sábado, janeiro 26, 2002

O novo trabalho do Iron Maiden




O novo trabalho do Iron Maiden será um CD duplo ao vivo, chamado "Rock in Rio". Obviamente, foi gravado durante o Rock in Rio 3 no ano passado e trará as seguintes músicas: The Wicker Man, Ghost Of The Navigator, Brave New World, Wrathchild, Two Minutes To Midnight, Blood Brothers, Sign Of The Cross, The Mercenary, The Trooper, Dream Of Mirrors, The Clansman, The Evil That Men Do, Fear Of The Dark, Iron Maiden, Number Of The Beast , Hallowed Be Thy Name, Sanctuary e Run To The Hills.
Pena que no Brasil já rolem CDs duplos piratas da apresentação desde fevereiro de 2001, com som tirado da transmissão da DirecTV . Ficaram bem interessahtes, mas com certeza esse lançamento virá bem caprichado.

sexta-feira, janeiro 25, 2002

Pílulas futebolísticas


  • Figueirense
  • - A equipe tem a torcida mais burra do Brasil. Pela terceira vez em sua história invade o campo quando o time estava em vantagem para ganhar título/classificação. Um timinho ridículo com uma torcida vagabunda. Merece ser extinto.

  • Seleção
  • - Kléber do Corinthians, Daniel do São Caetano e outras preciosidades (Esquerdinha...). A Seleção Brasileira jamais foi tão pouco séria e vilipendiada como agora.

  • Romário na Seleção
  • Chega desse papo de Romário na seleção. Está em fim de carreira e não está merecendo ir para a Seleção. Foi artilheiro de um Campeonato Brasileiro medíocre (o de 2001). Joga quando quer e quando tem vontade. Nâo tem condições físicas (nem se esforça para ter) de jogar 90 minutos. Um jogador desse tipo não pode estar em uma Copa do Mundo. além do mais, ele se acha gênio (não é) e é mau caráter. Chega de Romário na seleção.

  • Christian no Palmeiras
  • - O centroavante Christian foi uma das piores contratações da história do Palmeiras. É vagabundo, safado, sem-vergonha, que não honra a sua própria palavra. Esnobou o cluve verde de São Paulo. Não poderia jamais pisar dentro do Parque Antártica. Deveria ter falado desde o começo da negociação que não tinha interesse em jogar no Palmeiras. É um nojento escroto que vai ser escorraçado em breve de São Paulo.

  • Ronaldinho bichado
  • - Ronaldo, que nunca foi fenômeno, está se revelando o pior investimento futebolístico dos últimos dez anos no futebol mundial. É um bibelô, não pode ser tocado e é tratado como se fosse uma porcelana chinesa. Há dois anos não joga futebol e ganha milhões de dólares para ficar na enfermaria. Tratam a volta dele na Internazionale como se fosse uma coisa de alto risco: o cara não pode se cansar, não pode fazer força, não pode andar de avião, não pode isso, não pode aquilo... é um cara bichado e mimado, não merece mais respeito por isso.

  • Eurico x Dinamite
  • - Existem pessoas burras nesse mundo, mas Eurico Miranda se supera cada vez mais. Além de ser um dos maiores lixos que já pisaram na Terra, ele demonstra total falta de discernimento ao expulsar Roberto Dinamite da tribuna de honra. Se ele ainda tinha algum tipo de apoio dentro do Vasco, agora não tem mais.

    A Polícia Civil paulista é péssima


    A performance da Polícia Civil nas investigações da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, é lamentável. É uma das piores polícias que já existiram em São Paulo. O governo Geraldo Alckmin é nojento, asqueroso e permite que a violência atinja níveis nunca antes igualados. Leia aqui, em coluna de Ricardo A. Setti no No.com, porque a Polícia Civil paulista e o governo Alckmin são imcompetentes ao extremo.

    quinta-feira, janeiro 24, 2002

    Saxon no Brasil




    Uma grande notícia: Saxon volta pela terceira vez ao Brasil para uma série de shows. SErá a primeira turnê da banda por aqui, já que na primeira vez, em 1997, foram só dois shows (São Paulo e Santos) e na segunda, apenas uma apresentação no Monsters of Rock de 1998, em São Paulo. O quinteto inglês, veterano da NWBOHM (New Wave of British Heavy Metal), vem parea divulgar o seu último trabalho, "Killing Ground", que teve uma primeira edição mundial dupla, com um CD bônus trazendo regravações de músicas antigas da banda. Veja as datas da turnê:
    15/05 - Porto Alegre (Bar Opinião)
    16/05 - São Paulo (Directv Music Hall)
    17/05 - Curitiba (Studio 1250)
    18/05 - Belo Horizonte (Lapa Multishow)
    19/05 - Recife (a confirmar).

    O novo Blind Guardian





    De acordo com a revista alemã Rock Hard, a ilustração ao lado é a capa do novo álbum do BLIND GUARDIAN, "A Night at the Opera", que tem lançamento previsto para março de 2002. Escute aqui trechos de três músicas que estarão no CD:
    Battlefield
    Precious Jerusalem
    Punisment Divine

    terça-feira, janeiro 22, 2002

    O punk faz 25 anos: estilo musical ou movimento social? - parte 4 (final)



    Com o punk verdadeiro, aquele dos ideais da turma de 77, cada vez mais underground, sobrou para o hardcore novaiorquino e californiano tentar levar adiante o ritmo acelerado e pesado da música punk, notadamente com gente como Bad Religion, Black Flag, Madball, All, Agnostic Front e Biohazard. Entretanto, embora descendente direto do punk, o hardcore atual praticado pelas bandas citadas está cada vez mais distante dos "áureo ano de 1977".
    A música punk foi importante, mas a sua qualidade é e sempre foi baixa. Um punk criticar os roqueiros progressivos é uma afronta ao bom gosto e à música bem tocada. Musicalmente, os punks sempre estiveram em desvantagem.
    E no Brasil? Bem diferente do que ocorreu em Londres em 1977, os punks de São Paulo já nasceram sob o signo do hardcore, mais ou menos parecido com aquele que é praticado hoje. As bandas-símbolo do gênero no Brasil - Ratos de Porão, Garotos Podres, Cólera e Olho Seco - semrpe estiveram musicalmente longe da estética londrina e muito mais longe ainda do estilo Ramones. Isso sem contar que tais bandas eram formadas por músicos acima da média para o gênero, o que explica a longevidade do Ratos e dos Garotos Podres.
    O punk faz 25 anos em 2002 e sua importância é reconhecida por todos, mas musicalmente o movimento tem de ser colocado em seu devido lugar.
    O punk faz 25 anos: estilo musical ou movimento social? - parte 3


    Assim sendo, enquanto movimento social o punk mostrou poder e vigor, no varejo as coisas começaram a ruir. E isso ficou evidente em sua principal manifestação, a música. Não saber tocar era a tônica, e gritar letras de protesto era o requisito básico. Entretanto, a fórmula era tosca, vulnerável e frágil demais. O principal ícone, os Sex Pistols, eram musicalmente péssimos e não duraram dois anos. Entretanto, foram importantes por simbolizarem a estética punk.
    Outras bandas também não foram muito longe seguindo esse preceito do punk 77, como Buzzcocks, Lurkers, Varukers e outros. Bandas desse tipo ou acabaram ou ficaram relegadas a um underground bem escondido (recentemente as três citadas, mais GBH, tocaram no Brasil para pouco mais de 300 fãs no Hangar 110, templo punk do Bom Retiro, em São Paulo; as bandas já acabaram e ressuscitaram várias vezes e infelizmente continuaram relegadas à insignificância em que estão).
    Resumindo, a música punk é uma música de baixa qualidade, que não resistiu muito ao tempo. Graças a bandas como Clash e The Jam é que a música punk não se tornou irrelevante totalmente. Essas bandas, por exemplo, eram formadas por músicos de verdade, e muito criativos, tanto é que conseguiram romper as amarras do punk rock evoluíram musicalmente em todos os sentidos. Masa foram poucos os conseguiram isso.
    Por mais que se fale que o estabilishment e que o sistema engoliram o punk, o fato é que, musicalmente, faltou qualidade ao estilo para sobreviver com dignidade. A comparação com o heavy metal é cruel. Esse estilo praticamente foi criado do jeito que conhecemos hoje com o Judas Priest no final dos ano 70 e ganhou fôlego com a NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) em 1980 com o surgimento de Iron Maiden, Saxon, Def Leppard e Tygers of Pan Tang.
    Mesmo passando por altos e baixos e sendo vítimas de modismos que reinam na indpustria fonográfica norte-americana, o heavy metal está mais forte do que nunca, com mais consistência e prestígio do que no final dos anos 80, que foi o auge do gênero.
    Já o punk tentou sobreviver com arremedos musicais, como o grunge (novamente músicos que não sabiam tocar, compondo músicas de péssima qualidade) e o poppy punk de Offspring e Green Day, sem falar em Millencolin e No Fun at All, entre outras "preciosidades".
    O punk faz 25 anos: estilo musical ou movimento social? - parte 2


    Em um primeiro momento a estética punk em todos os seus aspectos foi interessante, mas aos poucos houve um esgotamento total, basicamente por falta de conteúdo. Em termos globais, como movimento social, foi muito importante, tanto que seus reflexos estão aí até hoje. O punk mudou o comportamento da juventude ocidental.
    Entretanto, no varejo, o movimento foi lentamente perdendo a consistência. A literatura nunca foi relevante e a indumentária acabou sendo absorvida pelo sistema, que criou a "moda punk".
    O estilo de vida, na base dos excessos e das manifestações crônicas contra o sistema, acabou ficando anacrônico, mesmo quando os punks ficaram (e muitos ainda contiuam ficando) pendurados no generosos seguro-desemprego. Ser punk era ser livre total, mas também era não ter perspectivas de futuro algum, já que os próprios ideais punks não previam qualquer futuro. Ser punk foi legal por um tempo, na época, mas depois a realidade bateu na porta e o anacronismo ficou evidente: até quando os punks de 77 iriam ficar sem fazer nada e bebendo o dia inteiro em squats imundos abarrotados de "vagabundos"? Seria interessante envelhecer daquele jeito?
    O punk faz 25 anos: estilo musical ou movimento social?


    São 25 anos de barulho ensurdecedor (em boa parte dos casos, literalmente barulho mesmo, passando longe da música) e contestação social. Embora os norte-americanos reivindiquem a paternidade do movimento punk, que teria tomado forma em Nova York lá pelos idos de 1974, foi na Inglaterra que a coisa pegou fogo mesmo em 1976 e explodiu definitiva e mundialmente em 1977.
    É inegável que o punk é mais importante como movimento e atitude do que como estilo musical. A importância de seu surgimento é tão grande que a juventude nunca mais foi a mesma. A preocupação social e a contestação contra o sistema (desde as manifestações pertinentes até as estapafúrdias) dos jovens ingleses provocaram mudanças importantes no cotidiano do mundo ocidental.
    E o grande veículo para a difusão dos ideais do movimento punk foi o rock. Incorporando elementos já presentes em músicas de grupos como Troggs, MC5, New York Dolls e Stooges, sem falar na influência definitiva de Ramones, Television e Talking Heads, os jovens ingleses de 1976 partiram para o tudo ou nada: rock é diversão e simplicidade, é a cara do povo: "se os Ramones podem, nós também podemos."
    Estava inaugurada a era dos músicos que não sabiam tocar. Bastava uma guitarra distorcida e desafinada, um baixo idem, um cantor péssimo e um baterista chamador de chuva para que se criasse uma banda punk. Essa proposta era extremamente inovadora e democrática, em contraposição ao pop da época e ao rock progressivo, considerados "elitistas, burgueses e em desacordo com os anseios do povo". Gente com Pink Floyd, Yes, Queen, Rolling Stones e David Bowie, entre outros passou a ser execrada.
    Ser punk então era se vestir de forma podre e tocar em uma banda que não sabia tocar. E protestar contra tudo e contra todos: família, sistema, governo, bandas grandes do rock... A música em si? Essa vinha em segundo plano...
    A "legalização" do PCC


