quarta-feira, novembro 21, 2001

Mais dois CDs ao vivo de Pete Townshend



O mito Pete Townshend, guitarrista e figura máxima do Who, iniciará no dia 23 de novembro através de seu site oficial a venda de dois CDs ao vivo, registrados em duas apresentações predominantemente acústicas ocorridas no La Jolla Playhouse de San Diego nos dias 22 e 23 de junho passados, e que conterão as seguintes músicas:

22/06/2001: (aprox.89 minutos)

CD 1: Pinball Wizard/ Let My Love Open The Door/ Heart To Hang Onto Cut My Hair/ Slit Skirts/ Drowned/ Greyhound Girl/ Tattoo/ The Sea e Refuses No River.

CD 2: St James Infirmary/ Eminence Front/ Won’t Get Fooled Again/ Behind Blue Eyes e Won’t Get Fooled Again (versão 'elétrica')

23/06/2001: (aprox.98 minutos)

CD1: Pinball Wizard/ Let My Love Open The Door/ Heart To Hang Onto Cut My Hair/ Slit Skirts/ Drowned/ Greyhound Girl/ Tattoo/ Collings e Eminence Front.

CD2: Sheraton Gibson/ Won’t Get Fooled Again/ I’m One/ Behind Blue Eyes/ Driftin’ Blues/ Eyesight To The Blind e Won’t Get Fooled Again (versão 'elétrica').

Com isso, o velho guitarrista de 56 anos incrementa o esquema que implantou há dois anos de venda de material exclusivo apenas por seu site. Além dos dois trabalhos ao vivo acima mencionados, o site já tem disponíveis outros três CDs duplos com shows gravados entre 1996 e 2000.
São os seguintes trabalhos ainda disponíveis no site:

Live at Fillmore East, 1996 (semi-acústico), coma s seguintes músicas: Let My Love Open The Door, English Boy, Drowned, The Shout, I Put A Spell On You, Cut My Hair, Sheraton Gibson, I'm One, Heart To Hang Onto, O'Parvardigar, A Legal Matter, A Friend Is A Friend, I Am An Animal, All Shall Be Well, Slit Skirts, Eyesight To The Blind, Driftin' Blues, Now And Then, Rough Boys, I'm A Boy, Magic Bus.

Live on the Shepherd's Bush, London, 1998: On The Road Again, A Little Is Enough, Pinball Wizard, Drowned, Anyway Anyhow Anywhere, You Better You Bet, Behind Blue Eyes, Baby Don't You Do It, English Boy, Three Steps To Heaven, Mary Anne With The Shaky Hand, Sheraton Gibson, Substitute, I Am An Animal, North Country Girl, (She's A) Sensation, A Friend Is A Friend, Now And Then, Let My Love Open The Door, Who Are You, The Kids Are Alright, Acid Queen, Won't Get Fooled Again, Magic Bus, I'm One.

Live at the Sadler's Wells, London, 2000 (The Lifehouse Show): One Note, Purcell, Teenage Wasteland, Time Is Passing, Love Ain't For Keeping, Goin' Mobile, Greyhound Girl, Tragedy, Mary, I Don't Even Know Myself, Bargain, Gettin' In Tune, Pure And Easy, Baba O'Riley (orchestral), Baba O'Riley, Hinterland Rag, Behind Blue Eyes, Let's See Action, Sister Disco, Relay, Who Are You, Join Together, Won't Get Fooled Again, Tragedy Explained, The Song Is Over, Can You Help The One You Really Love?

Todo esse material está disponível ao preço de 15 libras cada CD duplo (cerca de R$ 40,00). Lamentavelmente, essa prática só reforça o comodismo de Townshend, reconhecidamente um dos maiores compositores pop de todos os tempos. Ele agora se contenta em gravar shows solo ou caça-níqueis do Who para editar e gannhar uma graninha, passando longe da gravação de material novo e inédito.
O último CD com material original e inédito de Townshend foi "Psychoderelict", de 1993. O último CD do Who com músicas originais foi "It's Hard", de 1982 (a banda gravou duas músicas inéditas em 1989 para o CD "The Iron Man", de Pete Townshend, em 1989). Até quando isso continuará?

segunda-feira, novembro 19, 2001

O crime da apresentadora Soninha


Um assunto que vai render muito debate e muita polêmica, envolvendo a descriminação da maconha e a liberdade de expressão. A capa da revista Época desta semana traz quatro personalidades públicas com o título "Eu fumo maconha", entre aspas. Em razão disso, a TV Cultura decidiu rescindir o contrato de Sonia Francine, a Soninha, apresentadora do programa para adolescentes "RG" e ex-MTV. Ela aparece como a principal personalidade a ser entrevistada pela revista. Leia aqui as justificativas da TV Cultura, em matéria da Folha Online.
A questão é complexa. Em última análise, a TV Cultura está correta ao despedir Soninha. A apresentadora aparece na capa de uma revista nacional afirmando que pratica um ato ilegal, um ato criminoso, que é usar drogas. Pior, Soninha apresenta um programa para adolescentes. Ou seja, uma infratora da lei fala a adolescentes, podendo se transformar "numa má influência".
Que a apresentadora foi totalmente inconsequente e infeliz ao aparecer como principal personagem de uma reportagem como essa está fora de questão. Por mais que os padrões atuais de moralidade e mesmo de legalidade sejam mais tolerantes em relação á maxonha, ainda é crime o seu porte e a sua venda, bem como o seu uso.
O que se coloca aqui é o seguinte: a TV Cultura foi truculenta e retrógrada ao despedir Soninha? A apresentadora teve o seu direito de expressão cerceado ao ser punida por suas declarações à revista Época?
Na primeira questão, embora reconhecendo o direito da emissora de demitir uma pessoa "que assume cometer violações da lei", a truculência da medida chocou. Na segunda questão, Soninha teve sim a liberdade de expressão cassada, já que hoje há um debate amplo e público sobre a questão da descriminação da maconha. No entanto, parece que ela não atentou para as consequências de seu "crime".
Se a Gazeta Mercantil é assim, imagine o país


Uma das maiores contradições do capitalismo brasileiro está terminando de se materializar atualmente, mostrando ainda como é regra neste infeliz país o desrespeito às leis e aos trabalhadores. O "maior e mais respeitado jornal de economia da América Latina", a Gazeta Mercantil, demitiu mais de 500 pessoas nas últimas duas semanas (há cerca de 15 anos está mal das pernas) e simplesmente informou aos demitidos que não vai pagar indenização e verbas rescisórias; que os demitidos recorram a Justiça se quiserem receber seus direitos.
Ou seja, como acreditar em um jornal especializado em economia e que se arroga o direito de ser uma das balizas do pensamento econômico do país se a empresa a qual o edita é administrada como um botequim de fim de feira? Como acreditar em um jornal que se diz a maior influência enconômica do mercado financeiro e do meio empresarial sendo que a empresa que o edita desrespeita de forma vil e nojenta as leis trabalhistas? E tudo isso com a anuência da Justiça em todas as suas instâncias...
Os empresários brasileiros são os piores que podem existir, apoiados por um governo cretino, elitista e claramente neoliberal ao extremo. O meio empresarial brasileiro é nojento, assim como a Justiça em todas as suas instâncias, principalmente a trabalhista, coalhada de ratos vigaristas e trambiqueiros. Gente como Almir Pazzianotto, ministro do TST, que é um dos seres mais desprezíveis da face da terra.

sexta-feira, novembro 16, 2001

Crise injustificada na imprensa brasileira


A imprensa brasileira está sendo dizimada por cortes absurdos em quase todas as redações do país. É uma prática comum de jornais, rádios e TVs fazerem demissões às vésperas do dissídio coletivo dos jornalistas (1º dezembro, com proibição de dispensas antes após 1º de novembro. São os chamados "ajustes" para equilíbrio de contas, mas são ajustes burros, pois as contratações sempre são retomadas a partir de março.
Já houve situações muito complicadas no mercado jornalístico, como os cortes que ocorreram logo após o anúncio do PLano Collor, em 1990 (confisco da poupança) e 1992 (crise séria no mercado publicitário). Mas nada que se compare com os cortes violentos de 2001. Antes o máximo que as redações cortavam era 20 jornalistas. Agora o número médio passa de 50.
A Gazeta Mercantil demitiu quase 300 de seus 760 jornalistas em todo o país, com o fechamento de cadernos e jornais locais (tudo bem, é uma empresa pré-falimentar, mas mesmo assim foi um exagero); Estadão cortou 40 jornalistas, Folha/UOL cortaram outros 25, JB e Globo extinguiram suas sucursais paulistas, vários jornais de Belo Horizonte cortaram 10% de suas folhas de pagamento, a Abril cortou 15% (sendo que já havia feito outro corte de 10% em junho). Isso sem falar na falência quase total da Inernet no Brasil no final de 2000 e primeiro semestre de 2001.
É muita coisa e não se justifica, o mercado não está ruim dessa maneira. As empresas alegam retração do mercado publicitário, crise argentina, alta do dólar, crise causada pelo terrorismo e várias outras coisas para fazerem esses cortes drásticos. Mesmo com tudo isso a crise não é tão feia assim que justificasse o envio de mais de 500 jornalistas em todo o país para rua.
As empresas de comunicação desse país são dirigidas, em sua grande maioria, por incompetentes e safados, que não estão preocupados com a qualidade de seus produtos. Se os cortes são necessários, que se enxugue em outras áreas primeiramente. Demitir os responsáveis diretos pelos principais produtos das empresas é uma burrice gigantesca.
Homenagem a John Lee Hooker


Um tributo fantástico está sendo gravado nos Estados Unidos em homenagem a John Lee Hooker, um dos cinco mais importantes artistas de blues do mundo. O bluesman norte-americano morreu no começo deste ano aos 82 anos de idade, mas estava em plena atividade.
O tributo, com título de "The Greatest Blues Man Of All Time", contará com Gary Moore, Jack Bruce, Mick Taylor, Peter Green e membros do Little Feat, Canned Heat e LLC. Duas músicas já foram gravadas: "I'm In The Mood" e "It Serves Me Right To Suffer", com Gary Moore nas guitarras e vocais, Jack Bruce no baixo e vocais e Gary Husband na bateria.
Jogadores argentinos nojentos


Nojeira nas eliminatórias da Copa 2002 na América do Sul. A Reuters colheu depoimentos após o jogo Uruguai 1 x 1 Argentina de jogadores argentinos afirmando que resolveram "aliviar" no segundo tempo para "facilitar" a vida do Uruguai. A alegação? "Coisas estranhas estavam acontecendo nas eliminatórias", afirmou o péssimo goleiro Burgos, endossado pela anta chamada Sorín, lateral-esquerdo. Eles se referiam à "estranha" derrota do Paraguai por 4 a 0 ante a Colômbia em Assunção. Verón, o craque do time, disse que a Argentina parou de atacar deliberadamente no segundo tempo. Lamentável sob todos os aspectos.

quarta-feira, novembro 14, 2001

Algumas noções de economia

E-mail interessante que está circulando pela Internet (cortesia do brother Maurício Gaia):


Feudalismo - Voce tem duas vacas. Seu senhor pega parte do leite para ele. S

Socialismo - Voce tem duas Vacas. O governo as tira de voce e as coloca
num curral, juntamente com as vacas de todo mundo. Voce tem que cuidar de
todas as vacas. O governo lhe da um copo de leite.

Comunismo Russo - Voce tem duas vacas. Voce tem que cuidar delas, mas o
governo fica com o leite todo. Voce rouba o maximo possivel do leite e o
vende no mercado negro.

Comunismo Cambojano - Voce tem duas vacas. O governo pega as duas e fuzila
voce, acusando-o de ser um capitalista criminoso centralizador dos
recursos de producao da Nacao e fomentando a fome de seu Povo.

Ditadura Iraquiana - Voce tem duas vacas e e fuzilado por suspeita de
serem instrumento do imperialismo americano com o objetivo unico de contaminar todos os rebanhos do pais.

Democracia Representativa Britanica - As duas vacas estao loucas, mas a familia real mantem as aparencias perante a imprensa.

