Espaço coordenado pelo jornalista paulistano Marcelo Moreira para trocas de idéias, de preferência estapafúrdias, e preferencialmente sobre música, esportes, política e economia, com muita pretensão e indignação.
quarta-feira, outubro 31, 2001
A notícia abaixo foi publicada em 31 de outubro pela Folha de S. Paulo, que é declaradamente contrária à exigência de diploma para a prática jornalística. O que seria um bom debate acaba ofuscado pelo casuísmo e pelo oportunismo do referido veículo, que nunca se preocupou com a qualidade do ensino de jornalismo nas faculdades, nunca se preocupou em contribuir para a melhora desse ensino.
O único objetivo da Folha de S. Paulo é desreguamentar a profissão para achatar cada vez mais os salários, impedir a organização dos profissionais de jornalismo e encher a redação de aventureiros e "pára-quedistas", mais interessados em aparecer nas páginas dos jornais para promoverem suas atividades paralelas. Além disso, é mais um subterfúgio para os proprietários e seus filhos encherem as redações de amiguinhos desclassificados e sem a menor condição de exercer a atividade jornalística, como os matinas da vida.
Como jornalista, defendo a manutenção da obrigatoriedade, em um primeiro momento, como forma de manter o pouco da dignidade que resta ao jornalismo, mas defendo também uma profunda mudança nos currículos das faculdades e em vários aspectos da legislação que regula a nossa profissão.
Aí vai o texto com a decisão judicial que acaba com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas:
"Justiça suspende a obrigatoriedade do diploma de jornalismo
da Folha de S.Paulo
A 16ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo suspendeu, em todo o país, a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para a obtenção do registro profissional no Ministério do Trabalho. A juíza substituta Carla Abrantkoski Rister afirma em sua decisão que o decreto lei 972/69, editado durante o regime militar e que exige o diploma, fere a Constituição promulgada em 1988.
A Carta define, em seu artigo quinto, parágrafo nono, que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".
Rister cita ainda que a obrigatoriedade do diploma é contrária à Convenção Americana de Direitos Humanos, ratificada pelo Brasil em setembro de 1992, que proíbe qualquer forma de obstáculo ao direito de informação. "(... )A profissão de jornalista não requer qualificações profissionais específicas, indispensáveis à proteção da coletividade, diferentemente das profissões técnicas (a de engenharia, por exemplo). (...) O jornalista deve possuir formação cultural sólida e diversificada, o que não se adquire apenas com a frequência a uma faculdade (muito embora seja forçoso reconhecer que aquele que o faz poderá vir a enriquecer tal formação cultural), mas sim pelo hábito da leitura e pelo próprio exercício da prática profissional", escreveu a juíza em sua sentença.
A decisão atende a uma ação civil pública com pedido de tutela antecipada, impetrada pelo procurador da República André de Carvalho Ramos, do Ministério Público Federal em São Paulo. A ação civil pública tem como objetivo garantir a proteção de direitos constitucionais e de interesses sociais e coletivos. O pedido de tutela antecipada faz com que a decisão tenha validade imediata até uma apreciação posterior. A juíza entendeu que a manutenção da obrigatoriedade do diploma poderia causar dano irreparável ou de difícil reparação àqueles que exercem a profissão de jornalista sem o registro do Ministério do Trabalho por correrem risco de autuação e constrangimentos diversos.
"A estipulação de tal requisito (o diploma profissional), de cunho elitista, considerada a realidade social do país, vem a perpetrar ofensa aos princípios constitucionais mencionados, na medida em que se impede o acesso de profissionais talentosos à profissão, ma que, por um revés da vida, que todos nós bem conhecemos, não pôde ter acesso a um curso de nível superior, restringindo-lhes a liberdade de manifestação do pensamento e da expressão intelectual", argumentou a juíza Carla Rister.
O pedido do Ministério Público para que fossem anuladas todas as multas trabalhistas, anteriores à sentença, devido à prática do jornalismo sem registro profissional foi negado pela juíza."
Tomo a liberdade de reproduzir aqui um texto bastante lúcido a respeito do atual momento vivido pelo Palmeiras. A época do time "bom e barato" preconizada por Mustafá Contursi, o presidente, parece estar chegando ao fim. O texto é assinado pelo jornalista Luiz Antonio Prósperi e foi editado no dia 31 de outubro no Jornal da Tarde:
"O consórcio Palmeiras-Parmalat investiu US$ 30 milhões para Luiz Felipe Scolari montar o time que foi campeão da Libertadores da América em 1999. Depois, a Parmalat caiu fora em 2000 e Mustafá Contursi trancafiou o cofre do Parque Antártica. Adotou a política do bom e barato. E o Palmeiras não conquistou mais nada.
Contursi não investiu em jogadores nem em técnicos do grupo de elite do Brasil. Queria mostrar aos outros presidentes de clubes que um time barato pode ser bom e vencedor. Promoveu dois desmanches no primeiro semestre do ano passado trocando toda a tropa.
Por um momento, o comedido Contursi foi alvo de elogios. Era o exemplo de boa administração, aquele que gasta só o que pode. Aquele que não "comete loucuras". E o Palmeiras, sob essa filosofia, por pouco não beliscou dois títulos: a Copa Mercosul de 2000 e a Libertadores de 2001. Perdeu os dois decidindo no Palestra. A torcida, consciente de que os times eram limitados, engoliu os dois desastres.
Resignada, viu Romário levantar a taça da Mercosul no Parque Antártica e Eurico Miranda sacolejar a pança no gramado. Viu também o show de Riquelme humilhando Argels, Galeanos e similares na Libertadores que o Boca Juniors levou fácil para Buenos Aires.
Títulos perdidos, mas nenhuma queixa contra Mustafá Contursi, o ideólogo das finanças enxutas, e a sala de troféus, de 2000 e 2001, vazias. Paciente, a torcida aceitou a política do presidente e suportou os técnicos Marco Aurélio e Celso Roth até o limite. Nada contra os treinadores de salários baixos comparando-se com a maioria que está nos grandes clubes. Havia apenas uma desconfiança pairando sob o jardim suspenso do Palestra.
Algo não estava combinando. Nem era o verde cintilante dos novos uniformes da Rhummell de gosto duvidoso. O negócio era bem mais sério do que se imaginava. De repente, se acendeu a luz e a torcida descobriu que o Palmeiras não era mais o Palmeiras. As cores eram as mesmas, apenas o perfil era outro, quase um Frankenstein.
Aquele time de futebol acadêmico, a excelência no toque de bola, há muito não se via. Nem Rivaldos, Djalminhas, Edmundos, Alex, Robertos Carlos, para ficar nos mais recentes, estavam ali. O lugar era de Turras, Missos, Alexandres, Juninhos, Fernandos e similares.
Seres estranhos para tamanha tradição. Os torcedores perceberam, enfim, que desde o advento Luiz Felipe Scolari no Palestra estavam sendo ludibriados. Não era apenas uma questão de qualidade dos jogadores e técnicos, era de filosofia. Bom e barato, futebol de fracassos. Bom e barato, futebol feio, quase um filme de terror B que vem se repetindo nas matinês de domingo. Que prazer acompanhar aquele time?
A torcida perdeu a paciência. Cortou todos os créditos que havia concedido aos dirigentes. E agora quer uma resposta do presidente Mustafá Contursi. Nem é para já. É para 2002. Há mais dúvidas do que certezas. Contursi não prometeu nada. Sussurrou apenas que no próximo ano algo muito drástico acontecerá no Palestra. A expectativa é por uma mudança radical da filosofia dos últimos dois anos. O presidente já ouviu a voz das arquibancadas. Imbecil, gritaram forte para todo o Parque Antártica ouvir."
segunda-feira, outubro 29, 2001
O capitão da PM paulistana Francisco Roher é um das vítimas da intolerância social que tomou conta da sociedade brasileira em geral. Ele é aluno do mestrado da PUC de São Paulo e está pagando caro por simplesmente ter cumprido a sua obrigação como comandante do batalhão que engloba a avenida Paulista.
Roher deveria ter defendido sua tese de mestrado na semana passada, mas foi impedido por uma horda de estudantes bagunceiros e violentos, que protestavam contra a atuação do capitão da PM na repressão a uma manifestação de professores estaduais em greve no dia 20 de abril na avenida Paulista.
Os estudantes da PUC só corroboram a opinião geral de que a geração de estudantes de faculdade atual é um lixo, formada por seres desqualificados e incapazes de aprender qualquer coisa na universidade. Democracia e pluralidade de opiniões não existem para essa geração de estudantes, notadamente os da PUC. Eles usaram o vandalismo, violência, intimidação e ameaças para impedir a defesa da tese de Roher, chamando-o de fascista e assassino. Esses seres invertebrados precisam ser banidos da vida acadêmica e processados como criminosos.
Roher está sendo patrulhado porque cumpriu o seu dever. Na manifestação de 20 de abril os professores em greve receberam autorização para fazer a manifestação na avenida Paulista, próximo ao Masp, mas desde que não bloqueassem a avenida. No entanto, elementos estranhos à manifestaão, como punks, anarquistas e desocupados em geral descumpriram o acordo. Pior, provocaram confusão deliberadamente ao atacar os policiais militares, que até então apenas acompanhavam a manifestação e negociavam com o comando de greve dos professores a continuidade da ordem da manifestação.
Os PMs tentaram controlar a invasão da pista, mas foram apedrejados. E, como de praxe, os despreparados e broncos PMs paulistanos revidaram à altura (infelizmente, com razão), distribuindo pancadas (muitas deles muito merecidas) para todos os lados. É lógico que acabou sobrando para professores, que se envolveram na confusão acreditando que a PM é que tomara a iniciativa de agredir os manifestantes.
A entrevista de Roher na Folha Online é reveladora a respeito do episódio. Para encerrar esse tópico, apenas duas considerações:
1 - Quem frequenta estádios de futebol aprende a lição nas primeiras vezes. Jamais se briga com PM. Eles são ignorantes, despreparados só têm a força como recurso para conter tumultos e impor a ordem. Confronto com PM é pedir para apanhar sem dó.
2 - É inaceitável que qualquer manifestação de rua, seja onde for e por mais legítima e aceitável que seja, bloqueie ruas, avenidas ou estradas. Isso é impedir as pessoas de irem e virem com liberdade e ninguém tem esse direito. Portanto, seja uma manifestação de grevistas, de estudantes, de favelados, de sem-terra, de quem for, não pode usar o bloqueio como arma para chamar a atenção. Se isso ocorrer, a PM tem a obrigação de acabar com o bloqueio e o direito de usar a violência para isso. Infelizmente esse é um dos preços da democracia.
Vestibular da UFRJ - O movimento estudantil brasileiro é pífio e motivo de piadas. A UNE praticamente não existe e a UEE do Rio de Janeiro mostrou no final de semana o que esperar dessa turma de imbecis. A entidade fluminense tentou impedir na marra a realização do vestibular na UFRJ, campus da Ilha do Fundão. A Justiça havia negado liminar aos estudantes da universidade, que não conformam com o fato de que o vestibular estava sendo realizado em datas diferentes em relação a diversos cursos, entre outras coisas. Os alunos de colégios federais eram contra a aplicação da prova ontem porque se sentem prejudicados para fazer o concurso em razão da greve dos professores, que dura mais de dois meses. Sem aulas, eles reclamam de estar em desigualdade de condições. O resultado é que cerca de 14 mil estudantes tiveram suas provas anuladas após manifestantes rasgarem 20 cartões de resposta no CAP (Colégio de Aplicação da universidade). Houve violência e muitos alunos saíram feridos em confronto com a polícia, além de centenas de casos de vandalismo terem sido registrados. O exame vestibular corre o risco de ser anulado. O caso aqui é o seguinte: a PM bateu pouco nos estudantes, que mereciam muito mais pancadas para aprender a se comportar em uma manifestação. Esse tipo de violência só vai acabar quando algum estudante morrer e a entidade estudantil for responsabilizada.
Show da Mix FM - A rádio Mix FM resolveu fazer um show de aniversário em um domingo ensolarado em um local inadequado, o estacionamento do Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Mais de dez bandas iriam tocar, entre elas Charlie Brown Je, Ira e O Rappa. O local comprovadamente só comporta 30 mil pessoas. Os incompetentes dos organizadores colocaram 40 mil ingressos à venda e toram incpazaes de conter o afluxo de gente ao local. A PM estima que mais de 100 mil pessoas estavam dentro do local do show e que mais de 20 mil pessoas não conseguiram entrar. O resultado: depredação, protestos, invasões, confrontos com a PM e shows cancelados por causa do tumulto. O trabalho de organização foi péssimo, a divulgação pior ainda e a repressão a falsificadores de ingressos e cambistas não existiu. Para completar, um público ensandecido e desprovido de qualquer noção de civilidade e educação. Mesmo com superlotação e mesmo com informações verídicas de venda de ingrtessos falsos na frente do local do show, muita gente insistiu em entrar e invadir. A PM bateu pouco, tinha que espancar todo mundo e mandar mais de 500 para o hospital. Tem gente que só assim aprende noções de educação. É de se lamentar que não houvesse mais policiais no local para bater nos vândalos e encrenqueiros. E os organizadores precisam ser processados e presos, eles quase provocaram mortes.