    O advogado do PCC (Primeiro Comando da Capital), a mais temida organização criminosa de São Paulo, Anselmo Neves Maia, pretende se candidatar a deputado federal neste ano. Caso seja eleito, será o primeiro passo para a legalização do crime organizado no Brasil. Leia aqui..
    O novo Blind Guardian





    De acordo com a revista alemã Rock Hard, a ilustração ao lado é a capa do novo álbum do BLIND GUARDIAN, "A Night at the Opera", que tem lançamento previsto para março de 2002.
    Placar morre pela segunda vez


    Existem alguns fenômenos inexplicáveis que só ocorrem no Brasil. O país do futebol tinha apenas uma revista especializada dedicada ao assunto. Tinha, pois a Editora Abril confirmou, através do diretor da revista Placar, Sérgio Xavier, que a mesma deixa de ser semanal na semana que vem. Na verdade, deixa de ser revista, pois em 2002 ela só vai reaparecer em "edições especiais, sem periodicidade".
    A revista Placar morre pela segunda vez. Ela deixara de ser semanal para virar mensal no começo dos ano 90. Morreu de vez e ficou vagando pelas bancas em esporádicas "edições especiais". Por volta de 1997 a Editora Abril retomou o projeto de edição mensal, sendo que dois anos depois voltou a ser semanal, para morrer novcamente na semana que vem.
    É inaceitável que o país do futebol não tenha uma revista ou duas revistas dedicadas ao tema. É absurdo que a Editora Abril, com sua potência, não consiga viabilzar um projeto desses. Se a empresa age assim com um título pra lá de rentável, é de se perguntar: como a Abril chegou aonde chegou com atitudes míopes empresariais como essa? Seus executivos são da pior qualidade.
    Bancos querem fugir do Código do Consumidor


    Algumas campanhas pela internet são irritantes e entopem nossas caixas postais. Entretanto, uma delas é muito interessante e merece a nossa atenção. Trata-se da ação que os bancos do Brasil, liderados por sua associação, a Febraban, impetraram no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo para que o Código do Consumidor não seja aplicado a eles, que estariam, assim, sujeitos apenas à fiscalização do Banco Centra.
    A argumentação para tal absurdo é puramente jurídica e se atém a filigranas, brechas de normas do Banco Central e escorregadelas do texto constitucional. Se os bancos obtiverem sucesso, o consumidro terá enormes dificuldades para resolver problemas prosaicos como o sumiço de dinheiro nas contas bancárias ou cobranças indevidas, por exemplo. Uma entidade chamada Relatótio Alfa está fazendo uma interessante campanha sobre o assunto. Leia aqui.

    domingo, janeiro 20, 2002

    A polícia é corrupta; o governo Alckmin acabou


    A polícia brasileira é corrupta? Temo que a resposta seja sim. No Estado de São Paulo, o mais rico e poderoso da federação, as cúpulas das polícias civil e militar estão podres, corroídas pelo crime organizado e deliberadamente inopertantes para que o Estado seja destroçado.
    A entrevista do tal sequestrador Andinho não deixa dúvidas: ele tem sócios dentro da polícia civil de Campinas e em todas as esferas. O secretário de Segurança Petreluzzi é de uma incompetência incomparável, o que desperta desconfianças de que essa incompetência é deliberada.
    O governo tucano de Geraldo Alckmin é um fracasso. Ele destruiu em meses o que Mário Covas demorou sete anos para construir (Covas construiu pouco, deixe-se claro). Em breve sua gestão desastrada poderá ser comparada à de Celso Pitta na prefeitura de São Paulo, mas Pitta destriu a cidade em quartro anos; Alckmin destruiu o Estado em menos de um ano.
    A maneira de governar tucana é a pior pçossível e não resiste mais a uma superficial análise. O governo do estado de são Paulo não existe mais, o governo brasileiro de Fernando Henrique Cardoso não existe mais.
    A guerra civil começou


    Era difícil imaginar que o sequestro do prefeito de Santo André, Celso Daniel, terminaria em um bárbaro assassinato. O que poderia ter sido um simples sequestro em troca dinheiro ou então uma ação política contra o PT, ou até mesmo uma vingança pessoal contra o prefeito, agora entra nas águas turvas do crime político. Não há outra hipótese.
    A coisa entra por um caminho que não tem mais volta. Ano de eleição, os principais cabeças dos partidos de esquerda são ameaçados e assassinados, com a criminalidade em alta e completamente impune. Assim o Brasil chega a 2002 à beira da convulsão social e em plena guerra civil (só falta declará-la).
    É fato quue os militantes do PT vão se armar daquin para frente. A tensão política vai se somar à guerra civil urbana. E será cada um por si neste novo milênio. A Colômbia é aqui.
    Relembrando a banda Cheap Trick





    Foi grata a surpresa que tive ao ler na semana que passou no site No.com a coluna do jornalista carioca Arthur Dapieve a respeito da banda norte-americana de hard rock dos anos 70 Cheap Trick. Dapieve escreve há muitos anos no jornal O Globo é um dos mais respeitados críticos musicais do país. Ele realmente conhece música e história da música como um todo. Gosta bastante de rock (é uma verdadeira enciclopédia), só que tem um gosto bastante duvidoso em relação à música brasileira e ao pop internacional (outro dia achou fantástico um CD obscuro com gravações obscuras da islandesa Bjork, umas das piores artistas já surgidas na música ocidental).
    Assim sendo, eu me surpreendi ao ler uma coluna sua a respeito do Cheap Trick e do lançamento em CD e DVD de um show completo da banda no Japão em 1978. Leia aqui a coluna citada.
    O Cheap Trick semrpe foi uma banda legal, uma mistura de Kiss e AC/DC, só que mais escrachado. O guitarrista, Rick Nielsen, era um dos virtuoses do instrumento nos anos 70, mas preferia o apelo do pop fácil e as micagens no palco durante os shows em vez de realmente tocar. O resultado é que acabou não ganhando o respeito que lhe era devido.
    O maior hit do Cheap Trick é "Surrender", uma bem-humorada crítica ao american way of life, mas nada muito contundente. "Live at Budokan", o CD ao vivo lançado em 1979, é o ponto alto da carreira do quarteto, que desandou a partir de 1981, quando foi engolido pelo punk rock e pela nova onda do heavy metal britânico. A banda se tornou irrelevante, apesar de existir até hoje, mas sem um pingo da criatividade e do prestígio que teve entre 1976 e 1980.
    Ouça um trecho de "Ain't That a Shame" ao vivo.
    Imbecis cariocas brincam de black metal

    Existe uma banda de black metal no Rio de Janeiro chamada Nocturnal Worshipper que é uma das coisas mais hilárias do heavy metal nacional. Até hoje só ouvi uma música deles em uma loja de CDs da Galeria do Rock e a música é péssima (é verdade que a produção, registrada em fita demo, ajudou a destruir o trabalho). Entretanto, a banda (banda?) concede entrevistas engraçadíssimasa revistas especializadas.
    Neste mês falaram à Roadie Crew e à Valhalla. O conteúdo das entrevistas é basicamente o memso nas duas revistas. É um amontoado de asneiras sobre satanismo (que eles adoram), sobre o cristianismo (que eles detestam), sobre paganismo (que eles ignoram completamente), entre outros assuntos. Os integrantes, entre eles uma mulher, acreditam que são os melhores músicos que já pisaram no planeta. Acham que são os únicos seres humanos que estão certos e desprezam qualquer pessoa que não compactue com seus "ideais".
    Por fim, apóiam integralmente as ações terroristas que músicos de black metal praticaram na Noruega nos anos 90 (quando formaram uma associação, o Inner Circle, cuja diversão era incendiar igrejas de qualquer credo e assassinar pessoas que não seguiam o seu "satanismo").
    Esses idiotas são hilários, e provavelmente continuarão a ser relegados ao ostracidmo a que estão confinados hoje. É gente lixo, que não merece a menor consideração.
    Celso Daniel é mais uma vítima da guerra civil


    O sequestro do prefeito de Santo André, o petista Celso Daniel, é mais um lance da guerra civil urbana que vive o Brasil. O Estado (tanto o governo federal como o governo estadual) está sem comando. O crime organizado trabalha intimamente ligado com as cúpulas das polícias, que são corruptas. Agora essas máfias, associadas com as polícias, estão se interessando pela política e estão tratando de intimidar gente que pode lhes causar problemas.
    Se um prefeito importante de uma cidade grande como Santo André pode ser sequestrado, qualquer um pode, ninguém está a salvo. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tucano, é inepto e incompetente. Sua administração precisa ser investigada até os mínimos detalhes. Ele e sua camarilha precisam ser julgados e condenados pela gestão desastrosa da segurança pública do Estado de São Paulo. O presidente Fernando Hentique Cardoso também é culpado e precisa ser punido. O Estado está desmoronando em todo pa[is.
    Quanto a Celso Daniel, nada muito a acrescentar. É um administrador competente, homem inteligente e é um dos políticos mais bem preparados do país. Pena que tenha sido vítima de um crime tão cruel. Crime político ou apenas mais um sequestro? Muito cedo para dizer, mas que o caso comporta ingredientes muito estranhos, nisso não há dúvidas. E a tal de Farb (Frente de Ação Revolucionária Brasileira), suposta organização esquerdista que ameaça por carta prefeitos e políticos petistas que se "aproximam" de partidos de centro-direita? Não passa de uma bobagem, uma brincadeira de alguém querendo assustar as claques petistas.
    Nova música de Blaze Bayley


    Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden (injustiçado ao ser demitido por Steve Harris), disponibilizou no site da gravadora alemã SPV a sua nova música, que deverá estar no CD "Tenth Dimension". A música chama-se "Leap of Faith". Ouça-a aqui.

    sexta-feira, janeiro 18, 2002

    Saudações ao Hapax Legomenon

    Gostaria de saudar aqui mais um grande amigo que se aventura pelo mundo dos blogs. Leandro Woyakoski é uma daquelas figuras impagáveis dentro do meio jornalístico e intelectual de São Paulo, apesar de o distinto ser gaúcho. Colega de faculdade na gloriosa Faculdade Cásper Líbero entre os anos de 1987 e 1990, Leandro sempre teve um dos melhores textos daquela turma, mas acabou não tendo paciência para encarar as sacanagens e patifarias da grande imprensa. Sendo assim, não pôde destilar o seu humor ferino e o seu cinismo pelas páginas hoje marcadas pela burocracia e falta de imaginação da imprensa atual. Seus pensamentos imperfeitos poderão ser conferidos no blog Hapax Legomenon, onde ela assina como Leãdro Wojak.

    quinta-feira, janeiro 17, 2002

    Você mora em São Bernardo?


    Recebi esse texto pela Internet da amiga jornalista Patrícia Galindo que, assim como eu, habita a cidade abecediana de São Bernardo do Campo. Achei-o bastante pertinente...

    51 motivos que tornam SBC uma boa idéia e que nos fazem sentir orgulho da cidade
    Se Você já fez ou ainda faz coisas como estas abaixo, você com certeza é um são-bernardense.


    1 - Ter Estudado em Cursinhos do Tipo "Profitec"
    2 - Ter feito vestibulinhos para ETE Lauro Gomes ou SENAI.
    3 - Quando vai ao Centro da Cidade diz que vai para "São Bernardo"
    4 - Ter ido pelo menos 550 vezes com a sua mãe e sozinho fazer compras na
    Marechal ou no Shoppinho do Coração.
    5 - Não Conhecer porra nenhuma da história da cidade, a não ser que o
    aniversário dela é no 20 de agosto.
    6 - Sempre andar de Tróleibus.
    7 - Zuar muito quem mora em Diadema.
    8 - Conhecer os onibus por números.
    9 - Achar comum ser chamado de "Batateiro" e ainda por cima ter orgulho
    disso. E falar que quem mora em Sto. André é "Ceboleiro"..
    10 - Fazer baladas na Avenida Kennedy.
    11 - Achar o povo de São Caetano arrogante, o de Santo André inferior e
    o de
    Diadema subdesenvolvido.
    12 - Saber que um dia provavelmente vai acabar estudando em lugares como
    "Metodista", Direito São Bernardo", "Mauá", "FEI", "Fundação SA", etc.
    13 - Ficar puto quando os outros perguntam se você mora no interior. E
    justificar que pelo menos você mora pertinho da praia e de São Paulo ao
    mesmo tempo.
    14 - Achar um charme o seu erre puxado.
    15 - Achar que o Metrópole é um bom shopping. E lembrar que ele já foi
    Morita e chamá-lo de Shoppão.
    16 - Falar maravilhas da cidade para quem não a conhece e meter o pau nela
    entre seus colegas. Referir-se a ela como "Bernô".
    17 - Ter o maior orgulho de dizer que o PT foi fundado na cidade, que o
    Lula
    mora nela, que você conhece o filho dele, mas não votar em nenhum dos dois
    por nada no mundo.
    18 - Dizer coisas como "Capital do Automóvel" ou "Capital do Móvel"
    19 - Ir sempre ao Estoril e achar normal nadar e pescar na Represa Billings

    20 - Tratar a Anchieta como uma avenida e sempre reclamar do transito do
    Km
    18.
    21 - Já ter ficado preso na enchente do Centro da cidade e achar isso comum.