Capitalismo Norte Americano - Voce tem duas vacas. Voce vende uma delas e
compra um touro, que usa para inseminar a outra vaca e tambem as demais
vacas do pedaco (cobrando pela cobertura, naturalmente). Depois, comeca a
exportar esperma bovino para mercados emergentes. Apos varios anos de
expansao, sua empresa lanca uma oferta publica inicial para ser
apresentada na Bolsa de Valores de Nova York. A Comissao de Valores Mobiliarios abre
um processo contra voce e sua mulher por negociacao com informações privilegiadas.
Depois de uma longa e cara briga nos tribunais, voce e considerado culpado
e condenado a 10 anos de prisao, dos quais acaba cumprindo sete semanas.
Quando sai da cadeia, voce compra duas galinhas. Ai voce vende uma delas,
compra um galo.

Capitalismo de Hong Kong - Voce tem duas vacas. Voce vende tres delas a
sua empresa de capital aberto, usando cartas de credito abertas pelo banco de
seu cunhado, depois executa um swap de divida por credito com uma oferta
global associada, de modo a receber todas as suas vacas de volta, com
reducao de impostos por manter cinco vacas. Os direitos ao leite de seis
vacas sao transferidos, via uma holding panamenha, a uma empresa com sede
nas Ilhas Cayman, de propriedade secreta do acionista majoritario, que
revende os direitos do leite de todas as sete vacas a empresa de capital
aberto, enquanto adia o pagamento do produto da venda. O relatorio anual
diz que a empresa possui oito vacas, com opcao para aquisicao de mais uma.
Enquanto isso, voce vende suas duas vacas para uma nova seita recem
fundada na Índia por seu cunhado, ao preco unitario de US$ 1 milhao por
tratarem-se de animais sagrados realizadores do milagre da multiplicacao.

Capitalismo Maicrosoftiano ( Mercado de "Livre Concorrencia") - Voce tem
duas Vacas. Seu vizinho - Biu Gueites - faz uma oferta para comprar as
duas de Voce, que nao tem interesse no negocio. Apos meses de tentativas
infrutiferas, o Sr. Biu Gueites compra duas cabras e inicia uma campanha
de marketing na Regiao demonstrando as vantagens do leite de cabra em relacao
ao de vaca. Apos algum tempo, os consumidores acostumam-se com o leite de
cabra - vendido diretamente pelo Sr. Biu Gueites - e passam a exigir tal
produto nos pontos de vendas tradicionais. Um reduzido grupo de nao
consumidores de leite de cabra, apos varios desarranjos intestinais ao
experimentarem o novo padrao em leite nao se convence com os argumentos do
produtor, "que o problema nao esta no leite de cabra e sim na configuracao
do seu aparelho digestivo, recomendando fazer um "upigreide" de seu figado
para uma versao peintiummmm 32 bitis". Mas felizmente sao uma minoria.
Pressionados pelos consumidores locais, os laticinios aceitam os termos do
acordo para compra de leite de cabra do Sr. Biu Gueites: nao deverao mais
comprar mais leite de vaca. Apos alguns poucos anos, a empresa do Sr. Biu
passa a trabalhar secretamente com vacas anas, convencendo o publico que
trata-se de uma nova linhagem de cabras, denominadas WinCabras95. Parte
dos consumidores - que ainda recordavam do paladar do leite de vaca - acham o
gosto do leite destas "novas cabras" muito parecido com o de vaca, mas
certamente deverao estar equivocados. O resto da historia talvez voce ja
conheca.

>>Democracia Burocratica Brasileira - Voce tem duas vacas. Primeiro, o
governo federal traca normas para determinar como voce vai poder
alimenta-las e quando vai poder tirar leite delas. Depois, ele lhe paga
para nao tirar leite delas em determinadas epocas do ano, sob o argumento
do controle de precos (pois leite com excesso de oferta fara cair o preco
no mercado interno e externo, podendo oscilar perigosamente a balanca de
pagamentos). Nos demais meses que lhe e permitida a ordenha, o Congresso
institui o IOL - Imposto sobre a Ordenha do Leite - que abocanha 24,3% do
valor da Venda sobre um faturamento medio projetado - mesmo que Voce nao
consiga vender o leite, pois a base tributaria incide sobre uma estimativa
de produtividade. O governo estadual, sabendo da existencia das duas
vacas,
institui o ICVDL - Imposto de Circulacao de Vacas e Derivados de Leite -
com a aliquota de 27,8% calculados sobre o valor de aquisicao venal das
vacas e/ou sobre o preco minimo venal estipulado para o leite e derivados
naquela Regiao. Logicamente que, tendo sido vendido o leite a preco
superior ao preco venal fixado, a base de calculo sera a maior das duas.
Entrementes, o governo municipal, sabendo da existencia de um "boom"
bovino na cidade, institui o IPTURAVDB - Imposto Predial Territorial Urbano e
Rural sobre Abrigos de Vacas e demais Bovinos - calculados a base de
318,9876435 UFMs por metro quadrado da propriedade. Lei Municipal
Complementar, proibe a criacao de Vacas e Demais Bovinos em outros tipos
de propriedades moveis ou imoveis nao abrangidas pelo IPTURAVDB. Apos poucos
meses, um acordo entre os governos municipais e estaduais com a bencao do
governo federal, e instituido o rodizio de vacas e demais bovinos nas ruas
de cada cidade, com o nobre proposito de reduzir a poluicao estercal das
ruas. O desrespeito implicara na multa de US$ 100,00 por vaca por dia de
autuacao. Voce, Cidadao, esmagado pela carga tributaria, doa uma vaca para
uma instituicao de caridade e abate a segunda, oferecendo um churrasco
para amigos e vizinhos. Ao receber no exercicio seguinte - todos os carnes dos
impostos federal, estadual e municipal incidentes sobre as duas vacas,
alega que ja nao as possui mais ha meses. Mas como os computadores do
SERPRO nao foram atualizados voce tem que recolher todos estes impostos -
ou deposita-los em juizo - ate provar que nao e mais proprietario das
bovinas. Diante da sua insistencia em "sonegar" os impostos, estranhamente voce e
denunciado a receita federal, que o convoca a apresentar as declaracoes de
imposto de renda dos ultimos cinco exercicios. Como voce nao declarou nem
as vacas compradas nem a origem do capital utilizado para esta aquisicao,
voce torna-se devedor do fisco. Ao chegar em casa, vindo da delegacia da
receita federal, dois fiscais da vigilancia sanitaria estao te aguardando
com uma intimacao para depor no abate nao autorizado de animais para
consumo alimentar.
DVD tenta ressuscitar o Genesis


O quase extinto Genesis aposta no passado para faturar ainda uns trocados. No dia 26 de novembro, a banda, agora reduzida a Mike Rutherford (guitarra e baixo) e Tony Banks (teclados), lançará o DVD duplo "The Way We Walk Live". A gravação foi feita num show do grupo realizado em 1992, no Earl's Court, em Londres, quando ainda contava com Phil Collins.
Alista das músicas: Land of Confusion/ No Son Of Mine/ Driving The Last Spike/ Old Medley (Dance On A Volcano, The Lamb Lies Down On Broadway, The Musical Box, Firth Of Fifth, I Know What I Like, That's All, Illegal Alien, Follow You, Follow Me)/ Fading Lights/ Jesus He Knows Me/ Dreaming While You Sleep/ Home By The Sea/ Hold On My Heart/ Domino (The Domino Principle, In The Glow Of The Night, The Last Domino)/ The Drum Thing/ I Can't Dance/ Tonight, Tonight, Tonight/ Invisible Touch e Turn It On Again.
O vocalista Ray Wilson, substituto de Collins a partir de 1996 e que gravou o fraquíssimo "Calling All Stations" em 1997, ainda não definiu a sua continuidade no grupo. Por isso, são fortes os boatos na Inglaterra de que Phil Collins poderia retornar ao grupo. Todos os envolvidos mantêm silêncio a respeito disso.
Rush prepara novo lançamento para março




O fantástico trio canadense Rush volta à ativa em março de 2002 com o lançamento de novo CD e uma nova turnê pela América do Norte. O CD ainda não tem nome, mas deverá ser mais pesado e menos experimental que "Test for Echo" (1997). Para aqueles que ainda não adquiriram, corram até a Galeria do Rock, em São Paulo, para comprar as poucas cópias de "Different Stages" (1999), o último lançamento do rush, um CD triplo ao vivo. É possível encontrar cópias importadas por R$ 55,00 e cópias usadas por R$ 40,00.
Blaze toca no Brasil em janeiro


Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden, prepara sua primeira turnê pelo Brasil para o mês de janeiro. ele tocará em São Paulo no dia 26 de janeiro, ainda sem local definido. Um dia antes ele toca em Curitiba. Ele aproveita para lançar a versão brasileira de "Silicon Messiah", seu primeiro CD solo (muito bom por sinal).

segunda-feira, novembro 12, 2001

Venezuela não é páreo


Na boa, pessoal. Qualquer resultado que não for uma vitória por mais de três gols contra a Venezuela é inadmissível. A Venezuela não existe. E tem gente ainda duvidando da classificação para a Copa do Mundo. Se houver empate, aí a coisa vai ser pesadíssima mesmo...
Sagrado Coração da Terra em inglês




A idéia de escrever sobre o Sagrado Coração da Terra, banda mineira que é a melhor do rock progressivo brasileiro em toda a sua história, nasceu de dois fatos sem a menor ligação entre si. No domingo, dia 11 de novembro, encontrei o velho amigo Maurício Gaia, a figura por trás do ótimo Mauricéia Desvairada em uma festa e fui obrigado a ouvir reclamações dele sobre os meus textos sobre o rock progressivo, que ele "quase odeia". O segundo fato foi a audição propriamente dita de "Sacred Heart of Earth", o primeiro trabalho do grupo totalmente voltado para o mercado internacional, com músicas cantadas em inglês.
Esse trabalho, o sexto na discografia da banda, é na verdade uma compilação das melhores músicas dos cinco CDs anteriores, só que remasterizadas e com letras vertidas para o inglês - os vocais dessas músicas foram regravados, assim como alguns alguns arranjos. O CD apresenta ainda duas músicas inéditas, gravadas pela atual formação do grupo. Há ainda entre as 14 músicas algumas mantidas com a gravação original (gravadas em inglês à época).
O líder do grupo, o violinista e publicitário Marcus Vianna, considera "Sacred Heart of Earth" uma coletânea com letras vertidas para imglês para satisfazer o público internacional, já que o Sagrado é famoso e muito cultuado na Europa, sobretudo na Inglaterra, França e Alemanha.
Eu discordo. Esse trabalho é importante e merece figurar como "disco oficial" por ser o primeiro voltado para o mercado internacional e por conter elementos inéditos, como novos arranjos para músicas antigas e por conter material inédito nunca antes lançado.
"Sacred Heart of Earth" é ótimo e tem tudo para emplacar no exterior. A qualidade da produção é surpreendente, já que a tradição brasileira no rock progressivo é pequena. As músicas antigas ganharam mais fôlego e o inglês mostrou-se o idioma adequado para o tipo de som feito pelo grupo. Isso sem falar na qualidade musical em si, já músicos de primeiríssimo time participaram das várias formações do Sagrado, como o guitarrista Augusto Rennó e o vocalista Bauxita (mais conhecido pelo seu trabalho ligado ao blues).
Em linhas gerais, esse trabalho do Sagrado reúne as principais influências de Vianna: Genesis e Yes. Em menor escala, temos ecos de King Crimson, Emerson Lake and Palmer, Jethro Tull e até o experimental Gentle Giant. O violino de Marcus Vianna é a peça condutora das inúmeras suítes, e às vezes acaba por soterrar as guitarras, que aparecem pouco nesse trabalho. Além de Vianna, outros 36 músicos e cantores passaram pela banda em 22 anos de carreira.
O Sagrado Coração da Terra foi criado em 1979 pelo multiinstrumentista Marcus Vianna após a frustrada tentativa de se fazer rock progressivo experimental no Brasil com a banda mineira Saeculum Seculorum (criada em 1976 e abortada menos de dois anos depois; em 1998 Vianna reuniu gravações antigas e demos para lançar o CD "Saeculum Seculorum", em homenagem à banda).
Escaldado nas dificuldades de se fazer rock no Brasil, e principalmente rock progressivo, Marcus Vianna transformou o Sagrado Coração da Terra em um projeto particular, mas ele insiste que é uma banda. Ele toma conta de tudo, compõe todas músicas, quase todas as letras e faz questão de ser o produtor, cuidando de cada detalhe. Para isso, criou em 1980 o estúdio Sonhos e Sons em Belo Horizonte. Como a vida de músico não dava dinheiro, virou publicitário e especialista na crianção de jingles. Essa virou sua ocupação principal, enquanto que o Sagrado virou quase como um hobby.
Quase, porque algumas cópias dos trabalhos do grupo chegaram ao exterior, agradando em cheio os amantes do estilo. É citado em centenas de enciclopédias de rock progressivo como uma das principais bandas de rock progressivo das Américas e tem o mesmo prestígio de ícones como Solaris (Hungria), Premiata Fornieri Marconi (Itália), Pendragon e Camel (Inglaterra), entre outros.
Por causa disso, Vianna nunca pôde deixar o Sagrado dormindo por muito tempo. Tempo, aliás, que não lhe sobra mais desde que o sucesso na propaganda o empurrou para a composição de trilhas sonoras para novelas e filmes. Em 1992, assinou as várias trilhas sonoras de "Pantanal", da rede Manchete, fazendo desde a música incidental até composições gravadas por nomes importantes da MPB gravarem especialmente para a novela.
O sucesso foi tão grande que o músico acabou deixando os jingles por conta de sua equipe e mergulhou de cabeça nas trilhas para novelas. Isso aconteceu por dois motivos: a sua tendência para ser um workaholic e a uma certa "pressão" da Rede Globo, que o contratou impressionada pelos resultados de "Pantanal".
Os resultados: as elogiadíssimas trilhas sonoras de novelas como "Terra Nostra" e as minisséries "Chiquinha Gonzaga" e "Aquarela do Brasil", além das músicas da nova novela da Globo, "O Clone".