Colunismo social - A revista Veja gastou quatro páginas para falar do colunismo social na imprnsa brasileira. O assunto não merece esse espaço. O colunismo social é o lixo do jornalismo em qualquer país, e não é diferente no Brasil. O colunista social é rato desprezível, um jabazeiro que se locupleta ao manchar a reputação de uma profissão importante. Mais um desserviço da revista Veja, apesar da crítica implícita a essa prática jornalística.
sexta-feira, outubro 26, 2001
Outra notícia ruim no rock pesado brasileiro. Chega ao fim a tradicional banda Electric Funeral, a melhor banda cover do Black Sabbath do Brasil. A notícia está no site do programa de rádio Backstage. O baterista e líder da extinta banda é jornalista e radialista Vitão Bonesso, produtor e apresentador do programa veiculado pela rádio Brasil 2000 FM (107,3 MHZ em São Paulo).
Em seu site, Bonesso comunica o fim da banda alegando que, ao longo de 12 anos, houve um cansaço natural, já que a banda é um projeto paralelo de outros músicos importantes. Além de Bonesso na bateria, a banda tinha ainda o guitarrista Hélcio Aguirra e o baixista Nélson Britto, ambos da banda de hard rock Golpe de Estado, uma das mais importantes da história do rock brasileiro.
Segundo Bonesso, a banda estava sem vocalista há muitos meses e, em virtude dos compromissos profissionais de seus integrantes, estava difícil encontrar datas para ensaios, shows e mesmo reuniões simples para bate-papo. Ele afirma que estava sobrecarregado de trabalho em relação à banda e percebia um distanciamento de Aguirra e Britto em relação ao Electric Funeral. Para preservar a amizade, achou por bem anunciar a sua saída da banda, o que na prática é o fim do conjunto. Pena...
Denúncia de ligações do governo gaúcho petista de Olívio Dutra com o jogo do bicho e com o crime organizado ligado ao carnaval de Porto Alegre. As denúncias são graves e envolvem a alta cúpula da polícia civil e da Secretaria de Segurança do Estado. Começa mal a campanha de Lula à Presidência da República.... e deu no Jornal Nacional...
quinta-feira, outubro 25, 2001
Depois de muito tempo, o dia ameaçava finalmente raiar, mas ainda assim a escuridão tomava conta do horizonte. A chuva cessara, e ele hesitava a cada pensamento. O penhasco não estava muito longe, e a hora de decidir era aquela, imaginou. Tudo caminhava para aquele desfecho, mas um medo insano o imobilizava por completo.
E eis que os sinos voltaram a badalar. Ali, deitado de lado, protegido por uma rocha saliente, começou a tentar se desvencilhar daquele ruído que lhe soava insuportável. O sonho estava real demais e já era hora de despertar, só que nada acontecia.
Os sinos começaram a ficar nítidos. As badaladas estavam mais próximas. Olhou para cima e percebeu uma claridade inquietante. Com muita dificuldade, ergueu-se e observou uma espécie de casa a cerca de 300 metros de onde estava, na outra estremidade do penhasco. A casa não estava ali quando chegou ao topo.
Parecia com um autêntico sobrado de praia. Bem no alto, no que parecia ser a frente da propriedade, um sino, dando um aspecto de igreja. A casa estava toda iluminada. Na mureta da frente da casa, a menina de vestido branco estava sentada e olhava de modo distraído para o horizonte.
Sentia-se agora completamente atraído por aquela visão que sabia (sabia?) ser irreal. Aquilo era uma visão, a casa não existia, não estava ali quando ele atingira o topo. Mas a visão estava real demais para ser ignorada.
Pensou que finalmente conseguiria tocar a garota, depois de se aproximar com muita dificuldade da casa. Se ela era a resposta para tudo, já era hora de ela revelar o que realmente estava acontecendo no mundo. Ele não percebera, mas a garota não estava mais na mureta, e sim dentro da casa, olhando para ele de uma janela lateral.
Subiu a pequena escada que dava acesso ao que seria uma varanda e dirigiu-se à porta de entrada. Como que por pensamento a porta se abriu. A claridade dentro da sala era tanta que ofuscava completamente a vista. Só depois de algum tempo é que ele conseguiu ver onde estava e o que era aquele ambiente. Aos poucos a casa começou a ficar familiar. Ecos da memória começaram a pipocar em sua mente, escavando e resgatando fantasmas há muito escondidos no subconsciente.
A garota continuava com seu olhar inquisitivo, amedrontando-o. Enquanto começava a suar frio, o cordão de metal envolta de seu pescoço pareceu-lhe mais pesado e mais apertado. A sensação de desconforto aumentava na medida em que a menina olhava cada vez mais fixamente para ele. Amparou-se em uma das paredes da sala e agora estava sufocando. O cordão estava cada vez mais pesado e apertado. O calor estava insuportável e sentia que a medalha do cordão queimava-lhe a pele do peito. Aos poucoa começou a arriar pela parede, com fraqueza aumentando bastante. Pela primeira vez sentiu medo da morte.
Enquanto se mantinha sufocado e de joelhos, a menina aproximou-se, mas não tao perto. Ela apontou o dedo indicador da mão direita em sua direção. Subitamente a pressão no pescoço diminuiu e ele passou a respirar com um pouco mais de facilidade. O medalhão no peito parou de queimar, mas o cordão permanecia pesado.
A menina virou-se e foi para uma escada, subindo lentamente. Mesmo enfraquecido, estava sendo impelido a segui-la. Levantou-se com dificuldade e foi á escada. Amparado pelo bastão, começou a subir lentamente. Após alguns minutos, já no alto, viu a menina entrar no que parecia ser o quarto principal, de onde vinha um forte vento e uma claridade cegante.
Nem percebeu quando chegou ao quarto. O que percebeu era que ali dentro todo o barulho cessou. Um silêncio reconfortante dominava o ambiente, que estava muito bem decorado. Uma enorme cama estava do outro lado do recinto, coberta com o que parecia ser um lençol de seda. Os móveis - mesas, cadeiras, criado-mudo, penteadeira - eram todos de estilo clássico, de madeira escura. O papel de parede era claro, avermelhado, e o lustre era enorme, cheio de pingentes.
Na cama, uma mulher deitada, com a cabeça no colo da menina de branco. Quando pensou que o ambienbte lhe traria paz de espírito, a visão das duas mulheres na cama caiu como uma bigorna em sua cabeça. O silêncio tornou-se opressor novamente, o cordão começou a apertar-lhe novamente o pescoço, sufocando-o. Caiu de joelhos, ao mesmo tempo que um turbilhão de imagens passavam pela sua mente.
O rosto inerte da mulher na cama era conhecido. Era muito mais do que conhecido. O peso de anos e anos de fuga e desespero caíam agora sobre os seus ombros. Jamais poderia escapar daquilo que poderia ser chamado de justiça atemporal: onde quer que esteja, seja aonde for, a justiça será feita.
Com muito medo e pavor, sufocado pelo cordão, olhou novamente para o rosto da garota deitada na cama, que vestia uma túnica vermelha. Imediatamente vieram as imagens da linda e fulgurante garota que jazia na cama sorrindo e correndo pelo gramado de uma imensa propriedade. Em seguida, ela subia uma imensa escadaria, que parecia não ter fim. A escadaria era a mesma da casa onde esava naquele momento. Assim como o quarto da imagem seguinte era o mesmo onde estava. A garota chorava enquanto agarrava-se a uma cortina, tentando se proteger de golpes dados com bastão. Ele reconhecia a mão que segurava o bastão. Aquele relógio o denunciara. Era o seu próprio relógio de pulso, aquele que ganhara de presente do pai quando tinha 12 anos de idade e o qual jamais tirou do pulso.
As imagens começaram a ficar cada vez mais rápidas. Agora, em sua mente, a garota estava deitada, inerte e ensanguentada com a mesma roupa, na mesma posição e na mesma cama que via quando abria os olhos. Aí começou o fogo.
Abriu os olhos depois de um espasmo de desespero e percebeu que o próprio quarto onde estava tinha chamas na cortina da janela e na cama. Caindo de fraqueza, estava agora deitado, tentando inutilmente arrancar o cordão do pescoço, que apertava cada vez mais.
Estava prestes a desfalecer quando a menina de branco aproximou-se e tirou o cordão do pescoço. A garota de túnica vermelha estava oa lado da garotinha e apresentava um bonito colar com a letra V no medalhão. Ela olhava fixamente para o rosto dele, quase enegrecido pela fumaça.
A garotinha retirou o cordão e colocou-o na frente do rosto dele para que pudesse vê-lo. Em lugar do medalhão, havia uma frase escrita: "Vitória se foi". O desespero dele foi tamanho que sentiu uma dor lancinante nas costas. Não é possível que Vitória havia voltado para transformar sua vida, ou o que restava dela, num inferno.
Mesmo diante das imagens incontestáveis que foram induzidas em sua mente (assim acreditava), ainda se recusava a crer que a havia matado. Aquilo era um sonho, um desagradável sonho, por mais que a fumaça invadisse agora as suas narinas e os pulmões. Antes que a mesma fumaça o obrigasse a fechar os olhos, ainda teve tempo de ver a menina e Vitória saírem do quarto de mãos dadas como se nada estivesse acontecendo. e não esqueceram de fechar a porta.
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Estava deitado nu em um quarto completamente escuro. Estava frio e não conseguia sentir nenhuma parte de seu corpo. De algum lugar de fora do quarto, escutou o seguinte diálogo:
- E agora?
- Apenas mate-o.
Foi a última coisa que ouviu.
quarta-feira, outubro 24, 2001
Ele chegou ao pé do penhasco e desfaleceu de cansaço. Acordou com uma pequena garoa, mas que o deixou inteiramente molhado. O céu estava escuro. Era noite ou ainda era o amanhecer daquele dia insano? Tentou se levantar mas faltou-lhe equilíbrio. Caiu de boca na areia molhada. Em nova tentativa de se levantar, sua mão involuntariamente esbarrou em uma espécie de cordão grosso de pescoço.Na verdade, sua mão foi espetada por uma das pontas do que parecia ser um crucifixo.
Sentou-se novamente e ficou observando e admirando o objeto. De imediato não identificou o objeto, mas não perdeu muito tempo com isso. Uma forte sonolência o acometeu e acabou adormecendo mais uma vez.
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Acordou com o barulho das ondas e com mais uma forte garoa. Parecia que o dia estava novamente amanhecendo, com alguns fiapos de luz atravessando as nuvens, mas só parecia. O cordão de metal ainda estava em sua mão. Não lembrava de como o tinha encontrado. Instintivamente colocou-no pescoço. Sua preocupação agora era como chegar ao topo dos quase cem metros de penhasco, segundo seus cálculos.
Não havia solução, exceto pelo fato de que um pequeno vulto o olhava de modo severo. Estava às suas costas, mas logo ele a percebeu. Era uma menina, pouco menos de dez anos de idade, mas com uma pele alva e um vestido igualmente branco. Por alguns instantes ele duvidou de que ela realmente estava ali. Esfregou os olhos. Ela já não estava mais no local onde estivera.
Imaginava que era alucinasção pelo fato de estar exausto e com fome, mas eis que a garota reaparece, agora à sua frente.
Assustado, começa a procurar a parede do penhasco para se apoiar. Ela o olhava fixamente. Num piscar de olhos e ela desaparece, reaparecendo agora perto da água da praia, mais distante. Ele estava petrificado e começou a suar muito quando aquele "fantasma" caminhou em sua direção. A poucos passos a garota, que em nenhum momento alterou o seu semblante, apontou para ele e em seguida para o cordão em seu pescoço. Com o olhar duro e inqusitivo, pareceu dar-lhe um recado. Em seguida virou-se para o lado direito dele e começou a andar em direção a uma das extremidades do penhasco, que adentrava o mar.