    22 - Ter muito orgulho da Serra do Mar preservada, apesar de nunca ter ido
    lá.
    23 - Ir almoçar sempre na Rota do Frango com Polenta.
    24 - Ter ido 500 vezes na "Cidade da Criança" na infancia.
    25 - Achar bonito nomes de bairros como Alvarenga, Batistini, Jordanópolis,
    Parque Espacial, Assunção, Nova Petrópolis...
    26 - Ter frequentado alguma vez os shows do Paço Municipal. Ou então passar
    por lá e reclamar da zona que eles provocam.
    27 - Ter enfiado a mão na agua dos lagos do Paço quando criança algumas
    vezes.
    28 - Mostar o bilhete do tróleibus para quem não seja da cidade
    Principalmente da Capital) e dizer que o sistema de transportes aqui é muito
    moderno.
    29 - Visitar a feirinha dos domingos no Riacho Grande.
    30 - Achar que tudo que vem do Paraguai foi comprado na Praça Lauro Gomes.

    31 - Ser sócio, obrigatoriamente, de um desses clubes: Associação, MESC,
    Clube da Ford ou da Volks;
    32 - Ter medo do Capitão Buganza te pegar pro Tiro;
    33 - Frequentar os bailes de carnaval da Associação ou lembrar com nostalgia
    das Festas Juninas da "Associa";
    34 - Explicar pros não-moradores da cidade o que é a "Faixa", do exame da
    Auto-Escola;
    35 - Ter patinado na pista de patinação no gelo do Golden, e lamentado o
    fechamento dela;
    36 - Ter assistido a rachas na frente do Best, na Robert Kennedy ou na Av.
    São Paulo .
    37 - Fazer cooper ou caminhada na Av. Barão de Mauá (do Best);
    38 - Orgulhar-se da cidade possuir o mais tradicional ponto de turismo
    sexual do ABC, o famosíssimo Baco's For Men;
    39 - Falar pra todo mundo que SBC tem um Poupa-tempo e que no semáforo à
    frente do Poupa tempo tem umas luzinhas encravadas no chão que lembrar pista
    de avião.
    40 - Ter frequentado a Feira da Amizade no Pavilhão Vera Cruz
    41- Esperar a Quermesse da Santíssima Virgem ou da Matriz do Rudge.
    42 - Não saber onde fica o Pico do Bonilha apesar dele ser um ponto
    turístico.
    43- Falar pra todo mundo do Zelão, o Rei do Caldo de Mocotó e levar os
    não-saobernardenses para experimentar a "Faísca".
    44 - Espalhar que não existe nada melhor do que o "Pão com Bolinho" ao lado
    do João Ramalho.
    45- Ter orgulho de aparecer na coluna social do "Diário do Grande ABC".

    46- Contar pras pessoas mais novas que você frequentava a pista de skate
    que
    era a melhor do Brasil.
    47 - Esperar todo ano pra ver a decoração do Paço Municipal.
    48 - Ser tachado de metalúrgico.
    49 - Conhecer os garçons do Liverpool, da Galeteria e do Vera Cruz pelo nome e eles você.

    50 - Orgulhar-se do Estância Alto da Serra
    51 - Encher o peito ao dizer que nasceu em São Bernardo no Hospital São
    Bernardo.
    Rush sai da hibernação



    Após meses de hibernação, o trio canadense Rush anunciou nesta semana que deve lançar em março o seu novo trabalho, ainda sem título definido. O grupo está sem gravar um CD com material inédito desde 1996, com "Test for Echo" (que foi uma tentativa não muito bem-sucedida de misturar experimentaismo instrumental com o som das raízes do grupo).
    Segundo um comunicado divulgado pelos empresários da banda, os integrantes do Rush se recolheram ao "anonimato" para poderem tocar projetos pessoais e se julgam agora aptos para retomar a carreira com o novo lançamento. A idéia do trio é realizar uma turnê pelos Estados Unidos ainda neste ano.
    Enquanto isso, o empresário brasileiro Roberto Medina está anunciando o Rush para quiser ouvir como a grande atração do Rock in Rio 4, programado para janeiro de 2003, ao lado do U2. É claro que a banda canadense não confirma. Não há nenhuma menção a isso no site oficial do grupo.
    A possibilidade do Rush tocar no festival de Medina é quase nula. Geddy Lee (baixo, teclados e vocal), Neil Peart (bateria) e Alex Lifeson (guitarra) se recusam a tocar em festivais e em locais abertos. Fazem questão de se apresentar em ginásios fechados para que seus efeitos especiais e a qualidade impecável de seu som possam ser apreciados de forma completa. Isso sem falar no cachê da banda, que gira entre US$ 250 mil a US$ 500 mil por apresentação. Medida não tem esse cacife, se realmente quiser ter ao lado do Rush o U2, que chega a cobrar US$ 1 milhão livres por show.
    Portanto, o sonho dos brasileiros de ver o Rush ao vivo continua tão distante quanto sempre esteve. A próxima turnê mundial da banda deverá passar bem longe daqui.

    terça-feira, janeiro 15, 2002

    O futebol cai cada vez mais


    Começo a acreditar que o futebol brasileiro não tem mais jeito mesmo. O Bragantino, que está na série A-2 do Campeonato Paulista (que hoje não passa de uma terceira divisão, na prática), foi convidado para jogar a Copa do Brasil (é o time do vice-presidente da CBF Nabi Abi Chedid). Absurdo isso, lamentável sob todos os aspectos. Enquanto isso o Jundiaí (ex-Etti) está no Rio-SP por força econômica da Parmalat, por obra e graça de Farah, o presidente da Federação Paulista. O Jundiaí subiu no ano passado para a A-1 do Paulistão. Antes dele estão na fila os times que já estavam naquela divisão, sem falar no vice-campeão paulista, o Botafogo, alijado de forma nojenta da competição. É o fim...

    segunda-feira, janeiro 14, 2002

    Copa do Mundo sem seleções?


    Um tema até há pouco tempo esquecido no meio futebolístico volta à tona. Será que o futuro do futebol internacional é o fim da Copa de Mundo de Seleções, substituída por um grande Campeonato MUndial de Clubes? Essa tese foi levantada em 1990 pelo empresário Sílvio Berlusconi, atual primeiro-ministro da Itália. Ele achava que o formato de Copa do Mundo de Seleções era anticapitalista e antieconômico, já que jogadores importantes acabavam ficando pelo caminho com suas seleções, que "prejudicava" o mercado.
    Sendo assim, ele preconizava uma grande competição com os principais clubes do mundo, "apenas uns poucos", para viabilizar o futebol mundial. Na verdade, Berlusconi, que é um bandido de marca maior, estava reclamando porque seu bolso tinah sido afetado. Sua equipe, o Milan, de sua propriedade, tinha quatro jogadores na seleção holandesa desclassificada em 1990 na segunda fase. Além disso, tinha três titulares da seleção italiana, que ficou em 3º lugar. Para ele, esses resultados foram péssimos, pois desvalorizaram seus jogadores.
    Sua opinião não ressoou e a idéia exótica foi descartada. Agora, 12 anos depois, o jornalista Juca Kfouri volta com o tema, acreditando que a Copa de Seleções vai acabar.
    A Copa do Mundo não vai acabar. Prova disso é o fracasso retumbante do Mundial de Clubes da Fifa, que não emplacou (basicamente por ter sido criado já com deformidades, com a política casuística definindo seus participantes, entre outras coisas). A Copa de seleções é atraente porque mexe com a nacionalidade dos povos e das torcidas e permite a verdadeira formação de seleções sem custos econômicos adicionais. Uma Copa de clubes sempre vai ter a marca da impessoalidade, já que uma equipe como a Juventus, da Itália, poderá atuar sem ter um italiano sequer em sua equipe.
    A Copa do Mundo é o mais importante evento esportivo do mundo, o que mais fatura e o que mais rende lucros, justamente por ser a celebração do profissionalismo e do capitalismo, ao contrário dos deficitários Jogos Olímpicos. Uma Copa do Mundo sem seleções não tem sentido.
    Médico derruba tese de Kajuru sobre Ronaldinho

    O jornalista Jorge Kajuru, um dos mais falastrões e bravateadores da crônica esportiva da atualidade, publicou matéria importante no último domingo na revista do Lance a respeito do tema que ainda paira sobre o nosso futebol: o que Ronaldinho teve antes da final da Copa de 1998?
    Esse assunto não acaba nunca. Kajuru pretendeu encerrar de uma vez por todas a questão dizendo que Ronaldo teve uma convulsão em razão de uma infiltração de xilocaína em seus joelhos. Essa infiltração teria seido malfeita, o que ocasionou o mal que o afligiu no dia da final. Segundo compêndios médicos, os sintomas de convulsão de Ronaldo são compatíveis com aqueles causados por problemas derivados da xilocaína, fato corroborado por especialistas.
    Entretanto, Ronaldo nega que tenha tomado infiltrações, o médico Lídio Toledo nega que as tenha realizado. Kajuru garante que sua fonte é seríissima e que ouviu da boca do Ronaldo o que ralmente lhe aconteceu.
    No entanto, o médico Lídio Toledo, que eu considero um incompetente, ao vivo no programa Bola Na Rede de domingo, jogou por terra a tese de Kajuru. Ele nega que tenha feito as infiltrações em Ronaldo e disse ainda: "A infiltração nos joelhos, no futebol, só têm sentido se feitas algum tempo antes da partida. Não haveria o menor sentido em se fazer uma infiltração no Ronaldo SEIS horas antes da partida final, isso é ridículo." E agora? O assunto ainda não acabou...
    Popó já se acha Deus


    O pugilista brasileiro Acelino "Popó" Freitas realmente é um atleta em sua modalidade, dizem os especialistas. Ele venceu o cubano Joel Casamayor ontem em Las Vegas pela unificação dos títulos das OMB e AMB, um feito importante, sem dúvida. Só que o pugilista baiano parece que bebeu demais após a comemoração do feito. Desembarcou em São Paulo vociferando barbaridades e exigindo ser tratado como ídolo, do mesmo porte de Guga e de Ayrton Senna. Aí já é demais. Hoje ele ainda não nada, precisa de mais arroz e feijão para ser um ídolo que ele acha que é. Humildade é bom e preserva carreiras.
    As gravadoras e a pirataria