Jagger ressurge com novo CD



Está sendo aguardado com destaque exagerado o novo álbum solo de Mick Jagger, o quarto de sua carreira. "Visions of Paradise" é a primeira música do CD "Goddess in the Doorway" a chegar às rádios e sites especializados, uma balada romântica com um pouco de modernidade.
O líder dos Stones apostou um pouco na fórmula seguida por Santana no clássico álbum "Supernatural", quando contou com convidados ilustres em cada uma das faixas. Jagger usa como chamariz medalhões da atualidade como Bono (U2), Lenny Kravitz e Wyclef Jean, mas realmente quem segura mesmo o CD são os veteranos amigos Pete Townshend (The Who), Joe Perry (Aerosmith) e Matt Clifford (tecladista que acompanha os Rolling Stones), que tocam nas melhores faixas.
O último CD de Jagger, "Wandering Spirit", de 1993, até que não decepcionou, apesar de ser muito parecido com o que os Stones estavam fazendo na época. No novo álbum ele promete se distanciar um pouco de sua banda, mas sem mergulhar fundo nas "modernidades" eletrônicas.

domingo, novembro 11, 2001

Mais uma para rir com a extrema (ultra)-direita


Da série de sites humorísticos, temos um que provoca espamos e lágrimas de tanto riso. É o site da Editora Revisão, capitaneada pelo engenheiro gaúcho Siegfried Ellwanger, também conhecido como S.E. Castan. Pelo nome, é possível se supor que ele seja descendente direto de alemães, o que ele realmente é.
Ellwanger deixou um pouco de lado a profissão original para fundar a Revisão, destinada a divulgar livros trabalhos de autores revisionistas e negacionistas, principalmente a respeito da 2.a Guerra Mundial (é o caso dele próprio).
Revisionistas e negacionistas foram termos que começaram a ser empregados para definir historiadores europeus e norte-americanos que negavam, relativizavam ou amenizavam as atrocidades cometidas pelos nazistas na guerra de 1939-1945. Alguns autores, como Ellwanger, chegam ao disparate e ao cúmulo de questionar até mesmo a existência do holocausto judeu, com a morte de 6 milhões de pessoas na Europa nazista. Chegam a dizer que todas as informações a respeito são falsas ou exageradas, fruto da propaganda norte-americana e sionista. Uma autêntica piada.
Há também revisionistas e negacionistas na Rússia atual, saudosos dos tempos da extinta União Soviética, que negam ou amenizam os crimes de Stálin e Lenin.
No entanto, os termos geralmente são aplicados, em sua imensa maioria, a autores e historiadores de extrema-direita e ultra-direita, com ligações ou simpatias a correntes-grupos-tendências nazistas e racistas. É o caso de Ellwanger, que é o mais conhecido (talvez o único) revisionista brasileiro.
O site de sua editora divulga os livros que ele escreve e publica alguns artigos publicados em micropublicações gaúchas. Não passa de uma excrescência da sociedade brasileira, um fascista perturbado perdido em seus delírios, digno de fazer companhia a outro nojento chamado Irton Marx, aquele que um dia pensou em lutar pela independência do Rio Grande do Sul (!!!!!!!!!!).
Os artigos são risíveis e hilários, com argumentação pífia, mas é bem menos extremista do que realmente são os pensamentos de Ellwanger. Mas isso tem motivo: a editora e seu proprietário foram acossados algumas vezes por processos pesados em que eram acusados de racismo e de difusão de idéias nazistas.

sexta-feira, novembro 09, 2001

Novo lançamento do Violeta de Outono




Boa notícia também para o rock progressivo brasileiro. Chega às lojas brasileiras o CD "The Early Years", o mais recente lançamento da banda paulistana Violeta de Outono, uma das mais importantes do Brasil. Liderada pelo guitarrista e vocalista Fábio Golfetti, a banda esteve fora de circulação entre 1989 e 1995 devido ao que os músicos do trio chamaram de "incompreensão" do mercado. Traduzindo: estavam pagando para gravar e lançar seus álbuns e não estavam tendo retorno.
"The Early Years" foi gravado em 1988 mas nunca foi lançado. É o registro definitivo das influências que marcaram o desenvolvimento da banda, incluindo quatro covers clássicos do psicodelismo além de uma faixa gravada ao vivo. As músicas são Citadel (Rolling Stones), Interstellar Overdrive (Pink Floyd), Blues For Findlay (Gong), Within You Without You (Beatles) e um medley com Echoes (Pink Floyd) e No Quarter (Led Zeppelin). O trabalho mostra o trio no auge da forma, mostrando que, tecnicamente, era o "Rush" brasileiro.
Yes e Transatlantic mantêm o progressivo em alta




Reforçando ainda mais a tese de que o rock progressivo volta a ganhar espaço dentro do cenário musical, dois lançamentos recentes merecem a atenção de quem prima pelo bom gosto. O primeiro lançamento é um dos mais importantes dentro do rock progressivo dos últimos anos: "Magnification", do Yes, que já está nas lojas do Japão e chega à Europa e Estados Unidos em dezembro.
Esse CD é histórico por um motivo muito simples: pela primeira vez em seus 33 anos de história a banda grava um álbum sem tecladista. Os teclados foram simplesmente substituídos por uma orquestra inglesa completa. O resultado é magnífico, já que havia pelo menos 15 anos (desde o fraco "Big Generator", de 1986), que a banda não compunha músicas de qualidade. Os dinossauros ingleses ressurgem em novo formato e com formação diferente, um quarteto: Jon Anderson (vocais), Chris Squire (baixo e vocais), ambos fundadores do grupo, Alan White (bateria) e Steve Howe (guitarra).
De acordo com uma recente entrevista de Jon Anderson a uma revista inglesa na semana retrasada, o grupo vinha tendo problemas com tecladistas desde 1996, quando Rick Wakeman participou de uma turnê norte-americana e gravou na Inglaterra as músicas de estúdio incluídas nos dois volumes de "Keys to Ascension" (CDs duplos gravados ao vivo nos Estados Unidos mas que continham faixas inéditas gravadas pouco depois da turnê de 1996; foram lançados em 1997 e 1998).
Wakeman estava afastado da banda desde 1991, quando gravou o álbum "Union". Após a turnê de 1996, ele decidiu abandonar as longas turnês por absoluto cansaço e falta de estímulo para tal. De acordo com o mesmo Anderson, "Rick estava de saco cheio de ficar viajanado pelo mundo. O negócio dele agora é fazer shows de vez em quando e compor trilhas para cinema".
Para gravar os teclados de "Open Your Eyes", de 1997, tinha o produtor e guitarrista Billy Sherwood fazendo os teclados. Para a turnê de divulgação do CD, que passou pelo Brasil, Sherwood atuou apenas como segundo guitarrista, deixando os teclados para o pouco carismático russo Igor Khoroshev. Efetivado como músico permanente, atuou no fraco "The Ladder", de 1999, mas já não constava da formação oficial no final de 2000.
De qualquer forma, pela primeira vez a banda grava em quarteto e sem teclados Merece ser conferido sem preconceitos.
Outra pérola progressiva é "Bridge Across the River", terceiro trabalho do Transatlantic. A banda é na verdade é um projeto envolvendo gente da pesada do rock progressivo: Neal Morse (vocais, guitarra e teclados, da banda norte-america Spock's Beard), Pete Trewavas (baixista do Marillion), Mike Portnoy (baterista do Dream Theater) e Roine Stolt (guitarrista do Flower Kings).
Recriando o melhor espírito de bandas como Emerson, Lake and Palmer, Yes e King Crimson, as composições do Transatlantic são complexas e quilométricas, mas prevalecem o bom gosto e a qualidade técnica fantástica dos integrantes. O CD foi lançado em duas versões, uma simples e outra em versão dupla, com um CD bônus trazendo ensaios, demos e covers para músicas do Pink Floyd e dos Beatles.

quarta-feira, novembro 07, 2001

Lançamento imperdível do Iced Earth


A gravadora Century Media da Alemanha está preparando um lançamento especial para os fãs do ICED EARTH. Trata-se de um box-set chamado "Dark Genesis", que vai conter 5 CDs; entre eles os 3 primeiros álbuns da banda (Iced Earth, Night Of The Stormrider e Burnt Offerings), remixados e remasterizados, a demo "Enter The Realm" (gravação que levou a banda a assinar o contrato com a Century Media) e um CD batizado de "Tribute To The Gods", contendo covers para bandas que influenciaram os integrantes do Iced Earth. A caixa, que contém ainda um livreto com 32 páginas, estará à venda a partir de dezembro. O CD "Tribute To The Gods" começará a ser vendido separadamente no primeiro semestre de 2002.
Confira o track list dos dois CDs inéditos da caixa:
Enter The Realm: Enter The Realm/ Colors/ Nightmares/ Curse The Sky/ Solitude e Iced Earth.
Tribute To The Gods: Creatures Of The Night (KISS)/ Number Of The Beast (Iron Maiden)/ Highway To Hell (AC/DC)/ Burnin' For You (Blue Oyster Cult), God Of Thunder (KISS)/ Screaming For Vengeance (Judas Priest)/ Dead Babies (Alice Cooper)/ Cities On Flame (Blue Öyster Cult), Long Way To The Top (AC/DC)/ Black Sabbath (Black Sabbath) e Hallowed Be Thy Name (Iron Maiden).
George Harrison volta ao hospital

O ex-Beatle George Harrison foi internado em estado grave na clínica universitária de Staten Island, em Nova York. Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, informações fornecidas pelo hospital atestam que o tratamento ao qual Harrison está sendo submetido faz parte de um último esforço para mantê-lo vivo. O músico, de 58 anos, convive há três com câncer na laringe, nos pulmões e no cérebro.
Segundo o jornal londrino, Harrison teria sido registrado na clínica com o nome de George Arrias (sobrenome de solteiro de sua mulher, Olivia), e está sendo submetido a uma forte bateria de radioterapia, coordenada pelo diretor de radioterapia oncológica do hospital, Gil Lederman. Esse tratamento, como apontou o Telegraph, só é sugerido aos pacientes em estágio avançado.

terça-feira, novembro 06, 2001

Bizarras campanhas contra Congonhas


Outra coisa bizarra são os inúmeros pedidos de mudança do tráfego aéreo de Congonhas e até mesmo o fechamento do aeroporto. Até a Câmara Municipal entrou na história, instigada por associações de moradores dos bairros de Campo Belo, Moema, Jabaquara e outros. O aeroporto é parte importante do motor da economia de São Paulo e do Brasil. Ele é indispensável para o bom funcionamento econômico e cotidiano da cidade. Essa gente que reclama do barulho, entre outras coisas, chegou aos bairros dos arredores depois da construção do aeroporto. Portanto, não tem direito de reclamar. Estão com problemas? Com medo? Mudem-se.
Julgamento bizarro