Mesmo apavorado, sentiu-se compelido a segui-la. Manquitolando e apoiado no bastão de madeira, foi aos poucos se arrastando atrás da criança. Ao chegar à reentrância do penhasco para o mar (o rochedo interrompia a continuidade da praia), viu uma pequena fenda. Esgueirou-se por ela e percebeu uma passagem oculta. Era um corredor muito escuro por dentro da rocha. Guiando-se por uma pequena fresta de luz, seguiu em frente, ora tropeçando, ora esbarrando em saliências.
O que pensou ser uma fresta de luz era na verdade a menina, que emanava um brilho intenso e o esperava ao final daquele corredor. Era uma espécie de rampa com uma escada ao final. A menina seguia a passos rápidos e ele tentava aos trancos e barrancos percorrer aquele caminho.
Após muito tempo subindo por entre o paredão de rocha, chegou ao que parecia ser uma escada esculpida nas rochas. Não havia mais sinal da garota. A cada degrau vencido, parecia que a morte o agarrava pelos pés e o puxava para baixo. Foram horas de suplício até que sentiu o vento frio carregado de chuva vindo de cima. Pouco tempo depois estava no cume do penhasco. Arrastou-se pesadamente para trás de uma rocha, onde mantinha-se parcamente protegido. Ainda estava escuro e o dia ameaçava aparecer, mas nunca aparecia.
Cada vez que pensava em desistir definitivamente, a imagem da menina vinha-lhe à mente. Não era possível que agora, justo agora que ele tinha mais uma oportunidade de acabar com aquele inferno. No penhasco, pensou, era a única forma de tentar voltar à vida com um salto no escuro. Ou voltava à vida ou saía dela. Não aguentava mais aquele delírio. Mesmo assim sentia-se imobilizado. Estava convencido de que tinha suficiente coragem para perpetrar o que estava chamando de "último vôo". Mas então porque não levantava e se arrastava até a beira do penhasco? Não tinha resposta, mas a criança sempre aparecia em sua mente. Assim sendo, ela só poderia ser a resposta para aquilo tudo.
Aí vão cenas importantes dos concertos de rock beneficentes para arrecadar fundos para as famílias de vítimas dos atentados ao World Trade Center:
Roger Daltrey (esq.) e Pete Townshend, do Who
Eric Clapton (esq) e Paul McCartney
Paul McCartney
Eric Clapton (esq.) e Buddy Guy
Rod Stewart em Washington
Keith Richards (esq.) e Mick Jagger, ambos dos Rolling Stones
terça-feira, outubro 23, 2001
Ofegante e completamente molhado de suor, instintivamente ele se afastava da fonte de calor se arrastando para o meio da microvila. A cabeça e a perna doíam demais, mas aos poucos ele retomava a consciência. Todas os casebres estavam pegando fogo. Seu único refúgio era a praia. Parando para respirar e descansar, admirou o espetáculo de longe. Estava se especalizando naquela piromania. Primeiro o posto de gasolina, depois o Porsche, agora aqueles casebres. Ainda não conseguia entender o porquê de fazer aquilo, mas sentia imenso alívio quando o fazia.
Quando anoiteceu a vila ainda ardia. Apesar de saber que de nada adiantaria, no íntimo esperava que aquele fogaréu chamasse a atenção de alguém. Mas de quem, se havia um complô de Deus contra ele, obrigando-o a ser o único ser humano do planeta?
Esfriou um pouco com uma ventania fora de hora vinda do mar. Ele se arrastou para perto de uma mureta que separava a praia dos casebres e conseguiu ainda se beneficiar um pouco do calor das chamas. Foi a última coisa que fez naquela noite.
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Aquele era o pior despertar que teve na sua vida. O frio era intenso, o vento cada vez mais forte, mas o que o incomodava era que tinha caído de boca na aria, sem contar a lancinante dor de cabeça. Por alguns segundos achou que a tudo estava acabando, mas toda aquela circunstância deixou de ter importância a partir do momento em que pensou ter ouvido sinos badalando.
O dia amanhecia lentamente e o vento trazia o ruído do sul, ao longo da praia. Cada vez mais em estado mental confuso, simplesmente deixou-se levar pela idéia de que os sinos eram a resposta para tudo, ou melhor, eram a solução daquele pesadelo. Como que entorpecido pela cantoria de uma sereia, lançou-se na direão de onde achava que estava a origem do som. Primeiro arrastou-se. Depois reuniu forças, equilibrou-se no bastão e passou a a caminhar lentamente.
Teve a impressão de que andava há horas, mas o dia não amanhecia definitivamente. O céu permanecia naquela zona híbrida entre a madrugada e a manhã. Olha para trás e não via mais nem mesmo a fumaça do incêndio dos casebres.
O som dos sinos continuava intermitente, mas ele nunca se aproximava. Tinha a impressão de que, por mais que caminhasse em direção ao ruído, jamais chegaria a lugar algum.
Exausto, sentou-se à beira da água e procurava algo no horizonte para entender o que se passava. Tentava ignorar a dor da perna lesionada, mas em alguns momentos gritava por não suportá-la. A questão é que não escutava a sua voz.
Quando parecia que iria desfalecer para sempre, um sopro de esperança invadia seu cérebro ao ouvir os sinos, intermitentes e profundamente apelativos. Não conseguiu saber como pôs-se de pé, mas quando percebeu já estava novamente em marcha, perto de uma pequena elevação.
Com muito esforço subiu aquela que parecia ser uma duna. Como que por encanto o som dos sinos pareceu estar menso distante. O estranho é que agora o som parecia estar vindo do oceano. Viu ao longe, bem longe, um penhasco. Como que por impulso foi em direção a ele. Decdiu parar de pensar. Seu único objetivo agora era chegar ao penhasco. Quem sabe dessa vez terria mais sucesso do que da vez anterior no promontório.
segunda-feira, outubro 22, 2001
Acordou depois de um violento acesso de tosse, expelindo água salgada. A boca estava cheia de areia. O sol estava forte agora, queimando-lhe a face machucada. Procurou certificar-se de que estava vivo. A maior prova disso era a sua perna esquerda, que doía muito. Estava quebrada? Provavelmente.
ele tentou se arrastar até as pedras para fugir da água do mar. Minutos depois, exausto, tentava entender porque continuava vivo. As explicações eram vagas, mas não faziam diferença naquele momento. A questão agora era a seguinte: se ele não conseguia nem ao menos morrer, o que esperar do resto de sua lamentável vida?
Ele tentava se locomover em direção ao que parecia ser uma vila de pescadores ao longe, na própria praia. Pelas suas contas e pela posição do sol, imaginava ser no meio da tarde quando finalmente atingiu os limites dos cinco casebres mal construídos. Teriam se passado mais de cinco horas desde que tinha voltado à consciência e seu esforço fora descomunal. Com a ajuda de um bastão, postou-se de pé e conseguiu entrar no primeiro casebre a sua direita.
Sentiu cheiro de café. Um bule no fogareiro antiquíssimo ainda fumegava. Com uma xícara suja na pia, bebeu um pouco e passou a acreditar que realmente poderia escapar daquela dimensão esquisita onde caíra. Lutava para livrar-se do sonho, mas não conseguia. Agora, com aquele café quente, esperava ter condições de escapar daquele pesadelo.
Seu aspecto era o pior possível: sujo, descalço, com as roupas rasgadas e com hematomas e cortes por todo o corpo. O fim da linha ainda estava bem longe, ele pressentia.
Só lhe restava agora chorar. E chorou, chorou bastante de desespero.
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Decidiu percorrer as outras quatros casas da microvila. Nem sinal de ser vivo. Em uma delas parecia que alguém estivera ali há pouco. Estava tudo arrumado e havia cheiro de comida. Teve um pouco de ânimo e comeu um pedaço de bolo de chocolate. Procurou desesperadamente uma bebida alcoólica, qualquer uma. Não achou.
Na sala exígua desse casebre, havia um punhado de estopa em um canto. Sentou-se nele e procurou esforçar-se para adormecer. Desde que tinha despertado naquela maldita dimensão ele imaginava que, dormindo, poderia acordar de volta à normalidade. No entanto, não seria daquele vez que conseguiria.
Apesar disso, parecia que as coisas começariam a fazer sentido. Não tinha idéia se estava sonhando ou não, mas a imagem era nítida. A garota estava a pouco mais de cinco metros dele em um gramado imenso. Ela apontava para ele, inquisitorialmente. Ele gritava pelo nome dela. Sua angústia aumentou ao perceber que sua voz não saía. Tentou levantar, mas estava preso ao chão. Ela apontava o dedo para ele acusando-o, culpando-o, com ira nos olhos.
Para ele as coisas estavam piorando, e de forma bem depressa. Era tudo o que ele não precisava naquele momento, um fantasma do passado para acelerar a sua queda no inferno. Ele queria gritar, mas a voz não saía. Ele queria agarrá-la, mas não conseguia se mover.
O campo gramado agora virou uma imensa fogueira. A garota continuava a apontar para ele, mas lentamente se afastava até desaparecer dentro das chamas. Tudo estava quente, sentia até mesmo seu cérebro parecia cozinhar. Insuportavelmente quente. E angustiante. E tenebrosamente assustador. Ele estava preso a um dimensão desconhecida e ansiava por ajuda, por ter a companhia de alguém para dividir seu desespero, mas o máxio que atingiu foi ter a desesperadora visão dela, ali, parada, apontando para ele. Logo ela, que estava morta.
Uma coisa desagradável vem acontecendo com bastante frequência pelo Brasil afora e mostra como é grande a ignorância e o mau-caratismo que imperam em boa parte das escolas de ensino médio e fundamental, públicas e privadas. Em recente carta publicada no Ringue, fórum eletrônico de leitores da revista Rock Brigade, um professor de história carioca de uma escola particular reclamava da discriminação que estava sofrendo de alunos, funcionários, outros professores e da direção da escola por gostar de rock pesado e expor suas opiniões em sala de aula.
Durante uma semana ele resolveu discutir com seus alunos de sétima e oitava séries as questões ligadas ao atentado terrorista contra Nova York. No tópico em que discutia diferenças de opiniões, religiões e estilos de vida, ele resolveu analisar a letra traduzida de "Run to the Hills", do Iron Maiden, sem executá-la no gravador portátil. Segundo o professor, aquele seria um bom exemplo de respeito a outras formas de pensamento, já que o grupo executava rock pesado mas tinha idéias humanistas em suas letras, revelando tolerância.
Mas não é que um grupo de alunos evangélicos se sentiu ofendido quando viram a capa do CD "The Number of the Beast", que contém a música analisada (para quem não viu a capa, traz o mascote da banda, Eddie, travestido de demônio e pisoteando várias coisas sob fundo verde)? Não contentes com isso, esses nojentos evangélicos foram se queixar à diretoria, que repreendeu o professor por levar "objetos inadequados para análise de conteúdo". E o mais incrível: todos os professores do colégio apoiaram a diretoria contra o professor roqueiro.
Esse é uma amostra perfeita do lixo que se tornou o ensino médio brasileiro, com professores preconceituosos, despreparados e totalmente incompetentes. O nível está muito baixo e as nefastas influências de seitas religiosas e do chamado "senso crítico comum" acabam por piorar cada vez mais o nível da educação brasileira.
São frequentes as reclamações de estudantes de cidades do interior, de escolas públicas e privadas, a respeito de discriminação e preconceito por causa do som que ouvem e das roupas que vestem. E não é nada cômodo saber que nos Estados Unidos acontece exatamente a mesma coisa. Infelizmente a tolerância e o respeito não fazem parte do currículo escolar nem do Primeiro Mundo nem do Terceiro.
domingo, outubro 21, 2001
Para muitos, é uma boa notícia. Para outros, nem tanto. A banda Bad Company anunciou em outubro deste ano que pretende continuar as suas atividades, agora sob a liderança do fabuloso cantor Paul Rodgers, um de seus fundadores. Assim, o quarteto entra definitvamente na onda dos "retornos"de "dinossauros" que assolou a década de 90 (cujos exemplos não faltam: Who, Kansas, Eagles, Kiss com formação original, Black Sabbath com formação original, entre muitos e muitos outros).
Para os fanáticos pelo "classic rock" e pelo rock dos anos 70, é uma notícia e tanto. Rodgers terá agora a companhia de Simon Kirke, o baterista original do Bad Company e que foi companheiro do vocalista no Free (que durou de 1968 a 1973), e dos puco conhecidos David "Bucket" Colwell (guitarra) e Rick Wills (baixo).
Essa formação fez diversos shows neste ano nos Estados Unidos e recentemente assinou contrato com a TBA Entertainment Corporation, empresa especializada em administrar a carreira de artistas. A parceria já está rendendo frutos. A TBA está planejando uma grande turnê do Bad Company pelos EUA no ano que vem, na qual deve ser gravado o primeiro DVD/ vídeo ao vivo do conjunto, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2002.