    A edição deste mês da revista Rock Brigade traz uma entrevista interessante com o vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson. Entre outras coisas, ele faz uma crítica ao mercado fonográfico brasileiro, afirmando que ele não lança mais CDs aqui porque a pirataria inviabiliza o negócio. Ele atira no que viu e acerta no que não viu.
    No caso dele a pirataria-clonagem de CDs que estão no mercado não o atinge. No centro de São Paulo há no máximo cinco camelôs que vendem CDs piratas de rock ou heavy metal. Quem mais sofre com isso são as gravadoras e artistas nacionais de ritmos mais populares. Dickinson não está lançando mais seus CDs solo no Brasil devido a problemas contratuais que teve com seus distribuidores por aqui, que não lhe pagaram o que era devido.
    No entanto, até mesmo um artista de primeira linha, mas que está distante de nosso mercado, percebeu um enorme problema que vice a indústria fonográfica brasileira. A pirataria cresceu demais, se disseminou por todo o país e as empresas e artistas estão de mãos atadas. O governo não fiscaliza e nem se preocupa com isso. A tendência é que a coisa se agrave.
    Entretanto, especificamente no caso dos CDs, não dá para condenar a pirataria-clonagem de lançamentos e obras que estão em catálogo. As gravadoras passaram 40 anos ganhando dinheiro a rodo no Brasil com preços abusivos de seus produtos, sem contar que ludibriavam seus contratados. Agora é a hora da vingança.
    Um CD nacional custar acima de R$ 25,00 é um escândalo. Não adianta as gravadoras espernearem afirmando que seus custos são enormes. Esse preço é abusivo e ponto. O camelô vende a R$ 5,00 ou a R$ 10,00, no máximo. O consumidor há muito tempo sabe que está sendo lesado e finalmente agora tem uma alternativa a isso, mesmo que de menor qualidade. As gravadoras parecem que ainda não entenderam o recado e querem manter o status quo atual: punição à pirataria, fim da concorrência "desleal" e manutenção dos preços absurdos, sem falar no investimento em porcarias modistas reconhecidas, como axé music, sertanejos, pagodeiros e quetais.
    Se o preço para que o consumidor seja menos lesado em termos de valor do CD e em termos culturais for o fim da indústria brasileira do segmento, que assim seja. Que a pirataria triunfe e empurre essa máfia nojenta para o fundo do poço. Quem sabe assim surja uma nova indústria do setor mais antenada e adequada ao nosso mercado.
    Rock in Rio 4 e as especulações


    Já se fala em Rock in Rio 4 para janeiro de 2003. As especulações sobre as atrações já começaram e a fonte principal dos boatos nada mais é do que Roberto Medina, o promotor do evento. Segundo ele, em matéria publicada no Globo de ontem, domingo, U2 e Rush já estão certos para tocar, enquanto que Peter Gabriel, Santana e The Who ainda estão em negociações (leia aqui).
    Que seja bem-vindo o evento em 2003, mas que cessem as especulações. Que o U2 possa vir é factível, mas não o Rush. O trio canadense só toca em locais fechados e se recusa a participar de festivais. The Who dificilmente se reunirá em 2003 para vir ao Brasil, já que farão uma extensa turnê por Estados Unidos e Inglaterra neste ano. Peter Gabriel e Santana são arroz-de-festa e estarão sempre à disposição. Pelo menos Medina já desistiu de sonhar com o PInk Floyd, já que o guitarrista da banda, David Gilmour, vem dando entrevistas praticamente afirmando que a banda não existe mais.
    A incompetência da Veja


    A revista Veja voltou à carga novamente contra o heavy metal. Na edição desta semana o jornalista Sérgio Martins, que acha ser especializado em música e qe é fanático por reggae (aaaaaaargh), destila uma série de informações incorretas e vários preconceitos acerca do subestilo do rock.
    Em primeiro lugar a pauta foi "chupada" de uma reportagem da Folha de S. Paulo publicada há uma semana. O que era a pauta da Folha? A reda das bilheterias de shows de artistas nacionais de vários gêneros caiu vertiginosamente a partir do segundo semestre de 2001. Espantosamente, segundo a Folha, as casas de shows que investiram em shows de rock, principalmente no rock pesado, se deram bem, tendo lucros e mais lucros, como o Via Funchal.
    A Veja resolveu fazer a mesma matéria, só que espalhando sua incompetência para lidar com o assunto. Chamou o ritmo de "barulhento", o Sepultura de "decadente", os membros do Angra de "até que eles são limpinhos" e chamou os caras do Krisiun de "sujos". Por fim, o dito jornalista não entende como é que o heavy metal consegue manter o público fiel e grande no Brasil, já que é "um gênero decadente".
    Francamente a Veja se superou nesse texto. Os preconceitos estãoi todos lá, assim como a falta de informação. Cada vez mais governista e com textos ruins e editorializados, a maior revista do país hoje é um lixo. Nunca tanta gente incompetente escreveu aio mesmo tempo lá como agora.
    Bandidos nos programas esportivos


    A profusão de programas esportivos nos domingos à noite em São Paulo é grande. Cinco dos sete canais abertos mantêm programas do tipo. O pior deles é, paradozalmente, o que tem mais audiência: Mesa Redonda Futebol Debate, da TV Gazeta (canal 11), comandado pelos caricatos Chico Lang e Roberto Avallone.
    O programa é péssimo, não tem análise, não tem informação confiável (só chute e especulação) e faz do circo e da palhaçada o seu trunfo. Desde o ano retrasado tem o lamentável hábito de dar voz para os representantes das torcidas organizadas dos times de Sã Paulo.
    Esses seres geralmente são bandidos, membros de quadrilhas que afugentam o verdadeiro torcedor do estádio. Estão mais preocupados em brigar e amedrontar jogadores e dirigentes do que realmente torcer. Esses seres nojentos têm de ser banidos da TV.
    Mike Stern toca no Bourbon

    Show imperdível nesta semana: Mike Stern, magnífico guitarrista norte-americano de jazz, estará na quinta, dia 17 de janeiro, no Bourbon, na zona sul de São Paulo, com preços variando de R$ 45,00 a R$ 75,00.

    sexta-feira, janeiro 11, 2002

    Guerra civil nas cidades brasileiras


    A guerra civil está decretada no Brasil. As classes sociais não escondem mais a situação de caos urbano, social e moral que vivem no Brasil. Está no site do camarada Maurício Gaia, o blog Mauricéia Desvairada: a dona de uma ótica da rua Moreira e Costa, no Ipiranga, zona sul de São Paulo, foi sequestrada ontem. A ótica fica na mesma quadra da casa do Maurício.
    É o fim de todos os mundos, o fim da linha para a civilização. Hoje os ricos e milionários estão com um aparato de segurança gigantesco, o que dificulta os sequestros. A classe média alta se vira como pode e consegue se safar. Sobra o resto da população, ond eu me incluo e onde a maioria de vocês está incluída.
    Pelo jeito, hoje basta ter um carro, qualquer carro, ou sair de um condomínio, qualquer condomínio, para ser alvo de um sequestro. Antes o medo era de sequestro-relâmpago para saques em caixas eletrônicos. Agora a coisa mudou. Qualquer cidadão que possa aparentar ter algum dinheiro é vítima de um sequestro clássico, mesmo aquele que anda de ônibus, ou mesmo aquele que possui um microcomércio, que lhe custa um aluguel alto e que lhe rende, no máximo, um salário igual ao de seu único empregado.
    A pena de morte não é a solução nem nunca será, mas é óbvio que o sequestro tem de ser tratado pela lei e pelo Estado como um crime a ser punido com um rigor muito maior do que normal. Não basta classificá-lo como crime hediondo, tem de tornar a punição hedionda.
    Quem sequestra hoje sabe exatamente o que está fazendo, sabe bem a gravidade do que está praticando. Esse tipo de crime não pode ter nenhum tipo de condescendência, quem sequestra não está passando fome, é porque escolheu deliberadamente esse caminho. Como esse crime é de uma covardia enorme, é o caso de não se lamentar muito quando os criminosos dessa prática morrem.
    Por sua vez, os governos em todas as esferas precisam dar um basta nessa situação de guerra civil, sob pena de convulsão social pior que aquela que aconteceu na Argentina.
    Judas Priest com faixas-bônus



    O fã brasileiro do Judas Priest só tem a comemorar. Além da visita da banda ao país em setembro de 2001 durante a turnê de divulgação do CD “Demolition”, chegam ao nosso mercado nada menos do que oito álbuns remasterizados e com faixas-bônus do quinteto inglês.
    Esse sistema de relançamento é uma das formas mais cruéis de ganhar dinheiro em cima do fã fervoroso. Geralmente esses produtos são destinados apreciadores que possuem grande parte da obra do artista e acaba forçando-os a uma troca, já que as novas edições são acrescidas de novas músicas, normalmente inéditas.
    Por outro lado, é muito interessante que gravações inéditas e material raro venha a público, mostrando de forma mais completa o processo de composição e edição dos álbuns à época de seus lançamentos.
    Os álbuns relançados e suas músicas adiconais são os seguintes:

    British Steel (1980) – Red, White and Blue (música inédita), Grinder (versão ao vivo)
    Point of Entry (1981) – Thunder Road (música inédita ) e Desert Plains (versão ao vivo)
    Screaming for Vengeance (1982) – Prisoner of Your Eyes (música inédita) e Devil’s Child (versão ao vivo)
    Defender of the Faith (1984) – Turn on Your Light (música inédita) e Heavy Duty/Defenders of the Faith (versão ao vivo)
    Sin After Sin (1977) - Race With The Devil e Jawbreaker (versões ao vivo)
    Stained Class (1978) - Fire Burns Below e Better By You, Better Than Me (versões ao vivo)
    Killing Machine - Fight For Your Life e Riding On The Wind (versões ao vivo)
    Unleashed int the East (1979) - Rock Forever, Delivering The Goods, Hell Bent For Leather e Starbreaker (versões ao vivo).

    Pela obviedade, o destaque é o ao vivo “Unleashed in the East”, gravado ao vivo no Japão em 1978 e lançado no ano seguinte. É o álbuns com mais bônus. São versões gravadas na época e não aproveitadas. Delas, três são músicas pouco tocadas em shows da banda, como “Delivering the Goods”, “Starbreaker” e “Rock Forever”.
    Também merecem destaque os quatro CDs iniciais citados, já que trazem ao menos uma música inédita. “Point of Entry” ainda traz uma excelente versão ao vivo de “Desert Plains”, uma das melhores composições da banda. Um pacote digno do prestígio da banda e um excelente presente de início de ano para os roqueiros brasileiros.



    "Lifehouse" sai em vídeo e DVD



    Sai em vídeo e DVD erm fevereiro "Pete Townshend Music from Lifehouse", um show do guitarrista do Who gravado em Londres em 2000 somente com as músicas do fracassado projeto de ópera-rock de 1971. Essa apresentação recuperou parte do material esquecido naquela época e também músicas nunca tocadas ao vivo do ãlbum "Who's Next", também de 1971.
    Na verdade, o álbum é uma consequência do abortado "Lifehouse". Esse projeto pretendia suceder o maravilhoso "Tommy", de 1969, que foi um estrondoso sucesso. A idéia básica era fazer uma ópera-rock baseada na história de um maníaco por computadores que trabalhava para o governo em um mundo futurístico, onde o totalitarismo prevalecia em uma ditadura mundial. O governo é que regulava totalmente a vida dos cidadãos, inclusive dizendo o que ele devia ouvir.
    O maníaco se rebela contra isso e cria músicas próprias em seu computador e escolhe um grupo para executar sua obra, no caso, The Who. Apesar da aparente simplicidade da história, a coisa se complicou na hora de transpor o roteiro criado por Townshend para a parte musical. Ele se perdeu e a história ia ficando cada vez enrolada, fazendo menos sentido. Frustrado, o guitarrista abandonou o projeto.
    Entretanto, o produtor Glyn Johns percebeu que as músicas, isoladamente, eram excelentes e covencenu o grupo a reuni-las em um álbum comum, sem conceito nem história. O resultado é que "Who's Next" é considerado o melhor álbum da banda e frequenta as listas de dez mais do rock de todos os tempos.
    Em 1999 Townshend resgatou o material que foi engavetado e que não entrou em "Who's Next" e editou-o em um especial para a BBC Radio 1. A partir daí ele criou uma caixa com seis CDs com todo o material arquivado de "Lifehouse" (vendido apenas pelo site do guitarrista) e montou um show solo baseado no material, gravado em meados de 2000 e lançado em CD duplo no final daquele ano (também vendido aoenas no site dele, Pete Townshend.com).
    Esse é mais um daqueles produtos obrigatórios para quem gosta de música e de rock.
    O fim do Black Crowes?