O caso do assassinato do índio Pataxó Galdino dos Santos é bizarro por si só. Filhinhos de papai atearam fogo ao índio como se queima lixo e ainda choram no julgamento, dizendo que não tinham intenção de matar. Qualquer pena menor do que 20 anos é um acinte à sociedade. Esses vagabundos merecem ser condenados por homicídio triplamente qualificado.
A dispensável vinda de Cat Power


Cat Power é um dos nomes mais incensados do cenário musical independente universitário norte-americano. Chan Marshall é o seu verdadeiro nome e aposta numa vertente à la Joan Baez: seus shows são semi-acusticos, apenas voz e, guitarra e violão. Nada de novo, nem tão pouco surpreendente, apesar de ter toda a sua discografia editada redentemente no Brasil pela Trama. Nada contra a onda retrô, mesmo que o formato e os temas abordados pela menina - ela tem 25 anos e aposta no bichogrilismo hippie e nas lamúrias feministas - estejam pelo menos 30 anos atrasados. O problema da garota é que a música dela é ruim. Melhor ouvir as divas Baez, Patti Smith e Carole King, que são bem melhores.

segunda-feira, novembro 05, 2001

Deep Purple reaparece com outro CD ao vivo



O bom e velho Deep Purple está colocando no mercado mais uma pérola, apesar do excesso de lançamentos dos
últimos anos. E mais uma vez é um álbum duplo. "Live a the Amsterdam Ahoy, October 2000" é a gravação de uma apresentação baseada no álbum "Concert for Group and Orchestra", de 1969, e que foi regravado em 1999 no Royal Albert Hall de Londres, gerando um CD duplo com convidados.
O novo CD, gravado na Holanda, apresenta poucas diferenças do CD gravado em Londres. A primeira parte é a execução da peça orquestral composta pelo tecladista Jon Lord. A segunda parte mostra músicas da carreira solo de cada um dos integrantes e a participação de convidados como Ronnie James Dio e Miller Anderson. As diferenças ficam por conta da execução de músicas do Deep Purple como "Black Night", "Fools" e "Highway Star", que não estavam presentes no CD anterior.
De acordo com Lord, a decisão de gravar o show de Amsterdam deveu-se à opinião geral da banda de que aquela foi a melhor de toda a turnê 2000/2001 (que passou pelo Brasil em setembro do ano passado, com participação da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo).
O lançamento do novo CD, porém, vem cercado de polêmica quanto à permanência do tecladista na banda. Jon Lord, fundador da banda ao lado do baterista Ian Paice, decidiu realizar uma cirurgia no joelho esquerdo durante a turnê européia marcada para este segundo semestre.
De acordo com fontes ligadas à produção do Deep Purple, Paice, o baixista Roger Glover e o vocalista Ian Gillan não gostaram do fato, pois acreditavam que Lord devia ter marcado a cirurgia antes do início da turnê. Caso isso tivesse acontecido, é possível até que os novos shows nem fossem marcados. Eles até desconfiam que o tecladista resolveu marcar a cirurgia para o meio de turnê de forma deliberada.
Com isso, Don Airey, amigo de longa data e que já tocou com muitas bandas importantes do rock, como o Rainbow e na banda de Ozzy Osbourne, foi chamado às pressaas para cobrir a ausência "forçada" de Lord e entre os roadies (equipe de apoio) já é dada como certa a efetivação do músico-tampão no lugar do veterano e fundador do Deep Purple.

Show fantástico das Vozes do Rock Clássico



Teve muita nostalgia e muita coisa brega, mas o show Voices of Classic Rock, nos dias 3 e 4 de novembro, valeu e muito a pena para quem se dispôs a deixar o feriadão de lado. Músicas que marcaram época e perfomances excelentes de músicos veteranos mostraram que a qualidade independe da idade. Pena mesmo o pouco público para prestigiar gente de talento como Glenn Hughes, Joe Lynn Turner, Jimi Jamison )ex-Survivor) e outras feras.
Apesar dos esforços dos demais músicos, o show foi dominado por Hughes e Turner, com suas interpretações de clássicos do Deep Purple, onde ambos já tocaram. Destaques para "Hush", "Highway Star" (um dueto de arrepiar entre os dois), "Smoke on the Water", "Burn" e a grande supresa da noite, uma versão fantástica de "Mistreated" na voz privilegiada de Hughes. Turner ainda nos brindou com uma interpretação bastante interessante de "Stone Cold", do Rainbow. Veja mais sobre o Voices of Classic Rock aqui.

Mais de Stevie Ray Vaughan


O baú de despojos de Stevie Ray Vaughan, o maravilhosos bluesman texano morto em 1990, não tem fundo. Neste mês chega ao mercado "Live At Montreaux 1982 & 1985", CD duplo que traz duas apresentações do guitarrista no famoso festival suíço. Ese lançamento é simplesmente fantástico, pois registra perfomances de Vaughan no começo do auge de sua carreira. Resta saber até quando vão brotar do baú coisas de qualidade. Eis o tracklist completo: CD 1: Hide Away/ Rude Mood/ Pride And Joy/ Texas Flood/ Love Struck Baby/ Dirty Pool/ Give Me Back My Wig e Collins' Shuffle. CD 2: Scuttle Buttin/ Say What! / Ain't Gone N' Give Up On Love / Pride And Joy / Mary Had A Little Lamb / These Blues Is Killing Me/ Tin Pan Alley (conhecida como Roughest Place In Town) / Voodoo Chile (Slight Return)/ Texas Flood / Life Without You/ Gone Home e Couldn't Stand The Weather.

Dead Kennedys no Brasil


O ícone punk Dead Kennedys toca no Brasil entre 2 e 4 de dezembro. Na verdade é uma grande picaretagem, já que o líder Jello Biafra não faz mais parte da banda. Ou seja, a banda não existe, pois Biafra era praticamente toda a banda. Criado na Califórnia em 1978, a banda acabou em 1986 após quatro álbuns fantásticos e hinos como "California Uber Alles" e "Holiday in Cambodja".
Artista multmídia, Biafra é cantor, poeta, escritor, político e dono da gravadora Alternative Tentacles, sua ocupação principal.Todos os direitos do Dead Kennedys e seus discos eram da Alternative Tentacles e os antigos membros da banda descobriram em 1997 que Biafra não estava pagando-lhes os direitos autorais. Entraram na Justiça e ganharam não só a indenização da gravadora como dos direitos sobre a banda. O resultado é que resolveram reconstruir o Dead Kennedys ao final de 1999 sem Biafra. Ou seja, sem Biafra não existe Dead Kennedys.

sábado, novembro 03, 2001

Como destruir um país


Uma aula de como destruir um país. Assim vai ficar na história a série interminável de pacotes e trapalhadas que os governos argentinos estão praticando desde a década 90. Toda a empáfia e a arrogância dos vizinhos estã afundando junto com a economia. Aquela velha anedota de que os argentinos não passam de "italianos que falam espanhol e pensam que são ingleses ou suíços" já perdeu a graça. Mais adequado seria afirmar, na atual pindaíba, que hoje o argentino se sente como um "boliviano que pensa que é nivaraguense ou hondurenho".
O novo pacote editado em 1. de novembro só reforça essa agonia. Diminuir os prêmios para a reestruturação de uma dívida de US$ 132 bilhões é o mesmo que dizer ao mercado que nãovai pagar os compromissos da dívida em futuro próximo. Calote, não há outra palavra.
Tanto lá como aqui, pensa-se que o fim da inflação foi também o fim da penúria e da falta de dinheiro. O fim da inflação foi apenas um pré-requisito para colocar o país nos eixos. Essa frase é muito óbvia para uma criança, mas não parece aos olhos dos sucessivos governos e ministros da Economia da Argentina e do Brasil. Reformas? Para quê? Está bem assim sem inflação. Assim garantiremos nossos cargos, nossos salários, nossas comissões e nossas reeleições.
A Argentina foi destruída por uma elite burguesa burra, sem caráter e espoliadora. Essa elite se acomodou na prosperidade do fim dos século 19 e do crescimento dos 30 primeiros anos do século passado. Toda a base industrial estabelecida até meados dos anos 50 passou a servir aos interesses políticos de gente desclassificada como Perón e sua quadrilha, que inauguraram uma era de pilhagem sobre a economia nacional. Getúlio Vargas, que fazia parte da mesma escória, pelo menos estabeleceu uma política de base industrial que possibilitou a megalomania de Juscelino e dos governos militares. Os peronistas, ao contrário, se locupletaram à base do então moderno e poderoso parque industrial argentino e nunca se preocuparam com o progresso. Progresso para a elite burguesa argentina, somente de suas contas bancárias.
O país vizinho está à beira da bancarrota pela enésima vez. Para brasileiros acostumados com as favelas de nossas grandes cidades, abarrotadas de nordestinos em sua maioria, e de pele escura, é um choque observar as favelas de Buenos Aires coalhadas de garotinhos e garotinhas de pele e olhos claros É, de certa forma, ultrajante verificar que um economista com mestrado ganha a vida nas ruas do elegante bairro de Palermo engraxando sapatos nos cafés.
A Argentina foi destruída aos poucos, entre 1950 e 1982, ano da Guerra das Malvinas. Esse evento histórico foi a gota d'água que jogou o vizinho no inferno. Sem base industrial confiável, sem reservas cambiais suficientes e com equipamentos obsoletos, o governo militar argentino perdeu em dois meses de conflito o pouco que o país conseguiu economizar nos 12 anos anteriores.
Alfonsín e sua UCR só fizeram agravar a situação, com uma política suicida de subsídios fartos a uma indústria em frangalhos, apesar de fortemente protegida. Os juros foram parar em Marte para tentar conter a hiperinflação, as exportações caíam ano a ano e o funcionalismo público foi sendo gradativamente arrochado. Como resgatar um país de um buraco desses?
Para completar, um falastrão messiânico do porte de Ménem cai no conto da paridade fixa do peso com o dólar elaborado pelo equino Cavallo. A estratégia de transformar a paridade em lei, para evitar que a inflação voltasse ao sabor do mercado do dólar, serviu para dar um pouco de ordem à economia. No entanto, o que deveria ser o primeiro passo de uma série de importantes e profundas medidas moralizadoras e modernizadoras acabou se transformando na base de um modelo econômico frágil e manco. Achavam que a paridade peso-dólar era a solução de todos os problemas.
Com isso, a elite burguesa burra da Argentina sentiu-se segura para manter o status quo e continuar o butim nas contas do Estado. Reformas? Para quê? Mantemos nossos privilégios e assunto encerrado. O mundo vai melhorar...
Bastou o Mercosul engrenar e os produtos brasileiros invadirem o vizinho para que todo o atraso e a obsolescência da infra-estrutura argentina ficassem evidentes. As dificuldades aumentaram, as exportações ficaram mais caras e a competitividade desabou. Sem o truque mágico da desvalorização do peso, proibido por lei, a economia do vizinho foi sendo asfixiada aos poucos. A arrecadação despencou e as reservas também. A solução? Cortar salário de funcionários públicos. É o fundo do poço.
A conclusão: nenhum dos exemplos da destruição da Argentina parece estar sendo assimilado no Brasil. O governo FHC não está comprometido com o futuro nem com a modernidade, está comprometido em manter o poder e os privilégios da atual elite nacional. O destino da Argentina é o nosso destino.