A gestação dessa nova encarnação do Bad Company começou em 1998, quando Mick Ralphs, o guitarrista original da banda, iniciou os trabalhos para fazer a compilação "Anthology", uma caixa com quatro CDs a ser lançada no ano seguinte com o melhor dos 25 anos de carreira do conjunto inglês. Ralphs, ex-Mott the Hoople, manteve a chama do Bad Company acesa mesmo com a saída do carismático Paul Rodgers em 1982. Desde então, até meados dos anos 90, houve mais uma deserção, o baixita Boz Burrell, e a banda vagou sem um décimo do prestígio que tinha nos anos 90. Apesar de ter por um bom tempo como vocalista o inglês Robert Hart, a banda se afundou cada vez mais.
Após um longo período de inatividade, Ralphs foi convocado pela gravadora da banda para coordenar os trabalhos de "Anthology". Deixando os ressentimentos de lado, Ralphs convidou Rodgers, Kirke e Burrell para participarem do projeto, que previa a escolha das músicas mais marcantes e de faixas rarassss, muitas não editadas.
O trabalho foi realizado de forma fácil e o entendimento entre eles foi bom. Ralphs não perdeu tempo e propôs que os quatro da formação original compusessem e gravassem quatro músicas em estúdio para servir de chamativo para a caixa. Todos aceitaram e o quarteto fundador, reunido depois de 17 anos de separação, compôs e gravou no começo de 1999 as músicas "Tracking Down a Runaway", Ain't It Good", "Hammer of Love" e "Hey, Hey". A caixa foi um sucesso e rendeu uma elogiada turnê pelos Estados Unidos e pela Inglaterra. No entanto, cada um tomou o seu rumo após a reunião.
Diante disso, causou surpesa o anúncio da volta definitiva do Bad Company ao mercado, sem Mick Ralphs e Boz Burrell e capitaneada por Paul Rodgers, que jamais cogitou até o ano passado reformar suas antigas bandas - Free, Bad Company, The Firm e The Law -, já que sua carreira solo estava indo muito bem, principalmente com a boa acolhida de seu CD ëlectric", de 1999. Resta agora torcer para que não seja apenas um retorno caça-níqueis, sem rpeocupação com a qualidade.
A rádio Kiss FM de São Paulo - 102,1 MHZ - continua sendo a melhor opção para quem gosta de rock de qualidade no dial paulistano. Apostando cada vez mais no cocneito "classic rock" - músicas mais importantes do gênero (e para nossa sorte nem tão importantes assim, mas igualmente maravilhosas) editadas entre 1960 e 1985, muito difundido na Inglaterra e nos Estados Unidos - o público da emissora cresce cada vez mais. Merece ser conferida. No final de semana de 20 e 21 de outubro, durante uma das tardes, uma sequência para arrebatar os amantes do rock progressivo: a primeira das três partes de "Journey to the Center of the Earth", de Rick Wakeman, "Starless", do King Crimson, "The Power and the Glory", de Gentle Giant, "Elephant Talk", outra do King Crimson, e "Set the Control of the Heart of the Sun", do Pink Floyd. À noite, uma sequência pedasa: "Judgement Day", do Whitesnake, "School's Out", de Alice Cooper, "For Those About to Rock"e "Rock'n'roll Ain't Noise Pollution", do AC/DC, e a mágica "Dance the Night Away", do Van Halen. Essa rádio vai longe.
sexta-feira, outubro 19, 2001
O Pink Floyd, o grupo que simboliza o rock progressivo ao lado do Yes (secundados, é claro, por Genesis, King Crimson, Jethro Tull e Emerson, Lake and Palmer), é um dos poucos mitos do rock que nunca passaram por terras brasileiras. Parte dessa lacuna será preenchida pelo ex-baixista e ex-líder da banda, Roger Waters, que confirmou no dia 19 de outubro das datas da turnê mundial que fará em 2002.
Serão seis datas na América Latina, duas delas no Brasil – 14 de março no Sambódromo, no Rio de Janeiro, e 15 de março no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Ele ainda toca na Argentina, no Chile, na Venezuela e no México, para depois seguir para o Japão e Coréia do Sul.
Por pelo menos duas vezes o Pink Floyd, já sem Waters, esteve para vir ao Brasil. Ao final do Rock in Rio 2, em 1991, o empresário Roberto Medina anunciou que iria iniciar negociações para a vinda do grupo para 1992 ou 1993. Foram mais de dois anos de negociações até que Medina desistisse que incluir o Brasil na turnê mundial da banda de 1994/1995, a “Divison Bell Tour”, a última feita pelo Pink Floyd. O motivo foi o alto custo da operação, entre infra-estrutura necessária e o alto cachê cobrado.
Em 2000, Medina voltou à carga para escalar o Pink Floyd como a maior atração do Rock in Rio 3, a ser realizado em janeiro de 2001. Sua idéia era contratar ainda Van Halen e Rush (que nem chegaram a abrir negociações, já que o Van Halen estava sem vocalista e o Rush se recusa a tocar em locais abertos).
Foram necessários alguns meses para que novamente Medina desistisse do sonho do Pink Floyd e teve de se contentar com Iron Maiden (que reapresentava Bruce Dickinson como voclaista). Sem demérito para a banda inglesa de heavy metal, não dá para comparar o seu impacto com o de um show do Floyd.
Voltando ao irascível Waters, sua carreira teve altos e baixos após sair oficialmente do Pink Floyd em 1985. Ele tentou evitar que a banda continuasse com David Gilmour e Nick Mason na Justiça da Inglaterra e dos Estados Unidos, mas perdeu em ambas.
A partir de então, fez bons álbuns, como “Radio KAOS”, de 1987, e “Amused to Death”, de 1992, que também, renderam lucrativas turnês mundiais. No entanto, parece que a criatividade do baixista foi minguando nos anos 90. Após muito tempo fora dos palcos e do mercado, ele retornou em 2000 com um CD duplo a vivo, “In The Flesh”, que nada mais é do que uma releitura de sua carreira solo recheada com grandes hits do Pink Floyd.
Para os shows da turnê de 2002 Waters terá a companhia de Andy Fairweather-Low (guitarrista que já tocou como apoio para o próprio Waters, para o Pink Floyd, para o Who e para Eric Clapton)), Snowy White (outro guitarrista que já tocou com Waters, entre outros), Doyle Bramhall II (guitarrista que foi o líder do Arc Angels), Graham Broad (bateria), Jon Carin (tecladista que tocou muito tempo com Pete Townshend e com o Who), Andy Wallace (teclados), Norbert Stachel (saxofone) e as voclaistas de apoio Katie Kissoon e Susannah Melvoin, além da participação especial da cantora norte-americana PP Arnold (excelente vocalista que se fixou na Inglaterra a partir de 1966 depois de cantar para Ike and Tina Turner).
Os shows brasileiros deverão ter o repertório baseado no duplo ao vivo “In The Flesh”. Será uma rara oportunidade para assistir a um dos mais importantes artistas de nosso tempo. Esperamos que outros monstros sagrados do rock se inspirem em Waters e toquem pela primeira vez no país, como o próprio Pink Floyd, o Rush, o Who e Pete Townshend, ou que retornem ao Brasil, como Van Halen e AC/DC.1.
Abaixo está a lista de músicas que compõem o CD ao vivo "In The Flesh", a base dos shows do Rio e de São Paulo. Pelo menos 80% destas músicas serão executadas por aqui.
1 “In The Flesh” (from "The Wall")
2. "The Happiest Days Of Our Lives" (from "The Wall")
3. "Another Brick In The Wall, Part 2" (from "The Wall")
4. "Mother" (from "The Wall")
5. "Get Your Filthy Hands Off My Desert" (from "The Final Cut")
6. "Southampton Dock" (do álbum "The Final Cut", Pink Floyd)
7. "Pigs On The Wing, Part 1" (de "Animals", Pink Floyd)
8. "Dogs" (de "Animals", Pink Floyd)
9. "Welcome To The Machine" (de "Wish You Were Here", Pink Floyd)
10. "Wish You Were Here" (de "Wish You Were Here", Pink Floyd)
11. "Shine On You Crazy Diamond (Parts 1-8)" (de "Wish You Were Here", Pink Floyd)
12. "Set The Controls For The Heart Of The Sun" (de "Saucerful Of Secrets", Pink Floyd)
13. "Breathe (In The Air)" (de "Dark Side Of The Moon", Pink Floyd)
14. "Time" (de "Dark Side Of The Moon", Pink Floyd)
15. "Money" (de "Dark Side Of The Moon", Pink Floyd)
16. "Pros and Cons of Hitch Hiking Part (de "The Pros and Cons of Hitch Hiking", solo)
17. "Perfect Sense (Parts I and II)" (de "Amused To Death", solo)
18. "The Bravery Of Being Out Of Range" (de "Amused To Death", solo)
19. "It's A Miracle" (de "Amused To Death", solo)
20. "Amused To Death" (de "Amused To Death", solo)
21. "Brain Damage" (de "Dark Side Of The Moon", Pink Floyd)
22. "Eclipse" (de "Dark Side Of The Moon", Pink Floyd)
23. "Comfortably Numb" (de "The Wall", Pink Floyd)
24. "Each Small Candle" (inédita, solo)
quinta-feira, outubro 18, 2001
O ex-beatle Paul McCartney, o único roqueiro que já recebeu o título de sir na Inglaterra, prova neste sábado que não só tem carisma inigualável no mundo pop como é o artista mais respeitado pelos colegas superastros. A prova disso é a adesão que recebeu quando convidou amigos para um concerto em benefício das famílias dos bombeiros mortos no atentado de 11 de setembro ao World Trade Center, em Nova York.
McCartney mostrou agilidade e competência ao organizar o “Concert For a New York”, marcado para o imponente Madison Square Garden para 20 de outubro. Aceitaram o convite (ou se convidaram) gente como Mick Jagger, The Who, David Bowie, Eric Clapton, Bono e The Edge (U2), Elton John, Billy Joel, James Taylor e muitos outros.
O esquema é o tradicional “Live Aid”, ou seja, cada artista tem de 20 a 30 minutos para se apresentar (dependendo do prestígio, é claro) para no final todos se juntarem para cantar uma música-símbolo.
O ex-beatle escondeu, mas falou-se nos bastidores que uma superbanda formada por McCartney no baixo, Clapton e Pete Townshend nas guitarras e tendo como vocalistas Mick Jagger, Roger Daltrey e David Bowie ficaria fixa no palco na última hora do show tocando grandes standards do rock, mas a informação não foi confirmada.
O prestígio de McCartney só não é supremo porque ele não conseguiu convencer os remanescentes do Led Zeppelin a se reunirem. Cada um dos três – Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones – alegou compromissos profissionais para escaparem de ter de se aturarem. No entanto, David Bowie fez questão de conversar pessoalmente com o ex-beatle para garantir a sua participação, assim como Clapton, que deveria interromper sua turnê mundial para tocar em Nova York.
Outros que se convidaram, para felicidade de McCartney, foram Mick Jagger, Bono e The Edge e Billy Joel. Já o Who deveria ficar inativo até 2002, mas Townshend foi convencido pelo amigo ex-beatle a participar e recebeu a missão de arrastar Roger Daltrey e John Entwistle, que estavam em férias.
Com o “Concert For A New York”, Paul McCartney ganha o rótulo de maior filantropo do rock, segundo três importantes jornais britânicos. Ele foi o responsável pela organização do “Concert For Kampuchea”, em 1979, realizado durante três dias no Hammersmith Odeon, em Londres, em dezembro daquele ano.
Sensibilizado com pedidos da Cruz Vermelha e da Anistia Internacional, McCartney reuniu em tempo recorde seus melhores amigos no show business para um concerto beneficente. Participaram The Who, Queen, Robert Plant e John Bonham (Led Zeppelin), The Clash e outros.
Em setembro de 1997 as duas organizações não perderam tempo e pediram novamente a McCartney ajuda para arrecadar fundos para as vítimas da erupção de um vulcão na chique ilha de Montserrat, no Caribe (ilha onde vários astros da música pop e do esporte mantinham mansões).
Novamente o ex-beatle recorreu a amigos como Eric Clapton, Mark Knopfler (Dire Straits), Phil Collins (Genesis), Elton John e Sting para um grande show no Royal Albert Hall, em Londres.