    Surgiu a notícia após o anúncio da saída do baterista Steve Gorman: o Black Crowes estaria paralisando suas atividades por tempo indeterminado. As especulações começaram e entupiram a internet. As últimas dão conta de que a banda acabou depois que os irmãos Chris e Rich Robinson, os donos do grupo, brigaram. A gota d'água teria sido as constantes intromissões da atriz Kate Hudson, mulher de Chris, nos assuntos da banda. Outras fontes informam que a bandaz não esava se entendendo há tempos e que ninguém aceitou o fato de que Chris Robinson estaria gravando um álbum solo.
    Se a notícia se confirmar, será uma enorme perda para o rock verdadeiro, aquele de bom gosto. O Black Crowes é uma das poucas bandas boas surgidas nos anos 90 dentro da música rock-pop, ao lado do Pearl Jam e do Soundgarden. Misturava de forma pesada e contagiante, com muita competência, influências de Led Zeppelin, Faces e Rolling Stones.
    Seus integrantes também eram músicos acima da média, como o vocalista Chris Robinson (ótimo cantor, mesmo quando abusava dos tons lamurientos e dos berros), e os guitarristas Rich Robinson e Marc Ford (esse era excelente, um dos grandes nomes do instrumento, mas acabou sendo expulso da banda há quatro anos por abuso nas drogas).
    Por conta disso, as melhores bandas acabam e teremos de aguentar lixos como Strokes, Radiohead e porcarias semelhantes.
    Ron Wood no Brasil?


    Ron Wood esteve no Brasil nesta semana e simplesmente deu uma canja no show da banda Blue Jeans no último dia 9 no Bourbon Street, em São Paulo. A notícia está no site Whiplash. Será mesmo? Ninguém viu o stone passado por São Paulo? Muito estranho...

    sexta-feira, janeiro 04, 2002

    Trechos de músicas e vídeos


    A pedidos, coloco abaixo trechos de algumas músicas de artistas/bandas que cito no blog. Muita gente reclamou que ficou curiosa de saber como era o som dos artistas presentes nestas páginas. Pois bem, aí vão alguns trechos que para que as pessoas conheçam um pouco do maravilhoso mundo do rock:



    Pain of Salvation – "Ashes"

    Theatre of Tragedy - "Cassandra"

    Within Temptation – "Ice Queen"

    Tristania – "The Shining Path"

    Stevie Ray Vaughan – "Pride and Joy"

    Edguy – "Tears of a Mandrake"


    Deep Purple – "Perfect Strangers"


    Yes – "Roundabout"

    Emerson, Lake and Palmer – "Hoedown"

    Jethro Tull –"Aqualung"

    Glenn Hughes – "Coast to Coast"

    Uma pitada de Glnenn Hughes e Joe Lynn Turner


    Um dos projetos mais esperados de 2002 já pode ser ouvido na Internet. Os grandes vocalistas Joe Lynn Turner e Glenn Hughes disponibilizaram um trecho da música "Devil's Road", que deverá estar no CD da dupla "The Hughes Turner Project", a ser lançado em fevereiro no Japão. Escute aqui o trecho da música

    quinta-feira, janeiro 03, 2002

    Os Pássaros - Capítulo 2 (final)



    Às 5h50 o garoto caminhava por uma trilha que levava ao penhasco. Estava quase na hora do retorno dos “heróis” . a revoada dos pássaros logo surgiria no horizonte, sete horas depois de duros e intensos combates.
    Toda uma vida estava em xeque naquele penhasco. Ali estavam todas as angústias, apreensões e esperanças de um ser que só tinha olhos para um único aparelho. O garoto sentara em uma pedra como os olhos fizos no horizonte. A dúvida martelava a cabeça: ele voltaria desta vez?
    Os primeiros do bando de pássaros começavam a aparecer, sob o brilho do sol ainda incipiente da manhã. Da massa compacta que partira sete horas antes, voltavam apenas pássaros sozinhos, debilitados, desgarrados e soltos. Os intervalos são longos. Quando um aparece, vem com os motores falhando e fazendo aterrissagens lamentáveis. Os bombeiros ficam a postos na pista, esperando pelo pior.
    Foram duas horas de apreensão e estômago contraído de medo. Foram poucos os aviões que retornaram. De todas as vezes em que foi esperar o pai retornar, aquela mostrava que algo estava errado. Premonição?
    Depois que o último avião pousou em condições péssimas, ele permanceu ainda por três horas naquele penhasco. Depois, levantou-se e seguiu de cabeça baixa pela trilha de volta à pequena aldeia onde morava. Na sua cabeça, apenas o desejo de ter um bom dia.


    Ao entardecer o garoto passeava pela praia. Cabeça baixa, nem se incomodava com o vento frio do oceano. Estava bem próximo de uma pequena baía na ponta da enseada. Ali estavam os destroços de um avião trazidos pelo mar.
    Com lágrimas no olhos, o garoto arrastou um pedaço grande de uma asa do aparelho destruído para perto do paredão do rochedo. Pacientemente, começou a enterrar pelas próximas três horas o pedaço de asa. Era apenas uma simplória cerimônia fúnebre. Seu pai não havia retornado. Agora havia mais um lugar vago no ninho.


    Os Pássaros - Capítulo 1





    “Daqui a duas horas sairemos novamente. Os ataques estão se intensificando. Dois, três dias. Não suporto mais isso. O céu já não existe mais, aquilo é apenas um enorme vazio. A noite é o fim de tudo. Ou o começo. Daqui a duas horas as hélices começarão a funcionar. Não dá mais. Ontemo esquadrão 18 não voltou. Dos 50 e tantos aviões que saíram, nenhum apontou novamente no horizonte para pousar. Meu irmão era um deles. Acho que estou ficando louco.”
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    O alarme soou exatamente às 23h30. Os aparelhos começaram o ronco dos motores imediatamente, que ecoaram por toda a região. Ele foram em direção ao mar. O farol da barra estava apagado (medidas de seguraça). Os caças partiram logo em seguida.
    Euquanto os aparelhos cruzavam a noite rumo ao infinito, ao desconhecido, , alguém, lá embaixo, em um penhasco, observava atentamente o enxame de bombardeiros e caças. Foram mais de 50 minutos até que o último desaparecesse no horizonte escuro.
    Eram os olhos de um garoto fascinado, que tentava em vão contar os pássaros do apocalipse. Os olhos estavam vidrados naquela que era mais uma missão de morte. Os olhos do garoto acompanhavam a morte voadora, seguindo a triste sina de toda uma geração calcinada entre ferros retorcidos de aviões destruídos. Os olhos de um garoto tentavam descobrir naquele enxame o avião do pai, na esperança de que voltasse mais uma vez.
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    “O alvo não está longe. Pedi dispensa no último minuto, mas foi recusada. Estou nervoso. Depois de tanto tempo despejando morte, estou incomodado no banco de co-piloto, que ocupo há tanto tempo. Isso é mau sinal. Olho pela janela e vejo toda a esquadrilha em formação. Era um autêntico balé aéreo, pronto para entrar em ação. Em nosso avião bombardeiro, silêncio. O oficial de comunicações não tira os olhos do radar. O artilheiro da traseira está debruçado em sua metralhadora, concentrado. Dolorosa impaciência. Não suporto mais isso. Quero saltar agora...
    O líder da esquadrilha comunica: dez minutos para o ataque. Os caças inimigos logo iriam aparecer. O comandante estava calado desde a partida. Ele também não estava bem. Vejo que será uma longa noite.”


    quarta-feira, janeiro 02, 2002

    A democracia permite cada coisa...


    A consolidação da democracia é uma necessidade em todos os lugares do mundo e está provado que a democracia é o pior dos regimes, só que ainda não inventaram nada melhor. Entretanto, a democracia, justamente por ser democrática, permite que qualquer um fale e/ou escreva o que quiser, mesmo que seja a maior bobagem (como a existência de gente que louva o nazismo e a pena de morte). Que assim seja para sempre.
    E tem gente que abusa do direito de falar e escrever os maiores absurdos, como o jornalista Célio Franco, que até há pouco era um dos editores executivos do Diário do Grande ABC. Escrevendo para um site local, o Clique ABC, destila seu ódio contra o PT por causa do IPTU progressivo implantado pelas prefeituras do ABC e de São Paulo, acusa Lula de ser um "milionário fascinado por Cuba e que deve se mudar para lá", desanca sem elementos Cuba por todo e qualquer motivo e, para arrematar, suplica pela volta de Maluf ao governo do Estado de São Paulo ("ninguém provou que ele rouba") e de Erasmo Dias à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (para quem não se lembra, Dias foi secretrário de Segurança do Estado de São Paulo ao final dos anos 70 e início dos anos 80, bem na época da ditadura militar e abusava dos ideais e métodos fascistas).
    Não dá para deixar de admitir: é uma das coisas mais hilárias que li nos últimos tempos. Para quem quiser rolar de rir, leia aqui.
    Raridades ao vivo do Deep Purple



    Mais classic rock. Um grande lançamento para os fanáticos pelo maravilhoso Deep Purple. "On the Road" é um CD duplo que reúne raridades ao vivo do conjunto. Na verdade, o grande lance desta coletânea é que ela junta em dois CDs versões interessantes de várias músicas e que estavam espalhadas por diversas outras coletâneas e discos ao vivo. Nada é inédito, tudo o que aparece neste novo lançamento já foi editado, mas tem o mérito de juntar tudo em um CD só. Veja a lista de música e mais informações aqui.
    Brasil elege "Stairway to Heaven" como o melhor rock


    Ouvintes brasileiros da Kiss FM, a única classic rock do Brasil, escolheram "Stairway to Heaven", do Led Zeppelin, como a mais importante música do rock em todos os tempos, dentro da votação das 500 mais segundo os ouvintes brasileiros. As 500 foram executadas por três vezes no final do ano passado. A rádio foi inaugurada em julho com a execução das 500 mais de todos os tempos segundo os ouvintes de 20 classic rocks radios dos Estados Unidos e da Inglaterra. Deu "Hey Jude", dos Beatles, na cabeça, enquanto "Stairway to Heaven" ficou entre as dez mais.
    Edguy e Tristania no Brasil


    Boas novas para o mundo da música pesada. Janeiro traz duas interessantes atrações. Tristania é uma banda de metal gótico da Noruega (na foto a vocalista da banda) que alterna vocais líricos femininos com vocais masculinos de death metal, guturais. Nada de extraordinário, mas faz um heavy metal competente. O sexteto fará uma apresentação única em São Paulo no dia 19 no Via Funchal. Já no dia 31, na mesma casa, a sensação do metal de 2001 na Europa vem ao Brasil. Os alemães do Edguy lançam aqui o novo CD, "Mandrake". Eles fazem um heavy metal melódico que às vezes esbarra em um power metal. Nâo é tão pomposo quanto as bandas italianas Rhapsody ou Vision Divine, mas seus arranjos são eloquentes. A banda tem um leve acento comercial, o que deve ampliar seu público no Brasil. Mesmo assim, merece ser visto, pode ser a grande sensação do metal mundial no futuro.