quinta-feira, novembro 01, 2001



A volta das óperas-rock e álbuns conceituais




Houve um tempo em que álbuns conceituais e óperas-rock eram considerados o que havia de mais criativo dentro da música pop. Seus autores eram incensados como gênios e eram comparados aos grandes mestres da música universal. Isso ocorreu no final dos anos 60 e perdurou até por volta de 1975, com ênfase aos artistas ligados ao rock progressivo.
Com a chegada do punk rock e a explosão da música disco e do funk negro norte-americano, já nos estertores da década de 70, álbuns conceituais e óperas-rock foram banidos do dicionário musical acusados de prepotência, arrogância e auto-indulgência, que muitos afirmavam nada terem a ver com a essência do rock.
Pois a onda retrô que assolou o final dos anos 90, com o retorno de vários “dinossauros” à ativa, acabou também trazendo de volta a curiosidade em relação às grandes obras dos anos 70. O resultado é que os álbuns conceituais voltaram à moda assim como as óperas-rock.
Grupos de heavy metal progressivo como Dream Theater e Virgin Steele, entre muitos outros, pegaram carona nessa onda influenciados por obras-primas do Rush e do Iron Maiden e produziram algumas das obras conceituais dentro do rock pesado mais elogiadas da atualidade. E muita gente foi atrás, sob as bênçãos de Yes, Emerson Lake and Palmer, King Crimson, Jethro Tull...
No caso das óperas-rock, nunca se viu tantas obras do gênero serem editadas como nesse início de milênio. Dentro do rock pesado, quatro merecem destaque.
“Nostradamus” é um CD duplo composto pelo guitarrista e maestro búlgaro Nikolo Kotzev, que vive há anos na Finlândia.
Líder do grupo Brazen Abbott, Kotzev compôs uma “sinfonia” baseada na vida e na obra do famoso “profeta” francês que viveu nos séculos 16 e 17. Ele fez a música e os arranjos e cada um dos seus convidados vocalistas, interpretando um personagem, fez a letra que cantou. Um trabalho que consumiu três anos e que reuniu músicos de alta qualidade, como Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath), Joe Lynn Turner (ex-Deep Purple e Rainbow), Doogie White (ex-Rainbow), Jorn Lande, Allanah Myles e Sass Jordan.
“Leonardo” é o mais novo produto da gravadora Magna Carta e foi composto pelo guitarrista Trent Gardner, líder do Magellan. Baseada na vida de Leonardo da Vinci, tem como astro principal o maravilhoso vocalista canadense James LaBrie, do Dream Theater.
“Avantasia” é um superprojeto totalmente heavy metal liderado pelo vocalista alemão Tobias Sammet, líder da banda Edguy. Composto por vários personagens, narra uma história fantástica de lutas entre o bem e o mal em uma terra fictícia povoada por gnomos, elfos e entidades semelhantes. Sammet nunca escondeu sua admiração pela obra “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien. Como convidados aparecem músicos importantes como Michael Kiske (ex-Helloween), André Matos (ex-Angra e atual Shaman), Kai Hansen (Gamma Ray) e David DeFeis (Virgin Steele), entre outros.
Da Holanda vem o projeto Ayreon, liderado pelo guitarrista Arjen Lucassen. Os últimos três trabalhos do Ayreon, “Into the Castle”, “The Flight of Migrator” e “The Dream Sequencer”, contam a história de uma civilização à beira da extinção em um planeta distante que luta contra vários inimigos ao mesmo tempo.
Esse projeto tem elenco multiestelar: Bruce Dickinson (Iron Maiden), Timo Kotipelto (Stratovarius), Ralph Scheepers (Primal Fear), Andi Deris (Helloween), Fish (ex-Genesis), Lana Lane, Erik Norlander, Floor Jansen, Anneke van Gisbergen (The Gathering), Sharon den Adel (Within Temptation) e muitos outros.
Todos os quatro projetos acima descritos estiveram entre nas listas de mais vendidos de quase todos os países da Europa Ocidental.
A onda das óperas-rock foi tão intensa nos últimos dois anos que até mesmo o Brasil entrou na festa. “Hamlet”, CD recém-lançado pela gravadora paulistana Die Hard, é baseada na obra-prima do dramaturgo inglês William Shakespeare e reúne cerca de dez das mais importantes bandas de heavy metal do Brasil. Esse é, com certeza, um dos trabalhos mais criativos do gênero.
Apenas para referência histórica: o termo ópera-rock foi criado para rotular o álbum duplo “Tommy”, do Who, lançado em 1969, que conta a história de um menino cego, surdo e mudo devido a um trauma que se transforma em campeão mundial de fliperama e líder de uma seita religiosa assim que fica curado milagrosamente.
Desde então outras obras que contavam “histórias” surgiram, como “Arthur” (1970), dos Kinks, “Quadrophenia” (1973), do Who, “Jesus Christ Superstar” e “Hair” (musicais compostos em meados dos 80), “The Wall” (1979), do Pink Floyd, “The Elder” (1980), do Kiss, entre outros.

Stones chegam aos 40



Os Rolling Stones já começam a se preparar para um dos eventos mais importantes da história do rock: a comemoração de seus 40 anos de carreira em 2002. Após o show beneficente de 20 de outubro em Nova York, Mick Jagger e o guitarrista Keith Richards, os líderes do grupo, confirmaram que o grupo irá fazer uma grande turnê mundial a partir de março ou maio do ano que vem, mas não deram mais detalhes sobre o assunto, ressaltando apenas que será o evento mais importante do quadragésimo aniversário. Um novo CD não está previsto.
Com isso, os Rolling Stones consolidam mais uma marca dentro da música pop: o de banda de rock mais antiga em atividade. Existe uma disputa desse “título” com também ingleses Kinks, liderado pelo guitarrista e vocalista Ray Davies. Como os Stones, os Kinks foram criados em 1962.
A questão, no entanto, pende para o lado da turma de Mick Jagger, já que os primeiros registros de apresentações dos Stones são do primeiro semestre de 1962, antes da criação da banda de Ray Davies.
Além do mais, os Stones estão na estrada ininterruptamente nos últimos 40 anos, enquanto os Kinks, que viraram apenas uma banda de apoio para Davies a partir de 1971, mudaram diversas vezes de formação e lançaram poucos CDs com músicas originais, sempre com intervalos gigantescos entre os lançamentos.
A “efeméride” dos Stones para 2002 só confirma que o grupo definitivamente se transformou numa instituição da cultura ocidental. Assim como os Beatles e Elvis Presley, os Rolling Stones viraram um substantivo. Falar que esses ícones eram músicos de rock é inadequado, é pouco abrangente. Beatles deixaram de ser músicos de rock, os Beatles são simplesmente os Beatles. O mesmo ocorre com os Rolling Stones.
E, apesar dos 40 anos de carreira, foram poucas as mudanças de formação no conjunto. Mick Jagger, Keith Richards e o baterista Charlie Watts fundaram a banda e ainda permanecem.
Desprezando-se as presenças não-oficiais de alguns músicos que passaram voando pelos ensaios iniciais no início de 1962 e a retirada compulsória do pianista Ian Stewart no meio daquele ano (ele nem chegou a figurar oficialmente na primeira formação), foram somente três alterações em 40 anos: a saída do guitarrista Brian Jones em 1969 (por abuso de drogas, entre outras alegações), substituído por Mick Taylor; a saída de Mick Taylor no finalzinho de de 1974 (por divergências generalizadas com Jagger e Richards), sendo substituído por Ron Wood, que era dos Faces; e a saída do baixista Bill Wyman em 1992, ele que também era membro fundador e que não foi substituído oficialmente.
Há quem diga que a estabilidade na formação é o grande segredo da longevidade dos Rolling Stones. Isso não faz diferença. O fato é que são 40 anos de Stones, para nosso supremo prazer.

Slayer é absolvido de "indução ao crime"


Mais uma das série "absurdos cometidos contra o rock" (menos mal que o juiz teve bom senso): os integrantes do SLAYER foram absolvidos no processo movido pelos pais da adolescente Elyse Pahler. David e Lisanne Pahler alegam que a filha foi assassinada por influência das letras e da música da banda. Elyse foi morta por três garotos que afirmaram precisar fazer um sacrifício humano para que a banda deles, chamada Hatred, pudesse alcançar o sucesso profissional. O juiz E. Jeffrey Burke concluiu que “a música do Slayer não é obscena, indecente ou prejudicial aos menores" de idade. É a segunda vez que banda é absolvida; entretanto, o casal tem 60 dias para recorrer da decisão.

quarta-feira, outubro 31, 2001

Justiça cassa obrigatoriedade de diploma para jornalistas


A notícia abaixo foi publicada em 31 de outubro pela Folha de S. Paulo, que é declaradamente contrária à exigência de diploma para a prática jornalística. O que seria um bom debate acaba ofuscado pelo casuísmo e pelo oportunismo do referido veículo, que nunca se preocupou com a qualidade do ensino de jornalismo nas faculdades, nunca se preocupou em contribuir para a melhora desse ensino.
O único objetivo da Folha de S. Paulo é desreguamentar a profissão para achatar cada vez mais os salários, impedir a organização dos profissionais de jornalismo e encher a redação de aventureiros e "pára-quedistas", mais interessados em aparecer nas páginas dos jornais para promoverem suas atividades paralelas. Além disso, é mais um subterfúgio para os proprietários e seus filhos encherem as redações de amiguinhos desclassificados e sem a menor condição de exercer a atividade jornalística, como os matinas da vida.
Como jornalista, defendo a manutenção da obrigatoriedade, em um primeiro momento, como forma de manter o pouco da dignidade que resta ao jornalismo, mas defendo também uma profunda mudança nos currículos das faculdades e em vários aspectos da legislação que regula a nossa profissão.
Aí vai o texto com a decisão judicial que acaba com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas:

"Justiça suspende a obrigatoriedade do diploma de jornalismo

da Folha de S.Paulo

A 16ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo suspendeu, em todo o país, a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para a obtenção do registro profissional no Ministério do Trabalho. A juíza substituta Carla Abrantkoski Rister afirma em sua decisão que o decreto lei 972/69, editado durante o regime militar e que exige o diploma, fere a Constituição promulgada em 1988.

A Carta define, em seu artigo quinto, parágrafo nono, que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".

Rister cita ainda que a obrigatoriedade do diploma é contrária à Convenção Americana de Direitos Humanos, ratificada pelo Brasil em setembro de 1992, que proíbe qualquer forma de obstáculo ao direito de informação. "(... )A profissão de jornalista não requer qualificações profissionais específicas, indispensáveis à proteção da coletividade, diferentemente das profissões técnicas (a de engenharia, por exemplo). (...) O jornalista deve possuir formação cultural sólida e diversificada, o que não se adquire apenas com a frequência a uma faculdade (muito embora seja forçoso reconhecer que aquele que o faz poderá vir a enriquecer tal formação cultural), mas sim pelo hábito da leitura e pelo próprio exercício da prática profissional", escreveu a juíza em sua sentença.

A decisão atende a uma ação civil pública com pedido de tutela antecipada, impetrada pelo procurador da República André de Carvalho Ramos, do Ministério Público Federal em São Paulo. A ação civil pública tem como objetivo garantir a proteção de direitos constitucionais e de interesses sociais e coletivos. O pedido de tutela antecipada faz com que a decisão tenha validade imediata até uma apreciação posterior. A juíza entendeu que a manutenção da obrigatoriedade do diploma poderia causar dano irreparável ou de difícil reparação àqueles que exercem a profissão de jornalista sem o registro do Ministério do Trabalho por correrem risco de autuação e constrangimentos diversos.

"A estipulação de tal requisito (o diploma profissional), de cunho elitista, considerada a realidade social do país, vem a perpetrar ofensa aos princípios constitucionais mencionados, na medida em que se impede o acesso de profissionais talentosos à profissão, ma que, por um revés da vida, que todos nós bem conhecemos, não pôde ter acesso a um curso de nível superior, restringindo-lhes a liberdade de manifestação do pensamento e da expressão intelectual", argumentou a juíza Carla Rister.