A boa ação de McCartney em relação ao show para as famílias dos bombeiros mortos no WTC novaiorquino, entretanto, rendeu-lhe uma “saia justa”. O amigo de longa data Pete Townshend não perdeu a chance e cobrou publicamente, em entrevistas individuais a jornais norte-americanos e ao brasileiro Jornal da Tarde, um show beneficente em prol dos inocentes refugiados afegães que fogem dos bombardeios norte-americanos e ingleses. McCartney ainda não se manifestou sobre o assunto.
quarta-feira, outubro 17, 2001
O começo da manhã trazia um fraco raio de sol na praia, mas o vento era muito forte e frio. Ainda sobrara uma única garrafa de uísque de milho, e ainda pela metade. A agonia estava aumentando. O pesadelo não acabava e a perspectiva de ser o único ser humano na face do planeta era pode demais absurda para ser considerada.
Ecos e fragmentos de dias anteriores iam e voltavam na mente. Pessoas conhecidas berravam e gritavam, mas ele nada escutava. O ambiente estava caótico, mas percebeu que conseguiu, por certo momento, manter a lucidez. Tentava agarrar-se ao máximo a essas imagens, mas logo em seguida era atirado ao presente pelo barulho das ondas do mar.
O Porsche estava ao longe, ainda incandescente. Sabia que havia posto fogo no carro logo que chegara à praia, ainda de madrugada, mas não tinha idéia do motivo.
Caminhou lentamente em direção a um pequeno promontório na ponta da praia e por um momento decidiu se livrar da garrafa de uísque. Não havia caminho de volta, determinou. Aquilo estava indo longe demais. Se aquele era o preço de sua autodestruição, já estava pagando muito além do que deveria. Pela sua ótica, havia tentado de tudo para entender o que se passava, mas sem sucesso. Estava louco? Talvez. Mas o que importava? Se havia caído em um buraco negro de alguma dimensão temporal paralela, que diferença fazia? Provavelmente ele teria de continuar vagando por aí, carregando todo o peso de sua estupidez em suas costas.
A única forma de se livrar daquela imensa bobagem era voltar ao passado. Ele não estava disposto a pensar muito sobre aquilo. Como um saltador olímpico, atirou-se do penhasco não muito alto que havia na ponta do promontório. O mar estava muito agitado com o forte vento. Mas ele não se assustou. Nada tinha a perder. Apenas o seu passado.
A revista Caros Amigos surgiu como uma alternativa à esquerda ao domínio editorial de publicações vinculadas a grandes editoras, todas elas reprodutoras do ideário neoliberal tucanizado e direitista. Seus primeiros números traziam textos inteligentes e interessantes de colaboradores que tinham bons argumentos, que tinham algo a dizer.
Só que os argumentos sensatos acabaram e as críticas ácidas esquerdizantes foram trocadas pelo discurso inconoclasta, destrutivo e fora de mopda da esquerdalha brasileira e mundial, com textos que beiram a paranóia e que frequentemente descambam para a psicose pura e simples e para a manipulação de dados históricos. Por isso deixei de comprar a revista.
Por curiosidade, comprei o último número da revista, que tem a manchete "Guerra de Bush". Já imaginava o que iria encontrar e pude me divertir à beça com as inúmeras bobagens ao longo de suas 60 páginas. Foi unânime: todos os seus colaboradores criticaram asperamente os Estados Unidos por sua postura diplomática desde o século restrasado e quase todos concluem que eles mesmo são culpados pelo atentado de 11 de setembro. Alguns louvam mesmo Bin Laden e seus terroristas. É o fim da picada.
O outrora ponderado e inteligente José Arbex Jr. chega ao cúmulo da idiotice ao afirmar que Bush vai se beneficiar dos ataques terroristas e que todo o "circo de guerra" armado no Afeganistão já fazia parte de uma estratégia para adquirir TODAS (grifo meu) as reservas petrolíferas mundiais. É pura alucinação.
Outro cidadão desqualificado, Georges Bourdokan, ainda tem o disparate de afirmar ter dúvidas sobre serem muçulmanos os autores do atentados. Não bastasse essa insanidade, ele ainda mistura fatos históricos para demonstrar que os muçulmanos são gente boa e que os verdadeiros vilões são os ocidentais.
É uma das publicações mais lamentáveis dos últimos tempos.
Clubes cariocas estão ameaçansdo boicotar a seleção brasileira caso Felipão convoque mais de um jogador para os jogos decisivos contra Bolívia e Venezuela. Eles alegam que poderão ficar sem seus jogadores por três ou quatro rodadas. Pois que fiquem. Isso é uma piada. Os clubes têm obrigação de liberar os jogadores em qualquer circusntância para a seleção, mesmo que sejam 11 convocados de um mesmo time. Isso é um absurdo, justamente no momento em que a seleção precisa de seus principais jogadores para se classficiar à Copa do Mundo. Não por acaso os clubes rebeldes são Vasco e Flamengo, dirigidos por dois bandidos e por duas quadrilhas que saqueiam os times e atrapalham o futebol brasileiro.
segunda-feira, outubro 15, 2001
A retrospectiva da carreira do KISS editada em forma de box set contendo 94 músicas do grupo será lançada no dia 20 de novembro. Os fãs da banda poderão encontrar nos cinco CDs, 30 faixas raras, entre elas versões ao vivo, outtakes (versões diferentes das que estão nos álbuns) e versões demo dos clássicos da banda. A caixa estará disponível em duas versões, que diferem entre si apenas pela embalagem: a versão comum e a versão de luxo, que vem dentro de uma replica de um "case" (usado para carregar instrumentos) de guitarra. Ambas virão acompanhadas de um livro de 120 páginas com comentários sobre todas as canções, fotos raras, etc.
"Kiss The Box Set":
CD 1: 'Strutter' (demo), 'Deuce' (demo), 'Keep Me Waiting' (Wicked Lester), 'She' (Wicked Lester), 'Love Her All I Can' (Wicked Lester), 'Let Me Know' (demo gravada no Bell Sound Studios) , '100,000 Years' (demo gravada no Bell Sound Studios), 'Stop, Look To Listen' (demo gravada em 1968 por Paul Stanley), 'Leeta' (demo gravada em 1969 por Paul Stanley), 'Let Me Go, Rock 'N' Roll' (demo gravada no Bell Sound Studios), 'Acrobat' (ao vivo em the Daisy), 'Firehouse' (demo gravada no Bell Sound Studios), e as faixas 'Nothin' To Lose', 'Black Diamond', 'Hotter Than Hell', 'Strange Ways', 'Parasite', 'Goin' Blind', 'Anything For My Baby', 'Ladies In Waiting', e 'Rock And Roll All Nite'.
CD 2: live sessions of 'C'mon And Love Me', 'Rock Bottom', 'Cold Gin', and 'Watchin' You', 'Doncha Hesitate' (demo), 'Mad Dog' (demo), 'God Of Thunder' (demo), 'Great Expectations', 'Beth', 'Do You Love Me', 'Bad, Bad Lovin'' (demo do que viria a se tornar 'Calling Dr. Love'), 'Calling Dr. Love', 'Mr. Speed' (demo), 'Christine Sixteen', 'Hard Luck Woman', 'Shock Me', 'I Stole Your Love', 'I Want You' (gravado em uma passagem de som), 'Love Gun' (demo) e 'Love Is Blind' (demo).
CD 3: 'Detroit Rock City', 'King Of The Night Time World' (ao vivo), 'Larger Than Life', 'Rocket Ride', 'Tonight You Belong To Me', 'New York Groove', 'Radioactive' (demo), 'Don't You Let Me Down', 'I Was Made For Lovin' You', 'Sure Know Something', 'Shandi', 'You're All That I Want, You're All That I Need' (demo), 'Talk To Me' (live), 'A World Without Heroes', 'The Oath', 'Nowhere To Run', 'Creatures Of The Night', 'War Machine' e 'I Love It Loud'.
CD 4: 'Lick It Up', 'All Hell's Breaking Loose', 'Heaven's On Fire', 'Get All You Can Take', 'Thrills In The Night', 'Tears Are Falling', 'Uh! All Night', 'Time Traveller' (demo), 'Hell Or High Water', 'Crazy, Crazy Nights', 'Reason To Live', 'Let's Put The X In Sex', 'Hide Your Heart', 'Ain't That Peculiar' (demo),' 'Silver Spoon', e 'Forever' (versão do single).
CD 5: 'God Gave Rock 'N' Roll To You II', 'Unholy', 'Domino' (demo), 'Every Time I Look At You', 'Comin' Home' (versão do acústico), 'Got To Choose' (versão do acústico), 'I Still Love You' (versão do acústico), 'Nothin' To Lose' (versão do acústico), 'Childhood's End';, 'I Will Be There', 'Psycho Circus', 'Into The Void', 'Within', 'I Pledge Allegiance To The State Of Rock & Roll', 'Nothing Can Keep Me From You', 'It's My Life' (versão original), 'Shout It Out Loud' (ao vivo), e 'Rock And Roll All Night'(do ainda inédito KISS Alive IV).
Finalmente o CD "Shakespeare's Hamlet Project" estará nas lojas no começo de outubro depois de dois anos de trabalho duro da Die Hard Records incluindo 14 bandas, convidados especiais, e engenheiros e produtores do Brasil e Alemanha. Este CD conta em 15 faixas a tragédia de Hamlet e foi gravada no Creative Sound Studios. A iniciativa é uma das mais importantes da história do metal brasileiro, graças à Die Hard. Veja a lista de músicas:
1) "From Hades to Earth" - Delpht
2) "Sweet Flavour of Justification" - Santarem
3) "Visions of the Beyond" - Hammer of the Gods
4) "The King's Return" - Krusader
5) "The Truth Appears" - Nervochaos
6) "A Letter to Ophelia" - Vers'Over
7) "Dagger of Words" - Sagga
8) "Prayers in the Wind" - Imago Mortis
9) "Stormy Nights" - Symbols
10) "Hidden by Shadows" - Hangar
11) "Mandate for Freedom" - Torture Squad
12) "Trap" - Fates Prophecy
13) "Good by my Dear Ophelia" - Eterna
14) "The Last Words" - Thuatha de Dannan
15) Faixa Surpresa
Convidados Especiais: Andre Matos e Mario Pastore
quinta-feira, outubro 11, 2001
Quase sem combustível, finalmente ele achou um posto ao final de um vale na estrada deserta. Enquanto abastecia, sentiu uma forte pancada na cara. Era o vento jogando poeira, com feixes de pó açoitando-lhe a face. Refugiou-se em um pequeno empório ao lado do posto. Na verdade, era um boteco. Parecia que havia sido limpo há pouco, mas nem sinal de seres humanos. Já esperava por isso.
Com uma garrafa de uísque vagabundo de milho na mão, deu um violento pontapé em uma jokebox caindo aos pedaços que estava perto do balcão. Ela começou a cuspir uma desprezível música country tristonha e chorosa. nem prestou a atenção, apenas queria som para preencher aquele vazio quase insuportável.
A questão agora começava a complicar, mas ele se recusava a se preocupar com isso. Não tinha ânimo nem paciência. O que fazer se ele era o único habitante do planeta? Logo a comida nos supermercados estragaria. Onde obter alimentos? O mesmo ocorreria com frutas e legumes nas plantações. O combustível? Logo estragaria nas bombas e nas refinarias, mas ainda daria tempo de ele percorrer longos trechos para se distrair.
O que ele queria na verdade era conversar com alguém. Fazia tempo que ele não socava ninguém e estava sentido a mão atrofiar. Nunca poderia imaginar que um dia ficaria sem ter a quem socar.
Ao final da primeira garrafa ele tentava ordenar o pensamento para traçar a linha de ação. A idéia era... passar o tempo? Começou a imaginar o que estava acontecendo pela primeira vez no dia. Por diversas vezes tinha descartado o sonho. Tudo aquilo era bem real. Estaria em uma dimensão paralela? Como tinha ido parar lá? Estaria sob efeito de remédios? Teria sido ele o único sobrevivente de uma guerra de nêutrons ou uma guerra biológica?
Tentava buscar respostas, mas já estava no final da segunda garrafa. Tudo o que conseguiu foi decidir que iria para a praia. Nada havia a fazer naquele fim de mundo, longe de tudo e de todos (todos?).
A última coisa que conseguiu lembrar foi do boteco pegando fogo rapidamente. Entrou no carro e seguiu para o norte em alta velocidade, mesmo com a dificuldade de manter o carro na pista. Dez minutos depois o posto inteiro explodiu. Sim, ele tinha incendiado o estabelecimento, só não se lembra como.
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Esfriara muito à noite. Tentou dormir no carro, mas não deu. Achou vários papéis jogados no porta-malas e fez uma fogueira. Deitado e encolhido, encostado na roda dianteira direita, tentava lembrar da última vez em que viu um ser humano. Não conseguiu. Contentou-se em enxugar outra garrafa de uísque barato.