    segunda-feira, dezembro 31, 2001

    Arbitragem prejudicou, mas Palmeiras foi incompetente

    Nas retrospectivas esportivas de fim-de-ano, todos os cronistas esportivos de São Paulo ressaltam, no tópico a respeito da Libertadores 2001, que o Palmeiras foi roubado pelo árbitro paraguaio Ubaldo Aquino na primeira partida das semifinais contra o Boca Juniors, em Buenos Aires (2 a 2). Com isso, fazem crer que a arbitragem tirou a equipe da competição.
    Isso é um completo absurdo, uma falta de caráter tamanha. É bem verdade que Aquino roubou a equipe paulistana, mas a desclassificação ocorreu por pura incompetência verde, e pior, dentro do Parque Antártica, seu estádio.
    Mesmo com o assalto em La Bombonera, o Palmeiras saiu de lá com um empate, quando rezava para perder de pouco antes de o jogo começar (se o árbitro não inventa o pênalti para os argentinos no final do primeiro tempo e marcasse o pênalti claro em Fernando no segundo tempo, o placar poderia ser 2 a 0 ou 3 a 1 para o Palmeiras).
    Ou seja, um resultado nada desprezível. Como o Boca mostrou ser um time medíocre (apesar do craque Riquelme), o otimismo tomou conta do time verde, já bastava uma vitória por um gol para ir à final. Só que o time do Palmeiras tinha jogadores muito limitados, ruins mesmo tecnicamente, e que ainda por cima sentiram o peso da responsabilidade (sem falar que os "craques" sumiram, como Alex, Felipe e Lopes). Tremeram.
    O resultado: Boca 2 a 0 em 20 minutos de jogo dentro do Parque Antártica... O lateral Felipe deu um carrinho criminoso em seu companheiro de equipe Leonardo, um péssimo zagueiro, e deu o gol para os argentinos aos 4 min. No segundo, o outro zagueiro ruim, Alexandre, apenas assistiu com Galeano ao avanço de Riquelme para a área palmeirense. 2 a 0.
    Quando parecia que o time medíocre do Palmeiras iria reagir com o o primeiro gol ainda no primeiro tempo, logo em seguinda o imbecil zagueiro Alexandre agride um adversário na frente do juiz. Foi expulso. Era bom demais para os argentinos acreditarem.
    O Palmeiras perdeu a classificação porque quis. Se o Boca fosse um time decente não teria permitido o empate no segundo tempo com um homem a mais. Falaram que Riquelme acabou com o Palmeiras. Se isso tivesse ocorrido realmente, o Boca teria vencido no tempo normal e nao nos pênaltis.
    O Palmeiras perdeu porque era um time ruim e ainda por cima mal treinado, com "pseudo-craques" com altos salários que esconderam na partida. A equipe, apesar de enfrentar um Boca medíocre, não merecia ser campeão.
    Após a classificação na primeira fase da Libertadores 2001, o Palmeiras jogou seis partidas até as semifinais: derrota por 1 0 e vitória por 1 a 0 contra o São Caetano (vitória nos pênaltis); 3 a 3 e 2 a 2 contra o Cruzeiro (vitória nos pênaltis); e dois empates em 2 a 2 contra o Boca (derrota nos pênaltis). Ou seja, uma vitória, quatro empates e uma derrota, com as vagas nas três fases sempre sendo decididas nos pênaltis. Marcou 10 gols e tomou 10 em seis partidas, sendo que a defesa tomou 9 gols em quatro jogos. Não era para classificar mesmo desse jeito.
    Cássia Eller era um pouco acima da média, nada mais


    Claro que é sempre uma coisa chata quando um artista morre, ainda mais jovem, como foi o caso de Cássia Eller no dia 29 de dezembro (e como foi Marcelo Fromer, dos Titãs, no meio do ano). E é natural que se exagere na importância dele, mesmo quando ela é apenas mediana.
    Cássia Eller não era a melhor das cantoras da geração dos anos 90. Marisa Monte e Zélia Duncan têm mais voz e sabem cantar, no sentido de interpretação. Já a diva roqueira era exatamente isso, uma roqueira que descambou para a podreira punk-hard rock, com voz poderosa mas não-educada (justamente por isso abusava dos berros e da voz rasgada meio blues, meio Janis Joplin). E aproveitou justamente a carência de vozes femininas no rock brasileiro propriamente dito, já que não dava para competir com as duas já citadas mais Adriana Calcanhoto e Ana Carolina, mais próximas do público comercial.
    Os críticos dos grandes jornais e outros bicões ressaltam a "atitude" como a grande característica a ser louvada em Cássia Eller. Fazem crer que apenas ela tinha a chamada "atitude" (como se declarar homossexualidade e mostrar seios em públicos fosse grande novidade...)
    Apesar desses gêneros dispensáveis de comportamento, musicalmente ela era relevante dentro da atual música brasileira, mas nada de excepcional. Era versátil e dedicada, nada mais, mas não dá para deixar de reconhecer que ela era um símbolo de uma geração de cantoras dos ano 90 com um público fiel.
    R.I.P., girl.

    sexta-feira, dezembro 28, 2001

    Saudação ao Cabide D'Ashkalsa


    Aqui vai um abraço a mais um cidadão da comunidade blogueira que tem coisas a dizer. Marcelo Soares é um jornalista gaúcho fanático por cinema e Deep Purple e que esteve por breve período no caderno Brasil da Folha de S. Paulo. Seu blog é o Cabide D'Ashkalsa é bem feito e bem escrito. Já está nos recomendados da coluna da esquerda.
    Repercussão do ódio a São Caetano


    Audiência qualificada é isso aí. O meu glorioso amigo Maurício Gaia, o piloto do blog Mauricéia Desvairada e inspirador deste Superball Express, reproduziu minhas considerações a respeito da cidade de São Caetano do Sul e de sua equipe de futebol, a A.D. São Caetano, vice-campeã brasileira de 2001.
    Apesar da estranheza dele quanto ao tom cáustico e duro do texto "Porque odeio São Caetano", ele concordou comigo ao finalizar o comentário a respeito de meu texto: em sua época de ginásio, moradores de São Caetano se orgulhavam de morar lá devido ao fato de não haver favelas (e os milhares de cortiços?). Ou seja, preconceito puro de gente nojenta.
    E, só para provocar, encontrei-o em uma festa de um amigo comum em Santo André. Fui devidamente fantasiado com uma camisa do E.C. São Bernardo, "rival"do São Caetano, assim como o E.C. Santo André (agora de volta à primeira divisão do Paulistão) e do Palestra de São Bernardo (série B-1 do Paulistão).
    Tudo bem que o São Bernardo atualmente é um dos piores do mundo (neste ano, na série B-2 do Paulistão, que é a 5.a divisão, a equipe teve quatro vitórias, dois empates e 26 derrotas, sendo que 19 consecutivas...), mas valeu a provocação.
    Stevie Ray Vaughan incendeia Montreux


    O mito Stevie Ray Vaughan caminha a largos passos para o mesmo destino de outro mito (e seu mestre), Jimi Hendrix. Morto em um acidente de helicóptero após um show em agosto de 1990, o baú daquele que é considerado o maior bluesman dos anos 80 parece não ter fundo. Ano sim ano não aparece uma nova obra no mercado: a inédita gravação de um show, uma caixa com raridades nunca antes editadas e muito mais.
    Por enquanto o que está vindo à tona 11 anos após a sua morte é de qualidade. Até quando? Com Hendrix aconteceu o oposto: o guitarrista norte-americano, o melhor de todos, morreu em 1970 e já no ano seguinte o mercado era inundado por milhares de lançamentos (piratas ou não), muitos de qualidade duvidosa, tudo isso fruto das encrencadas negociações de contratos e royalties levadas a cabo por empresários inescrupulosos e oportunistas (assim como Pelé, Hendrix era péssimo nos negícios e confiava nas pessoas erradas).
    O baú do texano Vaughan nos brinda com mais uma pérola: “Live at Montreux 1982-1985” ém CD duplo recém-lançado que traz quase na íntegra os dois shows que ele realizou no famoso festival suíco de jazz. A produção é excelente e traz a assinatura do irmão Jimmie Vaughan, o responsável pelo legado.
    Assim como “Live at the Carnegie Hall 1984”, lançado há três anos, o novo lançamento é primoroso, além de ser um registro histórico importantíssimo, já que pega Stevie Ray Vaughan em dois momentos distintos: em 1982, prestes a se tornar uma estrela de primeira grandeza do blues, e 1985, o auge de sua carreira, antes dos tratamentos para se livrar das drogas e do álcool.
    As gravações dos dois shows mostram exatamente isso. O primeiro CD traz o show de 1982. Ainda uma atração de médio porte, Stevie Ray Vaughan e a Double Trouble (com Tommy Shannon no baixo e Chris Layton na bateria) tocaram menos de uma hora no bar principal do festival.
    É verdade que o bar estava lotado, mas mesmo assim era um bar. Só que aquela apresentação foi tão marcante que emocionou uma então estrela da música pop, o guitarrista Jackson Browne, que fez questão de subir ao palco para uma jam.
    Havia outra estrela da música pop na platéia, esta de muito maior grandeza e que não ficou nada emocionada. O inglês David Bowie ficou paralisado com a perfomance de Stevie e anteviu lucros se atraísse o texano. Dito e feito: o guitarrista participou do álbum de Bowie “Let’s Dance”, de 1983, e da turnê do disco no mesmo ano. A experiência desagradou a Stevie, mas foi fundamental para abrir as portas do estrelato.
    Os principais destaques do CD 1 são “Pride and Joy”, “Texas Flood” e “Love Struck Baby”.
    Já o segundo CD mostra Stevie Ray Vaughan e a Double Trouble (agora acrescida do tecladista Reese Wynans) sendo tratados como astros de primeira ordem, tocando no palco principal com uma platéia imensa que ali estava para vê-los. E o show foi fantástico (com três músicas registradas no álbum “Live Alive”, de 1986). Em sua plena forma e endiabrado, o guitarrista arrasa em “Voodoo Child”, de Hendrix, “Life Without You”, “Ain’t Gone N’ Give Up on Love”, “Texas Flood” e a magnífica “Tin Pan Alley”, que teve a participação do ótimo Johnny Copeland, guitarrista norte-americano.
    Esse é um registro essencial para quem quer entender a evolução do blues nos ano 80. Agora é torcer para que o irmão Jimmie Vaughan não raspe o tacho e passe a colocar coisas indevidas de Stevie no mercado.

    "Blow Up" vale pelos Yardbirds


    Boa música não tem hora. Na madrugada de 28 de dezembro a TV Bandeirantes exibiu "Blow Up", filme cult de o italiano MIchelangelo Antonioni realizou em Londres em 1966 (com boas atuações de David Hemmings e Vanessa Redgrave). Esse filme é considerado como um dos cults mais importantes da história do cinema. Pessoalmente não acho nada de mágico nesse filme. Ele é bem chato, como todo filme cabeçudo europeu (só faltou Godard para dar palpites).
    Entretanto, o filme é histórico por um motivo muito simples: é o único registro em imagem de uma apresentação do grupo de rock Yardbirds tendo em sua formação os guitarristas Jimmy Page e Jeff Beck. No filme o protagonista, David Hemmings, que interpreta um fotógrafo de moda, aparece em uma cena procurando a musa da foro onde ele teria flagrado um assassinato em um show de rock.
    A cena foi gravada no lendário Marquee e a banda que toca é o Yardbirds. Em um dado momento, a guitarra e o amplificados de Beck começa a dar problema. Depois de vários chutes no amplificados, Beck, irado, destrói a sua guitarra e joga os pedaços para a platéia, até então comportada. Imediatamente um tumulto é iniciado, todos querendo um pedaço da guitarra, que acaba nas mão do fotógrafo, que foge do local.
    A cena estava inicialmente reservada para o Who, já que Pete Townshend era mestre em quebrar os instrumentos em cena, mas dois fatos conspiraram contra a banda: a agenda do grupo estava carregada em 1966 e não havia tempo disponível para as filmagens; além disso, assessores de Antonioni o convenceram de que, como a destruição da guitarra era uma marca de Townshend, a presença do Who filme não seria "natural".
    O fato é que é delicioso ver os Yardbirds tocando "Stroll On" (uma variação de "Train Kept a Rollin'") tendo Beck e Page nas guitarras. É a única imagem existente dos dois dividindo o palco na banda.
    Para quem não sabe, rapidamente: Eric Clapton, cansado do comercialismo dos Yardbirds, sai da banda em 1965. O grupo rapidamente convida Jimmy Page para o lugar, que na época era importante músico de estúdio.
    Page recusa por três motivos: ganhava mais no estúdio, era muito amigo de Clapton e tinha saúde debilitada para enfrentar turnês. Acaba indicando um amigo de escola, Jeff Beck, que fica com o posto e se torna o guitarrista da época de maior sucesso do grupo.
    No ano seguinte. Page se enche de ficar enfurnado no estúdio e começa a procurar uma banda para tocar. Coincidentemente, Paul Samwell-Smith, baixista dos Yardbirds, briga com a banda e é demitido. Page se oferece para o lugar e fica com o emprego de baixista. Dois meses depois, ele troca de instrumento com o então guitarra-base Chris Dreja, formando uma dupla incendiária de guitarras com Beck.
    Mas a alegria durou pouco. Beck era muito estrelinha e estava de saco cheio da banda e do fato de ter um guitarrista do mesmo nível para dividir as atenções com ele (mesmo que esse guitarrista fosse o muito amigo Page). Pouco mais de três meses depois da troca entre Dreja e Page, Jeff Beck anuncia sua saída do grupo para formar o Jeff Beck Group, com Rod Stewart e Ron Wood, no final de 1966. Assim sendo, existem pouquíssimas gravações onde os dois guitarristas participam e apenas uma imagem desse encontro histórico.
    Rodox