O pedido do Ministério Público para que fossem anuladas todas as multas trabalhistas, anteriores à sentença, devido à prática do jornalismo sem registro profissional foi negado pela juíza."
O fim do "bom e barato" no Palmeiras


Tomo a liberdade de reproduzir aqui um texto bastante lúcido a respeito do atual momento vivido pelo Palmeiras. A época do time "bom e barato" preconizada por Mustafá Contursi, o presidente, parece estar chegando ao fim. O texto é assinado pelo jornalista Luiz Antonio Prósperi e foi editado no dia 31 de outubro no Jornal da Tarde:

"O consórcio Palmeiras-Parmalat investiu US$ 30 milhões para Luiz Felipe Scolari montar o time que foi campeão da Libertadores da América em 1999. Depois, a Parmalat caiu fora em 2000 e Mustafá Contursi trancafiou o cofre do Parque Antártica. Adotou a política do bom e barato. E o Palmeiras não conquistou mais nada.
Contursi não investiu em jogadores nem em técnicos do grupo de elite do Brasil. Queria mostrar aos outros presidentes de clubes que um time barato pode ser bom e vencedor. Promoveu dois desmanches no primeiro semestre do ano passado trocando toda a tropa.
Por um momento, o comedido Contursi foi alvo de elogios. Era o exemplo de boa administração, aquele que gasta só o que pode. Aquele que não "comete loucuras". E o Palmeiras, sob essa filosofia, por pouco não beliscou dois títulos: a Copa Mercosul de 2000 e a Libertadores de 2001. Perdeu os dois decidindo no Palestra. A torcida, consciente de que os times eram limitados, engoliu os dois desastres.
Resignada, viu Romário levantar a taça da Mercosul no Parque Antártica e Eurico Miranda sacolejar a pança no gramado. Viu também o show de Riquelme humilhando Argels, Galeanos e similares na Libertadores que o Boca Juniors levou fácil para Buenos Aires.
Títulos perdidos, mas nenhuma queixa contra Mustafá Contursi, o ideólogo das finanças enxutas, e a sala de troféus, de 2000 e 2001, vazias. Paciente, a torcida aceitou a política do presidente e suportou os técnicos Marco Aurélio e Celso Roth até o limite. Nada contra os treinadores de salários baixos comparando-se com a maioria que está nos grandes clubes. Havia apenas uma desconfiança pairando sob o jardim suspenso do Palestra.
Algo não estava combinando. Nem era o verde cintilante dos novos uniformes da Rhummell de gosto duvidoso. O negócio era bem mais sério do que se imaginava. De repente, se acendeu a luz e a torcida descobriu que o Palmeiras não era mais o Palmeiras. As cores eram as mesmas, apenas o perfil era outro, quase um Frankenstein.
Aquele time de futebol acadêmico, a excelência no toque de bola, há muito não se via. Nem Rivaldos, Djalminhas, Edmundos, Alex, Robertos Carlos, para ficar nos mais recentes, estavam ali. O lugar era de Turras, Missos, Alexandres, Juninhos, Fernandos e similares.
Seres estranhos para tamanha tradição. Os torcedores perceberam, enfim, que desde o advento Luiz Felipe Scolari no Palestra estavam sendo ludibriados. Não era apenas uma questão de qualidade dos jogadores e técnicos, era de filosofia. Bom e barato, futebol de fracassos. Bom e barato, futebol feio, quase um filme de terror B que vem se repetindo nas matinês de domingo. Que prazer acompanhar aquele time?
A torcida perdeu a paciência. Cortou todos os créditos que havia concedido aos dirigentes. E agora quer uma resposta do presidente Mustafá Contursi. Nem é para já. É para 2002. Há mais dúvidas do que certezas. Contursi não prometeu nada. Sussurrou apenas que no próximo ano algo muito drástico acontecerá no Palestra. A expectativa é por uma mudança radical da filosofia dos últimos dois anos. O presidente já ouviu a voz das arquibancadas. Imbecil, gritaram forte para todo o Parque Antártica ouvir."

segunda-feira, outubro 29, 2001

Intolerância na PUC gera violência


O capitão da PM paulistana Francisco Roher é um das vítimas da intolerância social que tomou conta da sociedade brasileira em geral. Ele é aluno do mestrado da PUC de São Paulo e está pagando caro por simplesmente ter cumprido a sua obrigação como comandante do batalhão que engloba a avenida Paulista.
Roher deveria ter defendido sua tese de mestrado na semana passada, mas foi impedido por uma horda de estudantes bagunceiros e violentos, que protestavam contra a atuação do capitão da PM na repressão a uma manifestação de professores estaduais em greve no dia 20 de abril na avenida Paulista.
Os estudantes da PUC só corroboram a opinião geral de que a geração de estudantes de faculdade atual é um lixo, formada por seres desqualificados e incapazes de aprender qualquer coisa na universidade. Democracia e pluralidade de opiniões não existem para essa geração de estudantes, notadamente os da PUC. Eles usaram o vandalismo, violência, intimidação e ameaças para impedir a defesa da tese de Roher, chamando-o de fascista e assassino. Esses seres invertebrados precisam ser banidos da vida acadêmica e processados como criminosos.
Roher está sendo patrulhado porque cumpriu o seu dever. Na manifestação de 20 de abril os professores em greve receberam autorização para fazer a manifestação na avenida Paulista, próximo ao Masp, mas desde que não bloqueassem a avenida. No entanto, elementos estranhos à manifestaão, como punks, anarquistas e desocupados em geral descumpriram o acordo. Pior, provocaram confusão deliberadamente ao atacar os policiais militares, que até então apenas acompanhavam a manifestação e negociavam com o comando de greve dos professores a continuidade da ordem da manifestação.
Os PMs tentaram controlar a invasão da pista, mas foram apedrejados. E, como de praxe, os despreparados e broncos PMs paulistanos revidaram à altura (infelizmente, com razão), distribuindo pancadas (muitas deles muito merecidas) para todos os lados. É lógico que acabou sobrando para professores, que se envolveram na confusão acreditando que a PM é que tomara a iniciativa de agredir os manifestantes.
A entrevista de Roher na Folha Online é reveladora a respeito do episódio. Para encerrar esse tópico, apenas duas considerações:
1 - Quem frequenta estádios de futebol aprende a lição nas primeiras vezes. Jamais se briga com PM. Eles são ignorantes, despreparados só têm a força como recurso para conter tumultos e impor a ordem. Confronto com PM é pedir para apanhar sem dó.
2 - É inaceitável que qualquer manifestação de rua, seja onde for e por mais legítima e aceitável que seja, bloqueie ruas, avenidas ou estradas. Isso é impedir as pessoas de irem e virem com liberdade e ninguém tem esse direito. Portanto, seja uma manifestação de grevistas, de estudantes, de favelados, de sem-terra, de quem for, não pode usar o bloqueio como arma para chamar a atenção. Se isso ocorrer, a PM tem a obrigação de acabar com o bloqueio e o direito de usar a violência para isso. Infelizmente esse é um dos preços da democracia.
Pancadas em pílulas


Vestibular da UFRJ - O movimento estudantil brasileiro é pífio e motivo de piadas. A UNE praticamente não existe e a UEE do Rio de Janeiro mostrou no final de semana o que esperar dessa turma de imbecis. A entidade fluminense tentou impedir na marra a realização do vestibular na UFRJ, campus da Ilha do Fundão. A Justiça havia negado liminar aos estudantes da universidade, que não conformam com o fato de que o vestibular estava sendo realizado em datas diferentes em relação a diversos cursos, entre outras coisas. Os alunos de colégios federais eram contra a aplicação da prova ontem porque se sentem prejudicados para fazer o concurso em razão da greve dos professores, que dura mais de dois meses. Sem aulas, eles reclamam de estar em desigualdade de condições. O resultado é que cerca de 14 mil estudantes tiveram suas provas anuladas após manifestantes rasgarem 20 cartões de resposta no CAP (Colégio de Aplicação da universidade). Houve violência e muitos alunos saíram feridos em confronto com a polícia, além de centenas de casos de vandalismo terem sido registrados. O exame vestibular corre o risco de ser anulado. O caso aqui é o seguinte: a PM bateu pouco nos estudantes, que mereciam muito mais pancadas para aprender a se comportar em uma manifestação. Esse tipo de violência só vai acabar quando algum estudante morrer e a entidade estudantil for responsabilizada.

Show da Mix FM - A rádio Mix FM resolveu fazer um show de aniversário em um domingo ensolarado em um local inadequado, o estacionamento do Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Mais de dez bandas iriam tocar, entre elas Charlie Brown Je, Ira e O Rappa. O local comprovadamente só comporta 30 mil pessoas. Os incompetentes dos organizadores colocaram 40 mil ingressos à venda e toram incpazaes de conter o afluxo de gente ao local. A PM estima que mais de 100 mil pessoas estavam dentro do local do show e que mais de 20 mil pessoas não conseguiram entrar. O resultado: depredação, protestos, invasões, confrontos com a PM e shows cancelados por causa do tumulto. O trabalho de organização foi péssimo, a divulgação pior ainda e a repressão a falsificadores de ingressos e cambistas não existiu. Para completar, um público ensandecido e desprovido de qualquer noção de civilidade e educação. Mesmo com superlotação e mesmo com informações verídicas de venda de ingrtessos falsos na frente do local do show, muita gente insistiu em entrar e invadir. A PM bateu pouco, tinha que espancar todo mundo e mandar mais de 500 para o hospital. Tem gente que só assim aprende noções de educação. É de se lamentar que não houvesse mais policiais no local para bater nos vândalos e encrenqueiros. E os organizadores precisam ser processados e presos, eles quase provocaram mortes.

Colunismo social - A revista Veja gastou quatro páginas para falar do colunismo social na imprnsa brasileira. O assunto não merece esse espaço. O colunismo social é o lixo do jornalismo em qualquer país, e não é diferente no Brasil. O colunista social é rato desprezível, um jabazeiro que se locupleta ao manchar a reputação de uma profissão importante. Mais um desserviço da revista Veja, apesar da crítica implícita a essa prática jornalística.

sexta-feira, outubro 26, 2001

O fim do Electric Funeral


Outra notícia ruim no rock pesado brasileiro. Chega ao fim a tradicional banda Electric Funeral, a melhor banda cover do Black Sabbath do Brasil. A notícia está no site do programa de rádio Backstage. O baterista e líder da extinta banda é jornalista e radialista Vitão Bonesso, produtor e apresentador do programa veiculado pela rádio Brasil 2000 FM (107,3 MHZ em São Paulo).
Em seu site, Bonesso comunica o fim da banda alegando que, ao longo de 12 anos, houve um cansaço natural, já que a banda é um projeto paralelo de outros músicos importantes. Além de Bonesso na bateria, a banda tinha ainda o guitarrista Hélcio Aguirra e o baixista Nélson Britto, ambos da banda de hard rock Golpe de Estado, uma das mais importantes da história do rock brasileiro.
Segundo Bonesso, a banda estava sem vocalista há muitos meses e, em virtude dos compromissos profissionais de seus integrantes, estava difícil encontrar datas para ensaios, shows e mesmo reuniões simples para bate-papo. Ele afirma que estava sobrecarregado de trabalho em relação à banda e percebia um distanciamento de Aguirra e Britto em relação ao Electric Funeral. Para preservar a amizade, achou por bem anunciar a sua saída da banda, o que na prática é o fim do conjunto. Pena...
Governo Olívio Dutra envolvido com jogo do bicho


Denúncia de ligações do governo gaúcho petista de Olívio Dutra com o jogo do bicho e com o crime organizado ligado ao carnaval de Porto Alegre. As denúncias são graves e envolvem a alta cúpula da polícia civil e da Secretaria de Segurança do Estado. Começa mal a campanha de Lula à Presidência da República.... e deu no Jornal Nacional...