Entre os subgêneros produzidos pelo rock, o único que teve a sua morte decretada, e todo mundo acreditou, foi o rock progressivo. Demolido sem piedade pelo movimento punk, a tendência acabou praticamente esquecida e soterrada no meio dos anos 80 pelo heavy metal tradicional de Iron Maiden, Saxon, Judas Priest e outras feras.
O Yes chegou a acabar em 1981 para retornar dois anos depois, mas sem o mesmo pique e a mesma qualidade. Até hoje continua vagando por aí, vivendo mais do prestígio do passado do que qualquer outra coisa.
O Genesis sucumbiu à música pop, o Pink Floyd se esfacelou com a briga entre David Gilmour e Roger Waters em 1985 e também continua errando pelos anos, lançando um CD inédito a cada dez anos. O King Crimson tentou voltar em 1981 (acabara em 1975), mas sumiu em 1985 para, quase dez anos depois, se tornar um mero apêndice da carreira solo do líder Robert Fripp. Hoje não passa de um projeto paralelo do fantástico guitarrista.
Sobrou para o Marillion, banda inglesa que começou a fazer sucesso em sua terra natal no começo dos anos 80, manter a chama acesa do rock progressivo. E foi justamente o Marillion, na época do vocalista Fish (de 1981 a 1988), que criou as raízes do que viria ser o metal progressivo dos anos 90, o subgênero do rock que maios cresce na atualidade em relação ao mercado fonográfico.
Foi justamente ouvindo os trabalhos ao vivo do Marillion que três rapazes norte-americanos definiram o direcionamento musical de sua banda. O guitarrista John Petrucci, o baixista John Myung e o baterista Mike Portnoy, o núcleo do Dream Theater, demitiram em 1989 o vocalista Charley Domenici, recrutaram o tecladista Kevin Moore e o vocalista canadense James LaBrie e gravaram o CD “Images and Words”, numa linha totalmente diferente do primeiro trabalho, “When Dream and Day Unite”. Estava definido o conceito de heavy metal progressivo, fartamente influenciado por Yes e Pink Floyd, mas com ecos de King Crimson e Gentle Giant.
O Dream Theater, hoje uma das mais importantes bandas de rock da atualidade, é sinônimo de metal progressivo. O sucesso foi tamanho que uma gravadora foi criada para abraçar o subgênero. A Magna Carta, norte-americana, não perdeu tempo e contratou os músicos do Dream Theater isoladamente para que gravassem ali seus projetos solo.
Não bastasse isso, Trent Gardner, o mentor da Magna Carta, praticamente se apossou do conceito e deu oportunidade a bandas que dificilmente teriam sucesso em outros selos. Graças à Magna Carta que hoje podemos escutar o fabuloso Shadow Gallery e o ótimo Magellan, liderado pelo próprio Gardner.
A tacada deu tão certo que mesmo um projeto que surgiu de uma brincadeira, o Liquid Tension Experiment (uma mistura louca, mas equilibrada, de jazz, heavy metal e música progressiva), foi obrigado a gravar um segundo CD porque o primeiro estourou de vendas na Europa e no Japão, chamando a atenção do público norte-americano. O resultado: o segundo CD da banda formada por John Petrucci, Mike Portnoy, Jordan Ruddess (hoje tecladista do Dream Theater) e Tony Levin (baixista que já tocou com King Crimson, Genesis, Yes e muitos outros) também vendeu horrores.
O sucesso do Dream Theater e da gravadora Magna Carta abriu as portas para outros sucessos de venda, como Symphony X, Fates Warning, Virgin Steele, Spock’s Beard e Vanden Plas, todos norte-americanos, que estão entre os principais nomes de suas gravadoras. Na Europa, o grande destaque do gênero é o grupo sueco The Flower Kings, liderado pelo guitarrista Roine Stolt.
Hoje o metal progressivo é o ramo que mais cresce na Europa ao lado do metal extremo e gravadoras famosas ligadas ao rock no continente, como Century Media, Nuclear Blast e SPV começam a dedicar profissionais exclusivamente para observar a tendência. Nunca a junção de guitarras pesadas com conceitos musicais mais elaborados chamou tanto a atenção como neste início de século XXI.
quarta-feira, outubro 10, 2001
Creio que tudo o que precisava ser dito sobre a guerra no Afeganistão foi dito nos blogs amigos que frequentemente visito. Mas o velho guerra Maurício Gaia, do Mauricéia Desvairada, levanta a hipótese de que Osama bin Laden e o Taleban já são os vencedores do conflito dentro do mundo islâmico.
Ele tem razão, a questão toda é justamente essa. Era tudo o que bin Laden queria. E ele pode conseguir unificar o mundo árabe e o mundo islâmico em geral contra o Ocidente, embora politicamente há governos muçulmanos que têm verdadeira ojeriza e pânico ao Taleban, como a família real saudita, o governo egípcio e a Turquia.
Por enquanto a hipótese da guerra santa generalizada está descartada por absoluta falta de apoio político. É bem verdade que a população ignorante e manipulada pelos fundamentalistas nos vários países islâmicos está em massa apoiando o terrorista, mas isso não é o suficiente. No entanto, o Ocidente jamais pode desprezar a hipótese de uma jihad.
Ao que parece, o mundo islâmico não deverá se opor à ofensiva norte-americana e os terroristas, junto com o Taleban, dificilmente resistirão. Será um golpe e tanto contra o terrorismo.
A torcida da Lazio é uma das mais nojentas do mundo. O time de Roma contratou o atacante Fabio Liverani, de 25 anos, da seleção italiana. Liverani nasceu em roma, mas é filho de pai italiano e mãe somaliana, ou seja, é mulato. Foi o suficiente para que os torcedores racistas radicais da Lazio protestassem pichando as paredes da sede do clube com frases ofensivas ao jogador e aos negros em geral. A direção da Lazio repudiou as manifestações e colocará seguranças para acompanhar o jogador.
Os torcedores do clube romano são os mais racistas da Itália, ganhando até de aficionados clubes tradicionalmente reconhecidos como "puros", como o Verona, hoje na segunda divisão. Um jogador holandês, Aaron Winter, da seleção de seu país e negro, sofreu bastante quando jogou na Lazio. Nem mesmo jogadores de outros times, como os da Roma, escapam da fúria racista dos torcedores da Lazio. Cafu e Antonio Carlos já foram hostilizados de forma grave.
Para seres nojentos desse tipo, nada há o que fazer: tolerãncia zero para eles, que sejam banidos da vida pública e trancafiados perpetuamente em prisões de segurança máxima.
Uma das mais gratas surpresas musicais deste ano sai em DVD no mercado brasileiro, em produto nacional. "The Who Live at the Royal Albert Hall" é uma apresentação ao vivo do Who, uma das cinco mais importantes banda de rock de todos os tempos, gravada em 27 de novembro de 2000 na casa londrina. O legal da apresentação é que ela encerrou a turnê anglo-americana de 1999-2000 da banda e foi beneficente, com renda revertida para três entidades que cuidam de crianças com doenças raras e degenerativas.
Os três integrantes originais e remanescentes - Roger Daltrey (vocais), Pete Townshend (guitarras) e John Entwistle (baixo) - têm a colaboração de John Rabbit Bundrick (teclados) e Zak Starkey (bateria), este filho de Ringop Starr e que toca com o Who há cinco anos. Além disso, têm convidados muito especiais, como Eddie Vedder (Pearl Jam) cantando "Let's See Action", Noel Gallagher (Oasis) tocando guitarra até que de forma decente em "Won't Get Fooled Again", Paul Weller (The Jam) em um dueto acústico maravilhoso com Pete Townshend em "So Sad About Us", o violinista punk Nigel Kennedy na maravilhosa "Baba O'Riley" e a musa Kelly Johnson, do Stereophonics. Um show excelente e imperdível.
O grande Who encerrou as atividades em 1982 depois de 18 anos de carreira vitoriosa (embora o anúncio oficial da separação tenha ocorrido somente em janeiro de 1984). Houve uma reunião extraordinária para um concerto de 15 minutos no Live Aid, em 1985 e deveria ter parado por aí.
No entanto, a febre dos "revivals" de dinossauros dos anos 60 e 70 que haviam parado e voltaram acometeu os remanescentes e armaram uma turnê de "comemoração" de 25 anos de fundação da banda e 20 anos do lançamento da obra-prima "Tommy" em 1989 pelos Estados Unidos e pela Inglaterra (e que acabou rendendo um CD duplo, "Join Together", desnecessário). Depois dessa turnê para "matar a saudade", imaginou-se que os três deixariam o Who sossegado para sempre e parar com os shows caça-ní, onde nada tocam de novo, só músicas do passado, verdadeiras caricaturas de si mesmos.
Mas eles não pararam quietos, a fonte de dinheiro é muito boa para ser deixada de lado. Em 1996 se reuniram novamente para fazer uma turnê especial baseada no CD duplo "Quadrophenia", de 1973, que seria pela primeira vez executado na íntegra ao vivo. A turnê mundial acabou somente em 1998. No ano seguinte, fizeram várias apresentações ao vivo acústicas e semi-acústicas pelos Estados Unidos, boa parte deles beneficentes (essa tgurnê redeu mais um CD ao vivo oficial, "Brush with the Blues", vendido apenas pela Internet pelo site Musicmaker).
Em 2000 continuaram a fazer shows durante todo o ano, mostrando um vigor impressionante depois de 36 anos de iniciada a carreira do grupo. E não dão sinais de que vão largar o osso tão cedo. É pena, por mais que os shows atais sejam maravilhosos, eles já deveriam ter parado a muito tempo, pois correm o risco de enterrarem um dos maiores mitos do rock mundial.
Li com estupefação na coluna de Antonio Carlos Faria (grande AC) na seção Pensata da Folha Online que um grupo de jovens de classe média alta da Barra da Tijuca está aterrorizando o bairro. Ele se autodenominam "Os Talebans da Barra" e não têm ideologia nenhuma. A diversão deles é sair de dia ou de noite e espancar quem aparecer pela frente, independente de ser homem, mulher, criança, adulto, forte, fraco...
Se alguém ousa reagirm, apanha mais; se alguém ousa denunciá-los (eles não se preocupam em esconder suas identidades) sofrem todo o tipo de ameaças.
Isso me lembra as torcidas organizadas de futebol, que sempre promoveram (e ainda promovem) arruaças nas partidas e nas imediações dos estádios. Mas eles não são nada comparados com a imbecilidade suprema dos tais Talebans da Barra. Esses caras merecem ser espancados até clamarem e implorarem por suas vidas.
Na verdade não há notícias sobre a banda, mas sobre seus integrantes. David Gilmour, guitarrista e atual líder do trio, disse que a banda fica na geladeira por mais algum tempo. Enquanto isso, ele segue fazendo shows acústicos por cidades da Inglaterra. Dependendo do dia, ele toca sozinho, com uma variedade de violões, ou com um trio de guitarra semi-acústica, baixo acústico e bateria, além de seus violões (alguns desses shows foram gravados por fãs e pirateiros profissionais e já estão à venda na Galeria do Rock). Ele pretende azeitar uma banda acústica para gravar shows em 2002 para lançar um CD ao vivo.
Jà Roger Waters, ex-integrante e ex-líder do Pink Floyd, está de férias, mas volta a fazer shows no início do ano que vem. Após uma turnê longa pela Europa, ele deve baixar em São Paulo e no Rio entre 10 e 13 de março com sua banda, de acordo com o ste oficial do Pink Floyd. Waters saiiu brigado do conjunto em 1985, quando queria a todo custo encerrara as atividades da banda, mas perdeu nos tribunais para Gilmour, que ganhou o direito de continuar usando o sagrado nome do conjunto.
terça-feira, outubro 09, 2001
Nada como uma tragédia em "nosso" quintal para mobilizar mundos e fundos... Paul McCartney já tinha anunciado sua intenção de fazer um show beneficente em homenagem aos bombeiros que morreram durante os atentados aos Estados Unidos. Pois o show vai rolar e será ainda mais grandioso do que o planejado.
A questão é que a coisa está indo rápido demais. Quando falaramd e fazer um concerto para os pobres de Bangladesh (1971) ou da Etiópia (1985, o Live Aid), as negociações e a preparação durou mais de ano. Afinal de contas, eram pobres do Terceiro Mundo, quem se importa? Agora é diferente, foi em Nova York, a capital do mundo... Por que não um concerto em benefício do paupérrimo povo afegão?