    Da série para rir: Rodolfo, ex-vocalista dos Raimundos e agora em carreira solo, mudou de nome artístico. Agora é Rodox e já gravou o seu primeiro CD solo, prestes a ser lançado. Ainda não foi divulgado se será um CD cim músicas "gospel"...

    quarta-feira, dezembro 19, 2001

    Racista é condenado no STJ


    Até que enfim o STJ deu uma dentro. Condenou o editor gaúcho Siegfried Ellwanger Castan por racismo devido à publicação de livros e artigos anti-semitas. Leia aqui . Esse safado merece muito mais, com certeza. Ele é um revisionista, corrente de "historiadores" que contestam a ocorrência das atrocidades cometidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Esses seres, por exemplo, dizem que os massacres contra judeus e outros povos nunca existiu, são fruto da "propaganda judaico-norte-americana" Para eles, os campos de concentração são "ficção", "invenção" e "mentiras puras". É para rir...
    Felipão zomba de nós


    A mediocridade da seleção de Felipão recebe uma dura crítica do colunista político Villas-Boas Correa, que escreve no No. Com o título "Não Zombe de Nós, Felipão", ele arrasa a tática e o modo de jogar do técnico gaúcho. Resume muito bem o meu pensamento a respeito...

    terça-feira, dezembro 18, 2001

    Hastings - Por uma Segunda Chance - Capítulo 4





    Foram duas horas de procura em Warthingham. Gandalf ficara na retaguarda para se proteger e preparar um possível contra-ataque ou algum tipo de defesa. Só que meu medo revelou-se verdadeiro. Ele não estava na aldeia, que parecia ter sido evacuada às pressas. Exatamente o contrário das minhas ordens e das do rei Haroldo. Aquele batalhão de guerreiros ligados a Sinfeld... eram eles os responsáveis. Sequestraram Gandalf e provavelmente saquearam os nossos suprimentos.
    Numa das poucas cabanas que restaram de pé havia fumaça. Entrei com cuidado. Era o fim de uma fogueira que destruía diversos objetos. Em um canto achei uma espada de má qualidade e um escudo retorcido. Por hora serviriam.
    Na cabana de Gandalf nada havia. Tudo destruído. Do lado de fora, mais temor. O colar de pedras de Stonehenge de nosso líder estava perto de um arbusto, como se tivesse sido arrancado. As marcas no solo denunciam algum tipo de movimentação, prtovavelmente luta. Não havia sangue, mas Gandalf não poderia resistir muito tempo, já que tinha mais de 70 anos.
    Sem comida, com armas ruins e sem cavalo. Só me restava caminhar até Londres depois da feroz batalha de Hastings. Era o que me restava diante da derrota. Já começo a admitir que seria interessante encontrar uma coluna de normandos pelo caminho e lutar até a morte. Eu me recuso a ver o fim do reino, não poderia suportar a entrada triunfante de William em Londres. Pior, não suportaria as boas vindas que o Conselho lhe daria, com certeza.
    Ainda havia uma chance: eu tinha de chegar até Cundrum para alcançar os lanceiros de Sussex, que ficaram encarregados de criar uma segunda linha de defesa no caminho para Londres. Talvez fosse possível construir algum tipo de resistência, já que muito provavelmente a notícia da derrota já corria pelo reino. O problema: resistência sem Gandalf... impossível de se imaginar. Eu preciso encontrá-lo, mas é vital que eu chegue a Cundrum.
    +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
    Foram dois dias de caminhada até que eu pusesse um alimento em meu estômago. Parei à beira de um riacho, com uma queda d'água para tentar descansar. Acabei desmaiando e acordei horas depois. Aquele me parecia o rio Rostil. Se eu seguisse para o norte, beirado o rio, talvez contornasse a planície de Murdon e chegasse a Cundrum mais rápido, ao anoitecer do dia seguinte.
    Saí ileso da batalha, mas meu cansaço era enorme. Caminhei com muita dificuldade por uma espécie de trilha natural na beira do rio. Ultrapassei algumas elevações e alguns montes pedregosos. O que deveria durar mais um dia de viagem durou dois.
    Cundrum também estava deserta. O acampamento dos lanceiros estava vazio, com as tendas abandonadas e alguns sinaisn de lta. Esranhamente, não havia cadáveres. Ou tinham sido recolhidos, ou queimados. Entretanto, eram poucos os pedaços de espada, lança e escudo. Se houve luta, ela foi bastante rápida. Vasculhando o campo, não havia vestígio de sangue. Não posso crer que os lanceiros tenham nos traído.
    Os rastros dos cavalos em debandada apontavam para a face norte de Cundrum, na estrada que levava a Wickermouth. Eu teria de caminhar novamente e por muito tempo. NUnca pensei que isso aconteceria comigo, mas comecei a achar que era hora de desistir.
    Porque odeio São Caetano


    Fez sucesso na revista Placar de duas semanas atrás um texto de um fotógrafo a respeito da badalação em torno do time do São Caetano. O texto era intitulado "São Caetano é um saco!". Apesar dos argumentos frágeis, o texto ganhou a admiração de muita gente. Para quem vive no ABC, a questão é um pouco mais profunda. Quem mora na cidade adora-a, que não mora lá a detesta.
    Quanto ao time de futebol da cidade não há o que reclamar. Está jogando um futebol melhor do que o da maioria dos grandes times do país, o que não quer dizer que seja bom. Não é.
    É um timinho, com jogadores fracassados e encostados por outros times. São bem treinados, é verdade, mas nada de espetacular. No entanto, a badalação se justifica, o time fez a melhor campanha e merece estar na final do Campeonato Brasileiro, apesar do farto subvencionamento com dinheiro público, já que o prefeito Luiz Olinto Tortorello (PTB) fundou a equipe em 1989 (ela é quase sua propriedade).
    Eu odeio São Caetano porque o provincianismo atinge níveis estratosféricos lá. A cidade apresenta índices sociais elogiáveis, tem uma população rica e endinheirada, só que isso nunca se reverteu em educação. A grande maioria dos sãocaetanenses é mal-educada, ignorante e preconceituosa, além de extremamente brega (ok, essa eu até relevo, pois é uma questão de gosto).
    A maioria dos sãocaetanenses é grosseira, não respeita os forasteiros e age como se fosse o povo mais civilizado do mundo, ignorando os demais. São Caetano não passa de um subúrbio paulistano que sobrevive graças à fábrica da General Motors. Sem a fábrica a cidade jamais existiria.
    Todos os jornalistas que passaram pelas extintas Folha ABCD (caderno reginal da Folha de S. Paulo que durou de 1990 a 1995) e sucursais do Estadão e do Diário Popular no ABC reclamaram da atenção dispensada pelas autoridades e empresários da cidade. Eles nunca se deram ao trabalho de retornar ligações e pedidos de entrevistas (isso ocorreu diversas, embora em menor número, com jornalistas do próprio Diário do Grande ABC). O desprezo à informação para outros veículos era ultrajante. Prefeitos ignoravam a imprensa, a mesma coisa ocorria com vereadores (exceto os do PT, que adoram aparecer).
    Políticamente, é uma cidade retrógrada e reacionária, dominada por uma elite ultraconservadora ligada ao PTB, elite essa que domina o município há elo menos 20 anos. A administração pública de São Caetano é um acinte: vive alardeando que é a cidade mais rica do Brasil e que o dinheiro sobra.
    Pois bem, os prefeitos que por lá passam preferem investir em esporte contratando os atletas mais importantes do país, mas não é capaz de manter um serviço público decente de saúde na cidade. Ruas inteiras permanecem na escuridão ou com iluminação pública deficiente, vários bairros sofrem ano após ano com enchentes devastadoras. A cidade não tem favelas? Não, mas tem os cortiços, que continuam sendo o maior problema social.
    Por fim, a juventude endinheirada e sem limites. Retrógrados, conservadores e totalmente alienados, desprezam tudo o que passa dos limites da cidade e agem com se São Caetano fosse o centro do mundo. Pior, agem como se a cidade fosse deles: não respeitam leis de trânsito, dirigem de forma perigosa pela cidade e perturbam qualquer pessoa nas ruas por qualquer motivo. Isso acontece em outras cidades do Estado? Acontece, e bastante, mas não no nível preocupante com que os incidentes, brigas e outros delitos ocorrem entre os jovens sãocaetanenses. Para estes não há limites, a impunidade é total.
    Ainda bem que não moro em São Caetano.

    domingo, dezembro 16, 2001

    Morre Chuck Shuldiner, do Death




    Mais uma baixa no rock. Chuck Shuldiner, o grande guitarrista das bandas Death e Control Denied (a primeira de death metal e a segunda de thrash metal), morreu no dia 13 de dezembro na Flórida aos 33 anos. Ele estava com câncer no cérebro, diagnosticado em 1999 e chegou a apresentar alguma melhora neste ano. Shuldiner foi um dos maiores divulgadores do metal extremo nos Estados Unidos na década de 90 e era muito respeitado no meio musical daquele país. R.I.P., man...
    P.S.: George Harrison, John Lee Hooker, Chuck Shuldiner, André Boragina (Fates Prophecy), Donald (Gritando HC)... que 2001 passe logo...

    quarta-feira, dezembro 12, 2001

    Hastings - Por uma Segunda Chance - Capítulo 3




    Esse era o clima que Cedric encontrou para defender a batalha contra os noruegueses. Ele afirmava que era impossível manter duas frentes de batalha ao mesmo tempo, já que era dada como certa a ação militar de William contra as ilhas britânicas. Sveyn tinha de ser impedido ainda antes de desembarcar.
    Para Sinfeld, não importava se as informações de iminente invasão escandinava fossem verdadeiras ou falsas. O que importava naquele momento era fazer oposição, qualquer oposição, para marcar a posição de seu grupo no Conselho contra a crescente ascensão do "conselho saxão informal", liderado por Gandalf e Cedric, que estava influindo demais nos negócios do reino.
    A questão política acabou com todas as reservas morais que ele pudesse ter. Sinfeld sempre esteve perto poder e gostava demais daquilo. Quando ficou sabendo das primeiras conversas de conselheiros sob sua influência a respeito de alguma possibilidade de simpatia a William explodiu em ira e fúria, falando inclusive em traição.
    Com o tempo, o apetite pelo poder e o seu aguçado institinto de autopreservação falaram mais alto, e passou a adotar uma visão mais pragmática. Ele não tinha simpatia com William e pelos normandos, na verdade ele tinha é pavor deles, com uma possível mudança total de status quo em um futuro reino normando.
    Entretanto, o ódio ao "conselho saxão informal" transformou sua visão política e passou a incentivar as conversas a respeito de um eventual apoio a um hipotético governo normando. Esse "incentivo" passou a ser um estímulo e acabou dando seu aval para que se elaborasse um discurso e uma proposta para ser apresentada secretamente a William.
    Mas os argumentos de Cedric foram mais fortes e Haroldo, depois de três horas de reflexão depois de uma reunião extaordinária do Conselho, decidiu pela batalha contra Sveyn, o norueguês, já que confiava demais em Cedric, um erudito e letrado nobre de origem celta e anglo-saxônica. Além do mais, tremia só de pensar na hipótese de perder a Mércia para os invasores escandinavos. Isso cortaria a comunicação com os recentes aliados escotos e escoceses, ao norte, e dividiria a ilha britânica ao meio.
    Haroldo decidiu liderar pessoalmente a expedição ao norte da ilha, apesar de delegar o comando das tropas a Cedric. Este espalhou informantes e soldados por toda a costa norte e conseguiu saber de antemão onde os noruegueses desembarcariam. E o local não poderia ser melhor: o estuário de Stamford Bridge.
    Os invasores foram atacados e surpreendidos no meio do desembarque. A batalha durou mais de seis horas e mais da metade dos noruegueses foi morta. O restante conseguiu voltar aos barcos que não foram incendiados e fugiram. Sveyn foi dado como desaparecido, já que seu corpo não foi achado e ele não retornou à Noruega.
    Aliviados, apesar das pesadas baixas, os homens de Haroldo comemoraram muito em dois dias. No entanto, ainda no primeiro dia do longo retorno ao sul, o exército foi alcançado por um mensageiro. William estava iniciando os preparativos para sua campanha militar.
    Cedric gelou. Não haveria tempo suficiente para chegar a Londres e organizar uma defesa decente, que incluía o recrutamento de novos soldados. Pior, não haveria tempo de surpreender o invasor na praia, como ocorreu contra os noruegueses. A carta confidencial que Gandalf lhe enviara era apocalíptica: se não voltassem em duas semanas, o reino deixaria de existir em breve.

