tinham intenção de matar. Qualquer pena menor do que 20 anos é um acinte à sociedade. Esses vagabundos merecem ser condenados por homicídio triplamente qualificado.
A dispensável vinda de Cat Power


Cat Power é um dos nomes mais incensados do cenário musical independente universitário norte-americano. Chan Marshall é o seu verdadeiro nome e aposta numa vertente à la Joan Baez: seus shows são semi-acusticos, apenas voz e, guitarra e violão. Nada de novo, nem tão pouco surpreendente, apesar de ter toda a sua discografia editada redentemente no Brasil pela Trama. Nada contra a onda retrô, mesmo que o formato e os temas abordados pela menina - ela tem 25 anos e aposta no bichogrilismo hippie e nas lamúrias feministas - estejam pelo menos 30 anos atrasados. O problema da garota é que a música dela é ruim. Melhor ouvir as divas Baez, Patti Smith e Carole King, que são bem melhores.

segunda-feira, novembro 05, 2001

Deep Purple reaparece com outro CD ao vivo



O bom e velho Deep Purple está colocando no mercado mais uma pérola, apesar do excesso de lançamentos dos
últimos anos. E mais uma vez é um álbum duplo. "Live a the Amsterdam Ahoy, October 2000" é a gravação de uma apresentação baseada no álbum "Concert for Group and Orchestra", de 1969, e que foi regravado em 1999 no Royal Albert Hall de Londres, gerando um CD duplo com convidados.
O novo CD, gravado na Holanda, apresenta poucas diferenças do CD gravado em Londres. A primeira parte é a execução da peça orquestral composta pelo tecladista Jon Lord. A segunda parte mostra músicas da carreira solo de cada um dos integrantes e a participação de convidados como Ronnie James Dio e Miller Anderson. As diferenças ficam por conta da execução de músicas do Deep Purple como "Black Night", "Fools" e "Highway Star", que não estavam presentes no CD anterior.
De acordo com Lord, a decisão de gravar o show de Amsterdam deveu-se à opinião geral da banda de que aquela foi a melhor de toda a turnê 2000/2001 (que passou pelo Brasil em setembro do ano passado, com participação da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo).
O lançamento do novo CD, porém, vem cercado de polêmica quanto à permanência do tecladista na banda. Jon Lord, fundador da banda ao lado do baterista Ian Paice, decidiu realizar uma cirurgia no joelho esquerdo durante a turnê européia marcada para este segundo semestre.
De acordo com fontes ligadas à produção do Deep Purple, Paice, o baixista Roger Glover e o vocalista Ian Gillan não gostaram do fato, pois acreditavam que Lord devia ter marcado a cirurgia antes do início da turnê. Caso isso tivesse acontecido, é possível até que os novos shows nem fossem marcados. Eles até desconfiam que o tecladista resolveu marcar a cirurgia para o meio de turnê de forma deliberada.
Com isso, Don Airey, amigo de longa data e que já tocou com muitas bandas importantes do rock, como o Rainbow e na banda de Ozzy Osbourne, foi chamado às pressaas para cobrir a ausência "forçada" de Lord e entre os roadies (equipe de apoio) já é dada como certa a efetivação do músico-tampão no lugar do veterano e fundador do Deep Purple.

Show fantástico das Vozes do Rock Clássico



Teve muita nostalgia e muita coisa brega, mas o show Voices of Classic Rock, nos dias 3 e 4 de novembro, valeu e muito a pena para quem se dispôs a deixar o feriadão de lado. Músicas que marcaram época e perfomances excelentes de músicos veteranos mostraram que a qualidade independe da idade. Pena mesmo o pouco público para prestigiar gente de talento como Glenn Hughes, Joe Lynn Turner, Jimi Jamison )ex-Survivor) e outras feras.
Apesar dos esforços dos demais músicos, o show foi dominado por Hughes e Turner, com suas interpretações de clássicos do Deep Purple, onde ambos já tocaram. Destaques para "Hush", "Highway Star" (um dueto de arrepiar entre os dois), "Smoke on the Water", "Burn" e a grande supresa da noite, uma versão fantástica de "Mistreated" na voz privilegiada de Hughes. Turner ainda nos brindou com uma interpretação bastante interessante de "Stone Cold", do Rainbow. Veja mais sobre o Voices of Classic Rock aqui.

Mais de Stevie Ray Vaughan


O baú de despojos de Stevie Ray Vaughan, o maravilhosos bluesman texano morto em 1990, não tem fundo. Neste mês chega ao mercado "Live At Montreaux 1982 & 1985", CD duplo que traz duas apresentações do guitarrista no famoso festival suíço. Ese lançamento é simplesmente fantástico, pois registra perfomances de Vaughan no começo do auge de sua carreira. Resta saber até quando vão brotar do baú coisas de qualidade. Eis o tracklist completo: CD 1: Hide Away/ Rude Mood/ Pride And Joy/ Texas Flood/ Love Struck Baby/ Dirty Pool/ Give Me Back My Wig e Collins' Shuffle. CD 2: Scuttle Buttin/ Say What! / Ain't Gone N' Give Up On Love / Pride And Joy / Mary Had A Little Lamb / These Blues Is Killing Me/ Tin Pan Alley (conhecida como Roughest Place In Town) / Voodoo Chile (Slight Return)/ Texas Flood / Life Without You/ Gone Home e Couldn't Stand The Weather.