quinta-feira, outubro 25, 2001

Uma prece para ninguém - Epílogo



Depois de muito tempo, o dia ameaçava finalmente raiar, mas ainda assim a escuridão tomava conta do horizonte. A chuva cessara, e ele hesitava a cada pensamento. O penhasco não estava muito longe, e a hora de decidir era aquela, imaginou. Tudo caminhava para aquele desfecho, mas um medo insano o imobilizava por completo.
E eis que os sinos voltaram a badalar. Ali, deitado de lado, protegido por uma rocha saliente, começou a tentar se desvencilhar daquele ruído que lhe soava insuportável. O sonho estava real demais e já era hora de despertar, só que nada acontecia.
Os sinos começaram a ficar nítidos. As badaladas estavam mais próximas. Olhou para cima e percebeu uma claridade inquietante. Com muita dificuldade, ergueu-se e observou uma espécie de casa a cerca de 300 metros de onde estava, na outra estremidade do penhasco. A casa não estava ali quando chegou ao topo.
Parecia com um autêntico sobrado de praia. Bem no alto, no que parecia ser a frente da propriedade, um sino, dando um aspecto de igreja. A casa estava toda iluminada. Na mureta da frente da casa, a menina de vestido branco estava sentada e olhava de modo distraído para o horizonte.
Sentia-se agora completamente atraído por aquela visão que sabia (sabia?) ser irreal. Aquilo era uma visão, a casa não existia, não estava ali quando ele atingira o topo. Mas a visão estava real demais para ser ignorada.
Pensou que finalmente conseguiria tocar a garota, depois de se aproximar com muita dificuldade da casa. Se ela era a resposta para tudo, já era hora de ela revelar o que realmente estava acontecendo no mundo. Ele não percebera, mas a garota não estava mais na mureta, e sim dentro da casa, olhando para ele de uma janela lateral.
Subiu a pequena escada que dava acesso ao que seria uma varanda e dirigiu-se à porta de entrada. Como que por pensamento a porta se abriu. A claridade dentro da sala era tanta que ofuscava completamente a vista. Só depois de algum tempo é que ele conseguiu ver onde estava e o que era aquele ambiente. Aos poucos a casa começou a ficar familiar. Ecos da memória começaram a pipocar em sua mente, escavando e resgatando fantasmas há muito escondidos no subconsciente.
A garota continuava com seu olhar inquisitivo, amedrontando-o. Enquanto começava a suar frio, o cordão de metal envolta de seu pescoço pareceu-lhe mais pesado e mais apertado. A sensação de desconforto aumentava na medida em que a menina olhava cada vez mais fixamente para ele. Amparou-se em uma das paredes da sala e agora estava sufocando. O cordão estava cada vez mais pesado e apertado. O calor estava insuportável e sentia que a medalha do cordão queimava-lhe a pele do peito. Aos poucoa começou a arriar pela parede, com fraqueza aumentando bastante. Pela primeira vez sentiu medo da morte.
Enquanto se mantinha sufocado e de joelhos, a menina aproximou-se, mas não tao perto. Ela apontou o dedo indicador da mão direita em sua direção. Subitamente a pressão no pescoço diminuiu e ele passou a respirar com um pouco mais de facilidade. O medalhão no peito parou de queimar, mas o cordão permanecia pesado.
A menina virou-se e foi para uma escada, subindo lentamente. Mesmo enfraquecido, estava sendo impelido a segui-la. Levantou-se com dificuldade e foi á escada. Amparado pelo bastão, começou a subir lentamente. Após alguns minutos, já no alto, viu a menina entrar no que parecia ser o quarto principal, de onde vinha um forte vento e uma claridade cegante.
Nem percebeu quando chegou ao quarto. O que percebeu era que ali dentro todo o barulho cessou. Um silêncio reconfortante dominava o ambiente, que estava muito bem decorado. Uma enorme cama estava do outro lado do recinto, coberta com o que parecia ser um lençol de seda. Os móveis - mesas, cadeiras, criado-mudo, penteadeira - eram todos de estilo clássico, de madeira escura. O papel de parede era claro, avermelhado, e o lustre era enorme, cheio de pingentes.
Na cama, uma mulher deitada, com a cabeça no colo da menina de branco. Quando pensou que o ambienbte lhe traria paz de espírito, a visão das duas mulheres na cama caiu como uma bigorna em sua cabeça. O silêncio tornou-se opressor novamente, o cordão começou a apertar-lhe novamente o pescoço, sufocando-o. Caiu de joelhos, ao mesmo tempo que um turbilhão de imagens passavam pela sua mente.
O rosto inerte da mulher na cama era conhecido. Era muito mais do que conhecido. O peso de anos e anos de fuga e desespero caíam agora sobre os seus ombros. Jamais poderia escapar daquilo que poderia ser chamado de justiça atemporal: onde quer que esteja, seja aonde for, a justiça será feita.
Com muito medo e pavor, sufocado pelo cordão, olhou novamente para o rosto da garota deitada na cama, que vestia uma túnica vermelha. Imediatamente vieram as imagens da linda e fulgurante garota que jazia na cama sorrindo e correndo pelo gramado de uma imensa propriedade. Em seguida, ela subia uma imensa escadaria, que parecia não ter fim. A escadaria era a mesma da casa onde esava naquele momento. Assim como o quarto da imagem seguinte era o mesmo onde estava. A garota chorava enquanto agarrava-se a uma cortina, tentando se proteger de golpes dados com bastão. Ele reconhecia a mão que segurava o bastão. Aquele relógio o denunciara. Era o seu próprio relógio de pulso, aquele que ganhara de presente do pai quando tinha 12 anos de idade e o qual jamais tirou do pulso.
As imagens começaram a ficar cada vez mais rápidas. Agora, em sua mente, a garota estava deitada, inerte e ensanguentada com a mesma roupa, na mesma posição e na mesma cama que via quando abria os olhos. Aí começou o fogo.
Abriu os olhos depois de um espasmo de desespero e percebeu que o próprio quarto onde estava tinha chamas na cortina da janela e na cama. Caindo de fraqueza, estava agora deitado, tentando inutilmente arrancar o cordão do pescoço, que apertava cada vez mais.
Estava prestes a desfalecer quando a menina de branco aproximou-se e tirou o cordão do pescoço. A garota de túnica vermelha estava oa lado da garotinha e apresentava um bonito colar com a letra V no medalhão. Ela olhava fixamente para o rosto dele, quase enegrecido pela fumaça.
A garotinha retirou o cordão e colocou-o na frente do rosto dele para que pudesse vê-lo. Em lugar do medalhão, havia uma frase escrita: "Vitória se foi". O desespero dele foi tamanho que sentiu uma dor lancinante nas costas. Não é possível que Vitória havia voltado para transformar sua vida, ou o que restava dela, num inferno.
Mesmo diante das imagens incontestáveis que foram induzidas em sua mente (assim acreditava), ainda se recusava a crer que a havia matado. Aquilo era um sonho, um desagradável sonho, por mais que a fumaça invadisse agora as suas narinas e os pulmões. Antes que a mesma fumaça o obrigasse a fechar os olhos, ainda teve tempo de ver a menina e Vitória saírem do quarto de mãos dadas como se nada estivesse acontecendo. e não esqueceram de fechar a porta.
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Estava deitado nu em um quarto completamente escuro. Estava frio e não conseguia sentir nenhuma parte de seu corpo. De algum lugar de fora do quarto, escutou o seguinte diálogo:
- E agora?
- Apenas mate-o.
Foi a última coisa que ouviu.

quarta-feira, outubro 24, 2001

Uma prece para ninguém - Capítulo 8




Ele chegou ao pé do penhasco e desfaleceu de cansaço. Acordou com uma pequena garoa, mas que o deixou inteiramente molhado. O céu estava escuro. Era noite ou ainda era o amanhecer daquele dia insano? Tentou se levantar mas faltou-lhe equilíbrio. Caiu de boca na areia molhada. Em nova tentativa de se levantar, sua mão involuntariamente esbarrou em uma espécie de cordão grosso de pescoço.Na verdade, sua mão foi espetada por uma das pontas do que parecia ser um crucifixo.
Sentou-se novamente e ficou observando e admirando o objeto. De imediato não identificou o objeto, mas não perdeu muito tempo com isso. Uma forte sonolência o acometeu e acabou adormecendo mais uma vez.
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Acordou com o barulho das ondas e com mais uma forte garoa. Parecia que o dia estava novamente amanhecendo, com alguns fiapos de luz atravessando as nuvens, mas só parecia. O cordão de metal ainda estava em sua mão. Não lembrava de como o tinha encontrado. Instintivamente colocou-no pescoço. Sua preocupação agora era como chegar ao topo dos quase cem metros de penhasco, segundo seus cálculos.
Não havia solução, exceto pelo fato de que um pequeno vulto o olhava de modo severo. Estava às suas costas, mas logo ele a percebeu. Era uma menina, pouco menos de dez anos de idade, mas com uma pele alva e um vestido igualmente branco. Por alguns instantes ele duvidou de que ela realmente estava ali. Esfregou os olhos. Ela já não estava mais no local onde estivera.
Imaginava que era alucinasção pelo fato de estar exausto e com fome, mas eis que a garota reaparece, agora à sua frente.
Assustado, começa a procurar a parede do penhasco para se apoiar. Ela o olhava fixamente. Num piscar de olhos e ela desaparece, reaparecendo agora perto da água da praia, mais distante. Ele estava petrificado e começou a suar muito quando aquele "fantasma" caminhou em sua direção. A poucos passos a garota, que em nenhum momento alterou o seu semblante, apontou para ele e em seguida para o cordão em seu pescoço. Com o olhar duro e inqusitivo, pareceu dar-lhe um recado. Em seguida virou-se para o lado direito dele e começou a andar em direção a uma das extremidades do penhasco, que adentrava o mar.
Mesmo apavorado, sentiu-se compelido a segui-la. Manquitolando e apoiado no bastão de madeira, foi aos poucos se arrastando atrás da criança. Ao chegar à reentrância do penhasco para o mar (o rochedo interrompia a continuidade da praia), viu uma pequena fenda. Esgueirou-se por ela e percebeu uma passagem oculta. Era um corredor muito escuro por dentro da rocha. Guiando-se por uma pequena fresta de luz, seguiu em frente, ora tropeçando, ora esbarrando em saliências.
O que pensou ser uma fresta de luz era na verdade a menina, que emanava um brilho intenso e o esperava ao final daquele corredor. Era uma espécie de rampa com uma escada ao final. A menina seguia a passos rápidos e ele tentava aos trancos e barrancos percorrer aquele caminho.
Após muito tempo subindo por entre o paredão de rocha, chegou ao que parecia ser uma escada esculpida nas rochas. Não havia mais sinal da garota. A cada degrau vencido, parecia que a morte o agarrava pelos pés e o puxava para baixo. Foram horas de suplício até que sentiu o vento frio carregado de chuva vindo de cima. Pouco tempo depois estava no cume do penhasco. Arrastou-se pesadamente para trás de uma rocha, onde mantinha-se parcamente protegido. Ainda estava escuro e o dia ameaçava aparecer, mas nunca aparecia.
Cada vez que pensava em desistir definitivamente, a imagem da menina vinha-lhe à mente. Não era possível que agora, justo agora que ele tinha mais uma oportunidade de acabar com aquele inferno. No penhasco, pensou, era a única forma de tentar voltar à vida com um salto no escuro. Ou voltava à vida ou saía dela. Não aguentava mais aquele delírio. Mesmo assim sentia-se imobilizado. Estava convencido de que tinha suficiente coragem para perpetrar o que estava chamando de "último vôo". Mas então porque não levantava e se arrastava até a beira do penhasco? Não tinha resposta, mas a criança sempre aparecia em sua mente. Assim sendo, ela só poderia ser a resposta para aquilo tudo.

Imagens da festa do rock


Aí vão cenas importantes dos concertos de rock beneficentes para arrecadar fundos para as famílias de vítimas dos atentados ao World Trade Center:


Roger Daltrey (esq.) e Pete Townshend, do Who


Eric Clapton (esq) e Paul McCartney


Paul McCartney


Eric Clapton (esq.) e Buddy Guy


Rod Stewart em Washington


Keith Richards (esq.) e Mick Jagger, ambos dos Rolling Stones

terça-feira, outubro 23, 2001

Uma prece para ninguém - Capítulo 7



Ofegante e completamente molhado de suor, instintivamente ele se afastava da fonte de calor se arrastando para o meio da microvila. A cabeça e a perna doíam demais, mas aos poucos ele retomava a consciência. Todas os casebres estavam pegando fogo. Seu único refúgio era a praia. Parando para respirar e descansar, admirou o espetáculo de longe. Estava se especalizando naquela piromania. Primeiro o posto de gasolina, depois o Porsche, agora aqueles casebres. Ainda não conseguia entender o porquê de fazer aquilo, mas sentia imenso alívio quando o fazia.
Quando anoiteceu a vila ainda ardia. Apesar de saber que de nada adiantaria, no íntimo esperava que aquele fogaréu chamasse a atenção de alguém. Mas de quem, se havia um complô de Deus contra ele, obrigando-o a ser o único ser humano do planeta?
Esfriou um pouco com uma ventania fora de hora vinda do mar. Ele se arrastou para perto de uma mureta que separava a praia dos casebres e conseguiu ainda se beneficiar um pouco do calor das chamas. Foi a última coisa que fez naquela noite.
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Aquele era o pior despertar que teve na sua vida. O frio era intenso, o vento cada vez mais forte, mas o que o incomodava era que tinha caído de boca na aria, sem contar a lancinante dor de cabeça. Por alguns segundos achou que a tudo estava acabando, mas toda aquela circunstância deixou de ter importância a partir do momento em que pensou ter ouvido sinos badalando.
O dia amanhecia lentamente e o vento trazia o ruído do sul, ao longo da praia. Cada vez mais em estado mental confuso, simplesmente deixou-se levar pela idéia de que os sinos eram a resposta para tudo, ou melhor, eram a solução daquele pesadelo. Como que entorpecido pela cantoria de uma sereia, lançou-se na direão de onde achava que estava a origem do som. Primeiro arrastou-se. Depois reuniu forças, equilibrou-se no bastão e passou a a caminhar lentamente.
Teve a impressão de que andava há horas, mas o dia não amanhecia definitivamente. O céu permanecia naquela zona híbrida entre a madrugada e a manhã. Olha para trás e não via mais nem mesmo a fumaça do incêndio dos casebres.
O som dos sinos continuava intermitente, mas ele nunca se aproximava. Tinha a impressão de que, por mais que caminhasse em direção ao ruído, jamais chegaria a lugar algum.
Exausto, sentou-se à beira da água e procurava algo no horizonte para entender o que se passava. Tentava ignorar a dor da perna lesionada, mas em alguns momentos gritava por não suportá-la. A questão é que não escutava a sua voz.
Quando parecia que iria desfalecer para sempre, um sopro de esperança invadia seu cérebro ao ouvir os sinos, intermitentes e profundamente apelativos. Não conseguiu saber como pôs-se de pé, mas quando percebeu já estava novamente em marcha, perto de uma pequena elevação.
Com muito esforço subiu aquela que parecia ser uma duna. Como que por encanto o som dos sinos pareceu estar menso distante. O estranho é que agora o som parecia estar vindo do oceano. Viu ao longe, bem longe, um penhasco. Como que por impulso foi em direção a ele. Decdiu parar de pensar. Seu único objetivo agora era chegar ao penhasco. Quem sabe dessa vez terria mais sucesso do que da vez anterior no promontório.