    terça-feira, dezembro 11, 2001

    Hastings - Por uma Segunda Chance - Capítulo 2




    Cedric havia sido fundamental para a vitória do rei Haroldo contra o exército do norueguês Sveyn em Stamford Bridge, no norte da ilha. Informantes davam conta de que a armada escandinava era composta por 20 galeras, com cerca de mil soldados. A tentativa do invasor era conquistar uma longa faixa litgorânea das ilhas britânicas e ralizar os costumeiros saques.
    Dois anos anos antes Cedric esteve na região com sua brigada de elite e viu o que os dinamarqueses do rei Knut haviam feito: crianças e mulheres assassinadas, aldeias saqueadas e destruição total de toda e qualquer plantação. ele chegara atrasado a Kalstar e não conseguiu nem sequer vestígios dos invasores. Ele jurou que se vingaria dos escandinavos.
    A chance surgira no final de agosto, com a informação de chegada de Sveyn. O norueguês, que já havia destruído portos e aldeias na região dos escotos, ao norte da antiga Caledônia, vinha agora não apenas para saquear, mas para conquistar e forçar o rei Haroldo a negociar o pagamento de vultoso resgate para devolução das terras.
    Os informantes de Cedric estavam na corte do rei dinamarquês Knut, antigo aliado de Sveyn. Quando os noruegueses zarparam do fiorde de Ostlund, um grande contingente de homens já os esperavam na região de Newcastle. Mesmo assim, o surpreendido Sveyn vendeu caro a derrota no estuário de Stamford Bridge e ainda conseguiu escapar com boa parte de sua frota intacta.
    Mesmo com todas as informações à disposição, Cedric, um dos comandantes mais respeitados de Haroldo, teve de lutar contra todos os seus inimigos dentro do Conselho dos Nobres para convencê-los da necessidade de evitar a invasão ao norte.
    Os boatos de uma possível invasão de William da Normandia cresciam assustadoramente e o Conselho temia desguarnecer Londres e a Mércia. Pior, influenciados por Sinfeld, notório inimigo de Cedric, colocavam em dúvida as informações coletadas na Dinamarca. Na verdade, era mais uma briga nos bastidores para minar as forças de Cedric.
    William, o duque da Normandia, reivindicava a coroa dos reinos unidos britânicos de Essex, Mércia e Northumbria após a morte de Edward Confessor em 1066. Segundo William, a coroa lhe havia sido prometida por Edward seis anos antes, já que esse não tinha herdeiros. Como parente da mulher de Edward, William considerava-se o legítimo aspirante ao trono. No entanto, as tradições anglo-saxônicas nem sempre reconheciam os direitos de nascimento para a entrega da coroa. Um grupo de nobres não reconheceu o acordo entre Edward e William de Normandia e apoiaram imediatamente Haroldo, filho do nobre Godwin, como chefe supremo.
    Com isso, o Conselho dos Nobres se dividiu, mas acabou apoiando a posse do novo rei, mesmo sabendo que a guerra contra os normandos de William seria inevitável. Haroldo Godwinson era um bom soldado, mas completamente inexperiente em política. O resultado é que muita gente começou a lutar arduamente nos bastidores de Londres para influenciar o novo governo. Consequentemente, houve vários rachas dentro do Conselho, que se dividiram em diversos grupos que se engalfinhavam na disputa pelo poder.
    Haroldo rangia os dentes para essa movimentação e fingia manter-se alheio a essa briga de foice no escuro. Apesar da inexperiência, percebeu logo que não podia confiar no Conselho, onde as alianças eram frágeis e sempre movidas a interesses particulares. Resumindo, percebeu que não estava governando um país, mas sim um grupo torpe de nobres dispostos a conseguir cada vez mais poder, independente do ocupante do trono.
    Assim sendo, cercou-se dos mais diletos e leais companheiros de luta nos tempos em que repeliam invasores em Essex. Era um grupo que o acompanhava havia muito tempo, muitos deles serviram seu pai. Esse grupo era execrado pelo Conselho, que o considerava um poder paralelo dentro do reino. Haroldo sempre pendia para o "seu conselho" e ignorava sempre que podia os norbres.
    Ao mesmo tempo que os isolava na tentativa de neutralizar sua influência, Haroldo provocava a ira deles e lentamente os empurrava para uma oposição ferrenha, que fatalmente levaria a uma traição. Aos poucos, alguns membros começaram a trabalhar com a hipótese de uma possível composição com normandos, caso esses viessem realmente a conquistar a Inglaterra. Esse sentimento lentamente evoluiu para a conspiração pura e simples. Com o ódio crescente ao grupo saxão leal a Haroldo, membros mais radicais do Conselho consideravam abertamente entre seus grupos o apoio à retirada de Haroldo do trono em favor de William da Normandia. E isso significou o envio secreto de emissários à corte de William para iniciar as negociações.
    Hastings - Por uma Segunda Chance - Capítulo 1





    Consegui correr para a floresta quando a avalanche de normandos destruiu o nosso fanco esquerdo. A minha preocupação era com a brigada que tentava proteger o rei Haroldo, mas ela havia desaparecido. Em meio a toda a gritaria, pude escutar Mordred gritar paa que eu caísse para a esquerda, por trás do pequeno cume que se elevava bem no meio do campo de batalha. Lutando contra dois adversários e ferido no ombro esquerdo, Mordred procurava deter a penetração dos lanceiros.
    A mim restava apenas seguir a ordem dele para tentar reorganizar as nossas defesas, mas foi impossível. Nem me dei conta de que havia matado três normandos quando tentava alcançar o meio do campo, à procura do rei.
    Agora eu fazia parte do bando de soldados em frangalhos que tentava se refugiar no bosque de Dartmoor. Muitos de nós foram perseguidos como cães e assassinados sem piedade pelos mercenários sanguinários de William.
    Ao longe, podia ouvir o clamor da corneta de Gandalf insistindo no avanço contra a bem postada infantaria dos normandos. POuco tempo depois veio o esperado toque de retirada. Na verdade, fuga, pois não havia mais o que fazer, não havia mais o que esperar daquele bando desorganizados de soldados derrotados naquele morticínio em que se transformou a planície de Hastings.
    Meu coração estava dlacerado pela culpa. Mal consegui contornar o cume e os adversários caíram como águias sobre mim. Fui empurrado para perto do pântano acossado por uma coluna de normandos. Um a um meus companheiros de brigada caíam mortos, ora atingidos pelas flechas certeiras dos arqueiros, ora com as gargantas cortadas pelas pesadas espadas.
    Cristand salvou minha vida ao saltar por cima de uma vegetação e empurrar dois inimigos prestes a cravar suas espadas em minhas costas, enquanto eu tentava golpear dois cavaleiros com meu machado. Mal tive tempo de me virar para ajudá-lo e ele estava caído, com um sabre enfiado no estômago, mas segurando firmemente a cabeça de um dos agressores. Um leve sorriso permanecia em seu rosto sem vida. O outro que atentava contra mim jazia com a cabeça enterrada em uma poça de água barrenta do pântano. O corpulento merciano Cristand salvara minha vida e nem ao menos pude olhá-lo nos olhos para agradecer.
    Com a mesma rapidez que me virei para socorrer Cristand desviei-me de uma bola de aço lançada contra mim por dos cavaleiros, mas fui atingido por uma flecha no braço direito. Orin e Surgrath conseguiram bons resultados ao derrubar cavaleiros na entrada do bosque, mas foram abatidos logo em seguida por flechas. Toda a nossa linha de defesa fora quebrada e colunas de cavaleiros e lanceiros estavam prestes a nos cercar. Era o fim. Só me restava agora ir para a floresta.
    E ali eu estava agora, atrás de uma pedra, escutando ao longe a selvageria da batalha que chegava ao fim. Exausto, Mondragon caiu ao meu lado, ao deslizar ferido por uma ribanceira. Já não tinha uma parte do rosto, arrancada por uma machadada.
    - Acabou, meu amigo, acabou. Haroldo está morto.
    - Como assim? Onde ele tombou?
    - Na charneca perto da trilha de Ingram. Os lanceiros que o protegiam foram esmagados por uma das colunas que rompeu nossa linha à direita. Não tiveram chance.
    Deixe-o recostado a uma relva e consegui atingir uma das árvores do lado norte da floresta. Mesmo ferido no braço, consegui subir e tentar vislumbrar algo do campo de batalha, a esta altura muito longe, lá embaixo na planície. O movimento estava cessando. Na parte alta da charneca, vi o que parecia ser simplesmente um massacre, com uma série de execuções sumárias.
    Por mais que eu resistisse, não pude conter algumas poucas lágrimas. Nosso reino estava destruído por usurpadores. Anos de luta para consolidar a unificaão dos reinos de Mércia, Wessex e Northumbria destruídos por um exército de mercenários.
    Quando voltei para ajudar Mondragon, algum tempo depois, apenas encontrei seu corpo sem a cabeça. Minha espada e meu machado haviam sumido. Eu só tinha agora uma saída: alcançar a aldeia de Warthingam antes dos normandos.
    Poço sem fundo


    O futebol de hoje mudou muito. Primeiro um jogador badalado na imprensa chora ao receber uma falta durante um jogo decisivo de Campeonato Brasileiro (Kaká, do São Paulo, contra o Atlético Paranaense). Depois, parte da torcida do São Caetano decide ir para casa no intervalo do jogo por causa da forte chuva no jogo semifinal contra o Atlético Mineiro no ridículo estádio Anacleto Campanella. Torcida que vai embora por causa da chuva... Esse é o retrato do futebol brasileiro em 2001, que "merece" a final de Campeonato Brasileiro que vai ter... Uma lástima.

    segunda-feira, dezembro 03, 2001

    Primeiro álbum do Who em estéreo




    Boa notícia para quem gosta de rock de verdade e boa música em geral. A MCA, que detém os direitos de várias das músicas do Who, pretende colocar no mercado até o ano que vem as faixas remixadas em estéreo do primeiro álbum da banda inglesa, "My Generation", de 1965.
    Em 1994, os produtores do "Thirty Years Of Maximum R&B", caixa com CDs contendo faixas raras e versões ao vivo de músicas da banda, incluíram músicas como o hino "My Generation", em sua versão mono, ao contrário das registradas anteriormente, quando a banda ainda se chamava The High Numbers, que além de vir em estéreo possuíam uma qualidade bem superior.
    Esse fato ococorreu pela resistência do produtor norte-americano Shel Talmy, detentor das masters originais, em cedê-las para serem remixadas; inclusive Talmy, que produziu o The Who em 1965, tentaria posteriormente negociar estas fitas no Ebay (site de leilões virtuais), porém a preços abusivos, e acabou não encontrando comprador para as mesmas.
    Finalmente, Talmy chegou a um acordo com a gravadora MCA, cujos valores não foram revelados, e todas as faixas que estão em seu poder serão finalmente remixadas em estéreo e relançadas numa edição especial do álbum "The Who Sings My Generation", que será editado até a metade do ano de 2002, e posteriormente também sairão em outros projetos, ainda não divulgados.
    O produtor está em poder das masters originais e outtakes de estúdio das seguintes canções: "My Generation," "I Can't Explain", "The Kids Are Alright" "Anyhow, Anyway, Anywhere", "Anytime You Want Me", "Bald Headed Woman", "Circles", "Daddy Rolling Stone", "Heat Wave", "I Don't Mind", "I'm a Man", "Instant Party Mixture", "It's Not True", "Leaving Here", "La-La-Lies", "A Legal Matter", "Lubie", "Motor-vating", "Much Too Much", "Please Please Please", "Shout and Shimmy", "The Good's Gone", "The Ox" e "You're Going To Know Me".