Dead Kennedys no Brasil


O ícone punk Dead Kennedys toca no Brasil entre 2 e 4 de dezembro. Na verdade é uma grande picaretagem, já que o líder Jello Biafra não faz mais parte da banda. Ou seja, a banda não existe, pois Biafra era praticamente toda a banda. Criado na Califórnia em 1978, a banda acabou em 1986 após quatro álbuns fantásticos e hinos como "California Uber Alles" e "Holiday in Cambodja".
Artista multmídia, Biafra é cantor, poeta, escritor, político e dono da gravadora Alternative Tentacles, sua ocupação principal.Todos os direitos do Dead Kennedys e seus discos eram da Alternative Tentacles e os antigos membros da banda descobriram em 1997 que Biafra não estava pagando-lhes os direitos autorais. Entraram na Justiça e ganharam não só a indenização da gravadora como dos direitos sobre a banda. O resultado é que resolveram reconstruir o Dead Kennedys ao final de 1999 sem Biafra. Ou seja, sem Biafra não existe Dead Kennedys.

sábado, novembro 03, 2001

Como destruir um país


Uma aula de como destruir um país. Assim vai ficar na história a série interminável de pacotes e trapalhadas que os governos argentinos estão praticando desde a década 90. Toda a empáfia e a arrogância dos vizinhos estã afundando junto com a economia. Aquela velha anedota de que os argentinos não passam de "italianos que falam espanhol e pensam que são ingleses ou suíços" já perdeu a graça. Mais adequado seria afirmar, na atual pindaíba, que hoje o argentino se sente como um "boliviano que pensa que é nivaraguense ou hondurenho".
O novo pacote editado em 1. de novembro só reforça essa agonia. Diminuir os prêmios para a reestruturação de uma dívida de US$ 132 bilhões é o mesmo que dizer ao mercado que nãovai pagar os compromissos da dívida em futuro próximo. Calote, não há outra palavra.
Tanto lá como aqui, pensa-se que o fim da inflação foi também o fim da penúria e da falta de dinheiro. O fim da inflação foi apenas um pré-requisito para colocar o país nos eixos. Essa frase é muito óbvia para uma criança, mas não parece aos olhos dos sucessivos governos e ministros da Economia da Argentina e do Brasil. Reformas? Para quê? Está bem assim sem inflação. Assim garantiremos nossos cargos, nossos salários, nossas comissões e nossas reeleições.
A Argentina foi destruída por uma elite burguesa burra, sem caráter e espoliadora. Essa elite se acomodou na prosperidade do fim dos século 19 e do crescimento dos 30 primeiros anos do século passado. Toda a base industrial estabelecida até meados dos anos 50 passou a servir aos interesses políticos de gente desclassificada como Perón e sua quadrilha, que inauguraram uma era de pilhagem sobre a economia nacional. Getúlio Vargas, que fazia parte da mesma escória, pelo menos estabeleceu uma política de base industrial que possibilitou a megalomania de Juscelino e dos governos militares. Os peronistas, ao contrário, se locupletaram à base do então moderno e poderoso parque industrial argentino e nunca se preocuparam com o progresso. Progresso para a elite burguesa argentina, somente de suas contas bancárias.
O país vizinho está à beira da bancarrota pela enésima vez. Para brasileiros acostumados com as favelas de nossas grandes cidades, abarrotadas de nordestinos em sua maioria, e de pele escura, é um choque observar as favelas de Buenos Aires coalhadas de garotinhos e garotinhas de pele e olhos claros É, de certa forma, ultrajante verificar que um economista com mestrado ganha a vida nas ruas do elegante bairro de Palermo engraxando sapatos nos cafés.
A Argentina foi destruída aos poucos, entre 1950 e 1982, ano da Guerra das Malvinas. Esse evento histórico foi a gota d'água que jogou o vizinho no inferno. Sem base industrial confiável, sem reservas cambiais suficientes e com equipamentos obsoletos, o governo militar argentino perdeu em dois meses de conflito o pouco que o país conseguiu economizar nos 12 anos anteriores.
Alfonsín e sua UCR só fizeram agravar a situação, com uma política suicida de subsídios fartos a uma indústria em frangalhos, apesar de fortemente protegida. Os juros foram parar em Marte para tentar conter a hiperinflação, as exportações caíam ano a ano e o funcionalismo público foi sendo gradativamente arrochado. Como resgatar um país de um buraco desses?
Para completar, um falastrão messiânico do porte de Ménem cai no conto da paridade fixa do peso com o dólar elaborado pelo equino Cavallo. A estratégia de transformar a paridade em lei, para evitar que a inflação voltasse ao sabor do mercado do dólar, serviu para dar um pouco de ordem à economia. No entanto, o que deveria ser o primeiro passo de uma série de importantes e profundas medidas moralizadoras e modernizadoras acabou se transformando na base de um modelo econômico frágil e manco. Achavam que a paridade peso-dólar era a solução de todos os problemas.
Com isso, a elite burguesa burra da Argentina sentiu-se segura para manter o status quo e continuar o butim nas contas do Estado. Reformas? Para quê? Mantemos nossos privilégios e assunto encerrado. O mundo vai melhorar...
Bastou o Mercosul engrenar e os produtos brasileiros invadirem o vizinho para que todo o atraso e a obsolescência da infra-estrutura argentina ficassem evidentes. As dificuldades aumentaram, as exportações ficaram mais caras e a competitividade desabou. Sem o truque mágico da desvalorização do peso, proibido por lei, a economia do vizinho foi sendo asfixiada aos poucos. A arrecadação despencou e as reservas também. A solução? Cortar salário de funcionários públicos. É o fundo do poço.
A conclusão: nenhum dos exemplos da destruição da Argentina parece estar sendo assimilado no Brasil. O governo FHC não está comprometido com o futuro nem com a modernidade, está comprometido em manter o poder e os privilégios da atual elite nacional. O destino da Argentina é o nosso destino.