segunda-feira, outubro 22, 2001

Uma prece para ninguém - Capítulo 6



Acordou depois de um violento acesso de tosse, expelindo água salgada. A boca estava cheia de areia. O sol estava forte agora, queimando-lhe a face machucada. Procurou certificar-se de que estava vivo. A maior prova disso era a sua perna esquerda, que doía muito. Estava quebrada? Provavelmente.
ele tentou se arrastar até as pedras para fugir da água do mar. Minutos depois, exausto, tentava entender porque continuava vivo. As explicações eram vagas, mas não faziam diferença naquele momento. A questão agora era a seguinte: se ele não conseguia nem ao menos morrer, o que esperar do resto de sua lamentável vida?
Ele tentava se locomover em direção ao que parecia ser uma vila de pescadores ao longe, na própria praia. Pelas suas contas e pela posição do sol, imaginava ser no meio da tarde quando finalmente atingiu os limites dos cinco casebres mal construídos. Teriam se passado mais de cinco horas desde que tinha voltado à consciência e seu esforço fora descomunal. Com a ajuda de um bastão, postou-se de pé e conseguiu entrar no primeiro casebre a sua direita.
Sentiu cheiro de café. Um bule no fogareiro antiquíssimo ainda fumegava. Com uma xícara suja na pia, bebeu um pouco e passou a acreditar que realmente poderia escapar daquela dimensão esquisita onde caíra. Lutava para livrar-se do sonho, mas não conseguia. Agora, com aquele café quente, esperava ter condições de escapar daquele pesadelo.
Seu aspecto era o pior possível: sujo, descalço, com as roupas rasgadas e com hematomas e cortes por todo o corpo. O fim da linha ainda estava bem longe, ele pressentia.
Só lhe restava agora chorar. E chorou, chorou bastante de desespero.
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Decidiu percorrer as outras quatros casas da microvila. Nem sinal de ser vivo. Em uma delas parecia que alguém estivera ali há pouco. Estava tudo arrumado e havia cheiro de comida. Teve um pouco de ânimo e comeu um pedaço de bolo de chocolate. Procurou desesperadamente uma bebida alcoólica, qualquer uma. Não achou.
Na sala exígua desse casebre, havia um punhado de estopa em um canto. Sentou-se nele e procurou esforçar-se para adormecer. Desde que tinha despertado naquela maldita dimensão ele imaginava que, dormindo, poderia acordar de volta à normalidade. No entanto, não seria daquele vez que conseguiria.
Apesar disso, parecia que as coisas começariam a fazer sentido. Não tinha idéia se estava sonhando ou não, mas a imagem era nítida. A garota estava a pouco mais de cinco metros dele em um gramado imenso. Ela apontava para ele, inquisitorialmente. Ele gritava pelo nome dela. Sua angústia aumentou ao perceber que sua voz não saía. Tentou levantar, mas estava preso ao chão. Ela apontava o dedo para ele acusando-o, culpando-o, com ira nos olhos.
Para ele as coisas estavam piorando, e de forma bem depressa. Era tudo o que ele não precisava naquele momento, um fantasma do passado para acelerar a sua queda no inferno. Ele queria gritar, mas a voz não saía. Ele queria agarrá-la, mas não conseguia se mover.
O campo gramado agora virou uma imensa fogueira. A garota continuava a apontar para ele, mas lentamente se afastava até desaparecer dentro das chamas. Tudo estava quente, sentia até mesmo seu cérebro parecia cozinhar. Insuportavelmente quente. E angustiante. E tenebrosamente assustador. Ele estava preso a um dimensão desconhecida e ansiava por ajuda, por ter a companhia de alguém para dividir seu desespero, mas o máxio que atingiu foi ter a desesperadora visão dela, ali, parada, apontando para ele. Logo ela, que estava morta.

Discriminação e preconceito contra o rock nas escolas


Uma coisa desagradável vem acontecendo com bastante frequência pelo Brasil afora e mostra como é grande a ignorância e o mau-caratismo que imperam em boa parte das escolas de ensino médio e fundamental, públicas e privadas. Em recente carta publicada no Ringue, fórum eletrônico de leitores da revista Rock Brigade, um professor de história carioca de uma escola particular reclamava da discriminação que estava sofrendo de alunos, funcionários, outros professores e da direção da escola por gostar de rock pesado e expor suas opiniões em sala de aula.
Durante uma semana ele resolveu discutir com seus alunos de sétima e oitava séries as questões ligadas ao atentado terrorista contra Nova York. No tópico em que discutia diferenças de opiniões, religiões e estilos de vida, ele resolveu analisar a letra traduzida de "Run to the Hills", do Iron Maiden, sem executá-la no gravador portátil. Segundo o professor, aquele seria um bom exemplo de respeito a outras formas de pensamento, já que o grupo executava rock pesado mas tinha idéias humanistas em suas letras, revelando tolerância.
Mas não é que um grupo de alunos evangélicos se sentiu ofendido quando viram a capa do CD "The Number of the Beast", que contém a música analisada (para quem não viu a capa, traz o mascote da banda, Eddie, travestido de demônio e pisoteando várias coisas sob fundo verde)? Não contentes com isso, esses nojentos evangélicos foram se queixar à diretoria, que repreendeu o professor por levar "objetos inadequados para análise de conteúdo". E o mais incrível: todos os professores do colégio apoiaram a diretoria contra o professor roqueiro.
Esse é uma amostra perfeita do lixo que se tornou o ensino médio brasileiro, com professores preconceituosos, despreparados e totalmente incompetentes. O nível está muito baixo e as nefastas influências de seitas religiosas e do chamado "senso crítico comum" acabam por piorar cada vez mais o nível da educação brasileira.
São frequentes as reclamações de estudantes de cidades do interior, de escolas públicas e privadas, a respeito de discriminação e preconceito por causa do som que ouvem e das roupas que vestem. E não é nada cômodo saber que nos Estados Unidos acontece exatamente a mesma coisa. Infelizmente a tolerância e o respeito não fazem parte do currículo escolar nem do Primeiro Mundo nem do Terceiro.

domingo, outubro 21, 2001

Bad Company anuncia novo retorno e nova formação



Para muitos, é uma boa notícia. Para outros, nem tanto. A banda Bad Company anunciou em outubro deste ano que pretende continuar as suas atividades, agora sob a liderança do fabuloso cantor Paul Rodgers, um de seus fundadores. Assim, o quarteto entra definitvamente na onda dos "retornos"de "dinossauros" que assolou a década de 90 (cujos exemplos não faltam: Who, Kansas, Eagles, Kiss com formação original, Black Sabbath com formação original, entre muitos e muitos outros).
Para os fanáticos pelo "classic rock" e pelo rock dos anos 70, é uma notícia e tanto. Rodgers terá agora a companhia de Simon Kirke, o baterista original do Bad Company e que foi companheiro do vocalista no Free (que durou de 1968 a 1973), e dos puco conhecidos David "Bucket" Colwell (guitarra) e Rick Wills (baixo).
Essa formação fez diversos shows neste ano nos Estados Unidos e recentemente assinou contrato com a TBA Entertainment Corporation, empresa especializada em administrar a carreira de artistas. A parceria já está rendendo frutos. A TBA está planejando uma grande turnê do Bad Company pelos EUA no ano que vem, na qual deve ser gravado o primeiro DVD/ vídeo ao vivo do conjunto, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2002.
A gestação dessa nova encarnação do Bad Company começou em 1998, quando Mick Ralphs, o guitarrista original da banda, iniciou os trabalhos para fazer a compilação "Anthology", uma caixa com quatro CDs a ser lançada no ano seguinte com o melhor dos 25 anos de carreira do conjunto inglês. Ralphs, ex-Mott the Hoople, manteve a chama do Bad Company acesa mesmo com a saída do carismático Paul Rodgers em 1982. Desde então, até meados dos anos 90, houve mais uma deserção, o baixita Boz Burrell, e a banda vagou sem um décimo do prestígio que tinha nos anos 90. Apesar de ter por um bom tempo como vocalista o inglês Robert Hart, a banda se afundou cada vez mais.
Após um longo período de inatividade, Ralphs foi convocado pela gravadora da banda para coordenar os trabalhos de "Anthology". Deixando os ressentimentos de lado, Ralphs convidou Rodgers, Kirke e Burrell para participarem do projeto, que previa a escolha das músicas mais marcantes e de faixas rarassss, muitas não editadas.
O trabalho foi realizado de forma fácil e o entendimento entre eles foi bom. Ralphs não perdeu tempo e propôs que os quatro da formação original compusessem e gravassem quatro músicas em estúdio para servir de chamativo para a caixa. Todos aceitaram e o quarteto fundador, reunido depois de 17 anos de separação, compôs e gravou no começo de 1999 as músicas "Tracking Down a Runaway", Ain't It Good", "Hammer of Love" e "Hey, Hey". A caixa foi um sucesso e rendeu uma elogiada turnê pelos Estados Unidos e pela Inglaterra. No entanto, cada um tomou o seu rumo após a reunião.
Diante disso, causou surpesa o anúncio da volta definitiva do Bad Company ao mercado, sem Mick Ralphs e Boz Burrell e capitaneada por Paul Rodgers, que jamais cogitou até o ano passado reformar suas antigas bandas - Free, Bad Company, The Firm e The Law -, já que sua carreira solo estava indo muito bem, principalmente com a boa acolhida de seu CD ëlectric", de 1999. Resta agora torcer para que não seja apenas um retorno caça-níqueis, sem rpeocupação com a qualidade.




Kiss FM continua matadora


A rádio Kiss FM de São Paulo - 102,1 MHZ - continua sendo a melhor opção para quem gosta de rock de qualidade no dial paulistano. Apostando cada vez mais no cocneito "classic rock" - músicas mais importantes do gênero (e para nossa sorte nem tão importantes assim, mas igualmente maravilhosas) editadas entre 1960 e 1985, muito difundido na Inglaterra e nos Estados Unidos - o público da emissora cresce cada vez mais. Merece ser conferida. No final de semana de 20 e 21 de outubro, durante uma das tardes, uma sequência para arrebatar os amantes do rock progressivo: a primeira das três partes de "Journey to the Center of the Earth", de Rick Wakeman, "Starless", do King Crimson, "The Power and the Glory", de Gentle Giant, "Elephant Talk", outra do King Crimson, e "Set the Control of the Heart of the Sun", do Pink Floyd. À noite, uma sequência pedasa: "Judgement Day", do Whitesnake, "School's Out", de Alice Cooper, "For Those About to Rock"e "Rock'n'roll Ain't Noise Pollution", do AC/DC, e a mágica "Dance the Night Away", do Van Halen. Essa rádio vai longe.