O ex-beatle pretende reunir os maiores ícones do rock nesse evento, que já está sendo chamado de “Live Aid 2”. Entre os nomes citados por Paul estão Ringo Starr, Mick Jagger, David Bowie, Bruce Springsteen, The Who, Santana, Lenny Kravitz, Sheryl Crow e Limp Bizkit. E o melhor: Paul quer reunir o Led Zeppelin para tocar no tributo. Depois da separação, em 1980, o trio restante do Led Zeppelin (o baterista John Bonham morreu naquele ano), Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones tocaram juntos apensa duas vezes: no Live Aid, que rolou em 1985, e no aniversário de 40 anos da Atlantic Records (gravadora do grupo), em 1988.
Além do nome provisório e da volta do Led Zeppelin, o evento criado por Paul McCartney tem mais coisas em comum com o Live Aid.Ele segue a mesma linha do festival organizado por Bob Geldof, só que desta vez, a grana arrecadada não vai para as crianças da Etiópia e sim para as famílias dos bombeiros. O Live Aid 2 deve rolar no dia 20 de outubro, no Madison Square Garden, em Nova York.
Já escrevi anteriormente que não gosto de colocar letras de música no blog,
principalmente em inglês. Acho que as letras sem a música, de certa forma e
nesse contexto, perdem o sentido. No entanto, fiquei sabendo da morte
do vocalista André Boragina, do Fates Prophecy, banda de São Paulo de havy
metal melódico/tradicional. O rapaz tinha 31 anos e foi vítima de câncer.
Quando cheguei em casa à noite, escutei o novo CD do Saxon, "Killing
Ground", que está ótimo. Aí deu vontade de escutar "Requiem", que essa
maravilhosa banda inglesa de heavy metal gravou em 1990 em homenagem a
"todos aqueles que nos deixaram" (It`s a celebration of the music they left
behind... We will remember).
Em um show realizado na Alemanha em 1995, registrado no CD duplo ao vivo
"The Eagle Has Landed part 2", o vocalista Peter Byff Byfford faz uma
introdução emocionante para "Requiem" dedicando a música para Phil Lynott
(Thin Lizzy), Bon Scott (AC/DC), John Bonham (Led Zeppelin) e Stevie Ray
Vaughan, todos já mortos. Aí vai a letra de "Requiem", em homenagem aos já
citados e também a André Boragina, Keith Moon (The Who), Keith Relf
(Yardbirds), Jimi Hendrix, John Lennon, Brian Jones (Rolling Stones), Cliff
Burton (Metallica), Kurt Cobain (Nirvana), Ian Stewart (Rolling Stones),
Ronnie Lane (Faces, Small Faces), Steve Marriott (Small Faces, Humble Pie),
Elvis Presley, Steve Clarke (Def Leppard), Allen Woody (Gov't Mule), Freddie
Mercury, Raul Seixas, Cazuza, Renato russo, Marcelo Fromer e muitos
outros...
"REQUIEM" (Caeter/Byfford/Oliver/Glockler)
Somewhere in the night
A candle burns for you
The eternal flame
The Light keeps shining on
Your music is immortal
It's stood the rest of time
You're gone but not forgotten
You walk with us
We will remember
They were born to rock and roll
We will remember
The song's a celebration
Of what you gave to us
The legacy you left still marches on
Still they play your music
All around the world
Blasting through the airwaves
To the stars
We will remember
They were born to rock and roll
We will remember
From London to Chicago
From the mountains to the sea
The Legacy you left
Will never die
We will remember
They were born to rock and roll
We will remember
O texto a seguir foi publicado no Estadão.com hoje, dia 9 de outubro. Grande baixaria protagonizada pelo Palmeiras B na final de um torneio meia-boca na Índia, apesar de que a culpa pela briga e tumulto deva se dividida com o adversário e com a truculenta polícia indiana:
"A pancadaria que envolveu jogadores do Palmeiras B e do East Bengal, na final do torneio IFA Shield, em Calcutá, no domingo, provocou grande repercussão na Índia. Os jornais dedicaram várias páginas aos incidentes, que ocorreram no Estádio Salt Lake. Torcedores e jogadores da equipe da casa culparam os brasileiros pelas cenas de violência.
Os palmeirenses abandonaram o campo quando venciam a partida por 1 a 0. "Um capítulo vergonhoso foi acrescentado ao tradicional torneio de futebol de Calcutá", destacou o diário Indian Telegraph - esta foi a 107.ª edição da competição.
Segundo a imprensa local, toda a confusão começou quando o zagueiro Marcão fez falta em Jackson Egygopong. O lance teria sido violento. A partir de então, jogadores e comissão técnica de ambos os times deixaram o banco de reservas e invadiram o gramado e protagonizaram cenas de guerra. Quatro atletas indianos se machucaram seriamente. Os brasileiros abandonaram o estádio rapidamente sem dar explicações. A Agência Estado tentou contato com os palmeirenses que participaram do episódio, mas eles já haviam embarcado rumo ao Brasil. Chegarão a São Paulo na quarta-feira pela manhã.
Torcedores que estavam no estádio, todos do East Bengal, começaram a atirar objetos em campo contra os brasileiros e conseguiram atingir alguns jogadores. Até policiais foram acusados de agredir os palmeirenses. "O estádio acabou se tornando um campo de batalha para Palmeiras e East Bengal", ressaltou o jornal The Statesman. V. Thambi, responsável pela segurança da partida de domingo, afirmou que a "polícia tentou apenas proteger os jogadores do Palmeiras dos ataques dos torcedores." Afirmou, porém, que os culpados foram os brasileiros. "Acredito que os brasileiros tenham entendido que foram os únicos culpados."
O ministro Rajib Rudi discordou da opinião do chefe da segurança e disse que toda a culpa foi da polícia. "Os policiais bateram nos brasileiros, que eram convidados do nosso país", disse. O caso será encaminhado à Fifa e, dependendo do relatório do juiz P. Bhaskar, o Palmeiras poderá ser punido. A Associação Indiana de Futebol não deve dar o título para nenhuma das equipes. Os palmeirenses venciam por 1 a 0, gol de Reinaldo. "O Palmeiras dominava a partida, mas, surpreendentemente, decidiu partir para a violência", observou o Indian Telegraph."
"Segredos de Hitler" é o nome de um livro que vem agitando os bastidores do meio acadêmico da Alemanha, segundo revela reportagem da Veja desta semana. A obra sustenta que o ditador nazista Adolf Hitler era gay. Primeiro teria sido garoto de programa nas ruas de Viena e Munique para fugir da miséria entre 1905 è 1914, já que não conseguia vender seus quadros ruins. Mais tarde, durante a I Guerra Mundial, teria deixando muitos indícios de que era homossexual, para em seguida abraçar por opção o que antes era uma "forma de sobreviver". Apesar de farto de indícios, o livro ainda deixa muitas dúvidas sobre a afirmação de Hitler era gay, mas há depoimentos fortes nesse sentido. O assunto não é novo, mas "Segredos de Hitler" parece ser a obra que traz as informações mais relevantes sobre o tema. Por essa os neonazistas não esperavam.
segunda-feira, outubro 08, 2001
A trilha sonora de hoje é "Hats Off to Angus and Malcolm", do grande guitarrista norte-americano David T. Chastain. Uma grande homenagem à dupla das seis cordas do AC/DC, um rock instrumental dos bons. A música está no CD "Rock Guitar", lançado no BRasil pela Rock Brigade Records ao preço de R$ 22,00. O CD é todo instrumental.
A revista Imprensa consegue ir no fundo do poço mais do que qualquer um pode imaginar. Eles estão promovendo uma pesquisa via Internet para saber qual o "jornalista do século XX". Veja quem está concorrendo, mas não vale rir muito, ok?
Em ano de Rock in Rio 3 e shows ótimos como Savatage, Judas Priest, Helloween e Eric Clapton, seria necessário um grande evento para fechá-lo com chave de ouro. E esse evento vai acontecer em São Paulo nos dias 3 e 4 de novembro no Credicard Hall. "Voices of Classic Rock" é o novo projeto do fantástico Glenn Hughes (ex-Black Sabbath e Deep Purple, na foto) e do bom vocalista Joe Lynn Turner (exDeep Purple e Rainbow).
Desde o ano passado os dois amigos ingleses cantam juntos em shows pela costa oeste dos Estados Unidos. O resultado agradou tanto aos dois que eles resolveram tornar a coisa mais séria. Criaram o The Hughes Turner Project para torcar pelo resto dos Estados Unidos e também pela Europa em 2002. A união dos dois acabou desembocando no convite para ambos participarem do projeto
"Voices of Classic Rock".
Nesse meio tempo, acharam uma brecha para tocar em São Paulo, muito provavelmente por influência de Hughes, que declaradamente adora a cidade e o país. Acompanhando os dois vocalistas estarão Alex Ligertwood (Santana), Bobby Kimball (Toto), Jimi Jamison (Survivor) e e o grande guitarrista Pat Travers (Pat Travers Band). O repertório deverá conter muita coisa de Deep Purple, Rainbow, Toto, Survivor, Journey e alguns clássicos do rock de bandas como Queen. Imperdível...
Má notícia para o rock brasileiro. Morreu na última quinta-feira, dia 4, o vocalista André Boragina, da ótima banda paulistana Fates Prophecy. Assíduo frequentador de shows em São Paulo e músico promissor, foi um dos maiores entusiastas na divulgação do selo/gravadora de São Paulo Megahard, que editava os trabalhos da banda. André tinha 31 anos e sua morte decorreu em consequência de um câncer linfático. O cantor estava afastado da banda havia seis meses, quando foi diagnosticada a doença. Tive o privilégio de conhecê-lo e entrevistá-lo para várias publicações às quais eu escrevia. Sua maior vitória, assim como a da banda, foi a inclusão do cover "Wasted Years" em um tributo norte-americano ao Iron Maiden. R.I.P., man...
Em 8 de outubro a Mascot Records irá lançar um novo tributo ao QUEEN chamado Stone Cold Queen. Confira a tracklist e intérpretes: Stone Cold Queen (Robin Zander/Steve Stevens/Billy Sheehan/Matt Sorum) / Play The Game (Mickey Thomas/Marty Friedman/Chuck Wright/Paul Taylor/Greg Bissonette) / Fat Bottomed Girls (Joe Lynn Turner/Reb Beach/Tony Franklin/Eric Singer) / Somebody To Love (Geoff Tate/Doug Aldrich/Paul Taylor/Carmine Rojas/Aynsley Dunbar) / Crazy Litte Thing Called Love (Gunnar & Matthew Nelson/Albert Lee/Michael Porcaro/Pat Torpey) / Fight From The Inside (Jack Blades/Jake E. Lee/Tony Levin/Thony Thompson) / You’re My Best Friend (Jason Scheff/Richie Kotzen/Paul Taylor/Marco Mendoza/Vinny Appice) / I’m In Love With My Car (Kip Winger/SteveLukather/Phil Soussan/Frankie Banali) / Killer Queen (Glenn Hughes/Pat Thrall/Stu Hamm/Paul Taylor/Carmine Appice) / Spread Your Wings (Tommy Shaw/Dweezil Zappa/Tim Bogert/Derek Sherinian/Steve Ferrone) / We Will Rock You (Jack Russell/Bruce & Bob Kulick/Jeff Pilson/Mikkey Dee)
sexta-feira, outubro 05, 2001
A caminhada até a praça central da cidade fora torturante. Em um estado de torpor, contemplava os edifícios e as ruas sem nada entender. Ninguém à vista, como se a cidade inteira tivesse sido evacuada. As pessoas sumiram. Não havia barulho. De vez em vez um aleve brisa batia-lhe no rosto, aliviando o calor do sol forte.
Parou na porta da cafeteria onde almoçava todos os dias. Teve medo de entrar. Apenas entreabriu a porta. Estava escuro. Ninguém lá dentro. Era quase meio-dia e a cafeteria estava vazia em uma sexta-feira. Isso é impossível, não existe. Os lugares ali eram disputados a tapa a partir das 11h. Onde estava a garçonete gorda e asquerosa que atendia a todos com um mau-humor terrível? Cadê o segurança mal encarado? Onde estava a balconista que havia sido sua amante por quatro anos?
O estabelecimento vizinho era uma loja de CDs. Espiou pela vitrine o interior e percebeu a luz acesa. Tomou coragem e entrou. Estava vazia. Viu na estante de lançamentos um título lançado no da anterior, com o melhor de um guitarrista de heavy metal. Colocou o CD no aparelho de demonstração e o escutou no último volume, imóvel, por mais de uma hora. Impulsivamente, colocou outro título de um artista barulhento e iniciou uam espécie de coleta nas prateleiras do que o interessava.
