A importância de John Entwistle para o rock pode ser medida pela seguinte historieta: em 1975, Who e Wings, banda de Paul McCartney após os Beatles, se cruzaram em suas turnês em Nova York. Entwistle, Pete Townshend e McCartney, amigos desde os anos 60, se encontraram e cocnederam juntos uma entrevista para uma emissora de rádio local. Na entrevista, veio à tona um fato pitoresco: no final dos anos 60, o rock star McCartney, também baixista, pediu autógrafo ao iniciante Entwistle, de tão impressionado que ficou com sua performance.
Ótimo compositor, apesar de subestimado dentro do próprio Who, Entwistle fez de seu baixo uma autêntica guitarra-base para as extravagâncias e genialidades de Townshend. É o ídolo de gente como Billy Sheehan, John Myung (Dream Theater) e Phil Lynnot (Thin Lizzy), entre outros. Era considerado o melhor de todos, sem dúvida.
A revista norte-americana Guitar Player, certa vez nos anos 80, fez uma comparação entre os estilos de Entwistle e o de Jaco Pastorius, considerado a lenda do jazz. A intensidade com que tocavam, a excelência e a elegância de suas linhas e a voracidade em incluir "milhares" de notas por segundo fizeram a revista concluir que os dois eram "seres extraterrenos".
Se Townshend era o coração e o cérebro do Who e o baterista Keith Moon o motor, Entwistle era a alma da banda. Preciso e rigoroso, fazia de seu instrumento uma verdadeira massa sonora que preenchia todos os espaços possíveis nas músicas criadas por Townshend. Ele conseguia traduzir para o mundo real os devaneios do guitarrista e líder e não raro viabilizava as obras-primas hoje conhecidas.
Entwistle é história e fez história. Ele transformou o baixo em um instrumento de ponta, como sempre tentou e conseguiu parcialmente o maravilhoso Willie Dixon. Com o baixista do Who, o instrumento deixou de ser apenas acompanhamento e marcação de ritmo para se transformar em solos e mais solos. Entwistle tirou o baixo do fundo da banda e o trouxe para a frente, dando-lhe a visibilidade que sempre mereceu.
R.I.P., John.