Estaria ele roubando? a cabeça doía novamente. Com quase quarenta CDs em uma sacola, deixou a loja com a música ainda tocando. Parou na esquina. Voltou e colocou a sacola na porta, do lado de dentro. Para que levar os CDs? Se o mundo não existia mais, ele poderia escutar o que quisesse na própria loja quando quisesse.
Será que ainda existiam alimentos? Checou o supermercado da avenida principal e lá havia comida de sobra. Os freezers e geladeiras funcionavam normalmente, abarrotados de produtos, mas não havia sinal de seres humanos. Enquanto comia algumas frutas, tentava imaginar o que estaria acontecendo. Descartou estar sonhando, pois aquela maçã que mordia era bem real. Evacuação em massa? Por quê? E como não percebeu a evacuação? Guerra química ou bacteriológica? Mas não havia mortos em lugar algum. Bomba de nêutrons, aquela que mata os seres vivos e preserva as edificações? Mas onde estavam os mortos?
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O sonho de consumo estava ali, na próxima esquina, na concessionária mais luxuosa da cidade. Era um Porsche Carrera 909. Ele procurou a chave por mais de meia hora em toda a loja até que achou-a no escritório do gerente. Não havia o menor vestígio de seres humanos por lá. Escolheu entre vários modelos e cores um Porsche preto com frisos dourados. Deu sorte, o tanque estava com meio tanque de combustível. Acelerou alto e devagar saiu da concessionária.
Passeou por toda a cidade e nada de seres humanos, ou melhor, nada de seres vivos. Ninguém para incomodá-lo. Ninguém para persegui-lo. Poderia passar à vontade pelos semáforos vermelhos e em alta velocidade sem receio de ter más surpresas.
Em vez de estar chocado, atônito com a situação, estava surpreendentemente alheio. Não se incomodava. e daí que o mundo tinha acabado. O problema não era dele. Sobreviver? Mas sobreviver a quê, com quem e para quê?
Passou no outrora movimentado aeroporto da cidade. Nem vestígio de nada. Ninguém. Nenhum barulho. Todos os aviões nos hangares. Todos os guichês vazios e inoperantes. Tentou mexer em um computador mas não acessava coisa alguma, muito menos internet. Conseguiu chegar a muito custo na torre de controle. Estava vazia. Todos os equipamentos estavam ligados, acesos, mas em nenhum deles via-se qualquer informação. No equipamento que deveria acusar tráfego aéreo na região, apenas uma tela vazia. O rádio estava silencioso. Não havia comunições. Não havia aviões nos céus do mundo. Que mundo?
O tecladista norte-americano Derek Sherinian (ex-Dream Theater), que atualmente toca com Yngwie Malmsteen, publicou hoje em seu site pessoal um pedido de desculpas em relação às grosserias que despejou a respeito do Brasil e Porto Alegre e que foram publicadas ontem no mesmo site (www.dereksherinian.com).
O músico estava irado com o comportamento do público gaúcho no bar Opinião por ocasoão do show de Malmsteem no dia 3 em Porto Alegre e acabou desancando a cidade, chamando-a de "terceiromundista e cheia de mendigos e caipiras". O guitarrista sueco tocou um trecho do hino dos Estados Unidos ao final de uma música em homenagem aos mortos no atentado ao World Trade Center. Algumas idiotas na platéia não entenderam ou são mesmo completamente ignorantes e resolveram gritar "Brasil" em protesto quando da execução do hino.
A banda não entendeu nada e Malmsteen ainda tocou o mesmo trecho do hino ao final de outras músicas. O mesmo grupo de energúmenos, achando que estavam sendo provocados, começaram a gritar "Osama" e "Bin Laden", além de outras palavras ofensivas aos Estados Unidos. Inconformados, os músicos da banda resolveram encurtar o show e não voltaram para o bis. Apenas Malmsteen retornou ao palco para tocar uma música apenas com guitarra e, ao final desta, mais um trecho do hino dos Estados Unidos, aproveitando ainda para xingar o público.
Leia a carta de Sherinian se desculpando:
"Esta é uma carta aberta ao Brasil.
Primeiramente, gostaria de pedir desculpas à cidade de Porto Alegre por meus comentários agressivos.
Apesar de meu desapontamento pela reação do público em apoiar Osama Bin Laden e mostrar ódio ao meu país, meus comentários apenas adicionaram combustível a um incêndio que eu gostaria que nunca houvesse começado.
Eu toquei no Monsters of Rock do Brasil em 1996 com Alice Cooper, e em 1998 com o Dream Theater. EU AMO o Brasil. E EU AMO o povo brasileiro. Quero tocar aqui no futuro.
Peço que levem em conta que este é um momento extremamente delicado para o meu país. Pensem nas crianças e famílias que perderam seus entes queridos na tragédia do World Trade Center. A América NÃO FOI a única vítima. Muitos brasileiros, entre pessoas inocentes de muitos países, foram mortas neste ato inconseqüente de terror.
Eu não sou um político. A única coisa que me preocupa é tocar música e levar música para pessoas ao redor do mundo.
Eu não irei julgar o Brasil e nem mesmo a cidade de Porto Alegre apenas pelas ações daquele público.
Nós somos TODOS parte da raça humana, e a linguagem universal que nos une é a música.
Sinceramente,
Derek Sherinian"
Revigorado e renovado após uma temporada de gravaões na Alemanha, o Angra deve lançãr no começo de novembro seu novo CD, "Rebirth". Será o primeiro sem André Mattos (vocal), Luís Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria), que saíram no ano passado para formar o Shaman. Veja os nomes das músicas abaixo:
1 - In Excelsis (Loureiro)
2 - Nova Era (Falaschi/Loureiro)
3 - Millennium Sun (Loureiro/Bittencourt)
4 - Acid Rain (Bittencourt)
5 - Heroes of Sand (Falaschi)
6 - Unholy Wars (Loureiro/Bittencourt)
Part I - Imperial Crown
Part II - The Forgiven Return
7 - Rebirth (Loureiro/Bittencourt)
8 - Judgement Day (Loureiro/Falaschi/Priester)
9 - Running Alone (Bittencourt)
10 - Visions Prelude (Loureiro, from Chopin, Opus 24 in C minor)
quinta-feira, outubro 04, 2001
Veja só o site Pergaminho, de Santa Catarina, trazendo o tema racismo/nazismo. Eles colocam em debate as mensagens de um site da cidade de São Bento do Sul, de uma agremiação intitulada
Movimento São Bento do Sul Mach die Augen auf! (o termo em alemão significa "abra os olhos"), que instiga a população a se fechar e a hostilizar "forasteiros". O preconceito vai às alturas com o intuito de "preservar a nossa cultura milenar". É óbvio que o site é mantido por nojentos e asquerosos descendentes de alemães. A matéria no site é séria, mas as respostas de um cidadão não-identificado que mantém o site são hilárias...
Aqui você encontra o nojento Manifesto ao Povo de São Bento do Sul. Também é hilário...
Aqui está a página do tal movimento. Lixo total.
Nota zero para o comportamento do público portoalegrense durante o show do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen no bar Opinião no dia 3 de outubro. O guitarrista tocou na segunda parte do show um trecho do hino nacional norte-americano ao final de uma música, evidente homenagem aos mortos do atentado ao World Trade Center, em Nova York (apesar de sueco, Malmsteen mora desde 1983 em Los Angeles).
O público gaúcho não se conformou e começou a gritar "Brasil" em protesto contra a execução do hino ianque. Os músicos, evidentemente, não gostaram. Malmsteen é reconhecidamente arrogante, pedante e egocêntrico e não tolea vaias ou contestações. Ele se acha um Deus (é um esxcelente guitarrista, um dos melhores da história, mas humildade faz bem a qualquer pessoa). Irritado com a manifestação do público, ele repetiu trechos do hino ao final de mais cinco músicas e encerrou o show com o hino inteiro. O público, irado, começou a gritar "Osama", "Bin Laden" e outros impropérios contra os Estados Unidos. Os músicos ficaram horrizados.
Veja um relato anônimo de um espectador do show:
O show do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen acabou em um incidente preocupante ontem à noite no Bar Opinião, em Porto Alegre. Faltando seis músicas para o final do que previa o roteiro da apresentação, o músico encerrou um solo com um trecho de "Star Spangled Banner", o hino nacional norte-americano. A citação era parte habitual dos shows do guitarrista, mas foi saudada aos gritos de "Brasil! Brasil!". Incomodado com a reação, Malmsteen, que mora nos EUA, insistiu em repetir frases do hino nas músicas que se seguiram. "Você sabe como o Malmsteen é... Ele não gostou e fez questão de tocar de novo", conta o guitarrista gaúcho Frank Solari, que estava na platéia.
No bis, Yngwie voltou sozinho e avisou que a platéia teria de ouvir o hino mais uma vez. Tocou a música "Black Star" e emendou com o "Star Spangled Banner" novamente, dessa vez na íntegra. Várias pessoas começaram a gritar "Bin Laden! Bin Laden!" e, ao fim da música, Yngwie vociferou contra a platéia: "Açougueiros, assassinos!" Antes de sair, arrematou: "God bless America and fuck you all!"
O trecho a seguir está publicado no site www.dereksherinian.com. É o relato do tecladista Derek Sherinian (ex-Alice Cooper, Dream Theater, enre outros) sobre o acontecimento, ditado ao seu webmaster para publicação em seu site:
"Atualmente sou o único americano na banda de Yngwie Malmsteen. O que aconteceu no show passado em Porto Alegre foi chocante. Lá pelo meio do set, Yngwie terminou seu solo com "Star Spangled Banner".O público presente, cerca de 1.500 pessoas, começou imediatamente a vaiar muito ruidosamente e jogando porcarias no palco.
A multidão começou a cantar "Osama! Osama!" Então, depois do solo de Yngwie, tínhamos cinco outras músicas para tocar ainda. Todo o meu espírito tinha se ido. Terminei o set com desgosto e sem sequer olhar para a platéia durante todo o restante do tempo. Depois da última música, a banda foi para o camarim e eu disse para Yngwie: "Eu me recuso a voltar para o bis sob quaisquer circunstâncias. Foda-se essa gente!" Yngwie voltou ao palco e tocou "Star Spangled Banner" de novo, diante de um coro de vaias. Ele então disse no microfone "God Bless America, and FUCK YOU ALL" e saiu. A platéia começou uma confusão e começou a jogar porcarias no palco. Nós imediatamente voltamos às pressas para o hotel.
Eu gostaria de agradecer Yngwie por nos defender, e por defender os EUA. Para o pessoal de Porto Alegre, vocês deveriam estar envergonhados de si mesmos. Não estou nem aí se nunca mais tocar nessa cidade de terceiro mundo infestada de mendigos! Deus abençoe a América."
Malmsteen ainda toca com sua banda no Rio e em São Paulo. Na capital paulista o show ocorrew dia 5 de outubro no via Funchal. Apenas um adendo para fechar. O comportamento dos metaleiros gaúchos foi deplorável, sem a menor justificativa. A banda tem o direito de tocar o hino de quem quiser e ninguém pode reclamar da reação dos músicos.
Malmsteen sempre declarou que adora o público brasileiro (tanto que gravou seu segundo CD ao vivo em São Paulo, em 1998). A banda merece a solidariedade, mas que Sherinian pegou pesado ao final de sua carta, pegou. Ele que suma do Brasil e nunca mais volte aqui. Não precisamos de um tecladista meia-boca, que foi despedido por incompetência do Dream Theater, tocando por aqui. ele que n unca mais toque em cidades de terceiro mundo cheia de mendigos...
quarta-feira, outubro 03, 2001
A seleção brasleira de futebol é a única do mundo que permite torcedores em seus treinos. É antiga essa prática. Abrem-se os portões e se permite que a galera assista aos treinos táticos, aos treinos físicos e aos coletivos. Que graça tem ver Rivaldo fazendo abdominal. Mas o pior é o fato de que a torcida assiste aos coletivos como se fosse uma partida oficial, gritando e vaiando.
Vaiar treino coletivo é o fim da picada. E isso tem acontecido sistematicamente há anos. Será que a CBF nâo percebeu que isso é prejudicial à equipe? Treino é treino, jogo é jogo. É a mesma coisa que o público assistir aos ensaios de ma peça ou de uma novela, podendo se manifestar, gritar e vaiar. É óbvio que isso atrapalha. É legal o França, o Élber, o Rivaldo azerem um simples treino de chutes a gol com 5.000 torcedores e desocupados gritando "Romário", "Edmundo", "Marcelinho Carioca"? É legal o técnico ser chamado de burro durante o coletivo.
Lugar de torcedor é na arquibancada em jogos oficiais. Treinos devem ser fechados para que se realmente treine alguma coisa.